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O PAPEL DO PEDAGOGO FRENTE À APRENDIZAGEM E O PROCESSO DE AVALIAÇÃO

Educação

Diferentes modos de conceber e praticar a avaliação da aprendizagem escolar, interpretando as contradições entre o discurso registrado no Projeto Político Pedagógico e a efetivas ações avaliativas que se materializam no cotidiano escolar.

índice

1. INTRODUÇÃO:

O papel do professor frente à aprendizagem e o processo de avaliação escolar têm sido atualmente muito debatidos, pesquisado e estudado por busca de respostas aos problemas que perpassam pela ação docente no ato de avaliar, tais como: Quais os modos de conceber e praticar a avaliação que se materializam no cotidiano escolar? Que elementos estão presentes no discurso dos professores, com relação à avaliação? Como está delimitada a teoria e a prática avaliativa?

A criança precisa ser tratada como o centro da ação avaliativa, muito comum em nosso meio perceber que o processo avaliativo tem como o resultado de testes, provas, trabalhos ou pesquisas que são dados ao aluno e aos quais se atribui uma nota ou conceito. Este aprova ou reprova. Temos, então, um julgamento.

Na verdade, a avaliação acompanha todo o processo de aprendizagem e não só um momento privilegiado (o da prova ou teste), pois é um instrumento de “realimentação” contínuo para o educando e para todos os participantes. Nesse sentido, fala da consecução e não dos objetivos da aprendizagem.

O professor mostra-se como uma preocupação muito ampla em manter a disciplina e cumprir o conteúdo, não se interessa em saber se o aluno aprendeu ou não, se despertou o interesse real ou não do conteúdo desenvolvido para a realidade do discente em meio a esta atitude julga que quem não aprendeu é porque é “desinteressado”, “carente”, “indisciplinado”.

A avaliação precisa olhar o educando como ser social, sujeito do seu próprio desenvolvimento onde a reconstrução da avaliação não acontecerá por experiências isoladas ou fragmentadas, mas por uma avaliação continuada e que ultrapasse o espaço da escola.

A principal questão tratada nesse trabalho: por que o professor tem dificuldade de avaliar o aluno?

O interesse por esse assunto surgiu das dificuldades enfrentadas no dia á dia em utilizar os instrumentos de avaliação na escola em que trabalho, além disso, o tema abordado possui grande relevância e interesse de professores, gestores, e orientadores educacionais. Através do tema escolhido, pretendia pesquisar as avaliações feitas pelos professores no Ensino Fundamental I, sendo assim, neste estudo foi levantada a seguinte hipótese: o processo de avaliação na educação deve ser de uma forma clara, contínua, com observação permanente do aluno, buscando dele a autonomia e liberdade.

A adoção de uma nova postura educacional avaliativa perpassa uma educação que estimula o desenvolvimento da criatividade preservando a diversidade eliminando a desigualdade discriminatória, originando uma nova forma de educar e avaliar.

Considera-se que o docente de posse das informações científicas sobre as novas formas de ensinar e aprender e ao compreender a importância do seu trabalho para o bem social, ele conduzirá suas práticas avaliativas de forma consciente e favorável ao crescimento individual e profissional de cada discente, auxiliando-o a ser tornar um ser crítico e reflexivo capaz de atuar na sociedade contemporânea.

Nesse sentido, a pesquisa teve como objetivo geral: compreender os diferentes modos de conceber e praticar a avaliação da aprendizagem escolar, interpretando as contradições entre o discurso registrado no Projeto Político Pedagógico e a efetivas ações avaliativas que se materializam no cotidiano escolar. Assim, alguns objetivos específicos fizeram-se necessários: analisar as práticas avaliativas presentes no cotidiano escolar, e a concepção de avaliação e sua relação com a prática.

O referencial teórico para esta monografia abordou estudiosos que fazem relatos que a avaliação precisa ser diária através da observação permanente e que possibilite ao aluno uma aprendizagem, uma transformação  dos conhecimentos de forma efetiva e inteligente.

Buscando conhecer as diferentes formas de avaliar, foi realizada uma pesquisa de campo (pesquisa de campo consiste em aprofundar-se numa  única realidade) em uma escola da rede Municipal no seguimento de ensino fundamental I, no centro da cidade de Dormentes PE, com clientela de classe média e pais sem formação ou apenas com ensino fundamental I incompleto, raro são os portadores de ensino médio e nível superior. Foi utilizada como instrumento uma entrevista onde quatro professores responderam a todas as perguntas relacionadas ao tema desta monografia. Com o objetivo de concluir que na avaliação não é apenas a criança que é avaliada, mas todo o trabalho pedagógico oferecido a ela, também é avaliado, repensado e modificado sempre que necessário.

Frente a tais situações é imprescindível, que a escola valorize a família dos educando, buscando sempre aproximá-las do ambiente escolar, e que os professores busquem sempre a trabalhar de acordo com a realidade dos educandos. É o que se espera do sistema educativo na escola contemporânea, que o papel do professor seja levar o aluno a aprender para conhecer, o que pode ser traduzido por aprender a aprender, em que o aluno é capaz de exercitar a atenção, a memória e o pensamento autônomo.

Para uma melhor compreensão do assunto, buscou-se abordar o mesmo sob um ponto de vista amplo e reflexivo, levando-se em consideração conforme frisado anteriormente, estudos realizados nas disciplinas dos Cursos de Graduação e de Pós-graduação - Psicopedagogia, os quais serviram de bases para o desenvolvimento deste.

Um dos principais pontos levantados se deve ao fato de conhecer mais a fundo esses problemas que envolvem a avaliação e que afetam a relação entre professor e aluno, ao invés de possibilitar o encontro de possíveis soluções, são os objetivos principais da presente pesquisa, desejando assim chegar-se de fato a uma avaliação humanitária respeitando a opinião dos alunos e do ensino de qualidade trazendo assim uma aprendizagem significativa, pois o processo de avaliar, não é ato tão fácil de ser entendido, mas também não é um bicho de sete cabeças; no entanto, é imprescindível que a escola e os educadores se conscientizem,  para ser avaliado, o aluno precisa participar de situações que coloquem a necessidade de refletir, transformando informações em conhecimento próprio e enfrentando desafios.

Como objetivos secundários da presente reflexão, vê a urgente necessidade de criar condições para que todos os alunos desenvolvam em suas capacidades e aprendam os conteúdos necessários para a vida em sociedade de forma prazerosa e espontânea, além disso, buscar novas soluções, criando situações que exijam o máximo de exploração por parte dos alunos e estimular novas estratégias de compreensão da realidade; melhorar a qualidade do ensino, motivando e efetivando a permanência do aluno na Escola; criar ou mesmo desenvolver mecanismos de participação que traduzam o compromisso de todos na melhoria da qualidade de ensino e com o aprimoramento do processo pedagógico.

2. UM OLHAR SOBRE A AVALIAÇÃO NO COTIDIANO ESCOLAR

Em se tratando das práticas avaliativas da Escola alvo da pesquisa, foi constatado através da observação direta do cotidiano da escola, acompanhamento às atividades realizadas, as provas aplicadas e diálogo entre os docentes, que suas práticas, na maioria, não condizem com a teoria avaliativa inserida no PPP da escola, conforme afirma Gerhardt e Silveira (2009):

Para analisar, compreender e interpretar um material qualitativo faz-se necessário superar a tendência ingênua a acreditar que a interpretação dos dados será mostrada espontaneamente ao pesquisador, é preciso penetrar nos significados que os atores sociais compartilham na vivência de sua realidade. (Gerhardt e Silveira, 2009, p. 84).

Ao relacionar os aspectos da relação teoria e prática e considerar em especial o PPP da escola como sendo o guia dos trabalhos docentes, comprovou-se que a maioria dos docentes tem um conhecimento superficial sobre o documento, participou de formação na própria escola para repasse das ideias principal contida no mesmo, mas não teve a preocupação de fazer do documento um guia para os seus trabalhos em sala de aula. Por conta disso, o documento se transforma em um cumprimento burocrático exigido pela Secretaria de Educação,

A escola precisa promover mecanismo que de fato possam instigar seus atores a conhecerem e colocar em práticas as ações que programem. Somente assim, o documento deixará de ser arquivado e esquecido pelos atores da escola e de toda a comunidade local.

A partir desse contexto e ao considerar a dicotomia entre as teorias e práticas presentes no dia a dia da escola, fez-se necessário compreender a visão do “erro” presente nas ações do professor em seu no ato de avaliar. Para isso, perguntou-se ao professor: Você devolve as provas para os estudantes, debate sobre os “erros” e faz dele (o erro) um caminho para a aprendizagem significativa? As respostas ficaram a ser representadas: 60% devolvem as provas para os estudantes, mas não fazem correção dos erros, e o restante considera o “erro” como parte do processo ensino aprendizagem. Para melhor esclarecimento e considerando a pesquisa qualitativa foram analisadas as falas dos docentes para obtenção do resultado.

Durante a entrevista e diante da questão a serem respondidos, alguns professores deixaram claro em suas falas que o “erro” ainda é um dos principais motivos de reprovação e que as provas, na maioria das vezes, são devolvidas sem nenhuma reflexão sobre os “erros” cometidos pelos estudantes.

P1 - Sempre que corrijo as provas dos meus alunos, faça logo a devolução, para que eles possam saber onde aconteceram os erros!

P2 - Não! Não faço uma revisão dos erros, apenas digo que estudem as questões que estão erradas na prova!

Curioso observar na fala dos professores, que as velhas práticas de reprovar a partir dos “erros” continuam presentes apesar dos diversos estudos sobre as diferentes formas de avaliar e conceber o “erro” dos estudantes. Para Luckesi (2006, p.179), “é preciso estar atentos ao processo de correção e devolução dos instrumentos de avaliação da aprendizagem escolar aos educando”. Cabe ao professor considerar os erros de forma construtivista e devolver os instrumentos de avaliação de aprendizagem aos educando, comentando-os, auxiliando o educando a se autocompreender em seu processo pessoal de estudo, aprendizagem e desenvolvimento.

O “erro” dos estudantes continua sendo um fim, e não um caminho possível, mas não necessário, para as novas aprendizagens ocorrendo o insucesso ou o erro, aprendamos a retirar deles os melhores e os mais significativos benefícios, mas não façamos deles uma trilha necessária de nossas vidas. Desse modo, cabe ao professor um repensar sobre suas práticas avaliativas em sala de aula e sua forma de conceber o erro do aluno.

Após conhecer as formas dos professores conceberem os “erros” cometidos pelos alunos, buscou-se através de uma questão com múltiplas escolhas, analisar os instrumentos de avaliação mais utilizados por eles, a partir da seguinte questão:

Quais os instrumentos de avaliação mais utilizados por vocês durante o ano letivo? Para alternativas de respostas foram colocadas como opções: prova trabalhos em grupo, seminários, debates, assiduidade e compromisso dos alunos as respostas obtidas foram: 60% dos entrevistados preferem a prova no ato de avaliar. 30% trabalham em grupo e 10% outros instrumentos.

Por ser uma pesquisa de análise qualitativa, buscou-se analisar as falas dos docentes durante a entrevista e percebeu-se, que a prova continua sendo o instrumento de avaliação, preferido pela maioria deles. Ilustram tais considerações as respostas de um dois professores à questão:

- A prova ainda é o meio mais seguro de se conhecer sobre a aprendizagem dos estudantes!

- Somente através da prova escrita e individual o professor é capaz de conhecer o estudante.

- Realizo alguns trabalhos em grupo, mas continuo avaliando de forma individualizada!

Desse modo, constatou-se que é forte a presença de práticas tradicionais na escola, onde a prova continua sendo um dos principais instrumentos avaliativos e decisivos para a aprovação ou reprovação do estudante.

Neste contexto, entramos com o trabalho do psicopedagogo como norteador dos procedimentos necessários ao trabalho com crianças, adolescentes, que necessitam de acompanhamento.

2.1 Avaliações no contexto escolar e social

 Em nossa sociedade, de um modo geral, ainda é bastante comum às pessoas entenderem que não se pode avaliar sem que os estudantes recebam uma nota (conceito) pela sua produção. Avaliar, para o senso comum, aparece como sinônimo de medida, de atribuição de um valor em forma de nota ou conceito. Porém nós professores, temos um compromisso de ir além do senso comum e não confundir avaliar com medir.

A educação escolar é cheia de intenções, visa atingir determinados objetivos educacionais, sejam estes relativos a valores, atitudes ou aos conteúdos escolares. A avaliação é uma das atividades que ocorrem dentro de um processo pedagógico.

A avaliação tem como foco fornecer informações acerca das ações de aprendizagem e, portanto não pode ser realizada apenas ao final do processo, sob pena de perder seu propósito.

Percebem-se inúmeras contradições entre o discurso e a prática que se efetivam no dia a dia da sala de aula. As expressões da práxis avaliativa geram mais problemas do que contribuem para a melhoria do processo de aprendizagem. A partir desse contexto, o trabalho teve como foco observar a relação teoria/prática presente no dia a dia dos docentes da Escola supracitada acima, que atende a uma clientela de 800 alunos, jovens, adolescentes.

Tais conhecimentos contribuem para a formação do ser humano em diferentes aspectos: sociais, emocionais e culturais, que de algum modo influenciam na sua relação com o outro, uma vez que, cada ato individualizado deve ser realizado em prol do bem comum, e que de uma forma ou de outra sentimos seu efeito positivo ou negativo.

A adoção de uma nova postura educacional avaliativa perpassa uma educação que estimula o desenvolvimento da criatividade preservando a diversidade eliminando a desigualdade discriminatória, originando uma nova forma de educar e avaliar.

Considera-se que o docente de posse das informações científicas sobre as novas formas de ensinar e aprender e ao compreender a importância do seu trabalho para o bem social, ele conduzirá suas práticas avaliativas de forma consciente e favorável ao crescimento individual e profissional de cada discente, auxiliando-o a ser tornar um ser crítico e reflexivo capaz de atuar na sociedade contemporânea.

Nesse sentido, a pesquisa teve como objetivo geral: compreender os diferentes modos de conceber e praticar a avaliação da aprendizagem escolar, interpretando as contradições entre o discurso registrado no Projeto Político Pedagógico e a efetivas ações avaliativas que se materializam no cotidiano escolar. Assim, alguns objetivos específicos fizeram-se necessários: analisar as práticas avaliativas presentes no cotidiano escolar, bem como demonstrar a concepção de avaliação presente no cotidiano escolar e sua relação com a prática.

Detectou-se através da observação diária e entrevista realizada com os docentes, que a grande maioria deles, direciona seus trabalhos considerando os conhecimentos historicamente construídos, sobre os quais conduz suas práticas avaliativas, seguindo uma metodologia, onde os conhecimentos prévios dos discentes são desconsiderados, predominando suas próprias ideias. Além disso, os conteúdos são transmitidos para os discentes sem a preocupação de uma contextualização, onde os mesmos (os conteúdos) deverão ser “devolvidos” na hora da prova, ou seja, a ênfase maior das ações avaliativas dos docentes se relaciona aos conhecimentos cognitivos dos discentes, desconsiderando fatores emocionais e sociais indispensáveis para o desenvolvimento da aprendizagem.

Desse modo, as diferentes concepções de avaliar conhecidas e enraizadas pelos docentes participantes da pesquisa, não contemplam uma avaliação formativa, uma vez que, suas ações avaliativas são advindas da concepção de ensino aprendizagem, sobre a qual conduzem sua prática.

Nesse sentido, faz-se necessário, que a maioria dos docentes vá além das práticas habituais observadas durante toda a pesquisa como classificatória e seletiva, apresentando dicotomia entre o pensar e agir dos mesmos, onde demonstraram pouco conhecimento teórico sobre o assunto, acreditando não ser necessária uma mudança de postura, considerando que sua prática atende as necessidades educativas atuais.

Por meio da pesquisa-ação, com entrevista semiestruturada, observação participativa e análise documental foram possíveis coletar os dados necessários para contemplar os objetivos propostos. Para fundamentar a pesquisa utilizou-se das teorias de Philippe Perrenoud, por ser um autor que difunde amplamente a avaliação formativa, bem como, de outros estudiosos sobre o tema que defendem o construtivismo na ação educativa e em especial na avaliação escolar.

2.2 A avaliação formativa como aliada do processo ensino aprendizagem

As diferentes formas de avaliar são decorrentes das concepções que sustentam as práticas de qualquer professor, nesse sentido, avaliar tornar-se um ato subjetivo exteriorizado de forma a julgar uma ação. Perrenoud afirma que: “é formativa toda avaliação que ajuda o aluno a aprender e a se desenvolver, ou melhor, que participa da regulação1 das aprendizagens e do desenvolvimento no sentido de um projeto educativo” (PERRENOUD, 1999 p.102) isso implica o real sentido da avaliação formativa considerando não somente a aprendizagem cognitiva, mas valorizando as habilidades dos estudantes em seus diferentes conhecimentos.

A avaliação formativa trabalha em parceria com a avaliação diagnóstica dialética, conotação defendida por Luckesi (2006) que concebe o ato de avaliar como um ato amoroso e afirma que as experiências dos educandos devem ser valorizadas pelos docentes, para que através delas, eles sejam capazes de assimilarem novos conhecimentos. Desse modo, elas se completam e está interligadas buscando promover uma aprendizagem significativa aos estudantes nesse sentido, o docente deve conceber a avaliação formativa como um meio para acompanhar a vida diária do discente, sem a preocupação de padronizar instrumentos avaliativos, uma vez que, o processo, em sua maioria, acontece de forma dialógica e as formas de avaliar surgem de acordo com cada momento, observando o que o aluno aprendeu ou deixou de aprender, para que as decisões sejam tomadas em prol da aprendizagem e sejam motivadas por fatores cognitivos, afetivos e relacionais, concretizando assim uma avaliação sem repressão, sem punição. Luckesi assim confirma esta posição:

A avaliação da aprendizagem neste contexto é um ato amoroso, na medida em que inclui o educando no seu curso de aprendizagem, cada vez com qualidade mais satisfatória, assim como na medida em que o inclui entre os bem-sucedidos, devido ao fato de que esse sucesso foi construído ao longo do processo de ensino-aprendizagem (o sucesso não vem de graça). (LUCKESI, 2006, p.175).

Desse modo, a avaliação mediadora e a avaliação formativa se complementam no sentido de que, a avaliação formativa contribui para o desenvolvimento dos discentes, por ser um processo que considera os caminhos percorridos pelos mesmos durante o processo de ensino aprendizagem e a avaliação mediadora perpassa por esse mesmo pensamento, valorizando não somente os acertos, mas os “erros” cometidos durante essa trajetória, sendo que a partir deles “os erros” são possíveis construir práticas que possam de alguma forma superar e vencer os obstáculos futuros, frutos de uma aprendizagem que foi recuperada durante o processo. Assim é a avaliação formativa, um processo que precisa ser compreendido e colocado em prática pela maioria dos educadores, para que a nova versão e os novos tempos de avaliação sejam de fato concretizados. Para referendar o que já foi citado sobre a avaliação formativa, é preciso compreender que o docente é o principal mediador da aprendizagem e cabe a ele promover práticas efetivas de aprendizagem. Perrenoud (1999) coloca que na avaliação formativa:

Pode-se ajudar um aluno a progredir de muitas maneiras: explicando mais simplesmente, mais longa ou diferentemente; engajando-o em nova tarefa, mais mobilizadora ou mais proporcional os seus recursos; aliviando sua angústia, devolvendo-lhe a confiança, propondo-lhe outras razões de agir ou de aprender; colocando-o em outro quadro social, desdramatizando a situação, redefinindo a relação ou contrato didático, modificando o ritmo de trabalho e de progressão, a natureza das sanções e das recompensas, a parcela de autonomia e representação do aluno (PERRENOUD, 1999, p.105).

Ao avaliar deve se tratar esta tarefa com legitimidade respeitando os princípios e critérios refletidos em coletivos presentes nos projetos políticos pedagógicos e propostas curriculares orientadas para a construção do futuro alinhando-se na construção de aprendizagens democráticas, inclusivas essas formas de ajuda e a maneira diversificada de acompanhar os discentes são consideradas como avaliações informações, que fazem, ou deveriam fazer, parte do processo da avaliação formativa, considerando que a mesma é um processo diagnóstico e contínuo da aprendizagem.

É preciso, então, esquecer a prática tradicional onde a avaliação encontra a terminalidade no erro do discente, tal prática não condiz com um professor construtivista, nem com uma avaliação formativa, que tem como um dos seus principais objetivos promoverem a aprendizagem dos discentes, considerando seus “erros”, como “erros construtivos” não necessários ao processo, mas passíveis de descobertas para melhores soluções dos problemas de aprendizagem apresentados pelos discentes. Luckesi (2006, p.57) partilha do mesmo pensamento, quando expõe:

Há que se observar que o erro, como manifestação de uma conduta não aprendida, decorre do fato de que há um padrão já produzido e ordenado que dê a direção do avanço da aprendizagem do aluno e, consequentemente, a compreensão do desvio, possibilitando a sua correção inteligente (LUCKESI, 2006, p.57)

Considerando o contexto acima, pode-se dizer que ao observar o “erro” do discente na avaliação, o educador poderá organizar sua atuação pedagógica em prol da aprendizagem do estudante, Luckesi (2006, p.58) afirma que “o erro não é fonte de castigo, mas um suporte para o crescimento”. Nesse sentido, cabe ao docente conceber o erro como algo construtivo, utilizando-o como fonte de aprendizagem e não de reprovação.

São inúmeras as exigências das secretarias de educação no sentido de que os docentes redirecionem suas práticas avaliativas, incentivando momentos de estudos na própria escola, bem como, provendo formação continuada. Desse modo, esperasse que as teorias de diferentes estudiosos que tratam sobre a temática, sejam discutidas e colocadas em prática pelos docentes. Entre os teóricos mais discutidos encontram-se: Cipriano C. Luckesi, Jussara Hoffmann e Philippe Perrenoud.

No entanto, o professor pesquisador ainda não é uma maioria na realidade atual, o que contribui para a dissociação entre teoria e prática, uma vez que, o conhecimento por parte da maioria dos docentes se resume nas experiências adquiridas quando estudantes, ou em outros casos, através de uma visão simplista advinda da formação inicial.

Para transforma a prática avaliativa, precisa-se muitos mais do que exigências burocráticas ou formações continuadas, nesse sentido, Hoffmann expõe que:

Tenho repetido que não acredito em transformação na prática avaliativa impostas via decretos ou mudanças de regimentos. O inverso, sim, vê acontecer em escolas e municípios. Mudanças regimentais reivindicadas pelos professores que assumem posturas avaliativas diferenciadas a partir de grupos de estudo após muito tempo de discussão. Porque novas práticas revelam, mais do que ditames legais, novas posturas assumidas (HOFFMANN, 2006, p.144).

Em consonância com as ideais de Hoffmann (2006), Freire explicar que “sem teoria na verdade, nós nos perdemos no meio do caminho. Mas por outro lado, sem a prática nós nos perdemos no ar”. Assim, fica explícita a importância da relação teoria e prática, bem como da necessidade que o educador se torne um pesquisador. Ele complementa afirmando que “Só na relação dialética contraditória, prática-teoria, nós nos encontramos e, se nos perdemos, às vezes, nos reencontramos por fim”. (FREIRE, 2005, p.135).

A partir das palavras de Freire, para vivenciar uma avaliação considerando os aspectos construtivistas “não basta ser adepto da ideia de uma avaliação formativa, um professor deve ainda ter os meios de construir seu próprio sistema de observação, de interpretação e de intervenção em função de sua concepção pessoal de ensino” (Perrenoud, 1999, p.122). Nesta concepção, se encontra inserida a ideia de que o trabalho do professor precisa ser fundamentado a partir do seu contexto individual, sem desconsiderar as decisões tomadas no coletivo. Para isso, vale ressaltar a importância da construção coletiva do PPP, para assim, garantir através do referido documento, um ponto de apoio para a prática a ser realizada em sala de aula, considerando que o mesmo representar o coração da escola e fundamenta todas as decisões e ações a serem realizadas na Instituição, para Veiga (2000, p.14)

Desse modo, o projeto político-pedagógico tem a ver com a organização do trabalho pedagógico em dois níveis: como organização da escola como um todo e como organização da sala de aula, incluindo sua relação com o contexto social imediato, procurando preservar a visão de totalidade. (VEIGA, 2000, p.14)

Percebe-se nas palavras da autora, a importância do PPP para a escolar. Desse modo, considerar o referido documento como um instrumento indispensável à prática do professor, é pensar uma escola que busca um trabalho comprometido com a educação, onde são valorizadas as ideias coletivas e as ações são realizadas e norteadas a partir do documento em questão. A partir dessas ideias Veiga (2000) expõe que:

Pretenderam-se inscrever a escola na ordem das mudanças institucionais exigidas pelo atual momento histórico, é preciso que o projeto político pedagógico assumido pela comunidade escolar esteja estruturado em dois eixos básicos reciprocamente determinantes: A intencionalidade política que articula a ação educativa a um projeto histórico, definindo fins e objetivos para a educação escolar; o paradigma epistêmico-conceitual que, ao definir a concepção de conhecimento e a teoria de aprendizagem que orientarão as práticas pedagógicas, confere coerência à proposta, articulando prática e teoria (VEIGA, p.164. 2000).

Por fim, a essência de um trabalho pedagógico que considere a avaliação formativa, precisa estar embasada não somente nos conhecimentos prévios dos docentes e em uma teoria adquirida durante a sua vida estudantil, ele precisa estar em consonância com um documento norteador da escola, ou seja, precisa que o PPP seja valorizado e reconhecido como a teoria que orienta a prática dos docentes, e em consonância com o exposto, exigir-se dos docentes uma busca constante de atualização profissional, da pesquisa e da interiorização de novos saberes que alimentem o momento histórico atual, condizente com as novas mudanças exigidas no processo de avaliação escolar.

Á prática educacional avaliativa não cumpre as reais necessidades e interesses tanto do aluno que não são tratados com respeito às diferenças e particularidades tornando-se vítimas das avaliações que distanciam o educando do contexto, que acabam diante do fracasso exposto abandonando seus estudos e objetivos.

A adoção de uma nova postura educacional deve ser a busca de um novo paradigma de educação que substitua o desgastado ensino-aprendizagem, que esteja baseado na relação causa-efeito. Procura-se uma educação que estimule o desenvolvimento de criatividade desinibida conduzindo as novas formas de avaliar e aprender dentro de um processo com contínuas transformações.

A escola, portanto não é apenas um local onde se aprende um determinado conteúdo escolar, mas um espaço onde se aprende a construir relações com as coisas (mundo natural), e com pessoas ( mundo social). Essas relações devem propiciar a inclusão de todos e o desenvolvimento da autonomia dos estudantes, com vistas a que participem como construtores de uma nova vida social.

2.3 Avaliações: reflexo de uma prática pedagógica

No sistema de ensino vigente, a avaliação tem sido vista como sinônimo de  estar e medir. Avaliar, na verdade, a todo o momento estamos praticando o ato de avaliar: avaliamos a conduta de uma pessoa, a cultura de um grupo social... Avaliamos e também somos avaliados, aí está à importância de se saber avaliar. No processo ensino-aprendizagem, avaliar, envolve muitos aspectos que devem ser observados atenciosamente.

Sabemos que uma prática avaliativa é resultado de uma prática pedagógica, por isso encontramos maneiras de avaliar tão distintas, ao longo dos anos a avaliação vem se apoiando em práticas totalmente tradicionais, sendo assim caracterizado como principal fator que ocasiona a reprovação, depois de repetidas várias vezes à mesma série o aluno se sente desmotivado e sai da escola ocasionando a evasão escolar que faz crescer o índice de exclusão social. A avaliação, se usada de maneira errada, pode trazer vários danos, não só para a vida secular de um indivíduo, mas também na sua vida social.

Um aspecto importante é a atuação do professor no processo de avaliação, pois são os professores que o realizam perante sua prática tendo como resultado desse processo o sucesso ou o fracasso dos alunos.

Podemos perceber como o conceito de avaliação está distorcido e a cada dia se distorcendo mais, a preocupação com conceitos e notas leva os professores a fazerem uso de uma avaliação mecânica com objetivo apenas de classificar. A expressão MEDIDA, em educação, adquiriu grande importância sendo aliados a ela alguns instrumentos como testes, trabalhos e etc.

O caminho seguido pela avaliação tem sido confuso, complicado e mal sucedido, por isso, é extremamente importante o repensar do significado da avaliação no sistema de ensino brasileiro, repensar esta estrutura reprodutora que vivemos há décadas, repleta de conteúdos desnecessários e que existem porque ainda estão baseados no poder das notas.

O que percebemos na escola é que a avaliação ainda encontra-se estruturada em práticas tradicionais, servindo esta para medir o aluno e não diagnosticar o sucesso ou as dificuldades dos mesmos, ou seja, a escola ainda está voltada para o produto e não para o processo, o que dificulta a compreensão por parte dos alunos que o interessante não é a nota, mais os conhecimentos abstraídos no decorres de sua escolarização. Este é o discurso, mas na prática a realidade é outra. Dessa forma, fica evidente o caráter ideológico e mascarado que a escola prega, ora oculto ora explícito. No entanto, como é possível realizar uma educação como prática de autonomia, de liberdade por intermédio de uma avaliação que visa classificar o aluno?

É necessário, no entanto, que a escola volte seu olhar para o verdadeiro objetivo de processo educativo que deve visar o sucesso do aluno e não o seu fracasso.

Nesse sentido, é necessário que a escola enxergue a necessidade de realizar uma educação problematizada, que vise emancipar os educandos e não estabelecer um ambiente de competitividade. Para se reelaborar esta estrutura é preciso se rever o valor e o significado da nota para educadores e educandos, é preciso aprender a pensar, a refletir e a rever posições e julgamentos, utilizando a avaliação somente com o objetivo da nota o sistema de ensino estará proporcionando aos alunos a passagem por um grande funil, onde só sairá aquele intitulado “capaz”, por ter “vencido” as mais diferentes formas de medir seus conhecimentos.

Vejamos como é de grande importância o uso correto da avaliação, como denomina a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional 9394/96: Art. 24.

V- a verificação do rendimento escolar observará o seguinte critério:

a) A avaliação contínua e cumulativa do desempenho do aluno, com prevalência dos aspectos qualitativos e dos resultados ao longo do período sobre os de eventuais provas finais.

Nesse prisma, a avaliação torna-se um instrumento que auxilia o professor e principalmente o aluno, a conhecer suas possibilidades de crescimento, valorizando seu desempenho, maturidade e originalidade, deixando de lado a ideia de classificar os alunos e de desperdiçar o grande potencial humano. A LDB, abordando a avaliação de forma contínua e cumulativa do desempenho do aluno, mostra-nos que a avaliação não é um fim, mas sim um meio pelo qual o professor diagnosticará as possibilidades de crescimento do aluno. “A avaliação   deve  ser   considerada pelos educadores, pois como uma tarefa coletiva, e não uma obrigação forma, burocrática e isolada no processo pedagógico.” (Rodrigues, 2000:80).

Podemos assim tornar válida a fala de Rodrigues citada acima, pois aquele que recebe toda ação educativa é o educando, e, portanto, ao avaliar deve ficar evidente para o educador de que o processo avaliativo não está só, ele é apenas um ponto incluso no sistema escolar com o poder de incluir ou excluir os alunos, tanto na comunidade escolar como na própria sociedade. Deve-se ficar claro que reconhecer a importância do ato de avaliar não significa pensar que ele é mais importante entre todo o processo educativo. Significa reconhecer que ele é fundamental para o crescimento, desenvolvimento e estruturação de toda uma sociedade, ou seja, o educador deve estabelecer uma prática que esteja baseada em garantir o desenvolvimento de todo o potencial das novas gerações, trabalhar de forma que permita perceber todo processo de crescimento do aluno. Não é tranquilo, é dificílimo. Porém o resultado final é muito melhor.

O professor deve enxergar a avaliação também, como uma forma de analisar sua prática e assim saber o que precisa nela mudar. Observando o que os alunos aprenderam, o professor avalia o que precisa retomar, e isso tem de ser feito diariamente. É duro, mas necessário, pois é a partir daí que ocorrerão grandes e importantes mudanças para o ensino brasileiro. Analisar- se dia a dia é empenhar-se para estabelecer uma coerência entre teoria e prática fazendo assim valer a autenticidade do seu testemunho de dizer e o de fazer. Além de estar voltada para a análise da prática do educador, a avaliação também deve refletir sobre a competência dos educadores, assim como faz com os educandos, para estar assim comprometida com a renovação da prática educativa, promover em si mesmo uma avaliação da sua própria prática é internalizar um discurso feito por Freire: “É pensando   criticamente  a  prática de hoje ou de ontem que se pode melhorar a próxima prática.” (Freire, 1996: 43).

Esse é o verdadeiro pensar certo, pois é agindo assim que educadores e educadoras poderão vir a entender o verdadeiro sentido da avaliação e assim encontrar novos caminhos para a construção do conhecimento.

2.4 Quantidade ou qualidade?

A luta entre o tradicional e o transformador, qualidade e quantidade são fatores presentes em todas as áreas de nossa vida, na verdade em tudo que fazemos ou temos, procuramos encontrar qualidade ou quantidade.

Em educação qualidade e quantidade podem gerar entre os alunos o fenômeno do individualismo e da competição, isso dentro de uma dinâmica social fortemente excludente, faz com que os alunos adotem o discurso: “Hei de vencer a qualquer custo.” A avaliação aí surge com o efeito não de promover no aluno uma real preocupação com o saber, mas sim a possibilidade de obter uma alta pontuação. Aprender, nesta concepção, não é tão importante fazendo assim fortalecer cada vez mais a hierarquização do saber.

O desafio entre qualidade e quantidade, não quer dizer que uma é inferior ou oposta à outra, elas apenas possuem perspectivas próprias. Qualidade e quantidade são faces da mesma moeda onde interfere uma na outra sendo assim necessárias para o processo ensino-aprendizagem. Quando falamos em qualidade e quantidade temos, em contra partida, duas teorias um tanto quanto conflitantes: o tradicional e o transformador. Bem sabemos que para essas duas teorias, não só avaliação, mas a educação como um todo, tem funções e realidades distintas.

As teorias tradicionais estão centradas e preocupadas somente na transmissão de conhecimentos e conteúdos fazendo o uso da avaliação quantitativa para classificar e hierarquizar as pessoas, ou seja, aqueles que têm melhor desempenho recebem o título de capazes e os outros, por não se desempenharem tão bem são os chamados problemas. Uma pequena quantidade de favorecidos sustentada pela grande massa desvalorizada e nada merecedora de conhecimentos.

As práticas tradicionais, interessadas apenas na quantidade de conhecimento adquiridos pelos alunos, acabam fazendo uso de meios com resultados momentâneos como a decoreba, e também acabam se equivocando ao transmitirem conhecimentos fora da realidade do aluno e que os mesmos julgam inútil! A avaliação nesse prisma, quer por sua vez mensurar, ou seja, calcular através de um valor ou nota o que foi apreendido pelo aluno até aquele momento.

E quando consegue isso entrega ao aluno como se fosse um troféu uma estrelinha dourada e um dez, ou um traço vermelho com a nota zero. Sendo assim valorizadas no meio social como sucesso ou fracasso, mas o ideal é que essa realidade mude.

Nas escolas, há uma grande preocupação com a quantidade daquilo que se aprende e pouquíssima preocupação com a qualidade, ou seja, com as diretrizes capazes de acelerar o aprendizado para distanciar assim o indivíduo da marginalização social.

Aí, nos surge uma pergunta: “Será que os atuais critérios de avaliação estão corretos?” A avaliação vem desempenhando na prática um papel mais político do que pedagógico, ou seja, não vem sendo usada como um recurso metodológico, mas sim como instrumento de poder e de controle. Na verdade seria ingênuo da minha parte, pensar que a avaliação é apenas uma metodologia, um processo técnico. Ela é também uma questão política por isso avaliar pode se constituir num exercício autoritário do poder e até mesmo num processo onde educando e educadores buscam uma mudança qualitativa.

Acreditar e investir numa prática e numa avaliação transformadora é um grande desafio para os educadores, pois a princípio deve-se partir de uma prática escolar libertadora onde investe para que o aluno perca o medo de errar, de perguntar, de ser e de expor suas opiniões, uma prática escolar transformadora onde o professor acima de tudo ame seu trabalho e seus alunos a fim de que use as avaliações como incentivo e estímulo para o crescimento do aluno e não como uma ação corretiva, classificatória e detentiva, o que nos faz lembrar-se dos vestibulares e cursos preparatórios que fazem do aluno uma máquina que deve assimilar tudo que lhe foi transmitido se quiser o sucesso, qualidade em educação é algo realmente valioso porque o que nós, a sociedade, queremos é o melhor para o ensino, a mais intensa dedicação do professor, as mais envolventes aulas e conteúdos para que assim cresça o amor e todos os indivíduos sejam impregnados por uma educação de qualidade.

Uma educação transformadora desenvolve no aluno a capacidade de criticar. Criticar é pensar sob outra perspectiva, é duvidar, afirmar diferenças e não ficar ileso às decisões aceitando-as pré-estabelecidas. Com a educação transformadora o professor poderá sim fazer uso da avaliação qualitativa estimulando assim a criação e reflexão de seus alunos preparando-os para a vida.

Na luta entre o tradicional e o transformador o professor deve acima de tudo lutar contra si mesmo e o seu medo de aceitar o novo, pois, só assim reverteremos a realidade vivida por todos nós: uma sociedade imobilizada pela ideologia dominante.

O professor deve estimular nos alunos a reflexão a fim de que se libertem das algemas que os impedem de serem livres para expressarem seus pensamentos. É preciso, mudarmos o nosso olhar sobre a avaliação. É necessário refletirmos como ensinaremos aos nossos alunos os conhecimentos que serão pertinentes (significativos) ao mundo deles? Que profissões desaparecerão? Quais surgirão? Como prepará-los para enfrentar as incertezas do futuro? Que futuro? Que competências serão necessárias a esse FUTURO – que já chegou? Como desenvolvê-las. E como trabalhar as habilidades necessárias ao mundo futuro dos nossos alunos? Contudo, não podemos pensar apenas no lado negativo da educação. Devemos cada um, fazer a sua parte para modificar esta imagem negativa que se tem de educação falida. Para tal, alguns pressupostos são de fundamental importância para que a escola possa funcionar como elemento de mudança das relações sociais e assim, contribuir para que se tenha uma educação mais qualitativa. São eles:

• Fazer da escola espaço de criação de identidade e de socialização.

• Oportunizar a formação para a verdadeira autonomia intelectual.

• Considerar que, vivendo em uma época onde o conhecimento dobra aceleradamente, é preciso possibilitar meios para o desenvolvimento da capacidade, nos alunos, de aprender a aprender.

• Favorecer o desenvolvimento de instrumentos de participação na sociedade, através da construção de conhecimentos de forma significativa e do trabalho com conceitos fundamentais para a leitura e intervenção no mundo.

• Proporcionar uma escola com espaço sadio, onde o ensino não se confunda com o consumo de ideias.

2.5 Da  avaliação  a  ação

Estabelecer uma análise da ação avaliativa é promover em si mesmo uma reflexão sobre sua visão de avaliação, é refletir como a avaliação é usada para incluir ou excluir o aluno do contexto escolar e social, produzindo assim o sucesso ou o fracasso do indivíduo. “A avaliação, demarcando as fronteiras, facilita o isolamento dos sujeitos.” (Esteban, 2001:103). 

É partindo da citação de Esteban que, veremos como a avaliação distancia, hierarquiza e silencia os indivíduos tornando-os subordinados às normas e conformistas, acreditando que tudo o que acontece é porque são pobres e incapazes para terem algo melhor. O fracasso do aluno pode ser atribuído ao seu erro que é visto de várias formas pelos educadores, porém o mais importante é que ele seja encarado como uma das etapas do processo de construção do conhecimento.

Dessa forma, a crítica que levantamos sobre avaliação escolar desrespeito ao modo de como ela é passada e praticada além de seus instrumentos/ técnicas que muitas vezes se direcionam para lutar “contra” o aluno, estabelecendo assim uma postura nada ética. Pois ao visar “resultados” e competências, distancia-se de uma perspectiva democrática de avaliação.

O que percebemos, no entanto é que as práticas avaliativas que são desenvolvidas apresentam em sua dinâmica, caráter monopolizador, seletivo e excludente e que abordam apenas os conteúdos científicos e disciplinares, ou seja, está voltado apenas para a questão da aquisição do conhecimento acabando por fragmentar o processo de ensino, quando só leva em consideração os conhecimentos sistemáticos, não interagindo aos interesses dos alunos.

A proposta da avaliação escolar não tem sustentação senão for mediada pela relação teoria e prática. Ou seja, a avaliação não está no vazio, não deve ser  pensada como uma atividade neutra frente aos processos educativos.

2.6 Um mecanismo de exclusão ou inclusão?

A escola hoje mantém as diferenças sociais servindo como aparelho ideológico do Estado, diferenciando seu ensino entre pobres e ricos. O que faz reforçar mais ainda a exclusão social e escolar do aluno. Tem por traz de si mesma, um discurso contraditório onde, ao mesmo tempo em que forma e informa, também deforma por dar importância, acreditar e utilizar a ideologia da classe dominante.

Entende-se, por ideologia, o conjunto de representações e ideias, bem como normas de conduta por meio das quais o homem é levado a pensar, sentir e agir da maneira que convém à classe dominante, uma vez que a consciência da realidade que temos é uma pseudoconsciência, ou seja, uma falsa consciência, porque camufla a divisão existente dentro da sociedade, apresentando-a como una e harmônica, como se todos partilhassem dos mesmos objetivos e ideias.

Freire, (2001:25) escreve ainda, que “a educação não é transferência de conhecimentos, mais criação de possibilidade para a sua própria produção ou construção”. Ou seja, educar exige consciência do inacabado. Assim sendo, a melhor maneira de se relacionar educação e inclusão é desconstruindo a imagem que algumas pessoas têm de que educação é um mecanismo de arbitragem sobre a quem onde e quando é permitida a condição de cidadão e de sujeito político.

É considerando a educação especificidade humana, como um ato de intervenção no mundo, que busco relacioná-la com a cidadania, uma vez que educação é política e que se constrói num trabalho lento duro, enfrentando muita adversidade, descaso dos governantes e muito pessimismo generalizado.

Há quem diga que, sem a educação, temos a exclusão. É preciso, no entanto, uma educação para além da autossuficiência, com a necessidade de preparar cidadãos comunicativos, questionadores e inovadores. Uma educação que possibilite desenvolver habilidades e autonomia para refletir sobre as condições que nos são oferecidas enquanto cidadãos.

Nós professores, falamos e lutamos pela inclusão numa situação excludente, porque a princípio somos excluídos por sermos professores. Na verdade a exclusão começa por nós, através da desvalorização da nossa profissão, a má remuneração... A inclusão é na verdade, mais ética do que a exclusão, pois luta pelo direito igual de acesso à escolaridade, cultura... Por isso, ao repensarmos a ética da inclusão estamos repensando a nossa exclusão.

Bem sabemos que as exigências sociais vêm crescendo a cada dia e para isso a escola e os alunos devem acompanhar essa exigência e atestar sua preparação para o exercício das funções exigidas no âmbito da sociedade.

Sabendo dessa exigência social é que nos surge uma pergunta: Como a avaliação é usada para excluir ou incluir?  Tradicionalmente, nossas experiências em avaliação são marcadas por uma concepção que classifica as aprendizagens em certas ou erradas e, dessa forma, termina por separar aqueles estudantes que aprenderam os conteúdos programados para a série em que se encontram daqueles que não aprenderam.

Essa perspectiva de avaliação classificatória e seletiva, muita vezes, torna-se um fator de exclusão escolar.

Entretanto, é possível concebermos uma perspectiva de avaliação cuja vivência seja marcada pela lógica da inclusão, do diálogo, da construção da autonomia, da mediação, da participação, da construção da responsabilidade com o coletivo. Tal perspectiva de avaliação alinha-se com a proposta de uma escola mais democrática, inclusiva, que considerara as infindáveis possibilidades de realização de aprendizagens por parte dos estudantes.

A avaliação excludente faz parte de uma ideologia dominante, pois na sociedade de classes, os interesses são diferentes. Embora empresários e outros componentes da elite, assegurem a importância e necessidade da educação para as classes menos favorecidas, isso é colocado em prática com menos intensidade, pois para eles, não é produtivo que o povo cresça intelectualmente, pois se isso acontecer seu domínio será ameaçado. Portanto fazem uso de um ensino diferenciado entre pobres e ricos, públicos e particulares para assim manter a diferença social e também o poder.

Agindo sobre essa perspectiva, é que alguns professores criam e utilizam a avaliação excludente, que é aquela forma de avaliar, baseada no autoritarismo, na punição, na imposição de poder... Passando assim de geração a geração a ideia de que avaliar é uma atividade de controle que resulta na inclusão ou exclusão dos alunos. O cotidiano escolar nos mostra bem claramente isso, no discurso de um professor que percebe que seu trabalho não está como esperava: “Estudem! Caso contrário, poderão se dar mal na prova.” A prova está chegando, vocês verão o que vai acontecer!”“, ou então utiliza a prova como terrorismo, anunciando a cada dia uma pequena ameaça: “estou elaborando uma avaliação bem difícil”.

A avaliação excludente é constituída basicamente dessas e outras falas que demonstra o quanto o professor utiliza-se das provas como um fator negativo de motivação, pois, a partir dessas ameaças o estudante irá se dedicar aos estudos não porque seja importante, prazeroso, necessário..., mas, sim porque está ameaçado pela prova. Então o medo o levará a estudar, acarretando assim uma mera memorização momentânea.

Por outro lado, conseguimos encontrar aquela avaliação que busca a inclusão do aluno, a avaliação que está baseada na valorização da prática do aluno. Trabalhando sobre essa perspectiva, o professor consegue fazer do aluno um indivíduo crítico e capaz de ver com os seus próprios olhos.

Conhecendo seus alunos, escolhendo a melhor forma de trabalhar com eles, o educador propiciará excelentes oportunidades para elevar o rendimento escolar dos educandos, elevando também o auto conceito destes, tornando a aprendizagem mais agradável e produtiva.

A avaliação inclusiva é reflexa de uma prática transformadora que se baseia no diálogo e na negociação, afinal de contas, o aluno deve estar sempre por dentro de como seu rendimento vem sendo avaliado. Os instrumentos ou meios que são utilizados no processo de avaliação devem estar bem adequados aos objetivos, aos conteúdos e às condições intelectuais, emocionais e as habilidades psicomotoras dos alunos. Ela, a avaliação que desmonta toda e qualquer estratégia da classe dominante, pois, vai de encontro ao seu ideal, que é tornar os cidadãos que constituem a grande massa de indivíduos surdos, cegos e mudos em seres pensantes e livres das amarras da dominação.

Nós educadores, temos um papel muito importante na formação social desses alunos, devemos sempre parar e refletir sobre nossas ações no cotidiano escolar, pois, somos o espelho dos educandos. Temos por obrigação saber que tipo de cidadão quer formar: Passivos ou conscientes, capazes de transformar seu destino? Partindo desse questionamento e utilizando a avaliação como instrumento para auxiliar cada educando no seu processo de competências e crescimento para a autonomia, estaremos ajudando o mesmo a avançar na aprendizagem e na construção do seu saber.

2.7 O erro e suas implicações no fracasso ou sucesso escolar

A associação entre erro e fracasso escolar sempre nos vem ligado à reprovação do aluno. Na verdade o erro pode ser analisado de diferentes formas, dependendo da visão do professor sobre o mesmo. Uns veem como falha grave e outros encaram apenas como um deslize. O que realmente é intrigante, é que o erro é visto por muitos como um indício de fracasso do aluno, mas, na verdade, o erro faz parte do aprendizado e possibilita ao mesmo, uma melhor oportunidade de crescimento e amadurecimento diante das situações com que se depara no cotidiano escolar.

A postura do professor frente às alternativas de solução construídas pelo aluno deve estar necessariamente comprometida com tal concepção de erro construtivo.

O que significa considerar que o conhecimento produzido pelo educando, num  dado momento de sua experiência de vida, é um conhecimento em processo de superação.

O professor deve elogiar o aluno quando obtiver sucesso na aprendizagem, e demonstrar interesse quando o mesmo não obter êxodo, desta maneira, poderemos melhorar o relacionamento entre professor e aluno, fazendo com que as dificuldades existentes possam ser trabalhadas, para que o processo educacional possa fluir.

Dizemos que a criança aprimora sua forma de pensar o mundo, na medida em que se depara com novas situações e, é capaz por si própria de aplicar o conhecimento prévio em uma situação nova. Porém, a maior parte dos instrumentos de avaliação que usamos, centra-se na busca de informações como se nosso saber pudesse ser reduzido a um simples conceito.

Para que um individuo aprenda, é necessário que ela tenha o desejo de aprender, e não que ela seja forçada a aprender o que lhe é imposto por ordem de seus pais e professores. O aluno por sua vez, ao compreender o significado da avaliação para o seu processo de aprendizagem, estará desenvolvendo e crescendo como pessoa, visto que a seleção de uma técnica de avaliação expressa uma opção educativa e, portanto deve ser pensada como um instrumento para auxiliar cada educando no seu processo de abstração de conhecimento.

A correção dos erros, não é necessariamente classificação de fracasso, pode sim representar sinais norteadores para o aluno criar seu próprio caminho.

Procuramos sempre um motivo para colocar no aluno a culpa do fracasso,  rotulamos os alunos de preguiçoso, despreparado... Dificilmente assumimos que o conteúdo ensinado e a metodologia usada para a aplicação do mesmo não esteja adequada ao aluno, por isso, é que o professor deve passar a avaliar de forma diferente o erro de um aluno, para que este não se desiluda com o ensino e assim deixe de lutar pelo seu direito de acesso à escola. Afinal, a avaliação também serve como um termômetro, para oferecer ao professor a oportunidade de verificar se as atividades, métodos, recursos e técnicas que ele utiliza estão realmente possibilitando ao aluno alcançar os objetivos propostos.

O educador é um agente produtivo, portanto, deve trabalhar com o aluno de forma envolvente, de modo que possa despertar no aluno sua criatividade, sua capacidade de assimilar o que está sendo proposto. É preciso que o professor conheça seus bem seus alunos, para saber utilizar técnicas de acordo com a realidade do sujeito. Segundo Piaget, “não há operação sem cooperação”, o que indica a importância do professor estar bem preparado e envolvido com seus alunos, organizando situações de aprendizagem.

É fundamental ver o aluno como um ser social e político, sujeito de seu  próprio desenvolvimento. Ver o aluno como alguém capaz de estabelecer uma relação cognitiva e afetiva com o meio, mantendo uma ação interativa capaz de uma transformação libertadora, que proporcione uma vivência harmoniosa com a realidade pessoal e social que o envolve.

O acerto é importante, mas o fracasso também. É preciso, no entanto, não cometer o mesmo erro duas vezes. Precisamos tirar vantagem de nossos erros, mas, para isso é preciso estar livre para errar. O professor, marcando e criticando os erros, só estará reforçando-os. É preciso acreditar no potencial do aluno e dar-lhe liberdade para aprender, a desaprovação constante é a responsável pelo fracasso e evasão escolar.

Na verdade, o maior fracasso é a realidade da repetência e da evasão escolar. Fracasso não só do aluno, mas sim das instituições escolares, que não têm  sido capazes de se adequarem à população que se destinam, gerando assim, o fracasso também dos que ensinam e de todos os ingredientes da sociedade, assim o professor deve reconhecer que sua função é de trabalhar contra o fracasso do aluno e da escola, é acreditar nas potencialidades de seus alunos, investindo no crescimento dos mesmos para melhorar a visão que ele tem de si onde toda equipe pedagógica deve colocar a força de trabalho na construção do conhecimento do aluno e das aprendizagens específicas.

Contudo, acreditamos que os fins que a educação deve priorizar, diz respeito a novas concepções que oriente com responsabilidade os processos da prática educativa, com o objetivo de contribuir para uma melhor qualidade do ensino de nossas escolas. E, é, o psicopedagogo com sua visão pedagógica, política e métodos novos inseridos no contexto escolar que deve desenvolver um trabalho em equipe com todos os participantes do processo educacional, visando uma educação libertadora, transformadora e cheia de novos desafios.

2.8 A escola sobreviveria sem avaliação?

Ao levar a pergunta acima para os alunos, estes de imediato responderam que sim, alegando que tudo se tornaria mais legal, pois a ausência da avaliação possibilitaria que eles tivessem mais tempo para brincar, ao invés de ficarem estudando. Evitaria que levassem castigos e broncas por causa das notas baixas e daria por fim o trabalho de ficarem decorando conteúdos, que julgam desnecessários, e preparando “colas” para a prova.

Após as repostas dadas pelos alunos, direcionei a pergunta para os professores: Será que a escola sobreviveria sem avaliação? Na verdade não há uma resposta precisa sobre essa questão, levando em conta as pilhas de provas e trabalhos para corrigir, o tempo gasto para elaboração de exercícios que estimulem a memorização dos conteúdos e a dificuldade de propor atividades que motivem e façam os alunos se sentirem interessados pelos conteúdos, seria melhor esquecermos as avaliações! Por outro lado, sem a prova, o que faria os alunos estudarem? Sem as ameaças como controlaríamos a disciplina na sala?

Como garantir que os conteúdos foram aprendidos? E como colocar em prática a função da escola de identificar quem sabe e quem não sabe?

Depois de tantos questionamentos, pude perceber que a avaliação, mesmo sendo muito criticada, é uma atividade fundamental na escola. Ela é mesmo um “mal necessário”. Para a pergunta inicial do texto, tenho a resposta: “Não. A escola não sobreviveria sem a avaliação!”. A crítica que levanto sobre a avaliação, é relacionada aos instrumentos e técnicas usados para avaliar em sala de aula, que muitas das vezes se direcionam para lutar contra o aluno, estabelecendo assim, uma postura nada ética, acarretando para o aluno um futuro pouco promissor.

Refletir sobre a existência ou não da escola sem avaliação, é pensar e agir democraticamente para que no futuro, não enxerguemos mais a avaliação como um “mal necessário”, mas sim como porta aberta, um caminho a seguir para a construção do conhecimento. Na verdade, o objetivo não é que a escola elimine a avaliação e sim, que passe a usá-la de forma correta.

Deve ficar claro, que o ato de avaliar existe para se verificar como o aluno vem construindo conhecimento acerca dos conteúdos trabalhados pela escola e como modifica sua compreensão de mundo, elevando assim, sua capacidade de intervir na realidade vivida.

3. METODOLOGIA SENSÍVEL E REFLEXIVA SOBRE A CRIANÇA

O cotidiano é planejado pelo professor a partir do conhecimento que ele adquire sobre a criança, articulado à sua proposta educativa. Entretanto, esse planejamento se reconstrói com base nos interesses, necessidades e reações das crianças a cada momento observadas pelo professor. Nesse contexto, entra o  trabalho do psicopedagogo institucional, que auxilia todos os participantes da escola, para que a entendam e a transformem em um lugar de conhecimento, auxiliando os professores, quando sua maneira de ensinar não está apropriada à forma do aluno aprender, orientando no acompanhamento do aluno com dificuldades de aprendizagem, propondo atividades para desenvolver habilidades e competências requeridas no aprendizado escolar, etc.

O tempo e o espaço do cotidiano estão sempre atrelados ao possível e ao necessário de cada grupo de crianças, reestruturando-se, reconstituindo-se a partir do acompanhamento de sua ação pelo professor. O psicopedagogo tem muito trabalho a fazer na escola, pois ele com sua intervenção têm um caráter preventivo nos problemas apresentados no cotidiano escolar.

A ação mediadora do educador, junto ao psicopedagogo, resulta, igualmente, num trabalho pedagógico que valoriza as experiências de vida de cada criança, suas vivências culturais, raciais, religiosas, etc., tentando sanar as frustrações dos mesmos, contribuindo também para a percepção global do fato educativo e para compreensão satisfatória dos objetivos da educação e da finalidade da escola, possibilitando assim, uma ação transformadora.

Os profissionais da área de educação necessitam de um constante movimento de olhar para novos horizontes e caminhos para trilhar. O fazer pedagógico, deve ser o mais variado e envolvente possível.

A presença do psicopedagogo na instituição escolar contribuirá para um bom desempenho do processo de ensino aprendizagem e envolvimento das pessoas na melhoria das relações interpessoais. O seu trabalho trará o cumprimento dos fins educativos e desenvolverá ações que garantam aos educandos e educadores com dificuldades, oportunidade de permanecerem neste ambiente escolar, com condições de continuarem a aquisição dos conhecimentos de forma integrada, participativa e evolutiva.

3.1 Modalidades de avaliação

Quando se fala em avaliação do processo ensino/aprendizagem,  estamos nos referindo à verificação do nível de aprendizagem dos alunos, isto é, o que os alunos aprenderam. Mas, por quê? E para que? Basicamente, a avaliação apresenta três modalidades de avaliação: diagnóstica, formativa e somática. Ainda, segundo Olívia Porto (2006, p. 76): “Essas três formas de avaliação estão intimamente vinculadas. Para garantir a eficiência do sistema de avaliação e a eficácia do processo ensino/aprendizagem, o professor deve fazer uso conjugado das três modalidades”.

Desse modo, a alguns dos professores em conversa informal com os colegas durante o intervalo das aulas, fez os seguintes comentários:

P1 - Não adianta ser bom em matemática, expressar o conteúdo na hora da explicação e não fazer nada na prova!

P2 - Alguns alunos da turma “B” não sabem nada! Não acompanham a aula que estou dando e está sempre atrasada, tá na cara que vão ser reprovados!

P3 - Não concordo com essa questão de trabalho em grupo, onde os alunos que não sabem nada pegam carona com os colegas e tiram notas boas!

Ao refletir nas falas da maioria dos professores, fica evidenciada a concepção de avaliação que prevalece em suas práticas que precisam ser redirecionada, através de estudos sobre as diferentes teorias avaliativas disponíveis na contemporaneidade somente assim, os professores compreenderão que a avaliação deve contemplar muito mais que os saberes cognitivos e que o aluno deve ser valorizado a partir de seus diferentes saberes.

Além disso, foi possível observar que os conhecimentos prévios dos estudantes não são valorizados, nem considerados no momento da assimilação de novos conhecimentos, e em alguns casos, os estudantes ainda são chamados de “potes vazios” ainda na fala dos professores, foi possível detectar a pouca importância dada aos trabalhos em grupo, desconsiderando a troca de experiências e a heterogeneidade como forma de aprender com o outro, sem a reflexão das inúmeras formas de aprender novos conceitos.

Em observação direta na sala de aula, que ao aplicar as provas, alguns professores ainda reagem de forma autoritária transmitindo um sentimento de medo durante a realização das mesmas.

P1 - Vou entregar as provas e quero silêncio total, aquele que olhar para o lado terá o que merece!

P2 - Lembre-se que na prova passada alguns de vocês não se saíram bem, caso isso aconteça de novo, poderão ser reprovados!

P3 - Não adianta olhar para o lado porque as provas são diferentes!

P4- Eu te avisei que ia sair caro, preparei uma prova especial para você! Agora passe se for bom!

Esses comentários revelam que muitos professores continuam a exercer no dia a dia da avaliação escolar, práticas que não condizem com as novas formas de avaliar e conceber a aprendizagem dos estudantes. Assim, faz-se necessário um olhar mais formativo, considerando o que expõe Perrenoud: Uma avaliação mais formativa não toma menos tempo, mas dá informações, identifica e explica erros, sugere interpretações quanto às estratégias e atitudes dos alunos e, portanto, alimenta diretamente a ação pedagógica, ao passo que o tempo e a energia gastos na avaliação tradicional desviam da invenção didática e da inovação (PERRENOUD, 1999, p.68).

É de responsabilidade de cada professor buscar compreender, que urge a necessidade de uma nova concepção avaliativa apesar dos inúmeros estudos já realizados, uma vez que continuam apenas nas teorias, o que pode ser confirmado através da análise das propostas avaliativas colocadas no PPP da escola.

Por outro lado, mesmo não sendo considerados como “os sujeitos da pesquisa” foram possíveis através da observação do dia a dia da escola, perceber nas falas dos estudantes, suas angústias com relação às provas a serem aplicadas pelos docentes, demonstrando momento de desprazer pelo ato de aprender, a tal ponto de fazerem comentários tais como:

E1 - Preciso tirar um oito, para cobrir a nota que tirei na primeira prova!

E2 - Espero que a prova seja hoje, pois passei o dia estudando!

E3 - A professora falou que a prova não vai ser feita em dupla e agora quer ver o que eu vou fazer! Ela disse que eu vou me dar mal!

E4 - Sento perto de mim que eu lhe passo a cola, desse assunto eu entendo bem! Agora, já na prova de Matemática, sei que vou tirar uma nota baixa, pois não consegui decorar todo o conteúdo.

E5- Acho que vou acabar repetindo o ano estas malditas provas, aprendo tudo decoro, porém na hora H, não sai nada.

Com estas palavras fica claro, que os estudantes veem nas atividades avaliativas apenas a oportunidade de passar de ano, de cursar uma nova série, sem uma preocupação com a aprendizagem efetiva dos conteúdos trabalhados, nem dos conhecimentos necessários para ser viver em sociedade de forma crítica e reflexiva.

Nesse sentido, Perrenoud afirma que:

Estudar apenas para a prova é uma maneira honesta, mas simplória, de se tornar capaz de um “desempenho de um dia”. Isso não constrói uma verdadeira competência, mas permite iludir, durante uma prova escrita ou oral. Em uma noite, um aluno que não compreendeu nada, não trabalhou antes e nada sabe não pode se tornar um bom aluno, mais isso basta, às vezes, para salvar as aparências (PERRENOUD, 1999, p.69).

Portanto, aprender segundo Perrenoud, é mais que “decorar” conteúdos e tirar boas notas. É preciso fazer da aprendizagem algo significativo e não torná-la um momento passageiro do saber.

O que torna ainda mais difícil a compreensão na atualidade é o simples fato de se questionar para onde vão as notas que tanto os professores cobram de forma muitas vezes abusiva se na realidade os programas educacionais trazem uma serie de itens em que o professor precisa descrever seu aluno com habilidades e competências em forma de conceitos.

Para conhecer a visão dos docentes com relação as suas práticas avaliativas e a relação das mesmas com as teorias inseridas no PPP da escola, fez-se necessário, antes das entrevistas, realizarem uma análise pormenorizada do PPP da escola, em especial no item avaliação da aprendizagem.

Em seguida, foram organizadas questões abertas, onde se procurou através das mesmas, conhecer as concepções de avaliação presentes nas práticas dos professores e sua relação com o PPP da escola, bem como, a concepção do “erro” que conduz a prática avaliativa do professor. Nos itens com alternativas de múltiplas escolhas, foi possível conhecer os principais instrumentos de avaliação utilizados por eles.

A entrevista ocorreu de forma agradável, num clima de confiança e amizade, uma vez que, cada docente escolheu o seu horário e o momento da sua participação, a partir de sua disponibilidade. Assim, os 10 docentes participantes da pesquisa relataram sobre suas práticas avaliativas e a relação das mesmas com as teorias inseridas no PPP da escola, a partir da seguinte pergunta: A concepção de avaliação inserida no PPP da sua escola condiz com a sua prática em sala de aula?

As respostas transformadas em percentuais foram às seguintes: 60% apresentam uma prática em consonância com o PPP, 10% a partir de suas próprias teorias e 40% resolvem mesclar as teorias do PPP com seus conhecimentos adquiridos na formação inicial.

No momento a pesquisa faz a análise qualitativa a partir das falas dos docentes. No entanto, ao analisar as falas dos professores e compará-las as teorias avaliativas postas no PPP: a valorização dos conhecimentos prévios dos estudantes, o respeito às diferentes formas de aprender e expressar o conhecimento, bem como, a valorização dos diferentes meios de avaliação, que vão desde as provas individuais até os trabalhos coletivos; pode-se constatar na fala dos professores que isso não acontece de fato:

P1 - Mesmo sabendo que devo realizar alguns trabalhos avaliativos em grupo, prefiro fazer provas individuais para avaliar, assim ninguém corre o risco de passar de ano de carona com o colega!

Notou-se, nas palavras da professora, que apesar de constar no PPP da escola a importância do trabalho em grupo, ela prefere continuar com uma prática em que prevalece o fator medo e individualismo acima de tudo, desconsiderando a troca de experiências e aprender com o outro, o que segundo Perrenoud, configura-se em uma relação pervertida com o saber:

As coisas se passando desse modo, é preciso ter boas notas (ou seu equivalente qualitativo) para progredir na trajetória escolar e ter acesso às habilidades mais almejadas. Em princípio, as notas estão lá para avaliar competências reais. Elas comandam o acesso ao grau seguinte ou a habilitações exigentes, porque supostamente garantem um nível suficiente de aquisição. Na prática, é o resultado que conta. Com dois efeitos perversos bem definidos: estudar apenas para a prova ou “colar” (PERRENOUD, 1999, p.68).

Ainda segundo o autor, “reduzir o efeito do sistema de avaliação à cola e à preparação apenas para a prova” é algo que precisa ser ultrapassado e repensado pelos docentes que buscam uma avaliação formativa e acreditam em uma aprendizagem efetiva.

P2 - Apesar de ouvir falar no Projeto Político Pedagógico da escola, nunca tive a curiosidade nem tempo de conhecê-lo, por isso as minhas avaliações são feitas a partir dos meus conhecimentos sobre o assunto. Por exemplo: o aluno que não consegue acompanhar a turma e que não tem nenhum conhecimento sobre o assunto, geralmente é reprovado.

Observou-se na fala da professora, que apesar de saber da existência do PPP na escola, não existe uma preocupação sobre as teorias relacionadas ao processo ensino aprendizagem inseridas no mesmo. Assim, ela trabalha de forma descontextualizada, desconsiderando os conhecimentos prévios dos estudantes necessários a assimilação dos novos conhecimentos, contribuindo para a reprovação cada vez mais frequente na vida de um determinado aluno, por não acompanhar os conhecimentos transmitidos durante as aulas. Para Perrenoud: Após vários anos em tal regime, torna-se muito difícil despertar o interesse dos alunos pelo saber por si só, pelo sentido que ele dá à realidade, pelo enriquecimento pessoal que propicia, pela movimentação ou pela satisfação da mente que favorece. (PERRENOUD, 1999, p.69).

Com base no que afirmou Perrenoud, faz-se necessário que o professor redirecione sua prática avaliativa considerando os conhecimentos prévios dos estudantes e a necessidade de uma aprendizagem significativa, fazendo da avaliação um meio que desperte um prazer de aprender, e não um fim, que destrói todas as expectativas de um futuro promissor.

3.2 A análise dos dados:

Mediante todo trabalho exposto bem como estudo bibliográfico e estudo de caso é possível afirmar que a educação tem muitos caminhos a trilhar na conquista de objetivos que perpassam varias etapas tais como: embutir o que o aluno quer aprender e o que o aluno precisa aprender que lhe estar assegurado em um currículo, respeitando e dando ênfase a bagagem que ele já traz das suas vivências, além disso, precisa descobrir e fazer acontecer nas diversas estratégias e metodologias, pois a diversas formas de se aprender essas que é imprescindível relatar que muitas vezes estar longe do que muitas crianças, o jovens almejam ou mesmo possuem a sua disposição fora da escola, promover a nós professores e comunidades uma analise de que a nota cumulativa não garante sucesso ou insucesso e que o aluno precisa estar garantido na construção de habilidades e competências no decorrer de sua vida estudantil e assim transformar com responsabilidade, ética o ambiente em que esta incluído.

4. CONSIDERAÇÕES FINAIS

O processo avaliativo escolar tem gerado inúmeras discussões e inquietações por parte da maioria dos docentes que advém de uma prática avaliativa enraizada durante a sua vida estudantil. Assim como, dos conhecimentos adquiridos em sua formação inicial, que em alguns casos são considerados pelos docentes, como eficaz no ato de avaliar, o que contribui para a permanência de uma prática autoritária e tradicional.

Desse modo, o redirecionamento das práticas avaliativas docentes, pressupõe a necessidade de uma formação continuada e um despertarem para a pesquisa, no sentido de que, somente ele (o docente) poderá reconstruir seus conceitos a partir de uma vontade própria pela busca do saber, considerando os conflitos presentes na escola, geradores das teorias postas no PPP, para que as mesmas sejam o fio condutor das atividades a serem realizadas na escola, desconsiderando assim, algumas práticas enraizadas que precisam ser repensadas e reestruturadas no sentido de que a avaliação escolar possa superar o discurso e construir práticas formativas. Para isso, os docentes devem desmistificar seus modos de conceber e praticar a avaliação, no sentido de que novos paradigmas avaliativos sejam construídos e com isso novas práticas possam surgir, considerando que a avaliação escolar não se materializar no erro dos discentes, mas em um processo de acompanhamento sistemático e contínuo realizado durante todo o processo de ensino aprendizagem.

Com uma nova visão sobre os processos de aprendizagem, as velhas práticas: desvalorização dos conhecimentos prévios dos estudantes, transmissão dos conteúdos de forma linear, com ênfase nos conhecimentos cognitivos dos estudantes e a descontextualizarão dos conteúdos, poderão ser superadas e os estudantes poderão ser vistos como protagonistas da sua própria história, capaz de avaliar e ser avaliado durante todo o processo de ensino aprendizagem.

A partir do exposto, buscou-se através desse trabalho, demonstrar a importância da relação teoria e prática no processo ensino aprendizagem e em especial na avaliação formativa. Assim como, registrar informações relevantes ao ato de avaliar na escola de maneira contínua, diagnóstica e formativa advindo das contribuições de diferentes teóricos, para que as mesmas possam ser inseridas no Projeto Político Pedagógico da escola e simultaneamente na prática docente.

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Publicado por: Leidijanne Cavalcanti

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