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O conflito sino-soviético.

Administração e Finanças

O Conflito Sino-Soviético, o que foi o conflito sino-sofiético, diferenças enre concepções do Marxismo à política pendular chinesa.

Resumo

As diferenças entre as concepções do Marxismo aliadas à política pendular chinesa e o engessamento do sistema pela estrutura governamental Soviética , e a China a despontar como uma alternativa ao Marxismo estrutural Soviético.

Essa fonte alternativa de marxismo, a fonte Maoista, leva consigo uma gama demasiada de Estados que buscam uma outra visão marxista, uma visão mais próxima do Manifesto Comunista de Marx, e não próximo de um modelo de ditadura para o proletariado iniciada por Stálin e agravada com Kruschev na URSS.

As medidas tomadas de parte a parte , desequilibra o bloco que já não era muito coeso e temos assim um Racha dentro deste bloco que detém duas vertentes de socialismo a partir de 1953 com a ascensão de Kruschev na URSS.

A Republica Popular da China , após acusar a URSS de revisionista e delatar os acordos realizados por ela com os EUA pós a II Guerra mundial , Yalta e Potsdan , tinha planos de união do bloco socialista e não fora correspondida tendo sua revolução reconhecida pela URSS vinte dias depois de terminada.

A manobra diplomática soviética tardia não foi vista com bons olhos pelos chineses e ali também estaria a cerne do nosso conflito não pelas diferenças ideológicas mas, pela luta geopolítica e pelo pacto de não agressão na guerra fria e divisão do mundo entre somente duas potências EUA e URSS.

Uma série de incidentes ocorreram até o que chamamos de Conflito Sino-Soviético, um segundo momento a RP China tenta ainda se apoiar na URSS mais uma vez com a implementação de uma política interna baseada em planos qüinqüenais como a política econômica soviética , mas o que vinha até surtindo efeito no plano interno desmorona devido a um ato novamente soviético de minar o poder chinês, que foi o advento da Guerra da Coréia.

A dependência da URSS na Guerra da Coréia ficara acentuada , pois o que vinha sendo vitoria fácil dos comunistas norte coreanos muda de figura com a entrada do apoio norte americano aos coreanos do Sul. Para equilibrar a balança de poder do conflito a China vê-se obrigada a entrar no conflito apoiando os coreanos do norte, apesar de que os EUA através da guerra visavam também desestabilizar o governo de Pequim, essa guerra seria altamente prejudicial a China pois alem da perda de um grande contingente de tropas ocorrera a desestruturação de seu parque industrial para a manutenção da China na batalha.

A omissão soviética na guerra da Coréia , mostra à China que sua margem de manobra com a URSS diminui e que deveria estar na esteira de Moscou mesmo que isso fosse contra seus princípios.

Após essa contenda a China passa a se considerar a herdeira e depositária do ideário socialista marxista e acusar a URSS de revisionista e belicosa. Essas críticas ao Kremlin agravaram-se em 1958 quando a China o responsabilizou de ter permitido que a Iugoslávia de Tito extraviasse do caminho socialista.

A crise no estreito de formosa em agosto e setembro de 1958, quando os soviéticos mais uma vez negaram apoio aos chineses contra o regime nacionalista de Chiang Kai-Shek que era apoiado pela VII frota norte americana. Mas o ponto auge foi a condenação da China no conflito fronteiriço com a Índia, por parte soviética em 1959.

A URSS faz duras criticas ao regime comunista de Mao, no congresso do PC Romeno (1960) a China apoiada pela Albânia contesta abertamente a hegemonia e a liderança soviética frente ao bloco denominado de Cortina de Ferro bloco de países socialistas.

Depois desse episódio ocorre o auge das distensões entre estes dois atores e a fase do verdadeiro conflito sino-soviético que começaremos a ver agora , com maior riqueza de detalhes.

Resumen

Las diferencias entre las concepciones del marxismo en conjunto con la política pendular china e el del sistema por la estructura gubernamental rusa y la ascensión de la China como alternativa al marxismo estructural soviético.

Esta fuente alternativa de marxismo conduje con ella, una gama demasiada de Estados que buscan una otra visón marxista, mas próxima del marxismo del manifiesto comunista , que da dictadura del proletariado impezada por Stalin e deturpada por Kruschev.
Las medidas tomadas entre estas dos potencias socialistas enflaquece el bloque que ya no contenía mucha fuerza e cohesión, quedando así con un ``Racha’’ dentro de esto bloque que detiene dos vertientes del socialismo a partir de 1953 com la ascensión de Kruschev en la URSS.

La Republica popular de la China , después de acusar la URSS de revisionista e delatar los tratados bilaterales realizados por la misma com el EEUU pos II Guerra Mundial, Yalta e Potsdan, tenia planos de unión del bloque socialista e no ha sido correspondida teniendo suya revolución reconocida solamente veinte días después de su termino.

La maniobra diplomática soviética en retraso no hay sido vista con buenos ojos por los chinos y allí tamben estuviera la cerne de nuestro conflicto no por las diferencias ideológicas todavía, por la lucha geopolítica y por el pacto de no agresión en la guerra- fría y en la división del mundo entre solamente dos potencias EEUU y Rusia.

Una serie de incidentes ocurrieron hasta el que llamamos de Conflicto Campana-Soviético, un segundo momento a RP China intenta aún apoyarse en la URSS más una vez con la implementación de una política interna basada en planes qüinqüenais como la política económica soviética , pero el que venía hasta surtindo efecto en el plan interno desmorona debido a un acto nuevamente soviético de minar el poder chino, que fue el advento de la Guerra de Corea. La dependencia de la URSS en la Guerra de Corea ficara acentuada , pues el que venía siendo vitoria fácil de los comunistas norte coreanos cambia de figura con la entrada del apoyo norte americano a los coreanos del Sur. Para equilibrar la balanza de poder del conflicto a China se ve obligada a entrar en el conflicto apoyando los coreanos del norte, a pesar de que los EUA a través de la guerra visaban también desestabilizar el gobierno de Pekín, esa guerra sería altamente perjudicial a China pues alem de la pérdida de un gran contingente de tropas ocorrera la desestruturação de su parque industrial para el mantenimiento de China en la batalla. La omisión soviética en la guerra de Corea , muestra a China que su margen de maniobra con La URSS disminuye y que debería estar en la esteira de Moscú aunque eso fuera contra sus principios.

Después de esa contienda China pasa a considerarse la heredera y depositária del ideario socialista marxista y acusar la URSS de revisionista y belicosa. Esas críticas al Kremlin se agravaron en 1958 cuando China el responsabilizó de haber permitido que Yugoslavia de Tito extraviara del camino socialista.

La crisis en el estrecho de hermosa en agosto y septiembre de 1958, cuando los soviéticos más una vez negaron apoyo a los chinos contra el régimen nacionalista de Chiang Kai-Shek que era apoyado por la VII flota norte americana. Pero el punto auge fue la condena de China en el conflicto fronterizo con La India, por parte soviética en 1959.

La URSS hace duras criticas al régimen comunista de Mao , en el congreso del PC Rumano (1960) China apoyada por Albania contesta abiertamente la hegemonía y el liderazgo soviético frente al bloque denominado de Cortina de Hierro bloque de países socialistas.

Después de ese episodio ocurre el auge de las distensões entre estos dos actores y la fase del verdadero conflicto campana-soviético que comenzaremos a ver ahora , con mayor riqueza de detalles.


INTRODUÇÃO

O conflito sino-soviético e considerado por mim um dos mais tensos da guerra fria embora seja ignorado pela maioria dos historiadores , foi o mais tenso sem dúvida dentro do bloco socialista e merece ser destacado por sua relevância no cenário internacional.

A minha proposta é estudar o conflito por meio de documentos dos partidos comunistas soviético e chinês e artigos de imprensa dos mesmos.

Esse conflito por ter um alto grau de intensidade, e até certo ponto, estarrecedor dentro do bloco socialista , ocorrido 1949 a 1970 , mereceu uma análise mais minuciosa e por isso foi recortado essas relações entre o período de 1958 a 1970 .Primeiro porque enfatiza o período mais agudo acirramento das divergências nas relações das duas capitais Pequim e Moscou, núcleo maior do socialismo mundial. Segundo, em razão de ser um tema tão abrangente, não seria possível contemplarmos tantas outras nuances como a economia, as relações com os grupos de pressão de cada Estado, face as limitações de tempo e paginas que nos impõe as circunstancia deste trabalho.

Será dada, portanto, maior ênfase ao período histórico que abrange o rompimento das relações China-URSS localizada historicamente entre os anos de 1958 a 1970, sem perder de vista as repercussões da guerra fria no cenário mundial e mais especificamente no Euro-asiático; ponto geopolítico de extrema importância no contexto socialista , pois os EUA procuravam , naquela ocasião, um segundo ponto de influencia na região asiática , não ficando restrito apenas ao arquipélago japonês. Ansiavam um ponto continental na Eurásia , o que ainda não havia conseguido pelas problemáticas da guerra da Coréia e do Vietnã. Isso serviu de alento , junto com as políticas ambíguas das duas nações do bloco socialista com suas políticas pendulares para os EUA desestabilizarem o bloco e levaram ao enfraquecimento e desmoronamento do mesmo. Essas ações foram muito mais danosas a URSS que a China a qual ainda se mantém no sistema socialista , e a derrocada soviética caindo nas mãos do capitalismo. Isso posto veremos o porque e o que o conflito sino soviético contribuiu para esses acontecimentos.

Capítulo I
O conflito Sino-Soviético à luz do realismo clássico de Morgenthau.

Temos como ponto de partida que a política internacional, como toda política, é a luta pura e simples pelo poder segundo os realistas.

A visão de Morgenthau, é que as relações políticas e as sociedades em geral, são governadas por leis objetivas que tem raízes na natureza humana, percebidas como conflituosa, pois o ser humano tem visão realista e ambiciosa.

Ampliando nossa lupa, ou seja, a teoria para o que interessa que é o estudo específico dos conflitos na política internacional, e amplificando ainda mais, chegamos ao conflito Sino-Soviético. Os agentes destas ações são os “Estado-nação”, atores de suma importância para a política internacional, autônomos e independentes, que utilizam o sistema empregando suas capacidades e recursos a fim de garantirem sua sobrevivência e maximizar seu poder.

Temos também que salientar o conceito chave do realismo político, é o poder acima de todas as coisas, ou seja, os recursos de poder utilizados pelo estado para obter seus fins.

O poder é percebido como meio e fim a partir do qual as unidades políticas autônomas atuam no sistema. Especificamente, o poder estatal é definido por uma série de fatores tangíveis e facilmente identificados geopoliticamente (recursos de poder) como: território, população, recursos naturais, localização geográfica etc. A utilização e a exploração desses recursos com o objetivo de conquistar espaço e se impor no cenário internacional chama-se projeção de poder, ou seja, o poder que o estado tem de coordenar e aproveitar seus recursos a fim de contabilizar ganhos. A utilização desta projeção também depende da capacidade de conversão e projeção de poder do referido Estado, e esta capacidade definirá quais são os limites e as possibilidades de ação do ator.

Isso também é utilizado pelo Estado para definir os objetivos mínimos para sua auto-suficiência que são: assegurar sua sobrevivência, independência (status quo), projeção de política externa, bem como estabelecer os recursos que se encontram disponíveis para a ação estatal.

Devemos também observar a imensa influência dos fatores históricos e temporais, que variam e oscilam conforme o contexto. Muito embora a prioridade seja a sua sobrevivência e autonomia, os demais são elencados de acordo com as necessidades da nação em um momento específico.

Assim sendo, alcançamos o objetivo maior de nosso estudo, o conflito Sino-Soviético, no qual a China e a URSS preenchem a maioria destes pré-requisitos e se incluem, por justaposição, nesta teoria. E é nessa corrente de pensamento que desejo levá-los à reflexão sobre o ponto e as razões de onde realmente haveria começado o conflito Sino-Soviético e o que este conflito contribuiu, agregado naturalmente a outros valores, para o enfraquecimento do bloco socialista e a segregação do império soviético.

Capitulo II
As diferenças entre os Marxismos expostos entre a China e a URSS

Iniciaremos com os pressupostos marxistas, para depois compará-los com as seguintes correntes ideológicas ( Maoísmo e o Stalinismo) advindas desta mesma raiz .

O marxismo tenta permear e serve como modelo e linha teórica mestra para estes dois movimentos tendo como alguns pressupostos básicos nos quais empregarei e citarei para poder fundamentar as diferenças de visões de um mesmo ideal entre esta duas potências.

Socialismo Científico foi desenvolvido no século XIX por Karl Marx e Friedrich Engels. Recebe também, por motivos óbvios, a denominação de Socialismo Marxista ou marxismo. Ele rompe com o Socialismo Utópico por apresentar uma análise crítica da realidade política e econômica, da evolução da história, das sociedades e do capitalismo. Marx e Engels enaltecem os utópicos pelo seu pioneirismo, porém defendem uma ação mais prática e direta contra o capitalismo através da organização da revolucionária classe proletária.

Para Marx a história do homem é a história da luta de classes. Isso é levado a evolução histórica se dá pelo antagonismo irreconciliável entre as classes sociais de cada sociedade. Foi assim na escravista (senhores de escravos - escravos), na feudalista (senhores feudais - servos) e assim é na capitalista (burguesia - proletariado). Entre as classes de cada sociedade há uma luta constante por interesses opostos, eclodindo em guerras civis declaradas ou não.

Marx afirma que a história segue certas leis imutáveis à medida que avança de um estágio a outro. Cada estágio caracteriza-se por lutas que conduzem a um estágio superior de desenvolvimento, sendo o comunismo o último e mais alto. A chave para a compreensão dos estágios do desenvolvimento é a relação entre as diferentes classes de indivíduos na produção de bens. Afirmava que o dono da riqueza é a classe dirigente porque usa o poder econômico e político para impor sua vontade ao povo jamais abrindo mão do poder por livre e espontânea vontade e que, assim, a luta e a revolução são inevitáveis.

Para Marx, com o desenvolvimento do capitalismo, as classes intermediárias da sociedade vão desaparecendo e a estrutura de classes vai polarizando-se cada vez mais. A alienação e a miséria aumentam progressivamente. Com o auxílio dos partidos dos trabalhadores o proletariado vai tornando-se cada vez mais consciente de sua luta e de sua existência como classe revolucionária. Portanto esses partidos não teriam o papel de apenas ganhar votos e satisfazer interesses pessoais, mas sim de educar e alertar os trabalhadores. A perspectiva internacional tomará maior importância, em detrimento do nacionalismo exacerbado. Mais cedo ou mais tarde a revolução proletária terá êxito, com as condições objetivas e a disposição subjetiva coincidindo. Com as sucessivas crises econômicas do capitalismo suas crises vão se agravando e aproximando-o da crise final.

A sociedade pós-capitalista não foi inteiramente definida por Marx. Dizia ele que tal discussão seria idealista e irrealista. Ponderou apenas que após a revolução instalar-se-ia uma ditadura do proletariado. As empresas, fábricas, minas, terras passariam para o controle do povo trabalhador, e não para o Estado, como muitos pensam e como líderes pseudocomunistas fizeram. A propriedade capitalista extinguiria-se. A produção não seria destinado ao mercado, mas sim voltada para atender às necessidades da população. O socialismo, como essa fase é denominada, deve ser profundamente democrático. O Estado iria naturalmente dissolvendo-se. Porém Marx ressalta: "trazendo as marcas de nascimento da velha sociedade, a sociedade recém-nascida será limitada, sob muitos aspectos, pelos legados da velha sociedade capitalista."

Após o socialismo uma fase superior se desenvolveria: o comunismo. O Estado desapareceria definitivamente, pois seu único papel é manter o proletariado passivo e perpetuar sua exploração. A distinção de classes também deixaria de existir, todos seriam socialmente iguais e homens não mais subordinariam-se a homens. A sociedade seria baseada no bem coletivo dos meios de produção, com todas as pessoas sendo absolutamente livres e finalmente podendo viver pacificamente e com prosperidade.

A China tenta reproduzir aos moldes marxistas uma saída própria para sua situação essa saída damos o nome de Maoísmo.
Maoísmo, esses termo nunca foi utilizado na RP China não pela modéstia de Mao Tse Tung , mas pelo motivo que não queria sua obra aliada a arcabouços teóricos mas a uma forma pratica de levar o marxismo as populações chinesa e mundial.

O maoísmo foi entendido pelo movimento operário mundial um caminho alternativo ao socialismo soviético principalmente na década de 60.

Esse modelo comportava características próprias pela diferença de fatores reais para ocasionar a revolução aos moldes marxistas ( com fatores como : proletariado, a burguesia a estrutura calcada em processos produtivos etc.) Isso era tudo o que não existia em um Estado agrícola como a RP China , para tanto Mao adaptou a teoria marxista a seu objeto de estudo a China de 1911.

Mao adapta a teoria marxista focada em um ponto , o conceito de classes como partes móveis e que se enfrentam constantemente dentro da sociedade , e complementa com fatores leninistas que dedica-se as denúncias ao imperialismo como sistema mundial vinculado ao capitalismo e a visão de partido estruturado mas, funcionando somente como vanguarda ou seja, formulador de políticas indispensável para um direcionamento da luta revolucionária , porque a população necessita de uma direção para não destoarem.

Contudo a sua análise das classes da sociedade chinesa , por motivos ligados a estrutura social de um estado subdesenvolvido foi muito mais elaborada e flexível da elaborada por Marx.

O problema da elaboração política eram principalmente duas a formulação e transmissão da ideologia , que constituía o elemento moderno de rompimento com o mundo estático tradicional dos camponeses, isto é, a revolução se daria em âmbitos onde as idéias pudessem ser rapidamente difundida e isso se daria melhor em centros de alta concentração de pessoas e não em zonas esparsas como a zona Rural.

A repetição banal ou mesmo a simples aplicação dos princípios e das praticas do marxismo não poderia Ter dado a um lugar a uma experiência vital a China senão através de um processo original de repensamento, de uma nova fundamentação teórica.

Isto era muito difícil de realizar para os partidos comunistas na década de 30 devida as pressões da Internacional socialista e do partido político da União Soviética.

Mao teve que combater o ``culto do livro’’ o dogmatismo e as políticas estrangeiras, ou seja, a tendência de transferir para a RP china as formulas ideológicas e políticas praticadas pela URSS praticamente as relativas a estruturação do partido. Essa luta pela autonomia ideológica dos comunistas chineses foi um dos aspectos fundamentais da obra de Mao.

Teve as suas etapas fundamentais na elaboração da estratégia de guerrilhas em torno de 1930 a 1935, na resistência nacional contra o Japão de 1937 a 1945 e depois na construção da sociedade socialista no pós 1949.

Em contrapartida, temos a defesa Stalinista, num modelo de socialismo Marxista-leninista nos moldes da URSS. A sobrevivência do comunismo se ligou fortemente ao bem estar da URSS. Com Stalin, o que havia sido uma ideologia revolucionária e um movimento revolucionário (assim se vinha entendendo o marxismo), se converteu em uma ideologia oficial do status quo, em uma ortodoxia de Estado e de Partido. O primeiro elemento do Stalinismo é um nacionalismo estreitamente associado às tradições russas. Stalin se empenhou em forjar um socialismo em seu país (Rússia), sem preocupar-se muito com as revoluções comunistas no restante do mundo. A organização e as funções do partido comunista sob Stálin representam o último da série de ações desenvolvimentistas que Lênin havia começado. O Partido e uma Elite composta por membros eficientes e leais, tiveram a missão de levar adiante a causa socialista soviética e educar as massas com o socialismo. Depois do fracasso da Nova Política Econômica (um capitalismo controlado pelo Estado) instaurada por Lênin, Stalin começa em 1929 a era dos planos qüinqüenais e constrói uma impressionante indústria de metalurgia pesada e bélica, rumo à modernização econômica da URSS. Como afirma Isaac Deutscher, “Stalin encontrou a URSS com o arado de pau e a deixou como potência de armas atômicas”. Uma das mais incisivas críticas ao sistema Stalinista (aplicáveis a quase todos sistemas comunistas) é a do comunista da ex-Yugosslávia Milovan Djilas no seu livro intitulado A Nova Classe, escrito somente três anos depois da morte de Stálin. ‘Tudo aconteceu, escreve Djilas, na URSS e em outros Estados comunistas, de modo diferente de como os lideres como Lênin, Trotsky, Stalin e Bukharin, haviam previsto’’. Eles esperavam que os estados fossem desaparecendo gradativamente, que a democracia se reforçaria, que o nível de vida melhoraria, que o internacionalismo suplantaria o nacionalismo. E aconteceu exatamente tudo ao contrário, afirma Djilas. O sonho de uma sociedade sem classes segue sendo um sonho. De fato, surgiu na maioria dos Estados com regimes comunistas uma nova classe, o partido comunista, com suas aptidões burocráticas, que controla o aparato do Estado.

Capítulo III
CONFLITO SINO SOVIÉTICO

Embora desde o inicio tenha recebido apoio e ajuda material da URSS , logo começaram a aparecer diferenças profundas quanto a linha de ação política e econômica, explicitando claramente o desejo chinês de possuir uma via própria ao socialismo.

Isso ficou mais visível após a grande marcha de Mao sobre a China que culminou na revolução chinesa (1911 até 1949) , ou melhor , na instituição de uma Republica Popular chinesa , com aspirações socialistas e visão própria do marxismo leninismo.

No ato de sua criação a RP China iniciou uma série de conflitos ideológicos e diplomáticos com a detentora do ideário marxista ate o momento a URSS.

A URSS detinha uma duvida que a pôs em uma situação delicada, essa duvida era em aceitar ou não a RP China no bloco socialista.

Todavia que Stalin portava um comportamento ambíguo durante toda a revolução chinesa.

A URSS estava preocupada com fatores políticos, geopolíticos e ideológicos, onde Stalin remetia-se claramente a teoria morgenthauniana no qual a unidade estatal deve proteger-se mantendo sua soberania e sempre buscando a hegemonia, essa abalada com a ascensão da RP China.

A duvida em reconhecer ou não a China era cada vez mais latente e Stalin estava exposto a uma situação delicada ao qual deveria escolher entre o reconhecimento imediato da China e o não reconhecimento.

Cada ação desta desencadearia uma reação diferente a Stalin , se reconhecesse a RP China imediatamente após sua revolução seria visto com bons olhos sua atitude da parte chinesa e poderia diminuir as tensões redimindo-se de não ter ajudado efetivamente na revolução chinesa ganhando assim mais um aliado ao seu bloco e por que não tendo a China alinhada a URSS automaticamente.

Stalin prefere uma segunda opção e apoia a RP China com ressalvas , ou seja , da um primeiro lance equivocado na política entre esses dois estados tardando em reconhecer a RP China como um pais socialistas , reconhecendo sua revolução somente 20 dias depois de terminada.

Assim conflito que agrava-se cada dia mais entre as duas potências , o próximo passo foi dado pela China em colaboração a Coréia do Norte na guerra contra a Coréia do Sul, e aos historiadores nota-se que existem duvidas sobre a colaboração das duas capitais socialistas neste conflito;

A que tudo indica é que a URSS colaborava com a logística e equipamentos e os chineses com tropas , embora a URSS jurasse ao mundo que não estava envolvida no conflito. A cooperação em primeiro plano dada sua doutrina pautada em bases igualitárias e fraternais.

Isso seria o esperado mas a realidade foi outra ; Pequim teve que pagar os materiais solicitados pela URSS e como conseqüência contraiu uma grande divida que só pudera ser saldada em 1965.

A morte de Stalin 1953 marcou as relações Sino-Soviéticas que passaram a sustentar-se em uma base maior atuação partidária do PCUS (URSS) e do PCC (Chinês). Entre 29 de setembro e 13 de outubro de 1954, uma delegação soviética de alto escalão, da qual tomava parte Jruschov, Bulganin e Mikoyan, visitou Pequim. Seu primeiro resultado foi uma revisão dos tratados de 1950. As novas propostas estipuladas indicam que a posição chinesa de negociadora de havia melhorado frente à direção coletiva Pós-Staliniana. A URSS se comprometia a devolver Port Arthur à China antes de 31 de maio de 1955, vendia a Pequim a participação nas companhias mistas, outorgava um novo empréstimo de 520 milhões de rublos (150 milhões de dólares na época) ao governo chinês e anunciava para o futuro um incremento na ajuda russa.

Ao mesmo tempo, se estabelecia a cooperação dos países para a construção de uma linha férrea que uniria URSS e CHINA, através de Sinkiang.

Inicia-se assim o que alguns especialistas chamam de “Lua de Mel” entre os dois países. Entretanto, Pequim vai consolidando suas Relações Exteriores, especialmente desde a Conferência de Bandung de 1955 que em linhas gerais foi uma encontro realizado na capital da Indonésia onde os países menos favorecidos e descontentes tanto com o capitalismo quanto com o socialismo pregavam uma terceira via , devolvendo à China o primeiro plano da diplomacia mundial.

O Vigésimo Congresso do Partido Comunista Soviético (PCUS), em fevereiro de 1956, pegou de surpresa os chineses.

Por trás do debate de desestalinização e das denúncias de crimes praticados pelo mesmo Stalin, Pequim aguardou silenciosamente nesta conferência, sua primeira reação foi dada em 5 de abril em um artigo entitulado:

“Sobre a experiência histórica da ditadura do proletariado”, no qual ainda admitia que o dirigente soviético havia cometido erros gravíssimos, mas assinalava, no entanto, que havia sido também um grande Marxista-leninista. O Pravda, jornal do governo russo, publicou em 7 de abril uma versão do artigo, suprimido alguns parágrafos.( ZAGORIA 1957, p 57 e 462) 1

Quanto à estratégia comunista mundial, Kruschev e o Vigésimo Congresso introduziram uma série de modificações de grande importância na doutrina e que podem ser reunidas em três pontos principais:

1) a guerra entre paises de sistemas sociais tanto iguais como diferentes não é inevitável; as forças políticas e sociais do mundo socialista dispõe de meios suficientes para impedir que os imperialistas sejam eles de que lado for desencadeiem uma guerra mundial;

2) a “coexistência pacífica” como princípio fundamental da política soviética, com respeito aos países socialistas;

3) a transição do capitalismo ao socialismo pode ser feita por meio de uma competição pacífica. O novo enfoque pragmático despertou receio nos dirigentes chineses, ainda que, até o momento, se abstiveram de mostrar discrepância.

As crises que se sucederam, como a da Polônia e Hungria no final de 1956, deram a China a oportunidade de intervir pela primeira vez nos assuntos europeus, porém sua atitude foi muito diferente em cada caso. Pequim apoiou a Gomulka, primeiro ministro polonês, levada a conseguir certos benefícios com a independência nacional do estado polonês e utilizou sua influência para impedir a intervenção armada da URSS; pelo contrário, no caso da Hungria, insistiu para que se tomassem as medidas necessárias para sufocar a rebelião.

Por que esta diferença? Como descrevera o sábio Edward Crankshaw: “A resposta é simples: não se tratava do desligamento da Polônia do mundo socialista. Estava ligada umbilicalmente com a URSS, como fiadora exclusiva de sua nova fronteira com a Alemanha, a Linha Oder-Neisse”( CRANKSHAW 1963, p43)2.

O governo de Gomulka era comunista, e tinha todo o controle do exército. Se os russos houvessem usado a violência, poderia haver de fato uma guerra civil entre os comunistas... porém a Hungria era um assunto completamente diferente . Aqui o exército havia se voltado contra o partido comunista e os rebeldes estavam dispostos a desligarem-se do campo socialista e estabelecer uma democracia parlamentar, que adotaria uma atitude de neutralidade entre o Oriente e Ocidente. Em uma palavra: se Kruschev retirasse as tropas soviéticas permitiria que a Hungria ficasse indefesa no campo socialista. E isso seria demais para os chineses.

Em 29 de dezembro de 1956, o jornal chinês Remin Ribao publicava um artigo com o seguinte título: “Mais sobre a experiência histórica da ditadura do proletariado”, expressando a posição chinesa acerca das relações entre os partidos comunistas no campo socialista. Pequim fazia questão de ser ouvida no terreno ideológico.

Poucos dias depois, Chu En-lai visitava Moscou, Varsóvia e Budapeste; seu propósito era exercer um papel de conciliador do conflito entre os “partidos hermanos”. O termo dominante de seus discursos foi o reconhecimento de que no passado havia existido erros que deveriam ser corrigidos, pois muito mais importante haviam sido as relações fraternas de assistência mútua e cooperação entre os países do bloco socialista.( ZAGORIA 1957,p 73)3 Em 11 de janeiro em Moscou, uma declaração Sino-Sovietica denunciava qualquer tentativa que pudesse debilitar a solidariedade do campo socialista.

Dentro deste ambiente de cordialidade extrema, se firmava em 15 de outubro de 1957 um acordo entre os dois, em que a URSS se comprometia a facilitar à China armamento nuclear e dados técnicos a respeito. O acordo foi secreto e só revelado pela imprensa chinesa em 1963, seis anos mais tarde

CAP IV
Primeiras divergências: transição pacífica do capitalismo ao socialismo.

Embora a RP China e a URSS ainda não tivesse entrado em rota de colisão as diferenças entre esses estados vêm se avolumando.

O líder chinês lança um artigo entitulado ``Teoria das contradições’’ em 1957, onde explicita publicamente o descontentmento chinês com o sistema impositivo soviético alem de alegar disparidades impensáveis para Mao dentro de um bloco socialista.
Mao foi convidado alguns dias depois da publicação de seu artigo por Kruschev a visitar Moscou em outubro de 1957 para a comemoração do quadragésimo aniversário da Revolução Russa.

O Líder chinês aceita o convite e em para a sua Segunda ida a URSS feito que não realizara desde 1949 , mas antes de ir em 15 de outubro assina um acordo com a URSS sobre a chamada ``Tecnologia da segurança nacional’’ que exemplificando seria , uma amostra da bomba atômica e dados técnicos sobre a sua construção , que seria oferecida pela URSS a China como parte dos acordos de cooperação mútua firmados entre os dois Estados.

Após Mao ter assegurado , segundo ele próprio, um arcabouço de segurança e auto defesa partiu para sua visita à URSS.

Entre 2 e 21 de novembro de 1957, Mao visitou pela segunda vez a URSS, por motivo da celebração do quadragésimo aniversário da Revolução de Outubro, que levou a Moscou os maiores escalões de todos os partidos comunistas do mundo. A estadia na capital soviética do dirigente chinês marcou, de forma clara, a aparição dos primeiros desacordos sino-soviéticos.

Dois acontecimentos de grande importância devido a posição expansionista soviética tiveram enfoque pragmático da China para com o bloco socialista durante os meses anteriores: o primeiro ocorrido em 26 de agosto Moscou anunciava o sucesso do primeiro teste balístico intercontinental e em 4 de outubro o envio do primeiro satélite artificial terrestre em órbita. Para Pequim, isto indicara que a balança de poder estava alterada com uma ligeira vantagem para o mundo socialista. Por conseqüência, era necessário reavaliar a estratégia global do comunismo e endurecer as posições frente ao inimigo. Os trabalhos introdutórios à declaração de Moscou, firmada por doze partidos comunistas no poder, mostraram as primeiras divergências entre os dois países, relativas à tese de transição pacífica do capitalismo ao socialismo.

A delegação chinesa manifestou discordância com um primeiro projeto soviético e conseguiu a elaboração de um novo, no qual se incluíam algumas frases sobre a fase de transição pacífica.

Entretanto, ao final da nova redação, esta não satisfazia por completo os representantes chineses, cuja delegação expunha, em 10 de novembro, seus pontos nevrálgicos sobre a questão e apresentava, ao mesmo tempo, suas teses por escrito ao comitê central do governo soviético.

Em 18 de novembro Mao, dirigindo-se à conferência, afirmava:

- “Na minha opinião, a situação internacional chegou a um novo ponto decisivo. No mundo de hoje sopram dois ventos, o vento do leste e o vento do oeste. Segundo um ditado chinês (o vento do leste prevalece sobre o vento do oeste, o vento do oeste prevalece sobre o vento do leste). Creio que a situação atual se caracteriza pela superioridade do vento do leste sobre o vento do oeste. Isto quer dizer que as forças do socialismo são abrumadoramente superiores às forças do Imperialismo...

Uma nova situação deve ser levada em conta no presente, a saber: que os maníacos pela guerra podem deixar cair bombas atômicas e de hidrogênio em qualquer parte. Eles as deixam cair e nós procedemos de acordo com sua conduta; por outro lado, se instalará o caos e as perdas de vidas serão constantes. A situação deve ser encarada da pior maneira. O departamento político do partido efetuou várias reuniões para discutir a questão. Se a guerra deflagra agora a China só tem granadas de mão e não bombas atômicas, as quais, entretanto, estão na mão da URSS. Imaginemos quantas pessoas morreriam se deflagrada a guerra. De uma população mundial de 2.700 milhões, um terço, quiçá a metade, podem desaparecer. São eles e não nós que queremos guerra, quem saberá se não usarão bombas atômicas e de hidrogênio. Debati esta questão com um estadista estrangeiro (Nehru). Ele acredita que, se acontecesse uma guerra atômica toda a população seria aniquilada. Eu disse que aconteceria o pior, que morreria a metade da humanidade, ficando a outra metade doente e apática, enquanto o imperialismo seria arrasado e todo mundo converter-se-ia em socialista e que dentro de vários anos haveria novamente 2700 milhões de pessoas. Nós chineses ainda não completamos nossa etapa construtivista e queremos a paz. Entretanto se o imperialismo insiste na guerra, não teremos outra alternativa que decidirmos a lutar ate o fim, antes de seguir adiante com a nossa construção.
Se continuamente temo à guerra, o que faremos se a guerra se produz naturalmente? Primeiro foi dito que o vento do leste prevalece sobre o do oeste e a guerra não se deflagrará, e agora tenho acrescentado estas explicações sobre a situação, caso a guerra aconteça. Desta maneira levamos em conta estas duas possibilidades’’(Texto segundo a versão da declaração de um porta-voz do governo chinês, Pequim, 1 de setembro 1963. espanhol)4

Convinha reproduzir por extenso a declaração do dirigente chinês já que, com o tempo, se converteriam em um dos pratos preferidos das críticas Moscovitas. Entretanto, é possível que naquele momento os governantes soviéticos concedessem maior importância às afirmações públicas de Mao sobre o papel do dirigente da URSS no movimento do comunismo mundial, especialmente significativas em um dos momentos que ainda estava presente na memória: os acontecimentos da Polônia e da Hungria. A posição de Pequim ficava clara na declaração de Mao diante dos estudantes chineses na Universidade de Moscou:

“O campo socialista deve ter um guia e este guia é a União Soviética. Acima dos partidos comunistas e trabalhadores de todos os países deve haver, assim mesmo, um guia, que é o partido comunista da URSS”.(MEHNERT 1965, p 409).5

E depois disso varias passos foram dados foram dados em direção a uma cooperação ampla reciproca entre as duas capitais socialistas, essas cooperações iam desde a troca de experiências entre militares Soviéticos e chineses ate a construção de uma unidade difusão gasosa perto de lanzhou e montagem de um local para teste nucleares, em contrapartida os chineses acertaram seus laboratórios de pesquisa para acelerar o processo de fabricação e obtenção de armas atômicas e mísseis interbalisticos.

Convinha reproduzir por extenso a declaração do dirigente chinês já que, com o tempo, se converteriam em um dos pratos preferidos das críticas Moscovitas. Entretanto, é possível que naquele momento os governantes soviéticos concedessem maior importância às afirmações públicas de Mao sobre o papel do dirigente da URSS no movimento do comunismo mundial, especialmente significativas em um dos momentos que ainda estava presente na memória: os acontecimentos da Polônia e da Hungria. A posição de Pequim ficava clara na declaração de Mao diante dos estudantes chineses na Universidade de Moscou:

“O campo socialista deve ter um guia e este guia é a União Soviética. Acima dos partidos comunistas e trabalhadores de todos os países deve haver, assim mesmo, um guia, que é o partido comunista da URSS”.(MEHNERT 1965, p 409).6

E depois disso varias passos foram dados foram dados em direção a uma cooperação ampla reciproca entre as duas capitais socialistas, essas cooperações iam desde a troca de experiências entre militares Soviéticos e chineses ate a construção de uma unidade difusão gasosa perto de lanzhou e montagem de um local para teste nucleares, em contrapartida os chineses acertaram seus laboratórios de pesquisa para acelerar o processo de fabricação e obtenção de armas atômicas e mísseis interbalisticos.

CAPÍTULO V
Deterioração progressiva da situação.

Mao por um momento deixou de lado os pressupostos realistas como a importância geopolítica, a hegemonia no bloco , até mesmo as questões fronteiriças com a URSS dentro de suas relações com Kruschev e passou a acreditar que pelo processo de cooperação ter dado certo e estar correndo bem com a URSS.

Porem para a URSS a máxima Morgenthauniana foi não esquecida que o poder seria para ele Estados agem no sistema’’ juntamente com o corolário do mesmo autor.

Mao achava que as lideranças do bloco comunista deveriam separar-se e dedicar se as suas regioes primeiramente , como a China e sua area de influencia na Asia e a URSS na europa, separar se e assim abrindo-se em duas frentes devastadora aos Estados Unidos e o mal capitalista, mas essa não era a mesma opinião de Kruschev , que em 1956 declarou adotar publicamente o sistema de coexistência pacificados Estados com diferentes sistemas sociais.

Mao ficou muito impressionado com a dissimulação de Kruschev e o ponto crucial dado no bloco segundo os chineses foi a declaração de Kruschev na conferencia de Bandung na Índia onde Kruschev renegara o ideário marxista-leninista mais uma vez dizendo que o ponto onde estivera escrito que a guerra contra o imperialismo e inevitável seria apagado da historia e daquela data em diante haveria um novo pensamento o principio da coexistência pacifica.

Para Mao era incompreensível segundo o ideario marxista os ``operários ter pactos com patrões’’ , ou seja a URSS nunca poderia realizar uma coexistência e pior ainda pacifica com os maiores opressores do socialismo sem enfraquecer o bloco

Durante 1958 vários acontecimentos começaram a complicar a situação. Varias iniciativas soviéticas destinadas a melhorar suas relações com os EUA, veio a causar alarme ainda maior a Pequim.

Em 31 de março, Gromyko anunciava diante do Soviet Supremo que a URSS havia decidido surpreender unilateralmente suas provas nucleares e convidava as demais potências mundiais a seguir seu exemplo.

A china estava cada vez mais irritada e precavida com o Kremlin , pois as políticas soviéticas se caracterizavam cada vez mais Imperialistas alem das experiências nucleares soviéticas virem se aprimorando, acuada no ambiente internacional, não sabiam em ate que ponto os EUA estava armando Taiwan para continuar resistentes a China continental , Mao mais uma vez foi buscar apoio da URSS para seu salto adiante , e encontrou o líder relutante e compenetrado em garantir ao povo Soviético padrões de vida melhores. ``Por outro lado, segundo fontes chinesas, nesse mesmo ano Kruschev formulou exigências que eqüivaleriam em converter a China em uma colônia russa e que foram rechaçadas pelo governo de Pequim’’8 (SUYIN 1970, p118).

Finalmente, a atitude ambígua do Kremlin durante a segunda crise de Formosa(*), devia mostrar aos dirigentes chineses os limites de sua aliança com Moscou.

Esse golpe não comentado pela China foi agravado por uma dezena de outros no cenário internacional aos quais acertavam em cheio o coração da potência socialista da Ásia.

Outras insurreições enfraqueciam gradativamente a China , os conflitos com Laos , onde a China perderia sua influência com a subida no poder e de um governo de direita apoiado pela potência americana e no Tibet com uma serie de convulsões internas culminando com a fuga do Dalai Lama para a Índia. E o apoio e treinamento de tibetanos para uma volta ao Tibet como força de resistência.

Alem destas perdas ainda surgiu a contenda com a Indonésia que reivindicava melhores diretrizes para o comercio e levou adiante uma empreitada anti-chinesa.

Kruschev agravou definitivamente a situação quando no intuito de trazer a Indonésia para sua esfera de influência ofereceu 250 milhões de dólares em credito para a reconstrução e expansão do comércio.

E se não bastasse tudo isso, ainda surgiram conflitos com a Índia nas fronteiras limítrofes entre estes dois Estados.

Mas os líderes de Pequim estava extremamente arredios e irritados com o modo de pensar de seus já nem tanto camaradas.

Na declaração governamental de 1 de setembro de 1963, Pequim se referia a tomada de posição russa nos seguintes termos:

``Os líderes soviéticos expressaram seu apoio à China em 7 e 19 de setembro respectivamente. Ainda que nesse momento a situação do estreito de Taiwan fosse tensa, não havia possibilidade de deflagrar uma guerra nuclear nem a necessidade da URSS apoiar a China com seus armamentos nucleares. Só quando resultou evidente que essa era a situação, os líderes soviéticos manifestaram seu apoio à China''9

Em 1 de dezembro, Kruschev dava um novo passo sem precedentes criticando as comunas chinesas e qualificando-as de “reacionárias”10 (ZAGORIA 1957,p140). O ataque se dirigia agora a uma das realizações especificamente chinesas e, o que era mais grave, diante de uma força americana, o senador Humphrey.

O conflito se alongou no decorrer do ano de 1959. Os ataques verbais entre as partes se acentuaram, ainda que, entretanto, de forma indireta, iniciando a tática que Edward Grankshaw descreve nos seguintes termos:

“Á medida que o conflito sino-soviético avançava, nenhuma das partes queria queimar seus cartuchos atacando a outra, aberta e equivocadamente, aos olhares de todo o mundo, cada uma escolheu um objeto simbólico para representar a outra. Assim Mao edificou um modelo de Kruschev, o batizou-o de Tito, o condecorou e o denominou como arqui-revisionista. Kruschev elegeu Hoxa, da Albânia, para nomear o seu modelo que era o mesmo de Mao, denominou de arquidogmático”. (GRANKSHAW 1963, p53)11.

Em fevereiro se reunia em Moscou o XXI Congresso do Partido Comunista Soviético (PCUS), e em um extenso discurso Kruschev insistia na tese de transição gradual do socialismo.

No mês de maio, Kruschev, durante uma visita a Albânia, se encontrou com o Ministro de Defesa Chinês, Peng Te-juai, um dos oponentes ao programa de comunas. Ainda que se conheça o conteúdo das conversas entre ambos, supõe-se que o dirigente soviético o alentou em continuar com sua oposição. Em 17 de setembro, anunciava-se em Pequim a destituição do Marechal chinês, acusado de encabeçar um grupo antipartidário. Em 18 de julho, Kruschev, em um pronunciamento feito em Poznan (Polônia), se referiu ao experimento soviético feito à base de comunas, constatando que havia sido um fracasso e as pessoas que tinham tentado implantar esse regime na URSS possuíam um conhecimento muito superficial do comunismo e de como deveria sê-lo construído. 12(ZAGORIA 1957,p147)

Entretanto, segundo as fontes chinesas, e sem que Moscou tivesse negado nunca, em 20 de junho a URSS denunciava unilateralmente o acordo secreto de outubro de 1957, relativo a armas nucleares.

No mês de agosto, surgiam os primeiros choques armados na fronteira Sino-Indiana. Em 9 de setembro, uma declaração da agência Tass manifestava a neutralidade russa a respeito da contenda. Três dias mais tarde, Moscou firmou um acordo com a Índia, outorgando-a um crédito de 1.500 milhões de rublos, quantia muito superior à que a China houvera recebido até então.

E Kruschev intensificou sua política de alianças com os EUA onde os esforços realizados pelos soviéticos em prol da coexistência pacífica haviam começado a dar frutos. Em 15 de setembro o dirigente soviético chegava aos EUA para um encontro com o presidente Eisenhower. De volta a Moscou, declarou reuniao fora maravilhosa ocorrida dento do “ espírito de Camp David”, e que o presidente americano gozava da confiança juntamente com seu povo e aspiravam sinceramente o fim da guerra fria. Os receios chineses forçosamente deveriam se incrementar e tinha razão para isso a união entre a URSS e os EUA cada dia ficava mais indissolúvel.

Dois dias depois, Pequim recebia com a maior frieza o dirigente soviético, que havia se auto convocado para assistir à celebração do décimo aniversário da República Popular da China.

``Durante os quatro dias de visita, as divergências no eixo Pequim-Moscou se acentuaram. Kruschev se negou a tomar partido no conflito Sino-Indiano, tentou que os dirigentes de Pequim subscrevessem suas teses sobre coexistência pacífica e, sobretudo, segundo fontes chinesas, surgiu, no que diz respeito a Taiwan, fórmulas muito parecidas à criação das duas Chinas (Declarações de um porta-voz do governo chinês; Pekin 1 setembro 1963. espanhol)13

A maior afronta para os dirigentes chineses, ocorreu em 4 de outubro, Kruschev abandonava Pequim sem que publicassem nenhuma nota nem relatório ao final de sua estadia.

Ao longo de 1960 as relações entraram em uma deterioração ainda mais intensa , esse ano também foi marcado pelo o 90º aniversário do nascimento de Lênin, a imprensa chinesa publicou uma série de artigos que marcaram o princípio da fase ideológica do conflito. O mais importante deles foi publicado em 16 de abril em um caderno quinzenal do PCCh Hongqi, intitulado Viva o Leninismo, que se tratava de uma declaração fervorosa e apaixonada do comunismo com fortes ataques às postura se ao regime soviético denominados pelos chineses de ``revisionistas’’. Pequim começava a considerar-se como a verdadeira depositária do ideário marxista.

Um mês mais tarde, o fracasso da Conferência de Cúpula de Paris pela, para a qual Kruschev tanto havia trabalhado, em conseqüência do incidente do avião espião norte-americano U2, parecia dar razão aos analistas chineses sobre o imperialismo. Todavia, na prática, concorreu para uma diminuição das tensões entre as capitais do comunismo mundial.

Mas essa paz durou pouco até que os chineses no início de junho, os dirigentes maoístas, aproveitando a reunião em Pequim da Federação mundial dos sindicatos, formularam, tanto em público quanto no meio privado, um ataque a toda a ideologia e nova estratégia soviética.14(ZAGORIA 1957,p339) A resposta russa viria dias mais tarde, no congresso do partido romeno, para o qual o próprio Kruschev se deslocou até Bucareste para um pronunciamento. Tanto seu discurso, no dia da abertura, como o do representante Peng Cen, prefeito de Pequim e membro do escritório de política, feito no dia seguinte, estiveram cheios de críticas veladas que mostravam suas discrepâncias ideológicas. Criticas elevadas ao mais alto grau de ataques , nos quais a URSS acusava a RP China de renegar o ideário marxista e pela parte chinesa a contrapartida não foi menos intensa acusando a URSS deturpar o sistema marxista para implementar um socialismo ditatorial alem de vender o sistema socialista para a águia americana. O autêntico ataque surpresa estava constituído por uma carta-circular que a delegação soviética distribuiu no dia 21, denunciando as teses chinesas e, por um ataque direto de Kruschev a Mao, citando-o pelo nome, em uma das sessões a portas fechadas. Os chineses replicaram as criticas sofridas na carta do dia 21, no dia 26, entregando uma declaração às demais delegações, na qual Kruschev era criticado com grande intensidade.

Semeada assim a polêmica entre Pequim e Moscou, os representantes dos partidos comunistas presentes em Bucareste se situaram do lado soviético, exceto a Albânia, que assumiu diretamente a defesa das posições chinesas.

`` No mês de julho, Moscou iniciava a represália direta retirando da China 1.390 técnicos russos, anulando unilateralmente 343 contratos e pondo fim a 257 contratos de assistência técnica’’15

As medidas soviéticas afetaram seriamente a economia chinesa e foram em grande parte a causa da crise que assolou o país nos anos seguintes, fato este que coincidiu com a pior colheita do século e agravou ainda mais a situação.

Entretanto, a China, seguiu tentando para que fosse minimizada a amplitude do divórcio entre os dois países, que já se transcendera fora do mundo socialista. Na série de entrevistas que Chu En-Lai concedeu entre 30 de agosto e 18 de outubro a Edgard Snow, o dirigente chinês que tentava minimizar as diferenças afirmando :

''...os partidos comunistas e os governos da China e URSS, assim como os demais países socialistas, crêem no Marxismo-leninismo e formularam suas políticas integrando estes princípios globais e as condições respectivas de seus países. Ao terem as mesmas ideologias e os mesmos sistemas, compartilham dos mesmos princípios globais e seguem a mesma direção geral. Mas isso não equivale a dizer que os partidos não tenham diferença na hora de considerar algumas premissas, nem significa que não haja diferença na ênfase das políticas de cada país'16 (SNOW 1970, p125-126)

A respeito do problema dos técnicos soviéticos, Chu En-lai destacava:

“A volta dos técnicos soviéticos a seu país é algo natural, depois de vir à China, teriam que regressar algum dia, não iam permanecer aqui toda vida. Trabalhavam na China por períodos de tempo determinados e fizeram bons serviços. Talvez porque este ano voltaram muitos, a atenção dos países ocidentais foi despertada’’17 (SNOW 1970, p127)

Todavia, no que pese às informações de Chu En-lai, as divergências entre as duas capitais eram cada vez mais profundas, como iria mostrar, um mês mais tarde, a conferência de Moscou, que reuniu os representantes de 81 partidos comunistas com a celebração do 43º aniversário da Revolução de Outubro. O conteúdo dos debates não foi integralmente conhecido (a conferência se reuniu secretamente), mas as intervenções publicadas a posteriori sugerem o enfrentamento violento entre os partidos Chinês e Albanês, por um lado e os demais por outro. A declaração comum adotada em 1 de dezembro era um bálsamo que tentava harmonizar as discrepâncias entre ambas as partes, ainda que dando preeminência às teses de Moscou. Como assinala André Fontaine:

'' Os chineses terminaram por resignar-se a que figurasse na declaração comum uma referência ao Vigésimo Congresso do Partido Comunista da URSS, fonte, entretanto, segundo eles, de todos os desvios e aberrações. Quanto aos restantes, tiveram que se satisfazerem completando as fórmulas do modelo soviético com frases que atenuavam seu sentido. E assim, como a adesão ao princípio de coexistência pacífica parecia atenuada pela segurança da qual esta implica no reforço da luta de classes, a declaração proclamou de vez que a natureza agressiva do imperialismo jamais mudou (tese chinesa) e que a guerra não é primordial (tese soviética)''18(FONTAINE 1971,p397)

Durante os meses seguintes, à medida que pioravam as relações da Albânia com a URSS, se fazem mais estreitos os laços do pequeno país socialista com a China. E abril de 1961 marcou o ponto culminante da crise, pois enquanto Moscou retirava seus técnicos e suspendia sua ajuda econômica a Albânia, Tirana e Pequim concluíam, um pouco mais tarde, 3 acordos de ajuda técnica e econômica.

CAPÍTULO VI
O XXII CONGRESSO DO PARTIDO COMUNISTA DA UNIÃO SOVIÉTICA

As tensões acumuladas haviam criado um abismo gigantesco entre as capitais do comunismo mundial. O XXII Congresso do Partido Comunista Soviético, reunido em Moscou entre 17 e 31 de outubro de 1961, o qual contava com representantes de todos os partidos comunistas, exceto a Iugoslávia, que não havia sido convidada, e também a Albânia, terminaria por mostrar que a unidade de bloco socialista não era mais uma frase vazia.

Nos discurso inaugural, Kruschev atacou a política e os métodos dos dirigentes albaneses com frases onde se poderiam ver claramente alusões à China. A delegação deste país foi a única que não aplaudiu o discurso de 6 horas do líder soviético. Dois dias mais tarde Chu En-lai, que presidia a representação chinesa, se dirigia ao Congresso nos seguintes termos:

'' O campo socialista... constitui uma só entidade... Se desgraçadamente surgem disputas ou diferenças entre os partidos ou os países irmãos, devem se resolver dentro do mesmo espírito de internacionalismo proletário e sobre os princípios da igualdade e unanimidade, através de consultas e reuniões. As censuras públicas e unilaterais de qualquer partido fraterno não colaboram com a unidade e nem com a resolução dos problemas. Disseminar abertamente uma controvérsia entre os países irmãos em frente ao inimigo, não pode considerar-se como uma atitude Marxista-leninista séria.”19

No dia 23, o primeiro ministro chinês abandonava Moscou sem sequer houvesse terminado o Congresso. Dois dias antes havia depositado diante do túmulo de Stalin uma coroa de flores com a inscrição: Ao Grande Marxista-Leninista”.

A tensão parecia ceder durante os primeiros meses de 1962. Entretanto, os acontecimentos vieram no mês de outubro reavivar as polêmicas entre as duas capitais: a crise dos mísseis em Cuba, na qual, segundo Pequim, os líderes soviéticos caíram no “erro da aventura e no erro do capitulacionismo diante da agressividade e arrogância imperialista”,20 e reaparição das hostilidades na fronteira Sino-Indiana, diante da qual Moscou optou novamente pela neutralidade.

A imprensa retomou seus ataques contra a União Soviética enquanto o Congresso dos Partidos Comunistas da Bulgária, Hungria e Tchecoslováquia multiplicavam as acusações contra a Albânia e a China. Em 12 de dezembro, o próprio Kruschev se lançava no debate replicando as acusações chinesas e albanesas. Em um discurso diante do Soviet Supremo atacava de forma violenta os líderes e dirigentes albaneses, mas mostrando de forma clara que este feito referia-se às políticas de Pequim. No estilo que lhe era peculiar recorria a seguinte piada:

“... Recordo que nos povoados mineiros, os mal falados tinham o costume de que quando encontravam um menino que começava a aprender a falar, sem compreender o significado das coisas, o ensinava os juramentos mais repugnantes e diziam: corra pelos lugares e repita a todos. Às vezes algo pior: vá até sua mãe, e cochiche estas palavras: pegue três Kopeks (Moeda de troca dos mineiros) e logo te daremos cinco. E a criatura andava por todos os lugares, corria junto à mãe repetindo os juramentos. Para os desordeiros isso era uma espécie de teatro. Os dirigentes albaneses atuam como esses garotos insensatos. Alguém hão ensinado a pronunciar palavras sonsas e eles seguem abaixo as janelas repetindo os juramentos censurados contra o partido comunista da URSS. Este partido é o de sua mãe. Pelo juramento recebem os três Kopeks prometidos. Quando começa a jurar mais alto e com maior determinação, os dão outros cinco e os compravam”21

Não ficava mais dúvida sobre quem eram os desordeiros aos quais se referia o primeiro ministro soviético. Mais adiante destacava que o imperialismo é um tigre de papel e esse tigre tem as “garras atômicas”. Mas supomos que a parte maior da indignação causou em Pequim a velada insinuação que a China não havia empreendido os esforços para a libertação de Hong Kong e Macau:

“A Índia, por exemplo, logrou por libertar Goa, Diu e Damão. Eram vestígios do colonialismo na terra Hindu. Na costa da China, perto da desembocadura do rio Siang, se encontra Macau... Ali existe também a colônia britânica de Hong Kong, situada no delta do rio Sikiang... Destes enclaves partem rumores que não tem melhor olor que ele produzia ao colonialismo de Goa. Mas, haveria alguém que condenasse a China pelo feito que os vestígios do imperialismo parecesse intangível? Seria injusto atribuir à China as ações que ela considera importunas? Se o governo da República Popular da China tolera Macau e Hong Kong, deve ter sérios motivos para isto.’’.22

Um mês mais tarde, a intervenção do delegado chinês no Congresso do Partido Comunista da República Democrática Alemã era interrompida em diversas ocasiões por cochichos e muxoxos, algo nunca visto em reuniões deste tipo.

Em 21 de fevereiro de1963, o PCUS propôs ao Partido Comunista Chinês por fim à polêmica pública e iniciar as conversações bilaterais, como preparação para a conferência mundial de partidos comunistas, cuja convocação vinha exigindo de Pequim desde o mês de abril do ano anterior. Pequim assistiu às reuniões e fixou o primeiro encontro para 5 de junho.

Entretanto, a imprensa chinesa continuou seus ataques. Em 8 de março, um artigo do periódico chinês Renmin Ribao, respondendo às alegações de Kruschev de que a China não havia empreendido nenhuma ação para recobrar Macau e Hong Kong, enumerava nove tratados “desiguais”, que incluíam os tratados de Aigun e Pequim, pelos quais a URSS obteve grandes conquistas dentro do território chinês. Continuando, acrescentava:

“Ao fazer surgir questões deste tipo, tenta-se sanar todas as questões relativas aos tratados desiguais e propor um ajuste geral ?23

A questão territorial se incorporava ao debate entre as duas capitais do mundo comunista.

Todavia, a primazia seguiu correspondendo aos aspectos ideológicos. Em 14 de junho uma carta do Comitê Central do Partido Comunista Chinês, em resposta à outra de 30 de março do homônimo soviético, estabelecia uma lista de 25 questões que deveriam ser debatidas no curso das conversações bilaterais. De fato, a carta chinesa continha uma denúncia global da política de Kruschev desde 1956, ainda que sem dar nomes e referindo-se sempre à “certas pessoas”. O Comitê Central do Partido Comunista Soviético, reunido em uma sessão plenária de 18 de junho, decidiu não publicar a carta intitulada “os momentos atuais”, dado que seus ataques sem justificativas obrigariam a uma resposta pública que acentuaria as polêmicas24. Apesar disso, a Embaixada da China em Moscou distribuiu cópias da carta.

O Kremlin replicou expulsando três diplomatas e estudantes chineses culpados pela distribuição e publicando em 14 de julho uma carta aberta em resposta aos 25 pontos abordados pelos chineses. Sob este pano de fundo, as negociações bilaterais que haviam começado em Moscou em 5 de julho estavam destinadas ao fracasso. No dia 20 adiaram o tratado sine die.

Cinco dias mais tarde era firmado, em Moscou, o tratado tripartite de proibição de testes nucleares, inaugurando o que mais adiante seria denunciado por dirigentes chineses como o “conluio soviético-americano para governar o mundo”. Em 31 de julho, uma declaração do governo de Pequim qualificava o tratado como de submissão frente ao imperialismo americano.

Durante o mês de setembro, ocorreu uma série de incidentes fronteiriços e violações de parte a parte entre os dois países. Em uma declaração do governo em 21 deste mesmo mês, a URSS apontava que os chineses haviam “violado sistematicamente” a fronteira soviética, desde 1960; continuando acrescentava que “o governo soviético havia convidado repetidas vezes ao governo chinês a manter consultas a vistos e delimitar, de forma clara, a linha fronteiriça”, mas Pequim fugia das negociações.25

Ainda que, finalmente, as negociações fronteiriças começaram na capital chinesa, em 25 de fevereiro de 1963, as posições de ambas as partes resultaram irreconciliáveis. Moscou estava de acordo em aceitar restrições menores, mas reafirmava o caráter histórico das fronteiras. Pequim insistia em que se declarasse formalmente o caráter “desigual” dos tratados firmados no passado, ainda que se mostrasse disposto a respeita-los e torna-los como base para uma solução do problema fronteiriço.

No que diz respeito à parte ideológica a disputa não teve melhor sorte.

Durante 1964 continuou a troca de espinhos entre as duas capitais. Em 4 de fevereiro, um artigo do Renmin Rimbao , e outro na revista Hongqi, declarava a URSS como “o inimigo principal” da China Popular, junto ao imperialismo norte-americano. Em uma carta de 7 de maio, o Comitê Central do Partido Comunista Chinês rechaçava uma proposta soviética para convocar uma conferência mundial dos partidos irmãos. Seria necessária uma série de preparativos, incluindo a celebração de conversações bilaterais ou multilaterais entre tais partidos, bem como a convocação de uma preparatória desses partidos irmãos e que a decisão fosse de caráter unânime. A julgar pela situação atual, para estes trabalhos se requereriam talvez quatro ou cinco anos, ou ainda um tempo ainda maior.26

Logicamente, Pequim se opunha à realização de uma conferência da qual só poderia sair o expurgo de sua tese.

Isolada pelo bloco capitalista e destoada pelo grupo socialista, a China Popular intensifica seus esforços para criar um poder nuclear independente e começa a voltar seus olhos ao terceiro mundo, única esperança de uma revolução mundial, dirigida desta vez contra Washington e Moscou.

CAPÍTULO VII
A NOVA EQUIPE DE DIRIGENTES SOVIÉTICOS.

Com a queda de Kruschev, coincidindo com a primeira explosão atômica chinesa, supôs-se uma trégua momentânea na polêmica entre Pequim e Moscou. De 5 a 14 de novembro de 1964 , Chu En-lai visitou Moscou para assistir às cerimônias organizadas em virtude do 47º aniversário da revolução soviética. Entretanto, o discurso de Brezhnev em 6 de novembro do mesmo ano, no qual Chu En-lai esteve presente, mostrava de forma clara que a nova equipe do Kremlin continuava na mesma linha de seu antecessor: a validade das conclusões do 20º Congresso, coexistência pacífica e necessidade urgente de reunir em uma conferência mundial os partidos comunistas.27 As divergências entre os países eram excessivamente profundas para que uma simples troca de pessoal pudesse levar à reconciliação. Em 20 de novembro, um artigo publicado em Hongqi com o título “Por que Kruschev caiu?” reiniciava a polêmica, ainda que novamente de forma indireta, referindo-se ao kruschevismo sem Kruschev.

Em 6 de fevereiro de 1965, Kosyguin, em viagem a Hanói, se deteve em Pequim, onde foi recebido por Chu En-lai. Na sua volta fez escala de novo na capital da China, mantendo conversações com Chu En-lai e Mao Tse-tung. À luz desta visita, voltou-se a especular uma possibilidade de reconciliação entre os países, para formar uma frente unida contra a escalada americana no Vietnã.

Os acontecimentos do mês seguinte mostraram as tentativas vãs de restaurar a unidade socialista.

Entre 1 e 5 de março, se realizou em Moscou uma conferência consultiva de 19 partidos comunistas, na qual os dirigentes soviéticos propunham a realização de uma conferência mundial. Pequim negou-se a participar dela. No dia 23, um artigo publicado conjuntamente nos diários Renmin Rimbao e Hongqi condenavam a conferência de Moscou como “rompimentista”, ao passo que exigia da nova direção do Kremlin uma confissão pública de seus erros e a volta da via Marxista-leninista, do internacionalismo proletário e dos princípios das declarações de 1957 e 1960 .28

O XXIII Congresso do Partido Comunista Soviético reunido em Moscou entre 29 de março e 8 de abril deu lugar a um novo “intercâmbio” de farpas entre as partes. Os dirigentes de Pequim rechaçaram o convite para ir à capital russa baseando-se em um documento anti-chinês distribuído pela URSS aos demais partidos comunistas, no qual, junto às acusações costumeiras de “belicista”, “chauvinista”, “ultra-esquerdista”, etc., culpavam a China de haver rechaçado todas as ofertas para um apoio ao Vietnã e de dificultar o transporte de militares russos àquele país. Em resposta Pequim retrucava contra os dirigentes soviéticos acusando-lhes de revisionismo e de conluio com os EUA, para cercar a China socialista.

A revolução cultural espalhou por todo o país um sentimento de xenofobia anti-Rússia, estreitamente vinculada aos momentos da luta interna contra o revisionismo e os elementos anti-partidários, a partir do princípio de maio de 1966. Durante este ano e o seguinte se sucedem as manifestações dos exércitos vermelhos ao longo da fronteira sino-soviética. A tensão chegou ao máximo em um confronto entre estudantes chineses e policiais russos, em 25 de janeiro de 1967, na praça Vermelha, em Moscou, na qual cada parte deu versões diferentes para o ocorrido. Os processos massivos se estenderam imediatamente por toda a China, culminando no cerco à Embaixada Soviética, com 100 manifestantes, que durou de 26 de janeiro a 12 de fevereiro.

A invasão soviética à Checoslováquia (*), em agosto de 1968, e o anúncio, posteriormente, da doutrina Brezhnev que era um plano de intervenção em qualquer estado do bloco socialista cujo a URSS alegasse que não cumpria o pressuposto marxista-leninista, isso também serviu de justificativa para a primavera de praga. Essas medidas eram motivos sérios de alarme para os dirigentes chineses, os quais não escapavam da ameaça que podiam pressupor para a Albânia, seu mais fiel aliado no mundo comunista, para a Romênia, com a qual as relações eram cada vez mais amistosas, e para a própria China. Indubitavelmente, Pequim não tinha a menor simpatia pelo movimento “revisionista”, liderado por Dubcek, e havia aguardado em silêncio, silêncio este rompido pela agência de notícias chinesa Xinhua, em 22 de agosto, em um comunicado cujas acusações nos dá idéia pela redação do primeiro parágrafo:

“As renegadas medidas de Brezhnev e Kosygin, tomando flagrantes medidas de gangsters, enviando, descaradamente, em 20 de agosto, grande contingente de tropas a ocupar selvagemente toda a Checoslováquia, cometendo desta maneira monstruoso crime contra o povo checo, é um desmascaramento da feroz ditadura do renegado corolário revisionista soviético, que impulsiona sua política imperialista de grande potência, é a mais vil representação de uma rinha de cães entre o camarada revisionista soviético e o camarada revisionista checo, é o resultado da coalizão direta do renegado camarada soviético com o camarada imperialista ianque, na vã tentativa de redistribuir o mundo, e também é uma luta de agonia empreendida por este camarada para salvar todo o bloco revisionista contemporâneo da sua crise de desintegração e de sua eminente ruína. Este feito pôs diretamente à descoberta a idéia de Tigre de Papel do revisionismo soviético.” 29

No dia seguinte, em um discurso feito durante a recepção oferecida ao embaixador da Romênia na China, por motivo da festa nacional de seu país, Chu En-lai afirmava que a invasão da Checoslováquia no passado e que a atual agressão do imperialismo norte-americano contra o Vietnã’’, a continuação expressava sua confiança no povo checo e seu descontentamento tanto com a URSS quanto com Dubcek. Estamos convencidos que o povo Checo, que tem uma gloriosa tradição revolucionária, não se submeterá jamais à ocupação militar revisionista soviética e continuará levantando-se para levar adiante a luta revolucionária contra o corolário revisionista soviético e o de seu próprio país’’30.

Seis meses mais tarde, o problema das fronteiras sino-soviéticas passava a primeiro plano . Em 2 de março de 1969 eclodiram choques armados na ilha de Chempao (Damanski em Russo), entre os guardas fronteiriços chineses e soviéticos, causando vários mortos. Em 14 e 15, os incidentes se repetiam no mesmo local. Em uma série de notas de protestos e declarações oficiais , 31as duas partes se acusavam reciprocamente de haver originado o conflito. Com o tempo, esperavam fazer valer a legitimidade de seus direitos sobre a ilha. Entretanto, segundo o costume, as manifestações de protesto se estenderam pelos países. Em 29 de março, uma declaração do governo soviético reafirmava sua soberania sobre a Ilha, mas, ao mesmo tempo, propunha à Pequim a retomada das conversações fronteiriças em 1964.

Nestas condições, parecia lógico que o vice-presidente Lin Piao, em seu informe de 1 de abril, diante do IX Congresso do Partido Comunista Chinês, ao analisar a política exterior, dedicara mais tempo a condenar o “social-imperialismo ianque”.

Esse mesmo mês de abril, foi marcado pela tensão que mudava da fronteira de Chempao às fronteiras de Sinkiange e Cazaquistão. Os incidentes se sucedem nos meses seguintes culminando no enfrentamento armado de 13 de agosto, que causou numerosas baixas em ambas as partes. Imediatamente começaram a surgir rumores que a URSS poderia empreender ações armadas, em grande escala, à China Popular.

Em 11 de setembro Kosyguin, na sua volta de Hanói, onde assistiu aos funerais dos soldados mortos no conflito do Vietnã , a convite do presidente Ho Chi Min, se hospedou em Pequim para conversar com Chu En-lai. A raiz desta visita foi o confronto que volta à cena no ambiente diplomático.

Em 7 de outubro, o governo chinês anunciava que havia chegado a um acordo para começar as negociações, no patamar de vice-ministros de assuntos exteriores, sobre os problemas fronteiriços entre a China e a URSS. A mesma declaração asseverava que:

“O fim a que chegaram lograra a aliviar as tensões na fronteira entre ambos os países e que a negociação sobre a contenda fronteiriça sino-soviético puderam celebrar-se livres de toda a ameaça. A parte chinesa propõe que as partes chinesa e soviética, antes de tudo, cheguem ao acordo sobre as medidas provisórias encaminhadas a manter o status quo da fronteira, evitando conflitos armados e rompimentos de contratos futuros” 32

Em 20 de outubro começam as negociações para uma trégua. Mas essas negociações que pretendia ajudar e diminuir a troca de farpas entre os lados e o apaziguamento na fronteira sino-soviética surte efeito somente na questão de fronteiras pois, no campo ideológico as acusações continuam. Na conferência mundial dos partidos comunistas na qual, finalmente, os dirigentes soviéticos puderam se reunir em Moscou, de 5 a 17 de junho, o secretário geral do partido da URSS, Brezhnev empreendeu um ataque direto contra os dirigentes de Pequim que dizia:

“um exemplo palpável do prejuízo que atribuímos à causa comum do comunismo separando-nos do Marxismo-leninismo e rompendo com o internacionalismo e cuja luta pela hegemonia do movimento comunista vai firmemente unida com aspirações de grande potência e suas pretenções sobre territórios alheios’’33.

Do seu lado Pequim denunciava o “Vil complô do renegado camarada revisionista soviético para convocar uma sinistra conferência contra-revolucionária’’.34

O centenário do nascimento de Lênin serviu de pretexto para uma nova troca de acusações. Em 23 de dezembro aparecia no Pravda e na maioria dos meios de informação russos a tese central do PCUS consagrada com o aniversário de Lênin, na qual, sem referir-se diretamente aos chineses, multiplicava os ataques ao “revisionismo de esquerda”. Como resposta, a imprensa chinesa publica em 22 de abril, dia do centenário do nascimento de Lênin, um artigo intitulado: “Leninismo ou social-imperialismo?”, dividido em sete partes, cujo nível de acusações do primeiro nos pode dar idéia dos 5 últimos:

“O golpe de estado contra- revolucionário dos renegados camaradas Kruschev e Brezhnev”; “Socialismo de palavra, imperialismo de atuação”; “A chamada Doutrina Brezhneve pura é simplesmente a política hegemônica”; “Sonho dourado do revisionismo soviético: Forjar um colossal império”; “ Povos de todo mundo, uni-vos na luta para derrubar o imperialismo norte-americano, o revisionismo soviético e a reação mundial’35

Durante fevereiro e março de 1971, o aniversário da comuna de Paris constituiu-se em outra ocasião propícia para avivar a polêmica entre os maiores partidos comunistas do mundo. Pela parte soviética, uma série de artigos e comentários acrescentava às já concebidas acusações de “chauvinismo”, “antisovietismo”, etc., a de haver traído o espírito e os princípios da comuna. Pequim replicou em um extenso artigo no qual acusava os “revisionistas soviéticos” de haver “transformado a ditadura do proletariado em uma ditadura burguesa” e de por em prática o “social imperialismo e o social facismo”. “Esta era para os comentaristas chineses a maior traição aos princípios revolucionários da comuna de Paris” .36

O enfrentamento mais uma vez não se limitou ao campo ideológico, e transcendeu a atuação dos países no cenário internacional.
O tratado de Moscou, de 12 de agosto de 1970, entre a URSS e a República Federal Alemã, era denunciado em 13 de setembro, em um artigo do Renmin Ribao, firmado por “comentaristas”, rubrica esta reservada para grandes ocasiões,

“como uma monstruosa fraude que serve para encobrir um engodo de paz a retomada agressiva do social imperialismo revisionista soviético e do militarismo germano-ocidental,... parte componente do plano diabólico para uma Munique global, que o revisionismo soviético e o imperialismo norte-americano impulsionam intensamente confabulando e às vezes contendo entre si, para dividir as esferas de influência da Europa” 37

As manifestações de protesto na Polônia durante o mês de dezembro de 1970, que provocaram a queda de Gomulka, deram lugar a outro artigo do Renmin Ribao, também firmado por “comentarista’’ no qual denunciava” a dominação colonial do revisionismo soviético na Polônia e Europa Oriental’’38.

A imprensa russa não deixou por menos e retrucou à Pequim. Podemos citar um dos exemplos mais recentes o de um artigo do Pravda, de 5 de setembro de 1972, dedicado a análise atual da política chinesa e chegava à seguinte conclusão:

“Os dirigentes de Pequim ..., realizando uma complicada manobra introduzindo as correções programáticas de sua tática, deixam sem mudança alguma sua linha fundamental. Os líderes da República Popular da China continuam causando graves danos com sua atitude ao bloco socialista e ao movimento comunista mundial. As táticas atuais dos dirigentes chineses no cenário internacional mais rebuscadas e covardes, não somente não diminuem os efeitos negativos de seu abandono das autênticas posições socialistas e internacionalistas, como fazem com que a política de Pequim siga sendo igualmente perigosa. Portanto, a luta contra a linha política Maoísta deve ser considerada, no primeiro momento, desde o ponto de vista da incompatibilidade de seus fins com as suas obrigações perante o movimento comunista internacional, até os conceitos fundamentais do Marxismo-leninismo, sobre a construção do socialismo, com o desenvolvimento mundial de estratégias e táticas internacionais. A troca na política interna e externa chinesa não pode ser considerada como fator positivo, mas, ao contrário, como fracasso do maoísmo. Realizando sua nova linha tática os líderes chineses esperam conseguir o necessário para o último suspiro, para fortalecer-se, debilitar a vigilância do movimento comunista mundial, neutralizar a crítica ao maoísmo e lograr os velhos fins, diante das novas vias e experiências mais sutís’’.39

Por outro lado, algumas das intervenções que se opuseram na ONU ao delegado chinês e ao soviético, especialmente no que diz respeito ao desarmamento e ao problema de Bangladesh recordou, por seu peso, os piores tempos da guerra fria.

Entretanto, apesar dos excessos verbais, existem indícios de uma diminuição das tensões entre os países. No outono de 1970, a URSS e a China nomeavam seus respectivos embaixadores em Pequim e Moscou, depois de suas retiradas há três anos antes pelos acontecimentos de julho e agosto de 1967. Em 22 de novembro de 1970, firmava-se em Pequim o acordo comercial e econômico entre os governos. Duas semanas antes os dirigentes chineses haviam enviado a seus colegas soviéticos uma mensagem de saudação pelo 53º aniversário da revolução de outubro. Em um dos parágrafos assinalava:

“A China sempre sustentou que as divergências de princípios entre a República Popular da China e a URSS não devem obstaculizar a manutenção e o desenvolvimento das relações estatais normais entre os dois países sobre a base dos 5 princípios da coexistência pacífica” .40

A oferta deve ser mantida, já que em 20 de março de 1972, L. Brezhnev, secretário geral do partido comunista, no discurso inaugural do XV congresso dos sindicatos soviéticos, afirmava:

“Os representantes oficiais chineses declararam que a relação entre a URSS e a República Popular da China deveriam fundar-se nos princípios da coexistência pacífica. Pois bem, se a direção de Pequim não aceita mais manter relações com um estado socialista, nós estamos igualmente dispostos a desenvolver as relações sino-soviéticas, sobre esta base”.41

A busca de um Modus Vivendi baseado na coexistência pacifica, parece ser o limite que pretendem alcançar as relações Pequim-Moscou, em um dos momentos em que o conflito territorial segue latente, mas parecem existir bases ideológicas e políticas para a reconciliação dos dois países.

Considerações Finais

O conflito sino-soviético marca definitivamente as relações entre os Estados China e URSS e altera os arranjos de poder tanto atrás como fora da cortina de ferro.

Conflito esse ao qual foi colocado dentro de um arcabouço realista clássico, morgenthauniano, que se encaixa perfeitamente com essa teoria no qual o Estado é o maior ator do sistema internacional onde o mesmo manipula e ataca esse sistema para maior obtenção de seus objetivos.

Sendo esse conflito uma disputa de poder pelos Estados no qual colocou a China e a URSS embora Estados irmãos em lados opostos, devido as suas vaidades dentro do mesmo bloco socialista.

A contenda foi agravada devido a falta de apoio de ambas as partes com relação a ideologia, ou seja, encaravam o socialismo somente como uma desculpa para agregar o maior numero de Estados em sua esfera de influencia.

Mas a URSS via a R.P.China muito mais como adversária que como uma co-irma ideológica e aliada dentro do bloco, e passou a colaborar com o EUA como visto nos tratados de Yalta e Potsdan, acordos de controles de mísseis e coexistência pacifica.

Isso para a China soava muito mais como traição aos princípios de Marx e Engels que um acordo de paz e benevolência sovietiva.
Mas esse acordo para o lado soviético nada mais era de contenção a um expansionismo chinês ao qual era muito mais perigoso geopoliticamente, e ideologicamente dentro de sua própria esfera.

Essas diferenças chegaram ao ponto de rompimento maximo, que foi a retirada de técnicos soviéticos da China e também a retirada de técnicos chineses da URSS.

Após a troca de acusações e a retirada dos técnicos, a URSS começou a debilitar-se, pois a Albânia e outros Estados do bloco começaram a ver com bons olhos o ideal chinês, cabendo a URSS sufocar varias revoluções de convulsões internas do bloco a força.

Vendo que a China estava ganhando terreno tanto ideológico quanto político a única saída para sustentação da coesão do bloco era a URSS preferiu um acordo a sustentar as hostilidades.

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Referências Bibliográficas Conforme Normas da ABNT

NBR 6023 de Agosto de 2000

Transcrição Norma (ABNT Associação Brasileira de Normas Técnicas)

Informação e documentação – Trabalhos acadêmicos - Apresentação - NBR 14724 –
Agosto 2002 Site Unibero acessado em: 15/11/2003
 

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2 CRANKSHAW, Eduard. The new cold war Moscou versus Pequin. New York: Penguin,1963.

3ZAGORIA, Donald S. El conflicto Chino-Sovietico. Barcelona : G.P, 1967 (espanhol)

4 Texto segundo a versão da declaração de um porta-voz do governo chinês, Pequim, 1 de setembro 1963. espanhol)

5 MEHNERT , Klaus: Pekin und Moscau versão espanhola Pequim y Moscú, Barcelona: Noguer. 1955

6 MEHNERT , Klaus: Pekin und Moscau versão espanhola Pequim y Moscú, Barcelona: Noguer. 1955

8 SUYIN, Han: L`Asie aujourd`hui. Paris: Stok, 1970

9 Declarações de um porta-voz do governo chinês; Pekin 1 setembro 1963. Espanhol

10ZAGORIA, Donald S. El conflicto Chino-Sovietico. Barcelona : G.P, 1967 (espanhol)

11 CRANKSHAW, Eduard. The new cold war Moscou versus Pequin. New York: Penguin,1963.

12ZAGORIA, Donald S. El conflicto Chino-Sovietico. Barcelona : G.P, 1967 (espanhol)

13 Declarações de um porta-voz do governo chinês; Pekin 1 setembro 1963. espanhol

14ZAGORIA, Donald S. El conflicto Chino-Sovietico. Barcelona : G.P, 1967 (espanhol)

15 (Carta do comitê central do partido comunista da China, em 29 de fevereiro de 1964, ao comitê central do partido comunista da União Soviética, reproduzida em sete cartas trocadas entre o comitê central do partido comunista da China e o comitê central do partido comunista da Uniao Soviética. Edições em línguas estrangeiras espanhol Pekin 1964.)

16 (SNOW, Edgar: Red China Today (The other side of the river). Pequin: (?), 1970).

17(SNOW, Edgar: Red China Today (The other side of the river). Pequin: (?), 1970).

18 (FONTAINE, A: Histoire de la guerre froide. Tomo II, Fayard, Paris 1971)

19 (Keesing`s, pág 18.476 alemão)

20 (Declaração de um porta-voz do governo chinês; Pekin, 1 setembro de 1963.)

21 (Pravda, 13 dezembro 1962. alemão).

22 (Pravda, 13 dezembro 1962. alemão)

23 ( Keesing`s, pág 19.566.alemão)

24 ( Keesing`s, pág 19.569.alemão)

25 ( Keesing`s, pág 20.362 .alemão)

26 Carta do comitê central do partido comunista Chinês de 7 de maio de 1964 ao comitê central do partido comunista soviético, reproduzida em sete cartas trocadas entre estes dois países . Edições em línguas estrangeiras (espanhol) Pekin, 1964.

27 ( Keesing`s, pág 20.794 .alemão)

28 ``Comentário sobre a reunião de março em Moscou . Pela redação do periódico Renmin Ribao e a redação da revista Hongqi , 23 de março de 1965. Edições em línguas estrangeiras . Pequim 1965.
* Essa invasão também damos o nome de Primavera de Praga

29 “Os camaradas revisionistas da URSS, acusada por dificuldades internas e externas e imersa em um atoleiro, enviou descaradamente tropas a ocupar a Tchecoslováquia”, reportagem da agência de notícias Sinjua (Xinhua), 22 de agosto, pekin informa, número 34, 28 de agosto de 1968.

30 Pequim Informa , num 34. De 28 de agosto de 1968

31 Durante mês de março da parte chinesa foram expedidos: nota de protesto entregue à embaixada da URSS na China, em 2 março de 1969; nota de protesto entregue ao Ministério de Relações Exteriores Soviético, em de 7 março de 1969; declaração do Ministério de Relações Exteriores da China, em 12 de março de 1969; nota de protesto à Embaixada da URSS na China, em 15 de março de 1969. A contrapartida soviética a estas notas expedidas ainda no mesmo mês: nota de protesto do governo soviético ao governo da Rep. Popular da China, de 28 de março de 1969; declaração do governo soviético, de 15 de março de 1969; declaração do governo soviético ao governo da Rep. Popular da China, em 29 de março de 1969, ao governo da Rep. Popular da China, em 29 de março de 1969.

32 (Pekin informa, número 41, 15 de outubro de 1969.).

33 (Keesing`s, pág 23.436)

34 ( Pekin Informa , num 24. De 18 de junho de 1969.

35 (Pekin informa, número 17, 29 abril 1970. espanhol).

36 Viva el Triunfo del proletariado!” (Em comemoração ao centenário da comuna de Paris) Pekin informa, número 12, de 24 de março de 1971 (espanhol).

37 Pekin informa, número 52, 30 dezembro 1970 espanhol

38 Pekin informa, número 52, 30 dezembro 1970 espanhol

39 “Sobre as características táticas da política de Pequim” I. Alexandrov, Pravda, 5 de setembro de 1972 alemão

40 Pekin informa, número 46, 18 de novembro de 1970.

Alexandre Milão Rodrigues
Bacharel Relações Internacionais Unibero-SP


Publicado por: Alexandre Milao

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