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A música como instrumento de bem estar e saúde para pacientes em ambiente hospitalar

Saúde

É possível fazer educação musical em qualquer espaço com uma relação de ensino aprendizagem, independente de recursos materiais desde que não falte empatia, conhecimento e, afeição.

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1. RESUMO

Este relatório descreve o estágio do curso de licenciatura em música no ambiente hospitalar, trazendo a relação sobre como é ser um educador musical, não somente na escola convencional, mas também fora dela. O estágio ocorreu na cidade de Porto Alegre/RS no segundo semestre de 2018, em um hospital privado, com pacientes da ala adulta nos mais diversos tratamentos. Durante o estágio, as práticas neste ambiente aconteciam em grupo, de forma que estávamos em cinco estagiários, uma supervisora local, a professora orientadora do curso e dois músicos de contratados do hospital. As visitas eram feitas de quarto em quarto, em pequenos grupos, dois ou três músicos, onde a música acontecia com voz, violão e pequenos instrumentos de percussão. O repertório variava entre músicas pré-selecionadas e também aquelas que eram pedidas pelos próprios pacientes no momento da visita.

Palavras-chave: Humanização, Música no hospital, Estágio em espaço não escolar.

2. INTRODUÇÃO

Esse relatório se refere ao Estágio Supervisionado III, etapa final do Curso de Licenciatura em Música pelo Centro Universitário Metodista-IPA.

Meu contato com a música se deu aos doze anos de idade, quando assistia videoclipes na televisão e tive vontade de aprender um instrumento. Pedi para os meus pais um violão e comecei a ter aulas particulares. Logo depois surgiu o interesse pela bateria, que foi o instrumento que mais me dediquei. Inicialmente autodidata, tocava por imitação, tentativa e erro, apenas depois de alguns anos tocando que fui ter minha primeira aula.

Aos dezoito anos resolvi sair da minha cidade natal, Uruguaiana/RS e vir para a capital viver de música, como já diz a música de Raul Seixas – “-Ao chegar do interior, inocente, puro e besta”. Logicamente, a falta de uma rede de contatos o total domínio do instrumento foram algumas das barreiras que fizeram eu não conseguir alcançar meu objetivo, viver da música, pelo menos não nos oito primeiros anos que vivi em Porto Alegre.

Somente depois de alguns anos tendo aulas particulares, muito estudo e o ingresso na instituição de ensino superior (IES) que as coisas mudaram, comecei a dar aulas e a cobrar de forma mais profissional por meus serviços como baterista, shows e gravações, o que me possibilita hoje, viver da música.

Meu primeiro estágio pelo curso de música aconteceu na Escola Municipal de Ensino Fundamental Porto Alegre / EPA, que atende na modalidade EJA (Educação para Jovens e Adultos) em situação de rua, localizada na Rua Washintong Luis, 203 - Bairro Centro - Porto Alegre/RS.

O estágio foi estruturado com base em 16 horas de observações e 16 horas de regências, além do tempo reservado aos encontros para orientações, planejamentos, leituras e produção textual. Foi desenvolvido no período de 30 de agosto a 24 de novembro do ano de 2017, com as turmas do 4° ao 9° anos, do Ensino Fundamental, nas aulas da disciplina de Artes, pois a escola não contempla em sua grade curricular aulas de Educação Musical.

Teve como tema ‘‘A Música e a Rua’’ com o objetivo geral de propiciar vivências musicais aos alunos em situação de rua, através da música cantada, tocada e sentida.

O Estágio Curricular Obrigatório tem uma grande importância no meu desenvolvimento como educador, aluno e ser humano. Ensinar é uma grande responsabilidade e um grande desafio. Pois se trabalha com vidas em desenvolvimento e a música de maneira específica não só gerou impacto positivo na vida dos alunos aos quais dei aula como também a mim. O prazer de ajudar o aluno no seu processo de ampliação dos conhecimentos é algo fantástico, mas apreender com eles, sem sombra de dúvidas é uma experiência única.

O segundo estágio ocorreu na Escola Estadual de Ensino Médio Anne Frank, situada na Travessa Cauduro, 238 - Bairro Bom Fim - Porto Alegre/RS. Foi desenvolvido no período de 18 de abril a 29 de junho do ano de 2018, com as turmas do EJA (Educação para Jovens e Adultos) noturno, 1° e 2° anos do ensino médio. Também com duração de 32 horas, divididas em 16 horas de observação e 16 horas de regência de classe.

O objetivo do estágio, dentro de uma proposta de Educação Musical foi proporcionar aos alunos vivencias sobre o fazer musical de maneira formal, intencional e criativa.

Com o título “A música na educação regular de jovens e adultos” foi criado um projeto de trabalho para as turmas, proporcionando ao aluno o conhecimento histórico da música, estilos musicais e a introdução à teoria. Em seu planejamento e execução, intencionou levar o aluno a verificar seus costumes musicais, a sensação e percepção sobre o que esta ouvindo e sentindo.

Essa experiência ocasionou uma reflexão sobre as diferenças entre o primeiro estágio e o segundo. Sendo os dois na modalidade EJA, o primeiro no ensino fundamental e o segundo no ensino médio. A maior diferença foi na realidade de vida dos alunos, no primeiro estágio, alunos em situação de rua, com muito pouca estrutura familiar e social, muitos envolvidos com drogas e com uma imensa falta de carinho, respeito e atenção, que trazia certa delicadeza no ato de ensinar, a atenção e o cuidado com o aluno era redobrado, para garantir o máximo de absorção por parte deles dos assuntos tratados em aula. Muitas vezes não era o conteúdo em si o mais importante e sim o tratamento e o carinho proporcionado que gerava frutos e seres humanos melhores a cada dia.

Já no segundo estágio, também com alunos na modalidade EJA, mas com a realidade de vida muito diferente do primeiro, pois esses tinham emprego, família, renda, alimento, roupas, casa e poder aquisitivo. Pontos que influenciam na forma de perceber as coisas, atenção, assimilação e entendimento do conteúdo ensinado se torna mais fáceis. Acredito que mais do que o ensino da música o que passei para eles foi que eles podem chegar aonde quiserem com estudo e dedicação.

Percebia que eu os influenciava de maneira positiva pela forma que me tratavam, muitos me contavam como eram seus dias e o que queriam para o futuro, criando vinculo e fortalecendo-o. Um dos atos que me fez pensar isso também foi que no último dia de regência eles fizeram uma festa surpresa para mim, com bolo, salgados, doces, refrigerantes e café. Fotos, sorrisos e música tomaram conta da sala de aula.

O terceiro estágio para a conclusão do curso foi realizado no Hospital Mãe de Deus, na cidade de Porto Alegre/RS, Rua José de Alencar, nº 286, Bairro: Menino Deus. O estágio aconteceu às sextas - feiras das 9 horas ás 12 horas, de 14 de setembro a 30 de novembro de 2018.

Um dos diferencias do primeiro e segundo estágios para o terceiro, é que nos dois primeiros o período das observações era feito na escola, em sala de aula, buscando conhecer o perfil do professor e de seus alunos. Já no terceiro, em ambiente hospitalar, as observações aconteciam em reuniões semanais com nossa professora orientadora na IES, onde liamos e discutíamos textos relacionados às práticas da educação musical no ambiente hospitalar, além de ensaiarmos o que iriamos cantar e tocar no hospital.

Os planejamentos ocorreram de forma coletiva onde todos os estagiários envolvidos organizam como aconteceria a prática das atividades. As regências podem acontecer em duplas ou trios, diferentemente do ambiente escolar, onde há apenas um regente de classe.

2.1 CONTEXTUALIZAÇÃO DO ESPAÇO

O Hospital Mãe de Deus atua, desde 1979, oferecendo soluções completas em saúde, do diagnóstico ao tratamento, com foco em um atendimento humanizado, seguro e centrado na resolubilidade de cada caso. Excelência, proximidade e cuidado com o paciente e a constante modernização dos serviços são as diretrizes da instituição. (Hospital Mãe de Deus, 2018)

É o único hospital do Sul do Brasil duplamente certificado, pela Organização Nacional de Acreditação e pela Joint Commission International, pela sua excelência assistencial e compromisso com a segurança do paciente. Tornou-se referência no atendimento médico-hospitalar de alta complexidade. Além disso, a instituição é a 2ª da América Latina e a 1ª da Região Sul a alcançar a certificação Planetree, conquistando nota máxima por unanimidade junto ao comitê de avaliação americano. (Hospital Mãe de Deus, 2018)

Para melhor atender os pacientes, conta com uma estrutura de 380 leitos no total, área construída de, aproximadamente, 55 mil m², onde concentra 2.000 equipamentos de tecnologia avançada, uma equipe de profissionais altamente qualificados e corpo clínico especializado, formado por mais de 1.700 médicos credenciados. (Hospital Mãe de Deus, 2018)

Além disso, são oferecidas diversas facilidades, através da Hotelaria Hospitalar, Núcleo de Relacionamento com o Cliente, serviço de apoio religioso realizado pelas Irmãs da Pastoral da Saúde, e conveniências como restaurante, cafeteria, loja de presentes, farmácia, salão de beleza, caixa eletrônico, posto de autorizações da Unimed e estacionamento pelo acesso da Rua Costa, todas dentro do Hospital para que todos se sintam acolhidos e confortáveis. (Hospital Mãe de Deus, 2018)

Integra o Mãe de Deus, mantido pela entidade filantrópica Associação Educadora São Carlos, da Congregação das Irmãs Missionárias de São Carlos Borromeo Scalabrinianas. (Hospital Mãe de Deus, 2018)

O Hospital Mãe de Deus destaca-se por ser uma instituição que está constantemente se especializando e evoluindo, com foco na inovação e na busca da melhor solução para a saúde de seus pacientes. (Hospital Mãe de Deus, 2018)

2.2 JUSTIFICATIVA

A escolha do hospital para o estágio em ambiente não escolar se deu pelo fato de que eu como educador, me sentir muito feliz em ajudar as pessoas com seus objetivos musicais, nada como a satisfação de cada aluno avançar e desenvolver as habilidades que procura. Ao pensar em levar esse prazer ao ambiente hospitalar gerou curiosidade de como isso iria ocorrer e também fascinação pelo novo desavio. Eu acredito que o ensino da música, o convívio em um ambiente musical e a apreciação dessa arte pode trazer mais alegria para a vida das pessoas, por isso meu desejo de fazer parte desse grupo, trabalhando com seres humanos em um ambiente hospitalar, que em muitas vezes é de tristeza, dor, perdas e dificuldades no enfrentamento ao tratamento.

3. OBSERVAÇÕES

As observações do estágio no espaço hospitalar são diferentes das realizadas em espaço escolar, iniciando pelo ambiente, pois no espaço escolar temos classes e quadro, no hospital esses itens são substituídos por leitos, camas e pacientes. Aprendemos que podemos fazer educação musical em qualquer espaço. Não dependemos de recursos materiais, mas de empatia, conhecimento, afeição e a relação de ensino aprendizagem. Na escola observava-se a prática docente, agora a perspectiva é de realizar educação musical em um ambiente diferenciado. Isso requer outro olhar, e por esse grande detalhe, as observações desse estágio ocorreram em dois momentos. O primeiro deles engloba as reuniões de orientação na IES aonde eram discutidos textos sobre o assunto e experiências de estágios anteriores vivenciados por nossa orientadora, assim como a leitura de textos sobre a temática. Já o segundo momento foi na atividade de integração promovida pelo hospital, para conhecermos riscos e cuidados que devemos ter nesse ambiente. Também ocorreu um encontro com a supervisora local e dois músicos contratados do hospital, onde recebemos relatos, experiências e o parecer de como funciona a rotina e as visitas aos leitos.

3.1 REUNIÕES DE ORIENTAÇÃO

A equipe de estagiários composta por cinco alunos e nossa orientadora iniciou suas reuniões em 22 de agosto se estendendo até o final do estágio. Estivemos reunidos semanalmente, nas reuniões foram passados desde documentos e vacinas necessárias para o inicio do estágio a textos e reflexões sobre a prática da música em hospitais. Os textos lidos e discutidos que serviram de base para nossa preparação foram: "Para uma definição da música em meio de saúde” (Flusser), “Reflexões de professoras supervisoras de estágios supervisionados de música no ambiente hospitalar: desafios e aprendizagem” (Torres e Leal), “A música como recurso para o desenvolvimento do projeto de humanização realizado no hospital municipal Odilon Behrens” (Linhares, Lima e Maximiano), “A vivência da música na humanização hospitalar: O ambiente sonoro enquanto atividade relacional” (Miranda), “Sons do bem estar” (Pierro) e Música e saúde: a humanização hospitalar como objetivo da educação musical (Silva Júnior).

Também foi nas reuniões que formamos nosso repertório inicial de músicas que poderiam ser trabalhadas no ambiente hospitalar. Discutimos tonalidades, conteúdo histórico, popularidade, assim como análise da letra, visando um repertório amplo e adequado para os pacientes em recuperação.

Com as orientações de nossa orientadora e da supervisora do hospital nos preparávamos para a prática musical de fato, que aconteceria dentro de cada quarto, buscando uma integração maior com cada enfermo que esteja em condições médicas de receber nossa vista, estando nosso grupo dividido sempre em duplas ou trios.

3.2 INTEGRAÇÃO

A integração ocorreu após a apresentação junto ao hospital dos documentos solicitados, dentre eles, carteira de vacinas em dia e atestado de saúde. A integração é promovida pelo hospital para novos estagiários. Deu-se em 2 horas de palestras, participando o responsável pela segurança do trabalho e a médica responsável pela mesma área. Foram dadas explicações sobre os riscos e cuidados no ambiente de trabalho referente a contaminações por perfuro cortantes e a importância do uso do material de segurança, cuidados com os aparelhos magnéticos, radiação e como lidar em caso de incidente ou acidente de trabalho dentro do hospital.

4. PLANEJAMENTO COLETIVO

O planejamento do estágio no hospital apresenta algumas diferenças do feito no ambiente escolar, pois não é linear e não tem uma ordem definida para as atividades, que podem ser repetidas ou não. Os estagiários organizaram cada atividade individualmente e a compartilharam com o grupo, pois estamos divididos dessa maneira para as práticas.

Também foram planejadas duas oficinas cujo os temas foram “Jovem Guarda” e “Bossa Nova”, a qual cantamos e contamos histórias desse período da música brasileira. Cada uma das oficinas foi pensada por um grupo, ambas compartilhadas e executadas pelos cinco estagiários.

Cardápio de atividades:

Atividade 1: Como matar a barata da vizinha?

Tema: Pergunta e resposta.

Justificativa: Escolhi realizar essa atividade, por que ela permite gerar um elo entre o paciente, familiares ali presentes e os educadores musicais rapidamente. Além disso, permite que os participantes sejam protagonistas do seu próprio conhecimento.

OBJETIVOS

CONTEÚDOS

PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

RECURSOS MATERIAIS

Exercitar a criatividade.

Desenvolver uma frase de “pergunta” (inconclusiva) e uma frase de “resposta” (conclusiva)

Pergunta e resposta

Ritmo

Apreciação

Expressão Vocal

Bater na porta do quarto do paciente e me apresentar.

Em seguida, apresentar a atividade para o paciente e perguntar se ele deseja participar. Caso ele aceite, inicia-se a atividade ensinando a letra da música “A barata da vizinha” do grupo Só Pra Contrariar. Depois, Trabalharemos pergunta e resposta.

Voz, violão e instrumentos de percussão

Exemplo da atividade: Letra original da música – Toda vez que eu chego em casa a barata da vizinha está na minha cama. - Diz ai Ricardo (participante da vez) o que você vai fazer?

Resposta criada de improviso: Ricardo - Eu vou comprar um chinelo pra me defender. Grupo – Ele vai dar uma chinelada na barata dela.

E assim por diante, repetindo a mesma estrutura.

Atividade2: Exercícios de preparo vocal para o canto.

Tema: Preparação vocal básica, voltada à prática musical.

Justificativa: Observo em minhas atividades de regência no ambiente hospitalar, que em todos os dias que tocamos aos pacientes, houve aqueles que espontaneamente cantaram conosco, mesmo que tenham cantado de forma sutil e moderada. Deste modo, vejo que temos a oportunidade de fazer um trabalho preparatório de técnica vocal com exercícios básicos de aquecimento, colocação de voz e respiração, para que possamos fazer uma sequência com outras atividades que demandem o uso da voz.

OBJETIVOS

CONTEÚDOS

PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

RECURSOS MATERIAIS

Preparar vocalmente os participantes da atividade;

Cantar com impostação básica da voz;

Exercitar o relaxamento ao cantar;

Cantar com mais conforto e descontração; Cantar o repertório já trabalhado, se beneficiando das atividades vocais.

Técnica vocal; Colocação da voz; Execução musical;

Prática de canto conjunta.

Atividade será feita aos pacientes que desejarem participar; O participante deverá fazer bocejos de relaxamento da laringe, exercícios de boca chiusa, vibração de lábios e língua, subindo e descendo em glissando;

Em seguida deverá vocalizar com a vogal “I” e “Ô” em graus conjuntos, observando se está confortável ao paciente;

Propor cantar duas canções do nosso repertório, “Sorte” de Caetano Veloso, e “Primavera”, cantada por Tim Maia, ambas canções na tonalidade de Lá Maior.

Teclado ou violão;

Voz;

Atividade 3: Qual é a palavra?

Tema: Memória musical.

Justificativa: Esta atividade tem como principal objetivo promover um momento lúdico para o paciente no hospital, visto que ela possui fundamentos musicais e de pensamento rápido, irá colaborar para que o paciente se envolva por completo em uma atividade de fácil execução dentro de um quarto de hospital.

OBJETIVOS

CONTEÚDOS

PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

RECURSOS MATERIAIS

Promover a prática de conjunto;

Proporcionar ao paciente um momento de relaxamento

Incentivar o pensamento rápido e também o canto.

Coordenação motora;

Canto;

Apreciação musical;

O paciente irá ser questionado se deseja participar de uma atividade lúdica.

Violão, voz e corpo.

Caso o paciente aceite, iremos explicar como funciona a atividade e aguardar o retorno do paciente perante a mesma. Sem nenhuma pressão ou qualquer tipo de ação que poderá colocar o paciente em uma sensação de desconforto.

A atividade acontece de uma maneira lúdica. O paciente e os músicos terão que escolher uma palavra e a primeira pessoa que conseguir cantarolar alguma música com a palavra vence. Em seguida a pessoa que conseguiu lembrar-se de uma música terá que escolher a próxima palavra e isso se repetirá até que todos consigam lembrar-se de alguma música.

Atividade 4: Cantando para Alegrar.

Tema: Canto e prática em conjunto

Justificativa: Acredito que o canto é uma das formas do fazer musical que atinge a maioria das pessoas. Cantar é a primeira expressão musical que aprendemos, mesmo sem a consciência da técnica. Pensando na questão hospitalar, cantar libera os males, pois, ainda que seja por alguns minutos, o ato de cantar leva pessoas em situação de adoecimento a esquecerem um pouco da doença e encontrarem na música uma sensação de conforto e alento.

OBJETIVOS

CONTEÚDOS

PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

RECURSOS MATERIAIS

Incentivar o canto junto ao paciente, sempre dando preferencia para seu gosto musical.

Promover a prática em conjunto, interação entre músicos e pacientes.

Canto

Prática em conjunto

Harmonia

Ritmo

Apreciação musical

Após a apresentação dos músicos, o paciente será questionado se quer escolher uma música de sua preferência para cantarmos em conjunto. A intenção é cantarmos juntos, sempre dando a atenção para a voz do paciente ser escutada, ajudando ele com a letra, ritmo e melodia. Caso ele não escolha nenhuma música, questionaremos qual seu gosto musical e escolheremos uma canção popular em nosso repertório, com o mesmo intuito, o fazer cantar e sentir-se bem.

Violão, voz, teclado, percussão.

Atividade 5: Percanto

Tema: Palmas e Canto

Justificativa: A ideia principal da atividade Percanto é mesclar a percussão corporal com o canto de forma que usemos a palma como fundamento base para reforçar a marcação do pulso. Quando pensamos no contexto hospitalar, vale lembrar que nem sempre todos os pacientes têm plenas condições de bater palmas ou até mesmo de cantar. Então a atividade deve ser pensada para aqueles pacientes que possuem uma melhor condição física. Acredito que a atividade possa trazer resultado muito particular na questão da motricidade fina e que possa causar também bem-estar no paciente uma vez que o canto estimula a articulação da voz e as palmas a coordenação motora.

OBJETIVOS

CONTEÚDOS

PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

RECURSOS MATERIAIS

Interagir musicalmente, com o paciente, através da palma e do canto a partir do seu gosto musical.

Fazer educação musical a partir da utilização do canto e da palma na marcação do pulso.

Canto

Percussão corporal

Harmonia

Ritmo

Depois de fazermos o primeiro contato com o paciente, batendo na porta, oferecendo uma interação musical. Caso seja aceita, a ideia será perguntar que tipo de música o (a) paciente gostaria de ouvir. Então executaremos a canção no violão enquanto exemplifico ao paciente como fazer a marcação das palmas na canção. Como o objetivo é que o paciente já conheça a canção, a melodia sairá naturalmente enquanto ele (a) marcará as palmas constantemente podendo haver alguma alteração de ritmo dependendo da canção.

Voz

Corpo

Violão

Chocalho

Tantam

OFICINA TEMÁTICA 1: Ricardo e Rodrigo

Tema: Canções de sucesso da Bossa Nova

Justificativa: Escolhemos o tema da Bossa Nova, por que nos identificamos com o estilo e gostamos de apreciar várias músicas desse período como “Garota de Ipanema” de Tom Jobim, “Wave” de Tom Jobim, “Chega de saudade” de João Gilberto, dentre outras. Além disso, outra razão pela qual escolhemos desenvolver esse tema é por que esse gênero musical marcou muitas gerações e engloba músicas que são ouvidas no mundo todo.

OBJETIVOS

CONTEÚDOS

PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

RECURSOS MATERIAIS

Propiciar uma prática em conjunto com os pacientes do Hospital.

Promover apreciação musical no ambiente hospitalar.

Apreciação musical

Prática em conjunto

História da Bossa Nova

Nessa oficina iniciaremos nos apresentando e ao projeto do curso do IPA em conjunto com o Hospital. Posteriormente a isso, faremos uma breve introdução situando os ouvintes sobre o gênero Bossa Nova. Iniciaremos cantando a primeira música. Depois explicaremos um pouco da história da canção e do compositor. Abrindo para perguntas ou contribuições dos pacientes, acompanhantes e funcionários do hospital.

Violão e correia

Piano digital

Estante para o piano digital

Cópias das letras das músicas

Instrumentos de percussão

Cartazes

OFICINA TEMÁTICA 2: Felipe, João Pedro e Rafael

Tema: Jovem Guarda

Justificativa: Esse tema é importante ser trabalhado no hospital pois a época que será abordada, a jovem guarda, vem ao encontro da faixa etária da grande maioria dos pacientes. A oficina temática irá situá-los nesse período da música brasileira, fazendo-os lembrar de suas próprias histórias vividas na época e possibilitando aos pacientes um momento de relaxamento e participação musical.

OBJETIVOS

CONTEÚDOS

PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

RECURSOS MATERIAIS

Oportunizar aos pacientes um momento de relaxamento, fazendo com que os mesmos exercitem a memória e busquem nela suas histórias pessoais.

Trabalhar a apreciação musical e a história da música deste período.

Apreciação musical; História da Música; Canto.

A oficina será iniciada com uma breve apresentação do grupo acerca de seus objetivos gerais com aquela atividade. Em seguida serão apresentados dados históricos pertinentes da época da jovem guarda, como por exemplo: os principais artistas e músicas; os festivais que marcaram na época; problematizações acerca da música emergente da época; bossa nova versus jovem guarda. E durante a oficina serão realizadas apresentações musicais com as músicas desse período.

Voz, violão,

Instrumentos de percussão,

Letras das músicas.

5. REGÊNCIAS

As regências no hospital são diferentes das do ambiente escola, pois na escola há apenas um regente e no hospital nossa prática acontecerá em conjunto, que podem ser duplas, trios ou quartetos. Nossa equipe foi composta pela orientadora do curso, uma supervisora local, dois músicos de apoio contratados do hospital e cinco estagiários. Passando de quarto em quarto para o fazer musical junto ao paciente, sempre respeitando sua vontade de receber ou não a visita dos músicos.

5.1 DIA 14 DE SETEMBRO DE 2018

No primeiro dia no hospital, depois de passarmos pela recepção, devidamente identificados com crachá fomos para o sétimo andar, onde existe uma sala para os músicos do hospital, um espaço para reuniões e local para armazenamento dos instrumentos, teclado, violão e percussões. Conhecemos pessoalmente nossa supervisora local, Cristina Arioli, terapêutica ocupacional e os dois músicos contratados do hospital, André Meneguzo e Marcos Pehl, formados pelo Curso de Licenciatura em Música do Centro Universitário Metodista – IPA.

Nesse primeiro encontro, tivemos uma reunião e uma conversa esclarecendo todas as dúvidas sobre a atuação nesse ambiente. Relatos dos músicos, literatura sobre o assunto, forma de atuação, abordagem e repertório.

Foi preestabelecido o repertório inicial entre os estagiários e os músicos do hospital e uma primeira divisão dos grupos, a fim de conseguirmos atender um maior numero de quartos. Também foi feito um pequeno ensaio com as músicas “É Preciso Saber Viver” (Roberto Carlos), “Primavera” (Tim Maia), “Tempos Modernos” (Lulu Santos) e “Trem das Onze” (Adoniran Barbosa), para nos conhecermos e interagirmos musicalmente, testando instrumentos e possibilidades sonoras.

Foram definidos pela supervisora local quais os andares que iríamos atender 6º Beta e 8º Alfa, que são andares da oncologia. O nosso grupo ficou formado pela professora Cecília (orientadora do estágio) tocando chocalho, Marcos (músicos do hospital) tocando teclado portátil e dois estagiários, Rodrigo no violão e eu tocando pandeiro e chocalho.

Esse primeiro contato entre o grupo serviu para nos prepararmos para as visitas aos quartos que começaria na semana seguinte.

5.2 DIA 28 DE SETEMBRO DE 2018

. O encontro do grupo sempre ocorre às 9h em uma sala no 7º andar do hospital, dividimos os grupos, repassamos os detalhes de repertório, afinamos os instrumentos e seguimos para a visita aos quartos.

Como definido no primeiro encontro no hospital, vamos atender andares que basicamente hospedam pacientes da oncologia, 6º Beta e 8º Alfa, pelo fato que estes pacientes muitas vezes passam um período longo internados.

Com a mescla de nervosismo e emoção por estar fazendo um trabalho musical no ambiente hospitalar, um campo de atuação ainda muito pequeno e incomum no Brasil. Iniciamos nos dirigindo até o posto de informações do andar, aonde buscamos saber se existe algum quarto que não devíamos entrar, ou algum paciente que necessite de maior atenção de alguma forma.

Batemos na porta de cada quarto, um a um, primeiramente o André entra e se apresenta, pergunta para o paciente se ele gostaria de ouvir música e a grande maioria responde positivamente que sim. Entramos todos então, nos apresentamos e conversamos sobre o gosto musical do paciente, qual a sua relação com a música e se ele tem algum pedido para fazer, alguns pedem sua música ou artista preferido, outros deixam por nossa conta a escolha do repertório.

Visitamos em torno de dez quartos, não podendo atender aqueles com restrição à visitas. Todos para quem tocamos agradecem, se emocionam, muitas vezes choram, falam sobre seus sentimentos em relação a música e sobre como a música faz bem e trás para eles lembranças boas.

Entre as mais tocadas nesse dia, tivemos “Primavera” (Tim Maia) e “Como é grande meu amor por você” (Roberto Carlos), recebemos pedidos também de Frank Sinatra, Cassia Eller, Nando Reis e Cartola, músicas que teremos que preparar para a semana seguinte, caso os pacientes que as pediram ainda estivessem em recuperação no hospital.

Depararmo-nos com diversas situações, cada quarto, cada paciente é um universo, nenhum quarto é igual ao outro, o choro, o riso, a esperança e a tristeza está sempre no ar, sozinhos ou acompanhados, alguns aparentemente menos abatidos, outros mais, não sabemos quem são ou o que fazem fora daquele local, estão todos em um ambiente que normalmente não gostamos de estar, internados em um hospital. Sobre o tempo no hospital Flusser ressalta que:

O tempo musical contido no tempo da hospitalização é um tempo que nos permite um regresso a si próprio, que nos permite deixar o espaço onde nos encontramos para ir até quem somos. (FLUSSER, 2005, p.4)

Frases de agradecimentos me fazem perceber como esse trabalho faz diferença, frases dos pacientes como: “- Minha recordação do hospital será muito melhor depois de hoje.” “-Homem não chora, mas com vocês não da pra segurar.” “Que surpresa, que coisa boa que vocês fazem pras pessoas.”

Nesse dia eu saí abalado do estágio, por varias vezes tive que segurar o choro enquanto tocava e cantava com o grupo, o que fica é o pensamento de que a vida é muito frágil, e as vezes não percebemos isso.

5.3 DIA 05 DE OUTUBRO DE 2018

Mesmo grupo e andar da semana passada. Nesse dia tivemos vários quartos que não podemos visitar, o que normalmente não acorre. Três quartos estavam tendo alta. Não entramos em seis deles por restrição médica. Alguns pacientes também preferiram não receber a visita, um deles estava no sono pesado. Dois agradeceram, mas não quiseram ouvir música naquela manhã. Em outro quarto o paciente estava com muita dor e o próximo se preparando mentalmente para um procedimento médico e preferiu ficar sozinho.

Nesse dia visitamos uma paciente que toca teclado, estava com a filha no quarto, pediu para ouvir um bolero, infelizmente não tínhamos preparado nenhum, entrou para a lista para a próxima semana, tocamos e cantamos “É preciso saber viver” (Roberto Carlos). Quando ocorre de não sabermos tocar a música específica que o paciente pede, sempre anotamos e preparamos para a próxima semana, caso ele ainda esteja no hospital.

Passamos para o próximo quarto e encontramos uma senhora que já estava lá na nossa primeira visita, dias atrás, no primeiro encontro estava com seu marido no quarto, nesse estava com as filhas que pintavam suas unhas, ela queria ouvir o cabeludo, assim chamava o cantor Roberto Carlos, cantamos então “Detalhes” (Roberto Carlos), ela se emocionou, pois se lembrava da época de namoro com seu marido, cantou junto, chorou, choro de alegria e emoção, tocamos também “É preciso saber viver” (Roberto Carlos) e “Primavera” (Tim Maia) e ao nos despedirmos ela nos deu o apelido de Os Colibris, (Colibri é um género de beija-flores, são os únicos pássaros que podem voar para trás e para frente).  Mais tarde soubemos que essa paciente veio a falecer naquela mesma tarde.

Podemos perceber em cada quarto a interação do paciente com a música, independente do seu estado de saúde, segundo Flusser “No Hospital, a música contribui para o encontro e para a partilha entre as pessoas enquanto sujeitos, propondo a cultura como terreno de encontro e de diálogo”. (2005,p.5)

Alguns pacientes falam sobre a doença e nesse momento podemos perceber a necessidade da conversa, do toque, da atenção, que tantas vezes faz falta num ambiente onde muitas vezes a prioridade é a doença e não a pessoa. No repertório tivemos músicas como “Eu só quero um xodó” (Dominguinhos), “Céu, sol, sul, terra e cor” (Jader Moreci Teixeira, mais conhecido como Leonardo).

Terminamos todos os quartos do 6º Beta às 11h, conversando com nossa responsável do hospital, ela sugeriu que fossemos para o 9º andar visitar alguns quartos com o tempo que ainda nos restava. Neste andar a maioria são pacientes que sofreram algum tipo de enfarte, derrame ou acidente vascular encefálico (AVE).

No próximo quarto, o paciente sofreu um AVC, tinha restrição médica, mas a enfermeira disse que seria muito importante nossa visita, o paciente gostava muito de música, fomos até o quarto acompanhados por ela, conversamos com ele e tocamos a música “Eu só quero um xodó” (Dominguinhos), ficou muito feliz com a visita e nos agradeceu sorrindo.

No próximo quarto o paciente estava de aniversário, conversamos, cantamos parabéns e “Tempos modernos” (Lulu Santos), as enfermeiras e os técnicos de enfermagem que passavam por ali logo começaram a pedir para irmos visitar outros pacientes que estavam ouvindo a música de seus quartos e também gostariam de receber a visita dos músicos.

Fomos para o quarto ao lado, um senhor muito gentil, que já recebia a visitas dos músicos do hospital em outros dias, mas naquele dia ele não queria ouvir música, não estava se sentindo muito bem, agradeceu, conversamos um pouco e nos despedimos.

A visita segue para o último quarto da manhã, o paciente gosta de música brasileira, tocamos “Trem das onze” (Adoniram Barbosa), ele cantou junto e sorriu muito, aguardava a alta do hospital nesse mesmo dia, estava acompanhado por familiares que agradeceram a visita.

O brilho no olhar de quem recebia a nossa visita e a sensação de estar transmitindo essa alegria as pessoas não se pode transmitir para o papel, mas percebi que a música estava fazendo mais diferença para eles do que eu imaginava que poderia fazer. A sensibilidade emocional do paciente está tão abalada que a maioria se emociona, chora e vê na música uma alivio para as dificuldades impostas pela doença.

5.4 DIA 19 DE OUTUBRO DE 2018

Como de costume, nos encontramos às 9h no sétimo andar e nos prepararmos para começar as visitas aos quartos do sexto andar, onde a maioria dos pacientes estão em recuperação de tratamentos oncológicos.

Vestimos os jalecos, preparamos os instrumentos, definimos detalhes de repertório e fomo até o posto de recepção nos apresentar e verificar se existe algum quarto que devemos evitar a visita, por motivos médicos, somos informados que não devemos visitar um dos quartos, o paciente passou por um procedimento e estava se recuperando. Paralelo a isso o outro grupo se dirige para fazer as visitas no oitavo andar.

No primeiro quarto o paciente esta sentado na poltrona, sozinho, gosta muito de conversar, conversamos sobre política e plantação de fumo, é do interior e trabalhou com isso a vida inteira. Conta que fuma desde criança, o pai o incentivava, pois era coisa de homem fumar. Ele parou de fumar a 15 anos, e desenvolveu câncer, brinca dizendo “-Parar de fumar dá câncer”. Perguntamos o que ele gostaria de ouvir, qual seu gosto musical, deixou a nosso critério a escolha, então tocamos e cantamos “Trem das Onze” (Adoniran Barbosa), agradece com sorriso no rosto e nos despedimos.

Já no próximo quarto o paciente tinha uma profissão bem peculiar, era ilusionista, ficou muito feliz em nos receber, adora música, usava cinco músicos em suas apresentações ao vivo por todo o estado, também toca acordeom. Estava muito abalado psicologicamente, picos de alegria e de tristeza, quase chorava sempre que falava da sua profissão, não sobe mais nos palcos há três anos por causa da doença. Cantamos “Como é grande o meu amor por você” (Roberto Carlos), chorou e nos abraçou, agradeceu com sorriso e esperança.

No quarto em seguida o paciente estava acompanhado de sua esposa, ela adora falar e ele era um pouco mais calado, ele ainda brinca “-Não deem papo pois ela não vai deixar vocês irem embora.” Tocamos “Trem das Onze” (Adoniran Barbosa) e “Maracangalha” (Dorival Caymmi), mesmo sendo duas músicas de certa forma alegres, pois as duas tem ritmo e harmonia “pra cima” causaram emoção e lagrimas no casal, abraçaram-se, sorriram e choraram juntos. Agradeceram-nos pela visita e a sua esposa que estava o visitando nesse dia comentou que queria fazer aula de violão, perguntou ao meu colega Rodrigo se ele poderia ensinar ela, ele disse que sim, porem existia um pequeno detalhe, eles não são de Porto Alegre e sim do interior do estado, o que impossibilitaria as aulas.

Antes de passar para o próximo quarto nesse relatório, quero registrar outra pergunta que ocorre com frequência em diversos quartos desde que começamos nosso estágio, “-Vocês são voluntários?”, “-São da igreja?”, “É o trabalho de vocês?” as pessoas ficam encantadas, emocionadas e surpresas com a visita dos músicos, a impressão que da é que se sentem especiais, valorizadas por estarmos ali, tocando só pra elas.

No próximo quarto está na cama uma senhora e na poltrona sua filha como acompanhante, entramos nos apresentando, falamos sobre o estágio, que somos músicos em formação e estamos ali acompanhados por nossa orientadora e professora, também pelo músico do hospital e queremos saber sobre seu gosto musical, se podemos tocar uma música para ela. Com a conversa chegamos ao Roberto Carlos, então a música para essa paciente foi “Como é Grande o meu amor por você”, mãe e filha cantaram junto e a emoção é inevitável, gerando aquele clima bom, quase que de alívio no ambiente, nos despedimos com sorrisos nos rostos, elas agradeceram e nós fomos para o próximo quarto.

O paciente a receber nossa visita é um senhor, acompanhado por sua esposa, sempre iniciamos com a apresentação, falamos quem somos e puxamos uma conversa sobre música, alguns pacientes aproveitam para conversar sobre outros assuntos que tem vontade, sobre a doença, politica, cultura, nesse quarto o paciente falou um pouco sobre a sua doença, que estava fazendo quimioterapia para o câncer de estomago, e logo pediu a música, “New York” (John Kander e Fred Ebb) que se eternizou na voz de Frank Sinatra. Não tínhamos ensaiado ela e não sabíamos de cor a letra para tentar arriscar a execução naquele momento, então pedimos desculpas e anotamos para a próxima visita levar essa canção para ele, em seguida tocamos Imagine” (John Lennon) e “Primavera” (Tim Maia). Novamente a emoção toma conta do quarto, nos agradeceram e nos despedimos dando um bom dia, bom final de semana e que enquanto ele estiver em recuperação toda a sexta-feira vamos passar levando música e um pouco de conversa. O professor Fernando Antonio de Almeida, ao escrever o prefácio do livro de Flusser, comenta:

Emoção, sensibilidade, choro, alegria, felicidade, às vezes tristeza nos dão a certeza de que, o que estamos presenciando, está mexendo profundamente conosco, com a vida que existe em cada um de nós. Obviamente este trabalho sensível e acolhedor mexe ainda mais intensamente com as pessoas que estão internadas no hospital: os doentes, os familiares e a equipe de saúde. (FLUSSER, 2013, p.21)

Depois que tocamos o músico do hospital André sempre faz a mesma pergunta para o paciente: “-Enquanto você estiver se recuperando podemos passar trazendo mais músicas?” As respostas são sempre positivas... “- Sim!” “- Claro!” “- Música é bom pra alma!” “- Ajuda a gente a se sentir melhor!”

Nesse estágio a observação sobre como devemos nos comportar é sempre importante, percebo que o André tem já alguns padrões para facilitar a interação paciente-músico, como sempre chamar o paciente pelo nome (que está num painel acima da cama), se apresentar e explicar por que estamos ali, deixar o paciente a vontade para escolher qualquer música e estilo, sempre tentando atender ao pedido, a conversa inicial para saber do que o paciente gosta, o que costuma ouvir, músicas mais calmas ou mais alegres, em português ou inglês, para realmente fazer sentido a nossa presença naquele ambiente, envolvendo o paciente numa atmosfera familiar para ele, com músicas que ele gosta e que remetem muitas vezes a boas lembranças.

Seguindo o corredor dos quartos, o próximo paciente não quis receber a visita, estava assistindo televisão, agradeceu, mas naquele dia não quis. Nos dois próximos quartos não cantamos, um dos pacientes estava fazendo fisioterapia naquele momento e o outo saindo para fazer um exame.

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Nosso próximo quarto foi de um paciente que gostava de bossa nova, cantamos “Garota de Ipanema” (Antonio Carlos Jobim), que é a segunda música mais regravada no mundo, em primeiro lugar está “Yesteday” (Paul McCartney) paciente bem lucido, cantou junto conosco a música toda, agradeceu nossa visita e podemos voltar quando quisermos.

Nesse dia tivemos três altas no sexto andar, também um paciente que não quis receber a visita e dois quartos com restrições, os quais não somos permitidos a entrar.

No último quarto do dia, um casal de idosos, estavam casados a 52 anos, cantamos “É o Amor(Zezé Di Camargo e Luciano), os dois se emocionaram, abraços e choro tomam conta do quarto. Um ponto a comentar nesses fatos, sempre o choro vem trazendo algo alegre, como se fosse algo bom, um momento de reflexão. Esse paciente teve alta nesse mesmo dia e disse que não esperava receber uma visita dessas no hospital, ficou muito surpreso e agradecido.

5.5 DIA 26 DE OUTUBRO DE 2018

Nessa altura do estágio já estamos um pouco mais confortáveis, se é que se pode chamar assim, já temos certa rotina e sabemos como mais ou menos as coisas funcionam, lembrando é claro, que estamos num ambiente hospitalar, visitando quarto após quarto e que atrás de cada porta está uma vida diferente da outra.

Como de rotina vamos até o posto central do andar nos informarmos se algum paciente não deve receber a visita ou se devemos tomar algum cuidado fora do de costume com algum quarto, a recepção pelos enfermeiros é sempre boa, pois todos adoram música ali. Somos informados para não visitarmos dois quartos, pois os pacientes estão em recuperação delicada.

Primeiro quarto do dia uma senhora bem animada, nos conta que é a segunda vez que está internada, queria algo para cima, para ela cantamos “É o Amor” (Zezé Di Camargo e Luciano). Agradeceu com sorriso no rosto e nos desejou que continuássemos fazendo esse trabalho.

No quarto ao lado encontramos um casal de idade, ele na cama e ela no sofá, cantamos “Maracangalha” (Dorival Caymmi) e “Como é grande o meu amor por você” (Roberto Carlos). Eles se emocionaram, a esposa adora conversar, fala bastante e diz que somos anjos na terra. Nesse quarto enquanto tocávamos e cantávamos o paciente passava por um procedimento feito pela enfermeira, estava sendo feita a troca da bolsa de soro. Agradeceram e nos despedimos.

A visita seguinte foi para um paciente que também só queria músicas alegres, a primeira pedida foi “Barracão de Zinco” (Luís Antonio e Oldemar Magalhães, interpretada por Elizeth Cardoso), nessa precisamos da ajuda da letra, usamos o celular pessoal para ler a letra na internet enquanto tocávamos, o paciente cantou junto e logo emendamos “Trem das Onze” (Adoniran Barbosa) e a próxima foi “Maracangalha” (Dorival Caymmi), normalmente tocávamos uma música por quarto, as vezes duas, nesse caso tocamos três a pedido do paciente, e é claro que atendemos, ele estava sentado na cama enquanto cantávamos. Conversamos sobre shows e artistas da música que tocaram em Porto Alegre nos últimos anos.

No próximo quarto nosso repertório mudou e foi para o reggae e rock, o paciente estava acompanhado de sua esposa, estava para receber alta naquele mesmo dia, ainda estava bem debilitado pelo tratamento, lento e com falta de equilíbrio, tocamos duas músicas de bandas gaúchas “Natiruts reggae power” (Natiruts), composta por seu vocalista Alexandre Carlo Cruz Pereira e “Não vou mais voltar” (TNT). Ficou muito feliz de receber nossa visita antes de voltar pra casa.

Seguindo para o próximo paciente, uma senhora de 92 anos, com acompanhante, quase não falava, cantamos então “Primavera” (Tim Maia), para combinar com a manhã bonita que estava entrando pela janela. A senhora mesmo quase não falando tentava cantar a canção, como a reação dela foi muito positiva e animada, teve uma ótima reação física com a música, resolvemos tocar mais uma música que foi “Quem é” de Osmar Navarro, gravada 1959. Despedimos-nos e desejamos melhoras.

No próximo quarto não podemos entrar pelo aviso na porta de risco de contagio, seguimos para o quarto seguinte.

Encontramos no quarto uma senhora muito vaidosa, estava penteando os cabelos quando nos recebeu, aceitou nossa visita e logo começamos a falar do seu gosto musical, falou sobre a música “Aquarela” (Toquinho, Maurizio Fabrizio e Vinicius de Moraes), e nós tocamos e cantamos para ela. Agradeceu sorrindo e disse que logo teria alta.

Nossa visita seguinte também para uma paciente que estava sozinha no quarto e queria música animada, nos contou que tinha vários músicos em sua família, cantamos “Eu só quero um xodó” (Dominguinhos) e ela cantou junto e muito animada, nos aplaudiu e nos deu bombons e sorrisos como retribuição a alegria que sentiu. Agradecidos fomos para o próximo quarto.

Cada vez que saímos de um quarto paramos no corredor para uma pequena conversa e comentários sobre o que acabamos de fazer e o que acharmos importante comentar, também aproveitamos para fazer pequenas anotações que iram nos ajudar a lembrar de cada quarto para o registro posterior neste relatório e falamos sobre o repertório que tocamos. Sobre um grupo de músicos e o desafio do repertório dentro do hospital, Torres e Leal escrevem:

Na maioria das vezes, eles se deparavam com os pedidos das crianças e das mães, pais e acompanhantes, com o desejo de ouvirem e cantarem músicas divulgadas pelas mídias e que, em muitos casos, eram desconhecidas pelo grupo. Esta realidade levou o grupo de alunos a aprender músicas de um dia para o outro, a marcar encontros extras com os colegas para ensaios do repertório mais pedido pelas crianças, jovens e pais e acompanhantes, assim como a buscarem uma tonalidade mais conveniente para a extensão vocal. (TORRES; LEAL, 2013, p.55)

Nesse dia enquanto estávamos nesse momento, no corredor passou por nós um senhor na cadeira de rodas com uma senhora o guiando, demos ‘oi’ pois já havíamos visitado ele na semana passada, ali no corredor ela já nos avisou que ele queria a música Barata da Vizinha, ficamos um pouco na dúvida de qual música seria essa, até que chegamos ao seu quarto. Quando entramos logo confirmamos a música, o pagode “A barata” (Só Pra Contrariar), música que fez muito sucesso nos anos 90, a esposa conta que eles nunca tinham escutado essa música até fazerem um passeio numa viajem com um grupo, num certo momento acontecia uma apresentação com músicos que interagiam com os visitantes, e uma das músicas da brincadeira foi essa...

Então fomos para a execução, usando o celular para ver na internet os acordes da canção começamos a tocar e cantar, quem conhece essa música sabe que ela tem uma brincadeira de pergunta e resposta, então não seguimos a risca a letra e sim fomos criando a nossa própria versão que todos ali presentes tinham que responder, pergunta: “-E ai Ricardo que se vai fazer?Resposta “– Eu comprar um chinelo pra me defender.” A pergunta é sempre a mesma, mudando o nome da pessoa que tem que responder, e a resposta tem que vir com o que ele vai fazer para se defender da barata. Isso gerou muito riso e descontração no quarto, o que foi muito divertido para todos. Depois da barata, tocamos “Saudosa Maloca e “Trem das Onze” ambas do compositor Adoniram Barbosa.

No nosso último quarto desse dia o paciente queria ouvir rock, contou que não gosta de sertanejo (estilo musical). Falamos sobre as rádios, como mudaram com o passar dos anos e contou que é natural de Santa Maria, interior do Rio Grande do Sul, nosso repertório foi de “Meu Erro” e “Óculos” de autoria da Hebert Vianna, vocalista da banda Paralamas do Sucesso e “Agora Só Falta Você” (Rita Lee e Luis Sérgio Carlini). Ficou animado com a visita e agradeceu pelas músicas.

5.6 DIA 09 DE NOVEMBRO DE 2018

Após a passagem pelo posto de enfermagem do 6º andar, seguimos para as visitas, logo no primeiro quarto encontramos uma paciente que já visitamos duas vezes anteriormente, estava muito feliz, pois iria poder voltar para casa no dia seguinte, relembrando essa paciente, no primeiro encontro ela estava deitada na cama, no segundo sentada na poltrona e no terceiro já estava em pé, aparentemente mais forte e sorridente, estava com uma jovem como acompanhante que filmou o momento que cantamos a música “Primavera” (Tim Maia), cantaram conosco e no final a paciente nos deu bombons que estavam em uma sacolinha bem guardados dentro da gaveta ao lado da cama. Agradecemos e nos despedimos para seguirmos adiante.

No próximo quarto temos um baterista internado, e sua esposa que é cantora no coral da cidade está o acompanhando, ele um pouco mais calado que ela, apenas escuta enquanto ela nos faz um convite para ver seu coral cantar em um clube da cidade dali alguns dias, também é ela que sugere a música para cantarmos, claro que aceitamos a sugestão e cantamos todos a canção “Cirandeiro” (Edu Lobo e Capinam), enquanto cantávamos o paciente baterista acompanhava movimentando as mãos e pés no ritmo da música, logo depois cantamos mais uma canção, que foi “Samba de Verão (Marcos Valle). Agradeceram e falaram que adoraram nossa visita, surpresos por receberem músicos no ambiente hospitalar.

Nossa visita seguinte é para uma senhora de idade que estava deitada na cama, parece cansada, está coberta e de olhos fechados, perguntamos se podemos tocar uma música para ela e ela suavemente concorda, esta acompanhada por um jovem. Logo descobrimos que ela gostava do Rei Roberto, então cantamos “Como é grande meu amor por você” (Roberto Carlos), pediu mais uma música e nos deu como sugestão “Nossa Senhora” e “O côncavo e o convexo” ambas do cantor Roberto Carlos, cantamos “Nossa Senhora e deixamos a “O côncavo e o convexo para uma próxima visita, pois essa segunda canção precisaríamos preparar para tocar. Quando chegamos ela mal abria os olhos, no momento da música a paciente cantou junto e abriu os olhos diversas vezes. Sempre com movimentos muito suaves, mas percebemos que ela estava ali, interagindo, mesmo acamada e debilitada.

Nos próximos quartos tivemos uma sequencia de não visitas, risco de contágio, paciente no banho, atendimento médico, mal estar do paciente foram alguns dos motivos que acabamos passando por vários leitos sem entrarmos.

Um detalhe que ocorre desde o primeiro dia de música nos quartos é que quando um paciente ou familiar nos encontra no corredor logo já pede para passarmos no quarto dele, até mesmo pacientes de outras alas e andares, o que nos deixa muito felizes, pois percebemos que eles gostam de nos receber.

Nosso próximo quarto está um senhor com a esposa e filha, gosta muito de música tradicionalista do Rio Grande do Sul, além de falar sobre as canções gostava de nos mostrar no celular o áudio, usando a internet, dizia: “- Escutem essa que é muito boa!” salientava ele ao nos colocar para ouvir a canção escolhida por seu dedo, passamos por “Gritos de Liberdade (Pedro Ortaça) cantada pelo Grupo Rodeio, “Me comparando ao Rio Grande” (Os Farrapos) e “Rios de Infância” (Os Angüeras), enquanto escutávamos as músicas ele contava as histórias por trás da letra de cada uma delas, falou muito da música tradicionalista. Era natural da cidade de Alegrete, interior do estado. Falou sobre a música “Carreteiro (Em minha pesquisa não localizei canção com esse nome) e “Roda Viva” (Chico Buarque), sobre o andamento de essas duas músicas estarem ligados ao movimento de uma roda de carro de boi. Nesse quarto acabamos ficando bastante tempo e as próprias acompanhantes do paciente começaram a tentar tirar de sua mão o celular e falavam para o paciente: “-Os músicos tem que ir para os próximos quartos, deixa eles tocarem.”

Pediram para tocarmos uma música para podermos nos despedir, a escolha seria por nossa conta, meu colega Rodrigo sussurra em meu ouvido “Meu erro” (Paralamas do Sucesso), digo: “-Acho que não.” E opino em tocarmos “Maracangalha” (Dorival Caymmi), pensei em encerrarmos com uma música alegre. Tocamos e cantamos, eles sorriram e agradeceram. Desejamos um bom dia e saímos do quarto. Nesse momento foi chamada a atenção do grupo pelo músico do hospital, que questiona sobre a escolha da música, logo digo que foi uma escolha minha e que pensei nela por passar certa alegria com seu ritmo e letra. Ele me corrige explicando mais ou menos nessas palavras “-Temos que cuidar o que o paciente esta falando, ele comentou o tempo todo sobre música gauchesca e encerramos tocando algo que não tem nada a ver com isso, quem sabe ele não queria uma música alegre, a escolha é feita pelo paciente, temos que ter sensibilidade nisso.” Concordo e levo isso como reflexão para os próximos quartos. Flusser fala sobre a saúde cultura, trago o seguinte texto:

A saúde cultural é questão de linguagem. Pensemos nos imigrantes de outras regiões vivendo em abrigos sociais, pensemos nos laços que eles têm com as expressões linguísticas regionais ou culturais, expressões da emoção, ancorada no laço afetivo com o mundo. Pensemos nas ressonâncias íntimas intraduzíveis que têm para eles certas palavras e expressões. Palavras que eles não podem partilhar, da mesma forma que eles não podem se reconhecer em certas palavras ouvidas, ditas em outras línguas. Isso nos leva à dimensão ética da saúde cultural. O laço com o outro, o reconhecimento da alteridade, da solidariedade, da ternura, o cuidado e o respeito testemunham uma saúde cultural. (FLUSSER, 2013, p.78)

No próximo quarto, logo que entramos meu colega foi apertar a mão do homem que estava no quarto, o que normalmente evitamos, pois como passamos em vários quartos, mesmo passando seguidamente álcool gel nas mãos, não queremos transmitir nenhuma doença ou mesmo um vírus de um paciente para o outro. Vendo que meu colega iria cumprimenta-lo, o paciente pediu para limparmos as mãos antes de tocá-lo, com toda a razão. Homem adulto jovem, sentado na poltrona muito lucido e ativo, perguntamos sobre seu gosto musical, respondeu que podemos tocar de tudo, menos música sertaneja... Contou-nos que esteve no RJ em uma viagem com a família e encontrou uma loja muito peculiar saindo de um restaurante, uma loja pequena que vendia discos de vinil, foi até a loja para conhecer e ficou encantado com o que viu, pois tinha tudo que se pode imaginar de discos da bossa nova. Ele descreveu em detalhes a conversa que teve com o proprietário da pequena loja e descobriu que o senhor era uma enciclopédia no assunto do estilo musical brasileiro mais conhecido no mundo. Contou também que adora música, que acha tão importante que colocou seu filho em aulas de piano antes mesmo da escola regular, com 6 anos de idade o menino já lia partituras, hoje com 13 continua a tocar.

Por ele (paciente) não ter tido essa oportunidade e por acreditar na importância da música na vida dos seres humanos, quis dar a oportunidade de estudar música desde pequeno para o seu filho. Depois de muito falarmos de música e principalmente bossa nova, sua escolha foi, “Garota de Ipanema” (Antonio Carlos Jobim), cantou toda a letra junto conosco. Quando terminamos a canção sua mulher chegou ao quarto, fomos apresentados e oferecemos mais uma música, o paciente pediu para a esposa escolher, ela pediu “Aquarela” (Toquinho, Maurizio Fabrizio e Vinicius de Moraes), assim que começamos a tocar ela se desmontou em lágrimas, deu para perceber que eram lágrimas boas, um momento que eu acredito que quase se pode esquecer-se da doença. Terminamos a música agradecemos e fomos agradecidos.

Em nossas visitas normalmente o músico que faz o primeiro contato, bate na porta entra sozinho e se apresenta primeiro é o André, músico contratado do hospital. Nesse dia mudamos um pouco essa rotina, agora iriamos intercalar entre eu e meu colega essa primeira abordagem ao paciente.

No quarto que vou descrever a seguir eu fui o responsável pelo primeiro contato, bato na porta e abro lentamente, procurando ver alguém, peço licença e vou entrando passo a passo, quando me aproximo da cama vejo uma senhora de idade sentada na poltrona e uma senhora mais jovem sentada na cama, expliquei que era estagiário de música, que estávamos passando nos quartos e se poderíamos tocar para elas, caso sim eu chamaria os outros músicos, a senhora mais nova, filha e acompanhante da senhora na poltrona, disse “-Acho que ela não vai querer não”... Eu agradeci e quando estava quase saindo ela perguntou em voz bem alta “-Mãe, quer ouvir música?” para sua surpresa a resposta bem baixinha foi “-Sim!”... Fiquei bem feliz e chamei os outros músicos, nos apresentamos conversamos um pouco e tocamos “Como é grande meu amor por você” (Roberto Carlos), para completar a cena linda que se formava ali naquele quarto a senhora de 95 anos com a escuta muito limitada começa a cantar junto, bem suave, quase sem abrir a boca, mas canta e sorri. Nessas horas é difícil conter minhas lágrimas de emoção, respiro e mantenho a serenidade com os olhos cheios. Terminamos a música e ela nos agradeceu, a filha ficou muito surpresa com a reação da mãe cantando. A felicidade é de todos, nossa que estamos passando por todos os quartos e de cada paciente que recebe essa visita, às vezes se tornando algo quase que mágico. Referente ao contato e sentimento que a música transmite Silva Junior comenta:

Nessa proposta de humanização, a música se insere como meio para a melhoria da qualidade de vida do paciente internado no hospital, através do fazer musical, do agir sobre o objeto musical, no qual o paciente tem um papel ativo na busca de sua melhoria e alta hospitalar. As atividades musicais de cantar, tocar um instrumento e ouvir música podem exercer um papel terapêutico e melhoria da qualidade de vida do indivíduo, além de caracterizar o ensino e aprendizagem da música. (SILVA JUNIOR, 2012, p.172)

No quarto ao lado, estava uma senhora, deitada e passava bem, contou que teve um infarto dentro de um táxi, por isso estava lá, queria música animada, bem para cima. Então cantamos “Trem das Onze” (Adoniram Barbosa), com vozes, teclado, violão, pandeiro e chocalho, ela cantou e sorriu conosco, logo recebeu uma visita no quarto, nos agradeceu e disse ter ficado muito feliz com a música e poderíamos voltar sempre que quiséssemos.

Nosso último quarto do dia, a porta estava aberta e podíamos escutar uma música saindo do quarto, eu entrei primeiro, pedi licença, mas não tive resposta, me aproximei e pude ver um rádio pequeno sobre a cama e um senhor sentado na poltrona ao lado, usando avental e fralda, estava de olhos fechados, chamei suavemente, dizendo “-Olá! Bom dia!”, não tive resposta, fiquei na dúvida se deveria chamar novamente ou deixá-lo descansar, mas chamei novamente e ele despertou, vi um pequeno susto em seu rosto comigo parado ali em sua frente, logo me apresentei e então ele abre um sorriso e responde “-Claro, pode chamar o resto do conjunto musical!” Contou que trabalhou em uma rádio em Rosário do Sul, interior do estado, ele e a filha eram radialistas, ele fazia a escolha das músicas que iriam tocar no programa, contou que sempre falava sobre a história de cada canção que ia tocar. Inclusive contava a história do nome da cidade na rádio, as variações que o nome sofreu e o por que do nome tornar-se Rosário do Sul, falamos um pouco sobre a rádio e tocamos “Céu, Sol, Sul, Terra e Cor” (Jader Moreci Teixeira, mais conhecido como Leonardo). Terminamos e ele nos agradeceu, disse que em outra vez que esteve no hospital também recebeu a visita de músicos. Despedimo-nos e voltamos para a sala reservada para os músicos no 6º andar, tiramos nossos jalecos, limpamos com álcool os instrumentos e também ali nos despedimos do grupo até a próxima semana.

5.7 DIA 16 DE NOVEMBRO DE 2018

Nesse dia fomos visitar o quarto andar, onde fica a Unidade de Cuidados Especiais (UCE), um ambiente bem diferente do que estávamos acostumados a ver no sétimo andar, nos quartos da oncologia. A UCE atende em sua maioria pessoas com idade avançada e debilitadas, os quartos não são individuais e o ambiente é mais “pesado” no sentido de que muitos pacientes estão acamados, não conseguem falar e nem se mover sem ajuda.

No primeiro quarto, ao final do corredor a paciente estava dormindo, ela já vinha recebendo a visita dos músicos do hospital, que nessa ala passam para a visita nas quartas de manhã, a acompanhante agradeceu e disse que iria avisar que passamos lá quando a paciente acordasse.

No próximo quarto que visitamos estavam duas senhoras, o músico do hospital já conhecia uma delas de outras visitas e sabia que ela gostava muito de músicas de louvor a Deus, não tínhamos preparado nenhuma música desse estilo, mas meu colega Rodrigo sabia algumas músicas religiosas, pois ele cantava na igreja que ele frequentava, então para ela ele cantou “Poderoso Deus” (Antônio Cirilo) e “Eu Navegarei” (Azmaveth Carneiro da Silva), ela falou sobre a vontade de Deus, que não tinha medo da morte e que só estava esperando por ele (Deus) para decidir sobre a sua vida, que só ele tem o controle de tudo. Já a outra senhora que estava no quarto, na cama ao lado escutou as músicas, mas não quis pedir nenhuma e nem conversar muito, apenas agradeceu. Pude perceber que a senhora que apenas agradeceu ficou levemente incomodada com as escolhas de sua colega de quarto, nós sabendo que isso pode acontecer nos quartos compartilhados procuramos tocar bem próximo e para o paciente que pediu a música, mas sempre atendendo a pedidos de ambos.

Na UCE os quartos normalmente não são privativos, então visitamos dois pacientes por vez, conversando e dando atenção individual para cada um deles, assim como cantando para cada um, que às vezes tem gostos musicais diferentes.

Seguindo para o próximo quarto, visitamos dois senhores, um deles acompanhado pela esposa. Os dois bem debilitados, usando sonda, com amarras para proteção, quase não expressavam reação, o que estava acompanhado falava poucas palavras com dificuldade e bem baixinhas e outro sentado na poltrona ao lado de sua cama não conseguia falar nenhuma palavra, cantamos “É o amor” (Zezé Di Camargo e Luciano) para todos no quarto, a acompanhante e os dois senhores. Despedimo-nos e seguimos para a próxima visita.

No próximo quarto estavam duas senhoras, uma delas na poltrona, bastante idosa e debilitada, não falava nada e quase não escutava, tinha as duas mãos enfaixadas e usava amarras nos pulsos, estava com uma acompanhante. Na cama ao lado a outra senhora deitada pediu a música da família, ficamos na dúvida de que música seria essa, conversando entre nós e com ela descobrimos que a canção que ela queria ouvir era “Oração pela família” (Padre Zezinho), cantamos e tocamos para as duas. Pediu para ligarmos o ar-condicionado, estava com muito calor. Agradeceu e fomos para o próximo quarto.

Novamente trago o comentário da diferença entre esse andar (UCE) e o andar que estávamos acostumados a visitar (Oncologia), na UCE os pacientes estão muito mais debilitados, a maioria com sondas, tubos e aparelhos ligados ao corpo, muitos não conseguem falar nem se expressar de forma clara, o agradecimento vem em detalhes mínimos como no do olhar fixo nos músicos, no movimento da cabeça, no esforço para conseguir fazer um sorriso.

O próximo quarto está com placa de restrição, ou seja, não podemos entrar, mas como André sabe que esse paciente gosta muito de música, vamos tocar da porta para ele, cantamos “Céu, sol, sul, terra e cor” (Jader Moreci Teixeira, mais conhecido como Leonardo). O paciente está bem debilitado, ligado a aparelhos e não falava, mas existia a expressão corporal, a tentativa de fazer um positivo com o dedão da mão, o pequeno sorriso no rosto e os olhos fixos em nós, isso nos faz entender que sim, ele está gostando de estarmos ali, tocando para ele.

Na UCE encontramos vários quartos com precaução de contato, que são quartos com restrição de visita, então não podemos entrar para tocar eles, logo passamos por todos os quartos possíveis de visita e em torno das 11h terminamos essa ala. Fomos para o sexto andar, que costumamos fazer todas as sextas feiras.

Nesse dia fomos até o balcão de atendimento e perguntamos quais quartos poderíamos visitar, pois não conseguiríamos passar em todos pelo tempo que nos restava, as enfermeiras nos indicaram alguns quartos que elas acreditavam e os pacientes gostariam de receber nossa visita.

No primeiro quarto bati na porta e entrei devagar, a paciente estava em pé ao lado da cama falando ao telefone, logo que me viu já foi encerrando a ligação, me apresentei e perguntei se poderíamos entrar para fazer música para ela, respondeu que sim. Gosta muito do Rei, então cantamos “Como é grande o meu amor por você” (Roberto Carlos), ela se emocionou, cantou junto, chorou e agradeceu muito, disse que é muito importante isso que estamos fazendo, ainda mais em um ambiente tão frágil como o hospital.

No quarto seguinte visitamos um senhor que estava sentado na poltrona ao lado da cama com a esposa e a cunhada o acompanhando, conversamos sobre música, falou sobre “As quatro estações” (Vivaldi), sobre a “Sinfonia n.º 5’” (Beethoven), como não estávamos preparados para um repertório de músicas clássicas tocamos “Primavera” (Tim Maia), brincamos com o nome, ao invés da “Primavera” de Vivaldi tocamos uma “Primavera” nacional. Ele cantou junto, se emocionou e chorou, agradeceu, disse estar sendo muito bem atendido no hospital ainda mais com uma visita como a nossa, levando música. Enquanto estávamos todos conversando no quarto o médico entrou e avisou que o paciente teria uma consulta naquele mesmo dia com a radiologista. Despedimo-nos e fomos para o próximo quarto.

Enquanto nos deslocávamos pelo corredor, percebemos que o paciente que recebeu nossa visita semana passada agora esta com restrição para visita, aquele que visitou a pequena loja de discos de bossa nova no Rio de Janeiro.

No próximo quarto que entramos estava um rapaz bem jovem, em torno de 20 anos, estava se recuperando da cirurgia do apêndice. Ele estava acompanhado pela mãe e o pai que já estava de saída, mas ficou para nos ver tocar. Durante a conversa os pais nos contam que ele faz biotecnologia na UFRGS e é músico também, começou fazendo aula em escola de música no piano e agora esta no violão, um dos seus professores de piano foi um aluno já formado do IPA. O jovem não fala muito, oferecemos se ele queria tocar, mas preferiu não. Tocamos “Samba de Verão (Marcos Valle), “Trem das Onze” e “Samba do Arnesto” as duas canções de Adoniran Barbosa, essa terceira música foi pedido de sua mãe e tocamos de memória, não tínhamos preparado ela em nosso repertório. Agradeceram a visita e nos despedimos.

Nesse mesmo dia encontramos um senhor na cadeira de roda, sua mulher o acompanhava, estava passeando com ele e não era a primeira vez que nós os encontrávamos no corredor, ele fala muito pouco, normalmente estava de cabeça baixa. Cantamos “Querência Amada” (Teixeirinha) ali mesmo no corredor e nesse dia ele falou muito pouco e bem baixinho, agradeceu. A esposa acha que ele está muito triste por que não pode voltar para casa ainda, ela conta que ele gosta muito de música e que em casa tem um cantinho onde ele fica escutando as músicas que ele gosta. Ele esta internado em um quarto fora da ala que estamos atendendo, o André anotou o quarto para passar para visitá-lo outra hora e levar mais músicas para ele. Nascimento e Crepalde escrevem sobre a música no processo de humanização no ambiente hospitalar:

A PNH – Política Nacional de Humanização atualmente tem buscado alternativas criativas para tratar dos pacientes de maneira mais humana, deixando de lado os tratamentos impessoais, onde há uma ausência de carinho, respeito ou qualquer forma de afetividade. Levando em consideração a pesada e desgastante rotina do ambiente hospitalar, os profissionais da área acabam priorizando o lado técnico e a eficiência dos tratamentos em detrimento do lado humano. (NASCIMENTO; CREPALDI, 2015, p.25)

Ainda sobre a humanização no hospital para Miranda:

Miranda (2011 apud CALDEIRA, 2007) O Programa Nacional de Humanização da Assistência Hospitalar (PNHAH) (BRASIL, 2001), do Ministério da Saúde tem desencadeado processos de humanização em hospitais brasileiros promovendo a integração das áreas de Arte, Saúde e Educação, iniciativa que tem sido utilizada no cotidiano hospitalar como ferramenta na construção de ações mais humanizadas, “buscando a integração de todas as dimensões do ser humano na assistência à saúde”.

5.8 DIA 23 DE NOVEMBRO DE 2018

Para as últimas sextas-feiras de estágio, preparamos duas oficinas musicais para os pacientes, a primeira com o tema jovem guarda, aconteceu no hall de espera do 8º andar. Começamos o dia convidando todos os pacientes, enfermeiras e equipe para participar. Passamos de quarto em quarto convidando-os para a oficina que iria acontecer às 11h da mesma manhã. Aonde tocaríamos, cantaríamos e falaríamos do estilo jovem guarda. Fizemos o convite em todos os quartos do 8º e 9º andares, divididos em dois grupos, cada um passando de um dos lados do corredor. Muitos pacientes respondiam positivamente, que gostariam de participar, alguns estavam impossibilitados de sair da cama e agradeciam. O convite se estendia a todos, então os acompanhantes também eram convidados.

Terminando de fazer todos os convites fomos para a sala de encontro no 6º pegar os instrumentos e levá-los para o 8º aonde aconteceria a oficina. Os grupos de estagiários, que normalmente fazem as visitas em andares diferentes se reuniram para a oficina, Rafael, João, Felipe e eu, nesse dia meu colega de grupo Rodrigo não pode ir. A coordenadora do local Cristina e nossa professora orientadora do IPA Cecilia estavam presentes. Os músicos do hospital estavam atendendo a UTI então não puderam participar.

Posicionamo-nos no hall, um espaço de área comum do andar, com poltronas. Tínhamos o teclado, violão, percussão e a voz como instrumentos musicais. Quem organizou essa oficina foi o outro grupo (Felipe, João e Rafael), levaram as letras impressas para distribuir para os participantes cantarem juntos. As canções levadas pelo grupo foram “Gatinha manhosa” (Roberto Carlos e Erasmo Carlos), “Vem quente que eu estou fervendo” (Carlos Imperial), “A minha menina” (Jorge Menezes), cantada pela banda Os Mutantes, “Feche os Olhos” (Carlos Imperial e Eduardo Araújo), adaptação da música “All my Loving” (Paul McCartney e John Lennon) dos The Beatles, “Como é grande o meu amor por você” (Roberto Carlos), “É preciso saber viver” (Roberto Carlos e Erasmo Carlos), “Marcas do que se foi” (Ruy Maurity e José Jorge) e “Ilegal, imoral ou engorda” (Roberto Carlos e Erasmo Carlos).

Aos poucos os pacientes foram chegando e sentando, alguns vinham sozinhos, outros com acompanhantes. Apresentamo-nos, falamos um pouco sobre nosso estágio e iniciamos as músicas, todos cantavam juntos e tocavam chocalho, instrumento que distribuímos para os pacientes, quando o repertório acabou o pessoal queria ouvir mais canções e começaram os pedidos “Trem das onze” e “Saudosa Maloca” de Adoniram Barbosa, essa segunda música inclusive foi cantada apenas em voz e percussão pelo grupo todo, uma das acompanhantes se destacou cantando em alto e bom tom. Outra canção que estava fora do repertório, mas tocamos com a ajuda da cifra no celular foi “Rua Augusta” de Hervé Cordovil e gravada pelo cantor Ronnie Cord. Nesse dia um dos pacientes estava muito eufórico, dançava, cantava, pulava e isso acabou chamando a atenção do grupo. Também tivemos algumas enfermeiras acompanhando a oficina.

Com duração de aproximadamente 1h terminamos e agradecemos a presença de todos, em torno de 15 pessoas, alguns vieram nos cumprimentar e agradecer pelo trabalho que estávamos fazendo. Uma senhora pediu para irmos ao quarto tocar para uma paciente que não pode ir até o hall participar da oficina, meus colegas João e Felipe foram até lá para cantar algumas músicas com ela.

Após o termino da oficina recolhemos os materiais e instrumentos para voltar para a sala de encontro no 6º andar, aonde tivemos um parecer da nossa supervisora do hospital, Cristina. Ela aponta em que precisamos melhorar, elogia nosso trabalho, mas a questão é a crítica construtiva, fala sobre o volume, que estamos tocando muito alto e que algumas músicas não ficaram tão bem executadas quanto deveriam, comenta sobre o controle e foco do grupo perante os pacientes, tudo para que possamos melhorar na próxima oficina.

A próxima oficina sobre bossa nova ocorreu dia 30/11/2018 e não consta sua regência nesse relatório pelo prazo da entrega para a banca de avaliação ser anterior a essa data.

6. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Refletindo sobre o estágio no hospital, um ambiente ainda novo para o trabalho com a música, pelo menos nos hospitais brasileiros. No inicio não sabia o que esperar da prática, que resultados teríamos e se realmente era relevante para os pacientes receberem essa intervenção. Com o primeiro contado com a literatura sobre o assunto comecei a entender melhor o que acontece nesse ambiente tão peculiar. Como músicos normalmente pensamos em atuar em shows, bares, estúdios e como professores em salas de aula, escolas de músicas ou projetos sociais, mas o hospital não entreva nessa lista das áreas de atuação, pelo menos não antes desse estágio.

Essa experiência serve para nós, futuros educadores estarmos realmente preparados para atuarmos com diferentes realidades, ambientes e pessoas. Acredito que mais do aprendermos a função de educador, no ambiente hospitalar, chegamos mais fundo na condição humana que a nossa profissão esta ligada, a forma que conseguimos atingir as pessoas, proporcionar reflexões, alegria, choro e riso através da nossa ferramenta de trabalho, a música.

Certamente me considero um músico, professor e sem dúvida uma pessoa melhor depois desses quatro anos passados na universidade, penso totalmente diferente do que pensava quando entrei, a forma de agir e de tratar as pessoas, a paciência, a repetição e a perseverança se multiplicaram em mim, para que eu pudesse evoluir e ajudar as pessoas, alunos e colegas ao meu redor a evoluírem também, claro, lembrando que o que torna isso tudo possível é a música. A música como espinha dorsal, sem dúvida não chegaria nem na metade de onde estou sem os professores que tive, cada um, cada puxão de orelha, cada crítica construíram o profissional que me tornei.

Considero o estágio no hospital o mais rico dos três, passando pelo ensino fundamental e ensino médio da rede regular, estágios que sem dúvida são extremamente importantes, pois será o campo de atuação de vários formandos. De certa forma com essa realidade estamos acostumados, passamos anos nas classes da escola, embora não como professores, mas naquele convívio da educação formal no espaço escolar.

O hospital abre inúmeras novas janelas de pensamentos, formas de agir, formas de percebermos a música e as pessoas, abrem novas possibilidades de atuação profissional, como podemos ver os dois músicos contratados do hospital são ex-alunos do mesmo curso de música que estou concluindo. Toda a diferença que eles fazem ao tratamento dos pacientes lá internados, não falo em curá-los com a música, mas o bem estar que a música trás nenhum medicamento até hoje consegue trazer.

Percebo também que por esse trajeto que fiz na academia me despertou o interesse pela mesma, aonde vou continuar após essa formação buscando conhecimento.

Lidar com as pessoas foi um dos grandes aprendizados que o curso e os estágios trazem, a música existe para ser compartilha entre as pessoas, o conhecimento existe para ser compartilhado entre as pessoas, pessoas com diferentes crenças, raças, etnias, sexo, comportamentos, cultura e todas as possíveis diferenças que a música consegue unir.

Pretendo seguir na área do ensino para aprender mais e poder ensinar mais. Sinto-me muito feliz em chegar até aqui.

7. REFERÊNCIAS

FLUSSER, Victor. Para uma definição da música em meio de saúde. Os cadernos da música no hospital. Universidade March Block: Estrasburgo, França n 1, setembro. 2005.

FLUSSER, Victor. Para uma definição da música em meio de saúde, Músicos do Elo nº1, 2005.

FLUSSER, Victor. Músicos do Elo: músicos atuantes humanizando hospitais. Documentário Vídeo de Luiz Fernando Santoro. Fotografias de Christophe Meyer, Nuno Saraiva e Gerson Camargo. São Paulo: Annablum, 2013.

HOSPITAL MÃE DE DEUS. Sobre Nós. Disponível em: <https://www.maededeus.com.br/sobre-nos/> acesso em 21 de setembro de 2018.

MIRANDA, Paulo César Cardozo de. A vivência da música na humanização hospitalar: o ambiente sonoro enquanto atividade relacional. Anais da II Jornada Acadêmica Discente – PPGMUS ECA/USP. São Paulo, 2011.

NASCIMENTO, Camilla Aparecida Alves e CREPALDE, Neylson J.B.F. A música como recurso de humanização nos espaços hospitalares. Revista Formação Docente. Volume 7, n.1, Belo Horizonte, 2015.

PIERRO, Bruno. Sons do bem-estar. Revista pesquisa Fapesp. São Paulo, 2015.

SILVA JUNIOR, José Davison Da. Música e Saúde: a humanização hospitalar como objetivo da educação musical. Revista da ABEM, Porto Alegre, n. 29, p.171-183, jul- dez 2012.

TORRES, Maria Cecília de Araújo Rodrigues, LEAL, Cláudia Maria Freitas. Reflexões de professoras supervisoras de estágios supervisionados de música no ambiente hospitalar: desafios e aprendizagens. Revista Fundarte. Montenegro, n. 26, 2013.

8. ANEXOS

Repertório desenvolvido durante toda a regência.

1. “É Preciso Saber Viver” (Roberto Carlos)

2. “Primavera” (Tim Maia)

3. “Tempos Modernos” (Lulu Santos)

4. “Trem das Onze” (Adoniran Barbosa)

5. “Como é grande meu amor por você” (Roberto Carlos)

6. “Detalhes” (Roberto Carlos)

7. “Eu só quero um xodó” (Dominguinhos)

8. “Céu, sol, sul, terra e cor” (Jader Moreci Teixeira, mais conhecido como Leonardo)

9. “Maracangalha” (Dorival Caymmi)

10. Imagine” (John Lennon)

11. “Garota de Ipanema” (Antonio Carlos Jobim)

12. “É o Amor(Zezé Di Camargo e Luciano)

13. “Barracão de Zinco” (Luís Antonio e Oldemar Magalhães, interpretada por Elizeth Cardoso)

14. “Natiruts reggae power” (Natiruts)

15. “Não vou mais voltar” (TNT)

16. “Quem é” de Osmar Navarro

17. “Aquarela” (Toquinho, Maurizio Fabrizio e Vinicius de Moraes)

18. “A barata” (Só Pra Contrariar)

19. “Saudosa Maloca(Adoniram Barbosa)

20. “Meu Erro” (Paralamas do Sucesso)

21. “Óculos” (Paralamas do Sucesso)

22. “Agora Só Falta Você” (Rita Lee e Luis Sérgio Carlini)

23. “Cirandeiro” (Edu Lobo e Capinam)

24. “Samba de Verão (Marcos Valle)

25. “Nossa Senhora” - (Roberto Carlos)

26. “Poderoso Deus” (Antônio Cirilo)

27. “Eu Navegarei” (Azmaveth Carneiro da Silva)

28. “Oração pela família” (Padre Zezinho)

29. “Samba do Arnesto” (Adoniram Barbosa)

30. “Querência Amada” (Teixeirinha)

31. “Gatinha manhosa” (Roberto Carlos e Erasmo Carlos)

32. “Vem quente que eu estou fervendo” (Carlos Imperial)

33. “A minha menina” (Jorge Menezes)

34. “Feche os Olhos” (Carlos Imperial e Eduardo Araújo)

35. “Marcas do que se foi” (Ruy Maurity e José Jorge)

36. “Rua Augusta” (Hervé Cordovil) 


Publicado por: Ricardo Lannes

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