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AS BEM-AVENTURANÇAS NO SEU CONTEXTO HISTÓRICO: O PERIGO DA INTERPRETAÇÃO ALEGÓRICA

Religião

Análise sobre o problema da interpretação alegórica em relação ao ministério de Jesus de Nazaré, analisando para isso, as Bem-aventuranças.

índice

1. RESUMO

Este artigo procura mostrar o problema da interpretação alegórica em relação ao ministério de Jesus de Nazaré, analisando para isso, as Bem-aventuranças. Sermão transformador proferido por Ele para a parcela da sociedade judaica menos favorecida. Como alento, para aqueles que estão sendo massacrados e oprimidos pelo Império Romano vigente da época. Entretanto, este texto atualmente é interpretado de forma alegórica fora do seu contexto histórico, cultural e linguístico. Ao analisar a atual interpretação bíblica, constata-se que os textos que foram escritos para um determinado grupo à época, com objetivo específico de ensinar uma lição: se por um lado, textos que foram escritos de forma literal para determinado contexto histórico e se forem interpretados de igual modo trazem sérios problemas para a sociedade contemporânea, da mesma maneira, textos com objetivo de ensinar lições para um determinado público da época podem ser interpretados/aplicados da mesma forma na atualidade. Estes e outros elementos são aprofundados utilizando-se do método bibliográfico qualitativo.

Palavras-chave: Hermenêutica. Bem-aventuranças. Jesus de Nazaré. Reino de Deus.

2. INTRODUÇÃO

Hoje a maioria das religiões cristãs, principalmente de vertentes pentecostais e neopentecostais, interpretam o texto de Mt 5,3 "Bem-aventurados os pobres em espírito, pois deles é o Reino dos céus", de forma alegórica. Bem como, as Bem-aventuranças, atribuindo significados as palavras ditas que não era o proposto do autor original. E não contextual e literal, atentando para o seu contexto histórico (SIMÕES, 2017).

Exemplo de interpretação alegórica:

A melhor forma de entender o que Jesus quis dizer com pobres de espírito é buscarmos o que seria o contrário disso. O contrário, considerando o contexto, seria “orgulhosos de espírito”, ou seja, pessoas que desprezam a Deus por não acharem que precisam de Dele, por não O reconhecerem como Senhor de suas vidas, por não O buscarem de fato e de coração. Esses tipos de pessoas não podem herdar o reino de Deus.[1]

O autor da matéria, afirma que a interpretação da expressão "pobres de espírito" significa uma pessoa que não possua orgulho. Algo que foge totalmente do contexto histórico que o texto se refere, a Galileia do primeiro século.

De acordo com Leipoldt; Grundmann (1973) Jesus ao pronunciar "Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o Reino dos céus", está se referindo a multidão de desgraçados e miseráveis que o Império Romano oprime ocasionando grandes injustiças sociais. “E, como eram as pessoas que ouviam e seguiam Jesus de Nazaré? Eram os pobres, materialmente falando, os aleijados, os doentes, os cegos, os estropiados, os esquecidos da justiça humana” (QUIMARÃES, 2014, p. 39). O problema da hermenêutica adotada pela maioria das tradições cristãs, é que elas fazem a leitura das Bem-aventuranças proferidas por Jesus de Nazaré registradas nos Evangelhos de Mateus e Lucas, com base no critério da Justificação pela Fé apresentada pelo Apóstolo Paulo no livro de Romanos. Isso não contribui em nada para a interpretação contextual da época[2]. Visto que, o ministério de Jesus é anterior ao apostolado de Paulo.

Mas agora se manifestou uma justiça que provém de Deus, independente da lei, da qual testemunham a Lei e os Profetas, justiça de Deus mediante a fé em Jesus Cristo para todos os que crêem. Não há distinção, pois todos pecaram e estão destituídos da glória de Deus, sendo justificados gratuitamente por sua graça, por meio da redenção que há em Cristo Jesus. Deus o ofereceu como sacrifício para propiciação mediante a fé, pelo seu sangue, demonstrando a sua justiça. Em sua tolerância, havia deixado impunes os pecados anteriormente cometidos; mas, no presente, demonstrou a sua justiça, a fim de ser justo e justificador daquele que tem fé em Jesus (ROMANOS 3,21-26, NVI, grifo nosso).

Ao contrário da lógica do texto de Romanos 3, quando Jesus diz "Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, pois serão saciados", essas tradições interpretam como se Jesus tivesse se referindo aquela multidão, que eles eram bem-aventurados pelo fato de terem fome e sede de justiça pela fé na obra do Cristo, “o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” (Jo 1,29). Ou seja, com as mesmas categorias citadas no livro de Romanos. Uma interpretação assim, não colabora em nada com os métodos de hermenêutica que buscam analisar o conteúdo histórico do texto.

Os chamados Métodos Histórico-Crítico e Histórico Gramatical, são boas ferramentas hermenêuticas para expor o real sentido dos textos bíblicos dentro de seu contexto.  Quando bem aplicados, servem para a investigação de dados como autoria, datação, prováveis fontes de informação usadas pelo escritor bíblico, fundo histórico, gênero literário, peculiaridades linguísticas, informações arqueológicas e tudo mais que possa contribuir para a iluminação do texto sagrado.

A Pontifícia Comissão Bíblica, órgão máximo para assuntos doutrinários da Igreja Católica Apostólica Romana, recomenda ao leitor a utilização do Método Histórico-Crítico.

Conforme a Pontifícia:

O método histórico-crítico é o método indispensável para o estudo científico do sentido dos textos antigos. Como a Santa Escritura, enquanto « Palavra de Deus em linguagem humana », foi composta por autores humanos em todas as suas partes e todas as suas fontes, sua justa compreensão não só admite como legítimo, mas pede a utilização deste método. [...] o objetivo do método histórico-crítico é de colocar em evidência, de maneira sobretudo diacrônica, o sentido expresso pelos autores e redatores. Com a ajuda de outros métodos e abordagens, ele abre ao leitor moderno o acesso ao significado do texto da Bíblia, tal como o temos.[3]

A Comissão aconselha a utilização do Método Histórico-Crítico aos cristãos na interpretação das Escrituras, pelos seguintes motivos: Crítica textual e da redação do texto. Segundo a Comissão, o Método Histórico-Crítico terá como colaboração para a interpretação do texto bíblico, outros métodos de abordagens e complementação.

Lopes (2005) salienta que ao longo dos anos, diversos estudiosos buscaram um método de Interpretação das Sagradas Escrituras que não comprometesse a sua autenticidade e o fato histórico.

[...]. Um método que partiu de convicções dogmáticas críticas quanto à natureza da Bíblia só poderia produzir resultados críticos e incerteza. [...] Maier propõe uma hermenêutica bíblico-histórica. Já Stuhlmacher acredita numa hermenêutica teológica. [...]Ou seja, trata-se de retirar o “crítico” – entendido como a arrogante pretensão de determinar pela análise racional aquilo que é verdadeiro – e manter o histórico – o estudo em contexto da revelação de Deus na história (LOPES, 2005, p. 136-137, grifo do autor).

De acordo com o autor, ao passar dos anos se buscou um método de interpretação da Bíblia, que não atribuísse críticas comprometendo assim, a sua autenticidade. Todavia, que preservasse a sua veracidade e evidenciasse seu contexto histórico. Nesse percurso, surge então o Método Histórico-Gramatical. É de suma importância interpretar as Escrituras tendo em conta a perspectiva teológica e o seu o plano de fundo histórico. No entanto, se é importante por um lado, descobrir o fundo teológico, não é menos descobrir o seu contexto histórico. A interpretação gramático-histórica não é um substitutivo da interpretação teológica, e sim o seu complemento.

Segundo Martínez (1984, p. 121) o Método Histórico Gramatical, se baseia em dois pilares: entender o contexto histórico cultural e fazer uma análise gramatical do texto original ou dos textos mais antigos que se tem conhecimento.

Portanto, a interpretação pelos Métodos Histórico-Crítico/Gramatical, analisando o texto das Bem-aventuranças, a tradição cristã chegará a conclusão que as palavras de Jesus contidas no texto, hoje para a contemporaneidade, servem de alguma forma para impulsionar o fiel a lutar contra toda e qualquer forma de opressão e injustiça na sociedade contra aqueles mais desfavoráveis, assim como na época de Jesus de Nazaré. Pois a hermenêutica adotada, levará em conta o contexto histórico do texto (BOFF, 2005).

Conforme Kaefer (2014, p. 119) a hermenêutica correta da aplicabilidade das Sagradas Escrituras da tradição cristã, em análise crítica a possíveis discrepâncias em relação ao fato histórico, deve ser a utilização do Método Histórico-Crítico. Em contrapartida, para Martínez (1984, p. 121) é a utilização do Método Histórico Gramatical.

De acordo com Gonçalves (2012) a utilização de tais métodos hermenêuticos, levará o leitor a compreensão histórica do texto, evitando assim, a prática do fundamentalismo religioso. Pereira (2019, p. 117) salienta que ao olharmos para o conteúdo bíblico, devemos primeiramente observar o seu contexto histórico, só a partir de aí, podemos fazer a aplicabilidade do conteúdo para os nossos dias de forma que sua interpretação seja significativa para a sociedade.

3. O MINISTÉRIO DE JESUS DE NAZARÉ

Jesus de Nazaré, do hebraico Yeshua, permanece até os dias de hoje impregnado no intelecto cultural, sociológico, econômico e político do mundo contemporâneo. Mesmo aqueles que negam sua divindade, não podem negar a sua pessoa, por seu lugar na história e na construção da civilização humana. “Poucos personagens históricos têm tanta repercussão, por tanto tempo, como Jesus de Nazaré” (CHEVITARESE; FUNARI, 2012, p. 7).

De acordo com Arruda (1991, p. 272) os relatos bíblicos nos informam que Jesus nasceu em Belém, pequena cidade da capital de Israel (Mt 2,1-6). A cidade ficava localizada ao sul de Jerusalém. Os seus pais, José e Maria se mudaram para o norte, para Nazaré, local onde Jesus nasceu, viveu sua infância e juventude.[4] Aos trinta anos de idade, ele começou o seu ministério por toda a região de Nazaré, Galiléia e regiões adjacentes.

Conforme Pagola (2014, p. 100) a sede administrativa do seu ministério ficava na cidade de Cafarnaum, uma pequena colônia de pescadores, ao Mar da Galiléia. Concentrou seu ministério diante da classe social mais marginalizada da sua época, publicanos e prostitutas. Contrariando assim, as autoridades religiosas da comunidade judaica (Mt 21,28-32) e consequentemente, ao Império Romano (ASLAN, 2013. p. 65).

Durante os seus anos terrenos de acordo com a Bíblia Sagrada, Jesus de Nazaré realizou várias curas, milagres e pregações, (Mt 4,23; 9,35; Lc 20,1). Mas além disso, ele exerceu um papel transformador na sociedade, “[...] reconduz para a vida os pobres e oprimidos. Estas trazem uma exigência que é a de não permitir que as coisas continuem como estão – opressão, injustiças” (BOAVENTURA, 2006, p. 396). Jesus exerceu grande influência sobre a parte mais desfavorecida da sociedade judaica do século I. Ao ponto, de assumir suas angústias, dores e sofrimentos, para assim, trazer alivio, paz e esperança para aquele povo.

Conforme Boff (2012, p. 26-27):

O primeiro aparecimento público de Jesus na sinagoga de Nazaré tem um sentido programático: proclama a utopia do ano de graça do Senhor que se historifica em libertações bem concretas para os oprimidos e cativos (Lc 4,16-21). A ênfase, no anúncio/programa, recai na infraestrutura material. O Messias é aquele que realiza a libertação dos infelizes concretos: são felizes os pobres, aqueles que sofrem, os que tem fome e são perseguidos, não porque sua condição encarne um valor, mas porque sua situação de injustiça representa um desafio à justiça do Rei messiânico. Deus, através de Jesus, tomou o partido deles. O Reino como libertação do pecado pertence ao eixo da pregação de Jesus e do testemunho dos apóstolos (Lc 24,47; At 2,38; 5,31; 13,38), mas não pode ser interpretado de forma reducionista, amputando a dimensão infraestrutura que Lucas sublinhou em Jesus: aquela social e histórica. O Jesus histórico assumiu o projeto dos oprimidos, que é de libertação, e também os conflitos que aí se acham implicados.

Nos livros da Bíblia cristã: Mateus, Marcos e Lucas, os sinóticos, estão registrados toda a ação missional de Jesus de Nazaré.[5] Segundo esses escritos, Jesus caminhava por toda a Galiléia anunciando as “boas novas” do evangelho do Reino de Deus realizando milagres e curando os doentes. O ministério de Jesus foi um marco na compreensão histórica da humanidade. Sua mensagem revolucionou a sociedade judaica opressora e excludente, apresentando uma nova proposta de vida.

Boff (2012, p. 25-26) afirma:

O próprio Jesus não consiste em proclamar que o Reino há de vir, mas em que por sua presença e atuação o Reino já está perto (Mc 1,15) e no meio de nós! (Lc 17,21). O projeto fundamental de Jesus é, portanto, proclamar e ser instrumento da realização do sentimento absoluto do mundo: libertação de tudo o que estigmatiza: opressão, injustiça, dor, divisão, pecado, morte; e libertação para a vida, comunicação aberta do amor, a liberdade, a graça e a plenitude em Deus.

Para Boff, as palavras de Jesus consistiam em anunciar um reino não para o futuro, mas aqui e agora. Com o objetivo de libertar os oprimidos, injustiçados e os excluídos da sociedade e lhes restaurarem para viver a verdadeira plenitude em Deus. De acordo com o teólogo irlandês John Dominic Crossan, atualmente possuímos informes não apenas dos textos sagrados, mas também da arqueologia de cada lugar que Jesus percorreu (CROSSAN; REED, 2007).

Segundo Coleman (2018) na região da Galileia do século I, futuramente Palestina em 135 d.C[6], embora Jesus tenha convivido com pessoas humildes como seus seguidores, ele conviveu com pessoas de diferentes origens, várias etnias e de diferentes lugares. Há vestígios arqueológicos, por exemplo, de casas daquela região que não usavam telhas. Fato esse, que explica a passagem bíblica do evangelho de Marcos capítulo 2 versículos de 1 a 12, que narra a história de um paralítico que passou por cima do telhado de uma casa. Um teto de palha, que poderia ser removido facilmente.

De acordo com Fredriksen (1991, p. 556) Jesus de Nazaré surge no meio do Império Romano proclamando uma mensagem de liberdade aos judeus (Jo 8,30-32). E mais do que isso, em um momento que havia dezenas de messias, justamente salvadores, que se apresentavam como libertadores do povo judeu em oposição ao sistema romano.

3.1. PROPOSTA DE UM REINO DE JUSTIÇA E IGUALDADE

De acordo com o historiador André Chevitarese, professor de História da Universidade Federal do Rio de Janeiro UFRJ, autor dos livros Jesus Histórico – Uma Brevíssima Introdução, Cristianismos: Questões e Debates Metodológicos e referência no Brasil sobre a busca do Jesus Histórico, as linhas de pesquisas sobre a vida de Jesus de Nazaré se concentram: em um lado conhecer essa figura e efetivamente quais eram os seus propósitos. Para o autor, os estudiosos têm se chegado a uma concordância que de fato, Jesus de Nazaré propôs um Reino de Deus. E esse, estaria centrado em três perspectivas em oposição ao reino de Augusto César, Imperador do Império Romano.

Perspectivas como, a centralização da paz em oposição à guerra disseminada pelo Império Romano. Nesse sentido, Richard A. Horsley esclarece que o reino anunciado por Jesus tem como foco a libertação e a renovação do povo:

Isto é, o reino de Deus não é apenas o tema que abarca a declaração profética de Jesus sobre o julgamento contra os governantes romanos e os seus dependentes em Jerusalém, mas esse aspecto de julgamento do reino tinha uma contraparte construtiva de libertação, novas forças e renovação para o povo. No discurso político moderno, no aspecto de julgamento do Reino de Deus, Jesus proclamava que Deus estava no processo de efetuar a “revolução política” que transtornaria a ordem imperial romana na Palestina. Então, no aspecto construtivo, na confiança de que Deus estava cuidando da ordem política dominante, Jesus e o seu movimento estavam realizando a “revolução social” que Deus estava tornando possível e forte nas comunidades rurais da Galiléia (HORSLEY, 2004. p. 109).

Conforme Horsley, o ministério de Jesus se concentra em trazer profeticamente a mensagem de libertação e restauração aos oprimidos da sociedade judaica. A segunda perspectiva é a centralização da comensalidade. Pois de acordo com Chevitarese; Funari (2012, p. 52) a todo momento Jesus está em torno de uma mesa, partilhando comida e bebida. Essa comensalidade é um convite para que todos dentro desse reino de Deus tenham acesso à comida, até mesmo aqueles que estão religiosamente excluídos da sociedade (CHEVITARESE; FUNARI, 2012, p. 65).

Jesus foi uma vez mais caminhar à beira-mar, e, de novo, uma multidão foi atrás dele, para ouvir seu ensino. Caminhando, ele viu Levi, filho de Alfeu, que era cobrador de impostos. Jesus convidou: “Venha comigo”. Ele se levantou e passou a segui-lo. Mais tarde, Jesus e os discípulos estavam jantando na casa de Levi, e seus convidados eram pessoas de má reputação. Surpreendentemente, alguns deles se tornaram seguidores de Jesus. Os líderes religiosos e os fariseus, vendo Jesus na companhia daquela gente, foram tomar satisfação com os discípulos: “Que exemplo ele está dando, andando com essa gente desonesta e essa ralé?". Jesus escutou a crítica e reagiu: “Quem precisa de médico: quem é saudável ou quem é doente? Estou aqui para dar atenção aos de fora, não para mimar os da casa, que se acham justos” (MARCOS 2,13-17, BÍBLIA A MENSAGEM).

De acordo com o teólogo americano Eugene H. Peterson (1932-2018) Jesus ao convidar Mateus, o cobrador de impostos, para o segui-lo, está demonstrando para a população judaica, que o reino anunciado por ele todos podem participar. Até mesmo aqueles que perante a sociedade, são vistos como mau caráter.

A terceira perspectiva é a justiça. A justiça de Deus, ao qual Jesus de Nazaré se vê inclusive como filho e essa justiça sendo aplicada na terra em oposição à injustiça difundida pelo Império Romano da época. Segundo Horsley (2010, p. 214) concepção direcionada através de uma sistematização representativa que proporcionava esperanças escatológicas que o encorajava a afrontar a estrutura organizacional de domínio social, mantida e sustentada por elementos de domínio social comandada por uma classe opressora. Jesus buscava denunciar as organizações que promoviam a injustiça social que seriam excluídas e substituídas pelo Reino de Deus evidenciado pela justiça e igualdade.

De acordo com D´Araújo (1995, p. 107-108) essa leitura acerca da dimensão histórica de Jesus o leva a um confronto direto com as autoridades romanas. Porque na medida em que a proposta de Reino de Jesus é disseminada e ampliada, irá levar a contradição ao Império Romano e a própria ideia de reino romano.

3.2. Contexto histórico

Segundo Dreher (1986, p. 169) a tradição judaica, os escritos da época e em especial, a Bíblia Sagrada, relatam que Israel antes da sua formação era constituído por grupos divididos, denominados tribos. Cada tribo era constituída por um clã, cada clã por várias famílias e indivíduos de ordem cultural e/ou religiosa. Em cada tribo havia um chefe responsável por liderar toda a tribo. Conforme Fohrer (2006) em Gênesis 29,30 e 35,16-22 estão registrados os nascimentos dos doze filhos do patriarca Jacó o qual corresponde às doze tribos de Israel. O patriarca Abraão, por exemplo, foi um chefe de uma dessas tribos, o precursor do Judaísmo, religião que propagava a crença monoteísta de um “Deus”, que tinha o povo de Israel como seus filhos. De acordo com De Vaux (2003) ao longo da história judaica, o Deus abraâmico, Jave, prometeu aos seus “filhos” que enviaria um “Messias”, um libertador à nação de Israel. Para libertá-los, principalmente do jugo da escravidão política e territorial (Dt 18,15-19; Is 49,1-7).

A figura emblemática de Jesus de Nazaré, surge em meio à turbulência no período da história conhecida como: Império Romano. Durante o governo do Imperador Romano César Augusto, o qual utilizava da religião romana para garantir a sua autoridade sobre o Império (GRANT; POTTINGER, 1965, p. 44). Conforme pontua o historiador russo Rostovtzeff (1870-1952) qualquer Imperador de Roma tinha status de divindade perante a sociedade romana. O próprio Imperador Augusto se considerava uma divindade, um messias.

O mesmo afirma (1961, p. 186-187):

Os cidadãos de Roma e das províncias há muito se haviam habituado a cultuar o poder divino do Estado sob a forma da grande deusa Roma, representada na arte com a semelhança de Atená, a grande deusa da civilização grega e da sociedade organizada. Ao lado de Roma vinha a misteriosa e vaga forma de Vesta, simbolizando a lareira da grande ‘casa romana’ e o fogo imortal dessa lareira. A essas representações divinas acrescentou-se mais um símbolo e fonte da grandeza de Roma, o genius, o Poder criador divino (numen) pertencente a Augusto, o chefe da grande família romana. Essa combinação estava perfeitamente em harmonia com as concepções religiosas do cidadão romano, fiel ao credo primitivo de sua raça, às crenças nos deuses do lar doméstico, no genius da casa, nos genii dos homens reunidos em sociedades religiosas e no genius da grande família vitoriosa do Estado romano.

De acordo com o autor, ao conferir "status de divindade" ao Imperador César Augusto, a sociedade romana faz com que César represente ao povo, a própria manifestação do messias.

Quando Jesus de Nazaré, que se tornaria o Cristo, o Senhor ungido e o Libertador do povo judeu (CHEVITARESE; FUNARI, 2012, p. 66) inicia o seu ministério profético em Israel, o território israelense pertence ao Império Romano. Especialmente a região da Galileia do século I, que segundo a tradição dos judeus é a terra que mana leite e mel prometido por Yahweh, à Canaã (ROPS, 1963, p. 10-11). A Judeia, local onde Jesus irá exercer o seu ministério é administrada por Roma, que se tornará província romana no século 6 d.C (VERMES, 2007, p. 20). Em outras palavras, os judeus tinham que submeterem a pagar encargos e impostos ao Império Romano (WEGNER, 2006, p. 119).

De acordo com Boff (1972) os simpatizantes e adeptos à mensagem de Jesus de Nazaré, logo o consideram como o Messias prometido por Jave, aquele que irá libertar o povo judeu do julgo do Império Romano.

A sociedade judaica do primeiro século, sob o julgo do Império Romano, realmente necessitava de uma intervenção de justiça e igualdade para todos. Há anos a região da Galileia que ficaria conhecida por Palestina em 135 d.C, vinha sofrendo opressão pelos romanos. Antes mesmo da época de Jesus, os soldados romanos invadiram a região incendiando povoados, escravizando a população saudável e exterminando os ineptos (OVERMAN, 1997, p. 41).

Ao começar o seu ministério messiânico anunciando o Reino de Deus ao povo da sociedade judaica, Jesus causa um desequilíbrio no Império Romano. Pois ele fala de um ser supremo, divino e um pai de todos. Que não é César, que não é Roma, mas sim o Deus abraâmico que se manifestou à Abraão, à Isaque e a Jacó, Ex 3,3-6 (HOBSBAWM, 2015, p. 27). Jave, que Jesus o chama de Pai (Mc 14,36) e ensina os seus seguidores a chamarem-no também (Mt 6,9-13; Lc 11,2-4).

Sendo assim, Jesus de Nazaré passa a confrontar o Império Romano (WENGST, 1991, p. 16-20), reivindicando todas e quaisquer formas de opressão e injustiça cometidas por Roma (HOBSBAWM, 2015, p. 80).

4. Sermão da Montanha: as Bem-aventuranças no seu contexto histórico e o perigo da interpretação alegórica

Jesus está anunciando o "Reino de Deus", é uma utopia apocalíptica (THEISSEN; MERZ, 2002, p. 269). Em outras palavras, o padrão ideal de justiça e igualdade para aqueles que sofrem a opressão escravizadora de Roma. Exemplo disso é, o conhecido Sermão da Montanha. Discurso das Bem-Aventuranças proferido por Jesus no Vale do Hula[7], no Rio Jordão (Mt 5,11-12; Lc 6,20-49). Segundo Boff (2012, p. 45) mensagem destinada para aqueles que mais sofriam com a injustiça da época, os pobres.

Vendo as multidões, Jesus subiu ao monte e se assentou. Seus discípulos aproximaram-se dele, e ele começou a ensiná-los, dizendo: "Bem-aventurados os pobres em espírito, pois deles é o Reino dos céus. Bem-aventurados os que choram, pois serão consolados. Bem-aventurados os humildes, pois eles receberão a terra por herança. Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, pois serão satisfeitos. Bem-aventurados os misericordiosos, pois obterão misericórdia. Bem-aventurados os puros de coração, pois verão a Deus. Bem-aventurados os pacificadores, pois serão chamados filhos de Deus. Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça, pois deles é o Reino dos céus. Bem-aventurados serão vocês quando, por minha causa os insultarem, perseguirem e levantarem todo tipo de calúnia contra vocês.  Alegrem-se e regozijem-se, porque grande é a recompensa de vocês nos céus, pois da mesma forma perseguiram os profetas que viveram antes de vocês" (MATEUS, 5,1-12, NVI, grifo nosso).

Conforme a reflexão dos teólogos alemães Gerd Theissen e Annette Merz (2002), destacamos quatro bem-aventuranças dos Evangelhos sinóticos (Mt 5,3-10; Lc 6,20) dirigidas aos pobres, famintos, desanimados e perseguidos.

De acordo com os autores (2002, p. 277) quando Jesus diz: "Bem-aventurados os pobres em espírito, pois deles é o Reino dos céus" (Mt 5,30; Lc 6,20), ele não está falando na perspectiva de virtude, que ser pobre ou pobre de espírito é uma virtude. Pelo contrário, eles são bem-aventurados porque herdarão o Reino de Deus, aqui e agora: “Pobreza, fome e sofrimento não são qualidades positivas. Antes, de acordo com o ideal de realeza difundido no Oriente antigo (cf. SI 72), Deus intervém a favor dos pobres e fracos, de modo que seu destino mude para melhor” (THEISSEN; MERZ, 2002, p. 277).

Segundo Kivitz (2012) Jesus ao dizer: "Bem-aventurados os que choram, pois serão consolados" (Mt 5,4; Lc 6,21), Jesus não está falando na perspectiva de virtudes. Ninguém é bem-aventurado porque chora. Ao contrário, são bem-aventurados porque serão consolados, aqui e agora. Ao afirmar: "Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, pois serão satisfeitos" (Mt 5,6), Jesus não está dizendo que fome e sede de justiça são virtudes. Pelo contrário, está afirmando que quem tem fome e clama por justiça, são bem-aventurados porque serão assistidos e saciados, aqui e agora.

Jesus ao declarar "Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça, pois deles é o Reino dos céus" (Mt 5,10; Lc 6,22), está provavelmente se referindo as futuras perseguições por parte do Império Romano após a sua morte.[8]

Para Boff (2012) Jesus de Nazaré ao proferir as palavras das bem-aventuranças, está denunciando a opressão que o Império Romano está fazendo com o povo. Ao declarar "Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados", Jesus está denunciando a perseguição Imperial em massa em relação a sociedade empobrecida judaica da época.

O povo grita por justiça, e logo Jesus dar a resposta para esse grito. O contexto o qual Jesus se refere nas Bem-aventuranças, é um cenário caótico. Roma esmagou o povo, roubou suas terras, pegou suas mulheres e filhas e estuprou-as, matou os seus filhos e seus pais. Roma pegou os homens fortes de Israel e os levou de escravos transformando-os em trabalhadores para a Corte Romana (OAKMAN, 1991, p. 168).

Por isso que Jesus profere as Bem-aventuranças, porque a sociedade empobrecida está chorando e gritando por justiça, por conta do cenário de caos estabelecido pelo Império. "Bem-aventurados os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus" (Mt 5,9). Eles são pacificadores porque enfrentam a violência dizendo, parem com o derramamento de sangue, de fazerem guerras e com toda essa matança.

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"Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra" (Mt 5,5). Eles são mansos porque gritam, mas ninguém os ouvem. Todavia, Jesus está afirmando aos seus ouvintes que eles são bem-aventurados pois, em meio a todo esse caos, eles herdarão a terra, serão consolados, alcançaram a misericórdia e serão fartos de justiça. Porque o Reino de Deus chegou (HORSLEY, 2004. p. 109).

Portanto, em análise a tradição cristã, a Igreja na atualidade não pode adotar uma hermenêutica em relação aos relatos dos Evangelhos sinóticos, em especial ao Sermão das Bem-aventuranças, em que confere ao texto simplesmente um sentido metafísico e espiritual que não seja o sentido histórico, literal e literalista do texto. O método histórico-crítico é uma ótima opção para isso. Porquanto, tem por objetivo trazer a luz o conteúdo histórico da época inserido no texto (PONTIFÍCIA COMISSÃO BÍBLICA, 1994, p. 89).

Segundo Simões (2017) muitas linhas teológicas interpretam o Sermão da Montanha as Bem-aventuranças, em sentido alegórico espiritual (método alegórico) e não no sentido literal. Analisando de fato, o plano de fundo histórico da época na qual o texto está inserido, a proclamação de Jesus de Nazaré de um reino que viria libertar a sociedade judaica da sua época da opressão submetida pelo Império Romano (ASLAN, 2013, p. 98). Esse reino utópico, porém, aqui e agora, obteve grande relevância para a sociedade mediterrânea da época, em especial, a Galileia do século I.

Através do ministério público de Jesus, seus discípulos e seguidores foram motivados de tal maneira, que começaram a propagar as suas "boas novas" por todo aquele território e posteriormente ao mundo (HURLBUT, 2007, p. 20-21). Fazendo com que ainda em meados do primeiro século d.C., toda a oralidade em relação ao anuncio de Jesus sobre o Reino de Deus, se transformassem em material textual.

4.1. A expansão dos ideais de Jesus de Nazaré e a formação do Novo Testamento

Segundo Brown (2004, p. 181-186) os discípulos de Jesus ao longo do seu ministério público anunciando um reino de igualdade e justiça, o Reino de Deus, assimilaram a sua mensagem e as memorizaram em suas mentes.

A mensagem emblemática do Reino de Deus anunciada por Jesus, faz com que os seus adeptos após a sua morte e ressurreição as disseminem por toda a região da Galileia do século I e fora dela. Fazendo novos convertidos e em meados da metade do primeiro século, os discípulos começam o processo de compilação do que viria a ser tornar mais tarde, os Evangelhos.

Brown (2004, p. 184) afirma:

Em vez de depender da lembrança pessoal dos acontecimentos, cada evangelista organizou o material que recebeu a fim de retratar Jesus de forma tal que pudesse ir ao encontro das necessidades espirituais da comunidade para a qual estava endereçando o evangelho. Dessa forma, os evangelhos foram organizados numa ordem lógica, não necessariamente numa ordem cronológica.

O anuncio das boas novas de Jesus de Nazaré, sai das fronteiras judaicas cujo o predomínio é a fala Aramaica, para as fronteiras gentílicas, dominadas pela fala Grega. A necessidade da elaboração textual da oralidade a respeito do ministério de Jesus é inevitável. A formação das primeiras comunidades cristãs trouxera a necessidade da elaboração do material que ficaria conhecido por: Evangelho.

Possuímos razões para cogitar, que os primeiros cristãos eram aptos e estavam ansiosos para difundirem com precisão os resultados, as palavras e a missão de Jesus. Somente alguns protagonistas consagrados exerceram sobre a história da humanidade uma influência equivalente à de Jesus de Nazaré.

Como afirmou C. S. Lewis:

Ou esse homem era, e é, o Filho de Deus, ou não passa de um louco ou coisa pior. Você pode querer calá-lo por ser louco, pode cuspir nele e matá-lo como a um demônio; ou prostra-se a seus pés e chamá-lo de Senhor e Deus. Mas que ninguém venha, com paternal condescendência, dizer que ele não passava de um grande mestre humano. Ele não nos deixou essa opção, e não quis deixá-la (LIWES, 2005, p.23).

Para o autor, qualquer que seja a óptica religiosa, filosófica ou política que estabeleça sua representação a de Filho de Deus, missionário, idealizador, moralista, utopista ou até mesmo de extremista, o fato é que Jesus de Nazaré produziu uma das maiores transformações já realizadas na sociedade. E a conduziu, a um ponto de vista drasticamente novo do mundo e da raça humana.

Agora através de um material sólido, as comunidades podem ter maior conhecimento a respeito do Reino de Deus anunciado por Jesus de Nazaré, O Cristo. Material textual pelo qual viria auxiliar as comunidades cristãs gentílicas na compreensão a respeito do Reino de Deus anunciado por Jesus nos séculos seguintes e até hoje.

A mensagem do Reino de Deus, caracterizadora do ministério público de Jesus é algo emblemático e evidenciado nos Evangelhos Sinóticos.

Segundo Selvatici (2006, p. 39) a teologia afirma que os Evangelhos canônicos foram escritos nos anos 70 seguintes a morte de Jesus, início da época subapostólica.

De acordo com Chevitarese; Funari (2012, p. 11-12) são autores de diferentes níveis de instrução e procedências. Mateus foi um cobrador de impostos, possivelmente primo de Jesus. Acredita-se que pela ausência de descrições e costumes judaicos, se tratava de um judeu escrevendo para judeus. Seu Evangelho se baseia em uma série de sermões de Jesus, acrescentados de biografias escritas à época.

Segundo Theissen; Merz (2002, p. 51) a composição do Evangelho de Mateus, ocorreu entre os anos 80 ou 90 d.C. Entretanto, para Tenney (1972, p. 153) foi escrito entre os anos 50 e 70 d.C., conforme a Parábola das Bodas, registrada no Evangelho:

Jesus continuou contando histórias. O Reino de Deus, disse, é como um rei que promoveu um banquete de casamento para seu filho. Ele enviou os mensageiros para chamar os convidados, porem eles não vieram! "Mandou outro grupo, com a seguinte mensagem: lá está tudo na mesa; a carne está pronta para assar. Venham para a festa!". Entretanto, eles deram de ombros. Um foi cultivar seu jardim, outro foi trabalhar em seu comércio. O restante, sem nada melhor para fazer, espancou e matou os mensageiros. O rei ficou furioso e enviou seus soldados para eliminar aquela corja e destruir a cidade deles (MATEUS 22,1-7, BÍBLIA A MENSAGEM).                 

De acordo com Jeremias (1986, p. 71), o versículo 7 da parábola: "O rei ficou furioso e enviou seus soldados para eliminar aquela corja e destruir a cidade deles", é uma alusão à destruição de Jerusalém, no ano 70 d.C., pelo exército romano sob o comando do general Tito. Sendo assim, possivelmente quando o evangelista escreveu a parábola das bodas, estava fazendo menção da invasão das tropas de Tito à Jerusalém.

Tenney (1972, p. 166) acredita que o Evangelho de Marcos venha ser o mais antigo. Possivelmente foi escrito entre os anos 65 e 70 d.C., o evangelista se baseia nos relatos de Pedro, o apóstolo mais próximo de Jesus. Pela riqueza de detalhes ao descrever a cidade de Jerusalém, acredita-se que Marcos tenha sido um habitante da cidade. Lucas foi um médico grego. Discípulo de Paulo, O Apóstolo, que muitos historiadores consideram ser o fundador das bases do cristianismo.

Conforme Brown (2004, p. 244):

Marcos, tornando-se o intérprete/tradutor de Pedro, escreveu acuradamente, mas não em ordem, tudo o que recordava daquilo que foi dito ou feito pelo Senhor. É que ele nem ouvira nem seguira o Senhor; mais tarde, porém, (como já disse), ele seguiu Pedro, que costumava adaptar suas instruções às necessidades [do momento da audiência], mas não com a intenção de elaborar um relato metódico dos ditos [logia] do Senhor. Consequentemente, Marcos não cometeu erro nenhum ao escrever assim algumas coisas tais como delas se lembrava, pois o fizera com o propósito de não omitir nada do que ouvira, nem afirmar nada que aí fosse falso.

A partir da referência de Brown, podemos afirmar que desde o século II d.C., a autoria do evangelho de Marcos pode ser atribuída a ele. Um latino, certamente companheiro do apóstolo Pedro, mencionado por ele no texto canônico de 1 Pedro 5,13.

Lucas foi o mais culto dos escritores dos Evangelhos. Seu relato reflete cristãos sírios, gregos e a visão dos gentios. Segundo Richard (1995, p. 8) seu Evangelho foi escrito provavelmente entre os anos 80 e 90 da Era Cristã. Os Evangelhos como conhecemos hoje, foram rescritos séculos depois das suas versões originais com maiores ou menores alterações. Porém, não podemos afirmar categoricamente que os evangelhos são só uma mera religião sem nada real neles. Pois eles têm sinais claros de coisas que de fato aconteceram (CARSON, 2007, p. 23).

De acordo com Casalegno (1988) na concepção de Lucas, o ministério público de Jesus foi caracterizado pelo cuidado para com os pobres, a parcela da sociedade judaica menos favorável. Entretanto, integrantes do Reino de Deus[9].

Para isso, a metodologia missional de Jesus de Nazaré, se concentra em três esferas: no âmbito social, econômico e político (KIVITZ, 2012, p. 44).

Esfera social

As multidões perguntam o que devem fazer em decorrência da pregação ouvida. João, O Batista, responde: "Quem tiver duas túnicas reparta com quem não tem; e quem tiver o que comer, faça o mesmo" (Lc 3,11). João não direciona a mudança para a lei judaica, para o templo, para o rito ou para o culto. Todavia, João Batista conforme a ordem de Jesus em Mt 14,15-16 e 25,35 direciona a mudança para a pessoa necessitada.

Esfera econômica

Alguns publicanos querem saber o que devem fazer em consequência do seu batismo. A resposta de João vem curta e certa: "Não cobreis mais do que o estipulado" (Lc 3,13). João os adverte a deixarem a exploração e a ganância. Assim como Jesus enfatizará a Zaqueu o aconselhando a dividir suas riquezas com os pobres (Lc 19,1-10).

Esfera política

Soldados se aproximam de João e querem saber o que devem fazer. Eles constituem o braço visível da força imperialista no país. Além de garantir o trabalho dos publicanos, são os responsáveis pela estabilidade e pela ordem. Cabe a eles reprimirem qualquer levante popular contra a ordem estabelecida. São conhecidos e temidos pelo uso da força, por roubos à mão armada e por extorsão com base em falsas acusações. Em resumo, a presença dos militares mostra que a potência estrangeira e seus aliados nacionais não conseguem subjugar o povo com a força das ideias. Por isso precisam assessorar-se com a força das armas. A eles João diz: “A ninguém maltrateis, não deis denúncia falsa e contentai-vos com o vosso soldo" (Lc 3,14). Assim como Jesus se negou a receber o poder político, a força das armas e não permitiu que seus seguidores as usassem em sua tarefa missionária. Ele reivindica um poder total sobre as pessoas, mas não segundo o modelo do poder político vigente Lc 22,25 (KIVITZ, 2012).

O evangelista Lucas destaca:

Aproximando-se o tempo em que seria elevado ao céu, Jesus partiu resolutamente em direção a Jerusalém. E enviou mensageiros à sua frente. Indo estes, entraram num povoado samaritano para lhe fazer os preparativos; mas o povo dali não o recebeu porque se notava em seu semblante que ele ia para Jerusalém. Ao verem isso, os discípulos Tiago e João perguntaram: "Senhor, queres que façamos cair fogo do céu para destruí-los? " Mas Jesus, voltando-se, os repreendeu, dizendo: "Vocês não sabem de que espécie de espírito são, pois o Filho do homem não veio para destruir a vida dos homens, mas para salvá-los", (LUCAS 9,51-55, NVI).

Conforme o relato, Jesus está na Galiléia, perto da sua ascensão aos céus, ele deseja ir para Jerusalém. No entanto, para chegar à cidade, Jesus e seus discípulos precisam passar por Samaria, cidade que anteriormente pertencia ao Reino Norte de Israel. Os samaritanos eram mal vistos pelos judeus de Jerusalém, eram considerados impuros e traidores de Israel. Lucas conta que Jesus ao passar por Samaria, os moradores daquela cidade se recusaram a recebê-lo. Ao verem isso, seus dois discípulos, João e Tiago, pedem autorização a Jesus para que eles orem e Deus mande fogo do céu e consuma toda a província de Samaria. Todavia, Jesus os repreende e diz que ele não veio para destruir as vidas dos homens, mas sim para salvá-las[10]. Logo, podemos afirmar que a atitude de Jesus se concentra em apaziguar a sociedade civil da sua época.

Jesus sabia que apenas o seu ministério terreno, não seria suficiente. Pois mesmo tendo encorajado seus seguidores a lutarem contra toda a opressão disseminada pelo Império Romano, após a sua morte por sua ausência, as formas de injustiça continuariam. Sendo assim, surge uma outra forma de utopia, o Reino de Deus celestial (Jo 14,2-3). No entanto, esse Reino na dimensão do Novo Testamento, pode ser no “aqui e agora”, parafraseando Santo Agostinho, a nova Jerusalém habita em mim[11].

5. INTERPRETAÇÃO DAS BEM-AVENTURANÇAS PARA OS DIAS DE HOJE

De acordo com Ivoni Richter Reimer, doutora em Teologia e Filosofia pela Universidade de Kassel na Alemanha, o Sermão das Bem-aventuranças é uma analogia do ministério e mensagem do profeta Isaías, do Antigo Testamento.[12]

Segundo Hayford (2002) na época do profeta Isaías, a classe rica e poderosa da nação de Israel, principalmente a religiosa, oprimiam e exploravam os pobres. Que por sua vez, viviam na linha da miséria: “Ai de vocês que compram todas as casas e se apossam das terras, expulsando os antigos moradores, fixando placas de “não entre”, tomando conta do país e deixando a população sem abrigo e sem terra” (ISAÍAS 5,8, BÍBLIA A MENSAGEM).

O ministério de Isaías se concentrou em denunciar a injustiça social da sua época. Nesse aspecto, Reimer (2018) argumenta que assim como nos tempos de Isaías, foi o ministério de Jesus de Nazaré. Caracterizado pelo combate da injustiça decorrente de sua época. Para a autora, as Bem-aventuranças ditas por Jesus, são palavras que expressam a realidade da Palestina do século I.

Quem almeja e precisa da ‘fartura da justiça’ são aquelas pessoas que sofrem injustiça e também aquelas que sofrem por causa da injustiça sofrida por aquelas pessoas. Trata-se de vítimas de práticas e sistemas que desestabilizam a vida... e também de pessoas sensibilizadas    e solidárias com as vítimas: os dois grupos querem e precisam fartar-se com experiências e realidades da justiça que corra como um rio! A justiça é antídoto poderoso contra realidades e práticas que geram e alimentam a falta de comida, de água, portanto, geradoras de injustiça (REIMER, 2018, p. 147).

Conforme a autora, Jesus a proferir “Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça” (Mt 5,6), ele está denunciando a injustiça atual da Palestina contra aquelas pessoas, assim como foi nos tempos antigos do profeta Isaías. Nessa perspectiva, em conformidade com a autora, propomos a releitura das Bem-aventuranças na forma de encorajamento. Uma leitura que incentive ao leitor/intérprete a lutar contra todas e quaisquer tipos de crueldades presentes em nossa sociedade nos dias atuais. “A cruz nos consola, mas também nos liberta e nos convida a protestar contra toda a injustiça”.[13] Entre elas, a ganância, a corrupção de sistemas políticos e religiosos que deterioram a vida e a dignidade humana.[14]

Para Reimer (2018) tanto as vítimas que sofrem a injustiça, quanto aqueles que são conclamados a exercerem a justiça a favor dos injustiçados, são “bem-aventurados”. Os injustiçados porque receberão a justiça, e aqueles que exercerão a justiça, porque compreenderam o verdadeiro sentido do Reino de Deus.

6. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Com base no que foi exposto, podemos concluir que os evangelistas não mediram esforços para evidenciarem os atos de Jesus de Nazaré, em favor de uma comunidade totalmente desfavorável e empobrecida na Região do Mediterrâneo do primeiro século, em que ficaria no ano 135 d.C conhecida por Palestina.

O Sermão das Bem-aventuranças, contido tanto no livro de Mateus 5,1-12 como em Lucas 6,20-49, retrata a abordagem central do ministério e vida do personagem histórico Jesus de Nazaré. O anúncio de um reino de justiça e igualdade para todos, pautado no aspecto social, econômico e político.

No decorrer deste artigo, compreendemos que o cerne do ministério de Jesus se concentrou na utopia de sua mensagem do Reino de Deus. Na possibilidade de seus seguidores desfrutarem de um lugar, aqui e agora, que não haveria injustiça, sofrimento ou qualquer forma de opressão ao contrário da visão do Império Romano da época. Vimos a importância da hermenêutica para a correta interpretação de um texto bíblico observando sempre o seu contexto histórico, seus elementos linguísticos e literários. Após a morte de Jesus de Nazaré, os seus discípulos disseminaram seus ensinamentos por toda Galileia e demais regiões do Império Romano. A partir do ano 50 d.C., começou a compilação de sua mensagem em forma de material textual, os Evangelhos.

Durante a pesquisa, pudemos compreender corretamente o significado do Sermão das Bem-aventuranças. Utilizando para isso, os métodos de interpretação histórico-crítico/histórico gramatical. Os quais, leva ao leitor/intérprete a entender que o discurso das Bem-aventuranças proferido por Jesus de Nazaré, destinou-se para aquele público originário, não na forma de virtudes, mas como alento para esses que estavam sendo massacrados e oprimidos pelo Império Romano da época. E que hoje a Igreja e as tradições religiosas, não podem interpretar as Bem-aventuranças de forma alegórica, atribuindo significados as palavras ditas por Jesus negligenciando o contexto histórico do texto.

A interpretação das Bem-aventuranças nos dias de hoje, deve-se configurar no encorajamento ao leitor/intérprete a lutar contra todas e quaisquer tipos de crueldades presentes em nossa sociedade, como foi nos dias de Jesus de Nazaré. Em conformidade com Reimer (2018), os ditos “bem-aventurados”, são todos aqueles que se comprometem com o Reino de Deus e sua justiça. A resposta coerente de Mt 5,4: “Bem-aventurados os que choram, pois serão consolados”, deve ser o que está registrado em Rm 12,15: Alegrem-se com os que se alegram; chorem com os que choram”. Na perspectiva do Reino de Deus, “chorem com os que choram”, é exatamente exercer a justiça a favor do injustiçado. É por isso que os que choram são “bem-aventurados”.

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[1] SANCHEZ, André. Bem-aventurados os pobres de espírito: O que Jesus quis dizer com isso? Esboçando Ideias Cristianismo Simples, 2017. Disponível em: https://www.esbocandoideias.com/2017/08/pobres-de-espirito.html. Acesso em: 03 abr. 2021.

[2] CROSSAN, John Dominic. O Jesus histórico: a vida de um camponês judeu do Mediterrâneo, p. 306-307.

[3] PONTIFÍCIA COMISSÃO BÍBLICA. A Interpretação Da Bíblia Na Igreja, Roma, 15 abr. 1993. Disponível em:http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/pcb_documents/rc_con_cfaith_doc_19930415_interpretazione_po.html. Acesso em: 08 abr. 2021.

[4] TENNEY, Merrill C. O Novo Testamento – sua origem e análise, p. 221.

[5] ASLAN, Reza. Zelota: a vida e a época de Jesus de Nazaré, p. 14.

[6] AGUIAR, Hugo Hortêncio de. Estado Palestino Perspectivas, v. 43, n. 172, out./dez. Brasília: Senado Federal, 2006.

[7] Conheça o lugar onde Jesus proferiu um de seus ensinamentos mais importantes: o sermão da montanha, Globo Repórter, 21 dez. 2012. Disponível em: http://g1.globo.com/globo-reporter/noticia/2012/12/conheca-o-lugar-onde-jesus-proferiu-um-de-seus-ensinamentos-mais-importantes-o-sermao-da-montanha.html. Acesso em: 20 abr. 2021.

[8] PEREIRA, Sandro. Literatura e Hermenêutica do Novo Testamento, p. 100.

[9] LIMA, Anderson de Oliveira. Os justos e os profetas: designações para os judeu-cristãos no evangelho de Mateus, p. 68.

[10] BÍBLIA. Português. Nova Tradução Internacional, p. 669.

[11] SOUZA, Josemar Jeremias Bandeira de. Angústia e felicidade na filosofia de Santo Agostinho, p. 66

[12] REIMER, Ivoni Richter. As bem-aventuranças como antídoto à corrupção e à dominação, p. 146.

[13] KUZMA, César. Entre cruzes e esperanças: olhando a pandemia a partir da teologia de Jürgen Moltmann. Instituto Humanitas Unisinos – IHU, São Leopoldo – RS.  02 abr. 2021. Disponível em: http://www.ihu.unisinos.br/608050-entre-cruzes-e-esperancas-olhando-a-pandemia-partir-da-teologia-de-juergen-moltmann. Acesso em: 21 mai. 2021.

[14] REIMER, Ivoni Richter. As bem-aventuranças como antídoto à corrupção e à dominação, p. 148.

 

SOBRE O AUTOR

RENATO SILVA DE ARAÚJO

Lattes:

http://lattes.cnpq.br/3712568678177497

Possui graduação em Licenciatura Plena em Ciências da Religião pelo Centro Universitário Internacional e Curso livre de Teologia pelo CEFORTE. Linha de pesquisa tríplice: Religião, alienação e hermenêutica.

(Artigo apresentado como Trabalho de Conclusão de Curso em Licenciatura em Ciências da Religião)

É PROIBIDA A reprodução total ou parcial por qualquer meio, assim como a tradução ou difusão dos conteúdos deste Artigo fica proibida em conformidade com a Lei Federal 9610/98, salvo que se realize expressa menção com o nome do autor.


Publicado por: Renato Silva de Araújo

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