A sexualidade humana sempre foi objeto de estudo, tanto biológico quanto psicológico, visto que ao compreender os elementos dessa interação, podemos entender as predileções e possíveis desordens que podem interferir direta ou indiretamente nas relações. Uma vez que o comportamento sexual é influenciado por regras morais, culturais e religiosas, algumas variações sexuais acabam sendo consideradas atípicas devido a sociedade ou a época em que está inserida. Se faz necessário elucidar a distinção entre o que é parafilia e o que é transtorno parafílico, uma vez que todo transtorno parafílico é uma parafilia, mas nem toda parafilia é um transtorno parafílico. Para isso, será explicado o que é cada um, suas características, nomenclaturas e subdivisões, para melhor classificar entre o que é uma variação sexual normal e uma patológica, com fundamentação no DSM-5.
PALAVRAS-CHAVE: Parafilia. Transtornos Parafílicos. Sexualidade.
A questão central deste trabalho é entender o que é parafilia e transtorno parafílico, como se caracteriza e suas classes, entendendo o que é considerado normal e o que podemos tratar como patológico, com base no DSM-5.
O ser humano sempre esteve em busca de realizações pessoais, e a satisfação do desejo sexual é uma delas, onde muitas vezes ela é expressada na sua forma mais primitiva. Por ser inserido em uma sociedade com regras de condutas preestabelecidas, muitos preconceitos são situados perante a manifestação dessas pulsões, considerando-as como anormais, imorais e pervertidas. Devido a essa situação, muitas pessoas sentem-se constrangidas em expor seus desejos, podendo apresentar, posteriormente, frustrações e sofrimentos.
As parafilias são transtornos do comportamento sexual caracterizado por padrões de fantasias e práticas sexuais particulares, em certas condições muito lesivas ao próprio indivíduo e a terceiros, podendo envolver apenas a fantasia, a masturbação e ou atividade sexual com um parceiro (DALGARRONDO, 2008).
A partir do momento em que a parafilia causa sofrimento ou prejuízo psíquico ao parafílico ou danos e riscos a outra pessoa, passa a ser caracterizado como transtorno parafílico.
Com isso é necessário analisar e discutir as parafilias e os transtornos parafílicos, para saber como diferenciá-los e tratar o que se fizer necessário.
Pela falta de entendimento sobre o assunto, a sociedade acaba tratando o parafílico de forma preconceituosa, acreditando que tenham transtornos mentais que gerem riscos a sociedade.
Para elucidar um pouco sobre o assunto, o estudo foi desenvolvido com base no livro O Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5), da Associação Americana de Psiquiatria (APA) e a pesquisa em livros, artigos e sites publicados sobre parafilias e transtornos parafílicos, desenvolvendo uma pesquisa bibliográfica.
O homem, como ser sexuado, busca sua satisfação de jeitos variados, com predileções e fetiches diferentes para cada indivíduo. Apesar disso, cada sociedade entende a sexualidade de uma forma, delimitando o que é ou não permitido, e o individuo precisa se adequar a essas regras, apesar de, algumas vezes, sentir o que é certo ou errado de forma contraria ao social. Muitos conceitos já foram se alterando no decorrer dos tempos, mas essas imposições sociais ainda geram muito tabu sobre a sexualidade.
“Pois suas preferências, predisposições ou experiências sexuais, na experimentação e descoberta da sua identidade e atividade sexual, ao longo da sua existência. Afasta-se da noção simplista de mera reprodução animal associada ao coito, se prendendo apenas ao nível físico do homem, para se apresentar no plano psicológico do indivíduo. Por isso, além dos fatores biológicos, a sexualidade é fortemente construída pelo ambiente sociocultural e religioso em que este se insere. A energia sexual é a grande força motriz da vida humana e das incontáveis formas de sua manifestação” (Carvalho Neto, 2010, p.8).
Desde a escritura da primeira Bíblia percebe-se manifestações parafílicas como travestismo, voyerismo, zoofilia, exibicionismo e necrofilia. Muito tem-se estudado desde então a respeito do assunto. Em 1952 a APA lançou a primeira publicação do DSM (Manual diagnostico e estatístico de transtornos mentais) onde incluía as condutas sexuais desviantes nos distúrbios de personalidade psicopática. Depois de algumas edições, temos um amplo estudo sobre parafilias no DSM-V, mas devido a particularidade dos indivíduos, novas parafilias surgem constantemente.
O Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, DSM-5, define “O termo parafilia representa qualquer interesse sexual intenso persistente que não aquele voltado para estimulação genital ou para carícias preliminares com parceiros humanos que consentem e apresentam fenótipo normal e maturidade física. Em certas circunstâncias, o critério “intenso e persistente” pode ser de difícil aplicação, como na avaliação de pessoas muito idosas ou clinicamente doentes e que podem não ter interesses sexuais “intensos” de qualquer espécie. Nesses casos, o termo parafilia pode ser definido como qualquer interesse sexual maior ou igual a interesses sexuais normofílicos. Existem, ainda, parafilias específicas que são geralmente mais bem descritas como interesses sexuais preferenciais do que como interesses sexuais intensos”. (APA, 2014, p. 685)
Parafilias são variações do comportamento sexual que fogem ao padrão estabelecido pela sociedade onde o indivíduo está inserido. A palavra parafilia vem do grego onde “para” significa paralelo ou fora de e “filia” significa de amor à ou de apego à, simbolizando uma forma de amor paralelo as consideradas comuns.
Segundo Ballone(2005, p. 01), na sociedade atual, a aspiração sexual normal deve envolver indivíduos humanos, vivos, do sexo oposto, concordantes, receptivos, com faixa etária compatível, que seja parente de grau próximo e de primeiro grau, disponível civilmente, em locais adequados e circunstancias propicias. Desta forma eliminaria o bestialismo, a necrofilia, o assédio, a violentação, a pedofilia, o incesto, o exibicionismo, o adultério, a auto-satisfação e a homossexualidade. Com isso, sexo convencional é definido como sendo heterossexual, coital, com finalidade prazerosa e/ou procriativa, momentaneamente monogâmico.
Mas na realidade, a sexualidade, em sua individualidade, se demostra bem mais complexa, variável e nada convencional. Nem por isso ela poderá ser taxada de anormal ou pervertida, e sim como características sexuais individuais. Por isso, a parafilia é configurada como expressão sexual que foge ao convencional.
A parafilia costuma ser apresentada de acordo com alguns agrupamentos classificatórios:
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Grupo das Parafilias |
Definição |
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Grupo de Personificação do Outro |
Neste grupo os parafilicos extraem seu prazer, sua satisfação sexual em ser ou se fazer o papel do outro, algumas das parafilias desse grupo são: A Andromimetofilia, o Travestismo, a Autonepiofilia, e a Ginemimetofilia. |
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Grupo Visual ou Imagético |
Neste grupo, os parafílicos obtem seu prazer, e extração de satisfação sexual a partir do “ver”, excitação a partir de visualizar imagens, ou situações, algumas parafilias desse grupo são: O Voyeurismo, a Agalmatofilia, e a Pictofilia |
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Grupo de Relação com Objeto |
Neste grupo, os parafilicos obterão prazer e satisfação sexual em relação a um objeto, podendo ser um objeto específico ou não, algumas parafilias pertencentes a esse grupo são: O Fetichismo, o Dolismo, e a Misofilia |
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Grupo Morte |
Neste grupo de parafilicos, os mesmos obterão prazer e satisfação sexual por cadáveres, cenas fúnebres, ou situações que podem levar a morte, algumas parafilias pertencentes a esse grupo são: A Necrofilia, a Asfixiofilia ou Hipoxifilia, a Autassassinofilia, e a Erotofonofilia. |
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Grupo Dor |
Neste grupo, os parafilicos obterão prazer e satisfação sexual, em sentir ou provocar diversos tipos de dores no parceiro, algumas parafilias pertencentes a esse grupo são: O Masoquismo, o Sadismo, e o Sadomasoquismo. |
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Grupo Anatômico |
Neste grupo os parafilicos obterão prazer e satisfação sexual por partes do corpo, ações do corpo, deformações anatômicas, e peculiaridades da anatomia humana, das parafilias que pertencem a esse grupo são: A Acrotomofilia ou Apotenofilia, a Estigmatofilia, a Podofilia, a Morfofilia, a Clismafilia, a Odaxelagnia e o Fisting. |
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Grupo Olfativo |
Neste grupo os parafilicos obterão prazer e satisfação sexual pelo cheiro em suas diversas formas, algumas das parafilias pertencentes a esse grupo são: A Misofilia, e a Ofaltofilia. |
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Grupo de Fluidos e Excrementos |
Neste grupo, os parafilicos obterão prazer e satisfação sexual por fluidos, e excrementos humanos ou de animais, algumas parafilias pertencentes a esse grupo são: A Urofilia, a Coprofilia e Coprofagia. |
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Grupo Animais |
Neste grupo os parafilicos obterão prazer e satisfação sexual por e com animais, algumas das parafilias pertencentes a esse grupo são: A Zoofilia, e a Formicofilia. |
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Grupo Cronológico |
Neste grupo os parafilicos obterão prazer e satisfação por pessoas de idades distintas, algumas parafilias que pertencem a este grupo são: A Pedofilia, a Efebofilia, e a Gerontofilia. |
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Grupo Interpessoal |
Neste grupo os parafilicos obterão prazer e satisfação pelo “outro”, em uma relação não convencional, algumas parafilias que pertencem a esse grupo são: O Exibicionismo, o Frotteurismo, a Biastofilia, a Narratofilia e a Somnofilia |
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Grupo de Roubo |
Neste grupo os parafilicos obterão prazer e satisfação sexual pela vitimização, impotência perante o outro, ou idealização de pessoa, algumas parafilias que pertencem a esse grupo são: A Hibristofilia, a Crematistofilia, e a Kleptofilia. |
Fonte: Yan De Jesus Lopes, As Parafilias E Os Transtornos Parafilicos, Uma Perspectiva Das Variações Sexuais Normais E Patológicas, 2017
Dentro desses agrupamentos existem termos pouco comuns, onde podem ser definidos como:
Segundo o DSM-5, as parafilias passam a ser consideradas práticas sexuais atípicas, de grau não patológico, a menos que os sintomas se traduzam em mal-estar no ramo pessoal, interpessoal ou socioprofissional para o indivíduo ou outrem, passando a ser denominadas Perturbações Parafílicas e detendo um grau patológico. (APA, 2014, p. 685)
“Um transtorno parafílico é uma parafilia que está causando sofrimento ou prejuízo ao indivíduo ou uma parafilia cuja satisfação implica dano ou risco de dano pessoal a outros. Uma parafilia é condição necessária, mas não suficiente, para que se tenha um transtorno parafílico, e uma parafilia por si só não necessariamente justifica ou requer intervenção clínica.” (APA, 2014, p. 685)
No conjunto de critérios diagnósticos para cada transtorno parafílico listado, o Critério A especifica a natureza qualitativa da parafilia e o Critério B especifica suas consequências negativas. Para manter a distinção entre parafilias e transtornos parafílicos, o termo diagnóstico deve ser reservado a indivíduos que atendam aos Critérios A e B.
No período da adolescência e da puberdade é comum a curiosidade nas atividades sexuais, por isso, o DSM-5 propõe uma idade mínima de 18 anos para diagnosticar alguns transtornos parafílicos.
Segundo a APA (2014) os mais comuns transtornos mentais relacionados com os transtornos parafílicos são: transtorno da conduta, transtorno da personalidade antissocial, transtornos por uso de substância, transtorno obsessivo-compulsivo e disforia de gênero.
De acordo como o DSM-5, existem oito perturbações com maior prevalência: Fetichismo, Travestismo, Exibicionismo, Voyeurismo, Masoquismo Sexual, Sadismo Sexual, Frotteurismo e Pedofilia, mas têm sido identificados muitos tipos de parafilias, sendo essencial um diagnóstico de perturbações parafílicas com outra especificação ou não especificadas.
As perturbações parafílicas são classificadas seguindo o esquema abaixo:

Fonte: Caldeano, Ana Rita Ribeiro - Perturbações parafílicas no séc. XXI
A. Transtorno Voyeurista
O transtorno voyeurista tem o código 302.82 no DSM-5 e CID F65.3 e caracteriza-se por excitação recorrente e intensa ao observar uma pessoa que ignora estar sendo observada e que está nua, despindo-se ou em meio a atividade sexual, por um período de pelo menos seis meses, onde os impulsos ou as fantasias sexuais causam sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no funcionamento social, profissional ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo e que tenha, no mínimo, 18 anos de idade.
B. Transtorno Exibicionista
O transtorno exibicionista tem o código 302.4 no DSM-5 e CID F65.2 e caracteriza-se por um período de pelo menos seis meses com excitação sexual recorrente e intensa decorrente da exposição dos próprios genitais a uma pessoa que não espera o fato, conforme manifestado por fantasias, impulsos ou comportamentos, causando sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no funcionamento social, profissional ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo.
C. Transtorno Frotteurista
O transtorno frotteurista tem o código 302.89 no DSM-5 e CID F65.81 e caracteriza-se por um período de pelo menos seis meses com excitação sexual recorrente e intensa resultante de tocar ou esfregar-se em pessoa que não consentiu, conforme manifestado por fantasias, impulsos ou comportamentos, causando sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no funcionamento social, profissional ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo.
D. Transtorno do Masoquismo Sexual
O transtorno do masoquismo sexual tem o código 302.83 no DSM-5 e CID F65.51 e caracteriza-se por um período de pelo menos seis meses com excitação sexual recorrente e intensa resultante do ato de ser humilhado, espancado, amarrado ou vítima de qualquer outro tipo de sofrimento, com asfixiofilia ou não, conforme manifestado por fantasias, impulsos ou comportamentos, causando sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no funcionamento social, profissional ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo.
E. Transtorno do Sadismo Sexual
O transtorno do sadismo sexual tem o código 302.84 no DSM-5 e CID F65.52 e caracteriza-se por um período de pelo menos seis meses com excitação sexual recorrente e intensa resultante de sofrimento físico ou psicológico de outra pessoa, conforme manifestado por fantasias, impulsos ou comportamentos, causando sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no funcionamento social, profissional ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo.
F. Transtorno Pedofílico
O transtorno pedofílico tem o código 302.2 no DSM-5 e CID F65.5 e caracteriza-se por um período de pelo menos seis meses com fantasias sexualmente excitantes, impulsos sexuais ou comportamentos intensos e recorrentes envolvendo atividade sexual com criança ou crianças pré-púberes (em geral, 13 anos ou menos), causando sofrimento intenso ou dificuldades interpessoais, ter, no mínimo, 16 anos de idade e é pelo menos cinco anos mais velho que a criança ou as crianças envolvidas.
G. Transtorno Fetichista
O transtorno fetichista tem o código 302.81 no DSM-5 e CID F65.0 e caracteriza-se por um período de pelo menos seis meses com excitação sexual recorrente e intensa resultante do uso de objetos inanimados ou de um foco altamente específico em uma ou mais de uma parte não genital do corpo, conforme manifestado por fantasias, impulsos ou comportamentos, causando sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no funcionamento social, profissional ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo, não limitando os objetos de fetiche a artigos do vestuário usados em travestismo/cross-dressing (como no transtorno transvéstico) ou a dispositivos especificamente criados para estimulação genital tátil (p. ex., vibrador).
H. Transtorno Transvéstico
O transtorno transvéstico tem o código 302.3 no DSM-5 e CID F65.1 e caracteriza-se por um período de pelo menos seis meses com excitação sexual recorrente e intensa resultante de vestir-se como o sexo oposto (cross-dressing), conforme manifestado por fantasias, impulsos ou comportamentos, causando sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no funcionamento social, profissional ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo.
I. Outro Transtorno Parafílico Especificado
Outro transtorno parafílico especificado tem o código 302.89 no DSM-5 e CID F65.89 e caracteriza-se por apresentações em que sintomas característicos de um transtorno parafílico que causam sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no funcionamento social, profissional ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo predominam, mas não satisfazem todos os critérios para qualquer transtorno na classe diagnóstica de transtornos parafílicos.
J. Transtorno Parafílico Não Especificado
Outro transtorno parafílico não especificado tem o código 302.9 no DSM-5 e CID F65.9 e caracteriza-se por apresentações em que sintomas característicos de um transtorno parafílico que causam sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no funcionamento social, profissional ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo predominam, mas não satisfazem todos os critérios para qualquer transtorno na classe diagnóstica dos transtornos parafílicos. A categoria transtorno parafílico não especificado é usada nas situações em que o clínico opta por não especificar a razão pela qual os critérios para um transtorno parafílico específico não são satisfeitos e inclui apresentações para as quais não há informações suficientes para que seja feito um diagnóstico mais específico.
Como a distinção entre parafilia e transtorno parafílico é muito individual, depende de cada pessoa, a necessidade de tratamento deve ser analisada caso a caso, levando em consideração o comportamento sexual individual, e se há prejuízo de alguma forma nessa particularidade.
Cada vez mais a psicoterapia tem sido um dos tratamentos mais indicados para os transtornos parafílicos, sendo possível, através das técnicas desenvolvidas, diminuir os impulsos sexuais que causam sofrimento ao indivíduo ou a outros. “Recondicionamento orgásmico e masturbatório, saciedade masturbatória, sensibilização dissimulada e incorporação como meta são algumas das técnicas que reduzem ou bloqueiam a excitação sexual desapropriada e, por sua vez, estimulam uma resposta excitatória a temas não desviantes. Técnicas cognitivo-comportamentais (pró-sociabilização e competências sociais, assertividade, relaxamento e gestão de raiva) são também usadas para auxiliar a reestruturação cognitiva e o estabelecimento de empatia pelas vítimas”. (Caldeano, Ana Rita Ribeiro, 2016)
A distinção entre parafilia e transtornos parafílicos é muito delicada, pois necessita um conhecimento maior do individuo que a manifesta, sua contextualização e suas implicações.
As regras morais, religiosas e os valores culturais influenciam no conceito popular do que é normal e anormal, do que é saudável e pervertido, e seus pré- conceitos influenciam psicologicamente no individuo de forma a gerar conflitos internos entre o que se sente e o que se espera sentir.
A cobrança de determinados comportamentos e sentimentos que são impostos pode ser a causadora de várias parafilias e até de transtornos, como a desaprovação de demonstração de sentimentos e afetos da parte dos homens, o afloramento sexual das mulheres, entre outros.
Uma vez que o transtorno parafílico seja diagnosticado, o tratamento deve levar em consideração vários fatores. Quando se identifica sofrimento devido a parafilia, esse sofrimento pode ter como fonte a própria não aceitação do desejo.
Os transtornos parafílicos, principalmente os que causam prejuízos a terceiros e são considerados crimes perante a sociedade, como a pedofilia, o exibicionismo e os estupradores, carecem de um tratamento mais especifico, muitas vezes, serem até retirados do convívio de outros devido a forma como será feito o tratamento por serem agressores sexuais de vítimas indefesas.
Aggrawal A. References to the paraphilias and sexual crimes in the Bible. J Forensic Leg Med. Elsevier Ltd and Faculty of Forensic and Legal Medicine. 2009; 16(3):109–14. DOI:10.1016/j.jflm.2008.07.006
Ballone GJ - Delitos Sexuais (Parafilias) - in. PsiqWeb, Internet, disponível em www.psiqweb.med.br, revisto em 2005.
Caldeano, Ana Rita Ribeiro - Perturbações parafílicas no séc. XXI – in. Ubibliorum, Internet, disponível em http://hdl.handle.net/10400.6/5286
Carvalho Neto, J.S. A Relação Edipiana na Contemporaneidade: Novos formatos para a constituição das neuroses. Saquarema. Setembro 2010.
Lopes, Yan de Jesus - As parafilias e os transtornos parafílicos, uma perspectiva das variações sexuais normais e patológicas – in Psicologia.PT - O Portal dos Psicólogos, 2018, disponível em https://www.psicologia.pt/artigos/textos/A1179.pdf
DIAS, A.L. (2016). Desmantelando o monstro: O necrófilo de Gabrielle Wittikop. Universidade Federal de Santa Catarina.
AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais: DSM-5. Porto Alegre: Artmed, 2014. 5. Edição. Pp. 683-706.
Fonte: Brasil Escola - https://monografias.brasilescola.uol.com.br/psicologia/distincao-entre-parafilia-e-transtornos-parafilicos.htm