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MECANISMOS E FERRAMENTAS USADOS PELO ATUAL GOVERNO COMO MEIO DE CONTROLE E MANIPULAÇÃO DA OPINIÃO PÚBLICA

Educação

Crise do estado, controle de massas através das mídias e manipulação social e opinião pública sempre foi uma engrenagem social a ser temida.

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1. Resumo

Este artigo pretende analisar e refletir a respeito da relação entre a crise do Estado atual e mecanismos adotados pelo vigente governo com o propósito de controlar e manipular a população brasileira, com ênfase em mecanismos de controle de massas. Será ressaltada a necessidade de regulamentação dos poderes midiáticos, e a importância de expor ao povo os mecanismos adotados pelo governo para manipular a opinião pública, assim, desviando o foco de questões realmente importantes. Concluindo-se que é a educação o mecanismo hábil para reconstruir uma opinião pública legitimamente formulada.

Palavras – chave: Manipulação, opinião, governo.

2. INTRODUÇÃO

A opinião pública sempre foi uma engrenagem social temida pelos governos desde os primórdios da humanidade, na Roma antiga, por exemplo, apenas homens ricos ou pertencentes a sociedade política tinham direito a se expressarem livremente, desse modo, percebe-se que a tentativa de minimização da opinião pública é algo historicamente comum entre governos. (KULIKOWSKI, 2008).

Sem opinião pública não há democracia, por isso é importante exercê-la plenamente, para o filósofo alemão Jürgen Habermas, a esfera pública representa uma dimensão do social que atua como mediadora entre o Estado e a sociedade, na qual o público se organiza como portador da opinião pública. Mas para que a opinião pública seja formada, tem de existir liberdade de expressão, de reunião e de associação. Por conseguinte, o acesso a tais direitos devem ser garantidos a todos os cidadãos.

Sendo opinião um dos temas centrais deste artigo, é importante se ter noção do significado desse vocábulo, consequentemente, opinião é aquilo que um determinado indivíduo acredita ser verdadeiro. As opiniões manifestam o caráter de uma pessoa, porque são moldadas pelo sistema de valores que regem as atitudes de um indivíduo. (SIGNIFICADOS, 2019). Portanto, opinião, além de ser um mecanismo formador de caráter, senso crítico e valores, é um substantivo de suma importância em uma sociedade democratizada. Na contemporaneidade, a maioria das sociedades são democratizadas, isto é, são protagonistas no ato da escolha de seus representantes por meio do voto, porém, a democracia da atualidade não se centra apenas nesse quesito, além de ter a possibilidade de escolher seus representantes, o indivíduo que faz parte de uma democracia pode se expressar livremente sobre qualquer coisa, principalmente no que envolve as políticas públicas que orientam a sua vida.

A opinião pode ser considerada uma característica do indivíduo pensante e crítico, pois tendo conhecimento de seus direitos, este ser opina e questiona com mais frequência aquilo que, segundo ele, deve ser contestado. Por isso, o ser questionador e contestador acaba se tornando uma problemática para alguns governos, sobretudo governos autoritários e conservadores. Dito isso, pode-se entender que, quem pensa opina; quem opina questiona; quem questiona quer ver mudança, e quem quer ver mudança pode se tornar um impasse em cenários autoritários.

O objetivo do presente estudo é mostrar como o atual governo – percebendo o grande envolvimento das massas no que diz respeito ao cenário político nos últimos anos, e preocupados com a constante intervenção da sociedade sobre as imposições dos governos anteriores, no que envolve as políticas públicas dos diversos âmbitos sociais do Brasil – adotou medidas para manipular a população do país, assim, visando diminuir, manejar e distrair a população sobre assuntos importantes referentes ao governo vigente, tudo em prol de interesses próprios. Ainda no que se refere ao estudo deste artigo, objetiva-se expor quais são os mecanismos adotados pelo atual governo e como eles estão sendo usados para manipular a opinião dos habitantes deste país. O estudo em questão também focou em refletir a respeito de um vazamento feito pelo site sueco WikiLeaks, que em abril de 2019 expôs para o mundo um documento intitulado Ferramenta de Engenharia de Controle de massas para Primeiros-Ministros, documento que fornece orientações de como políticos devem manipular a população de um determinado local usando métodos que causam conflitos sociais, desta forma, desviando a atenção da população sobre assuntos polêmicos que envolve governos. Curiosamente, os métodos fornecidos neste documento vazado pelo site WikiLeaks são um retrato claro dos métodos usados pelo atual governo brasileiro.

Assim sendo, propõe este estudo uma breve análise acerca dos meios de manipulação adotados pelo atual governo na ótica deste autor, partindo da reflexão envolvendo a opinião pública e como esta tem suma importância em uma sociedade democrática. Sabendo que sem a participação da sociedade, no que diz respeito as políticas públicas que envolvem a população, não é possível se falar em democracia plena, por isso, não apenas a opinião do povo deve prevalecer previamente antes de decisões governamentais, como também deve-se considerar a importância da não intervenção do governo no tocante à opinião pública, pois, quando governos tentam interferir e manipular a opinião de sua sociedade, esses poderes acabam colocando a democracia em perigo.

3. WIKILIAKS E O DOCUMENTO INTITULADO FERRAMENTA DE ENGENHARIA DE CONTROLE DE MASSAS PARA PRIMEIROS-MINISTROS

A WikiLeaks é uma organização sem fins lucrativos, fundada pelo australiano Julian Assange em 2006. A organização é responsável pela publicação em seu site de documentos, imagens e materiais confidenciais envolvendo governos e empresas, principalmente no que se refere as guerras, espionagem e corrupção. De acordo com a organização, o site WikiLeaks já publicou mais de 10 milhões de documentos e análises, permitindo que o público conheça fatos sigilosos sobre questões delicadas. Graças ao apoio de entidades, veículos de comunicação e do público, a organização se mantém resistente a todas as tentativas de censura. Desde o início, a WikiLeaks e seus membros vêm recebendo importantes prêmios em todo o mundo, como o The Economist New Media Award (2008), The Martha Gellhorn Prize for Journalism (2011), The Voltaire Award for Free Speech (2011) e o The Brazillian Press Association Human Rights Award (2013). Além disso, a organização já recebeu indicações para o Prêmio Mandela da ONU e para o Prêmio Nobel da Paz. (CANALTECH, 2019).

A WikiLeaks, apesar de ter sido fundada em 2006, começou a adquirir notoriedade pelo público mundial quando, no dia 5 de abril de 2010, a organização comandada por Assange, vazou um vídeo que mostra como um grupo de civis são atacados com potentes armas de fogo a partir de um helicóptero estadunidense AH-64 Apache, no dia 12 de julho de 2007. No vídeo, soldados americanos, que estavam em missão em Bagdá, capital do Iraque, atiram contra civis que aparentemente estavam desarmados e não tinham ligação com conflitos armamentistas no território iraquiano, causando um grande impacto em todas as mídias de notícia da época e uma grande indignação social ao redor do mundo. Após vazar o vídeo em seu site, expondo tal atrocidade cometida pelos soldados americanos, o WikiLeaks ganha notoriedade mundial, tornando-se um renomado e respeitado site, no que diz respeito a vazamentos de documentos secretos de governos de diferentes partes do mundo. Dentre os milhares documentos vazados pelo WikiLeaks, pode-se encontrar no site da organização, documentos envolvendo o nome de políticos brasileiros, como a ex senadora Roseana Sarney que – segundo documentos adquiridos pela organização e exposto em seu site – tem mais de 150 milhões de dólares em offshores (contas abertas em países com menor tributação) pelo mundo. São muitos os documentos vazados pelo WikiLeaks no que envolve governos e suas artimanhas secretas, desde documentos que mostram táticas de tortura do FBI, até documentos que mostram todos os locais nucleares existentes dentro dos Estados Unidos. Parece história de ficção científica, e não há dúvidas de que esses documentos teriam sua veracidade questionada se não fossem expostos pelo WikiLeaks, que após provar atos terroristas cometidos pelo exército americano se tornou referência no que envolve vazamentos e informações sigilosas de governos, podendo, por fim, entender que a grande maioria dos documentos vazados pela organização, desde a sua criação, são documentos verídicos.

Um documento vazado em abril de 2019 pelo WikiLeaks, datado do ano de 2006 e intitulado Ferramenta de Engenharia de Controle de massas para Primeiros-Ministros foi o responsável pela criação do estudo deste artigo, nesse documento é fornecido para primeiros-ministros americanos, técnicas e ferramentas de como manipular a população e sua opinião com o intuito de desviar a atenção das pessoas para assuntos insignificantes quando algo polêmico que envolve o governo está em pauta.

Através dessas ressalvas, esse trabalho foi desenvolvido numa perspectiva sóciocultural, englobando a opinião pública e a sua importância nos cenários democráticos, pois, sabendo que uma das funções da opinião pública é permitir a participação ativa dos cidadãos na esfera pública e, principalmente, na esfera política, se deu a necessidade de refletir a respeito de como o atual governo quer interferir na participação cidadã no âmbito político, assim, almejando o pleno exercício governamental sem a participação absoluta da população.

4. DISTRAINDO O PÚBLICO COM TEMAS INSIGNIFICANTES

Conforme afirma Noam Chomsky (1993, p. 63)

Quando você não pode controlar as pessoas pela força, você tem que controlar o que as pessoas pensam, e a maneira típica de fazer isso é através da propaganda (fabricação de consentimento, criação de ilusões necessárias), marginalizando o público em geral ou reduzindo-a a alguma forma de apatia.

Essa reflexão do linguísta Noam Chomsky é um exemplo claro do primeiro mecanismo de manipulação usado pelo atual governo. A estratégia de distração fundamenta-se em desviar a atenção do público de assuntos e problemáticas que envolvem o governo e das mudanças decididas por essa elite política em conjunto a classe econômica do país. Adotando a inundação de contínuas distrações e de informações insignificantes, o governo tem por objetivo desviar a atenção do público para impedir que a população se interesse por assuntos nas áreas da ciência, economia, psicologia, neurobiologia, políticas públicas e cibernética, áreas consideradas essenciais para o desenvolvimento de qualquer país. O foco da estratégia de distração é manter o público distraído, longe dos verdadeiros problemas sociais e governamentais, cativados por temas sem importância real.

Esse primeiro mecanismo é colocado em prática da seguinte forma; quando algo polêmico ou delicado que envolve o governo está em pauta, ou seja, está sendo exposto nos principais meios de comunicação do país, seja no rádio ou nos principais noticiários televisivos, tornando-se tema de debate nacional, o governo usa seus agentes para desviar o foco do que está sendo pautado. Esses agentes, na maioria das vezes, são os próprios ministros ligados aos diferentes poderes ministeriais do país, é só pegarmos uma fala da ministra Damares Alves – Damares é advogada e pastora evangélica brasileira, atual ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos do governo Jair Bolsonaro – a ministra se tornou centro das atenções  quando, em  maio de 2019, em um vídeo que viralizou na internet no que aparenta ser uma palestra, damares diz que a princesa Elsa, personagem principal do filme Frozen, da Disney, terminou a trama sozinha em um castelo de gelo porque é lésbica. No vídeo, Damares aparece cantando a música tema do filme (Livre Estou) e diz: "Sabe por que ela [Elsa] termina sozinha em um castelo de gelo? Porque é lésbica!”. No fim, ela afirma que Elsa "vai acordar a Bela Adormecida com um beijo gay.

Curiosamente, na mesma semana em que a ministra deu essas declarações, consideradas bizarras por muitos internautas brasileiros, se tornando centro das atenções na internet e nos noticiários jornalísticos, o governo estava debatendo dois assuntos de alto interesse público que era a reforma da presidência  e o decreto que flexibilizava o porte de armas no  país. Após suas declarações, a ministra Damares Alves acabou se tornando o foco central nos noticiários, assim, desviando a atenção do público das pautas realmente importantes que estavam em alta naquele momento envolvendo as decisões do governo, fazendo o público esquecer que naquela semana estava em pauta duas políticas públicas de suma importância na vida dos brasileiros. Não é comum ver ministros que ocupam altos cargos do governo soltarem declarações como essas, o foco da Ministra era justamente causar polêmica acusando determinados personagens infantis de serem homossexuais, dessa forma, chamando a atenção do público por uma declaração tão banal vindo de alguém que ocupa um cargo tão importante em uma casa ministerial, além disso, o que Damares almejava era, de fato, centrar a atenção do público para o seu discurso, fazendo a população esquecer os assuntos que a elite política estava tratando naquela semana, que eram justamente assuntos de alto interesse populacional.

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A estratégia de distração é usada de várias formas, no que diz respeito ao governo e seu cenário político. Esse exemplo que envolve a Ministra Damares Alves é o mais claro exemplo de distração adotada pela atual classe política que governa o país, métodos assim fazem a população centrar-se em assuntos sem real interesse, mantendo as pessoas ocupadas com temas superficiais, enquanto o que realmente importa está sendo dialogado sob os muros do governo sem a plena intervenção da sociedade.

5. CRIAR UMA CRISE E OFERECER UMA SAÍDA

Este método também é chamado “criar problema para oferecer soluções“. O governo cria um problema, uma “conjuntura” prevista para causar certa reação no público. Este método tem como objetivo fazer com que os próprios afetados pelo problema criado aceitem qualquer solução que se é imposta. Por exemplo, criar uma crise econômica para fazer a população aceitar o desmanche dos direitos sociais.

Atualmente, no cenário político brasileiro, anda-se debatendo muito sobre as leis trabalhistas e a reforma de presidência, duas políticas públicas que envolvem diretamente os direitos da classe proletária do país. Motivados pela atual crise econômica que o Brasil vem enfrentando, a classe econômica e empresarial, em conjunto a classe política, vem propondo mudanças nas leis trabalhistas. Procurando informações sobre como andam os debates envolvendo as leis trabalhistas no país, após a crise econômica enfrentada pelo Brasil, que teve seu início no ano de 2015, identificou-se uma reportagem feita pelo G1 dois anos após o Brasil ter adentrado em sua crise financeira, na reportagem é possível saber que as novas leis já estão ativas – quatro meses após ser sancionada pelo presidente Michel Temer, entra em vigor a nova lei trabalhista, que traz mudanças na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). As novas regras valerão para todos os contratos de trabalho vigentes. As alterações mexem em pontos como férias, jornada, remuneração e plano de carreira – diz a matéria.

Curiosamente, foi necessária uma crise econômica para ser feita mudanças nas leis trabalhistas, essas imposições foram impostas justamente em um momento de crise, onde o uso do mecanismo criar um problema e depois oferecer soluções se pareceu extremamente eficiente, já que impor mudanças em uma determinada classe da população em um momento delicado como uma crise, se parece mais favorável, pois se entende que a população, amedrontada pela crise econômica e incerta pelo futuro de seu desenvolvimento, aceitaria facilmente qualquer lei que fosse imposta, mesmo que tais leis ferissem seus próprios direitos, como é o caso da atual lei trabalhista, onde é possível encontrar pontos questionáveis, como o trabalho de grávidas em atividades insalubres.

6. A ESTRATÉGIA DO PASSO A PASSO

Para fazer as pessoas aceitarem uma medida inaceitável, basta aplicá-la gradualmente, este mecanismo é colocado em prática desta forma. Quando políticos apresentam decretos ou criam projetos que parecem, inicialmente, absurdos para a população, apresentando medidas que as pessoas normalmente não aceitariam – como facilitar o porte de armas no Brasil, país que lidera o ranking de mortes por armas de fogo em todo o mundo, por exemplo, e estes não são bem aceitos pela maioria – tais políticos então adotam a estratégia da gradualidade. Começam a apresentar seus decretos e projetos aos poucos, de forma gradual, praticamente imperceptíveis, fazendo com que a população vá se familiarizando com tais medidas, mesmo sendo medidas consideradas contestáveis. O foco, de fato, é fazer as pessoas aceitarem aos poucos essas medidas que, de alguma forma, beneficiam determinadas classes, como grandes empresários e a elite política, e dificultam a vida da população vulnerável, seja social ou economicamente. Foi o que aconteceu, por exemplo, com a redução dos direitos trabalhistas. Em diferentes sociedades têm sido implementadas medidas, ou formas de trabalho, que acabam fazendo com que o trabalhador não tenha nenhuma garantia de segurança social, um exemplo já citado neste artigo.

7. MANTER O PÚBLICO IGNORANTE E A MEDÍOCRE

Fazer com que o público seja incapaz de compreender as tecnologias e as ciências que movem suas vidas é criar uma população alienada e obediente, este é o foco do presente mecanismo adotado pelo atual governo. Uma sociedade que tem conhecimentos essenciais, nas áreas da ciência, economia, psicologia, neurobiologia e cibernética, é uma sociedade evoluída com senso crítico pleno e aguçado, por isso, investir nessas áreas pode ser um problema para governos com interesses em uma população alienada e obediente.

Ignorância significa não dar às pessoas as ferramentas para que possam analisar a realidade por si mesmas. É o mesmo que dizer-lhes os dados, mas não deixar que conheçam as estruturas internas dos fatos. Por isso, o atual governo vem fazendo cortes na área da educação, investir em educação é criar uma população inteligente, questionadora, com opinião ativa nos vários âmbitos sociais, e isso pode acabar se tornando um fator de risco para poderes com interesses em um público obediente, quanto mais burra e ignorante for determinada população, menos questionadora e mais obediente ela será.

Em sua obra Pedagogia da Autonomia, o educador Paulo Freire (2006, p.61) acrescenta que, “[...] como experiência especificamente humana, a educação é uma forma de intervenção no mundo.” Assim, a educação é citada como algo particularmente humano e como um modo de interferir na realidade. Dessa forma, pode-se entender que é a educação que cria seres questionadores, que mudam o seu mundo através dos questionamentos e problematizando políticas que envolvem suas vidas. Seres questionadores são os maiores vilões de qualquer elite política.

Contemplando o conceito de educação como meio de despertar para uma nova visão de mundo e uma atividade sistemática de interação entre seres sociais, Brandão afirma (2007, p. 73):

Educação é uma prática social (como a saúde pública e a comunicação social) cujo fim é o desenvolvimento do que na pessoa humana pode ser aprendido entre os tipos de saber existentes em uma cultura, para a formação de tipos de sujeitos de acordo com as necessidades e exigências de sua sociedade, em um momento da história de seu próprio desenvolvimento.

A educação consiste num processo de constate ruptura e de reorganização do velho. Indivíduo e educação estão imbricados aos demais fenômenos como os sociais, os históricos e os culturais.

Uma educação contestadora é sinônimo de educação transdisciplinar, pois interfere positivamente nas relações sociais, facilitando o desenvolvimento do empoderamento do individuo, capacitando-o a mudar a realidade que ele está inserido de forma crítica e reflexiva a fim de promover uma sociedade na qual as oportunidades sejam iguais para todos. “A educação é para mim o caminho para essas mudanças. É a grande possibilidade de restabelecer o pacto social.” (REIS, 2011, p. 32)

Sendo assim, precarizar a educação é uma das formas de fazer com que a população se torne cada vez mais alienada, sem educação não há questionamentos, portanto, quanto mais precária, escassa e frágil for a educação, menos seres questionadores surgirão.

8. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Este estudo se propôs, como objetivo geral, elaborar um conjunto de elementos que mostram como o atual governo está manipulando a população brasileira por meio de mecanismos adotados com esta finalidade. Com o intuito de manipular, conter e amenizar a opinião pública, os mecanismos expostos ao longo desse estudo são colocados em práticas de diferentes maneiras em diversos meios. Além disso, também foi possível entender que, os poderes que manipulam a opinião pública acabam se tornando um perigo para uma sociedade democrática, pois sem opinião pública não há democracia plena.

Tendo como objetivo fabricar seres não questionadores, todos os mecanismos apresentados ao longo desse estudo acabam se tornando uma ferramenta perigosa para qualquer sociedade contemporânea. Os poderes midiáticos, como a mídia jornalística e a internet, exercem papel protagonista na proliferação dos usos desses mecanismos, assim, é de suma importância que esses poderes combatam a propagação de todos esses mecanismos manipuladores, mostrando ao público quais as consequências que essas ferramentas podem causar na vida da população. Caso os poderes midiáticos não tomem essas medidas, deve-se então, por parte daqueles que lutam pela extinção desses mecanismos, ser feita a regulamentação desses poderes, fazendo os mesmos mostrarem a verdade para aqueles que necessitam conhecê-la.

No que se refere a importância da educação para o surgimento de seres questionadores, é a educação o elemento-chave para a construção de uma sociedade pensante, crítica e indagadora, condição essencial para que as pessoas e organizações estejam aptas a lidar com o novo, a criar, e, assim, a garantir seu espaço de liberdade e autonomia (MINISTÉRIO DA CIÊNCIA E TECNOLOGIA LIVRO VERDE, 2000).

A opinião pública, a busca por conhecimento, a criticidade e o senso crítico, são fatores intrínsecos para a desconstrução de uma sociedade alienada. Deve-se entender também que a política move sociedades, incluindo a nossa, por isso é importante termos um real envolvimento nessa pauta, se furtar de debater política, idealizando que essa engrenagem social é um mero mecanismo corrupto é um erro, é permitir que quem esteja no poder governe como quiser, sem implicações ou questionamentos, portanto, deve-se questionar o que parece incerto, não importando qual lado político estejamos inseridos. Pois uma sociedade que não indaga ou questiona, se permite ser manipulada e ter seus direitos destruídos diante de seus olhos.

9. REFERÊNCIAS

AHLERT, Alvori . Políticas públicas e Educação na Construção de uma Cidadania Participativa, no Contexto do Debate Sobre Ciência e Tecnologia, EDUCERE – Revista da Educação, Paraná, p. 129-148, vol. 3, n.2, jul./dez. 2003

BAUMAN, Zygmunt. Tempos Líquidos. Rio de Janeiro: Zahar,2007.

KENSKI, V.M. Educação e Tecnologias o Novo Ritmo Da Informação. Editora Papirus. Campinas, SP, 8º edição, 2011.

HABERMAS, Jürgen. Mudança estrutural da esfera pública: investigações quanto a uma categoria da sociedade burguesa. Rio de janeiro: Tempo Brasileiro, 2003a.

SIGNIFICADO. Significado de opinião. Disponível em:  https://www.significados.com.br/opiniao/. Acesso em: 10 mai 2019.

CANALTECH. Empresa WikiLeaks. Disponível em: https://canaltech.com.br/empresa/wikileaks/. Acesso em: 03 jun 2019.

WIKILEAKS. Ferramenta de Engenharia de Controle de Massas Para Primeiros-Ministros. Disponível em: file:///C:/Users/Cliente/Documents/IZAK/Artigo%20Ferramenta%20de%20Engenharia%20de%20Controle%20de%20massas/us-ethno-political-conflict-simulator-silverman-2006.pdf. Acesso em: 10 de junho de 2019.

CHOMSK, Noam. O Lucro ou as Pessoas?. Editora Bertrand Brasil. SP, 1993.

BRASIL, Site do G1. Nova lei trabalhistas entre em vigor. Disponível em:, https://g1.globo.com/economia/concursos-e-emprego/noticia/nova-lei-trabalhista-entra-em-vigor-no-sabado-veja-as-principais-mudancas.ghtml. Acesso em: 22 mai. 2019.

______. Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática educativa. [s.l.]: Sabotagem, 2006. Arquivo PDF. Disponível em: http://www.letras.ufmg.br/espanhol/pdf/pedagogia_da_autonomia_-_paulofreire.pdf. Acesso em: 02 de julho de 2019.

BRANDÃO, C.R.O que é educação.EditoraBrasiliense,coleção primeiros Passos. São Paulo, 2007.

REIS, Teuler. Educação e Cidadania. Editora Wak. Rio de Janeiro, 2011.

MINISTÉRIO DA CIÊNCIA E TECNOLOGIA. Sociedade da Informação no Brasil: Livro Verde. Brasília, 2000.


Publicado por: RENATO IZAK DE BRITO COSTA

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