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A Igreja Primitiva

Religião

A Historia Do Cristianismo, Igreja Primitiva, perseguição da Igreja, razões para a perseguição religiosa, governo da igreja, liturgia.
A HISTORIA DO CRISTIANISMO – IGREJA PRIMITIVA ( 100 –300) 
 
 
1. CAUSAS DA PERSEGUIÇÃO
 
Políticas

Enquanto a Igreja Cristã fazia parte do judaísmo, que era religião licita, a Igreja sofreu pouco. Mas logo que foi distinguido do judaísmo foi classificada como seita, uma sociedade secreta, o cristianismo recebeu a interdição do estado romano que não admitia nenhum rival à obediência por parte de seus súditos. Tornou-se então, uma religião ilícita, uma religião ilegal, considerada como ameaça à segurança do estado romano.

 
A religião cristã, era rápido em crescimento, exigia exclusiva lealdade a Cristo, César era colocado em segundo plano e este era o temor dos lideres romanos, empenhados em preservar a cultura clássica dentro da estrutura do império estatal: como desleais ao Estado, para os romanos os cristãos estavam tentando fundar um estado dentro do estado o Corpo de Cristo, tinha de ceder a soberania exclusiva de César .

 
Muitas práticas cristãs pareciam confirmar as suas suspeitas da deslealdade básica cristãos ao Estado levantada pelas autoridades romanas:

 
- Os cristãos se recusavam terminantemente a oferecer incenso nos altares devotados ao culto ao imperador romano. Quem sacrificasse nesses altares, podia praticar uma segunda religião particular.
- Os cristãos também realizavam a maioria de suas reuniões à noite e em segredo. Para a autoridade romana isto deixava claro que se preparava uma conspiração contra a segurança do estado. 

 
Religiosas

A religião romana era mecânica e externa. Tinha seus altares, ídolos, processionais, ritos e praticas que o povo ver. Os romanos não se opunha a acrescentar um ídolo ao grupo do Panteão, desde que a divindade se subordinasse às pretensões de primazia feitas pela religião do Estado. Os cristãos não tinham ídolos e no seu culto nada havia para ser visto. Seu culto era espiritual e interno. Quando se opunham de pé e oravam de olhos fechados, suas orações não eram dirigidas a nenhum objeto visível. Para as autoridades romanas, acostumadas às manifestações materiais simbólica de seu deus, isto nada mais era do que ateísmo.

 
O sigilo dos encontros dos cristãos também dos cristãos também suscitou ataques morais contra eles. O vulgo popular os acusou de incesto, de canibalismo e de praticas desumanas. Entendo equivocadamente o significado de “comer e beber" os elementos representativos do corpo de Cristo, o vulgo popular logo depreendeu que o cristãos matavam e comia crianças em sacrifício ao seu Deus. A expressão “ beijo da paz ” foi logo transformada em acusações de incesto e outras formas se conduta moral que repugnava à mente cultural romana. Pouco diferença fazia se estes boatos eram verdadeiros ou não.

 
Sociais

 Os que exerciam grande atrativo sobre as classes pobres e escravas, eram odiadas pelos líderes aristocráticos influentes da sociedade. Estes líderes os viam com desprezo mas temiam sua influencia sobre as classes pobres.Os cristãos defendiam a igualdade entre todos homens (CI. 3:11), enquanto que o paganismo insistia na estrutura aristocrática da sociedade em que uns poucos privilegiados eram servidos pelos pobres e pelos escravos.

 
Economicas

 A oposição que Paulo recebeu dos fabricantes de ídolos em Efeso, mais preocupados com o perigo que representava o cristianismo para seus negócios que com a ameaça possível ao culto de Diana (At. 19:27), é uma chave para a compreensão da reação daqueles cujos interesses do “ ganha - pão ” estavam ameaçados pelo avanço do cristianismo. Sacerdotes fabricantes de ídolos, videntes, pintores, arquitetos e escultores dificilmente se entusiasmaram com uma religião que ameaçasse seus meios de sustento.

 
No ano 250 em que a perseguição deixou de ser local e intermitente para se tornar generalizada e violenta, Roma entrava, segundo a contagem dos romanos, nos mil anos de sua fundação. Nesta época uma fome e uma agitação civil assolavam o Império; a opinião atribuía estes problemas à presença do cristianismo no império e o conseqüente abandono dos deuses. Há sempre um bom motivo para superstição quando se aproxima o fim de um milênio e os romanos nisto não foram melhores que as pessoas da Idade Média que viveram pouco antes do ano 1.000. A perseguição aos cristãos parecia, aos romanos, uma forma lógica de superar o problemas.

 
Tudo isto cooperou para justificar a perseguição dos cristãos na mente das autoridades. Nem todas as razões estiveram presentes em cada caso mas a pretensão de exclusividade por parte da religião cristã sobre a vida do cristão conflitava com o sincretismo pagão e sua exigência de lealdade exclusiva ao estado romano na maioria dos assuntos.


 
2. O CRISTIANISMO SOB INTERDIÇÃO ESTATAL, 100-250
 
A primeira perseguição organizada como resultado de uma política governamental definida, começou na Bitínia durante a administração de Plínio, o Moço, por volta de 112. Plínio escreveu uma interessante carta ao Imperador Trajano, em que prestava informações sobre os cristãos, esboçava seu programa e pedia a Trajano uma opinião sobre o assunto. Dizia ele que “ o contágio desta superstição” ou seja o cristianismo espalhava-se por vilas e regiões rurais como também por grandes cidades com tal velocidade que os templos ficavam geralmente vazios e os vendedores de animais para o sacrifício, ficaram empobrecidos. Quando alguém era denunciado como cristão, Plínio convocava o tribunal e lhe perguntava se era cristão. Se admitisse a acusação três vezes, o cristão era condenado à morte. Em sua resposta, Trajano assegurou a Plínio que ele estava certo em seu comportamento. Não se devia caçar os cristãos, mas se alguém dissesse que uma pessoa era cristã, esta deveria ser condenada, a menos que negasse ou adorasse os deuses dos romanos. Foi durante esta perseguição que Inácio morreu.

 
Outra perseguição aconteceu em Esmirna nos meados do segundo século. Marco Aurélio foi alertado sobre o cristianismo . inclinado a atribuir as calamidades de seu reino provocadas pela natureza e pelo homem ao crescimento do cristianismo, deu ordem para a perseguição aos cristãos. Justino Mártir, o grande apologista, sofreu o martírio em Roma durante esta perseguição.  

 
O Imperador Décio subiu ao trono imperial ao tempo em que Roma completava o fim do primeiro milênio de uma história e numa época em que o Império cambaleava sob calamidades naturais e ataques internos e externos à sua estabilidade. Os cristãos foram tomados com uma perigosa ameaça ao estado por causa de seu rápido crescimento numérico e por sua aparente tentativa de se construírem num estado dentro do estado. Décio promulgou em edito em 250 que exigia pelo menos,uma oferta anual de sacrifício nos altares romanos aos deuses e à figura do Imperador. Aqueles que oferecessem este sacrifício recebiam um certificado chamado libellus. A igreja mais tarde, foi sacudida com o problema de como tratar aqueles que tinham negado a sua fé cristã para conseguir esses certificados. Felizmente para a igreja, a perseguição durou só até a morte de Décio, no ano seguinte, mas as torturas que Orígenes sofreu, mais tarde causaram sua morte.

 
Diocleciano, líder militar forte, chegou ao trono imperial no fim de um século marcado pela desordem política no Império Romano. Ele concluiu que somente uma monarquia forte salvaria o Império e sua cultura clássica. Em 285, pôs fim à monarquia do principado, criada por César Augusto em 27 A.C, pela qual o imperador e o senado dividiam o poder. Em sua opinião uma monarquia poderosa oferecia a única alternativa ao caos. Foi nesta situação histórica que aconteceu a mais dura perseguição enfrentada pelos cristãos. Os primeiros editos, com ordem de perseguição aos cristãos, foram promulgados em março de 303, Diocleciano ordenou o fim das reuniões cristãs, a destruição das igrejas, a deposição dos oficiais da Igreja, a prisão daqueles que persistissem em seu testemunho de Cristo e a destruição das Escrituras pelo fogo. O ultimo edito obrigou os cristãos a sacrificarem aos deuses pagãos sob pena de morte caso recusassem. Eusébio conta que as prisões ficaram tão cheias de líderes cristãos e crentes comuns que não havia lugar suficiente para os criminosos. Os cristãos foram punidos com o confisco de bens, exílio, prisões ou execuções à espada ou por animais ferozes. Os mais felizes eram enviados aos campos de trabalhos forçados, onde trabalhavam até a morte nas minas.

 
Constantino, seu sucessor, compreendeu que se o Estado não podia destruí-la pela força, o melhor seria usara Igreja como aliado para salvar a cultura clássica. A Igreja e o Estado chegaram a um acordo que começou quando Constantino conseguiu o controle completo. Constantino; ( 274-337) teve uma visão de uma cruz no céu, com as seguintes palavras em latim; “ com este sinal, vencerás”. Ele derrotou os seus inimigos   na batalha da ponte Mílvia sobre o rio Tibre. Embora a visão possa ter ocorrido, é evidente que o favorecimento da igreja por Constantino foi um expediente seu. A Igreja poderia servir como novo centro de unidade e salvar a cultura clássica e o Império. Constantino inaugurou um política de favorecimento da Igreja cristã. Em 313, ele e Lícínio garantiram-lhe a liberdade de culto pelo Edito de Milão. Nos anos seguintes, Cosntantino promulgou outros editos, que tornavam possíveis a recuperação das propriedades confiscadas, o subsídios da Igreja pelo estado, a isenção ao clero do serviço público, a proibição de adivinhações e a separação do “Dia do Sol” ( domingo ), como um dia de descanso e culto. Ele tomou uma posição de liderança teológica no Concílio de Nicéia, em 325, quando arbitrou a controvérsia ariana. Apesar de o número de cristão não ultrapassar a um décimo da população do Império nesta época, eles exerceram uma influência no Estado bem maior do que se podia esperar pela quantidade de membros que possuía,

 
Constantino, em 330 fundou a cidade de Constantinopla. Este ato ajudou a dividir Oriente e Ocidente. Ele tornou o centro do poder político no oriente e o bispo de Roma, após 476, foi deixado com poder político além do espiritual.

 
Quando parecia que o cristianismo iria se tornar a religião do Estado, houve um retrocesso com a ascensão de Juliano em 361 ao trono imperial. Juliano fora forçado a aceitar o cristianismo formalmente, mas a morte de parentes seus nas mãos do governo cristão e o estudo que fez de filosofia em Atenas o levaram a se tornar um seguidor do Neoplatonismo. Ele retirou da Igreja Cristã os privilégios e restaurou a liberdade plena de culto. Todas as felicidades foram concedidas para ajudar no avanço da filosofia e da religião pagã. Felizmente para a Igreja,s eu reinado foi curto e o retrocesso do desenvolvimento da Igreja, foi apenas temporário.

 
O Imperador Graciano renuncio ao titulo de Pontifex Maximus. Teodósio I promulgou em 380 um edito tornando o cristianismo a religião exclusiva do estado. Qualquer pessoa que seguisse outra forma de culto receberia a punição do estado. Em 392, o Edito de Constantinopla estabeleceu a proibição do paganismo. Em 59, Justiniano desferiu o golpe de misericórdia sobre o paganismo, quando determinou o fechamento da escola de filosofia de Atena.
 
 
 
3. GOVERNO DA IGREJA ( 100-313 )
 
Foi no período entre 100 e 313 que a Igreja se viu forçada a pensar na melhor maneira pela qual poderia enfrentar a perseguição externa do estado romano e o problema interno do ensino herético e das conseqüentes decisões. Ela procurou cerrar fileiras através de procedimentos.

 
O Bispo Monarquiso.

Necessidades práticas e teóricas levaram à exaltação da posição do bispo em cada igreja, chegando ao ponto de as pessoas o virem e o reconhecerem como superior aos outros presbíteros aos quais seu oficio fora relacionado em tempos do Novo Testamento. A necessidade de uma liderança para enfrentar os problemas da perseguição e da heresia foi uma necessidade prática que acabou por ditar o aumento do poder do bispo. O desenvolvimento da doutrina da sucessão apostólica e a crescente exaltação da Ceia do Senhor foram fatores fundamentais neste aumento de poder. A elevação do bispo monárquico em meado do segundo século originou-se da honra especial devida ao bispo monárquico da Igreja em Roma.

 
O argumento inicial e mais importante apresentado desde cedo na história da Igreja, foi o de que Cristo deu a Pedro, presumivelmente o primeiro bispo de Roma, uma posição de primazia entre os apóstolos em função da suposta designação de Pedro como a rocha sobre qual edificaria a Sua igreja (Mt 16:18 ). Segundo Mateus ( 16:19) Cristo deu tambem a Pedro as chaves do reino dos céus e depois o comissionou especialmente para apascentar Seu rebanho ( Jô: 21:15-19).

 
A Igreja Romana insiste desde tempos antigo que Cristo deu a Pedro um lugar especial de primeiro bispo de Roma e de líder dos apóstolos.

 
O prestigio histórico de Roma como a capital do Império levou a uma natural elevação da posição da igreja da capital. Muitos pais da Igreja Ocidental, como Clemente, Inácio, Irineu e Cipriano, destacaram a importância da posição do bispo, e no caso de Cipriano, do bispo de Roma. Embora todos os bispos fossem iguais, honra especial deveria ser dada ao bispo romano encarregado da cadeira de São Pedro. Embora todos os bispos estivessem numa linha de sucessão apostólica dos bispos desde o próprio Cristo, Roma merecia honra especial, porque, cria-se seu bispo continuava a linha sucessória desde Pedro.

 
 Desenvolvimento da regra de fé

O papel do bispo como garantia da unidade da Igreja foi reforçada pelo desenvolvimento de um credo. Um credo é uma declaração de fé para uso público. Os credos têm sido usados para testar a ortodoxia, identificar os crentes entre si e servir como um resumo claro das doutrinas essenciais da fé. Pressupõe uma fé viva da qual são expressão intelectual. Os credos denominacionais surgiram depois da reforma. Os credos conciliares ou universais elaborados por representantes de toda a igreja surgiram no período da controvérsia teológica entre 313 e 451. o primeiro tipo de credo foi o credo batismal de que o Credo do Apóstolos pode servir como exemplo. Deve-se ter sempre em mente que os credos são expessões relativas e limitadas da regra divina e absoluta de fé e prática contida na Bíblia. Textos bíblicos que favorecem a idéia de um credo são encontrados em Romanos 10:9-10, Corintios 15:4, I Timóteo 3:16.

 
Irineu e Tertuliano desenvolveram Regras de Fé para serem usadas na distinção entre Cristianismo e Gnosticismo.

 
O Credo dos Apóstolos é o mais antigo sumário das doutrinas essenciais da Escritura que possuímos. Alguns pensam que o Credo dos apóstolos surgiu da declaração abreviada de Pedro sobre Cristo em Mateus 16:16 e que foi usado como fórmula batismal desde cedo. 

 
Cânon do Novo Testamento

O cânon, lista dos volumes pertencentes a um livro autorizado, surgiu como um reforço à garantia da unidade centralizada no bispo e à fé expressa num credo. O desenvolvimento do cânon foi um processo demorado, encerrado em 175, exceto para o caso de uns poucos livros cuja autoria era ainda discutida.

 
Algumas razões de ordem prática tornaram necessário que a igreja desenvolvesse a relação de livros que deveriam compor o Novo testamento, Heréticos, como Márcion estavam formando o seu próprio cânon das Escrituras e estavam levando o povo ao erro. Os cristãos perseguidos não estavam dispostos a arriscar suas vidas por um livro se não estivessem certos de que ele integrava o cânon das Escrituras.como os apóstolos estavam saindo de cena, havia a necessidade de alguns registros que seriam reconhecidos como autorizados e dignos de uso na adoração.

 
O maior teste do direito de um livro estar no cânon era se ele tinha os sinais da apostolicidade. Era ele escrito por um apóstolo ou por alguém ligado intimamente aos apóstolos, como Marcos, o autor do Evangelho de Marcos que contou com a ajuda do apóstolo Pedro. A eficácia do livro na edificação quando lido publicamente e sua concordância com a regra da fé serviam de testes também. Na análise final, o que contava para a decisão sobre que livro deveria ser considerado canônico e dignos de serem incluídos no Novo Testamento era a verificação histórica de autoria ou influência apostólica ou a consciência universal da igreja dirigida pelo Espírito Santo.

 
Liturgia

Muitos convertidos vindos das religiões de Mistério também contribuíram para o desenvolvimento do conceito da separação do clero dos leigos, ao destacaram a santidade da posição dos bispos. A Ceia do Senhor e o Batismo tornaram-se ritos que somente poderiam ser dirigidos por um ministro credenciado. Ao se desenvolver a idéia da Ceia como um sacrifício a Deus, fortaleceu a santidade superior d bispo comparado com os membros comuns da igreja. O desejo de ser batizado eram os únicos requisito , mas, ao final do segundo século, acrescentou-se um período probatório como catecúmeno a fim de provar a realidade da experiência do convertido. Neste período de provação, os catecúmos assistiam aos cultos no vestíbulo final do templo e não podiam cultuar no santuário. O batismo em geral era por imersão; às vezes por afusão ou aspersão. O batismo infantil, que Tertuliano criticava e Cipriano apoiava, e o batismo clínico ( de doentes ) surgiram neste período. O surgimento de um ciclo de festas no ano eclesiástico é também deste período.

 
A Páscoa, nascida da aplicação da Páscoa judaica à ressurreição de Cristo, parece ter sido a primeira destas festas. Só depois de 350, o Natal foi aceito como uma festa cristã e, então purificado dos elementos pagãos que o compunham. A quaresma, um período de 40 dias, anteriores a Páscoa, de penitência e contenção dos apetites da carne, foi aceita como parte do ciclo litúrgico das igrejas depois da adoção do Natal.

Publicado por: HUGO DA SILVA ASCENÇÃO

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