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SÍNDROME DE BURNOUT: AS PERSPECTIVAS SÓCIO-PEDAGÓGICAS NA PRÁTICA DOCENTE

Pedagogia

Características, definição, histórico e fatores que provocam a síndrome de Burnout, práticas docentes e a pesquisa qualitativa referente à síndrome de Burnout em profissionais da educação.

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1. RESUMO

LAYDMILLA, M. C. R. Síndrome de Burnout: as perspectivas sócio-pedagógicas na prática docente. Aparecida de Goiânia, 2016. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Pedagogia). Faculdade Nossa Senhora Aparecida, Aparecida de Goiânia.

A pesquisa sobre síndrome de Burnout teve o propósito de levantar a questão de como o profissional da educação é acometido pelo transtorno e o quanto frequente esse problema atingi os professores. Acima de tudo mostra que existe fortes indícios que contribui para se chegar até essa exaustão mostrando as características, história, vulnerabilidade a síndrome de Burnout ao docente, aos que atuam em sala de aula, ademais em outros departamentos dentro da escola. Trazendo as concepções de alguns autores sobre a síndrome de Burnout como, esgotamento, decepção, despersonalização, conflitos inconscientes que manifestam nas suas relações de trabalho. A análise bibliográfica foi feita de maneira qualitativa, referente aos pontos citados, e os meios de prevenção e de como discutir estratégias como coping, para evitar-se ou confrontar-se com o Burnout. Com base nas pesquisas feitas, fica evidente que há uma carência em relação aos estudos sobre a síndrome de Burnout, que prejudica inquestionavelmente a falha no sistema político educacional, que por outro lado inclui a gestão das escolas que não tem se preocupado com a saúde do professor. Como também deixa clara que a falta de estrutura do ambiente de trabalho trás fatores relevantes que contribui a síndrome de Burnout. Assim sendo, vê-se a necessidade de preparar os discentes quanto à realidade nas escolas, e de possíveis desgastes que serão confrontados durante sua trajetória de trabalho, tornando-o satisfatório sem sofrimentos.

Palavras-chave: Síndrome de Burnout; Despersonalização; Docência.

2. INTRODUÇÃO

A síndrome de Burnout tem sido a que mais causa afastamento dos profissionais da educação e consequentemente o grande índice de evasão de profissionais em seu ambiente de trabalho. A lei nº 3048/99 da Previdência Social, caracteriza a síndrome de Burnout como doença do trabalho. O Ministério da Saúde preconiza como tratamento desta síndrome o acompanhamento psicoterápico e farmacológico e intervenções psicossociais. Burnout começou a ser utilizado para descrever o colapso dos motores de foguetes ou jatos. Esse termo foi importante pela psiquiatria para designar a manifestação do estresse em sua fase mais aguda e de esgotamento. (ARANTES E VIEIRA, 2002, p. 87 apud BERGAMINI, 2008).

O fator primordial é que o profissional acometido pela síndrome de Burnout passa a ser atingindo em suas relações pessoais e profissionais, os professores vem sendo expostos a várias situações de estresse que são ocasionados pela relação professor-aluno, professor - gestão, e ambiente físico em que esse docente atua. A maior dificuldade referente às doenças ocupacionais, é que em geral não são tratadas com a importância devida, fazendo com que o indivíduo sinta-se solitário nesta luta contra os problemas organizacionais.

O trabalho docente já traz consigo uma responsabilidade histórica social, em que o professor tem tratado de problemas que passam de suas responsabilidades de mediador do conhecimento, muitas vezes, intervindo em causas familiares, relações pessoais dos alunos, outrora esse professor muda seu posicionamento tendo que exercer a função de avaliador, questionador trazendo consigo um desconforto diante das situações vividas no ambiente educacional.

A prática pedagógica atribui competências que o profissional da educação deve exercer em sua rotina para conseguir manter o equilíbrio no desenvolvimento de seu trabalho, conduzindo suas aulas de forma que consiga um rendimento satisfatório para ambas as partes. A síndrome de Burnout aparece com manifestações e sintomas individuais e profissionais, quando o professor está enfrentando esse problema, passam a se desqualificar, se sentem exaustos perante as relações internas e externas no ambiente de trabalho. Esse profissional não consegue se relacionar diretamente com os pais, ademais se sente pressionado pelos mesmos, passando a evitá-los, e se tornando vulneráveis perante a sociedade.

Para Maslach& Jackson (1984 apud CARLOTTO, 2002), os professores são comprometidos com o trabalho e envolvem-se intensamente com suas atividades, sentindo-se desapontados quando não são recompensados por seus esforços. Por consequência o professor entende que deve conseguir desempenhar todos os papéis que são propostos sem erros, assim, eles exigem de si mesmos ser o mediador do conhecimento de forma plena. Sob o mesmo ponto de vista o professor deve aceitar que existem obstáculos para que esse processo de ensino- aprendizagem seja absorvida totalmente pelo aluno, que irá ocorrer momentos que os pais não estarão auxiliando esse aluno, o que dificultará o seu desenvolvimento cognitivo.

Outro exemplo apontado nesta pesquisa é a precariedade dos estudos destinados as síndromes ocupacionais, estresse ocupacional, síndrome de Burnout dentre outras. Conforme estudos feitos pelas autoras citadas Maslach& Jackson (1984 apud CARLOTTO, 2002), a falta de recurso no trabalho, exigência no ritmo do trabalho, troca de direção e gestão são fatores que contribuem para as crises de Burnout.

Essa pesquisa foi baseada em artigos e livros que ressaltam a síndrome de Burnout, como decorrências relevantes, métodos de intervenção, referente ao transtorno, autores que apontaram os fatores sociais e organizacionais como contribuintes ao adoecimento. Mediante pesquisa qualitativa se descreve os pontos a serem estudados como estresse, desgastes, exaustão, despersonalização dentre outros.

O trabalho se divide em três capítulos: sendo o primeiro capítulo tratando das características, definição, histórico e fatores que provocam a síndrome de Burnout, no segundo capítulo será abordada, a vulnerabilidade dos professores a síndrome de Burnout, e as decorrências da síndrome de Burnout na categoria dos professores e os mecanismos de defesa. No terceiro capítulo será abordado as práticas docentes e a pesquisa qualitativa referente à síndrome de Burnout em profissionais da educação.

3. CAPÍTULO I - CARACTERÍSTICAS DA SÍNDROME DE BURNOUT

3.1 Definição da Síndrome de Burnout

Segundo Trigo et. al. (2007 apud SOUSA, 2013) o termo Burnout é de origem inglesa e quer dizer algo que parou de funcionar. O Burnout está listado no Código Internacional de Doenças (CID-10) sob o código Z73, foi declarado como risco ocupacional para atividades que envolvam cuidados com a saúde, educação e serviços humanos. Porém, ainda hoje, e com tantos avanços, a síndrome de Burnout não é reconhecida como doença ocupacional por muitos médicos e tampouco por muitos juízes do trabalho. O estresse sempre é diagnosticado mesmo em se tratando da síndrome de Burnout.

A síndrome de Burnout de acordo com Biehl (2009 apud SOUSA, 2013) se refere a um processo em que o indivíduo vivencia grandes níveis de estresse por um longo período em sua atividade ocupacional, tornando-se um estresse crônico.

O profissional encontra-se em uma situação em que seu limite físico, psíquico se esgota e não consegue mais produzir de forma satisfatória levando-os a um estágio de despersonalização, momento este que o interesse pelo ambiente de trabalho e pelas pessoas fica comprometido, sentindo-se uma exaustão total.

Benevides–Pereira (2008 apud SOUSA, 2013) classificou os sintomas do Burnout em quatro categorias: sintomas físicos, comportamentais e psíquicos.

Os sintomas físicos incluem cansaço, falta de energia, dores musculares, taquicardia, formigamentos pelo corpo, sudorese, (o indivíduo se sente literalmente “travado” em seus movimentos).

Os sintomas comportamentais reúnem características ligadas à negligência ou escrúpulo excessivo, o que acarreta em dificuldades relacionadas com a atenção, se tornando negligente com suas atividades ocupacionais, ficando obsessiva em verificar a mesma atividade por várias vezes, e uma grande irritabilidade. O aumento da agressividade através de atitudes hostis e destrutivas faz com que haja uma incapacidade de relaxamento por sempre estar em alerta, intolerância a mudanças e até mesmo podendo atentar contra sua própria vida.

Com base nas características comportamentais, o indivíduo acometido pela síndrome de Burnout, torna-se um profissional inacessível aos colegas de trabalho, desconfiando o tempo todo que algo está errado, ou em relação a ele como pessoa, ou ao trabalho realizado, o mesmo passa a ficar em defensiva utilizando dos mecanismos de defesa, até que chega um momento em que parte para o isolamento. Por não conseguir lidar coma realidade que vive, o sentimento de onipotência se desenvolve como forma de lidar com a frustração e incapacidade, apresentando desinteresse pelo trabalho, desencadeando o absenteísmo.

Os sintomas psíquicos descrevem falta de atenção e de concentração, os erros no desenvolvimento do trabalho se tornam relevantes, prejudicando a execução efetiva de suas atividades. O indivíduo se torna seletivo apenas para as atividades que ainda lhe interessa, apresentando lapso de memória frequente, incapacidade de fixação, lentidão no raciocínio, solidão, instabilidade emocional, baixa autoestima. Todos esses sintomas citados levam o indivíduo a um estágio de astenia, desânimo que faz com que seu rendimento caia, não consegue produzir conforme o que foi planejado e assim podendo ter o Burnout associado à depressão ou dependendo do caso, ao estresse, como já afirmado anteriormente.

Segundo Carvalho e Malagris (2007apud SOUSA 2013) a síndrome de Burnout é constituída por três dimensões: exaustão emocional, despersonalização e a baixa realização profissional.

A exaustão emocional se mostra quando o indivíduo não consegue manter o equilíbrio perante as relações e as emoções no ambiente de trabalho, passa-se para o sofrimento psíquico, em que a ausência do desejo por aquela atividade se torna evidente e começa a prejudicar a relação interpessoal do profissional.

Os conflitos inconscientes se manifestam em suas relações através dos mecanismos de defesa conceituados por Freud (2011 apud SOUSA 2013), e posteriormente por Anna Freud (2006 apud SOUSA 2013).

Assim o sujeito negando sua própria vontade, substitui por satisfações impostas pela sociedade, que no caso dos professores, passam às vezes por conflitos relacionados a não aprovação de um aluno, enquanto o sistema impõe que esse aluno seja aprovado, para pontuar as metas de políticas publicas educacionais, levando-o a despersonalização.

Deparando com essa situação de desconforto e frustração, o indivíduo esvazia suas expectativas, “queimando”, o equilíbrio passa a não mais existir, os mecanismos de defesa passam a não proteger o ego das ameaças, contribuindo para o sofrimento psíquico, e a “queima” emocional.

3.2 Históricos da síndrome de Burnout

Diagnosticada em 1974-1975 nos Estados Unidos a síndrome de Burnout foi descrita por Herbert J. Freudenberger, psicanalista de Nova York, que começou a se auto - avaliar quando percebeu que estava sentindo um esgotamento total, sentimento de fracasso e exaustão, nesse momento ele notou que sentia necessidade de afastar se de seus pacientes, isolando se de todos com quem se relacionava, tanto profissionalmente, quanto socialmente.

Carlotto & Câmara (2004), retomando as ideias de inúmeros autores, citam que Freudenberger completou em 1997 seus estudos incluindo em sua definição o comportamento de fadiga, depressão, irritabilidade, aborrecimento, sobrecarga do trabalho, rigidez e inflexibilidade.

Burnout já havia sido citado por outros estudiosos, porém, apenas ganhou cientificidade com base nas explicações do impacto das atividades ocupacionais no trabalhador e deste em sua organização, depois dos artigos publicados por Freubenbeger pioneiro no assunto. Estes artigos publicados por Freudenberger figuravam um macro nas pesquisas sobre a síndrome de Burnout que desencadearam inúmeros outros trabalhos, para se referir ao esgotamento físico e mental, Burnout passa a ser pesquisado por diversos outros estudiosos. Ademais as pesquisas foram acontecendo, o conceito de Burnout foi sendo modificado e ampliado.

Fayos, López & Montalvo (1994, apud BARBOSA 2013; Maslack& Jackson, (1981 apud BARBOSA, 2013), associaram o Burnout a um processo de cronificação do estresse.

Maslack & Jackson (1981 apud BARBOSA, 2013) citam que o profissional acaba por desenvolver o que foi denominado despersonalização, isto é, o indivíduo passa a ser impessoal cínico e irônico, principalmente com pessoas receptoras de seu trabalho. Porém os autores preferem diferenciar o estresse do Burnout, denominando de estresse ocupacional, que difere do estresse comum e aponta o caráter do trabalho envolvido na síndrome de Burnout. Demais autores vão além pelo fato do Burnout acometer indivíduos que tenham contato direto com pessoas do tipo; aluno, paciente, cliente, ou seja, que desenvolve uma prática conhecida como assistencialista, embora a prática docente tenha se tornado por várias reformulações como uma prática mediadora do conhecimento.

Com a recorrência de afastamento no trabalho devido ao Burnout, a síndrome vem sendo regulamentada como doença trabalhista. Na Itália e Espanha apesar de ainda não serem regulamentadas o Burnout vem sendo apontado como incapacidade laboral.

No Brasil, ainda existe poucos estudos sobre a síndrome de Burnout, a mesma foi citada pela primeira vez por França (1987 apud CARLOTTO, 2004), na Revista Brasileira de Medicina. Na década de 90 surgiram as primeiras teses que abordavam o tema Burnout, mas o aspecto mais relevante foi em 1996 quando houve a Regulamentação da Previdência Social, incluindo a síndrome Burnout como agente patogênico causador de doença profissional.

Benevides-Pereira (2003), afirma que em função do despreparo de alguns profissionais que apresentam nível considerável de Burnout, a síndrome é tratada como sendo um portador de estresse ou depressão.

Isso ocorre como citado por falta de preparo e estudo sobre a síndrome, prejudicando o tratamento de forma correta, acarretando prejuízos na recuperação do indivíduo acometido pela síndrome de Burnout. E fazendo com que o transtorno seja pouco discutido no meio educacional, que prejudica nas formas de prevenção, combate e tratamento da síndrome.

O Brasil ainda se encontra em desenvolvimento em todos os aspectos, como social, educacional, financeiro e tecnológico, porém o país não se distancia de outros países com incidência de Burnout, tendo em vista que, existe um grande número de trabalhadores afastados por esse transtorno. Já que a falta de estrutura e preocupação com o professor é um fator relevante na cultura educacional.

As pesquisas no Brasil ainda são escassas, comparando com a América do Norte e Europa, porém atualmente existem grupos de pesquisas sobre o tema que é cadastrado no CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) e 36 teses /dissertações cadastradas no banco da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior).

Existe também um grupo de professores, psicólogos e estudantes de psicologia que formaram o NEPASB (Núcleo de Estudos e Pesquisas Avançadas sobre a Síndrome de Burnout), posteriormente alterado por GEPEP-Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Estresse e Burnout, estes grupos passaram a dedicar se em pesquisas ligadas aos transtornos ocupacionais, a fim de compreender sobre a síndrome de Burnout.

Conforme Reis, Araújo, Carvalho, Barbalho e Silva (2006), há relativa escassez de estudo sobre a saúde do professor em comparação com o trabalho de outras profissões.

Esse histórico precisa ser mudado, fazendo com que as instituições governamentais, se dediquem na investigação da síndrome de Burnout, possibilitando a prevenção, o cuidado com a saúde mental do profissional da educação. Já na trajetória acadêmica deste profissional, não se inclui na grade curricular, o estudo sobre a síndrome, como forma de prevenção, como os transtornos estudados que podem acometer as crianças com o intuito de preparar o docente para atuação em sala de aula.

Araújo, Carvalho, Porto Reis e Silvanez Neto (2005, apud CARDOSO et al. 2012), dizem que a categoria docente é uma das mais expostas a ambientes conflituosos e de alta exigência de trabalho.

No Brasil a educação apresenta grandes problemas no que se refere à saúde do professor e suas condições de trabalho, contribuindo para o desencadeamento de síndromes e transtornos emocionais.

Carlotto (2002) argumenta que alguns estressores são típicos da natureza da função e outros ocasionados pelo contexto onde se realiza essa função.

A história docente no Brasil veio sofrendo alterações que contribuem para a despersonalização dos profissionais da educação. Faber (1991 apud CARLOTTO 2002) pontua que a severidade do Burnout entre os profissionais de ensino já é atualmente superior à dos profissionais de saúde, o que coloca o magistério como uma profissão de alto risco.

Costa (1995 apud CARLOTTO, 2002) diz que a escola constituiu-se a partir do século XV no âmbito de uma sociedade disciplinar erigida no conjunto das transformações que produzem a modernidade.

Essas transformações passam do aluno que teria que ser controlado, corrigido, disciplinado, para alunos mais úteis e dóceis, neste período a “prática cultural” se modifica para “escolarização” que se desenvolve no século XVI. As igrejas abrem escolas para as classes populares em que o clero se responsabiliza pela prática docente.

Krentz em uma síntese diz que:

A necessidade de convocar colaboradores leigos fez com que fosse instituída a realização de uma profissão de fé e um juramento de fidelidade aos princípios da Igreja, o que deu origem ao termo professor: pessoa que professa a fé e a fidelidade dos princípios da instituição e se doa sacerdotal mente aos alunos. (KRENTZ, 1986 p. 3 12-16).

Essa idealização colocava o professor na situação de aquele que doava o guardião. Na Revolução Francesa essas características se tornam mais evidentes, no século XIX muda-se a forma de como o professor atuaria, e o mesmo passa a preparar o aluno não mais para a doutrinação e sim para trabalhar em indústrias, onde segue a proposta do taylorismo.

Entretanto, o professor não se preocupava em formar o aluno para sociedade como um indivíduo dono do seu próprio conhecimento, e sim para atuarem em fábricas, contudo, havia os que seriam preparados para serem chefes, e os que apenas aprendem sua função nas fábricas. O professor vem sendo cobrado a desempenhar vários papéis, de forma que essa modificação esta relacionada ao avanço contínuo do saber. Muitas vezes o professor exerce em sua profissão práticas das quais não possui domínio e neste momento se resiste às mudanças, e o mesmo passa a ser questionado levando-o ao sentimento de mal estar, acarretando transtornos e síndromes como a de Burnout.

Faber (1991 apud CARLOTTO, 2002) esclarece as questões dessas frustrações emocionais peculiares, destacando, entretanto o sentimento de irritabilidade, ansiedade, raiva e tristeza.

Sentimentos estes que são relevantes no desenvolvimento da prática pedagógica, levando o profissional a um resultado insatisfatório em sua atuação no ambiente de trabalho. O professor culturalmente tem essa carga histórica de que deve conseguir desempenhar todos os papéis que são propostos sem erros, assim eles exigem de si mesmos ser transmissor do conhecimento de forma plena. Contudo o professor deve aceitar que existe obstáculo para que esse processo de ensino – aprendizado seja absorvido totalmente pelo aluno, que existe um processo de troca de saberes. E que com toda a mudança histórica- social, o professor tende a estar preparado para a baixa produtividade, independente de seus esforços em sala de aula.

3.3 Fatores que provocam a Síndrome de Burnout

Nos últimos anos o trabalho docente tem sofrido mudanças nas questões organizacionais e estruturais. Segundo Esteve (1999), tem aumentado as responsabilidades e exigências que se projetam sobre os educadores, coincidindo com um processo histórico de uma rápida transformação do contexto social. Estas transformações estão ligadas a alguns fatos que envolvem a evolução dos agentes tradicionais, tais como família, a sociedade e a tecnologia.

O papel da escola tem se modificado, pois era tradicionalmente designado às instituições escolares e, atualmente, está sendo substituído por uma cultura em massa. A família espera hoje que a criança, ao ser inserido na escola, haja uma transferência de total responsabilidade para o professor, como se o mesmo tivesse a função social de educar como pai e mãe, renunciando sua posição de agente educador, para ser cobrado pela responsabilidade que cabe a família tratar como os bons modos e primordialmente como viver em sociedade.

O professor hoje é visto pela sociedade como o mensageiro de todos os saberes e que deve trabalhar quesitos sociais que cabem apenas à família, exigidos por essa classe, dá-se o início da despersonalização desse profissional.

Com os avanços tecnológicos, o professor necessita acompanhar as mudanças que vem acontecendo no currículo escolar. São inseridos recursos didáticos avançados, e que exige desses profissionais habilidades que no início de sua trajetória não eram requeridas tais cobranças como estas, deixando-os inquietos com essas informações e apreensivos quanto a sua metodologia e didática. E, com isso, o papel do professor e sua função vêm sendo questionados.

Pela grande demanda, o professor deve se atualizar constantemente e acompanhar essas novas formas de atuar em sala de aula, porém não se observa ter o suporte adequado para que esse professor atualize, e apenas aparecem as cobranças demasiadas. Os profissionais da educação tendem muitas vezes, a se acomodarem e não procurar outros meios de inovar, levados pela desorganização das políticas públicas educacionais, que não corroboram a realidade de muitas escolas.

Esteve (1999, p.31) supõe um profundo e exigente desafio pessoal para os professores que se propõem a responder às novas expectativas projetadas por eles.

Esse processo de transformação vem sendo colocado em um contexto cultural muitas vezes distinto daquele que foi inserido anteriormente. E com essas mudanças surgem os conflitos que em grande parte levam ao Burnout. Em vários aspectos hoje cobrados pela sociedade e pela instituição escolar, exige-se que o professor assuma um papel de companheiro e amigo do aluno, porém ao finalizar o curso esse mesmo professor adota uma função de avaliador, colocando ao contrário ao que era estimulado.

Merazzi (1983 apud CARLOTTO 2002) aponta que algumas vezes é proposto que o professor atenda aos alunos individualmente e em outras tem que lidar com as políticas educacionais sociais que o direcionam, tornando professor e aluno submissos.

O que deixa em alerta que essas mudanças no papel do professor, traz conflitos em que o empreendimento educativo deixa de ser assegurado, mostrando que a sociedade vive uma crise. A relação do saber contínuo leva o professor a incluírem-se conteúdos que não eram reportados para exercer a profissão, fazendo com que esse novo modelo social em que o professor passa de transmissor exclusivo de conhecimento e de hierarquia para ser questionado pela sociedade desenvolvendo o sentimento de mal estar.

Os professores sentem uma responsabilidade excessiva em que devem sempre estar idealizados e entusiasmados com a profissão, e quando não são recompensados pelos esforços dedicados, sentem-se frustrados e desapontados. Os professores sentem-se sobrecarregados, tendo que por conseqüência ir para sala de aula com sentimento de que já não terá os mesmos resultados que em sua trajetória acadêmica, deslumbrava para a sua atuação.

Maslach e Jackson (1984 apud CARLOTTO 2002) afirmam que a educação pode ser associada ao Burnout, devido ao alto nível de expectativa destes profissionais, o qual não pode ser totalmente preenchido.

Os profissionais vivenciam uma escola real, contudo, as expectativas projetadas eram da escola ideal. Inesperadamente depara-se com uma realidade totalmente contraditória as que foram ensinadas.

Faber (1991 apud CARLOTTO 2002) mostra que profissionais do sexo masculino sejam mais vulneráveis que do sexo feminino, pois as mulheres são mais flexíveis para lidar com as várias pressões presentes na profissão.

Outra relevante questão é que, profissionais com menos de 40 anos apresentam maiores chances de serem acometidos pela síndrome de Burnout, sobretudo pelas expectativas irrealistas sobre a profissão. O que leva a essa afirmativa, é o fato de que os professores com mais idade, já apresentam níveis maiores de compreensão das demandas do trabalho e já está decidido a permanecer na profissão, possuindo um conhecimento das práticas pedagógicas, demonstrando despreocupados com os fatores estressores.

Para Schwab e Iwanicki (1982 apud CARLOTTO 2002) e Woods (1999 apud CARLOTTO 2002), mais significativo que os anos de prática de ensino são o nível de ensino que o professor atua. Eles apontam que os professores que atuam no ensino fundamental I, II, ensino médio, apresenta atitudes mais negativas e uma menor freqüência de sentimentos pelos alunos, diferente dos professores da educação infantil. O que aponta o maior caso de professores com Burnout é o deficiente relacionamento entre professor-aluno, que geralmente nessa faixa etária começam a se descobrir como donos de suas próprias vontades, não aceitando cumprir regras estipuladas no ambiente escolar.

O professor passa por uma função contraditória em que ele assume vários papéis, tendo que lidar com o emocional, social e conflitos em relação às expectativas dos pais, gestores e sociedade. O dia a dia do professor passa por divergências, ao mesmo tempo em que exerce a função de mediador do conhecimento, repentinamente precisa estar atento a realidade do aluno, em algum momento esse aluno expressa sentimentos de dependência, envolvendo o porquê de seu baixo desenvolvimento, muitas vezes tendo que interferir na vida pessoal desse aluno que provavelmente possa a vir esta passando por algum problema extraescolar.

Burke e Greenglass (1989 apud CARLOTTO, 2002) comprovam que a falta de suporte social é uma das causas significativas do Burnout em professores.

E, consequentemente sua trajetória é solitária, a falta de apoio psicológico no ambiente de trabalho, a precariedade da estrutura física e dos materiais, grande quantidade de alunos em sala, são fatores relevantes que levam ao esgotamento total do profissional da educação. Logo a omissão de apoio dos gestores pedagógicos, é pontos relevantes nestes casos, a desvalorização profissional, a rotina estressante do trabalho docente em que muitos profissionais trabalham até três turnos para conseguir atender suas necessidades pessoais. Assim como, levando os a uma sobrecarga apontando grandes chances de serem acometidos pelo Burnout.

Lampert (1999 apud CARLOTTO, 2002) mostra que a educação hoje é vista e gerenciada como um negócio rentável. Essa posição mostra que a educação passou a ser gerida por uma visão capitalista, em que o lucro é o ponto macro dos donos de escolas, o governo também traz essa proposta levando a estrutura organizacional para empresários que visam apenas à rentabilidade, do que o fator educacional.

O professor se torna mais técnico, tendo critérios burocráticos baseando se em valores, e padronizando seus resultados. Com essas importantes mudanças no ambiente e na postura que o professor está sendo calcado, faz com que o mesmo sofra uma inquietação, deixando-o em um estado de estresse crônico, que posteriormente pode desencadear a síndrome de Burnout.

Lipp e Malagris apontam que,

Os efeitos do stress excessivo refletem-se também, de modo geral, na sociedade. Uma sociedade saudável e desenvolvida requer a somatória das habilidades dos seus cidadãos. Se o stress está muito alto no país, ou na comunidade, os adultos podem se tornar frágeis, sem resistência aos embates e dificuldades da vida. (LIPP E MALAGRIS 2001 p. 475-489).

O profissional quando identifica um alto nível de estresse, já está em um processo de quase- exaustão, Selye (1956), propôs que o stress se desenvolve em três fases: Alerta, Resistência e Exaustão. Em alguns anos posteriormente a teoria de Hans Selye, passa por uma reformulação, então, em seu modelo trifásico do stress. Ela entende que para chegar ao ápice no estágio avançado do estresse, o organismo utiliza uma grande quantidade de energia adaptativa.

A primeira fase segundo Selye (1956 p. 18 apud LIPP 2003) refere-se ao alerta, existe a preocupação do organismo passar por um momento de fuga e luta, a fim de, preservar sua vida. Em seguida entra na segunda fase, fase esta em que a resistência inicia-se, sofrendo uma adaptação, em que o organismo procura a homeostase interna. Aqui o indivíduo passa a sofrer de um grande cansaço e desgaste. E por fim, chega à exaustão, que é o momento em que o organismo deixa de produzir estratégias de defesa, e assim, manifesta as sérias doenças, como o Burnout.

Lazarus e Folkman (1984 p.18 apud LIPP 2003) afirmam que, as atividades cognitivas, usadas pelo indivíduo para interpretar eventos ambientais, são fundamentais no processo do stress. Os autores pontuam que esse ambiente, se não estiver saudável, é um fator contribuinte para o desencadeamento do estresse, assim, volta-se a questão do ambiente educacional em que o professor atua. E que, por conseguinte traz falhas na gestão organizacional, que também contribui para manifestações do estresse em professores.

Faz-se necessário, que o trabalho seja um ambiente em que as relações sejam compreendidas como parte da gestão organizacional, de forma que melhore a compreensão do processo ocupacional, para que subsidiem estratégias preventivas, contribuindo com a saúde mental dos trabalhadores, com um ambiente laboral escolar saudável. Opas, (1998 p.136 apud ANDRADE 2012) afirma que o ambiente e saúde estão interdependentes e inseparáveis. Assim, há a necessidade do estabelecimento de programas multi e interdisciplinares que incentivem a construção de ambientes saudáveis, para que se constituam de ambientes saudáveis, para que se constituam em ferramenta para aprimoramento dos resultados em um processo gradativo de melhoria da qualidade de vida (COHEN E COL., 2007 apud ANDRADE, 2012).

Contudo, o trabalho docente é norteado por vários fatores que precisam ser tratados com importância, a fim de, que a rotina escolar seja o mais satisfatória possível para se evitar o desgaste e o acometimento da síndrome de Burnout.

4. CAPÍTULO II - A VULNERABILIDADE DOS PROFESSORES À SÍNDROME DE BURNOUT

No trabalho docente, conforme Carlotto (2005, apud CARLOTTO et. al., 2008), alguns estressores são típicos da natureza da função e outros são ocasionados pelo contexto em que o mesmo se realiza. Coloca-se em questão a causa que atribui à vulnerabilidade dos professores, está evidenciado não somente pela sua atuação em sala de aula, mas, também em relação ao ambiente de trabalho em que o mesmo se encontra, sendo um problema organizacional que se deve considerar.

Arantes e Vieira (2002, p.87, apud BERGAMINI et. al. 2008) dizem que as circunstâncias em que foram detectados episódios importantes de Burnout, foram: mudança de direção, exigência de hora extra, são fatores que compõem o terreno fértil para crises de Burnout.

Muitos profissionais da educação, em principal os professores, agregam em sua rotina diária uma extensa carga horária de trabalho, atribuindo tarefas excessivas em até três turnos em diferentes escolas, com diferentes gestões, ambientes físicos, alunos de faixa etária diversa e consequentemente distinta postura comportamental, todos esses pontos são preponderantes para levar o profissional ao desgaste físico e emocional.

Maslach e Leiter (1999, apud REINHOLD, 2004) afirmam que o desgaste físico e emocional não é um problema do indivíduo e sim do ambiente social em que trabalha, quando a empresa não reconhece o lado humano.

Na perspectiva do ambiente educacional, se é esperado que o professor seja visto também como um indivíduo com carga histórica e emocional constituída e que deve se apoiar as suas limitações perante o estresse constante, porém nota-se que em muitos casos, ficam excluídos esses fatores relevantes.

Gestão e pais acreditam que o professor limita-se a rotina escolar, considerando que o mesmo sempre está à disposição de suas cobranças sobre o resultado de seus filhos, até mesmo desconsiderando que o saber é mutuo e que deve partir de ambas as partes, tanto quanto os resultados são reflexos de acompanhamento extraclasse, que na maioria das vezes deixam grande falha no processo de internalização do conhecimento do aluno.

Outro aspecto que deixa o docente vulnerável é a era tecnológica que trás para o ambiente educacional certo desconforto sobre como o professor deve interagir com a tecnologia no momento de suas aulas, porém falta recurso, preparação e incentivo para a exposição da mesma.

Moraes (1997, apud REINHOLD2004) afirma que não se deixa de acreditar que os dias vividos pela civilização pré- tecnológica foram mais cheios de sentido e mais vazios de receios, medos. Nesta fala fica evidente que a era tecnológica, vem desconstituindo o modelo de atuação nas salas, em que a tecnologia tem sido atribuída ao currículo escolar, porém a falta de preparo deixa o profissional com sentimento de fragilidade perante os alunos.

Todas essas evidências deixam os professores vulneráveis e seu mecanismo de defesa tende a falhar, deixando- o exposto ao estresse crônico, levando o individuo a ser acometido pela síndrome de Burnout.

4.1 Decorrências da síndrome de Burnout na categoria dos professores e os mecanismos de defesa

Para exemplificar, o professor vem sofrendo uma desvalorização perante sua atuação no ambiente escolar. A falta de recursos, estrutura, salas com limite de alunos em excesso, e esses mesmos alunos desmotivados, vem deixando o profissional com dificuldade em aplicar sua didática e métodos e assim não atendendo as expectativas que ele mesmo atribui ao seu trabalho.

Esteve (1999, apud REINHOLD 2004) adverte sobre as desastrosas tensões e orientações provocadas nos indivíduos quando estes se vêem obrigados a uma mudança excessiva em um período demasiadamente curto. Para o autor essas mudanças na valorização do professor é um tema que precisa ser reformulado, no sistema educacional.

Os autores Arantes e Viera referem-se.

Algumas fontes de estresse organizacional, que são: responsabilidades por vidas humanas; ambiguidade na distribuição de papéis; desenvolvimento na carreira e a expectativa de promoção; relações entre colegas, superiores e subordinados; estrutura e clima organizacional. (ARANTES E VIEIRA, 2002 p.80-5).

O profissional quando se depara com demasiada desestruturação organizacional, um conflito interno é estabelecido e assim, se torna vulnerável ao Burnout, doença que pode tirar o professor definitivamente de suas funções trabalhistas, ou tornarem incapazes de atuar em sala de aula, e até mesmo em qualquer área que seja relacionado ao campo educacional.

Um dos grandes problemas sobre o Burnout, é que os professores, não percebem que estão fragilizados e esgotados, isso dificulta a procura por tratamento adequado, pois é comum o medo das pessoas de se mostrarem anormais, ou psicologicamente desajustadas.

Garcia-Roza (2001, p. 20 apud et. al. BERGAMINI 2008), afirma que a psicanálise produz uma derrubada da razão e da consciência do lugar sagrado em que se encontravam.

Bergamini relata que:

Freud afirma e mostra que a mente humana é movida por conflitos inconscientes, dividida entre forças poderosas do Inconsciente e da Consciência; assim, coloca em xeque a noção de indivíduo, portanto, de saúde e doença, de razão e desrazão. O eu individual mostra-se dividido, em conflito, produzido o tempo todo crises que evoluem para a elaboração do pensamento ou para doença. A idéia do eu controlado e estável dá lugar a instabilidade do mundo. (BERGAMINI, 2008 p.112).

Por estas constatações Freud, depois de alguns estudos e teorias, apresentou a psicanálise como método, chamado talking cure, ou seja, “cura pela fala”.

São comuns as pessoas que estão em volta de alguém acometido por um transtorno psicológico, entender que se essa pessoa não apresenta o problema físico, ela não está doente. E por muitas vezes o indivíduo encontra-se calado sobre suas dores e suas frustrações, tanto no âmbito familiar ou no âmbito do trabalho.

Freud, em 1920 e, mais tarde sua filha Ana, descreveram os mecanismos de defesa do ego. Acredita-se que os mecanismos de defesa quando utilizado leva ao inconsciente seu problema, assim, não seria preciso encarar ele novamente.

Julga-se que se os mecanismos de defesa forem usados de forma perspicaz podem evitar tais desgastes. Contudo no ambiente organizacional, com a pressão da cobrança a todo tempo, se faz fácil de perder o controle sobre as mesmas, assim, o indivíduo se torna vulnerável, se tornando vítima das desorganizações emocionais.

Ao perder essa organização emocional, com o ritmo de trabalho que se é necessário para estabelecer uma qualidade em sala de aula, e com o aumento de informação diária estabelecida pela internet, o professor abdica de seus momentos de lazer, para estar atentos e informados sobre os conteúdos a serem ministrados.

O professor traz para sua rotina fora da sala de aula, os conflitos que ocorrem durante seu dia a dia, deixando em posição de alerta, e assim, o mesmo não consegue desvencilhar do trabalho no momento de lazer. A partir disto entende-se que exista uma falha na estruturação psíquica desse individuo que possa atribuir e associar-se a primeira teoria freudiana.

A estrutura do aparelho psíquico segundo Freud em sua primeira teoria é constituído pelo inconsciente, pré-consciente e consciente.

O inconsciente é constituído por um conceito reprimido, algo que seria censurado pela sociedade, assim levando o indivíduo a se resguarda em determinados posicionamentos, sendo ele atemporal, ou seja, não distingue o presente do passado.

O pré-consciente é aquilo que está acessível à consciência, mas que não necessariamente encontra-se consciente.

O consciente a percepção e o raciocínio são trazidos do mundo exterior para o mundo interior.

Em relação ao Burnout, esses conceitos são relacionados ao modo como indivíduo expressa a realidade do estresse crônico, ele guarda aquilo que o desorganiza, e depois expressa de forma conflituosa todos esses sentimentos de exaustão e despersonalização. Com demais estudos sobre esses transtornos organizacionais, Freud passa a remodelar sua primeira teoria em 1920 e 1923, introduzindo o id, ego e superego.

Os conceitos do id, ego e superego, imputando sobre os sistemas de personalidade, referindo-se o id como sendo inato, algo que não provém de experiências, que estão em nossos espíritos desde quando nascemos.

O ego já passa a regular o que o id e o superego são regidos, se tornando um regulador dos sentimentos de desprazer, as funções básicas de percepção, sentimentos e pensamentos.

Superego vem do complexo de Édipo, os limites e proibições, exigidos pela sociedade.

Assim estabelece os importantes sistemas e aspectos necessários para se manter equilibrado diante de situações de desconfortos, e desorganização social, ativando os mecanismos de defesa citados anteriormente no texto, que são uns dos responsáveis para evitar e proteger que o indivíduo seja acometido pela síndrome de Burnout.

Freud desenvolveu o mecanismo de defesa de repressão e posteriormente, Anna Freud destaca em sua obra o Ego e o Mecanismo de Defesa, atribuindo as defesas do ego com defesas especificam e características da dinâmica comportamental do individuo: a regressão, formação reativa, anulação, introjeção, identificação, projeção, voltar-se contra si, reversão e sublimação trabalho do pai Freud.

Gabbard (1998, p.42, apud BERGAMINI et. al. 2008), é quem classifica o mecanismo de defesa segundo a hierarquia, desde os mais imaturos ou patológicos até os mais maduros saudáveis.

É notório que cada indivíduo tem sua história e nela traz sua particularidade, seja ele da área educacional, ou não, e que se faz necessário se resguardar diante das frustrações do trabalho, com a finalidade de ter sucesso em sua jornada, aplicando métodos de prevenção e táticas de como escapar dos transtornos psicológicos, principalmente em áreas de contato direto e diário entre o atendente e o atendido, como gestor e professor.

Estabelecendo uma relação entre professor e aluno sobremaneira de estar atribuindo cada coisa a seu lugar, sem trazer para si, sentimento de inquietação sobre fatos ocorridos em sala de aula, fazendo com que seu trabalho seja motivador, e reforce suas metas e conquistas.

4.2 Algumas estratégias para o enfrentamento da vulnerabilidade dos professores a síndrome de Burnout

A vulnerabilidade está ligada a vários fatores que engloba o campo educacional, já citado pelos autores desta pesquisa, porém existem estratégias e enfrentamentos que podem evitar esses conflitos organizacionais e ou emocionais que levam o profissional docente a síndrome de Burnout.

Lipp (2000) diz que, quando conseguimos utilizar estratégias para restabelecer a ordem interior, o estresse é eliminado. A autora aponta que se o equilíbrio é restabelecido ou se aprende a lidar com ele tudo se reorganiza.

Lazarus e Folkman citam que:

Entendem por enfrentamento (coping), o conjunto de esforços que uma pessoa desenvolve para manejar ou lidar com as solicitações externas específicas ou internas, que são avaliadas por ela como excessivas ou acima de suas possibilidades. (LAZARUS E FOLKMAN, 1984, p. 46:839-2).

Alguns autores estudaram formas de enfrentamento sobre este desgaste emocional, resultado da desorganização do trabalho. Lazarus e Folkman (1984 apud MORENO et. al., 2011) propõem dois tipos de estratégias de enfrentamento, as focadas na emoção e as que são focadas no problema.

As estratégias focadas na emoção encontram-se na hesitação, o distanciamento, atenção seletiva, comparações positivas, que consiste em regular a resposta emocional.

Garrosa-Hernandes et. al., (2002 p.224-67, apud MORENO et. al. 2011) diz que estas estratégias não atuam diretamente sobre o agente estressor, mas são utilizadas quando este não pode ser modificado e existe a necessidade de interação com o mesmo.

O outro enfrentamento volta para o problema, atuando sobre o agente estressor, que busca alternativas para solucionar o problema. (GARROSA-HERNANDEZ et. al., 2002 p. 224-67).

Essa forma de busca do tratamento do problema se coloca, da maneira que tenta remodelar o ambiente em que se trabalha, tentando nas mudanças externas, nas fragilidades de recursos, e nos meios procedimentais, conseguir adequar às condições de trabalho de maneira que atenda sua prática pedagógica.

Conforme Tamayo e Troccoli (2000, apud WAGNER 2004), as modificações afetam as aspirações do individuo, redução do Eu, busca de canais de participação alternativos, desenvolvimento de novas pautas de conduta e aprendizagem de novos procedimentos.

Essas estratégias dependem de cada individuo, tornando-se variável ao objetivo desejado, habilidade cognitiva de coping, e comportamental, compreende em ações de melhoria da comunicação do trabalho em equipe. Do qual será definido logo adiante nos próximos parágrafos.

As mais adequadas são as intervenções combinadas para os ambientes em que vários estressores compõem à estrutura organizacional, trazendo melhora à resposta do individuo ao ambiente de trabalho.

Benevides e Pereira (2002) enfatizam três níveis de intervenções:

Centrados na resposta do indivíduo (individual), no contexto ocupacional (organizacional) e na intervenção contexto ocupacional e individuo (combinadas). Classificam se essas estratégias por considera las de fácil entendimento, pois o enfrentamento da síndrome não depende de uma única dimensão a ser vencida, e sim de mudanças multifatoriais. (BENEVIDES-PEREIRA, 2002, p.21-91).

Classificam-se as estratégias individuas como algo referente às características emocionais e pessoais frente a uma situação estressante, em que o indivíduo fundamenta-se a aprendizagem do profissional.

Folkman- Lazarus (1984, apud MORENO et. al. 2011) refere-se ao coping, “um esforço cognitivo comportamental, realizado para tolerar ou reduzir as demandas internas e externas”.

Existem duas categorias em que o coping pode ser dividido: o coping focalizado na emoção e o coping focalizado no problema. A estratégia da emoção é fazer buscar aspectos positivos de situações negativas, tentarem encontrar meios de evitar o distanciamento e sim pontuar relevantes situações benéficas que o agente estressor daquele momento possa trazer.

A segunda estratégia é fazer com que o problema definido pelo momento que é vivido, o indivíduo busque soluções alternativas para sanar esses problemas, não fugindo do mesmo.

São estratégias de coping referem-se Folkman – Lazarus (1984, apud et. al. MORENO 2011), o confronto e estratégias entre as ações e as conseqüências; o afastamento corresponde ao método que envolve a negação do sentimento de medo ou ansiedade, em que o individuo tenta esquecer a verdade, recusando-se acreditar que a situação esteja ocorrendo. O autocontrole, é quando controla a emoção, com suporte social, o individuo busca pessoas no meio social para obter apoio para solucionar seus problemas.

Aceitar a realidade e buscar alternativas de como resolver seus problemas, sejam eles organizacionais, pessoais é uma das vertentes positivas na vulnerabilidade da síndrome de Burnout, reavaliar suas possíveis falhas e minimizar a gravidade da situação é fator preponderante para alcançar objetivo direto da resolução do problema.

Folkman- Pereira (1984 apud MORENO et. al. 2011) coloca que a reavaliação positiva, que incluem estratégias cognitivas para aceitação da realidade, o indivíduo encontre aspectos que amenizem a gravidade da situação.

O tipo de coping que se deve escolher é algo muito particular, o processo histórico e a personalidade do individuo acometido pela síndrome de Burnout são características de extrema importância para se fazerem eficazes.

Estudos realizados com psicólogos segundo Sanzovo - Coelho (2007, apud MORENO et. al. 2011), a prática de exercícios físicos, conversarem com pessoas de confiança, ter vida social e senso de humor é necessária para diminuir os efeitos do estresse profissional.

Christofoletti- Trelha- Galera-Feracin (2007 apud MORENO et. al. 2011) relaciona essas estratégias ao melhor desempenho do trabalho, evitando a síndrome, ao proporcionar uma fuga do individuo em relação ao estresse cotidiano no ambiente de trabalho.

Outra estratégia é a organizacional, fazer com que o ambiente seja modificado, desenvolvendo atividades tais como no ambiente e clima do trabalho.

Toda estrutura organizacional, depende de uma gestão que intervém a realização de uma distribuição adequada de tempo de trabalho, com pausa de descanso, supervisão com apoio ao trabalhador e mudança de direção e liderança, a fim de se tornar democrática e participativa o trabalho em equipe. (PIERÓ- SALVADOR, 1993).

A síndrome de Burnout não se relaciona a um problema com pessoas, mas principalmente o ambiente em que ela atua, tratando de uma experiência subjetiva que o individuo passa a ter sentimento de negatividade em relação ao trabalho fazendo com que a exaustão traga a diminuição de seu rendimento, levando ao absenteísmo de forma que a baixa produtividade afete tanto a empresa em que atua como a expectativa do trabalhador.

No campo educacional é notável que o professor se limite ao sistema que é imposto pela instituição, fazendo com que seu trabalho docente se torne exaustivo, em conseqüência de determinadas atitudes da coordenação, pais e alunos.

As escolas não propõem ao educador um apoio psicológico que o auxilie se organizar psiquicamente, deixando a saúde mental comprometida, e o resultado desse desajuste é a evasão dos profissionais da educação, encaminhando para um processo de exclusão.

Os pesquisadores Borges-Argolo-Pereira-Machado-Silva (2002-2008 apud MORENO et. al. 2011), sugerem que a efetividade da comunicação organizacional, melhores condições de materiais, reconhecimento do mérito. Que são aspectos relevantes para um bom desempeno do trabalho, a capacitação dos profissionais, através de um processo de educação permanente é relacionada aos riscos psicossociais, como falta de preparo e ou capacitação, são suficientes para a o desenvolvimento da síndrome de Burnout.

Esse processo de educação citado refere-se ao fato que as universidades hoje não preparam os alunos de pedagogia para atuarem em sala de aula, se ministra aulas de sociologia da educação, história da educação, psicologia da educação, fazendo com que os discentes não tenham uma prática sobre sala de aula, como verdadeiramente é.

Muitos alunos passam pelo curso sem ter nenhum tipo de contato com a prática, e quando vão para sala de aula, se deparam com um conflito sobre teoria e prática. Tornando o individuo vulnerável a nível elevado de estresse e assim podendo ser acometido pela síndrome de Burnout.

A educação brasileira tem passado por transformações sobre o papel do professor em sala de aula, muitos pais ainda trazem a concepção de que o professor tem o papel de educar seus filhos, deixando essa responsabilidade de fora do ambiente familiar.

E os alunos já em outra vertente vêem os professores, como meros transmissores de conhecimento, sem qualquer tipo de vinculo afetivo e de respeito com os mesmos. Esses desajustamentos sociais devem ser sanados com políticas publicas que manifestem o respeito ao profissional da educação, partindo do pressuposto que a profissão é merecedora de todos os méritos regidos por lei.

Existem outras estratégias, as chamadas estratégias combinadas, em que entende o Burnout como resultante da relação do sujeito com o meio laboral.

Carlotto (2006) enfatiza que palestras e programas que informem os profissionais quanto aos riscos a que estão expostos e a identificação das manifestações da síndrome de Burnout.

Essas ações são de extrema relevância para a prevenção do acometimento da síndrome de Burnout, tratar do assunto auxilia que o profissional, se previna e mantenha-se em alerta sobre possíveis situações que o levaria ao nível de estresse elevado.

Fazendo com que a organização e mudança no contexto de trabalho sejam efetivas e traga benefícios à saúde mental dos prestadores de serviço. Lembrando que o estresse laboral é um fator muito evidenciado na atualidade no meio laboral, e a prevenção é uma estratégia para evitar essa vulnerabilidade aos agentes estressores.

5. CAPITULO III - PROFESSORES: SÍNDROME DE BURNOUT E AS PRÁTICAS DOCENTES

Fica evidente que a trajetória do professor passa por várias transformações, e que os conflitos de gestão e do grupo de professores também são aspectos relevantes para o desencadeamento da síndrome de Burnout, principalmente pelo fato de ser uma categoria que vem se mostrando individualista. O desafio diário em que os professores está sujeitos, defini de forma que, o domínio educativo vem oscilando e com isso, existe um grande nível de estresse em que o professor é submetido, ocasionando um desconforto crônico. Nas práticas docentes existe uma ambiguidade, conflitos e opacidades no mecanismo de defesa.

Perrenoud pontua que:

“Aprender a trabalhar melhor em conjunto” indica uma direção; a cooperação profissional não se consegue por decreto; ela se aprende, se quisermos, às vezes laboriosa e dolorosamente; por outro lado, ela se vincula mais a uma cultura profissional do que as estruturas formais; é inútil decretar administrativamente que o corpo de professores forme uma equipe, pois se constrói uma pura ficção e mascara-se uma realidade que é muito mais nuançada. (PERRENOUD, 1993c, p. 109-27 apud Rezende 1999).

O autor refere que o corpo docente deve trabalhar em prol de conseguir desenvolver um trabalho em equipe, a fim que, trabalhe um pelo outro e não um contra o outro, sem se preocupar se o profissional ao lado está tendo dificuldade em atender as próprias expectativas. Colocando à disposição estratégias que sejam geridas por todos, realizarem momentos em que os objetivos pedagógicos sejam compartilhados, para tirar esse profissional de um processo de alienação. Se auto-avaliar e assim repensar as práticas pedagógicas.

O professor deve restabelecer a autonomia profissional, a formação deve ser pensada como algo acumulativo, deve-se estabelecer interação com o trabalho e as pessoas desse ambiente de trabalho, o investimento pessoal tendo em vista a construção da identidade da pessoa. Nias (1991, apud NÓVOA 1992), fala que o professor é pessoa. E uma parte importante da pessoa é o professor. Faz-se necessário, modificar as relações interpessoais no ambiente do trabalho educacional, repensando o fazer pedagógico. A autora refere-se que não se trata só de um profissional, e sim de um individuo que atribui sua experiência de vida, que tem referências do meio em que está inserido, atribuindo em sua prática pedagógica, influencias de sua trajetória histórico-cultural.

Ivor Goodson (1991, apud NÓVOA 1992) defende a necessidade de investir a práxis como lugar de produção do saber e de conceder uma atenção especial às vidas dos professores.

Trazer para a gestão organizacional essas medidas em que se dê total relevância ao bem estar do professor faz com que se sintam mais confiantes, ademais seu desenvolvimento terá rendimento, deixando seus medos, e limitações com sobrecarga de tarefas mais amenas, tornando-o mais autônomo em sua trajetória docente. Evitando as síndromes como Burnout, que envolve muito dessa relação de interpessoal, dividindo seus momentos de angustias, mal estar, estimulando uma cultura organizacional pertinente. O exercício da profissão docente parte de trocas de experiências significativas, encorajando que o professor partilhe seus conhecimentos e técnicas em diversas situações, seja ela referente a pontos positivos, como negativos.

Domicicé coloca-se a favor de que:

“Devolver à experiência o lugar que merece na aprendizagem dos conhecimentos necessários à existência (pessoal, social e profissional) passa pela construção de que o sujeito constrói o seu saber activamente ao longo do seu percurso de vida. Ninguém se contenta em receber o saber, como se ele fosse tradizo do exterior pelo que detêm os segredos formais. A noção de experiência mobiliza uma pedagogia interactiva e dialógica”. (DOMICICÉ, 1990, p. 149-150).

A socialização do professor faz-se necessária, o diálogo entre os professores e as gestões pedagógico estas devem ser participativas e reflexivas, atribuindo medidas que reforçam a evidência de que as intervenções que qualificam os recursos pessoais são de total relevância que contribui para a melhoria do ambiente de trabalho. A retórica atual sobre o profissionalismo e a autonomia dos professores muitas vezes desmentida pela realidade, e os professores têm a sua vida quotidiana cada vez mais controlada e sujeita a lógicas administrativas e a regulações burocráticas (GINSBURG & SPATIG, 1991; POPKEWITZ, 1987, apud NÓVOA 1992).

Mediante os pontos citados por alguns atores, sobre todas as vertentes, ou algumas delas, que fazem o individuo em questão o professor a ser acometido pela síndrome de Burnout, se fez necessária uma pesquisa qualitativa sobre algumas instituições e como o professor chegou à despersonalização, estresse crônico, exaustão emocional, sintomas que alertam o indivíduo que não está com condições físicas e mentais de estabelecer ralações em seu ambiente de trabalho.

A pesquisa em forma de questionário foi realizada referente a Srª “K” e a Srª “L” em uma instituição particular de ensino no município de Aparecida de Goiânia, Goiás, com autorização da coordenação pedagógica e direção da instituição. A Srª “E”, a pesquisa foi realizada fora do ambiente educacional, pois a entrevistada não obteve autorização de identificar ou incluir a instituição. Porém foi de grande contribuição para referente pesquisa.

1º CASO: Srª “K” coordenadora pedagógica instituição particular, referente ao apêndice A.

Após analisar o questionário sobre os motivos que levaram o adoecimento do profissional da educação, ficou evidente que os fatores que relacionaram o estresse crônico ao indivíduo. A entrevistada Srª “K” tem 40 anos, atua na coordenação nos últimos cinco anos, porém já lecionou pro mais de 10 anos em escolas públicas e privadas, ela fez magistério e hoje em 2016 está no 7º período do curso de licenciatura de Pedagogia. Srª “K” é casada, tem duas filhas e dois netos. Na escola que hoje atua, a direção e proprietária é sua parenta de 3º grau. Srª “K” se intitula ser uma profissional pontual, em que todos seus trabalhos são feitos com esforço e dedicação, atua na coordenação, e faz substituição em sala de aula quando algum professor falta, e diz gostar muito da prática docente.

A escola em que trabalha é conveniada com a rede municipal de ensino, atendendo a educação infantil, maternal I de dois anos, maternal II três a quatro anos, infantil I de cinco anos, no fundamental atende do 1º ao 5º ano. Srª “K” trabalha nos dois turnos, matutino e vespertino, atendendo no total 15 professores. Alguns destes professores são concursados, ligados a prefeitura, e os demais são contratados por meio de estágio e particular. Em nossa conversa a maior dificuldade que ela encontra é com alguns professores da rede municipal, pois não se sentem vinculados a escola e assim não atende as normas que instituição cobra, momento em que surge conflito entre gestão e professor.

O acúmulo de atividade em que a mesma se encontra como já trabalhando na educação há alguns anos, ela passa por um processo de despersonalização, em que ela atua na coordenação da escola, e precisa atender a demanda dos professores, e também exerce a função de secretariado, porteira, coordenadora pedagógica, gestão administrativa, ou seja, várias atribuições são colocadas a ela, e enquanto a valorização dessa profissional fica de toda menosprezada por parte da direção escolar, e quadro de funcionários.

Outro aspecto levantado em questão foi, a falta de colaboração dos professores em relação ao trabalho da coordenação, em que ela apresentou falhas na comunicação, entre corpo docente e coordenação, em que alguns de seu professores não contribuem para um trabalho de qualidade, até mesmo por estarem desmotivado com o ambiente escolar.

No momento da entrevista, a coordenadora Srª “K”, afirmou que alguns de seu professores que são diplomados questionam de forma subjetiva o fato de ela só agora estar terminando a faculdade, não aceitando muitas vezes a cobrança em relação à disciplina no trabalho, entrega de provas, plano de aula, atividades em data antecipadamente programadas, regras institucionais, utilizando como justificativa em não atender algumas de suas exigências pedagógicas. Levando a para um processo de exclusão. Ela se sente desmotivada, e se torna muitas vezes indiferente aos professores, e no atendimento aos mesmos.

Outro ponto que Srª “K” também enfatizou em nossa conversa que a falta de estrutura física também se torna um fator que atrapalha o desenvolvimento pedagógico, em que falta de recursos, muitas vezes é cobrado a ela. Deixando-a em uma situação de desconforto.

A conclusão deste relato mostra a despersonalização, a falta de apoio da direção, falta de preparo na gestão pedagógica, falha na instituição que não colabora para um ambiente em que a harmonia, não é um fator relevante, o individualismo se torna presente, mostrando que cada um trabalha da forma que acha conveniente, sem se preocupar com equipe no ambiente de trabalho, sobretudo, tendo a divergência como ponto chave neste ambiente.

Dessa forma Srª “K”, entrou num processo de estresse crônico, que por falta de um tratamento mais aprofundado, conforme levantado na pesquisa, em geral o diagnóstico sempre se refere a estresse e não o diagnóstico do Burnout, e com isso Srª “K”, tem passado por um momento conflituoso, em relação ao trabalho e família.

2º CASO: Srª “L” professora do ensino fundamental I.

A entrevistada Srª “L” tem 34 anos, pedagoga recém formada, atua a três anos em sala de aula, primeiro ano na educação infantil, e os dois últimos anos no ensino fundamental I. Quando ela foi contratada, não possuía experiência prática de como atuar na sala de aula, e assim encontrou algumas dificuldades, e neste momento recorria ao auxílio de sua coordenadora, que por despreparo ou algum fator pessoal, atendia prontamente, mas, em seguida a agredia verbalizando sobre assunto de cunho pessoal, em que a coordenação se sentia ameaçada em relação à professora SR “L” com os demais professores que mantinha bom um relacionamento interpessoal da qual a coordenação não priorizava, pois atuava como uma gestão rígida, sem envolvimento com a equipe.

Assim Srª ”L” relata que os dias no ambiente de trabalho foram se tornando insustentáveis, momento em que chegou a sua exaustão total, quando foi levada às pressas para o hospital. Depois que passou por todos os exames físicos, foi aconselhado a procurar ajuda psicológica, que após seu relato para a médica foi diagnosticada com síndrome de Burnout, doença ocasionada pelo ambiente de trabalho. Naquele momento Srª “L” não entendia muito do que se tratava, pois nunca havia escutado falar sobre esse transtorno, e entendia que doença do trabalho era apenas física. Então a partir de então foi afastada para tratamento psiquiátrico, com intervenção de medicamentos que auxiliaria no distúrbio do sono, irritabilidade e ansiedade.

Desde que iniciou seu tratamento, verificou que tudo que havia vivido em seu ambiente de trabalho foi fator relevante que fez com que chegasse a desencadear o Burnout, afirma que o despreparo de pessoas que atuam em cargos de gestão afeta muito no desenvolvimento do trabalho e na vida pessoal do indivíduo que está sendo atingido. Ela pontua a necessidade de preparar os profissionais para atuarem nesta área de gestão, pois muitas vezes se acontece de um professor pegar um cargo de coordenação, sem se preparar para atuar com situações que exige maior atenção. Afetando o outro com sua pouca instrução de como agir em uma gestão administrativa, participativa e pedagógica.

Sr “L” pontuou a necessidade de se falar da síndrome aos discentes, como método preventivo, a fim de, esclarecer sobre o transtorno que acomete o profissional educacional, em todo o viés, sendo por relação professor-aluno, professor-gestão e professor-sociedade, tendo em vista que a prevenção ainda é a melhor forma de tratamento.

Sr “L” no momento está em uma fase de controle da síndrome, está trabalhando em outra escola, se sente mais segura em relação a sua prática pedagógica, não possui problemas em relação à gestão escolar, nem com o corpo docente. Consegue estabelecer um vinculo afetivo com seus alunos, sentimentos que ao identificar seu transtorno foi afetado, levando ao distanciamento dos alunos e de todos que estavam em seu redor. Em momentos de estresse se sente com recaídas aos sintomas do Burnout, mas no momento não faz uso de medicações e consegue se controlar na maioria dos casos.

3º Caso: Srª “E” professora ensino médio

A entrevistada Srª “E”, atua como professora há mais de 10 anos, é pós-graduada e leciona com turmas do 6º, 7º e 8º ano do ensino fundamental II. Por motivos particulares não deu detalhes referente à instituição em que no momento passou por constrangimento, atentando-se somente em narrar os fatos que levaram a ser acometido pelo estresse crônico, transtorno de ansiedade e depressão. Lembrando que são patologias que geralmente são geralmente diagnosticadas quando se trata da síndrome de Burnout.

Srª “E”, no momento da entrevista, contou que foi colocada diante de uma situação constrangedora no ambiente de trabalho, que envolvia a diretora da instituição, A entrevistada afirma, que os constrangimentos, foram se tornando algo rotineiro, e que por várias vezes quando era maltratada chorava em público, pois as mesmas faziam essas agressões no momento das reuniões pedagógicas e também em frente das crianças. Prevalência do autoritarismo era ponto forte na gestão da escola, redimindo o professor, de forma que não se sentisse um profissional de qualidade,

Logo com um espaço curto de tempo, ela começou a sentir-se ameaçada, e começou apresentar sinais de alerta, como dor de estômago, sudorese, crises de ansiedade, principalmente quando estava perto da gestão pedagógica da escola. Diante disso, procurou ajuda médica, pois não conseguia atuar em sala de aula, se sentindo incapaz, desmotivada, com vontade de desistir da profissão.

Ao procurar ajuda médica, passou a ser medicada com remédios psicoterápicos, indicados por psiquiatra, e fez acompanhamento psicológico. Srª “E” foi aconselhada a se afastar da instituição, até que conseguisse se restabelecer psicologicamente, mas, a entrevistada preferiu pedir demissão antes que acarretasse maiores transtornos, maiores até mesmo aos que já estava passado.

E assim ela encerra a entrevista, afirmando que o trabalho docente é merecedor de todos os acompanhamentos necessários, e que a forma autoritária da gestão pedagógica foi o desencadeador dos transtornos emocionais que ela viveu, e ainda vive, pois ainda existem sequelas que não foram sanadas.

Em síntese, Apple & Jungck esclarecem que:

A intensificação leva os professores a seguir por atalhos, a economizar esforços, a realizar apenas o essencial para cumprir a tarefa que têm entre mãos; obriga os professores a apoiarem-se cada vez mais nos especialistas, a esperar que lhes digam o que fazer, iniciando-se um processo de depreciação da experiência e das capacidades adquiridas ao longo dos anos. A qualidade cede o lugar à quantidade. [...] Perdem-se competências coletivas à medida que se conquistam competências administrativas. Finalmente, é a estima profissional que está em jogo, quando o próprio trabalho se encontra dominado por outros fatores. (APLE & JUNGCK, 1990, p.156, apud NÓVOA, 1992.)

Devido a tantas cobranças, por partes dos gestores das escolas, visando à rentabilidade e não a qualidade vem fazendo com que a equipe pedagógica, se desmotiva, e assim seu trabalho começa a ter queda de rendimento, e, contudo, o professore vai se afastando dos princípios que os levaram até a escolha da profissão docente. Afirmações que estão implícitas nas entrevistas realizadas com professores e até mesmo com coordenador que atuam em sala de aula, e se sente essa falha tanto por parte da gestão, quanto por parte dos professores.

6. CONCLUSÃO

Assim sendo conclui-se que a pesquisa foi de grande contribuição, a fim de, discorrer sobre as inferências sobre a síndrome de Burnout e como se dá as manifestações dos sintomas da síndrome. Salientando as decorrências, os atenuantes referentes à prática docente, e o ambiente de trabalho, apontando a relação do professor como um fator relevante, junto à gestão pedagógica, ambiente organizacional, relação interpessoal, e inegavelmente a relação professor-aluno.

Com a pesquisa foi identificada o quanto se é falha a política educacional, que não trata com relevância a saúde do professor, não traçando estratégias de evitar o transtorno e até mesmo incentivar pesquisas para alertar os docentes e os discentes em relação ao Burnout. Consolidar a lei nº0348/99 como um direito do professor, deixando-os cientes que o Burnout é uma doença ocupacional, e que ela existe, além disso, professor tem o direito de ser tratado com respeito e dignidade, evitando um colapso na classe trabalhista docente.

Colocar as devidas responsabilidades nos governantes, e não apenas na gestão pedagógica, mas ir além, pensando na responsabilidade social que se tem em relação à categoria docente. Concentrar-se em estratégias em que a vulnerabilidade do docente, seja trabalhada de forma que possa ser aplicados métodos de prevenção da síndrome de Burnout.

As doenças ocupacionais estão cada vez mais em evidência, principalmente pela precariedade dos ambientes de trabalho e pela falta de uma boa qualificação para exercer cargos de gestão, que afeta diretamente aos que de certa maneira trabalham diariamente com os mesmos. Bem como a falta de preparação para atuar no ambiente educacional, por consequência, trás uma insegurança na prática pedagógica, o que se faz necessário maior capacitação desses professores, evitando assim desgastes, despersonalização e exaustão na execução de seu trabalho.

7. REFERÊNCIAS

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8. APÊNDICE

AS REFLEXÕES SOBRE OS MOTIVOS QUE LEVAM A SINDROME DE BURNOUT E SUAS DECORRENCIAS EM PROFESSORES

Questionário

  1. Sexo?

( ) Feminino

( ) Masculino

  1. Turma em que leciona?

( ) 1º ano fundamental I

( ) 2º ano fundamental I

( ) 3º ano fundamental I

( ) 4º ano fundamental I

( ) 5º ano fundamental I

( ) Outros ______________________

  1. Grau de formação?

( ) Superior incompleto

( ) Superior completo

( ) Pós Graduação incompleta

( ) Mestrado

( ) Doutorado

  1. Quantos anos já atuam como professor (a)?

( ) De 1 á 5 anos

( ) De 5 à 10 anos

( ) De 10 à 15 anos

( ) De 15 à 20 anos

  1. Quais os importantes sintomas fizeram com que procurasse ajuda médica?

_________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________

  1. Qual o apoio que você obteve da gestão pedagógica no momento em que foi diagnosticado (a) com estresse crônico e ou síndrome de Burnout?

_________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________

  1. Relate o que ocorreu para ser acometido (a) pela síndrome de Burnout?

____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________

  1. Você fez ou ainda faz uso de medicamentos? Está afastado (a) ou atuando em sala de aula?Se não estiver, você pretende retornar?

______________________________________________________________________________________________________________________________________________________

  1. O que você acredita que foi fator relevante para que adoecesse, e quais as medidas preventivas sugere que sejam feitas para evitar o adoecimento do professor (a)?

______________________________________________________________________________________________________________________________________________________

9. ANEXOS


Publicado por: LAYDMILLA MAGALHÃES DA CRUZ RODRIGUES

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