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OS DESAFIOS ENFRENTADOS PELO COORDENADOR PEDAGÓGICO NO AMBIENTE ESCOLAR

Pedagogia

Identificação das funções do coordenador pedagógico, análise dos desafios do coordenador no ambiente escolar e propostas de ação para que o coordenador construa um ambiente democrático na escola.

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1. Resumo

Esta pesquisa, de caráter bibliográfico e qualitativo, tem como objetivo discutir os desafios encontrados pelo coordenador dentro da instituição de ensino, bem como mostrar as dificuldades encontradas pelo mesmo diante das inúmeras funções que realiza sem que estas sejam de sua responsabilidade. Para melhor realizar sua função é preciso que o coordenador pedagógico conheça bem suas funções, sem desvincular é claro do seu principal objetivo que é garantir um processo de ensino aprendizagem saudável e bem sucedido para os alunos, como também o coordenador pedagógico precisa ter uma formação inicial e continuada para que possa desenvolver com afinco suas atribuições dentro da escola com eficácia, sendo a principal delas a formação dos docentes. Destacamos a importância da participação do coordenador no planejamento participativo, como algumas das formas de se promover uma escola democrática, de maneira coletiva, de forma a construir uma prática efetiva, visto que a escola só terá sucesso se todos tiverem envolvidos. Considera-se que o coordenador precisa resgatar a sua identidade para que possam assim se conscientizar de suas atribuições só desta maneira conseguira realizar um trabalho de qualidade, nas instituições escolares.

Palavras-Chaves: Coordenador pedagógico, atuação profissional, escola democrática

Abstract

This bibliographic and qualitative survey aims to discuss the challenges found by the coordinator in the academic institution, as it shows the difficulties found by him or her before countless. Functions that performs without being your responsibility. To performs your function better is needed that the pedagogical coordinator knows well your functions without being unlinking your main objective that guarantee healthy and well-succeed learning to the students, as also the pedagogical coordinator needs to have initial and continuous formation, so that can develop with insistence your attributions in school with efficiency, being the principal of them the teacher’s formations. Highlighting the importance of the coordinator’s participation in the participatory planning, as some ways to promote the democratic school, in a collective manner, in order to build an effective practice, whereas the school only will have success if all of them will be involved on it. Considering that the coordinator needs to rescue your identity thus he or she can be aware of your attributions, only in this way would manage to perform a quality work in the academic institutions.

Key Words: Pedagogical Coordinator, professional performance, democratic school

2. INTRODUÇÃO

O objetivo deste trabalho monográfico é analisar os desafios da coordenação pedagógica no ambiente escolar. A escolha da referida temática tem por finalidade principal, colaborar na construção de idéias a cerca dos desafios enfrentados pelo coordenador pedagógico dentro do ambiente escolar, por ser assim um assunto polêmico e que tem sido muito discutido além de ser um desafio para educadores e pesquisadores. Neste sentido questiona-se como o coordenador pedagógico mesmo com tantos desafios consegue intervir no cotidiano escolar para realizar um bom trabalho?

Para responder a problemática construída elencamos os seguintes objetivos específicos. Identificar as funções do coordenador pedagógico, analisar os desafios do coordenador pedagógico no ambiente escolar e verificar propostas de ação para que o coordenador construa um ambiente democrático na escola.

Os principais autores utilizados neste estudo foram: BARTMAN (1998) FREIRE (1982); MATUS (1991); TARFID (2002) e Orsolon (2003). O percurso metodológico utilizado nesta pesquisa partiu de uma abordagem qualitativa que segundo Marconi e Lakatos (2006) explicam que a abordagem qualitativa se trata de uma pesquisa que tem como premissa, analisar e interpretar aspectos bem mais profundos, descrevendo a complexidade do comportamento humano e ainda fornecendo análises mais detalhadas sobre as investigações atitudes e tendências de comportamento.

Para embasar teoricamente este estudo adotamos a pesquisa bibliográfica que de acordo com Marconi e Lakatos (1992) a pesquisa bibliográfica é o levantamento de toda a bibliografia já publicada seja ela em livros, revistas e imprensa escrita. Tem por finalidade fazer com que o pesquisador possa fazer uso de todo o material escrito sobre determinado assunto auxiliando de certa forma o cientista na análise de suas pesquisas. Sendo assim fizemos uma pesquisa de forma bibliográfica, apurando as concepções sobre o tema, procurando fundamentar teoricamente o assunto.

Em fim, esta monografia foi desenvolvida a partir de três capítulos. No capitulo I, intitulado as inúmeras e infindáveis funções do coordenador pedagógico no qual refere-se a as múltiplas funções que o coordenador pedagógico exerce dentro do âmbito escolar. No capitulo II apresentamos o estudo sobre o que dificulta o trabalho do coordenador pedagógico. Já no III capitulo, refere-se às ações que um coordenador pedagógico deve ter para construir um ambiente democrático na escola.

E por fim trazemos algumas considerações onde discorremos sobre os desafios da coordenação pedagógica no atual contexto escolar, buscando responder as questões de pesquisa em estudo.

3. AS INÚMERAS E INFINDÁVEIS FUNÇÕES DO COORDENADOR PEDAGÓOGICO

Inicialmente, o conceito de “função” no trabalho do coordenador pedagógico está diretamente associado às atividades que ele exerce na escola e suas atribuições, caracterizando o cargo que ocupa. Sendo a presença deste profissional indispensável para o bom adiantamento do processo pedagógico da escola.

As relações de trabalho, no campo da educação, vêm mudando bastante nas últimas décadas. Com o surgimento da coordenação pedagógica surge o supervisor como a idéia de “inspeção escolar”, já trazia em si o perfil deste profissional como um determinador de regras a serem cumpridas, por ser uma função que vem desde a ditadura militar e que demonstrava ser generalista instituída como serviço específico de 1º e 2º Graus, embora Já existisse anteriormente. (URBAN, 1985, apud VASCONCELOS, 2009, p.86)

Portanto, o coordenador era visto então dessa forma como um general, um ditador que oprimia os educadores, trazia assim a divisão social do trabalho. Os educadores que antes eram aqueles que sabiam e que mandavam e também organizavam suas aulas, fazendo como queriam e do jeito que achavam melhor, passam a ser desapropriados do saber, fazendo agora o que lhes é ditado pelo supervisor escolar. Como na situação industrial, não se confiava no trabalho dos trabalhadores porque não se confia em operários. Eram plenamente vigiados e desacreditados daquilo que sabiam e que ensinavam na função que exerciam.

Em virtude dos fatos mencionados acima, pode-se observar que o coordenador pedagógico tem como principal função a de “fiscalizar” a aplicação do projeto político pedagógico (PPP) e também se caracteriza como representante da direção junto aos professores, por ter essa função de fiscalizar, acaba sendo vistos como mal intencionados e mal interpretados por muitos docentes.

Nesse sentido, Vasconcelos (1956, p. 86) afirma que existem algumas definições negativas em relação ao papel do coordenador pedagógico, dentro do ambiente escolar quando coloca que o coordenador pedagógico não é fiscal do professor, não é “dedo duro” (que entrega professores para a direção).

Dentro desta ótica definida pelo autor, podemos salientar que á medida que o coordenador pedagógico já traz de outras décadas essa imagem de autoritarismo, isso faz com que traga para os dias atuais uma imagem de definição negativa, construindo assim uma imagem de atribuições desse profissional do qual na verdade não é a propriamente a ser a exercida por sua função. E para que o coordenador deixe de ser visto como autoritário se faz necessário que o mesmo assuma uma postura diferenciada para garantir a confiança dos companheiros de trabalho.

Por outro lado, ao mesmo tempo em que Vasconcelos (1956, p.87) também pontua definições negativas, o mesmo, porém, também trata das definições positivas em relação ao papel do coordenador pedagógico, quando afirma que:

Poderíamos dizer que a coordenação pedagógica e articuladora do projeto político-pedagógico, organizando a reflexão, a participação e os meios para a concretização do mesmo, de tal forma que a escola possa cumprir sua tarefa de propiciar que todos os alunos aprendam e se desenvolvam como seres humanos plenos, partindo do pressuposto de que todos têm direito e são capazes de aprender.

Isto nos leva a observar que o coordenador pedagógico tem papel importante para transformar a escola num espaço de formação de cidadãos. Além de tudo pode promover mudanças, pois contribui de forma significativa para formação e informação dos docentes.

Para tanto cabe aqui descrever o que ele deve ser, e como não deve ser, pois, a ele são atribuídas muitas tarefas, que não lhe compete, mas, que por sua vez ele procura desempenhar segundo suas possibilidades desdobrando-se em muitos papéis para dar conta do serviço, onde apenas lhe sobra uma sobrecarga de trabalho exaustiva, além da sensação do não dar conta de todas as atividades durante um dia de trabalho.

É de conhecimento geral de que o coordenador pedagógico, é uma figura indispensável para um bom andamento de uma instituição de ensino, além é claro de se desdobrar em mil funções em seu dia escolar. São diversas as situações em que o coordenador pedagógico está ligado diretamente à escola, que vão desde a formação dos docentes, como a resolução de conflitos no espaço escolar, como também com os de ordem burocráticas e organizacional.

Todos esses aspectos em relação às inúmeras funções do coordenador no qual ele tem que desempenhar, e que embora façam parte do contexto escolar acabam, contudo, por atrapalhar a boa administração do seu tempo e sem deixar de falar no seu desempenho em relação as suas principais funções que no caso são: planejar, selecionar juntamente com o corpo docente estratégias de ensino que dêem subsídios para o processo de ensino aprendizagem, atividades extracurriculares; analisar o desenvolvimento individual e grupal dos discentes, buscar identificar causas de dificuldade e aprendizagem, como também procurar meios para resolver casos de rendimento escolar, além de atender a comunidade escolar estreitando os laços entre os professores alunos e responsáveis, também deve ser um mediador entre professores e direção.

Em vista dos argumentos apresentados em relação às funções que coordenador pedagógico deve exercer em uma instituição escolar, Piletti (1998. p, 125) descreve as reais funções de um coordenador a serem desenvolvidas pelo mesmo e do qual são de sua competência, entre elas estão:

  1. Acompanhar o professor em suas atividades de planejamento, docência e avaliação;

  2. Fornecer subsídios que permitam aos professores atualizarem-se e aperfeiçoarem-se constantemente em relação ao exercício profissional;

  3. Promover reuniões, discussões e debates com a população escolar e a comunidade no sentido de melhorar sempre mais o processo educativo;

  4. Estimular os professores a desenvolverem com entusiasmo suas atividades, procurando auxiliá-los na prevenção e na solução dos problemas que aparecem.

Dessa forma, as colocações do autor conduzem a uma percepção de que é preciso que o coordenador pedagógico tome conhecimento de suas responsabilidades para que não sejam sobrecarregados de funções que não são de sua competência, fazendo muitas vezes se sentirem insuficientes e até mesmo incapazes de desempenhar tal função dentro da instituição escolar.

Assim, dentre tantos conflitos, sejam eles de ordem social, econômico e financeiro, os coordenadores ainda enfrentam problemas do dia a dia com a falta de professores. Como substituí-los em sala de aula, a organização da entrada e saída dos alunos como também as tarefas de ordem burocráticas, atendimento de alunos e pais, cuidado e planejamento de todo processo educativo, emergências e imprevistos, e na maioria das vezes também atuam até mesmo como inspetor escolar e entre tantas outras atribuições que lhes são impostas, pois a maior parte da rotina dos coordenadores é ocupada com essas outras funções.

Tentando aprofundar o assunto, diríamos que o coordenador é um formador e que é preciso, no entanto ocupar o seu lugar oferecendo formação ao docente, o que deveria estar no centro de suas funções de articulador, e muita vez é relegada a segundo plano pela falta de tempo.

Segundo Lima e Santos (2007, p. 79) várias são as metáforas construídas com relação ao trabalho do coordenador:

(...) “Bombril” (mil e uma utilidades), a de “bombeiro” ( o responsável por apagar o fogo dos conflitos docentes e discentes), a de “salvador da escola” ( o profissional que tem de responder pelo desempenho de professores na prática cotidiana e do aproveitamento dos alunos)”. Além destas metáforas, outras parecem definindo-o como profissional que assume uma função de gerenciamento na escola, que atende pais, alunos, professores e também se responsabiliza pela maioria das emergências” que lá ocorrem, isto é como um personagem “resolve tudo” e que deve responder unidirecional mente pela vida acadêmica da escola.

No entanto, a melhor metáfora que define a função do coordenador pedagógico seria “bombeiro” (o responsável por apagar o fogo dos conflitos docentes e discentes). Isso quer dizer que a escola tem conflitos que geram incêndios, e para apagar esses incêndios é preciso que o coordenador tenha uma ação imediata, pois não se sabe onde esse incêndio, metaforicamente, irá surgir.

A este respeito podemos dizer que é um profissional faz tudo, que resolve qualquer problema da instituição escolar, mesmo não sendo algumas atribuições de sua competência. E muitos na instituição escolar, também por não saber o real papel do coordenador pedagógico, acreditam que só enviar qualquer problema para o mesmo que este o resolverá. Isto deixa clara a falta de tempo por parte de muitos coordenadores para exercerem bem o que lhe dizem respeito à parte pedagógica que é acompanhar a execução de todo o processo didático pedagógico da instituição de ensino. As metáforas aqui citadas pelo autor é uma forma de explicar de forma clara e objetiva os aspectos das experiências de inúmeras funções que o coordenador pedagógico tem que enfrentar no seu dia a dia dentro do âmbito escolar.

Como podemos observar, a rotina de um coordenador pedagógico num dia de trabalho, está ainda bem distante do ideal. É evidente que seria bom que o coordenador pudesse garantir que realmente ele, junto ao corpo docente da escola, conseguisse fazer o que o Projeto Político Pedagógico fosse executado, garantindo assim um processo de ensino-aprendizagem de qualidade para os alunos. Isto seria o desejo de todo profissional que assume a coordenação pedagógica dentro de uma instituição escolar. Resultando, portanto, um aspecto positivo no qual os mesmos conseguissem realizar as suas atividades sem ter que ser sobrecarregado de funções que não são de suas competências.

Sobre esse aspecto, Bartman o coordenador pedagógico (1998, p.1), ressalta que o coordenador pedagógico.

Não sabe quem é e que função deve cumprir na escola. Não tem claro quem é seu grupo de professores e quais as suas necessidades. Não têm consciência do seu papel de orientador diretivo. Sabe elogiar, mas não tem coragem de criticar. Ou só criticar, e não instrumentaliza. Ou só cobra, mas não orienta.

As contribuições desse autor conduzem a uma percepção de que o coordenador pedagógico nem sempre tem clareza de suas atribuições dentro da escola, e por isso ajuda a acentuar o desvio da sua prática profissional aceitando assim todas as demandas que lhes são impostas, desempenhando papéis de acordo com as necessidades que surgem na rotina escolar, muitas vezes são levados a ações que os levam a uma atuação desordenada, ansiosa, imediatista e consequentemente até frenética. Isto deixa claro que o mesmo fica impossibilitado de desenvolver suas funções por sobrecarga, ou até mesmo pela falta de profissionais na escola para resolver certos problemas, fazendo assim que o coordenador pedagógico se torne um multifuncional.

Devemos aqui salientar que um profissional que tem clara a sua função e os desafios a ser enfrentados no seu dia a dia, consegue conduzir muito bem a equipe em que atua, com planejamento, organização e formação continuada para os professores, podendo assim desenvolver um bom direcionamento e relacionamento elogiando, mas, sobretudo saber se colocar com críticas construtivas para um bom desempenho da equipe que coordena.

O que é preciso reafirmar é que, com as inúmeras tarefas que os mesmos realizam, falta-lhes tempo suficientes para assumir seu papel de formador. Para que o coordenador possa atingir o seu objetivo pretendido o mais recomendável seria passar para outro profissional essas funções que não de sua competência, pois lhe sobraria mais tempo para organizar melhor a rotina de trabalho. Com a otimização de seu tempo, o coordenador pedagógico pode mediar e assessorar os docentes buscando ainda se relacionar de maneira profissional com os assuntos referentes à realidade sociocultural que envolve cada indivíduo participante do ambiente escolar.

É importante deixar bem claro de que também é de responsabilidade dos coordenadores, por exemplo, prestarem assistência aos pais quando o assunto é de ordem pedagógica, assuntos que envolvam desde o desempenho escolar, disciplina além da importância dos pais acompanharem seus filhos nas realizações das atividades propostas em sala de aula, como também a importância da frequência e a participação dos mesmos entre outras tantas funções que são de sua responsabilidade, pois estas relações interpessoais com pais e alunos ajudam de certa forma no crescimento da autonomia para a auto realização. E é muito importante que o coordenador descubra essas habilidades e acima de tudo desenvolva outras. Mas, para que isto ocorra seria necessário, como citamos logo acima que tivessem profissionais para exercer essas outras funções, a fim de que o mesmo não parasse suas funções para realizar outras que não são de sua competência.

Isto nos leva a observar que tomar decisões diante de tantos conflitos e emergências ocorridas no ambiente escolar não é tarefa muito fácil, por isso o coordenador pedagógico deve ter a plena consciência de que suas tarefas ainda são mal compreendidas e mal delimitadas. Para o coordenador é como estar entre a cruz e a espada, pois precisa ser sagaz para atingir diretamente um problema usando os recursos adequados analisando os seus próprios limites, profissionais e também pessoais.

Essa situação reflete o quanto é desafiante o seu trabalho que, apesar de ter como uma das principais tarefas, mediar e assessorar os docentes, muitas vezes não consegue atender as expectativas que os docentes depositam nele, por problemas de ordem estrutural que acabam por atrapalhar sua função com eficiência e desenvoltura.

Por outro lado Freire (1982, p. 69) afirma que o coordenador é primeiramente um educador e como tal deve estar atento ao caráter pedagógico das relações de aprendizagem no interior da escola. Conforme esse autor, deve-se levar aos professores a ressignificar suas práticas, resgatando a autonomia sobre seu trabalho sem, no entanto se distanciar do trabalho coletivo da escola.

Seno assim, antes de ser coordenador ele é um professor e, mesmo na atual função de coordenador, não pode, por hipótese alguma, deixar de enxergar cada professor em suas particularidades e acima de tudo suas expectativas e suas dificuldades, tais como tinham quando eram professores em sala de aula.

É importante salientar de que mesmo com tantas tarefas a desempenhar, também deve buscar se relacionar de maneira profissional com os assuntos referentes à realidade sociocultural que envolve cada indivíduo participante do ambiente escolar.

Corroborando com este ideia, destacamos as contribuições de Matus (1991), que, insistindo na necessidade de caracterização das atividades de trabalho, propõe quatro categorias de ação: IMPORTÂNCIA – ROTINA – URGÊNCIA – PAUSA as quais serão de utilidade para compreensão e transformação das ações cotidianas do coordenador pedagógico-educacional.

Para isso, o coordenador pedagógico precisa fazer destas quatro categorias de ação, no qual irá lhe facilitar bastante o seu cotidiano. A primeira delas seria a atividade de IMPORTANCIA que são previstas no projeto político pedagógico no qual buscam o avanço da aprendizagem e da sua formação. Já as atividades de ROTINA são atividades totalmente voltadas para o funcionamento da escola, as normas reguladoras para a manutenção e os procedimentos e recursos de trabalho. Enquanto as atividades de URGÊNCIA são as não planejadas, tais como: eventos inesperados, no caso significariam quebra de rotinas, atrasos, suspensão ou redirecionamento de importância. Como por exemplo, a falta de professores, criança machucada, problemas na infra-estrutura, preenchimento de formulários etc. E as atividades de PAUSA direcionadas às necessidades individuais que em vez de lhe permitir mais adequações, produz deturpações ineficiências e desvios de trabalho, o comprometendo a humanização.

Em tal reflexão, o autor alerta para a necessidade de o coordenador atentar no cotidiano para as existências destas quatro categorias de ação, pois são muito significativas para os enfrentamentos que surgem, pois em determinados momentos é obrigado a responder por necessidades do contexto escolar que não é de sua responsabilidade. São questões que não podem ser consideradas inerentes a sua função de coordenador pedagógico.

Essas necessidades são aquelas em que a gestora por não contar com vice-gestora, solicita ao coordenador tarefas que não é de sua competência, compartilhando responsabilidades de gestão, ou por não valorizar o papel do coordenador acaba lhe sobrecarregando com serviços burocráticos que são de responsabilidade dos secretários ou até mesmo da direção; muitas vezes, a gestão não compreende o papel do coordenador como formador de professores e acaba apresentando um perfil competitivo o que desvia totalmente o papel que tem que desempenhar o coordenador.

O coordenador precisa estar bem atento ao cenário que se apresenta a sua volta, acima de tudo valorizar os profissionais de sua equipe acompanhando os resultados. Assim deveria se não fossem as inúmeras funções que lhes são impostas. Tudo isto traz ao coordenador pedagógico certo medo ou insegurança, por achar que não dará conta devido aos obstáculos que se tornam imensos. A própria falta de formação do coordenador faz com que ele não tenha certeza de que papel desempenhar causando-lhe assim uma insegurança e acaba se dedicando a outras tarefas.

Pois, com as diversas funções que lhes são impostas, acaba sendo levado a fazer tudo, no caso à onipotência, para logo em seguida fazer o mesmo provar do gosto amargo da impotência. Fica claro que as funções do coordenador são bem definidas no seu contexto, mas a prática e bem diferente do que é descrito no papel.

Por desempenhar diversos níveis de papeis de acordo com as necessidades que surgem na rotina escolar, o coordenador pedagógico não tem como organizar a sua rotina de trabalho, até mesmo o planejamento, que é a peça fundamental é deixado em segundo plano. Tudo isso porque as próprias emergências vão surgindo no cotidiano escolar, causando assim ao coordenador pedagógico um sentimento de desorganização e sem falar do sentimento de incapacidade.

Conforme Mediano, analisando as práticas pedagógicas bem sucedidas do coordenador diz que:

A escola precisa de um supervisor que vê sua função como essencialmente pedagógica que está junto aos professores, discutindo com eles os problemas e buscando as soluções, conhecendo as crianças, enfim, o fato de a escola contar com alguém preocupado com o ensino e que busca meios de auxiliar o professor a tornar a sua tarefa menos árdua contribui sobremaneira para o sucesso da escola.(Vasconcelos 2009,p.87,88 apud Mediano).

O coordenador deve integrar os demais num trabalho conjunto como um professor mais experiente, informando e auxiliando outros professores, pois como citamos logo acima, sua função é também de um educador que deve estar empenhado contra o que possa vir a desumanizar a escola, como repetências, faltas de uma avaliação correta, de acordo com os saberes dos alunos considerando seu desempenho e leitura de mundo, e tudo que possa ser tido como descriminação, seja ela em sociedade ou até mesmo na escola.

É fato que o papel do coordenador pedagógico é imprescindível para o ambiente escolar. Porém, fica claro que para que o coordenador consiga realizar o seu papel precisa que o processo de ensino aprendizagem seja de certa forma bem-sucedido para a escola em que atua.

Para isso, um coordenador pedagógico saber e conhecer bem de perto as suas atribuições, a rotina de seu trabalho (que de certa forma é uma tarefa eclética) e que a cada dia lhe traz algo novo.

Em consonância com Tardif (2002, p. 101), entendemos rotina como modelos simplificados da ação.

Que envolvem atos numa estrutura estável, uniforme e repetitiva, dando assim, ao professor, a possibilidade de reduzir as mais diversas situações e esquemas regulares de ação, o que lhe permite, ao mesmo tempo, se concentrar em outras coisas.

No entanto, sabemos que o conceito de rotina é bastante amplo e muito complexo, e quase não se aplica a este, pois para o coordenador pedagógico não há m dia igual ao outro, mas sim diferente

Portanto, é também papel do coordenador pedagógico dentro do âmbito escolar garantir a realização semanal do horário de trabalho pedagógico coletivo, organizar os encontros de docentes por área e por série, dar atendimento individual aos professores, fornecer base teórica para nortear a reflexão sobre as práticas e conhecer o desempenho da escola em avaliações externas.

Sendo assim, não é papel do coordenador pedagógico, conferir se as classes estão organizadas e limpas antes das aulas, fiscaliza a entrada e saída de alunos, substituir professores que faltam cuidar de questões administrativas, seja ela de ordem financeira, burocracia ou em geral.

Mesmo diante de tantos desafios e atribuições a serem enfrentadas no seu cotidiano, exigido por sua função de coordenador pedagógico, mediante aos apelos da gestão democrática onde acredita que todas as soluções para os problemas da escola são de sua competência acaba, portanto colocado grande fardo sobre o coordenador, cobrando assim o sucesso da escola, como se o coordenador pedagógico fosse o único responsável por todos os problemas ocorridos no cotidiano escolar. O maior problema deste constante movimento são os inúmeros papéis impostos aos coordenadores pedagógicos diariamente, tornando-se praticamente impossível definir as atribuições específicas do mesmo, e a realização do seu trabalho.

Na verdade, sabemos de que o coordenador pedagógico por muitas vezes é compelido a realizar tarefas que não são de sua responsabilidade, são questões que embora façam parte do contexto escolar não podem deixar de ser realizadas, não se trata aqui de negar a possibilidade de o coordenador pedagógico não fazê-lo, mas também mobilizar profissionais, para realizar tais tarefas que não são competência do coordenador, sobrando assim mais tempo disponível para as atividades ligadas a sua função. Função essa que tem uma das principais características a formação continuada do professor em serviço, que lhe é conferida pelo cargo que ocupa.

O coordenador eficiente centraliza as conquistas do grupo de professores e assegura para que as boas ideias tenham continuidade. Para se exercer a função de coordenador pedagógico é preciso se ter coragem para definir metas e sagacidade para aventurar-se, por conseguinte, descobrir o que tem dificultado o seu trabalho. E o bom de tudo isso é saber que apesar de tantos problemas persistentes, a identidade deste profissional está cada vez mais forte dentro do ambiente escolar e que acima de tudo vem ganhando reconhecimento.

4. O QUE DIFICULTA O TRABALHO DO COORDENADOR PEDAGÓGICO

Não é de se admirar que nos últimos anos a nossa sociedade tenha apresentado muitas mudanças, de origem tecnológicas, econômica e política que afetam todos os setores da sociedade, inclusive a educação, pois vivemos em uma sociedade do conhecimento e que trazem também implicações significativas para a definição de uma política educacional.

Isso mostra que a condição de vida de uma sociedade dita tecnológica requer outro tipo de homem, com outro tipo de formação, no caso preparado para enfrentar desafios da atual modernidade, tão presentes no nosso dia-a-dia. Isto é claro que causa certo medo diante do desconhecido por parte de muitos que compõem o quadro educacional. Por isso a importância da escola no processo de formação deste cidadão.

A escola ela deve sim, estar inserida neste contexto. Pois como afirma Rios (2001, p.11)

Na sociedade contemporânea as rápidas transformações no mundo do trabalho, o avanço tecnológico configurando a sociedade virtual e os meios de informação e comunicação incidem com bastante força na escola, aumentando os desafios para torná-la uma conquista democrática e efetiva.

Nesse sentido, a autora considera que essas desafiadoras mudanças exigem novas capacidades mentais, habilidades gerais e comunicação e a maior capacidade de abstração, num pequeno espaço de tempo. Todas essas mudanças devem ocorrer dentro do espaço escolar, pois a escola como papel de formação do cidadão, deve interagir com as transformações ocorridas, no mundo e no ambiente que a rodeia.

A escola vem desempenhando papéis na sociedade atual; e a mesma esta sempre em constante processo de mutação, e o responsável por isso é o professor, pois o mesmo é responsável pela mudança de pensamento e atitudes dos alunos. A escola para que não se torne estagnada é importante que a mesma entre na dinâmica atual. Quando utilizamos a expressão “formar o cidadão” queremos dizer formar em sentido amplo, se traduz na possibilidade de contribuir com a construção da identidade do indivíduo, além de trazer novas exigências e responsabilidades educativas.

Fica claro que para que essas mudanças ocorram é preciso mudanças no papel do professor associada em conjunto com a formação continuada. Até mesmo a expressão educação continuada traz uma breve crítica a termos anteriores utilizados tais como: treinamento, capacitação, reciclagem que não privilegiavam a construção da autonomia intelectual do professor, uma vez que se baseiam em propostas elaboradas e apresentadas aos professores para serem implementadas em sala de aula.

No que tange à educação de qualidade, sabe-se que existe uma busca pela qualidade de ensino, para que isto ocorra é necessário que aja o trabalho em equipe. Pois devido às transformações ocorridas em sociedade, em nossa sociedade, trabalhar em equipe é fundamental para que se desenvolva um excelente trabalho. As organizações precisam cada vez mais de profissionais responsáveis, criativos, estudiosos, aberto a conhecimentos e inovações além de habilidades para resolver e tomar decisões. Um desses profissionais que se enquadra neste perfil é o coordenador pedagógico, que vai além do seu conhecimento teórico.

Portanto, essas mudanças precisam acontecer na instituição de ensino, começando é claro pela formação do professor, e é por isso que a formação precisa estar ligada diretamente ao docente. Como toda mudança traz receios e, certamente, uma sensação de insegurança à perda de controle por parte de muitos coordenadores, achando que não são capazes de dar conta do novo.

Por isso é importante destacar aqui a importância da formação continuada que se apresenta como um dos critérios essenciais no processo educativo, que no caso proporciona o fazer acontecer no interior da escola por meio de ações transformadoras da prática escolar. A formação continuada é como um elo de “ligação” entre professores, alunos e direção, dando assim um feedback.

Como afirma, Freire (1979. p, 20)

Quanto mais me capacito como profissional, quanto mais sistematizo minhas experiências, quanto mais me utilizo do patrimônio cultural, que é patrimônio de todos e ao quais todos devem servir, mais aumenta minha responsabilidade com os homens.

E evidente que dentro do processo educativo, o profissional deve estar totalmente integrado ao trabalho em que exercesse como educador. Assim o autor aqui aponta para que o trabalho feito com compromisso é aquele associado ao humanismo.

Assim, surge no processo educacional a figura do coordenador pedagógico, profissional esse que é tão importante no espaço escolar, e que vem ganhando a cada dia um papel fundamental quando o assunto é melhorar a aprendizagem dos alunos. O mesmo têm o objetivo de instalar mudanças, que acaba por muitas vezes causando certo desconforto por parte de alguns professores, quando se encontram de frente com desafios nas mudanças de suas práticas pedagógicas em sala de aula.

O coordenador pedagógico é aquele profissional que constrói junto com os docentes o seu trabalho diário, de acordo com a realidade existente na escola que leciona. Para Vasconcelos (2006, p. 84), o coordenador se envolve com diversas questões, “currículo, construção do conhecimento, aprendizagem, relações interpessoais, ética, disciplina, avaliação da aprendizagem, relacionamento com a comunidade, recursos didáticos entre tantos outros”.

É preciso enfatizar de que muitos professores tiveram formação inicial de forma tradicional e sem deixar de citar que muitos nem tiverem formação, e em relação à questão de mudanças ocorridas na educação podem lhe causar desconforto além de tudo certa frustração e o medo pelo novo. É importantíssimo que o coordenador conheça bem o grupo de professores no qual trabalha, pois assim vão dando surgimento aos sentimentos que vão surgindo no processo de formação continuada aonde os professores irão colocando suas ideias oportunizando as mudanças de suas práticas cotidianas em sala de aula.

Por isso é importante que o coordenador pedagógico, como líder no processo de mudança valorize a formação continuada. Para ser bem sucedido, qualquer projeto de formação realizada na escola ou em outro local precisa ter assegurado algumas condições: valorização dos professores através do respeito ao profissional como ser humano e as suas ideias e expectativas.

Mais agora vem o “x” da questão. Como priorizar tempo para a formação dos docentes, quando os mesmos têm dificuldade de encontrar esse tempo, e muitas vezes o professor não consegue nem ao menos participar das reuniões de formação, porque se encontram extremamente atarefados com as demandas de projetos que adentram o cotidiano escolar onde eles precisam dar conta. O primeiro passo que o coordenador precisa tomar em relação a isso é conciliar horário possível a todos. Os coordenadores devem organizar suas tarefas no horário marcado, tendo o devido cuidado de não atrasar a reunião e não interromper para atender eventuais ocorrências.

Sabe-se que as dificuldades enfrentadas atualmente pelos coordenadores pedagógicos nos dias atuais não se difere de tempos atrás, mas o que se espera de democratização do ensino público a escola se torne um espaço mais aberto para o diálogo. Para Vasconcelos (2006, p. 100) “o dialogo deve ser franco, chegando a discutir abertamente” sobre seu trabalho escolar. Dessa forma ele precisa também aceitar novas opiniões e avaliar a sua prática no seu contexto.

É de conhecimento de todos de que um dos principais trabalhos de um coordenador pedagógico dentro de uma escola é a formação continuada de docentes. Portanto, para Nóvoa (2003. p, 23) “O aprender contínuo é essencial e se concentra em dois pilares: a própria pessoa, como agente, e a escola como lugar de crescimento profissional permanente”. Para o autor, este processo de formação continuada se dar de uma maneira, digamos assim, coletiva e depende muito também das experiências dos docentes e acima de tudo reflexões, como instrumento de análise.

Sabe-se, contudo, que o coordenador pedagógico se consolida cada vez mais como formador e orientador de um trabalho coletivo que envolve pessoas, o projeto político-pedagógico e os conteúdos programados. Por isso a importância do processo de formação dos docentes deve estar lado a lado do professor no cotidiano, pois diversos são os problemas a serem enfrentadas pelos professores realidades muito complexas e que precisam de professores preparados para lhe dar com diversas situações.

Como afirma Freire (1996, p. 39), é na formação permanente dos professores, o momento fundamental é o da reflexão crítica sobre a prática. E é pensando criticamente a prática de hoje ou de ontem que se pode melhorar a próxima prática. Isto que dizer que é de fundamental importância que o coordenador seja um ser dinâmico, organizado, estudioso e acima de tudo um bom ouvinte, além de ser aberto a mudanças e a novos conhecimentos, entendo que “ensinar exige a consciência do inacabado”, como reflete Freire (1996. p, 50). Neste sentido, um ser que se move em direção a ser mais, a se completar, processo esse que nunca se conclui.

Portanto, o coordenador pedagógico deve valorizar a sua própria formação, uma vez que para atuar como formador deve ele estar bem atualizado, além de ter uma visão clara e reflexiva. Um dos primeiros obstáculos do coordenador pedagógico a ser enfrentado, é a busca pela sua própria formação teórica, sob a necessidade de se especializar constantemente. A este respeito, afirmam Rodrigues e Esteves (1993. p, 41) que:

(...) a formação não se esgota na formação inicial, devendo prosseguir ao longo da sua carreira, de forma coerente e integrada, respondendo as necessidades de formação sentidas pelo próprio professor e ás do sistema educativo, resultando das mudanças sociais e/ou do próprio sistema de ensino.

O coordenador pedagógico é o profissional que vai muito além do seu próprio conhecimento teórico, pois desenvolve um trabalho pedagógico, a formação dos docentes, além de estimulá-los. É necessária uma grande percepção para conseguir, e, acima de tudo identificar as reais necessidades de alunos e professores. Para que isto ocorra é preciso que os professores se mantenham sempre atualizados, buscando fontes de informação, e refletindo sobre sua prática. Assim seria se de fato a sua rotina de coordenador pedagógico fosse realmente direcionada para um cumprimento de ações pedagógicas.

Sendo assim, entende-se que a formação do professor deve caminhar junto com o seu trabalho, pois são muitos os desafios apresentados hoje nas salas de aula, realidades complexas que necessitam de professores bem preparados teoricamente, e utilize metodologias inovadoras que preparem o estudante para ser protagonista de sua história. A presença do coordenador pedagógico está em compartilhar essas dificuldades, para mostrar aos professores que não estão sozinhos, para articular uma equipe que se apóie proporcione uma formação sólida onde todos busquem juntos alternativas visando à aprendizagem dos alunos.

Muitas vezes há falta de credibilidade no trabalho deste profissional, como os demais colegas, o que dificulta a aceitação de sugestões vindas do coordenador. Por isso, é fundamental a busca do coordenador pelo conhecimento, pois pode fazer com que a equipe de docentes o aceite como parceiro Mem quem confiar, e do qual vai orientações. Para isto, é necessário e urgente se aperfeiçoar e se preparar cada vez para o cargo que executa ou que se pretende executar.

Nesse sentido, acima de tudo, fica claro que o trabalho do coordenador numa instituição de ensino é bastante amplo e acima de tudo complexo, entre suas funções estão a de supervisionar, acompanhar, assessorar, apoiar e avaliar as atividades pedagógicas curriculares, mais é importante ressaltar que uma das suas principais prioridades é prestar assistência didático-pedagógica, aos professores, no que diz respeito ao trabalho interativo com os seus alunos.

E imprescindível se notar de que muitas vezes nem ele próprio se dar conta disso, talvez por uma formação inicial ineficiente ou até mesmo pela falta de formação continuada. É fato que a grande maioria dos coordenadores em exercício não recebeu formação específica e muito menos participaram de processo seletivo. Visto que é comum coordenador no referido caso, a graduação pedagógica; Conforme a (Lei de Diretrizes e Bases) LDB 9394/96 (BRASIL, 2005, p.37) no seu artigo 64.

A formação de profissionais para a administração, planejamento, inspeção, supervisão e orientação educacional para a educação básica, será feita em cursos de graduação, a critério da instituição de ensino, garantida nesta formação, a base comum nacional.

E interessante enfatizar que a regulamentação imposta para a função do coordenador pedagógico, abriu oportunidades para que os professores com alguma experiência profissional pudessem assumir atividades pedagógicas nas instituições de ensino. Em virtude do que foi mencionado, podemos assim dizer que o coordenador nos dias atuais ele atua como integrador entre professores e direção da escola numa caminhada cheia de desafios e compromissos, exigidas por sua função.

Até o momento, tratamos basicamente da importância da formação. Agora iremos destacar outras dificuldades que também estão inseridas e que dificultam a realização do trabalho do coordenador pedagógico em seu cotidiano escolar.

As dificuldades do coordenador pedagógico em realizar seu trabalho na instituição de ensino também podem estar ligadas à formação ineficiente de um coordenador pedagógico, que podem muitas vezes levar a exercer funções que no caso é um fatores que pode dificultar de certa forma o trabalho do coordenador pedagógico, desempenhando diversos papéis, de acordo com as necessidades da escola, não conseguindo assim organizar sua rotina de trabalho, mediante tantas funções que lhe são atribuídas. Podemos citar como desvios de função: a falta de pessoal, a falta dos professores que também interfere na rotina de trabalho dos mesmos, como também os problemas dos alunos e pais, dificuldade de aprendizagem, a indisciplina dos alunos, a violência, além do problema da super lotação das salas de aulas tão presentes nos dias atuais e entre outros.

E importante que o coordenador não desvie seu foco, que esteja atento a tudo o que acontece em sua volta, valorizando o corpo docente, além é claro de acompanhar os resultados. Não deixando que o medo e a insegurança o paralisem como profissional, só cabe a ele mesmo melhorar suas práticas para que possam superar as dificuldades como também melhorar o processo de ensino aprendizagem.

Para tanto, se faz necessário que o coordenador pedagógico faça uso no seu trabalho cotidiano da existência das importâncias, urgências, rotinas e, sobretudo, das pausas citadas por (Matus, 1991), no capitulo anterior e as quais são indispensáveis para reflexão e realimentação do corpo e da mente, para que criem situações que sejam criativas para o enfrentamento dos obstáculos.

Outro aspecto que dificulta a realização do seu trabalho está relacionado à ausência de identidade funcional do coordenador pedagógico que é construída a partir de sua identidade docente. Onde o coordenador não pode se esquecer, por hipótese alguma, que o mesmo, antes de tudo, é um professor, e que a única diferença é que quando passam a ser coordenadores são líderes, devem ter habilidades para a comunicação, além é claro de bastante inovadores em relação há busca da educação ideal. Para tanto, os mesmos precisam levar os docentes sempre a resignarem suas próprias práticas, resgatando assim, sua autonomia sobre o seu trabalho sem se distanciar do trabalho coletivo da escola.

Questões como a falta de território próprio de atuação no ambiente escolar, também é um fator que pode também dificultar o trabalho do coordenador pedagógico. Muitos gestores não permitem que seja criado um espaço para o coordenador trabalhar, muitos discutem e até mesmo tecem criticas em relação ao seu trabalho, estabelecendo uma relação de competição com o coordenador pedagógico.

Por se tratar de uma nova figura nas escolas são muito comuns os coordenadores se depararem com estes tipos de disputas de poder e de território, pois de certa forma quebrou-se uma rígida hierarquia de funções que historicamente existiu nas unidades escolares e que garantia a centralização de poder nas mãos do gestor. Muitas vezes, este se sente ameaçado com as ideias e iniciativas do coordenador quando estas têm bom êxito, e, como já foi dito, sentem-se ameaçados em seu ambiente de trabalho. e advêm mas disputas e competitividades por parte de ambos ou de um só, que ainda não sabe trabalhar em equipe.

Hoje em dia o coordenador pedagógico configura na instituição escolar como o que auxilia e contribui para a melhoria do processo ensino-aprendizagem, objetivando uma educação de qualidade, mas que por alguns motivos não são reconhecidos nas suas habilidades e interesses para esta melhoria e sim são taxados como aquele que quer aparecer e ganhar status na instituição de ensino. É preciso também que ele se imponha para não aceitar os desvios das suas reais funções quando lhe for imposto por parte da direção, pois o coordenador não pode servir de um arranjador.

É importante frisar que o desvio de funções do coordenador pedagógico também pode trazer sérias consequências como: dificuldades em definir sua identidade, seu território e o seu espaço de atuação além de ser agravada ainda pelo isolamento dos coordenadores que por muitas vezes se encontram sozinhos e sem espaços favoráveis para troca de ideias com outros profissionais, acabam por se sentirem inseguros. O isolamento, tanto dos docentes como dos coordenadores, acaba por dificultar todo um trabalho de formação continuada, como também o projeto político pedagógico da escola no qual estão inseridos e que é de fundamental importância.

Com as dificuldades para uma atuação consciente na função e o envolvimento do coordenador pedagógico com a rotina burocrática, podem o colocar como um elemento que tem servido principalmente para veicular, impor e defender projetos da Secretária de Educação, sem considerar a participação do saber e a participação dos docentes levando o risco de transformar o coordenador pedagógico em gerentes das escolas.

O coordenador pedagógico deve passar menos tempo produzindo papéis e sim, se dedicar mais aos professores, alunos e a aprendizagem. Sem deixar de citar que essas atribuições burocráticas, afetam de forma negativa o desempenho de sua função como coordenador pedagógico, porque no lugar de usar o seu tempo para executar suas reais funções, acaba por delimitar o tempo para executar suas reais funções, acaba por delimitar o tempo que poderia ser destinado ao planejamento, organização e a formação continuada de professores.

A formação precária, como citada, acima por parte dos coordenadores também é um dos fatores que pode dificultar bastante o seu dia a dia de trabalho. Pois o coordenador precisa entender qual a sua real função na escola, ele também e um formador e para fazer isto com destreza deve o mesmo se relacionar bem com toda a equipe de professores. Pois só assim conseguirá observar a aula sem parecer por muitos docentes um fiscal intrometido, apresentando críticas construtivas. Para isto pode o mesmo se utilizar de alguns artifícios como tentar buscar na memória dos professores experiências vividas e assim socializar com os seus colegas facilitando assim o entrosamento entre o coordenador e docente.

Sabe-se que coordenar uma equipe de docentes nos dias atuais não é tarefa nada fácil, em meio ao cenário contemporâneo que nos apresenta com tantos ingredientes e que podem gerar certas dificuldades em relação ao exercício da função, além é claro das cobranças pela sociedade em relação à aprendizagem dos alunos, que infelizmente cada vez mais recai de forma individualizada sobre os professores, além de também ter que trabalhar em conjunto de forma interdisciplinar. Sem deixar de citar de que as nossas escolas brasileiras ainda é um grande desafio para o coordenador pedagógico. Muitas dessas escolas nem têm formação continuada, com diversas demandas a serem executadas que desviam a função do coordenador pedagógico além de enfrentar os diversos tipos de pressão.

Em meio a tantas pressões ocorridas de todos os lados por docentes, gestores, alunos e familiares, tudo isso torna cada vez mais complexa a função do coordenador pedagógico dentro da escola. Vemos que de discute na sociedade do século XXI a importância da formação continuada tanto dos professores quanto dos coordenadores, e o principal objetivo para essa formação é refletir sobre sua própria prática pedagógica.

As dificuldades aqui apontadas são componentes que fragilizam a profissão de coordenadores pedagógicos. É fato que quando os obstáculos são superados, todos se beneficiam funcionários, professores e gestor. Este último, por sua vez deve estar envolvido nesse processo para auxiliar e apoiar o coordenador, no que diz respeito ao bom desempenho da escola e da aprendizagem, tanto dos alunos como a formação para os docentes que desta forma poderão contribuir muito mais para a educação dos alunos. É claro que com o envolvimento dos docentes de certa forma todos estarão mais predispostos a ouvir seus alunos da sala de aula, promovendo um aprendizado mais interativo e significativo.

5. AÇÕES QUE UM COORDENADOR PEDAGÓGICO DEVE TER PARA SE CONSTRUIR UM AMBIENTE DEMOCRÁTICO NA ESCOLA

Nos dias atuais e no mundo globalizado em que vivemos é muito comum que as escolas, tenham suas práticas pedagógicas voltadas aos princípios do conhecimento da democracia, apesar de ser cada vez mais pressente do ambiente escolar, ainda é um processo muito novo.

Como podemos observar a escola dos dias atuais não é apenas mais vista como um espaço de ensino aprendizagem mais também um ambiente onde se forma cidadãos para encarar seu papel na sociedade. Portanto, cabe a escola e seus responsáveis assumirem uma postura democrática entendendo o processo educacional como aquele que proporciona ao educando condições necessárias para exercer seu papel na sociedade como cidadão critico e também político.

Por isso é preciso se ter os cuidados necessários com o futuro de nossas crianças e adolescentes, pois o principal objetivo é o da educação. É importante ressaltar que quando discutimos sobre um ambiente democrático discutimos questões que vão muito além da escola, da economia e da política, para discutir as relações sociais que desejamos formar.

A LDB, lei que estabelece o princípio da gestão democrática, diz que é necessário que a escola introduza através de meios coletivos à participação de toda a comunidade escolar. Portanto, a lei é clara em relação aos princípios democráticos da escola.

Art.14. Os sistemas de ensino definirão as normas de gestão democrática do ensino público na educação básica, de acordo com as suas peculiaridades e conforme os seguintes princípios:

I – participação dos profissionais da educação na elaboração do projeto político pedagógico da escola;

II – participação das comunidades escolar e local em Conselhos Escolares ou equivalentes.

Conforme a LDB, a escola para ser considerada democrática precisa se basear em princípios democráticos possibilitando condições reais e igualitárias de participação de todos os funcionários, como também dos alunos e a própria comunidade para que ofereça contribuições à instituição, participando assim de todas as etapas de elaboração e execução das atividades pedagógicas.

Lembrando que uma escola democrática é um local que também se exerce a função de cidadania e não aquela que deve apenas seguir apenas os princípios pedagógicos, prescritos pela escola. Convém lembrar que, mesmo com a lei para a prática no exercício de uma escola democrática, muitas vezes ela não se instala no interior da comunidade escolar como se desejaria.

Portanto, o coordenador pedagógico tem uma grande responsabilidade por ser um elemento ativo de todas as proposições da escola, o mesmo deve ter em mente três medidas: a preventiva, que visa identificar e antecipar a possíveis falhas no funcionamento pedagógico da escola, a construtivista, a qual tem a função de auxiliar o professor em suas dificuldades; e a criativa que busca o aprimoramento do professor. Como podemos observar as três de certa forma elas se interligam e se completam. Essas medidas podem de certa forma auxiliar no trabalho, facilitando assim um ambiente democrático onde o mesmo precisa desenvolver ações e envolver sua equipe.

Podemos dizer que um dos primeiros passos que coloca o coordenador pedagógico frente a uma gestão democrática é cuidar da formação dos docentes, como também levar as informações aos professores, mas ao mesmo tempo escutá-los. Conhecer bem os docentes, como também estimulá-los a participarem ativamente das atividades de formação, no qual é o eixo principal no desenvolvimento da capacidade de reflexão da própria prática pedagógica e incentivá-los a ter autonomia e criatividade. Ainda convém ressaltar de que não se existe uma fórmula única a ser seguida para se ter uma escola democrática eficaz, pois cada escola trabalha de acordo com a sua própria realidade existente.

Ao se construir uma escola democrática é preciso antes de tudo que aja à implantação de um planejamento participativo, produtivo e também que seja flexível, onde todos podem opinar e sugerir, tendo em vista o planejamento de fato, das atividades propostas. Essas decisões, porém deve sempre ser baseado na construção do projeto político pedagógico, construído com a participação de toda a comunidade escolar. E que devem consultar a cada tomada de decisão.

Sobre esse tema, afirma Veiga (1996, p. 157).

(...) a primeira ação que me parece fundamental para nortear a organização do trabalho da escola é a construção do projeto político pedagógico assentado na concepção de sociedade, educação, escola que vise à emancipação humana. Ao ser claramente delineado, discutido e assumido coletivamente ele se constitui como processo. E, ao se constituir em processo, o projeto político-pedagógico reforça o trabalho integrado e organizado da equipe escolar, enaltecendo a sua função primordial de coordenar a ação educativa da escola para que ela atinja o seu objetivo político-pedagógico.

O Projeto político Pedagógico deve ser embasado em princípios que norteiam a escola democrática, onde busca a igualdade e o acesso de permanência na escola, além da qualidade do ensino, não só apenas as minorias econômicas sociais.

É importante salientar que em relação ao projeto político pedagógico da escola, cabe ao coordenador pedagógico, como coadjuvante para um ambiente democrático, a responsabilidade pela divulgação e execução do mesmo de forma a promover a participação de todos da comunidade escolar, busca de solucionar conflitos existentes, como também fazer com que os indivíduos se sintam parte dos processos decisórios e soluções de problemas que já existem ou mesmo os que poderão surgir. É a partir do projeto político pedagógico que os coordenadores possuem ligação com os diversos segmentos da comunidade escolar, facilitando assim, o dialogo e a possibilidade do envolvimento de todos os sujeitos envolvidos.

Um coordenador pedagógico frente a uma escola democrática deve se empenhar, para que todos da escola participem da construção do processo democrático da escola.

Conforme aponta Paro (2004, p. 19)

A participação da comunidade na escola, como todo processo democrático, é um caminho que se faz caminhar, o que não elimina a necessidade de se refletir previamente a respeito dos obstáculos e potencialidades que a realidade apresenta a ação.

Neste sentido, Paro (2004) considera que o processo democrático é um ato onde se propõe a participação do conjunto dos membros da sociedade, em todos os processos decisórios que dizem respeito à vida do cotidiano, ou seja, em casa na escola ou até mesmo no bairro em que residem. Não deixa, portanto de ser um ato político, pois se dá de forma coletiva, que pode partir de qualquer um: de um pai, um professor, de um aluno, ou até mesmo de familiares, gestores como também representantes da comunidade, moradores, funcionários e liderança política, pois todos fazem parte do quadro da escola. O mais importante é a escola abrir uma rede de colaboradores.

Quando falamos do processo de um ambiente democrático dentro de uma escola, estamos também nos referindo ao processo de descentralizar o poder que antes era colocado nas mãos dos gestores, e que nos dias atuais é repartido entre os coordenadores pedagógicos, distribuindo assim uma autonomia de modo igualitária entre o corpo administrativo buscando de certa forma um ambiente não autoritário, pois ambos precisam criar por assim dizer um clima de confiança entre os membros da comunidade escolar, como também iram desenvolver atividades que envolvam todos da comunidade.

Como diz Medina (2008, p.15)

As posições de aceitação, não aceitação, hostilidade ou indiferença por parte do diretor, assumidas diariamente em cada escola, fortalecem [...] que o trabalho do supervisor está na dependência de o diretor concordar que este atue nas escolas.

As colocações do autor conduzem a uma percepção de que a aceitação ou rejeição por parte do gestor escolar pode contribuir ou não para um bom desempenho do coordenador pedagógico. Sua aceitação e apoio com toda certeza dará ao coordenador autonomia para que ele possa ter um bom desempenho na sua função.

Outro detalhe importante relativo aos princípios democráticos de uma escola, é quando o coordenador pedagógico delegar atribuições e decisões, pois desta maneira ele está favorecendo a democracia, pois de certa forma contribui para com a instituição escolar evolua e foque numa educação de qualidade.

Portanto, é imprescindível que o mesmo não se mostre como uma figura autoritária, pois a democracia na gestão se contra põe ao autoritarismo, antes enraizado dentro do ambiente escolar. Ele deve ser visto como aquele que auxilia e também contribui para a melhoria no processo de ensino aprendizagem, com o objetivo de atingir uma educação de qualidade.

Também faz parte do papel do coordenador pedagógico, frente a uma gestão democrática, procurar meios que melhorem o seu próprio desempenho como coordenador pedagógico. Verifica-se, portanto, a necessidade de ser uma pessoa criativa, organizada, ouvinte e aberta ao conhecimento, engrandecendo dessa forma seu trabalho. Como também cabe ao coordenador se avaliar em relação ao seu trabalho, tanto com uma auto-avaliação quanto com a avaliação do desempenho da escola, feito semestralmente por toda a comunidade.

Como também ter ações significativas para criar uma escola aberta por meio de participação da comunidade, pois uma escola democrática não se pode ser feita apenas por um indivíduo. O primeiro de tudo é convencer a comunidade, ressaltando os objetivos que a escola deseja atingir. Outra maneira é fazer reuniões ou até mesmo promover eventos na escola, onde todos possam participar tudo isso são medidas que podem ser tomadas pra trazer a comunidade para dentro da escola.

É importante deixar claro que quando as pessoas não se sentem sozinhas elas sentem a grande necessidade de colaborar e assim através de sua participação, aquele sonho pode virar uma realidade para a comunidade inteira. Lembrando de que é muito importante o respeito à individualidade de cada um para que se cheguem ao um objetivo, pois através do trabalho coletivo a escola efetivará um ensino de qualidade.

Sabemos da importância da comunidade na escola nos dias atuais e de sua participação como coadjuvante nos processos de decisões da escola. Mas é importante lembrar que a participação da comunidade não pode ser restrita, como também é preciso enfatizar que a participação só se dará diretamente se cada cidadão quiser realmente participar. Por isso, cabe ao coordenador pedagógico junto com a gestão escolar, desenvolver medidas no sentido de que todos da comunidade se sintam envolvidos e se unam para conseguir atingir os objetivos propostos.

O ato de integrar a escola com a comunidade não é algo impossível de se concretizar. Para que isto aconteça é preciso que também haja a integração entre direção e coordenação pedagógica, onde a gestão escolar precisa estar disposta a fazer essa inter-relação com a coordenação pedagógica, pois com a ajuda mútua facilitará uma administração escolar democrática, pois sabemos que um bom ambiente democrático seria uma administração onde todos pudessem ser ouvidos, não houvesse a imposição de poder mais sim houvesse o respeito ao trabalho em grupo.

É preciso se ter em mente que a escola não foi criada para funcionários mais principalmente para servir a sociedade, por isto ela tem que de certa maneira dar conta do seu trabalho, explicando o que faz e como faz além de como conduz esse processo de aprendizagem, procurar meios para que a própria família dos envolvidos participe do processo ensino aprendizagem. Sabemos que a família é a célula básica da sociedade, por isso é importante trazer a família para dentro da escola como parceira, além do aluno ser beneficiado a escola também se favorece, facilitando assim o seu trabalho.

Para se colocar a família como coparticipante nos processos que envolvem a escola frente a uma escola democrática é preciso se ter algumas estratégias que os envolvam e que lhe despertem o interesse em participar. Entre essas estratégias estão o clube de mães, seminários em relação a questões pedagógicas, entre outras ações que tragam esses pais para a escola. É imprescindível que para que os pais sejam parceiros da escola não se deve fazer críticas aos alunos mais sim, mostrar possibilidades para que o aluno seja um cidadão.

Uma outra ação que pode ser usada pelo coordenador pedagógico como meio de favorecer um ambiente democrático é o dialogo, método esse muito necessário para que se concretize de fato a democracia no ambiente escolar. Para que o mesmo possa colocar o diálogo em prática não se pode colocar na posição de senhor do saber, mas numa posição de humildade, pois assim conseguirá trazer confiança entre os sujeitos. O coordenador deve ter o dialogo como uma ferramenta de trabalho, pois ele lhe trará meios para mediar no sentido de provocar mudanças, no âmbito escolar, além de motivar professores e funcionários, alunos e valorizando-os, escutando-os e depois traçando planos de ação.

Nesse sentido, Orsolon (2003, p. 21) destaca que:

A mudança na escola só se dará quando o trabalho for coletivo, articulado entre todos os atores da comunidade escolar, num exercício individual e grupal de trazer concepções, compartilhá-las, ler as divergências e as convergências e, mediante esses confrontos, contribuir o trabalho. O coordenador como um dos articuladores desse trabalho, precisa ser capaz de ler, observar e congregar as necessidades dos que atuam na escola.

Assim, o coordenador além de ser um mediador entre professores, prestando assistência pedagógica, também deve o mesmo manter um bom relacionamento com a gestão, alunos e membros da comunidade, tomando como ponto de partida a coletividade onde todos podem tomar decisões, participar, concordar, discordar mesmo aqueles que têm às mudanças, tudo isso já faz parte do processo de democratização que no caso transformará a escola.

Além disso, o coordenador pedagógico zelar pela igualdade e administração de conflitos de maneira saudável, pois a forma diplomática, deve concertar sem ofender ou magoar. Só assim conseguirá propiciar à a participação pedagógica, além de estar de certa forma praticando da educação democrática, ter uma voz e ser ouvido, dando sugestões e aceitando sugestões.

É de fundamental importância que se busque um ambiente no qual todos possam contribuir com suas idéias. Todos esses procedimentos provem benefício para todos os envolvidos, provocando uma reflexão continua de sua prática, em que poderá surgir dialética constante. Assim, se formará um ambiente de trabalho agradável, onde há respeito e onde todos cumprem suas funções tendo em vista um bom desenvolvimento da escola.

Portanto, como podemos observar na citação de Franco (2008, p. 128) coordenar envolve muitas questões complexas, muito mais do que podemos supor.

Essa tarefa de coordenar o pedagógico não é uma tarefa fácil. É muito complexa porque envolve clareza de posicionamentos políticos, pedagógicos, pessoas e administrativos. Como toda ação pedagógica, esta é uma ação política, ética e comprometida, que somente pode frutificar em um ambiente coletivamente engajado com os pressupostos pedagógicos assumidos.

De acordo com o autor, para o coordenador pedagógico deve possibilitar condições reais e igualitárias para que cada funcionário exerça seu papel ativo na instituição, participando de todas as etapas de elaboração e execução das atividades pedagógicas.

Portanto, cabe ao coordenador pedagógico a capacidade de buscar uma perspectiva diferenciada, e partir para parcerias, promover um trabalho onde todo trabalho repassado aos professores seja sempre direcionado a um modo coletivo, de forma a envolver a todos e todos se sintam responsáveis pelas ações de melhorias para a escola, conduzindo o processo no qual haja participação, discussão, orientação, proposições, informações, assumindo e dividindo responsabilidades com os demais professores a fim de alcançar com êxito os trabalhos pedagógicos, lembrando que nunca de forma individualizada, mas respeitando as individualidades.

Cabe também ao coordenador pedagógico, como algumas de suas ações em relação a se estabelecer na escola um ambiente democrático, executar o trabalho de coordenação sempre em conexão com a direção da escola, esse fato é importantíssimo para um bom desempenho de seu trabalho.

Outro recurso muito utilizado pelo coordenador pedagógico nas escolas, como meio democrático, é o conselho escola. Onde estão reunidos coordenadores, diretores, professores e membros da comunidade atuantes e conscientes de seu papel na escola. Como também deve engajar os próprios estudantes, nestes conselhos escolares por meio de representantes escolhidos por, eles. A ideia é de que esses estudantes possam ter uma participação aberta, além de colocar em pauta os problemas que atingem a própria comunidade em que está inserido, buscando soluções.

O conselho escolar é formado por pais, funcionários, professores que atuam afetivamente. Os mesmos também são responsáveis pela realização do projeto político pedagógico, e de fazer com que as determinações contidas nele sejam cumpridas como também tem em sua essência fiscalizar, as questões financeiras em relação à escola além de se apresentar com um caráter decisório. Por isso o projeto político pedagógico se torna um ato democrático, pois é um espaço de discussão, revisão e autocrítica, no qual se estabelece um dialogo autêntico a respeito com vista a melhorar os processos pedagógicos.

Não há como falar da escola sem falar da participação da comunidade, pois a escola reflete tudo o que acontece fora dos muros da escola, por isso, ambas está inseridas no mesmo processo de aprender e ensinar. Nos dias atuais a comunidade também participa de certa forma das práticas pedagógicas. Como também os problemas que ocorrem na comunidade interferem na escola, entre esses problemas estão à violência vivida em nossa sociedade, e o bullying muito comum em nossas escolas. O envolvimento da escola com a comunidade facilita de certa forma a resolução de problemas ocorridos no ambiente escolar, havendo assim uma parceria entre ambas, e um melhor resultado em relação ao processo de ensino aprendizagem.

Por isso, a comunidade deve saber da importância do papel que ela exerce no processo de participação do projeto político pedagógico. É importante ressaltar de que para que a comunidade venha para dentro da escola é necessário que o coordenador pedagógico promova ações através de projetos desenvolvidos pela escola em relação, a saber, o que a escola precisa, e como suprir as necessidades que venham a surgir, entre essas necessidades podem ser de ordem estrutural, como segurança, ou física, como a falta de materiais etc.

Outra maneira de inserir a comunidade na escola é trazer a família para dentro da mesma. Pois é na família onde ocorrem os primeiros passos em relação aos primeiros princípios de educação, portanto a escola jamais pode estar distante da família. E cabe ao coordenador frente a uma gestão democrática elaborar métodos que traga a família para dentro da escola através do acompanhamento escolar, pois os pais envolvidos com o rendimento escolar do seu filho ajudam no trabalho da escola, como também ajuda a resolver problemas de indisciplinas. É também onde os mesmos possam fazer exigências por melhores condições tanto educativas como humanas, físicas e financeiras.

Quando falamos de ações que correspondem a um ambiente democrático, cabe à coordenação pedagógica sentar com os seus professores e desenvolver propostas para um ambiente democrático. É fundamental que esses professores se envolvam nestas propostas. Como também a comunidade, os pais, e alunos, pois na maioria das vezes se esquecem deles e eles fazem parte do processo, pois as gestões democráticas também de certa forma os envolvem. Alunos, por exemplo, são a razão de ser das escolas, e para quem devem as escolas voltar todas as atenções possíveis, visando maior êxito nos estudos para a sua formação pessoal, necessitando de um ambiente motivador e envolvente.

A coordenação pedagógica deve trabalhar junto com gestor, pois o coordenador é o “braço” daquele.. As reuniões pedagógicas têm que ter estratégias que visualize todo o ano letivo, pois precisa envolver alunos, professores e a comunidade. É preciso se criar projetos onde os alunos se sintam envolvidos, é como uma rede que vai se criando e de certa forma envolvendo as pessoas.

O coordenador pedagógico deve, portanto convocar a todos os que vivem em torno da escola e dentro dela, no sentido de estarem a par do que acontece a mesma. Com isso os envolvidos passam a opinar em relação ao destino da escola, fazendo-os com que os mesmos se sintam envolvidos. Também tudo o que o coordenador puder fazer ainda é pouco considerando o trabalho imenso que se propõe diante desta nova escola. Que é o de assumir esses pais democraticamente, que é o de ter voz, o de ganhar voz e não apenas falar, não apenas dar bom dia.

É importante que o coordenador pedagógico tenha princípios. Um deles é a transparência, que num ambiente democrático pressupõe ter respeito ao outro. Por exemplo, a participação de todos os envolvidos e de quem participa deve definir caminhos.

Por outro lado, o coordenador pedagógico deve garantir a gestão democrática da escola, mas é bom lembrar que não é o seu papel fundamental dentro da instituição de ensino, não depende só dele, mas ao mesmo tempo é dele que virá grande participação para que a escola se torne um ambiente democrático.

É exatamente neste sentido de que essa gestão democrática aconteça e se faça valer, e que se faz necessária a participação ativa do coordenador nessa iniciativa de articular a comunidade escolar e todos que estão em volta da escola como já foi citado.

Mas para que essa gestão democrática aconteça e imprescindível que o coordenador pedagógico tenha apoio, em todas as contribuições que deseja realizar para a escola, portanto deve o mesmo estar ter respaldo do gestor e através deste ter autonomia para poder fazer o que lhe compete para que o trabalho junto aos professores e toda a comunidade escolar possa garantir uma gestão democrática, com mais proveito pra todos principalmente para o bom desenvolvimento dos alunos, priorizando sempre pelo ensino aprendizagem.

6. CONSIDERAÇÕES FINAIS

A coordenação pedagógica assume um grande papel, que é o de formar cidadãos, isto quer dizer preparar pessoas para que elas saibam encarar seu papel na sociedade, portanto é na escola que se começa esse exercício de cidadania.

De acordo com os objetivos propostos nesta pesquisa, colocamos em evidência de que mesmo que o coordenador pedagógico não tendo claras as suas funções, exercendo diversas funções que muitas vezes atrapalham a formação dos docentes e a efetivação do projeto político pedagógico, que é uma das suas principais funções dentro do espaço escolar, assim como prejudica o andamento da escola e sugerindo incompetência, fazendo-se sentir como num processo inacabado.

Portanto, cabe salientar a necessidade da identidade do coordenador pedagógico, bem como a importância de sua formação inicial e continuada. Com relação a sua identidade é preciso que ele tenha clareza de suas atribuições para que possa realizá-las e deixar de fazer tudo o que lhe mandam.

As ações que envolvem mudanças precisam ser realizadas de maneira participativa, onde todos são envolvidos e tenham voz e estejam diretamente interligados com o sucesso e também com o fracasso, que deve ser compartilhado com todos, a fim de servir como ponto de aprendizado e recomeço.

Todas as discussões da pesquisa apontam para a grande necessidade do coordenador pedagógico nas escolas, e que sua presença é indispensável ao bom andamento do processo pedagógico.

Dessa forma, entendemos o trabalho do coordenador pedagógico como muito complexo, pois não é fácil lidar com indivíduos, cada um com seus entendimentos da vida, suas necessidades, seus fracassos, seus receios, mas como a principal atribuição desse profissional é desenvolver uma formação continuada de qualidade, com empenho, dedicação, favorecendo as relações interpessoais, entendemos que ele precisa se preocupar em manter um ambiente de crescimento coletivo, no qual todos possam gostar de estar, de fazer parte de uma equipe. Claro, que é primordial a vontade individual, mas é sempre bom priorizar o planejamento coletivo, levando os indivíduos a se fortalecerem nessa equipe, com ações que possam se sentir responsáveis, comprometidos em suas práticas pedagógicas, valorizando o crescimento individual e coletivo, favorecendo o protagonismo estudantil.

Portanto, podemos afirmar que o papel do coordenador pedagógico é de favorecer um ambiente democrático e participativo, onde se incentiva a participação de toda a comunidade escolar, no processo de tomada de decisão, tendo como sucesso uma escola de qualidade para todos.

7. REFERÊNCIAS

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FREIRE, Paulo Educação: Sonho possível. In: BRANDÃO, Carlos R. (org). O educador: Vida e Morte. 2º ed. Rio de janeiro: Graal, 1982.

FREIRE, Paulo Educação e mudança. Tad. Moacir Gadotti e Lillian Lopes Martin. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1979. Coleção: Educação e Comunicação vol 1.

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Publicado por: Aurileide Mendes

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