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O ESTUDO DA AFETIVIDADE NA FORMAÇÃO DA AUTOESTIMA DA CRIANÇA NA EDUCAÇÃO INFANTIL

Pedagogia

Acontecimentos históricos educacionais e as relações sociais que indicam a trajetória da relação professor e aluno tendo como ponto fundamental a questão afetiva na formação do aluno e sua vinculação com o processo educacional.

índice

1. RESUMO

O texto tem como abordagem a formação da autoestima do aluno, um tema que vem sendo visto por alguns profissionais da educação, como o caminho para a obtenção de bons resultados escolares. A priori são apontadas as estratégias mais utilizadas pela escola, na figura do professor como atitudes, que acredita viáveis para resolução de problemas de sala de aula. Tendo como base teórica que tratem desse assunto, são apresentadas sugestões consideradas ideais para que a relação professor e aluno contribuam para o aprendizado, para a conquista da autoestima do aluno, através do relacionamento afetivo pautado em respeito, autonomia e compreensão entre ambos. Esta pesquisa tem como objetivo, analisar de que forma que o vínculo existente na relação entre professor e aluno, contribui no desenvolvimento da aprendizagem e na formação da autoestima da criança da educação infantil. O presente trabalho foi desenvolvido por meio de pesquisa bibliográfica, onde através desta metodologia, compreendi os acontecimentos históricos educacionais e as relações sociais que indicaram a trajetória da relação professor e aluno tendo como ponto fundamental a questão afetiva na formação do aluno e sua vinculação com o processo educacional. Nesta perspectiva verifiquei que afetividade, moral e educação estão ligadas na aprendizagem. A afetividade influencia de maneira significativa à forma pela qual os seres humanos resolvem os conflitos de natureza moral. A organização do pensamento influencia o sentimento, e o sentir também configura a forma de pensar. Neste sentido, a afetividade perpassa o funcionamento psíquico, assumindo papel organizativo nas ações e reações.

PALAVRAS-CHAVE: Afetividade. Autoestima. Aprendizagem. Autoconceito. Professor-aluno.

2. INTRODUÇÃO

Observar o estudo da Afetividade na formação da autoestima da criança na Educação Infantil foi à questão que gerou todo esse estudo.

O problema em questão foi: Como a concepção de ensino adotada pelos professores pode influenciar na construção da autoestima de alunos da Educação Infantil? Os objetivos foram: Analisar de que forma que o vínculo existente na relação entre professor e aluno, contribui no desenvolvimento da aprendizagem e na formação da autoestima da criança da educação infantil; Identificar as dificuldades na relação entre professor e aluno, que envolvam a questão entre a aprendizagem com a afetividade; Evidenciar ações pedagógicas que favoreçam a afetividade no trabalho do professor; Discutir a postura do professor diante das dificuldades no relacionamento com alunos de 1 a 6 anos.

O tema “Afetividade na formação da autoestima”, foi escolhido para buscar compreender sua importância na relação afetiva entre professor e aluno, com o objetivo de desenvolver nos alunos atitudes e pensamentos positivos que contribuam na formação da autoestima, através da valorização do relacionamento interpessoal.

A relevância do estudo está em levantar questões que incomodam alguns profissionais da área educacional, como qual ação pedagógica deve nortear a relação afetiva que influenciará diretamente na autoestima do aluno, considerando as diferenças individuais e comportamentais inerentes ao ser humano.

Como futura pedagoga, encontrei na afetividade e autoestima um desafio grandioso. O professor recebe na sua formação profissional, orientações voltadas muitas vezes apenas para conceitos cognitivos, desconsiderando os conceitos afetivos necessários para a valorização da autoestima do aluno.

Sendo assim, este tema visa uma contribuição importante para abrir discussões entre pedagogos que, assim como eu, acreditam que o sucesso escolar tem como princípio básico a afetividade na sua relação educacional e consequentemente, contribuindo para uma autoestima positiva.

A autoestima possui uma abordagem simplificada, onde mostra o que a pessoa sente em relação a si mesma. Quando esta é positiva, significa que a pessoa tem uma boa imagem de si mesma, acredita que os outros gostam dela e confiam na sua habilidade de lidar com desafios. Quando esta é negativa, acha que não merece o amor de ninguém, não acredita no seu potencial, não se acha capaz, e considera que não sabe fazer nada direito. Nesta perspectiva, demonstrarei que podemos construir um ambiente escolar pautado no respeito, favorecendo a construção da autoestima que está intimamente ligada à afetividade.

Na escola, temos diferentes profissionais da educação e o professor é quem tem contato com a criança dentro do espaço educacional, por isso, torna-se referencia para a construção da personalidade da criança e da sua autoimagem. Neste sentido, deve oferecer atenção devida ao desempenho escolar do aluno, fazendo com que o amor próprio se solidifique, tornando-se parte do processo de aprendizagem de vida, pois é um sentimento essencial para a existência humana.

Este trabalho foi desenvolvido com um estudo qualitativo de cunho bibliográfico em que, compreendi os acontecimentos históricos educacionais e as relações sociais que indicaram a trajetória da relação professor e aluno, tendo como ponto fundamental, a questão afetiva na formação do aluno e sua vinculação com o processo educacional.

Desta forma, a relação entre professor e aluno foi analisada por meio de observações, leituras e contato com autores que tratam deste tema, proporcionando um esclarecimento maior, agregando melhorias no desempenho profissional na área educacional, haja visto que as leituras abrem as mentes e concretizam ou mudam ideias que formamos no decorrer de nossa vida.

3. A INFLUÊNCIA SOCIAL DA CRIANÇA NA FORMAÇÃO INICIAL DO AUTOCONCEITO

O desenvolvimento do ser humano não está pautado somente em aspectos cognitivos, mas também e, principalmente, em aspectos afetivos. Assim, a sala de aula é um grande laboratório para que se observe e questione os motivos que levam o convívio escolar do professor e aluno, muitas vezes, a ficar desgastado e sem estímulo.

Sabe-se que o ser humano tem grande necessidade de ser ouvido, acolhido e valorizado, contribuindo dessa forma para uma boa imagem de si mesmo. Neste sentido, a afetividade está intimamente ligada à construção da autoestima. Sendo assim, sua importância em toda relação é fundamental para os sujeitos envolvidos. A relação entre professor e aluno, deve ser mais próxima possível, pautada em partilha de sentimentos e respeito mútuo das diferentes ideias.

Vale ressaltar que a tarefa de educar deveria ser para a maioria das famílias e professores, uma função tão natural quanto respirar ou andar. No entanto, educar apresenta em suas ações familiares e educacionais, e dentro de teorias consideradas ideais, uma complexa tarefa a ser desempenhada.

O contato com diferentes grupos sociais possibilita a construção do autoconceito da pessoa. A família e outras pessoas que convivem com a criança, fazem parte do seu primeiro grupo social representando neste momento, seu contato afetivo, que pode ser positivo ou negativo, influenciando no futuro desta criança. O autoconceito que essa criança terá de si refletirá em suas ações e na forma como será tratada ou mesmo percebida pelos outros.

Quando a criança ingressa na escola e tem uma visão negativa de si, demonstra um comportamento diferente dos demais colegas como, agressividade ou apatia e, na maioria das vezes é considerado preguiçoso, desatento, irresponsável, ou seja, “aluno-problema” e, automaticamente, encaminhada pela professora ao Serviço de Orientação Educacional, pois seu desempenho escolar apresenta-se comprometido. Porém, a questão está relacionada a inúmeros fatores, inclusive, no autoconceito que este aluno faz de si, quando não acredita no seu potencial de resolver situações desafiadoras e desanima no primeiro obstáculo que encontra.

Por isso, a escola, enquanto segmento de grupo social que constrói diferentes relações, deve propiciar melhores condições de aprendizagem, selecionando atividades e posturas necessárias, que promovam o resgate da autoestima do aluno. Para Oliveira (1998, p.21), o aspecto afetivo tem uma profunda influência sobre o desenvolvimento intelectual. Ele pode acelerar ou diminuir o ritmo de desenvolvimento, e determinar sobre que conteúdos a atividade intelectual se concentrará e, na teoria de Piaget, o desenvolvimento intelectual é considerado como tendo dois componentes: um cognitivo e outro afetivo que, desenvolvem-se paralelamente. Afeto inclui sentimentos, interesses, desejos, tendências, valores e emoções em geral. O afeto apresenta várias dimensões, incluindo os sentimentos subjetivos (amor, raiva, tristeza...) e aspectos expressivos (sorrisos, gritos, lágrimas...).

Para Seber (1997, p.49), dentro da teoria de Piaget, o afeto se desenvolve no mesmo sentido que a cognição ou inteligência e, é responsável pela ativação intelectual. Com suas capacidades afetivas e cognitivas expandidas através da contínua construção, as crianças tornam-se capazes de investir afeto e ter sentimentos validados nelas mesmos. Neste aspecto, a autoestima mantém uma estreita relação com a motivação ou interesse da criança para aprender. O afeto é o princípio norteador da autoestima. Desenvolvido o vínculo afetivo, a aprendizagem, a motivação e a disciplina tornam-se conquistas significativas para o autocontrole do aluno e seu bem-estar escolar. Percebe-se uma forte relação entre professor e aluno, influenciando na formação da autoestima, pois o professor que não tem amor pela profissão, e apresenta diferentes reações diante de um aluno indiferente ou agressivo, pode comprometer o desenvolvimento escolar da turma.

Segundo Bean et al, (1995, p.62), a autoestima afeta o aprendizado. As pesquisas sobre a autoimagem e o desempenho escolar mostram a forte relação entre a autoestima e a capacidade de aprender. A elevada autoestima estimula a aprendizagem. O aluno que goza de elevada autoestima aprende com mais alegria e facilidade. Enfrenta as novas tarefas de aprendizagem com confiança e entusiasmo. Seu desempenho tende a ser um sucesso, pois a reflexão e o sentimento precedem a ação, demonstrando “firmeza” e expectativas positivas, diferente de um que se sente incompetente, fracassado. O desempenho bem-sucedido reforça seus bons sentimentos. A cada sucesso alcançado, ele se considera mais competente. Sua capacidade de enfrentar desafios é maior e mais saudável psicologicamente do que daquele que tem uma visão negativa de si, pois se acha um derrotado e teme situações que possam expor seus pensamentos e sentimentos.

Educadores, teóricos da educação e autores tratam da afetividade como fator preponderante para a construção do autoconceito do aluno. Ela vem sendo abordada com mais intensidade, porque a violência, a agressividade e o desrespeito vivido hoje pela maioria das pessoas podem ter causas de fundo afetivo, por conta da falta de valorização da pessoa como ser humano. Desta forma, inevitavelmente, seu autoconceito é alterado.

Oliveira (1998, p.21) aborda as ideias de Vygotsky, onde sempre se preocupou com o aprendizado inserido no desenvolvimento sócio-histórico da pessoa como um processo que apresenta diferentes fases que estão interligadas entre si. Independentemente da fase que esteja vivendo, o ser humano está convivendo com grupos diversificados de pessoas que, contribuem a todo o momento com a construção de sua autoestima.

Na tentativa de mudanças das práticas pedagógicas, algumas escolas começam a investir na formação do professor, buscando referenciais teóricos que auxiliem no desempenho do aluno no processo ensino-aprendizagem, tendo como base a afetividade como resgate da autoestima, procurando assim atenuar as dificuldades de aprendizagem como de relacionamentos interpessoais encontradas pelos alunos.

Para Sisto (2000, p.78), a pesquisa realizada com jovens da cidade de Campinas foi uma considerável colaboração para os estudos sobre afetividade, pois teve como objetivo verificar se a autoestima pode ser alterada numa situação de provação. A pesquisa também observa que, durante todas as fases da vida, desde a infância, a adolescência e a fase adulta a autoestima passa por mudanças, ocasionada pelas situações e pelo próprio contexto social vivido. Ninguém nasce bom ou mau, porém o autoconceito que cada um tem de si e a visão que o próprio mundo tem de cada pessoa, faz com que ela acredite nesta imagem e viva como tal.

Sendo assim, a pessoa marginalizada, discriminada, sente a rejeição em sua vida e passa a considerar-se inferior aos outros e na maioria das vezes pessimista, tornando-se muitas vezes agressiva, hostil ou indiferente. Em contrapartida, a pessoa que é amada e em quem depositamos confiança cresce com uma imagem positiva e enfrenta os desafios que surgem com mais otimismo e segurança. Demonstra alegria, determinação e afetividade nos relacionamentos que constrói, vendo-se em cada ser humano que encontra pela frente.

3.1 O PAPEL DA ESCOLA E O AUTOCONCEITO

O papel da escola, enquanto relação professor e aluno são de suma importância para a formação da autoestima, seja pautada com segurança, autonomia de ideias, conceitos que o próprio aluno tenha de si e, que contribuem para seu desempenho escolar e de sua vida como um todo.

A questão da afetividade e autoestima é uma preocupação mundial. Todos os segmentos da sociedade têm essas abordagens em seus discursos e buscam práticas que possam condizer com o que acreditam verdadeiramente. A afetividade no trato com as pessoas é um pressuposto do que autores referem-se como o resgate a valores humanos esquecidos por nós que estamos envolvidos com a agitação do dia-a-dia.

Acreditando nisto, Antunes (1996, p.56) afirma que a relação professor e aluno devem ser baseados em afetividade e sinceridade, pois:

Se um professor assume aulas para uma classe e crê que ela não aprenderá, então está certo e ela terá imensas dificuldades. Se ao invés disso, ele crê no desempenho da classe, ele conseguirá uma mudança, porque o cérebro humano é muito sensível a essa expectativa sobre o desempenho. Antunes (1996, p.56)

Como podemos ver, a escola é parte integrante e fundamental na sociedade, não pode ficar alheia a esta busca. Entretanto, apropria-se de pensamentos de teóricos como Wallon, Piaget e Vygotsky, para basear suas ações pedagógicas e transformar a relação professor e aluno em um momento mais rico no processo ensino-aprendizagem. Tais conhecimentos perdem sua validade quando professores e técnicos não estão comprometidos com mudanças em suas ideias tradicionais ou posturas, que trazem ranços de práticas escolares que apenas depositam informações nos alunos, desconsiderando assim a afetividade no processo ensino-aprendizagem.

Para Tiba (1999, p. 65), cuidar é mais que um ato, é uma atitude, portanto abrange mais que um momento de atenção, de zelo e desvelo. Representa uma atitude de ocupação, preocupação, responsabilização e envolvimento afetivo. Por isso, é preciso cuidar da terra antes e depois da semente ser lançada, para que a planta possa crescer florescer e dar bons frutos. Por conseguinte, para a construção da autoestima é necessário buscar a responsabilidade e não a culpa, criar um clima de confiança que faça com que a pessoa sinta-se genuinamente aceita, compreendida e respeitada, sentimentos que ajudam a trabalhar núcleos emocionais que bloqueiam condutas inadequadas. Os educadores sabem que as crianças aprendem melhor quando estão satisfeitas com elas mesmas e que bons sentimentos são importantes. No entanto, alguns professores desconhecem seu papel de “espelho” dentro de uma sala de aula, esquecendo que seus alunos os admiram e estão preocupados em ser iguais a eles, acabando por imitá-los em suas atitudes e até pensamentos. Se os professores percebessem essa imitação sem dúvida procurariam policiar suas palavras e posturas. Que maravilhoso seria se professores e alunos pudessem espelhar-se em fatos e pessoas positivas, que emanassem confiança, autonomia e sinceridade.

Esperamos mudanças na educação a partir de conscientização de novas metodologias que insiram cada vez mais a criança em uma vida escolar que retrate sua realidade e que busque a contextualização, porém, olhando-se de outro prisma, a solução para a educação pode estar no afeto. Afeto este que proporcione crescimento e valorização do ser humano e reconhecimento pessoal como sujeito ativo na construção da história.

Mais do que aula, muitas vezes a criança vai para a sala de aula em busca de respostas que esclareçam o seu verdadeiro papel na sociedade. Considera esta escola, como grupo social que pode contribuir para sua formação como cidadão e, na maioria das vezes, o professor não se preocupa com o “tipo” de aluno que está convivendo, muito menos, em estabelecer um vínculo afetivo mais forte nesta relação, favorecendo atitudes positivas importantes na formação da autoestima do aluno.

Neste sentido, a emoção será compreendida dependendo da ativação ou redução da afetividade, no entanto, o autocontrole não é uma habilidade que se desenvolve “naturalmente” dada à maturação temporal da criança. Todas precisam de uma aprendizagem específica, pois uma relação é algo que se constrói dia-a-dia, no entendimento de si e do outro. Por isso, é preciso que se tenha cuidado com as palavras escolhidas para a comunicação, levando em consideração o tom de voz que deve ser firme e não acusador e padrões de linguagem que encorajem a autoavaliação e o automonitoramento por parte da própria criança, fazendo com que ela aprenda a amar-se, conhecendo seus limites, pedindo ajuda quando necessário.

3.2 AUTOESTIMA E APRENDIZAGEM

Aprender o valor do autocontrole na infância não significa apenas ser passivo, pelo contrário, significa ter capacidade de discriminar os contextos apropriados para falar, brincar, rir... É preciso aproveitar o melhor das possibilidades da infância nas diferentes situações, de forma a beneficiar-se com o que tais situações podem proporcionar ao seu desenvolvimento.

Crianças não aprendem sozinhas, precisam de apoio para aprender a manter seu comportamento direcionado a uma meta, com aprendizagem consistente de valores que as guiem.

Segundo Briggs (2000, p.58), a autoestima das crianças não é formada unicamente em uma fase, mas eternamente construída e sujeita a mudanças, por isso a base familiar e escolar desta criança deve ser segura e confiante para que possa superar as dificuldades da vida com mais facilidade.

A escola, busca a todo o momento, mudanças para que possa melhorar a qualidade do ensino e, o professor em sua formação continuada tem contato com novas metodologias que sugerem o respeito pela produção do aluno, valorizando o que consegue fazer e incentivando o que pode vir a fazer. Necessariamente o professor deve rever as práticas pedagógicas que apenas preocupam–se com o conteúdo a ser trabalhado, avaliando somente o lado cognitivo, e com isso, desprezando o que o aluno tem a oferecer ou precisa receber, que é a afetividade nesta relação, favorecendo assim, um melhor desempenho. No entanto, alguns professores temem esta mudança de postura por considerar liberalismo sem repressão, despertando no aluno a rebeldia, agressividade por não referencial de limites, porém, o que se pretende não é tirar a autoridade pedagógica do professor, mas sim, o autoritarismo que faz da relação escolar, um momento de dor, medo e lembranças tristes.

Neste momento, se olharmos para dentro de nós mesmos, lembraremo-nos de alguns professores que marcaram nossa vida, uns de maneira alegre e amorosa, outros de forma dolorosa, por ter nos feito passar por situações vexatórias ou humilhantes diante da turma, fazendo com que a figura do mesmo se tornasse monstruosa. É obvio que a afetividade tem grande influência em nossa vida, pois quem gosta de ser maltratado por outra pessoa em uma loja ou no cinema? E de ser chamada atenção de maneira grossa na frente de outras pessoas? Ninguém nasceu para sofrer ou fazer outro sofrer. Desta forma, o aluno também tem o direito de receber tratamento que o respeite enquanto cidadão e que trate o outro da forma como vem recebendo atenção. Vale ressaltar que, todas as relações iniciam a partir do momento que as limitações de um são respeitadas, o que favorece o reconhecimento das limitações do outro.

A afetividade nas relações deve ser recíproca e permeada em valores verdadeiramente humanos. Ensinar e aprender são o estabelecimento de uma relação de causa e efeito, é produto da troca das informações e das experiências pessoais entre aprendiz e mestre. Nessa troca ninguém sai ileso e os resultados serão marcantes e especiais, na medida em que marcantes e especiais forem o empenho, a responsabilidade e as influências mútuas de quem ensina aprendendo e de quem aprende se educando.

Neste relacionamento entre educador e educando, o vínculo afetivo será um grande facilitador no processo de ensino aprendizagem, pois, pela criação de um forte vínculo afetivo, a criança não se sentirá sozinha, facilitando, assim, seu aprendizado. Certamente o clima criado será de prazer, acolhimento, alegria, companheirismo, ou seja, prazerosamente o conteúdo será apresentado, as dificuldades serão percebidas e acolhidas como parte do processo, auxiliando-a, desta forma, na superação das dificuldades.

A criança interage livremente com aquilo que descobre à sua volta, sem a influência de ideias preconcebidas. Manipula, experimenta e explora. A criança, cuja curiosidade é aceita como válida, recebe a luz verde para aprender. Infelizmente, algumas crianças aprendem muito cedo a não aprender. Como isto acontece? É comum a criança utilizar determinado brinquedo ou produtos de outra forma, pois a curiosidade faz com que esta manipulação seja guiada pela imaginação; porém, por uma questão de segurança, as investigações devem ser, em certos casos, limitadas, mas as frequências excessivas destas limitações são desnecessárias. Suas necessidades de descobrir não encontram apoio e a curiosidade é eliminada para evitar a desaprovação. Logo, a indagação e a experimentação do desconhecido formam a base do progresso em todos os campos. Se essas qualidades, que existem em todas as crianças forem eliminadas, elas sentir-se-ão diminuídas por desejar saber e serem tolhidas. As crianças não só precisam de uma atmosfera que estimule a curiosidade e a exploração, como também precisam de amplos contatos com uma grande variedade de experiências.

Para Briggs (2000, p.162), “Toda criança precisa do máximo de experiência direta possível. Só dessa maneira ela pode chegar a conhecer o seu ambiente pessoal”.

As escolas oferecem, evidentemente, grande ênfase à palavra falada e a escrita, uma prática utilizada no lar, que desenvolve uma habilidade muito valorizada na escola, a linguagem escrita. No entanto, podemos estimular a criança a falar através dos exemplos familiares respeitando as suas ideias e sentimentos. A comunicação realmente aberta só floresce num clima de segurança.

3.3 A NECESSIDADE DO SER HUMANO

Saber ouvir alguém, pensar a respeito do que foi dito por essa pessoa, é uma forma de valorizar aquilo que ela falou, é a melhor maneira de iniciar um relacionamento, pois, todas as pessoas têm necessidade de ser ouvidas. Assim, quando se age desta maneira, caminha-se na direção de um diálogo franco, aberto, tendo oportunidade de descobrir o que a outra pessoa realmente quer.

A maior dificuldade encontrada em sala de aula está relacionada à necessidade que os alunos têm de serem ouvidos, respeitados em suas ideias e como sujeitos construtores da história cultural. Logo, apresentam comportamentos diferenciados para serem notados e assim, conseguirem a atenção do outro, geralmente, do professor.

Uma prática que está se tornando comum em algumas escolas é de encaminhar a criança que apresenta este comportamento ao Serviço de Orientação Educacional (SOE). O orientador ao ouvir essa criança sabe que seu retorno à sala será com outra postura, haja vista que conseguiu ser ouvido e trocou ideias com o outro, atitude esta que o faz sentir respeitado. Sabe-se que não se pode atribuir a todo tipo de inadequação em sala de aula da criança um problema de autoestima, porém, em sua grande maioria é a razão das dificuldades nos relacionamentos. Por isso, a necessidade de valorização pessoal de cada um contribui para um bom desempenho do aluno quer na vida escolar como pessoal. Vale ressaltar que sempre que a criança apresenta alguma dificuldade em aprender é importante descobrir a causa. A criança, cujas necessidades emocionais não são satisfeitas, tem menos probabilidade de conseguir êxito na escola. O homem com fome, não tem motivação para aprender. Ele tem primeiro, que matar sua fome para depois se concentrar no estudo. A criança que está convencida de ser um fracasso tem pouca motivação para tentar. E a criança com um acúmulo de repressão, não tem muita energia para enfrentar os desafios da escola, porém, os desafios tornam-se interessantes quando se pode enfrentá-los e a autoconfiança é o primeiro segredo do sucesso.

Briggs (2000, p.169) afirma em suas observações e análises que, “a causa mais comum do bloqueio ao aprendizado, particularmente em crianças de famílias da classe média, vem da pressão indevida que sofrem para atingir certas metas que estão além de sua capacidade”. Todavia o excesso de ambição é recebido pela criança como falta de aceitação. Expectativas muito altas significam decepções grandes. E as decepções prejudicam a autoestima. Elas acabam com a energia e a criança passa a ter menos interesse e curiosidade. Outro obstáculo ao crescimento intelectual é uma disciplina tolerante, protetora ou rígida demais. Os pais dominadores aumentam a hostilidade, a dependência e a inadequação, sentimentos que bloqueiam o funcionamento intelectual. Pais excessivamente protetores, ou pais que se recusam a estabelecer limitações fazem com que as crianças se sintam incapazes e não amadas. Descrevo também, mais alguns obstáculos ao crescimento da autoestima, praticados pelos pais perante a criança, citados por Branden (1995, p.20), sejam eles: noção de não ser “suficiente”, repreensão diante de sentimentos “inaceitáveis”, humilhação, desvalorização de pensamentos e sentimentos, controle através da culpa ou vergonha, superproteção, regras contraditórias ou inexistência de regras, negação da sua percepção de realidade, desestruturação da sua noção de racionalidade, violência física ou ameaças, sendo tratada como se fosse má. Essas atitudes são negativas para a autoestima, que por sua vez afeta a motivação de aprender.

A disciplina democrática desenvolve o crescimento intelectual, estimulando a participação, o raciocínio, o pensamento criativo e a responsabilidade. A divisão do poder no estabelecimento de regras tem um papel importante no estímulo à competência mental.

O estudo de Goleman abordado por Briggs (2000, p.172), mostra que o maior fator para motivar a criança a aprender é a imagem que tem de si, é o sentimento de que “Eu tenho um certo controle do meu destino”. Verificou-se também nesse estudo que as crianças que apresentavam facilidade em aprender, tinham sua autoconfiança intensificada à medida que essa facilidade aumentava com o tempo. Elas tinham confiança, a certeza de serem amadas, estavam à vontade com os outros, pensavam de maneira mais original. Em suma, apresentavam as características de uma elevada autoestima. Entretanto, as crianças que eram dependentes, menos seguras de serem amadas, menos capazes de participar de projetos próprios, e que precisavam de muita atenção, apresentaram dificuldades de aprender.

Diante do estudo, observou-se que uma autoestima elevada afeta acentuadamente o modo pelo qual a criança utiliza as habilidades de que dispõe. É certo que outro obstáculo ao aprendizado surge quando as linhas de comunicação estão obstruídas ou fechadas. As crianças que se saem bem em suas atividades escolares, vêm de famílias onde há muita comunicação. Quando pais e filhos interessam-se carinhosamente pelas atividades mútuas e, quando os filhos se sentem seguros em partilhar suas ideias e seus sentimentos, o crescimento cognitivo e emocional é estimulado.

Ao examinar os obstáculos do aprendizado não se pode desconhecer a importância das boas escolas, dos professores influentes e dos currículos flexíveis, ligados aos interesses das crianças. As crianças autoconfiantes e motivadas podem perder o estímulo de aprender quando se veem em salas de aula muito cheias, com professores incompetentes que usam metodologias ultrapassadas. Além disso, quando as crianças têm uma participação ativa nas atividades escolares que estão de acordo com seus interesses, elas reagem de maneira muito diferente do que quando são tratadas como simples recipientes vazios, onde se despeja o conhecimento velho dos manuais.

Briggs (2000, p.7) define a importância da afetividade na vida de uma criança como: “Ajudar as crianças a desenvolver sua autoestima é a chave de uma aprendizagem bem sucedida”.

Logo, as intenções dos professores terão maiores possibilidades de se concretizarem se as convivências com os alunos lhes proporcionarem satisfação por ser quem são. Não se pode desconhecer, ou ignorar, a característica mais importante da criança – seu grau de autorrespeito.

Geralmente pais e professores querem evitar o mau comportamento das crianças sempre que possível. A vida é mais agradável, para eles e para as crianças, sem tal comportamento. A disciplina é um assunto muito importante e, se souber que o comportamento corresponde à autoimagem, poderá ver que uma das causas do mau comportamento é um autoconceito negativo. A criança que se considera má, modela seus atos para que se enquadrem nesta concepção. Ela desempenha o papel que lhe é atribuído. Normalmente, quanto pior o comportamento da criança, mais ela é censurada, punida ou rejeitada. E, em consequência, mais profunda se torna a sua convicção íntima de que é “má”. O mau comportamento crônico pode se basear numa visão deformada do eu, embora uma autoestima precária não seja a única causa do mau comportamento.

4. METODOLOGIA

O presente trabalho foi desenvolvido por meio de pesquisa bibliográfica, baseado nos referenciais teóricos publicados em artigos, livros, dissertações, teses e internet.

Para a pesquisa, foram utilizadas as seguintes palavras-chave: autoconceito, afetividade, autoestima, educação infantil e aprendizagem. Os critérios utilizados para seleção dos artigos foram, por conseguinte, referentes ao tema relacionado à afetividade na formação da autoestima da criança na educação infantil.

Desta forma, por buscar a análise histórica crítica da relação professor e aluno, através de leituras e do levantamento das publicações para a pesquisa, pude perceber que são vários os trabalhos publicados que envolvem a autoestima. Os temas abordados nessas publicações distribuíram-se entre: alfabetização emocional, como aumentar a autoestima dos jovens, a autoestima do seu filho, o diálogo com a criança e o desenvolvimento do raciocínio, leitura de psicologias para formação de professores e disciplina: limite na medida certa.

Entendo que os assuntos das publicações citadas, descrevem a respeito da relação afetiva no comprometimento da formação da autoestima e, consequentemente, o desempenho do aluno no processo de ensino-aprendizagem.

Toda pesquisa tem como objetivo utilizar uma metodologia que norteia o trabalho a ser desenvolvido da forma mais eficaz, completa e satisfatória cumprindo todos os objetivos que devem ser atingidos, respondendo de forma totalmente clara e direta o objetivo delineador e finalmente respondendo ao problema proposto.

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

No decorrer dessa pesquisa trilhei um caminho que contribuiu efetivamente para com a minha formação. A construção de uma sociedade escolar justa e solidária reflete valores e afetos que fazem a diferença nas relações escolares do cotidiano. Menezes (2000, p.13) acredita que “a boa educação é aquela que promove gostosamente a diferença humana, preparando para a vida”.

A afetividade influencia a forma com que os seres humanos resolvem conflitos de natureza moral.

Busca-se pensar em uma escola que trabalhe o estado emocional de todos os profissionais de forma positiva, baseado em confiança, satisfação interna e respeito, para que desempenhem seu papel de forma prazerosa.

Família e escola devem trabalhar juntas, com o único objetivo de desenvolver na criança sua capacidade individual, onde a criança pequena aprende brincando e criando. Toda criança precisa de compreensão afetiva para atravessar o caminho da dependência para a independência e é importante fornecer todos os elementos básicos necessários para que as crianças aprendam a gostar de si próprias. Todo sentimento que a criança sente em relação a si mesma afeta seu modo de viver. Uma autoestima elevada baseia-se na convicção de que a criança tem de ser amada e valorizada, e que ela saiba que é importante justamente pela sua existência. Quando a criança sente confiança em lidar com situações que a rodeiam, ela percebe que tem algo a oferecer ao próximo e sendo assim, a autoestima não é pretensão, é a aceitação da criança em ser quem ela é. A criança constrói sua autoimagem a partir das palavras, da linguagem corporal, das atitudes e dos julgamentos dos outros, por isso é importante que os professores saibam que todas as crianças crescem se valorizando e gostando de si mesmas.

Todas as crianças possuem necessidades diferenciadas e cabe ao professor ter recursos e metodologias variadas para lidar com essa diversidade. As escolas devem se preocupar com a formação do professor, uma vez que ele tem o perfil de mediador e orientador no processo de ensino-aprendizagem, buscando neste professor uma dimensão emocional. Godoy (1997, p.35) descreve a importância de alguns aspectos que propiciam a forma de aprender:

Aspectos como autoconhecimento, autonomia e auto-regulação de condutas são um desafio para qualquer educador, mas não se pode considerar como impossíveis de serem trabalhadas quando se propiciem atividades de reflexão sobre o autoconhecimento e auto-aceitação. Godoy (1997, p.35)

Essas atividades podem ser inseridas no cotidiano escolar, pois só amplia a valorização e crescimento pessoal, enriquecendo o ser humano. Destaco ainda que a atividade docente é como um ato de amor e competência.

Vale ressaltar que o funcionamento psíquico humano não é composto apenas por aspectos cognitivos, mas por sentimentos e emoções que configuram o pensamento. Se as pessoas tiverem características pessoais otimistas sendo positivas, alegres, satisfeitas e felizes, as consequências benéficas para a educação e para os alunos da educação infantil é uma aprendizagem com qualidade significativa. Por outro lado, pessoas pessimistas infelizes, tristes tendem a demonstrar instabilidade de natureza moral.

Educar significa preocupar-se com a construção e organização afetiva das pessoas e a escola promove essa experiência entre professor-aluno proporcionando uma aprendizagem educativa significativa, afinal a escola para cumprir seu papel, deve ser um lugar com muita vida, sobretudo de sucesso e realização pessoal para alunos e professores. A escola juntamente com os professores, conduzem os alunos da melhor forma possível para que estejam preparados para os desafios da vida afetividade e do crescimento interpessoal.

Diante disso, observa-se que as crianças que constroem expectativas realistas, que são autênticas, que cooperam e que se aceitam do jeito que são, mesmo diante de alguma limitação, sempre sentir-se-ão amadas. Com esta sólida base interior, o potencial desta criança se expandirá, permitindo assim que a mesma cresça motivada, criativa e com um olhar para o futuro.

Estas crianças serão capazes de relacionarem-se com qualquer pessoa, pois elas adquiriram a base e o resultado final será a formação de um adulto feliz, criativo, positivo, sem medo, com autoestima elevada, onde o mesmo terá condições de criar suas próprias oportunidades, para uma vida repleta de realizações.

Para Briggs (2000, p.27) “A chave da paz interior e da vida feliz é a autoestima elevada, pois é ela que está por trás de todo relacionamento bem-sucedido com os outros”.

6. REFERÊNCIAS

ANTUNES, Celso. Alfabetização Emocional. São Paulo: Terra, 1996.

BEAN, Reynold et al. Adolescentes Seguros: Como aumentar a autoestima dos jovens. São Paulo: Gente, 1995.

BOCK, Ana M. Bahia et al. Psicologias: uma introdução ao estudo de psicologia. São Paulo: Saraiva, 1998.

BRANDEN, Nathaniel. O Poder da Auto-Estima. São Paulo: Saraiva, 1995.

BRIGGS, Dorothy C. A autoestima do seu filho. São Paulo: Martins Fontes, 2000.

CHALITA, Gabriel. Educação: a solução está no afeto. São Paulo: Gente, 2001.

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http://www.psicopedagogia.com.br/artigos/artigo.asp?entrID=855 acesso em 12/12/2012.


Publicado por: Keite Guilherme

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