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CRIANÇAS CIRCENSES: UMA PROPOSTA DE INCLUSÃO

Pedagogia

História do circo e a criança circense, a questão da educação inclusiva, o processo de ensino e aprendizagem e as estratégias de ensino utilizadas pelos professores com as crianças.

índice

1. RESUMO

Este trabalho aborda o tema “crianças circenses: uma proposta de inclusão”. Nesta temática, temos o objetivo de analisar as facilidades e dificuldades enfrentadas por duas crianças circenses de um circo localizado no DF, em relação ao acesso e inclusão em uma escola pública na concepção de seus pais e professores. Para alcançarmos o objetivo proposto, foram realizadas uma pesquisa bibliográfica embasada em alguns teóricos e uma pesquisa de campo, no circo localizado na Candangolândia-DF, e em uma escola localizada na Asa Norte-DF. Para que conseguíssemos coletar os dados, foram realizados um roteiro de entrevista realizada com os pais e professores das crianças circenses e um roteiro de observação aplicado no circo e na escola. Após a coleta, foi realizada uma análise e interpretação dos dados obtidos e foi constatado que as crianças circenses enfrentam muitos obstáculos no acesso à educação escolar, desde a matrícula até a socialização em sala de aula, e que os professores ainda enfrentam dificuldades para atender a demanda destes alunos. Contudo, ainda é preciso que sejam implantadas políticas públicas que consigam atender as necessidades dos alunos circenses.

Palavras-chave: Criança Circense. Circo. Inclusão Escolar.

ABSTRACT

This work deals with the theme "Circus Childrens: a proposal for inclusion." In this theme we aim to analyze the facilities and difficulties faced by two circus children from a circus located in Brasília, Distrito Federal, in relation to access and inclusion in a public school in the design of their parents and teachers. To achieve the proposed objective, we carried out a bibliographical research based on some theoretical and field research in the circus located in Candangolândia, Distrito Federal, and a school located in Asa Norte, Distrito Federal. So that we could collect the data were conducted an interview script conducted with parents and teachers of circus childrens and an observation script used in the circus and at school. After collection, analysis and interpretation of data obtained and it was found that the circus children face many obstacles in access to education, from enrollment to socializing in class was held, and that teachers are still struggling to meet demand for these students. However, it is necessary that public policies are implemented so they can meet the needs of circus students.

Keywords: Circus Child. Circus. School Inclusion.

2. INTRODUÇÃO

Ultimamente, se busca a melhoria do ensino. Mas, para que isso aconteça, é fundamental que se mude a maneira de ensinar, esperando, assim, que o aluno crie, inove, descubra e construa o seu próprio conhecimento. No quesito aprendizagem e suas dificuldades na socialização em sala de aula, surge a importância da discussão a respeito dos alunos vindos dos circos. Crianças circenses mudam de escolas frequentemente, podendo passar por várias escolas durante o ano, dificultando, assim, o acesso às escolas e a socialização dessas crianças com as outras.

Desta forma, acreditamos que seja necessário, verificarmos como se dá o acesso à educação escolar por crianças circenses voltando a perspectiva da inclusão, pois como qualquer outra criança, a circense tem direito ao acesso à educação escolar em rede pública ou privada mais próxima de onde se localiza, desde que apresente as documentações necessárias.

Sendo assim, acreditamos que seja necessária a pesquisa, apresentando a história do circo no Brasil; verificando as estratégias utilizadas pelas professoras no processo de inclusão pedagógica e identificando o impacto dessa inclusão na vida social dessas crianças. Portanto, pode ser de grande benefício uma pesquisa a respeito da inclusão de crianças circenses para que tenhamos conhecimento de como se encontra o processo de socialização em sala de aula, e também para que tenhamos conhecimentos sobre a história do circo, um pouco além de um breve espetáculo. Assim, possivelmente, apontarmos ao professor que ele pode rever suas metodologias de ensino caso não estejam adequadas, dando ênfase a inclusão do aluno circense, e fazer com que o profissional da área da educação, não cometa nenhum tipo de exclusão com os alunos, sendo ele de circo ou não, para que o ensino seja de qualidade.

A partir das concepções voltadas a história do circo, é perceptível a relevância em enfatizar a criança circense, pois de acordo com Xavier (2009), em sua entrevista com pais de crianças circenses que em um caso, a mãe relata que os livros didáticos não eram entregues ao seu filho, por conta da escola citar que os alunos de circo não costumavam devolver os livros, o que é percebido como uma grande discriminação e um ato ilegal. Fica notável que sem os livros didáticos, as crianças poderão ter uma dificuldade no processo de ensino, e poderão ter uma deficiência na aprendizagem.

Neste sentido, questionamos: Quais as facilidades e dificuldades enfrentadas por duas crianças de um circo localizado no DF, em relação ao acesso e inclusão em uma escola pública na concepção dos pais e professores?

Sendo assim, destacamos os objetivos a seguir:

2.1 Objetivo Geral

Analisar as facilidades e dificuldades enfrentadas por duas crianças de um circo localizado no DF, em relação ao acesso e inclusão em uma escola pública na concepção de seus pais e professores.

2.2 Objetivos Específicos

  • Averiguar se as estratégias utilizadas pelos professores no processo de inclusão pedagógica dessas crianças estão facilitando a aprendizagem;

  • Identificar o impacto dessa inclusão na vida social dessas crianças na concepção de seus pais;

  • Verificar as facilidades e dificuldades encontradas pelos professores no processo de ensino e aprendizagem desses alunos;

Deste modo, este trabalho apresenta cinco capítulos que estão organizados da seguinte forma: Capítulo 1, que trata da história do circo e a criança circense. Capítulo 2 aborda a questão da educação inclusiva. Capítulo 3 traz o processo de ensino e aprendizagem, além de abordar a questão das estratégias de ensino utilizadas pelos professores com as crianças. Capítulo 4 expõe a metodologia e o Capítulo 5 a análise e interpretação dos dados da pesquisa.

3. CAPÍTULO 1 A HISTÓRIA DO CIRCO

Neste capítulo, trataremos da história do circo no Brasil e da criança circense. Para o desenvolvimento deste capítulo, contamos com o embasamento de alguns teóricos como Bolognesi (2003), Abreu (2009), Silva (1996), entre outros.

É comum adultos levarem seus filhos ao circo, e as crianças ficarem totalmente envolvidas com as apresentações, não só as crianças, mas também os adultos, mas será que as pessoas param para pensar como é a vida desses itinerantes? Principalmente a vida de crianças de circo, se elas frequentam escolas ou não, e como está sendo o processo de inclusão das mesmas nas escolas?

Segundo Bolognesi (2003) ,o circo passou por diversas mudanças, até chegar ao modelo que temos atualmente; mudanças na arte, na estética, entre outras, fazendo com que o ultrapassado se tornasse moderno. Ainda segundo Bolognesi (2003), este modelo que temos hoje, surgiu no século XVIII e se fortaleceu no século XIX. Desse modo, o circo que temos hoje é de certa forma atualizado, pois seguindo o raciocínio do autor, o circo passou a ter apresentações em lugares fechados e não mais expressões ligadas às ruas.

De acordo com Abreu (2009), as pessoas que trabalham no circo, geralmente são da família, tem um parentesco com o dono do circo, ou tem descendentes circenses, pois a experiência é repassada de um para o outro, e nada era aprendido repentinamente, e sim de pouco em pouco. Ainda segundo o autor, era o homem que se tornava um chefe da família, não importando se era o dono do circo ou não, e o filho homem, ou o filho mais velho era quem deveria ser o herdeiro do circo. E a mulher era preparada não somente para que fosse mãe e “do lar”, mas também para que atuasse como uma artista do circo e fizesse as apresentações.

Trata-se, portanto, de uma direção patriarcal, ou seja, onde a família é muito importante e onde os homens exercem o controle. Por mais que as mulheres mantivessem um papel como artistas circenses, era o homem, que de certa forma, concedia as ordens.

Abreu (2009) reconhece que eram os pais que ensinavam as crianças os movimentos corporais para que essas crianças conseguissem participar dos espetáculos, mas não eram todas as crianças que queriam aprender os movimentos, por alguns apresentarem certos riscos. Em função disso, algumas crianças ajudavam nas armações e desarmações e também nas vendas dos bilhetes.

A partir do trecho citado acima, notamos que as crianças aprendiam com os seus pais alguns movimentos do circo, eram os pais que ajudavam no desenvolvimento dos movimentos corporais, e as crianças estavam presentes em todo o processo que envolvia o circo, desde a armação do circo até as vendas dos bilhetes para o espetáculo.

Abreu (2009) destaca, ainda, que as famílias circenses eram numerosas, que era habitual, o casal ter muitos filhos, e com isso, facilitava nas apresentações, que aconteciam com os membros da família, sem necessidade de contratação de outros artistas, pois a família era o suficiente para o espetáculo e também para a montagem e desmontagem do circo.

Segundo Bolognesi (2009), nas apresentações do circo, era preciso que o público estivesse sempre interagindo com o artista circense, pois era importante que o artista não sentisse que as suas apresentações não estavam despertando interesse na plateia, e com essa troca, do artista com a plateia, acontecia um momento de construção de conhecimentos.

Em função disso, fica claro que o artista aprende com o público, e notamos também que este deve observar o comportamento do público, caso esteja agradando, o artista teria um retorno e caso não esteja agradando, também teria, e é com essa devolutiva que o circense desenvolvia uma apresentação mais satisfatória ao espectador.

Já Abreu (2009) diz que na maioria dos circos, por volta dos anos de 1950 e 1960, os artistas moravam em cabanas, armadas ao redor da lona, mas existiam cidades onde era necessário o aluguel de pensões. Contando que essas instalações não fossem muito distantes do circo, pois em momento de urgência, todos deveriam estar presentes rapidamente no circo.

Bolognesi (2009) diz que não é tão simples trabalhar no circo, e que os palhaços deveriam estar sempre atentos ao que acontecia atualmente na sociedade, para que usassem aquilo como uma forma de piada, e vale destacar que não só o palhaço, mas os artistas como um todo, deveriam estar ligados no que acontecia de novidade na sociedade.

O trecho acima retrata que para ser um artista circense, não basta saber os movimentos corporais para as apresentações, mas é necessário também que esses artistas se desenvolvessem intelectualmente, para que estivessem conectados ao que acontecia em tempo real.

Abreu (2009) defende que no circo, muitas peças, que eram apresentadas, eram escritas pelos artistas circenses, assim muitos textos eram anônimos. Portanto, era necessário que não tivessem analfabetos, mesmo existindo dificuldade no acesso à instituição escolar, sendo necessário às vezes que um dos circenses se tornasse o responsável pelo ensino.

Como foi dito no parágrafo acima, é difícil afirmar com precisão que não existiam analfabetos no circo, mas como foi dito pelo autor, era evitado ao máximo, pois os textos e as falas de algumas peças, eram produzidos pelos próprios artistas. O que de certo modo, produziam muitos ganhos aos circenses, pois nas apresentações, desenvolviam o hábito de ler e escrever.

Segundo Bolognesi (2009), a primeira escola pública de circo do Brasil foi criada por volta dos anos de 1970, na cidade de São Paulo; a escola chamada “A academia de Piolim de Artes Circenses”, funcionava como uma maneira de trazer os conhecimentos circenses fora da lona. Depois da década de 1984, as escolas de circo começaram a se multiplicar.

Com base no que foi dito no parágrafo anterior, as escolas de circo começaram a se propagar depois da década de 1980. Bolognesi (2009) afirma que as escolas traziam o intuito de ensino dos conhecimentos circenses, percebemos que era importante que se mantivessem abertas não somente pelos conhecimentos a respeito das artes circenses, mas pelo próprio patrimônio Cultural.

3.1 CRIANÇAS CIRCENSES

Xavier (2009) destaca que as crianças circenses são consideradas nômades por não ficarem fixas em um local e por trocarem constantemente de escolas durante o ano. Por conta disto, a Declaração de Salamanca (1994) diz que as crianças de circo são consideradas crianças com necessidades educativas especiais (NEE), pois alguns casos necessitam de um atendimento especial por essas crianças não permanecerem por muito tempo em uma escola.

Para o autor é interessante que as crianças circenses não sofram nenhum tipo de preconceito e discriminação pelo fato de necessitarem de atendimento especializado.

Santana (2012) afirma que é tamanha a dificuldade dos pais em encontrarem escolas que estejam dispostas a aceitarem as crianças circenses, por estas escolas afirmarem que, caso disponibilizem a vaga da criança, isso pode influenciar negativamente no rendimento dos outros alunos, e que as vezes é necessário procurar uma instituição privada, que mesmo com obstáculos, acabam recebendo o aluno.

Silva (1996) afirma que para a criança artista ser considerada circense era necessário que não só aprendessem, mas que ensinassem as gerações seguintes, pois seriam as crianças que cultivariam a tradição.

De acordo com a fala do autor, as crianças circenses já deveriam aprender cedo as artes circenses, para que no futuro ensinasse para as outras o que haviam aprendido, e isso seria como uma herança.

De acordo com Silva (1996) a criança circense era considerada responsabilidade de todos os circenses, e caso ficassem órfãs de pai e mãe, ou fossem abandonadas, deveriam ser acolhidas pela “família-circense”. Então, segundo o parágrafo anterior nenhuma criança circense ficava abandonada, quer dizer que o “circo-família” acolhia aquelas crianças que não tinham mais ninguém.

De acordo com Xavier (2009) foi relatado por uma mãe que algumas escolas não faziam testes de diagnósticos com as crianças, e a criança por muitas vezes, ficavam se entender o conteúdo ou estudava o mesmo conteúdo muitas vezes.

Com base no que foi dito no parágrafo anterior, percebemos que o diagnóstico é necessário, pois assim, o professor poderia saber em que “nível” o seu aluno se encontra e como poderia dar continuidade no conteúdo. E caso não esse teste de diagnóstico não seja feito, as crianças circenses podem apresentarem dificuldades na absorção dos conteúdos.

A criança circense pode estar sofrendo o ato de exclusão, quando o pai tenta fazer a sua matrícula na escola e não consegue. Como afirma Santana (2012) na entrevista com os pais de crianças circenses “os pais relatam que a família já teve que pedir apoio ao sindicato dos artistas de circo ou a secretaria de Educação para efetivar a matrícula das crianças”.

Para que possamos entender a respeito dessa criança, se ela sofre discriminação ou até exclusão, é necessário que notamos como é a vida escolar da mesma, e precisamos perceber também quanto a socialização dessa criança, então para conseguirmos atender todos esses aspectos é preciso que procuremos entender a respeito da educação inclusiva, o que será apresentado no próximo capítulo.

4. CAPÍTULO 2 EDUCAÇÃO INCLUSIVA

Neste capitulo, apresentaremos conhecimentos a respeito da inclusão, não basta apenas conhecermos a história do circo e quanto à criança circense, mas também é relevante chamarmos atenção para a vida escolar da mesma, e para isso, é importante conhecermos sobre a educação inclusiva. Para o desenvolvimento deste capítulo, será necessário o embasamento de alguns teóricos como Mittler (2003), Budel (2012), Kleina (2012) entre outros.

Quando falamos em educação inclusiva, logo vem à mente a inclusão de uma pessoa com alguma deficiência física, mas é preciso chamar atenção para aquelas crianças que não têm nenhuma deficiência física, mas que por algum motivo sofre discriminação, e até exclusão. Como, por exemplo, a criança de circo.

De acordo com Xavier (2009), a criança de circo necessita de atendimento especializado no acompanhamento das atividades por conta das mudanças constantes de escolas. Assim, de acordo com a Declaração de Salamanca (1994), considerando essas crianças com necessidades educativas especiais, é necessário que essas crianças não sejam discriminadas e que sejam inclusas em sala de aula.

De acordo com a Constituição Federal (1988), todos temos acesso à escola, sem distinção de raça, cor, sexo, idade ou qualquer outro tipo de discriminação, mas nem sempre foi assim, principalmente em relação aos jovens com necessidades especiais, a cruel discriminação e, consequente, exclusão sofrida por eles causaram danos. Deste modo, já que a educação é para todos, inclui também a criança circense.

Com a Declaração de Salamanca (1994), aparece o conceito de educação inclusiva, dizendo que as crianças com necessidades educativas especiais devem frequentar, e ser inclusas nas escolas de ensino regular, mostrando que a criança não deve ser mantida longe das outras por apresentarem tal necessidade especial, facilitando, assim, a integração de uma criança com a outra.

Mais do que a discussão em torno das diferenças e da igualdade, há de considerarmos a experiência da inclusão. De acordo com Mittler (2003), a inclusão deve ser uma mudança na mente e também nos valores que são trabalhados nas escolas que serão repassados para sociedade. A inclusão remete à consideração da diferença, como um valor universal, que é disponível a todos, desde os elementos de um dado grupo religioso, de gênero, à humanidade como um todo.

Neste sentido, percebemos que a inclusão é antes de tudo, a aceitação das diferenças e que precisamos perceber essas diferenças para que não seja praticado o ato de discriminação, que seria uma forma de excluirmos o outro. E a criança circense é considerada diferente pelo fato de morar no circo e também por serem consideradas nômades, como afirma Xavier (2009, p.119), “por serem nômades, as crianças de circo não frequentam uma única escola por ano, como é o comum”.

Segundo Carvalho (2003), todos devem ter oportunidades de ter um papel na sociedade e participar ativamente das demandas da sociedade, não importando, se tem alguma necessidade especial ou não, pois o mundo inclusivo é isto, oportunizar todos, os que são minorias também.

O trecho acima mostra que a pessoa que possui alguma necessidade especial deve ser oportunizada assim como as que não possuem nenhuma necessidade especial, para que a integração se realize de fato.

Mittler (2003, p.140) afirma que “as crianças que se sentem educacionalmente excluídas têm maior probabilidade de se sentirem socialmente isoladas”, quer dizer que estas crianças além de não terem autoconfiança em relação aos estudos, não têm confiança também como indivíduos. Sendo assim, o que acontece com a criança na escola, reflete na sociedade, ou vice e versa. Ainda segundo o autor, a educação inclusiva é não rotular as crianças como incapazes, e o profissional está sempre aberto a escutar o que essa criança tem a dizer e reconhecendo a importância do que está sendo falado.

Budel (2012) defende que o professor deve mostrar com clareza que não ignora o aluno com necessidade especial, de maneira que esse aluno se sinta acolhido para que tenha motivação em querer frequentar a escola.

Na visão do autor, é relevante que o aluno sinta confiança no professor e que note que o profissional não trata esse aluno com indiferença, para que, de certo modo, esse aluno tenha gosto em querer aprender.

Mittler (2003) diz que a exclusão de um aluno pode fazer com que a taxa de frequência em sala de aula diminua, ou seja, os alunos não sentem vontade de frequentar a aula, por estar sofrendo alguma discriminação em sala de aula. Ainda de acordo com o autor, muitas crianças sofrem com discriminação, e por serem exclusas, acabam experimentando a marginalização, que de certa forma, causa um grande impacto negativo na sociedade.

Kleina (2012) salienta que as escolas não devem fazer diferença entre as pessoas que apresentam necessidades especiais e as que não apresentam, mas que há indivíduos que precisarão de apoio e atendimento diferenciado.

Então, mesmo que os alunos com necessidades especiais precisem de atendimento especializado, não devemos fazer com que eles se sintam discriminados por isso, e sim fazermos com que esses alunos tenham direitos iguais a qualquer outro aluno.

De acordo com Budel (2012), é preciso que se acredite que as pessoas com necessidades educativas especiais também aprendem e que são capazes de seguir e crescer profissionalmente, mesmo com dificuldades e obstáculos, mas que é possível.

Deste modo, é considerável que para ter sucesso profissionalmente, se enfrente alguns obstáculos, mas é necessário acreditarmos que todos são capazes, mesmo apresentando necessidades especiais.

Seguindo o raciocínio de Xavier (2009), a escola inclusiva não pode mais esperar, é necessário que o professor seja capaz de praticar essa inclusão de fato, chamando atenção para crianças com necessidades especiais, dando-lhe acolhimento, promovendo momentos de aprendizagens diferenciadas, revendo os seus métodos de ensino, se necessário, melhorando e, acima de tudo, não colocar um modelo de aluno, e sim perceber que todos os alunos são diferentes.

Portanto, a criança com necessidades especiais, como qualquer outra criança, precisa ser recebida na escola de braços abertos e se sentir acolhida, isso não pode acontecer só na hora da recepção, mas que seja algo contínuo, pois assim o professor estará praticando o ato de inclusão e, querendo ou não, este ato de incluir pode dar um choque na vida social dessa criança.

Para Kleina (2012), todos os alunos poderão ter vantagens na educação inclusiva, pois caso algum aluno precise de atendimento diferenciado por qualquer motivo, este aluno então, irá fazer parte da educação especial.

Sendo assim, o aluno que necessitar de atendimento especializado fará parte da educação especial, o aluno circense, então, pode ser considerado um aluno especial, por necessitar do atendimento especializado.

Para Minetto (2012), o currículo da escola diz se a mesma é inclusiva ou não, pois o PPP (Projeto Político Pedagógico) é o que caracteriza a escola, e este PPP deve ser atualizado, constantemente, de acordo com a demanda da sociedade.

Assim, o projeto político pedagógico da escola define se a escola é ou não é inclusiva, pois como um documento importante e necessário para o funcionamento das instituições, o currículo diz tudo sobre a escola, e cabe aos envolvidos no processo deste documento, acompanhar as mudanças que acontecem na sociedade.

Budel (2012, p.37) afirma que “desacreditar na capacidade de aprender da criança especial é desacreditar na própria capacidade de ensinar”. Trata-se, portanto, de confiar que todas as crianças são capazes de aprender, ela apresentando necessidade educativa ou não, e caso o professor não creia que isso possa acontecer, ele então estará duvidando do seu profissionalismo, ou seja, não acredita que a sua prática pedagógica seja capaz de ensinar.

Contudo, tratando da educação inclusiva, como processo de socialização entre professor e aluno, é importante que o professor tenha uma perspectiva de aprendizagem que desperte o interesse de perceber que o aluno circense precisa ser incluso na sala de aula, assim como qualquer outra criança que apresenta necessidade educativa especial. Como afirma Xavier (2009, p.127), “o educador precisa compreender a necessidade de se ter uma atenção especial com a criança circense”.

Assim, notamos a importância da educação inclusiva e da socialização do professor com aluno e do aluno com aluno, sendo assim, chamamos atenção para o relacionamento destes em sala de aula e destacamos o processo de ensino e aprendizagem por parte dos mesmos, o que será abordado no próximo capítulo.

5. CAPÍTULO 3 ENSINO E APRENDIZAGEM

Neste capítulo, são tratados aspectos ligados ao processo de ensino e aprendizagem por parte de docentes e discentes, contando também com informações a respeito das estratégias de ensino. Para elaboração do capítulo, será necessário o embasamento de alguns teóricos como Perrenoud (2000), Liblik (2012), Brasil (2004), entre outros.

De acordo com documento do Ministério da Educação Conselho
Escolar e o ensino-aprendizagem têm que ser um movimento de trocas e de crescimento recíproco; e que o processo de aprendizagem é o professor ensinar e aprender e do outro lado o aluno aprende e ensina (BRASIL, 2004).

O documento outorga que para aprender o professor deve caminhar juntamente com o aluno e vice-versa, o conhecimento precisa ser adquirido e repassado por ambas as partes.

Segundo Perrenoud (2000, p. 71), “ Ensinar é, portanto, reforçar a decisão de aprender”, ou seja, não colocarmos o ensino como uma tomada repentina, mas sim decidindo a aprender. O aluno que não decide, ou não quer aprender certos conteúdos, poderá ter dificuldade no processo de aprendizagem, pois não basta o professor estar disposto a ensinar, se o aluno não quer aprender.

Liblik (2012) defende que não basta ter boa vontade para ensinar e aprender, mas sim estímulo e tempo, tanto da parte do professor quanto da parte do aluno, para que esse ensino e aprendizado sejam eficazes.

Todavia, o ensino e aprendizagem tanto do aluno quanto do professor não dependem apenas de benevolência, mas é preciso dedicação de ambas as partes.

Perrenoud (2000, p.147, p.148) afirma que “[...] nenhum aluno é uma tábua rasa [...]”, quer dizer que, cada aluno vem com a sua “bagagem” de informações e conhecimentos, sendo assim, é necessário trabalhar com as crianças a questão de preconceitos e discriminações, pois o aluno que sofre exclusão, certamente terá deficiência na aprendizagem, por falta de socialização e timidez ou medo de se expor. E o aluno circense pode estar passando por uma situação parecida, e será que os profissionais da educação, estão preparados para lidar com isso?

Para Perrenoud (2000), o professor precisa de competências para ensinar, e é preciso que o mesmo tenha uma formação continuada, pois o ensino é atualizado constantemente e o professor precisa acompanhar essa atualização. Um professor que está “perdido” no conteúdo que está ensinando, deixa a sua turma mais perdida ainda, além de não ensinar, provavelmente não aprendeu nem está aprendendo.

Nesta linha de raciocínio, é importante destacarmos que o professor não pare de estudar, para que o assunto que está sendo trabalhado em sala de aula seja ligado à realidade e que esses assuntos sejam verídicos. Outro ponto importante é quanto à socialização, o professor além de ter um relacionamento bom com aluno, precisa saber a realidade desse aluno e trazer para a sala de aula, a vivência do aluno.

De acordo com documento do Ministério da Educação Conselho escolar o processo de ensino e aprendizagem é bem amplo, e deve ser estabelecido um cronograma que atenda a educação, sendo que nesse cronograma esteja o contexto social, a gestão democrática, as condições físicas, materiais, pedagógicas da instituição e a competência dos docentes e discentes. Assim, notamos o quanto é importante o processo de ensino e aprendizagem, e como esse processo está ligado, diretamente, com diferentes instituições, como a escola, família e sociedade (BRASIL, 2004),

Segundo Perrenoud (2000), é importante envolver os pais no processo de ensino e colocar o pai como um ajudante da construção do saber, pois é preciso que esse pai entenda a maneira que o professor ensina, e que entenda as práticas pedagógicas que esse profissional utiliza, no processo de ensino e aprendizagem dos seus filhos, para que, de certo modo, possa aceitá-las.

Tal definição atesta que os pais são ferramentas chave na construção do conhecimento do aluno, pois o conteúdo que o aluno aprende na escola seria importante ser reforçado em casa. E os pais, como ferramenta de construção do conhecimento, podem identificar de certo modo, o desempenho e a didática do professor na sala de aula.

Segundo o documento do Ministério da Educação Conselho escolar, a qualidade de ensino, de certa forma, está ligada ao fracasso escolar e a evasão, sendo assim, também é necessário uma qualidade na formação do profissional, pois, é relevante que a formação continuada seja um pré-requisito para o professor, porque sendo assim, pode haver uma mudança na escola, vivenciando novas experiências e descobrindo coisas novas (BRASIL, 2004),

Em função disso, o trecho acima chama atenção para a qualidade do ensino que, de algum modo, está relacionado ao desempenho dos alunos, por isso é interessante que o professor esteja atento a sua prática pedagógica e ao seu progresso como profissional.

Liblik (2012, p.114) afirma que “o professor deve ter paciência e tolerância para poder estimular, ouvir, avaliar e valorizar a cultura que todo aluno traz do seu meio, inclusive aquele que chega analfabeto à escola”. Deste modo, o professor precisa de calma e tranquilidade com os alunos, para que eles não sejam rotulados, pois, rotulando esses alunos, fica claro o ato de discriminação e preconceitos e, assim, parece que o professor não está escutando e valorizando o que o aluno tem a dizer.

Portanto, o ensino e aprendizagem é um processo com obstáculos, mas necessário para formação do cidadão; para que essa formação traga modificações na sociedade. Como o documento do Ministério da Educação Conselho escolar afirma é preciso uma educação para transformação da realidade (BRASIL, 2004).

Contudo, para melhor entendimento do capítulo, a seguir serão explicitados assuntos relacionados a estratégias de ensino.

5.1 ESTRATÉGIAS DE ENSINO

Neste campo, abordaremos sobre a importância das estratégias de ensino em sala de aula.

O professor é uma ferramenta importante no ensino e aprendizagem em sala de aula e precisa fazer com que suas aulas além de motivadoras, não sejam repetitivas, utilizando de técnicas diversificadas, não somente quadro e giz e atividades xerocopiadas, mas utilizar de métodos variados e que prenda a atenção do aluno.

Pimentel (2003) relata que o profissional da educação precisa melhorar a qualidade das suas aulas, considerando também as questões relacionadas a motivação desse profissional. Dependendo de como o professor apresente sua aula, será o desenvolvimento de seus alunos, quer dizer que o aluno só irá concentrar e participar dessa aula se ele sentir que a aula está sendo voltada ao seu interesse.

A Declaração de Salamanca (1994, p.10) diz que: “A preparação adequada de todo pessoal da educação constitui um fator-chave na promoção do progresso em direção às escolas inclusivas”.

Portanto, o papel dos profissionais da educação ganha destaque no desafio do processo de inclusão, pois a ausência de preparo desses profissionais traz o afastamento do mesmo com aquele aluno que precisa de acolhimento. Sendo assim, o professor se mostra como uma ferramenta admirável e onde o aluno se apoia, e caso esse profissional não esteja bem capacitado, o resultado pode não ser muito satisfatório ao aluno.

Perrenoud (2000, p.148) diz que “nenhuma vítima de preconceitos e discriminações pode aprender com serenidade”, é interessante então que, o professor trabalhe o respeito e as diferenças em sala de aula.

Ocorre que, cabe ao professor apresentar uma aula que traga vantagens na aprendizagem do aluno e cabe ao aluno querer adquirir essa aprendizagem, de que adianta a aula ser bem planejada e com métodos que chame a atenção desse aluno e os motive, se o aluno não pretende reconhecer e compreender os conteúdos ministrados? Porém, mostra-se necessário que tanto o professor quanto o aluno tenham o procedimento de querer aprender.

De acordo com Liblik (2012), é necessário que o professor diversifique a maneira que ele ensina, que use estratégias diferenciadas, para que isso forneça ganho tanto para os alunos quanto para ele mesmo.

Como foi explicado anteriormente, método diferenciado desperta o interesse do aluno, pois a aula não se torna algo cansativo, e o professor precisa dessa didática no seu profissionalismo, pois o interesse do aluno no conteúdo desperta a motivação do professor em querer ensinar.

Para Perrenoud (2000), para lutar contra o fracasso escolar e a exclusão social, é importante que o professor pense nas suas metodologias de ensino, e que use as novas tecnologias nas aulas tendo domínio delas. A nova tecnologia faz com que o uso de recursos didáticos em sala de aula seja aprimorado, pois o uso dos recursos pode trazer vantagens no ensino e aprendizagem do aluno, como podem também trazer desvantagens, porque alguns professores ainda centram no ensino tradicional de usar somente livros didáticos, o que faz com que os alunos não consigam se concentrar, tornando a aula cansativa e desmotivadora.

Sendo assim, o trecho citado anteriormente mostra que parece ser importante que os profissionais da área da educação utilizem técnicas em sala de aula, que favoreçam a aprendizagem do aluno, para que ele seja um aluno crítico e capaz de transformar a sociedade, e para que isso aconteça é de suma importância envolver o aluno e fazer com que a atenção destes esteja ligada ao conteúdo ministrado.

Ainda de acordo com Perrenoud (2000), é importante fazer uma avaliação formativa com os alunos, para que tenham consciência dos que estão aprendendo os conteúdos e dos que não estão e, assim, dar um suporte para os que ainda não conseguiram entender. Isso é importante pelo fato de alguns alunos desistirem, por não conseguirem aprender certos conteúdos e, às vezes, por não ter o apoio do professor, causando o fracasso escolar.

De acordo com Santana (2012), o aluno não deve se adequar a escola e sim a escola se adequar ao aluno, sendo assim, é importante que o professor faça o papel dele em sala de aula, vendo e revendo suas práticas educativas, para que isso facilite o processo de ensino e aprendizagem do aluno. O aluno, que não consegue aprender, precisa de uma atenção diferenciada, e o profissional da educação precisa proporcionar momentos e situações de aprendizagens diferenciadas também.

No capítulo a seguir, trataremos do modo de organização da pesquisa.

6. CAPÍTULO 4 METODOLOGIA

Este capítulo aborda a organização da pesquisa, ou seja, as etapas que foram seguidas para o desenvolvimento do trabalho. Contendo, então, a caracterização, o contexto, os participantes, os instrumentos e por fim a trajetória da pesquisa.

6.1 Caracterização da pesquisa

Com o objetivo de analisarmos as facilidades e dificuldades enfrentadas por duas crianças de um circo localizado no DF, em relação ao acesso e inclusão em uma escola pública na concepção de seus pais e professores, realizamos uma pesquisa, voltada ao tema de inclusão de crianças circenses.

Segundo Gil (2010), pesquisa é um procedimento muito metódico, que visa responder aos problemas que são colocados, e é necessário quando não se tem uma resposta, que atenda aquela pergunta. Sendo assim, esta pesquisa parece ser necessária para que de fato, tenhamos uma resposta ao questionamento que ainda não foi respondido com informações claras.

A pesquisa realizada é do tipo qualitativa pelo fato de verificarmos o impacto da inclusão escolar das crianças circenses na vida social das mesmas e pelo fato de analisarmos o perfil e as práticas pedagógicas do professor para lidar com a criança, e com estes objetivos seguindo uma rede de estudos exploratórios, Lakatos (2009) diz que as informações obtidas fazem com que as pessoas criem hipóteses e que aumentem a intimidade com o objeto de estudo para aprofundar ou modificar alguns conceitos. Sendo assim, a pesquisa do tipo qualitativa mostra-se importante pelo fato de ter caráter exploratório, e fazer com que as pessoas tenham pensamentos livres de acordo com algum tema.

Para realização deste estudo, desenvolvemos a pesquisa bibliográfica e pesquisa de campo para que fossem coletados os dados.

De acordo com Gil (2010), a pesquisa bibliográfica é realizada com fundamento em materiais já existentes, e é importante pelo fato de o autor poder descobrir uma série de informações sobre determinado objeto, lendo ou assistindo esses materiais disponíveis.

Segundo Lakatos (2009), pesquisa de campo é aquela que usamos com observações para conseguir informações para que sejam respondidas as questões que colocamos. É importante que antes da pesquisa de campo, seja feita uma pesquisa bibliográfica, para que o autor seja capaz de identificar como se encontra o seu objeto de pesquisa. Portanto, a pesquisa de campo é necessária para que sejam observados os fatos e coletar dados, para que o objeto de estudo seja verificado na realidade.

6.2 Contexto da pesquisa

A pesquisa foi realizada em um circo localizado na Candangolândia - DF e em uma escola pública localizada na Asa Norte – DF. No dia da entrevista, o circo estava montado na Candangolândia – DF, mas estávamos acompanhando o seu percurso por onde passava no Distrito Federal. O nome do circo e da escola serão mantidos em sigilo, portanto aqui mencionaremos como Circo A e Escola A.

6.3 O circo A

O circo A permanece nas cidades ou estados, dependendo da demanda do público, ou seja, caso esteja pouco frequentado, eles mudam para um outro local. Todos que moram no circo são solidários uns com os outros, formando uma grande família, e todos trabalham juntos. O horário de funcionamento varia, na semana o espetáculo começa às 20h30, menos na segunda-feira, pois é folga de todos os artistas e no final de semana, geralmente, acontecem mais apresentações sendo as 16h, 18h e as 20h:30.

Para que a observação no Circo A fosse realizada, foram necessários 5 dias. As observações realizadas no Circo A ocorreram nos dias 23, 24, 25 de setembro e nos dias 01 e 02 de outubro de 2015. Acompanhando a rotina dos circenses, as jornadas de ensaios que eram frequentes, as apresentações que aconteciam todos os dias menos na segunda feira, com maior quantidade de público nos finais de semana, e a rotina das crianças com atividades escolares e circenses.

6.4 A escola A

A escola A localizada na Asa Norte- DF é uma instituição pública, atende crianças da educação infantil e do ensino fundamental, distribuídas no turno matutino e vespertino. A escola apresenta sete salas de aulas, laboratório de informática, parques infantis, pátio coberto, entre outros espaços de aprendizagens, funciona de 07:00 horas às 18:00 horas.

Para que a observação na Escola A fosse realizada, foram necessárias duas semanas. Uma semana em uma sala da professora da educação infantil e outra semana na sala de uma professora do Ensino Fundamental.

As observações realizadas na sala da professora da Educação Infantil ocorreram nos dias 16,19, 21, 22 e 23 de outubro de 2015.

A sala da educação infantil é arejada, com janelas, as paredes são decoradas com atividades feitas pelas crianças, um armário onde a professora coloca objetos, a mesa da professora fica logo em frente ao quadro.

A professora chega à sala e pede para que os alunos façam rodinha no chão, pergunta como foi a semana de cada um, em seguida faz a chamada e depois pergunta qual o dia da semana aos alunos, eles respondem, então ela coloca a data no quadro e pergunta como está o dia, de sol, ou chuva, e desenha no quadro, isso é realizado todos os dias, a professora parece seguir uma rotina.

Logo após, a professora entrega apostilas ou atividades xerocopiadas para cada aluno, e pede para que eles realizem os exercícios; a professora explora o que eles já deveriam ter aprendido em outras aulas e, juntamente com os alunos, ela vai fazendo as atividades que estão no livro, alguns tem dificuldades, então a professora vai passando na mesa e ajudando. Depois que todos terminam as atividades, a professora passa nas mesas olhando se todos realizaram corretamente e carimba as atividades de cada aluno. Depois das atividades, que também são realizadas diariamente, a professora anuncia a hora do lanche. Após o horário do lanche, a professora dá continuidade nas atividades e, em seguida, leva as crianças para algum tipo de recreação.

As observações realizadas na sala da professora do Ensino Fundamental ocorreram nos dias 26, 27, 28, 29 e 30 de outubro de 2015.

A sala do Ensino Fundamental é arejada, com janelas, um armário onde a professora coloca objetos usados por ela e pelos alunos, a mesa da professora fica em frente ao quadro.

Inicialmente, os alunos chegam à escola, a partir das 13h e ficam aguardando no pátio para fazer a abertura, onde se encontram as outras turmas do turno vespertino, as professoras e a vice-diretora para iniciar o momento. A vice-diretora pede para que cada um faça seu agradecimento por aquele dia e após coloca uma música onde explora os movimentos dos alunos, juntamente com a coordenação motora. Logo depois, as professoras organizam os alunos novamente para irem ao banheiro, uma turma de cada vez. E voltam para a sala, os alunos se sentam e é feita a acolhida.

A professora chega à sala e pede para que os alunos já peguem as atividades para correção, todos os alunos corrigem as atividades, juntamente com a professora. As aulas do Ensino Fundamental são baseadas em muitas atividades xerocopiadas e atividades de livros, o momento que as crianças têm para se divertir é no momento de recreação.

6.5 Sujeitos da pesquisa

A pesquisa no Circo A foi realizada com o pai e a mãe das crianças circenses. E na escola A com duas professoras. Os nomes das professoras serão mantidos em sigilo, portanto serão mencionados como Professora 1 e Professora 2.

A entrevista aconteceu, primeiramente com o pai de duas crianças, o pai, com idade de 71 anos de idade; depois com a mãe, com 36 anos de idade, sendo as crianças, uma do sexo masculino com 5 anos de idade, cursando o jardim II e outra do sexo feminino, com 9 anos de idade cursando o 4° ano do Ensino Fundamental.

Optamos por realizar a pesquisa com o pai e com a mãe das crianças circenses pela razão de alcançar o objetivo de identificar o impacto da inclusão escolar na vida social dessas crianças, portanto, é necessária a entrevista com um responsável que esteja frequente na vida social e escolar dessa criança.

A professora 1, com idade aproximada de 26 a 35 anos, possui 3 anos de docência, atua na Educação Infantil. A professora 2, com idade aproximada de 26 a 35 anos, possui 5 anos de docência, atua no Ensino Fundamental. O critério para escolha das participantes da pesquisa foi por serem professoras das crianças circenses.

6.6 Instrumentos de pesquisa

Para realização da pesquisa, utilizamos a observação e a entrevista como instrumentos de pesquisa. E para que sejam feitas as entrevistas e as observações serão necessárias as assinaturas dos sujeitos da pesquisa, no documento: termo de consentimento livre e esclarecido, que se encontra no apêndice.

A observação realizada segue um roteiro, e é relevante pelo fato de poder confirmar ou não o que o sujeito nos traz como resposta.

De acordo com Lakatos (2009), a observação é uma forma de coletar dados, usando os sentidos, não somente ver e ouvir, mas se aprofundar nas informações e no que deseja aprender, quer dizer que é uma maneira de trazermos as informações e conseguirmos comprovar o que foi dito, pois usar a observação, seria a forma ideal para sabermos se o que é pesquisado e o que vem como resposta está sendo realizado de fato.

Para a realização da entrevista no Circo A, foi feito um roteiro contendo 17 perguntas, e para entrevista na Escola A, foi feito um roteiro com 20 perguntas, na qual as primeiras perguntas serviram para saber o perfil do entrevistado, e as demais perguntas foram realizadas para que os objetivos propostos fossem cumpridos. A entrevista foi gravada a todo o tempo, contendo 4 gravações, a primeira com 22m e 14s, a segunda com 05m e 06s, a terceira com 15m 02s e a quarta com 19m e 51s.

Segundo Lakatos (2009), a entrevista é feita entre duas pessoas, com intenção de que uma pessoa consiga informações da outra, através de uma conversa, é importante pelo fato de ser uma forma de coletar dados, para que esses dados ajudem na solução do objeto de estudo, ou seja, caso não consiga obter dados suficientes, os objetivos certamente não serão alcançados. Portanto, a entrevista é instrumento interessante para que os objetivos sejam alcançados com eficácia.

6.7 Trajetória da Pesquisa

Para a realização da presente pesquisa foi necessário muito contato com alguns artistas do Circo A, pois como o circo se desloca bastante, foi preciso manter uma comunicação para identificarmos o local onde estaria presente a cada observação. Para a coleta de informações foram necessárias muitas visitas e conversas com alguns artistas circenses.

Foram encontrados vários circos durante a trajetória da pesquisa, mas alguns não apresentavam os sujeitos necessários para a pesquisa, ou não eram tão acessíveis. O Circo A foi o mais acessível e onde os itinerantes receberam de bom grado a aceitação de participar da entrevista.

Para que a observação e a entrevista fossem feitas no Circo A, foi necessário primeiramente uma conversa com um dos artistas, que foi feito informalmente por uma rede social, depois disso, a nossa presença no circo ficou mais simples.

Na Escola A, o acesso foi mais calmo, pois como a instituição já estava informada pelos pais das crianças circenses que visitaríamos, a recepção foi mais serena. Foram 10 dias de observações, sendo 5 dias em uma sala da educação infantil com a Professora 1, e outros 5 dias na sala do Ensino Fundamental com a Professora 2 e, depois, a entrevista.

O critério para escolha da Escola A, foi pelo fato de ser a escola que as crianças circenses estavam matriculadas e por ser a base das perguntas feitas na entrevista no Circo A.

O próximo capitulo tratará da análise e interpretação dos dados obtidos na pesquisa de campo.

7. CAPÍTULO 5 ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOS DADOS

Neste capítulo, apresentaremos a análise e interpretação dos dados obtidos no decorrer da pesquisa.

Para realização da análise dos dados, utilizaremos a técnica da análise dos conteúdos. Segundo Severino (2007, p.121), “é uma metodologia de tratamento e análise de informações constantes de um documento, sob forma de discursos pronunciados em diferentes linguagens”, ou seja, é uma ferramenta para checar as informações obtidas.

Desta forma, os dados obtidos nas entrevistas foram divididos por categorias que surgiram de acordo com as respostas dadas pelos entrevistados.

De acordo com Bardin (2011), categorização é uma maneira de classificar as informações e colocar cada uma em seu devido lugar, separando por grupos e seguindo os critérios que foram definidos.

Deste modo, organizamos as informações obtidas na pesquisa de campo no Circo A em três categorias e as informações na Escola A em duas categorias, totalizando em cinco categorias. Assim, elaboramos uma análise das falas dos entrevistados, articulando juntamente com a fundamentação teórica e a observação realizada em campo.

Então, apareceram as seguintes categorias do Circo A:

  • A acessibilidade nas escolas pelas crianças circenses;

  • A discriminação com crianças de circo.;

  • A reciprocidade na relação escola e circo;

E na Escola A as seguintes categorias:

  • A concepção do professor quanto ao aluno circense;

  • As práticas pedagógicas do professor com os alunos circenses;

7.1 A acessibilidade nas escolas pelas crianças circenses

As crianças circenses estão sempre passando por muitas escolas, e a cada escola, um aprendizado diferente. Algumas com tamanhas dificuldades, outras nem tanto. De acordo com Santana (2012), ainda que o acesso à educação escolar por filhos de artistas circenses seja garantido por lei, são muitas as dificuldades encontradas pelos pais e até mesmo pelas crianças por falta de vagas, por documentação irregular, entre outras. Para que esses alunos tenham um bom aprendizado, é necessário começar desde a recepção até o dia que esse aluno irá mudar de escola novamente.

Assim, vejamos a acessibilidade nas escolas pelas crianças circenses no ponto de vista dos pais:

A gente procura tentar ficar em uma só escola, até porque o andamento fica melhor para as crianças, porque esses se ambientam, ta ali tem os seus coleguinhas e quando você ta viajando para o interior a criança fica conhecendo pessoas novas e fica muito retraída, fica acanhado, até se ambientar. (PAI)

[...] esse ano eu deixei em uma escola só, justamente para não confundir a cabeça deles, porque fica trocando muito de escola, e ai eles não deixam os estudos entrarem, preferi deixar em uma escola só, mas eles passam por várias viu. (MÃE)

Segundo a Declaração de Salamanca (1994), o aluno circense é denominado aluno com necessidade educacional especial, pois este aluno muda frequentemente de escola durante o ano.

Deste modo, percebemos nas falas dos pais, que as crianças circenses frequentam muitas escolas durante o ano, mas que optaram por deixarem as crianças em uma escola durante este ano, para não terem dificuldade na socialização com os colegas. Então, o Circo A permanecerá em Brasília até o final do ano de 2015. Na perspectiva dos pais, a mudança constante de escolas, por parte das crianças circenses, influencia na aprendizagem dos conteúdos na escola; o que pode ser verdade, pois às vezes os conteúdos que estão sendo trabalhados pela turma, podem ser os mesmos que o aluno já teria visto em outra instituição, e ao invés de aprender todo o conteúdo, ficaria preso a uma parte repetitiva.

Para Leite (2004, p.04), “é possível observar uma tendência mundial para que os planejamentos educacionais sejam abertos e flexíveis, no reconhecimento às diferenças dos alunos”.

Sendo assim, o professor precisa de uma flexibilidade no seu planejamento para que entenda que a aprendizagem pode ser um processo e que este processo pode ser influenciado de diversas maneiras.

Ainda em relação ao acesso escolar por parte das crianças circenses, entra em consideração na pesquisa, a concepção dos pais em relação às escolas que os seus filhos já frequentaram. Vejamos o que o pai diz: “As escolas particulares recebem bem, porque são pagas né, não pode tratar mal, mas as escolas públicas nem tanto, fala que não tem vaga, que não pode aceitar”.

Já a mãe afirma que:

Temos muitas dificuldades, porque as escolas públicas pedem muitas coisas, documentos... é uma dificuldade para entrar é uma dificuldade para sair, e por isso às vezes optamos pela escola particular, por ser mais fácil pagar para o seu filho estudar.

Podemos notar que, por meio da fala dos pais, são encontradas dificuldades no acesso à escola para que seus filhos circenses estudem, por conta de falta de vagas e por necessidades de documentos.

A Lei de Diretrizes e Bases (1996) afirma que todos devem ter a mesma condição de acesso e permanência nas escolas.

Então, cabe a escola aceitar esses alunos, sejam eles de circo ou não, não somente aceitar, mas de acordo com a LDB (1996) os alunos têm direitos iguais, tanto para aprender quanto para ensinar o que sabem.

Afirma o pai:

Uma vez a gente tava em uma cidade e a diretora falou que não ia aceitar os meus filhos lá na escola, eu perguntei porque que ela não aceitava, ela disse que era porque a turma tava completa, eu falei pra ela que não existia essa de ta cheio não, que eu tava trazendo uma criança de circo e que ela era obrigada a aceitar (sic)

Para Santana (2012), os pais de crianças circenses encontram dificuldades, na hora de realizar a matrícula da criança nas escolas, por falta de vagas ou as vezes por não estarem com as documentações em dia, por conta de mudanças constantes, e caso não estejam em condições de colocar a criança em uma instituição privada, acontece que a criança de circo perde alguns conteúdos, ou até mesmo, que essa criança fique um tempo sem frequentar a escola.

Diante disto, verificamos que a responsabilidade da educação parece ficar por conta da criança, e não da família e do Estado. E de acordo com a LDB (1996), a educação é dever não somente da família, mas do Estado também.

Na perspectiva dos pais, a dificuldade no acesso escolar está ligada também a falta de segurança da escola. Vejamos na fala da mãe:

Por mais que a escola que ele frequenta hoje seja boa, porque a professora é ótima, ainda deixa a desejar em algumas coisas porque na escola pública a segurança é péssima, tinha até uma criança que queria furar a minha filha, acho que falta segurança na escola pública, em alguns lugares colocamos elas em escolas particulares.

E acrescenta o pai:

A questão de segurança, a escola privada é bem melhor que a pública, tenho medo não pelos professores, porque todos são bons, mas também tem falta de segurança para eles. Acho que aqui no Brasil os professores têm medo de ensinar, a escola é boa a segurança que é péssima.

Notamos na fala dos pais, que mesmo os filhos circenses estudando em escolas públicas, afirmam encontrarem falta de segurança nessas escolas, e que em algumas regiões optam por colocarem as crianças em escolas particulares.

Segundo Ortega (2002, p.16), “ em todas as comunidades, qualquer que seja sua cultura, as pessoas têm uma aspiração comum: a busca da paz, a eliminação definitiva da guerra e da violência, e a luta diária para melhorar a qualidade de vida”.

Ao observamos a escola em que as crianças circenses estão matriculadas, notamos que a escola é localizada em um bairro considerado nobre, mas que não significa estar longe da violência, assim como estamos sujeitos à violência em qualquer lugar que estejamos.

Assim, constatamos que a acessibilidade nas escolas por crianças circenses, apresenta obstáculos, pois além de serem necessários muitos documentos, algumas escolas alegam não terem vagas e alegam apresentarem turmas cheias, e não basta apenas essas dificuldades, os pais afirmam que nas escolas públicas a violência é constante e que em certos lugares, são obrigados a matricularem os seus filhos em escolas privadas. Sendo assim, a escola parece passar a ser uma fonte exclusão por não aceitar alguns alunos, e não de inclusão, como deveria ser, pois como afirma a Constituição Federal, todos somos iguais de acordo com a lei, e temos direitos iguais (BRASIL, 1988).

7.2 A discriminação com crianças de circo

Como já foi abordado na categoria anterior, o aluno circense passa por diversas escolas durante o ano, acaba sendo um pouco mais complicado a socialização deste com as outras crianças, por ter que passar por uma adaptação em todas as escolas, sendo assim, não são todas as crianças que aceitam abertamente um novo colega de turma, podendo causar algumas vezes exclusão desse aluno.

Vejamos o que o pai disse a respeito da discriminação com as crianças circenses: “Tem preconceito sim, assim como tem com a cor da pele. As pessoas olham muito o que as pessoas têm, e julga pela fachada da pessoa, ele viu dentro da pessoa por acaso? Para ver se essa pessoa é boa, se tem caráter? ”.

De acordo com Silva (2002, p.12), “mais do que punir, podemos e devemos prevenir. Mais do que combater a discriminação, devemos promover a igualdade”.

A fala do pai revela existir preconceito com a criança de circo, mas também chama atenção para o preconceito quanto a cor, e a classe social das pessoas, é interessante ressaltarmos que algumas características, ou cultura, entre outros aspectos parecem ainda incomodar algumas pessoas. Isto mostra que, às vezes, as crianças podem sentir isoladas e excluídas por sofrerem alguma discriminação. É interessante que tanto a diversidade cultural quanto as diferenças sociais sejam trabalhadas em sala de aula, de forma que as crianças aprendam desde cedo que é importante respeitar as diferenças de cada um.

Já a Mãe diz o contrário: “Não, pelo contrário, pelo menos com os meus filhos não percebi nenhum preconceito, foram recebidos bem”.

De acordo com Santana (2012), por conta de o circo ter o caráter móvel, as crianças têm dificuldades em ter uma relação de amizade duradoura, isso faz valer também na escola, gerando uma carência de socialização.

As falas dos pais são interessantes, pois ao mesmo tempo em que o pai afirma presenciar preconceito em relação aos seus filhos, a mãe afirma que nunca percebeu nenhum preconceito, mas cabe ressaltarmos que ainda é comum algumas pessoas não se agradarem com a presença de outras por conta de alguma característica.

Ao observarmos as aulas das professoras, percebemos que as crianças circenses não eram tratadas de maneira preconceituosa, pelo contrário, tanto as professoras quanto os alunos pareciam receber todos os alunos de forma acolhedora.

Outro ponto importante colocado nesta pesquisa foi o processo de socialização das crianças circenses na escola no ponto de vista dos pais. A mãe diz: ”Acho que os meus filhos se adaptam bem”. Vejamos o que o pai nos relatou:

A criança de circo se desenvolve muito porque ela é muito desinibida, conhecimento fácil, pois as crianças se adaptam com muita gente facilmente, porque ela já tem isso, quando você viaja muito, a criança de cidade em cidade, muda as atitudes dela, pois uma criança é mais dada que a outra, e outra é mais retraída, por isso vejo que os meus filhos socializam bem.

Detectamos, na fala do pai, que ele percebe que os seus filhos se desenvolvem bem, pelo fato de apresentarem uma rede de conhecimentos por viajar tanto. Seguindo esse pensamento, Candau (2003, p.159) afirma que “não há educação que não esteja imersa na cultura da humanidade”, ou seja, toda a cultura da sociedade está dentro da educação.

Candau (2003) afirma que a cultura e a escola não devem ser tratadas de forma individual e sim interligadas, como fios profundamente articulados.

Através das falas dos pais, podemos notar que os dois afirmam que os filhos não têm problema quanto a socialização na escola. Ao observamos a aula de ambas as crianças, notamos vários momentos de socialização delas com as demais, e percebemos que há um bom relacionamento das crianças circenses com as outras.

Outro ponto investigado foi sobre como os pais acompanham a vida escolar dos filhos. O pai diz: “Acompanho pelo comportamento das crianças, o comportamento é o que faz tudo. Se ela tem um bom comportamento, se está se desenvolvendo, daí vejo se está progredindo, e se não tiver, não está aprendendo”.

Vejamos o que a mãe diz: “Eu sempre procuro saber se tem tarefa, sempre ajudo, não vou muito em reunião, pois no circo não temos muito tempo, então eu vou à escola e justifico porque não tenho tempo mesmo de ir às reuniões”.

Na fala da mãe, notamos que ela parece colocar toda a responsabilidade da educação dos filhos na escola, quando diz não ter tempo de comparecer nas reuniões escolares, e vale destacarmos que o compromisso em relação a aprendizagem das crianças também é responsabilidade da família, assim como afirma a Constituição Federal (BRASIL, 1988).

Para Xavier (2009), a criança circense precisa de um acompanhamento nas atividades por conta da mudança constante de escola, a absorção dos conteúdos pode ser um pouco mais complicada.

Na observação realizada não presenciamos momentos em que os pais auxiliam nas tarefas de casa, e nem notamos momentos em que as crianças realizam as tarefas de casa, como também percebemos que os contatos dos pais com os professores são raros, pois as crianças utilizam a VAN para o transporte até a escola. Assim, notamos que parece ser complicado que a mãe exija responsabilidade dos professores dos seus filhos, se ela mesma parece não ter o compromisso com os filhos, pois é interessante que as crianças, além de aprenderem o conteúdo na escola, aprendam também em casa em contato com os pais.

Diante das respostas dadas pelos pais e levando em consideração as observações realizadas, tanto no circo quanto na escola, não presenciamos momentos em que as crianças sofressem nenhum tipo de discriminação, pelo contrário, as crianças foram bem recebidas. Mas, é relevante ressaltar que de acordo com Xavier (2009), em sua entrevista com circenses que todos os entrevistados relataram já terem sofrido ou presenciado momentos de exclusão com a pessoa que é de circo. Então, é perceptível que a discriminação com essas crianças possa existir.

7.3 A reciprocidade na relação escola e circo

Atualmente, é necessário que visitemos a escola para adquirirmos conhecimento formal. E com as crianças circenses não é diferente, por mais que haja obstáculos no acesso. Assim, querendo ou não, a escola influencia na vida social da criança e vice-versa, pois segundo Coll (2006) a escola é conhecida pelo seu modo social e socializador.

Sendo assim, vejamos a fala do pai a respeito das mudanças que a escola proporciona na vida dos seus filhos:

A mudança na realidade, acho que a escola não faz mudança em ninguém, quem faz mudança na vida de cada um é a pessoa mesmo, ela sabe entrar, ela sabe sair, ela sabe respeitar, então automaticamente ela não vai encontrar portas fechadas em lugar nenhum, eu acho que a educação vem de berço e o estudo é apenas para dar um conhecimento da teoria. Prática os meus filhos sabem bem, por viajar tanto (sic).

Na visão do pai, a escola não faz mudança na vida dos seus filhos, é importante destacarmos que de acordo com Brandão (2007), a educação não está somente na escola e o professor não é o único que pratica essa educação, mas é importante destacar que a escola é um espaço onde o aluno arrecada conhecimentos. Sendo assim, percebemos que o pai pode estar equivocado quando afirma que a escola não faz mudança na pessoa, pois então, este pai não estaria dando importância ao fato de colocar a criança em uma instituição escolar, e o que foi observado é que as crianças estão matriculadas e frequentam a escola.

Vejamos o que a mãe diz a respeito:

Proporciona muita mudança, porque hoje em dia, tem que estar na escola, porque é o único recurso que a gente tem para o nosso filho, é colocar eles na escola para que eles aprendam algo. Hoje minha filha já sabe ler, porque antes ela não sabia, hoje minha filha usa a internet sabe tudo de internet, a criança hoje necessita. A minha filha se desenvolve muito aqui no circo também porque ela faz trapézio, e o meu filho faz parada.

De acordo com Silva (1996), era importante que as crianças frequentassem as escolas, mesmo havendo dificuldades no acesso, pois os textos do circo eram produzidos por eles mesmos, então era necessário que o artista circense fosse alfabetizado.

Na fala do pai, notamos que ele parece dar ênfase ao comportamento da pessoa e não à escola, para mudança na vida social. Já na fala da mãe, percebemos que ela caracteriza a escola como um instrumento de mudança na vida dos filhos por conta de eles conseguirem aprender e se desenvolver em algo que antes não conseguiam fazer, e chama atenção para o desenvolvimento da criança no próprio circo.

Na observação realizada, percebemos que as crianças não utilizam muito dos textos para suas apresentações, pois as apresentações dependem mais dos movimentos corporais, mas notamos que em outros momentos, sempre necessitam da leitura e da escrita para atividades diversificadas, sendo necessário que elas sejam alfabetizadas, como por exemplo, quando estão utilizando a internet. Mesmo que não tenhamos presenciado momentos em que as crianças utilizam dos textos nas apresentações, acreditamos que em um outro momento, pode ser necessário que utilizem, como também notamos que as divulgações das apresentações são feitas por um site, sendo necessário o uso da leitura e escrita.

Outro ponto investigado foi sobre como os pais se relacionam com os professores dos filhos. Vejamos o que a mãe diz: ”Bem, são todos muito bons, sempre que tem reunião, e não posso comparecer, os professores mesmo me passam o que foi falado na reunião”.

E o pai afirma que: “O professor tem que dar respeito impor respeito, ele tem que ensinar, ele está ali para ensinar, então me dou bem com o professor assim” (sic).

Xavier (2009) confirma que o problema não é tanto a falta de acesso dessas crianças à educação e sim a forma de acolhimento, ou seja, como essas crianças são recebidas nas escolas pelos professores e como é o relacionamento.

Notamos, na fala da mãe, que ela afirma ter um bom relacionamento com os professores, pelo fato dos professores serem generosos em informar dos acontecimentos escolares em momento que a mãe esteja disponível. Já o pai, não diz diretamente se há um bom relacionamento entre ele e os professores dos alunos.

Outro fato relevante na pesquisa foi a concepção dos pais sobre o que as escolas poderiam mudar para atender melhor as expectativas dos seus filhos. A mãe foi bem clara, quando disse: “A escola poderia conciliar um pouco do que ele sabe aqui com o que aprende lá, mas isso não funciona, é cada coisa no seu lugar, eles não conciliam os dois”.

Coll (2006) afirma que aprender não é somente guardar os conhecimentos, mas é preciso que este conhecimento tenha significado, e isso é praticado a partir da realidade que estamos inseridos, quer dizer então, que é importante que os acontecimentos da realidade sejam trazidos para dentro da sala de aula.

Já o pai diz:

Acho que não só pelos meus filhos, mas pra todo mundo, acho que a escola tinha que mudar o regime, o regime da escola que eu estou achando muito liberto, no meu ponto de vista, a escola deveria ser como se tivesse indo para o exército, você está entrando em uma coisa de responsabilidade, a escola reúne tudo, professor, diretor, tudo e não pode dar colher de chá pra ninguém, é o filho do doutor e é o filho do lixeiro é ele que vai ter que passar pelo mesmo regime. Tem que ter uma linha dura. A escola tem que ter um padrão nacional (sic).

Na fala do pai, tem indícios que ele parece ter uma visão tradicional da educação formal, onde os alunos deveriam seguir rigorosamente as exigências do professor, e onde o professor era autoridade.

A escola tradicional, de acordo com Saviani (1991), é centrada no professor, onde este transmite os conhecimentos e os alunos recebem.

Desta forma, notamos que a mãe afirma que a escola não articula os conhecimentos adquiridos no circo com os que adquirem na instituição escolar, o que a mãe parece achar fundamental. Nas observações realizadas, notamos que os alunos pouco mostram na escola os seus movimentos corporais que sabem por desenvolver no circo, mas não conseguimos verificar se outros aspectos concernentes a cultura está contemplada no plano de aula das professoras.

Segundo Abreu (2009), as pessoas circenses precisavam ser alfabetizadas no ensino formal para que também aplicassem este ensino e aprendizagem como tarefa de qualificação dentro do circo.

De acordo com o trecho acima, é importante que os artistas circenses além de ter um ensino formal, que é adquirido na escola, também utilizem desse aprendizado para se desenvolver no circo.

7.4 A concepção do professor quanto ao aluno circense

Esta categoria apresenta a concepção dos professores sobre o aluno circense. Vejamos o que a Professora 1 diz a respeito: “A única diferença é que os alunos de circo são menos vergonhosos, fazem amizades rapidamente, talvez por eles se relacionarem muito com o público”.

Podemos perceber na fala da Professora 1, que ela afirma que o aluno circense é bem parecido com os demais, a diferença é caracterizada apenas pelo fato do aluno ser mais desinibido.

Xavier (2009) afirma, em sua entrevista com circenses, que as crianças fazem amizades rapidamente e que os colegas de sala gostam de saber como é a vida no circo.

Na observação realizada em sala de aula, percebemos que os alunos circenses não apresentam dificuldade em se relacionar com os amigos, fortalecendo o que a Professora 1 afirma em sua fala.

Já a Professora 2 afirma:

Eu percebo que a minha aluna gosta mais quando o assunto é relacionado a algo que ela conheça de verdade, como por exemplo, uma vez eu falei de certo lugar e ela falou que já esteve lá, eu achei interessante porque não são todos que podem conhecer o lugar mesmo né, a não ser por imagens e o aluno de circo tem essa vantagem, por estar em diversos estados.

Segundo Barbosa (2013), é importante convivermos com pessoas de diferentes culturas, pois para ensinar é necessário nos colocar no lugar daqueles que estão sendo ensinados.

A Professora 2 diz que o aluno de circo tem a vantagem de poder viajar e conhecer as coisas na prática e não apenas vendo imagens em livros. Verificamos que a criança circense tem a vantagem quando se trata de diversidade cultural, pois como elas viajam bastante, é provável que conheçam diversas culturas.

Então, notamos o quanto é importante não só conhecermos outras culturas, mas também respeitarmos a diversidade cultural de cada um.

Outro ponto importante é quando pedimos para que as professoras nos contassem uma experiência exitosa que desenvolveram com algum aluno circense, a Professora 1 diz:

Uma vez o meu aluno estava na sala, e eu percebi que tinha muitas crianças ao redor dele, eu fui procurar saber o que estava acontecendo, quando eu cheguei perto, percebi que os alunos estavam curiosos pelas imagens que o aluno tinha trazido, que eram fotos de apresentações dele mesmo no circo, eu achei interessante.

Na fala da Professora 1, percebemos que a experiência relatada por ela, é interessante por despertar o interesse dos alunos, mas notamos que a professora parece não querer se envolver muito. A Professora 2 não soube nos contar uma experiência com o aluno circense.

Outro fato relevante é a questão do período em que a criança costuma ficar na escola, pois como já foi visto, é comum as crianças de circo mudarem de escolas várias vezes no ano. A Professora 1 diz que: “Ele entrou no começo do ano, mas até agora não mudou de escola não”.

E a Professora 2 diz: “Eu acredito que ela não vai mudar esse ano”. Na entrevista realizada com os pais dos alunos circenses, os pais revelaram preferir deixar as crianças em uma escola durante o ano todo, para que facilite no processo de ensino e aprendizagem das próprias crianças. Mas, mesmo o aluno não mudando constantemente de escola, o processo de ensino e aprendizagem não está livre de dificuldades.

Vejamos o que a Professora 1 diz a respeito: “No meu aluno eu não vejo tantas dificuldades, mas acredito que a criança de circo pode ter dificuldades quanto ao conteúdo né, pelo fato da mudança constante de escolas”.

A fala da Professora 1 chama atenção para mudança de escola por parte das crianças, e acredita que por isso as crianças de circo tendem a apresentar dificuldades no processo de ensino e aprendizagem.

Deste modo, acreditamos sim que as crianças podem apresentar uma dificuldade no processo de ensino e aprendizagem por conta de as escolas parecerem não conseguirem atender as demandas do aluno circense, em especial, a diversidade cultural.

Segundo Xavier (2009), com base nas entrevistas com os pais de crianças circenses, algumas crianças circenses apresentavam dificuldades no desempenho escolar por estudarem o mesmo conteúdo inúmeras vezes, ou por chegarem a uma escola e não saber o conteúdo por conta das instituições não fazerem o teste de diagnóstico com as crianças.

Já a Professora 2 diz: ” Eu noto que, às vezes, ela chega muito cansada, dispersa, e acho que talvez seja por conta das apresentações no circo”.

Quando observamos a aula da professora 2, não notamos cansaço na aluna, pelo contrário, a aluna estava sempre agitada, mas acreditamos que a aluna pode sim apresentar cansaço por conta da vida no circo, pois na observação realizada no circo, notamos que as jornadas de ensaios são frequentes, e acreditamos que pode ser que as crianças estejam sofrendo um trabalho infantil, pois pela idade das crianças, não é permitido que as mesmas realizem nenhum tipo de trabalho.

Outro ponto investigado foi quanto à adequação curricular para atender as demandas dos alunos vindos dos circos. A Professora 1 afirma que: “Eu sei que a escola deve aceitar este aluno a qualquer data do ano, mas também sei que é preciso apresentar os documentos legais”.

A Professora 2 diz: “Acredito que a escola atende aos alunos de circo assim como os outros”.

Para Xavier (2009), é preciso que se pense em métodos que acolham todos os alunos que chegam à escola, pois assim como diz a Constituição Federal (1988), todos têm direito a educação.

Na resposta da Professora 1, ela parece saber que a escola precisa aceitar os alunos circenses de qualquer maneira, já na fala da Professora 2, parece que ela não está informada quanto à aceitação dos alunos nas instituições mediante aos documentos necessários.

Assim, notamos que mesmo o professor percebendo que o aluno circense pode enfrentar obstáculos no acesso à educação, este aluno pode apresentar uma vantagem no conhecimento cultural pelo fato de conhecer muitos estados, mas não percebemos nenhum momento em que esse conhecimento é explorado de fato.

7.5 As práticas pedagógicas do professor com alunos circenses

Nesta categoria, chamamos atenção para as práticas pedagógicas dos professores, para lidar com os alunos que vem do circo. Vejamos o que a Professora 1 diz a respeito: “Eu trabalho com eles da mesma maneira que trabalho com os outros, não faço distinção”.

A fala da professora 1, revela que ela não utiliza métodos diferenciados para lidar com as crianças circenses, o que pode ser uma desvantagem para o aluno, pois de acordo com Santana (2012), é preciso que o professor entenda que os alunos circenses apresentam necessidades educativas especiais, e sendo assim, carecem de situações de aprendizados diferenciadas. Por conta disto, acreditamos ser necessário que os professores utilizem sim de técnicas diferenciadas para atender as demandas dos alunos circenses, pois como qualquer outra criança com necessidade educativa especial, a criança de circo precisa de um atendimento especializado e, caso as escolas não estejam atendendo a essa especialização, a educação brasileira pode estar deixando a desejar.

E a Professora 2 diz: “Eu sempre pergunto como é a vida no circo né, sempre tenho a curiosidade em saber das apresentações, porque é interessante”.

De acordo com Xavier (2009), é necessário chamarmos atenção no modo em que os conteúdos estão sendo recebidos pelos alunos e como os professores estão transmitindo certos conteúdos, destacando as crianças de circo por mudarem tanto de escola.

Nas observações, percebemos que a Professora 2 tem o hábito de perguntar a aluna sobre as apresentações no circo, mas não acreditamos que somente este cuidado possa atender as necessidades destes alunos.

Na fala da professora 2, notamos que ela afirma perguntar como é a vida no circo, mas acreditamos que não é o suficiente, que essa interferência pode ser um meio muito superficial. Ao invés de perguntar, poderia estudar um pouco a vida circense, já que tem um aluno com essa cultura dentro de sua sala de aula, poderia explorar juntamente com as outras crianças.

Quando indagada sobre quais as estratégias são utilizadas para promover a socialização e inclusão entre as crianças circenses e as outras crianças, vejamos o que a Professora 1 diz: “Eu sempre procuro realizar tarefas em grupos, para que eles se relacionem uns com os outros, porque sempre tem aquele aluno que é mais na dele”.

A Professora 2 diz: “Coloco eles sempre em contato uns com os outros”.

Na fala das professoras, tanto da Professora 1 quanto da Professora 2, parece ter indícios que a concepção de socialização e aprendizagem é somente colocar os alunos em contato com o outro. Mas acreditamos que, apenas esse contato, parece não ser tão satisfatório, acreditamos que o professor precisa utilizar de maneiras diversificadas para que de fato a inclusão aconteça, assim como afirma Liblik (2012), o profissional da educação não pode usar sempre as mesmas estratégias de ensino, é necessário que diversifique sua maneira de ensinar, para que o aluno apresente aprendizagem.

Para Freire (1996, p.37), “Ensinar exige comprometimento”, então para que o professor ensine com competência é necessário que esteja totalmente envolvido e comprometido com o aluno, e que não deixe que a demanda dos alunos passe por despercebido.

Na observação realizada em sala de aula, percebemos que as duas professoras tiveram momentos em que colocaram os alunos em grupos para realização de tarefas. Mas acreditamos que colocar os alunos em grupos, sem nenhum propósito, não está promovendo a inclusão de fato.

A professora 1 parecia sempre deixar a turma organizada em grupos e parecia não diversificar as suas aulas. Porém, a professora 2 parecia variar, colocando as turmas em grupos, duplas e até individualmente em alguns momentos, para realização de atividades mediada por ela.

Outro ponto importante foi sobre as estratégias utilizadas no processo de ensino e aprendizagem para atender as demandas dos alunos circenses. Vejamos a resposta da Professora 1: “Eu procuro sempre tirar todas as dúvidas, procuro ver se os alunos estão aprendendo o conteúdo e tento sanar as dúvidas encontradas por eles”.

A Professora 2 diz: “Eu sempre instigo, percebo que eles ficam na curiosidade, a minha estratégia está sempre relacionada a perguntas”.

A fala da Professora 1 parece evitar que os alunos fiquem com dúvidas, o que foi constatado nas observações. Ela conseguia tirar as dúvidas que iam surgindo durante a aula. Já na fala da Professora 2, notamos que ela afirma gostar que os alunos estejam curiosos, e que costuma fazer muitas perguntas a eles. Nas observações, foram notados momentos em que ela questionava e deixava os alunos pensativos. De certo modo, essas estratégias parecem ajudar no processo de ensino e aprendizagem, mas não significa que sejam satisfatórias.

Ao ser questionada sobre quais os objetivos são utilizados na elaboração das atividades para os alunos circenses, a Professora 1 diz: “ Os objetivos para elaborar as atividades dele são os mesmos que eu utilizo com os outros, e o que está no meu plano de aula, e então depende muito do andamento da turma”.

A Professora 2 diz: “Tudo tem a ver com o momento, aqui na escola temos o nosso plano, então a gente segue ele”.

Nas respostas das professoras, percebemos que as duas afirmam que os objetivos dependem da turma e que seguem o plano de aula. Nos dias de observações, pedimos os planos de aula, mas nenhuma das professoras disponibilizou, então fica difícil afirmamos se as professoras seguem o plano de aula ou não, e se os objetivos propostos estão sendo seguidos. Mas, mesmo que o plano de aula seja seguido, notamos que não há uma flexibilidade para atender as especificidades desses alunos, parece que as professoras apenas seguem o que está no plano de aula, sem modificações para atender aos alunos circenses.

Outro ponto investigado foram as principais facilidades encontradas pelos alunos circenses no processo de ensino e aprendizagem na concepção dos professores. A Professora 1 diz: “Acredito que seja ligada ao conhecimento cultural, assim, como eles viajam bastante, é provável que conheçam várias culturas, e isso é importante e é interessante que seja trabalhado em sala de aula”.

Já a Professora 2 diz: “Ela se desenvolve bem, mas é claro que quando o assunto envolve o circo, ou a música, mais assuntos da arte, ela se destaca”.

Na fala das duas professoras, notamos que elas parecem acreditar que o aluno circense aprende melhor o que vivencia.

Freire (1996, p. 28) afirma que “a capacidade de aprender, não é apenas para nos adaptar, mas sobretudo para transformar a realidade”.

Ainda em relação a diversidade cultural, foi indagado como os professores trabalham isso com os alunos circenses. Vejamos o que a Professora 1 diz:

Eu pergunto muito no coletivo, gosto de ouvir as experiências de cada aluno, pergunto como é a vida no circo, e a gente sempre partilha isso com os outros alunos, como se fosse uma aprendizagem coletiva, não acredito que aprendemos sozinhos, e sim com as experiências dos outros, com os conhecimentos que resgatamos dos outros.

Na fala da professora 1, verificamos que ela parece não ter compreendido muito bem a pergunta, pois na resposta apresentada notamos que ela fala da questão da socialização e não muito da questão de como trabalhar a diversidade cultural do aluno de circo.

Para Torres (2001), os profissionais da educação devem ser preparados para saber da importância em trabalhar a diversidade cultural em sala de aula.

E a Professora 2 diz:

Todos os amigos da sala sabem que ela mora no circo, no começo eles achavam estranho e perguntavam bastante a respeito, hoje eles entendem, eu sempre converso a respeito das diferenças das pessoas e do modo de vida de cada um.

Na fala da professora 2, notamos que ela diz que trabalha as diferenças que estão relacionados a cultura, mas não acreditamos que apenas trabalhar a questão das diferenças em sala de aula, seja eficaz para conhecer a diversidade cultural, pois cremos que o ensino precisa ser de modo que trabalhe a interdisciplinaridade.

De acordo com Bonatto (2012, p.03), “a interdisciplinaridade é uma temática que é compreendida como uma forma de trabalhar em sala de aula, no qual se propõe um tema com abordagens em diferentes disciplinas”.

Nas falas das professoras, percebemos que as duas trabalham no coletivo, ou seja, colocam os alunos para discutir os assuntos entre si, nas observações foram notados momentos em que as duas professoras realizam atividades coletivas.

Sendo assim, durante o nosso percurso de observação, verificamos que as professoras afirmam utilizar estratégias e objetivos que atendem as demandas dos alunos, mas acreditamos que a interdisciplinaridade seria uma maneira de fazer com que a diversidade cultural pudesse ser trabalhada, em sala de aula, de maneira que atendesse de fato as demandas destes alunos.

8. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Esta pesquisa tem como objetivo geral: analisar as facilidades e dificuldades enfrentadas por duas crianças de um circo localizado no DF, em relação ao acesso e inclusão em uma escola pública na concepção de seus pais e dos professores. De acordo com esse objetivo, notamos que grandes são as dificuldades enfrentadas por crianças circenses no acesso à educação, por falta de vagas, por documentação irregular e discriminação por conta de necessitarem de atendimento especializado, mas verificamos vantagens quanto à ampla diversidade cultural que os circenses apresentavam por viajarem por diversas cidades.

Revendo o primeiro objeitvo específico: averiguar se as estratégias utilizadas pelos professores no processo de inclusão pedagógica das crianças circenses estavam facilitando na aprendizagem, constatamos que as estratégias utilizadas pelos professores ainda não atendem às necessidades das crianças circenses pois, os professores não utilizam técnicas diferenciadas para atender as crianças, mesmo essas crianças apresentando necessidades educativas especiais.

Devemos levar em consideração que as crianças de circo passam por diversas escolas durante o ano letivo e, por isso, tendem a precisarem do atendimento especializado. Avistamos que os pais encontram muitas dificuldades na hora de realizarem a matrícula do filho circense, pois as escolas, além de pedirem muitos documentos, também alegam não terem mais vagas, causando desconforto na vida não só dos pais, mas também das crianças.

Atendendo ao segundo objetivo específico, que tinha como intuito identificar o impacto da inclusão na vida social das crianças de circo na concepção de seus pais, notamos que a escola pesquisada poderia ser um caso isolado por não registramos momentos de discriminação e preconceito por parte dos alunos, dentro de sala de aula, em relação a criança circense. Mas, percebemos que as professoras praticam a discriminação inconscientemente, pelo fato de não terem uma flexibilidade no seu planejamento para atender as especificidades dos alunos circenses, pois com a falta dessa flexibilidade, os alunos circenses podem ser prejudicados por necessitarem de um atendimento especializado e não serem atendidos de fato. Constatamos que pelo fato das crianças trabalharem no circo, em contato com o público, mantinham uma boa socialização com as demais crianças na sala de aula, o que entendemos como uma vantagem.

Retomando ao terceiro objetivo específico, que foi o de verificar as facilidades e dificuldades encontradas pelos professores no processo de ensino e aprendizagem desses alunos, constatamos que as crianças tendem a apresentar cansaço em sala de aula por terem uma jornada intensa de ensaios no circo, o que apontamos como um trabalho infantil, pois as duas crianças com idade mínima de 13 anos mantinham uma jornada de estudos e ensaios no circo que as consumia. Notamos, também, que por conta das mudanças constantes de escolas, essas crianças tendem a apresentarem dificuldades na absorção de alguns conteúdos em sala de aula. Por outro lado, encontramos facilidades quanto à socialização dessas crianças com as outras, pelo fato de exibirem muito contanto com pessoas, e também constatamos que as crianças circenses trazem uma vasta diversidade cultural, por viajarem tanto.

Deste modo, esta pesquisa nos fez conhecer mais da vida da criança que vive no circo, como também nos deu a possibilidade de convivermos alguns dias com a rotina da família circense, o quanto as famílias circenses desfrutam pelo prazer de morarem no circo e de terem a possibilidade de viajarem por tantos lugares. Apesar dos documentos legais afirmarem uma educação para todos, também encontramos dificuldades por parte dos pais e das crianças, desde o acesso a educação, quanto a permanência na escola, pois além de encontrarem grandes dificuldades para conseguirem vagas nas escolas, as crianças circenses são penalizadas por necessitarem de atendimento especializado e não serem atendidas de fato.

Sendo assim, acreditamos que sejam primordiais políticas públicas que atendam de fato a necessidades das crianças circenses, pois além de serem consideradas crianças com necessidades educativas especiais, notamos que ainda carecem de atendimento especializado. E constatamos que algumas escolas ainda não suprem as demandas das crianças de circo, por não conhecerem a realidade circense.

Acreditamos que é preciso introduzir na ementa escolar, uma avaliação diagnóstica, para que os alunos circenses não sejam penalizados.

Assim, finalizamos esta pesquisa, mas reconhecemos que a criança circense ainda pode ser estudada, para que a cada pesquisa realizada, acrescente não só conhecimentos, mas benefícios na história circense.

9. REFERÊNCIAS

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BARBOSA, Laura Monte Serrat. Temas transversais: como utilizá-los na prática educativa? Curitiba: Irtesaberes, 2013.

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BRASIL (1988), Constituição da República Federativa do Brasil, de 05 de outubro de 1988. Disponível em Acesso em 30.ago.2015.

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FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e terra, 1996.

GIL, Antonio Carlos. Como elaborar projetos de pesquisa. 5 ed. São Paulo: Atlas, 2010.

KLEINA, Cláudio. Tecnologia assistiva em educação especial e educação inclusiva. Curitiba: Intersaberes, 2012.

LAKATOS, Eva Maria: MARCONI, Marina de Andrade. Fundamentos de metodologia cientifica. 6 ed. São Paulo: Atlas, 2009.

LEITE, L. P. Educador especial: reflexões e críticas sobre sua prática pedagógica. Revista Brasileira de Educação Especial, Marília, v. 10, n 2, p.131-142, 2004.

LIBLIK, Ana Maria Petraitis; PETRAITIS, Rosa artini; REGINA, Laima I. L. Contextos educacionais – por uma educação integral e integradora de saberes. Curitiba: Intersaberes, 2012.

MAGALHÃES, G. Introdução à metodologia da pesquisa: caminhos da ciência e tecnologia. São Paulo: Ática, 2005.

MINETTO, Maria de Fátima. Currículo na educação inclusiva: entendendo esse desafio. Curitiba: Intersaberes, 2012.

MITTLER, Peter. Educação inclusiva: Contextos sociais. Porto Alegre: Artmed, 2003.

ORTEGA, Rosario: REY, Rosario Del. Estratégias educativas para a prevenção da violência. Brasília: Unesco, UCB, 2002.

PERRENOUD, Philippe. 10 novas competências para ensinar. Porto Alegre: Artmed, 2000.

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SEVERINO. Antônio Joaquim. Metodologia do trabalho científico. São Paulo: Cortez, 2007.

SILVA, Ermínia. O Circo: Sua Arte, Seus Saberes: O Circo no Brasil no Final do Século XIX e Meados do Século XX. Campinas: Departamento de História do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Unicamp. Dissertação de Mestrado, 1996.

SILVA, Hélio Jr. Discriminação racial nas escolas entre a lei e as práticas sociais. Brasília: Unesco, 2002

TORRES, Carlos Alberto. Democracia, educação e multiculturalismo: dilemas da cidadania em um mundo globalizado. Petrópolis, RJ: Vozes, 2001.

XAVIER, Glaucia do Carmo; SANTOS, Anderson Avelino de Oliveira. Exclusão escolar e a criança de circo. 2009. Programa de Pós-Graduação em Educação –Universidade Católica de Minas Gerais. Revista eletrônica de Educação V. 3, n. 2, Nov. 2009. Artigos ISNN 1982-7199.

10. APÊNDICES

APÊNDICE A – Termo de Consentimento Livre e Esclarecido

Eu,_________________________________________________________,RG______________________, artista de um circo, localizado em Brasília, DF e responsável pela criança circense, venho por meio deste termo de consentimento, conceber minha participação voluntária como sujeito da pesquisa nomeada Inclusão de crianças circenses, desenvolvida no Centro Universitário Estácio/Facitec executada pela aluna Luciene Silva de Oliveira, sob a orientação da profª. Drª. Rosalina Rodrigues de Oliveira.

 

_____________________________________________________
Assinatura

 

Termo de Compromisso

Eu, Luciene Silva de Oliveira, RG 3095068, aluna regularmente matriculada no Curso de Pedagogia no Centro Universitário Estácio/Facitec, me comprometo a respeitar o participante desta pesquisa, garantindo absoluta privacidade, preservando suas identidades originais e assegurando o sigilo quanto às informações prestadas para a pesquisa.

 

________________________________________________________
Luciene Silva de Oliveira

 

Termo de Consentimento Livre e Esclarecido

Eu,_________________________________________________________,RG______________________, professora de uma escola privada, localizado em Brasília, DF, venho por meio deste termo de consentimento, conceber minha participação voluntária como sujeito da pesquisa nomeada Inclusão de crianças circenses, desenvolvida no Centro Universitário Estácio/Facitec executada pela aluna Luciene Silva de Oliveira, sob a orientação da profª. Drª. Rosalina Rodrigues de Oliveira.

 

_____________________________________________________
Assinatura

 

Termo de Compromisso

Eu, Luciene Silva de Oliveira, RG 3095068, aluna regularmente matriculada no Curso de Pedagogia no Centro Universitário Estácio/Facitec, me comprometo a respeitar o participante desta pesquisa, garantindo absoluta privacidade, preservando suas identidades originais e assegurando o sigilo quanto às informações prestadas para a pesquisa.

 

________________________________________________________
Luciene Silva de Oliveira

APÊNDICE B - Roteiro das Observações

ROTEIRO DE OBSERVAÇÃO NA ESCOLA

  • Estratégias para promover a socialização e inclusão;

  • Critérios utilizados para elaboração das atividades;

  • Objetivos utilizados para elaboração das atividades;

  • Participação dos alunos circenses na aula;

  • Se os alunos apresentam dificuldades em desenvolver e concluir as atividades;

  • As intervenções que a professora faz, caso o aluno apresente dificuldades;

  • As principais facilidades desses alunos em relação aos conteúdos trabalhados;

  • Relacionamento da professora com os alunos circenses;

  • Como a professora contempla, nas suas aulas, a diversidade cultural desses alunos;

  • Se os alunos circenses contribuem com os demais no desenvolvimento das atividades.

ROTEIRO DE OBSERVAÇÃO NO CIRCO

  • Funcionamento do Circo (apresentações, público, horário das apresentações);

  • Relacionamento dos pais com as crianças circenses;

  • Como as crianças circenses aplicam, no circo, o que adquiriu na escola.

APENDICE C - Roteiro das entrevistas

  1. Qual a sua idade? ______________________

  1. Sexo a) ( ) Feminino b) ( ) Masculino

  1. Qual o grau de parentesco com a criança que você é responsável?

_____________________________________________________________

  1. Qual a idade da criança? _____________

  1. Qual a instituição que a criança está matriculada atualmente?

a) ( ) Pública

b) ( ) Privada

  1. Qual ano de escolaridade que a criança está cursando?

_______________________________________________________________

  1. Em média, quantas escolas a criança estuda por ano?

_______________________________________________________________

  1. Quais são as suas impressões a respeito das escolas que os seus filhos já frequentaram? Justifique.

_________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________

  1. Como o (a) senhor (a) caracteriza a escola que o (a) seu (sua) filho (a) frequenta atualmente? Justifique.

______________________________________________________________________________________________________________________________________

  1. O (a) senhor (a) já percebeu algum tipo de preconceito em relação à criança de circo? Relate.

______________________________________________________________________________________________________________________________________

  1. Quais as principais facilidades que vocês encontram para incluírem os seus filhos nas escolas? Justifique. E as principais dificuldades? Justifique.

______________________________________________________________________________________________________________________________________

  1. Na sua concepção, como se dá o processo de socialização das crianças na escola? Explique.

______________________________________________________________________________________________________________________________________

  1. Como o (a) senhor (a) acompanha a vida escolar dos (as) seus (suas) filhos (as)? Justifique.

______________________________________________________________________________________________________________________________________

  1. Como o (a) senhor (a) interage com os professores (as)? Justifique.

______________________________________________________________________________________________________________________________________

  1. Quais as mudanças que a escola proporciona para seus (suas) filhos (as)? Explique.

______________________________________________________________________________________________________________________________________

  1. De que forma os (as) seus (suas) filhos (as) aplicam os conhecimentos adquiridos na escola, no cotidiano do circo?

______________________________________________________________________________________________________________________________________

  1. Na concepção do (a) senhor (a), o que a escola poderia mudar para atender melhor as expectativas dos seus (suas) filhos (as)?

______________________________________________________________________________________________________________________________________

Roteiro para entrevista com o professor do aluno circense

  1. Idade aproximada.

( ) 18 a 25
( ) 26 a 35
( ) 36 a 45
( ) mais de 45

  1. Sexo a) ( ) Feminino b) ( ) Masculino

  1. Quanto tempo de docência você possui? _______________

  1. Você já teve outros alunos circenses? Comente.

  1. Conte a sua experiência de sala de aula ao trabalhar com os alunos circenses.

______________________________________________________________________________________________________________________________________

  1. Quais as semelhanças e diferenças culturais desses alunos? Justifique.

______________________________________________________________________________________________________________________________________

  1. Normalmente, em média, qual o período que a criança costuma ficar na escola? Explique.

______________________________________________________________________________________________________________________________________

  1. Quais estratégias você utiliza para promover a socialização e inclusão entre as crianças circenses e as outras crianças na sua sala? Explique.

______________________________________________________________________________________________________________________________________

  1. Quais as contribuições que a inclusão pedagógica traz para o aluno circense?

______________________________________________________________________________________________________________________________________

  1. Quais as estratégias que você utiliza no processo de ensino e aprendizagem para contemplar as demanda dos alunos circenses? Comente.

______________________________________________________________________________________________________________________________________

  1. Quais os critérios que você utiliza ao elaborar as atividades para os alunos circenses?

______________________________________________________________________________________________________________________________________

  1. Com quais objetivos você elabora as atividades para o aluno circense?

______________________________________________________________________________________________________________________________________

  1. Quais as dificuldades encontradas no processo de ensino e aprendizagem desses alunos? Justifique.

______________________________________________________________________________________________________________________________________

  1. E quais as facilidades? Justifique.

______________________________________________________________________________________________________________________________________

  1. Na sua concepção, quais são as principais facilidades encontradas pelos alunos circenses no processo de ensino e aprendizagem?

______________________________________________________________________________________________________________________________________

  1. E as dificuldades?

______________________________________________________________________________________________________________________________________

  1. Explique como você trabalha a diversidade cultural desses alunos? Justifique.

_____________________________________________________________________________________________________________________________________

  1. Essa diversidade cultural desses alunos influencia na aprendizagem? Comente.

______________________________________________________________________________________________________________________________________

  1. Existe alguma adequação curricular para atender as demandas dos alunos circenses? Comente.

______________________________________________________________________________________________________________________________________

  1. Cite uma experiência exitosa que você desenvolveu com algum aluno circense.

______________________________________________________________________________________________________________________________________


Publicado por: Luciene Silva de Oliveira

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