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As Tecnologias e a Educação de Alunos Surdos

Pedagogia

Dificuldades e possibilidades que o aluno com necessidades educacionais especiais, tem na sociedade, e como a tecnologia e o educador podem ser seus aliados nesse processo de inclusão.

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1. RESUMO

O tema abordado foi sobre os alunos surdos matriculados em uma escola privada, do ensino fundamental regular, e as possibilidades de aprendizagem com apoio da tecnologia da informática e a participação do professor principal mediador. Antes um caminho inacessível, devido a diversas situações constrangedoras, pela falta de comunicação e pela dificuldade no aprendizado. Mas, com o advento das tecnologias e a mudança de pensamento sobre as pessoas com necessidades educacionais especiais, foi possível ir construindo novas oportunidades. Com o objetivo de identificar as necessidades e quais recursos os alunos surdos têm disponíveis para auxiliar em sua integração. E como a escola faz parte desse processo para acolher esse aluno, sendo o professor a figura central dessa mediação com equipamentos e recursos, principalmente os elementos visuais, que promovem a descoberta dos talentos e habilidades, nesse contexto a grande aliada da educação é a tecnologia, oferecendo condições para esse aprendizado, objeto de estímulos e de aumento da autoestima, da construção dos conhecimentos, do desenvolvimento cognitivo, intelectual, cultural e, sobretudo, no que tange a confiança e autonomia nas ações. Nas aulas de informática no laboratório os recursos tecnológicos são disponibilizados individualmente entre os alunos e contribuem na autoconfiança e para facilitar nas atividades, efetivando assim, a inclusão de fato, que refletem os resultados das experiências no ambiente educacional, social, político e cultural. Considerando a prática educativa do professor como mediador e colaborador do processo de ensino e aprendizagem, professor este, preferencialmente especializado e capacitado para acompanhar seu desenvolvimento, orientar e incentivar as suas escolhas, aguçar as suas percepções, pois que assim, o aluno surdo começa a pensar e a refletir em como fazer, de que forma, e para que fazer, construindo seu espaço e ideias. As novas tecnologias tem sido fundamental para esse caminho de descobertas, inclusão e também da superação dos obstáculos, para gradativamente integram e socializam o aluno bem como a equipe da escola a ele.

Palavras-Chaves: Educação; Tecnologia e Surdez.

2. INTRODUÇÃO

Essa breve introdução, considera o questionamento realizado através de uma entrevista, em face das mudanças e evoluções contempladas pela tecnologia na inclusão de pessoas com surdez no ambiente escolar e em consequência no âmbito social. O tema em questão ‘As Tecnologias e a Educação de Alunos Surdos’, contextualiza que antes as pessoas com necessidades especiais tinham acesso restrito, pois eram consideradas incapazes, na realidade, estavam apenas com uma inteligência presente, mas bloqueada pelo tempo que permanecesse a ausência de um recurso para o seu despertar, nas salas de aula e na sociedade, para chegar aos fins de desenvolvimento da capacidade intelectual e social nesse grupo de pessoas.

A pesquisa contribuiu para visualizar alguns tópicos, e identificar o processo da inclusão de alunos com necessidades educacionais especiais, em turma regular do ensino fundamental, nesse caso a surdez, as suas dificuldades, de que forma a tecnologia e os professores podem apoia-los. O ambiente escolar pode e deve ser o início da ressocialização, com a integração dos alunos surdos através de ferramentas e recursos tecnológicos, com as ações e projetos pedagógicos, que valorizem a sua identidade, respeite as suas especificidades, como um cidadão apto a se desenvolver e tornar-se consciente e critico de sua posição na sociedade. Foi constatado o crescimento significativo da inserção de alunos surdos em classes regulares, como comprovado aqui, pelo censo escolar divulgado pela SNJ (2009, p. 14). De certo as tecnologias, juntamente com o professor que exercendo as habilidades na função de mediador do conhecimento, torna possível aos alunos com deficiência auditiva a comunicação com o mundo, e colabora no intuito de fornecer as condições favoráveis para suprir as dificuldades existentes. Contribuindo para desenvolver as possibilidades de aprendizado, do surgimento da autoestima, do seu crescimento intelectual, realizando assim a chance dele se expressar e sentir que faz parte desse contexto e pode exercer seus direitos e sua cidadania. De acordo com Sócrates;

“Eu não posso ensinar nada a ninguém, só posso fazê-lo pensar." SÓCRATES.

2.1 APRESENTAÇÃO DO TEMA

Comparando, e não raro é encontrar pessoas que confundem o conceito do termo inclusão com o conceito do termo integração, a inclusão escolar envolve valores, normas sociais, políticas e éticas, já a integração acontece por iniciativa do aluno, quando ele faz o movimento de aproximação com o ambiente, o aluno se adapta a rotina da escola e dos espaços, de seus amigos dos professores e a sua acessibilidade flui espontaneamente. No âmbito dos educadores, a reflexão é baseada na capacitação do profissional de educação, que necessitam se especializar na área de informática, e na Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS). As tecnologias desempenham a função de permitir a entrada nesse mundo digital, dos alunos com necessidades especiais, nesse caso a surdez, É nesse ponto que os educadores capacitados exercem o papel de conduzir através de ações educativas e estratégias de ensino, de forma equilibrada e articulada com o currículo e com a proposta pedagógica da escola para que o aluno alcance seu desenvolvimento. Oportunizar ao aluno exercitar suas habilidades, descobrir a sua capacidade, e adquirir novos saberes, que o colocam em situação de igualdade para receber informação e o qualificar para mercado de trabalho, e para a sua socialização.

2.2 OBJETIVOS

2.2.1 OBJETIVO GERAL

- Analisar as dificuldades e possibilidades que o aluno com necessidades educacionais especiais, tem na sociedade, e como a tecnologia e o educador podem ser seus aliados nesse processo de inclusão.

2.2.2 OBJETIVOS ESPECIFÍCOS

- Refletir sobre a condição do aluno com surdez;

- Apresentar como as novas tecnologias podem contribuir no processo de aprendizagem e de socialização do individuo com necessidades especiais.

2.3 QUESTÕES NORTEADORAS

- Como a educação dos alunos com surdez no ensino fundamental regular e seu desenvolvimento podem facilitar em sua inclusão na sociedade?

- É possível identificar a importância da tecnologia na construção da autoestima e cidadania do aluno com surdez?

- De que forma os professores podem auxiliar os alunos com necessidades educacionais especiais?

2.4 JUSTIFICATIVA

Ao longo do tempo, as pessoas portadoras de deficiência auditiva vêm enfrentando uma diversidade de obstáculos, dificuldades essas, simplesmente que as classificam como incapazes e assim cidadãos inferiores, fato que atrasou e prejudicou a sua inserção no ambiente educacional e também na sua socialização. Algumas medidas e políticas têm reforçado a busca por melhorias na qualidade de vida dessas pessoas com necessidades especiais. Em 1994, é publicada a Política Nacional de Educação Especial, orientando o processo de ‘integração instrucional’ que condiciona o acesso às classes comuns do ensino regular. Em 2001 o PNE destaca que “o grande avanço que a década da educação deveria produzir seria a diversidade humana”.

Em 2008, o Ministério da Educação publicou o documento denominado “Política Nacional de Educação Especial na perspectiva da Educação Inclusiva” (BRASIL, 2008a). Um documento que iniciou a orientação da organização e do funcionamento da Educação Especial nos sistemas educacionais brasileiros tendo como base a Educação para a diversidade e a compreensão.

A Educação Especial é uma modalidade de ensino que perpassa todos os níveis, etapas e modalidades, realiza o atendimento educacional especializado, disponibiliza os recursos e serviços e orienta quanto a sua utilização no processo de ensino e de aprendizagem nas turmas comuns do ensino regular (BRASIL, 2008a).

O fato de alunos surdos, frequentar a mesma sala de aula de ensino regular com outros alunos ouvintes, exige que o professor tenha mais sensibilidade ao elaborar as estratégias e métodos de ensino, que sejam apropriadas e favoreçam nessa ambientação, a utilização das práticas educativas adequadas, devem acompanhar o ritmo de cada aluno e suprir às expectativas de saber dos alunos, e principalmente dos alunos com deficiência auditiva, sem diferenças. Quanto ao crescimento significativo da inserção de alunos surdos em classes regulares pode ser comprovado pelo censo escolar divulgado pela SNJ (2009, p. 14);

O censo realizado pelo Ministério da Educação (MEC), em parceria com o Instituo Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), revela que, em 2006, cerca de 70 mil alunos com surdez ou deficiência auditiva estavam matriculados no ensino básico, enquanto em 1996, pouco mais de 30 mil estudantes.

2.5 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

O trabalho foi baseado em pesquisa exploratória, qualitativa, e observação por ocasião da visita na unidade escolar, escolhida por ter alunos com ‘Necessidades Educacionais Especiais, (PNEEs)’ e dois professores com formação em educação especial e conhecimentos específicos na área de surdos mudos. Em virtude da produção de frases em LIBRAS, requerer uma atenção especial nas expressões faciais e corporais, o que visa indicar a natureza e a intencionalidade da comunicação. Torna-se relevante na contribuição para ampliar as possibilidades da avaliação e de intervenção, que é adequada ao ritmo e individualidade de cada aluno. Quatro professores da turma do 5º ano do ensino fundamental regular foram entrevistados, são dois professores titulares formados academicamente e com especialização na Língua Brasileira de Sinais - LIBRAS, e dois professores auxiliares sem formação acadêmica, cursando faculdade de pedagogia no momento, os alunos da pesquisa, são vinte e oito ouvintes e quatro alunos surdos profundos, foco da pesquisa. O instrumento para a coleta de dados foi à aplicação de um questionário com perguntas abertas e fechadas, com roteiro semiestruturado, teve a colaboração dos quatro professores, e dos alunos. Os dados foram colhidos de acordo com a observação na forma de utilização da tecnologia e como o educador pode contribuir adequadamente com o aluno surdo. No laboratório de informática é utilizado o tablet e o computador para realizar as atividades, e em sala de aula a lousa interativa. As aulas acontecem diariamente e os alunos são divididos em grupos, e orientados por uma professora titular e uma auxiliar. O portador de deficiência auditiva acompanha gradativamente as experiências tecnológicas e os recursos que possibilitem o desenvolvimento de seu potencial cognitivo. Segundo Silva (2010);

(...) é preciso estar a par da novidade digital que permite autonomia, por colaboração na manipulação das informações que ganham sentido por meio das ações de cada indivíduo que deixa de ser mero receptor para tornar-se também emissor de informações. (SILVA, 2010, p.137).

Considerando as expectativas do aluno com surdez, uma conquista que se vislumbra no espaço escolar, como melhoria na qualidade de vida, pois quando o aluno surdo tem uma educação especializada e orientada com programas que enriquecem e facilitam seu aprendizado, é presenteado com acesso às novas tecnologias adaptadas para facilitarem no seu ensino da linguagem e códigos específicos para a comunicação e sinalização, como é o caso da Língua Brasileira de Sinais – LIBRAS, com o professor como figura mediadora desse processo. De acordo com Valente (1991, p. 63);

Além do uso pedagógico do computador na educação especial, o computador tem sido usado como recurso para administrar os diferentes objetivos e necessidades educacionais de alunos portadores de deficiência, como meio de avaliar a capacidade intelectual destes alunos, e como meio de comunicação, tornando possível, indivíduos portadores de diferentes tipos de deficiência como física ou auditiva, usarem o computador para se comunicar com o mundo. (VALENTE, 1991, p. 63).

Abaixo o questionário proposto aos professores;

  1. Quais recursos são utilizados na sala de informática, qual a quantidade e a frequência das aulas?
  2. Na avaliação dos alunos surdos, o que ele considera como obstáculo?
  3. Qual a faixa etária dos seus alunos surdos?
  4. De que forma as aulas de informática com seus recursos e ferramentas tem contribuído para o desenvolvimento dos alunos surdos?
  5. Quais os recursos utilizados, a quantidade e com que frequência.
  6. Qual a dificuldade encontrada pelos alunos surdos na escola?

As ideias de Vigotski acerca das;

possibilidades de desenvolvimento psíquico [das pessoas com deficiência], e não só da assimilação de conhecimentos e hábitos no processo de ensino, desempenhou um papel decisivo na reorganização da pedagogia especial.

Além disso, a discussão apresentada por ele acerca da deficiência como um constructo social é de essencial importância, para esse autor:

No homem não existe uma comunicação pura, a-social e direta com o mundo. Por isso a carência da vista ou do ouvido implica, frente a tudo, a perda das mais importantes funções sociais, a degeneração dos vínculos sociais e deslocamento de todos os sistemas de conduta. É preciso propor e compreender o problema da defectividade infantil, na psicologia e na pedagogia, como um problema social, porque seu momento social, anteriormente não observado e considerado comumente como secundário, resulta, na realidade, fundamental e prioritário. Deve ser estimado como principal. É preciso encarar com audácia este problema, como um problema social. Se uma deficiência corporal significa psicologicamente uma luxação social, desde o ponto de vista pedagógico, educar a essa criança é inseri-la na vida, como se insere um órgão luxado e enfermo. (VYGOTSKI, 1997, p. 78).

Segundo a teoria de Howard Gardner, ele discursa sobre as múltiplas inteligências, e que as pessoas têm maneiras de aprender diferentes e tempos diferentes para assimilar o conhecimento.

Gardner, lançou o livro Estruturas da Mente: A Teoria das Inteligências Múltiplas em 1983.

Perlin e Miranda colocam muito bem que ser surdo; “(...) olhar a identidade surda dentro dos componentes que constituem as identidades essenciais com as quais se agenciam as dinâmicas de poder. É uma experiência na convivência do ser na diferença (PERLIN E MIRANDA, 2003, p.217)”.

O nosso modelo de educação, ainda contribui com a formação de pessoas individualistas e competitivas, reforçando um modelo social, que é preciso ser combatido, o educador, os computadores e recursos, devem prover benefícios para que aconteça de fato a inclusão das pessoas com qualquer necessidade especial.

3. A HISTÓRIA NA EDUCAÇÃO DOS SURDOS

A Evolução histórica¹

Em um breve resumo da história da surdez, no período anterior a 1750, a vida das pessoas que possuíam surdez era prejudicada pela incapacidade de desenvolver a fala, e pela impossibilidade de comunicação. Surge então na França a língua de sinais, inicialmente uma abordagem gestualista o "método francês" de educação de surdos. O francês, Charles M. De L'Epée, foi o primeiro a estudar uma língua de sinais usada por surdos. No Brasil, o atendimento às pessoas com deficiência teve início na época do Império com a criação de duas instituições. O Imperial Instituto dos Meninos Cegos, em 1854, atual Instituto Benjamin Constant IBC, e o Instituto dos Surdos Mudos, em 1857, atual Instituto Nacional da Educação dos Surdos – INES, ambos no Rio de Janeiro.

A partir dos anos 60 inicia-se uma nova fase para o renascimento e a aceitação da língua de sinais, LIBRAS e a cultura surda após muitos anos de opressão com as pessoas surdas. Assim, a evolução dos principais acontecimentos relacionados à educação dos surdos, no Brasil, aconteceu da seguinte forma;

Quadro 1 - Evolução dos principais acontecimentos

Ano

Descrição

1977

Fundada a FENEIDA (Federação Nacional de Educação e Integração dos Deficientes Auditivos), cujos participantes, na época, eram apenas pessoas ouvintes.

1981

Início das pesquisas sobre a Língua de Sinais.

1987

Criada a Associação Brasileira dos Surdos, cuja finalidade é lutar pelos direitos dos surdos.

1987

A FENEIDA passa a se chamar FENEIS (Federação Nacional de Educação e Integração dos Surdos).

1987

O ensino de LIBRAS (Língua Brasileira de Sinais) passa a ser exigido pelos surdos.

1987

Os surdos passam a ser responsáveis pela sua Instituição e por suas decisões.

1991

Reconhecimento oficial da LIBRAS pelo Governo do Estado de Minas Gerais (Lei no 10.397, de 10/01/91).

1999

Instaladas tele-salas, com o Telecurso 2000 legendado.

2000

Disponibilizado o serviço de closed caption em alguns programas de televisão.

Fonte: (ROSA; CRUZ, 2001) modificado pela pesquisadora.

3.1 GRAUS DE PERDAS AUDITIVAS

O som é caracterizado através da freqüência, da amplitude e do timbre. Dessa forma, costuma-se medir a audição entre as freqüências de 250 a 8.000 Hertz (Hz) e os limites de amplitude de 0 a 110 decibéis (dB). Geralmente é nas freqüências de 500, 1.000 e 2.000 Hz que se realizam os testes de avaliação da audição. (FERNANDES, 1990, p. 26). Na literatura, encontra-se variados níveis para classificar os graus de perda auditiva. Para Davis & Silverman (1970), o grau de perda auditiva pode ser classificado em:

Quadro 2- Graus de Perdas Auditivas

Classificação

Decibéis

Limites Normais

0 a 25

Perda Leve

26 a 40

Perda Moderada

41 a 70

Perda Severa

71 a 90

Perda Profunda

Acima de 90

Fonte: (Davis & Silverman, 1978).

No quadro 3, estão relacionadas as características quanto ao grau de perda auditiva, segundo Couto (1985, p. 12).

Quadro 3- Graus de Perdas Auditivas e Características

Classificação

Perda

Características

Leve

20 a 40 dB

Apresentam dificuldades para perceberem todos os sons. Embora consigam adquirir linguagem naturalmente no início da aprendizagem, podem confundir alguns fonemas e trocar as letras que tem sons semelhantes.

Média a Moderada

20 a 70 dB

Apresentam dificuldades em compreenderem frases complexas, e que ainda, para compreenderem a fala, necessitam de uma voz forte. Apresentam, Também atraso de linguagem e alterações na articulação das palavras.

Severa

70 a 90dB

Somente voz muito forte é percebida, e a compreensão verbal depende do apoio visual e da compreensão da situação, porém, sob orientação.

Profunda

Superior a 90dB

Por não possuírem informações auditivas, não identificam a voz humana e não adquirem fala para se comunicarem.

Fonte: Couto (1985).

A deficiência auditiva refere-se à perda sensorial da audição, ou seja, a pessoa vai perdendo gradualmente a percepção dos sons até atingir o grau da surdez. Sacks (1998, p. 17) afirma que o termo; “ªsurdo é abrangente, por haver graus de surdez imensamente variados, graus que têm uma importância qualitativa e, mesmo, ªexistencial”.

Esses movimentos levam a concordar com Nóvoa (1995, p. 25);

A formação não se constrói por acumulação (de cursos, de conhecimentos ou de técnicas), mas sim através de um trabalho de reflexividade crítica sobre as práticas e de (re) construção permanente de uma identidade pessoal.

Quadro 4- Características dos Surdos

Classificação

Características

Dificuldade para ouvir

Conseguem ouvir parte do que se fala, com auxilio de aparelhos auditivos, e com um pouco de atenção e paciência rovindo de quem fala com eles.

Seriamente surdos

Geralmente são vítimas de doenças ou danos no ouvido na juventude; é possível ouvir a fala com aparelhos auditivos altamente sofisticados.

Profundamente surdos

Não são capazes de conversar de maneira usual; precisam ler os lábios, usar a língua de sinais ou ambas.

Fonte: (SACKS, 1998, p. 17).

O mecanismo da audição para transformar os sons em sinais elétricos que são identificados pelo cérebro a fim de auxiliar o deficiente auditivo, pode ser implantado um aparelho coclear no ouvido, colaborando assim para que o mesmo consiga atingir graus de audição.

A tecnologia foi surgindo na humanidade e modificando a vida das pessoas, se tornou tão importante que de acordo com Fusaro (2007, p. 02). “A tecnologia parece ser o centro da nossa sociedade atual”.

4. A TECNOLOGIA E A EDUCAÇÃO DOS SURDOS

Convém esclarecer o significado do termo tecnologia para melhor avaliar a importância dessa poderosa ferramenta como aliada na educação dos surdos. O termo: tecnologia tem sua origem etimológica na palavra grega "Téchné" que significa "saber fazer". Para o professor, que vai ensinar a fazer, a utilização de um computador deve, antes de mais nada, resultar de uma escolha baseada no conhecimento das possibilidades oferecidas pela máquina cuja utilização precisa de um projeto adequado e de um ambiente propício ao aprendizado, e com estruturas adequadas.

As possibilidades de usufruir das novas tecnologias não se aplicam tão somente a educação, mas ao universo de convivência com o ambiente externo, os equipamentos favorecem a adaptação do corpo para a comunicação com o mundo externo, e no ponto de vista dos surdos o uso do computador e da Internet construiu uma ponte com novas possibilidades de comunicação, sendo entregue como um presente. As inovações oferecem um mundo visualmente fantástico, para os surdos, são essas as principais ferramentas que trazem a perspectiva de profunda mudança nos usos e costumes. Alguns equipamentos já fazem parte do universo dos surdos e têm transformando essa realidade. Rosa e Cruz (2001), a partir de uma pesquisa, afirmam que as tecnologias de comunicação e informação, em especial o uso da Internet, constituem mais uma ferramenta que potencializa a ação do surdo em sua relação com o mundo. Os surdos podem, por exemplo, sozinhos, interagir com a informação que é buscada na Internet, diferente do que ocorria com a maioria das tecnologias tradicionais. Quanto à internet, o surdo pode encontrar textos que, por conter imagens, produzem efeitos visuais que facilitam a compreensão. Além disso, a Internet oferece a possibilidade da escrita em sinais e veicula informações em sites em língua de sinais gestual. A pesquisa comprovou que os surdos se comunicam através de sites de conversas e relacionamento como MSN,Whats app e ICQ, entre outros. (ROSA & CRUZ, 2001). Aliada as novas tecnologias, o educador deve incorporar conteúdos, estratégias e métodos para produzir conhecimento e facilitar o ensino e aprendizagem, estimulando esse aluno a pensar, pesquisar, analisar e refletir sobre as questões e as mudanças que ocorrem diariamente no mundo, tal qual ter a informação, é saber trabalhar com ela, ter as habilidades necessárias para a sociedade do conhecimento em que vivemos hoje.

Com a aquisição do conhecimento dessas abordagens, que visam privilegiar o aluno e oferecer a oportunidade de aumentar a compreensão de conceitos complexos, de estimular a imaginação e a criatividade, que visa o aprendizado, gera o desenvolvimento dos processos mentais superiores. O computador incorporado às novas tecnologias de comunicação, o tablet, as interações visuais, possibilitam a criação coletiva de um conhecimento compartilhado, estimulando a socialização através de trabalhos coletivos e grupais, possibilita a utilização dos softwares educativos e aplicativos direcionados a grupos de características diferenciadas, bem como, incentiva a cooperação exercitando o respeito ao grupo. Para os surdos, em especial, a utilização das novas tecnologias, tem surgido como uma alternativa de inserção na sociedade e na obtenção do conhecimento e da comunicação, onde apresenta recursos relevantes para o processo de aprendizagem e para a participação social;

As novas tecnologias surgem com a necessidade de especializações dos saberes, um novo modelo surge na educação, com ela pode-se desenvolver um conjunto de atividades com interesses didático-pedagógica. (LEOPOLDO, 2004, p.13).

A escola assumindo o conceito de educação inclusiva propõe no currículo e na metodologia, segundo o autor, Pellanda (2006, p.181) que defende na inclusão; “o fato mais importante é ter a coragem e o empenho para transformar o ideal em realidade, apesar dos desafios e barreiras que surgem no decorrer do caminho”.

4.1 AS INOVAÇÕES TECNOLOGICAS E OS RECURSOS

Para pessoas com necessidades especiais, as novas tecnologias tem oferecido um universo de facilidades e vem transformando a realidade das ações com novas perspectivas para a vida, quando acrescenta opções e possibilidades de acesso a essas ferramentas, aos recursos e aplicativos nos equipamentos, viabilizando a comunicação, é assim que ocorre a transmissão de uma mensagem para a família, para um grupo de amigos, e nos afazeres escolares, quando a realidade oportuniza a entrada na janela de bate-papo do Facebook, ou mais recentemente, no Whats app, que se tornou bastante acessível, ou até por meio de qualquer computador, é uma experiência animadora para os surdos, as inovações das novas tecnologias não foram apenas educativas sociais e laborais, mas, principalmente de inclusão das atividades diárias, que antes não era possível. A primeira tecnologia utilizada pelos surdos para se comunicar foi o telefone especial para surdos chamado TDD, poucos chegaram a utilizar eram caros. Felizmente, outra das características das novas tecnologias é a rapidez com que se aperfeiçoam e trazem alternativas acessíveis. E logo apareceu a bina, um recurso tecnológico que facilitou a vida dos surdos, barata e fácil de usar, mas nos dias atuais, o telefone celular com sua tecnologia alcançou a todos, inclusive aos surdos, que ficam maravilhados com as possibilidades na emissão das mensagens e torpedos, já é incrivelmente utilizado, pela maioria dos surdos urbanos e alfabetizados, das inovações tecnológicas que surgem no mercado, algumas são até bem interessantes, como o software Vlibras que possui uma série de ferramentas, uma delas serve para a tradução de conteúdos, sites, áudio e textos para a Língua Brasileira de Sinais - LIBRAS, podendo ser instalado em celulares, computadores e navegadores. Outra ferramenta é a WIKILIBRAS um sistema de correção e inclusão de novos sinais. Uma das mais promissoras inovações tecnológicas, que está sendo implantada a todo vapor é o Hand Talk, esse aplicativo transforma as imagens e textos em linguagens de sinais. A ideia foi desenvolvida por três brasileiros do estado de Alagoas, Carlos Wanderlan, Tadeu Luz e Ronaldo Tenório, que participaram do World Summit Award Mobile (WSA Mobile), em 2013, um concurso realizado pelas Nações Unidas que avaliou representantes de cem países, os brasileiros foram premiados  na categoria Inclusão.

Os idealizadores criaram um personagem chamado Hugo que funciona como uma interface que traduz textos em português para a Linguagem Brasileira de Sinais. O software converte a mensagens SMS e se o surdo fotografar imagens com legendas também vai poder  obter a tradução instantaneamente. Projeto esse batizado de, “Mãos que Falam” encontra-se em fase de experimentos e tem em sua equipe cinco deficientes auditivos para garantir a principal finalidade, o uso correto de cada sinal em Libras nas mais variadas combinações. O assistente pessoal Hugo, também pode ser utilizado através de um aplicativo que traduz para a Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS). Tem o Prodeaf Móvel que é um aplicativo criado por alunos do curso de Ciência da Computação da Universidade Federal de Pernambuco, e seu principal objetivo é a comunicação entre as pessoas com necessidades especiais, o aplicativo é totalmente gratuito, e pode ser utilizado nos aparelhos com android. A ideia surgiu em um grupo de amigos, que pela tinham intenção de criar um projeto juntos, porém a dificuldade foi sentida ao ser constatado que um integrante não conseguia entender, por problemas auditivos. Então, devido a querer melhorar a comunicação do grupo, eles resolveram investir em um aplicativo que facilitasse essa comunicação. Já o Prodeaf é um conjunto de softwares capaz de traduzir textos e voz para a Língua Brasileira de Sinais (Libras). A pessoa pronuncia uma frase ou digita uma e um avatar realiza a tradução para a língua de sinais, faz parte do Prodeaf móvel, o Prodeaf Dicionário de Libras, no qual o usuário pode escolher a palavra e visualizar a tradução em Libras. Os aplicativos são realmente, a mola que transforma e impulsiona a vida e o desenvolvimento dos surdos, e a forma como vão se relacionar com o mundo. O conversor de texto Rybená online funciona como um simples tradutor, quando a pessoa coloca o texto que deseja e este é convertido em LIBRAS, aparecendo uma animação e traduz o texto inserido na caixa de mensagem. Com a finalidade de construir um tradutor, informatizado, da língua portuguesa para LIBRAS, o Ministério da Educação, através da Secretaria de Educação Especial, criou o TLIBRAS. O tlibras digital 9, tem como objetivo ser utilizado em salas de aula, nas televisões digitais (para substituir as legendas), na Internet ou até na construção de livros visuais (apresentados via computador). O protótipo capta o som em português, falado por um professor através de um microfone, e o computador traduz o som em português para LIBRAS, mostrando os sinais correspondentes na tela do computador. A quantidade de pessoas que precisam desses aparelhos e auxílio da tecnologia é enorme e algumas não dispõem de boa condição financeira para comprar os equipamentos, e assim fica a margem, pois fica com o acesso às inovações tecnológicas restritas. Nesse ponto, destaco a falta que faz não poder ouvir a TV, o preferido nas residências, e que traz o entretenimento, a notícia, em família, e acaba sendo o motivo de profunda tristeza para familiares e para os surdos, que não podem participar juntos das informações e atingir a interação, devido à perda auditiva que os afasta desse veículo de comunicação. Porém as legendas na TV esta sendo incorporada, inclusive já regulamentada e com prazo marcado, o que tem sido motivo de grande alegria e enriquecido a vida de todos.

Quanto aos portadores de necessidades especiais, em especial as comunidades surdas do Brasil, muitos projetos de informática foram desenvolvidos, voltados para este público, porém, ainda há muito o que se fazer, pois os surdos ainda são vistos como “deficientes” e “incapazes” de utilizar as tecnologias da informação como “feedback” para nosso meio social. De acordo com Valente (1991, p. 63);

Além do uso pedagógico do computador na educação especial, o computador tem sido usado como recurso para administrar os diferentes objetivos e necessidades educacionais de alunos portadores de deficiência, como meio de avaliar a capacidade intelectual destes alunos, e como meio de comunicação, tornando possível, indivíduos portadores de diferentes tipos de deficiência como física ou auditiva, usarem o computador para se comunicar com o mundo. (VALENTE, 1991, p. 63).

4.2 A LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS - LIBRAS

A Língua Brasileira de Sinais foi desenvolvida com a finalidade de proporcionar a comunicação entre os membros de comunidades surdas brasileiras, reconhecida através da Lei nº 10.436 em 24 de abril de 2002. A LIBRAS, possui estrutura gramatical própria e os sinais são formados por meio da combinação de formas e de movimentos das mãos, dos olhos, do rosto, da boca e de pontos de referência no corpo ou no espaço, formando um conjunto de códigos, Conforme o texto de Felipe (2006):

Libras é uma língua de modalidade gestual-visual que utiliza, como canal ou meio de comunicação, movimentos gestuais e expressões faciais que são percebidos pela visão; portanto, diferencia da Língua Portuguesa, uma língua de modalidade oral-auditiva, que utiliza como canal ou meio de comunicação, sons articulados que são percebidos pelos ouvidos. (FELIPE, 2006, p. 21).

A história demonstra que em 2005 foi publicado o Decreto Federal nº 5.626 (BRASIL, 2005), no qual foram indicados novos profissionais a serem integrados nas escolas responsáveis pelo atendimento de alunos surdos. Tais profissionais foram definidos como necessários para uma educação bilíngue; são eles: professor bilíngue, professor e ou instrutor de Libras e intérprete de Libras. A língua, muito mais que ferramenta para a comunicação, é ferramenta que estrutura o pensamento, individual ou social. De acordo com Soares (2005);

A Língua Brasileira de Sinais – LIBRAS é um sistema linguístico legitimo e natural, utilizado pela comunidade surda brasileira, de modalidade gestual visual e com estrutura gramatical independente da Língua Portuguesa falada no Brasil. A Libras, língua brasileira de sinais, possibilita o desenvolvimento linguístico, social e intelectual daquele que a utiliza enquanto instrumento comunicativo, favorecendo seu acesso ao conhecimento cultural cientifíco, bem como a integração no grupo social ao qual pertence. (DAMASIO. 2005, p.61).

No Brasil, a língua de sinais é oficial como língua de uso dos surdos. É garantida pela lei 10.436, de 24 de abril de 2002. E os estados brasileiros a mantém em seus quadros. Sobre a oficialização da língua de sinais a nível nacional, ela já era garantida pelo Congresso Nacional em 1996 através do decreto: Art. 1º - A Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, passa a vigorar acrescida do seguinte art. 26-B: "Art. 26-B - Será garantida às pessoas surdas, em todas as etapas e modalidades da educação básica, nas redes públicas e privadas de ensino, a oferta da Língua Brasileira de Sinais - LIBRAS, na condição de língua nativa das pessoas surdas". Art. 2º - Esta Lei entra vigor na data de sua publicação.

Existem três tendências educacionais: a oralista, a comunicação total e a abordagem por meio do bilingüismo. O oralismo é um treinamento oral, o bilingüismo, é um método que privilegia a língua de sinais - LIBRAS, já a comunicação total utiliza todas as formas de comunicação, e é a mais utilizada.

4.3 AÇÕES DO PROFESSOR

O planejamento das aulas é de suma importância bem como a utilização dos recursos visuais e tecnológicos que visa auxiliar acrescentando a qualidade no ensino dentro e fora das salas de aula, também se faz necessário que o professor esteja apto para exercer o controle de uma sala diversificada, e instigar seus alunos e realizar a aula com entusiasmo, transmitir confiança e estimular todos os alunos a explorar os temas propostos. Deve ser o condutor do conhecimento e estar capacitado, utilizando as suas habilidades em prol dos alunos. A fim de promover estímulos principalmente ao aluno surdo, que se sente deslocado pelas circunstâncias. A educação escolar promove a inclusão e a socialização do aluno através da afetividade, explorando os ritmos da aprendizagem de cada um, o professor acaba por integra-lo aos disponíveis recursos que facilita essa inclusão na unidade escolar, para que ele participe e sinta-se parte desse aprendizado.

Outra opção é contar com a ajuda de professores surdos, que auxiliem o professor regente e trabalhem com a língua de sinais nas escolas. Cito novamente Skliar;

Nesse sentido, a escola democrática é aquela que se prepara para atender cada um de seus alunos. Se ela não tem condições de fazer esse atendimento, o professor precisa entrar em contato com os órgãos competentes e discutir o tema. Como responsável por vários cursos de libras e de interpretes, entendo que a formação de professores para atender a alunos surdos depende da convivência com a comunidade surda, a aprendizagem da língua de sinais e o estudo de uma pedagogia ampla. (1998, p.37)

A educação dos alunos com surdez no ensino fundamental regular contribui para o seu desenvolvimento quando efetiva a sua inclusão na sociedade, é importante que a tecnologia faça parte da construção da autoestima do aluno com necessidades especiais, inclusive quando se torna necessária para seu desenvolvimento intelectual e cultural e social. Os professores são os responsáveis pela condução e integração do aluno. Comprovadamente, cresceu a utilização das tecnologias como aliada na educação e no desenvolvimento dos surdos. A educação inclusiva visa o processo de inclusão de todos os portadores de necessidades especiais, bem como os distúrbios de aprendizagem, na rede de ensino regular, conforme a declaração de Salamanca (UNESCO, 1994;18), “as crianças e jovens com necessidades educativas especiais devem ter acesso às escolas regulares, que a elas devem se adequar..”.

5. APRESENTAÇÃO E DISCUSÃO DOS RESULTADOS

Apresentando o tema A Importância das Tecnologias na Educação dos Surdos, imergir nesse mudo silencioso de códigos e sinais, é dar voz as barreiras e aos obstáculos enfrentados diariamente, as sensações até então desconhecidas e inusitadas que fazem parte do cotidiano dos portadores de necessidades especiais, aproximar-se desse universo é sentir suas reais necessidades. O professor nesse contexto passa a ser peça fundamental da condução desse processo de ensino e aprendizagem, ao planejar o currículo, as estratégias de ensino, as práticas educativas e a didática escolhida, para abranger um público diversificado. Utilizar de recursos que favoreçam o universo dos alunos, incluí-lo nas possibilidades de crescimento e da aquisição dos saberes, considerar também o envolvimento da equipe escolar, que necessita ter elementos capazes de transformar o ambiente, que esteja capacitada, com cursos de especialização a fim de promover a integração dos alunos portadores de necessidades especiais. É através dessa inclusão que acontece a transformação das atitudes, pois os capacita, estimula a pensar e a se tornar critico, assim a escola será o lugar onde o aprendizado pode ser agradável e ao alcance de todos.

Durante a semana da pesquisa, realizada no colégio, com autorização da direção, a intenção de observar as atividades da turma na sala de aula e no laboratório de informática, com o propósito de identificar as necessidades e os principais obstáculos dos alunos surdos matriculados no ensino fundamental regular, aqui objetos dessa pesquisa, estabelecer o nível de interação do aluno com o educador e o uso das novas tecnologias disponíveis. Foi formulado um questionário, para os professores da classe do 5º ano do ensino fundamental regular, foram objetos da pesquisa trinta e dois alunos, quatro alunos surdos profundos com idades entre 10 e 13 anos, a média de idade da classe gira em torno de 13 anos. O obstáculo principal tem sido a comunicação entre os alunos surdos, e os demais, como também com a equipe escolar, pois não conhecem a linguagem de sinais, assim como foi notada a dificuldade na área de informática de alguns professores, caracterizando a necessidade de especialização por parte dos profissionais de educação. Há de se buscar a formação continuada, para o aprimoraramento, e para a qualidade do ensino, tratando a formação como um dos princípios para a educação, a diversidade com os alunos exige do educador preparo, sensibilidade e conhecimento. Esse público específico esta ávido de informações e aberto para novas descobertas.

Dois professores da classe tem formação acadêmica em pedagogia, um deles cursa o INES, 2º período, e o outro cursa pós-graduação em Educação e Reeducação Psicomotora, programa de pós-graduação "Lato sensu". O terceiro e o quarto professor são auxiliares, e ambos cursam faculdade de pedagogia, no 3º e 5º período respectivamente.

Os alunos surdos conversam entre si na língua de sinais, como se estivessem em um mundo paralelo, tem dificuldades em interagir com a turma, para realizar a comunicação alguns escrevem em papéis, quando vão ao laboratório a integração é abrangente, pois utilizam os recursos oferecidos no computador. Os professores intérpretes apoiam e estimulam todos os alunos, com momentos de descontração e brincadeiras, os jogos, vídeos com animações auxiliam para todos participem e desenvolvam suas reflexões sobre o conteúdo. A educação dos alunos com surdez no ensino fundamental regular contribui para o seu desenvolvimento quando efetiva a sua inclusão na sociedade, a tecnologia faz parte desse processo de construção da autoestima do aluno com necessidades especiais. Sendo inclusive necessária para ao desenvolvimento intelectual, cultural e social. Os professores são responsáveis pela condução e integração do aluno. A grande aceitação por parte das pessoas com necessidades especiais da internet, mostra como é agente transformadora na acessibilidade intelectual e facilita a prática mesmo a distancia do ensino.

A contribuição deste trabalho pode ser identificada a partir do momento em que me oportunizou a discussão e a reflexão sobre as questões, antes não imaginadas, sobre a perspectiva, da inclusão de pessoas com deficiência nos processos educacionais e sociais, e em vários ambientes.

6. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Apesar das leis existentes e do reconhecimento pelo governo das necessidades dos portadores de deficiência auditiva, a LIBRAS, ainda não é amplamente conhecida e a inclusão acontece apenas em alguns espaços reservados. Sendo considerado um obstáculo diário para os portadores de necessidades especiais. A tecnologia demonstra com minimiza essas deficiências, e contribui para a comunicação, inclusão e socialização bem como do aprendizado auxiliando na busca da valorização do cidadão. Considerando que as novas tecnologias trazem benefícios para todos, com seus recursos e ferramentas, há de se somar esforços para suprir esse vazio silencioso. Mas, evidentemente não basta só utilizar as novas tecnologias e não garantir o avanço da qualidade de ensino, os equipamentos precisam estar em boas condições e disponíveis, o aluno surdo deve ser motivado, estimulado a realizar, criar, a pensar em novas oportunidades, analisar e refletir sobre as perspectivas para sua vida, o professor será o mediador desse processo não apenas o transmissor do conhecimento, mas sim o colaborador, o incentivador do conhecimento, trabalhando a afetividade, considerada importante para o aluno adquirir confiança e segurança sua aprendizagem. Como grande desafio encontra-se a carência de profissionais com plena formação e habilidades, com especialização em LIBRAS, não só os professores, precisam conhecer e praticar a LIBRAS, bem como a equipe do colégio. Fato esse que informado pela direção, encontra-se em planejamento. A capacitação desses profissionais é essencial para a comunicação e consequentemente nos relacionamentos interpessoais na escola. Além disso, é importante analisar as dificuldades apresentadas pelos profissionais de educação, no laboratório, alguns na área de informática e outros na comunicação em LIBRAS. A consciência dos profissionais deve ser alinhada na capacitação com formação continuada, aprimorar-se para contribuir na qualidade no ensino, tratando os princípios da atenção à diversidade com afetividade e a sensibilidade necessária. Nas atividades extras de robótica, que a escola vem praticando a titulo ainda de experiência, os alunos, não demonstram diferenças e estão integrados e animados com a novidade.

7. REFERÊNCIAS

BEHARES, Luis Ernesto. Novas correntes na educação do surdo: dos enfoques clínicos aos culturais. Santa Maria: UFSM, 2000

CENSO ESCOLAR SNJ (2009,p.14 – disponível em : http://download.inep.gov.br/download/censo/2009/TEXTO_DIVULGACAO_EDUCACENSO_20093.pdf)

DAVIS H, Silverman RS. Hearing and Deafness, 4a. ed. New York: Holt, Rinehart & Winston;

DECLARAÇÃO DE SALAMANCA "Regras Padrões sobre Equalização de Oportunidades para Pessoas com Deficiências" Conferência Mundial de Educação Especial, 07 A 1, 1994.

FELIPE, T. A. LIBRAS em Contexto: Curso Básico: Livro do Estudante. 7ª edição- Rio de Janeiro: LIBRAS Editora Gráfica, 2006. 1978

FERNANDES, Eulália. Problemas Linguísticos e Cognitivos do Surdo. Rio de Janeiro: Agir, 1990.

GARDNER, Howard, o livro Estruturas da Mente: A Teoria das Inteligências Múltiplas, 1983

GIL, Antônio Carlos. Métodos e técnicas de pesquisa social. 5. ed. São Paulo: Atlas, 1999.

GÓES, M.C.R. Linguagem, surdez e educação. 2. ed. Campinas: Autores Associados, 1999.

Home Page www.editora-arara-azul.com.br

LACHANGE, N. L'intégration par la normalization: Etude dim cas.Nouvelles Pratiques Sociales (Dossier - La Surdite). 1993, 6Ç1):83-95.

LOPES, M. C. Surdez e Educação. Belo Horizonte: Autêntica, 1999..

McCOMAS, W.F.; ALMAZROA, H.; CLOUGH, M.P. The Nature of Science in Science Education: An Introduction. Science & Education, v. 7, n. 6, p. 511-532, 1998

PERLIN, Gládis. Identidades surdas. In: SKLIAR, Carlos (Org.). A Surdez: um olhar sobre as diferenças. 2ª. ed. Porto Alegre: Mediação, 2001, p. 51-73; Editora Mediação, 1998.

Política Nacional de Educação Especial “Na perspectiva da Educação Inclusiva” (BRASIL, 2008a), (integração instrucional,1994).

PRESNEAU, J. R.; FERRAND, C. The Scholars, the Deaf, and the Language of Singns in France in the 18th Century. In: FISCHER, R.; LANE, H. Looking Back: a read on the History of Deaf Communities and their Sign languages. International Studies on Sign Language and Comunication of the Deaf. V. 20. Hamburg: SIGNUM-Verlang. 1993, p. 413-427

REINHARDT, Andy. Novas Formas de Aprender. Revista Byte Brasil, São Paulo, v. 4, n. 3, p. 25-32, mar. 1995

ROSA, Andréa da Silva & CRUZ, Cristiano Cordeiro. Internet: Fator de Inclusão da Pessoa Surda. Revista Online da Biblioteca Joel Martins. Campinas, v2, n3, p. 38-54, jun. 2001. Disponível em: Acesso em 16 de maio de 2009.

SACKS, Oliver.Vendo vozes:Uma jornada pelo mundo dos surdos.Rio de Janeiro,1989.

SKLIAR, C. A surdez: um olhar sobre as diferenças. Porto Alegre: Mediação, 1998.

VALENTE, J. A. Liberando a mente: computadores na educação especial. Campinas – SP, Graf. Central da UNICAMP, 1991.

VIGOTSKY, L. S. Obras Escogidas, Tomo V, Fund. da defectologia. Madrid: Visor, 1997.

8. ANEXO

1 A evolução histórica no Mundo foi baseada na obra de Oliver Sacks, Vendo Vozes, 1998.


Publicado por: Nazarerth Ana Lirio de Oliveira

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