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A IMPORTÂNCIA DA LEITURA NA EDUCAÇÃO INFANTIL

Pedagogia

Leitura para crianças na Educação Infantil e entrevista com professoras atuantes na área de Educação Infantil.

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1. RESUMO

A prática da leitura se faz necessária a qualquer cidadão por ampliar a visão de mundo ao inserir um leitor competente em nossa sociedade, possibilitando também a vivência de emoções, exercendo o mundo da fantasia e o da imaginação. Cabe ao professor o papel de mediador, sendo o responsável em inserir a criança neste universo simbólico desde o início da escolarização, em que a leitura em voz alta mostra que as marcas gráficas no papel também favorecem a comunicação. Sendo assim o presente trabalho tem por objetivo pesquisar sobre a importância da leitura desde a Educação Infantil, buscando mostrar a função do professor enquanto mediador, criando condições para que a criança seja estimulada em sua imaginação, em seu desenvolvimento, ampliando seu repertório de palavras e em sua formação enquanto pessoa. A pesquisa do tema surge a partir do interesse em conhecer a necessidade de levar a criança a descobrir quão importante e interessante possa ser o contato com a leitura, não sendo apenas uma decodificação de códigos, refletindo sobre sua relevância para a vivência na sociedade. O procedimento metodológico a ser utilizado para o desenvolvimento do trabalho contará com os seguintes autores: Martins (1988), Freire (1982), Brandão e Rosa (2011), Silva (1995), Reyes (2010), Koch e Elias (2012) e fontes como os Parâmetros Curriculares Nacionais (1997), entre outros a serem pesquisados, amparando-se também em entrevista semi-estuturada com professores atuantes na área da Educação Infantil.

Palavras-Chave: Educação Infantil, Leitura, Professor

2. INTRODUÇÃO

O contato com a leitura nos proporciona a ampliação da percepção do mundo que está a nossa volta. Como cita Freire (1989) a leitura da palavra é precedida da leitura do mundo. Ler é atribuir sentido ao texto, é relacioná-lo com o contexto e com as experiências vivenciadas pelo leitor.

Ao incentivar e proporcionar momentos de leitura a um indivíduo, maiores serão suas chances de estar integrado com o meio em que vive. A prática da leitura se faz necessária por ampliar a visão de mundo ao inserir um leitor mais preparado em nossa sociedade, possibilitando também a vivência de emoções, exercendo o mundo da fantasia e o da imaginação. Leitura essa que pode ser realizada de diferentes maneiras, a mais utilizada é através da escrita, sendo encontrada em livros, revistas, jornais, entre tantos outros exemplares que possam estar a disposição.

Cabe ao professor juntamente com os familiares o papel de mediador, realizando uma parceria consciente, reconhecendo a necessidade da leitura desde cedo, sendo assim, a escola torna-se uma parceira fundamental na inserção da criança neste universo simbólico, em que a leitura em voz alta mostra que as marcas gráficas no papel também comunicam algo para o interlocutor.

O presente trabalho tem por objetivo identificar a importância da leitura na Educação Infantil. Buscando destacar a função do professor enquanto mediador, que cria ou favorece condições para que o educando seja estimulado em seu desenvolvimento para a formação do mesmo enquanto pessoa, ouvinte e na iniciação do seu processo como futuro leitor.

A pesquisa do tema surge a partir da necessidade de aprofundar os estudos sobre a criança descobrir quão importante e interessante possa ser o contato com a leitura, não sendo apenas uma decodificação de códigos e sua relevância para a vivência na sociedade.

O procedimento a ser adotado no desenvolvimento deste trabalho é de cunho bibliográfico, contando com referências de autores como: Martins (1988), Freire (1982), Brandão e Rosa (2011), Silva (1995), Reyes (2010), Koch e Elias (2012) e fontes como os Parâmetros Curriculares, amparando-se também em entrevistas com professores atuantes na área de Educação Infantil.

O presente trabalho divide-se em dois capítulos, o primeiro consiste em um relato sobre o conceito de leitura e da leitura para crianças na Educação Infantil; o segundo contará com entrevista realizada com professoras atuantes da área de Educação Infantil e abordará o papel do professor na inserção da leitura para crianças na Educação Infantil.

3. CAPÍTULO I – LEITURA NA EDUCAÇÃO INFANTIL

O estudo realizado para o primeiro capítulo tem por objetivo relatar sobre o conceito de leitura baseando-se em autores como Martins (1988), Freire (1981), Colomer e Camps (2002), entre outros. Contará também com um estudo sobre a leitura na Educação Infantil, como ela vem sendo desenvolvida e quais são suas consequências de acordo com autores como Brandão e Rosa (2011), Teberosky e Colomer (2003) e outros.

3.1 CONCEITO DE LEITURA

O que seria o conceito de leitura? Como ponto de partida para essa reflexão, consultamos o dicionário Aurélio ( AURÉLIO,2004):

Ato, arte ou hábito de ler. Aquilo que se lê. Operação de percorrer, em um meio físico, sequências de marcas codificadas que representam informações registradas, e reconvertê-las à forma anterior (como imagens, sons, dados para processamento). (FERREIRA 2004, p. 511)

Segundo Freire (1981) ninguém começa a ler a palavra, pois a primeira coisa que temos a nossa disposição para ler é o mundo, ao trazer conosco nossa experiência de vida. Ainda ressalta a importância de realizarmos uma leitura crítica e afirma que o gosto pela leitura se desenvolve a partir do momento em que os conteúdos estejam de acordo com nossos interesses e necessidades. Sendo assim o autor nos leva a pensar que:

[...] de alguma maneira, porém, podemos ir mais longe e dizer que a leitura da palavra não é apenas precedida pela leitura do mundo mas por uma certa forma de “ escrevê-lo” ou de “reescrevê-lo”, quer dizer, de transformá-lo através de nossa prática consciente. (PAULO FREIRE, 1981, p.13)

De acordo com Martins (1988), ao mencionarmos leitura pensamos em alguém lendo um jornal, uma revista, contudo o mais comum é pensarmos em alguém fazendo a leitura de um livro. O ato de ler é comumente relacionado com a escrita e com o leitor realizando a decodificação das letras. Porém ao pensarmos nesse assunto surge uma questão diante da hipótese de a leitura não ser apenas uma decodificação, pois nos deparamos com situações cotidianas como “ler o olhar de alguém”, “ler o tempo”, entre outras, o que nos leva a pensar no ato de ler como algo além da escrita.

Nessa perspectiva um sentido amplo da prática de leitura, é que justifica Freire em sua concepção de leitura (1982, apud MARTINS, 1988, p. 10) “a leitura do mundo precede sempre a leitura da palavra e a leitura desta implica a continuidade da leitura daquele”.

Para Martins (1988, p.12) "ninguém ensina ninguém a ler; o aprendizado é, em última instância, solitário, embora se desencadeie e se desenvolva na convivência com os outros e com o mundo". Para compreendermos e aprendermos sobre o processo da leitura não estamos desamparados, pois ainda que se tenha condições de realizar algo sozinho, necessitamos de orientação. Sendo assim, os pesquisadores da linguagem afirmam que aprendemos a ler lendo, já para a autora aprendemos a ler vivendo. (MARTINS,1988)

Como exemplo a autora cita a história de Tarzan, o menino macaco que ao remexer nos escombros da cabana de seu falecido pai depara-se com alguns livros, onde tem pela primeira vez contato com palavras impressas. Intrigado com as figuras desenhadas abaixo das imagens faz relação das mesmas com insetos, mais ao fazer relação dos insetos com as imagens que os acompanhavam percebeu que não eram muito numerosos e que repetiam-se várias vezes. Assim quase que em uma tarefa impossível o menino aprende a ler sem ter a menor noção das letras e nem de linguagem escrita, sem mesmo saber que esses termos existem. “Certamente aprendemos a ler a partir do nosso contexto pessoal. E temos que valorizá-lo para poder ir além dele”.( MARTINS,1988, p. 15)

Segundo Martins (1988), se o conceito de leitura na maioria das vezes está restrito à decifração da escrita, sua aprendizagem no entanto esta ligada a formação do sujeito enquanto indivíduo de atuação social, política, econômica e cultural. Para tanto ler significa interar-se do mundo, sendo também uma forma de adquirir autonomia, de deixar de ler pelos olhos dos outros, aprender a ler o mundo, dando sentido a ele e a nós próprios.

Para Lois (2003) o conceito de leitura tinha como objetivo a organização da subjetividade do leitor em formação, pensando desta maneira a leitura era restrita, sendo um sinônimo de alfabetização, melhor falando de decodificação. Fazendo com que a linguagem não fosse um meio de interação social, tornando a leitura em uma mera repetição técnica.

De acordo com Colomer e Camps (2002) o ato de ler consiste em um processo de aquisição de informações de um texto escrito com a finalidade de interpretá-lo. Para as autoras (apud SMITH 1983), o processo de leitura utiliza-se de duas fontes de informação: a visual, que incide nas informações presentes no texto e a não-visual que caracteriza-se no conjunto de conhecimentos do leitor. Deste modo, a partir das informações adquiras do texto e seus próprios conhecimentos, o leitor construirá o significado do mesmo.

Martins (1988) acredita que o ato de ler configura-se em três níveis básicos de leitura sendo o primeiro nível a leitura sensorial em que visão, tato, audição, olfato e gosto podem ser tidos como referências do ato de ler. Vai portanto oferecendo o conhecimento ao leitor sobre o que ele gosta ou não, inconscientemente sem sentido racional ou justificável, apenas por impressionar um dos cinco sentidos.

O segundo nível chamado de leitura emocional, onde o leitor passa a ter uma certa empatia e tende a sentir o que sentiria caso estivesse na situação e circunstância ali representada. E por último o terceiro nível chamado de leitura racional cujo leitor realiza a leitura do texto isolado do contexto e sem envolvimento pessoal, orientando-se por normas preestabelecidas. ( MARTINS, 1988)

Conforme citado nos Parâmetros Curriculares Nacionais -PCN- (1997,volume 2 ) a leitura faz parte de um processo em que o leitor busca identificar o significado do texto através de seus objetivos, de seu conhecimento prévio sobre o assunto, sobre o autor ali citado e as demais informações que possam vir a fazer parte de seu entendimento sobre a língua, como característica do gênero portador, sendo ele um livro, uma revista, jornais, regras do sistema de escrita, entre outros. Não tratando-se apenas do fato de decodificar letra por letra, palavra por palavra. Mais sim de um exercício que se faz necessário para a compreensão dos sentidos, que começam a ser constituídos antes da leitura propriamente dita. A partir desses procedimentos permite-se controlar o que vai sendo lido, tomar decisões perante dificuldades de compreensão, arriscar-se diante do desconhecido, buscar no texto constatação de suposições feitas, entre outras.

Para Colomer e Camps (2002 apud HALL 1989) ao pensarmos na concepção de leitura temos de levar em consideração quatro fundamentos:

  1. A leitura eficiente é uma tarefa complexa que depende de processos perceptivos, cognitivos e linguísticos.

  2. A leitura é um processo interativo que não avança em uma sequência estrita desde as unidades perceptivas básicas até a interpretação global de um texto. Ao contrário, o leitor experiente deduz informação, de maneira simultânea, de vários níveis distintos, integrando ao mesmo tempo informação grafofônica, morfêmica, semântica, sintática, pragmática, esquemática e interpretativa

  3. O sistema humano do processamento da informação é uma forma poderosa, embora limitada, que determina nossa capacidade de processamento textual. Sua limitação sugere que os processos de baixo nível funcionam automaticamente e que, portanto, o leitor pode atentar aos processos de compreensão de alto nível.

  4. A leitura é estratégica. O leitor eficiente atua deliberadamente e supervisiona de forma constante sua própria compreensão.Esta alerta as interrupções de compreensão, é seletivo ao dirigir sua atenção aos diferentes aspectos do texto e progressivamente torna mais precisa sua interpretação textual. (COLOMER E CAMPS,2002, p.22 apud HALL 1989)

Mas então, qual seria a importância da leitura em nossa vida? Perguntas como essa, sobre a importância da leitura e a necessidade do hábito da mesma entre o público infantil e juvenil, são questões respondidas de maneiras diferentes, porém, seu conceito segundo Koch e Elias (2012) define-se com a concepção de leitura derivada da concepção de sujeito, de língua, de texto e de sentido.

De acordo com as autoras citadas acima, ao pensarmos no autor como o foco, temos o conceito de língua como representação do pensamento e o texto visto como um produto, fazendo com que a leitura seja interpretada como atividade de captação de ideias do autor, sem levar em consideração os conhecimentos do leitor. Já se o foco for o texto, temos conceito de língua como estrutura/ código e o texto visto como produto de codificação a ser decodificado, desta vez, a leitura passa a ser uma atividade que exige do leitor foco no texto, cabendo realizar o reconhecimento das palavras e de estruturas do texto. Entretanto, se o foco for na interação autor-texto-leitor, o conceito de língua será dialógico e o texto passa a ser construído na interação texto-sujeito fazendo com que a leitura transforme-se em uma atividade interativa de produção de sentidos, levando em conta os conhecimentos prévios do leitor.

3.2 LEITURA PARA CRIANÇAS NA EDUCAÇÃO INFANTIL

Segundo Brandão e Rosa (2011), no Brasil até os anos 1960 acreditava-se no discurso da “maturação para a alfabetização”, ou seja, a aprendizagem da leitura e da escrita só se daria a partir de um “amadurecimento”de algumas habilidades da criança, condicionando o ensino a um “desabrochar natural”, que supostamente aconteceria em torno de seus seis ou sete anos. Firmava-se ainda que a criança não demonstraria qualquer interesse em ler e escrever até essa idade e tentativas de alfabetizá-las antes disso eram consideradas prejudiciais ao seu desenvolvimento. Acreditava-se que a criança deve "[...] ter um nível suficiente, sob determinados aspectos, para iniciar o processo da função simbólica que é a leitura e sua transposição gráfica, que é a escrita”. (BRANDÃO E ROSA 2011, p. 14 apud POPPOVIC E MORAES 1996, p.5).

Levando em conta a crença apresentada, pode-se relatar que a Educação Infantil deveria se restringir do contato direto com a leitura e a escrita, tendo como foco o desenvolvimento das habilidades de coordenação viso-motora, memória visual e auditiva, orientação espacial, entre outras. Porém nos anos 1920 e 1930, pesquisadores questionavam essa questão. Brandão E Rosa (2011, p. 15)

Para Maricato (2005) a inserção de histórias orais e escritas na vida da criança deve ocorrer o quanto antes, pois assim, serão maiores as chances da mesma adquirir o gosto pela leitura. De acordo com Perrotti (apud MARICATO 2005, p.18) “As crianças colocadas em condições favoráveis de leitura, adoram ler. Leitura é um desafio para os menores, vencer o código escrito é uma tarefa gigantesca”.

A autora afirma que antes mesmo de sua alfabetização, a criança realiza a leitura do seu jeito, folheando as páginas e observando as figuras, fazendo menção aos gestos antes observados da leitura de professores, pais ou outras crianças. Sendo assim, o processo de aprendizado inicia-se com a percepção da existência de sinais gráfico e de que coisas servem para serem lidas.

De acordo com Lois (2003) desde pequenas as crianças se mostram curiosas a explorarem o mundo na tentativa de compreender o que está a sua volta. Sendo assim, o adulto desempenha um papel fundamental, pois através de sua mediação a criança será capaz de se aproximar do desconhecido, podendo desenvolver hipóteses para a concepção de algo ainda inominado.

Segundo Reyes (2010), ao oferecermos leitura para crianças da Educação Infantil, podemos contribuir com a construção de um mundo mais equitativo, ou seja, um mundo mais justo no qual todos terão a mesma oportunidade de acesso ao conhecimento e a expressividade desde o começo da vida. Neste contexto propondo condições a todos de serem, o sujeito da linguagem, podendo se transformar ou transformar o mundo, possibilitando que utilizem do pensamento, da criatividade e da imaginação. Para a autora “No âmbito específico da linguagem já se demonstrou que a criança depende quase completamente da influência de seu meio e que os modelos apresentados pelos adultos próximos são decisivos[...]. (REYES, 2010, p. 20)

Conforme citado no Referencial Curricular Nacional para Educação Infantil -RCNEI- (v.3, 1998), realizar práticas de leitura para crianças traz consigo um grande valor, pois a criança que ainda não sabe ler tradicionalmente pode fazê-la através da escuta da leitura do professor, por mais que não decifre todas e cada uma das palavras. Sendo assim ao ouvir um texto é possível considerar essa ação como uma forma de leitura.

Para as autoras Brandão e Rosa (2011) a atividade de leitura de textos realizada pela professora (o), promove a ampliação do repertório textual dos alunos proporcionando também a ampliação de suas experiências em relação ao letramento. Portanto ao estimular a participação do aluno em diferentes práticas de uso social da escrita, assim como suas interações com “diferentes portadores de leitura e de escrita, com as diferentes funções que a leitura e a escrita desempenham na nossa vida”,proporcionam experiências que auxiliam na familiarização dos alunos com diversos gêneros textuais. (BRANDÃO e ROSA, 2011, p.22 apud SOARES, 2000, p.44).

Filho (2009) acredita que atividades como a roda de leitura e a contação de histórias proporcionam discussões que fortalecem o vínculo entre o leitor e a criança.

Brandão e Rosa (2011) citam como exemplo atividades de contação de histórias, conversa sobre o texto antes e depois de realizadas suas leituras, pois experiências como essas além de motivarem os alunos à leitura, criam expectativas, inserindo-os na prática social da escrita, o que estimula o desenvolvimento de estratégias cognitivas para a leitura. Sendo assim:

[...] utilizando diferentes estratégias, tais como antecipação de sentidos, formulação e checagem de hipóteses sobre o que estaria escrito no texto, construção de inferências, entre outras, os leitores criam sentidos em interação com os textos. (BRANDÃO e ROSA, 2011, p.22 apud SOLÉ, 1998)

Ou seja, ao vivenciar práticas de leitura em grupo, mediadas pelas professoras (os), os alunos expandem suas vivências de letramento e seus repertórios textuais, desenvolvem estratégias variadas de compreensão textual, introduzindo-se no mundo da escrita e promovendo-se como leitor, por mais que ainda não saibam ler automaticamente, (BRANDÃO E ROSA, 2011, p. 22).

O Referencial Curricular Nacional para Educação Infantil (v.3, 1998), traz sobre a leitura a seguinte colocação:

A leitura de histórias é um momento em que a criança pode conhecer a forma de viver, pensar, agir e o universo de valores, costumes e comportamentos de outras culturas situadas em outros tempos e lugares que não o seu. A partir daí ela pode estabelecer relações com a sua forma de pensar e o modo de ser do grupo social ao qual pertence. ( RCNEI, p.143, v.3, 1998)

As autoras Brandão e Rosa (2011) acreditam que em um plano mais especificamente linguístico, ao ler histórias para crianças proporcionamos a ampliação de seu repertório de palavras, focando sua atenção não somente no conteúdo da mensagem, mais também na maneira de narrar. Fazendo com que a criança se familiarize com os gêneros literários, por exemplo, com a leitura de poemas, fábulas, contos de fadas, entre outros.

Teberosky e Colomer (2003) seguem o mesmo raciocínio referente a crença de que a leitura possa favorecer a aprendizagem de vocabulário das crianças, o que amplia a capacidade das mesmas para o uso da linguagem expressiva, a compreensão da função da escrita e o conhecimento de gêneros textuais.

Conforme expresso no RCNEI (v.3, 1998), torna-se de grande importância o acesso à leitura por meio do professor, pois ao disponibilizar diferentes tipos de materiais escritos, permite às crianças a terem contato com práticas culturais mediadas pela escrita. Sendo assim, ao proporcionar essas práticas de leitura, colocamos a criança no papel de “leitora”, podendo realizar relações com os textos, seus gêneros e seus meios de serem apresentados como: livros, revistas, jornais, entre outros.

Sendo assim a leitura não é simplesmente decifrar palavras, torna-se um processo em que o leitor passa a realizar um trabalho de construção do significado do texto, amparando-se em estratégias diferentes, levando em conta seu conhecimento prévio sobre o assunto, sobre o autor e todo seu conhecimento sobre a linguagem escrita e seu gênero textual. “A leitura de histórias é uma rica fonte de aprendizagem de novos vocabulários, [...] superando-se assim, o mito de que ler é somente extrair informação da escrita”. (RCNEI,v.3,1998,p.145)

Equivalente a este pensamento, Soligo (2001) acredita que a leitura também é um processo em que o leitor busca realizar um trabalho de construção do significado do texto de acordo com o que se está buscando nele, do conhecimento já existente do assunto, do autor e do que já se sabe sobre a língua.

Para Teberosky e Colomer (2003) embora haja o aprendizado devido a interação das crianças com diferentes matérias gráficos, se faz necessário que elas participem de situações que demonstrem o significado da escrita. Sendo assim, podemos conceder grande importância para a leitura de diferentes gêneros textuais. As autoras afirmam a existência de pesquisas que evidenciam a correlação entre o ato de escutar, ler e aprender a ler e a escrever.

Na mesma direção apresentada pelas autoras citadas acima no RCNEI (v.3, 1998) é apontado que “a oralidade, a leitura e a escrita devem ser trabalhadas de forma integrada e complementar, potencializando-se os diferentes aspectos que cada uma dessas linguagens solicita das crianças.” (RCNEI,v.3,1998,p.133)

Ainda para as autoras Teberosky e Colomer (2003) a ação de escutar a leitura em voz alta é escutar a linguagem, o que proporciona a criança um auxílio em seu desenvolvimento referente a sua competência linguística.

De acordo com Filho (2009) realizar leituras de literatura infantil em sala de aula é proporcionar condições para que se formem leitores de arte, leitores de mundo e leitores plurais. Indo além de uma atividade proposta do conteúdo curricular, apresentar e discutir leituras é poder formar leitores, ampliando a capacidade de ver o mundo e de dialogar com a sociedade.

Para Brandão e Rosa (2011) o contato diário das crianças com a leitura de livros de literatura favorecem um desenvolvimento maior da competência para realizarem futuras produções de textos e na compreensão dos textos que virão a ler. Possibilitando ainda o aprendizado sobre a direção da escrita, a existência de outros sinais gráficos diferentes das letras, como os sinais de pontuação, podendo localizar letras e palavras que já conheça, identificar rimas e a existências de outras palavras dentro de palavras.

Segundo Filho (2009) a literatura deve ser oferecida para as crianças na forma de arte e prazer:

“arte porque é o resultado de um fazer estético do(s) autor(es) e prazer porque o contato com a arte pode ser encarado desde a mais tenra idade como uma experiência ricamente prazerosa, capaz de nos envolver e trazer novas dimensões ao cotidiano.” ( FILHO, p.63, 2009)

4. CAPÍTULO II - O PAPEL DO PROFESSOR NA INSERÇÃO DA LEITURA PARA CRIANÇAS NA EDUCAÇÃO INFANTIL

A elaboração do segundo capítulo baseia-se em uma entrevista realizada com professoras atuantes na área de Educação Infantil, com o objetivo de relacionar as experiências relatadas com a teoria sobre o papel do professor na inserção da leitura para crianças na Educação Infantil de acordo com autores como Villardi (1999), Cardoso(2012), Teberosky e Colomer (2003), entre outros.

4.1 PROCESSO DE ENTREVISTA

De acordo com Severino (2007), a pesquisa à campo aborda o objeto em seu próprio ambiente. Sendo assim, a coleta dos dados é realizada de maneira natural no decorrer dos fenômenos, observados diretamente, sem intervenção ou manuseio por parte do pesquisador. Abrangendo levantamentos descritivos ou analíticos.

Em busca de um ambiente que pudesse contribuir com este trabalho de conclusão de curso, a escolha da escola surge através da indicação de uma pessoa conhecida que acompanhou o trabalho realizado com o sobrinho e houve o relato da prática que é condizente com o objeto de estudo desse Trabalho de Conclusão de Curso. Para realização da entrevista o primeiro contato com a creche Tamanduá ocorreu através de um telefonema para a coordenadora Dora1, que se prontificou a me receber e disponibilizou a escola para que eu pudesse realizar esse trabalho. Agendamos o dia para que eu pudesse ir à creche e me apresentar pessoalmente, bem como o interesse para a realização dessa pesquisa.

Neste dia, Dora me apresentou diversos projetos sobre leitura realizados pelas professoras, colocou a minha disposição fotografias e filmagens pertencentes à escola, em seguida me apresentou todas as salas e professoras que ali estavam.

Depois deste contato e aprovação por parte da escola, partimos para a elaboração da documentação necessária para buscar a aprovação no comitê de ética, da Universidade Metodista de Piracicaba – UNIMEP.

Assim que elaborados os documentos sob apreciação da orientadora desse TCC, levei-os até a creche para que as professoras que iriam ser entrevistadas pudessem ter contato com o projeto e se concordassem, assinassem, declarando que estavam cientes da utilização do mesmo.

Com todos os documentos entregues sob protocolo 84/2015. No dia 29/06/2015, recebi um e-mail comunicando a aprovação do projeto pelo Comitê de Ética (e em anexo o certificado da mesma).

4.1.1 PARTICIPANTES DA PESQUISA:

As professoras a serem entrevistadas são: Dora de quarenta e sete anos atua na Educação Infantil há vinte e quatro anos, é formada em Magistério e Pedagogia, possuindo três formações em pós-graduação, sendo elas, Gestão Escolar pela Unicamp, Administração e Supervisão
Escolar pela Faculdade de Ciências e Letras de Araras e Extensão
Universitária, Orientação Educacional e Supervisão pela UNISAL, possui também curso sobre “A importância do brincar e da brincadeira” ministrado pela USP-SP. Dora pretende continuar os estudos e iniciar seu mestrado.

Marli tem cinquenta e quatro anos e atua na Educação Infantil a dezenove anos é formada em pedagogia e possui o curso de Pró Letramento em Português.

Em Julho iniciei o diálogo, fui até a mesma para realizar a entrevista com as professoras. A primeira a ser entrevistada foi a professora Dora que respondeu prontamente e calmamente a todas as perguntas realizadas. Em seguida a professora Marli também foi muito solícita em responder as perguntas.

4.2 O PAPEL DO PROFESSOR NA INSERÇÃO DA LEITURA PARA CRIANÇAS NA EDUCAÇÃO INFANTIL

Segundo Cardoso (2012) faz-se necessário mostrar para as crianças desde cedo como desenvolver e utilizar as capacidades de leitura, para tanto, torna-se indispensável à leitura diária e a realização de atividades que envolvam textos de gêneros diversos.

Sendo assim no -RCNEI- (1998,volume 3 ) é citado que o professor ao realizar leituras de um mesmo gênero com frequência e na exposição geral de gêneros diversos, proporciona às crianças a oportunidade de reconhecerem as diferentes características de cada um, identificando o texto lido, podendo ser ele uma história, um anúncio ou outro exemplar. Para tanto, as possíveis estratégias de atividades de leitura tornam-se inúmeras, como por exemplo:

-Comentar previamente o assunto do qual trata o texto;

-Fazer com que as crianças levantem hipóteses sobre o tema a partir do título;

-Oferecer informações que situem a leitura;

-Criar um certo suspense, quando for o caso;

-Lembrar de outros textos conhecidos a partir do texto lido;

-Favorecer a conversa entre as crianças para que possam compartilhar o efeito que a leitura produziu, trocar opiniões e comentários; ( RCNEI, 1998,v.3, p. 141)

Ao colocar em prática essas estratégias o professor além de ler para seus alunos, poderá organizar situações para que eles próprios leiam, estabelecendo relação entre o que se é falado e o que está escrito ou que descubram o sentido do texto amparando-se em alguns elementos. Sendo esses, figuras que o acompanham, seus conhecimentos prévios sobre o assunto, seu conhecimento de algumas características próprias do gênero, entre outras. ( RCNEI, 1998, v 3.)

Segundo Soares (apud MARICATO,2005) o professor tem o papel de intermediar o contato do aluno com a leitura, colocando o livro a sua disposição e orientando o seu uso no convívio com o material. Nessa perspectiva a autora sugere atividades como contação de história, de disponibilização de exemplares para que sejam manuseados, em busca de informações nos mesmos e de utilização de diferenciados tipos de gêneros.

Cardoso (2012) cita algumas sugestões de atividades como: trabalhar o faz de conta, proporcionando momentos em que a criança possa experimentar sons, palavras e imitar situações de comunicação que vivencia no dia a dia; atividades de roda que possam abordar diferentes assuntos sendo eles: combinados do grupo, relatos de experiências vividas, registro da rotina e chamada ; cantar músicas, trabalhando o gênero poesia, entre outras.

Para a autora existem três tipos de capacidades de leitura que podem ser trabalhados ao longo da Educação Infantil, auxiliando o professor a obter seus objetivos ao planejar, encaminhar e avaliar suas atividades. Sendo elas a de decodificação, em que o leitor compreende as diferenças entre escrita e formas gráficas, a de compreensão, em que o leitor utiliza estratégias como seus conhecimentos prévios e a de apreciação em que o leitor interpreta e interage com o texto. (CARDOSO, 2012)

Assim como cita Cardoso (2012) o papel do adulto no processo de formação da criança como leitora se faz de grande importância, pois para que essa formação ocorra, é necessário que exista a articulação de dois fatores; o contato da mesma com materiais escritos e o compartilhamento com outros leitores de práticas de leitura. Sendo assim, mostrar para as crianças as características e o sentido da escrita, passam a ser responsabilidade dos leitores mais experientes que fazem parte de seu convívio, cabendo a eles proporcionar momentos de leitura com as crianças, transformando-as assim em usuárias da escrita.

De acordo com Teberosky e Colomer (2003) a leitura compartilhada possibilita a aprendizagem de vocabulário, o uso da linguagem expressiva, a percepção da função da escrita e o conhecimento da linguagem de historias de ficção.

O papel do professor enquanto mediador torna-se de grande importância, pois a leitura do mesmo para aqueles que ainda não a realizam sozinhos, proporciona situações de leituras variadas, utilizando-se de diferentes gêneros, favorecendo para as crianças a oportunidade de serem leitoras, mesmo não sendo de modo convencional. Podendo o educador servir de modelo, apresentando como referência sua história e prática como leitor.

De acordo com Teberosky e Colomer (2003) quando o professor realiza a leitura em voz alta, a criança aprende a participar como ouvinte. Cabe ao professor fazer com que essas crianças “adentrem” ao mundo do texto, fazendo com que participem da leitura de diferentes maneiras, sendo elas: observando as imagens enquanto o professor lê o texto, aprendendo a reproduzir respostas verbais, imitando as falas do professor, memorizando a história. “Ao escutar a leitura, as crianças aprendem que a linguagem escrita pode ser reproduzida, repetida, citada e comentada.” (TEBEROSKY e COLOMER, 2003, p.127)

Para as autoras Teberosky e Colomer (2003) o adulto ao orientar a interação da criança com o livro, faz com que as histórias contadas comecem a serem memorizadas, podendo proporcionar momentos em que as crianças participem de determinadas partes do discurso, “assumindo os papeis de alguns personagens e reproduzindo o discurso direto, repetindo os refrãos, os estribilhos, antecipando os acontecimentos de alguns episódios...” (TEBEROSKY E COLOMER, p.128, 2003)

As autoras Cramer e Castle (2011) acreditam ser papel do professor criar em sala de aula uma atmosfera positiva, uma forma de motivação que conduza o aluno ao encontro da leitura através do afeto com a mesma. “Dentro da sala de aula, não há modelo mais efetivo do que um professor que realmente ame os livros e a leitura.” ( CRAMER e CASTLE,2011, p.111)

Sendo assim o Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil (1998,volume 3) trás que :

A intenção de fazer com que as crianças, desde cedo, apreciem o momento de sentar para ouvir histórias exige que o professor, como leitor, preocupe-se em lê-la com interesse, criando um ambiente agradável e convidativo à escuta atenta, mobilizando a expectativa das crianças, permitindo que elas olhem o texto e as ilustrações enquanto a história é lida. ( RCNEI, 1998,v.3, p. 143)

O professor ao realizar a leitura oral diariamente, deve escolher o material cuidadosamente, podendo ser livros de figuras, livros de capítulos ou outros exemplares, quando a leitura é realizada com entusiasmo e com expressão, acaba motivando as crianças a continuarem escutando para descobrirem o que irá acontecer. Desta maneira, a leitura oral passa a ser uma maneira de ensinar aos alunos o prazer da leitura e iniciar seu contato com a alfabetização. Cabe também ao professor o papel de encorajar os pais a lerem diariamente para seus filhos, pois a leitura se estimulada desde uma idade precoce pode promover atitudes positivas em relação a mesma. (CRAMER E CASTLE, 2011.)

Segundo as autoras Teberosky e Colomer (2003) estudos mostram que a leitura diária tendo um começo precoce, permite à criança o contato com a linguagem formal dos livros e textos escritos que as motivam a aprender, ao mesmo tempo condiciona suas aprendizagens posteriores.

As autoras Teberosky e Colomer (2003) acreditam que ler para crianças de dois a três possui características qualitativas que implicam na participação ativa da leitura em voz alta, sendo assim, ao ler o adulto alterna a leitura e o diálogo com a criança, direcionando a atenção dela para o livro, utiliza de algumas estratégias para legendar ou denominar ilustrações, estimulando respostas verbais da criança, possibilitando um intercâmbio sucessivo, ou seja, a criança passa a fazer perguntas e a mostrar coisas para que o adulto responda.

Seguindo este pensamento, a leitura para crianças de quatro a cinco anos implica características com maior complexidade linguística e cognitiva. As crianças aprendem a esperar sua vez de interagir, passam a reconhecer a linguagem narrativa, podendo até reproduzir a história contada, fazendo simulações de continuação da mesma, passam a prestar atenção, adquirindo conceitos sobre o impresso e imitam o modelo de leitor adulto. (TEBEROSKY E COLOMER, 2003)

Na creche Tamanduá as professoras Dora e Marli trabalham a leitura e o estímulo à mesma com atividades como: contação de história, em que a mesma é contada de diferentes maneiras pela professora ou pelas crianças, utilizando de diferentes recursos como imagens, fantoches, fantasias; cantinho de leitura, disponibilizando exemplares para que as crianças possam fazer o manuseio dos mesmos; utilizam livros de plástico na hora do banho; promovem eventos que inserem a família no contexto, buscando incentivar não só a criança como todos os que fazem parte de seu convívio.

De acordo com Cramer e Castle (2011) devemos levar em consideração que sem modelos efetivos e sem a oportunidade e o fácil acesso de manusear exemplares impressos, o prazer pela leitura poderá não ocorrer espontaneamente.

Para Maricato (2005) apenas ter acesso aos materiais não basta, deve-se envolver a criança em práticas para que ela aprenda a usá-los como em roda de leituras, contação de histórias, leitura de livros, sistema de mala de leitura, brincadeiras com livros, entre outras. De acordo com Beauchamp (apud MARICATO,2005, p.18) “se for criado um ambiente de leitura nas escolas, as crianças levarão a prática para suas casas. E vice e versa, haverá crianças que trarão leitura para a escola”

Segundo Cramer e Castle (2011) o ambiente que se cria em sala de aula é de grande importância, compete ao professor tornar este ambiente propício para o leitor. As autoras citam alguns exemplos como:

Cercar as crianças de livros. Desenvolver uma biblioteca de sala de aula em que uma variedade de livros esteja facilmente disponível. A biblioteca deve convidar a folhear e a selecionar livros para serem lidos em casa.

Tornar o ambiente de leitura atrativo. Um tapete barato, alguns pôsteres coloridos, um par de cadeiras confortáveis, e possivelmente, uma ou duas lâmpadas de teto podem ser uteis para realçar um canto de leitura na sala de aula.

Planejar quadros de avisos que reflitam o prazer da leitura. Os temas podem incluir aventuras, esportes sazonais, animais, dinossauros, férias, outros países e costumes, etc. Ilustrar os quadros com capas de livros, títulos, figuras e comentários de autores. ( CRAMER e CASTLE,2011, p.144 e 145)

Conforme citado no -RCNEI- (1998,volume 3 ) a leitura em voz alta realizada pelo professor, de textos escritos em situações que proporcionem a escuta e a atenção da criança, seja em sala de aula, antes de dormir, no parque ou em alguma atividade com fins específicos, fornecem a criança uma rica aquisição de repertório. Sendo assim, quando o professor realiza uma seleção prévia de histórias que possam vir a serem contadas para as crianças, tendo como foco as evidências e as riquezas do texto e as ilustrações presentes, ele possibilita que as crianças construam um sentimento de curiosidade pelo livro e pela escrita.

Ainda conforme expresso no documento, a importância dos livros e dos demais portadores de textos é adquirida pelas crianças quando o professor proporciona um ambiente que possua um local especial para livros, gibis, revistas, entre outros exemplares, que seja acolhedor e que possibilite o manuseio e a leitura dos mesmos em atividades programadas ou espontâneas. Consentir que as crianças levem livros para casa e realizem momentos de leitura com seus familiares, torna-se uma tarefa a ser colocada em prática pelo professor. Podendo assim construir uma relação prazerosa desde pequenas com a leitura.

Para as professoras Dora e Marli, proporcionar momentos de leitura e oferecer objetos que estimulem o interesse das crianças em relação a mesma no ambiente escolar favorecem a eficácia do desenvolvimento da capacidade de expressão verbal, auxiliando também a memória. Ao disponibilizar exemplares para o manuseio das crianças, as professoras acreditam no estímulo da curiosidade, do questionamento e no despertar pelo prazer da leitura.

A escola deve proporcionar um ambiente em que a criança cresça em contato com a leitura e a escrita percebendo assim que as mesmas estão presentes em diferentes situações como, brincadeiras, histórias, livros, parlendas e diversos usos sociais como jornais, listas e cartazes. Acredita-se que a criança necessita fazer parte do mundo da fantasia e da imaginação, sendo assim, livros de contos de fadas, literatura infantil, fábulas e contos folclóricos devem fazer parte deste cotidiano e não apenas livros de cuidado ou valores morais (MARICATO, 2005)

No RCNEI (1998,volume 3) há alguns exemplos de práticas de leitura que possam vir a ser utilizadas pelo professor:

Participação nas situações em que os adultos lêem textos de diferentes gêneros, como contos, poemas, notícias de jornal, informativos, parlendas, trava-línguas etc.

Participação em situações que as crianças leiam, ainda que não o façam de maneira convencional.

Observação e manuseio de materiais impressos, como livros, revistas, histórias em quadrinhos etc., previamente apresentados ao grupo.

Valorização da leitura como fonte de prazer e entretenimento.

(RCNEI, 1998, p.140 e 141)

Conforme citado no RCNEI- (1998,volume 3) faz-se de grande importância o acesso por meio da leitura do professor, pois proporciona às crianças contato com práticas culturais mediadas pela escrita, permitindo colocar as crianças no papel de “leitoras”, podendo relacionarem a linguagem com os textos, gêneros e seus portadores, sendo eles: livros, bilhetes, revistas, entre outros.

4.3 FORMAÇÃO DO PROFESSOR

De acordo com Villardi (1999), a importância da leitura tem sido um assunto muito comentando ao longo dos anos, mais pouco se tem feito no preparo do professor para realizar este trabalho, o que acaba influenciando principalmente no desenvolvimento do gosto pela leitura.

Ao visitar a creche Tamanduá algo que chamou a atenção foi o fato de a professora Dora ter transformado a sala de arquivo morto em um ambiente vivo, modificando o almoxarifado em um espaço favorável para momentos de estudo em que as professoras possam se munir de leitura.

De acordo com Monteiro (2012) cabe aos professores de maneira geral, por fazer parte de seu ofício, dentro e fora dos contextos educacionais, adotarem a leitura como prática de aquisição de conhecimento e construção, desconstrução e reconstrução de saberes. Sendo assim o professor-leitor torna-se um agente de letramento com habilidades e competências para intervir no meio social em que vive, pois é por meio de suas ações com a leitura que esses professores podem contribuir para a formação de leitores competentes em diferentes áreas do conhecimento.

Seguindo este pensamento, Villardi (1999) acredita que “o ato de ler é fundamental não apenas na formação acadêmica do aluno, mas também na formação do cidadão”. (VILLARDI,1999, p.3)

Para Monteiro (2012) o professor precisa espontaneamente assumir-se como leitor de fato, tanto na escola como na vida, fazendo-se necessário que a relação professor/livro/texto seja estabelecida com base em leituras significativas, prazerosas, leituras fascinantes, pois o comportamento e o envolvimento do professor com a leitura é uma das formas de se produzir aprendizagens significativas.

Segundo Nóvoa (1992) a formação do professor não se constrói apenas por acumulação de cursos, conhecimentos ou técnicas, e sim através de um trabalho de reflexão crítica sobre suas práticas. Sendo assim, o autor afirma que “a troca de experiências e a partilha de saberes consolidam espaços de formação mútua.” (NÓVOA, p.14 , 1992)

O trabalho realizado na creche Tamanduá tem como base a troca de experiências, por serem uma equipe que trabalha unida, as profissionais acabam compartilhando e dividindo esses momentos de sua prática dentro e fora de sala de aula.

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Ao final da elaboração desse TCC, consideramos que quanto mais lemos, mais informações obtemos. O conhecimento não pode ser restrito a algumas áreas ou grupo de pessoas, e sim ele deve ser estendido a todos. Para que isso seja uma realidade, é de suma importância que, comece de criança a busca por conhecimento.

Incentivar uma criança a leitura, a soltar e viajar em sua imaginação, não somente é montar uma pessoa sábia, e sim, desenvolver um adulto que caminha a passos largos à uma vida dinâmica, compreensiva e visionária, onde esta não será refém da sua ignorância.

Crianças que leem, são crianças que possuem uma mente aberta para um aprendizado primoroso, aqueles que tem contato com tais crianças, seja pais, professores etc., estes, necessitam aprender que o habito da leitura é essencial para tal aprendizado.

No decorrer do trabalho tendo como base pesquisas, estudos e análises realizadas, foi possível entender que ler não é apenas um ato mecânico de decodificação, transcende tal ato de uma maneira não restrita. O ato de ler propicia ao leitor estabelecer relações dentro de contextos, de vivências de mundo. Ler é um ato complexo que possibilita em suas linhas descobrir e redescobrir, não é apenas passar os olhos pelas gravuras e palavras, é vivificar o que se esta lendo, dar um significado, transmitir emoção e prazer.

Para que a leitura tenha esse significado, se faz necessário que a escola e a sociedade sejam comprometidas com essa prática, que favoreçam o desenvolvimento dos futuros leitores, leitores do mundo, leitores do momento, leitores para a vida toda. Sendo assim, é preciso que haja empenho para que isso aconteça, proporcionando condições de realizar a formação desses futuros leitores.

As escolas precisam dispor de um ou mais ambientes que estimulem este contato com exemplares de livros, jornais, revistas, entre outros. Em sala de aula, cabe ao professor incentivar o gosto pela leitura, realizando leituras em voz alta, leituras através de figuras, proporcionando atividades que estimulem um futuro interesse e gosto pela leitura. Porém, a leitura não pode ficar apenas ligada a escola, será preciso que o estímulo tenha continuidade em casa.

Esse elo entre pais, escola e sociedade é então, a peça fundamental que traz crescimento, incentivo e importância para a leitura infantil, estes, protagonizam direta e indiretamente a ação de ler e assim formam um ciclo infindável, onde os maiores beneficiados são aqueles que passeiam entre as linhas de cada parágrafo lido.

A importância da leitura infantil, bem como seu incentivo é então a forma mais prática de desenvolver a imaginação da criança. Cultivar a leitura é o mesmo que possibilitar, neste caso, que uma criança se torne um adulto capaz, experiente, esclarecido e com uma mente aberta à novas possibilidades, que será capaz de escolher o futuro a qual irá trilhar.

Ao final desse TCC e amparada pelos estudos realizados nessa trajetória, fica-nos o seguinte questionamento: Qual então é ou são, as formas de incentivo a leitura para crianças dos Primeiros Anos do Ensino Fundamental?

6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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1 Por motivos de preservação da identidade dos sujeitos desta pesquisa, optamos por utilizar nomes fictícios


Publicado por: Marina Chiappa de Moraes

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