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A AFETIVIDADE NA PRÁTICA PEDAGÓGICA E NA FORMAÇÃO DOCENTE

Pedagogia

Compreensão da afetividade na prática Pedagógica, analisando as atitudes do docente diante do fenômeno das emoções, como é vivenciada em sala de aula e como a temática da afetividade é abordada nos cursos de formação de professores.

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1. RESUMO

Esta pesquisa traz à tona reflexões e indagações, abordando a dimensão afetiva no campo escolar: como é vivenciada no cotidiano escolar e focalizada na formação docente. O objetivo geral da pesquisa tem a intenção de articular um diálogo entre conhecimento e afeto como dimensões mutuamente inseparáveis e, promover um espaço para essa discussão que parece, até então, ter pouco destaque nos diversos campos de investigação da educação. O presente estudo de caso é de cunho qualitativo e do tipo descritiva. Observa-se que a afetividade, na prática pedagógica, vem como uma ferramenta que auxilia o professor a direcionar um cuidado em suas atitudes para que não afete a criança de maneira negativa, prejudicando a sua aprendizagem. Verifica-se, atualmente, o despreparo do professor em lidar com as emoções dentro da sala de aula e como é preocupante, como esse profissional se posiciona diante de situações extremamente afetivas como: a cólera (raiva), o medo e a alegria vivenciados no dia-a-dia, na escola. O professor, parceiro e responsável pela administração dos conflitos, revelam-se como alguém, potencialmente, necessário na formação da personalidade da criança. Este deve permitir que a emoção se exprimisse para o que é essencial, entendendo como ela funciona para não entrar no circuito perverso e, assim, dificultar o desenvolvimento emocional da criança. Como ser humano, o docente é alvo de muitos problemas que acabam afetando a sua prática e, consequentemente, a aprendizagem dos discentes, sendo que é através do afeto do professor que a criança permanece na escola ou ocorre o afastamento desta.

Palavras-chave: Emoção. Docente. Formação. Afetividade.

ABSTRACT

This research brings up thoughts and questions, addressing the affective dimension in the school field, as is experienced in school and focused every day in teacher education. The overall objective of the research is intended to articulate a dialogue between knowledge and affection as mutually inseparable dimensions and promote a space for this discussion it seems, so far, have little prominence in the various fields of education research. This case study is a qualitative approach and descriptive. It is observed that affection, in pedagogical practice, it comes as a tool that helps the teacher to direct a care in their attitudes to it does not affect negatively child, hampering their learning. Currently up checks, the teacher's unpreparedness to deal with emotions in the classroom and how are worrying, as this professional ranks before extremely affective states such as anger (anger), fear and experienced joy in day-to-day at school. The teacher, partner and responsible for the management of conflict, it is revealed as someone potentially necessary in the child's personality development. This should allow the emotion is expressed to what is essential, understanding how it works for not entering the perverse circuit and thus hinder the child's emotional development. As a human being, the faculty is the target of many problems that end up affecting their practice and hence the learning of students and that is through the teacher's affection that the child remains in school or expulsion occurs this.

Keywords: Emotion. Teaching. Formation. Affectivity.

2. INTRODUÇÃO

Esta pesquisa visa estabelecer uma compreensão da afetividade na prática Pedagógica, analisando as atitudes do docente diante do fenômeno das emoções, como é vivenciada em sala de aula e como a temática da afetividade é abordada nos cursos de formação de professores.

A afetividade é um conjunto de fenômenos que envolvem os seres humanos durante toda vida. “Fenômenos que se caracterizam pelos sentimentos, emoções e paixões, acompanhados sempre de prazer ou desprazer” (GADOTTI, 1999).

A afetividade consiste na força de dois elementos: o amor e o ódio, ambos desempenham um papel fundamental no desenvolvimento intelectual do homem e em suas relações sociais.

A afetividade no campo educativo é vista como um vínculo, laço que une professor e aluno, uma contribuição para romper limites e promover a aprendizagem. Sendo a criança um ser dotado de afetividade e o professor consciente do seu papel como mediador da aprendizagem, precisa olhar e ouvir os apelos da criança e ter o cuidado para não afetá-la, marcando-a, seja positivamente ou negativamente.

Todo relacionamento se baseia na afetividade. Quem afeta é, também, de alguma forma afetado. As emoções permeiam toda a vida dos seres humanos e as marcas deixadas pelo professor na criança, são profundas. Quem não se lembra daquela professora carinhosa, ou daquela autoritária que lhe causara algum constrangimento ou medo diante dos colegas, durante a vida escolar? São através de indagações e reflexões como estas que o estudo sobre as emoções vem à tona dentro da sala de aula.

Tomando por base as pesquisas do psicólogo francês Henri Wallon, discute-se a necessidade, por parte da escola, em estudar as emoções na prática pedagógica e na formação docente, de maneira a trabalhar a afetividade do professor e do aluno, compreendendo-os em sua totalidade.

Se a responsabilidade do professor é contribuir para a formação da personalidade do educando, não há como considerar a função da escola apenas como detentora do conhecimento, mas, sim como formadora da construção da afetividade infantil.

Este estudo tem como objetivo geral analisar a maneira que o educador lida com as emoções dentro da sala de aula. Através deste pretende: discutir a relação professor/aluno para melhorar sua prática docente; refletir sobre a importância do papel da afetividade na prática pedagógica e na formação docente; como, também, nortear condutas do docente mediante afetividade no processo ensino aprendizagem para melhor possibilitar ao educando um desenvolvimento afetivo sadio, que o leve a construção de uma personalidade autônoma.

A valorização do profissional está associada ao domínio das áreas de conhecimento com as quais ele lida. Há, ainda, um profundo desprezo por uma visão propriamente profissional que valorize o tipo de conhecimento que se adquire na prática. Mas, existe o outro lado da questão que diz respeito à falta de identidade dos cursos de Pedagogia.

Eles foram criados com um triplo objetivo: formar pesquisadores e pessoal qualificado para refletir sobre o sistema educacional; preparar professores aptos a lecionar as matérias pedagógicas que faziam parte do currículo das Escolas Normais; e capacitar o pessoal especializado para a gestão do sistema escolar como administradores, orientadores ou supervisores escolares.

Tem-se insistido, que essas funções não podem ser exercidas sem que o profissional formado passe, ele próprio, por uma experiência como professor, ou seja, que o educador tivesse a oportunidade de refletir sobre sua prática atuando em sala.

A emoção da criança, vivenciada dentro da sala de aula, exige do professor habilidades e competências para guiar este ser que precisa de cuidados e atenção para viver experiências e enfrentar obstáculos, sem atingir um dos mais valiosos tesouros da vida humana: o afeto. Diante desse contexto, o presente estudo interroga: estaria este profissional preparado para lidar com as emoções dentro da sala de aula?

Consciente do papel do professor mediante a aprendizagem, percebe-se a necessidade de percorrer caminhos, ainda, não trilhados na vida humana: a dimensão afetiva. Buscando compreender essa dimensão no âmbito escolar, esta pesquisa sustenta que a ausência de uma educação que aborde a emoção na sala de aula traz prejuízos irremediáveis a ação pedagógica.

O professor que se dispõe a conhecer a relação antagônica entre emoção e desempenho cognitivo terá um importante instrumento para atuar com desenvoltura em situações tipicamente emocionais, sem se deixar dominar por elas.

A parceria família e escola vêm contribuir de forma satisfatória quando ambas assumem o seu papel na afetividade e aprendizagem da criança. Para a relação ser duradoura, tem que ser baseada em respeito. Preconceito, portanto, não pode existir. Falar em família desestruturada ou desajustada não faz sentido quando se analisa a realidade doméstica atual. A família é o primeiro grupo com o qual a criança convive e os seus membros são exemplos para a vida. Assim, como os pais são exemplos para a criança, o professor é o espelho para esta em sala de aula.

A afetividade é uma ferramenta fundamental no processo educativo, influenciando diretamente no cognitivo do educando e contribuindo para uma aprendizagem de qualidade. Esta auxilia no desenvolvendo intelectual dos educandos, ajudando-os a se reconhecerem como indivíduos autônomos. Diante destes fatores, precisa-se que a grade curricular dos cursos de formação para professores seja avaliada, incluindo o estudo das emoções.

Durante a pesquisa, foram realizados questionamentos sobre a maneira que as professoras lidavam com a questão da afetividade em sala de aula, se tinham alguma dificuldade ou se presenciaram alguma situação emotiva na sala de aula, e qual a postura delas quanto a essas situações. Qual a metodologia apresentada que se fazia presente como, também, se estas desenvolviam projetos e atividades que visassem ao fortalecimento ou não das emoções dos professores e das crianças.

Partindo dessa concepção, observa-se que a falta de afeto tanto da família como do profissional que atua em sala de aula influi no emocional da criança e, consequentemente, em sua aprendizagem. A família e a escola desempenham papel importante na formação da criança.

3. AFETIVIDADE

Afetividade é um conjunto de reações e ações que se manifestam as emoções, sejam estas prazerosas ou não. Na relação com o adulto, a criança demonstra sua afetividade de modo positivo ou negativo, sendo que as emoções positivas correspondem ao amor e a alegria, enquanto as emoções negativas se relacionam a cólera (raiva) e ao medo. Esses aspectos dependem muito da relação que o adulto estabelece com a criança, seja no âmbito escolar ou familiar.

O afeto proporciona uma relação baseada na confiança, no respeito, na admiração, e que se eleva a autoestima. É nessa absorção que o aluno reflete o prazer de estar na escola. A falta de afeto compromete a construção do conhecimento e influi no emocional da criança. Os pais e os professores devem levar em conta a dimensão afetiva durante a aprendizagem e cuidarem da criança como um todo.

Se a educação não conseguir promover a construção do conhecimento por meio do afeto, do respeito às dificuldades e aos sentimentos do aluno, não será à base do autoritarismo e do castigo que formará cidadãos coerentes. Pois o afeto entre educador e educando é como uma semente lançada em terra fértil: germina numa rapidez surpreendente e produz frutos de qualidade (BONFIM, 2011, p. 9).

Para a pedagoga, é através do afeto que o professor constrói o respeito e cria vínculos com o educando. Com autoritarismo e castigos, ele acaba afetando a criança de maneira negativa e a mesma adquire o desejo de não querer ir mais à escola. É com carinho, ouvindo, olhando essa criança com amor que se têm bons resultados.

Afetividade é tudo o que o afeta e sob esse olhar, pode ser algo prazeroso ou não. “As expressões das emoções são mais intensas e de amplas proporções quanto mais novas são as crianças” [...] (WALLON, 1995).

Segundo Wallon (1995), a criança por sua vez é um ser dotado de afetividade. As primeiras manifestações de afetividade da criança começam desde a gestação, quando esta faz os movimentos de pedalada. Ele enfatiza que as relações entre a afetividade e a inteligência são inseparáveis. Também ressalta que as emoções são mais marcantes nas crianças de pouca idade, e que elas têm os pais e o professor como referência.

A afetividade abrange toda atividade pessoal, desde a percepção corporal, interior e exterior, até a explicação individual das experiências, seja consciente ou inconsciente, na qual decorre o estado de humor e caráter de cada um. A emoção é a maneira de expressar a afetividade que estabelecida pelas reações momentâneas e provisórias se distinguem em contentamento, ira, temor e aflição.

3.1 Afetividade segundo Wallon

Os primeiros trabalhos de Wallon são marcadamente relacionados com a afetividade. Wallon formulou uma teoria de origem da afetividade definida como teoria da emoção e do caráter.

Na concepção de Wallon “a afetividade tem papel imprescindível no processo de desenvolvimento da personalidade”, é uma das etapas que a criança percorre e é a primeira de todas elas. Enquanto, não aparece à linguagem, é o movimento que traduz as necessidades, garantindo a relação da criança com o meio.

Os gestos do lactante são carregados de significados afetivos que, são expressões de humor e das necessidades alimentares. A afetividade se manifesta no comportamento e nos gestos expressivos da criança.

No recém-nascido, os movimentos assemelham-se a uma simples descarga ineficiente de energia muscular, onde se misturam, sem se combinar, reações tônicas, espasmos e a brusca expansão de gestos não combinados, de automatismos ainda sem aplicação, como sejam os movimentos de pedaladas já observáveis nas primeiras semanas [...] (WALLON, 1959, p. 236).

Observa-se que o autor afirma que a afetividade começa nos primeiros movimentos do recém-nascido, com manifestações orgânicas, são completamente afetivas por meio de gestos como espasmos, descargas musculares, e é uma comunicação com a mãe.

Esses movimentos evoluem com a idade, crescendo gradativamente o seu papel no desenvolvimento infantil. O lactante projeta para o mundo social, suas sensações por meio de gestos, conseguindo manter uma interação não verbal, uma comunicação com sua mãe ou substituta.

Na teoria Walloniana, a afetividade é o ponto de partida do desenvolvimento infantil. É na afetividade que os valores se concretizam e é na relação do adulto com a criança que se cria os vínculos afetivos. Com a aquisição da linguagem constitui-se pouco a pouco um meio de sensibilização da criança, o diálogo do toque vai se tornando sem efeito e a comunicação oral, torna-se um excelente mecanismo de interação com a criança. É bastante comum perceber-se o quanto o ouvir e o ser ouvido torna-se um imperativo infantil.

O estudo das emoções e da afetividade para o professor resulta em conhecer a fundo a criança, trabalhando todos os seus aspectos: físico, motor, social e afetivo. Segundo o parecer CNE/CEB nº 7/2010 sugere que:

A proposta da educação infantil deve considerar o currículo como o conjunto de experiências em que se articulam saberes e socialização do conhecimento em seu dinamismo, dando ênfase à gestão das emoções, entre outros aspectos (MEC, 2010, p. 19).

O documento ressalta que as experiências das crianças articulam-se a gestão das emoções e que as emoções são evidenciadas. Ele deixa claro que o professor é o administrador das emoções dentro da sala de aula, cabe a ele direcionar momentos lúdicos para trabalhar as emoções.

A criança deve ser cuidada nas dimensões do desenvolvimento nos aspectos: motor, afetivo, cognitivo, linguístico, ético, estético e sociocultural. O professor deve estar ciente que todas essas dimensões dependem umas das outras.

Wallon (1995) concebe a expressão emocional como uma etapa que precede a linguagem verbal e “faz mais do que participar da vida mental” [...].

Assim, o autor destaca que o desenvolvimento emocional é um processo contínuo que tem início no nascimento e segue até o fim da vida. É por meio da emoção que surge a linguagem verbal, de fato a afetividade é uma necessidade da criança recém-nascida, quando a mesma chora é comunicando que está com dores, fome, quer algo ou está com algum desconforto.

Para Wallon a emoção se encontra no centro da consciência, atuando no social, e do plano fisiológico para o psíquico. No seu ver as emoções são como reações incoerentes e tumultuadas. Destaca seu efeito perturbador e desagradável sobre a atividade motora e intelectual.

As emoções provocam nos indivíduos o aumento das descargas energéticas e se tornam úteis para o mundo físico. Wallon defende que as emoções são reações organizadas e que exercem total controle no sistema nervoso central. Ressalta em seus estudos sobre as emoções que pela análise genética, pode-se buscar a compreensão das emoções, tentando entender as reais intenções das emoções na criança. Wallon explica que é na ação sobre o meio físico, que se deve buscar o significado das emoções.

3.2 A afetividade docente

Ao longo da história, a relação professor e aluno vêm sendo discutida por diversos fatores de ordem social, política, humana e educacional. Para ter uma visão mais clara das regras que permitem a comunicabilidade e o respeito entre eles, torna-se necessária uma análise de cada um dos elementos: o professor e o aluno.

Em primeiro lugar o professor é um ser humano, e este, por sua vez, é passível de ser atingido por qualquer problema, seja ele ligado ao seu trabalho ou a sua pessoa. É o modo com que se concilia o ser profissional e o seu pessoal que delineará as atitudes e as maneiras de encarar os conflitos em sala de aula. Mas, estaria ele preparado para lidar com as suas emoções e as dos seus alunos?

Diante do possível despreparo, o professor age de maneira incompreensiva, descontrolada e estressante na busca de soluções para os conflitos gerados pelas emoções nas crianças, afastando assim o educando de si.

Aliás, muitos não se conhecem e ignoram por falta de uma análise da própria conduta da sua atitude frente às crianças. Um mestre que procura ser amado pelas crianças quase não suspeita da tirania que exerce sobre elas. O melhor é examinar o mestre sob o ponto de vista pedagógico e educativo, de uma forma indireta no decorrer de entrevistas em que não se tratará da pedagogia nem da educação, mas, observá-lo quanto ao seu comportamento em sala de aula.

As ações do professor são constituídas de condicionantes positivos ou negativos como: problemas familiares; baixos salários; desmotivação; desentendimentos com a direção da escola ou colegas; dedicação; responsabilidade. O modo pelo qual são resolvidos estes impasses afetará automaticamente a sua prática pedagógica.

Olhar a atuação docente por esse anglo, não é admitir que os alunos pudessem ser atingidos com o mau humor e os problemas do professor, mas, tornar o ensino mais humano. Cuidar do profissional é, muitas vezes, a melhor solução para o problema da “criança difícil”. As reações sentimentais variam conforme cada aluno podendo surgir atração ou repulsão como resultado do confronto entre eles (TIBA, 2007).

O professor deve conhecer seus alunos não somente no cognitivo, mas, também, no emocional. Conhecer e entender a criança para melhor trabalhar suas emoções é para o profissional uma tarefa difícil quando não se tem um preparo adequado para lidar com os conflitos emocionais em sala de aula.

O professor (educador) obviamente precisa conhecer a criança. Mas deve ser conhecida não apenas na sua estrutura biofisiologica e psicossocial, mas, também, na sua interioridade afetiva, na sua necessidade de criatura que chora, ri, dorme, sofre e busca constantemente compreender o mundo que a cerca, bem como o que ela faz na escola (SALTINI,1997, p. 73).

Verifica-se que as crianças precisam estabelecer com o professor uma relação íntima e amigável. Elas vão para a escola com expectativa de encontrar uma pessoa que as amem e que lhes acolham; escute-as; ofertem-lhes carinho e o mais importante que lhes deem autonomia para que sejam elas mesmas. As crianças devem sentir que podem contar com o professor.

Wallon chama atenção para a relação entre afetividade e inteligência. Em seus estudos sobre o desenvolvimento infantil, encarou o estudo das emoções com mais dedicação e lucidez. “Devemos estudar a emoção como um aspecto tão importante quanto à própria inteligência e que, como ela, está presente no ser humano [...]” (WALLON, 1963, p.12).

Segundo o autor, assim como a inteligência, a afetividade está presente em todo o decorrer da vida do ser humano. Ao tentar separá-las pode haver um confronto, ambas são inseparáveis na construção da personalidade da criança. É indiscutível a importância que a escola exerce na formação da criança. As experiências vivenciadas nesta possuem um grande significado para o desenvolvimento social e afetivo da criança.

A escola, por sua vez, assume um papel relevante no desenvolvimento infantil, e o professor tem uma participação ímpar nesse processo. Desse modo, o professor deverá saber lidar com as emoções dentro da sala de aula, com alunos da creche e da pré-escola, onde se exigem muitas habilidades do professor, pois dali depende todo o desenvolvimento da aprendizagem. Porém, torna-se muito difícil atuar numa situação emocional sem se deixar envolver-se por ela. O afeto da professora resulta na permanência na escola, como, também, pode influenciar no afastamento desta.

A criança da creche e da pré-escola tem uma necessidade imperosa de apego às pessoas, quando privada deste afeto, reduz a disponibilidade para a atividade do conhecimento, resultando negativamente na aprendizagem da criança.

É um desafio para o professor, uma vez que os progressos da inteligência, que é de responsabilidade do docente, dependem muito do desenvolvimento da afetividade.

A falta de habilidade de administrar crises emocionais na sala de aula, causa no professor desgaste físico e psicológico, por não saber lidar ou interpretar as emoções, traz prejuízo para a sua prática pedagógica, pois suas consequências não atingem somente o professor, mas, também, o aluno.

A afetividade é a mola propulsora para uma discussão em sala de aula, assim, não basta entender a afetividade, é necessário introduzir o estudo das emoções no curso de formação de professores, assegurar que a competência é um meio de favorecer uma ação pedagógica mais eficaz. Assim, enquanto o conhecimento das emoções é para o professor a mola mestra do equilíbrio, o desconhecimento pode significar o risco de um insucesso escolar.

Afeto que fortalece, que une, que nutre, que cria laços [...]. Se a ferramenta “professor” revela-se num ato de amor pelo ofício, nessa interação pode transformar o ambiente escolar em um local agradável e acolhedor. O envolvimento e o contato fortalecem o estado de confiança. O trabalho na educação infantil exige que o professor tenha sensibilidade, para acolher e entender as emoções como características das crianças cuja verbalização é incipiente.

Faz parte do trabalho docente na educação infantil lidar com as emoções e suas manifestações como: choros, gritos, mordidas, risos, abraços e silêncios... Por isso é de suma importância o curso de professores contemplarem essas questões. De certo modo, as formações não aprofundam os temas da afetividade e das emoções.

Freire (2010, p. 11), no entanto, recomenda que “a tarefa do ensinante [...] é exigente de seriedade, de preparo físico, emocional e afetivo”. Como poderia nos cursos de formação inicial, continuada ou em serviço, preparar o professor emocionalmente e afetivamente? O professor vivencia momentos de extrema afetividade, e que nessa vivência, não basta, apenas, teorias. É preciso à reflexão de como anda a sua prática pedagógica baseada em sua afetividade e das crianças.

O mundo afetivo desses cem números de crianças é roto, quase esfarelado, vidraça estilhaçada. Por isso mesmo essas crianças precisam de professoras e professores profissionalmente competentes e amorosos e não de puros tios e de tias (FREIRE, 2010, p. 73-74).

O autor se refere ao amor do professor pelo ofício e pelo outro. Amar todas as crianças, principalmente, aquela “criança difícil”, e que o professor não deve ser comparado com tia ou tio, pois o seu trabalho vai além do parentesco. Sua função é educar, cuidar para que a criança seja um cidadão crítico diante dos desafios a serem encontrados ao longo de sua existência.

O que se valoriza no profissional da educação infantil é a competência intelectual e não a competência emocional, no entanto, ambas precisam ser valorizadas. A competência do professor em saber lidar com as suas próprias emoções e as das crianças, em coletividade, é tão importante quanto o conhecimento teórico.

4. A FORMAÇÃO DO PROFESSOR DA EDUCAÇÃO INFANTIL

A LDB – Lei de Diretrizes e Bases da Educação, Nº 9.394/96, estabelece no seu Art. 62 que os professores da Educação Básica tenham nível superior, mas, permite que na educação infantil e nas séries iniciais a formação mínima seja em nível médio, segundo a modalidade normal. No entanto, há instituições de educação infantil com professores despreparados e desqualificados dentro da sala de aula, lidando com as emoções nas quais desconhecem a sua origem.

Surge a dúvida: quem é o professor da educação infantil? Quem é o auxiliar de sala? Que formação cada um deve ter? Ambos devem ter habilidades e competências para lidar com as crianças da creche e da pré-escola. Que papel cada um desempenha? “A discussão sobre a atuação dos auxiliares é polêmica, pois há quem defenda que essa figura não deveria existir e que o ideal seria que todos fossem formados”.

É preciso abrir os olhos para essa situação, na qual o auxiliar não tem obrigação de elaborar planos e planejar aulas e atividades com as crianças, fazer pesquisa, buscar a fundamentação teórica, avaliar e registrar, que são instrumentos essenciais ao professor. Para isso é preciso uma formação sólida.

A pedagogia é o curso superior responsável por capacitar professores que lecionam para alunos de 0 a10 anos. Também, capacitando o gestor; o formador de professores em nível médio normal; o coordenador; o supervisor; o orientador educacional [...], sem contar os trabalhos desenvolvidos em outros ambientes, como em espaços culturais e empresas (CAVALCANTE, 2013).

O Brasil precisa rever o currículo do curso de Pedagogia, que em sua grade curricular não evidencia o estudo das emoções e outras especificidades das crianças da creche e pré-escola. O problema está no currículo que precisa ser reformulado e se adequar a realidade da escola pública, trabalhar a afetividade das crianças e do profissional em exercício.

Precisa-se de investimentos na formação inicial, continuada e em exercício dos profissionais da educação infantil. Muitos têm carência em sua formação, principalmente, em saber lidar com as emoções em sala de aula.

5. A EMOÇÃO NA SALA DE AULA

Segundo Wallon, a emoção liga a vida orgânica à psíquica, ligando a aprendizagem ao desenvolvimento integral da pessoa. A ação da escola não se limita ao cumprimento da instrução, mas, principalmente, a função de desenvolver a personalidade da criança. “[...] A emoção deve ser entendida como uma ponte que liga a vida orgânica à psíquica [...] É o elo necessário para a compreensão da pessoa como um ente completo” (WALLON, 1963, p. 12).

A criança adquire um novo rumo, a partir do momento em que ela entra na escola. Ao ingressar na escola ela deixa a exclusividade do berço familiar para viver em um novo ambiente com novas regras e outras pessoas. O seu universo começa a ser ampliado com novos amigos, aprende a conviver em grupo, sendo sua vida totalmente transformada e adaptada aos interesses da escola.

A criança quando vai para a escola leva consigo conhecimentos já construídos quanto as experiências afetivas vivenciadas em casa. É indiscutível que a escola possui um importante significado para o desenvolvimento social e afetivo da criança. Através da socialização que a escola promove, ela assume um papel significativo na vida da criança.

Em geral, confundem-se emoção com sentimentos e se aponta o caráter duradouro como uma qualidade da emoção. Embora na psicologia conceitos como afetividade, emoção e sentimentos sejam distintos, tal percepção não ocorre entre os professores. Assim, estes profissionais devem ter clareza sobre o que é emoção, como funciona, para poder administrá-la em si e nas crianças. A aprendizagem da criança é de total responsabilidade do educador, na qual grande parte depende do desenvolvimento da afetividade.

Considera-se o estudo das emoções como um suporte necessário à atuação do professor. Uma vez que possibilitar relações afetivas na sala de aula é função pedagógica, portanto, está no limite o que venha a ser o papel do professor. Não basta aceitar a afetividade como um aparato das relações com o conhecimento, faz-se necessário entendê-la como uma companheira fiel da inteligência. Afirmar sua ausência é desconhecer a relação afetividade-inteligência no desenvolvimento humano.

Antes de tudo, deve-se saber que a personalidade para Wallon é constituída basicamente, por duas funções: a afetividade e a inteligência. “A palavra personalidade é considerada [...] no sentido do ser total fisico-psiquico e tal como ele se manifesta pelo conjunto do seu comportamento” (WALLON, 1963, p. 73).

Para o autor, a personalidade está ligada a afetividade e ao cognitivo ambos de sentidos totalmente diferentes, mas que se completam. A personalidade está ligada ao desenvolvimento da afetividade, juntamente com o cognitivo da criança. A afetividade, assim como a inteligência, não aparece pronta, nem permanece imutável. Ambas são construídas e modificadas perante as suas necessidades afetivas que se tornam cognitivas. A evolução da inteligência é incorporada pela afetividade de modo que determina a relação afetiva.

A emoção está sempre presente na vida do indivíduo; mesmo em estados de serenidade ela se encontra como que latente. Convivendo em estado de perfeita comunhão, quando uma sobressai na atividade, é porque a outra se encontra eclipsada. A emoção é o colorido necessário para a vida do indivíduo, é a visita inconveniente, a surpresa agradável ou desagradável, a expressão mais pura e desenfreada das preferências e dos desgostos do indivíduo que rebeldemente cede espaço para a realização do pensamento.

A emoção pode ser imprevisível, pois ela surge nos momentos de completa vulnerabilidade do indivíduo. Esta embora seja absoluta, não é a única ação sobre o sujeito. Manter seu equilíbrio exige a redução do estado emocional que, por sua vez, implica o exercício de racionalizar, isto é, desencadear a ação da inteligência.

A inteligência, por sua vez, costuma ceder aos caprichos da emoção, pois sempre que esta se exprime, suprime a atividade intelectual e reduz para si todas as disponibilidades do sujeito. A falta de clareza a respeito da ligação existente entre movimento e emoção interfere, muitas vezes, na relação professor/aluno.

O professor pode cometer o engano de interpretar expressões de alegria como indisciplina. Esse erro o leva a agir com irritação diante da simples presença de uma criança hipertônica, já que não se encontra preparado para lidar com suas necessidades posturais.

No caso do professor, ao não reconhecer os possíveis indicadores de uma emoção, geralmente, entrega-se ao seu contágio e, consequentemente, acaba dominado por elas. As atitudes dos professores diante das emoções são as mais variadas, diante da cólera, medo e alegria das crianças em sala de aula. Uma atitude muito usada pelos professores para resolver os conflitos gerados pela emoção é demonstrar para o aluno que o seu comportamento não o agradou.

Muitas vezes deixa aparecer em suas atitudes, um surto de cólera, que os alunos o percebam, acreditando resolver a situação por meio da sua invulnerabilidade. Tal atitude o envolve em um circuito perverso, tornando-os espectadores do contágio da emoção. Esta, por sua vez, para sobreviver precisa de espectadores, de cúmplices.

A emoção quando tem como plateia a sala de aula, compromete a atuação do professor em sua prática e a transmissão de conhecimentos, provocando desgaste físico no professor e, consequentemente, prejudicando a aprendizagem do aluno. Assim, a ocorrência do estado emocional do professor tem implicações nas atividades pedagógicas.

5.1 Os tipos de relação afetiva

Afetividade não é sentimento, nem emoção, muito menos paixão. É um termo mais sofisticado que inclui como o seu elemento principal, o afeto. A emoção, a paixão e o sentimento por sua vez são distintos entre si, surgindo em seu tempo conforme as condições e o amadurecimento do indivíduo, podendo ser confundido. O sentimento, por sua vez, é mais complexo, sofisticado, com reações mais pensadas e menos instintivas. Já a paixão conta com o raciocínio.

Wallon (2006) ressalta que a afetividade, emoção e sentimento são inconfundíveis, o sentimento vem de uma ideologia e é duradouro, a emoção é um estado fisiológico. A afetividade é mais abrangente, engloba as relações afetivas que são: sentimento, paixão e emoção. A emoção é a expressão própria da afetividade. O sentimento é puramente psicológico, pode-se dizer que a cólera é emoção e o ódio um sentimento.

A afetividade inclui os sentimentos que são elementos ideativos e mais duradouros. Para Wallon, a emoção é um meio de sobrevivência da criança através de ações e desejos. É a emoção que conduz o bebê, ainda que desprovido para o mundo exterior. O desenvolvimento do bebê depende da relação que ele estabelece com os adultos.

A vida psíquica é o resultado das influências do meio. Observa-se que são as emoções que ligam a criança ao meio social, são quem antecipam o raciocínio. O aspecto fisiológico e o componente social são envolvidos pela emoção, na maneira de garantir a sobrevivência do recém-nascido desde o nascimento.

Vale ressaltar que para Wallon a emoção tem caráter peculiar no que se refere a função de apelo ao outro durante a fase de inaptidão infantil.

Então ela desempenha o papel de suprir as necessidades do recém-nascido para obter ajuda do outro, podendo ser modificada através das interações entre os indivíduos.

Um estado emocional impede, geralmente, o indivíduo de exercer determinada atividade cognitiva. O indivíduo vive movido pela emoção, emoção que lhe causara prazer ou desprazer.

Wallon concorda, partindo do princípio de que os dois grandes domínios da afetividade e do conhecimento são antagônicos, mas, também, complementares.

A afetividade influi no cognitivo da criança, com a afetividade bloqueada ou comprometida, apresenta-se em vários fatores externos e internos como a relação da criança na família entre outros fatores fisiológicos, como a má alimentação, por exemplo. Todos estes fatores influenciam na aprendizagem.

5.2 Os efeitos da emoção

“O efeito da emoção é provocar identidade de reações e comunhão de sensibilidade entre todos” (WALLON, 1993, p. 106).

No início da vida, a emoção tem a missão de garantir a sobrevivência da espécie, já que assumem a função de instrumentos que possibilitam a satisfação das necessidades básicas. Entretanto, é relevante ressaltar que a emoção assume a função de adaptação do indivíduo ao meio social.

A emoção se manifesta através do movimento, ela surge no momento em que ainda não existe, por parte da criança, raciocínio em sua expressão, mas isso não impede a emoção de se expressar sobre o mundo, portanto, de tomar iniciativa sobre ele.

Para sobreviver, a emoção necessita de expectadores, numa crise emocional é suficiente para enfraquecer sua manifestação, ou seja, uma criança quando cai, chora quando vê alguém próximo a sua pessoa (mãe), caso contrário, torna-se sem efeito, logo cessa. O contágio da emoção e o seu efeito é provocar identidade de reações e comunhão de sensibilidade entre todos.

A emoção se manifesta no corpo, tem expressamente sinais que anunciam sua chegada com distúrbios motores, como tremor na boca e nas pernas diante do medo.

Distúrbios dos sentidos – dilatação das pupilas dos olhos e suor nas mãos diante do pavor; distúrbios de julgamento – a pessoa encolerizada se torna incapaz de identificar os motivos da cólera e perder a noção daquilo que a envolve.

Agitação visceral e glandular – modificação do pulso, aceleração dos batimentos cardíacos e da respiração diante da cólera. Desse modo, verifica-se que a emoção é uma linguagem corporal, muitas vezes, ignorada pelo professor. É preciso que este profissional conheça os efeitos da emoção, para melhor trabalhar as suas emoções e as das crianças.

A alegria é uma emoção positiva que está relacionada com as primeiras sensações do bebê. Referindo-se ao toque, o bebê se contorce, como se fosse cócegas, que é o resultado da carícia. A criança pode sentir prazer e alegria em pequenos gestos como balançando as pernas. Esse prazer pode ser descoberto por ela mesma.

O prazer está associado a sensação de bem estar que são reveladas pelo corpo diante de situações de carinho ou qualquer outra que lhe proporcione prazer ou alegria. A alegria tem o movimento como um grande aliado em suas manifestações, ela tanto pode nascer do movimento, quanto pode revelar o movimento como um dos seus efeitos.

A cólera, por sua vez, na sensibilidade orgânica, apresenta-se através dos movimentos motor e visceral. A sua intensidade varia de pessoa para pessoa, tal como de situação para situação, sendo de tal tamanho que chega a romper as relações com o ambiente. Existem dois tipos de cólera: centrípeta e projetiva.

A cólera centrípeta tem como alvo a própria pessoa, ou seja, as ações são voltadas para ela mesma, como cortar os pulsos, rasgar as vestes [...]. E a cólera projetiva tem como alvo o meio, o outro, as coisas, como jogar cadeiras, bater em quem está próximo.

O medo segundo Wallon (1971) é a primeira emoção experimentada da criança e esta não ocorreria senão pela sensibilidade labiríntica do bebê, o labirinto é o órgão responsável pelo equilíbrio.

A ocorrência do medo é inconciliável com qualquer atividade uma vez que implica a obnubilação da consciência e, consequentemente, a falta de controle dos movimentos corporais. O medo nasce da incapacidade de reagir e da ausência de controle das atitudes. Tanto o pavor quanto a angustia tem o poder de abolir a atividade do sujeito, pois a sua atuação impõe ao corpo uma súbita variação tônica.

5.3 A relação afetiva entre o professor e o aluno

Toda relação é irrigada com afeto, sendo este o elemento fundamental das relações humanas. No processo educativo a relação professor e aluno é uma interação que dá sentido à aprendizagem. O docente precisa refletir em sua prática como anda essa relação.

O professor, em princípio, deve está atento para as demonstrações dos comportamentos citados acima, pois é a forma como encara estes conflitos que irá possibilitar um melhor relacionamento com seu aluno.

Antes de castigá-lo ou emitir conceitos sobre o mesmo, ele necessita dialogar com este aluno buscando antes de tudo conhecer as razões que o levaram a agir desta forma.

Resolver um problema através da punição, castigos e críticas conduz à relação ao supercialismo, pois o professor quando age assim, não descobre os conflitos intrínsecos que levaram o aluno a agir em prejuízo de si próprio e do outro.

Até algum tempo atrás estes conflitos podiam ser resolvidos mediante a submissão do aluno, o professor mandava e ele obedecia. Atualmente, este tipo de relação entrou em um processo de extinção, uma vez que as crianças já não obedecem tão cegamente as ordens estabelecidas e questionam sobre a sua necessidade.

Portanto, é necessário rever os paradigmas da relação professor e aluno, tendo em mente as mudanças que ocorreram na sociedade; onde o respeito se conquista e não se impõe como na época da ditadura militar.

A conquista da disciplina é um desafio a ser enfrentado pelos educadores – até os mais democráticos sentem dificuldades nesse aspecto, afinal de contas a democracia é um exercício diário e eles não foram educados para isso, então falta lhes a convivência.

Segundo Tiba (2012) “a disciplina na escola constitui-se num conjunto de regras que possibilitam a aprendizagem”. Estas regras devem ser construídas em comum acordo com os alunos, e isto só é possível quando a relação entre eles e o professor está equilibrada.

Considerar uma relação a partir do entendimento entre os elementos que a constituem não é tarefa das mais fáceis, uma vez que devem ser analisadas as características individuais de cada grupo ou par que compõe o organismo da instituição educativa; sendo cada um deles, uma pessoa única, que tem seus próprios valores, que traz consigo uma história pessoal e social. Faz-se necessária a análise individual e coletiva para posteriormente definir as formas de trabalho e intervenções educativas.

Portanto, considerar que a história pessoal de cada indivíduo interfere diretamente na forma como este age consigo mesmo e com os outros é a maneira de tornar a educação mais humana e democrática.

Uma análise das características pessoais do aluno e do professor requer a colaboração das diversas áreas do conhecimento: psicológica, social, econômica que, indubitavelmente, fazem parte da vida de qualquer pessoa.

O objetivo da análise das características individuais não é apontar responsáveis pelos conflitos que surgem na interação aluno-aluno, aluno-professor, mas, dá indicativos que estas relações podem melhorar consideravelmente, contribuindo, assim, para o enriquecimento pessoal e profissional de todos os envolvidos.

A maneira como se explica a uma criança de três anos que ela precisa organizar seus objetos é diferente da utilizada com uma de dez anos. O tom da voz e a gesticulação são diferentes e vão determinar o grau de envolvimento entre o professor e o aluno. Os interesses, também, variam conforme a idade e o grupo, portanto, propor atividades adequadas, nem muito difíceis que não possam ser resolvidas, nem muito fáceis que não venha a ser um desafio, estreitam os laços entre eles.

5.4 A influência da tecnologia nas relações afetivas

A tecnologia avança em todas as áreas do conhecimento humano. A tecnologia deve estar a serviço de pais e educadores apenas como instrumentos, nunca com a intenção de substitui-los.

Os maiores desafios dos educadores e dos pais é acompanhar o desenvolvimento da tecnologia levando em conta a presença de seres humanos em formação. Precisamos de uma educação que vise o ser humano em primeiro lugar, que seja voltada para as características do ser como um todo.

Com a chegada da internet, a invasão das redes sociais nos lares distanciou o afeto das pessoas. Sites de relacionamentos frios, deixando pessoas vazias, há pessoas com medo de amar, o “fica” decretou o fim do namoro. Há famílias que se comunicam através de aplicativos, privando-se de um bom dia, de um sorriso ou um abraço entre irmãos ou até mesmo entre os pais.

O uso da internet e das redes sociais na sala de aula vem como uma nova forma de interação dos alunos no processo educativo, seu universo é amplo no campo da comunicação entre aluno e professor estabelecendo um intercâmbio educacional e cultural.

Desta forma, a internet proporciona a quebra de barreiras, de fronteiras e remove a mesmice e o isolamento da sala de aula, acelerando a autonomia da aprendizagem dos alunos em seus próprios ritmos. A internet não pode ser considerada educadora, pois é apenas um instrumento nas mãos de quem a utiliza.

6. A FAMÍLIA E SUA INFLUÊNCIA NA ESCOLA

A família representa um papel singular no desenvolvimento infantil, precedendo sua capacidade de escolha. Constituem-se no primeiro grupo da criança no qual ela satisfaz as suas necessidades básicas e obtém as primeiras condutas sociais.

O que distingue o meio familiar do escolar é a natureza e a diversidade das relações que constituem a convivência em um ambiente menos estruturado e menos estável que a família e a escola proporcionam na participação em grupos, cuja integração inclui regras, assume tarefas e, principalmente, reconhecem as suas capacidades e respeitar a si próprio mediante o outro.

A escola pode tornar-se um meio propício para a edificação do eu na medida em que possibilita a criança experimentar relações simétricas com os mais variados grupos. O meio social exerce um forte poder sobre a criança, a sociabilidade, atinge os limites do desenvolvimento da personalidade.

A função da escola inicia quando termina a da família e vice-versa. Suas responsabilidades são diferentes, cada instituição estabelece relações especificas.

A escola é vista como a continuação da família, pois, a necessidade de caracterizar a escola como um espaço de continuidade da família, expressa-se na atitude da professora de assumir o papel caricaturado de mãe, como se a relação professor e aluno não pudesse ser uma relação afetiva, e como se as relações de afeto implicassem, necessariamente, em uma interação de mãe-filho ou tia-sobrinho.

Na escola a única relação que deve ter é a relação professor-aluno, mas, na atuação do professor como um observador e mediador de conflitos, o professor deve ser capaz de identificar os entraves que se estabelecem entre o professor e o aluno, para melhor lidar com a teia das relações que se criam na apropriação do conhecimento.

A responsabilidade do conhecimento está na escola; Mesmo na escola as relações afetivas se evidenciam visto que a transmissão do conhecimento se implica na interação de pessoa para pessoa. O professor desconhece que o afeto assim como a inteligência evolui, isto é, à medida que se desenvolvem cognitivamente, as necessidades afetivas da criança tornam-se mais exigentes. Passar afeto não inclui apenas o contato físico, mas, o ouvir, o conversar e o admirar a criança.

Vivemos num mundo capitalista, onde as famílias perderam sua essência e seu valor. Hoje a construção de uma família, nasce do nada, sem um planejamento ou preparo emocional. Meninas deixam de viver sua infância logo cedo, o governo incentiva a ter filhos com bolsas e mais bolsas, mas, não incentiva a construir uma família fundamentada no amor e nos valores morais.

Os casamentos não duram mais que dois anos. Assim, temos um quadro de famílias desestruturadas, onde a violência e a falta de afeto envolvem todos da família. A violência dentro dos lares é alarmante, são filhos que presenciam brigas dos pais, pais que matam filhos, filhos que matam os pais, mães que vivem uma sexualidade desregrada, a família já não tem mais identidade.

A família está ausente na escola e busca transferir a responsabilidade que é dela para a escola. Esta, por sua vez, ausenta-se achando que a sua função é apenas instruir. E fica a pergunta, de quem é a culpa pelo fracasso escolar do aluno? É da escola? É da família? Ou do professor que está em sala de aula?

Ambos têm uma suma importância no desenvolvimento escolar da criança. Cabe à família educar e cuidar da afetividade da criança, oferecer um ambiente de amor e respeito, dando-lhe limites e ensinando valores.

A função da escola vai muito além da instrução, ela é formadora juntamente com a família. Quando uma dessas bases se omite, há uma deformação ao ser que se pretende formar, é no seio da família que brota o amor e que forma a personalidade da criança. Os pais em casa são modelos para os filhos, assim como na escola quem é o modelo é o professor.

Da mesma forma que surge a preocupação com a posição afetiva do aluno frente aos colegas na sala de aula, deve preocupar-se com a família, com a realidade da criança, como essa vive sua afetividade, como também a do mestre que atua em sala.

Para melhor concepção e aprofundamento na questão Escola/Família, encontram-se pontos cruciais que requerem bastante apreciação e desempenho. Essa relação permite uma visão ampla de um tema presente no cotidiano de qualquer indivíduo levando em consideração toda uma abordagem da atualidade, assim como do meio social no qual o “ser” está inserido.

Tal relação só pode acontecer no encontro de interesses entre a sociedade e a família através do processo educacional. Essa importância culminará em uma aprendizagem significativa, como, também, em um desenvolvimento mais completo para o ser humano.

Diante de tantas diversidades no meio social, no qual se vão deixando de lado os valores, a ética e a cidadania, são de extrema importância em uma atuação que venha a favorecer e resgatar objetivos e metodologias para um melhor desempenho do educando.

Mas, é preciso lembrar que para este desenvolvimento acontecer de forma satisfatória é necessária uma parceria, ou seja, um compromisso da família em conjunto com a escola durante o processo ensino-aprendizagem.

A escola é conceituada como um espaço privilegiado de ensino e aprendizagem. Um lugar de interação entre professores e alunos formando conceitos e noções, conhecimentos e interação na busca de um “ser” crítico e atuante. Uma instituição onde um professor é considerado como um competente mediador entre o aluno e o conhecimento.

A escola é definida como de fundamental importância para o desenvolvimento e cidadania do educando tanto no processo educativo como no familiar. Apesar deste espaço ser democrático onde o acesso deveria ser de todos, gostaríamos de salientar a existência de dois tipos de escolas [...] (SAVIANE, 1988, p.23).

Esta teoria mostra a realidade do cenário brasileiro, dois tipos de escola, uma correspondência na divisão social entre burguesia e proletariado. Vista como um aparelho ideológico onde sua prioridade seria nada mais que a formação pela força de trabalho e para inculcação da ideologia burguesa.

A escola deve ser um espaço onde o professor não seja considerado como um objeto onde toda a centralidade está voltada para si. Mas, sim, um meio onde o processo educativo construísse homens que não sejam submissos, frisando, também, que ainda estamos longe desse ideal.

[...] a liberdade humana só pode ser medida pelas possibilidades de desenvolvimento da ação e da satisfação dos desejos e necessidades, Bonfim defende que a principal atribuição da escola é “ensinar e aprender” e o objetivo da educação é tornar o indivíduo capaz de adaptar-se modificar-se por si mesmo (GONTIJO, 2010 p. 26).

A educação é um fator indispensável a vida do ser humano. É este processo que faz o homem adaptar-se ao meio, a fim de conseguir realizar os seus feitos diante de tantas variações no meio ao qual está inserido. Um processo de captação de consciência que aos poucos vai se estendendo.

Graças à educação, cada personalidade nova pode resumir o progresso moral e mental da humanidade. Em compensação se é mal feita, ou incompleto, a educação, o indivíduo será um deformado moralmente, ou mutilado mentalmente [...]. Ao mesmo tempo, sucede que, ainda quando seja benfeita a formação educativa estende-se por longo período, e enquanto ela não está terminada, ou, pelo menos muito adiantada, o jovem é um incompleto (GONTIJO, 2010, p. 74).

A escola tem que se preocupar para que o repasse do conhecimento neste período seja de forma sábia e coerente, não podendo haver pontos ou erros nesta transmissão do saber.

A família é concebida como um âmbito que requer muita harmonia e dedicação por parte dos pais na vida escolar do educando, laços maternos unidos na construção de uma vivência mais sólida e diversificada com os seus filhos. Portanto, a mãe torna-se a primeira professora na vida da criança em tempo integral, tornando, assim, um processo que mais a frente, facilmente a criança irá desenvolver suas habilidades na aprendizagem.

Segundo Parreira e Marturano (1999, p. 47) “Quando a criança participa da vida familiar, adquire, mais facilmente, habilidades que são necessárias para a aprendizagem escolar”.

Ao início a criança necessita de muita atenção e paciência, enfim, com todos os esforços e uma participação ativa da família na vida escolar dos seus filhos, muito provavelmente elas alcançarão um rendimento escolar desejável. A cada dia a educação requer cada vez mais que este processo entre escola e família andem juntos na construção e resolução de métodos que venham a favorecer o educando. Faz-se necessário que os pais se sintam engajados em um processo constante de educar.

“Toda criança aprende com os irmãos, com os avós, com as tias” (PARREIRA; MARTURANO, 1999, p. 53). Sabe-se que a família é a base de qualquer ser humano e, portanto, torna-se oportuno à intervenção dos pais na resolução de problemas inerentes aos seus filhos. A escola poderia proporcionar para esta relação encontros significativos que juntos possam discutir os pontos positivos e negativos para um melhor êxito na aprendizagem do aluno. Mas não só isto, também, ambos podem realizar projetos educacionais.

O ambiente escolar e familiar ao qual o educando está inserido, pode acarretar o seu mau desempenho escolar, seja por falta de incentivo, estímulo ou até mesmo condições de ensino. Percebe-se que a grande maioria das dificuldades apresentadas pelas crianças é provavelmente de problemas familiares.

A relação entre pais e filhos é de fundamental importância para o desenvolvimento da aprendizagem. É a partir destes conceitos e desta relação que a criança implica seus valores como respeitar as pessoas, regras e normas sociais. Não tendo a criança está atribuição de princípios, as mesmas acarretarão em problemas de comportamento que prejudicará a sua aprendizagem.

[...] A família que pouco dá valor aos estudos acaba incentivando pouco a criança. Alguns pais pouco se importam se a criança vai bem o mal na escola, se ela será promovida ou não. Para essas crianças, a postura da família se torna negativa, pois elas, além de não receber ajuda em casa, passam também a dar pouco valor para a aprendizagem escolar (PARREIRA; MARTURANO,1999, p. 91).

Além da problemática da falta de relação família e escola, a televisão tem sido um dos principais instrumentos da atenção da criança. Um dos meios de bastante abrangência em todo contexto seja nacional ou internacional, a TV vem a cada dia tornando-se muito influenciadora na vida da criança ou do adolescente. Muitos são os pontos negativos quanto aos programas sem apropriação para os menores. A perspectiva é que os programas sejam salientados por um adulto para melhor apreciação da criança.

Há uma diversificação muito grande quanto aos programas educativos para crianças ou adolescentes na fase de preparação para a maturidade, programas esses que servirão para orientação e prevenção.

[...] Essa mobilização que a TV exerce deve ser sempre levada em consideração pelos pais (tanto como pelos professores) quando desejamos, por exemplo, que nossos filhos deixem de assistir a ela para estudar, ler, conversar ou até mesmo partilhar uma refeição com a família (ZAGURY 1995, p. 99).

Cabe ao papel dos pais estabelecerem horários para as crianças assistir TV, para que assim não venha a prejudicar na vida escolar do aluno. A mesma autora acima citada diz que: “[...] a televisão pode ser de extrema utilidade para o desenvolvimento da capacidade intelectual e do pensamento crítico”.

Sendo assim, torna-se quase impossível privar as crianças ao mundo da TV. Este é um processo mais diversificado de aprendizagem na vida do aluno. Evidencia-se com as indagações propostas nos referidos trabalhos que tanto a família como a escola são alicerces que servirão de base na construção de um conhecimento mais sólido por parte da criança.

Uma união que resultará em desenvolvimento na vida do educando, e que tanto a família como a escola conheçam a realidade que lhes são impostas para que ambos, de forma recíproca, possam agir sobre ela. Um dos principais fundamentos a desenvoltura escola/família é o diálogo que lhes é preponderado, enfim, um processo onde o conjunto acaba em uma aprendizagem.

7. METODOLOGIA

7.1 Caracterização da pesquisa

A presente pesquisa é um estudo de caso, descritivo, de natureza qualitativa.

Ressalta-se que segundo Severino (2007, p. 121) “o estudo de caso é a pesquisa que se concentra no estudo de um caso particular, considerando-se representativo de um conjunto de casos análogos, por ele significativamente representativo”.

Quando se fala de pesquisa qualitativa [...] cabe referir-se a um conjunto de metodologias que faz referências a seus fundamentos epistemológicos do que propriamente a especificidades metodológicas (SEVERINO, 2007, p. 119).

A segunda parte da pesquisa será feita através das observações em sala durante a prática docente, visando compreender a postura do professor perante as manifestações das emoções nas crianças.

7.2 Local e período de coleta de dados

Esta pesquisa é um estudo de caso realizado no Município de Santana do Cariri, no Distrito Dom Leme. Na E.M.E.I.F. JOSÉ JUCÁ DE SOUSA CASTRO, visando coletar dados através da observação em sala de aula e utilizando-se de questionários, os dados foram coletados no período de dois dias consecutivos na sala de educação infantil.

7.3 Universos da pesquisa

A pesquisa visa instigar e observar um grupo de professores da educação infantil, analisando sua postura diante do fenômeno das emoções vivenciadas dentro da sala de aula.

7.4 Instrumentos de coleta de dados

Utilizou-se como instrumento de coleta de dados a observação e um questionário de cinco perguntas direcionadas ao professor titular da sala de educação infantil. “O questionário é um instrumento de coleta de dados constituído por uma série ordenada de perguntas, que devem ser respondidas por escrito e sem a presença do entrevistador” (LAKATOS, 2010, p. 81).

8. APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS

Em entrevista realizada na escola na E.M.E.I.F. ESCOLA JOSÉ JUCÁ DE SOUSA CASTRO, perguntou-se aos professores da Educação Infantil se diante dos conhecimentos adquiridos, eles se sentem preparados para lidar com as emoções dentro da sala de aula.

GRÁFICO 01 – O professor e as emoções em sala de aula


Fonte:
dados da pesquisa, 2015.

Verifica-se que 37,5% dos professores afirmaram que se sentem preparados, no entanto 62,5% não se sentem preparados, pois desconhecem a origem e os efeitos das emoções.

Precisa-se ter em mente que quando se lida com este ser fabuloso que é a criança, o seu desenvolvimento não é retilíneo, mas, ao contrário, sofre alterações conforme o seu estado de espírito, seu humor, suas angústias, medos e expectativas que também fazem parte do universo adulto.

É a maneira como serão encaradas estas idas e vindas do desenvolvimento infantil que determinarão as relações que irão se estabelecer com as crianças. São as atitudes e reações ao comportamento que delinearão o grau de envolvimento do professor.

Para lidar com as emoções em sala de aula, exige-se do professor muita habilidade e preparo físico e emocional para que este possa discernir e trabalhar melhor a sua afetividade e as das crianças. Segundo Wallon (apud ALMEIDA, 2012) as emoções se manifestam quando se tem uma plateia, no caso a sala de aula e que apresentam sinais visíveis, que devem ser identificados pelo professor.

GRÁFICO 02 – Influência das emoções na prática pedagógica


Fonte:
dados da pesquisa, 2015.

Perante os resultados analisados 50% afirmam que a emoção muito compromete a sua ação pedagógica e 50% afirmam que a emoção não exerce nenhuma influência.

No entanto, as emoções permeiam todo o decorrer da vida humana e que estas influenciam na prática pedagógica uma vez que o docente esteja preparado e saiba controlar a situação sem envolver-se demais com as emoções do momento.

Diante de uma situação de cólera (raiva) de uma criança da educação infantil, deve-se agir de maneira dialógica. Muitas vezes repreendê-la ou castigá-la, só pioraria a situação, então ouvi-la e tentar entender sua ação, ainda é a melhor maneira de não afetá-la negativamente.

GRÁFICO 03 – Prática das emoções em sala de aula


Fonte:
dados da pesquisa, 2015.

Interrogou-se aos professores se a afetividade das crianças e a do professor era trabalhada. 87,5% dos entrevistados responderam que sim, que a sua afetividade e a dos alunos eram trabalhadas através de projetos e dinâmicas que fortaleciam os vínculos entre professor e aluno. Sendo que 12,5% disseram que não, pois o professor é avaliado pelo conhecimento e habilidades em sala de aula, as emoções são relacionadas à indisciplina.

A afetividade do professor, assim como as das crianças deve ser trabalhada por meio de projetos nos quais se evidenciem a importância de trabalhar a afetividade, pois dela resulta o sucesso ou o insucesso escolar. O profissional que atua em sala de aula ou o estudante de pedagogia não se sente preparado para encarar os conflitos gerados pelas emoções. Confundir os efeitos das emoções com indisciplina é admitir que este profissional não tem conhecimento da origem das emoções.

Perguntou-se aos professores titulares da educação infantil se concordam que o estudo sobre as emoções deveria fazer parte do currículo nos cursos de Pedagogia.

GRÁFICO 04 – Sobre a afetividade no currículo pedagógico


Fonte:
dados da pesquisa, 2015.

Entende-se que 75% responderam que concordam que o estudo das emoções deveria fazer parte no currículo do curso de Pedagogia e 25% disseram que não concordam.

As emoções estão presentes em todo o decorrer da vida. O professor formado em Pedagogia tende a lidar direto com a criança, na qual cria vínculos e nessa relação está presente o afeto.

O professor desconhece que a afetividade evolui à medida que se desenvolvem cognitivamente. As necessidades afetivas da criança se tornam mais exigentes. Por conseguinte, passar afeto inclui não apenas beijar, abraçar, mas, também, conhecer, ouvir, conversar, admirar e entender a criança.

Conforme Almeida (2012), para a criança na fase escolar, mais significativo que um beijo é o professor, por exemplo, identificar o seu trabalho entre vários da sala, revelar que a conhece, demonstrar que se interessa por sua vida.

Interrogou-se aos professores da Educação Infantil se emoção é o mesmo que sentimento.

GRÁFICO 05 – Emoção X Sentimentos


Fonte:
dados da pesquisa, 2015.

Compreende-se que 25% não tem o conhecimento sobre o que venha a ser emoção quando responderam sim, e 75% afirmam que emoção e sentimento são duas coisas totalmente diferentes.

Para Wallon (1994) “emoção e sentimentos são conceitos que não se confundem. A emoção é a manifestação de um estado subjetivo com componentes fortemente orgânicos, mais precisamente tônicos; é a expressão própria da afetividade”.

O sentimento é psicológico, revela um estado mais permanente. Acaba sendo ideias ou juízo das emoções.

Os sentimentos são mais conscientes que a emoção, pois, enquanto as emoções muitas vezes chegam ao ser humano e aos animais de forma inconsciente, o sentimento é uma espécie de juízo sobre essas emoções que, devido a estas serem inconscientes, nem sempre correspondem à verdade.

9. CONSIDERAÇÕES FINAIS

O professor precisa estar ciente de que o que move a sua prática é a afetividade e que dela depende a aprendizagem do seu aluno.

A realidade da escola pública é extremamente alarmante, pois a afetividade das crianças se encontra no anonimato. É uma realidade totalmente obscura. São crianças que vivem na pobreza, na prostituição, na droga. É impossível não se envolver com essa triste situação. O professor, por sua vez, tenta ser flexível, muitas vezes se omite ou se estressa, sendo grosseiro, não entendendo que as atitudes das crianças, provocadas pelas emoções, apontam um desconcerto gerado, muitas vezes, por um desajuste familiar.

Conclui-se que a família e o professor são os principais formadores dos vínculos afetivos da criança, e que tanto a escola, como a família são os responsáveis pela formação da personalidade. Sugere-se que na grade curricular do curso de Pedagogia poderia ser incluído o estudo das emoções, trabalhando a afetividade do professor para que esta repercuta positivamente na afetividade da criança. Trabalhar a afetividade do profissional que atua em sala melhora a sua prática pedagógica e influencia no processo de aprendizagem da criança.

Portanto, as emoções não são o julgamento que dela fazemos ou os comportamentos que ajudam a gerar, mas, sim, o uso que fazemos delas, sendo plateia quando envolvidos por elas ou sendo autores. Sob este prisma, conceber a pluralidade das emoções que estão à nossa disposição nos permitirá conviver com elas e delas tirar todo o aprendizado para nossa vida, sabendo identificar claramente o que nos incomoda e identificá-las quando estivermos em contato com a criança.

10. REFERÊNCIAS

ALMEIDA, Ana Rita Silva. A emoção na sala de aula. 8. ed. Campinas (SP0: Papirus, 2012.

ARANTES, Valéria Amorim. Afetividade na escola: alternativas teóricas e práticas. São Paulo: Summus, 2003.

BRASIL, Ministério da Educação. Parecer CNE/CEB. Revisão das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil n. 20. Brasília, 2010.

CASTRO, Maria Edileide de Souza. Educação: limites e afetividade. Salvador, 2008.

CUNHA, Antônio Eugenio. Afeto e aprendizagem: relação de amorosidade e saber na prática pedagógica. Rio de Janeiro: Wak, 2008.

CURY, Augusto. Treinando a emoção para ser feliz: nunca a autoestima foi tão cultivada no solo da vida. 2. ed. São Paulo: Editora Planeta do Brasil, 2007.

FREIRE, Paulo. Professora sim, tia não: cartas a quem ousa ensinar. São Paulo: Olho d’água, 2010.

GADOTTI, M. Convite a leitura de Paulo Freire. São Paulo: Scipine,1999.

GALVÃO, Izabel. Henri Wallon: uma concepção dialética do desenvolvimento infantil. 18. ed. Petrópolis (RJ): Vozes, 2008.

GIL, A. C. Como elaborar projetos de pesquisa. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2008.

MARCHAND, Max. A afetividade do educador. 5. ed. São Paulo: Summus, 1985.

MARTURUANO, L. M. Escola x Família: uma relação necessária para o processo educacional. Porto Alegre: Phort, 1998.

REVISTA PÁTIO-EDUCAÇÃO INFANTIL. Grupo A, n. 5, abr.-jun., 2012.

ROSSINI, Maria Augusta Sanches, Pedagogia Afetiva. 12. ed. Petrópolis (RJ): Vozes, 2011.

SABINO, Simone. O afeto na prática pedagógica e na formação docente: uma presença silenciosa. São Paulo: Editoras Paulinas, 2012.

SALTINI, Claudio J. P. Afetividade e inteligência. Rio de Janeiro: DPA, 2002.

SEVERINO, Antônio Joaquim. Metodologia do Trabalho Cientifico. 23. ed. São Paulo: Cortez, 2007.

TIBA, Içami. Disciplina: limite na medida certa. 1. ed. São Paulo: Editora Gente, 2007.

_________. Quem ama educa: formando cidadãos éticos. São Paulo: Integrare, 2012.

11. APÊNDICES

11.1 APÊNDICE A

TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECDO (TCLE)

UNIVERSIDADE ESTADUAL VALE DO ACARAÚ – UVA

LICENCIATURA EM PEDAGOGIA

Termo de consentimento para participação na pesquisa “ Afetividade na prática pedagógica e na formação docente”. Desenvolvida pela graduanda, ERIVÂNIA GUEDES DA SILVA sob a orientação da professora ROSEMARY HERCULANO DE CARVALHO, de acordo com a Resolução 196 de 10/10/1996 do Conselho Nacional de Educação.

O objetivo Refletir e discutir sobre a importância do papel da afetividade na prática pedagógica e na formação docente e nortear condutas do docente mediante afetividade no processo ensino aprendizagem para melhor possibilitar ao educando um desenvolvimento afetivo sadio, que o leve a construção de uma personalidade autônoma.

A finalidade deste trabalho é contribuir para o desenvolvimento cientifico da área Educação.

A participação neste estudo é voluntária e, portanto o (a) senhor (a) não é obrigado a fornecer as informações e/ou colaborar com as atividades solicitadas pelos pesquisadores, não estando, portanto passível de sofrer nenhum dano caso decida não participar do estudo ou resolver a qualquer momento desistir do mesmo.

As informações coletadas nesta pesquisa serão utilizadas única e exclusivamente com propósito acadêmico - científicos, portanto os dados sofrerão tratamento estatístico e análise qualitativa, não sendo divulgado nenhum dado particular dado particular, nome, logomarca ou elemento que identifique a escola ou o indivíduo participante. Caso seja do interesse da escola/ou indivíduo os pesquisadores enviarão um relatório com os resultados específicos sob solicitação por escrito, este, no entanto não tem validade enquanto parecer técnico. A divulgação dos resultados deste estudo ocorrerá em eventos didáticos-científicos e os resultados serão apresentados de forma coletiva mantendo o sigilo e a integridade jurídico, físico e moral dos participantes.

As informações aqui solicitadas deverão ser respondidas com total veracidade e de forma voluntária.

Diante do exposto, eu _________________________________________________, declaro que fui devidamente esclarecido (a) e dou o meu consentimento para participar da pesquisa e para publicação dos resultados.

CRATO – CE

2015

11.2 APÊNDICES B

ROTEIRO DA ENTREVISTA

UNIVERSIDADE ESTADUAL VALE DO ACARAU – UVA

LICENCIATURA EM PEDAGOGIA

ENTREVISTA SEMI ESTRUTURADA

  1. Diante dos seus conhecimentos, você se sente preparada para lidar com as emoções dentro da sala de aula?
  2. Você acha que as emoções influenciam na prática pedagógica?
  3. Você trabalha a sua afetividade e as dos seus alunos?
  4. Em sua opinião: o estudo sobre as emoções deveria fazer parte do currículo nos cursos de formação para professores? Justifique sua resposta.
  5. Ao seu ver, emoção é o mesmo que sentimento?

Publicado por: erivania guedes da silva

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