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Patrimônio Fóssil

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A Paleontologia não é, portanto, o passatempo de caçadores de dinossauros, mas é uma ciência multidisciplinar com grande apelo popular. E pode encontrar a Espeleologia de várias formas. A mais comum se dá ao estudarmos os fósseis que são preservados dentro de cavernas. No Brasil, diversos achados do final do Pleistoceno (que vai até cerca de 10 mil anos atrás), abrangendo uma fauna de mamíferos, alguns de grande porte, foram efetuados em cavernas de Minas Gerais, Bahia, São Paulo, Ceará, Piauí e outros estados. E novos sítios continuam sendo descobertos, além de novas informações serem coletadas de sítios já pesquisados.

Alguns locais, entretanto, preservaram feições cársticas mais antigas, como na África do Sul, com os sítios de australopitecíneos do Plioceno1 (desde cerca de 5,3 até 1,8 milhões de anos), e Reino Unido, com sítios de répteis e mamíferos primitivos datando do Mesozóico2 (abrangendo todo o final do Triássico, a partir de 210 milhões de anos, e início do Jurássico, até 195 milhões de anos). No Brasil ocorre um caso análogo ao último, onde um paleocarste datado entre 61,8 e 58,5 milhões de anos atrás (no Paleoceno) em Itaboraí, Rio de Janeiro, conserva raros fósseis de mamíferos de um intervalo de tempo crucial, logo após o desaparecimento dos dinossauros3. Esses são casos particulares, em que uma série de condições geológicas e fisiográficas permitiram a conservação dos depósitos endocársticos durante intervalos de tempo tão vastos.

Os depósitos endocársticos brasileiros revelam principalmente fósseis do Pleistoceno, mas eles não são os únicos a conservar vestígios paleontológicos em nosso meio cárstico atual. A própria rocha em que as cavernas se formam pode também conter fósseis. É o caso dos estromatólitos, uma estrutura calcária construída por algas e/ou cianobactérias durante seus ciclos de vida. A importância deles se reflete na sua aplicabilidade. No atual estágio de conhecimento, e com os devidos estudos, os estromatólitos podem: indicar flutuações eustáticas durante a deposição dos calcários; identificar localidades em que houve atividades biológicas no passado; determinar dados astronômicos como taxa de rotação e duração dos dias, assim como número de dias por ano, em diferentes estágios do tempo geológico; servir como index para correlações estratigráficas; interpretar ambientes deposicionais e paleossalinidade, assim como taxas de sedimentação; determinar o sentido de paleocorrentes; mapear antigas zonas litorâneas; e servir como guias prospectivos para mineralizações de chumbo e estanho, além de outros usos4. Deve-se ressaltar, entretanto, que um exemplar isolado não tem serventia para tais estudos: as associações entre tipos morfológicos distintos são fundamentais, assim como o registro de sua extensão lateral.

No Brasil também foram descobertas pseudomorfos de bactérias e algas em silexitos e cherts (em Goiás estão as mais antigas do país, com cerca de 1 bilhão de anos de idade), e ainda temos a possibilidade de encontrar vestígios de uma fauna originalmente descrita na Austrália ("fauna" de Ediacara) em rochas com mais de 600 milhões de anos, como sugerem algumas novas datações em carbonatos do Grupo Bambuí. Algo impressionante, e até a pouco tempo impensável. E quais outras surpresas podem ainda estar esperando, sob o lusco-fusco de uma chama de carbureto, nos condutos de uma caverna ainda a se explorar. Os primatas seriam um outro grupo inicial de estrangeiros, e teriam chegado no final do Oligoceno (há 25 milhões de anos), através de transporte passivo (balsas de vegetação). Eles também seriam originários da África. O êxito evolutivo que tiveram no Novo Mundo é visível na diversidade atualmente observada. Entre as espécies extintas no Pleistoceno estão Caipora bambuiorum, descoberto recentemente na Bahia, e Protopithecus brasiliensis, descoberto originalmente em Minas Gerais, ainda no século XIX. Esse último pesava cerca de 25 quilogramas, sendo o maior dos macacos sul-americanos já encontrados: o dobro em peso e volume dos mais avantajados da atualidade, e tinha o crânio semelhante ao de um macaco guariba e dentes e corpo como os de um monocarvoeiro. São conhecidas atualmente 13 espécies de preguiças extintas no Brasil, e várias delas conviveram aproximadamente no mesmo local e período (ao menos 8 espécies foram descritas, por exemplo, em Minas Gerais). Essa convivência só deve ter sido possível pela variada gama de adaptações que esses animais apresentam, para se alimentarem de diferentes tipos de vegetação. Pode ser algo comparável com a grande diversidade de herbívoros que hoje vivem na África, onde desde pequenos cervídeos até os elefantes se alimentam de diferentes partes das acácias. Assim, pequenas preguiças poderiam se alimentar de vegetação rasteira, outras apresentavam-se generalistas, enquanto que preguiças gigantes poderiam talvez até derrubar uma árvore, para se alimentar daqueles ramos que nenhum outro animal alcançaria (de forma análoga aos elefantes africanos).

Outras espécies animais extintas são de difícil interpretação, por não existirem representantes atuais morfologicamente semelhantes a elas. É o caso dos ungulados do sul, outro grupo tipicamente sul-americano. Após atingir grande variabilidade, entrou em declíneo antes da maioria dos outros grupos extintos, e no final do Pleistoceno são conhecidas apenas algumas poucas espécies, em duas ordens: a dos toxodontes e a dos litopternos.

De qualquer modo, o homem não parecia dispor de tecnologia para caçar com tamanha profusão os grandes mamíferos (e são raríssimos os casos de ossos fósseis que apresentam indubitáveis marcas de tratamento por humanos em nosso território), e os predadores de modo geral não caçam suas presas à exaustão. Mas sabemos que o homem é uma exceção: estamos diante de um raro animal que utiliza suas reservas naturais até o esgotamento, destruindo no seu caminho o hábitat de toda uma miríade de outros seres vivos. Nossa única idéia de preservação geralmente é a conservação de recursos para nosso próprio uso, no futuro... *Texto parcialmente adaptado das apostilas dos cursos de introdução a Espeleologia, do Grupo de Extensão e Pesquisas Espeleológicas Guano Speleo - IGC/UFMG, e do curso Fósseis em Cavernas, ministrado por Leonardo Morato no Museu de Mineralogia Professor Djalma Guimarães. 1 Leakey, R. E. 1981. A evolução da Humanidade. Brasília: Editora da UnB, 256p. 2 Fraser, N. C. 1994. Assemblages of small tetrapods from British Late Triassic fissure deposits. In: Fraser, N. C. & Sues, H.-D. (eds.) In the shadows of the dinosaurs: early mesozoic tetrapods. Cambridge: Cambridge University Press, p. 214-226. 3 Uma síntese sobre esse depósito, sua idade e seu conteúdo fossilífero pode ser encontrada em Bergqvist, L. P. 1996. Reassociação do pós-crânio às espécies de ungulados da bacia de S. J. de Itaboraí (Paleoceno), estado do Rio de Janeiro, e filogenia dos "Condylarthra" e ungulados sul-americanos com base no pós-crânio. Porto Alegre, 407f. Tese (doutorado em Ciências) - Instituto de Geociências, Universidade Federal do Rio Grande do Sul. 4 Srivastava, N. K. 2000. Estromatólitos. In: Carvalho, I. S. (ed.) Paleontologia. Rio de Janeiro: Editora Interciência, p.119-136. 5 Informações mais detalhadas sobre a fauna de mamíferos do Pleistoceno podem ser obtidas também em: Cartelle, C. 1994. Tempo passado: mamíferos do Pleistoceno em Minas Gerais. Belo Horizonte: Editora Palco, 132p.

Outra fonte, de caráter mais técnico, é: Couto, C. P. 1979. Tratado de Paleomastozoologia. Rio de Janeiro: Academia Brasileira de Ciências, 590p. 6 Uma boa síntese desse grupo está em: Cartelle, C. 2000. Preguiças terrícolas, essas desconhecidas. Ciência Hoje, 27(161): 18-25. 7 A história dos canídeos sul-americanos pode ser encontrada em: Berta, A. 1988. Quaternary evolution and biogeography of the large South American Canidae (Mammalia: Carnivora).Berkeley: University of Califonia Press, vol.132, 150p. + 11 pranchas.} 8 Neves, W. A. & Hubbe, M. 2003. Luzia e a saga dos primeiros americanos. Scientific American Brasil, Edição Especial 2: 64-71.

 

EXPEDIÇÃO AO NITERÓI - Chegando ao local, numa área de 100 metros, o paleontólogo Alceu Ranzi e a bióloga Janira de Souza Melo, partiram a campo, escavando o local num trabalho minucioso que requer técnica e muito cuidado, utilizando material apropriado. Com poucos minutos de escavação, os fósseis foram aparecendo aos poucos, de vários tamanhos entre fragmentos de mandíbulas, parte superiores de crânios, dentes, vértebras e tantos outros.

Alceu Ranzi diz, satisfeito, que o Niterói chama a atenção da comunidade científica, devido à grande quantidade de fósseis encontrados com facilidade no local.

"O que achamos em meia hora aqui, em outros locais você demora dias para encontrar essas evidências. Uma riqueza fantástica. Nós apenas tiramos a superfície, não escavamos nada. Imagina o que encontramos quando acampamos durante dias na área", discorre.

A existência de inúmeras quantidades de fósseis na área, para o paleontólogo Alceu Ranzi, explica-se por a área ter abrigado um grande lago, que funcionou como uma armadilha para os animais que iam beber água no período seco.

"Possivelmente aqui foi um grande lago que soterrou, e hoje o rio está cortando esse lago. O rio está cortando o que foi um lago que funcionou como uma armadilha. Nos períodos de seca, os animais iam beber água e ficavam presos no lodo e na lama. É como na África, o que hoje é muito comum", explicou o paleontólogo.

NITERÓI REPRESENTA O MÁXIMO DO MIOCENO NO ACRE - Os fósseis de animais existentes no Acre, classificados como período Mioceno (cinco a oito milhões de anos), além de serem encontrados no sítio Niterói, estão abrigados em áreas denominadas como Barrancos do rio Moa, na Serra do Divisor, Margens do Alto rio Juruá, Localidade de Patos (Alto rio Acre), Localidade Cavalcante, Cachoeira da Bandeira (Assis Brasil), Localidade Lula e Talismã.

"O rio Acre é extremamente rico, o Purus, todos os rios do Acre. Esse sítio é muito rico, pois já ofereceu vasto material para dissertações de mestrado e teses de doutorado, vários artigos científicos, inclusive o doutorado do professor e reitor Jonas Filho, do Ricardo Negri, que se encontra em Porto Alegre, e tem em suas mãos milhares de peças daqui do Niterói para pesquisa de seu doutorado. Talvez o sítio Niterói seja o mais importante do Acre, sem descartar a importância dos outros", comenta.

Esse rico valor dos sítios existentes no Acre, reconhecido pelo meio científico nacional e internacional, afirma o professor Alceu Ranzi, tem um significado importante para a paleontologia no Brasil e América do Sul.

"O Mioceno foi uma época extremamente rica na América do Sul. Mas o Mioceno aflora na Venezuela, perto do mar do Caribe, e bastante na Argentina, na fronteira com o Chile, e é o único lugar no Brasil que temos o Mioceno. E o Niterói representa o máximo do Mioceno no Acre, significa dizer que é o melhor lugar de Mioceno no Brasil. Em termos de Brasil, estamos entre os grandes, e o Mioceno do Acre é uma referência para a América do Sul", comentou. Não é à toa que o lugar vem atraindo a atenção de pesquisadores de vários países.

"Dezenas de pesquisadores de vários países já estiveram aqui. Ano passado, conduzi uma turma de estudantes de Santa Catarina, 25 alunos, e ainda fiz três viagens para o Niterói, totalizando umas sessenta pessoas, entre estudantes e cientistas, que participaram do XVII Congresso Brasileiro de Paleontologia. Fizemos aqui um grande acampamento, com cientistas de Los Angeles, vários trabalhos com cientistas da Finlândia e nós praticamente todos os anos visitamos à área. É um lugar bastante conhecido pela comunidade nacional e internacional", completa.

Patrimônio da nação Três gerações de fósseis de crocodilo Os ossos achados pelos paleontólogos da UFRJ representam 70% do esqueleto do crocodilo Fósseis de dinossauros no Brasil Fósseis de três gerações de crocodilo foram descobertos em Marília, no interior de São Paulo. É a primeira vez que pesquisadores encontram ossos dos diferentes estágios da evolução do réptil. Embora não haja prova de parentesco entre os animais, os esqueletos poderiam perfeitamente pertencer à mesma família. São cinco ossadas - três adultos, um jovem e um bebê- , além de ovos fossilizados, e trata-se dos primeiros fósseis de crocodilos descobertos no Brasil. Todos viveram há cerca de 70 milhões de anos. O feito, financiado pela Farperj e anunciado ontem, é de pesquisadores do Departamento de Geologia da UFRJ, que trabalharam em parceria com paleontólogos da Universidade Estadual Paulista (Unesp). A primeira descoberta data de 1999, quando a equipe liderada pelo paleontólogo Ismar Carvalho, da UFRJ, topou com ossos de um crocodilo jovem, de cerca de 30 cm de comprimento. A espécie foi batizada de Mariliasuchus amarali. Surpresa - A grande surpresa, no entanto, ainda estava por vir. Em 2000, os pesquisadores voltaram ao local, na Fazenda Doreto, na Bacia de Bauru, e encontraram mais três fósseis, desta vez de animais adultos. No ano seguinte, as escavações levaram à superfície o fóssil do crocodilo-bebê e de dois ovos. ''Foi um grande achado. Os ovos são frágeis e dificilmente são preservados'', disse a bióloga Cláudia Ribeiro, que integrou a equipe. A preservação dos ovos e dos fósseis - foram encontrados 70% de um dos esqueletos adultos - se deve à geologia de Marília, rica em carbonato de cálcio. Os ovos foram encontrados no que deveria ter sido um rio na época em que os animais estavam vivos. ''Acreditamos que os M. amarali faziam ninhos nas margens dos rios, da mesma forma que os crocodilos atuais, e usavam gravetos para encobrir e aquecer os ovos'', explicou Ismar. O M. amarali adulto media de 1m a 1,5m de comprimento e pesava cerca de 15kg. Comia peixes, insetos e vegetais e tinha hábitos noturnos. Ao contrário dos crocodilos atuais, não rastejava nem vivia na água. Andava sobre quatro longas patas e era terrestre. Seus antepassados, os crocodilos que habitaram o planeta há 250 milhões de anos eram bípedes, contrariando a teoria da evolução, pela qual a tendência é que organismos aquáticos migrem para a terra e passem a se locomover sobre duas pernas. - Considerado patrimônio nacional, protegido pela Lei Brasileira, os fósseis só podem ser retirados do local por especialistas da área, com autorização dos órgãos competentes, e logo em seguida devem ser depositados em uma instituição pública, no caso do Acre, no Laboratório de Paleontologia da Universidade Federal do Acre.

"O proprietário da terra é proprietário da superfície, mas não do subsolo, o fóssil funciona como um mineral, patrimônio da nação que deve ser coletado por pessoas capacitadas e depositado numa entidade pública, no caso do Acre, na Ufac, aberto à população e aos cientistas. É um patrimônio do país, do povo brasileiro", diz.

O paleontólogo Sérgio Alex de Azevedo Observa cabeça do espinossaurídeo, reconstituído a partir de fósseis encontrados no Maranhão. As descobertas mais surpreendentes de ossadas de dinossauros, desde que o termo foi usado pela primeira vez no século XIX, certamente foram registradas nos últimos anos, no Brasil e na Argentina. Foi no Rio Grande do Sul, por exemplo, que pesquisadores ingleses encontraram parte dos ossos de um dos dinossauros mais primitivos do mundo, o Staurikosaurus pricei. Foi a primeira vez que se nomeou um dinossauro brasileiro. Hoje, são oito espécies formalmente descritas. Isso foi nos anos 60, mas desde a década de 50 pesquisadores alemães estudavam a possibilidade do Brasil ter em suas rochas sedimentares restos de ossos de dinossauros, termo comum que designa a família dinossauria, descrita pela primeira vez em 1842, pelo paleontólogo inglês Richard Owen. O termo dinossauro, empregado largamente para outras famílias de grandes répteis como os pterossauros, significa "lagartos terríveis" em grego e nomeou um grupo especial de animais até então desconhecidos. Depois, na década de 70, dois geólogos brasileiros (Arid e Vizotto) encontraram ossadas do Antarctosaurus brasiliensis, em São Paulo. Há uma quebra nas descobertas de ossadas, ou talvez, na descrições dos animais, retomadas a partir dos anos 90. Foi quando paleontólogos encontraram os espinossaurídeos Irritator e Angaturama, no Ceará, e o Gondwanatitan faustoi, também em São Paulo. Ainda do Ceará, há um dinossauro terópode, considerado um parente distante do Tiranosaurus rex. É o Santanaraptor placidus, um animal bípede, carnívoro e extremamente rápido na locomoção. Uma reconstituição desse dinossauro está exposta no Museu de Ciências da Terra, do Departamento Nacional de Produção Mineral (DPNM), no Rio de Janeiro. Pela sequência de descobertas, vem o Staurikosaurus, de 1970, o Antarctosaurus, de 1971, o Irritator challengeri (descrito em 96 por pesquisadores na Inglaterra), e o Angaturama limai, também de 1996. Os quatro restantes foram todos achados em 1999, o Guaibasaurus candelarai, o Gondwana faustoi, o Saturnalia tupiniquim e o Santanaraptor. Para o paleontólogo Diógenes de Almeida Campos, do DNPM, as descobertas feitas no Brasil, bem como as na Argentina, ajudam a entender como era a fauna no hemisfério Sul, em eras geológicas. "Passamos a dispor de dados diferentes daqueles apresentados por pesquisadores do hemisfério Norte, trazendo assim um novo quadro para a pesquisa geológica", avalia. Em 1970, ele começou a fazer prospecções em Santana do Cariri, a serviço do DNPM, com o objetivo de reunir o material coletado em museu e, assim, preservar os fósseis e o local onde eles afloravam. "É irônico porque se não escavar não acha o fóssil, mas o lugar vai ficando um pouco desfigurado com as escavações", observa. Vestígios de seres foram encontrados por ele, até que em 85 Campos descreveu o que chama de um tipo de primo do peixe, o pterossauro Anhanguera. Algumas peças desse animal estão expostas no Museu de Paleontologia da Universidade Regional do Cariri, que tem um acervo de mais de 750 peças de fósseis coletados na região. Depois, com seu aluno de doutorado Alex Kellner, ele descreveu outros dois pterossauros, o Tapejara e o Tupuxuara. Há três anos, foi descrito o Tapejara imperator animal de porte médio que tinha uma enorme crista, maior até que ele mesmo. "É preciso aprofundar os estudos, não se sabe, por exemplo, para que servia esse adereço, se para seduzir a fêmea ou para outro fim", explica. Foi também Diógenes Campos quem encontrou o Angaturama, especificamente a parte anterior do crânio e dentes. Um detalhe que se abstraiu dessa descoberta foi a dieta desse espinossaurídeo, que devia comer somente peixe e, por isso, devia viver perto de um lago salgado e raso. Angaturama quer dizer, na linguagem indígena, companheiro de viagem. Outro indivíduo de um grupo raro entre os dinossauros, encontrado por ele, foi o Baryonyx que significa unha pesada.

Essa família também comia peixes e é rara porque não tem os dentes serrilhados, como é comum nos dinossauros. Para Campos, é preciso buscar mais e mais fósseis de dinossauros no Brasil e estudá-los. "Cada descoberta, traz mais luz sobre a história da evolução da vida", justifica. Hoje, junto com outros paleontólogos, ele descreve um dinossauro encontrado há 30 anos por Price, em Mato Grosso, na Chapada dos Guimarães. O animal não fora descrito ainda por falta de dados suficientes, mas com achados recentes na Argentina, os pesquisadores brasileiros obtiveram elementos para a tarefa. Campos acredita ter a descrição pronta ainda este ano. Ele considera o Brasil um lugar extremamente rico para a pesquisa paleontológica, especificamente, sobre os grandes répteis, porque só aqui foi encontrado tecido mole dos dinossauros. "Isso permitirá a análise dos tecidos, para entendermos a anatomia mole do animal, descrever os vasos sangüíneos, saber como era sua temperatura corporal", completa. (Lana Cristina) Brasil é rico em fósseis de dinossauros.

Ilustração de Anatoliy Belousov - Reprodução artística de como os Braquiossauros, os titanossauros mais antigos de que se tem notícia, teriam vivido. Eles tinham entre 22 e 30 metros de altura. O fóssil é a única forma de se comprovar a existência de algum animal em outras eras já que, por definição, é o resto ou vestígio de seres orgânicos que deixaram suas impressões nas rochas da crosta terrestre. Assim, em locais onde há rochas sedimentares com a mesma idade dos dinossauros é possível encontrar fósseis desses répteis. Para auxiliar o posicionamento temporal das rochas e fósseis, pode ser feita uma datação baseada na análise do pólen ou de esporos(estruturas reprodutivas de fungos) fossilizados. O Brasil, por apresentar grandes bacias sedimentares, é considerado um país de razoável patrimônio fóssil. Há sítios paleontológicos de norte a sul, alguns descobertos há quase cem anos e outros mais recentes. O paleontógo Ismar de Souza Carvalho, do Departamento de Geologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro descobriu, entre os anos de 91 e 92 nas praias ao norte da ilha de São Luís e na Praia da Baronesa, perto de Alcântara, Maranhão, pegadas de dinossauros. É também no Maranhão que se localiza a maior ocorrência aflorante de fósseis de dinossauros no Brasil, a "Laje do Coringa", que fica na costa oeste da Ilha do Cajual, na baía de São Marcos, perto de São Luís. Ela foi descoberta em 1994 pelo geólogo Francisco José Corrêa Martins, da UFRJ e Ministério do Exército, através da análise de imagens de satélite e fotografias aéreas. O trabalho de Corrêa Martins resultou em um mapa geológico detalhado da região, que vem sendo utilizado por outros pesquisadores. No Acre, há registro de fósseis de um crocodilo gigante. Em São Paulo, há várias localidades como Monte Alto, Marília, Presidente Prudente e Álvares Machado. São sítios registrados na bacia do Paraná. Bem perto desses municípios, está o sítio de Peirópolis (MG), cidade a 25 Km de Uberaba, no Triângulo Mineiro. Lá, há um museu temático exclusivo de dinossauros, cuja atividade agrega o trabalho de quase 300 moradores. A história da cidade é tão interessante quanto o próprio museu. Há mais de 20 anos, a atividade econômica que imperava era a exploração de calcáreo. As pedreiras traziam grande prejuízo ambiental, como a poluição da água e a densa quantidade de poeira em suspensão. A população tentou, por várias vezes, sem sucesso, a paralisação da pedreira. Eles se juntaram, unidos numa associação de moradores, a uma organização não-governamental ambiental e propuseram à prefeitura que se fosse encontrado um fóssil (já se tinha notícia da descoberta de ossadas), a pedreira encerraria suas atividades. Foi preciso, no entanto, que um juiz, no início da década de 80, embargasse a atividade. A prefeitura investiu na construção do museu e no treinamento de funcionários. A atividade cresceu de tal forma que está ligada à cooperativas de doces e guloseimas, envolvendo 300 empregos diretos e indiretos. "O retorno financeiro da visitação é maior", registra Ismar de Souza Carvalho. É de Peirópolis a única ocorrência de ovos de dinossauros fossilizados, de terópodes. O paleontólogo lista ainda Monte Alto, em São Paulo, cidade de 10 mil habitantes que também tem um museu temático. "O museu tem uma visitação de duas mil pessoas por mês e um trabalho educativo muito interessante". Especialista em Cretáceo, Ismar Carvalho considera os depósitos fossilíferos de Crato, no Ceará, extremamente ricos em fósseis desse período. "Os melhores afloramentos do cretáceo provavelmente estejam no Cariri", postula. Há em Santana do Cariri um dos mais modernos museus de fósseis, segundo sua avaliação.

São 750 peças de fósseis de dinossauros, pterossauros, insetos, flores, plantas e aranhas. A concepção é de Maria Elisa Costa, filha do arquiteto Lúcio Costa, e de Marcelo Suzuki. Outro sítio destacado pelo pesquisador é o de Mata, no Rio Grande do Sul, município próximo a Santa Maria. Ali, está um dos maiores depósitos de floresta petrificada, que durante uma época esteve comprometido devido à atividade intensa de mineradoras na região. No local, um padre, hoje com quase 90 anos de idade, o italiano Daniel Cargnin, foi o responsável pela preservação dos fósseis. "Ele brigou com todo mundo até que as mineradoras foram saindo e ainda conseguiu que se preservasse uma grande área", conta Ismar. Há bons depósitos de coprólitos, que são fezes fósseis, em Uberaba, Monte Alto e Marília. Esse material é uma boa fonte de pesquisa sobre os hábitos alimentares dos animais a que pertenceram e, conseqüentemente, dão pistas sobre a cadeia alimentar (ou seja, que organismo servia de alimento para outro).

Ainda no Nordeste, Ismar destaca o imenso sítio paleontológico, que engloba as bacias de Sousa, Uiraúna, Brejo-da-Freira, Pombal (PB), e Cedro e Araripe (CE). É a maior ocorrência de pegadas de dinossauros, com milhares de pegadas já mapeadas, embora nem todas descritas. Em Sousa, foi fundado em julho de 1998 o Parque Vale dos Dinossauros que, desde então, já recebeu 45 mil pessoas, segundo seu coordenador, Robson de Araújo Marques.

Há um museu no parque, com material educativo e algumas réplicas de dinossauros. O público visita as pegadas em passarelas suspensas, construídas para que ninguém pise na área fossilizada. "Recebemos visitas até de estrangeiros", conta Robson de Araújo.

É na Ilha do Cajual, onde fica a Laje do Coringa, no entanto, onde está a maior concentração de fósseis de dinossauros por metro quadrado. "Há tantos fósseis que quase não existe rocha, é quase tudo camada de areia e ossos", conta Ismar Carvalho. A superfície de exposição é de, no máximo quatro quilômetros, segundo avaliação do paleontólogo, no entanto, os pesquisadores têm retirado toneladas de fósseis.

Santana do Cariri, Sousa, Monte Alto, Peirópolis. Cidades pequenas, fora do centro detentor de conhecimento. Ismar vê com entusiasmo essa característica positiva da evolução da paleontologia no Brasil. "É uma ação peculiar essa a de descentralizar a detenção do conhecimento, que sai dos grandes centros urbanos e vai para o interior", observa.

Devido à importância científica das jazidas fossilíferas, há um grupo de pesquisadores preocupados com sua preservação. Há cerca de dois anos, formaram a Comissão Brasileira de Sítios Geológicos e Paleobiológicos (Sigep), que deve encaminhar ainda este ano uma lista com os sítios nacionais que poderiam se candidatar ao título de patrimônio mundial, dado pela Unesco (agência da ONU para educação, ciência e cultura).

Segundo Diógenes de Almeida Campos, que preside a comissão, ainda este ano será publicado um livro com 70 sítios. A obra trará fotos, métodos usados para preservação, descrição suscinta do sítio e o que representa na história da evolução da Terra, além de quais critérios são adotados para que seja caracterizado como sítio geológico.

O objetivo, com o livro, é chamar atenção das autoridades para a importância da preservação dos sítios. "Conservá-los é fundamental devido ao interesse científico e até mesmo turístico. Afinal, muitos se tornam ponto de visitação e é preciso que as pessoas saibam fazer o turismo científico com cuidado", observa Diógenes Campos. Até hoje, o título de Patrimônio Mundial só foi dado ao Pantanal, enquanto ecossistema de áreas inundadas e as Cataratas do Iguaçu, devido seu valor ambiental. (Lana Cristina)

O último grupo de dinossauros representado no Brasil é o Theropoda. Formado quase que exclusivamente por formas carnívoras, são encontrados dentre os terópodes alguns dos dinossauros mais famosos do mundo como o Tyrannosaurus rex, procedente de depósitos dos Estados Unidos. Apesar de pouco conhecido por parte do público leigo, um dos mais antigos registros de terópodes a nível mundial vem do Brasil, outra vez de sedimentos triássicos do Rio Grande do Sul. Trata-se de Staurikosaurus pricei, coletado em 1936 (rochas da Formação Santa Maria) e publicado em 1970. Além de sua antiguidade, esta espécie possui o título de primeiro dinossauro do Brasil a ser descrito. Mais um dinossauro encontrado no Rio Grande do Sul é Guaibasaurus candelarai, também tido como um terópode, sendo que esta classificação tem sido questionada recentemente. De qualquer forma, estes dinossauros escavados em rochas triássicas do sul do país levantam a possibilidade do Brasil, juntamente com a Argentina (que também tem diversas formas primitivas descobertas em depósitos similares aos brasileiros), a ser o "berço" dos dinossauros.

Outra região do Brasil onde dinossauros terópodes são encontrados, ainda que raramente, é a Bacia do Araripe, no Nordeste do país (Ceará, Pernambuco e Piauí). Procedentes de camadas formadas há aproximadamente 110 milhões de anos (Formação Santana, Cretáceo Inferior), foram reportadas destes depósitos as espécies Irritator challengeri e Angaturama limai, ambas descritas em 1996 a partir de restos cranianos. Estas duas formas pertencem ao grupo chamado Spinosauridae, que são formas raras e bizarras com o focinho bem alongado e possuindo uma dentição semelhante a dos crocodilomorfos modernos. Os espinossaurídeos são encontrados, sobretudo, na África e o fato deles terem sido descobertos no Brasil indica que no passado havia uma fauna dinossauriana comum entre a América do Sul e a África, quando estes continentes estivavam unidos.

Estes mesmos depósitos da Bacia do Araripe forneceram o dinossauro que talvez possa ser considerado o mais famoso do Brasil: Santanaraptor placidus. Descrito em 1999, esta espécie é conhecida apenas por um esqueleto parcial que tem uma das maiores raridades já reportados em um animal fóssil: parte do couro, juntamente com fibras musculares e vasos sanguíneos petrificados e preservados em três dimensões. Tal tipo de preservação é única para dinossauros a nível mundial, tendo sido verificada até a presente data apenas no material brasileiro.

Por último, foi descrito em 2002 o maior predador terrestre que viveu em tempos passados no Brasil: Pycnonemosaurus nevesi. Baseado em vértebras, dentes e ossos de um membro posterior e da bacia de um único indivíduo encontrado no Mato Grosso, em rochas com aproximadamente 80 milhões de anos (Cretáceo Superior), Pycnonemosaurus atingia um tamanho de 7-8 metros de comprimento, fazendo dele o maior terópode descoberto até a presente data no Brasil. Seus parentes mais próximos foram encontrados na Argentina e na África, reforçando a hipótese da existência, em diferentes tempos, de faunas de dinossauros comuns vivendo na América do Sul e no continente africano.

Como pode se visto no resumido levantamento apresentado acima, três são as principais áreas onde dinossauros têm sido encontrados no país: sedimentos triássicos do Rio Grande do Sul (formações Santa Maria e Caturrita), depósitos da Formação Santana na Bacia do Araripe (Cretáceo Inferior) e estratos que compreendem diversas unidades estratigráficas do Grupo Bauru (Cretáceo Superior) dos estados de Minas Gerais, São Paulo e Mato Grosso. Existem outras, como afloramentos no Maranhão (p.ex., Ilha do Cajual) onde fósseis são encontrados, contribuindo para um melhor conhecimento de animais extintos. Mesmo assim, apesar destas áreas serem extensas, a maior parte dos restos de dinossauros descritos até o momento foram encontrados isolados em locais que não representam sítios paleontológicos onde escavações possam ser realizadas de forma contínua. Uma das poucas exceções é a região de Peirópolis, próximo a cidade de Uberaba (Minas Gerais), onde existe um programa de escavação desenvolvido pela prefeitura local, que tem produzido de maneira regular restos de vertebrados fósseis, incluindo dinossauros.

Apesar do expressivo aumento da pesquisa sobre dinossauros realizada nos últimos anos (envolvendo, também, ovos fossilizados, pegadas e aspectos tafonômicos), pode ser constatado que as descobertas do Brasil ainda não são condizentes com o seu potencial, particularmente quando comparados, em termos absolutos, com outros países como China, Estados Unidos, Canadá e Europa. Para mudar este quadro é necessário um maior investimento para a atividade de campo, possibilitando a diversos grupos de pesquisa, de forma conjunta ou independente, de realizar trabalhos de exploração para o encontro de novas localidades onde fósseis possam ser coletados. Apenas um esforço contínuo neste sentido poderá preencher a lacuna de conhecimento existente acerca dos dinossauros (e de outros organismos extintos) nesta extensa área do planeta que hoje chamamos de Brasil.

 

COLETA DOS FÓSSEIS

Para coletar os fósseis, a equipe de pesquisadores do Laboratório de Paleontologia da Ufac costuma acampar no local durante três dias, com toda a parafernália necessária. A bióloga Janira de Souza, que acompanha os trabalhos de coleta há seis anos, explica que a empreitada requer cuidado e minuciosidade, envolvendo toda uma técnica.

"Meu trabalho é todo técnico, tenho que vir a campo coletar o material, num trabalho minucioso. Depois levo para o laboratório da Ufac, onde faço todo um trabalho de colagem e montagem. O estudo fica para os doutores", conta.

A bióloga adianta que normalmente são encontrados apenas pequenos fragmentos fora da terra e por isso é preciso que se escave com cuidado ao redor, deixando uma certa profundidade para identificar a peça.

"Você começa cavando uma peça e bate em outra, por isso tem que utilizar material de dentista. Também fazemos jaqueta de gesso quando o material se encontra muito fragmentado. E depois levamos para estudo", diz.

Tendo tido a oportunidade de contato com outros sítios do país, como em Porto Alegre, a bióloga falou da importância do Niterói.

"O sítio é riquíssimo, muitas vezes vamos a campo em Porto Alegre e se encontra pouco material, porque lá os sítios às vezes são localizados na cidade. Muitas vezes alguém vai construir alguma coisa em certa área e encontra os fósseis, mas são pequenas coisas. Aqui não, a diversidade é grande. Lá a idade é outra, de 230 a 250 milhões de anos, o Triásico", comenta.

O material recolhido durante a pequena expedição da última sexta-feira foi levado embrulhado em papel e transportado com cuidado ao Laboratório de Paleontologia da Ufac. Ele passará por uma limpeza e identificação para, em seguida, ser colocado em prateleiras, dependendo da classificação. Posteriormente pode ser utilizado por pesquisadores para dissertações e teses.

UBERABA A região do Triângulo Mineiro é a maior reserva de fósseis de dinossauros do Brasil. Há 65 milhões de anos, Uberaba era dominada por dinossauros. Os mais comuns eram os Titanossauros, herbívoros quadrúpedes com seis metros de altura e 12 de comprimento, os Celurossauros, carnívoro bípede feroz do tamanho de umavestruz, atacava em bandos. O maior carnívoro da região era uma variedade de Carnossauro. Com seis metros de altura e dentes afiados. Possuía cabeça muito desenvolvida e membros anteriores pequenos (como os de Tiranossauro). Os fósseis desses animais vêm sendo coletados desde a década de 40. O diretor do centro de pesquisas da região, o paleontólogo Luiz Carlos Borges Ribeiro, Peirópolis é o mais importante sítio paleontológico do Brasil. Os achados podem ser vistos no museu de Peirópolis, que funciona de segunda à sexta-feira, das 11h às 17h, nos finais de semana e feriados, das 8h às 18h. Os contatos poderão ser feitos pelo fone (034) 972.0105, ou na Fundação Cultural de Uberaba, (034) 333.9293. Uma atração do museu é a réplica em tamanho natural de um Titanissauro.

CARIRI O Cariri, que fica entre Piauí, Pernambuco e Ceará, também possui evidências de animais pré-históricos. A Universidade Regional do Cariri (Urca) é que coordena a pesquisa paleontológica e mantém um museu no campus de Santana do Cariri, a 40 quilômetros de Juazeiro do Norte.= Os fósseis encontrados na região estão em excelente estado de conservação, mas os sítios são fechados a visitação pública.

SOUZA Na Paraíba está um dos mais famosos locais onde são encontradas evidências de animais pré-históricos do Brasil. É o Vale dos Dinossauros, localizado entre os municípios de Souza e São João do Rio Peixe. Lá o turista pode ver pegadas gigantescas nos leitos secos dos rios. Quando águas do rio baixam, é possível ver as marcas dos antigos habitantes.

Nas cidades de Santa Cruz, Santa Maria, São Pedro e Candelária, no Rio Grande do Sul, também há possibilidade de conhecer mais vestígios.

O Acre faz parte da renomada lista que envolve pesquisas científicas na área da paleontologia no Brasil, junto a Estados como Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Ceará, entre outros, inserido no contexto tanto no tocante à qualidade e capacidade técnica, desenvolvidas pelo Laboratório de Paleontologia da Universidade Federal do Acre (Ufac), como por abrigar um vasto tesouro de fósseis animais, encontrados às margens do rio Acre, desde Assis Brasil até Boca do Acre, Alto rio Juruá e outras localidades. Segundo teorias, esses animais existiram durante o Pleistoceno, período que vai de 2 milhões a 12 mil anos atrás.

Por esse destaque dentro da paleontologia nacional, em breve chega a Rio Branco, segundo relata o professor-doutor Alceu Ranzi, uma equipe do Globo Repórter (Rede Globo), que trabalha na produção de um programa sobre a paleontologia nacional, incluindo o Acre em seu roteiro. Entre os sítios que serão visitados para filmagens está o Niterói, um dos mais ricos, por abrigar uma produção imensa de fósseis.

O Niterói está situado às margens do rio Acre e foi descoberto por uma equipe de pesquisadores da Universidade Federal do Acre na década de 80.

A equipe de reportagem do Página 20, à convite do paleontólogo Alceu Ranzi, subiu o rio Acre de batelão, na última sexta-feira, numa pequena excursão, com a participação da bióloga Janira, para conferir de perto a área que abriga os fósseis, que, segundo Alceu Ranzi, guarda características do Mioceno (5 a 8 milhões de anos).

"Não estava presente no momento da descoberta, feita por uma equipe da Ufac, que de barco descendo o rio e olhando os barrancos (é assim que fazemos), descobriu o Niterói. O Niterói é altamente produtivo, tem algo entre 15 e 16 anos de descoberta. Já saíram daqui umas duas mil peças importantes para a ciência, envolvendo vários grupos de jacarés, como os gaviais, que só existem hoje na Índia, o bico-de-pato, bico-fino, os purussauros gigantes, vários mamíferos, preguiças gigantes, grandes roedores, do tamanho talvez de rinocerontes, que deveriam ser presas dos purussauros, inúmeras espécies de tartarugas, enfim, uma fauna imensa relacionada com a água", explicou o pesquisador.


Publicado por: Wladimir Martins

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