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NOS LADRILHOS DA MEMÓRIA: UM BREVE ESTUDO SOBRE RUAS DE BREVES

História

Relação existente entre os nomes atribuídos às ruas e a reprodução da memória histórica e social da cidade de Breves, localizada ao arquipélago do Marajó, no estado do Pará.

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1. RESUMO

Esta pesquisa tem como objetivo principal analisar a relação entre a rua, espaço e memória, tomando como lócus do trabalho de campo a cidade de Breves, localizada ao arquipélago do Marajó, no estado do Pará. O lugar pode ser uma referência, no entanto, o enfoque deste trabalho consiste em dialogar com as memórias de citadinos e apresentar a rua como um espaço de interação e de sociabilidade. Por intermédio do estudo das ruas, foi possível perceber uma relação entre os nomes e a reprodução da memória histórica e social difundidas nas vias públicas do município.

Palavras-chave: Breves. Rua. Nomes. Memória social. Sociabilidade.

ABSTRACT

This research aims to analyze the relationship between the street space and memory, taking as a locus of the fieldwork city of Breves, located to the archipelago of Marajó, in the state of Pará. The place can be a reference, however, the focus of this is to talk to the townspeople's memories, and present the street as a space for interaction and sociability. Through the study of the streets, it was possible to see a relationship between the names and the reproduction of the historical and social memory disseminated on public roads in the municipality.

Keywords: Breves. Street. Names. Social memory. Space.

2. INTRODUÇÃO

O município de Breves, espaço urbano definido como objeto deste estudo, localiza-se na mesorregião do Marajó e microrregião Furos de Breves, no estado do Pará, foi criado pela Lei Provincial nº 200, de 25 de outubro de 1851, com a elevação da Freguesia Nossa Senhora Santana dos Breves à condição de Vila, posteriormente à categoria de cidade, pela Lei Estadual nº 1122, de 10 de novembro de 1909, tendo alteração toponímica municipal de Nossa Senhora de Santana dos Breves para Breves, pela Lei Estadual nº 1122, de 10 de novembro de 1909.1

O nome Breves foi atribuído ao município em homenagem aos portugueses Manoel Maria Fernandes Breves e Ângelo Fernandes Breves, os primeiros colonizadores residentes na Sesmaria “Missão dos Bocas”, concedida pelo Capitão-General João de Abreu Castelo Branco em 19 de novembro de 1738, e confirmada pelo rei de Portugal em 30 de março de 1740, onde fundaram um pequeno engenho e fizeram plantações de roças.2

Na Amazônia brasileira, o município de Breves ocupa uma área territorial de 9.549,52 km² no estado do Pará, cuja sede municipal está situada entre as coordenadas geográficas – 50°28’48,00W e -01°40’55,20” S. O território de Breves tem relações geopolíticas e limita-se com os municípios de Afuá e Anajás (ao norte); Melgaço e Bagre (ao sul); Anajás, São Sebastião da Boa Vista e Curralinho (a leste); Gurupá e Melgaço (a oeste).3

A configuração territorial da região de Breves é formada por ecossistemas de várzea igapós, campos e terra firme, e abrange um grande número de ilhas, interligadas e margeadas por inúmeros cursos d’água denominados igarapés, furos, canais, paranás e estreitos, por onde escoam as águas dos rios Amazonas e Tocantins.4

Neste trabalho, as ruas de Breves são tratadas como espaços de sociabilidade, onde se dinamizam as relações políticas, econômicas e socioculturais, além das trocas de experiências e de saberes entre indivíduos e/ou grupos sociais urbanos. Todos esses elementos consolidam as práticas e ações sociais, conforme as transformações ocorridas no tempo e no espaço.

Aliado ao estudo sobre as ruas, e também “para que não se perca o sentido que moveu a nomeação é imprescindível o acompanhamento permanente de outros processos de informação e educação como o ensino de história e as festas cívicas” em sala de aula, é provável que, com o passar do tempo, o significado da sua nomeação torne-se mais relevante do que uma referência de lugar, segundo a concepção de Bittencourt (1988). Portanto, “se é possível identificar atitudes universais nessa estratégia de nomear ruas, é necessário perceber o seu entrelaçamento com as experiências locais”, na visão de Porto (1996).

A memória social acompanha as mudanças, podendo ser considerada o fio condutor da relação dos moradores com a nomeação das ruas. Por meio de estudos da memória e de seus lapsos, é possível perceber qual a ressonância do nome das ruas da cidade junto à população.

Para a elaboração deste trabalho foram realizadas entrevistas com nove homens e quatro mulheres, de diferentes idades e ocupações. Prezei os relatos de memória dos entrevistados, preferencialmente aqueles fragmentos que falavam sobre as experiências vivenciadas no espaço em que residem. Ao longo da pesquisa busquei compreender as experiências sociais e culturais dos entrevistados, analisando as suas histórias subjetivas, e de suas lembranças sobre a rua. O trabalho contém três imagens. A primeira mostra o mapa da área do município com a denominação de ruas de Breves; a segunda expressa a ideia de espaço de sociabilidades e de opiniões diversas; e a terceira reflete um lugar de interação entre a criança e a rua.

Para o embasamento teórico foi realizada pesquisa bibliográfica na busca de referências em estudos atuais e fontes teóricas da história oral, norteado, sobretudo, nos escritos de Portelli, que influenciaram a metodologia adotada neste trabalho com relação às entrevistas e os entrevistados. Sobre memória coletiva, Maurice Halbwachs (1991, 2004) e Ecléa Bosi (1985, 2003) foram as fontes teóricas norteadoras para as percepções acerca da memória coletiva dos grupos sociais que se identificavam com o lugar. Numa abordagem histórica para além das placas, recorri aos escritos de Reginaldo Benedito Dias (2000), ao associar os nomes atribuídos às ruas ao processo de reprodução da memória histórica. As experiências cotidianas percebidas em narrativas, e as memórias dos sujeitos sociais que serão analisadas nesse estudo foram profundamente influenciadas pela dissertação de mestrado de Dione do Socorro de Souza Leão (2014), considerado um dos trabalhos imprescindíveis no que tange ao diálogo intercultural e a singularidade do viver urbano do município de Breves, assim como os escritos de Agenor Sarraf Pacheco (2006; 2010) também me propiciaram o direcionamento ao enfoque em relação à rua como um lugar de sociabilidade. E também optei por uma análise documental referente às leis que determinam as denominações de ruas da cidade de Breves.

Com base nessas análises, proponho-me a desenvolver este estudo sobre ruas de Breves, com o intuito de possibilitar uma compreensão do saber histórico sobre cidade a partir dos relatos de memórias e por meio de documentos oficiais da Câmara Municipal de Breves.

O primeiro capítulo refere-se à percepção da rua como um “lugar de memória”. Para tanto, apresenta-se uma discussão sobre a associação da história oral com a memória, e a ressonância na disposição das ruas e seus respectivos nomes.

O segundo capítulo consiste em uma descrição da realidade local, no intuito de evidenciar as relações sociais em diálogo com as memórias de citadinos, discorrendo ainda sobre a percepção da rua como um lugar de sociabilidade, de vivência humana, de trajetórias e reconstruções de saberes.

Dessa forma, busca-se compreender a relação existente entre os nomes atribuídos às ruas e a reprodução da memória histórica e social da cidade, considerando que nas ruas ocorre a disseminação desse processo, em diferentes contextos históricos. Com base nas experiências sociais e culturais, assim como nas informações obtidas no decorrer da pesquisa, é possível evidenciar aspectos históricos associados à denominação das ruas ou mesmo designá-la como um “lugar de memória”.

3. CAPÍTULO 1 - A RUA E A MEMÓRIA

3.1 A RUA COMO “UM LUGAR DE MEMÓRIA”

Há vestígios de história nas ruas. A rua não é neutra. Segundo Dias (2000), o processo de nomeação de vias públicas segue uma linha de relação de interesses e uma possível reprodução da memória histórica local, regional e até mesmo nacional.

A prática de nomear ruas, quase sempre identificada como distorção o trabalho dos vereadores, é atividade menos inocente que se costuma supor. Um olhar atento constata que esse processo é caracterizado pelo esforço de perenização da memória de personagens e fatos da história nacional e local. Trata-se de recorrente forma de reprodução e perpetuação da chamada história oficial, baseada no culto à genealogia e edificação do Estado nacional, assim como aos fatos e personagens correspondentes. (DIAS, 2000).

Em muitos casos, o processo de nomeação das ruas evidencia o fortalecimento do ideário cívico e de exaltação à pátria. As simbologias ganham destaque nesse processo de atribuição de significado histórico aos espaços públicos. O culto à nação apresenta-se como uma tendência impulsionada por políticos ou intelectuais da sociedade vigente. Nessa direção, a história oficial assume um papel de destaque na formação de uma nação soberana e nacionalista. Em A Invenção das Tradições, Hobsbawm e Ranger (1997) defendem a ideia de nação como sendo um projeto de aspecto cultural, social e político, construído por meio da invenção dos valores e legitimado pela história. Uma das suas variantes dessa ideia configura-se na lógica da representação para sustentar valores históricos particulares de um povo. Simbologias como temas, personagens e datas condicionam uma legitimação desse passado histórico.

Segundo a definição de Ankersmit (2012), “A representação é um preparado mais forte que a verdade. A representação contém a verdade – pense nas afirmações contidas por uma representação histórica – não está contra, mas além da verdade”. Essa concepção de Ankersmit torna-se um desafio à interpretação da realidade estudada.

Figura 1 - Mapa das ruas da cidade de Breves.


Fonte: Google Mapas. Acesso em: 30/07/2015.

Como pode ser observado, o mapa (Figura 1) mostra áreas e denominações de ruas de Breves. Ao analisarmos os nomes das ruas, é possível perceber nomes que evidenciam marcas da história nacional. No Brasil, o objetivo da nomeação de ruas e avenidas “7 de Setembro”, o que pode ser verificado em diversas regiões é, sem dúvida, rememorar um fato histórico importante para o país, que é a “proclamação da independência política do Brasil”, que até então era uma colônia de Portugal. Luís Alves de Lima e Silva, o Duque de Caxias, também chamado de "O Pacificador" e "O Duque de Ferro", foi um militar, político e monarquista brasileiro. Outro nome de rua recorrente é “Tiradentes”, em reconhecimento ao herói nacional que deu a vida pelo ideal de independência. Ilustrativo e literário, as homenagens aos fatos e personagens fazem alusão ao sentido cívico e à história oficial do país.

Em meio a tantas ruas alusivas a vultos da história nacional, os presidentes Tancredo Neves e Getúlio Vargas, bem como o diplomata conhecido como Barão do Rio Branco são figuras políticas que nomeiam três das principais ruas do município.

De acordo com Dias (2000), “se é comum homenagear autoridades e personalidades com passado de comando político, registre-se que existe a prática de batizar ruas com nomes de pioneiros, incluindo os que não fizeram carreira pública”.

No caso de Breves, entre outras formas de homenagem, por meio da ressignificação de vias públicas, existem leis que acrescentam a ideia de homenagear cidadãos ilustres já falecidos e funcionários da prefeitura de Breves. Constata-se uma iniciativa de outorgar nomes de figuras ilustres no contexto local. Neste caso, destacam-se alguns personagens como: Antônio Carlos dos Santos Rocha, Constantino Felix, Hermenegildo Domingos Carneiro, João da Graças Brito Balieiro, José Alves de Oliveira, Wilson Frazão, Luiz Monteiro da Costa, Mário Curica, Rossilda Ferreira e Taciano Ferreira Farias.

O processo de nomeação de ruas do município também visa homenagear cidadãos já falecidos e pioneiros do lugar. A determinação de incluir personagens locais está associada ao interesse em atribuir a determinados cidadãos já falecidos o seu reconhecimento na história oficial do município, como é o caso de: Ademar da silva Souza, Antônia Ferreira Fugaça, Arivaldo Soares Gonçalves, Francisco Lobato da Costa e Maria Pantoja.

Analisando as leis aprovadas na Câmara Municipal de Breves, percebe-se que algumas denominações de ruas do município não apresentam justificativa. Diversos documentos oficiais analisados detalham apenas as leis, ano, aqueles que as aprovaram, os referidos locais e os nomes: Abmael Albuquerque, Alípio Pantoja, Altino Amorim, Ana Barros, Anésio Cardoso, Antero de Araújo Ferreira, Benjamin Constant da Silva, Castilho França, Cel. Lourenço Borges, Cel. José Portílio, Crispiniano Cruz, Darcy Conceição, Dr. Teixeira da Costa, Raimundo Leite, José Rodrigues da Fonseca, e Sebastião Amado.

A Rua Ângelo Fernandes Breves faz referência a um dos fundadores da cidade. Neste sentido, os documentos analisados – citados entre as fontes documentais, ao final deste trabalho, constata-se uma iniciativa de atribuir nomes de figuras locais no contexto histórico do município. Homenageia-se, ainda, municípios próximos de Breves e integrantes do hinterland5, quais sejam: Anajás, Bagre, Curralinho, Gurupá, Melgaço e Portel.

Joaquim de Magalhães Barata, conhecido popularmente como Magalhães Barata, e José Carneiro da Gama Malcher, o interventor Malcher, são personagens históricos de destaque no cenário político regional, sobretudo de Belém. Destaca-se, ainda, a Rua Castilho França, nome atribuído ao Boulevard no centro de Belém, construído no período em que a cidade vivenciou uma fase de modernização urbanística, em função do poder econômico obtido com a exportação de látex – o chamado “Ciclo da Borracha”. É evidente o diálogo entre metrópole e o município, tendo em vista que a rua também está em consonância com uma dimensão maior, no âmbito estadual e regional.

Além da ideia de “homenagem”, outra percepção que recai sobre os nomes das ruas é a representação do imaginário brevense. As lembranças sobre o lugar são construídas ao longo do tempo, criando um elo entre o homem e a rua. Com relação à denominação da Rua Castilho França, conhecida por alguns como “rua do Bode”, o saudoso senhor Raimundo Pereira Sanches, relata em uma entrevista um fato curiosamente chamado de “Alto do Bode”, referindo-se àquela rua.

Em 1956, quando eu cheguei em Breves, a cidade terminava lá onde é o Miguel Bitar. Breves era uma cidade pequena, casa de alvenaria era raridade. A maioria das casas eram cobertas de palha. Muita coisa mudou de lá pra cá. Naquela época a travessa Castilho França era conhecida como a rua do bode ou alto do bode. Motivo pelo qual a aparição dessa assombração na forma desse animal. Quando alguém vinha da festa altas horas da noite, era arriscado encontrar com essa criatura pela frente. Um ser de outro mundo, que vez ou outra punha muita gente pra correr. Muitas histórias se ouviam falar de pessoas que se depararam com essa criatura e ficavam assombradas precisando de uma benzedeira. Isso era coisa muito séria pra nós. Quando alguém perguntava fulano onde mora? Se ele dissesse mora na rua Castilho França, quase ninguém conhecia ou sabia onde ficava. Mas, se ele dissesse moro na rua do bode todo mundo sabia onde ficava.6

As lembranças dos citadinos evidenciam memórias sobre o lugar. Com base na visão de Silva (2009), “a memória é então o passado se encontrando no presente, e o espaço é fundamental para isto, pois as recordações serão sempre vivas ao deparar-se com ele”.

Uma das preocupações que eu tenho é com relação a determinadas denominações de ruas desse município. Eu sou contra as determinadas denominações de ruas que não se sabe quem foi? O que fez pelo Brasil? O que fez pelo Pará? O que fez por Breves? A Presidente Getúlio [referente à rua] todo mundo sabe, Getúlio foi um dos presidente da República, e essa coisa toda... Castilho França, quem foi Castilho França? Se você perguntar para um aluno, quem foi Castilho França? Ele com certeza não sabe! Quem foi Castilho França? Particularmente eu não sei quem foi Castilho França, e possível pode se contar nos dedos aqueles que sabem que foi ele. É uma denominação de rua em Breves eu não sei quem foi, e tantas outras por aí.7

O desconhecimento de figuras homenageadas nas ruas do município é um fator preocupante. Entrevistei alguns moradores da Rua Castilho França, no entanto, nenhum dos entrevistados soube informar quem foi Castilho França. Na verdade, esse personagem é desconhecido para os moradores da referida rua. Mas, logo que mencionei o nome da rua, a memória foi diretamente associada a algo que estava vinculado ao universo simbólico da época, ao sobrenatural. Segundo Leão, o bode da Castilho França é um dos bichos visagentos mais conhecidos da cidade, ele aparecia nas proximidades da casa de shows Papy Dance Club e, por esse motivo, o lugar ficou conhecido como alto do bode. Neste trecho, a autora descreve:

Era um bode preto, só aparecia à noite, ele corria atrás das pessoas, até saírem da rua, ou entrarem nas suas casas, era visagento, sumia de repente, aparecia de novo, todo mundo que morava por ali falava desse animal misterioso, complementou Benedita Leão do Amaral, por muitos anos moradora da rua mencionada. (LEÃO, 2014, p. 128).

O nome da rua pode evocar nostalgia. Um exemplo disso é a rua conhecida como “Passagem da saudade”. Dona Francisca explica que:

Passagem da Saudade herdou esse nome porque era a passagem mais acessível para chegar no Cemitério Municipal. O cortejo fúnebre vinha na maioria das vezes pela avenida. Travava pela Castilho França, e era mais difícil por ela. Aí as pessoas abriram caminho, um atalho para chegar no Cemitério. Quando eles estavam fazendo o translado, aí eles diziam que já sentiam saudade do morto. Há! Lá na Passagem da Saudade, pois o morto já estava deixando saudade. É difícil a gente ir a um enterro e não sentir tristeza, saudade, nem precisa ser parente, a perda é sentida pelos os de fora também.8

Com relação às vias públicas, percebe-se que há uma interação das pessoas, e isso pode ser observado na forma como as pessoas se referem às ruas, e quando associam fragmentos de suas memórias ao lugar. Nas ruas encontram-se histórias de movência, sobrevivência e de reconstrução de saberes.

Na Alameda Maria Pantoja, conhecida popularmente como passagem ou varador do Cunha, nome dado em homenagem a um antigo morador do lugar, conhecido pelo sobrenome, encontram-se pessoas oriundas de vários lugares. Antigamente essa estreita rua era apenas uma passagem coberta por mato e uma ponte, e hoje essa artéria é asfaltada. Uma moradora do lugar, ao ser indagada sobre o seu local de origem, expõe uma história comovente e reveladora. Por meio da memória, evocando as suas lembranças, Maria do Socorro Pureza da Gama, relembra alguns momentos de sua vida e revela os motivos que a fizeram migrar para a cidade, devido às dificuldades e os problemas que enfrentava na localidade onde morava:

Guardo ainda gravado na mente o dia que viemos pra cá. Foi no dia dois de junho [1992]; faz 22 anos que viemos para Breves. Viemos para a cidade porque meus filhos tinham que estudar, foi por causa do estudo, e por não haver escola onde morávamos (Rio Marajoí, município de Gurupá), e também meu ex-marido tinha vontade de arranjar um emprego melhor, pois lá (Rio Marajó) o trabalho era só no mato cortando palmito, madeira, e na roça; para piorar, o IBAMA não queria mais que tirássemos a madeira e nem o palmito, que eram a nossa renda. E também queríamos que meus filhos estudassem. Foi esses motivos que fizeram a gente mudar pra cá.9

Tendo em vista os aspectos observados, pode-se considerar a rua como lugar de memória, a partir do momento que:

Os lugares de memória são primeiramente, lugares em uma tríplice acepção: são lugares materiais onde a memória social se ancora e pode se apreendida pelos sentidos; são funcionais porque têm ou adquiram a função de alicerçar memórias coletivas e são lugares simbólicos onde essa memória coletiva, vale dizer, essa identidade se expressa e se revela. São, portanto, lugares carregados de uma vontade de memória. Longe de ser um produto espontâneo e natural, os lugares de memória são uma construção histórica e o interesse que despertam vem, exatamente, de seu valor como documentos e monumentos reveladores dos processos sociais, dos conflitos, das paixões e dos interesses que, conscientemente ou não, os revestem de uma função icônica. (NORA, 1993, p. 21-22).

Com base nas ideias de Nora, é possível definir a rua como um lugar de memória. Sob o olhar sensível e poético de João do Rio10, a rua não é apenas um traço, um detalhe urbano; ela é mais do que isso. A rua é um dos símbolos da urbe.

Retomando a ideia de lugares de memória, compreende-se que os lugares construídos à luz das experiências humanas estão impregnados de simbolismos e cosmologias que permeiam os espaços de sociabilidade. Desse modo, podemos afirmar que “a rua é uma ‘escola’ aberta, e que funciona ao ar livre”.

Em virtude do que foi discutido anteriormente, a rua é também um espaço de Memória. Na memória de uma cidade, lembranças são forjadas sobre as ruas, os bairros e o seu entorno. Rememorar é também dialogar com o passado, um passado encontrado além da escrita.

E, para além da palavra escrita, há aquela da oralidade, que implica outra forma de dizer a cidade, através do som e das palavras ditas. Entram em cena, assim, os recursos de uma história oral, recuperando depoimentos e relatos de memórias, que retraçam uma experiência do vivido e do possível de ser recuperado pela reminiscência, transmitido no presente para aqueles que não estiveram na cidade do passado. Falar-se e contar-se então, dos mortos, dos lugares que não mais existem, de sociabilidades e ritos já desaparecidos, de falar desusados, de valores desatualizados. Traz-se ao momento do agora, de certa forma, o testemunho de sobreviventes de outro tempo, de habitantes de uma cidade que não existe.11

Desse modo, utilizando reminiscências de citadinos, é possível identificar uma multiplicidade de histórias construídas por diversas frações de conhecimentos.

Retomando a ideia de resistência, o processo de atribuição da nomenclatura das ruas vem acompanhado de certas resistências ao longo da história da cidade. Em geral, os nomes das ruas são atribuídos pelo poder público, deliberados em gabinetes. Na maioria dos casos, a população não aceita, e continua chamando pelo nome mais representativo para os habitantes. Um exemplo disso é o caso de uma moradora da rua Antônia Ferreira Fugaça: D. Terezinha mora há 18 anos na referida rua, outrora denominada “Maria do Boi”. Ela sabe que o nome da rua foi alterado, mas sem o consentimento dela e dos outros moradores. Mesmo assim, os moradores ainda chamam a rua de “Maria do Boi”. Quando indagados sobre o nome da rua onde residem, os moradores geralmente explicam que este era o apelido de uma antiga moradora dali, que trabalhava vendendo carvão, porque ela utilizava uma carroça puxada por boi para transportar e vender o carvão.

A prática de rebatizar vias públicas não é uma ação neutra, como já foi mencionado neste trabalho. No entanto, esta mudança não significa o esquecimento do antigo nome. Essa visão expressa um sentido de resistência social; de identidade ressignificada com o lugar.

Seja por alterar o planejamento e por quebrar a harmonia temática, seja por tirar as referências de localização estabelecidas para a população, esse processo de mudança de nomes de ruas costuma ser criticado. Reconheça-se, não obstante, que essa prática demonstra a dinâmica da cidade com os fatos e personagens que pretende consagrar como nomes de suas vias públicas, feita a observação de que não se verifica [...], que as alterações tenham sofrido decisiva influência da reavaliação do papel histórico. De qualquer forma, para além da programação, o povo tem sua própria forma de se relacionar com os nomes dos logradouros e a experiência concreta introduz dinâmicas que nem sempre respeitam o estabelecido nas pranchetas. (DIAS. 2000, p. 103-120).

As pessoas que chegaram a conhecer a senhora que chamam de “Maria do Boi”, afirmam que ela era uma “guerreira”, pois trabalhava para o sustento de sua família. Talvez a maioria das pessoas se identifique com a figura feminina homenageada na rua em que moram. Essa visão reflete na questão da representação do social, o que caracteriza um processo de identificação social da comunidade com a figura que dá nome ao local ou à rua em que vivem.

Assim, quando há mudança na nomenclatura da rua, essa prática sempre é vista com insatisfação pelos moradores. Outro exemplo foi o que ocorreu com a antiga rua Dr. Assis12, que há alguns anos passou a ser denominada de Wilson Frazão.

Desde quando fizeram ela é Dr. Assis, tem ainda até a placa na rua indicando que é a Rua Dr. Assis, agora já é Wilson Frazão já!? Fica até estranho, eu não vi o mapa da cidade, não sei o motivo de mudarem o nome dela? Eu não vi fazerem nada de mais nessa rua para mudar o nome dela [...]. Eu não a chamo Wilson Frazão porque eu nunca conheci ela com esse nome. Eu a conheço como Dr. Assis, que foi como ela foi batizada quando a fizeram [...]. E assim, eu não sei por que inventaram essa moda de mudar do nada o nome da rua. Eu não chamo Wilson Frazão porque eu conheço como Rua Dr. Assis. Os políticos estão inventando tanta da moda agora. Esse negócio de inventarem moda só complica as coisas. O cara tá acostumado desde quando fizeram a rua que era o nome tal, e de repente muda não sei como, e nem pra quê mudam? A Capitão Assis agora já Mário Curica. A Dr. Assis agora já Wilson Frazão, e ainda tem as ruas que perdem alguma coisa do tempo que foram batizadas, a Avenida Rio Branco é Avenida Barão do Rio Branco, a Getúlio Vargas é Presidente Getúlio Vargas [...] fica até estranho pra gente!?13

A troca do nome de Dr. Assis para Wilson Câmara Frazão foi uma homenagem da Câmara Municipal de Breves a um ex-prefeito de Breves, que governou o município no período de 31/01/1973 a 01/02/1977, e morava nessa rua. Na Rua Wilson Frazão, é constante o movimento de pessoas, pois é uma via em que se encontram comércios e residências de pessoas da elite local. Av. Presidente Getúlio Vargas é conhecida como Rua da frente; a rua do comércio; a rua que nunca para, pois fica próxima aos portos de Breves. É vista como uma das “principais” ruas do município.

Com relação à Rua do Meretrício, como era conhecida a Rua Mário Curica, antiga Curica e Capitão Assis, é possível perceber que nem sempre as pessoas são consultadas quando se refere à mudança de nome da rua onde moram, conforme mencionou a D. Dora, antiga moradora da cidade.

Quando a minha família chegou aqui em Breves, eu tinha seis anos de idade. Essa rua ainda não existia; era apenas um caminho em meio ao mato [...]. Eu não sei por que mudou o nome da Rua Capitão Assis. Eu acho que a maioria das pessoas que moram em Breves conhecem ou já ouviram falar de Mário Curica, das suas histórias, das suas piadas. Não me lembro se alguém ou os que moram na rua foram consultados, mas eu sei o porquê da homenagem! As pessoas ainda falam Capitão Assis, mesmo com o nome da rua não sendo mais este. Acho que as pessoas não esquecem rapidamente do primeiro nome das coisas. Eu chamo a rua de Capitão Assis, quando me lembro que mudou de nome, faço um esforço para chamar pelo nome atual, isso porque o primeiro nome durou muito tempo aqui na rua.14

Os relatos do seu Agostinho, da dona Doralice e dos demais entrevistados neste trabalho evidenciam que as pessoas estão interagindo com as ruas. A intimidade com que tratam esses espaços e como se referem aos seus respectivos nomes demostra que há uma interação entre os nomes, os lugares e as pessoas. Vale ressaltar que o rebatismo das duas ruas mencionadas nas entrevistas, ocorreu sem consulta ou consentimento dos moradores.

A respeito desta questão, Leão (2014) explica que entre as décadas de 1960 e 1970, com a expansão da cidade, a rua que teve a primeira denominação de Curica começou a ser ocupada pela população, principalmente pelas mulheres “solteiras”, como chamavam as prostitutas da época. Antes disso, elas viviam nos quartos da antiga casa de prostituição da D. Dominga Sena, localizada na área portuária, que entrou em decadência nesse período. As prostitutas então construíram suas casas nessa rua. Para enriquecer o seu trabalho, a autora traz as memórias de Seu Antônio Soares, que menciona os primeiros traçados dessa ocupação, a expansão da cidade e as mudanças na paisagem do lugar.

A partir de 60 e 70, o velho Mário Curica era carpinteiro, então nesse tempo tinha muita mulher solteira, ele começou a roçar e fazer as casas delas na Curica. Antes, muitas delas moravam na casa da Dominga Sena. Eu frequentava muito esse lugar, tinha um bocado de mulher solteira, tinha a dança, salão de festa. O Mário Curica começou a fazer os tapirizinho delas, foi aí que fundaram a rua. Em 1965 eu morei aqui em Breves, aluguei uma casa nessa rua, defronte da Escola Paulo Rodrigues, ali era um roçado de arroz, o pessoal começou a fazer casa, fazer casa. (LEÃO, 2014. p. 99-100).

Conforme mencionado pela autora, muitos moradores também explicam que o nome da rua é uma homenagem a um personagem famoso do folclore popular chamado “Mário Curica”, reconhecido pela expressiva criatividade e imaginação ao contar as proezas e histórias fantásticas de suas aventuras. Mário Curica se tornou um símbolo de quem tem uma imaginação fértil e uma mente prodigiosa, ou seja, de quem tem a fama de mentiroso. Devido as suas “façanhas” no município e nos interiores, sua notoriedade é indiscutível.

A autora traça um panorama da Rua Mário Curica nesse período, contextualizando o crescimento econômico e movimento com a atividade ligada à prostituição nos bares e nas festas que ocorriam diariamente na Curica.

Nas décadas de 1970 e 1980 a Rua Curica foi se assentando também como espaço de moradia e não mais apenas de prostituição e bares. Esse momento coincidiu com o período em que a madeira e o palmito sustentavam a economia local, movimentando os portos. Com códigos, leis e práticas próprias, a Curica configurava-se em espaço de práticas culturais diferenciadas. Nesse período, muitas famílias residentes na rua aproveitavam o movimento comercial para venderem comidas, bebidas e doces em frente às boates e bares, no período noturno. (LEÃO, 2014. p. 100).

Com base nas análises apresentadas e nos relatos, é possível afirmar que a rua é também um lugar social, de práticas culturais, interações e reminiscências que estão diretamente ligadas à história da cidade.

4. CAPÍTULO 2 - ESPAÇO E SOCIABILIDADE

4.1 A RUA COMO ESPAÇO DE SOCIABILIDADE

As ruas estão repletas de simbolismos, pois comportam atores, personagens, grupos, classes, práticas produtivas, ritos, festas, comportamentos e hábitos. Para Simmel (2006), os seres humanos estão em constante interação uns com os outros. A rua é espaço de sociabilidade. Através das redes de interações e oposições, a rua se configura em um espaço de partilhar conhecimento, pois, nesse palco encontra-se a voz do consenso e do dissenso. Ao focalizarmos os sujeitos da foto (Figura 2), percebemos a presença de homens, mulheres e crianças. Os detalhes da imagem refletem um espaço de opiniões diversas, e de trocas de informações.

Figura 2 - Foto da calçada da Avenida Rio Branco, na década de 1970.


Fonte: Arquivo da Biblioteca Municipal Eustórgio Miranda.

Uma prática cultural muito difundida nas ruas de antigamente eram as rodas de conversas. Em frente às casas, sobretudo aquelas com vista para a rua, as pessoas trocavam ideias sobre vários assuntos, contavam detalhes de suas vidas, do dia a dia, caçoavam entre si, divertiam-se contando piadas e histórias de seres fantásticos de visagens, namoravam, festejavam e etc. Segundo Magnani, “mais relevante que lamentar a perda de uma suposta autenticidade, no entanto, é tentar analisar as crenças, costumes, festas, valores e formas de entretimento na forma em que se apresentam hoje, pois a cultura, mais que uma soma de produtos, é o processo de sua constante recriação, num espaço socialmente determinado” (MAGNANI, 2003).

Torna-se evidente que práticas e saberes rurais e urbanos se difundiam em torno dos círculos de conversas.

Esses círculos de conversas eram espaços em que os moradores da antiga vila socializam seu dia a dia e modos de fazer de sua cultura. Nesse ambiente que privilegiava a frente da casa, geralmente ao anoitecer, os moradores, com suas familiares, parentes e amigos narravam os mais diversos contos, causos e lendas do universo popular. Também tornou-se o lugar do relato das experiências já vividas pelos mais velhos, que se configuravam como ensinamentos e orientações para os mais novos. (PACHECO, 2006, p. 104).

Segundo as lembranças de Antônio dos Santos Almeida, nos momentos em que os mais velhos estavam conversando, fazia-se silêncio para ouvir as histórias que eles contavam. Enquanto os mais velhos conversavam, as crianças se divertiam ouvindo histórias ou brincando nas calçadas, ou mesmo na rua.

Eu vim do interior, na verdade, eu sou do interior. Lá onde morávamos a gente se ajeitava cedo. De noite a minha família conversava até chegar o sono. Quando viemos pra cá eu já estava grande, e lembro que o papai, a mamãe e meus outros parentes sentavam em frente de casa, quando já estava noite a gente acendia a lamparina. Eu gostava de conversar com os mais velhos. Os mais velhos contavam histórias do tempo do ronca, de visagens e de outras coisas. Sobre o interior contavam que o mato tinha mãe, até porque tudo tem mãe, os bichos, os rios, o mato. Quando o cara matava muita caça, ele ficava assombrado, e quando cortava muita madeira, a mãe do mato também o assombrava. Ainda tinha as histórias de gente que escondia dinheiro dentro da terra, porque não existia banco nesse tempo. Aqueles que morriam e tinham deixado a sua riqueza escondida só ficava em paz se eles dessem o dinheiro para alguém, daí o dono escolhia uma pessoa e falava as coordenadas do lugar em que tinha enterrado a sua riqueza. Se o cara não fosse corajoso, ele não encarava nem na bala. Essas e outras histórias eu ouvia, e gostava muito disso. Daqui da cidade, falavam que tinha gente virava bicho. Um dos bichos conhecidos era a porca-lobisomem. Diziam que esse animal aparecia em diversas ruas de Breves, como nas ruas da Castanheira, na Castilho França, e em outras ruas de cidade. E os mais velhos também davam conselhos para os mais novos. Eu gosto de lembrar desse tempo, porque hoje em dia tudo é diferente, muitas coisas mudaram, eu sempre digo que eu vivo num tempo em que eu não faço parte dele, parece que esse tempo de hoje não é um tempo bom pra mim, a modo que não é o meu tempo.15

Os círculos de conversas são momentos de diálogos que produziam e/ou produzem saberes diversos, pois é uma prática cultural que ainda persiste. As lembranças dos velhos refletem uma visão significativa para a história da cidade. Suas memórias recriam fatos e saberes de outrora e que foram esquecidos pelos mais jovens.

Esse momento de diálogo trazido pelos ribeirinhos de espaços rurais e florestais foi perdendo seu significado quando a cidade começou a crescer, a partir da chegada da luz elétrica e, especialmente, dos aparelhos de televisão em algumas casas, já que as pessoas deixavam de conversar para verem os programas de TV. A chegada da TV, nos seus primeiros anos, contudo, não representou uma ruptura absoluta nos modos de vida, já que essa tecnologia possibilitou o diálogo com práticas tradicionais de encontros, especialmente quando muitos moradores deixavam suas casas para assistir televisão na casa de vizinhos, parentes e amigos. (PACHECO, 2006. p. 105).

Segundo Pacheco (2006), as novas tecnologias promoveram mudanças na rotina das pessoas e famílias. Aos poucos, a televisão e o rádio foram ocupando espaços e se instalando nas residências. Com o passar do tempo, as atividades de entretenimento ficaram restritas no interior das casas, pois os aparelhos eletrônicos e as novas tecnologias mudaram o cotidiano das pessoas.

As lembranças evocam sentimentos de nostalgia e saudade do cotidiano das ruas de outrora, pelo desejo de voltar no tempo, de reviver um passado que ainda permanece vivo na memória. A rua era um lugar interessante para as crianças, o que pode ser observado na fotografia a seguir (Figura 3).

Figura 3 - Menina na rua, ano de 1970.


Fonte: Arquivo da Biblioteca Municipal Eustórgio Miranda.

A imagem evidencia traços de harmonia entre a rua e a infância. Revela também uma noção de familiaridade, devido ao lugar escolhido para fotografar esse momento. O vestuário da criança, o mato nas beiradas da rua e as casas detalham elementos de outro contexto. A pose para a foto reflete uma forma interação entre a criança e a rua, talvez por isso ela comporte tantas lembranças da infância.

Dialogando com Josenaldo Rodrigues, surgem na sua memória as lembranças da época de criança e da rua onde as brincadeiras aconteciam.

Quando eu era criança, corria pela rua e imaginava muitas coisas. À tarde a gente brincava de bola até chegar à noite. À noite a gente brincava de outros tipos de brincadeira, uma frequente era o esconde-esconde, jogo de bola, jogo de peteca, garrafão, taco, pira-pega, polícia e ladrão e outras aí. Eu tenho boas lembranças de quando criança e, se não houvesse a rua, talvez eu não tivesse essas lembranças.16

Observa-se um elo entre o homem e a rua, visto que, a rua acompanha o crescimento do indivíduo. A rua é também um espaço para a criança aprender.

O que falar sobre a rua, eu quase que cresci na rua. A rua está presente em meu mundo. Honestamente, a fez e faz parte da minha vida, digo, de uma forma inexplicável para mim, a rua acompanhou o meu crescimento: não apenas o meu crescimento, dos meus amigos também! Eu ia brincar. Videogame era para os ricos, e mesmo se eu tivesse um, isso não me tirava o direito de jogar bola, de brincar de bandeirinha. Achava muito legal quando chovia, a água escorria pela beirada da rua. Pegávamos folhas de compensados e brincávamos de surf na vala. A rua pode ser perigosa, hostil, mas para uma criança ela é não tão maligna assim. A rua é apenas uma rua. E é possível fazer um estudo sobre as ruas de Breves com base na memória dos agentes que construíram e constroem a história do município de Breves.17

A rua tem o seu próprio movimento, e a sua rotina. Ela é uma guardiã do tempo.

A vida de uma rua densamente avoada é inesgotavelmente rica, se registrarmos os seus sons e movimentos. Podemos gravar a trilha sonora de uma rua durante 24 horas. Desde a primeira janela que se abre de manhã, a vassoura na calçada, as portas das lojas que se erguem, os passos de quem vai para o trabalho, conversas, cantigas [...]. Sob essa diversidade há uma ordem e um ritmo cuja sequência é portadora de um sentimento de identificação. A sequência de movimentos na calçada segue ritmos que se aceleram e se abrandam em horas certas e vão se extinguindo devagar, quando as janelas se iluminam e as ruas se esvaziam. Depois, as janelas vão se apagando e fechando, menos alguma que resiste ainda, da qual escapa um som que finalmente silencia. (BOSI, 2003).

Na rotina da rua, o ato de caminhar pode ser uma forma de amenizar o estresse do cotidiano. Anaildo, um dos entrevistados, revelou que, para ele, o hábito de andar é um tipo de terapia alternativa, uma forma de refletir sobre os seus anseios.

É estranho, e interessante ao mesmo tempo! Flanar me ajuda a refletir sobre a minha vida, faz eu me encontrar com certas respostas na vida. Andar ajuda a pensar nos mais diversos assuntos do cotidiano. No movimento de meus passos, os pensamentos são postos em reflexão. Na rua surgem respostas para certos problemas que estão acontecendo em minha vida. As vezes não acontece nada, mas eu gosto de andar para me distrair um pouco. Eu ando, e só eu sei o que penso a respeito disso. Só sei que às vezes andar por aí sem rumo pode tranquilizar o homem e o sentido. 18

As memórias dos entrevistados revelam acepções que a rua pode influir em suas experiências de vida. De alguma forma, o lugar se faz importante na vida dessas pessoas e, como já mencionado, percebe-se a interação dos informantes com esses espaços.

A rua faz as celebridades e as revoltas, a rua criou um tipo universal, tipo que vive em cada aspecto urbano, em cada praça, tipo diabólico que tem dos gnomos e dos silfos das floretas, tipo proteiforme, feito de risos e de lágrimas, de patifarias e de crimes irresponsáveis, de abandono e de inédita filosofia, tipo esquisito e ambíguo, com saltos de felino e risos de navalha, o prodígio de uma criança mais sabida e cética que os velhos de setenta invernos, mas cuja ingenuidade é perpétua, voz que dá o apelido fatal aos potentados e nunca teve preocupações, criatura que pede como se fosse natural pedir, acalma em interesse, e pode rir francamente, depois de ter conhecido todos os males da cidade, poeira d’ouro que se faz lama e torna a ser poeira – a rua criou o garoto! (RIO, 1952, p. 2).

Em Breves, durante quatro décadas (1980-2010), sob a lógica do desenvolvimento urbano, diversas ruas foram construídas e as mais antigas reestruturadas e “maquiadas” com cimento e asfalto. Carros, motos e bicicletas passaram a dominar espaços onde outrora as pessoas brincavam e circulavam livremente. No entanto, faz-se necessário observar o crescimento das áreas da cidade, e como se deu a legalização da área patrimonial do município. Segundo Costa (2000), no exercício de sua gestão como prefeito municipal (1983-1989), Gervásio Bandeira Ferreira foi o responsável pela legalização da área patrimonial de Breves.

Com a ascensão à PMB do advogado e professor Gervásio Bandeira Ferreira em 1983, o novo gestor municipal, preocupado com a situação, encetou esforços no sentido de legalizar a área em que ficava localizada a Cidade de Breves. Depois de muitas viagens a Belém e um longo processo de negociação com o ITERPA e Governo do Estado, finalmente no dia 11 de julho de 1985 a Cidade de Breves conseguiu a legalização de sua área patrimonial, com a assinatura pelo então governador do estado, Jader Fontenele Barbalho, do TÍTULO DEFINITIVO DE Nº 062, que deu à Municipalidade a propriedade da terra em que se acha assentada a Cidade, cuja área é de 2.839 ha45a09ca. A partir do Registro do Documento no Cartório de Registro de Imóveis da Cidade de Breves, dia 30.01.1986, Breves teve sua área patrimonial urbana legalizada, passando a PMB a poder emitir títulos de posse dos terrenos àqueles que possuíam somente a benfeitoria ou a posse. (COSTA, 2000, p. 50).

Seguindo a lógica do dinamismo e, para além do programado, a cidade se expandiu e novos bairros foram criados, conforme a Lei nº 2.195/2009, cuja transcrição encontra-se no final deste trabalho (Atos Legislativos).

Os bairros foram crescendo e criados na década de 1980 para cá [2014]... O Bairro da Cidade Nova foi começado no início da década de 1980, quando o Estado desapropriou em meados de 80. Quando “eu”, em 83, o transformei realmente em bairro da Cidade Nova, com a legalização da área patrimonial de Breves. Legalizamos a área patrimonial com 3.000 hectares e os terrenos da Cidade Nova, depois o Bairro Santa Cruz, depois o Bairro Aeroporto, Bandeirantes... Aí criamos o Bairro Castanheira, depois o Bairro Santa Cruz e assim por diante. A cidade foi crescendo e suas áreas foram sendo legalizadas por leis aprovadas.19

De fato, o espaço é dinâmico. O tempo e a ação das pessoas podem ser determinantes para o processo de dinamização do espaço. Com relação à expansão da cidade, e sobre o processo de nomeação das ruas, um fato novo surge mediante a entrevista com o Sr. Benedito:

Em 1958, por aí que foi instituída a Câmara de Breves, a partir desse período foi que os vereadores começaram a atuarem. Então houve aquele momento de transição, pois, a Câmara não funcionava aqui, funcionada em Melgaço. Aí foi transferida para Breves. Então é nesse período, os primeiros nomes de ruas que foi dado, [as ruas] não eram legalizadas, eram apenas denominadas, como tem muito hoje né! Nem todas as ruas de Breves hoje são conhecidas por lei. O camarada chegou – não, essa rua vai ser o nome tal, mas ela não é uma rua legalizada, por não ter uma lei que diga que e é aquele nome mesmo.20

Percebe-se que nem todas as ruas de Breves são legalizadas ou estão legalizadas. Talvez esse fenômeno ocorra devido ao crescimento urbano e o aumento da população. Isso possibilita uma reflexão sobre lugares que permanecem no anonimato. Por outro lado, tal problemática nos leva à percepção de uma forma de resistência. Ao refletirmos sobre a rua, surgem lembranças de antigos espaços, de como antigamente era esse lugar.

Hoje em dia tá tudo mudando. As ruas daqui de Breves estão se tornando violentas, e isso começa desde o trânsito e termina na criminalidade. As ruas estão perdendo aquele papel importante na vida das crianças, até porque eu fui criança e adolescente um dia. Não dá mais para brincar na rua porque é arriscado de um carro ou uma moto bater alguém. Sair de noite ou ficar conversando em frente da casa também é arriscado por causa de assalto, que é frequente. A cidade tá crescendo direto. Nos últimos anos, a cidade cresceu um bocado. Muitas famílias invadiram áreas desocupadas, porém particulares, como as terras do dono da Madenorte, e de outras instituições aí. Da cidade do passado pra essa de agora, muita coisa mudou. Mudou os hábitos, os costumes e até a convivência com as outras pessoas mudou. Talvez a própria história de Breves devesse ser olhada com mais atenção, e escrita direto, sem parar, se não, mais lá na frente as futuras gerações nem vão entender nada do que aconteceu para ser erguer a cidade que Breves é e quem sabe vai ser no futuro. As formas de brincar, de viver, de falar, de conversar, de respeitar os velhos, de se ensina, de educar no geral, tudo isso precisa ser preservado.21

A história de Breves é uma história que está em constante construção, o que pode ser observado através da dinâmica do tempo. Numa tentativa de compreender o processo histórico do município, as memórias de seus habitantes configuram-se como uma valiosa contribuição à pesquisa.

No percurso traçado neste trabalho, percebe-se que o processo de nomeação das ruas de Breves apresenta uma relação com a história oficial nacional, regional e local. Dessa forma, busquei entender a rua como um espaço socialmente construído, e que pode revelar memórias. A rua está repleta de alegorias do passado e agrega os conhecimentos sobre a história e a memória social de uma localidade. Diversas práticas culturais tradicionais resistem à dinâmica deste milênio e vão sendo (re)modeladas no cotidiano urbano. Neste sentido, a rua pode ser assimilada no conceito de “lugar de memória”.

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Ao longo deste estudo busquei discutir questões relacionadas ao papel social da rua e a sua relevância na história local, constituída de significados como lugar de memória e espaço de sociabilidade no contexto urbano. No processo de elaboração deste trabalho, aprofundei a análise de dados e relatos significativos, que me levaram a constatar que a história não é, e jamais será uma previsão, mas um universo inesgotável de respostas.

Um aspecto relevante refere-se à repercussão e reação da comunidade quando há mudança de nome da rua, pois isso não significa que o antigo será totalmente esquecido. Vale ressaltar que esse processo de mudança geralmente causa algum tipo de frustração entre os moradores, sendo motivo de críticas, visto que, além da população não ser consultada, o nome anterior permanece na memória dos antigos moradores.

O processo histórico consiste nas ações das pessoas e das instituições, e cada ator social deixa provas da sua existência de forma singular, e a memória é um fio condutor desse processo. Neste sentido, as atitudes, as práticas cotidianas e as relações sociais no presente são essenciais para desvelar fatos históricos e aspectos sociais no futuro.

Neste sentido, este trabalho apresenta reflexões sobre o significado da rua como um lugar que evoca lembranças do passado. Como já mencionado anteriormente, a rua pode ser definida como um lugar que expressa o sentido de pertencimento da população, evidenciando a identidade cultural e a história social de uma localidade. Nesta concepção, pode-se dizer que a rua é um lugar de memória. Contudo, o que faz a rua ser ou tornar-se uma referência, nem sempre é o nome atribuído a ela, mas das lembranças que ela é capaz de despertar.

De fato, amplia-se o conhecimento sobre o papel social da rua, visto que há perspectivas de estudos em todo lugar. A rua é um espaço de socialização, onde migrantes ribeirinhos e moradores locais compartilham saberes em meio à convivência no espaço urbano do município. Na dinâmica da cidade, os saberes tradicionais e os valores culturais são reconstruídos e ressignificados.

Neste estudo sobre ruas de Breves, reafirmo o quão prazeroso é o oficio do pesquisador, especialmente para o historiador, pela oportunidade de ouvir histórias de citadinos, que me proporcionaram um exercício de aprendizagem, pois há saberes que somente a pesquisa pode evidenciar. Com base nas discussões e reflexões apresentadas neste trabalho, podemos inferir que o papel social da rua é irrestrito.

6. REFERÊNCIAS

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BOSI, Ecléa. Memória e sociedade: lembranças de velhos. 2. ed. São Paulo: EDUSP, 1985.

BOSI, Ecléa. O tempo vivo da memória: ensaios de Psicologia Social. São Paulo: Ateliê, 2003.

COSTA, João Batista Ferreira da. Terra dos Breves. 1ª Edição: Breves-Pará-Brasil. Smith Produções Gráficas LTDA. Belém-Pará, 2000.

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LEÃO, Dione do Socorro de Souza. O porto em narrativas: experiências de trabalhadores, moradores e frequentadores da área portuária em Breves-PA (1940-1980). 2014. Dissertação (Mestrado em História Social da Amazônia) – Instituto de Filosofia e Ciências Humanas, Universidade Federal do Pará, Belém, 2014.

LEÃO, Dione do Socorro de Souza. Revivendo nossa história: um estudo sobre os bairros de Breves-Marajó-PA. Belém: Poligráfica, 2009.

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RIO, João do. A alma encantadora das ruas. Rio de Janeiro: Simões, 1952.

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http://www.google.com.br >. Acesso em: 04 de agosto de 2015.

https://www.google.com.br/maps/place/Breves+-+PA/@-1.6813474,-50.4991251,15z/data=!4m2!3m1!1s0x9298385173a2b0af:0x4504ae24d248c3a4>

7. FONTES UTILIZADAS

1) ENTREVISTAS

1. Agostino Alves da Silva, 69 anos, natural de Breves. Aposentado.

2. Anaildo da Gama Almeida, 28 anos, migrante de espaço ribeirinho (Rio Marajoí/Gurupá), reside na cidade desde 1992. Trabalha como ajudante de pedreiro.

3. Antônio dos Santos Almeida, 50 anos, migrante de espaço ribeirinho (Rio Marajoí/Gurupá), reside na cidade desde 1992. Trabalha em uma marcenaria da cidade.

4. Benedito Rodrigues Barbosa, então com 25 anos, natural da cidade de Breves. Trabalha como auxiliar legislativo na Câmara Municipal de Breves.

5. Doralice Campos Sales, 55 anos, migrante de espaço ribeirinho (Rio Aramã/Breves), reside desde 1966. Atualmente trabalha como empregada Doméstica.

6. Francisca Vieira Caldas, 52 anos, residente do município de Breves. Atualmente trabalha como empregada doméstica.

7. Gervásio Bandeira Ferreira, nasceu em Santarém, importante cidade do oeste paraense, em 5 de março de 1949. Foi Prefeito de Breves durante dois períodos. O primeiro mandato foi entre 1983 e 1988, e teve como vice o empresário Ivan Leão. A segunda gestão aconteceu entre 1997 e 2000, e teve como vice o empresário Doth Custódio. Desde de janeiro de 2009, ocupa o cargo de Secretário Municipal de Projetos e Convênios (SEPROCON).7.

8. Josenaldo Duarte Rodrigues, 34 anos, residente do município de Breves, Vendedor autônomo.

9. Maria do Socorro Pureza da Gama, 44 anos, migrante de espaço ribeirinho (Rio Marajoí/Gurupá), chegou a Breves em 1992, juntamente com a sua família. Atualmente trabalha como empregada doméstica.

10. Manoel Neto de Lima, 68 anos, migrante de espaço ribeirinho (Rio Marajoí/Gurupá), empresário.

11. Marlon Gomes da Costa, 25 anos, natural de Breves. Atualmente encontra-se desempregado.

12. Raimundo Pereira Sanches, seu Ramos. 65 anos. Entrevista concedida em 2006. Faleceu em 15.02.2007.

13. Terezinha Balieiro, 44 anos, migrante de espaço ribeirinho (Rio Jacarezinho), mora em Breves há 18 anos. Atualmente encontra-se desempregada.

2) ATOS LEGISLATIVOS

1 - Leis da Câmara Municipal de Breves referentes à “criação e delimitação dos bairros da cidade de Breves e dá outras providências”:

A Lei nº 2.195/2009, que altera a Lei nº 2.114/2006, que altera nº 2.106/2006, que dispõe sobre a criação e delimitação dos bairros da cidade de Breves e dá outras providencias.

Parágrafo Único – Estando o observador de costas para o rio Parauaú e de frente para a cidade temos:

I – Bairro Centro – Inicia-se na Trav. Capitão Assis lado direito, até a Rua Sebastião Amado; Rua Sebastião Amado lado direito até à Trav. Interventor Malcher; com a Trav. Interventor lado esquerdo até o Rio Parauaú; Rio Parauaú até o ponto inicial.

II – Bairro Cidade Nova – Inicia-se na travessa Interventor Malcher no seu lado direito até a Rua Sebastião Amado; Rua Sebastião Amado lado direito até à Av. Anajás; Av. Anajás no seu lado esquerdo até o Rio Parauaú; Rio Parauaú até Trav. Interventor Malcher no ponto inicial.

III – Bairro Santa Cruz – Inicia-se no igarapé Santa Cruz no seu lado direito, até o igarapé da Vala; igarapé da Vala lado direito estende-se pela Alameda Maria Pantoja até a Trav. Capitão Assis; Trav. Capitão Assis no seu lado esquerdo até o Rio Parauaú; Rio Parauaú até o igarapé Santa Cruz no ponto inicial.

IV – Bairro Jardim Tropical – Inicia-se na foz do igarapé da Madenorte no seu lado direito; igarapé da Madenorte até confrontar com a rua Dr. Teixeira da Costa no igarapé Santa Cruz; igarapé Santa Cruz no seu lado esquerdo até sua foz no Rio Parauaú; Rio Parauaú até o Igarapé da Madenorte no ponto inicial.

V – Bairro Parque Universitário – Inicia-se na Av. Anajás no seu lado direito até a Rua Antônio Fulgêncio da Silva; Rua Antônio Fulgêncio da Silva lado direito até a estrada da ASPM; estrada da ASPM lado direito até o igarapé Purema; igarapé Purema até sua foz no Rio Parauaú; Rio Parauaú até o prolongamento da Av. Anajás no ponto inicial.

VI – Bairro Castanheira – Com fluência do igarapé Santa Cruz com o igarapé Beira da Vala; igarapé Santa Cruz no seu lado direito até a Alameda Saci; Alameda Saci lado direito até a Rua Francisco José da Rocha; Rua Francisco José da Rocha até a Rua Sebastião Amado; Rua Sebastião Amado seu lado direito até a Trav. Capitão Assis; Trav. Capitão Assis lado direito até a Alameda Maria Pantoja; Alameda Maria Pantoja lado direito até o igarapé Beira da Vala; igarapé Beira da Vala até o igarapé Santa Cruz no ponto inicial.

VII – Bairro Aeroporto – Trav. Capitão Assis no seu prolongamento até atingir com a linha reta no sentido do sudeste do limite municipal urbano; seguindo por esta até confrontar com a Fundação J. Severino; seguindo deste ponto uma linha reta no sentido nordeste até confrontar com o igarapé Purema; igarapé Purema até confrontar com a estrada da ASPM; estrada da ASPM até a Rua Antônio Fulgêncio da Silva; Rua Antônio Fulgêncio da Silva até a Av. Anajás; Av. Anajás até a Rua Sebastião Amado; Rua Sebastião Amado até a Trav. Capitão Assis no seu ponto inicial.

2 - Leis da Câmara Municipal de Breves e dá outras providências

1 IBGE – Instituto Brasileiro Geográfico Estatístico. Histórico do município de Breves. Disponível em: . Acesso em: 15 e julho de 2015.

2 Idem

3 Idem.

4 IBGE – Instituto Brasileiro Geográfico Estatístico. O município e o seu contexto. Disponível em: http://www.ibge.gov.br. Acesso em: 16 de julho de 2015.

5 Segundo decreto da Lei nº 1.277/81, assinado pelo até então prefeito Carlos Estácio.

6 Raimundo Pereira Sanches, seu Ramos. Trav. Castilho França, 764. Falecido em 15.02.2007. Trecho da entrevista concedida em 2006.

7 Trecho da entrevista com Gervásio Bandeira (prefeito em 1983 à 1987), realizada no dia 21 de fevereiro de 2014.

8 Trecho da entrevista da Sra. Francisca Vieira Caldas, diarista, concedida em 20 de janeiro de 2015.

9 Trecho da entrevista da Sra. Maria do Socorro Pureza da Gama, 44 anos, concedida em 15 de março de 2014.

10 João Paulo Emílio Cristovão dos Santos Coelho Barreto, nasceu em 5 de agosto de 1881 e faleceu em 23 de junho de 1921. Foi jornalista, cronista, contista e teatrólogo. Ficou conhecido pelo pseudônimo João do Rio.

11 Rev. Bras. Hist. Dossiê Cidades, São Paulo, v. 27, n. 53, p. 7-8, jan./jun., 2007.

12 A Rua Dr. Assis faz referência ao fundador de vários órgãos de comunicação do Pará e político local, o Dr. Joaquim José de Assis. Fundou e dirigiu “O Pelicano” entre 1872 e 1874 (periódico maçom), a “A Província do Pará” entre 1876 e 1906, entre outras atribuições. (CRUZ, 1970, p. 43).

13 Trecho da entrevista de Agostino Alves da cunha, 69 anos, concedida em 30 de julho de 2015.

14 Trecho da entrevista com a Sra. Doralice Campos Sales, 55 anos, concedida em 29 de julho de 2015.

15 Entrevista com Antônio do Santos Almeida, 50 anos, realizada em 16 de março de 2014.

16 Trecho da entrevista com Josenaldo Duarte Rodrigues, 34 anos, concedida em 4 de julho de 2015.

17 Trecho da entrevista com Marlon Gomes da Cunha, 25 anos, concedida em 25 de julho de 2015.

18 Trecho da entrevista de Anaildo da Gama Almeida, 28 anos, concedida em 12 de março de 2014.

19 Trecho da entrevista de Gervásio Bandeira (prefeito de 1983 a 1987), realizada no dia 21 de fevereiro de 2014.

20 Trecho da entrevista de Benedito Rodrigues Barbosa, 55 anos, realizada em 25 de fevereiro de 2014.

21 Trecho da entrevista de Manoel Neto de Lima, 68 anos, realizada em 12 de março de 2015.


Publicado por: Anazildo da Gama Almeida

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