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A PERCEPÇÃO DE ACADÊMICOS DO CURSO DE ENFERMAGEM BACHARELADO SOBRE A SISTEMATIZAÇÃO ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM (SAE)

Enfermagem

Percepção do graduando em enfermagem sobre a Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE), método de trabalho utilizado pelos enfermeiros.

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1. RESUMO

A Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE) é um método de trabalho utilizado pelos enfermeiros, esse instrumento possibilita planejar uma assistência adequada de enfermagem, a fim de atender as necessidades da clientela. Objetivou-se demonstrar a percepção do graduando em enfermagem sobre a sistematização da assistência de enfermagem. Esta é uma pesquisa de campo, de natureza descritiva-exploratória, com abordagem qualitativa. Os sujeitos foram 22 discentes de uma universidade pública do município de Santa Inês - Ma. Os dados foram coletados através de um questionário com seis perguntas subjetivas e posteriormente analisados através da técnica de triangulação do entrevistador, que consiste em utilizar outros pesquisadores, para estudar a mesma questão de pesquisa. Os resultados nos apresentam que os acadêmicos entendem a SAE como um ferramenta de organização do trabalho do enfermeiro; alguns não entendem o que são os diagnósticos de enfermagem, confundem com as intervenções; compreendem que a SAE oferece autonomia profissional, ajuda na tomada de decisões; alguns acadêmicos referem ter tido orientações sobre a SAE na faculdade, nas disciplinas de bases técnicas, teorias da enfermagem, administração, enquanto outros dizem não ter sido oferecido; segundo os discentes, as dificuldades para a institucionalização da SAE é a falta de conhecimento dos enfermeiros, o ambiente de trabalho, e a própria formação acadêmica. Concluiu-se que é de extrema importância, uma revisão sobre a prática pedagógica no curso de enfermagem, e que se busque melhores modelos de ensino, como por exemplo, estudos de casos, disciplinas específicas sobre a SAE, aplicação do conhecimento teórico na prática, entre outras. Espera-se que esse estudo estimulem pesquisas sobre as diretrizes curriculares no curso de graduação.

Palavras chave: Sistematização da assistência de enfermagem. Diagnósticos de enfermagem. Formação profissional.

ABSTRACT

The Nursing Assistance Systematization (SAE) is a working method used by the nurses, and this instrument enables to plan an appropriate nursing assistance, in order to fulfill the customers’ need. It was aimed to show the nursing undergraduate perception about nursing assistance systematization. This is a field research, descriptive-exploratory type, with qualitative approach. The subjects were 22 university students from a public university in the town of Santa Inês - Ma. Data were collected through a questionnaire with six subjective questions and after that analyzed using the interviewed triangulation method, which consists in using other researchers, in order to study the same research question. The outcomes show that the university students understand SAE as a working organization tool of the nurse; some do not understand what the nursing diagnosis are, misunderstanding with the interventions; they comprehend that SAE offers professional autonomy, helps in the decisions taking; some university students mention having had orientation about SAE at College, in basic technician subjects, nursing theories, administration, while others say it was not offered; according to the professors, the problem to institutionalize SAE is the nurses’ lack of knowledge, the work environment and the academic formation itself. It was concluded that is of extreme importance, a review about the pedagogical practice in the Nursing course, and that we search for better teaching methods, such as, case study, specific subjects about SAE, theoretical knowledge application in practice, among others. It is hoped that this research stimulates studies about the curriculum guidelines in the graduation course.

Key words: Nursing assistance systematization. Nursing diagnosis. Professional formation.

2. INTRODUÇÃO

A enfermagem em seu primórdio era executada por pessoas leigas e marginalizadas. Foi Florence Nightingale que elaborou modelos de escolas de enfermagem, ensinando entre algumas coisas, o raciocínio crítico, a atenção às necessidades individuais do paciente, e o respeito aos direitos do paciente. (NETTINA, 2012).

Ainda conforme Nettina (2012), para que a enfermagem pudesse se definir como ciência, foi necessário a produção de teorias da enfermagem. A primeira teórica da enfermagem foi Florence Nightingale, sua teoria dizia que a enfermagem deveria colocar o paciente na melhor condição possível para a natureza restaurar ou preservar a saúde. Entre outras teóricas estão: Levine, Roy, Orem, Neuman, King, Rogers, etc. Para que se formule uma teoria, é necessário que se defina quatro elementos, que são conhecidos como metaparadigmas, são eles: enfermagem, indivíduo, ambiente e saúde.

Para que a enfermagem possa aplicar essas teorias, deve-se utilizar o processo de enfermagem, este é definido como um instrumento metodológico que tem o objetivo de organizar a assistência, assim como também garantir a aplicabilidade de marcos teóricos.

De acordo com Modesto et al (2014), o termo processo de enfermagem, assume outros nomes na literatura, entre eles estão, Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE), Metodologia da Assistência de Enfermagem (MAE), Processo de Assistir em Enfermagem (PAE) e Metodologia do Cuidado. Neste presente trabalho utilizaremos o termo SAE, por considerar este termo mais abrangente, ou seja, permite que qualquer teoria seja utilizada, e por considerar que o termo processo de enfermagem pode ser confundido com o processo de Wanda Horta, onde a mesma utiliza a pirâmide de Maslow como referencial teórico. Mas, o termo processo de enfermagem algumas vezes será utilizado, devido aos autores adotados.

De acordo com a resolução 358/2009 a SAE é dividida em cinco etapas: coleta de dados de enfermagem, diagnóstico de enfermagem, planejamento de enfermagem, implementação e avaliação de enfermagem. Ainda de acordo com essa resolução, o processo de enfermagem deve ser realizado em todos os ambientes onde houver assistência de enfermagem. Cabendo privativamente ao enfermeiro a liderança da execução e avaliação do processo.

Tendo esse fato em vista, faz-se necessário o ensino da SAE nas instituições de ensino. Para Modesto et al. (2014) o ensino desse processo deve ser enfatizado nos cursos de graduação em enfermagem visando despertar nestes futuros profissionais o interesse pela sistematização da assistência de enfermagem (SAE) a fim de que possam ser habilitados a realizá-las em todas as suas etapas.

Com base nisso, a pesquisa teve como principal questionamento: os acadêmicos conhecem a SAE, e sua importância para a prática de enfermagem?. As hipóteses adotadas foram, os acadêmicos entendem a SAE como uma ferramenta para a visibilidade profissional, e uma assistência de qualidade; e a outra hipótese foi, não compreendem a SAE como ferramenta imprescindível para a autonomia e visibilidade profissional.

A aplicação da SAE oferece alguns benefícios, dentre eles podemos destacar, uma assistência de qualidade, um maior reconhecimento social e autonomia profissional, e organização para a equipe.

Em função da relevância que é a aplicação da SAE e o conhecimento da mesma, esse trabalho justifica-se, pois tentou buscar a compreensão dos acadêmicos quanto a essa temática, e isso nos oferecerá subsídios para uma reflexão sobre a prática pedagógica e sobre o currículo do curso de enfermagem.

O objetivo geral desse trabalho foi demonstrar a percepção dos acadêmicos, e os objetivos específicos foram avaliar o conhecimento, e identificar possíveis deficiências na formação acadêmica relacionada a SAE.

3. ENFERMAGEM: UMA CIÊNCIA DO CUIDADO

3.1 Breve Histórico

Tudo começa na antiguidade, onde as doenças eram tidas como obras do demônio, nessa época os cuidados eram realizados por escravos e mulheres, que paulatinamente foram dominando as técnicas empíricas do cuidado. Chegando a idade média onde a igreja católica tem um papel fundamental, uma vez que é responsável pelo panorama cultural da época, acusava todas as pessoas envolvidas no cuidado, que não estivessem submetidos à ideologia da igreja, de feitiçaria. Pouco a pouco, as mulheres foram afastando-se do cuidado, e essas práticas foram transferidas para os mosteiros, onde mantinham escolas e pequenos hospitais, onde também cultivavam algumas plantas medicinais. (FIGUEIREDO, 2005).

Em alguns países, a Reforma idealizada por Martinho Lutero na Alemanha no século XVI, foi tão enérgica, que acabaram por expulsar algumas ordens religiosas, que por muito tempo dominaram a prática do cuidado. Devido a isso, foi necessário buscar pessoas para trabalhar remuneradamente com o cuidado dos doentes; as pessoas que se apresentavam ao trabalho quase sempre eram pessoas de classe social baixa, e de uma moralidade duvidosa, esse período é considerado como “período crítico da enfermagem”. Com a Contra Reforma idealizada pela igreja católica, todas as práticas contrárias à fé católica foram consideradas como pecaminosas. (ATKISON; MURRAY, 2008).

No final da idade média, os atingidos pelas guerras e as epidemias da época, se estabeleciam nas portas das igrejas, isso acabou por influenciar a igreja e o estado, a organizar os serviços de caridade, cujo intuito era ajudar os pobres espiritualmente, e os doentes com medicamentos e alimentos. Os cuidados eram exercidos por mulheres sem perspectiva para o casamento, e nem vocação para a vida religiosa, mas dedicadas para ás obras de caridade. O treinamento dessas mulheres se baseava na obediência e no silêncio, na castidade absoluta, e eram proibidas de terem contato com pessoas do sexo masculino. (FIGUEIREDO, 2005).

Já na idade moderna, uma moça que pertencia à alta classe social inglesa da época, chamada Florence Nightingale, decidiu ser uma enfermeira, serviço esse que era inapropriado para ela, uma vez que esse trabalho era realizado por prostitutas, e outras mulheres marginalizadas. Então entrou em um curso ministrado por um pastor e suas duas esposas na Alemanha. (ATKISON; MURRAY, 2008).

Quando aconteceu a Guerra de Criméia, Florence já era uma autoridade em enfermagem; partiu para a guerra com trinta e oito voluntárias para cuidar dos feridos, e conseguiu reduzir a mortalidade dos soldados feridos na guerra, de 40% para 2%. Ao retornar, tornou-se uma heroína, e participou da reforma do Saint Thomas Hospital em Londres, e onde fundou uma escola de enfermagem, a Nightingale Training School for Nurses. Foi com Florence que a enfermagem assumiu uma nova roupagem, deixou de ser exercida por mulheres marginalizadas, e passou a ser exercida por mulheres maiores de 25 anos, solteiras, com boas características físicas, morais e intelectuais. Todas seguiam um regime disciplinar organizado por Florence, chamado de Moral Record; pontualidade, confiabilidade, aparência pessoal, higiene pessoal, administração de enfermaria e organização eram requisitos desse regime. (FIGUEIREDO, 2005).

O modelo Nightingale de enfermagem foi copiado por alguns países, entre eles, o Canadá, EUA, e Austrália. (ATKISON; MURRAY, 2008).

3.2 Enfermagem Enquanto Disciplina Científica

A partir de Nightingale a ideia de cuidado passa a ser discutida como objeto de estudo da enfermagem. Para Pires (2009, p. 741), “esse cuidado de enfermagem, constitui-se no objeto de estudo da disciplina de enfermagem.”

Uma disciplina de acordo com McEwen e Wills (2009, p. 28) é: “um ramo do conhecimento ordenado por meio de teorias e métodos que evoluem a partir de mais de uma visão do fenômeno de interesse”.

Para Morin (2000) uma disciplina é uma categoria dentro de todo o conhecimento científico, e ela é responsável pela especialização do trabalho, e também é responsável pela diversidade das áreas que as ciências abrangem.

Podemos observar por essas definições que uma disciplina na verdade significa um campo de conhecimento específico, e esse campo é organizado através de teorias, e que os conhecimentos adquiridos por cada campo, ocorrerá de acordo com os métodos científicos, os pontos de vista filosóficos e científicos que cada disciplina adotar. Essa segregação, onde cada disciplina tem seu objeto de estudo, é o que Bachelard (1996) chama de ruptura epistemológica.

As disciplinas podem ser classificadas em disciplinas acadêmicas – física, fisiologia, sociologia, matemática, história, filosofia – e em disciplinas profissionais – medicina, enfermagem, direito, assistência social. (MCEWEN; WILLS, 2009).

Para informar sua prática a enfermagem tem tirado proveito de muitas disciplinas, entre elas fisiologia, sociologia, psicologia e medicina. Mas, no entanto, a enfermagem tem buscado o que é exclusivo dela mesmo, para poder constituir-se em uma disciplina acadêmica. (PIRES, 2009).

As correntes do pensamento filosófico que influenciaram e ainda influenciam a produção de conhecimento na enfermagem é o empirismo e positivismo, mas essas abordagens são criticadas, uma vez que essas visões são incompatíveis com a visão holística e humanística da enfermagem. Diante disso a ciência enfermagem buscou outras visões para abordar os seus fenômenos, entre estas estão a fenomenologia. (MCEWEN; WILLS, 2009). É importante ressaltar que a produção do conhecimento, se faz através do tripé: ontologia – epistemologia – metodologia.

A disciplina de enfermagem foi ganhando corpo, principalmente com a construção das teorias de enfermagem. Essas teorias tentam buscar definir o que é o cuidado, e o processo de cuidar. (LEOPARDI, 2001).

3.3 Teorias da Enfermagem

As teorias de enfermagem surgiram por uma necessidade de busca de identidade própria, isso foi resultado de uma reflexão feita por parte de algumas enfermeiras norte-americanas, tentando entender suas próprias práticas; fazendo com que as mesmas buscassem um corpo de conhecimento específico, tentando assim buscar um significado para a enfermagem, e consequentemente um papel social para a mesma. (TANNURE; GONÇALVES, 2010).

Embora para as autoras supracitadas, as teorias da enfermagem tenham surgido por uma reflexão por parte de enfermeiras norte-americanas, alguns estudiosos creditam à Florence Nightingale o papel de primeira teórica, uma vez que ela delineou qual era a meta da enfermagem, assim como também definiu o que era o ser enfermeiro. (MCEWEN; WILLS, 2009). Isso é confirmado uma vez que Florence publicou em 1859, o livro Notas de Enfermagem, onde propôs noções básicas do que era a prática de enfermagem, assim como também, que o enfermeiro deveria colocar o paciente nas melhores condições para que a natureza pudesse agir sobre ele, o que é conhecida hoje por Teoria Ambientalista do Cuidado.

Existem inúmeras definições do que são teorias, para Chinn e Kramer (2004, p. 268, apud MCEWEN; WILLS, 2009, p. 50) “teoria é uma estruturação de ideias, criativa e rigorosa, que projeta uma visão hipotética, proposital e sistemática dos fenômenos.” Para Young, Taylor e Renpenning (2001 apud MCEWEN; WILLS, 2009, p. 50) “uma teoria é denominada como um conjunto de pressupostos, princípios ou proposições interpretativas que contribuem para explicar ou orientar a ação”.

Através das definições dadas pelos autores supracitados, podemos entender a teoria como sendo um conjunto de ideias e conceitos que definem, explicam, e tentam prever os fenômenos, assim como também orientar uma ação; trazendo esse conceito para enfermagem, Meleis (2006, apud POTTER; PERRY, 2013, p. 45) nos diz que “uma teoria de enfermagem é uma conceitualização de alguns aspectos da enfermagem comunicados com o objetivo de descrever, explicar, prever e/ou prescrever cuidados de enfermagem”. É importante ressaltar que esse conceito nos remete a importância que tem o enfermeiro conhecer as teorias de enfermagem, uma vez que elas conseguirão descrever, explicar e prever os fenômenos da enfermagem, assim como também serão capaz de orientar sua prática. “O uso de uma teoria de enfermagem leva a um cuidado coordenado e menos fragmentado”. (ALLIGOOD; TOMMEY, 2002 apud MCEWN; WILLS, 2009, p. 50).

As teorias em enfermagem podem ser classificadas de duas formas, levando em consideração o âmbito (metateoria, grandes teorias, teorias de médio alcance e teorias práticas); e podem ser classificadas de acordo com suas finalidades (teorias descritivas, teorias explicativas, teorias previsíveis e teorias prescritivas). (MCEWEN; WILLS, 2009).

As teorias de enfermagem possuem elementos que são fundamentais, conhecidos como metaparadigmas, para Fawcett (2000, apud MCEWEN; WILLS, 2009, p. 66), “metaparadigmas são os fenômenos primários de interesse da disciplina e explica como ela lida com tais fenômenos de maneira exclusiva”. Foram identificados quatro metaparadigmas na enfermagem, são eles: indivíduo, saúde, ambiente e enfermagem. Para entender uma teoria é de extrema importância que se compreenda os conceitos dos metaparadigmas, pois estes são retratos da realidade, facilitando assim a prática de enfermagem.

Tannure e Gonçalves (2010) conceituam de forma sucinta os quatro paradigmas da enfermagem. O indivíduo é aquele que recebe o cuidado; saúde é a finalidade da assistência de enfermagem; o ambiente são os arredores imediatos nos quais se encontra a pessoa que recebe a assistência, e por fim, a enfermagem é a ciência do cuidado, executado por meio de uma metodologia de trabalho.

As definições dos metaparadigmas mudarão de uma teoria para outra. Por exemplo, para a teoria de adaptação de Callista Roy, saúde é definida como um estado onde o indivíduo torna-se integrado e completo; já para a teoria da diversidade cultural de Leininger, saúde é definida como sendo um estado de bem-estar que é definido culturalmente. (MCEWEN; WILLS, 2009).

É necessário que o enfermeiro conheça sua a realidade em que trabalha, as características das pessoas que são atendidas por ele, para assim escolher a melhor teoria que se adeque a sua realidade. Portanto, espera-se que os enfermeiros conheçam as teorias, para que possam então definir a teoria que melhor fundamentará a sua prática. (TANNURE; GONÇALVES, 2010).

Para a aplicabilidade das teorias, deve ser utilizada uma metodologia de trabalho, atualmente utiliza-se a sistematização da assistência de enfermagem. Segundo Tannure e Gonçalves (2010, p. 13): “a teoria funciona como um alicerce estrutural para a implantação da sistematização da assistência de enfermagem”.

4. SISTEMATIZAÇÃO DA ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM (SAE): UMA FERRAMENTA DE TRABALHO

Para que a enfermagem possa planejar seus cuidados, ela deve utilizar a SAE. A SAE, segundo Salomé (2010, p. 15) pode ser definido como: “um instrumento metodológico que tem assegurado a aplicabilidade na prática profissional dos referenciais teóricos próprios de enfermagem, que guiam decisões específicas sobre o que questionar e diagnosticar, como intervir e o que avaliar”

De acordo com Nóbrega e Silva (2009, p. 20):

Em função dos inúmeros referenciais teóricos que foram sendo desenvolvidos, a aplicação do processo de enfermagem foi adquirindo características específicas dos modelos conceituais ou das teorias, por exemplo, a teoria das necessidades humanas básicas de Horta refere que o processo de enfermagem é composto por seis fases; para King o processo de cuidar desenvolve-se em cinco fases; já para Leininger e Rogers o processo pode acontecer em quatro fases.

Mas para Alfaro-Lefevre (2005 apud NÓBREGA; SILVA, 2009), consideram que a SAE possui cinco fases: coleta de dados, diagnóstico de enfermagem, planejamento da assistência, implementação da assistência e avaliação da assistência. É importante ressaltar que essas fases são interdependentes.

4.1 Primeira Etapa: Coleta De Dados

A coleta de dados ou histórico de enfermagem, é a primeira etapa da SAE, é nesse momento que o enfermeiro se relaciona com o cliente, em busca de dados para que estes possam nortear a sua prática.

O histórico de enfermagem é a coleta sistemática de dados para determinar o estado de saúde do paciente ou qualquer outro problema de saúde. O histórico compreende além da entrevista, o exame físico, sendo esse executado em quatro fases: inspeção, palpação, ausculta e percussão. (SMELTZER; BARE, 2012).

A coleta de dados é uma fase indispensável, pois é através dessa etapa, que o enfermeiro conseguirá identificar os diagnósticos de enfermagem, e assim poderá organizar o plano assistencial.

Para Nóbrega e Silva (2009) a coleta de dados é influenciada por três fatores, a visão de mundo do enfermeiro, o conhecimento do enfermeiro e as habilidades do enfermeiro. A visão de mundo se refere à como o enfermeiro entende os metaparadigmas da enfermagem; o conhecimento se refere a tudo que o enfermeiro sabe, é necessário que além do conhecimento sobre anatomia, fisiologia e semiologia, é imprescindível que ele disponha de conhecimento sobre psicologia, sociologia e entre outras áreas das ciências humanas, pois só assim ele oferecerá uma assistência integral; as habilidades se refere as habilidades técnicas e as habilidades interpessoais.

Os dados coletados podem ser: objetivos, obtidos através das técnicas semiológicas, inspeção, palpação, ausculta e percussão; e podem ser subjetivos, obtidos através de entrevistas, é nesse momento que o paciente expressa suas queixas e medos. As fontes desses dados são classificadas em: primárias, quando a fonte é o próprio paciente; e secundária, quando a fonte são os familiares, a equipe multiprofissional, e até mesmo os exames. (NÓBREGA; SILVA, 2009).

Para uma coleta de dados coerente, é imprescindível a elaboração de instrumentos para essa coleta, e que os mesmos levem em consideração os marcos teóricos.

Tannure e Gonçalves (2010) ressalta que embora tenha um instrumento de coleta de dados, não significa que haja existência da SAE, pois para que ela exista é essencial que o enfermeiro tenha um marco teórico como referência, o quê guiará sua conduta profissional.

4.2 Segunda Etapa: Diagnósticos de Enfermagem

Após a coleta dos dados, os enfermeiros buscaram dentro desses dados, problemas que possam ser atendidos pela a enfermagem, esses problemas são chamados de diagnósticos de enfermagem.

Para NANDA (2013, p. 588) diagnóstico de enfermagem é:

Julgamento clínico das respostas/experiências do indivíduo, da família ou da comunidade a problemas de saúde/processos vitais reais ou potenciais. O diagnóstico de enfermagem constitui base para a seleção das intervenções de enfermagem para alcançar resultados pelos quais o enfermeiro é responsável.

O diagnóstico de enfermagem também é definido por Smeltzer e Bare (2012) como sendo os problemas de saúde, e esses problemas podem ser reais ou potencias, e podem ser solucionados pela enfermagem.

O termo diagnóstico surgiu na enfermagem no ano de 1950, quando McManus, descreveu que entre as responsabilidades do enfermeiro, estavam os problemas que poderiam ser resolvidos pela enfermagem. Em 1973, um grupo de enfermeiras americanas se reuniu para descrever os principais problemas atendidos pelos profissionais de enfermagem, o que ficou conhecido como a I Conferência Nacional sobre Classificação de Diagnósticos de Enfermagem, essas conferências foram restritas a alguns convidados, e função desses convidados eram, desenvolver, revisar e agrupar os diagnósticos com base nas suas experiências. (TANNURE; GONÇALVES, 2010).

Em 1982 esse grupo, através de regimento interno, criou a North American Nursing Diagnoses Association (NANDA), uma classificação de diagnósticos de enfermagem. Sua organização baseava-se nos noves padrões de respostas humanas: trocar, comunicar, relacionar, valorizar, escolher, mover, perceber, conhecer e sentir. Essa classificação baseada nesses padrões é conhecida como taxonomia I. Em 2000, a maneira de organização desses diagnósticos mudou, surgiu então a taxonomia II, que está organizada em 13 domínios. (TANNURE; GONÇALVES, 2010).

Esses domínios são: promoção de saúde, nutrição, eliminação e troca, atividade/repouso, percepção/cognição, auto percepção, papéis e relacionamentos, sexualidade, enfrentamento/tolerância ao estresse, princípios da vida, segurança/proteção, conforto e crescimento/desenvolvimento. (NANDA, 2013).

É importante ressaltar que cada domínio possui classes, e dentro dessas classes é que encontramos os diagnósticos de enfermagem. A organização da NANDA será melhor explicada no próximo capítulo. Atualmente a NANDA é o sistema de classificação mais utilizado do mundo.

Para que o enfermeiro possa fazer um bom diagnóstico, é imprescindível que ele desenvolva três competências, a competência intelectual, que inclui o conhecimento de diagnósticos de enfermagem, e também os processos mentais para a aplicação desses conhecimentos; a competência interpessoal inclui a capacidade de comunicação interpessoal do enfermeiro; a competência técnica se refere a habilidade para obter histórias completas e realizar o exame físico. (NANDA, 2013).

Para que o enfermeiro possa diagnosticar é necessário raciocínio, esse processo cognitivo tem recebido algumas denominações, a saber: raciocínio crítico, julgamento clínico e pensamento crítico. (NÓBREGA; SILVA, 2009).

Ainda sobre julgamento clínico, Cruz (1995, p. 77 apud NÓBREGA; SILVA, 2009, p.47), afirma que o mesmo “é uma habilidade cognitiva que permite ao enfermeiro, com base nas evidências e interpretações, formular um diagnóstico sobre a resposta do cliente ou seu problema de saúde”.

Para Nóbrega e Silva (2009, p. 52) “para tornar o diagnóstico de enfermagem realidade na assistência é necessário formar profissional com a capacidade de pensar criticamente e capaz de buscar o conhecimento e correlacionar com sua experiência, para poder fazer o julgamento clínico do cliente”.

4.3 Terceira Etapa: Planejamento da Assistência

O planejamento é o momento em que o enfermeiro realizará o plano de cuidados, onde levará em consideração os diagnósticos de enfermagem que são prioritários, e que necessitam de uma resolução mais rápida, assim como também definir quais são os resultados esperados.

Para Carpenito (2011) o planejamento é feito em três fases: estabelecimento de diagnósticos prioritários, definição dos resultados e metas e as prescrições das intervenções de enfermagem.

Para Nóbrega e Silva (2009) é impossível realizar um plano de cuidados que atenda todos os diagnósticos, portanto torna-se necessário o estabelecimento de prioridades. Para o estabelecimento de prioridades diagnósticas, é importante que seja considerado o referencial teórico adotado, e é imprescindível que o enfermeiro utilize seu pensamento crítico.

Os resultados esperados são essenciais na fase do planejamento, pois a partir deles podemos avaliar posteriormente se as prescrições feitas solucionaram ou minimizaram os diagnósticos. (TANNURE; GONÇALVES, 2010).

Segundo Alfaro-Lefrevre (2005 apud NÓBREGA; SILVA, 2009, p. 61) “os resultados possuem três propósitos: são elementos de medidas do plano de cuidado, direcionam as intervenções, e são fatores motivadores da assistência”.

Alguns pontos são importantes para a elaboração dos resultados esperados, entre eles: ter relação com a teoria adotada, estar centrado no cliente, serem claros e concisos e serem atingíveis. (NÓBREGA; SILVA, 2009).

Após o estabelecimento dos resultados, elabora-se as intervenções de enfermagem, as quais tem o objetivo de alcançar os resultados esperados. As intervenções são classificadas como médicas e de enfermagem. As intervenções médicas são relacionadas a patologia do cliente, entre elas estão: administração de medicamentos, testes-diagnósticos, etc. As de enfermagem são baseadas nos diagnósticos de enfermagem, que tem por objetivos promover, manter e restaurar a saúde do cliente. (NÓBREGA; SILVA, 2009).

4.4 Quarta Etapa: Implementação da Assistência

Essa etapa está intimamente relacionada com as etapas anteriores, para que ela seja bem executada, deve-se ter feito uma boa investigação, ter uma precisão diagnóstica, e de um plano de cuidado devidamente bem elaborado. (NÓBREGA; SILVA, 2009).

Potter e Perry (2013) ressalta que é nessa etapa que se dará início as ações de enfermagem, objetivando sempre o alcance dos resultados esperados.

Para Nóbrega e Silva (2009, p. 74) a implementação é “considerada como aquela que o profissional interage de modo mais efetivo com o cliente, pois ele volta novamente a tocá-lo, contudo com o intuito não específico de coletar dados, mas para desenvolver ações que irão melhorar ou minimizar o quadro existente”.

O processo de implementação pode ser dividido em fases ou passos. Essas fases ou passos dependem do autor adotado. (NÓBREGA; SILVA, 2009). Iyer, Taptich e Bernocchi-Losey (1993 apud NÓBREGA; SILVA, 2009) divide essa etapa em três fases: preparação, intervenção e documentação. Já para Fayram (1986 apud NÓBREGA; SILVA, 2009) essa etapa é dividida em: preparação, implementação e pós-implementação.

Para que os enfermeiros pudessem saber o que deve ser prescrito para que os resultados fossem alcançados, em 1987 começou a ser desenvolvida a Nursing Intervention Classification (NIC), uma taxonomia para as intervenções de enfermagem. (TANNURE; GONÇALVES, 2010). A organização dessa taxonomia será explicada no próximo capítulo.

É importante ressaltar que o registro de todas as ações é importante, pois isso possibilita a continuidade da assistência, resguarda judicialmente, e também contribui para o reconhecimento e crescimento da profissão.

4.5 Quinta Etapa: Avaliação da Assistência

Essa é a última etapa da SAE, é nesse momento que o enfermeiro avalia se os cuidados prescritos conseguiram atingir os resultados esperados. Para Tannure e Gonçalves (2010) a avaliação é feita diariamente, através do exame físico, esses dados são registrados em impressos, e após essa coleta de dados, os diagnósticos serão reavaliados, e algumas vezes modificados.

A avaliação é a determinação das respostas do paciente às prescrições de enfermagem e a extensão em que os resultados foram atingidos. Através da avaliação, o enfermeiro pode responder algumas perguntas, como por exemplo: os diagnósticos de enfermagem eram exatos? Os diagnósticos de enfermagem foram resolvidos? As necessidades de enfermagem do paciente foram atendidas? As prescrições de enfermagem devem continuar ser revisadas ou ser interrompidas? Essas perguntam são importantes, pois subsidiará o enfermeiro a mudar ou não o plano de cuidados. (SMELTZER; BARE, 2012).

Segundo Zanei et al. (2003 apud NÓBREGA; SILVA, 2009) a avaliação é sistêmica, ou seja, ocorre em todas as fases da SAE, na primeira etapa os dados são avaliados criticamente, e servem para obter os diagnósticos; na segunda etapa, a avaliação tem como objetivo assegurar que os diagnósticos estejam corretos; no planejamento avalia-se quais os diagnósticos de enfermagem são prioritários, e na implementação avalia se as ações estão atendendo as necessidades do paciente.

Contudo, na avaliação da assistência, a atenção deve estar voltada para as mudanças comportamentais e do estado de saúde do paciente, e a partir disto, o enfermeiro será capaz de inferir se os resultados foram obtidos com a aplicação de suas intervenções. (NÓBREGA; SILVA, 2009).

Um facilitador para a avaliação dos resultados é a taxonomia Nursing Outcomes Classification (NOC), esse sistema de classificação possui resultados que devem ser alcançados pelos pacientes.

5. SISTEMAS DE CLASSIFICAÇÃO EM ENFERMAGEM

Os sistemas de classificação na enfermagem apareceram mundialmente na década de 1950, quando as enfermeiras preocuparam-se em buscar modelos que identificassem suas práticas. O primeiro sistema de classificação que teve relevância para a enfermagem foi os 21 problemas de Abdellah que teve como foco as principais necessidades do cliente e os problemas de enfermagem. Posteriormente Henderson identificou 14 necessidades humanas básicas. (NÓBREGA; SILVA, 2009).

O principal fator que contribuiu para o desenvolvimento das classificações foi a introdução do processo de enfermagem nos Estados Unidos, e depois em todo mundo. Essas classificações estão diretamente relacionadas com a SAE, são elas: classificação de diagnósticosde enfermagem da North American Nursing Diagnosis Association International (NANDA-I); classificação de intervenções de enfermagem – Nursing Interventions Classification (NIC); classificação de resultados de enfermagem – Nursing OutcomesClassification (NOC); e Classificação Internacional para a Prática de Enfermagem (CIPE®). (NÓBREGA; SILVA, 2009).

A CIPE® surgiu com a justificativa da falta de uma linguagem unificada da profissão. De acordo com Barra e Sasso (2011, p. 1146):

Como outros sistemas de classificação, a CIPE® se propõe a manter seu conteúdo sempre atualizado; assegurar que seja compatível com o atual estado da Ciência da Enfermagem, da Ciência da Informática, das classificações e com outras iniciativas para o cuidado em saúde e; coordenar a disseminação, utilização e promoção e desenvolvimento no âmbito internacional.

Essas classificações são inerentes ao desenvolvimento da enfermagem. Pois torna as terminologias utilizadas na prática, estruturada e padronizada, o que por sua vez, subsidiará o entendimento por outros profissionais sobre a qualidade do cuidado, e também ajudará na produção científica na área. (BARRA; SASSO, 2011).

Nos próximos itens descreveremos as principais classificações utilizadas atualmente no Brasil: NANDA, NIC e NOC.

5.1 Classificação de Diagnóstico de Enfermagem da NANDA

Esse sistema de classificação de diagnósticos é o mais utilizado mundialmente. Ele é responsável pelo desenvolvimento e refinamento dos diagnósticos de enfermagem. A NANDA surgiu como resultado de reuniões de enfermeiras norte-americanas na tentativa de identificar problemas que pudessem ser resolvidos pela enfermagem.

A primeira organização dos diagnósticos foi feita com base nos padrões de respostas humanas, denominada de taxonomia I. A partir de 1990 houve um aperfeiçoamento dos padrões de respostas, surgindo então a taxonomia II, mas essa taxonomia só foi aceita em 1998, e é utilizada atualmente. (NÓBREGA; SILVA, 2009).

A taxonomia II é multiaxial, é um sistema que consiste em eixos, que quando seus componentes são combinados, formam os diagnósticos. Um eixo da taxonomia II é definido como uma dimensão da resposta humana. A taxonomia II possui sete eixos:

  1. Eixo 1: foco do diagnóstico (amamentação, ansiedade, comportamento, conhecimento, dor, estresse, lesão, etc);

  2. Eixo 2: sujeito do diagnóstico (indivíduo, família, grupo ou comunidade);

  3. Eixo 3: julgamento (prejudicado, ineficaz, deficiente, incapacitado, perturbado, melhorado, etc);

  4. Eixo 4: localização (auditivo, cardíaco, cerebral, hepático, olfativo, vesical, etc);

  5. Eixo 5: idade (feto, neonato, lactente, criança, pré-escolar, escolar, adolescente, adulto e idoso);

  6. Eixo 6: tempo (agudo, crônico, contínuo, intermitente);

  7. Eixo 7: situação do diagnóstico (real, risco, síndrome e promoção de saúde).

De acordo com NANDA (2013, p. 103) “um diagnóstico de enfermagem é construído por meio da combinação de valores do eixo 1, do eixo 2, e do eixo 3, e quando necessário, com acréscimo de valores dos demais eixos para clareza relevante”.

A taxonomia II é organizada em três níveis: domínios, classes e diagnósticos. Essa taxonomia possui 13 domínios, 47 classes e inúmeros diagnósticos. Um domínio é definido como uma esfera de conhecimento, e que sofre influências e questionamentos; uma classe é um conjunto ou grupo que compartilham de características comuns. (NANDA, 2013).

O quadro 1 abaixo mostra a organização da taxonomia:

Quadro 1: Taxonomia II da NANDA: domínios, classes e alguns diagnósticos.

Domínios

Classes

Exemplos de Diagnósticos

1. Promoção de saúde

1. Percepção da saúde

Estilo de vida sedentário

2. Controle da saúde

Proteção ineficaz

2. Nutrição

 

 

1. Ingestão

Deglutição prejudicada

2. Digestão

Não há diagnóstico

3. Absorção

Não há diagnóstico

4. Metabolismo

Risco de glicemia instável

5. Hidratação

Risco de desequilíbrio

Eletrolítico

3. Eliminação e troca

1. Função urinária

Retenção urinária

2. Função gastrointestinal

Risco de constipação

3. Função integumentar

Não há diagnóstico

4. Função respiratória

Troca de gases prejudicada

4. Atividade/repouso

1. Sono/repouso

Privação de sono

2. Atividade/exercício

Deambulação prejudicada

3. Equilíbrio de energia

Fadiga

4. Respostas cardiovasculares/pulmonares

Padrão respiratório ineficaz

5. Autocuidado

Manutenção do lar prejudicada

5. Percepção/cognição

1. Atenção

Negligência unilateral

2. Orientação

Síndrome da interpretação prejudicada

3. Sensação/percepção

Não há diagnóstico

4. Cognição

Confusão aguda

5. Comunicação

Comunicação verbal prejudicada

6. Autopercepção

1. Autoconceito

Desesperança

2. Autoestima

Baixa autoestima

3. Imagem corporal

Distúrbio na imagem corporal

7. Papéis e relacionamentos

1. Papéis do cuidador

Amamentação ineficaz

2. Relações familiares

Processos familiares disfuncionais

3. Desempenho de papéis

Interação social prejudicada

8. Sexualidade

1. Identidade sexual

Não há diagnóstico

2. Função sexual

Disfunção sexual

3. Reprodução

Processo de criação de filhos ineficaz

9. Enfrentamento/ tolerância ao estresse

1. Respostas pós-trauma

Risco de síndrome pós-trauma

2. Respostas de enfrentamento

Ansiedade

3. Estresse neurocomportamental

Disreflexia autonômica

10. Princípios da vida

1. Valores

Disposição para melhora da esperança

2. Crenças

Disposição para bem-estar espiritual melhorado

3. Coerência entre valores/crenças

Conflito de decisão

11. Segurança/proteção

1. Infecção

Risco de infeção

2. Lesão física

Risco de aspiração

3. Violência

Automutilação

4. Riscos ambientais

Contaminação

5. Processos decisivos

Respostas alérgica ao látex

6. Termorregulação

Hipertemia

12. Conforto

1. Conforto físico

Dor aguda

2. Conforto ambiental

Conforto prejudicado

3. Conforto social

Isolamento social

13. Crescimento/desenvolvimento

1. Crescimento

Risco de crescimento desproporcional

2. Desenvolvimento

Risco de atraso no desenvolvimento

Fonte: NANDA (2013).

Os diagnósticos de enfermagem podem ser reais ou de riscos. Os diagnósticos possuem elementos, que são: título, a definição do diagnóstico, as características definidoras, os fatores relacionados; no caso dos diagnósticos de riscos, só possuem três elementos: o título, a definição e fatores de risco. (JOHNSON et al., 2012).

O sistema de classificação de diagnósticos de enfermagem torna-se extremamente importante para todos os níveis da prática de enfermagem (assistência, ensino e pesquisa), assim como também oferece uma linguagem padronizada, facilitando a comunicação entre os enfermeiros, facilitando a troca de informações, e, portanto contribuindo na continuidade da assistência. (NÓBREGA; SILVA, 2009).

5.2 Sistema de Classificação das Intervenções de Enfermagem - NIC

NIC é uma classificação padronizada para as intervenções feitas pelos enfermeiros, foi publicada pela primeira vez em 1992. As intervenções de enfermagem tem como foco o comportamento do enfermeiro, ou seja, quais as condutas que os enfermeiros devem tomar para que possam atingir os resultados esperados. (JOHNSON et al., 2012).

Um sistema de classificação para as intervenções é importante pois consegue delinear o conhecimento da enfermagem, facilita a comunicação entre os enfermeiros, e beneficia o campo de ensino, pesquisa e assistência na enfermagem, uma vez que oferece uma linguagem padronizada. (NÓBREGA; SILVA, 2009).

As intervenções da NIC estão diretamente relacionadas com os diagnósticos da NANDA, e os resultados da NOC.

De acordo com Garcia e Nóbrega (2003 apud NÓBREGA; SILVA, 2009), a NIC é organizada em três níveis: o primeiro nível representa os domínios, que por sua vez são sete: fisiológico básico, fisiológico complexo, comportamental, segurança, família, sistema de saúde, comunidade; o segundo nível comporta as classes, que já estão inseridas dentro dos domínios, ao todo são 30 classes; já o terceiro nível é que encontramos as intervenções. Segue abaixo o quadro 2, onde estão organizados os domínios, com suas classes:

Quadro 2: Organização da taxonomia NIC.

Domínios

Classes

1. Fisiológico básico

Controle das atividades e exercícios

Controle das eliminações

Controle da imobilidade

Suporte nutricional

Promoção do conforto físico

Facilitação do autocuidado

2. Fisiológico complexo

Controle ácido-base e eletrólitos

Controle de drogas

Controle neurológico

Cuidados perioperatórios

Controle respiratório

Controle da pele/lesões

Termorregulação

Controle da perfusão tissular

3. Comportamental

Terapia comportamental

Terapia cognitiva

Melhora da comunicação

Assistência no enfrentamento

Educação do paciente

Promoção do conforto psicológico

4. Segurança

Controle de crise

Controle de risco

5. Família

Cuidados no período de gestação ao nascimento de filho

Cuidados na criação de filhos

Cuidados no ciclo da vida

6. Sistema de saúde

Mediação com o sistema de saúde

Controle do sistema de saúde

Controle das informações

7. Comunidade

Promoção da saúde comunitária

Controle de riscos comunitários

Fonte: Nóbrega e Silva (2009)

Cada intervenção contida na NIC possui um título, uma definição, e um conjunto de atividades para as ações de enfermagem. Dentre essas atividades, os enfermeiros devem escolher as que mais adequadas para a assistência do indivíduo, família ou comunidade. (JOHNSON, et al., 2012).

Corroborando com isso, Nóbrega e Silva (2009) ressalta a importância da tomada de decisões para a seleção das intervenções mais apropriadas, essa decisão deve levar em consideração as condições de saúde do paciente.

É indiscutível que a utilização desse sistema de classificação, torna o trabalho da enfermagem mais visível.

5.3 Sistema de Classificação dos Resultados de Enfermagem – NOC

A NOC é resultado do trabalho liderado por Marion Johnson e Meridean Mass, esse trabalho aconteceu em 1991, e tinha como objetivo, elaborar uma classificação de resultados apresentados pelos pacientes, e relacioná-los com as intervenções de enfermagem. Essa classificação serve para avaliar os resultados das intervenções. (JOHNSON et al., 2012).

De acordo com Moorhead, Johnson e Mass (2004, p. 19 apud JOHNSON et al. 2012, p. 5) um resultado é “um estado, comportamento ou percepção de um indivíduo, família ou comunidade, medido ao longo de um continuum, em resposta a uma intervenção(ões) de enfermagem”.

Cada resultado NOC possui um título, uma definição, e uma lista de indicadores para avaliar a situação do paciente com relação ao resultado. (NÓBREGA; SILVA et al., 2009).

Esse sistema de classificação é organizado em 7 domínios, e 31 classes. Os sete domínios são: saúde funcional, saúde fisiológica, saúde psicossocial, comportamento e conhecimento em saúde, saúde percebida, saúde da família, e saúde da comunidade. (JOHNSON et al., 2012; NÓBREGA; SILVA, 2009).

A utilização dessa classificação é importante, pois através dele pode-se avaliar e analisar se as intervenções de enfermagem direcionadas para o indivíduo, família e comunidade tiveram efeitos positivos, ou se não tiveram efeitos nenhum, o que consequentemente permite uma revisão sobre as intervenções.

6. METODOLOGIA

6.1 Tipo de pesquisa

Trata-se de uma pesquisa de campo, de natureza descritiva-exploratória, com abordagem qualitativa. A pesquisa descritiva procura descobrir como um fato ocorre, suas causas, suas relações com outros fatos; e a exploratória tem como objetivo proporcionar maior familiaridade com o problema. (PRONADOV, 2013).

A abordagem qualitativa não necessita de métodos e técnicas estatísticas, tem como ambiente natural uma fonte direta para a coleta de dados. Tenta capitalizar o subjetivo como um meio de entender e explicar as experiências pessoais. (PRONADOV, 2013).

6.2 Universo e amostra

O presente estudo foi realizado com os acadêmicos matriculados no 8° período do Curso de Enfermagem Bacharelado da Universidade Estadual do Maranhão (UEMA)/ Centro de Estudos Superiores de Santa Inês (CESSIN). O universo é composto por 23 alunos, e a amostra por 22 alunos. A amostra foi calculada utilizando-se de uma calculadora de amostragem, onde a mesma oferece a confiabilidade da amostra e o erro amostral. A amostra utilizada por essa pesquisa tem erro amostral de 5% e uma confiabilidade de 95%.

6.3 Instrumento de coleta de dados

Para a coleta de dados, utilizou-se um questionário com seis perguntas abertas (APÊNCIDE B), que constavam de questões sobre o que era a SAE, o que eles entendiam por diagnósticos de enfermagem, qual a importância da SAE para a prática profissional, se foram orientados durante a faculdade sobre a SAE e quais os desafios para a sua institucionalização. Para a validação do conteúdo das perguntas, realizamos um teste piloto com seis estudantes. O questionário foi aplicado aos acadêmicos no período de intervalo do Estágio Supervisionado II. Os estudantes só participaram da pesquisa, mediante assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) (APÊNCIDE A). Para a realização desta pesquisa, respeitaram-se as diretrizes e normas regulamentadoras de pesquisa com humanos, da Resolução 466/12 do Conselho Nacional de Saúde.

6.4 Análise e interpretação dos dados

Para a interpretação dos dados, utilizou-se a técnica de triangulação. Segundo Azevedo et al (2013, p. 4): “A triangulação significa olhar para o mesmo fenômeno, ou questão de pesquisa, a partir de mais de uma fonte de dados. Informações advindas de diferentes ângulos podem ser usadas para corroborar, elaborar ou iluminar o problema de pesquisa”.

Existem quatros tipos de triangulação, a saber: triangulação de dados, triangulação teórica, triangulação do investigador e triangulação metodológica. (DENZIN; LINCOLN, 2000 apud AZEVEDO, et al., 2013, p. 4).

Para esse estudo, utilizamos a triangulação do investigador. Para Azevedo et al (2013, p. 5): “A triangulação do investigador é o uso de pesquisadores diversos para estudar a mesma questão de pesquisa”. A utilização de vários pesquisadores em um estudo contribui para reduzir enviesamentos.

7. ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS DADOS

A seguir seguem os dados da pesquisa apresentados em forma de tabelas e gráficos e devidamente analisados. A ordem de apresentação dos dados seguem a ordem estabelecida pelo questionário.

Tabela 1: Referente ao sexo dos entrevistados

Sexo

Frequência Absoluta

Frequência Relativa

Feminino

16

72,7%

Masculino

6

27,3%

TOTAL

22

100%

Fonte: Pesquisa de campo: acadêmicos do 8º período do Curso de Enfermagem/ UEMA/ CESSIN; maio, 2015.

Quanto ao sexo dos entrevistados, podemos observar que há uma predominância do sexo feminino no curso de enfermagem, 72,7% (16) em detrimento do sexo masculino 27,3% (6).

De acordo com Luchesi e Santos (2005), a predominância do sexo feminino no curso de enfermagem, representa a feminilização dos recursos humanos da área da saúde, mas isso está em decrescimento, uma vez que a inserção do sexo oposto na área da saúde está acontecendo paulatinamente.

Wetterich e Melo (2007), em seu trabalho sobre o perfil sociodemográfico dos alunos de graduação, nos diz que o curso de enfermagem está passando por transformações, transformação essa, no quesito gênero, uma vez que o curso está deixando de ter estudantes exclusivamente femininos, e lentamente está passando a ter ingressos de pessoas do gênero masculino.

Tabela 2: Referente à idade dos entrevistados

Classe

Frequência Absoluta

Frequência Relativa

21 – 27

16

72,7%

27 – 33

5

22,7%

33 – 39

1

4,6%

TOTAL

22

100%

Fonte: Pesquisa de campo: acadêmicos do 8º período do Curso de Enfermagem/ UEMA/ CESSIN; maio, 2015.

As idades dos acadêmicos variam entre 21 à 36 anos; podemos observar na tabela que a frequência maior está na classe de 21 à 27 anos que representam 72,7% (16); seguida da faixa etária entre 27 à 33 anos com 22,7% (5) da amostra, e a classe com a menor frequência foi a de 33 à 39 anos, com apenas 4,6% (1). Isso reflete a presença de adultos jovens no curso de graduação de enfermagem. Em um estudo realizado por Gabriel et al. (2010), com alunos de graduação de uma universidade pública de São Paulo, a idade variava entre 21 e 32 anos, e 91, 2% dos acadêmicos eram do sexo feminino, reforçando ao mesmo tempo, a presença de adultos jovens no curso de graduação e a feminilização do curso.

A primeira pergunta do questionário consistiu em saber o que os acadêmicos entendiam por Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE). Os acadêmicos entendem a SAE tanto como um processo de organização, capaz de oferecer uma assistência de qualidade. Podemos observar isso nas seguintes transcrições das falas dos entrevistados:

É um processo de organização das atividades realizadas pelos profissionais de enfermagem”. (e1).

A SAE é o processo que auxilia em uma melhor organização do trabalho de enfermagem, por meio de um planejamento”. (e6).

É um conjunto de ações voltadas para o cuidado do paciente como um todo, ou seja, assistência holística, visando a compreensão do paciente, em todo seu âmbito, garantindo qualidade e dando-lhe o tratamento necessário”. (e14).

É um processo pelo qual podemos exercer as funções do enfermeiro de forma sistemática e precisa”. (e15).

A sistematização, entendo que engloba um conjunto de informações organizadas e planejadas, a SAE é como um manual do enfermeiro que sendo seguido, leva-o a um serviço de melhor qualidade ao cliente”. (e13).

Podemos observar nas falas dos entrevistados, que eles entendem a SAE como uma atividade que subsidia o enfermeiro a organizar sua assistência, e consequentemente, essa organização favorecerá uma assistência de qualidade e individualizada.

De acordo com Modesto et al. (2014), a sistematização da assistência de enfermagem é um método utilizado pelo enfermeiro, que tem como objetivo uma assistência de forma planejada, esse método possui fases, que estão diretamente inter-relacionadas de forma sistemática.

Conforme Thomaz e Guidardello (2002), a SAE é um forma de método científico, utilizado pelos enfermeiros, para a identificação de problemas de saúde/doença. Isso auxilia nas ações de assistência de enfermagem que possam cooperar para a promoção, recuperação e reabilitação da saúde do indivíduo, família ou comunidade.

A segunda pergunta consistia em identificar o conhecimento dos acadêmicos sobre quantas e quais são as etapas da SAE. Todos responderam que são cinco etapas, portanto, quando foram solicitados pra citá-las, alguns lembravam apenas algumas etapas, outros as cinco, embora tenham etapas repetidas.

São cinco, histórico de enfermagem, diagnósticos de enfermagem, planejamento, intervenções de enfermagem e evolução ou avaliação de enfermagem”. (e1).

São cinco etapas, porém não lembro a ordem, evolução de enfermagem, diagnóstico de enfermagem, histórico de enfermagem, implementação, planejamento de enfermagem”. (e8).

Dois acadêmicos embora tenham citado cinco etapas, elas são repetidas, ou já estão inclusas em outra etapa, observe as falas:

São cinco, histórico, exame físico, diagnóstico, planejamento e evolução”. (e4).

São cinco, coleta de dados, diagnóstico de enfermagem, planejamento, prescrição, avaliação”. (e5).

O estudante 4, cita o exame físico como uma das fases, mas o exame físico faz parte do histórico de enfermagem, juntamente com a anamnese. O estudante 5, repete as etapas, a saber, planejamento e prescrição.

A sistematização da assistência de enfermagem possui cinco fases, são elas: investigação/histórico de enfermagem, diagnósticos de enfermagem, planejamento da assistência, implementação da assistência de enfermagem, e avaliação ou evolução. É importante ressaltar que embora estejam divididas didaticamente, as fases do processo não são isoladas, mas sim diretamente relacionadas. (TANNURE; GONÇALVES, 2010).

É importante que o enfermeiro conheça as etapas da SAE, pois só assim ele conseguirá escolher um referencial teórico que tenha relação com a filosofia e a natureza do cuidado, e esse referencial escolhido, juntamente com suas definições, proposições e pressupostos, irão indicar as intervenções a serem seguidas pelos enfermeiros. (AMORIM, 2009).

A terceira pergunta consistiu em saber o que os estudantes entendiam por diagnósticos de enfermagem. Alguns acadêmicos conseguiram definir parcialmente o que são diagnósticos de enfermagem, outros responderam de forma incoerente. Observe as falas:

São problemas reais ou potencias que o paciente, a família demonstram, sendo que o enfermeiro tem como característica intervir; pois é de responsabilidade do enfermeiro”. (e5)

É a identificação das necessidades humanas; o enfermeiro identificará às necessidades do cliente durante o atendimento e elaborará o seu grau de dependência se é parcial ou total”. (e11)

É quando o enfermeiro analisa os dados coletados e avalia o estado de saúde do paciente e o grau de dependência deste paciente”. (e16)

É o julgamento clínico que o enfermeiro faz baseando-se nas informações alcançadas pelo paciente e nos sinais e sintomas observados por ele”. (e19)

Podemos observar que as definições do estudante 5 e do estudante 19 se assemelham um pouco com a definição dada pela NANDA, onde a mesma define diagnóstico de enfermagem como:

Julgamento clínico das respostas/experiências do indivíduo, da família ou da comunidade a problemas de saúde/processos vitais reais ou potenciais. O diagnóstico de enfermagem constitui base para a seleção das intervenções de enfermagem para alcançar resultados pelos quais o enfermeiro é responsável. (NANDA, 2013, p. 588).

Os alunos 11 e 16, referem que os diagnósticos de enfermagem são avaliações do grau de dependência dos pacientes. Essas definições estão baseadas na definição feita por Wanda Horta.

Diagnóstico de enfermagem é a identificação das necessidades humanas básicas do ser humano que precisam de atendimento e a determinação, pela(o) enfermeira(o), do grau de dependência deste atendimento, em natureza extensão. (HORTA, 1979, p. 58).

É importante ressaltar as falas de alguns acadêmicos, nas quais se evidencia pouco conhecimento sobre o que são os diagnósticos.

É o conjunto de ações realizadas para melhor assistir o paciente e com isso manter a integridade do mesmo”. (e7)

É a parte na qual o enfermeiro expõe seu conhecimento sobre a patologia do paciente”. (15)

O diagnóstico de enfermagem consiste nas respostas verbais do paciente”. (e1)

Constatamos através dessas transcrições das falas dos entrevistados, que alguns possuem relativo conhecimento sobre o que são os diagnósticos de enfermagem, e outros não. Isso reforça a necessidade de se ensinar a SAE nas instituições, e focar na utilização dos diagnósticos de enfermagem, assim como também, ensinar a estrutura da taxonomia II da NANDA, desenvolver um raciocínio clínico nos acadêmicos, para que estes possam torna-se enfermeiros diagnosticadores.

Em um estudo feito em uma universidade do Rio Grande do Norte por Lira e Lopes (2011) sobre o ensino dos diagnósticos de enfermagem através da aprendizagem baseada em problemas, nos mostra que o diagnóstico de enfermagem não é ensinado desde o primeiro período do curso, e, portanto não entendem a taxonomia, as características definidoras, sinais e sintomas, os fatores relacionados aos diagnósticos; contraditoriamente os enfermeiros, discentes e docentes, utilizam o modelo biomédico, isso pode representar a falta de compreensão por parte desses profissionais, que a utilização dos diagnósticos podem transformar a prática de enfermagem.

A quarta pergunta teve como objetivo, saber a opinião dos estudantes sobre a contribuição da SAE para a prática profissional. De acordo com os acadêmicos, a SAE contribui para a organização de uma assistência de qualidade, ajuda na tomada de decisões e também oferece autonomia profissional. Podemos observar isso nas seguintes falas:

Facilita e organiza a assistência de enfermagem, fazendo com que nenhum paciente fique sem assistência de qualidade”. (e3)

Oferece autonomia para a enfermagem”. (e2)

Contribui para o aperfeiçoamento da capacidade de solucionar problemas, tomar decisões, e melhorar o serviço de enfermagem”. (e8)

Organizar, nortear as atividades do profissional de enfermagem, fazendo com que este venha prestar uma assistência de qualidade ao cliente”. (e16)

Além de respaldar o trabalho da enfermagem, contribui para melhor assistir o cliente”. (e18)

É importante salientar que os acadêmicos possuem conhecimento sobre a relevância de se aplicar a SAE. E isso é imprescindível, uma vez que esses acadêmicos serão futuros enfermeiros, e talvez apliquem a sistematização em seus pacientes, ajudando na valorização do profissional enfermeiro, e consequentemente em uma visibilidade profissional para a enfermagem, mesmo que no microcosmo do seu trabalho.

Em uma pesquisa realizada por Medeiros et al. (2012), com enfermeiros de um hospital universitário da Paraíba, observou-se resultados semelhantes, os enfermeiros reconheceram que a SAE melhora a assistência, oferece satisfação profissional, e aumenta o vínculo enfermeiro/cliente. Os mesmos também consideraram que a SAE oferece autonomia profissional, melhora a autoestima dos profissionais e traz visibilidade para a profissão.

Para Menezes, Priel e Pereira (2011) a prática da SAE oferece benefícios para o paciente, para a profissão e para a instituição. O benefício para o paciente é uma assistência de qualidade, uma vez que o plano de cuidados levará em conta sua individualidade e necessidades. Para a profissão, o benefício é autonomia profissional, e o reconhecimento pela qualidade da assistência prestada ao paciente, a família, ou comunidade, refletindo na importância social e responsabilidade profissional do enfermeiro. E por fim, o benefício para a instituição, é a organização do cotidiano da equipe, como geralmente a assistência é registrada no prontuário, isso facilita o controle de custos e facilita a auditoria.

A quinta pergunta objetivava saber dos acadêmicos, se durante o seu período de formação, eles receberam orientações sobre a SAE, e em quais disciplinas a temática foi abordada. As respostas foram divergentes e entre as disciplinas citadas, estão, bases técnicas, administração em enfermagem, saúde do adulto, teorias de enfermagem, entre outras. Podemos observar nas seguintes falas.

Sim, administração em enfermagem”. (e1)

Sim, pouca, mas não explicavam as etapas da SAE; nas disciplinas de semiotécnica, teorias de enfermagem”. (e6)

Sim, administração, bases técnicas, PSF e teorias de enfermagem”. (e14)

Sim, em saúde do adulto”. (e18)

No entanto, outros alunos referiram não terem tido orientações, e alguns disseram ter, embora de forma falha. Constata-se isso, nas falas abaixo:

Não, nenhuma disciplina orientou sobre a SAE.” (e3)

Em nenhuma disciplina, não tenho lembrança que foi abordado a SAE”. (e19)

Infelizmente não foi oferecida de maneira abrangente. Que eu me recorde, apenas em administração de enfermagem, de forma rápida”. (e20)

Embora sejam alunos da mesma classe, as disparidades entre as respostas são perceptíveis. Essas discrepâncias nos incitam a formular duas hipóteses, 1) algumas disciplinas contemplaram a SAE, e 2) embora contempladas, os alunos foram relapsos. A formulação dessas hipóteses estimulam pesquisas sobre as relações de ensino/aprendizagem na graduação de enfermagem, e abre campo pra pesquisa sobre as diretrizes curriculares deste curso.

A SAE deve ser ensinada durante a graduação, pois isto contribui para uma assistência de enfermagem individualizada, e aumenta o vínculo com o paciente, a família e a comunidade. (BOAVENTURA, 2007).

Embora a disciplina de semiologia não ter sido citada, de acordo Souza et al (2008), é através dessa disciplina, juntamente com a semiotécnica, que os acadêmicos conseguem alcançar os primeiros passos do processo, pois essas disciplinas orientam os estudantes quanto à utilização de técnicas propedêuticas, relacionamento interpessoal enfermeiro/cliente e procedimentos básicos.

Além das orientações oferecidas para os alunos, é necessário que as instituições de ensino tenham compromisso em desenvolver nos estudantes, um raciocínio crítico sobre as práticas de enfermagem.

É importante destacar o papel das instituições de ensino na busca de melhoria da qualidade dos serviços de saúde, sendo fundamental o desenvolvimento do raciocínio crítico e reflexivo do estudante, tornando-os capazes de desenvolver ações centradas na integralidade do cuidado e de implementar formas de avaliar os processos de trabalho e gestão em saúde baseados em resultados assistenciais, o que permite atingir excelência nos serviços prestados.(GABRIEL et al., 2010, p. 530).

A sexta e última pergunta, consistiu em saber a opinião dos alunos sobre quais são os desafios para a institucionalização da SAE. De acordo com a maioria dos acadêmicos, o maior desafio para a operacionalização da SAE é o conhecimento insuficiente dos próprios profissionais. Observe as seguintes falas:

Um pouco de falta de interesse para aplicar a SAE por completo”. (e4)

O modo insatisfatório como as disciplinas acadêmicas são dadas durante a formação e com isso os acadêmicos não saem preparados para trabalhar com SAE dentro do ambiente hospitalar”. (e7)

Primeiro é o conhecimento teórico sobre a SAE que a academia não oferece. Segundo são as condições oferecidas nos ambientes de trabalho, que não permite uma aplicação dentro dos padrões exigidos”. (e9)

Primeiro alguns enfermeiros não tem totalmente o domínio sobre a SAE, e segundo que algumas instituições não adotam a SAE como forma de prestação da assistência e não permitem que os enfermeiros façam isso”. (e10)

O maior desafio é o número de paciente por profissional, impedindo uma disponibilidade maior com o paciente; o segundo desafio é a falta de conhecimento por parte dos profissionais sobre a SAE e sua aplicação; o terceiro é que o profissional de enfermagem não é valorizado, logo ele precisa ter mais de um emprego para poder se manter, e acaba tendo que trabalhar noturno e diurno, chegando cansado nos plantões por conta da sobrecarga”. (e13)

Falta de conhecimento dos próprios profissionais; a falta de preparo e descaso na execução das etapas”. (e14)

O conhecimento deficiente sobre a SAE dos enfermeiros e gestores de saúde, e a implementação dela de forma eficiente nas instituições de saúde”. (e19)

É possível observar também nas falas de alguns entrevistados, que outro desafio enfrentado, é a formação deficiente, reforçando novamente, a necessidade de estudos sobre as diretrizes curriculares no curso, e sobre as relações de ensino/aprendizagem. Outro fator importante a ser ressaltado, é a sobrecarga profissional, característica que parece ser intrínseca a profissão, isso com certeza influi negativamente para uma assistência de qualidade, uma vez que é impossível realizar um plano de cuidado individualizado e avaliar os resultados obtidos.

Grando e Zuse (2014) realizaram um estudo bibliográfico com 45 artigos selecionados nas bases de dados em enfermagem (BDENF), sobre as dificuldades na instituição da SAE no exercício profissional, e entre as dificuldades encontradas estão, a falta de conhecimento sobre a SAE e os processos que a envolvem, a falta de liderança, à ausência de comprometimento, à falta de tempo, a não aderência de algumas instituições de saúde e o déficit de recursos humanos.

Outro fator importante para a não institucionalização da SAE, que embora não tenha sido citado pelos estudantes, mas é importante ressaltar, é uma resistência dos próprios enfermeiros para com a SAE. Porém, de acordo com Grando e Zuse (2014), essa rejeição e inflexibilidade, podem refletir na verdade, falta de conhecimento.

8. CONCLUSÃO

Esse trabalho possibilitou demonstrar a percepção dos acadêmicos sobre a SAE. Pode-se observar que os estudantes entendem a sistematização como um processo de organização do trabalho, e que a mesma é capaz de oferecer assistência de qualidade; mas embora consigam conceitua-la seus conhecimentos são deficientes quando se trata das etapas da SAE, assim também, quando questionados sobre o que são diagnósticos de enfermagem, alguns compreendem parcialmente o que são, enquanto outros os definem de forma errônea.

De acordo com os graduandos a SAE oferece autonomia profissional e ajuda na tomada de decisões; é importante ressaltar a grande divergência nas respostas da quinta pergunta, onde foram questionados sobre as disciplinas que contemplaram a SAE, alguns relatam não ter sido oferecido orientações, outros citaram algumas disciplinas; e quando questionados sobre as dificuldades para a institucionalização da SAE, as principais respostas foram o conhecimento insuficiente dos enfermeiros, e a formação deficiente.

Com base nas respostas dos acadêmicos, infere-se que os mesmos possuem um razoável conhecimento sobre o que é SAE, principalmente quando trata-se das etapas, e o que são diagnósticos de enfermagem.

As respostas divergentes sobre as disciplinas e o conhecimento razoável desses acadêmicos, estimulam pesquisas sobre as práticas pedagógicas na graduação em enfermagem, e abre campo para a pesquisa sobre as diretrizes curriculares desse curso.

Espera-se também que as respostas sobre as dificuldades para a institucionalização da sistematização, sirva de estímulo para pesquisas no âmbito hospitalar, com o objetivo de conhecer a realidade dentro dos hospitais, e consequentemente buscar meios para que a SAE seja aplicada de forma correta nesse ambiente de trabalho.

Portanto, afirma-se que os objetivos do trabalho foram atingidos com êxito, pois conseguiu-se demonstrar a percepção dos graduandos, assim como também avaliou-se o conhecimento dos acadêmicos, e identificou-se as dificuldades na formação com relação a SAE.

9. REFERÊNCIAS

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10. APÊNCIDES

10.1 APÊNDICE - A

UNIVERSIDADE ESTADUAL DO MARANHÃO
CENTRO DE ESTUDOS SUPERIORES DE SANTA INÊS

DEPARTAMENTO DE ENFERMAGEM

TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO

Prezado (a) Acadêmico (a)

Sou graduando do Curso de Enfermagem Bacharelado da UEMA- CESSIN e estou desenvolvendo uma pesquisa intitulada “A percepção de acadêmicos do Curso de Enfermagem Bacharelado sobre a Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE)”.

Portanto, estou iniciando um questionário. Sua participação é de fundamental importância. Você poderá solicitar esclarecimento quando sentir necessidade e poderá interromper sua participação a qualquer momento, sem nenhum ônus ou represálias.

Asseguro que o que for dito, será registrado e escrito, e será respeitosamente utilizado, e que será mantido sigilo e o anonimato do participante. Está sendo respeitados os princípios da ética, justiça, não maleficência, benevolência de acordo com o que é proposto pela Resolução 466/12 do Conselho Nacional de Saúde. Desde já agradeço a colaboração.

 

___________________________________________________________________

Walef da Rocha Mesquita
(Pesquisador)

 

__________________________________________________________________

Assinatura do Entrevistado

 

10.2 APÊNDICE - B

UNIVERSIDADE ESTADUAL DO MARANHÃO
CENTRO DE ESTUDOS SUPERIORES DE SANTA INÊS

DEPARTAMENTO DE ENFERMAGEM

QUESTIONÁRIO

Dados de Identificação

Nome:_____________________________________________

Idade:____

Sexo:____________

1 – O que você entende por Sistematização da Assistência de Enfermagem?

2 – Quantas e quais são as etapas da SAE?

3 – O que você entende por diagnósticos de enfermagem?

4 – Em sua opinião, qual a contribuição da SAE para a prática de enfermagem?

5 – Durante o período teórico da faculdade, foi oferecido orientações sobre a aplicação da SAE? Em quais disciplinas?

6 – Em sua opinião, quais os desafios para a operacionalização da SAE?


Publicado por: Walef da Rocha Mesquita

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