Topo
pesquisar

Um estudo da Crítica e da Simbologia da Casa no Conto A Queda da Casa de Usher de Edgar Allan Poe

Educação

Análise do conto A Queda da Casa de Usher, de Edgar Allan Poe, que conta a história de dois irmãos gêmeos, Roderick e Madeline Usher.

índice

1. RESUMO

Por meio da análise do conto A Queda da Casa de Usher, de Edgar Allan Poe, objetivou ­se dissertar sobre a simbologia da casa no conto de Poe. Analisou­ se a figuração da casa na perspectiva de que sua ruína pode também ter provocado a ruína da família. Tal pesquisa baseou seus argumentos em toda uma simbologia apresentada na casa descrita nesse conto. Alguns acontecimentos e imagens foram levados em consideração para tornar esse estudo possível.

Palavras­Chave: Conto, Casa, Poe, A Queda da Casa de Usher.

ABSTRACT

This analysis goes through the tale The Fall of the House of Usher by Edgar Alan Poe. This work had the purpose of studying the symbolism which involves the house in Poe’s tale and other houses in literature. The figuration of the house was also analyzed under the perspective that the ruin of the house might have provoked the ruin of the family too. This research based its arguments on symbols presented in the house of the tale. Some facts and images in the tale were also considered to make this study possible.

Key­Words: Tale, house, Poe, The Fall of the House of Usher.

2. INTRODUÇÃO

A literatura é o meio pelo qual os mestres das palavras podem alcançar o público e levar até ele um mundo de sonhos e fantasias. Um mundo onde tudo é possível, onde não existem barreiras para se imaginar e criar. A literatura é capaz de transformar o mundo e as pessoas, tornando­as mais humanas, sensíveis e críticas. É arte, é vida, é um suave despertar em um mundo real cada vez mais incrédulo e obscuro. É o portal para o conhecimento, para a cultura e para a felicidade. Através da literatura é que é possível conhecer, ler e estudar obras de artes. Na literatura, os seres humanos são capazes de tornar possível o impossível, o feio em belo, o irreal em real. A literatura é um caminho para as verdades e fantasias.

Não se pode falar de literatura sem falar de Edgar Allan Poe, considerado por muitos como o mestre dos contos de horror. Biógrafos que estudaram a sua vida detalhadamente observam que a morte de entes queridos esteve sempre presente ao longo da sua existência. Pressupõe­se que talvez Poe tenha transferido para seus contos toda uma amargura que já existia em seu coração devido a esses tristes acontecimentos. Seus contos estão repletos de medo, angústia, dor e escuridão. Há quem diga que são tão obscuros quanto as trevas do mais sombrio pesadelo. Uma de suas famosas obras é o objeto de estudo deste trabalho monográfico.

O conto de Poe abordado neste trabalho foi A Queda da Casa de Usher, que conta a história de dois irmãos gêmeos, Roderick e Madeline Usher. A história é narrada pelo amigo de infância de Roderick, cujo nome não é mencionado no conto. Tal amigo chega à mansão a pedido de Roderick que, ao sentir­se sozinho e doente, pede com urgência a sua presença. Ao chegar à mansão, ele encontra um homem doente, perturbado e com fortes indícios de loucura. Uma das coisas que lhe chama a atenção é o estado da casa, que parece acompanhar o estado de decadência de seus moradores, neste caso, os irmãos Madeline e Roderick Usher. Madeline Usher, a única parente viva de Roderick, sofre de uma estranha doença que a torna uma espécie de morta­viva. Devido a isso, seu irmão Roderick, junto com seu amigo, sem saber, enterram­na viva em uma dessas crises. Roderick enterra a irmã dentro da casa. A partir desse fato, Roderick começa a ficar cada dia mais doente e perturbado. Seu amigo, na esperança de acalmar­lhe os nervos e a alma atormentada por barulhos que ele mesmo dizia ouvir no interior da casa, narra­lhe um de seus contos preferidos, o conto de Ethereld. Porém, o que parece ser uma simples leitura dá início a uma sucessão de fatos estranhos que parecem fazer eco aos sons narrados na estória de Ethereld. Presume­se, dessa maneira, o surgimento do elemento fantástico no conto. A estória de Poe termina com a suposta ressurreição de Madeline, que se joga para cima do irmão levando­o também para o túmulo. Com a morte dos dois irmãos, estranhamente, a mansão cai afundando­se nas águas escuras do lago poucos minutos depois da saída do narrador.

Neste trabalho, discute­se a simbologia da casa no conto, que está rodeada por imagens e elementos simbólicos bem característicos dos contos de Poe. Além da simbologia da casa no conto, analisa­se também o fato de que a casa assume o papel de personagem. O próprio personagem do conto Roderick Usher a vê como uma criatura viva. E, por fim, neste mesmo trabalho investiga­se o elemento fantástico, se ele se faz presente na obra ou não.

Este trabalho monográfico é composto por três capítulos: O primeiro abordará a simbologia da casa no conto de Poe, que, como foi dito anteriormente, está rodeada de imagens simbólicas dignas de serem investigadas.

O segundo capítulo discute sobre a figuração da casa, uma vez que ela representa não só um amontoado de tijolos e concretos, mas também a própria família.

O terceiro e último capítulo analisa a casa de Usher e sua família. De acordo com Edgar Allan Poe, a casa possui uma rachadura que vai descendo em ziguezague, do teto até ao chão. Essa rachadura pode significar uma falha na família, que culmina com a queda da casa.

Um dos objetivos deste trabalho é analisar a simbologia da casa no conto A Queda da Casa de Usher, de Edgar Allan Poe. Levando­se em consideração a ligação entre a casa e as personagens. O outro objetivo é compreender a relação de sentidos que há entre a casa e os fatos que envolveram as personagens e a própria casa.

Para alcançar esses objetivos, fez­se uma abordagem com o método dedutivo, através de uma pesquisa bibliográfica baseada nos livros de Gaston Bachelard, Tzvetan Todorov, Peter B. High, René Wellek e Austin Warren, Gerbrant e Chevalier Massaud Moisés e outros críticos e teóricos de literatura.

3. A SIMBOLOGIA DA CASA

A casa, além de representar o local onde se mora, pode significar muito mais que lar e moradia. Ela pode representar o ser que a habita. Ela é uma das primeiras referências que se tem de refúgio, segurança, abrigo e também de consolo. É o primeiro teto do ser humano; sem ela, ele poderia se sentir desprotegido, literalmente sem chão. A casa pode simbolizar várias coisas: se é bonita e grande, pode simbolizar riqueza e status; se é pequena, nem tanto, mas através dela pode­se ter uma dimensão da importância e, por que não, da necessidade de se ter um lugar para viver. Um escudo que possa proteger aqueles que nela habitam dos infortúnios do mundo exterior. Segundo o Dicionário de Símbolos:

Como a cidade, como o templo, a casa está no centro do mundo, ela é a imagem do universo. A casa significa o ser interior, seus andares, seu porão e sótão simbolizam diversos estados de alma. O porão corresponde ao inconsciente, o sótão à elevação espiritual. A casa é também um símbolo feminino, com o sentido de refúgio, de mãe, de proteção, de seio maternal. (CHEVALIER et al. 1997, p.197).

Dessa forma, pode­se constatar que a casa pode ser um símbolo de habitação, de proteção, de estado de alma. A casa é a imagem de seu habitante, é a sua metade de concreto. Cada cômodo da casa simboliza uma parte do morador. Um não pode existir sem o outro e, se existem, são incompletos. A casa e seu morador possuem uma relação de profunda e impressionante intimidade. Ainda de acordo com o Dicionário de Símbolos:

A psicanálise reconhece, em particular nos sonhos de casa, diferenças de significação segundo as peças representadas, e correspondendo a diversos níveis de psique. O exterior da casa é a máscara ou a aparência do homem; o telhado é a cabeça e o espírito, o controle da consciência; os andares inferiores marcam o nível do inconsciente e dos instintos; a cozinha simbolizaria o local das transmutações alquímicas, ou das transformações psíquicas, isto é, um momento da evolução interior. (CHEVALIER et al. 1997,p.176).

Nas passagens acima foi possível perceber o significado da casa segundo o Dicionário de Símbolos. Em relação a mesma Gaston Bachelard em seu livro A Poética do Espaço 1997 afirma que o homem antes de encarar o mundo está protegido dentro da casa. Ela é um berço onde o homem está acolhido. Ele ainda elucida que: “A vida começa bem, começa fechada, protegida, agasalhada no regaço da casa”. Ou seja, para o autor, a vida dentro da casa está protegida, segura, inabalável. Dentro da casa nada de ruim pode entrar e afugentar quem nela se encontra e se abriga. A casa é uma espécie de cavalheiro, de mãe zelosa e acolhedora.

Na passagem acima, percebe­se que a casa pode representar o seu habitante e mesmo os movimentos dentro dela podem significar o estado de alma de seu morador. Cada parte da casa pode significar algo mais profundo, pode significar o interior do ser que a habita, seus segredos e desejos mais íntimos. Há uma cumplicidade muito grande entre a casa e o seu habitante. Dessa forma, pode­se dizer que casa e morador podem simbolizar uma coisa só.

Para Nelly Novaes Coelho (1974, p. 21), no conto tradicional, o espaço físico em que a personagem está situada (ambiente social ou natural) é sempre definido, nítido e serve como uma espécie de moldura para sua personalidade ou como instrumento que auxilia ou entrava a ação. Porém, no conto moderno, o espaço físico se dilui. Raramente o ambiente aparece em descrições nítidas. Ou por outra desaparecem o ambiente, o espaço físico, e surge o espaço vital, sendo este o âmbito em que a personagem circula e que é mais atmosfera do que lugar concreto. Nota­se que a autora faz um paralelo entre o conto tradicional e o conto moderno, descrevendo o papel do ambiente em cada um, tendo em vista que este trabalho monográfico visa discutir a simbologia da casa e o ambiente em geral no conto de Edgar Allan Poe, A Queda da Casa de Usher, pode­se perceber que, para a autora, o ambiente possui influência sobre as personagens, servindo como uma espécie de moldura para a sua personalidade. Em relação a relação ao ambiente, Dimas elucida que: “Por ambientação, entenderíamos o conjunto de processos conhecidos ou possíveis, destinados a provocar, na narrativa, a noção de um determinado ambiente”. (Dimas, 1987, p.20). Este autor disserta sobre o ambiente na narrativa, que é apresentado por um conjunto de processos provocativos e conhecidos. Isso quer dizer que o ambiente depende de outros fatores para ser identificado na narrativa. Perceber­se­á mais adiante neste trabalho que as próprias personagens, seres que habitam o ambiente, podem contribuir para sua identificação.

Consoante Wellek e Warren (1976, p.275): “O ambiente é o meio circundante; e este, especialmente o interior doméstico, pode ser concebido como expressão metonímica ou metafórica da personagem. A casa em que um homem vive é um prolongamento deste. Descrevê­la é descrever o seu ocupante”. Analisando os autores percebe­se a importância da casa no conto e na vida do ser humano. A casa é arte fundamental de seu morador, não se pode descrever um sem descrever o outro. Ambos estão unidos, um é reflexo do outro. Segundo Bachelard:

A casa é uma das maiores (forças) de integração para os pensamentos, as lembranças e os sonhos do homem. Na vida do homem, a casa afasta contingências, multiplica seus conselhos de continuidade. Sem ela o homem seria um ser disperso. Ela mantém o homem através das tempestades do céu e das tempestades da vida. É corpo e é alma. É o primeiro mundo do ser humano. A casa abriga o devaneio, a casa protege o sonhador, a casa permite sonhar em paz. (BACHELARD, 1997, ps. 24­30).

Interpretando Bachelard nota­se que a casa é o refúgio para o homem, seus pensamentos e memórias. Ela protege o homem das adversidades e perigos da vida. Sem a casa o homem é um ser incompleto, desprotegido. Um homem sem lar é ima criança sem pais. De acordo com Gonçalo:

A imagem primordial do universo terrestre é a casa com porão e sótão porque reúne as duas disposições contrárias que se ritmalisam na imaginação da terra: a psicologia do contra (vontade) e a fenomenologia do dentro (repouso). O sótão é o ninho, o aconchego que traz precariedade e segurança; o corpo e o ventre, o repouso e proteção; o porão é o labirinto, recintos das trevas e caminhos para a luz. (GONÇALO, 2008).

Bachelard (1993, p. 84) também afirma que toda grande imagem revela um estado de alma. A casa, mais que a paisagem, é “um estado de alma”. Mesmo produzida em seu aspecto exterior, ela fala de uma intimidade. Assim, nota­se que, para Bachelard, a casa é algo tão íntimo do ser humano que pode ser comparado a um estado de alma.

Aqui a casa é apresentada como o centro do universo. Um lugar que representa proteção, abrigo, repouso, escuridão e luz. A casa é como se fosse uma abreviação do mundo. Um ambiente capaz de reunir todos os espaços, mesmo os mais escondidos e sombrios, em um só. Massaud Moisés, discutindo o espaço da narrativa, afirma:

No conto, a circunstância conta pouco, menos ainda no romance introspectivo, quer o enredo se desenvolva na cidade, quer no perímetro rural, o que facilmente se explica pelo fato de a atônica recair sobre o sujeito da ação, não sobre a paisagem. Bem por isso, haveria que sondar o como aparece o cenário e que funções desempenha no envolver da ação. (MOISÉS, 2002, p.108).

Moisés elucida que, no conto, as funções exercidas pelo cenário são essências para se identificar as personagens. A maneira como o cenário aparece no conto é que caracteriza a importância da personagem. Por isso é importante que os dois estejam em consonância um com o outro, pois os dois estão envolvidos intimamente. Sem o cenário, a personagem pode ficar isolada, sem referências no conto. A sua identificação e suas ações se tornam difíceis de serem interpretadas.

Coutinho (1993, p.23) afirma que: “O espaço tem como funções principais situar as ações das personagens e estabelecer com eles uma interação, quer influenciando suas atitudes, pensamentos ou emoções, quer sofrendo eventuais transformações provocadas pelas personagens”. Analisando as palavras da autora, percebe­se que, para ela, o espaço tem uma relação profunda com as personagens, suas ações, pensamentos ou emoções. As personagens são agentes modificadores do espaço em que vivem.

Segundo Proença (1997, p. 54), “O espaço é também chamado meio, localização. O ambiente envolve as condições materiais ou espirituais em que se movimentam as personagens e se desenrolam os acontecimentos. Através dele podem­se configurar traços das personagens e mesmo a própria estória”. Assim, constata­se que, para esse autor, o ambiente é o lugar no qual as personagens vivem, material ou espiritualmente, e também o cenário onde elas se movimentam, desenvolvem toda a ação. Nas palavras de Defina:

O ambiente é a localização, o cenário a situação no espaço, o “décor” da obra narrativa. É onde os fatos narrados acontecem, O meio, onde reina o clima no qual se desenvolve a ação, a estória. “O que no romance se chama ambiente é a relação personagem­meio físico e social, ou ainda, o meio circundante físico e psicossocial onde se desenrola a ação dos personagens. Os condicionamentos de natureza geográfico­psicológica no centro dos quais se encontra o personagem estabelecem o ambiente da obra. Formado por uma sucessão ininterrupta de imagens, o ambiente se revela por intermédio de sons, cores, odores, linhas etc. e pelo estado de tensão que transparece em formas sensíveis. (DEFINA 1976, ps.105­108).

Percebe­se ainda que, assim como a casa, o ambiente é onde tudo acontece, é onde a trama se desenvolve. É através dele que se pode ter uma noção de espaço na estória. O ambiente é o lugar onde agem as personagens, e estes podem ser percebidos por vários elementos como cor, som, linha e etc. Ambiente e casa são elementos muito importantes no conto. A paisagem e o ambiente ao redor dela são essenciais para se entender a estória. De acordo com Bachelard:

Logicamente, é graças a casa que um número de nossas lembranças estão guardadas; e quando a casa se complica um pouco, quando tem um porão e um sótão, cantos e corredores, nossas lembranças têm refúgios cada vez mais bem característicos.(BACHELARD, 1997,p.28.).

Através de Bachelard, pode­se constatar que é na casa que ficam preservadas todas as memórias do morador, todos os seus segredos e momentos. E quando a casa possui cômodos onde se guardam pedaços de um passado distante, significa que essas memórias têm esconderijos cada vez mais difíceis de serem encontrados. SegundoWellek e Warren:

O ambiente pode ser a expressão de uma vontade humana. Pode, ainda, o ambiente constituir uma determinação causal em geral­o ambiente entendido como uma relação de casualidade física ou social, algo que o indivíduo, por si, pouco pode controlar. (WELLEK e WARREN, 1976, p.275).

Wellek e Warren interpretam o ambiente como um palco onde o ser humano expressa as suas vontades. É através dele que o mesmo se apresenta e se representa. Ainda afirmam que o ambiente é algo incontrolável. Logo se pode perceber que o ambiente, e por que não dizer a casa, é a personagem principal deste trabalho. Ela é incontrolável por ser uma parte do ser humano, ser humano este que é uma criatura tão imprevisível. Consoante Massaud Moisés:

Embora correndo o risco de simplificar, podia­se dizer que a geografia do conto deve estar diretamente relacionada com o drama que lhe serve de motivo: a paisagem vale como uma espécie de projeção das personagens ou o local ideal para o conflito carece de valor em si, está condicionada ao drama em causa; não é pano de fundo. Mas algo como personagem inerte, interiorizada e possuidora de força dramática, ao menos na medida em que participa da tensão psicológica entre as personagens. (MOISÉS, 2002, p.108).

Segundo Moisés, a paisagem age como uma espécie de espelho das personagens. Ela projeta suas reações, seus sentimentos. Ela deve estar diretamente relacionada com o conto e com as personagens, como se ela dissesse muito mais sobre o conto do que qualquer outro elemento. A geografia do conto é de extrema importância para se poder entender seus acontecimentos. Escrever um conto, ou narrá­lo, e omitir sobre o local, o ambiente em que ele ocorreu, é omitir uma parte importante deste. Assim, pode se compreender com maior clareza a simbologia da casa, dentro do conto “A Queda da Casa de Usher” de Edgar Allan Poe. A Casa neste conto é uma continuação da personagem, um espelho de seu morador. Ela é o seu ambiente, e a paisagem e imagens deste ambiente refletem o caráter, a personalidade, a intimidade e o estado de espírito do seu morador. Retornando Wellek e Warren:

A imagem pode ser visual, auditiva ou inteiramente psicológica. Em escritores como Poe podemos ver que o ambiente (um sistema de adereços de cena) é frequentemente uma metáfora ou um símbolo; o mar encapelado, a tempestade, a duna selvática, o castelo em ruínas sobre o lago frio e escuro. ( WELLEK e WARREN,1967, p.232).

Para os autores no conto de Edgar Allan Poe, o ambiente é inserido em forma de metáfora ou de símbolo. Logo se pode perceber que a imagem da casa nesse conto quer dizer muito mais que uma simples construção. Ela é o símbolo de algo muito maior. Simboliza o interior da personagem, sua alma, o seu eu mais profundo, uma vez que já foi dito que a casa e seu habitante são uma coisa só. Em relação à casa Gonçalo elucida que:

Do lado interno da casa, as imagens também causam um aperto no coração: Corredores escuros e intrincados; excessiva antiguidade; descoloração; sombrias tapeçarias nas paredes; negrura de ébano dos assoalhos; fantasmagóricos troféus; mobiliário incômodo. (GONÇALO, 2008).

Gonçalo disserta que a aparência da casa que também é repulsiva e assustadora em seu interior causa certo desconforto para aqueles que vivem nela ou que a observam. Essa aparência da casa pode estar influenciando as atitudes das personagens que nela habitam. Como foi elucidado anteriormente, por outros autores, a casa e o seu habitante possuem uma intimidade tão grande que um sente o que o outro sente. Este trecho do conto pode comprovar essa afirmação:

The general forniture was profuse, comfortless, antique, and tattered. Many books and musical instruments lay scattered about, but failed to give any vitality to the scene. I felt that I breathed an atmosphere of sorrow. An air of stern, deep and irredeemable gloom hung over and pervaded all. (POE, 1994, p.80).

Para Bonaparte (apud Gueerin et.al, 1972)“Madeline Usher, a cripta onde ela é prematuramente enterrada e a própria casa são, segundo a simbologia Freudiana, imagens maternas. Percebe­se mais uma vez a visão da casa como símbolo materno e de proteção. A cripta pode significar o colo da mãe, um lugar de refúgio e consolo. A personagem é enterrada na casa porque simboliza o carinho e o aconchego da mãe e o lugar onde a personagem nasceu. Antes de ter certeza da morte da irmã, Roderick a enterra ali. Assim ela estaria protegida de tudo e de todos.De acordo com Nabuco:

Em The Fall of The House of Usher, o rapaz Roderick, cuja casa ancestral ia ruir sobre os dois sobreviventes da infeliz família Usher, tem a percepção do desabamento da sua própria razão, sinal fragoroso e definitivo da ameaça que pairava sobre a casa e estirpe. Este desabamento de um lar sobre os últimos rebentos cujo mal só pode ser caracterizado como o da velhice de uma raça e magistral em parte pelo inesperado. (NABUCO, 1981, p. 38).

Nabuco afirma que a personagem Roderick tem plena consciência da decadência do seu estado físico e mental, ou seja, ele já pressente a sua própria destruição. Não só a dele, mas também a da casa. E a casa é uma parte dele. O que o autor elucida é que no conto de Poe, a combinação entre o estado mental das personagens e o ambiente em que elas se encontram é vital para a decadência deles, ou seja, o ambiente possui uma influência muito forte sobre as personagens que as acaba levando à morte. A casa pode influenciar seus moradores tanto para o bem quanto para o mal. No caso do conto de Poe, pode­se acreditar que foi para o mal, pois a casa e sua decadência são vistas como um dos principais fatores que levam os últimos representantes da família Usher à destruição.

A casa em que os irmãos Usher moram ainda se mantém em pé apesar dos anos, mas contém uma fissura que vai do teto até o chão. Sendo assim, a família Usher também possui uma rachadura. É a família que está reduzida aos gêmeos Roderick e Madeline. Possui uma metade de concreto, que é representada pela casa. No próprio conto, Poe fala da fissura existente na casa:

[...] A casa, agora que eu pude vê­la claramente, parecia extremamente velha. A construção ainda estava completa­Eu quero dizer que nenhuma parte da estrutura tinha caído, mas cada pedra separada era uma ruína do que era. Não havia outros sinais de fraqueza, exceto uma longa rachadura que descia do teto da casa até o chão. [...]. (“The Fall of the House of Usher”. P. 28).

Foi visto ao longo deste capítulo que a casa e as imagens presentes nela podem influenciar as personagens. Segundo Gonçalo (2008), no conto de Poe as imagens remodeladas reduplicam a impressão de horripilante, acentuando­as com a casa e os arredores que são propagados tristemente no reflexo do lago. Ou seja, segundo a autora, no conto de Poe não só a casa, mas os elementos existentes ao seu redor podem transmitir impressões e reações não só para as personagens, mas também para aqueles que leem o conto. E ela ainda, afirma referindo­se a Queda da Casa de Usher pode­se perceber que o conto é permeado de imagens assustadoras criando um clima de suspense e terror no próprio leitor. O enredo imagético caracteriza um casal de irmãos gêmeos psicologicamente decadentes que moram em uma mansão de atmosfera pesada com um lago fétido à volta. Todas as imagens mostram uma queda em que a da casa presente no título do conto é a menos importante. Para a autora, o fato das imagens do conto serem assustadoras mostra que as características e ações das personagens acompanham esse cenário de terror. Para ela, as imagens do conto mostram não só a queda da casa mas também a da família, que é mais importante.

A seguir, no próximo, capítulo abordará a figuração da casa no conto de Poe e como ela é representada. Falaremos também sobre o elemento fantástico e se ele se faz presente ou não neste conto.

4. A FIGURAÇÃO DA CASA DENTRO DO CONTO

No conto de Poe, a casa pode representar não só um amontoado de tijolos, mas também a família que nela habita: “A casa de Usher significava, para as pessoas do distrito, não só a casa e terra, mas também a família.” (“The Fall of the House of Usher.” p.27). Em relação a figuração da casa no conto Anspach afirma que:

Uma observação minuciosa poderia levar em direção a uma falha que ameaça a estabilidade da estrutura arquitetural da casa de Usher. “O olho atento de um” analista perceberá muito facilmente que não só a casa está perto de desabar, mas também a família que nela habita, de acordo com o narrador, a “Casa de Usher” foi “uma apelação que parecia incluir, nas mentes dos camponeses, ambas a família e a mansão da família”. (ANSPACH, 1987, p.19).

Anspach afirma que a casa no conto representa a família. Os próprios habitantes da cidade acreditam no fato de que casa e família são uma coisa só. A falha existente na casa pode indicar uma falha na família. A ruína da casa coincide com a da família, pois a essas alturas restam os dois irmãos, Roderick e Madeline Usher. A falha na casa também pode indicar que a família está incompleta e com problemas. Os seus únicos moradores sofrem de males que os tornam mortos ainda em vida. Os problemas da família refletem na casa que sofre junto com eles. Família e casa se identificam e se complementam. São como parceiros que estão unidos nos momentos alegres e também nos ruins. A casa no conto acompanha as ações, as reações e os sentimentos da família Usher. Ainda na visão de Anspach:

Pode se dizer também que a rachadura que divide a casa ao meio forma duas metades complementares, assim como os gêmeos de sexos diferentes constituem uma unidade. As duas janelas separadas pela rachadura podem simbolizar os olhos de duas faces similares, como as dos gêmeos, que são muito próximos um do outro. A casa mostra a relação de dependência de dois irmãos – cujo vínculo indissolúvel é necessário à sobrevivência de ambos. (ANSPACH, 1987, p.20).

Aqui, entende­se que casa e morador se identificam, pois como já foi dissertado no próprio conto de Poe, a casa representa a família. A casa e os elementos que existem dentro e fora dela também fazem parte dos moradores. Os irmãos Usher são completamente dependentes um do outro. A casa depende deles e vice­versa. Analisando nessa perspectiva, pode­se pensar que a mansão com a qual os irmãos Usher se identificam pode ser vista também como um componente, um membro da família e como uma personagem dentro do conto. A casa também possui reações, sentimentos e interfere diretamente na vida e nas atitudes das personagens. Talvez a casa possa ser interpretada como a personagem principal do conto, pois o título do mesmo é “A Queda da Casa de Usher”, ao invés de ser A queda da Família Usher. E essa suposição de a casa ser uma personagem do conto pode­se assim dizer até o principal, de acordo com o título, reforça ainda mais a dependência das personagens com ela. De acordo com Conhen:

The “house,” at once a physical structure and a symbol of the Usher family, is pictured in terms which prophesy the dreadful outcome of the tale. Set in wasteland of gray sedges and white, decaying trees, it stares down into the dark tarn by which it is surrounded with “vacant eye­like windows. “ The phrase is Poe’s, and he repeats it twice, as the sedges, and the eye­like windows are reflected in the tarn. (CONHEN, 1979, p.120).

Conhen diz acima que a casa, uma vez estrutura física e um símbolo da família Usher, é representada em termos que profetizam o resultado terrível do conto. O cenário é uma terra desolada de paredes cinzentas e brancas, árvores decaídas, fixada perto de um lago escuro com janelas semelhantes a olhos vazios. A frase é de Poe e ele a repete duas vezes afirmando que as paredes e as janelas são como olhos vazios refletidas no lago. Portanto, também na visão de Conhen, a casa de Usher simboliza a própria família Usher. A casa no conto é vista como uma criatura viva, algo com características humanas. A mansão está interligada com os seus moradores e com o ambiente ao seu redor. As árvores que cercam a casa acompanham o seu estado de degradação. Elas estão decaídas, com folhas secas. As paredes são cinzentas como o ar que paira sobre a casa. O lago onde a mesma está refletida é escuro e sombrio. Ainda nas palavras de Conhen:

When the narrator first views the decaying house, He is convinced that there

hangs about it an atmosphere peculiar to the place, “a pestilent and mystic vapor, dull, sluggish, faintly discernible and leaden­hued. ”This singular vapor of decay enhances the fungus­covered exterior of the building, from which “no portion of the masonry had fallen, “and yet which seems to present “wild inconsistency between its still perfect adaptation of parts and the crumbling condition of the individual stones. (CONHEN, 1979, p.120).

Aqui Conhen afirma que quando o narrador avista pela primeira vez a decadente casa, ele está convencido de que lá possui uma atmosfera peculiar ao lugar, um vapor pestilento e místico, sombrio, lento, indistintamente discernível. Analisando as palavras do autor é possível comprovar que a atmosfera da casa é carregada de vibrações pesadas, ruins. O vapor que emana do lugar ressalta ainda mais os fungos que habitam o seu exterior e provocam a sua decadência. Ou seja, se a casa, que também é interpretada como sendo parte da família, está sendo deteriorada por dentro e por fora. Pode­se entender que a família, neste caso a família Usher ­ cujos últimos sobreviventes são Roderick e Madeline ­ também podem estar passando pela mesma deterioração.

A forte relação que existe entre a casa e os habitantes leva a uma série de acontecimentos estranhos que beiram ao fantástico. Mas antes de dissertar sobre esses acontecimentos, é necessário definir o que se pode chamar de fantástico e estranho.

O fantástico trabalha a partir da noção da realidade tomada como hipótese falsa, a que dá uma aura de incerteza e de que não se tem nenhuma explicação satisfatória. Assim, nota­se que, para o autor, o fantástico é algo sem explicação plausível ou satisfatória. É alguma coisa irreal, incerta, difícil, ou até mesmo impossível de se acreditar (SAMUEL et.al, 1985 p.36).O fantástico é a hesitação experimentada por um ser que só conhece as leis naturais, face a um acontecimento aparentemente sobrenatural. (TODOROV, 1975, p.31).

Irene Bessiére (apud Samuel et.al, 1985, p. 36) afirma: “ O fantástico conjuga os contrários, o real, o irreal, o banal e o estranho. A narrativa fantástica legitima o inverossímil como uma determinação função da racionalidade, questionando a própria racionalidade”. Interpretando o que a autora escreveu, pode­se afirmar que o fantástico se liga ao real e ao irreal, ao banal e ao estranho. Esses elementos há pouco citados fazem parte da descrição de fantástico. Segundo Todorov:

O fantástico dura apenas o tempo de uma hesitação: hesitação comum ao leitor e a personagem, que devem decidir se o que percebem depende ou não da “realidade”, tal qual existe na opinião comum. No fim da história, o leitor,

quando não a personagem, toma, contudo, decisão, opta por uma ou outra solução, saindo desse modo fantástico. Se ele decide que as leis da realidade permanecem intactas e permitem explicar os fenômenos descritos, dizemos que a obra se liga a um outro gênero, o estranho. (TODOROV, 1975, p.48)

Tomando como base o que Todorov afirma, compreende­se que tanto a personagem quanto o autor é que devem decidir se o que estão lendo ou vendo é real ou não. O fantástico, como já foi dito, é algo incomum, inexplicável, e se os acontecimentos podem ser explicados, então não podem ser chamados de fantásticos e sim de estranhos. O estranho é um gênero que beira ao fantástico. É ele que, segundo Todorov, está presente no conto de Poe. O cotidiano pode ser definido pela onipresença desse enigma da convivência do real com o irreal, do conhecido com o desconhecido, o fantástico dual, antinômico. (SAMUEL,

2002, p.38). O fantástico implica, pois, uma integração do leitor no mundo das personagens; define­se pela percepção ambígua que tem o próprio leitor dos acontecimentos narrados. (TODOROV, p.37, 1975). Ou seja, de acordo com Todorov, nota­se que para ele o fantástico é fruto da relação do leitor com as personagens e através dessa relação ele deve analisar mais profundamente a estória e os fatos que acorrem nela. Ainda nas palavras de Todorov:

Eis uma novela de Edgar Poe que ilustra o estranho próximo do fantástico: A Queda da Casa de Usher. Os sons descritos na Crônica parecem fazer eco aos ruídos que se ouvem na casa. O estranho tem aqui duas fontes a primeira: o número de coincidências (tantas quantas numa história de sobrenatural explicado). Assim poderiam parecer sobrenaturais a ressurreição da irmã e a queda da casa depois da morte de seus habitantes; mas Poe não deixou de explicar racionalmente um e outro acontecimento. Assim, diz ele da casa: “talvez o olho de um observador minucioso descobrisse uma rachadura quase imperceptível, que partindo do teto da fachada, abria caminho em ziguezague através da parede e ia perder­se nas águas funestas do lago”. E de lady Madeline: “crises frequentes, embora passageiras, de caráter cataléptico, eram diagnósticos muitos singulares.”A explicação sobrenatural é apenas sugerida e não é necessário aceitá­la. (TODOROV, 2006, p.158).

Analisando as afirmações de Todorov, observa­se que para ele o conto de Poe não pode ser considerado fantástico, pois, no conto, Poe explica alguns acontecimentos dentro da própria estória e o fantástico é algo inexplicável. Portanto aos fatos que possuem explicação plausível dá­se o nome de fatos estranhos e não fatos fantásticos.

O Dicionário Mini Aurélio tem várias designações para estranho. 1. fora do comum; desusado; anormal; 2. Que é de fora; estrangeiro; alheio. 3. Singular; extravagante. 4. Misterioso. E ainda segundo o Mini Aurélio, o fantástico só existe na fantasia, imaginário, extraordinário, falso. Assim, pode­se entender com maior clareza a diferença entre um gênero e outro, e analisar que, como já foi argumentado por Todorov, o conto de Poe ilustram o estranho próximo ao fantástico. Continuando com Todorov:

A outra série de elementos que provocam a impressão de estranheza não está ligada ao fantástico, mas ao que se poderia chamar “de experiência dos limites”, e que caracteriza o conjunto da obra de Poe. Baudelaire já escrevia ao seu respeito: Nenhum homem contou com maior magia as exceções da vida humana e da natureza: Em A Queda da Casa de Usher, é o estado extremamente doentio da irmã que perturba o leitor. Em outras partes, serão cenas de crueldade, o gozo no assassinato, que provocam o mesmo efeito estranho. Esse sentimento parte dos temas evocados, os quais se ligam a tabus mais ou menos antigos. (TODOROV, 2006, p. 158).

Aqui, mais uma vez Todorov deixa claro que o fantástico não se faz presente no conto de Poe. Para ele, o que caracteriza a obra de Poe é o que se poderia chamar de experiência dos limites. O conto possui elementos estranhos, misteriosos, porém explicáveis, possíveis de serem reais. De acordo com Taylor:

Em suas estórias mais terríveis Poe não depende nem das aventuras aterrorizantes nem do sobrenatural. Voltando seu olhar para dentro, ele estuda os recantos misteriosos da própria mente humana, sua crueldade sem sentido, suas ânsias maníacas, seus frenesis de decadência mórbida. Nenhum conto de Poe desperta uma expectativa tão aterradora quanto estes. (TAYLOR,1967, ps.120­121).

Lendo Taylor e Todorov, percebe­se que os contos de Poe não possuem nada de sobrenatural ou fantástico. Taylor ainda afirma que os contos expressam pensamentos e sentimentos escondidos do ser humano. Pensamentos e sentimentos estes que por si só já são inacreditáveis pelo fato de serem tão corrompidos quanto malígnos. Segundo Todorov:

Ao lado destes casos, onde quase sem querer se penetra no estranho, por necessidade de explicar o fantástico, existe também o estranho puro. Nas obras que pertencem a este gênero, relatam­se acontecimentos que podem perfeitamente ser explicados pelas leis da razão, mas que são, de uma maneira ou de outra, incríveis, extraordinários, chocantes, singulares, inquietantes, insólitos e que, por esta razão, provocam na personagem e no leitor reação semelhante àquela que os textos fantásticos nos tornaram

familiar. A definição é, com o vemos, ampla e imprecisa, mas assim é também o gênero que ela descreve; o estranho não é um gênero bem delimitado ao contrário do fantástico; mas precisamente, só é delimitado, por um lado, o do fantástico; pelo outro, dissolve­se no campo geral da literatura (os romances de Dostoévski, por exemplo, podem ser colocados na categoria de estranhos). (TODOROV, 1975, p.52).

Para Todorov, é notável que o estranho e o fantástico, mesmo sendo dois gêneros diferentes um do outro estão interligados, pois um é necessário para explicar o outro. Nessa perspectiva, ainda compreende­se que existe o estranho e o estranho puro. Os fatos podem ser explicados racionalmente, mas sem deixarem de ser incríveis e extraordinários e por isso são capazes de tocar o leitor e as personagens do mesmo modo que os textos fantásticos. O estranho, ao contrário do fantástico, é mais amplo conforme Todorov:

Acremos em Freud, o sentimento do estranho estaria ligado “a aparição de uma imagem que se origina na infância do indivíduo ou da raça. O estranho realiza como se vê uma só das condições do fantástico; a descrição de certas reações, em particular do medo, está ligado unicamente aos sentimentos das personagens e não a um acontecimento material que desafie a razão. (TODOROV, 1975, p.52).

Para Todorov, o estranho tem relação com imagens ou ilusões que têm início na infância do ser humano ou de sua raça. Assim se pode dizer que é o caso dos Ushers. Os membros dessa família sofrem de males que os acompanham desde sempre. No caso de Roderick, que sempre ouve na mansão barulhos estranhos, sensações arrepiantes e ilusões que o perturbam. Todo o resto da família sucumbe um atrás do outro por males desconhecidos, deixando apenas Roderick e Madeline, que também sofrem um fim surpreendente, morrendo um nos braços do outro. O estranho tem mais a ver com a realidade e a razão do que o fantástico. O próprio medo das personagens, suas ações e reações podem ocasionar o efeito estranho dentro da estória.

Neste capítulo, foi discutida a figuração da casa no conto na visão do próprio Poe e de outros autores, verificando também se há a presença do elemento fantástico nele. Foi visto que os acontecimentos do conto que podem ser caracterizados como fantástico, na visão de Todorov são considerados estranhos. Ele afirma que os fatos ocorridos no conto possuem uma explicação plausível que não tem relação com o sobrenatural ou extraordinário. Os sentimentos e ações das personagens é que dão a impressão de estranheza.

A seguir, no próximo capítulo, será discutida a relação da casa de Usher e sua família, ligação essa que pode ter levado ambas à ruína.

5. A CASA DE USHER E A FAMÍLIA USHER

Os capítulos anteriores discutiram sobre a casa, sua simbologia na visão de vários autores e a sua figuração de acordo com o próprio Poe. Este capítulo discutirá sobre a influência que a casa exerce sobre as personagens. Pretende­se analisar a participação da casa como uma personagem na estória e se ela teria levado a família Usher à ruína. Antes de dissertar sobre a influência da casa sobre as personagens, analisaremos o ambiente segundo Defina.

Para se estudar o ambiente na literatura de ficção é também importante observar como ele aí se apresenta. Qual a paisagem que se oferece ao leitor? Oferece­se um simples “décor”, moldura sem perspectiva, pano de fundo, palco, deserto, floresta inculta, um “habitat”, um eldorado sonhado? Ou significalização? Ambiente feito pelo homem ou o homem afeito ao ambiente. O homem que vence o ambiente deixa de ser algo mineral, vegetal. E passa a ser um dado da cultura humana? Paisagem alegre ou dolorosa, por causa do homem? A paisagem promove uma relação afetiva como o homem? Oferece uma interação natureza­homem, onde a colaboração é mútua, ou um e outro hostilizam­se avessos? (DEFINA, 1975 p.108).

Interpretando Defina, entende­se a necessidade de se interpretar o homem e o ambiente como parceiros ou como metades que agem em colaboração. Será que o ambiente em que se vive pode influenciar a vida, as ações ou o comportamento do ser humano? Essas são algumas das perguntas que poderão ser respondidas ao longo deste 3° capítulo. Ainda segundo Defina:

O ambiente, portanto, não é elemento secundário, sem qualquer maior importância na prosa de ficção. Nem sempre é simples decoração. Às vezes, influi de tal maneira em seus sujeitos, tão adversos e tirânico, que os tornam seres diferentes do que seriam se não fossem modelados pela situação em que medram.(DEFINA, 1975, p108).

Defina sugere que o ambiente possui papel fundamental na prosa. Ele não deve ser visto como um simples cenário ou decoração porque o mesmo pode influenciar as ações das personagens. É possível dizer que o ambiente é uma força poderosa, capaz de manipular e comandar as personagens numa estória. O ambiente pode ser fator determinante numa estória. É ele quem comanda a ação quem, dita as regras. É possível dizer que quem entende o ambiente e quem consegue interpretá­lo sabe também interpretar os demais elementos dentro da estória e até mesmo o rumo que a mesma tomará. De acordo com Gonçalo:

Tudo se encontrava em perfeita consonância; tudo provoca e é provocado; a situação da casa se reflete na família e vice­versa; a aridez do ambiente reflete na esterilidade da família e vice­versa; ou seja, a decadência da família provoca e sofre a decadência da casa. (GONÇALO, 2008).

Analisando Gonçalo, nota­se a ligação profunda que existe entre a casa e as personagens. Essa relação é tão forte que a decadência de um reflete no outro. Ambas família e casa estão unidos por laços que nem mesmo a morte e a tragédia poderiam dissolver, pois, depois que os irmãos morrem, a casa os acompanha em seu último suspiro.Conforme Conhen:

Essa condição de decadência universal e colapso eminente são divididas entre a casa com “as janelas com “aparência de olhos” e os seus habitantes. Roderick Usher, cujo controle da estrutura física e mental estão declinando rapidamente, vence com um terror constante do futuro, uma apreensão da sua própria eminente destruição. Usher atribuiu sua condição ao efeito que a construção possui sobre ele convencido de que “ A mera forma e substância da mansão de sua família” tem tido um efeito destrutivo “ sobre seu espírito­corpo sobre mente, corpo sobre alma”. Sua irmã Madeline participa nessa indisposição geral, a vítima de uma doença lenta, aproximando a dissolução. (CONHEN, 1979, p. 120 121).

Conhen disserta que o próprio Roderick atribui sua decadência física e mental a casa: “Para ele a casa possui uma força avassaladora capaz de acabar com o pouco de razão que ainda o resta.” A casa”, ele disse, “...as paredes e torres atuais da construção­ tem ganhado uma influência sobre mim um estranho poder que me ata a elas como se elas fossem criaturas vivas. (The Fall of the House of Usher, p.29). Não só Roderick, mas também sua irmã Madeline que sofre de uma doença misteriosa podem estar sofrendo a influência da casa. “Esse ar tem uma silenciosa e terrível influência na minha família,” ele disse, “ e ele tem me feito o que eu sou.”( The Fall of The House of Usher, p.31). Assim é possível confirmar a ideia de que a casa possui uma influência assustadora e fatal para os seus moradores, uma vez que é o próprio Roderick quem diz isso. Roderick Usher é um homem de mente fraca que diz ser influenciado pela casa e a ela ele atribui seus males. Ainda segundo Conhen:

Roderick Usher sofre de um terror que as paredes de sua casa, unificadas como elas são pela decadência e fungos internos, possui uma sentença, uma vida própria. O declínio da sua família e de sua liberdade ele culpa a “silenciosa ainda importuna e terrível influência” da casa. (CONHEN, 1979, p 121).

Conhen afirma que para Roderick Usher a casa é a causadora da decadência de sua família e de sua própria. A estrutura da casa, sua decadência e má aparência exercem sobre os Usher uma estranha influência capaz de levá­la ao declínio.

Foi dito anteriormente neste trabalho que a casa é vista por uma das personagens do conto como uma criatura viva com a capacidade de prender seus habitantes a ela. Logo é possível compreender que a casa também pode ser encarada como uma personagem da estória e assim exercer tal influência sobre os seus moradores. De acordo com Anspach:

Do mesmo jeito que a casa tem uma rachadura, a família é dividida em 2 ramos personificados pelos gêmeos, chamados Roderick e Madeline e em 2 princípios ­um masculino e um feminino – que constitui um único e sintetizante caráter de construção ( A unidade Roderick/Madeline). Também as personagens possuem uma doença ou uma inconsistência de comportamento que os conduzem à morte, que é o caráter deles apresenta uma fissura interna que causa a eles uma queda junto com a casa com a qual estão identificados. (ANSPACH, 1987, p12).

Anspach evidencia uma relação entre a casa e seus moradores. Para ela, como a casa possui uma fissura, a família está dividida pelos dois irmãos gêmeos. A fissura da casa é representada pela doença dos dois irmãos que, assim como a rachadura, ocasiona a queda da casa, a doença dos irmãos causa­lhes a morte. Dessa forma, entende­se que a casa e a família estão fadados à ruína, uma pela doença e o outro, pela decadência. A ligação que existe entre a mansão e a família Usher é tão forte que, mesmo na morte, as duas se encontram como em um casamento, onde os parceiros devem estar juntos na saúde e na doença, na vida e na morte. Uma estranha família que permanece ligada para sempre.

A fissura nas paredes e a queda da casa de Usher representam na verdade um espelho­imagem da família. A quebra desse espelho­imagem pode tê­los levado à morte. (ANSPACH, p.12,1987).

Os últimos representantes da família Roderick e Madeline sofrem de males que fazem deles mortos­vivos. A aparência da casa é sinistra, velha, com paredes cinzentas. A sua mobília é escura e é rodeada por árvores mortas e um lago frio e sombrio que é o destino final da mesma. Sendo assim, percebe­se semelhanças entre a casa e a família, e tais semelhanças os tornam ainda mais próximos. Consoante High:

Para High, (1997, p.55­56) uma falha na casa simboliza uma falha no relacionamento dos irmãos gêmeos adultos Roderick e Madeline Usher. Para o autor a casa é um reflexo da família, o que acontece em uma pode acontecer na outra como acontece com a rachadura existente na casa,

Soube, também, espaçadamente, e através de alusões dispersas e equívocas, de outro aspecto do seu estado mental. Ele estava acorrentado a certas impressões supersticiosas a respeito da habitação de que era senhor, e de onde, há muitos anos, nunca se aventurara a sair­a respeito de uma influência cuja suposta força era transmitida em termos demasiados obscuros para serem aqui repetidos ­ uma influência que algumas particularidades na simples forma e substância da mansão da família tinham, por força de longo sofrimento, disse, ele conseguido exercer sobre seu espírito­ um efeito, que a physique das paredes cinzentas e dos torrões e do lago sombrio para o qual todos davam, tinha, por fim, produzido o moral da sua existência. (BITTENCOURT, 2006).

Na passagem acima, Bittencourt disserta sobre a condição mental de Roderick Usher. Um homem que, segundo ela, era prisioneiro de suas próprias superstições e também da casa onde era dono e de onde jamais saíra. Assim é possível perceber mais uma vez a influência da casa sobre os seus habitantes. A sua soberania e poder na estória. Poder este que a torna tão importante, tão personagem quanto os próprios representantes da família Usher. Através deste trecho do conto pode­se comprovar esta firmação:

An influence which some peculiarities in the mere form and substance of his family mansion had, by dint of long sufferance, he said, obtained over his spirit­ an effect which the physique of the grey walls and turrets, and of the dim tarn into which they all looked down, had, at length, brought about upon the morale of his existence. (POE, 1994, p. 82).

Bittencourt (2006) afirma que, com o enterro de Lady Madeleine, começa a sequência de eventos que conduzirá ao desmoronamento da Casa de Usher em diferentes sentidos: o fim da família e a queda da casa em si, que, alegoricamente falando, desmoronam após os habitantes da casa chegarem aos limites da razão. Assim é possível analisar que, na visão da autora, o fato de os moradores chegarem aos limites da razão é que provoca a queda da casa, evidenciando assim a relação de dependência que há entre os Ushers e a mansão. Sem deixar de citar que as sequências de acontecimentos que culmina com a queda da casa começa após o enterro de Madeline.

Ao longo deste capítulo, foi possível analisar a relação existente entre a casa dos Ushers e a própria família. Viu­se que casa e família estão unidas por laços indissolúveis que não podem se desfazer nem mesmo na morte. Neste conto de Poe, pode­se dizer que a casa é elemento fundamental para os fatos que ocorrem dentro da estória. A mansão Usher age e domina seus moradores durante todo o conto, podendo assim ser considerada como uma outra personagem dentro do próprio conto. Levando­se em conta a sua influência sobre os irmãos Ushers, a sua atuação dentro do conto, o título da obra é possível dizer que ela é a personagem principal na estória. Os irmãos gêmeos e a casa onde vivem são considerados uma única entidade.

Ainda se faz importante falar sobre Poe e seu trabalho evidenciando elementos adotados por ele para escrever este e outros contos. Segundo Taylor:

No manuseio do conto curto, Poe operou importantes modificações. É bem verdade que ele conservou alguns dos defeitos da escola gótica, inclusive um estilo opulento demais. Dentre os personagens de Poe surge um singular e múltiplo retrato: retrato de um jovem de família antiga e ilustre, porém decadente, cínico e misantropo e com traços de loucura hereditária. (TAYLOR, 1967, p.272).

Observando Taylor é possível identificar tais traços de decadência e loucura nos descendentes da família Usher. Roderick Usher é um homem perturbado e doente, de mente e nervos fracos, um verdadeiro fantasma vagando pela mansão da qual é mestre. Um homem de família rica e antiga que se vê às voltas de um colapso mental. Sua irmã Madeline também possui uma doença estranha e misteriosa que faz dela um legítimo zumbi, uma morta­ viva.

Ao longo deste capítulo, pôde­se comprovar que a mansão Usher e a família Usher estavam realmente ligadas uma a outra. E essa profunda identificação acabou levando ambas à ruína. A mansão sofre junto com os seus moradores. Pode­se dizer até que ela é capaz de sentir suas dores, seus males, sua decadência. A família Usher, representada pelos dois irmãos gêmeos Roderick e Madeline, não se encontra bem fisicamente porque os dois irmãos sofrem de estranhas enfermidades e também sofrem psicologicamente. Dessa forma, a casa, que é parte deles, também sofre. Entende­se que a ruína da casa é causada pela morte dos irmãos. Depois que eles morrem, a casa literalmente cai dentro do lago ao redor dela e leva para sempre os últimos representantes da família Usher.

6. CONSIDERAÇÕES FINAIS

O objetivo deste trabalho foi analisar o conto de Edgar Allan Poe na perspectiva da casa dos Ushers, apropriando­se de conceitos utilizados pela literatura. Esta pesquisa foi possível graças aos teóricos como Bachelard, que contribuíram irrefutavelmente para o entendimento sobre a simbologia da casa. O fato de o próprio Poe elucidar tanto a importância da casa no seu conto A Queda da Casa de Usher, como uma força poderosa, capaz de influenciar as personagens e a sua profunda e estranha relação com a família, fez com que a casa e o ambiente onde se vive também fossem analisados e interpretados dentro do conto e na literatura em geral, por autores como Gaston Bachelard, Gilberto Defina, Massaud Moisés, René Wellek e Austin Warren e outros que analisam esses elementos como agentes modeladores e dominadores dentro da estória.

Uma das verdades observadas ao longo do trabalho é que a casa no conto de Poe pode ser vista como uma personagem. Uma personagem que tem o poder de manipulação dentro do conto. Pode­se, portanto, ser entendida tanto como uma protagonista da estória como também o ambiente no qual a mesma estória se desenvolve.

No primeiro capítulo, dissertou­se sobre a simbologia da casa na literatura em geral. Não só a casa, mas também o ambiente, o cenário, o espaço que é o lugar onde se desenvolve a estória, onde ela acontece. Percebeu­se neste capítulo que a casa representa muito mais do que o local onde se reside. Ela representa o ser interior, o seu habitante. Viu­se também que a casa representa proteção, abrigo, aconchego. Ela é interpretada como uma espécie de mãe zelosa e acolhedora. Para autores como Gastón Bachelard, “A casa é um corpo de imagens que dão ao homem razões ou ilusões de estabilidade”. (BACHELARD, 1997, p.26)

Ainda no capítulo, falou­se também sobre a influência do ambiente sobre as personagens, servindo como moldura para suas próprias personalidades. Walter Fuller Taylor diz: “The Fall of the house of Usher, conto da decadência mental que num ambiente nu, no meio de uma solidão completa, ataca as mentes de Roderick e Madeline Usher.” (TAYLOR, 1967, p.120­121).

No segundo capítulo, analisou­se a figuração da casa no conto sob a ótica do próprio Poe, que afirma em seu conto que para as pessoas da cidade a casa de Usher significa não só a casa e terra, mas também a família. Autores como Hening Conhem acreditam que a casa, uma vez uma estrutura e um símbolo da família Usher, é representada em termos que profetizam o resultado terrível do conto. Esse autor, assim como os outros, afirmam que a forte relação existente entre a casa e a família leva as duas à ruína.

A rachadura que existe na casa foi analisada como sendo uma falha na relação entre os dois irmãos. O relacionamento deles se torna difícil. Madeleine, irmã de Roderick possui uma doença estranha que a torna uma morta­viva e esse fato perturba tanto Roderick, que ele se encontra com os nervos abalados. O fato de Roderick enterrar a irmã viva dentro da casa em uma crise de Catalepsia, doença em que os nervos de pessoa se enrijecem como se ela estivesse realmente morta, é motivo crucial para o terrível fim da família Usher.

Neste capítulo, analisou­se ainda o fantástico e se ele foi percebido no conto. Todorov diz que o elemento fantástico não se faz presente neste conto. Para ele este conto de Poe ilustra o estranho próximo ao fantástico, porque os fatos ocorridos nele podiam ser explicados. E o fantástico, como elucida Samuel Rogel, trabalha a partir da noção de realidade tomada como hipótese falsa, a que dá uma aura de incerteza e de que se tem nenhuma explicação satisfatória.

E por fim, no terceiro capítulo deste trabalho monográfico, interpretou­se a casa de Usher e a família. Neste capítulo, percebeu­se que a estreita e íntima relação que há entre a casa e a família acabou levando­as à ruína.

Assim como a casa, as personagens se encontram em decadência. Roderick é um homem mentalmente perturbado que, assim como a casa, possui uma aparência sombria e melancólica. Madeline Usher é uma morta­viva que devido a sua doença, vaga pela casa como um fantasma. Poucas vezes foi vista. Com tanta morbidez e loucura envolvendo as personagens, o destino dos mesmos não poderia ser outro que não a morte e o destino da mansão só poderia ser mesmo a ruína.

7. Referências

ANSPACH, Silvia Simone. Poe’s Pictoric Writing. Estudos Anglo­Americanos, Rio de Janeiro, n.9­11, p.19­24. 1987.

BACHELARD, Gastón. A Poética do Espaço. Tradução Antônio de Pádua Danesi. São Paulo: Martins Fontes, 2005.

BACHELARD, Gastón. A Água e os sonhos: ensaio sobre a imaginação da matéria. Tradução Antônio de Pádua Danesi. São Paulo: Martins Fontes, 2002.

BITTENCOURT, Ana Paula Sloboda. A Queda da casa de Usher: Observações Complementares sobre a Ambientação. Disponível em HTTP://www.anica,com.br/w content/a­ambientação­em­a­scara­da­morte­rubra­de­ea­poe.pdf. Acesso em 15 de Abril de 2009.

CHEVALIER, Jean: BRANT; GHEER, Alain. Dicionário de Símbolos. 11°. ed. José Olympio, 1997.

COELHO, Nelly Novaes. O Ensino da Literatura comunicação e expressão. 3/. Ed. Rio de Janeiro: 1974.

CONHEN, Hening. Landmarks of American Writing. Washington: Voices of America forum series, 1979.

COUTINHO, Cãndida Vilares. Como Analisar Narrativas. 2°. Ed. São Paulo: Ática, série Princípios, 1997.

DEFINA, Gilberto. Teoria e Prática de Análise Literária. São Paulo: Pioneira, 1975. DIMAS, Antônio. Espaço e Romance. 2°. Ed. São Paulo: ÁTICA, Série Princípios, 1993. FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Mini Aurélio Século XXI Escolar: O Minidicionário da Língua Portuguesa. 4°. Ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2001.

FILHO, Domício Proença. A Linguagem Literária. 6°. ed. São Paulo: Ática, Série Princípios, 1997.

GONÇALO, Fabiana. O Universo Imagético de Edgar Allan Poe, através da estética concreta de Gaston Bachelard. Disponível em < HTTP;// WWW. Webartigos.com/ articles/10195/1/ a­ crítica­literária­contemporanea/página 1. html>. Acesso em 20 de Maio de 2008.

GUERIN, Wilfred l: LABOR, Earle G: MORGAN, Lee. Abordagens Crítica à Literatura. Rio de Janeiro: Lidador, 1972.

HIGH, Peter B. An outline of American Literature, London and New York: Longman, 1997.

MOISÉS, Massaud. A Análise Literária. 13°. ed. São Paulo: Cultrix, 2002.

NABUCO, Carolina. Retrato dos Estados Unidos à luz de sua Literatura. Rio de Janeiro: José Olympio, 1967.

POE, Edgar Allan. Mystery and Imagination. Longman.

POE, Edgar Allan. Selected Tales. London: Penguin Popular Classics, 1994. SAMUEL, Rogel. Manual de Teoria Literária. 14°. Ed. Petrópolis: Vozes, 2001. TAYLOR, Walter Fuller. A história das Letras Americanas. Fundo de Cultura, 1967.

TODOROV, Tzvetan. As Estruturas Narrativas. Tradução de Leyla Perrone­Moisés. 14°. ed. São Paulo: Perspectiva, 2006.

TODOROV, Tzvetan. Introdução à Literatura Fantástica. 3°. ed. São Paulo: Perspectiva, 1975.

WELLEK, René; WARREN, Austin. Teoria da literatura. 3°. ed. Biblioteca Universitária, 1976.


Publicado por: Celya Jane

PUBLICIDADE
  • SIGA O BRASIL ESCOLA
Monografias Brasil Escola