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TIC E LIVRO DIDÁTICO NO ENSINO-APRENDIZADO DE LÍNGUA ESTRANGEIRA

Educação

Processo de ensino-aprendizagem de uma Língua Estrangeira e das principais abordagens de ensino, a relação entre as tecnologias da informação e a escola e a importância do uso do livro didático mesmo que a escola seja equipada com diversos tipos de tecnologia.

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1. RESUMO

Este trabalho se insere no âmbito de formação de professores de Língua Estrangeira, delimitando-se a mostrar aos educadores que o uso das diversas mídias digitais na escola, também conhecidas como TIC, em conjunto com o uso do livro didático, torna-se a chave para que, por meio do sociointeracionismo, ocorra um processo de ensino-aprendizagem eficiente e bastante significativo tanto para o professor quanto para o aluno. Os objetivos são indicar e propor meios de inserção dessas TIC em sala de aula de modo simples e eficaz, visto que muitos docentes não as inserem em suas aulas devido à falta de conhecimento e manuseio das mesmas ou por falta de aparelhos eletrônicos e dificuldade de acesso à internet na própria instituição de ensino. A análise foi feita por meio de pesquisa bibliográfica em livros de autores de diversas áreas da educação e nas apostilas de Língua Inglesa da Prefeitura de Taubaté e do Estado de São Paulo. A conclusão é que há diversas formas de inserir as TIC nas aulas de Língua Inglesa e de trabalhá-las em parceria com o livro ou apostila. Além disso, ainda que a escola não tenha acesso a nenhum aparelho eletrônico, cabe ao professor promover a interação entre os alunos para que o ensino-aprendizado ocorra de forma mais eficiente.

PALAVRAS-CHAVE: TIC. Língua Inglesa. Sociointeracionismo.

2. INTRODUÇÃO

A escola não atrai mais os estudantes, pois se o mesmo se encontra no século atual, pensa e utiliza-se de toda a tecnologia presente no seu dia a dia, a maioria das instituições de ensino básico parece que ainda são arcaicas em relação a seus métodos de ensino, valores, materiais didáticos e recursos tecnológicos, como se ainda residissem no século XIX. Para que a escola se modernize, é necessária uma nova prática de ensino na qual realmente haja uma preparação do aluno não apenas para o mercado de trabalho, mas também para a vida em toda sua complexidade. Segundo Rojo (2013), “Há uma preocupação de que a juventude que está na escola pública está muito ligada nas mídias em geral, seja ela de massa ou sejam as digitais e a escola se mantém ignorando essas mídias desde os impressos do séc. 19.”

Cortella (2014) diz que a passagem de uma geração para outra pode variar de 20 a 25 anos ou, talvez, até menos. Estamos na geração de alunos Y e Z, cujos professores, em sua maioria, pertencem à geração X. Não fosse pelo boom tecnológico ocorrido na virada do século, os conflitos gerados na escola - especialmente dentro da sala de aula - entre geração X e Y/Z não seriam tão graves. Rojo (2013) refere-se a isso dizendo:

Essa geração que eu chamo de Z, que vem depois da Y e tudo mais, que está aprendendo interativamente com o tablet, com o celular e não necessariamente na escola, que cria um problema maior ainda para a escola.

Com relação ao uso didático de apostilas, parece que, há décadas, inúmeros docentes vêm utilizando-se desses materiais como uma espécie de “bíblia” a ser seguida rigorosamente. De acordo com Cortella (2014), atualmente há uma crença tão grande na internet quanto a que o livro didático já teve. Por isso, é necessário que ocorra uma leitura crítica de ambas as fontes ainda na formação docente.

Após iniciar a carreira docente lecionando tanto Língua Inglesa quanto Informática, percebeu-se a oportunidade de criar projetos e aulas de Inglês envolvendo o uso do computador, de jogos online e offline, dos aparelhos de rádio e de TV, do retroprojetor, do celular, etc. Tudo isso sem abdicar do uso do livro didático, valorizando sua importância no contexto escolar.

Esta monografia foi feita por meio de pesquisa bibliográfica e se insere no âmbito de formação de professores de Língua Estrangeira, delimitando-se a mostrar aos educadores que o uso das diversas mídias digitais na escola, também conhecidas como TIC, em conjunto com o uso do livro didático, torna-se a chave para que, por meio do sociointeracionismo, ocorra um processo de ensino-aprendizagem eficiente e bastante significativo tanto para o professor quanto para o aluno. Objetiva-se indicar e propor meios de inserção dessas TIC em sala de aula de modo simples e eficaz, visto que muitos docentes não as inserem em suas aulas devido à falta de conhecimento e manuseio das mesmas ou por falta de aparelhos eletrônicos e dificuldade de acesso à internet na própria instituição de ensino. Na visão de Miranda, (2007, p.44), “Vários estudos têm revelado que a maioria dos professores considera que os dois principais obstáculos ao uso das tecnologias nas práticas pedagógicas são a falta de recursos e de formação.”

Esta monografia está dividida em 3 capítulos. No primeiro capítulo, expõem-se, de acordo com autores das áreas de Educação e do Ensino de Língua Estrangeira, informações acerca de como ocorre o processo de ensino-aprendizagem de uma Língua Estrangeira e das principais abordagens de ensino. No segundo capítulo, discorre-se a respeito da relação entre as tecnologias da informação e a escola. No terceiro, explica-se a importância do uso do livro didático mesmo que a escola seja equipada com diversos tipos de tecnologia.

3. CAPÍTULO 1 - O PROCESSO DE ENSINO-APRENDIZAGEM DE UMA LÍNGUA ESTRANGEIRA

Nesse capítulo, explica-se o processo de ensino-aprendizagem por meio da das três principais teorias de ensino: Behaviorismo, Construtivismo e Sociointeracionismo.

3.1 O processo de ensino-aprendizagem

Desde o seu início até a atualidade, o processo de ensino-aprendizagem sofreu inúmeras mudanças. Se antes o professor era visto como transmissor de todo o conhecimento e o aluno como depósito, hoje tem como propósito a participação do próprio aluno nesse processo. O professor deve ser visto como mediador do conhecimento e não como detentor. Assim sendo, para Brown (2000, p.4) o docente tem o papel de unir fragmentos de informação, adquiridos tanto do mundo externo ao estudante, quanto de seu conhecimento de mundo e, portanto, conscientizar-se do processo de aprendizagem de uma Língua Estrangeira.

Esse aprendizado também pode ser considerado uma tarefa longa e complexa na qual o indivíduo é totalmente afetado quando precisa buscar em sua língua materna elementos que o levem a compreensão desse novo idioma e cultura. Segundo o mesmo autor. Para ele (ibidem, p.2 e 4), conhecer os alunos, suas origens, níveis socioeconômicos, bem como de educação, capacidade cognitiva, personalidade, propósitos e etc. são indispensáveis ao docente e podem ter conexão com o sucesso profissional e com a concretização do sonho de imaginar-se em uma cultura completamente diferente da sua, por exemplo. Para que ocorra efetivamente o processo de ensino-aprendizagem, tal reconhecimento torna-se fundamental.

3.2 Principais Teorias de Ensino

Existem diversas teorias de ensino. Adiante, seguem as três principais vertentes teóricas envolvidas no processo de aquisição de novos conhecimentos. A teoria sociointeracionista recebe mais atenção devido ao tema dessa pesquisa.

3.2.1 O Behaviorismo

A palavra behaviour, que em inglês significa comportamento. O Behaviorismo estuda o comportamento animal e humano, e afirma que a conduta dos indivíduos é observável, mensurável e controlável. Essa teoria surgiu depois da publicação do artigo “Psicologia vista por um Behaviorista”, do psicólogo estadunidense Jhon Broadus Watson (1878-1958). Para o psicólogo, a psicologia tem como objetivo prever e controlar o comportamento animal, seja ele humano ou não. Watson, ao basear-se nos estudos de Pavlov (1849-1936) sobre o condicionamento clássico, acreditava que o meio é de suma importância e influência no desenvolvimento do indivíduo (INFOESCOLA, 2016). No entanto, a teoria behaviorista e seus respectivos princípios foram criados pelo seu principal representante, o psicólogo Burruhs Skinner.

Para Skinner (1904-1990), a aprendizagem concentra-se na capacidade de estimular ou reprimir comportamentos, sejam eles desejáveis ou não. O comportamento das pessoas é condicionado por meio de reforços positivos, também chamados de estímulo ou recompensa, e de negativos, denominados consequência. Na sala de aula, a repetição mecânica é estimulada porque leva à memorização e, consequentemente, ao aprendizado. Moreira (1985) diz que as ações e comportamentos seguidos de um reforço agradável, em consequência a uma ação anterior, tem probabilidade de se repetir.

Nas palavras de Mizukami (1986, p.20), na abordagem comportamentalista “O conteúdo transmitido visa objetivos e habilidades que levem à competência. O aluno é considerado como um recipiente de informações e reflexões.” Isso mostra que o professor, dentro dessa abordagem, é um controlador e detentor do conhecimento a ser depositado no aluno e é visto como um planejador e controlador do comportamento desses indivíduos com o intuito de que atinjam alto nível de desempenho escolar.

Não é necessário a ela oferecer condições ao sujeito para que ele explore o conhecimento, explore o ambiente, invente e descubra. Ela procura direcionar o comportamento humano às finalidades de caráter social, o que é condição para sua sobrevivência como agência. (MIZUKAMI, 1986, p.20)

A escola, então, passa a ensinar e conservar os comportamentos desejáveis para a sociedade porque está ligada às agências controladoras (governo, política, economia etc.) e, por isso, deve nos educar formalmente.

3.2.2 O Construtivismo

O construtivismo parte dos estudos sobre Epistemologia Genética (estudo do aumento do conhecimento) do famoso biólogo Jean Piaget (1896-1980), o qual estudou - a partir da observação - as fases de desenvolvimento intelectual da criança. Sendo elas divididas em quatro estágios:

  1. Sensório-motor: 0 a 2 anos

  2. Pré-operatório: 2 a 7 anos

  3. Operações concretas: 7 a 11 ou 12 anos

  4. Operações formais: 11 ou 12 anos em diante

Parte do princípio de que o conhecimento humano é adquirido de forma gradual e tem conexão com o meio em que o indivíduo está inserido, sendo que primeiro a criança aprende a reconhecer formas e objetos, depois aprende a falar e a organizar ideias e pensamentos e, posteriormente a dominar a linguagem que usa.

A pesquisa do biólogo suíço baseou-se no entendimento de como a inteligência humana tende a aumentar por etapas sucessivas, pois o sujeito passa de um conhecimento menor para um conhecimento maior ao longo dos anos e quanto mais seu intelecto é desenvolvido, mais se adapta ao meio em que vive. Por isso, ela acontece por meio de fases de acordo com a idade da criança, até chegar a maturação intelectual, que acontece na adolescência, por volta dos 12 anos.

3.2.3 O Sociointeracionismo

O sociointeracionismo, também conhecido como socioconstrutivismo, é uma abordagem de ensino-aprendizagem desenvolvida pelo psicólogo russo Lev Vygotsky no início do século XX baseada nos estudos de epistemologia genética de Jean Piaget. Para Vygotsky, a construção do conhecimento leva em conta a natureza humana e passa a ser compreendida quando leva-se em conta o meio sociocultural em que o indivíduo está inserido, pois desde o nascimento a criança está cercada de linguagens, gestos, hábitos e tradições que influenciam em seu desenvolvimento, e, assim, aprendem a observar, imitar e interagir com as pessoas que as cercam. Consequentemente, a linguagem torna-se a maior fonte de interação entre os indivíduos.

O desenvolvimento e aprendizagem são processos interligados e simultâneos, segundo o psicólogo, que classificou o desenvolvimento em três zonas: potencial, real e proximal.

  1. Zona de desenvolvimento potencial: abrange o conhecimento que o indivíduo é capaz de adquirir sob a orientação de outro mais experiente.

  2. Zona de desenvolvimento real: abrange o conhecimento que o indivíduo é capaz de adquirir de forma independente.

  3. Zona de desenvolvimento proximal: abrange a distância entre o conhecimento que o indivíduo já adquiriu e o que pode vir a adquirir com o auxílio de outros.

Portanto, o desenvolvimento real do indivíduo, seja na infância ou na fase adulta, só ocorre após o potencial. Além disso, o conhecimento só ocorre quando há troca de informações do indivíduo durante o processo de interação com o meio e com o outro por meio da linguagem. Se o indivíduo não sofrer estímulos do meio em que vive, não se desenvolverá. Por isso, o papel do professor e da escola é aliar e valorizar todo o conhecimento que o aluno já possui, seja ele científico ou não, aos que ele ainda vai adquirir.

O papel do professor e do aluno no sociointeracionismo

O educador socionteracionista é um mediador do conhecimento. Cabe a ele reconhecer as capacidades de cada estudante e, assim, incentivá-lo por meio das relações aluno-aluno e aluno-professor a desenvolver-se e tornar-se intelectualmente autônomo. Reconhecer-se como mediador desse conhecimento e não como detentor do mesmo também faz parte desse processo, permitindo ao aluno uma participação ativa durante as aulas, levantando dúvidas, propondo atividades, etc.

Todavia, no que se refere ao aluno, cabe a ele compreender que o professor e a escola não são as únicas fontes de conhecimento. É por isso que, na escola socionteracionista, incentiva-se a interação aluno-aluno, o uso das diversas mídias digitais e de jogos ou brincadeiras.

Rojo (2013) afirma que,

Cope e Kalantzis (2007) avaliam que as instituições escolares continuam mantendo a tradição de assimilar de maneira incompleta aquilo que lhes poderia oferecer vantagens em termos pedagógicos. Consideram que os professores devem extrapolar essa restrição, tornando-se também produtores de conhecimento a partir dessas novas ferramentas e dispositivos digitais, compartilhando com seus alunos essas novas formas de construção colaborativa, levando-os a se tornarem produtores e não apenas consumidores de conhecimento.
Os autores sugerem, frente às novas formas de aprendizagem e, consequentemente, novas possibilidades de ensino contemporâneas, que se busque formular uma pedagogia para os multiletramentos, levando em conta ações pedagógicas específicas, que valorizem todas as formas de linguagem (verbal e não verbal), cujo foco deve ser o aprendiz, que passa a ser o protagonista nesse processo dinâmico de transformação e de produção de conhecimento e não mais um simples reprodutor de saberes. (p. 138)

Os Parâmetros Curriculares Nacionais de Língua Estrangeira dizem que o educador deve dar voz ao aluno para que o mesmo também participe de sua aprendizagem e ocorra a interação, como elucida o seguinte trecho:

[...] os processos cognitivos têm uma natureza social, sendo gerados por meio da interação entre um aluno e um parceiro mais competente. Em sala de aula, esta interação tem, em geral, caráter assimétrico, o que coloca dificuldades específicas para a construção do conhecimento. Daí a importância de o professor aprender a compartilhar seu poder e dar voz ao aluno de modo que este possa se constituir como sujeito do discurso e, portanto, da aprendizagem. (Brasil, 1998, p. 15)

Se, para Paulo Freire (1968), a educação e a alfabetização têm como objetivo aprender a escrever sua própria história, a conscientizá-lo sobre a cultura dominante e da opressão que sofre, o papel do professor, então, deve ser de garantir que essa conscientização ocorra. Para Mizukami (1986), “O professor procurará criar condições para que, juntamente com os alunos, a consciência ingênua seja superada e que estes possam perceber as contradições da sociedade e grupos em que vivem.” A transmissão de conhecimento não deve ser uma imposição e sim uma troca horizontal entre educador e educando.
Observa-se claramente essa relação na afirmação de Mizukami:

A socialização implica criação de condições que possibilitem a superação da coação dos adultos sobre o comportamento das crianças. O sistema escolar, por sua vez, deveria possibilitar a autonomia, circunstância necessária para que os alunos pratiquem e vivam a democracia. A atividade em grupo deveria ser implementada e incentivada, pois a própria atividade grupal tem um aspecto integrador, visto que cada membro apresenta uma faceta da realidade. (MIZUKAMI, 1986, p. 71)

Em virtude disso, o aluno participa do processo em conjunto com o professor e com os colegas. Nessa abordagem, valoriza-se o diálogo, os questionamentos, os debates, os trabalhos em grupo, a cooperação e a reflexão da prática pedagógica. A educação passa a ser também um ato político de dar voz ao indivíduo oprimido para que ele possa praticar sua liberdade, passando a ter papel ativo durante as aulas, protagonizando, agora, a construção de sua própria educação.

Tabela 1 - As principais teorias de ensino

BEHAVIORISMO
(1930)

CONSTRUTIVISMO
(1950)

SOCIOINTERACIONISMO
(1980)

Aprendizagem por meio da memorização e repetição

Aprendizagem por meio da percepção, compreensão do mundo e construção de significados

Aprendizagem por meio da interação com o outro (professor-aluno ou aluno-aluno), compreensão do mundo, construção de significados

Transmissão de conhecimento fatual ou conceitual

Quatro estágios do desenvolvimento cognitivo

Aquilo que o aluno realiza deve ser observado por outros

O professor determina a velocidade e a forma de construção do conhecimento para o aluno

O professor favorece a descoberta individual

O professor incentiva a convivência e a troca de informações e de conhecimento que deve ser compartilhado

Aluno aprende quando seu comportamento muda

O aluno constrói seus conhecimentos individualmente

O aluno vê o saber como algo construído pelo grupo

A estratégia é do estímulo para a resposta

A estratégia é favorecer a descoberta individual

A estratégia é a interação do indivíduo com o meio externo

4. CAPÍTULO 2 - AS TECNOLOGIAS DA INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO E A ESCOLA

Nesse capítulo, abordam-se as relações da escola com a tecnologia, bem como a sua importância dentro e fora da escola.

4.1 As TIC e a escola

De acordo com Miranda (2007), o termo Tecnologias da Comunicação e Informação (TIC) significa a junção das tecnologias telecomunicativas com a informática e principalmente com a internet (World Wide Web) de maneira ampla. E, quando as TIC são utilizadas para fins educativos com o objetivo de apoiar o processo de ensino-aprendizagem, denominam-se Tecnologias Educativas.

As escolas brasileiras, atualmente, no que se refere ao ensino privado, são locais privilegiados com posse de aparelhos de TV, rádio, retroprojetor, computador e etc. Já em relação às de ensino público, algumas possuem esses aparelhos e laboratórios de informática com acesso à internet, outras não. No entanto, no passado a realidade era bem diferente e o uso das mídias digitais se resumia a algum filme infantil ou de cunho humorístico passado no aparelho de VHS ou DVD e televisor. Porém, ainda hoje é pequeno o número de educadores que utilizam as TIC como ferramenta socioeducativa.

Para Miranda,

A integração inovadora das tecnologias exige um esforço de reflexão e de modificação de concepções e práticas de ensino, que grande parte dos professores não está disponível para fazer. Alterar estes aspectos não é tarefa fácil, pois é necessário esforço, persistência e empenhamento. (MIRANDA, 2007, p. 44)

Muitos professores parecem continuar passando filmes não educativos nas aulas em que precisam fechar notas bimestrais, quando outro educador falta ou como válvula de escape para aqueles dias em que está cansado ou que não preparou a aula. Os alunos passaram a encarar os filmes como uma maneira de os professores os manterem quietos sem terem que passar exercícios ou darem explicação sobre alguma disciplina. É preciso desconstruir essa imagem negativa do uso das mídias digitais na escola.

Na opinião de Miranda,

Os efeitos positivos só se verificam quando os professores acreditam e se empenham de “corpo e alma” na sua aprendizagem e domínio e desenvolvem atividades desafiadoras e criativas, que explorem ao máximo as possibilidades oferecidas pelas tecnologias. (MIRANDA, 2007, p. 44)

Os estudantes das gerações Y e Z interessam-se pela tecnologia e fazem o uso diário dela desde crianças. Estes são chamados de “nativos digitais”. O segredo para atrair os jovens é descobrir o que o atrai e fazer uso disso em sala de aula, segundo Cortella (2014), “A frase mais óbvia em Educação é: ‘Ninguém deixa de se interessar por aquilo que interessa’. Vale insistir no paradigma: é preciso saber quais são os campos de interesse dos nossos grupos de estudantes.”

Cortella (2014) diz ainda que o docente não consegue, durante a aula, vigiar ou bloquear, por exemplo, o uso do celular, pois o mesmo pode estar no colo do aluno ou dentro de um livro e, portanto, ao invés de dificultar esse uso, o professor deve tentar inserir o aparelho dando uma aula que o envolva e faça sentido para a vida desse estudante. Assim, ele não a trocará por uma distração.

Os alunos gostam e têm facilidade para utilizar os diversos tipos de tecnologia. Todavia, isso não significa que não caiba a escola também ensiná-los a usá-las de outras formas e para outros fins além dos que eles já estão habituados. É papel do educador direcioná-los para que isso ocorra de maneira correta e coerente.

Nas palavras de Perrenoud,

Se fosse preciso iniciar seriamente os alunos na informática, o caminho mais interessante seria inseri-la completamente nas diversas atividades intelectuais cujo domínio é visado, particularmente cada vez que as TIC liberam das tarefas longas e fastidiosas que desestimulam os alunos, tornando mais visíveis os procedimentos de tratamento ou as estruturas conceituais, ou permitindo que os alunos cooperem e compartilhem os recursos. (2000, p. 129)

Já para Cortella,

(...) a informação disponível que antes ficava armazenada numa biblioteca, por exemplo, hoje pode ser acessada em poucos cliques. Mas informação disponível não significa necessariamente informação qualificada. Essa relação com a informação e com o conhecimento é outro paradigma no horizonte do educador do século XXI. (2014, p. 63)

Nem sempre o problema do desuso das tecnologias socioeducativas encontra-se somente na escassez de equipamentos tecnológicos, mas, sim, muito frequentemente, na péssima conservação dos mesmos, bem como na não conexão ou – ainda que existente - muito lenta com a internet, o que impossibilita a realização de atividades online ou o simples ato de assistir a um vídeo sem que o mesmo trave. Além das falhas de conexão e conservação, também há a falta de capacitação dos professores para lidar com esses aparelhos.

É de fundamental importância que o professor tenha conhecimento sobre as possibilidades dos recursos tecnológicos, para poder utilizá-los como instrumentos para a aprendizagem. No entanto, isso não significa que o professor deva se tornar um especialista, mas é necessário conhecer as potencialidades das ferramentas e saber utilizá-las para aperfeiçoar a prática da sala de aula. A formação dos professores é alicerce fundamental para a melhoria da qualidade de ensino. É preciso que o professor compreenda as transformações que estão ocorrendo no mundo e a necessidade da escola acompanhar esses processos. (MARQUES; CAETANO, 2002, p.136-137)

Com o acesso às tecnologias o aluno tornou-se mais crítico e participativo em relação ao que aprende em sala de aula. Crítico porque recebe e busca informações de outros meios além dos muros da escola e participativo porque não se encaixa mais no perfil de aluno que não questiona e participa, ou seja, que não tem voz.

Como elucida Perrenoud,

Trata-se de passar de uma escola centrada no ensino (suas finalidades, seu conteúdo, sua avaliação, seu planejamento, sua operacionalização, sob a forma de aulas e de exercícios) a uma escola centrada não no aluno, mas nas aprendizagens. O ofício de professor redefine-se: mais do que ensinar, trata-se de fazer aprender. Pode-se ironizar e dizer que essa mudança de paradigma trilha um caminho já percorrido. Ensinar não é o objetivo de todos? A questão correta é, então, aquela de Saint-Onge (1996): “Eu ensino, mas eles aprendem?”. As novas tecnologias podem reforçar a contribuição dos trabalhos didáticos e pedagógicos contemporâneos, pois permitem que sejam criadas situações de aprendizagem ricas, complexas, diversificadas, por meio de uma divisão de trabalho que não se faz mais com que todo o investimento repouse sobre o professor, uma vez que tanto a informação quanto a dimensão interativa são assumidas pelos produtores de instrumentos.
A verdadeira incógnita é saber se os professores irão apossar-se das tecnologias como um auxílio ao ensino, para dar aulas cada vez mais bem ilustradas por apresentações multimídia, ou para mudar de paradigma e concentrar-se na criação, na gestão e na regulação de situações de aprendizagem. (PERRENOUD, 2000, p. 139)

Marques e Caetano abordam esse tema dizendo que:

A utilização da informática educativa altera a rotina da escola e os métodos de organizações dos trabalhos. Poderá reforçar as formas tradicionais de ensino, centrado no professor, e alunos e professores poderão viver num processo de comunicação aberto com participações pessoais e grupais. (p.133)

Além disso, a escola tem como papel fundamental preparar o aluno para a vida como trabalhador e cidadão. Partindo do pressuposto de que vivemos na era tecnológica, cabe refletir sobre algumas questões: Como o estudante sairá do Ensino Básico preparado para o mercado de trabalho se este ensino não envolver o uso das habilidades tecnológicas? Segundo Pinto (2004),

A escola, enquanto instituição social, é convocada a atender de modo satisfatório as exigências da modernidade. Se estamos presenciando estas inovações da tecnologia é de fundamental importância que a escola aprenda os conhecimentos referentes a elas para poder repassá-los a sua clientela. (p.2)

Para Marques e Caetano (2002),

[...] podemos perceber que os pais já estão preocupados com esta informatização e querem que seus filhos estejam preparados para sua vida profissional e social, pois a nossa sociedade permite e exige novas formas de experiências que requerem novos tipos de habilidades ou competências, o que leva várias famílias a procurarem escolas que adotem computadores no processo de ensino. Assim todos nós necessitamos trabalhar com os mais atuais meios de informação tecnológica, para que estejamos sempre bem informados, podendo melhor participar dessa nossa sociedade competitiva e que exige cada vez mais um profissional altamente qualificado e que possa dominar as novas tecnologias corretamente e sem receio. Então, se a informação é tão importante, vamos providenciar para que o aluno, cada vez mais, alcance um maior número de informações. (p. 131)

Quando se trata de alunos da rede particular de ensino, a grande maioria já utiliza o próprio tablet, smartphone e notebook em casa, ou seja, além de ter acesso a informática na escola, o estudante também está em contato com a tecnologia estando conectado durante boa parte do dia. Pretto assume que “em sociedades com desigualdades sociais como a brasileira, a escola deve passar a ter, também, a função de facilitar o acesso das comunidades carentes às novas tecnologias” (Pretto, 1999, p. 104).

Segundo Rojo (2013),

Diante das crescentes mudanças na sociedade atual (sejam as que ocorrem na esfera do trabalho, das relações interpessoais ou das novas possibilidades de participação e exercício da cidadania), motivadas pela maneiras como a informação passou a circular através das novas tecnologias, fica clara a iminente necessidade de mudar a maneira de aprender e de ensinar em esfera escolar. Já há uma preocupação por parte do poder público em incluir as escolas nos circuitos das tecnologias digitais. Entretanto, para que isso ocorra, de maneira produtiva e eficiente, de modo a representar mais do que apenas uma transição de livros impressos para livros digitais em formato PDF, é preciso fornecer às escolas, aos alunos e aos professores, mais do que somente um dispositivo como tablet. É preciso capacitar ambos, estudantes e mestres, para que possam usufruir ao máximo das possibilidades de aprendizagem colaborativa e interativa proporcionada por esses dispositivos digitais, assim como elaborar materiais compatíveis com suas propiciações ou possibilidades. (p. 207)

Isso significa que um dos objetivos sociais da educação é diminuir a desigualdade social. Numa escola pública, por exemplo, o acesso à internet e ao uso da informática pode proporcionar aos alunos a diminuição dessa desigualdade.

Ainda assim, Marques e Caetano (2002) ressaltam que o uso das tecnologias em sala de aula deve contribuir para um melhor rendimento e diminuição das dificuldades de aprendizagem dos alunos e complemento das atividades educativas e não como único meio de transmissão de conhecimento. Também é possível associá-las a uma melhor relação entre professor e aluno, visto que o uso das TIC facilita o entendimento das matérias e facilita a aprendizagem. Para as autoras,

As novas tecnologias da informação se bem utilizadas por professores capacitados, irão abrir um novo mundo de oportunidades educativas, desde o momento da animação ao estudo, passando pela ampliação da atuação dos alunos e por maior facilidade dos professores na obtenção de materiais para aulas e também em comunicação com cada aluno, completando o processo de aprendizagem com uma nova relação professor-processo de aprendizagem e professor-aluno, onde a orientação pode ser mais individualizada e atendimento aos anseios e características de cada um dos alunos. (MARQUES; CAETANO, 2002, p.139)

Já para Rojo (2013),

No contexto escolar, o uso do computador só tem sentido se, em vez de reproduzir práticas do letramento tradicional, as potencialidades da máquina forem aproveitadas visando, verdadeiramente, uma apropriação tecnológica. Ou seja, de acordo com a definição de Buzato (2010), para potencializar o processo através do qual uma comunidade transforma uma tecnologia em algo significativo para si e para suas necessidades. O autor afirma que as apropriações tecnológicas põem em evidência processos e conflitos socioculturais que sempre existiram e que não deixarão de existir, mas também abrem a possibilidade de transformações (inovações, aberturas de sentido, instabilidades estruturais etc.) com as quais os que educam, numa perspectiva crítica e não conformista, precisam se engajar, se é que estão dispostos a responsabilizar-se pela própria (e de seus alunos) inclusão/exclusão (Buzato, 2010: s.p.). (p.180)

Por isso, o uso das TIC não deve ser feito com o objetivo de que se tornem as detentoras da educação ou de que substituam os educadores e sim como um grande auxílio, mostrando aos professores e alunos novas formas de pesquisar, aprender, interagir, pensar e etc.

4.2 PCN de Língua Estrangeira e as tecnologias

Os PCN de Língua Estrangeira têm como objetivo guiar e apoiar a prática pedagógica do professor. De acordo com os PCN de Língua Estrangeira, a aprendizagem de uma segunda língua é relevante na vida dos alunos devido a possibilidade de inseri-lo no mundo dos negócios, de aprender outros idiomas, de comunicar-se com outras culturas, bem como de ter acesso à tecnologia e às ciências modernas.

Atualmente, as tecnologias - com destaque à informática - tem impacto direto em nossas vidas, pois estão presentes em diversas tarefas e atividades do nosso cotidiano. Portanto, é comum deparar-se com a Língua Estrangeira ao fazer uso delas. Além disso, o conhecimento das TIC passou a ser exigido também no mercado de trabalho. Um dos objetivos da Língua Estrangeira na escola - de acordo com os PCN - é: “Saber utilizar diferentes fontes de informação e recursos tecnológicos para adquirir e construir conhecimentos.” (BRASIL, 1998, p. 8).

Ao utilizar as novas tecnologias no ensino da língua, o docente passa a vincular o que é ensinado em sala de aula com o que acontece fora dela. Por isso, o aluno passa a ter a possibilidade de continuar adquirindo conhecimento mesmo quando não está na escola. Assim como mostra trecho a seguir:

Havendo, na escola, acesso a revistas, jornais, livros, TV, vídeo, gravador, computador etc., típicos do mundo fora da sala de aula, tais recursos podem ser usados na elaboração de tarefas pedagógicas, para deixar claro para o aluno a vinculação do que se faz em sala de aula com o mundo exterior (as pessoas estão no seu dia-a-dia envolvidas na construção social do significado; as possibilidades que existem fora da sala de aula de se continuar a aprender Língua Estrangeira.

Antes de tudo, é necessário fazer menção a dois pontos importantes para o trabalho do professor: o impacto da tecnologia da informática na sociedade e no ensino e aprendizagem de Língua Estrangeira e a noção de tarefa.

Com relação ao impacto da tecnologia da informática, é necessário atentar para dois aspectos: o acesso às redes de informação possibilitado pelo conhecimento de língua estrangeira e os softwares disponíveis para o ensino de Língua Estrangeira.

É inegável que aumenta cada vez mais a possibilidade de acesso às redes de informação do tipo Internet, como também as exigências do mundo do trabalho passam a incluir o domínio do uso dessas redes. O conhecimento de Língua Estrangeira é crucial para se poder participar ativamente dessa sociedade em que, tudo indica, a informatização passará a ter um papel cada vez maior. (Brasil, 1998, p. 87)

Portanto, entende-se que, para os PCN de Língua Estrangeira, o docente deve preparar o aluno para o mercado de trabalho e mostrar que é possível o aprendizado da língua além dos muros da escola. Isso é possível fazendo o uso didático de jogos, TV, computador, internet, vídeos, filmes e etc.

4.3 Os multiletramentos

A palavra letramento pode ser definida como a consequência ou o resultado dos processos de alfabetização e/ou apropriação da leitura e escrita. Sabendo que o uso da língua envolve não apenas saber ler e escrever, bem como reconhecê-la como parte da cultura e da interação social, os processos de letramento referem-se ao contexto em que a comunicação acontece, a interpretação e ao entendimento que o aluno faz do que está sendo transmitido a ele. A alfabetização e o letramento devem andar juntos. No entanto, o indivíduo letrado pode não ser alfabetizado. Alfabetizar utilizando-se do letramento significa ensinar no contexto das práticas sociais de leitura e escrita.

Sabendo-se que o indivíduo pós-moderno está o tempo todo conectado com diversos tipos de sons, imagens, aparelhos e sofrendo diversos estímulos do meio em que vive, o letramento deixa de ser apenas o da prática de leitura e escrita e passa a ser também das imagens, da fala e das músicas. Consequentemente, passa a ser chamado de multiletramento.

A pedagogia do multiletramento exige e incentiva um aluno crítico, autônomo: em vez de se discriminar o uso da internet e dos celulares e suas câmeras na escola, esses instrumentos são recursos para a interação e comunicação. O aluno não é mais objeto nos estudos, não devendo, por isso, ser um depósito onde inserimos nossos conhecimentos; para o multiletramento, o aluno passa a ser sujeito de sua aprendizagem, transformando-se em um criador de sentido.

De acordo com Rojo (2012),

Trabalhar com multiletramentos pode ou não envolver (normalmente envolverá) o uso de novas tecnologias da comunicação e de informação (‘novos letramentos’), mas caracteriza-se como um trabalho que parte das culturas de referência do alunado (popular, local, de massa) e de gêneros, mídias e linguagens por eles conhecidos, para buscar um enfoque crítico, pluralista, ético e democrático - que envolva agência – de textos/discursos que ampliem o repertório cultural, na direção de outros letramentos (p. 8).

Considerando que o intuito de letrar seja inserir o estudante em suas práticas culturais e sociais e não apenas alfabetizá-lo, é preciso reinventar as práticas pedagógicas de letramento atuais para que atualizem-se de acordo com toda a tecnologia que está inserida no mundo globalizado e na cultura e prática social do aluno. Ao invés de letrar, é importante multiletrar Afinal, os textos trabalhados na perspectiva do multiletramento são interativos, colaborativos, transgressivos, híbridos e sem fronteiras.

5. CAPÍTULO 3 - A IMPORTÂNCIA DO LIVRO DIDÁTICO

Esse capítulo elucidará o papel do livro didático em sala, bem como a forma como ele deve ser abordado pelo educador para com seus alunos.

5.1 O livro didático e sua importância

O livro didático tem papel fundamental em sala de aula, visto que além de ser um guia para aluno e professor, seu uso contribui para a organização do estudo de ambos, tornando a aula mais produtiva no que diz respeito ao tempo que seria perdido copiando textos e exercícios, bem como pesquisando imagens fora dele.

Segundo Costa, Freitag e Motta,

Defensores e críticos, políticos e cientistas, professores e alunos são, no momento, unânimes em relação ao livro didático: ele deixa muito a desejar, mas é indispensável em sala de aula.
Se com o livro didático o ensino no Brasil é sofrível, sem ele será incontestavelmente pior. Poderíamos ir mais longe, afirmando que sem ele o ensino brasileiro desmoronaria. Tudo se calca no livro didático. Ele estabelece o roteiro de trabalhos para o ano letivo, dosa as atividades de cada professor no dia a dia da sala de aula e ocupa os alunos por horas a fio em classe e em casa (fazendo seus deveres). (COSTA; FREITAG; MOTTA, 1989, p. 128)

No entanto, é preciso cautela do professor para que o livro não seja a única fonte de conhecimento a ser utilizada com seus alunos, como se fosse a maior autoridade em sala, como afirmam Costa, Freitag e Motta (1989).

Para Molina, o livro didático é indispensável porque:

O livro didático adquire especial importância quando se atenta para o fato de que ele pode ser, muitas vezes, o único livro com o qual a criança tem contato. Considerando-se o fato de que, ao deixar a escola, pode ocorrer que jamais tornem a pegar em livros, percebe-se que, para muitos cidadãos, o livro didático termina por ser “o” livro. (MOLINA, 1987, p. 18)

De acordo com o Ministério da Educação:

O professor não deve restringir suas atividades escolares ao estudo do livro didático e a reproduzir seu conteúdo. O ensino tendo como base apenas essas práticas foi condenado há mais de um século. O bom professor incentiva os alunos para que estudem determinadas páginas e deem respostas rápidas. Ele planeja cuidadosamente os exercícios; - orienta os debates e os trabalhos de grupo, - elabora perguntas pertinentes, - estimula os alunos a contribuírem com as informações de outras fontes. Durante todo o ano, o professor verifica de diversas maneiras, se os alunos estão empregando as técnicas ensinadas. (MEC/COLTED, 1970, p.55)

Nas palavras de Perrenoud,

Tradicionalmente, o ensino baseia-se em documentos. Um professor pouco criativo irá contentar-se em usar os manuais e outros “livros do professor” propostos pelo sistema educacional ou pelos editores especializados. Ainda assim, é provável que ele não escape das novas tecnologias. (PERRENOUD, 2000, p. 129)

Se o professor decide usá-lo como sua única fonte e meio de transmissão de conhecimento, estará sendo totalmente behaviorista. Ao pedir que a classe abra o livro, que um dos alunos ou o próprio professor leia a explicação e depois respondam individualmente, por exemplo. Caso o mesmo professor solicite que a classe abra o livro na página 50 e que seus alunos tentem resolver sozinhos o que está sendo proposto enquanto o professor se ausenta para ir ao banheiro ou diretoria, estará sendo construtivista. Já se ele lê o texto, divide a sala em grupos e incentiva debates, pede para os estudantes exporem sua opinião, pesquisarem sobre o assunto em livros, internet, entre outros, estará sendo sociointeracionista.

É o que as apostilas de Língua Inglesa da Prefeitura de Taubaté e do Estado de São Paulo fazem ao sugerirem trabalhos em grupos e músicas, sites e filmes na seção Learn More para que os alunos ampliem seu conhecimento em relação aos conteúdos trabalhados na apostila, como elucidam as páginas a seguir:

Nessa ilustração do 8º ano caderno do aluno da Prefeitura de Taubaté, vê-se que a proposta do exercício 1 é sociointeracionista, pois pede para que os alunos trabalhem em pequenos grupos e que peçam a opinião dos colegas e do professor para resolvê-lo em parceria, como mostra-se a seguir:

Figura 1 - Caderno do aluno do 8º ano


Fonte: Caderno do aluno da Prefeitura de Taubaté - 8º ano

Já na ilustração 2, ainda no caderno do aluno do 8º ano da Prefeitura de Taubaté, na sessão Learn More, percebe-se a indicação de músicas, sites e filmes relacionados aos temas estudados na apostila com o intuito de promover um ampliamento do conhecimento do aluno acerca da Língua Inglesa e dos temas propostos nas atividades anteriores, como pode-se ver a seguir:

Figura 2 - Caderno do aluno do 8º ano


Fonte: Caderno do aluno da Prefeitura de Taubaté - 8º ano

No caderno do aluno do 1º ano do Ensino Médio do Estado de São Paulo, também é perceptível, na ilustração 3, a proposta sociointeracionista, visto que solicita aos estudantes que trabalhem em grupo para responder o exercício proposto.

Caso queira, o professor pode acrescentar as TIC nessa atividade, sugerindo aos alunos que façam pesquisas sobre as bandeiras dos países pelo celular ou tablet. Caso não tenham internet móvel, é possível que se dirijam ao laboratório de informática ou que façam a pesquisa em casa. A seguir, encontra-se a ilustração 3:

Figura 3 - Caderno do aluno do 1º ano


Fonte: Caderno do aluno do Estado de São Paulo - 1º ano

Na ilustração 4, também no caderno do aluno da 1º ano do Ensino Médio do Estado de São Paulo, nota-se que a proposta é que a atividade 4 também seja feita em grupo e, depois, discutida entre os alunos, assim sendo uma atividade também com a abordagem sociointeracionista, como vê-se a seguir:

Figura 4 - Caderno do aluno do 1º ano


Fonte: Caderno do aluno do Estado de São Paulo - 1º ano

Ainda nesse caderno do aluno do Estado de São Paulo, na ilustração 5, também se encontra a sessão Learn More, igualmente como ocorre na apostila da Prefeitura de Taubaté, na qual há indicações de músicas, sites e filmes para que o aluno amplie seus conhecimento por meio dos diversos tipos de mídia, como observa-se a seguir:

Figura 5 - Caderno do aluno do 1º ano


Fonte: Caderno do aluno do Estado de São Paulo - 1º ano

Por isso, pode-se concluir que o livro didático é importante; no entanto, o equívoco do uso desse material pode acontecer quando ele é utilizado como único meio de estudo do aluno. Quando isso ocorre, o risco de a aula tornar-se desinteressante e repetitiva é grande. Portanto, o uso do livro didático e/ou apostilas no ensino-aprendizado de Língua Inglesa, atrelado ao uso de outros materiais, tais como as TIC torna-se a chave para que o educador consiga ensinar de forma mais lúdica e interativa. Afinal, quando se opta apenas pelo método de ensino por meio de livros didáticos, as aulas mostram-se muito mecânicas e baseadas apenas em repetir, responder, decorar e corrigir os exercícios, lembrando a abordagem comportamentalista e não a sociointeracionista, a qual objetivam os professores do século atual e baseia-se o PCN de Língua Estrangeira.

6. CONCLUSÃO

Neste trabalho abordamos a inserção das tecnologias da informação e comunicação (TIC) na sala de aula, principalmente nas aulas de Língua Inglesa, pois, por se tratar de uma Língua Estrangeira, o uso do lúdico pode e deve incentivar os alunos para que aprendam de forma mais rápida e dinâmica.

Evidenciou-se que, com o uso do livro didático ou apostila em parceria com as tecnologias, tais como: jogos online e offline, computador, smartphones, DVD, internet, rádio, entre outros, o papel do professor-mediador fica ainda mais claro e eficiente. Ao incentivar a interação aluno-aluno e não apenas aluno-professor e até mesmo o trabalho individual, o aprendizado passa das abordagens comportamentalista e construtivista para a sociointeracionista, de acordo com o que o PCN sugere que seja. As apostilas de Língua Inglesa do Estado de São Paulo e da Prefeitura de Taubaté que foram utilizadas mostram claramente como as atividades propostas podem promover a interação, os trabalhos em grupo e o uso das tecnologias como o celular, filmes, músicas e sites que possam ajudar os alunos a pesquisar e adquirir conhecimento em outros meios além do livro/apostila ou do professor.

Por outro lado, as tecnologias, apesar de trazerem muitas vantagens, também podem trazer desvantagens caso sejam usadas de forma inadequada. Novamente, ressalta-se que sua eficiência no aprendizado depende da abordagem do educador. Além disso, não é adequado afirmar que elas sejam a única forma de trazer o lúdico e a interatividade para a escola ou que sejam a fórmula para revolucionar a educação do século XXI, mas que podem sim mostrar um caminho mais fácil para que isso aconteça. Afinal, uma escola com poucos recursos e bons professores pode ter melhor desempenho e interação em relação às que têm muitos recursos e professores desmotivados e focados no ensino behaviorista ou construtivista e, assim, nada contribuem para que uma nova didática escolar promova a transformação que tanto se busca. O foco do ensino não deve estar nem no professor e nem no aluno, e sim na troca de conhecimento, nas relações e principalmente na aprendizagem.

7. REFERÊNCIAS

BEHAVIORISMO. Disponível em <http://www.infoescola.com/psicologia/behaviorismo> Acesso em 18 de fev de 2016.

BRASIL. Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs). Língua Estrangeira. Ensino Fundamental. Terceiro e quarto ciclos. Brasília: MEC/SEF, 1998.

BROWN, H. Douglas. Principles of language learning and teaching. 4. ed. New York: Addison Wesley Longman, 2000.

TAUBATÉ, Prefeitura de. Caderno do aluno 7ª série°/8º ano.

CORTELLA, Mário Sérgio. Educação, escola e docência: novos tempos, novas atitudes. São Paulo: Cortez, 2014.

COSTA, Wanderly; FREITAG, Bárbara; MOTTA, Valéria. O livro didático em questão. São Paulo: Editora Cortez, 1989.

CONSTRUTIVISMO. Disponível em: <http://www.infoescola.com/psicologia/construtivismo> Acesso em 18 de fev de 2016

Entrevista ROJO. Disponível em: <http://www.grim.ufc.br/index.php?option=com_content&view=article&id=80:entrevista-com-roxane-rojo-multiletramentos-multilinguagens-e-aprendizagens&catid=8:publicacoes&Itemid=19> Acesso em 10 de fev de 2016.

FISCARELLI, Rosilene Batista de Oliveira.Material didática e prática docente. Revista ibero-americana de estudos em educação, Araraquara, v. 2, n. 1, p. 1-9, 2007. Disponível em: <http://seer.fclar.unesp.br/iberoamericana/article/view/454> Acesso em: 26 fev. 2016.

FREIRE, PAULO. Pedagogia do oprimido. 42. ed. Rio de Janeiro: Paz e terra, 2005

MEC/COLTED. O livro didático: sua utilização em classe. 2. ed. 1970.

MERCADO, Luís Paulo Leopoldo (org.). Novas tecnologias na educação: reflexões sobre a prática. Maceió: Edufal, 2002.

MIRANDA, Guilhermina Lobato. Limites e possibilidades das TIC na educação. Sísifo: Revista de Ciências da Educação, 2007.

MIZUKAMI, M. G. N. Ensino: as abordagens do processo. São Paulo: EPU, 1986.

MOREIRA, Marco Antonio. Ensino e aprendizagem. 2. ed. São Paulo: Editora Moraes, 1985.

PERRENOUD, Philippe. Dez novas competências para ensinar: convite à viagem. Porto Alegre: Editora Artmed, 2000.

PINTO, Aparecida Marcianinha. As novas tecnologias e a educação. Disponível em: <http://www.portalanpedsul.com.br/admin/uploads/2004/Poster/Poster/04_53_48_AS_NOVAS_TECNOLOGIAS_E_A_EDUCACAO.pdf> Acesso em 18 de fev de 2016

ROJO, Roxane (Org.) Escola conectada: os multiletramentos e as TICs. São Paulo: Parábola, 2013.

ROJO, Roxane; MOURA, Eduardo. Multiletramentos na escola. São Paulo: Parábola, 2012.

TAUBATÉ, Prefeitura de. Caderno do aluno 7ª série°/8º ano. 2014.

SÃO PAULO, Estado de. Caderno do aluno 1ª série. 2016.

SOCIOCONSTRUTIVISMO. Disponível em <http://www.infoescola.com/psicologia/socioconstrutivismo> Acesso em 22 de fev de 2016.


Publicado por: Thainá Sanches

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