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PRÁTICA DOCENTE ORIENTADA POR TRÊS VERBOS: “OLHAR, ESCUTAR, CRIAR”

Educação

Estratégias essenciais para reelaborar os processos de ensino/aprendizagem através dos verbos “olhar, escutar e criar”, a fim de facilitar o desenvolvimento cognitivo do aluno.

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1. RESUMO

Neste trabalho será retratada a realidade educacional embasado nos verbos: “Olhar, escutar e criar” com o objetivo de analisar os verbos supracitados no processo de ensino e aprendizagem a fim de facilitar o desenvolvimento cognitivo do aluno. Conforme indicado pela Situação de Aprendizagem (SA) “Olhar, escutar e criar” – as múltiplas dimensões da docência da Unidade Curricular da Pós graduação em Docência da Educação Profissional e Tecnológica- Processo de Ensino e Aprendizagem, existe uma relevância da aplicação destes três verbos no processo ensino e aprendizagem. Sendo assim, da mesma forma que o docente deixa as suas impressões, o aluno também tem esta necessidade de protagonizar sua aprendizagem conforme Freire (1996). A ferramenta utilizada foi o estudo de caso sendo teoricamente referenciada por diversos escritores que fizeram parte do material didático da Unidade curricular, entre eles evidenciamos a contribuição de Edgar Morin (2000), um dos expoentes desta nova interpretação do que seja o processo pedagógico, que defende que a educação do futuro seja conduzida pelos verbos olhar, escutar e criar, ao qual Pedro Demo (2001) nos aconselha que tomemos sempre um banho de teoria crítica, ou seja, ampliemos o “olhar” para compreender que, no cotidiano, estamos construindo conceitos, noções, ideias, categorias que impulsionarão nossa aprendizagem. Utilizamos ainda da Metodologia SENAI de educação profissional Departamento Nacional (SENAI, 2013) que traz dentre outros em seus métodos de ensino o Estudo de Caso. Completamos que para facilitar o desenvolvimento cognitivo é preciso repensar os métodos e buscar a apropriação das novas tecnologias de informação e comunicação objetivando sempre aplicar esse conhecimento na inovação de seus trabalhos diários.

Palavras-chave: Docente; aprender, “olhar-escutar-criar”.

2. INTRODUÇÃO

O presente trabalho apresenta a dinâmica da prática docente orientada por três verbos. Durante todo seu desenrolar tentamos refletir como os verbos “olhar, escutar e criar” pode orientar a prática docente? Embasados nos pontos altos do estudo realizado, a partir da Unidade Curricular 1 – Processo de ensino/aprendizagem e em nosso exercício diário. Na tentativa de responder aos questionamentos abordamos as consequências da aplicação dos saberes, habilidades e atitudes no processo ensino/aprendizagem.

A metodologia utilizada foi o estudo de caso voltado para a percepção e investigação dos pormenores fatos cotidianos da vivência em sala de aula. O aprender a conhecer e fazer conduziu nas entrelinhas o nosso pensar e a observação da realidade dos nossos alunos ajudando a solidificar a compreensão da importância do aprender a ser se colocando no lugar do outro. Tanto o professor quanto do aluno foram protagonistas neste processo de ensino/aprendizagem.

Através de discussões encontramos caminhos e pensamentos em torno de variadas soluções para situações simples, porém complexas aprendizagens. Trocas de experiências compartilhadas em fotografias da realidade cotidiana, comentários e conversas aguçamos nosso potencial da percepção e escuta e criamos juntos alternativas sugestões e descobertas para encontrar o novo.

Nele está contida a exposição ordenada e detalhada do assunto proposto. E para que haja um maior aprofundamento deste, dividimos em tópicos, que decorrem de acordo com o tema e o método utilizado. Foi apresentado e justificado o motivo da realização do trabalho e também a ferramenta utilizada e os livros, autores e artigos o qual pautamos nosso documento, discussões e por fim a conclusão em torno das observações ressaltadas.

Por tanto durante todo o decorrer deste documento iremos percorrer a ponte do sucesso que foi definida através do “escutar, olhar e criar” se fazendo assim estes três verbos estratégias essenciais para reelaborar os processos de ensino/aprendizagem, no qual os dois personagens (aluno e professor) se tornam ao mesmo tempo aprendizes e guias, ensinando e aprendendo, tornando agentes da própria mudança.

3. JUSTIFICATIVA

A Situação de Aprendizagem (SA) “olhar, escutar, criar” – as múltiplas dimensões da docência da Unidade Curricular da Pós graduação em Docência na Educação Profissional e Tecnológica, trabalha com as diversas dimensões do dia a dia dos docentes, sob as quais cada um desenvolve seu planejamento a fim de fortalecer e fundamentar este processo de ensinar e aprender. Sendo assim, os verbos “Olhar, escutar e criar” resume muito bem aquilo que é dever do docente em sala de aula.

Entre os deveres de cada docente podemos destacar a necessidade de “olhar” o ambiente a sua volta a fim de transformá-lo exercitando o poder de “escutar” com paciência e compreender o outro se colocando em seu lugar e “criando” maneiras de despertar o conhecimento. Neste sentido o aluno se torna agente de seu próprio aprendizado passando a compreender e a aplicar no mercado de trabalho aquilo que é observado na escola.

Freire (1996) destaca que existe uma enorme diferença entre a educação que perpetua a domesticação e a educação que liberta. Quando se realiza a domesticação não se tem espaço para as descobertas, nem para soluções de novos problemas. Através da educação questionadora as amarras da repetição de conceitos dá espaço à descoberta e proporciona a visão holística que leva a criatividade.

Essa disponibilidade do “olhar” transformador, do “escutar” compreensivo e do “criar” para alcançar o novo, entre professor e aluno, conforme orientações previstas e apresentadas na Metodologia do SENAI na Unidade Curricular supracitada, encurtará a distância entre os mesmos, evitando a desmotivação de ambos, e promovendo aprendizagem que é o objetivo esperado.

Da mesma forma que o docente deixa as suas impressões, o aluno deseja deixar as suas, colocando o processo de ensino/aprendizagem em prática, facilitando o desenvolvimento cognitivo do aluno e agregando aperfeiçoamento contínuo do docente conforme Freire (1996).

Segundo Nóbrega (2013, p. 52) “Quanto mais descobrimos, mais compreendemos quanto incompleto é nosso conhecimento” concordamos com este posicionamento e o complementamos com a aplicação dos verbos “olhar, escutar e criar” onde chegamos a conclusão que vivemos o tempo todo aprendendo a aprender.

4. OBJETIVOS

Analisar como os verbos “Olhar, Escutar e Criar” no processo de ensino e aprendizagem pode facilitar o desenvolvimento cognitivo do aluno.

5. METODOLOGIA

A ferramenta utilizada neste trabalho como método de aprendizagem será o Estudo de Caso, pautado na investigação da prática docente através da observação, com objetivo de analisar, verificar ações e propor soluções. Conforme afirma Yin (1984, p.14) a investigação caracteriza-se como um estudo de caso que “surge do desejo de compreender fenômenos sociais complexos e retém as características significativas e holísticas de eventos da vida real”.

Como se pode notar pela Metodologia SENAI de Ensino (SENAI, 2013), no Estudo de Caso é apresentado um fato cotidiano e a partir da problemática são instigadas reflexões e discussões sejam elas em fóruns, trabalho em grupo com consultas de artigos de revista, livros, sites e materiais didáticos propostos durante o curso. Trabalhar a observação minuciosa do “olhar” crítico e reflexivo, “escutar” criando situações de respostas às interrogações, levará ao envolvimento da própria realidade em detrimento à realidade do outro conforme Nóbrega (2013).

Como conclusão do estudo de caso deve ser apresentado ponto de vista dos diversos olhares reunidos através de fotos e documentos produzidos em grupo de maneira colaborativa com o intuito final de mostrar o resultado do objetivo proposto. Sendo assim, o estudo de caso atua como um estimulador do desenvolvimento cognitivo dos alunos, explorando neles novos comportamentos orientados pelos verbos “olhar, escutar e criar”. Através da tentativa de solucionar problemas, acaba- se por gerar hipóteses e teorias, o trabalho passa a construir uma relação aprofundada entre o visto e o aprendido.

6. PRESSUPOSTOS TEÓRICOS

Este estudo está pautado teoricamente no educador e educando, ao qual se busca romper barreiras e dificuldade existente entre “olhar, escutar e criar” que exija uma reflexão especifica e significativa com todos os envolvidos no processo de ensino e aprendizagem. Nestes termos é que percebemos que estudiosos nos dão caminhos que podem nos orientar sobre possíveis soluções.

Sendo assim, realizaremos uma análise em separado dos diversos verbos, começando primeiramente pelo verbo “olhar”, ao qual vale ressaltar que um dos questionamentos mais interessantes do documentário Janela da alma de João Jardim e Walter Carvalho (2002) que menciona "e se todos nós ficássemos cegos?", remete bastante ao livro e filme homônimo “Ensaio sobre a cegueira”.

Este questionamento permite várias reflexões, tendo como base o verbo ”olhar” tão discriminado neste estudo e que podemos compreender a experiência da vida através da falta de visão (cegueira). Bem como é necessário estimular uma escuta sensível, para que se compreenda aquilo que está sendo dito nas entrelinhas, afinal, qual a diferença entre ouvir e escutar? Depois de respondidas essas perguntas, podemos compreender que a partir do olhar e escutar pode-se construir um novo modo de pensar e fazer, ou seja, abre-se um leque de descobertas e experimentações de novas ideias, enfatizando a “criação” e valorizando os sentidos.

6.1 “Olhar, escutar e criar” verbos que ultrapassam barreiras da sala de aula

O aprendizado nada mais é que o método relacionado com o ato ou efeito de aprender, sendo que este se dá através das interações ocorridas entre o “Olhar, Escutar e Criar” dentro da sala de aula, bem como o mundo lá fora, ou seja, a relação entre educador-educando é fundamental neste processo de interação com o mundo, uma vez que o docente atua como mediador no processo de ensino aprendizagem. Sendo este, um processo no sistema educacional tradicional que pode ser modelizado através do triângulo pedagógico “professor-aluno-conteúdo”, de acordo com Braga (2012).

Dentre os verbos que ultrapassam as barreiras em sala de aula, podemos destacar o “olhar” que ocupa um lugar primordial, pois além de captar imagens, se abre para receber o que o outro (professor) transmite, sendo este que falará e refletirá no aluno seu conceito, seus valores  e seus significados.

O “olhar” de uma forma geral nos transmite energia, e na sala de aula não é diferente, pois, através dele podemos falar, captar e motivar os alunos e o mesmo pode sentir-se valorizado, acreditado, promovendo assim, um intercâmbio de sensações, emoções e sentidos. O que nos remete a aplicação dos verbos “Olhar, Escutar e Criar”, proporcionando o desenvolvimento cognitivo do aluno (NÓBREGA, 2013).

Podemos exemplificar o “olhar”, como a escultura de um artista que precisa de todo um ferramental, material, ideias, criatividade e habilidades para esculpir uma obra, ao qual passa por diversas fases. No entanto, sem esses elementos não conseguiria fazê-la e as pessoas não teriam o que admirar, ou seja, o olhar depende dos olhos, mas o ver depende da consciência de quem consegue compor a visão da totalidade de uma obra chegando a abranger o imperceptível. “É como a arte de um escultor sobre a pedra, que para fazer a forma, deve antes passar pelo trabalho do vazio e retirar todo o excesso para que a forma surja”. (BARBIER, 2002).

Sendo assim, o olhar é um fator importante para que o docente consiga perceber os alunos que estão com dificuldades na aprendizagem, principalmente quando se tratar de alunos deficientes, ao qual se deve ter um olhar constante e apurado para que sejam desenvolvidos os saberes e experiências que são a mola propulsora para a arte de aprender e ensinar. Sendo assim, cada gesto é percebido como uma expressão daquilo que se deseja dizer.

Nessa mesma proporção podemos destacar o segundo verbo “escutar” onde Libâneo (1994) ressalta a importância que tem o docente em ouvir os seus alunos, e não simplesmente transmitir uma informação ou fazer perguntas, ou seja, o ato de ensinar e aprender não se pauta em somente o professor passar a matéria e o aluno automaticamente reproduzir mecanicamente o que absorveu.

Como exemplo disto, pode-se destacar o vídeo da Banda Pink Floyd- “The Wall”, que questiona a educação super-rígida e limitada à estrutura da sala de aula, ao qual não é posto em prática a dimensão dos verbos “olhar, escutar e criar”. Existindo assim, a necessidade de atentar-se para que os alunos aprendam a expor suas opiniões. Uma vez, que o trabalho do docente é uma via de mão dupla onde as respostas e as opiniões dos alunos mostram como eles estão reagindo à prática docente.

O processo de aprendizagem deve ir além de um simples olhar, ou seja, deve ser praticado a escuta sensível, uma vez, que cada pessoa carrega algo da fala do outro, o que auxilia na construção do saber. É necessário que o docente estimule os alunos a colocar-se de lado por um instante, esvaziar-se de alguns conceitos pré-estabelecidos e perceber o que o outro quer lhe transmitir.

Por isso que cabe a quem ensina  a responsabilidade de desenvolver a capacidade de escutar o aluno e o que ele diz, como ele diz qual o significado deste dizer, como ajudá-lo, como apoiá-lo na compreensão de seus próprios sentimentos e tomada de decisão. Pois, o verbo escutar mencionado por Nóbrega (2013) vai muito além do ouvir literal, é o ouvir nas entrelinhas, é ouvir o que estão nas meias palavras, é o ouvir com o coração, é o ouvir quando o outro está em silêncio, mas está dizendo muito, é escutar os gritos e entender a mensagem por trás dele é um escutar além do físico.

Dessa forma, podemos diferenciar ouvir de escutar, uma vez que o escutar é uma habilidade que é construída com o passar do tempo e pode ser aperfeiçoada ou perdida quando não sabemos escutar as pessoas, ou seja, escutar significa prestar atenção, dar atenção, sentir, perceber, estar atento ao outro, para que assim a sensibilidade seja despertada e possamos decodificar o que está sendo dito.

O ouvir, por sua vez, é uma ação passiva, consequência do nosso sistema auditivo, que capta involuntariamente os sons à nossa volta numa reação a estímulos externos que acontece mais rapidamente do que qualquer outro sentido. Sendo assim, a pessoa ouve apenas, mas pode ou não interpretar a comunicação. No entanto, é necessário que ocorra uma boa comunicação entre docente e aluno, para que não ocorram falhas/ruídos de mensagem, chegando-se a uma compreensão que possa gerar questionamentos, analises e conquistar o verdadeiro entendimento em todos os assuntos.

Podemos analisar também “olhar e escutar” na questão sobre deficiência dentro da seara dos verbos principais ao ensino ao qual foi visto na Unidade Curricular- Língua Brasileira de Sinais- LIBRAS, que podemos citar duas situações de deficiência auditiva que impactariam na análise conforme aponta CASTELO BRANCO (2014):

- Problemas auditivos leves: apenas a atenção especial maior e a utilização da proximidade como facilitador da leitura labial pelo aluno já poderia resolver o problema;

- Casos de maior deficiência: o ideal é que seja disponibilizado um intérprete em libras, afinal de contas, já é uma prática utilizada na televisão brasileira, apesar de ser apenas uma alternativa em caráter excepcional e de urgência e que não desobriga o professor de aprender a língua. 

Ou seja, quando colocado o verbo “escutar” em pauta, não basta apenas a utilização de facilitadores para a comunicação em caso de deficientes. Necessário se faz o treinamento específico dos docentes para o relacionamento com os alunos portadores.

Atualmente, existem professores do Sistema SENAI já colaborando na elaboração de Glossários Técnicos na Língua Brasileira de Sinais. Além da necessidade de utilizar LIBRAS, também é preciso utilizar uma linguagem técnica em Libras. Iniciativas como essa são essenciais para a educação em qualquer área de estudo até mesmo quando o intérprete não entende sobre o assunto em referência. A identificação ainda das expectativas do deficiente auditivo, aliada ao papel do tradutor no processo de aprendizagem é fundamental.

O docente deve perceber a capacidade cognitiva do aluno e não só focar na deficiência auditiva. O desafio reside não somente na aprendizagem, vai mais além. São de responsabilidade da sociedade, família, associações e grupos sociais. Há que se ter a preocupação com as individualidades e com a personalidade do grupo  na sala de aula, considerando a inclusão dos deficientes auditivos.

Contudo, LIBRAS é uma língua e apenas a prática pode transformar alguém em especialista para uma conversa fluente. A docência nesta prática deve sempre ter como aliado um especialista em LIBRAS também com conhecimento na matéria. Com respeito ao docente, este também deve ser treinado para se portar em sala de forma que os deficientes surdos possam entender sua fala através da leitura labial ou gestual, ou seja, o verbo “escutar” pode ser bem mais complexo do que uma mera visão superficial deste poderia apreciar (ver figura 06).

Segundo a afirmação de Freire (1983, p. 39):

Quando o homem compreende a sua realidade, pode levantar hipóteses sobre o desafio dessa realidade e procurar soluções. Assim, pode transformá-la e o seu trabalho pode criar um mundo próprio, seu Eu e as suas circunstâncias.

Sabemos, então que na relação professor-aluno deve haver um vínculo que motive e influencie significativamente a troca de saber através do “Olhar e Escutar” e o desejo crescente por aprender. “O poder do professor é maior que o do livro, e a qualidade do diálogo estabelecido entre professor e aluno é importante para uni-los, criando um laço especial, ou para separá-los, criando obstáculos intransponíveis” MARCHAND (1985, p. 19).

É evidente que as ferramentas tecnológicas como internet, celular, entre outros, têm facilitado à obtenção e rapidez de informações. Isto tem contribuído muito para que o conhecimento seja solidificado, ou seja, através destas ferramentas os alunos são estimulados a compreender, consciente e ativamente os conteúdos/métodos para aplicá-los de forma independente e criativa nas várias situações propostas.

Para tanto, faz-se necessário pensarmos sobre as necessidades de se construir uma prática educativa inovadora, que seja pautada na construção e reflexão do conhecimento compartilhado, que possibilite a prática do terceiro verbo “Criar”, pois através dele podemos transformar e refletir sobre a prática do ensino/aprendizagem. É preciso pouco a pouco através dos desafios do contexto em que se vive “olhar” e perceber os obstáculos como possibilidades de construção do novo.

Portanto, um novo modo de construir conhecimento coloca a pessoa no centro das atenções. Com base nesse sujeito histórico-social que os processos ligados à Educação organizam suas reflexões e práticas. Pensar, analisar, saber encontrar respostas, criar, descobrir coisas novas é o que leva ao crescimento evolutivo, o questionamento muitas vezes é o que instiga o aprendizado, mas para Demo (2011) nos leva também a pensar, questionar, compreender afinal, que somos seres complexos. Por isso, a docência precisa ser desafiadora e exercitar uma visão integral das questões que afetam o humano.

Um princípio de troca das experiências do cotidiano rege a prática docente para que, então, a atenção e a intenção – ações próprias do fazer pedagógico – atuem. Segundo Morin (2004), o docente redefine sua posição nas instituições de ensino e em seus relacionamentos com os alunos lhes preparando para serem verdadeiros cidadãos.

O docente deve construir estratégias que possibilite e enfatize um novo saber, uma valorização dos sentidos e uma autocriação através dos verbos “olhar e escutar”. Partindo deste preceito o protagonista desenvolveria uma estratégia de acordo com a Metodologia SENAI (SENAI, 2013) que seria o Estudo de Caso. Este deverá ser o principio norteador da aprendizagem dos alunos que passarão a fazer uma análise crítica e propor diferentes soluções para a problemática apresentada.

Estudar um caso, não é simplesmente aceitar tudo que nele está escrito, mas sim colocar sua própria opinião, expor também seu ponto de vista e ouvir o que o outro tem a dizer, pois “o enfoque da prática, devidamente teorizada, possibilita descoberta de desacertos arraigados encobertos pela rotina”, conforme Demo (2011, p.134). Nesta passagem, o autor ressalta a importância da observação da teoria critica que não pode deixar que a rotina tomasse conta de nosso dia a dia em sala de aula atrapalhando o processo do conhecimento e aprendizado. Não podemos tolher as pessoas, pelo contrário devemos orientar um pensamento reflexivo e construtivo.

7. RESULTADOS E DISCUSSÕES

Os verbos “olhar, escutar e criar” da Unidade Curricular – Processo de Ensino e Aprendizagem iniciaram a reflexão sobre a prática docente e a importância da construção do conhecimento em uma dimensão reflexiva, ao qual percebemos que somos seres complexos, com múltiplas dimensões, sendo assim a docência precisa ser problematizadora e exercitar uma visão integral das questões que afetam o humano.

Nesta unidade tivemos a oportunidade de observar que a prática docente precisa ser movida essencialmente por estes três verbos, e que deles também pode depender o sucesso de nosso trabalho ou não. Desta forma, a SA analisada perpassou por:

“OLHAR, ESCUTAR, CRIAR” – as múltiplas dimensões da docência

Hoje, um novo modo de construir conhecimento coloca a pessoa no centro das atenções. É, portanto, com base nesse sujeito histórico-social que os processos ligados à Educação organizam suas reflexões e práticas. Compreendemos, afinal, que somos seres complexos, com múltiplas dimensões. Por isso, a docência precisa ser problematizadora e exercitar uma visão integral das questões que afetam o humano. Um princípio de troca das experiências do cotidiano rege a prática docente para que, então, a atenção e a intenção – ações próprias do fazer pedagógico – atuem.

Sendo assim, algumas ações são fundamentais na docência, entre elas as que vêm orientadas pelos verbos olhar, escutar, criar. Um olhar ampliado pode transformar nosso ponto de vista; uma escuta apurada pode nos colocar com o Outro; a construção coletiva decorrente de nossa compreensão revela-se como algo novo, é criação.

Esta Situação de Aprendizagem tem o propósito de fazer você experimentar pontos de vista diferentes ao longo dessa unidade curricular, a fim de compreender que a sua visão é somente uma das leituras de mundo possíveis e que o coletivo é a integração de singularidades, e não sua eliminação.

Ao final dessa unidade curricular, você deverá desenvolver um produto criativo, composto por: um levantamento de imagens sobre seu ambiente de trabalho e registro dos seus pontos de vista e os de seu grupo de trabalho.

Os exercícios que compõem esta Situação de Aprendizagem têm como objetivo geral iniciar sua viagem na unidade curricular Processo de Ensino e Aprendizagem e também na Pós-graduação em Docência na Educação Profissional e Tecnológica. Eles são um roteiro, um mapa do caminho rumo à sua especialização como docente do SENAI. Com base neles, você poderá/deverá encontrar sua própria trilha – uma rota para seguir e indicar (NÓBREGA, 2013).

Com base nesta perspectiva, podemos considerar que o “olhar” (Ver APÊNDICE: 01, fotos verbo olhar 01, 02 e 03) é uma das principais habilidades a ser desenvolvida na construção do conhecimento, pois, através dos olhos que temos contato com o mundo ao qual nos é mostrado, podendo perceber o que está a nossa volta, discernir e estudar a si mesmo, abrindo assim, espaço para uma “escuta” aguçada, estimulando a imaginação o que irá motivar a “criação”.

Sabendo que a conciliação dos três verbos “olhar, escutar e criar”, são fundamentais na docência, podemos então, destacar alguns pontos fortes, entre eles: Contribui para o desenvolvimento do senso critico, permite observar “olhar” o meio ao qual está inserido constrói uma relação entre o visto e o aprendido “olhar, escutar, criar”. Levando-nos igualmente a refletir alguns pontos fracos do processo ensino/aprendizagem, como: O docente acaba dissociando umas das dimensões “olhar, escutar e criar” e muita das vezes não consegue especificar a importância desses três verbos.

Dentro deste liame, salientamos que cada um tem sua visão de mundo. Sendo necessário reservar um momento para “escutar”, ou seja, analisar o próximo; compreender a capacidade de demonstrar aptidão para integrar, no exercício da docência, as dimensões afetiva e estética de aprender a ouvir o aluno.

Conforme Nobrega (2014), a junção das habilidades e experiências individuais que consegue gerar um produto acabado ainda melhor do que se apenas um indivíduo estivesse trabalhando em cima disto. Uma equipe precisa de diferenças, assim como um líder instrutor ensina a utilizar os pontos fortes de cada um no processo do verbo “CRIAR”.

Ainda vale ressaltar, que assim como um herói precisa de um vilão para coexistir, o processo criativo necessita de memórias para se fazer! Estas memórias, no sentido literal da palavra, seria recuperar ou imaginar o passado, ter capacidade de guardar e acumular dados, pois “é preciso estar grávido de imagens, símbolos e experiências para poder CRIAR” (ASSMANN, 2004).

Compreendemos que o verbo aprender conjuga também com outros verbos como conhecer, fazer, viver e conviver, ser e acreditar. Dentre ele, podemos destacar o verbo “CRIAR”, tratando também da questão sobre a evasão e desmotivação de profissionais e alunos, por exemplo, observou-se pela prática profissional, que durante um curso de Aprendizagem Industrial em Processos Administrativo em uma unidade do SENAI do interior de Minas Gerais (Araxá), onde o carro chefe da mesma era a área de Metalmecânica (desta forma, não havia material suficiente para a área de gestão na biblioteca).

Todos os dias a instrutora da área precisava realizar verdadeiros “malabarismos” para tornar as aulas atrativas, e com isso acabou descobrindo que seus alunos gostavam de "colocar a mão na massa". Falando sobre o tema “correspondência em Rotinas Administrativas”, resolveu por assim fazer uma dinâmica do envelope, onde eles iram criar seu próprio envelope. Iniciou com apresentação em Power point, copiando algumas normas e conceitos e por fim realizou uma dinâmica do convite. No inicio desta aula os alunos estavam completamente desinteressados, mas quando foi solicitado que confeccionassem envelopes e encaminhassem aos colegas, o semblante da sala mudou de desinteressados para proativos, preocupados e ansiosos. Observa-se claramente o verbo “criar” em ação nesta prática docente (Ver APÊNDICE: 01, foto verbo criar 04). Aprender a ensinar, então, parece ser uma grande possibilidade de (auto) criação.

Considerar cada “lição” uma aventura nova e tomar sempre um banho de teoria crítica, ou seja, ampliar o olhar para compreender que, no cotidiano, estamos construindo conceitos, noções, ideias, categorias que impulsionarão nossa aprendizagem: “o enfoque da prática, devidamente teorizada, possibilita a descoberta de desacertos arraigados encobertos pela rotina” (DEMO, 2011, p.134).

Outro episódio que podemos identificar como artifício da arte de criar, ocorreu na unidade SENAI de Rondônia (Porto Velho) ao qual transformamos o processo produtivo de uma fábrica de carros em realidade, ou seja, através da unidade curricular de controle de processos logísticos, foi realizado um estudo aprofundado sobre a produção de carros de diversas épocas, ao qual utilizaram profundamente os verbos “olhar, escutar e criar”, e após o estudo foi realizada a produção de acordo com as etapas ministradas teoricamente e finalizada com uma grande amostra de carros. Sendo assim, o “olhar” associado ao “escutar” produziu a grande realidade de “criar”.

Enfim após estes relatos através de fotografias construídos por pessoas de diversos lugares e que vivenciam realidades diferentes, chega-se a conclusão que utilizando as ferramentas do “olhar, escutar e criar” se pode conseguir a promoção de um raciocínio crítico e argumentativo dos alunos, nunca se esquecendo do princípio que fundamenta todo processo de ensino que é o propósito do aprender a aprender.

Na Unidade curricular Educação Profissional e Tecnológica também colocamos em prática o exercício de “olhar”, onde foi realizada uma atividade em que tinha como objetivo escolher uma fotografia entre as décadas de 1920 e 2010 em que retratasse a educação profissional e tecnológica no Brasil e sua relação com as demandas da atualidade olhando e interpretando com cuidado normas e metodologia que moldam nosso ambiente educacional descobrimos que a metodologia do SENAI (SENAI, 2013) tem objetivo inserir pessoas no mercado de trabalho e propõe avaliarmos as pessoas pelas competências que cada uma possui.

Sendo assim, participamos de uma viagem muito instigante, uma vez, que pudemos avaliar, argumentar e comparar a história da educação profissional e tecnológica em suas diversas épocas, enriquecendo o conhecimento e compreendendo a estrutura e perspectivas históricas da educação profissional, além de perceber os desafios enfrentados no nosso país com o passar do tempo.

A fotografia aparece no mundo moderno como a possibilidade de registro histórico. Ela pode emergir como síntese de um momento histórico seja desnudando a realidade ou mesmo ocultando aspectos a ela ligados (CIAVATTA, 2009; SÔNEGO, 2010).

Já na Unidade Curricular - Relações interpessoais, ética e cidadania na prática docente. Fomos instigados a solucionar uma questão problema e depois de descobrir as causas da evasão dos alunos e desmotivação dos docentes. No qual, deveríamos apresentar formas de sanar problemas na tarefa “tudo tem uma solução”, utilizamos a “escuta e olhar” da realidade dos nossos colegas. E realizando um estudo de caso discutimos e comentamos formas de realmente encontrar o problema e solucioná-lo. Percebemos o quanto somos criativos através desta interação promovida. Todos são criativos, como diz Abraham Antoine Moles (1974, p. 81), em seu livro “Sociodinâmica da cultura”.

Logo na Unidade Curricular Fundamentos da Educação à distância- explanamos sobre aspectos positivos e negativos de se estudar separados por quilômetros de Distância.

Segundo Bruno e Hessel (2007, p. 3): “O fórum de discussão no ambiente virtual de aprendizagem é uma ferramenta para conversão ou diálogo entre seus participantes”. Permite a troca de experiências e o debate de ideias, bem como a construção de novos saberes, uma vez que é um local de intensa interatividade e a necessidade de sincronia dos olhares dos participantes uns com os outros visto que são instigados o tempo todo a trabalhar em equipe separados fisicamente, mas através da ferramenta chamada internet.

O que traduz muito bem nossa vida profissional hoje, onde tempo é algo precioso e não podemos deixar “escapulir” nenhum minuto de nosso dia. Sendo que, essa modalidade de EAD - Educação a Distância tem gerado muitos benefícios e facilidades para quem necessita de uma capacitação profissional, mas por razões adversas não tem uma disponibilidade integral em estar na sala de aula. Nesta modalidade o saber transforma as escritas em falas sendo que o exercício de “escuta” apurada em fóruns de debate, os trabalhos em equipe à distância colocam em pauta também o saber “criar” possibilidades de transformar mesmo não estando perto fisicamente.

Na Unidade Curricular – Organização curricular da educação profissional e tecnológica- Também aplicamos os verbos principalmente o conjugar do verbo “olhar” com o conhecer. O currículo é conceituado como a proposta de ação educativa constituída pela seleção de conhecimentos construídos pela sociedade, expressando-se por práticas escolares que se desdobram em torno de conhecimentos relevantes e pertinentes, permeadas pelas relações sociais articulando vivencias e saberes dos estudantes e contribuindo para o desenvolvimento de suas identidades e condições cognitivas e sócio afetivas. (BRASIL, 2012).

E em complemento a esta unidade fomos orientados a observar alguns documentos essências na Unidade Curricular - Planejamento do Processo de Ensino e Aprendizagem, onde trabalhamos o nosso conhecimento e através de pesquisas compreendemos os objetivos do PPP (Projeto Politico Pedagógico), PPC (Projeto Pedagógico de Curso) PDI (Plano de Desenvolvimento Educacional). Conforme Silva (2013, p.17)

[...] somente um ser que é capaz de sair de seu contexto, de “distanciar-se” dele para fixar com ele, capaz de admirá-lo para objetivando-o, transformá-lo e transformando-o por sua própria viação; um ser que é e está sendo no tempo, que é o seu, um ser histórico, somente este é capaz, por tudo isso, de comprometer-se.

Hoje, a transformação, a mudança, é um fato indiscutível. Mas a mudança está ligada ao passado, ou seja, às experiências vividas pelo homem, por meio da avaliação crítica, científica e reflexiva, agregam novos valores à vida atual e, consequentemente, à futura. Percebemos a necessidade de Fundamentação, Planejamento, inovação, avaliação em todo e qualquer processo de ensino/aprendizagem.

Esta unidade - Prática docente I –Tivemos que traçar um plano de voo para o trabalho docente. E novamente aplicamos os conceitos – olhar, escutar, criar- em nossa prática.

De acordo com Machado (2008, p.15).

[...] formar força de trabalho requerida pela dinâmica tecnológica que se dissemina mundialmente, é preciso um outro perfil de docente capaz de desenvolver pedagogias do trabalho independente e criativo, construir a autonomia progressiva dos alunos e participar de projetos interdisciplinares.

Dessa forma, pudemos “olhar” e analisar os planos de ensino utilizados por nossa instituição, saber a importância de cada um deles, bem como entender a responsabilidade de estarem sempre atualizados, para que haja um desenvolvimento das competências e habilidade necessárias à formação dos alunos.

Na Unidade Curricular – Educação profissional: a prática da metodologia SENAI- Tivemos o privilégio de observar os métodos que orientam a nossa prática docente fazendo leitura e analisando a Metodologia SENAI de Educação Profissional, ou seja, nos apresentou um caminho que facilitou conhecermos os métodos sugeridos nos documentos para que assim possamos aplica-los como ferramentas de ensino nas em sala de aula, como por exemplo o Estudo de Caso (SENAI, 2013).

Verificamos que os Estudos de Caso, de acordo com Lüdke e André (1986): visam à descoberta; enfatizam a interpretação em contexto; buscam retratar a realidade de forma completa e profunda; usam uma variedade de fontes de informação; revelam experiências que permitem generalizações; procuram representar os diferentes pontos de vista presentes numa situação; utilizam uma linguagem e uma forma de apresentação mais acessível, como a comunicação oral, os registros em vídeo, as fotografias, os desenhos, os slides, entre outros. “O ignorante afirma, o sábio dúvida, o sensato reflete” (Aristóteles).

Continuando na Unidade Curricular - Indicadores de qualidade educacional do ensino profissional e tecnológico, onde através de pesquisas tentamos descobrir algumas interrogações como motivos para evasões, desmotivação de docentes e alunos. E aplicando novamente os três verbos “olhar, escutar e criar” examinamos alguns dados relevantes que influenciam a qualidade educacional.

Na Unidade Curricular - Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS)- Realizamos uma literalmente uma viagem por um mundo desconhecido. De realidades que muitas vezes não havíamos observado em nossa volta. E através de um pensamento reflexivo de empatia, transformamos as informações e discussões trabalhadas nessa unidade em favor e de buscar mais conhecimento, especializar-se para estar preparado para receber em nossas escolas a inclusão social. Além de fazer uma viagem excepcional no passado, resgatando os momentos de vitória da comunidade surda na legislação.

Entramos nas etapas finais da unidade curricular – Prática Docente II- Refletimos sobre a prática pedagógica a partir da escolha de uma situação de aprendizagem executada no decorrer das unidades curriculares do curso, através da escuta e troca de opiniões do grupo nos fóruns conseguimos entrar em acordo. Na Unidade Curricular, planejamos em grupo um banner discutindo e “escutando”, “observando” as unidades já percorridas a fim de se chegar a “criação” do banner.

E por fim, nas Unidades Curriculares - Metodologia do trabalho Científico- e Trabalho de Conclusão de Curso, aplicamos constante e diariamente os verbos de nosso trabalho. Seja redigindo o texto, trocando informações nos fóruns, criando novas formas de montar um trabalho, planejando, executando, observando. Descobrimos através de um estudo de caso realizado no início do curso que a realidade de cada integrante do curso era bem diferente. Mas aqui nesta Unidade Curricular isto ficou muito mais claro ainda onde interagimos com um grupo menor de pessoas, e assim tivemos a oportunidade de “olhar, escutar” bem mais de perto as entrelinhas de nossas realidades.

Nosso grupo percebeu que não poderíamos trocar ideias somente através do fórum mesmo porque me nossas realidades “diferentes” acaba que os horários disponíveis para participação em fóruns também divergem, então criamos uma nova forma de comunicação por meio de mensagens via telefone celular, onde a todo momento ou quando possível passamos a praticar o verbo “escutar” enfim descobrimos uma adaptação as nossas necessidades o que também bem traduz o significado do Estudo de caso, ou seja diante de uma problemática de diferença de horários encontramos uma solução observando e considerando a realidade de cada membro do grupo. Enfim aprendendo a aprender construímos o nosso Trabalho de conclusão de curso.

8. CONCLUSÕES E / OU RECOMENDAÇÕES

Somos o que fazemos, mas somos, principalmente,
o que fazemos para mudar o que somos”.

(GALEANO, 1999)

O objetivo geral deste trabalho foi analisar como os verbos “olhar, escutar e criar” podem facilitar o desenvolvimento cognitivo do aluno. E através do estudo de caso concluímos que estes verbos estiveram presentes em todas as Unidades Curriculares da Pós-graduação em Docência na Educação Profissional e Tecnológica.

Através de técnicas aqui adquiridas, tivemos a oportunidade e a chance de perceber que para mudar e melhorar as aulas, não precisa de muito, podemos com muita criatividade ir transformando o processo de ensino/aprendizagem em algo prazeroso e agradável.

O estudo de caso nos fez olhar para nosso mundo dentro da sala de aula e conhecer o mundo de outras realidades, contextualizando tudo isso em um só documento. Descobrimos assim que aulas mais interessantes, motivam o aluno a fazer parte da descoberta e não apenas receber o conhecimento de mão beijada, mas participar e fazer parte da construção do conhecimento, fazer parte desta viajem não apenas como passageiro mais tomando para si parte da condução e construção do saber, com isso conseguimos sair do modelo tradicional de aulas muitas vezes cansativas e monótonas para torna-las atrativas e motivantes, uma nova forma de ensinar, levando os alunos a usarem seus sentidos, “olhar” e “escutar” o que deve ser aprendido, motivando-o a querer adquirir “criar” seu conhecimento e as suas próprias conclusões.

Com a utilização do estudo de caso podemos agora responder a problemática proposta de conseguir a atenção do aluno de forma simples. Algumas experiências em sala de aula foram compartilhadas e mais uma vez ficou provado que coisas simples mas feitas com amor podem mudar completamente uma situação de aprendizagem. Os verbos mencionados neste trabalho nada mais são do que os cinco sentidos humanos colocados na prática da aprendizagem. Estes sentidos muitas vezes podem ser mesclados, como bem fora verificado nos casos de deficientes, estes desenvolviam a escuta através da visão e vice-versa dependendo do tipo de deficiência. Esta sensibilidade ainda vai muito além.

Todo aluno se expressa através de todos os seus sentidos e o professor também deve ter o cuidado de analisá-los como um todo. O verbo “criar”, por exemplo, é uma função do tato propriamente dita, mas a união com os demais sentidos que lhe proporciona uma criação que transcenda os limites esperados.

Como pontos fortes ressaltamos que observando com cuidado podemos “olhar” uma situação com atenção e perceber nos mínimos detalhes os anseios de nossos alunos, aprender a ouvir além do que se é falado, neste trabalho percebemos o quanto o silêncio pode dizer e que nas entrelinhas podemos “escutar” e “ouvir” o que muitas vezes não observávamos e com isso transformar realidade criando formas de proporcionar uma nova e eficiente aprendizagem.

Mas em contrapartida percebemos que os três verbos se aplicados de forma dissociada podem gerar resultados negativos como ruídos da comunicação, desvios de informações, perder o foco do objetivo, mudar o rumo do assunto.

Podemos para um próximo momento, dando continuidade a nossos trabalhos lançar mão da ferramenta pesquisa onde faremos muitas indagações com aos alunos para verificar o “olhar” deles para nossa prática docente, o “escutar” se realmente estão entendendo o que falamos e se estão aptos a “criar” novas respostas para perguntas antigas.

Finalmente, o educador deve saber que o pior pecado é a omissão, a falta de ação e atenção, de acordo com um dos pontos fracos de nosso estudo seria o risco de ruídos desvincularem o aprendizado. Por tanto o docente ao entrar em uma sala de aula tem que ter um norte, um planejamento fruto da observação do dia a dia somando a escuta aguçada dos alunos com isso “criar” um plano de ação. Tudo em busca de obter o envolvimento do aluno Ousa-se dizer até mesmo, depois de todo este estudo, que o inferno não está repleto de boas intenções, mas sim de "apenas" intenções, ou seja, ficar apenas no plano das ideias, mas sem qualquer concretização. De acordo com os resultados destacamos a importância de docentes e alunos serem escutados e enxergados para que ambos consigam desempenhar seu papel no dia a dia em sala de aula (criação), possibilitando uma vivência e convivência de todos na construção do conhecimento.

9. REFERÊNCIAS

AGUIAR, RicardoRelações interpessoais, ética e cidadania na prática docente. In: Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial, Centro de Tecnologia da Indústria Química e Têxtil. Departamento NacionalPós-graduação em Docência na Educação Profissional e TecnológicaRio de Janeiro: SENAI CETIQT, 2014, 4. Vol. P.94. Disponível em . Acesso em: 09 out. 2014.

BRAGA, Elayne de Moura. Os elementos do processo de ensino-aprendizagem: da sala de aula à educação mediada pelas tecnologias digitais da informação e da comunicação (TDICs). Revista Vozes dos Vales da UFVJM: Publicações Acadêmicas, Minas Gerais – Brasil, Nº 02, Ano I - 10/2012.

BRANCO, Elizângela Castelo. Língua brasileira de sinais (Libras). Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial. Departamento Nacional, Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial. Centro de Tecnologia da Indústria Química e Têxtil. Pós-graduação em Docência na Educação Profissional e Tecnológica. Rio de Janeiro: SENAI CETIQT Disponível em

DELORS, Jacques. Os quatro pilares da educação. In: BRASIL. Ministério da Educação. Um tesouro a descobrir. São Paulo: Cortez,1999. p. 89-102. Disponível em . Acesso em: 16 out. 2012.

DEMO, Pedro. Saber Pensar – 7ª edição – São PauloEd. Cortez. 2011.

FREIRE, Paulo. In: WITTMANN, Lauro Carlos et al. Conselho escolar como espaço de formação humana: círculo de cultura e qualidade da educação. Brasília: Ministério da Educação, Secretaria de Educação Básica, 2006. Disponível em: . Acesso em: 23 set. 2013.

FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia. 20 ed. São Paulo: Paz e Terra, 1996.

GALEANO, Eduardo. De pernas pro ar: a escola do mundo ao avesso. Porto Alegre: L&PM, 1999.

GIL, Antônio Carlos. Estudo de caso: Fundamentação Científica, Subsídios Para Coleta e Análise de Dados e Como Redigir o Relatório. 1ª edição (2009). Ed. Atlas.

HILDEBRAND, Guilherme Lima. Estudo de Caso. In:Portal do Administrador. Disponível em: http://www.portaladm.adm.br/Estudo_de_caso/Estudo%20de%20Caso.htm>. Acesso em: 12.10.2014.

JANELA DA ALMA. Direção: João Jardim e Walter Carvalho. Roteiro: João Jardim e Walter Carvalho. Brasil, 2001. (73 min), son. COR/P&B.

LARROSA, Jorge. Notas sobre a experiência e o saber de experiência. Revista Brasileira de Educação, jan/fev/mar/abr, n.19, 2002.

LIBÂNEO, José Carlos. Didática. São Paulo: Cortez, 1994.

LUDKE, Menga; ANDRÉ, Marli E. D. A. Pesquisa em educação: abordagens qualitativas. São Paulo: E.P.U., 1986.

MARCHAND, Max. A afetividade do educador. (Tradução de Maria Lúcia Spedo Hildorf Barbanti e Antonieta Barini; direção da Coleção Fanny Abromovich). São Paulo: Ed. Summus, 1985.

MOLES, Abraham A. Sociodinâmica da cultura. São Paulo: Perspectiva, 1974. 336 p. BRASIL. MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO. Conselho Nacional de Educação. Câmara de Educação Básica. Parecer CNE/CEB Nº 16, de 5 de outubro de 1999. Trata das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Profissional de Nível Técnico. Diário Oficial da União, 26 nov. 1999a.

MORINEdgar. Os sete Saberes Necessários à Educação do Futuro. 3a.ed. São Paulo: Cortez; Brasília, DF: UNESCO, 2001.

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SERVIÇO NACIONAL DE APRENDIZAGEM INDUSTRIAL (RS). Glossário técnico na Língua Brasileira de Sinais - Libras: área metalmecânica. Porto Alegre, 2011. 1 CD-ROM

10. APÊNDICES

Apêndice 1- Verbo “olhar e escutar”


Arquivo pessoal, (DOMINGUES, 2014).

Apêndice 2 – verbo “escutar”.


Arquivo pessoal, (DOMINGUES, 2014).

Apêndice 3 – Verbo “Criar”.


Arquivo pessoal, (DOMINGUES, 2014).

Apêndice 4 – Verbo “criar”.


Arquivo Pessoal, (JACOB, 2014).

Apêndice 5 – Verbo “criar”.


Arquivo pessoal, (JESUS, 2014).

Apêndice 6 – Verbo “escutar”


Arquivo Pessoal, (GOMES, 2013).

11. ANEXOS

ANEXO 1- O Estudo de Caso como estratégia de pesquisa

Quadro 1: Etapas relevantes para elaboração de um estudo de Caso

Fonte: Disponível: http: <www.portaladm.adm.br>  acesso em 12 out. 2014.


Publicado por: Vanessa Gomes Domingues

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