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O Conceito de Experiência na Educação Superior Segundo Dewey e o Aprender Para a Sociedade

Educação

Apresentação da obra do filósofo Americano John Dewey, uma aprendizagem significativa e um panorama das instituições de ensino superior.

RESUMO

A presente pesquisa monográfica expõe parte da obra do Filósofo Americano John Dewey. Isto é, uma aprendizagem significativa e mostra um panorama das instituições de ensino superior, as IES e seus atores, especificamente, enquadrado no contexto da realidade brasileira.

Palavras-Chave: John Dewey. Filósofo Americano. Metodologia do Ensino. Aprendizagem Significativa. Metodologia na Educação Superior. Ensino Superior. IES. Realidade Brasileira. Internet.

ABSTRACT

That present bibliografic research shows a part of play of American Philosopher John Dewey. The Methodologhy of Graduation Teaching. It is a significant learning that represents an over view of Graduation Teaching Institutions and their actors specifically in the frame of the context Brazilian reality.

Key Word: Philosopher American. John Dewey. Metodology. Graduation. Teaching. Significant Learning. Graduation Teaching Institutions. Brazilian Reality.

SUMÁRIO

1  Introdução 6
2  Fundamentação Teórica 8
2.1 A Educação 8
2.1.1 A Educação em Dewey 9
2.1.2  A Filosofia da Educação 10
2.1.3  Dewey e a Filosofia da Educação 10
2.2 O Conceito de Pedagogia 11
2.3 O Método Pedagógico de Dewey: Como Aprender 11
2.4 O Pragmatismo de Dewey e a Docência do Ensino Superior 11
2.5 A Metodologia de Ensino na Educação Superior 12
2.5.1 A Andragogia 13
2.5.2 A Didática do Ensino Superior 14
2.6 A Universidade 15
2.6.1 A Educação Superior no Brasil 16
2.6.2 Síntese Histórica da Educação Superior no Brasil 17
2.6.3 O Perfil do Professor de Ensino Superior 17
2.6.4 O Perfil do Estudante de Ensino Superior 18
Conclusão 20
Referências 22


1  INTRODUÇÃO

As razões pelas quais fomos levados a pesquisar este tema é o nosso interesse em atuar como docente no Ensino Superior. E o que nos causa interesse pela pesquisa é a Pedagogia Deweyana, cuja idéia central é unir o ensino à realidade e / ou contexto histórico-social do aprendiz, isto é, o que se aprende tem um significado, a aprendizagem poderá ser aplicada à vida, ou seja, no cotidiano do aluno.

Nossos objetivos com a execução desta pesquisa é, em primeiro lugar a conclusão do Curso de Metodologia de Ensino na Educação Superior. E por último responder à questão: Como atuar na docência da Educação Superior nos aspectos ético, moral e didático?

Tivemos por método a pesquisa bibliográfica, fundamentada em fontes primárias e de comentadores do filósofo John Dewey, além de sites específicos da rede internacional de computadores, a Internet. Houve uma certa dificuldade em encontrar a literatura referente ao assunto pertinente ao tema de nossa pesquisa, mas nem por isso foi algo impossível de se realizar.

Esta pesquisa tem como ponto de partida o método de ensino na Educação Superior, mais especificamente, com base nas contribuições de Dewey. Método sim, mas o método de uma aprendizagem significativa, ou seja, o estudante aprende o que vive e vive o que aprende.

Os conteúdos desta pesquisa monográfica estão divididos em tópicos, que estão subdivididos em subtópicos. No primeiro, trataremos do conceito de Educação procurando sintetizar a Educação Deweyana e sua Filosofia da Educação. No segundo tópico adentraremos no cerne de nossa pesquisa, ou seja, o objeto central de estudo que nos motivou e que dá título a esta obra, que vai da Pedagogia Deweyana à Didática do Ensino Superior e das relações ensino-aprendizagem e professor-aluno neste nível de ensino.

Para o encerramento da pesquisa foram abordados a Universidade como instituição, a Educação Superior, especificamente, no Brasil e uma síntese deste nível de ensino no país, além de abordarmos os aspectos institucionais e éticos e culturais da Educação no Ensino Superior, isto é, a IES, o docente e o estudante.

Espera-se que esta pesquisa venha a contribuir de alguma forma para um melhor entendimento da Filosofia Educacional de Dewey.

E nossos votos são para que o Ensino Superior seja cada vez mais socializado, democratizado e que não seja só para as elites sócio-culturais e econômicas, mas que se estenda a todas as classes sociais com qualidade, pois todos têm direito aos bens culturais, principalmente, direito ao Conhecimento.

Como disse o escritor Monteiro Lobato (1882-1948): “Um país se faz com homens e livros”. Porém, não adianta só os livros se a maioria dos homens não conseguem interpretá-los. Por isso se faz necessário a democratização do Ensino Superior, pois a ignorância só é útil a uma categoria social: aos políticos e / ou governantes.

2- FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

2.1 A Educação

A Educação é a forma, através da qual, transferimos ou captamos o conhecimento do meio externo. É pela educação assistemática que adquirimos os nossos primeiros ou os mais rudimentares saberes sobre a vida. É um conhecimento de senso comum.

A Educação sistemática, da qual trata este trabalho, é que nos empenharemos em analisá-la.

Vamos olhá-la no passado, lá na Grécia do século V a.C. onde a palavra foi cunhada como Paidéia e significava a Educação dos meninos (paidós = ”criança”).

Trazendo o termo para a atualidade, é seguro afirmar, segundo Rios (2002 p.39-42). que “a Educação tem uma dupla função, a função técnica e a função política. [...] a Educação reflete uma estrutura social.”

Essas funções são distinguíveis, mas inseparáveis, pois uma necessita da outra.

Pela primeira tem-se a formação de mão-de-obra para o mercado de trabalho, e por esta última tem-se a política, ou seja, adequar as mentes ao sistema.

A educação sistêmica é necessária a todos os segmentos da sociedade, tanto à classe dominada quanto à classe dominante. Pela primeira é necessária por se tratar da sobrevivência, é uma adequação ao sistema. E na segunda é, também, necessária por se tratar da manutenção do sistema, através da inculcação ideológica feita pela classe dominante ao proletariado.

2.1.1 A Educação em Dewey

Antes de nos adrentarmos à Educação deweyana, se faz necessário dar um breve traço sobre o Filósofo americano, sua vida e suas principais obras, isto é, os aspectos intelectuais do pensador.

Dewey nasceu em Burlington. Vermont, a 20 de Outubro de 1859. Depois de cursar escolas primárias e secundárias de sua cidade, ingressou na Universidade de Vermont, onde se interessa, sobretudo, pela Filosofia e pelo pensamento social. Graduou-se em 1879. Dois anos depois, ingressou na Universidade de John Hopkins, recém fundada e centro de grande efervescência intelectual. Ali Dewey doutorou-se com a tese sobre a Psicologia de Kant, 1884. Em seguida passou a trabalhar na Universidade de Michigan por dez anos. Em Michigan indispôs-se cada vez mais com a pura especulação e procurou novas vias que situassem o pensamento filosófico mais próximo dos problemas práticos.  As obras de Dewey que mais se destacam são Psicologia (1887), Meu Credo Pedagógico (1910), Democracia e Educação (1916), Reconstrução em Filosofia (1920), Natureza Humana e Conduta e Experiência e Natureza (1925), Arte enquanto Experiência (1937) e, finalmente, Teoria da Investigação (1938). (LEME; TEIXEIRA; CARVALHO, 1980, p. VI).

A Educação deweyana é fundamentada principalmente, com base, na experiência de vida do indivíduo, isto é, é uma educação significativa, útil para a ação no cotidiano, pois

seu propósito é delinear os aspectos gerais da Educação como o processo por meio do qual os grupos sociais mantém sua existência contínua [...] a Educação é o processo da renovação das significações da experiência, por meio da transmissão acidental em parte, no contacto (sic) ou trato ordinário entre os adultos e os mais jovens, e em parte intencionalmente instituída para operar a continuidade social. Viu-se que este processo subentende a direção e o desenvolvimento dos indivíduos imaturos  e do grupo em que eles vivem (DEWEY, 1959, p.354).

Portanto a Educação deweyana é uma educação para a vida na vida, ou seja, o jovem não se educa para viver, ele (o jovem) vive educando-se. É uma educação não-conteudista, mas pragmática.

2.1.2 A Filosofia da Educação

Antes de entrarmos neste tópico, propriamente dito, se faz mister tecer algumas palavras sobre a definição sobre Filosofia.

A Filosofia é uma reflexão crítica sobre uma determinada realidade, entenda-se por realidade tudo aquilo que existe, isto é, os fatos como eles são realmente e não como deveriam ser.

Portanto a Filosofia da Educação debruça-se sobre a realidade da Educação em seu sentido mais amplo, porém, variando de pensador para pensador.

Segundo Barba e Rodrigues (2009, p. 01) quando citam Saviani, afirmam que “a tarefa da Filosofia da Educação é de oferecer aos educadores um método de reflexão que lhes permitam encarar os problemas educacionais, penetrando na sua complexidade [...].”

Isso pressupõe que a Filosofia da Educação seja muito mais que um método para educadores, mas, sem dúvida, uma luz capaz de mostrar a causas e os efeitos, e as soluções de problemas na realidade educacional.

2.1.3 Dewey e a Filosofia da Educação

Dewey é pragmático quando se trata de sua Filosofia da Educação, pois conforme Magalhães (2009a, p. 01) “a Filosofia de Dewey articula-se em torno de uma Teoria da Experiência, vista como intercâmbio entre sujeito e natureza.”

A Teoria da Experiência contextualiza-se com a aprendizagem significativa, isto é, o educando contata-se com conteúdos que estão em seu cotidiano como, por exemplo, associar a Matemática Financeira à porcentagem, aos descontos de seu contra-cheque ou às liquidações das grandes lojas de móveis e eletrodomésticos.

Portanto a aprendizagem significativa está ligada de forma direta ou indireta à vida do estudante e por isso torna-se interessante, prática e útil, pois sabe, o aluno, que o que aprende será utilizado a qualquer momento de sua existência, ou seja, ele se vê naquilo que está aprendendo.

2.2 O Conceito de Pedagogia

Para tratarmos deste assunto se faz necessário nos retroagirmos aos primórdios da Pedagogia, que está ligada à Grécia antiga, onde o 

pedagogo era o escravo que levava  a criança para o local da relação ensino-aprendizagem; não era exclusivamente um instrutor, [...], era um condutor, alguém responsável pela melhoria da conduta geral do estudante, moral e intelectual. (JÚNIOR; 2009; p.02).

Portanto o pedagogo era incumbido da responsabilidade da Educação das crianças, mesmo não as educando, a Educação cabia aos especialistas, mas o pedagogo era o fio condutor entre a criança (estudante) e o conhecimento. 

2.3 O Método Pedagógico de Dewey: Como Aprender

Por ter sido considerado o maior pedagogo do século XX e o principal teórico da Escola Nova, Dewey muito

atento aos problemas da sociedade industrial moderna [...], criticando os modelos de Educação existentes, por não formarem as novas gerações para uma sociedade democrática, considerada por ele como a mais elevada forma de organização humana [...]. (MAGALHÃES, 2009b, p.05).

Para o Filósofo a Educação é a libertação do ser humano frente a expansão capitalista, ou seja, um  instrumento capaz de direcionar racionalmente o indivíduo em suas atividades no seio da sociedade, tornando-o um cidadão crítico e apto a refletir sobre si e seu contexto.

2.4 O Pragmatismo de Dewey e a Docência do Ensino Superior

Ao adentrarmos neste tópico é preciso uma conceitualização sobre o assunto, em especial, sobre o Pragmatismo em si mesmo, que

valoriza a prática mais do que a teoria e considera que devemos dar mais importância às consequêncais e efeitos da ação do que a seus princípios e pressupostos. [...]. A validade de uma idéia está na concretização dos resultados que se propõe obter. (JAPIASSÚ; MARCONDES, 1999, p. 218).

O Pragmatismo representa segundo Reale e Antiseri (2010, p.485) “a Filosofia de uma nação voltada com confiança para o futuro [...] a contribuição mais significativa dos E.U.A à Filosofia Ocidental.”

E, neste ponto de vista, podemos vislumbrar, já com certa convicção, que Dewey planejava uma Educação extremamente voltada para a prática, mas sem ignorar a teoria.

[...] a contribuição de Dewey na reflexão feita acerca do Ensino Superior [...] pragmatismo ou aprendizagem significativa? De um lado a aprendizagem que pode gerar significado e trazer reflexões contextualizadoras do meio onde vive e aprende o aluno e de outro o pragmatismo, que só concebe uma ação, ou teoria, quando esta se efetiva para um fim prático na vida de quem a recebe ou aplica, assim justificamos a relação de Dewey, leia-se pragmatismo, e a aprendizagem significativa, aquela aprendizagem que não se fundamenta apenas em estruturas mecânicas e sim em processos sistêmicos de ensino. [...]. (CÂMARA; ROCHA, 2009,p. 02).

Sobre este ponto de vista destacamos a forte essência e influência deweyana que caracteriza a aprendizagem significativa como útil, concreta e, sobretudo, contextualizadora do Ensino Superior. Ou seja, o educando vive o que aprende e aprende o que vive.

2.5 A Metodologia do Ensino na Educação Superior

Esta secção caracteriza-se, fundamentalmente, por quatro ações docentes, quais sejam:

a) Prática Docente;

b) Avaliação;

c) Construção do Conhecimento;

d) Relação Professor-Aluno.

Veremos cada uma delas conforme a ordem acima:

Prática Docente: está relacionada à expectativas de natureza moral e às competências do professor, pelo primeiro destacam-se as qualidades de: respeito e postura democrática; pelo segundo a criatividade, capacidade de inovação e visão crítica e analítica.

Avaliação: consiste na capacidade de criticar e ser criticado, sistemática e racionalmente, sem ransos do senso comum. Inclui a auto-avaliação que proporciona ao estudante detectar seus próprios limites. Em suma é o momento de reflexão e auto-análise de posturas e comportamentos.

Construção do Conhecimento: tem como ponto de partida a realidade e a constante relação teoria e prática.

Relação Professor- Aluno: destaca a forma de tratamento que consiste no respeito, honestidade, amizade e confiança, conceitos que favorecem que o conhecimento seja uma prática humanizada e marcante para os educandos. (BAIBICH-FARIA; MENEGHETTI, 2009, p. 08, 09).

Os conceitos acima explicitados são, em tese, a metodologia do Ensino Superior, porém, não se caracterizam como ‘receitas prontas’, relativizando, podemos afirmar que a ‘turma varia’ de uma para outra, de uma instituição para outra e de uma região para outra.

Enfim a metodologia do Ensino Superior deve adequar-se às peculiaridades de cada turma, sem essa adequação o ensino torna-se mecânico, maçante e, o que não deve ocorrer, desinteressante.

Destacando a relação Professor-Aluno, esta é imprescindível, pois aí é que aparece a ‘Ética Docente’ que marcará o professor e o aluno de forma significativa.

2.5.1 A Andragogia

Falar em Metodologia na Educação Superior e não tecer comentários sobre a Andragogia é o mesmo que falar sobre a Educação Básica e não explanar sobre a Pedagogia.

A Andragogia  é o método de ensinar os adultos, e quem primeiro utilizou o termo foi o educador alemão Xander Kapp, em 1883.

A Andragogia possui quatro pontos fundamentais, segundo o que os adultos necessitam para aprender, quais sejam:

1- Querem entender por quê têm de aprender algo;

2- Preferem aprender o que os ajudará a solucionar seus problemas;

3- Aprendem melhor quando estudam assuntos que sejam de valor imediato;

4- Precisam aprender experimentalmente.(BELLAN, 2005, p.20, 22 ).

Os pontos principais de aprendizagem de adultos citados acima caracterizam e dão o norte para o método andragógico. E fica claro, que a aprendizagem de adultos, impreterivelmente, deve ser significativa e, numa palavra, útil, ou seja, utilizar a experiência acumulada pelos estudantes como ponto de partida para a construção do conhecimento e da pesquisa.

Nos cursos universitários, geralmente recebemos adolescentes como calouros e liberamos adultos como bacharelandos. [...]. Precisamos encontrar um meio termo, onde as características positivas da Pedagogia sejam preservadas e as inovações eficientes da Andragogia sejam introduzidas para melhorar o Processo Educacional. (CAVALCANTI, 2009 p. 06).

É certo afirmar que a melhoria do Processo Educacional depende significativamente da boa relação e intersecção entre Andragogia e Pedagogia, para que os cursos de Educação Superior não se tornem em algo ‘maquinificado’ e, conseqüentemente, ‘coisificando’ as relações de ensino-aprendizagem e professor-aluno-professor.

Conforme Teixeira (2009, p. 01) existem oito práticas fundamentais do Professor de adultos, das quais selecionamos quatro, quais sejam:

“- Compreender a situação global em que o Processo Educacional se insere;

- Saber colocar-se no lugar do aluno; Escolher os métodos mais eficazes para a situação [...]; Conhecer e aperfeiçoar-se na [...] Andragogia.”

Da primeira à quarta prática, a idéia central que se forma é, sem dúvida alguma, a centralização num ensino que parte da ‘experiência’ quer seja do professor ou quer seja do aluno.

2.5.2 A Didática do Ensino Superior

Neste tópico de nossa pesquisa, destacamos a Didática, que sendo uma palavra de origem grega, designa a arte ou técnica de ensinar e focaliza sua atenção sobre a aula, (MELO; URBANETZ, 2008).

Segundo Alcântara.”( 2009, p. 03), “ o professor precisa de conhecimentos e habilidades pedagógicas, que podem ser obtidas e aperfeiçoadas mediante leituras e cursos específicos.” Estes últimos englobam o que chamamos de ‘conhecimento e habilidades pedagógicas’ instrumentos imprescindíveis para o bom desempenho de uma didática do Ensino Superior. Envolvem estes conhecimentos e habilidades:

a) Estrutura e Funcionamento do Ensino Superior: o professor deve ser capaz de estabelecer relações entre o que ocorre em sala de aula com processos e estruturas mais amplas. Isto implica a análise dos objetivos a que se propõe o ensino  universitário brasileiro, bem como dos problemas que interferem em sua concretização. E exige conhecimentos relativos à evolução histórica das instituições e à legislação que as rege;

b) Planejamento de Ensino: a eficiência na ação docente requer planejamento. O professor precisa ser capaz de prever as ações necessárias para que o ensino a ser ministrado por ele atinja os seus objetivos. Isto exige a cuidadosa preparação de um plano de disciplina e de tantos planos de unidade quantos forem necessários;

c) Psicologia da Aprendizagem: o que o professor espera de seus alunos é que aprendam o conteúdo da disciplina que pretende lecionar. Neste sentido, conhecimentos de Psicologia poderão ser muito úteis, pois esclarecem acerca dos fatores facilitadores da aprendizagem;

d)  Métodos de Ensino: a moderna Pedagogia dispõe de inúmeros métodos de ensino. Convém que o professor conheça as vantagens e limitações de cada método para utilizá-los nos momentos e sob as formas mais adequadas;

e) Técnicas de Avaliação: não se pode conceber ensino sem avaliação. Não apenas a avaliação no final do curso, mas também a avaliação formativa, que se desenvolve ao longo do processo letivo e que tem por objetivo facilitar a aprendizagem. Assim, o professor universitário precisa estar capacitado para elaborar instrumentos para a avaliação dos conhecimentos e também das habilidades e atitudes dos alunos. (ALCÂNTARA, 2009, p.02).

Estes pontos que destacamos como base de uma Didática do Ensino Superior são importantes para a formação integral do aluno e do professor, pois o professor que faz uso destes instrumentos didáticos busca a sua perfeição como profissional da Educação, pois, mostra o docente, ao fazer uso de tais que sua formação está voltada exclusivamente para a formação humana sem esquecer o lado técnico.

Portanto damos relevância ao conceito ‘Psicologia da Aprendizagem’ que é o terreno onde ocorrem as relações aluno-professor-aluno.

2.6 A Universidade

Aqui se faz mister tecer algumas palavras sobre a Universidade, especificamente sobre sua origem sem nos aprofundarmos na Universidade em si, considerando que nosso trabalho trata do método de ensino a ela (a Universidade) aplicado e não da instituição propriamente dita.

A Universidade nasceu das escolas urbanas do século XII. Tratava-se, no início, de uma associação de mestres e / ou estudantes cujos propósitos eram regulamentar o ensino, determinando os estudos necessários para que os alunos pudessem exercer o magistério; controlar a qualidade da Educação oferecida, mediante a determinação de textos e programas; outorgar títulos reconhecidos que capacitassem para o exercício da profissão de Mestre.

A Universidade medieval européia era um lugar de produção de saber e de inovação teórica e conceitual com base na pesquisa e na discussão intelectual. [...].

O ensino universitário girava em torno da lectio (lição, leitura) dos autores. Autor não era a denominação dada a quem houvesse escrito uma obra, mas àquele cuja obra tivesse autoridade [...] já estabelecida. No século XIII a autoridade em Filosofia era o Filósofo grego Aristóteles (séc IV a.C.).

Era comum que as universidades medievais estivessem divididas em quatro faculdades Artes ou Filosofia, Teologia, Direito e Medicina.

A faculdade de Filosofia tinha um caráter preparatório em relação às outras [...]. Nela, os alunos, eram instruídos nas artes liberai, nas artes do discurso (gramática, retórica e lógica ou dialética) ou na Filosofia natural e moral.

A Faculdade mais destacada de cada universidade determinava o conteúdo e orientação das demais: Direito em Bolonha, Medicina em Pádua e Montepellier e Teologia em Paris. (RODRIGUEZ; MARTINEZ; ÍÑIGO; HERNANDO; BERLANGA, 2008, p. 68,69).

Tanto as universidades quanto suas respectivas faculdades tinham como objetivo central a formação integral do ser humano. Era uma base sólida para formar o professor que ia formar professores.

2.6.1 A Educação Superior no Brasil

Será a Educação Superior no Brasil um direito de todos os interessados ou um ensino que visa somente a uma mínima parcela da população brasileira, algo em torno de 1% (um por cento)? Partindo dessa premissa podemos afirmar, com certa convicção, que o Ensino Superior é um tipo de ensino que transforma esta porcentagem numa elite intelectual de privilegiados, considerando que Elite, segundo o Minidicionário Escolar da Língua Portuguesa (2009, p. 129) é “uma minoria prestigiada e dominante no grupo e constituída de individualidades merecedoras por si mesmas”. Ou seja, aqueles que cursam ou atingiram o Ensino Superior lá estão por esforço próprio e merecimento.

Segundo Souza (2009a, p. 01), em sua obra Estrutura e Funcionamento do Ensino Superior Brasileiro, o Ensino Superior “não pode ser democraticamente acessível a todos. É um ensino [...] para uma minoria capacitada intelectual e culturalmente [...]”. Mesmo que sejam pessoas bem colocadas no sistema social e / ou mercado de trabalho, o que importa, nesse caso, é a evolução intelectual do indivíduo, pois não basta ter o dinheiro para pagar a mensalidade, é preciso, acima de tudo, ter força de vontade para se adaptar à rotina de estudos universitários que é árdua e exige empenho, disciplina e dedicação do estudante, e por este motivo alguns acabam desistindo durante a jornada de estudos.

2.6.2 Síntese Histórica da Educação Superior no Brasil

Para tecer algumas palavras sobre o Ensino Superior no Brasil, podemos considerar que foi

Somente em 1808, com a vinda da Família Real, é que surgiu o primeiro interesse de se criar escolas médicas na Bahia e no Rio de Janeiro. [...] o ensino superior se firmou com um modelo de institutos isolados e de natureza profissionalizante. Além de elitista, já que só atendia aos filhos da aristocracia colonial, que não podiam mais estudar na Europa, devido ao bloqueio de Napoleão. O fato dos cursos que surgiram terem se voltado ao ensino prático – Engenharia Militar e Medicina – a serem ministrados em faculdades isoladas, marcou de forma contundente o Ensino Superior no Brasil e explica muitas distorções que até hoje estão marcadas em nosso sistema.

[...]. O que unia estes cursos era simplesmente a Reitoria e o Conselho Universitário. Este modelo de Universidade, onde há uma reunião de cursos isolados que tem como ligação entre si a Reitoria [...], é a base de muitas das universidades brasileiras hoje em dia [...]. Exceção à regra surgiu após a Revolução Constitucionalista de 1932, em São Paulo, tendo como maior exemplo a USP – Universidade de São Paulo, que reuniu os cursos superiores existentes no estado, tendo como enlace não a Reitoria [...], mas a faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, que seria a instituição de saber fundamental em todas as áreas do conhecimento humano [...]. [...] a proposta da USP baseava-se em três vertentes, características da universidade moderna: Ensino. Pesquisa e Extensão. ( SOUZA, 2009b, p. 01).

Estas três vertentes encabeçadas pela USP conduzem o Ensino Superior até os dias atuais. E, diga-se de passagem, uma universidade ou faculdade isolada não o são, se não seguir este tripé, pois não há ensino se não houver a pesquisa, e sem a extensão à comunidade é praticamente impossível os dois anteriores.

2.6.3 O Perfil do Professor de Ensino Superior

Conceituar um perfil profissional nos leva a pensar em termos pessoal e profissional. No caso de um professor do Ensino Superior nos conduz mais para o lado profissional do que pessoal, mas sem tirar a importância deste último, pois eles se relacionam entre si.

Segundo Cerqueira (2009a, p.01) “a lei diz que a formação, ou preparação, para o exercício do Magistério Superior, será em nível de Pós-Graduação”. De acordo com Cerqueira (2009b, p.02) é no “parágrafo único do Artigo 66 da LDB que as portas da Educação Superior se abrem para qualquer pessoa, mesmo sem formação alguma”, mas neste caso só for inquestionável sua capacidade como educador em determinada área do conhecimento.

Porém, segundo mostra a experiência o supracitado é pouco real, mas não inexistente, já que atualmente a exigência básica, na maioria das Instituições de Ensino Superior, em especial nas universidades, para lecionar é que o indivíduo tenha no mínimo um curso reconhecido de Pós-Graduação em Especialização e que 1/3 (um terço) dos professores devem ter Mestrado e / ou Doutorado.

Neste ponto de vista

É que surge o perfil para o atual professor universitário, que deve ser o acessor do educando em sua busca do saber por vias e estratégias formativas próprias, estimulando sua curiosidade na busca de conhecimentos ainda não obtidos. [...] combatendo a corrente acadêmica da acomodação e da repetição de idéias tradicionais [...]. (CERQUEIRA, 2009, p.05).

Portanto o exercício do perfil do professor de Educação Superior é ensinar, também, aprendendo com os colegas e humanizar o educando de forma a conciliar a emoção com a razão, esta última de modo a organizar a primeira.

2.6.4 O Perfil do Estudante de Ensino Superior

Podemos iniciar este último tópico de nossa pesquisa com quatro questões:

1- Quem são os alunos do Ensino Superior?
2- De onde eles vem?
3- O que fazem?
4- Como se sentem?

Consideremos a princípio que

estes alunos possuem em termos psicosociais um desenraizamento familiar e social, sentimentos de emancipação e libertação, conflito de valores [...]. Em termos metodológicos: absentismos às aulas, aceitação da reprovação como normal, dispersão por demasiadas actividades [sic], desajustes nos métodos de estudo. Nas condições familiares, profissionais e socioeconômicas: problemas pessoais, dificuldades econômicas e condição de trabalhador-estudante. (ALARCÃO, 2000, p.02).

A clientela de alunos do Ensino Superior caracteriza-se por uma massa, em geral, de pessoas que estão, apesar das dificuldades, dispostas a superá-las através dos estudos e atingir posições de prestígio ou pelo menos melhores condições de vida dentro do contexto social.

A pesquisa de Castro (2006, p.03) considera ainda mais fatores que influenciam o perfil do estudante do Ensino Superior e tal pesquisa nos leva a crer que estes alunos caracterizam-se também como “uma população trabalhadora, mais velha e com perfil diferente do aluno tradicional [...] está ingressando no Ensino Superior”.

Não só nos cursos matutino e vespertino, mas também, e principalmente, nos cursos noturnos é observada a presença de estudantes trabalhadores e, em geral, mais velhos.

Segundo a pesquisa feita pela Universidade Estadual do Estado do Rio de Janeiro, (2007) com 140 professores que trabalham em IES com seis cursos predominantemente noturnos foram detectadas outras características nos estudantes, quais sejam:

- Falta de interesse [...] com a aprendizagem;

- Passividade e individualismo. Interesse somente em tirar nota e obter o diploma;

- Falta de disciplina, hábitos de estudos insuficientes;

- Dificuldade na interpretação, redação e leitura;

- Dificuldade de raciocínio, falta de criticidade;

- Falta de tempo para estudar [...] em função do trabalho.

Dadas todas estas características que moldam o perfil do estudante de Ensino Superior podemos concluir que este aluno é de perfil em comum, de uma pessoa, que considerando os obstáculos que a vida apresenta, busca incessantemente seu lugar na sociedade de consumo e competitiva.

São estas pessoas que dia após dia movimentam a sociedade de classes numa mobilidade social intensa. Construindo um novo perfil de estudante e destradicionalizando o Ensino Superior que era, antes, caracterizado somente por pessoas das classes A e B (Elites Econômicas).

O perfil mudou porque a linha de pensamento das cabeças da Educação no Brasil também estão mudando. O Ensino Superior está se socializando e, numa palavra, está se atualizando com os novos tempos. 

Conclusão

Após um longo período de leituras e pesquisas chegamos à conclusão de nosso trabalho, ou melhor, à nossas considerações finais, pois coisa alguma se conclui absolutamente ou se fecha como um produto pronto e acabado, pois a pesquisa sempre nos deixa aberturas para uma nova pesquisa e assim sucessivamente e, principalmente, quando se trata de uma pesquisa na área da Educação, um ramo de conhecimento que está em constante movimento dialético.

Escrever sobre a Metodologia na Educação Superior com base na teoria de Dewey não é apenas útil, do ponto de vista pragmático, mas também de grande relevância, pois com isto tomamos conhecimento sobre uma pequena parcela do imenso universo que compreende o Ensino Superior. E é por esse viés que pretendemos encerrar a pesquisa sobre um tema que destaca o Pensador DEWEY e sua obra recortada especialmente na Educação Superior e a conceitualização (Pedagogia, Andragogia e Didática); as Instituições de Ensino Superior (IES) da origem até os dias atuais no Brasil. Finalizando com a dicotomia Professor-Aluno, quem são estes elementos da Educação, o que fazem, o que pensam e como agem para atingir seus objetivos. Partindo destes pressupostos é que nosso trabalho caminhou.

O Ensino Superior é, hoje em dia, uma área que exerce fascínio, pois é a partir dele que se formam as ‘mentes pensantes’ de uma sociedade, a elite intelectual.

Entre um indivíduo com e outro sem a Educação Superior há um abismo quase intransponível do ponto de vista da visão de mundo, o indivíduo com o Ensino Superior, em sua maioria, está apto a compreender melhor o sistema em que vive, pois consegue ter uma visão de conjunto e tendo esta visão global poderá dar o seu ponto de vista de forma crítica, bem argumentado e esclarecedor sobre algumas das partes deste emaranhado e complexo sistema.

Mas não é o fato de ter um diploma universitário que dá ao indivíduo o direito à arrogância, pelo contrário, é aí que descobrimos nossa ignorância em alguns aspectos, diferente do senso comum que pensa dominar todos os assuntos (de forma superficial e fragmentada) como um polímata, e se engana quando acredita que os formados na Educação Superior tem por obrigação conhecer sobre tudo de todos os assuntos.

O Ensino Superior é o estudo da parte de uma parte que com outras partes forma um grande infinito sistema complexo, extenso e profundo do Conhecimento Humano. Direcionando em cada sociedade, os interesses ideológicos daquela sociedade, formando pessoas para viverem de acordo com os moldes impostos pela classe dominante da sociedade onde se estabelece como instituição de ensino. Seja uma sociedade de classes ou de castas como na Índia.

Finalmente podemos afirmar, no caso brasileiro, que por mais massificado e democratizado que esteja ficando o Ensino Superior, com todos os projetos sociais do governo, ainda é pouco para o acesso das massas. É preciso muito mais do que aí está ou melhorar. O caminho é este, mas para horizontalizar o Ensino Superior de qualidade e para extinguir as desigualdades sócio-econômicas-educacionais existentes no Brasil em função da impossibilidade de acesso, ao Ensino Superior, da maioria da população é preciso muito mais. Mais criação e construção de novas Instituições de Ensino Superior públicas e privadas, mais qualidade de ensino e valorização do professor no Ensino Médio, mais dedicação do poder público à pasta da Educação, mais facilidade de inserção ao Ensino Superior para as três raças que formam o povo brasileiro, para as pessoas portadoras de necessidades especiais não discriminando nenhuma delas para favorecer a uma minoria que forma o topo da pirâmide social e, finalmente, menos burocratização no ingresso do estudante de Ensino Superior.

Glossário

A

Andragogia: É a ciência que estuda como os adultos aprendem. Questiona o modelo da Pedagogia aplicado à educação de adultos, porque entende que o adulto é sujeito da educação e não o objeto desta.

Aprimoramento: Tornar-se primoroso; aperfeiçoar (se), requintar (se), melhorar (se).

Aprendizagem Significativa: Apresentada por David Ausubel em 1985, que prioriza a organização cognitiva dos conteúdos aprendidos de forma ordenada, possibilitando ao aluno uma gama de opções de associações de conceitos de modo a levar à consolidação do aprendizado ou a um novo aprendizado. Por exemplo, quando queremos ensinar à criança noções de cidadania, podemos leva-la para dar uma volta na quadra e observarmos com ela tudo que se relaciona com cidadania. Podemos ensinar que o lixo deve ser colocado nas lixeiras disponíveis no caminho ou dar seu lugar no ônibus para uma pessoa idosa. Assim, a criança atribuirá significados aos elementos observados durante essa experiência que poderão, mais tarde, ajudá-la a compreender o conceito de cidadania.

B

Burocratização: é uma organização com cargos distribuídos por poderes que são limitados por normas com áreas específicas onde à submissão se dá ao cargo não à pessoa que ocupa o cargo.

Segundo Max Weber (sociólogo alemão) criador da sociologia da burocracia, as propriedades essenciais da burocracia encontram-se a impessoalidade, a concentração dos meios de administração, um balanceamento sobre diferenças entre efeitos sociais e econômicos. A burocracia a cada dia tomava mais força e Max, portanto notou várias razões que explicariam esse avanço entre eles estão: a racionalidade, definição do cargo e na operação, rapidez nas tomadas de decisões, informação discreta e direta, padrão de rotinas que diminuísse custos e erros, projeto de recrutamento de pessoal segundo suas habilidades técnicas, redução de atritos entre funcionários de uma organização e por fim a confiabilidade.

C

Casta: Camada social hereditária e endógama, cujos membros pertencem à mesma raça, etnia, profissão ou religião.

Classe Dominante: Detentora do controle dos meios de produção.

Coisificando: Contemplamos a falta de reflexão filosófica dos acontecimentos cotidianos. A "coisificação" evidencia-se por diversos meios, dentre os quais o comportamento do século XXI.

O processo ocorre da seguinte forma: pessoas são transformadas em coisas. O valor moral é substituído pelo valor material, cresce a necessidade da auto-afirmação, do parecer. Os relacionamentos são baseados apenas em prazeres momentâneos.Tudo é programado. Perceba, as pessoas nas fotos aparecem com as mesmas “poses”, comportam-se da mesma maneira. É um pré-requisito para ser “pop” e quem não age dessa forma é rejeitado.

Criticidade: Capacidade de julgar, seja do ponto de vista estético, lógico ou intelectual, seja do ponto de vista de uma concepção, de uma teoria, de uma experiência ou de uma conduta.

D

Didática: Conjunto de conhecimentos técnicos sobre o ‘como fazer’ pedagógico, conhecimentos estes apresentados de forma universal e, conseqüentemente, desvinculados de problemas relativos ao sentido e aos fins da educação, dos conteúdos específicos, assim como do contexto sociocultural concreto em que foram gerados.

E

Educação: Processo de desenvolvimento da capacidade física, intelectual e moral do ser humano.

Educação Superior: O ensino superior constitui o nível educacional que se segue à finalização do ensino secundário.O ensino superior compreende normalmente estudos de graduação e estudos de pós-graduação.O ensino superior é realizado em estabelecimentos genericamente conhecidos como "instituições de ensino superior".
Emaranhado: Embaraçar; confundir;  complicar.

Escola Nova: Escola Nova é um dos nomes dados a um movimento de renovação do ensino que foi especialmente forte na Europa, na América e no Brasil, na primeira metade do século XX . Os primeiros grandes inspiradores da Escola Nova foram o escritor Jean-Jacques Rousseau (1712-1778) e os pedagogos Heinrich Pestalozzi (1746-1827) e Freidrich Fröebel (1782-1852). O grande nome do movimento na América foi o filósofo e pedagogo John Dewey (1859-1952). O psicólogo Edouard Claparède (1873-1940) e o educador Adolphe Ferrière (1879-1960), entre muitos outros, foram os expoentes na Europa. No Brasil, as idéias da Escola Nova foram introduzidas já em 1882 por Rui Barbosa (1849-1923). No século XX, vários educadores se destacaram, especialmente após a divulgação do Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova, de 1932. Podemos mencionar Lourenço Filho (1897-1970) e Anísio Teixeira (1900-1971), grandes humanistas e nomes importantes de nossa história pedagógica.

F

Filosofia Ocidental: é o termo usado para designar as datas e os eventos históricos que preencheram a filosofia do Ocidente, bem como os ideais dos filósofos destas épocas e também suas correntes filosóficas. É convencionalmente dividio em três eras gerais: Filosofia antiga, Filosofia medieval e Filosofia moderna. A era Antiga atravessa a queda de Roma e inclui os famosos filósofos gregos, como Platão e o Aristóteles. No entanto, o período Medieval corre asperamente até o ano 1400, ligado fortemente ao Renascimento e todos seus ideais e correntes de pensamentos novos sobre o homem e sua existência. O "Moderno" é uma palavra com uso mais variado, incluindo todo o final do século 16 e os príncipios do século 20. Filosofia contemporânea tem como fundamento os desenvolvimentos filosóficos do século 20 até nossos dias presentes que inclui escritores pós-modernos e pensadores sobre nossa sociedade atual e futura.

Fragmentada: Relativo a fragmentos; cada uma das partes em que se divide o conjunto; visão fragmentada; ponto de vista do senso comum.

IES: Instituição de Ensino Superior.

Inculcação: Recomendar, propor, indicar. Repetir várias vezes, para gravar no espírito.

J

John Dewey: Filósofo e Educador norte-americano, foi professor de Filosofia, Psicologia e Pedagogia. Desenvolveu o pragmatismo formulado por Peirce e William James, aplicando essa doutrina à lógica e a ética, e defendendo o instrumentalismo em teoria da ciência. Tornou-se célebre por ter por ter fundado a Escola Ativa. Principais obras: Escola e Sociedade, A Criança e o Currículo e Democracia e Educação. 

L

Livre-Arbítrio: Faculdade que tem o indivíduo de determinar, com base em sua consciência apenas, a sua própria conduta; liberdade de escolha alternativa do indivíduo.

LDB: Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional.

M

Maquinificado: Impede o indivíduo de agir espontaneamente, pensar livremente. Enquanto máquina, um ser vivo não consegue se sentir parte da natureza.

Miraculoso: Milagroso.

Mister: Necessário; urgência necessidade.

N

Nicolau Maquiavel: Nascido em Florença, tornou-se aos 29 anos secretário do governo republicano de Florença. Empreendeu várias missões diplomáticas. Buscou estabelecer os princípios que governam a prática política a partir da experiência concreta dos povos. Considera-se assim como um dos criadores da ciência política, por sua preocupação com o fato político em si, desvinculando-se do aspecto moral e do juízo de valor sobre ele. Suas principais obras foram: O Discurso sobre a Primeira Década de Tito Lívio e O Príncipe, este último foi inspirado em Lourenço de Médici; suas idéias principais são: a) Tomar o poder; b) assegurar a estabilidade política e; c) Construir a República unificada. Em 1520 escreveu A Arte da Guerra.

P

Paidéia: segundo Werner Jaeger, era o "processo de educação em sua forma verdadeira, a forma natural e genuinamente humana" na Grécia antiga. Inicialmente, a palavra paidéia (de paidos - criança) significava simplesmente "criação de meninos". Mas, como veremos, este significado inicial da palavra está muito longe do elevado sentido que mais tarde adquiriu. O termo também significa a própria cultura construída a partir da educação. Era o ideal que os gregos cultivavam do mundo, para si e para sua juventude. Uma vez que o governo próprio era muito valorizado pelos gregos, a Paidéia combinava ethos (hábitos) que o fizessem ser digno e bom tanto como governado quanto como governante. O objetivo não era ensinar ofícios, mas sim treinar a liberdade e nobreza. Paidéia também pode ser encarada como o legado deixado de uma geração para outra na sociedade.

Pedagogia: Teoria e ciência da educação e do ensino.

Pedagogia Deweyana: Não se restringe apenas ao ensino do conhecimento como algo pronto e acabado. A educação deve ir muito além de uma mera transmissão de conhecimentos. Ela deve ser um processo no qual, o saber e a habilidade do estudante possam fazer parte da sua vida integral como cidadão, como um ser humano capaz de uma ação refletida e eficaz no seu dia-a-dia. O ensino, portanto, deve ser entendido como prática cotidiana.

O estudante deve aprender por meio da vivência de uma realidade concreta. As soluções para os problemas não devem ser previstas pelo mestre, mas sim descobertas pelo próprio estudante. Dewey entende que só quem descobre pensa, do contrário é repetir e simplesmente armazenar dados.

Nessa concepção formulada por Dewey, de uma aprendizagem que valoriza a experiência própria do aluno, em nada desmerece o papel do professor. Pelo contrário, entendo que este é de fundamental importância para uma boa aprendizagem. Contudo, o papel do professor deverá ser o de disponibilizar dados e propor soluções as quais os alunos devem analisar, estruturar e confrontar para uma possível resolução do problema. Não posso deixar aqui, de reconhecer na proposta de Dewey um horizonte ainda válido para a educação dos dias atuais.

Pragmatismo: Concepção filosófica, mantida em diferentes versões, dentre outros, Charles Sanders Peirce, William James e John Dewey, defendendo o empirismo no campo da Teoria do Conhecimento e o utilitarismo no campo da moral. O pragmatismo valoriza a prática mais do que a teoria e considera que devemos dar mais importância às conseqüências e efeitos da ação do que a seus princípios e pressupostos. 

Proletariado: A camada social constituída de indivíduos que são proprietários da força de trabalho e vivem como assalariados; na sociedade capitalista essa classe é constituída pelos trabalhadores.

Propensos: Favorável; inclinado; tendente.

S

Síntese: (

1. Ato ou efeito de sintetizar; ou

2. Obtenção de um todo, a partir dos seus componentes elementos primordiais; ou

3. Composição, resumo ou reunião das diversas partes constituintes de um todo: síntese de uma substância; síntese de um programa.

Em compreensão ampla (lato sensu), síntese é complemento lógico de análise, ou o seu dual lógico (e vice-versa), e pode referir-se a qualquer uma das modalidades das áreas de conhecimento a seguir:

Sociedade de Classes: Sociedade de classes define-se pela posição social que o indíviduo possui. Se pertence à classe baixa, média ou rica.

Karl Marx defendia a tese que a luta de classes é o motor da história, ou seja, dominantes e dominados sempre entraram em conflito.

T

Tecer: Fazer, executar.

U

Universidade: Instituição educacional que abrange um conjunto de escolas superiores, destinadas à especialização profissional e científica, e tem por função principal assegurar a conservação e os progressos da ciência, pelo ensino e pela pesquisa; centro de cultura superior em que se preparam as elites culturais, profissionais e políticas dos povos modernos.

Referências

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Obras Consultadas

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Dicionário de Sociologia: Guia Prático da Linguagem Sociológica, Allan G. Johnson, Jorge Zahar Editor, 1997.

Introdução à Sociologia, Pérsio Santos de Oliveira, Editora Ática, 2001.

Manual da Monografia: Como se faz uma Monografia, uma Dissertação, uma Tese, Rizzatto Nunes, Editora Saraiva, 2003.

Maquiavel: Educação e Cidadania, Lídia Maria Rodrigo, Editora Vozes, 2002.

Mini Aurélio: O Dicionário da Língua Portuguesa – Acordo Ortográfico, Aurélio Buarque de Holanda Ferreira, Editora Positivo, 2010.

Pequeno Dicionário Brasileiro da Língua Portuguesa – Ilustrado, Aurélio Buarque de Holanda Ferreira, Editora Civilização Brasileira S/A, 1971.

Teorias Cognitivas da Aprendizagem –Psicopedagogia-, Ana Maria Lakomi, Editora Ibpex, 2008.

 

 

 

 


Publicado por: José Silvano dos Santos

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