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O ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO E AS PRÁTICAS EDUCATIVAS NA PERSPECTIVA DA INCLUSÃO NA ESCOLA MARIA RAFOLS DE BREVES-PA

Educação

Importância do atendimento educacional especializado, caracterização do local de estudo e sua localização geográfica e a inclusão dos alunos com deficiência no âmbito educacional.

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1. RESUMO

O presente trabalho pretende levar ao conhecimento e discussão a questão do Atendimento Educacional Especializado e as práticas educativas na perspectiva da inclusão, na Escola Maria Rafols no Município de Breves-PA. Temos por objetivo também, fornecer informações aos professores com o intuito de auxiliá-los em suas ações pedagógicas para que de fato aconteça a tão almejada inclusão. Baseamos este trabalho nos estudos de Prado (2001) que explica que a aprendizagem dos diferentes alunos deve acontecer de modo que lhes possibilite um ganho significativo do ponto de vista educacional, afetivo e sociocultural e na LDB (1996) que garante o acesso de alunos com deficiência no contexto escolar. Neste sentido, o trabalho inicia-se apresentando uma abordagem teórica acerca da importância do atendimento educacional especializado. A inclusão dos alunos com deficiência no âmbito educacional é um debate atual e requer organização de várias propostas de trabalho, jogo como estratégia de ensino, a utilização do computador como ferramenta de aprendizagem, objetos de aprendizagens, softwares e trabalho com o aluno em sala de aula. Inclusão é um tema bastante polêmico do ponto de vista educacional e pensar nesta inclusão é analisar de fato o que é incluir. O aluno com deficiência precisa de ações pedagógicas diferenciadas e, para que isso aconteça, cabe à escola organizar, tanto o espaço físico, quanto os materiais pedagógicos, respeitando sempre suas capacidades e habilidades motoras. O papel do professor deve ser o de observador das especificidades da criança e atuar usando sua experiência e criatividade para trabalhar com ela.

PALAVRAS-CHAVE: Educação Inclusiva, Lúdico, Ações Pedagógicas, AEE.

ABSTRACT

This paper aims to inform and discuss the issue of Educational Service Specialist and educational practices with a view to inclusion in the School Maria Rafols in the city of Short-PA. We aim also to provide information to teachers in order to assist them in their educational actions to what actually happens to so longed for inclusion. We base this work in the Prado studies (2001) explains that the learning of different students must happen in order to enable them a significant gain from the educational point of view, emotional and socio-cultural and LDB (1996) which guarantees access of students with disabilities in the school context. In this sense, the work begins presenting a theoretical approach about the importance of specialized educational services. The inclusion of students with disabilities in the educational field is a current debate and requires organizing various proposals for work, play as a teaching strategy, using the computer as a learning tool, learning objects, software and work with the student in room class. Inclusion is a very controversial issue from an educational point of view and think this inclusion is to analyze what is actually include. Students with disabilities need different pedagogical actions and, for that to happen, it is up to the school to organize, both the physical space, as the teaching materials, while respecting their abilities and motor skills. The teacher's role should be to the child's specific characteristics of the observer and act using their experience and creativity to work with her.

KEYWORDS: Inclusive Education, Playful, Pedagogical Shares ESA

2. INTRODUÇÃO

Ao longo dos anos temos vivenciado no Brasil o movimento pela inclusão escolar. Este é um assunto debatido em todo o mundo e o grande desafio da educação especial está em desenvolver métodos que possam beneficiar as várias deficiências do aluno, seja ela física ou intelectual. Este estudo pretende mostrar aos professores da sala comum que eles devem conhecer não somente os equipamentos que a escola tem, mas que também devem interagir em conjunto com os professores do AEE, buscando a melhor maneira de trabalhar com as deficiências de cada criança, para que seus alunos tenham acesso às melhores condições possíveis de aprendizagem.

A luta pela inclusão escolar veio ganhando notoriedade em nossa sociedade e teve consequências positivas nas políticas públicas educacionais para a inclusão de alunos com necessidades especiais. Com a criação da Constituição Brasileira em 1988, as pessoas com deficiência tiveram seus direitos assegurados e a partir de então o aluno com deficiência teve direito ao Atendimento Educacional Especializado. A Constituição Brasileira (1988) nos mostra que é dever do Estado a igualdade e o acesso à educação e ao

III – atendimento educacional especializado aos portadores de deficiência, preferencialmente;

V – acesso aos níveis mais elevados do ensino, da pesquisa e da criação artística, segundo a capacidade de cada um; (BRASIL, 1988, art. 208, III, V, CF p.118).

Independente das possibilidades de mudanças no cenário educacional, o ato de incluir estes alunos com necessidades especiais ainda é um sonho a ser realizado em grande parte de nossas escolas, haja vista que as mesmas vivem muito abaixo da realidade de nossas crianças inclusas. É necessário fazer valer seus direitos quanto ao espaço físico, seus valores, saberes e principalmente sua permanência nas salas regulares.

Assim, diante dos anos de prática profissional junto aos alunos especiais e também de experiências vivenciadas no dia a dia, sentimos a necessidade de levantar informações com a intenção de fazermos uma reflexão sobre o Atendimento Educacional Especializado e as práticas educativas na perspectiva da inclusão com o intuito de analisar de que maneira estão sendo realizados esses atendimentos, bem como reconhecer as dificuldades enfrentadas pelos professores durante o processo de inclusão.

O trabalho aqui defendido está distribuído em tópicos para que sejam respondidos os questionamentos referentes à temática em questão. No primeiro tópico será abordado o Atendimento Educacional Especializado, onde faremos um percurso histórico para podermos nos situar de como as pessoas com deficiência alcançaram seus direitos no decorrer dos anos.

O segundo contempla caracterização do local de estudo e sua localização geográfica. O terceiro foi reservado para a caracterização do campo de pesquisa bem como relatar o resultado da pesquisa e caracterização dos alunos especiais que a escola atende. No quarto tópico foi feita a conclusão de todas as atividades desenvolvidas e tiveram como foco inicial mostrar aos professores o objetivo deste trabalho e propor ações que possam diminuir a problemática em questão.

3. CAPÍTULO I

4. O QUE É ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO(AEE)?

De acordo com a temática abordada é importante fazermos uma viagem histórica para nos situarmos de como as pessoas com deficiência passaram a usufruir seus direitos, principalmente os direitos de aprendizagem no que se refere à igualdade de condições de acesso ao Currículo e demais áreas do conhecimento, tendo assegurada a oferta do Atendimento Educacional Especializado – AEE, em salas de recursos multifuncionais (SRM).

No decorrer dos anos aumentou o número de crianças com algum tipo de deficiência nas escolas de nosso país. Esse crescimento não pode ser visto como mera coincidência e sim o resultado de uma luta de longos anos da sociedade brasileira.

Historicamente, em 1948, surge a Declaração Universal de Direitos Humanos que abre um leque de possibilidades e destaca mais claramente os sujeitos de direitos dessa declaração. A partir de então os direitos humanos passam a ser vistos universalmente, incorporando as inúmeras particularidades existentes e dentre elas o direito das pessoas com deficiência. Nesta perspectiva, a luta das pessoas com deficiência ganha força política e social, no qual novas possibilidades vão surgir na sociedade civil e nos grupos políticos onde se inicia novas políticas públicas.

Passados 25 anos, o movimento atinge o seu ápice com a Convenção Sobre os Direitos da Pessoa com Deficiência (Nova Iorque, 2006), aprovada pela ONU em 2007 e ratificada pelo Brasil em 2008. Esta convenção vem reafirmar os direitos humanos e liberdades fundamentais, os quais estão inseridos os direitos à educação e à aprendizagem em um sistema educacional inclusivo mais justo para todos, sobre tudo para os portadores de necessidades especiais, em que todos possam ter acesso às escolas e possibilidades de aprender por meio de recursos e quebrar barreiras existentes na sociedade.

É importante saber que os estados brasileiros assumiram o compromisso de criar diretrizes e princípios que nortearão as ações do governo, materializadas na forma de políticas públicas. O Ministério da Educação criou políticas de educação especial visando um ensino inclusivo, dentre elas a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, Lei nº 9.394/96, no Art.4º (1996, p.2), seguindo o que manda a Constituição Brasileira (1988), salienta que é dever do Estado o acesso à educação escolar pública e a “garantia de Atendimento Educacional Especializado, de forma gratuita aos educandos com necessidades educacionais específicas, preferencialmente na rede regular de ensino”.

Para o MEC/SEESP (2008), o serviço do AEE é voltado aos alunos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades/superdotação e poderá ser ofertado em classes, escolas ou serviços especializados, sendo complementar ou suplementar a escolarização dos mesmos matriculados em classes comuns de ensino regular.

De acordo com Resolução nº4, AEE deve ser

realizado, prioritariamente, na sala de recursos multifuncionais da própria escola ou em outra escola de ensino regular, no turno inverso da escolarização, não sendo substitutivo às classes comuns, podendo ser realizado, também, em centro de Atendimento Educacional Especializado da rede pública ou de instituições comunitárias, confessionais ou filantrópicas sem fins lucrativos, conveniadas com a Secretaria de Educação ou órgão equivalente dos Estados, Distrito Federal ou dos Municípios. (BRASIL, 2009, Art.5, p.2).

O objetivo principal do AEE é o de identificar, elaborar e organizar recursos pedagógicos e de acessibilidade que eliminem as barreiras para a plena participação dos alunos, considerando suas necessidades específicas. As atividades desenvolvidas no atendimento educacional especializado diferenciam-se daquelas realizadas na sala de aula comum, contudo, tais atividades não são substitutivas a escolarização.

O atendimento educacional especificado disponibiliza programas de enriquecimento curricular, o ensino de linguagem e códigos específicos de comunicação e sinalização ajudas técnicas e tecnologia assistida, dentre outros.

É na educação infantil que a inclusão escolar tem início, pois é o local onde desenvolvem-se as bases necessárias para a construção do conhecimento e seu desenvolvimento global. Nessa etapa, o lúdico, o acesso às formas diferenciadas de comunicação, a riqueza dos estímulos nos aspectos físicos, emocionais, cognitivos, psicomotores e sociais e a convivência com as diferenças favorecem as relações interpessoais, o respeito e a valorização da criança (SARTORETTO, SARTORETTO 2010).

Em todas as etapas e modalidades da educação básica, o Atendimento Educacional Especializado é organizado para apoiar o desenvolvimento dos alunos, constituindo oferta obrigatória dos sistemas de ensino e o atendimento deve ser realizado no turno inverso ao da classe comum, na própria escola ou no centro especializado que realize esse serviço educacional.

O AEE é de fundamental importância porque trabalha as reais necessidades do aluno, respeitando os ritmos de aprendizagem e as peculiaridades de cada um, desenvolvendo a autonomia dos alunos, facilitando a aquisição de seus valores, além de favorecer a compreensão de conhecimentos relacionados à aplicação de situações de vida diária, contribuindo para o desenvolvimento das potencialidades de cada aluno proporcionando a aquisição de habilidades inter e intrapessoais, disponibilidade permanente para aprender, facilitando a caminhada ao saber; contribuir para que o aluno construa gradualmente os seus conhecimentos, pelos processos de avanços e recuos inerentes ao seu próprio ritmo, evoluindo a cada passo. Assim o AEE é

uma modalidade de ensino que perpassa todos os níveis, graus e etapas do percurso escolar e tem como objetivos, entre outros, identificar as necessidades e possibilidades do aluno com deficiência, elaborar planos de atendimento, visando ao acesso e à participação no processo de escolarização em escolas comuns, atender o aluno com deficiências no turno oposto àquele em que ele freqüenta a sala comum, produzir e/ou indicar materiais e recursos didáticos que garantam a acessibilidade do aluno com deficiência aos conteúdos curriculares, acompanhar o uso desses recursos em sala de aula, verificando sua funcionalidade, sua aplicabilidade e a necessidade de eventuais ajustes, e orientar as famílias e professores quanto aos recursos utilizados pelo aluno (SARTORETTO; SARTORETTO. 2010, p 2).

É importante que o professor da sala do AEE seja dinâmico e criativo, a fim de facilitar o processo de ensino - aprendizagem do aluno deve trabalhar as peculiaridades de cada aluno ao longo de todo o processo de escolarização e acima de tudo esse atendimento deve estar articulado com a proposta pedagógica do ensino comum mantendo comunicação para que juntos possam criar estratégias para o desenvolvimento dos alunos. Quanto mais houver esta interação mais benefícios trarão para as crianças, o que contribuirá para uma inclusão de qualidade evitando a discriminação entre o grupo.

De acordo com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, Lei 9.394/96, o Atendimento Educacional Especializado, assegurado no artigo 58, § 1º e § 2º, ressalta que

§ 1º. Haverá, quando necessário, serviço de apoio especializado, na escola regular, para atender as peculiaridades da clientela de Educação Especial.

§ 2º. O atendimento educacional será feito em classes, escolas ou serviços especializados, sempre que, em função das condições específicas dos alunos, não for possível a sua integração nas classes comuns de ensino regular (BRASIL, Lei de Diretrizes e Bases da Educação, 1996, p.21).

A lei assegura o direito do aluno ao Atendimento Educacional Especializado assim que for necessário, para que o mesmo possa ser atendido em suas particularidades e necessidades, bem como quando não for possível matricular nas classes comum esse atendimento deverá ser realizado por meio do serviço de apoio especializado.

A função do AEE é o de identificar, elaborar e organizar recursos pedagógicos e de acessibilidade que eliminem as barreiras para a plena participação dos alunos, considerando suas necessidades específicas.

Esse atendimento complementa e/ou suplementa a formação dos alunos com vistas à autonomia e independência na escola e fora dela.
Consideram-se serviços e recursos da educação especial àqueles que asseguram condições de acesso ao currículo por meio da promoção da acessibilidade aos materiais didáticos, aos espaços e equipamentos, aos sistemas de comunicação e informação e ao conjunto das atividades escolares.

Para Sartoretto (2010), o Atendimento Educacional Especializado deve disponibilizar programas de enriquecimento curricular no caso de altas habilidades, ensino de linguagens e códigos específicos de comunicação e sinalização, ajudas técnicas e recursos de tecnologia assistiva, dentre outros. Ao longo de todo processo de escolarização, esse atendimento deve estar articulado com a proposta pedagógica do ensino comum.

No atendimento às necessidades específicas relacionadas às altas habilidades/superdotação, devem ser desenvolvidas atividades de enriquecimento curricular nas escolas de ensino regular em articulação com as instituições de educação superior, profissional e tecnológica, de pesquisa, de artes, de esportes entre outros. Nos casos de escolarização em classe hospitalar ou em ambiente domiciliar, o AEE é ofertado aos alunos público-alvo da educação especial, de forma complementar ou suplementar.

Muito se tem discutido sobre a prática pedagógica dos educadores em relação à utilização de recursos pedagógicos que possam contribuir de fato com a aprendizagem de crianças com deficiência, uma vez que com sua utilização previamente planejada e acessível pode, de certa forma, favorecer o desenvolvimento e aprendizagem de alunos especiais podendo ainda contribuir para o processo de inclusão no contexto escolar.

De acordo com a LDB (1996), a Educação Especial no contexto da modalidade educação escolar, é um processo educacional definido por uma proposta pedagógica que assegure recursos e serviços educacionais especializados que visam garantir e promover as potencialidades dos alunos que apresentam NEE, em educação básica.

Não basta apenas incluir este aluno especial em uma sala de aula. Além das adaptações físicas é necessário que a escola ofereça um atendimento paralelo às aulas regulares para que a criança possa de fato promover suas potencialidades e garantir sua integração dentro e fora da escola.

É também papel da escola ajustar a inserção do indivíduo ao meio social, sempre com uma visão crítica, é importante salientar que a prática pedagógica do professor é essencial no desempenho escolar do aluno, já que a educação vem passando por mudanças no decorrer dos anos, por isso é necessário que o docente esteja sempre buscando atualizações para inovar sua prática de ensino.

Para Libâneo (2006), com a orientação da coordenação pedagógica e havendo um clima de colaboração, pode se chegar à prática dos professores ao observarem as aulas uns dos outros e fazerem uma reflexão conjunta para que se ajudem reciprocamente. É professor que deve ir à busca de alternativas para enriquecer a prática por meio de recursos pedagógicos, planejamentos das ações que estejam relacionados aos conteúdos e a vida escolar do aluno.

O aluno com deficiência requer ações pedagógicas diferenciadas, e para isso a escola deve organizar seus espaços físicos e pensar na produção de materiais pedagógicos pensando nas especificidades da criança decorrentes de sua necessidade motora e de comunicação. No AEE

o aluno constrói conhecimento para si mesmo, o que é fundamental para que consiga alcançar o conhecimento acadêmico. Aqui, ele não depende de uma avaliação externa, calcada na evolução do conhecimento acadêmico, mas de novos parâmetros relativos às suas conquistas diante do desafio da construção do conhecimento. (BRASIL, 2007, p.27)

O trabalho do professor do AEE é basicamente propor situações para que o aluno possa interagir e ao mesmo tempo sair de uma posição passiva diante da aprendizagem e passe para uma postura dinâmica de apropriação do saber. Dependendo de sua deficiência, a criança pode ser avaliada na sala de recursos multifuncionais, quanto a leitura, a escrita e ao raciocínio lógico. Hoje o grande desafio da educação especial está em criar estratégias que possam contemplar a diversidade da condição humana uma vez que a educação é essencial para o progresso pessoal e social de cada cidadão.

Apesar das perspectivas de mudanças no cenário educacional, a inclusão de alunos ainda é uma utopia a ser alcançada na maioria de nossas escolas, já que as mesmas apresentam um conjunto de elementos que se diferenciam das realidades dos alunos inclusos e estes precisam ser respeitados a partir de seu espaço físico e acima de tudo, seus elementos constituintes, ou seja, sua cultura, valores, saberes e a forma de produção e de sociabilidade.

Assim, diante da experiência profissional na área de alunos com deficiência ao longo de vários anos e também do contato com novos conhecimentos, a intenção de fazermos uma reflexão sobre o funcionamento do AEE, sua atuação e articulação com a sala comum na perspectiva da inclusão, levando em consideração que o aluno com deficiência, assim como qualquer outro precisa participar de todas as atividades em sala de aula e em outros espaços da escola, bem como reconhecer as dificuldades enfrentadas pelos professores em relação ao manuseio e a adaptação de recursos pedagógicos.

No entanto, é normal que as crianças especiais apresentem dificuldades que são, na sua maioria, de ordem funcional e necessitam de recursos adaptados para que possam quebrar essas barreiras externas que lhe impedem muitas das vezes de ter acesso em determinados lugares.

Essa articulação entre o AEE e a sala comum é de suma importância para o desenvolvimento das crianças e deve acontecer desde o momento que se recebe uma criança com necessidades educativas especiais. É importante ressaltar que o professor da sala comum é o responsável pelo ensino e a aprendizagem do aluno e cabe ao professor do AEE conhecer o que o aluno sabe em função de sua experiência de vida, fazendo um trabalho articulado. Esta relação lado a lado, passo a passo, é a chave do sucesso de um trabalho bem sucedido.

5. CAPÍTULO II

6. CARACTERIZAÇÃO DO LOCAL DE ESTUDO E SUA LOCALIZAÇÃO GEOGRÁFICA

Este trabalho foi realizado no município de Breves, localizado ao norte do Estado do Pará, na mesorregião de Marajó, porção sudoeste da Ilha de Marajó, na microrregião dos furos que é formado por um imenso número de ilhas separadas por inúmeros igarapés, furos, canais e estreitos, por onde passam as águas do rio Amazonas, e que ao contornarem o sul da Ilha de Marajó acabam se unindo às águas do rio Tocantins.

Essa região do delta do Amazonas, nas proximidades do município de Breves, possui uma navegação extremamente difícil, pela enorme quantidade de ilhas e canais. A cidade de Breves localiza-se a uma Latitude 01º40’56 Sul e a uma Longitude 50º28'49 Oeste, estando a uma altitude aproximada de 40 metros acima do nível do mar. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a população de Breves, em 2009, era de 101.094 habitantes, distribuídos nas Zonas Urbana e Rural sendo, portanto, a maior e principal cidade da ilha de Marajó.

Por isso, a cidade de Breves é reconhecida pelo título “Capital das Ilhas”. O município de Breves limita-se geograficamente com os seguintes municípios: Afuá e Anajás (ao Norte); Melgaço (ao Sul); Anajás, Curralinho e São Sebastião da Boa Vista (a Leste); Melgaço e Gurupá (a Oeste). A área do município de Breves é de 9.346 Km². O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do município é igual a 0,63, que corresponde a um médio desenvolvimento humano, medido por indicadores relacionados à saúde, à longevidade e à renda da população.

O acesso a Breves pode se dar a partir de Belém, capital do Estado do Pará, por meio fluvial e aéreo. Por meio fluvial, a viagem tem duração aproximada de 12 horas, partindo de 08 (oito) Portos localizados ao longo da Estrada Nova, Bairro Caés, que são: (1) Porto Bom Jesus, (2) Porto São Domingos, (3) Porto Custódio, (4) Porto Tamandaré, (5) Porto Comercial, (6) Portos Mundurucus, (7) Porto Ankel e (8) Porto Leão do Marajó. Por meio de transporte aéreo, a viagem tem duração aproximada de 30 minutos saindo de avião bimotor do aeroporto Júlio César de Belém, ou com cerca de 45 minutos por voos fretados com avião monomotor.

O clima predominante no município de Breves é o Equatorial úmido, com temperatura média de 33º C apresentando pluviosidade elevada nos seis primeiros meses do ano (período das chuvas) e com período de estiagem nos seis últimos meses do ano (período da seca).1

6.1 HISTÓRICO NO TERRITÓRIO ONDE SE LOCALIZA O MUNICÍPIO

Os primeiros habitantes da região foram os índios da tribo dos Bocas. Em 19 de novembro de 1738, o capitão geral do Pará, João de Abreu Castelo Branco, concedeu aos irmãos portugueses Manuel Breves Fernandes e Ângelo Fernandes Breves uma sesmaria, localizada às proximidades do rio Parauhaú. No local de suas terras, Manuel Maria Fernandes Breves construiu um engenho que denominou Santana, além de fazer, também, plantação de roças, ficando o sítio conhecido como "Lugar dos Breves". O município de Breves foi criado pela Resolução nº 200, de outubro de 1851, com a elevação da Freguesia de Nossa Senhora dos Breves à condição de Vila. Atualmente, o município é constituído pela sede e distritos de Antônio Lemos, Curumu e São Miguel dos Macacos. A denominação do município vem do sobrenome dos irmãos portugueses Manoel Maria Fernandes Breves e Ângelo Fernandes Breves.2

7. CAPÍTULO III

8. CARACTERIZAÇÃO DO CAMPO DE PESQUISA ESCOLA MARIA RAFOLS, MUNICIPIO DE BREVES-PA


Imagem 1: Entrada principal da escola Fonte: Acervo da escola

A Escola Municipal de Ensino Fundamental Maria Rafols, está situada à Rua Constantino Felix, 3417, no Bairro do Aeroporto (Conjunto Bandeirantes). Trabalha com as modalidades de ensino do 1º ao 5º ano, a qual tem como fundadora as Irmãs da Congregação da Caridade de Santa Ana. Tem as suas origens no ano de 2001, sendo que a referida escola recebeu o nome em homenagem a Madre Maria Rafols Bruna, nascida no dia 5 de novembro de 1781 em um povoado chamado Villa Franca Del Penadés em Barcelona na Espanha.

Durante as suas atividades pastorais neste município, especificamente nos bairros periféricos da cidade de Breves, as Irmãs perceberam a necessidade de construir uma escola que pudesse atender as crianças e adolescentes (muitos ainda analfabetos), residentes no bairro do Aeroporto – Conjunto Bandeirantes.

No ano de 2001, as Irmãs da Caridade de Santa Ana, tendo como Superiora local a Irmã Rosa Soler, disponibilizaram 03 (três) salas para acolher as crianças de 4, 5 e 6 anos, ou seja, (Jardim I, II e III) do Ensino Infantil, assim, iniciavam-se as atividades da Escola Maria Rafols, ficando a princípio como anexo da Escola Pingo de Gente. Esta instituição de ensino funcionou durante 07 (sete) anos, como anexo da Escola Pingo de Gente.

No ano de 2004, conforme especifica a Lei nº 2. 075/2004, art. 1º fica criada a Escola Municipal de Educação Infantil denominada Maria Rafols.

Contudo, no ano de 2007, atendendo à solicitação das Irmãs da Congregação Caridade de Sant’Ana, a Escola Maria Rafols é desvinculada da Escola Pingo de Gente, e nomeada como diretora a Irmã Yuleida Del Carmem Jordan Villasmil (Irmã Yulis) e Vice-Diretora Margareth Cilene Moraes dos Santos. Ainda nesse ano a escola começou a trabalhar com a 1ª série do Ensino Fundamental, e a funcionar em dois períodos (manhã e tarde).3


Imagem 2: Sala de aula “Bloco de Alfabetização” Fonte: Acervo da escola

As instalações sanitárias são divididas em seis, sendo dois banheiros masculinos e dois femininos, ambos adaptados a sua faixa etária e dois banheiros localizados na sala do AEE para cadeirante.


Imagem 3: Banheiros Fonte: Acervo da escola


Imagem 4: Refeitório Fonte: Acervo da escola

Dentre os recursos disponibilizados na escola, encontram-se computadores, máquina de xerox, televisão, data show, aparelho de dvd e caixa amplificada. A escola disponibiliza um acervo de livros bastante extenso disponibilizados pelo MEC em sua maioria.

Na escola Maria Rafols funciona o posto de saúde que atende a comunidade local, e possui uma entrada única para funcionários, alunos, e pessoas da comunidade que frequentam o referido posto, há um porteiro para organizar a entrada e saída desses frequentadores. Além do vigia, a escola conta com os serviços do zelador encarregado da inspeção e limpeza da área da escola.

Esta instituição possui ainda uma secretaria, um arquivo, sala de direção, sala do AEE, coordenação e uma quadra.


Imagem 5: sala do AEE Fonte: Acervo da escola

Há uma brinquedoteca, laboratório de informática, sala de vídeo, sala de dança. A escola recentemente fez algumas adaptações de acessibilidade instalando corrimão de acessibilidade.


Imagem 6: barras de acessibilidade Fonte: Acervo da escola


Imagem 7: barras de acessibilidade Fonte: Acervo da escola

8.1 CARACTERIZAÇÕES DO CORPO TÉCNICO ADMINISTRATIVO E FUNCIONAL.

O quadro administrativo e funcional encontra-se atualmente composto por (sessenta e oito) pessoas distribuídas nas seguintes categorias: diretora irmã Jenny Maria Granda Sánchez, 02 (dois) vice-diretores que são os professores Antônio Carlos da Silva Lima e Socorro de Maria Rocha Jardim. A escola também conta com um número significativo de 32 (trinta e dois) professores, todos concursados e com o nível superior completo ou em fase de conclusão, divididos em salas de aulas, AEE, Apoio Pedagógico, educação física e multiuso.

Além desses a escola conta com 02 (dois) coordenadores pedagógicos 01 (uma) secretária escolar, 04 (quatro) assistentes administrativos educacionais, 09 (nove) agentes de limpeza, 02 (dois) agentes de portaria educacional, 02 (dois) zeladores educacionais, 04 (quatro) agentes de vigilância educacional, 09 (nove) agentes de alimentação educacional e alguns tutores do projeto mais educação.

8.2 CARACTERIZAÇÕES DOS ALUNOS ESPECIAIS ATENDIDOS PELA ESCOLA

O princípio básico da Educação Inclusiva é que todos os alunos, independentemente de suas condições socioeconômicas, raciais, culturais ou de desenvolvimento, sejam acolhidos nas escolas regulares, as quais devem se adaptar para atender às suas necessidades, pois estas se instituem como os meios mais capazes para combater as atitudes discriminatórias.

É seguindo esse princípio que a EMEF Maria Rafols procura atender a esse novo aluno, visando proporcionar-lhe um espaço acolhedor, facilitador de sua aprendizagem e sem qualquer tipo de discriminação. Suas ações são voltadas para todos os alunos, trabalhando o respeito à diversidade.

A Escola Maria Rafols tem Atendimento Educacional Especializado (AEE) desde 2010, sendo que a mesma não possui Sala Multifuncional. Por meio do AEE, pretende-se auxiliar os alunos com necessidades educativas especiais nas dificuldades de aprendizado, assim como os professores, demais funcionários e sua família tem como ajudá-lo, proporcionando a estes grandes avanços em seu aprendizado.

Possui 21 (vinte e um) alunos inclusos, dentre eles, 04 (quatro) apresentam Síndrome de Down, 04 (quatro) com paralisia cerebral, 01 (um) com distúrbio de conduta social, 03 (três) com transtorno global de desenvolvimento espectro do autismo, 05 (cinco) com deficiência intelectual, 01 (um) com estrabismo, 01 (um) com epilepsia com crises constantes, (01) um com deficiência de aprendizagem congênita psicose SOE.

Os alunos são atendidos duas vezes por semana, sendo uma hora de atendimento individual ou em grupo de acordo com a necessidade de cada criança. Esse atendimento tem como objetivo desenvolver as habilidades cognitivas que envolvem a leitura e escrita, superação das dificuldades motoras e promover a evolução conceitual, a atenção e a socialização na escola e na sociedade. As atividades realizadas são diferenciadas daquelas desenvolvidas na sala regular, o professor elabora um plano de atendimento destinado ao aluno que será atendido, no qual são usados recursos de baixa e alta tecnologia para que assim possam diminuir as barreiras que dificultam a aprendizagem do aluno.

Os alunos atendidos nesta instituição são preferencialmente as crianças residentes nas proximidades da referida escola, que na sua maioria provém de classes sociais menos favorecidas, bem como as demais de outros bairros periféricos da cidade, conforme a necessidade. Para chegar a escola, alguns alunos especiais necessitam de transportes motorizados. A família durante este transporte presta auxílio acompanhando este aluno, pois os mesmos também estão inclusos na sala comum e precisam retornar no contra turno para o atendimento educacional especializado-AEE.

A escola Maria Rafols no seu calendário escolar tem organizado, planejado e implementado várias ações e projetos que são: Brinquedoteca, Ensino Religioso, Reforço Escolar, Informática Educativa; e outros referentes a datas comemorativas: Chocolate, Mãos Amigas; Festival Interno de Folclore, Meio Ambiente, Educart, Natal Especial e Programas como o Mais Educação, cuja finalidade é oferecer uma educação integral aos alunos.

8.3 ANÁLISE DE DADOS E RESULTADOS DA PESQUISA REALIZADA NA ESCOLA MARIA RAFOLS.

A pesquisa realizada na Escola Municipal de Ensino Fundamental Maria Rafols no município de Breves no Estado do Pará, no segundo semestre do ano de 2015 foi do tipo descritiva. Segundo Rauen (1999), a pesquisa descritiva objetiva conhecer e interpretar a realidade sem nela interferir para modificá-la, estando interessada em descobrir, observar fenômenos, procurando descrevê-los, classificá-los e interpretá-los.

Com a intenção de diversificar nosso trabalho e colher dados necessários para a pesquisa adotamos alguns procedimentos metodológicos. No primeiro momento, com a intenção de embasar nossas hipóteses realizamos a construção do referencial teórico.

Em um segundo momento, realizamos a análise dos dados das entrevistas que teve como base professores de apoio pedagógico de 1º ao 5º ano, coordenador e direção da referida escola. Foram utilizados como instrumentos de coletas de dados questões abertas onde os envolvidos puderam responder de acordo com suas possibilidades e conhecimentos

8.4 A VISÃO DO CORPO ADMINISTRATIVO SOBRE O ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO.

Pergunta1: Quais são as ações da educação especial desenvolvidas na sua escola?

Diretora: “A Escola Maria Rafols oferece o Atendimento Educacional Especializado, na medida do possível promove formação continuada aos professores do AEE bem como aos professores da sala regular, trabalha em parceria com as famílias dos alunos inclusos, oportunizada a acessibilidade nos espaços da escola e disponibiliza materiais necessários para que os professores possam realizar seu trabalho”.

Pergunta 2: Todos os alunos que frequentam a sala de recursos multifuncionais são de sua escola? Como é feito esse atendimento?

Diretora: “Sim todos são alunos da Escola Maria Rafols, todos estão frequentando a classe regular e recebem atendimento no contra turno na sala do AEE”.

Pergunta 3: A escola recebe recursos financeiros exclusivo para se investir na educação desses alunos?

Diretora: “Recebemos recentemente um recurso destinado à acessibilidade, adequação do mobiliário e compra de materiais, onde fizemos algumas instalações de corrimão e construímos rampas de acesso às salas de aula”.

Esta falta de investimento na educação do nosso município traz grande prejuízo para o desenvolvimento das atividades. Primeiro porque não se observa uma preocupação dos nossos governantes em investir na formação do educador, segundo pela falta de recursos nas escolas para que se possa trabalhar de forma digna.

Sabemos que todas as escolas deveriam participar do programa “Escola Acessível” cujo principal objetivo é promover condições de acessibilidade ao ambiente físico, aos recursos didáticos e pedagógicos e à comunicação e informação nas escolas públicas de ensino regular.

Torna-se inviável ter uma escola acessível com a falta de tais recursos, porém, vale ressaltar que a atual gestão escolar não mede esforços para que esse trabalho seja realizado contribuindo com tudo o que for necessário para que de fato aconteça essa inclusão tão almejada por todos.

8.5 A VISÃO DA SALA COMUM SOBRE O ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO-AEE.

Pergunta 1: Você sabe como funciona e a quem se destina o AEE?

Professor 1: Sim, segundo a lei, o AEE se destina a alunos com deficiência física, mental, sensorial, visual e pessoas com surdez parcial e total, alunos com transtornos globais de desenvolvimento e com altas habilidades (que constituem o público alvo da Educação Especial) também podem ser atendidos por esse serviço. As crianças são atendidas no contra turno da classe comum.

Professor 2: Sim, o AEE funciona no contra turno. Acredito que esse atendimento é destinado preferencialmente aos alunos com deficiência, aqueles que possuem impedimentos de longo prazo de deficiência física, intelectual, mental ou sensorial. E também aqueles alunos com transtornos globais do desenvolvimento que apresentam quadro de alterações no desenvolvimento neuropsicomotor, comprometimento nas relações sociais, na comunicação ou estereotipias motoras, incluindo autismo clássico, síndrome de Asperger, síndrome de Rett, transtorno desintegrativo da infância (psicoses) e transtornos invasivos sem outra especificação, bem como alunos com altas habilidades ou superdotação – aqueles que apresentam um potencial elevado e grande envolvimento com as áreas do conhecimento humano, isoladas ou combinadas.

Professor 3: Sim. O trabalho na sala do AEE é realizado no horário inverso da classe normal e se destina a alunos com deficiência física, deficiência mental, alunos com surdez, cegueira, baixa visão, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades.

Pergunta 2- Os professores estão preparados para atuar no AEE?

Professor 1. “Acredito que ainda há pouco investimento nesta área, ou seja, ainda temos poucas oportunidades para nos capacitar e preparada nuca vamos está o que vale mesmo no meu ponto de vista é o compromisso com estas crianças.”

Professor 2: “O que se espera é que todos estejam preparados para assumir seu papel mais infelizmente muitos professores tem somente a formação mínima exigida para atuar nessa área, deixando o trabalho muito vago.”

Professor 3: “Nem sempre, mais são desafiados todos os dias buscar novos conhecimentos para assim estar acompanhando essas crianças.”

Com base nos depoimentos destes profissionais, podemos observar que o professor tem conhecimentos profundos sobre o AEE, porém, há uma preocupação muito grande com a falta de capacitação para esses professores, fica claro que os docentes precisam com urgência de formação continuada, e segundo os professores, esta formação deveria ser ofertada pelos órgãos municipais, porque o professor precisa estar preparado para trabalhar com as diferenças de cada aluno e para isso precisa ter um conhecimento mais apurado do que deve fazer numa sala do AEE.

O professor para trabalhar no AEE, precisa estar preparado para as diversas situações que irá encontrar e tem que ter consciência que não vai lidar apenas com um modelo de aluno. A sua formação docente necessita abranger várias áreas de conhecimentos de forma integrada e permanente, não pode limitar-se à apenas cursos eventuais. Precisa refletir sobre sua prática, para que possa buscar novos conhecimentos e aprimorar o ensino que está oferecendo para o seu aluno em sala de aula. Cabe ao professor do AEE

a partir de observações criteriosas, ajustar suas intervenções pedagógicas ao processo de aprendizagem dos diferentes alunos, de modo que lhes possibilite um ganho significativo do ponto de vista educacional, afetivo e sociocultural (PRADO & FREIRE, 2001, p.5).

A inclusão educacional para ser efetivada necessita ser trabalhada de forma coletiva, ou seja é necessário a participação de todos os membros da equipe escolar para planejarem juntos os melhores caminhos a serem trilhados. Cada membro possui um papel específico, porém se conseguirem fazer um trabalho em conjunto o resultado será satisfatório para todos, visando sempre a melhoria do ensino.

Se a escola quer de fato incluir precisa fazer uma reflexão sobre a sua atual situação, começando pelos profissionais que possui, necessita urgentemente ser repensada para que todos possam realizar seu trabalho de forma diferenciada.

8.6 PROFESSORES DO ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO – AEE

Durante a realização deste estudo foi possível construir o perfil dos professores que trabalham no AEE. Eram professores que estavam em sala de aula como apoio pedagógico, que tinham como função auxiliar os alunos que apresentavam algum tipo de dificuldade na aprendizagem escolar.

São todos pós-graduados na área de educação especial, educação inclusiva e AEE, ou seja, estão aptos para ocupar o cargo como prevê a resolução Nº 2/2001 CNE/CEB sobre a formação dos profissionais lotados nas salas de atendimento especializado.

As informações adquiridas durante a pesquisa nos mostram que os professores da referida escola passam por constantes formações continuadas, quando oferecidas pelo município ou buscam através de instituições particulares se qualificar para desempenhar com êxito seu trabalho e garantir um melhor desenvolvimento na aprendizagem do aluno.

Pergunta 1: Qual o papel do professor do AEE na escola?

Professor 1 : “Vejo que o professor de AEE tem uma função muito importante na escola, buscamos desenvolver um trabalho que atenda todas as instâncias da escola, equipe diretiva e pedagógica, os professores da sala comum, a família e principalmente os alunos da sala regular com os alunos atendidos na SEM. Dentre todas essas funções temos como principal objetivo desenvolver nos alunos estímulos indispensáveis ao pleno desenvolvimento, através de recursos pedagógicos, tecnológicos e educativos, contribuindo de forma significativa para a independência e autonomia”

Pergunta 2: De que forma a família participa do AEE?

Professor 1: “Muitas famílias participam de forma ativa na vida escolar de seus filhos, procuram estar presentes em todos os eventos da escola, ajudam no desenvolvimento da criança e procuram saber se a criança estar evoluído de alguma forma.”

Pergunta 3: Quais as diferenças do trabalho do AEE do trabalho desenvolvido pelos professores da classe regular?

Professor 1: “Há uma pequena diferença em ambas as partes, o professor do AEE busca alternativas que possam auxiliar o aluno em seu desenvolvimento suprindo as lacunas existentes por conta de sua deficiência, confeccionandos materiais adaptados, com tecnologia assistiva e outras, sempre eliminando as barreiras para que o aluno possa participar em evento proporcionado pela escola. Enquanto o professor da sala comum trabalha com a parte de conteúdos e conceitos exigida em cada nível escolar.”

Pergunta 4: Qual formação você acha que é necessária para atuar no AEE?

Professor 1: “A qualificação docente é um ponto fundamental e conforme Resolução CNE/CEB n.4/2009, art. 12, para atuar no atendimento educacional especializado, o professor deve ter formação inicial que o habilite para exercício da docência e formação específica na educação especial.”

De acordo com as respostas fornecidas pelos professores, podemos dizer que a formação é essencial para o desenvolvimento de seu trabalho, bem como para o ensino na diversidade no processo de inclusão.

Podemos observar que são inúmeros os problemas encontrados no que se refere à formação dos educadores. Há uma carência muito grande em nosso município de professores qualificados que atendam às exigências deste novo paradigma educacional e é de extrema urgência que se faça uma reformulação na grade curricular dos cursos de graduação ofertados pelas universidades de nosso país. Outras dificuldades encontradas na formação dos educadores que trabalham com as crianças com NEE são os modelos de várias classes sociais existentes em nossa sociedade, e para que esta clientela seja atendida é necessário ter “jogo de cintura”

A formação do professor deve ser um processo contínuo, que perpassa sua prática com os alunos, a partir do trabalho transdisciplinar com uma equipe permanente de apoio. É fundamental considerar e valorizar o saber de todos os profissionais da educação no processo de inclusão. Não se trata apenas de incluir um aluno, mas de repensar os contornos da escola e a que tipo de Educação estes profissionais têm se dedicado. Trata-se de desencadear um processo coletivo que busque compreender os motivos pelos quais muitas crianças e adolescentes também não conseguem encontrar um “lugar” na escola. (BRASIL, 2005, p.21).

Hoje muito de fala em incluir o aluno na sala comum, porém essa inclusão exige um diálogo permanente entre os professores, uma vez que o trabalho necessita ser articulado e a escola precisa ser organizada tendo em seu projeto político pedagógico ações que possam contribuir para esta inclusão.

De acordo com o documento “Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva”, elaborado pelo MEC/SEESP

[...] a sua atuação no atendimento educacional especializado e deve aprofundar o caráter interativo e interdisciplinar da atuação nas salas comuns do ensino regular, nas salas de recursos, nos centros de atendimento educacional especializado, nos núcleos de acessibilidade das instituições de educação superior, nas classes hospitalares e nos ambientes domiciliares, para a oferta dos serviços e recursos de educação especial. (BRASIL/ PNEEPEI, 2008, p. 19)

A formação dos professores deve fornecer

os meios de um pensamento autônomo e que facilita as dinâmicas de auto formação participada. Estar em formação implica um investimento pessoal, um trabalho livre e criativo sobre os percursos e os projetos próprios, com vistas à construção de uma identidade, que é também uma identidade profissional. (NÓVOA, 1992, p. 25)

De acordo com o autor a formação adequada dá suporte para o professor poder interagir de forma adequada e participar do desenvolvimento de seus alunos, buscando conhecer a realidade de seu educando e ter um olhar diferenciado para o ser humano.

9. CONSIDERAÇÕES FINAIS

De acordo com o trabalho apresentado observa-se que esta luta em prol da inclusão não é algo recente. Durante vários anos no contexto educacional vem sendo discutidas concepções sobre a Educação Especial e no decorrer da história da humanidade, foram-se criando estratégias para incluir pessoas com NEE, seja no âmbito educacional ou social.

Acredita-se que os movimentos dos direitos humanos foram primordiais para alavancar legalmente esses direitos e sensibilizar a sociedade que perante a lei todos temos direitos e deveres.

O Atendimento Educacional especializado é um serviço novo que dá condições para o sucesso da inclusão escolar dos alunos com NEE. Este atendimento sendo ofertado de maneira correta e eficaz nas escolas pode provocar as tão sonhadas mudanças no ensino.

O ser humano aprende de acordo com sua individualidade, esta ação é heterogênea e que é regulada pelo sujeito da aprendizagem. Foram necessárias discussões difíceis, mais de grande importância para se compreender e aceitar os direitos destinados à clientela da educação especial. Diante deste estudo, podemos constatar que o aluno que é atendido pelo AEE, tem muito mais possibilidade de aprender, o que é diferente da sala comum, eliminando as barreiras existentes em sua deficiência.

Vimos que há leis que amparam as pessoas com deficiência para frequentar a rede regular de ensino, e é dever da escola oferecer os subsídios necessários para a educação, tais como estruturas físicas e educacionais adequadas e ainda, ofertar o Atendimento Educacional Especializado (AEE).

No decorrer do estudo podemos observar que o AEE é de fundamental importância para a eficácia da aprendizagem e deve ser ofertado em todos os níveis de ensino oferecendo atividades diferenciadas e programas que possam suprimir todas as barreiras existentes que impeçam este aluno de fato participar ativamente das aulas.

O estudo deixa claro que o AEE não se trata de um reforço escolar e sim uma parceria que apoia e potencializa o desenvolvimento educacional do aluno. Para que isso de fato aconteça é preciso que o professor da sala regular trabalhe de maneira articulada visando a qualidade do ensino e a tão sonhada inclusão.

O educador torna-se fundamental no processo de desenvolvimento do aluno e uma das exigências para atuar no AEE de modo a beneficiar os alunos em seu desenvolvimento cognitivo é que os profissionais que atuam diretamente tenham formação especifica.

Através da pesquisa foi evidenciado que apesar dos professores do AEE estarem em constante formação, ainda há necessidade de melhor formação para os professores da sala comum uma vez que os mesmos atuam na sala de aula com essas crianças. Além disso, ainda falta parceria entre os professores para que os alunos possam se beneficiar dos seus direitos.

Os argumentos citados neste estudo fazem uma análise direcionada para o atual modelo de Educação Especial do município de Breves. Fazendo-nos acreditar que ainda falta muito melhorar e muito a ser feito em relação à educação inclusiva.

10. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BRAGA, Teodoro. 1919. Monografia – O município de Breves. Belém (PA).

BRASIL. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei 9394/96). Ministério da Educação, 1996. BRASIL. Decreto nº 6571. Brasília, 2008.

BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília: Câmara dos Deputados, Edições Câmara, 35ª ed, 454 p, 2012

BRASIL. Comitê Nacional de Educação em Direitos Humanos. Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos. Brasília: Secretaria Especial dos Direitos Humanos, Ministério da Educação, Ministério da Justiça, UNESCO, 2006. BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Especial. Direito à educação: subsídios para a gestão dos sistemas educacionais – orientações gerais e marcos legais. Brasília: MEC/SEESP, 2006.

BRASIL. Constituição da República Federativa. Brasília, 35ª ed, 2012

BRASIL. Ministério da Educação. Plano de Desenvolvimento da Educação: razões, princípios e programas. Brasília: MEC, 2007. ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS. Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, 2006.

BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Especial. Decreto Nº 5.296 de 02 de dezembro de 2004.

BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Especial. Decreto Nº 5.626, de 22 de dezembro de 2005. Regulamenta a Lei Nº 10.436, de 24 de abril de 2002.

BRASIL. Ministério Público Federal. O acesso de alunos com deficiência às escolas e classes comuns da rede regular de ensino. Fundação Procurador Pedro Jorge de Melo e Silva (Orgs). 2ª ed. ver. e atualiz. Brasília: Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão, 2004.

BRASIL. RESOLUÇÃO CNE/CEB Nº 2, DE 11 DE SETEMBRO DE 2001. Diretrizes Nacionais para a Educação Especial na Educação Básica. Disponível em: Acesso em 01/09/2015

FAMEP - FEDERAÇÃO DOS MUNICÍPIOS DO ESTADO DO PARÁ. 2009. Informações Municipais: História de Breves - Pará. Site Oficial: Acesso em 01/09/2015

GOMES, Adriana Leite Lima Verde. A Educação Especial na Perspectiva da Inclusão Escolar: o atendimento educacional especializado para alunos com deficiência intelectual.

LIBÂNEO, José Carlos – Democratização da escola pública – a pedagogia crítico-social dos conteúdos, 2006, 21º edição.

MANTOAN, Maria Teresa Eglér. Educação escolar de deficientes mentais: problemas para a pesquisa e o desenvolvimento. 

NÓVOA, A. Os professores e a sua formação. Lisboa, Dom Quixote, 1992.

OLIVEIRA, Maria de Nazaré Barbosa. 1986. Breves em breves passos. Breves (PA).

PRADO, M. E. B. B.; FREIRE, F. M. P. A formação em serviço visando a reconstrução da prática educacional. In: FREIRE, F. M. P.; VALENTE, A . (Orgs) Aprendendo para a Vida: os Computadores na Sala de Aula. São Paulo: Cortez, 2001.

RAUEN, Fábio José. Elementos da iniciação à pesquisa. Rio do Sul: Nova Era, 1999.

SARTORETTO, Mara Lúcia; SARTORETTO Rui. ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO E LABORATÓRIOS DE APRENDIZAGEM: O QUE SÃO E A QUEM SE DESTINAM. Disponível em: Acesso em 01/09/2015

SILVA LM da. Educação inclusiva e a formação de professores. 2009. 90 f. Monografia apresentada como pré-requisito para conclusão do Curso de Especialização Latu Sensu à distância em Educação Profissional e Tecnológica Inclusiva, Estado do Mato Grosso – Campus Cuiabá – Octayde Jorge da Silva. Cuiabá, 200

11. ANEXOS

Campo de pesquisa Escola Municipal de Ensino Fundamental Maria Rafols.

Entrevistados: direção, professores da sala comum, professores da sala do AEE.

Pesquisa de campo

A visão do corpo administrativo sobre o atendimento educacional especializado

a) Quais são as ações da educação especial desenvolvidas na sua escola?

b) Todos os alunos que frequentam a sala de recursos multifuncionais são de sua escola? Como é feito esse atendimento?

c) A escola recebe recursos financeiros exclusivo para se investir na educação desses alunos?

2) Visão dos professores da sala comum sobre os professores do atendimento educacional especializado. AEE

a) Você sabe como funciona e a quem se destina o AEE?

b) Os professores estão preparados para atuar no AEE?

3) Professores do atendimento educacional especializado – AEE

a) Qual o papel do professor do AEE na escola?

b) De que forma a família participa do AEE?

c) Quais as diferenças do trabalho do AEE do trabalho desenvolvido pelos professores da classe regular?

d) Qual formação você acha que é necessária para atuar no AEE?

1 Informações disponíveis em http://www.recantodasletras.com.br/artigos/1896227

2 Informações disponíveis em http://www.recantodasletras.com.br/artigos/1896227

3 Informações disponibilizadas pelo PPP (Projeto Político Pedagógico) da escola Maria Rafols.


Publicado por: Ineide Ferreira Baia

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