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Gestão Democrática: integração escola e comunidade

Educação

A gestão escolar não deve ser enxergada somente como um conjunto de práticas burocráticas voltadas à escola, mas sim, precisa ser vista como um viés de promoção do fazer democrático e da cidadania.

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1. RESUMO

O presente trabalho apresenta um breve estudo a cerca dos princípios que norteiam a gestão escolar quando esta se caracteriza como democrática, bem como sua integração com a comunidade tendo em vista alguns aspectos escolares e extra-escolares. É uma abordagem crítico-reflexiva que visa incentivar e proporcionar suporte às discussões sobre o tema. A gestão escolar não deve ser enxergada somente como um conjunto de práticas burocráticas voltadas à escola, mas sim, precisa ser vista como um viés de promoção do fazer democrático e da cidadania. A escola não pode e não deve fechar-se em seus muros, deixando de considerar toda a realidade que a norteia e que exerce influência constante no processo de ensino aprendizagem. A sociedade vem se transformando em rítmo cada vez mais acelerado, logo as instituições de educação não podem manter-se distantes do meio social que exige uma proximidade pertinente se o êxito da educação for o objetivo a ser alcançado. Atualmente não há como a escola subsistir sozinha no que diz respeito às suas atribuições, se considerarmos tanto fatores externos que existem à sua volta. Portanto nota-se que é imprescindível que a comunidade local esteja em sintonia com o ambiente escolar para garantir a melhoria educacional e isso pode ser promovido mais facilmente quando a escola possui uma gestão democrática.

Palavras-chave: Gestão. Escola. Comunidade.

ABSTRACT

This paper presents a brief survey about the principles that guide the school management when it is characterized as democratic, as well as its integration with the community for some aspects of school and extra-curricular. It is a critical and reflective approach that aims to encourage and provide support to the discussions on the topic. The school management should not be enxergada only as a set of bureaucratic practices geared to school, but needs to be seen as a bias to promoting the democratic and citizenship. The school can not and should not close on its walls, leaving all to consider the reality that guides and holding steady influence in the teaching learning process. The society is becoming increasingly fast pace, then educational institutions can not remain distant from the social environment that requires a relevant proximity is the success of education is the goal to be achieved. Currently there is no way the school stand alone with respect to their powers, if we consider both external factors that exist around them, so we note that it is essential that the local community is in line with the school environment to ensure educational improvement and this can be more easily promoted when the school has a democratic management.

Keywords: Management. School. Community

2. INTRODUÇÃO

A educação tem como função promover estratégias que efetivem a formação do cidadão e, consequentemente, a prática da cidadania. Quando ela não está atingindo este objetivo, precisa-se refletir e repensar determinadas práticas e atitudes.

A escola como uma instituição precisa saber que deve formar sujeitos que possam inserir-se na sociedade de modo a modificá-la positivamente. Se é para a sociedade que a escola forma o indivíduo, logo conclui-se que ambos, ambiente escolar e meio social devam manter uma relação de reciprocidade para o bom andamento da educação. Por isso tem-se a percepção de que há a necessidade de uma mútua colaboração entre a esfera social e a dimensão escolar, principalmente, em relação ao meio externo do local a que as unidades de educação pertencem.

O ato de educar exige práticas próprias das relações humanas, pois no cotidiano escolar lidamos com sujeitos de diferentes formas de agir, influenciados por diversos fatores (habitação, crenças, classe social, ambiente familiar, entre outros), por isso é importante que o espaço escolar seja um lugar onde predomine a prática democrática, que em sua abrangência, abarca o respeito às diferenças, a consciência ética, a ocorrência da participação e o incentivo da mesma etc.

Pretende-se obter através deste estudo um maior entendimento a cerca do que seja a gestão democrática escolar e de tudo o que faz parte de suas práticas. Espera-se explicitar de forma clara e objetiva a relevância que tem o Projeto Político Pedagógico e o Conselho Escolar no que se refere à gestão que se molda como democrática, bem como ressaltar a influência e importância que há na integração da comunidade com a escola, mostrando que há possibilidades e medidas práticas que propiciem essa inter-relação.

O trabalho foi construído através de pesquisa bibliográfica, utilizando como suporte o saber dos teóricos, especialmente Vitor Henrique Paro, que aborda diversas discussões no que diz respeito à gestão democrática escolar dando destaque à sua relação com o meio comunitário e social como um todo e Ilma Passos Alencastro Veiga, que concebe o Projeto Político Pedagógico como uma importante ferramenta para a democratização da educação e o Conselho Escolar como algo que assegure a efetivação do PPP. Utilizou-se, também a pesquisa de campo, buscando conhecer a realidade da gestão escolar de algumas escolas, a partir de questionários e observações, com a pretensão de projetar possíveis estratégias de integração da escola com a comunidade, apoiando-se numa gestão que seja democrática.

Inicialmente aborda-se a gestão democrática conceituando-a e caracterizando-a de forma a esclarecer a sua importância para o melhoramento da educação. Toda escola necessita de uma administração, porém quando esta se dá de forma democrática, precebe-se o quanto se pode avançar de maneira positiva rumo a uma boa educação.

A participação é uma característica indispensável numa gestão democrática, pois através dela busca-se alcançar os objetivos com uma colaboração mais ampla e com maiores possibilidades de obter sucesso naquilo que se almeja. É insdispensável que o professor tenha consciência da importância desse tipo de gestão, pois o docente é uma peça chave para um ensino de qualidade, logo sua colaboração e participação são essenciais em meio a uma administração escolar democrática.

Destaca-se ainda a relevância que tem o Projeto Político Pedagógico e o Conselho Escolar na democratização da escola. Ambos são pilares que sustentam o caráter democrático da gestão, sem a efetiva atuação desses dois fatores, não há como conceber uma gestão democrática na prática.

O PPP (Projeto Político Pedagógico) imprime à gestão o fazer democrático na medida em que seja elaborado de forma participativa, tendo em vista as necessidades da escola e da comunidade, criando estratégias que irão guiar os trabalhos escolares durante o período letivo, daí percebe-se, mais uma vez, a importância da participação, citada anteriormente.

Pode-se afirmar que o CE (Conselho Escolar), quando trabalhado de forma correta, é uma das práticas mais democráticas que podemos encontrar numa escola. Já em sua formação, nota-se que há uma ampla participação por meio da escola e da comunidade local e na sua atuação, ele efetiva as metas e ações propostas no Projeto Político Pedagógico e busca manter uma maior transparência em relação às questões da escola.

Tais fatores estão intimamente ligados à busca da democratização da escola e, em consonância com as mudanças ocorridas no meio social, buscam garantir um ambiente escolar favorável ao bom desempenho do processo de ensino aprendizagem.

Finalmente, apresentam-se as possíveis maneiras pelas quais a comunidade pode estar ativamente inserida na escola e como sua atuação traz inúmeros benefícios para as unidades de educação, incluindo, também a discussão sobre a influência da família, que desempenha um importantíssimo papel para o desenvolvimento das práticas educacionais. Trata, também da diferenciação da escola democrática e da escola não democrática, pois é de suma importância conscientizar-se de que há instituições escolares com práticas totalmente antidemocráticas e que geram um andar negativo da educação, por isso é importante ter a noção dessas questões para que se possa saber o que se deve ou não fazer.

Promover a integração da escola com a comunidade não é algo impossível de se acontecer na prática, porém a gestão escolar precisa estar disposta a trabalhar com o intuito de garantir essa inter-relação de colaboração e ajuda mútua e ela fará isso de maneira mais coerente se adotar os moldes de uma administração escolar democrática.

3. GESTÃO DEMOCRÁTICA ESCOLAR

Em tempos de transformações notáveis e gradativas na sociedade brasileira, percebe-se a necessidade de mudanças constantes no modo de conduzir e organizar os diversos setores que a constituem. Nessa perspectiva, a escola como instituição de cunho vital para o bom andamento das práticas sociais não poderia se tornar alheia a tais transformações, pois a educação tem papel fundamental para a construção do bem estar social e da cidadania.

A gestão escolar é o meio pelo qual as instituições educacionais são conduzidas e organizadas, tendo em vista os fatores econômicos, políticos, estruturais, pedagógicos, sociais, dentre outros. É a partir das ações da gestão que a escola toma posse de seus métodos e perspectivas para o desenvolvimento dos processos educativos. Aliada a ela, surge a democratização da mesma que tem sido um assunto corriqueiro no meio educacional. Afinal, essa concepção de gestão tem trazido novos horizontes para a educação brasileira, pois proporciona avanços de significativa relevância para a educação, tais como o envolvimento da comunidade escolar na escolha do diretor da escola e a implantação dos conselhos escolares com papel deliberativo e decisório.

Sabe-se que ainda hoje, no Brasil, o ensino público reflete os velhos moldes da administração clássica, onde a ênfase se dava no cumprimento de normas e técnicas padronizadas e rigorosas que deviam ser seguidas por todas as escolas, para que estas trabalhassem da mesma forma. Sabendo que vivemos numa sociedade dinâmica, não podemos nos agarrar aos métodos do passado, pois as mudanças de época exigem também a transformação dos métodos e técnicas. Logo, a gestão escolar precisa aderir à democratização de suas funções e atribuições, visto a necessidade do cenário social, econômico e político em que nos encontramos.

(...) administrar uma escola pública não se reduz à aplicação de uns tantos métodos e técnicas, importados, muitas vezes, de empresas que nada têm a ver com objetivos educacionais. A administração escolar é portadora de uma especificidade que a diferencia da administração especificamente capitalista, cujo objetivo é o lucro, mesmo em prejuízo da realização humana implícita no ato educativo. Se administrar é usar racionalmente os recursos para a realização de fins determinados, administrar a escola exige a permanente impregnação de seus fins pedagógicos na forma de alcançá-los (PARO, 2000, p. 7).

Nesse sentido, a gestão escolar, deve ter a consciência do seu papel pedagógico, pois o produto final de todas as ações da gestão, bem como de toda a equipe da escola (docentes e demais funcionários) deve ser a educação em si. A partir do momento em que os gestores tomam posse desse saber, todos os seus esforços se traduzirão em estratégias para garantir um processo de ensino aprendizagem que se dê de maneira eficaz. Desta forma, a gestão começa a ganhar um formato democrático, onde todos buscam em conjunto a melhoria da educação.

3.1 Conceitos e características da gestão democrática

A palavra gestão tem sua origem do latim “gestio”, que quer dizer “ato de administrar, de gerenciar”, ou seja, a ação de gerir determinado órgão ou instituição tem como incumbência geral a administração, sendo que esta última se dá em diversos aspectos. O termo democracia surgiu na Grécia Antiga (demo= povo e Kracia= governo). Levando em consideração seu ponto de vista etimológico, a expressão “gestão democrática” ressalta a importância da participação popular no tocante às decisões relacionadas ao funcionamento da instituição escolar. Logo, vemos que nesse tipo de gestão a administração não fica restrita nas mãos de uma única pessoa, o gestor, mas submete-se o poder em todas as suas dimensões a uma descentralização, ou seja, a uma partilha na qual todos os interessados no processo educativo (professores, alunos, funcionários da escola, pais e toda a comunidade) poderão contribuir no processo de ensino aprendizagem.

Podemos afirmar que gestão escolar é a maneira pela qual as instituições de educação são coordenadas e organizadas, tendo em vista as possibilidades de melhor conduzir os processos educativos. Quando atribuímos o caráter democrático à administração escolar, temos que ter em vista o conceito citado anteriormente, porém deve-se agregar as ideias de cooperação mútua, partilha do poder, percepção e sensibilidacde às necessidades envolvidas nos processos educativos (questões sociais, étnicas, religiosas, culturais, sexuais etc), bem como buscar desenvolver as potencialidades dos envolvidos na educação, para que assim a escola possa vir a somar ideias e estratégias de uma forma mais ampla.

Gestão Democrática na escola pública é um processo por meio do qual decisões são tomadas, encaminhamentos são realizados, ações são executadas, acompanhadas, fiscalizadas e avaliadas coletivamente, isto é, com a efetiva participação de todos os segmentos da comunidade escolar (SEDUC, 2012, p. 7).

A questão da gestão democrática escolar muitas vezes fica subentendida como uma oportunidade para expor vários pensamentos, ou seja, tem-se a gestão democrática como viés para uma enxurrada de opiniões a cerca dos mais diversos assuntos que norteiam a escola. Logo,corre-se o risco de limitar todas as possíveis maneiras que a gestão possui para bem conduzir o ensino aprendizagem, sem falar da ideia errônea de que preencher o calendário escolar com eventos que contam com a participação da comunidade seja algo que efetive a gestão democrática, pois muitas vezes, esses acontecimentos tornam-se corriqueiros, cansativos e não contribuem com a escola, pois podem não ser tão significativos. De acordo com Neidson Rodrigues (2003, p.38), “É falso ligar a questão da democratização da escola a um único aspecto da atividade escolar, seja ele administrativo, pedagógico, de participação da comunidade em processos decisórios, acadêmicos ou políticos da escola”. A gestão democrática vai além de simples ações, que geralmente contam com a participação de um número maior de pessoas, mas ela caracteriza-se como um conjunto mais amplo e sistemático, que contempla todas as dimensões envolvidas na educação, ao passo que cada característica possui suas particularidades, métodos e estratégias específicas, onde, de maneira organizada, a gestão tem a função de coordenar e comandar tais ações, tendo em vista o desenvolvimento das práticas educativas numa ótica democrática, ou seja, participativa e cooperativa.

Na gestão democrática, leva-se em consideração alguns fatores tidos como princípios democráticos, onde se destacam a participação, a autonomia, a transparência e o pluralismo. São estes princípios que dão um tom democratizado à gestão, o que facilita a compreensão da concepção dessa gestão, caracterizando-a de maneira mais explícita.

3.1.1 O planejamento participativo

Dentre as características da gestão democrática podemos destacar o planejamento participativo como algo que traz relevantes contribuições no processo de democratização da educação. “A participação é condição básica para a gestão democrática. Uma não é possível sem a outra. É desse modo que a gestão democrática é concebida como projeto coletivo” (SEDUC, 2012, p. 7).

No planejamento participativo, busca-se os métodos e estratégias mais adequados para as práticas escolares e extra-escolares, tendo em vista a autonomia de todos mediante às decisões a serem tomadas e aos possíveis projetos que surgirem. Porém, percebe-se que há uma problemática em relação à participação no campo do planejamento que possui uma raíz histórica e que se reflete ainda hoje, devido ao caráter político presente nas ações que requerem planejamento.

Quanto a esse tipo de planejamento, nota-se que há uma grande dificuldade em perceber como ele deve ter uma ação efetiva. Nessa ótica, a participação no planejamento, pode tornar-se uma mera ficção ou uma ilusão, onde parece haver tal participação, quando na verdade, ela não acontece de fato, pois não são oferecidos a autonomia e o poder sobre as decisões, o que acontece, na realidade, é apenas um acompanhamento das ações a serem planejadas.

Há a possibilidade de um planejamento participativo a partir do momento em que todos demonstram um papel atuante, de caráter decisório e influente quanto ao planejamento. Temos assim, sujeitos participantes na íntegra e não apenas meros espctadores.

Para o bom andamento no processo do planejamento participativo, deve-se ficar claro que todos têm responsabilidades sobre o que será planejado, pois do contrário, há apenas uma participação superficial e involuntária, onde apenas concorda-se e não há uma posição firme diante do trabalho a ser realizado, existindoapenas um “teatro democrático”. “O planejamento participativo propõe e deve implementar intervenções coletivas sobre o social, refletidas e conscientes. Ainda que venha desenvolver-se em microespaços do social, pode desempenhar uma atuação estratégica e construir sentido” (FALKEMBACH, 2008, p. 135).

Sabe-se que todostêm opiniões e conceituações distintas, porém, no planejamento participativo deve-se saber administrar muito bem esse fator para que não se instale uma situação de conflito.

A participação efetiva no processo do planejamento é de fundamental importância, a partir dos momentos em que se concebem os instrumentos e métodos eficazes consegue-se chegar aos resultados desejados sem ultrapassar limites e efetivando o caráter democrático da gestão, tendo em vista sempre buscar os melhores meios de promover uma educação que comtemple a maior integração da escola com o meio comunitário e tornado a escola um espaço democrátcio em seu fazer pedagógico e em todas as suas instâncias, levando em consideração atores internos e externos à instituição.

3.2 A influência dos fatores sociopolíticos na administração escolar

Sabe-se que em uma sociedade organizada e sistemática a existência de políticas que garantam seu bom andamento é de grande importância, pois são estas que proporcionam os meios necessários para garantir o cumprimento de atribuições específicas, bem como de manter direitos e deveres em vigor.

Já não é novidade perceber que as questões sociais exercem significativa influência no âmbito escolar. No que diz respeito à administração das instituições de educação, esses fatores sociais, assim como aqueles de cunho político, têm um papel importante nas suas atribuições, destacando, principalmente, a escolha da gestão escolar quando se relaciona com questões políticas.

Geralmente, quando falamos em política é comum vir à nossa mente disputas de poder no meio social. Em relação à administração escolar, percebe-se, principalmente nas unidades educacionais públicas de ensino fundamental, disputas por cargos na administração, disputas essas, que visam tão-somente o status de poder atribuído ao gestor, ao passo que a preocupação necessária com o processo pedagógico conducente à aprendizagem fica de lado, o que descaracteriza a democratização da gestão e pode dá origem a uma gestão com moldes empresariais. Ressaltando que, muitas vezes os gestores indicados não possuem uma formação adequada para ocupar o cargo na administração, logo, podemos imaginar que tal fator poderá ser um motivo que leve a inúmeras dificuldades em relação às práticas e atribuições da gestão ou até mesmo ao fracasso de algumas.

É importante lembrar que muitos gestores, apesar de não possuirem a formação específica para gerir uma escola, detêm o saber adquirido através da experiência, conhecimento esse que merece seus méritos, porém deve-se atentar ainda à importância da atuação de pessoas com adequada formação na administração escolar, pois assim, poderão ser evitadas muitas consequências negativas que potencialmente podem tornar-se irreversíveis, sem falar que a gestão que se apresenta formulada nestes moldes indicativos pode ter como gestor um chefe monocrático, ou seja, aquele que detêm a autoridade máxima e inquestionável.

Se a educação é um modo de promover a cidadania e a evolução social, assim como tem o dever de expandir o saber produzido e acumulado ao longo do tempo, vê-se nesse conceito a apropriação do caráter político em seu sentido mais puro (a arte de servir ao povo), nos processos educativos, o que também deve ocorrer nas práticas da administração escolar, pois são através de tais práticas que surgirão as diretrizes para o efetivo cumprimento das ideias no que diz respeito ao ensino aprendizagem. Porém, o que se percebe é uma política antagônica ao desenvolvimento social, a partir do momento em que se constituem gestões meramente indicativas e geradas através do critério de cargos de confiança, o que colabora para a gênese de uma administração escolar pautada nos velhos moldes da gestão clássica, sem ter a consciência de levar em consideração todos os fatores priorizados pela gestão democrática, os quais são fundamentais no bom exercício das práticas que norteiam o bom desempenho da educação.

Uma gestão que seja realmente democrática leva em consideração os fatores sociais nos seus mais diferentes âmbitos. A que se ter uma maior sensibilidade para tais questões, pois elas requerem uma maior atenção na forma como são concebidas, estratégias de como lidar com elas e possíveis soluções para problemas que possam ocorrer advindos desse âmbito social. A administração escolar se encontra influenciada pela questão social a partir do momento em que passa a praticar algumas das orientações citadas anteriormente, ou algo similar a elas. Caso contrário, podemos ter um diagnóstico mais preciso sobre o tipo de administração vigente em uma unidade escolar, se democrática ou não.

A atividade adminstrativa não é autosuficiente, ou seja, precisa ser complementada, pois ela deve atuar como uma mediadora, é aí que a prática política tem sua deixa, no sentido de agregar a administração escolar um sentido mais amplo na sua forma de gerir uma escola. Tendo em vista o pleno desenvolvimento social, a partir da prática educacional, busca-se uma maior eficiência no sentido organizacional, legislativo, na procura de melhores métodos que possam atender à determinada clientela. Afinal, essa prática voltada para a ótica política em sua essência, leva a administração a uma maior percepção em relação às diversas questões que poderiam passar despercebidas sem esse olhar mais específico, o que tornaria a administração escolar algo distante da realidade do público que deseja atingir, sem falar da prática democratizadora que seria deixada de lado.

É interessante sempre colocar em ênfase as questões sociais e políticas quando tratarmos de administração escolar, principalmente se buscarmos um conceito democrático dessa administração, o qual se deseje colocar em prática.

O exame do modo como se configuram as múltiplas relações sociais que têm lugar no cotidiano da escola e seu inter-relacionamento com os determinantes sociais mais amplos, bem como a consideração da natureza específica quer da prática política, quer da atividade administrativa, parecem autorizar a conclusão de que o político tem precedência sobre o administrativo no cotidiano da escola pública (PARO, 2000, p. 78).

Nesta ótica, podemos perceber que a prática política não é algo que serve como um “apetrecho” para a administração escolar, pois ela antecede a administração em alguns aspectos no ambiente da escola, afinal para que a gestão pudesse ter a autonomia que desempenha, os fatores políticos tiveram que dar sua contribuição para que isso acontecesse, bem como em diversos outros aspectos que envolvem a gestão em sua ação administrativa e, consequentemente, no todo que envolve suas práticas.

A partir do momento em que a administração escolar toma consciência da importância em relação à prática política, ela também se tornará sensível às questões de cunho social, pois se há uma administração politizada, centrada na ideia de que a educação vai além dos muros da escola, mesmo quando se trata das funções da administração que em sua maioria se fecha em uma sala, com certeza a escola não se tornará alheia ao meio social com suas peculiaridades que norteiam a escola. Dessa forma, tendo em vista a vasta influência dos fatores sociopolíticos no que diz respeito à administração escolar, poderão ser calcados passos mais largos rumo a uma gestão verdadeiramente democrática que favoreça uma melhor educação de forma mais ampla e eficaz para todos.

3.3 A visão dos docentes em relação à gestão democrática

Se a gestão democrática abarca, especialmente o caráter opinativo dos envolvidos no processo de ensino aprendizagem, o professor como agente decisivo nas práticas que levam a aprendizagem não pode se tornar alheio ao que propõe a gestão de caráter democrático. Afinal, é o docente que sente na pele todos os fatores sociais, já citados anteriormente, que interferem em sala de aula.

Pode-se afirmar que o professor é quem conhece de forma mais clara a identidade dos alunos (suas potencialidades, limitações, fatores influentes em sua aprendizagem, dentre outros). Assim, o docente precisa possuir o conhecimento sobre o que vem a ser gestão democrática, pelo menos seu conceito básico, já que essa gestão deve ser norteada por ações que influirão diretamente no cotidiano da sala de aula, o “habitat natural” do professor. Por isso, chegar ao entendimento sobre essa democratização do ambiente escolar, é de fundamental importância para o bom desempenho das atribuições do professor, bem como na prática de uma administração escolar democrática efetiva.“À medida que o educador, enquanto educador, compreende a importância social do seu trabalho, a dimensão transformadora da sua ação, a importância social, cultural, coletiva e política da sua tarefa, o seu compromisso cresce” (RODRIGUES, 2003, p. 66). Apoiando-se nessa concepção, percebe-se que através do entendimento do docente no que diz respeito a todos os fatores que norteiam a gestão democrática, adquire-se uma nova visão que irá modificar de forma positiva a sua prática pedagógica, pois o fortalecimento do compromisso de educar traz em si uma gama de novos horizontes para a melhoria do trabalho realizado pelo professor, sempre tendo a democratização da gestão como uma bússola que irá orientá-lo em seu dia a dia na escola, no que se refere às suas atribuições e possíveis contribuições.

Para que possamos subsidiar de forma mais clara o entendimento que os educadores têm em relação ao conceito de gestão democrática, analisaremos, a seguir, o que relatam alguns professores da rede municipal de ensino público do município da Lagoa de São Francisco – PI:

“Uma administração onde todos possam ser ouvidos, onde não há imposição de poder, onde há respeito e trabalho em grupo”.

“É a descentralização do poder voltado para a gestão escolar”.

“Trabalho em conjunto com os demais funcionários, nas tomadas de decisão, entendimento uns dos outros, não tomar decisões sozinhos”.

“Um espaço onde todos possam opinar. A democratização do ambiente escolar”.

Nota-se que a ideia central na maioria dos conceitos expostos é a questão do trabalho em grupo. Afinal, o professor percebe a diferença no ambiente escolar quando se realizam ações que estimulem o trabalho, tanto as voltadas exclusivamente aos alunos quanto as direcionadas ao corpo docente e todos os que formam a gestão. Porém, a que atentar-se para o perigo de não se fechar no conceito de que uma gestão democrática se resume somente em práticas de trabalho em grupo e participação nas tomadas de decisão, pois a prática de democratização através da gestão escolar vai além disso. O docente precisa ter a consciência de que existe um todo mais amplo no trabalho norteado por uma administração de cunho democrático, buscando sempre aprofundar-se no assunto e não deixando que tais ideias sejam afogadas no trabalho rotineiro habitual da escola.

Não se deve deixar de lado a visão que o professor tem sobre a gestão democrática, pois tendo em vista seu papel fundamental na escola, ele poderá vir a contribuir e muito com o trabalho da gestão. Segundo a professora Janaria Raquel Santos da Silva,“um dos pontos negativos da gestão democrática poderia ser o surgimento de alguns conflitos devido às várias opiniões”. Daí podemos notar como o educador, quando tem uma visão crítica e reflexiva a cerca da gestão democrática, pode contribuir de forma significativa para seu bom funcionamento, pois dessa forma, ele consegue ter uma visão mais nítida a cerca do que seja positivo ou até mesmo negativo, como vimos no relato citado pela professora, sendo que dificilmente se pensa em negatividade quando se fala em uma gestão que seja democrática, logo, é indispensável que se leve em consideração o que os docentes pensam e percebem em relação à gestão democrática.

4. A CONSTRUÇÃO DO PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO E OS CONSELHOS ESCOLARES

Toda instituição de educação necessita de diretrizes que norteiem seus trabalhos durante o ano letivo. São meios pelos quais a escola busca orientar-se para desenvolver as ações que contemplam os processos educativos. Estamos nos referindo ao Projeto Político Pedagógico (PPP), que torna-se essencial para a educação, quando esta busca manter uma postura democrática em meio ao processo educacional.

A escola precisa e deve possuir um PPP, afinal a educação é construída de maneira sistemática, dessa forma, esse projeto faz-se necessário para as instituições de educação que realmente tenham o compromisso de educar e não simplesmente de cumprir questões burocráticas exigidas por um sistema.

A educação não pode ser concebida como simples técnicas e saberes, mas sim como algo organizado, onde sejam justificadas as ações realizadas, que possua metas a serem alcançadas, enfim que seja trabalhada na ótica de projeto.

Um conceito fundamental para pensar a educação é o de Projeto, pois ele se recusa a considerar a escola como um modelo ideal, pronto e acabado. Uma escola como um modelo ideal e não flexível não existe, uma vez que ela vai se construindo nas contradições do seu cotidiano, que envolve situações diversas, correlações de força em torno de problemas, impasses, soluções, vivenciados a cada momento (OLIVEIRA, 2005, p. 40).

Percebe-se a importância que o Projeto Político Pedagógico tem, sobretudo em relação às ações diretamente ligadas às questões pedagógicas da escola, pois é a partir do projeto que serão pensadas tais ações e projetadas para que futuramente sejam colocadas em vigor, tendo em vista a realidade que norteia a instituição de educação, bem como os fatores socioeconômicos, que sempre exercem influência no processo de ensino aprendizagem. Portanto, o ideal é que toda escola tenha a consciência de que o PPP deve ser o instrumento de fundamental importância para bem conduzir o ano letivo, sabendo também, que esse projeto vai muito além de meros objetivos, estratégias e ações, afinal ele é a identidade da instituição.

A construção do Projeto Político Pedagógico deve estar baseada na dinâmica social que envolve todas as relações que influenciam diretamente o trabalho escolar no que diz respeito às funções pedagógico-administrativas. Construir um PPP requer uma visão ampla que seja capaz de visualizar estratégias eficazes para que, futuramente, a escola obtenha um bom desempenho de suas atribuições. Logo a elaboração do projeto não pode se restringir apenas às pessoas diretamente ligadas à escola (gestor, coordenador, supervisor e professores), mas, deve-se levar em consideração as contribuições que a comunidade local tem a oferecer. Dessa forma, sua participação deve ser estimulada e colocada em vigor, afinal a comunidade age de forma pertinente quanto a elaboração de ações que estejam diretamente ligadas aos fatores externos das instituições de educação e sabe-se que tais fatores externos exercem significante influência na escola. Afirma Ilma Passos Alencastro Veiga (2008, p. 12) “Ao cosntruirmos os projetos de nossas escolas, planejamos o que temos a intenção de fazer, de realizar. Lançamo-nos para diante, com base no que temos, buscando o possível. É antever um futuro diferente do presente.” O Projeto Político Pedagógico não deve ser construído com a ideia de um documento obrigatório, mas sim como a maneira pela qual a escola vai guiar-se e realizar as ações determinadas no projeto.

Durante sua construção é necessário que haja clareza do que realmente se necessita para que o processo de ensino aprendizagem se dê de forma eficaz e que a escola desempenhe de forma mais significativa sua função social. Não se deve superlotar o projeto com ações, que muitas vezes não serão colocadas em prática, nem fugir da realidade em que se está inserido, afinal no que diz respeito ao PPP, a escola deve basear-se naquilo que possui ou que se pensa que possa possuir, daí reafirmamos a importância da participação da comunidade na elaboração do projeto.

4.1 O papel fundamental do PPP na democratização da educação

Sabe-se que o Projeto Político Pedagógico deve constituir-se de maneira que contemple todos os fatores internos e externos da escola, pois ambos influenciam diretamente no âmbito educacional, especialmente nas questões referentes à sala de aula. Não há como conceber o PPP sem levar em consideração esses fatores, afinal deve-se perceber esse projeto como algo que leve a educação a uma plena democratização de suas ações, sejam elas pedagógicas, administrativas ou sociais.

Atualmente discute-se bastante sobre gestão democrática, no que se refere às reflexões a cerca da sua importância para o crescimento da educação e o Projeto Político Pedagógico não pode ficar de fora quando o assunto é democratização da educação, pois ele exerce papel de fundamental importância para que a educação possa adquirir um caráter democrático.

Nas palavras de VEIGA:

O projeto político pedagógico, ao se constituir em processo democrático de decisões, preocupa-se em instaurar uma forma de organização do trabalho pedagógico que supere os conflitos, buscando eliminar as relações competitivas e autoritárias, rompendo com a rotina do mando impessoal e racionalizado da burocracia que permeia as relações no inteior da escola, diminuindo os efeitos fragmentários da divisão do trabalho que reforça as diferenças e hierarquiza os poderes de decisão (2008, p. 13).

Nota-se que o Projeto Político Pedagógico cria um ambiente propício para que a educação adquira um tom mais democrático em suas atribuições, pois através dele deixa-se de lado a burocracia imposta pelo sistema e tem-se uma maneira mais participativa de se trabalhar no âmbito educacional, pois o resultado final do projeto deve ser tido com o reflexo do esforço coletivo de todos os interessados nos benefícios que a educação proporciona, sendo assim, o Projeto Político Pedagógico pode ser concebido como um grande viés para a democratização da educação.

É fundamental que o PPP seja de fato colocado em vigor e que tudo o que foi previsto no projeto seja realmente vivenciado pela instituição escolar, para que ela possa manter-se com uma postura democrática e, consequentemente, seja eficiente nas atribuições que lhe compete, “(...) propicia a vivência democrática necessária para a participação de todos os membros da comunidade escolar e o exercício da cidadania” (ibidem, 2008. p. 13).

O projeto em questão é algo indispensável quanto a identidade de uma gestão que se caracterize como democrática, principalmente se esse projeto é colocado em vigor de forma efetiva, sendo flexível quando necessário e contando com colaboração coletiva de forma ampliada em sua elaboração.

(...) a democracia tem de ser perspectiva principal de uma escola; portanto, só é possível considerar o processo educativo em seu conjunto, sob a condição de se distinguir a democracia como possibilidade no ponto de partida e a democracia como realidade, no ponto de chegada (SAVIANI, 1982 apud OLIVEIRA, 2005, p. 46).

A democracia como um dos princípios que devem nortear o PPP precisa ser considerada como algo fundamental na vivência da educação, pois a consciência de sua importância gera uma maior preocupação no que diz respeito à elaboração do projeto bem como de sua aplicação.

Para BUSSMANN:

A prática democrática faz com que as decisões sejam precedidas de discussão. Tomada a decisão, a discussão fica suspensa num certo sentido para que a decisão implemente-se. Portanto, no debate livre e democrático, palavra e ação reclamam-se reciprocamente, mas não se substituem (2008, p. 42).

Está claro que a questão da democratização da educação é algo benéfico em grande escala para a instituição ecolar e em contrapartida para a sociedade como um todo, pois é esta última a maior beneficiada com os resultados advindos de uma educação de qualidade.

É notável a importância que o PPP tem quando se fala em democratização da educação, pois ele proporciona a inter-relação entre os agentes internos e externos da escola, logo, tem-se vez para o diálogo entre ambos, é dada a oportunidade para a troca de experiências e busca-se em conjunto as melhores formas de se conceber uma educação que seja adequada à clientela que se possui, sem esquecer da função social da escola, que ganha maior ênfase quando se trabalha desta forma. Formula-se, assim, a ideia de que o Projeto Político Pedagógico é sem dúvida uma ferramenta fundamental para garantir que a educação torne-se um ambiente democrático e busque estar em sintonia com todos os fatores que possam vir a influenciar o processo de ensino aprendizagem, buscando garantir a melhoria do ensino.

4.2 A formação do Conselho Escolar

O Conselho Escolar (CE) é mais uma das ferramentas que concede à escola um caráter democrático, pois é através dele que inicia-se o diálogo e a correlação entre os agentes diretos da escola (gestão, corpo docente e demais funcionários) e os agentes indiretos (membros da comunidade). Há uma expressiva relação do CE com o PPP, pois é o conselho o responsável pela efetivação do Projeto Político Pedagógico, afinal este tem como uma de suas atribuições assegurar que as determinações discriminadas no projeto sejam realmente cumpridas, bem como tem como função, também, fiscalizar as questões financeiras da escola, além de ter um caráter deliberativo e decisório.

Percebe-se a positividade do CE no que diz respeito à descentralização do poder nas isntituições escolares, o que assegura uma maior vigência do espaço democrático na escola, desfazendo a antiga ideia de que o gestor é o centro de todas as ações que norteiam a escola e garantindo uma maior participação do coletivo no ambiente escolar em suas mais diferentes dimensões.

Segundo o Ministério da Educação:

(...) a complexidade da sociedade atual e o processo de democratização do público impuseram a ampliação dos mecanismos de gestão das políticas públicas, criando as políticas setoriais, com definição discutida em conselhos próprios, com abrangências variadas: unidades da federação, programas de governo, redes associativas populares e categorias institucionais (2004, p. 18).

A escola não pode se distinguir das demais instituições da sociedade em relação às questões que passam por transformações, sobretudo, se tais transformações influenciam diretamente no desenvolvimento de seus trabalhos, dessa forma, as instituições educacionais devem aderir à dinâmica dos conselhos, principalmente quando estes são formados de acordo com as determinações do Ministério da Educação.

Durante a formação do CE deve-se buscar de forma autêntica a construção de uma equipe que realmente esteja disposta a contribuir com a melhoria da educação. “O Conselho será a voz e o voto dos diferentes atores da escola, internos e externos, desde os diferentes pontos de vista, deliberando sobre a construção e a gestão de seu projeto político pedagógico” (ibidem, 2004, p. 36). Nota-se, portanto, a importância que existe em criar um conselho com membros que saibam como buscar melhorias no âmbito escolar, pois o Conselho Escolar está diretamente ligado ao PPP e se o CE não for formado por uma equipe que seja capaz de compreender a dimensão das atribuições do conselho, um grande número de ações propostas para a escola poderão tornar-se falhas.

É importante saber como se dá a formação do CE, para que se possa explicitar sua relevância numa gestão que queira agir nos moldes democráticos e ter a noção de como a comunidade pode interagir com a escola através do conselho. De acordo com a SEDUC do Estado do Piauí o Conselho Escolar é formado da seguinte maneira:

  1. 50% dos representantes de dentro da escola são formados pelos professores, funcionários e alunos;

  2. 50% dos representantes externos, formados por pais de alunos ou responsáveis e comunitários locais, indicados pela associação de moradores e afins (...) (2012, p. 12).

Observa-se como o Conselho Escolar proporciona uma maior participação coletiva nas decisões que serão fundamentais para a escola, pois envolve os pais, os alunos e a comunidade como um todo.

Dada sua formação destacaremos agora as funções do Conselho Escolar que se seguem no esquema abaixo:

FIGURA 1: Funções do Conselho Escolar

FONTE: VEIGA, 2008, p. 125.

Podemos perceber como o CE é abrangente quando se trata de suas funções, que abarcam as dimensões deliberativa, supervisora, consultiva e mobilizadora. Esta última está mais ligada a participação dos agentes externos da escola, mas não se deve deixar de mencionar a relevância que tem a função supervisora, pois é ela que dá ao conselho a capacidade de fiscalizar de forma mais profunda as questões financeiras. Porém não podemos deixar de lado nenhuma das funções destacadas, pois todas elas são essenciais na formação e na atuação do Conselho Escolar.

4.3 O trabalho em conjunto da gestão com os conselhos

O Conselho Escolar pode ser entendido como uma estratégia para o bom funcionamento da gestão democrática, pois, como sabemos, através dele obtem-se uma participação mais ampla dos diferentes agentes que influenciam os processos educativos.

A partir do CE, busca-se uma maior autonomia da escola, no sentido de libertá-la do poder concentrado apenas nas mãos do gestor, caracterizando-a como um ambiente onde o poder de decisão é descentralizado e distribuído de forma que todos os interessados no processo de ensino aprendizagem possam contribuir de alguma maneira para o avanço da educação. A escola passa a ser liberta do caráter puramente burocrático e começa a ganhar um formato mais democrático a partir do momento em que o conselho é tido como um componente indispensável na vida escolar. “A valorização dos conselhos como estratégia da gestão democrática da educação traz implícita a relevância de sua função mobilizadora. Esta, por sua vez, se fundamenta no princípio de pertença do bem público à cidadania” (MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO, 2004, p. 58). O conselho dá à escola a oportunidade de exercer plenamente sua função social que é garantir a promoção da cidadania através da educação, dessa forma, faz-se necessária uma íntima relação da gestão escolar com os conselhos, pois ambos devem caminhar lado a lado para garantir que a instituição educacional desempenhe de forma satisfatória e eficaz suas atribuições, sobretudo quando estas dizem respeito ao bem-estar social.

Nas palavras de Vitor Henrique Paro:

O maior dos problemas exixtentes é o fato de que o conselho de escolatem sido tomado, em geral, como uma medida isolada, descolado de uma política mais ampla e séria de democratização da escola, evidenciando muito mais sua face burocrática do que sua inspiração democrática. Para a reversão desse quadro, é preciso uma nova ética que desautorize a atual configuração autoritária da escola. (...) o homem deve conduzir-se de forma dialógica com os demais homens, seus semelhantes, que, como ele, devem ter mantida sua condição de sujeito que, ao transcender a necessidade natural, constrói, pelo trabalho, sua própria liberdade (2001, p. 80).

Assim, a gestão precisa ter a consciência de que suas ações em relação ao CE são fundamentais para que ocorra um bom desempenho do conselho, afinal se não houver um bom engajamento da gestão escolar em relação às atribuições do Conselho Escolar, a busca pela democratização da educação encontrará sérios obstáculos que impedirão a construção de um ambiente escolar democrático.

Torna-se evidente a relação que há entre o Conselho Escolar e gestão, pois um é fundamental ao outro. Para que haja um trabalho coletivo na escola, a gestão precisa aderir à prática do conselho, em contrapartida, o conselho necessita da gestão como um elemento norteador no que diz respeito às suas funções bem como às suas atribuições, gera-se uma realação de interdependência.

A gestão juntamente com o conselho são grandes responsáveis pela autonomia da escola e pela prática da democracia no ambiente educacional, apesar de essas práticas parecerem muitas vezes difíceis de se concretizarem, discorre VEIGA:

A gestão democrática da escola pública poderá constituir um caminho para a melhoria da qualidade do ensino, se for concebida como um mecanismo capaz de inovar as práticas pedagógicas da escola. Este é o grande desafio: como podemos, de fato, concretizar a gestão democrática por meio do projeto político pedagógico e do conselho escolar? (2008, p. 126).

Aparecem-nos tais indagações, tendo em vista as difculdades que enfrenta-se no decorrer do trabalho relacionado à educação, porém, a que se ter a consciência de que não é impossível chegar a uma escola onde exista uma gestão que se dê como democrática, onde exista um Conselho Escolar que assegure todas as possíveis formas para a melhoria do ensino e que proporcione uma efetiva ação por parte do Projeto Político Pedagógico. Percebe-se, portanto, a importância que há no trabalho da gestão junto aos conselhos e que estes podem tornar-se meios que assegurem de forma ampla a democratização do ambiente escolar.

5. INTER-RELAÇÃO ENTRE ESCOLA E COMUNIDADE

É bem evidente que, atualmente, a participação da comunidade nas ações da escola torna-se algo de pertinente relevância, pois a escola reflete várias dimensões a cerca do que ocorre fora de seus muros, dessa forma não há como não haver uma relação entre as instituições educacionais e a comunidade onde as mesmas estão inseridas. Diferentemente do passado, onde a escola se fazia autônoma no que diz respeito aos processos educacionais, hoje em dia fica difícil conduzir as práticas pedagógicas sem o apoio e a participação de todos que formam um meio social específico.

Percebe-se que os fatores ligados aos acontecimentos da comunidade extra-escolar exercem influência direta no cotidiano da escola, principalmente as ocorrências que estão vinculadas às questões da sociedade contemporânea, como o avanço tecnológico, a violência cada vez mais frequente e o bullying, que podemos considerar como alguns dos fatores com maior número de ocorrências.

A partir do momento em que a escola, sobretudo a gestão adquirem a consciência a cerca desses fatos, percebe-se uma urgente relação de reciprocidade entre a comunidade e a escola, pois dessa maneira a busca de soluções para possíveis problemas será mais fácil tendo em vista que haverá uma parceria entre ambos e assim poderão ser calcados passos mais largos rumo a um melhor ensino que não fique designado somente às instituições escolares, mas onde a sociedade poderá contribuir de forma positiva, colocando-se à disposição da educação e procurando garantir juntamente com a escola a construção da cidadania através dos processos educacionais.

É importante que a comunidade tenha a noção da importância de seu papel na educação. É preciso deixar de lado as velhas convicções de que os processos educativos são dever somente da escola e que esta deve desempenhá-los sozinha e sem uma participação mais ampla.

A escola não deve ser concebida como a detentora de toda autonomia no que diz respeito à educação e nem deve colocar-se como tal, pois do contrário os desafios encontrados no decorrer do ensino se darão numa escala muito maior do que quando a escola trabalha juntamente com a comunidade levando em consideração suas peculiaridades e as contribuições que esse trabalho em conjunto poderá trazer para a educação e consequentemente para o meio social, afinal por mais que a escola atue sem a participação da comunidade, todo o trabalho realizado se refletirá futuramente na mesma e na própria sociedade como um todo.

5.1 Protagonismo da comunidade na escola

A comunidade deve inserir-se no ambiente escolar de forma a propiciar o melhor andamento da educação. Esse envolvimento se dá de várias formas, afinal a escola desempenha diversas funções no âmbito educacional, logo a comunidade tem muitas oportunidades de exercer um papel atuante e transformador, principalmente para a melhoria do ensino aprendizagem.

O protagonismo da comunidade na escola pode dá-se, primeiramente quando a mesma percebe que pode influenciar de maneira positiva nas mais variadas dimensões da educação. É interessante que a gestão busque maior proximidade com o meio comunitário, procurando sempre envolvê-lo mais efetivamente nas ações escolares, tanto pedagógicas, como administrativas. Dessa forma começa a se dá a democratização do ambiente escolar, uma das características da gestão democrática.

Se, todavia, concebemos a comunidade – para cujos interesses a educação escolar deve voltar-se – como real substrato de um processo de democratização das relações na escola, parece-me absurda a proposição de uma gestão democraática que não suponha a comunidade como sua parte integrante (PARO, 200, p. 15).

Percebe-se a relevância que tem a comunidade na escola até mesmo quando se fala em gestão democrática, pois sem a participação dela na escola, o conceito de democratização da gestão fica comprometido. Logo deve-se constantemente buscar envolver ao máximo espaço escolar e espaço comunitário, tornando-os os principais atores no desenvolvimento da educação para que esta se efetive de forma positiva desempenhando seu papel satisfatoriamente.

A atuação protagonística da comunidade se dá ainda na participação no Conselho Escolar como está descrito no Art. 14, inciso II da LDB: “participação das comunidades escolar e local em conselhos escolares ou equivalentes” (idem, p. 54).

Outros meios mais práticos de fazer com que a comunidade intereja no ambiente escolar, além de sua atuação nos conselhos, seriam, por exemplo, o apoio e participação nos projetos desenvolvidos pela escola, buscar saber quais as possíveis necessidades que a escola possa vir a ter e tentar suprí-las (tais necessidades podem estar relacionadas à estrutura física, à carência de materiais, entre outras), ajuda nos eventos da instituição escolar, hortas comunitárias, ações voltadas ao meio ambiente etc.

Podemos perceber, portanto, que a comunidade local possui uma gama de meios para se inserir na escola de forma a contribuir com a educação, tanto colaborando com a gestão, atuando nos conselhos e desempenhando outros papeis que poderão surgir no decorrer das atividades propostas sejam elas pedagógicas ou de qualquer outro caráter.

5.1.1 A participação da família

Não há como falar da atuação da comunidade extra-escolar nas questões ligadas à educação sem citar a importância da participação da família. De acordo com Nelson Dacio Tomazi (2010, p. 20), “O ponto de partida é a família (...) É o espaço onde aprendemos a obedecer a regras de convivência, a lidar com a diferença e a diversidade”. A partir de tal concepção percebemos que é na família que começam as primeiras formas de educação, logo quando o aluno adentra ao ambiente escolar ele já traz em si uma bagagem adquirida na convivência familiar, portanto a escola precisa da participação dos familiares no decorrer do desenvolvimento de suas atividades, pois o trabalho em conjunto da família com escola demonstra ser uma das estratégias mais eficazes para o bom andamento das atividades escolares, sem falar que, a partir do momento em que os familiares participam de forma ativa na escola, fica mais fácil envolver toda a comunidade, afinal a família é a célula vital de uma sociedade. A família pode ser concebida, ainda, como uma ponte que liga escola e comunidade.

A escola não pode ser uma realidade distante da família e não deve ser vista pelos familiares simplesmente como algo obrigatório e exigido por um sistema, mas sim deve ser concebida como um alicerce fundamental para a construção de uma sociedade digna, pois, atualmente a família tem sido uma grande pedra de tropeço quando vai de contra-mão à educação, afinal lidar com questões familiares no ambiente escolar é algo delicado e torna-se ainda mais difícil quando a família torna-se alheia à escola.

É importante ressaltar que a participação da família contribui para a educação, também, na ótica das mudanças ocorridas na sociedade e que vem transformando gradativamente o modelo de família que conhecemos.

A família, que é uma construção social e sofre influência dos valores e padrões de sua época, atualmente passa também por grandes transformações, que vão desde os novos arranjos familiares, delineando famílias monoparentais, homoafetivas, reconstituídas por novas uniões e coabitações dos filhos, frutos das diversas uniões, até mudanças nos papeis familiares. Essas mudanças são formas contemporâneas de exercício da maternidade e da paternidade, cujos papeis já não são rigidamente preestabelecidos como cuidadores e provedores, respectivamente. Ambos, pai e mãe, podem ocupar funções diversas (FERREIRA, 2012, p. 17).

A escola deve estar a par de tantas mudanças na família e só conseguirá fazê-lo se houver um contato mais próximo com o ambiente familiar e conseguir atrair os familiares até o meio escolar. Essas várias transformações podem, por consequência, interferir negativamente nas práticas educacionais, por isso a escola precisa obter um amplo conhecimento a respeito da realidade das famílias que compõem a comunidade local.

Nas palavras de Augusto Cury (2008, p. 21) “Antigamente uma família estruturada era uma garantia de que os filhos desenvolveriam uma personalidade saudável”. Nota-se que hoje em dia essa concepção mudou, pois mesmo num ambiente familiar saudável algumas pessoas podem desenvolver problemas variados e vice-versa. Por isso, a escola deve buscar inteirar-se a cerca do que ocorre no ambiente familiar do público que atende, pois dessa forma muitos problemas poderão ser resolvidos e evitados.

A participação dos familiares na escola pode acontecer de diferentes maneiras. Talvez uma das mais importantes formas de atuação da família no espaço escolar seja através do acompanhamento escolar, pois é bem melhor trabalhar numa escola onde os pais estão preocupados com o rendimento educacional de seus filhos (é importante ressaltar que esta preocupação deve ser voltada não somente ao êxito nas notas, mas sobretudo, no comportamento do educando, na metodologia utilizada pelos professores, pela atuação da gestão, dentre outros fatores). O voluntariado também pode ser uma alternativa para a família se inserir no espaço escolar, assim como, também buscar inteirar-se sobre o cotidiano da escola, visando sempre o acompanhamento e colaboração com a educação.

Ressalta-se que a família possui grande importância no que diz respeito à participação na escola, bem como tem influência sobre vários aspectos da educação e desempenha um importante papel no tocante à relação da comunidade com a escola.

5.2 Escola democrática e não democrática: uma comparação

A realidade social de hoje exige a necessidade de uma escola que desempenhe um caráter participativo, ou seja, que seja aberta a todos independentemente se estes estão inseridos ou não no quadro de funcionários da escola. Precisa-se de uma escola que seja realmente necessária, tendo em vista todos os fatores que influem diretamente na educação e que possa desempenhar em primeiro lugar a construção da cidadania e não somente as exigências pedagógicas e administrativas. Dessa forma, podemos perceber que a escola pode caracterizar-se como democrática e não democrática a partir de suas ações, envolvendo a gestão, as questões pedagógicas, seu relacionamento com a família e com a comunidade, dentre outros.

Percebe-se que a escola democrática possui como uma de suas principais características a construção da democracia “(...) a escola necessária é uma escola democrática e que prepara os indivíduos para a democracia” (RODRIGUES, 2003, p. 60). Além dessa construção estimula-se também o exercício do caráter democrático, que se dá em atitudes tais como tomadas de decisões em conjunto, participação na construção do PPP, atuação no Conselho Escolar, opiniões a cerca do melhoramento do espaço escolar tanto físico como institucional, entre outros aspectos.

Podemos destacar a escola democrática da seguinte maneira:

Como lugar de pessoas e de relações, é também um lugar de representações sociais. Como instituição social ela tem contribuído tanto para a manutenção como para a transformação social. Numa visão transformadora ela tem papel essencialmente crítico e criativo (GADOTTI, 2007. p. 11).

A escola democratrizadora busca manter os aspectos do estado social que promovem o bem-estar da sociedade e a cidadania e tenta transformar as situações que dificultam a melhoria da sociedade, afinal a educação deve buscar um bom desenvolvimento do âmbito social como um todo e não somente tornar a escola uma mera transmissora de conteúdos e regras morais.

A escola democrática é, pois, aquela que permite a manifestação de várias contradições que perpassam a escola e que, na sua forma de organização, permite o aprendizado a respeito da natureza dos conflitos e das contradições existentes na sociedade de hoje (RODRIGUES, 2003, p. 60)

Nota-se que a escola democrática precisa desempenhar diversas funções, tendo em vista a formação crítico-reflexiva de seus alunos a cerca dos mais diversos temas que permeiam o meio em que estão inseridos, bem como deve estimular o respeito mútuo às diferenças, buscando possíveis soluções para os conflitos que surgem na comunidade e na escola por meio das práticas educacionais que a instituição escolar promove imbuída pela prática da democracia.

Em contraponto, existem em atuação ambientes educacionais onde a participação, a autonomia e a colaboração não se tornam prioritárias e não acontecem rotineiramente. Daí percebemos a formação de uma escola não democrática que caminha no sentido oposto ao de uma escola que possui práticas democratizadoras.

Uma escola não democrática está sujeita a deixar-se permear pela cultura burocrática que existe nos sistemas institucionais brasileiros, dessa forma a realidade local, as necessidades emergentes da comunidade, as opiniões e anseios dos demais interessados na educação ficam de lado, pois a burocracia do sistema, geralmente não contempla estes fatores, logo a escola corre o risco de ser uma instituição que cumpre apenas exigências e que não se torna sensível aos problemas e outros aspectos que a norteiam e interferem significativamente no processo de ensino aprendizagem.

Um dos fatores que mais contribuem para que haja um ambiente escolar não democrático é a atuação da gestão. Quando a direção da escola age de forma autoritária, todas as ações escolares estão sujeitas à vontade da administração, portanto não há uma participação mais ampla e como consequência, a escola passa a tornar-se uma reprodutora da vontade da gestão, não dando tanta importância às opiniões e possíveis contribuições dos demais agentes que possam colaborar com o melhor desenvolvimento da educação. A partir dessa realidade, corre-se o risco de haver um ambiente de trabalho desagradável que desembocará em consequências negativas tanto em sala de aula como fora dela.

(...) numa organização autoritária, é comum o conflito entre chefia e liderança. E que, frequentemente, o conflito é administrado por um ato burocrático ou legalista da chefia. (...) Em nível de escola, são exemplos os atos administrativos que resultam na expulsão de alunos, demissão de professores, proibição da presença de pais em reuniões e assim por diante (ibidem, p. 61).

É notável como uma escola que atua de forma não democrática tem atitudes que prejudicam o bom andamento da educação e coloca em risco a promoção da cidadania e do melhoramento do convívio comunitário.

Quando a direção da escola possui atitudes autoritárias, pode-se concluir com mais convicção que, consequentemente, a escola assumirá uma posição que não condiz com a construção e a prática da democracia, voltados especificamente ao âmbito escolar e que posteriormente, se refletirá na comunidade local e na sociedade como um todo.

Essa forma de se conduzir uma instituição educacional pode estar relacionada ao descaso com a educação, à falta de preparação da gestão, que por vezes é simplesmente indicada por interesses políticos, pelo comodismo por parte dos profissionais e, principalmente da família que vem se tornando um dos fatores que mais dificultam o trabalho na área da educação, sem esquecer de mencionar a preocupação exagerada em cumprir as exigências burocráticas.

Vejamos no quadro a seguir, as informações obtidas através de pesquisa de caráter observador e de coleta de dados realizada nas unidades de educação municipais Escola Municipal Professora Maria Marlene Brito Rocha e Escola Municipal Zilda Gonçalves e na escola da rede estadual de ensino Unidade Escolar Artur Gonçalves de Sousa, ambas no município de Lagoa de São Francisco - PI, que demonstram a diferenciação que há entre uma escola democrática e uma escola não democrática:

 

Escola democrática

Escola não democrática

 Elabora o PPP considerando as necessidades da comunidade e com maior participação.

Apenas reformula o PPP e sem a participação de todos os intressados na educação.

Autonomia distribuída igualitariamente entre o corpo administrativo, buscando não criar um ambiente autoritário.

Autonomia geralmente voltada apenas ao diretor, onde geralmente prevalece a vontade do mesmo.

Conselho Escolar com alunos e membros da comunidade atuantes e conscientes de seu papel na escola.

Conselho Escolar cumprindo apenas funções burocráticas, onde, na maioria das vezes os membros não sabem quais as funções que devem desempenhar.

Gestão sensível aos fatores sociais que interferem na escola, buscando parcerias com outros órgãos para o auxílio nas atividades.

A gestão demonstra pouca preocupação com as questões sociais, comodismo e mero cumprimento de obrigações.

Planejamento participativo, produtivo e flexível, onde todos podem opinar e sugerir, tendo em vista o planejamento, de fato, das atividades a serem propostas.

Planejamento burocrático, com o simples repasse de informações e datas e, às vezes, contendo ações desnecessárias e infadonhas.

Participação dos alunos nas decisões da escola e maior satisfação em relação à metodologia dos professores.

Pouca ou nenhuma participação dos alunos nas decisões da escola, insatisfação em relação à estrutura física e à gestão.

Ambiente de trabalho agradável onde há respeito, colaboração e onde todos cumprem suas funções tendo em vista o bom andamento da escola.

Ambiente de trabalho desagradável, não há colaboração e onde os funcionários não mantêm um bom relacionamento entre si.

Maior participação da comunidade e da família nas decisões e no dia a dia da escola.

Pouca ou nenhuma participação da comunidade. Participação da família apenas quando solicitada pela escola.

Quadro 1 – Quadro Comparativo entre a escola democrática e a escola não democrática

Observou-se que as escolas não democráticas tentam mascarar a realidade dos problemas cotidianos encontrados nas instituições e agem, muitas vezes, de forma errônea, mesmo tendo a consciência de que os trabalhos devem ser realizados de outras formas, mas buscam conduzir a educação como algo que tem que acontecer por acontecer, não compreendendo que o processo de ensino aprendizagem é, também, uma troca de experiências, comprometendo, dessa forma, a educação.

Por outro lado, a escola democrática possui várias características que apontam para o êxito educacional. Uma dessas características (louvável) é a participação, tanto dos alunos como da comunidade como um todo. É preciso atentar-se, porém, que essa definição de escola não é um molde perfeito, mas sim uma proposta que reúne estratégias para melhor conduzir o processo educacional e formativo do cidadão.

É preocupante essa diferenciação, pois sabemos que há instituições que atuam de acordo com o formato da escola não democrática, logo é urgente que se tomem medidas de transformação dessa realidade, para que a educação possa dar passos mais largos, principalmente tendo gestão e comunidade mais comprometidas com uma educação de qualidade.

5.3 Integração escola e comunidade: uma realidade possível

Bem se sabe que quando se trata da integração da escola com comunidade para a melhoria da educação, muitos têm essa ideia como algo utópico e difícil de se concretizar na prática, isso se dá a partir do cenário educacional que conhecemos, onde essa colaboração mútua de fato não ocorre ou pelo menos não como deveria acontecer mediante os anseios que surgem a partir dos processos educacionais.

A palavra utopia significa o lugar que não existe. Não quer dizer que não possa vir a existir. Na medida em que não existe, mas ao mesmo tempo se coloca como algo de valor, algo desejável do ponto de vista da solução dos problemas da escola, a tarefa deve consistir, inicialmente, em tomar consciência das condições concretas, ou das contradições concretas, que apontam para a viabilidade de um projeto de democratização das relações no interior da escola (PARO, 2000, p. 9).

Deve-se ter a consciência de que existe a possibilidade de haver uma interação entre a escola e a comunidade, tendo como principal objetivo a eficácia da educação escolar e tudo que norteie seus trabalhos, bem como suas consequências para o meio comunitário e social. Esse conhecimento a cerca de tais possibilidades deve, porém, buscar saber quais as questões mais pertinentes, visando essa integração, pois do contrário, pode ocorrer uma cobrança da escola para com a comunidade e vice-versa, obtendo-se, assim, uma relação de conflito mascarada de democracia e participação, afirma Ângelo Dalmás (1994, p. 22) “Vivenciar a participação envolve riscos e conflitos, num verdadeiro desafio aos que lutam por um constante envolvimento dos membros da comunidade educativa no processo participativo”.

O ato de educar por si próprio é um desafio constante que deve ser enfrentado mediante os objetivos que a educação propõe. Administrar uma instituição educativa torna-se uma tarefa ainda mais exigente, pois abrange as várias dimensões do espaço interno e externo da escola. Este último, por sua vez, tem caráter mais exigente, afinal é difícil propiciar meios adequados para que possa ocorrer a relação mais íntima entre comunidade e escola, logo a gestão escolar deve ser a principal mediadora tendo em vista estas perspectivas, buscando, através de suas incumbências e autonomia os meios pelos quais essa inter-relação se dê de fato.

A gestão escolar só poderá conseguir uma efetiva participação da comunidade e, consequentemente, sua colaboração se ela trabalhar nos moldes democráticos que a administração da escola deve assumir “(...) a interdependência escola-sociedade tem como objetivo situar as pessoas como participantes da sociedade – cidadãos (...)” (BRASIL, 1998 apud BEZERRA et al, 2010, p. 282), ou seja, só há realmente a integração da comunidade com a escola se houver uma gestão democrática.

O processo de gestão democrática das instituições de ensino representa um importante instrumento de consolidação de democracia na sociedade, considerando que a escola e a sociedade estão dialeticamente constituídas. Promover a democratização da gestão escolar significa estabelece novas relações entre a escola e o contexto social no qual está inserida. Repensar a teoria e a prática da gestão educacional no sentido de eliminar os controles formais e incentivar a autonomia das unidades da educação constitue-se em instrumentos de construção de uma nova cidadania. Assim, a democratização institucional torna-se um caminho para que a prática pedagógica torne-se efetivamente prática social e possa contribuir para o fortalecimento do processo democrático mais amplo (GARBIN e ALMEIDA, 2007, p. 3).

Temos a percepção de que a partir do momento em que a gestão educacional faz-se democrática, a possibilidade de melhoramento social torna-se algo mais concreto, pois se pensará a prática pedagógica de uma forma mais ampla e não somente essa prática, mas tudo que possa vir a acrescentar de forma positiva à educação, gerando uma maior preocupação com o meio externo da unidade escolar, garantindo que a comunidade tenha vez e voz nas ações realizadas durante o desenvolvimento das atividades educacionais, dentre outras. “O exercício democrático vive de uma ação coletiva; a cultura democrática cria-se com a própria democracia” (ibidem, p. 4).

Ressaltamos mais uma vez que a administração escolar tem primordial colaboração em relação à busca da relação e integração da comunidade com a escola.

Só a partir de uma real interação da escola com a comunidade se conseguirá trabalhar em meio às transformações sociais contínuas, outro fator que influi na educação e que se inter-relaciona diretamente com o meio comunitário, princpalmente tendo em vista os efeitos da globalização. “No interior de nossa própria cultura, sem sair de nossa própria cidade, nem de nosso próprio bairro, um belo dia observamos nosso ambiente e nos damos conta de que tudo mudou (...)” (ESTEVES 2004, apud SOUZA, 2009, p. 5). Dessa forma, faz-se necessário que se tenha plena consciência da importância de se haver a relação de reciprocidade positiva da comunidade com a escola.

Não há, portanto, uma receita pronta que discrimine os passos a serem seguidos para que se alcance a integração do espaço escolar com o espaço comunitário, o que se pode evidenciar são alternativas possíveis que possam promover essa interação, principalmente quando os trabalhos são guiados por uma gestão essencialmente democrática que agregue em si os valores e práticas do agir democrático, direcionando-os para o âmbito escolar na expectativa da relação colaborativa com a comunidade.

De fato, a questão da gestão democrática não se torna algo fácil de se colocar em vigor nas unidades educacionais e, principalmente atrair a comunidade para a escola por meio desse tipo de gestão, porém é de bom tom ressaltar que isso não é algo impossível e que, todas as possibilidades que levem à progressão da educação devem ser levadas em consideração e tentadas sem exitar.

(...) alguns princípios da organização do trabalho pedagógico e da gestão escolar ancorados numa perspectiva democrática são sustentados a partir: da autonomia das escolas e da comunidade educativa, envolvimento da comunidade escolar no processo escolar, formação continuada para o desenvolvimento pessoal e profissional dos integrantes da comunidade escolar, avaliações compartilhadas e relações assentadas na busca de objetivos comuns (LIBÂNIO, 2004 apud GARBIN e ALMEIDA, 2007, p. 7).

Nota-se que há nortes que nos direcionam à efetivação dessa inter-relação da escola com a comunidade e que, a partir daí poderão ser avistados novos horizontes que visem a inteira colaboração comunitária no âmbito escolar a partir de uma gestão que seja de caráter democrático e busque constantemente a evolução da educação, trabalhando em conjunto com todos os interessados nos efeitos e resultados dos processos educativos, especialmente a comunidade.

As instituições escolares devem, também, buscar aproximar-se da realidade comunitária, pois muitas vezes espera-se apenas que a comunidade busque participar, quando não há um estímulo à essa participação, ressalta NOGUEIRA (apud DIDONÊ, 2013, p. 11) “A escola deve se misturar e se contaminar com o bem e o mal das comunidades”. Com essa postura, a escola começa a adquirir a cara do espaço comunitário e como consequência, a comunidade se sentirá mais incentivada a estar mais presente e atuante na escola.

Uma estratégia que a gestão democrática pode utilizar para tornar a integração da escola com a comunidade uma realidade possível seria promover formações para os interessados em atuar nas mais diferentes funções da escola, desde a atuação nos Conselhos Escolares até o mais simples voluntariado, dessa maneira a comunidade, além de interessar-se mais pela escola, estaria capacitada para agir dentro do espaço escolar, colaborando e transfomando-o de forma positiva e começando a acabar com as barreiras que possam haver entre escola e comunidade e que não devem existir para que se assegure uma educação de qualidade e que, impulsionada pela gestão democrática, seja promotora da cidadania.

6. CONSIDERAÇÕES FINAIS

É notável que vivemos numa época onde os velhos moldes tradicionais escolares já não são tão aceitos pelo público atendido pelas escolas, por isso parece urgente uma transformação mais efetiva no modo de se conduzir a administração escolar, pois ainda hoje percebe-se os reflexos dos métodos tradicionais. Não esquecendo de citar que o meio em que vivemos hoje é totalmente diferente do passado e muda constante e aceleradamente.

Vemos que a sociedade dinâmica que temos hoje requer não mais as práticas autoritárias e burocráticas antes concebidas, mas sim uma forma participativa de se fazer a gestão escolar.

É fato que a escola já não consegue atuar sozinnha em seu fazer pedagógico e administrativo. Ela precisa estar em contato direto com a realidade que a norteia, deixar-se permear pelo meio social onde ela se encontra, pois do contrário, a instituição escolar estará isolada de tudo que pode vir a influenciar diretamente em suas ações e ser alheia a todos os possíveis fatores só estará prejudicando o processo educativo e de construção da cidadania.

Sabe-se que uma escola necessária é aquela que mantém suas portas abertas a todos e desempenha suas funções de forma democrática e com o auxílio da família, da comunidade e daqueles que se suponhem serem os mais interessados na educação. Pode parecer impossível chegar a uma realidade assim, tendo em vista o cenário educacional brasileiro, porém não é. Claro que chegar a ter uma escola que reúne as características de um ambiente escolar democrático é uma tarefa árdua e contínua que deve ser a principal incumbência da gestão, se esta se fizer também democrática.

Atualmente a possibilidade de se construir uma escola democrática, onde haja a integração com a comunidade, é bem mais ampla, pois há vários meios para se chegar a essa realidade. Só o fato das instituições escolares possuírem um PPP elaborado a partir dos anseios escolares e comunitários e um CE que funcione com a participação de membros da escola e da comunidade já pode caracterizar um grande avanço no sentido de democratização da educação e da participação da comunidade como meta e consequência.

Nota-se que, muitas vezes a comunidade não está a par das ações da escola por puro comodismo (por achar que o ato de educar cabe somente a escola) e isso acaba gerando uma situação de conflito que se dará futuramente, pois quando não há a participação do meio comunitário na escola, o mais provável que aconteça é que possíveis lacunas ficarão na aprendizagem dos educandos, o que se refletirá negativamente na sociedade a longo prazo, por isso é de um grande grau de importância que haja a inter-relação da escola com a comunidade nos processo de ensino aprendizagem para que se possa garantir uma maior eficácia da educação, porém é preciso ter a consciência de que sempre irão haver contradições mesmo se tivermos escolas que trabalhem tendo em vista a realidade local, são características típicas do trabalho que envolve material humano.

Interagir com a comunidade é algo que as escolas fazem constantemente, porém o fazem, em sua maioria, de forma superficial. A escola deve ser uma extensão da sociedade e uma gestão que atua democraticamente tem essa concepção. Não há como conceber um trabalho escolar democrático se não houverem práticas que remetam à particpação, sobretudo dos membros da comunidade.

É função da educação fornecer meios significativos que levem ao melhoramento social e em contrapartida efetive seu papel como instituição de educação. Porém isso só acontecerá de fato se a gestão escolar agir de forma democrática, buscando a integração com a comunidade e levando em consideração todos os aspectos que o meio comunitário possa vir a demonstrar para que se chegue a uma educação que reflita positivamente os benefícios que há quando a escola tem a comunidade local como aliada.

7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BEZERRA, Zedeki Fiel. et al. Comunidade e escola: reflexões sobre uma integração necessária. Curitiba, n. 37, p. 282, 2010.

CURY, Augusto. Pais brilhantes – professores fascinantes. Coleção auto-estima. Rio de Janeiro: Sextante, 2008.

DIDONÊ, Débora. Coluna Compartilhe. Revista Vida Simples, São Paulo, v. 129, p. 11, 2013.

FERREIRA, Edla Maria Batista. Novos tempos e aprendizagens. Jornal Mundo Jovem, Porto Alegre, v. 14, p. 17, 2012.

GADOTTI, Moacir. A escola e o professor: Paulo Freire e a paixão de ensinar. 1 ed. São Paulo: Publisher, 2007. Disponível em: http://www.paulofreire.org, acesso em 15 de novembro de 2013.

MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO. Programa Nacional de Fortalecimento dos Conselhos Escolares. Conselhos Escolares: uma estratégia de gestão democrática da educação pública. Brasil: 20004.

__________________________. Programa Nacional de Fortalecimento dos Conselhos Escolares. Conselho Escolar e a aprendizagem na escola. Brasília: 2004.

__________________________. Programa Nacional de Fortalecimento dos Conselhos Escolares. Conselho Escolar e o respeito e a valorização do saber e da cultura do estudante e da comunidade. Brasília: 2004.

Origem da palavra gestão. Disponível em: http://origemdapalavra.com.br/palavras/gestao, acesso em 27 de agosto de 2013.

PARO, Vitor Henrique. Gestão democrática da escola pública. 3 ed. São Paulo: Ática, 2000.

__________________________. Escritos sobre educação. São Paulo: Xamã, 2001.

__________________________. Artigos sobre administração escolar. Disponível em: http://www.vitorparo.com.br/index.php/en/, acesso em o7 de setembro de 2013.

RODRIGUES, Neidson. Da mistificação da escola à escola necessária. 11 ed. São Paulo: Cortez, 2003.

SEDUC. Conselho Escolar. 3 ed. Teresina, 2012.

TV SENADO. Programa em discussão. Diretor de escola pública: como escolher?. Disponível em: http://www.senado,leg.br/noticias/tv/programaListaPadrao.asp?txt titulo menu=Em%20 programa=S&cod progrma=291, acesso em 20 de novembro de 2013.

VEIGA, Ilma Passos Alencastro (org). Projeto Político Pedagógico da Escola: uma construção possível. Campinas: Papirus, 1995.

8. APÊNDICE A

8.1 Entrevista com os professores

Nome: Shilley Daianne Lima da Silva

Graduação: Licenciatura Plena em Geografia

ENTREVISTA

  1. Pra você, o que é gestão democrática?

É uma administração onde todos possam ser ouvidos, onde não há imposição de poder, onde há respeito, trabalho em grupo.

  1. Na sua opinião, como a gestão democrática pode favorecer o ensino aprendizagem?

A partir das diferentes opiniões a cerca dos vários assuntos voltados para a educação. Trabalho em grupo que permite a diversidade de opiniões.

  1. Você acha que a gestão democrática existe realmente na prática? Quais seus pontos negativos?

Sim. Porque se percebe que todos têm seu espaço.
Às vezes as coisas fogem um pouco do controle, quando se tratam das decisões, pode-se dizer que isso seja algo negativo.

  1. Como a gestão democrática pode favorecer a integração da escola com a comunidade?

Conscientizando a família, a partir de eventos que envolva a comunidade, reuniões, plantão escolar, conversa com professores e pais.

Nome: Janaria Raquel Santos da Silva

Graduação: Licenciatura Plena em Pedagogia

ENTREVISTA

  1. Pra você, o que é gestão democrática?

É a descentralização do poder voltado à gestão escolar.

  1. Na sua opinião, como a gestão democrática pode favorecer o ensino aprendizagem?

Através do planejamento participativo, da abertura que ela proporciona para o diálogo, onde poderão ser solucionados alguns problemas, o que leva à melhoria do processo de ensino aprendizagem.

  1. Você acha que a gestão democrática existe realmente na prática? Quais seus pontos negativos?

Levando em consideração as esferas estaduais e municipais, observa-se que no Estado a gestão democrática acontece de forma mais significativa, já no município o poder decisório ainda se centraliza na Secretaria de Educação.

Um ponto negativo da gestão democrática poderia ser o surgimento de alguns conflitos devido às várias opiniões.

  1. Como a gestão democrática pode favorecer a integração da escola com a comunidade?

Envolvendo a família nos eventos escolares, buscar conhecer os problemas junto à família, encontros com os pais, e escola ser sensível aos problemas sociais.

Nome: Maria Santana Rodrigues

Graduação: Licenciatura Plena em Filosofia

ENTREVISTA

  1. Pra você, o que é gestão democrática?

É o trabalho em conjunto com os demais funcionários, nas tomadas de decisão, entendimento dos outros, não tomar decisões sozinhos.

  1. Na sua opinião, como a gestão democrática pode favorecer o ensino aprendizagem?

Através do trabalho em equipe, focando nos mesmos objetivos.

  1. Você acha que a gestão democrática existe realmente na prática? Quais seus pontos negativos?

Existe em partes, mas existe. Não há pontos negativos.

  1. Como a gestão democrática pode favorecer a integração da escola com a comunidade?

Envolvendo a comunidade e toda a sociedade nas tomadas de decisão, envolvendo nos eventos, reuniões e palestras.

Nome: Fernando José Alves da Silva

Graduação: Licenciatura Plena em História (cursando)

ENTREVISTA

  1. Pra você, o que é gestão democrática?

É um espaço onde todos possam opinar. A democratização do ambiente escolar.

  1. Na sua opinião, como a gestão democrática pode favorecer o ensino aprendizagem?

A partir do entendimento da gestão em relação às necessidades dos alunos.

  1. Você acha que a gestão democrática existe realmente na prática? Quais seus pontos negativos?

Sim, por causa da participação dos alunos em relação às decisões tomadas pela gestão (comunidade). A diversidade de opiniões, que podem gerar conflitos, por haverem conceitos e visões diferentes.

  1. Como a gestão democrática pode favorecer a integração da escola com a comunidade?

Trazendo a comunidade para a escola, através de reuniões e palestras.

APÊNDICE B – Questionário aplicado às escolas

QUESTIONÁRIO APLICADO À ESCOLA

Escola:__________________________________________________________

Endereço:________________________________________________________

Cidade:__________________________________________________________

Órgão executor:__________________________________________________

8.2 DIREÇÃO

  1. A gestão é formada por quem? Como se dá a autonomia do corpo administrativo da escola, além do diretor?

  2. Como se dá a elaboração do Projeto Político Pedagógico da escola e quais ações são contempladas?

  3. A instituição possui Conselho Escolar? Como é formado? De que forma se dá sua atuação?

  4. De que forma a gestão busca trabalhar tendo em vista o atual cenário social em que nos encontramos, levando em consideração o avanço tecnológico e as questões sociais da realidade local?

  5. A participação da comunidade e da família na escola se dá de forma:

( ) Satisfatória ( ) Insatisfatória ( ) Não há participação

8.3 DOCENTES

  1. Como acontece o planejamento? Com que frequência? O que mais se enfatiza?

  2. Como se caracteriza o planejamento da escola?

  3. Como se dá o relacionamento da escola como a família e com a comunidade?

( ) Excelente ( ) Bom ( ) Regular

  1. Quais os pontos positivos e negativos da gestão da escola?

  1. A escola demonstra ser um espaço democrático? Por quê?

8.4 ALUNOS

  1. Se você pudesse mudar algo na escola, o que mudaria?

  1. Você analisa a direção da escola como:

( ) Excelente ( ) Boa ( ) Ruim

  1. Os pais costumam participar do dia a dia da escola?

( ) Sim ( ) Não ( ) Às vezes

  1. O que mais gosta na escola?

  1. Os alunos têm alguma participação nas decisões da escola?

( ) Sim ( ) Não ( ) Às vezes

8.5 PESSOAL DE APOIO

  1. Como é o ambiente de trabalho na escola?

( ) Agradável ( ) Desagradável ( ) Regular

  1. Como se dá o relacionamento da direção da escola com os demais funcionários?

( ) Excelente ( ) Bom ( ) Ruim

  1. Em relação à escola:

( ) Cumpre seu papel de educar

( ) Cumpre somente as exigências da Secretaria de Educação

( ) Trabalha de acordo com a vontade do diretor

  1. Existe a participação da família e da comunidade na escola?

( ) Sim ( ) Não ( ) Às vezes

  1. Em relação ao trabalho como se pode definir o ambiente da escola?


Publicado por: Alex Mesquita

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