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VIDA EM MOVIMENTO VIVO: O CAMINHO QUE CONDUZ À LUZ

Educação Física

O PROCESSO DE FORMAÇÃO DAS COMPETÊNCIAS DO PROFESSOR DE EDUCAÇÃO FÍSICA COMO FOCALIZADOR EM VIVÊNCIAS COM AS DANÇAS CIRCULARES E SAGRADAS.

índice

1. RESUMO

O presente trabalho de conclusão de curso teve como objetivo traçar um panorama do processo de formação das capacidades do graduado em Educação bem como destacar as inteligências por ele utilizadas na focalização em Danças Circulares Sagradas. O texto traz a definição de inteligência por Gardner e a discussão das inteligências múltiplas por autores diversos. Mostra a Dança através do tempo e a sua evolução na sua origem sagrada e como arte. Apresenta-se aqui um breve histórico das Danças Circulares Sagradas desde a sua criação e como as mesmas foram inseridas e difundidas no Brasil. Visualiza-se o corpo, como sagrado e como meio da presença humana no mundo e nos círculos que contextualizam uso feito dele e por ele. No tópico O Focalizador apresenta-se a origem do termo e as funções a ele atribuídas. Nas Capacidades, foi apresentado uma breve analise de quatro personalidades de destaque mundial em seus campos de atuação e no uso de suas inteligências, sendo este também o critério para analise do graduado em Educação Física para atuar na focalização e vivencia com as Danças Circulares e Sagradas.

Palavras-chave: dança, danças circulares, focalizador, corpo, inteligência.

ABSTRACT

This course conclusion work aimed to give an overview of the process of formation of the capabilities of graduate education as well as highlighting the intelligence he used in focusing on Sacred Circle Dances. The article discusses the definition of intelligence by Gardner and discussion of multiple intelligences by various authors. Shows Dancing through time and its evolution in its origin and how sacred art. We present here a brief history of the Sacred Circle Dances since its creation and how they are inserted and distributed in Brazil. This displays the body as sacred and as a means of human presence in the world and in the circles that contextualize and use made ​​of it by him. In The Viewfinder topic presents the origin of the term and the functions assigned to it. In Capabilities, was presented a brief analysis of four prominent world personalities in their fields of expertise and the use of their intelligence, which is also the criterion to analyze the degree in Physical Education to act in targeting and experiences with the Circle Dances and Sacred.

Keywords: dance, circle dance, focuser, body, intelligence.

2. CAPÍTULO 1 INTRODUÇÃO

Este trabalho flui por influencia de um de Trabalho de Conclusão de Curso denominado CIRCULANDO O HOMO COMPLEXUS: uma análise do fenômeno da dança circular e da paz universal para a ressignificação da vida - no qual o humano foi circulado nas suas relações com ele mesmo e com o mundo, permeando a sua teia de afinidades e os símbolos por ele afixados em si mesmo, no mundo e para o mundo. Nesse trabalho ainda foi possível observar o uso feito pelo humano no seu corpo como principal instrumento para entender a lógica utilizada para que mesmo se expresse e resinifique a sua vida pelo resgate de seus valores ao assumir seu lugar no circulo.

E só assim foi possível conforme descreve Oliveira (2005), vislumbrar um sujeito humano que luta diuturnamente para se construir a partir das desconstruções que ele faz em si e a partir de si no mundo. Na lida permanente para ser racional frente a sua irracionalidade e a do outro, assenhorear-se do seu corpo que muda e muta conforme os ambientes e fala (revela) as suas emoções e delata a sua espiritualidade. E o corpo por mais inerte que esteja interfere e interage com o mundo, sofre suas ações, é traspassado por antigos e novos significados, sendo a todo instante comparado e analisado.

Não há um conceito que seja abrangente para defini-lo, é impossível, pois cada seguimento do conhecimento tem uma definição que parte da sua visão desse mesmo corpo, que é o invólucro carreador da consciência como o fato de existir numa forma biológica organizada fisiologicamente por mérito da genética e da hereditariedade, mas também se constrói na sociedade culturalmente. Por ele permeiam todos os sentidos que se potencializam e são traduzidos em ações e reações que se manifestam e assumem no corpo posturas, atitudes e movimentos que o tornam incluso ou inserido no universo das suas relações.

Relações essas que se estendem de forma indefinida na teia que balança ao sabor dos ventos que levam as suas vibrações e encontram eco em vários outros sujeitos, possuidores de corpos que se expressam de forma familiar. Também se faz necessário dizer que em alguns outros corpos esse eco é tragado, fica mudo rompendo a comunicação, quebrando consequentemente o círculo.

Nesse trabalho a intenção é investigar a pessoa do focalizador, ou seja, o humano responsável pela facilitação, pela dinâmica, e que a seu modo tece a rede de relações nos grupos de Danças Circulares. E por ser mediador de relações, busca-se entender por quais meios esse (ele) humano se construiu e amealhou conhecimentos e saberes para a prática efetiva dessa função que é de grande e imensurável responsabilidade, visto que ele lida com a matéria mais rica e primorosa da criação – o corpo – que pertence a criaturas tão humanas quanto ele.

As ações, criadas e disparadas a partir de suas orientações devem servir no suprimento do bem-estar e melhoria da qualidade de vida, não apenas de forma breve, passageira, momentânea, mas que possa ser uma constante na vida de cada um dos integrantes da roda dispostos a margem do círculo, e indo mais além, que cada corpo-vida ali exposto, possa ser um disseminador, propagador e incentivador das escolhas que induzem a felicidade real por conhecer-se e reconhecer-se integramente como humano capacitado para vivenciar suas escolhas em todos os níveis da diversidade humana.

Dessa forma, reafirma-se que ‘Quando pensamos no humano’ é imprescindível reconhecer a sua complexidade - Homo Complexus1 - dotada de características marcadas por signos e significados que o acompanham desde o momento de sua concepção, e que veem se fixando e sendo afixados pelo planeta onde ele permeia nas relações travadas com o mundo que o cerca e o fazem distinto, e o diferem individualmente dos demais humanos. Não só por suas características físicas, psíquicas ou emocionais, mas também pelas ações e movimentos que os corpos assumem como forma de expressão da sua individualidade que vai de encontro a outras “individualidades” e se complementam.

Na sua individualidade, o humano na condição de focalizador também se dispõe à margem do círculo e se expõe e é avaliado, sondado em seus movimentos e ações, hora copiado na busca da perfeição, hora adorado como aquele que detém o poder de entender e compreender pela leitura dos corpos para dar as respostas precisas e muitas vezes inesperadas – “não sei, não posso, não conheço, etc”. - porém com respeito e postura ética para que ele não seja invasivo e nem evasivo nas suas ações, muito menos na sua fala. Além disso, objetivar que os movimentos propostos em dança-oração sejam mais que exercícios, entretanto, caracterizem ações intencionais para posturas pedagógicas para harmonia das diversidades dispostas no círculo, e ao vislumbrar os sujeitos eles não sejam apenas corpos biológicos a serem trabalhados por movimentos criados externamente, contudo eles possam ser recriados nas mentes e se manifestem no corpo recriando vida, viva, intensa e sem limites.

Ser o promotor dessa recriação para o focalizador, é trazer em âmbito físico-químico-espiritual pela junção das mãos que se agarram num toque de confiança e cumplicidade a unicidade divina expressada por cada uma das individualidades que se associam como células especializadas para a construção de um corpo que se torna perfeito na tessitura de um ritual que gera um ponto de luz no corpo-vivo, banindo a morte derivada da má postura consigo, com o outro e com o mundo – criar muitas fênix, e que elas aprendam a conservar-se, manter-se e quebrar-se para recriar-se.

Entender quem é esse focalizador que atua como coautor nesses processos de criação e recriação do humano, ocorreu pela revisão de literatura, disponível nas mais variadas formas de divulgação.

Porém, mais uma vez o desejo pelo aprofundamento convergiu para as rodas vivenciais, não para fazer campo, mas com o intuito de internalizar a essência que permeia os espaços da dança, aconteceram inúmeras vezes na busca por um entendimento maior.

É fato também que das experiências decorrentes de outros círculos rituais não só na condição de neófitos, mas também na condição de focalizador, onde o ensino-aprendizagem, a permuta, a descoberta em grupo e a autodescoberta acontecem em rituais de dança-oração e em contato profundo com o sagrado, foi possível despertar incentivos e caminhos para realização deste trabalho.

Na condição de professores de Educação Física, é possível firmar o reconhecimento do corpo como sagrado, sendo muito mais que uma estrutura de forma versátil, inteligentemente organizada, e que para obter qualidade de vida bastasse buscar hipertrofiar, mas, reconhecer que atividades simples, advinda de movimentos simples, criados e recriados, adaptados as realidades de cada corpo, de cada grupo nos ritos de convivência com o sagrado possam gerar qualidade de vida e bem-estar permanentes sem ser simplórios, tendo a coragem de assumir sua parceria com o sagrado sem temor de associá-lo aos seus conhecimentos científicos.

Pois, ‘O sujeito humano, na sua corporeidade é possuidor de Múltiplas Inteligências’2, com as quais interage no mundo, desfazendo a ideia equalizadora de uma única capacidade, e que essa seja predominante e prioritária, o que tornaria o humano limitado nas suas relações com o mundo.

Partindo dessa premissa, foram traçados parâmetros entre as inteligências múltiplas trazidas a luz por Gardner e algumas personalidades conhecidas que se destacaram no seu campo de atuação, com a finalidade de focar os processos que enfatizaram a sua formação e atuação no universo de suas relações.

Este trabalho teve como objetivo investigar quais são as competências para o professor de Educação Física ser Focalizador em Danças Circulares e Sagradas.

3. CAPÍTULO 2 REVISÃO DE LITERATURA

3.1 Inteligência, o que é isso?

Inteligência é a capacidade de entender ideias simples e complexas, de adaptação eficiente aos ambientes, sendo capaz de aprender com as experiências vividas para a superação de obstáculos mediante a resolução de problemas, tendo no seu desempenho variações em função da idade e da sociedade onde está inserido.

Gardner (1999, p.47), conceitua inteligência como ‘um potencial biopsicológico para processar informações que pode ser ativado num cenário cultural para solucionar problemas ou criar produtos que sejam valorizados numa cultura. [...] sugere que as inteligências não são objetos que podem ser vistos nem contados. Elas são potenciais [...] que poderão ou não ser ativados, dependendo dos valores de uma cultura específica, das oportunidades disponíveis nessa cultura e das decisões pessoais tomadas por indivíduos e/ou suas famílias, [...]’.

Sintetizando o que estava estabelecido nas ciências biológicas, sociais e culturais sobre a “natureza e a realização do potencial humano”, Gardner (1999, p. 45), como resultado do projeto financiado pela Bernard van Leer Foundation3 que fundamentou suas pesquisas, em 1983 publicou Estruturas da Mente: A Teoria das Inteligências Múltiplas, propondo a existência de sete inteligências, sendo elas verbo-linguística; lógico-matemática; viso-espacial; corporal-cinestésica; musical; interpessoal e intrapessoal. Gardner, (1993, p. 15) fala que as sete inteligências descobertas e descritas em sua pesquisa, são apenas uma lista preliminar, porque cada forma de inteligência pode ser subdividida ou ainda reorganizada, pois o mais importante é deixar claro a pluralidade do intelecto, e que os indivíduos ao nascerem com determinado perfil de inteligência, diferem do perfil com o qual acabam.

3.2 As Inteligências Múltiplas

Verbo-linguística: Capacidade exibida em sua forma mais completa e está relacionada ao uso das palavras, Gardner (1999). Tanto na forma falada ou oral, quanto na escrita. Líderes políticos e religiosos, professores, escritores, poetas, compositores, bons vendedores, locutores, jornalistas e repórteres, são os indivíduos que fazem maior uso dessa inteligência, (ABRANTES, SEIXAS FILHO e ALMEIDA, 2009).

Lógico-matemática: Gardner (1999), descreve, [...] como o nome implica, é a capacidade lógica e matemática, assim como a capacidade cientifica [...]. Abrantes, Seixas Filho e Almeida, (2009), acrescentam que essa inteligência “expressa a capacidade de calcular, quantificar, considerar proposições e hipóteses e realizar operações matemáticas, desde as mais simples, até as mais complexas”. Também expressa a “sensibilidade a/e capacidade de discernir padrões lógicos ou numéricos; capacidade de lidar com longas cadeias de raciocínio” Armstrong, (2001, p. 16 apud ABRANTES, SEIXAS FILHO e ALMEIDA, 2009). Gestores, que a todo instante tem que tomar decisões rápidas e lógicas.

Viso-espacial: Habilidade para pensar de maneira tridimensional (comprimento, largura e altura), além de perceber, criar e modificar imagens. Gardner, 1999, fala que é a capacidade de compor um modelo mental de um mundo espacial com a possibilidade de manobrá-lo. Celso Antunes (2000, p.111 apud ABRANTES, SEIXAS FILHO e ALMEIDA, 2009) a define como: Capacidade de perceber o mundo visual com precisão, de efetuar transformações sobre as percepções, de imaginar movimento ou deslocamento interno entre as partes de uma configuração [...].

Este tipo de inteligência costuma ser bem desenvolvido em profissionais das áreas de: geografia, história, projetistas (designers), engenheiros, arquitetos, escultores, pintores, fotógrafos, pilotos e artistas em geral, (ABRANTES, SEIXAS FILHO e ALMEIDA, 2009).

Corporal-cinestésica: O termo cinestésico está relacionado aos movimentos do corpo. Capacidade de manipular objetos e de expressão corporal ou ainda dos que têm a capacidade para usar seu corpo por inteiro ou partes dele. É típica dos atletas, dançarinos, cirurgiões, artesões, coreógrafos, mímicos e escultores, ABRANTES, SEIXAS FILHO e ALMEIDA, (2009).

Musical: É a habilidade para a composição, entoação, melodia, o ritmo e o tom, é comum às pessoas que gostam de ouvir música e têm habilidade para tocar instrumentos musicais. É a inteligência que se desenvolve mais precocemente, podendo-se observar como as crianças, especialmente os bebês gostam de música, (ABRANTES, SEIXAS FILHO e ALMEIDA, 2009).

Interpessoal: É a capacidade de compreender e interagir com outras pessoas. Saber ouvir, aconselhar, consolar, sugerir e motivar outras pessoas. Professores bem sucedidos, atores, assistentes sociais, psicólogos, terapeutas, líderes sindicais e alguns políticos, além de gerentes bem sucedidos, estão entre aqueles que têm esta inteligência bem desenvolvida. Também a facilidade para criar e manter relacionamentos sociais, são características desta inteligência. Ela também se manifesta através do humor e do espírito de liderança situacional, ou seja, um líder que se adapta às necessidades do momento, em síntese não é carismático, nem autocrático nem liberal ou laissez faire4, (ABRANTES, SEIXAS FILHO e ALMEIDA, 2009).

Intrapessoal: Expressa a capacidade em construir uma percepção profunda de si mesmo, bem como para planejar e direcionar sua vida. Está relacionada à auto-estima. É típica da pessoa que se conhece (e se gosta) e sabe os seus limites. É a inteligência do seu mundo interior. Motivação, determinação, ética, honestidade, integridade moral, empatia e altruísmo, [...]. É forte nas pessoas que transformam erros em aprendizados. [...], (ABRANTES, SEIXAS FILHO e ALMEIDA 2009).

Outros pesquisadores além de Gardner têm estudado as Inteligências Múltiplas. Na Universidade de Harvard Daniel Goleman escreveu um livro, Inteligência Emocional, em 1995. Robert Emmons da Universidade da Califórnia em 2000 citou a Existencial e Nilson José Machado na Universidade de São Paulo – (USP) citou a pictórica em 1994. Em agosto de 2006, Daniel Goleman lançou em Nova York, um novo livro onde descreve o seu conceito sobre a Inteligência Social. No final de 2009 podia-se dizer que já existiam 12 tipos diferentes de inteligências bem estudadas, fundamentadas e detalhadas.

Do mesmo modo, segue a descrição das inteligências acima citadas.

Emocional: Proposta por Goleman que define esta inteligência como relacionada à emoção e como um equilíbrio entre as inteligências interpessoal e intrapessoal. Uma pessoa com forte inteligência emocional possui fortes inteligências inter e intrapessoal e um perfeito equilíbrio entre estas. [...], para poder ter tranqüilidade e raciocínio estratégico, diante das pressões e mudanças quase que diárias. [...]. A inteligência emocional está relacionada a aspectos como: autoconsciência, sentimentos, motivação, empatia e relacionamento social, (ABRANTES, SEIXAS FILHO e ALMEIDA, 2009).

Em seu livro Goleman (1995, p. 93) diz que “[...] essa inteligência é uma aptidão mestra, uma capacidade que afeta profundamente todas as outras, facilitando ou interferindo nelas”.

Existencial ou Espiritual: Robert Emmons, neuropsicólogo e professor da Universidade da Califórnia, definiu essa inteligência como a capacidade da pessoa em articular questionamentos éticos, filosóficos e religiosos. De onde vim? Quem sou eu? Para onde vou? Deus existe? [...] Estas são questões típicas das pessoas que têm esta inteligência bem desenvolvida. Entretanto, existem muitas pessoas que jamais expressam estas preocupações. Além de pessoas comuns, sacerdotes (de qualquer religião), filósofos, escritores, artistas e cientistas, são exemplos dos que têm esta inteligência bem desenvolvida, (ABRANTES, SEIXAS FILHO e ALMEIDA, 2009).

Wolman (2001, apud OLIVEIRA, PASCALICCHIO e PRIMI, 2012) define a inteligência espiritual como a capacidade de transcendência que envolve diferentes habilidades, [...]; o investimento em atividades, eventos e relacionamentos repletos de senso altruísta e a utilização de recursos espirituais para resolver problemas na vida, ou seja, ser virtuoso e se comportar efetivamente como tal. Esses são componentes operacionais que caracterizam a inteligência espiritual.

Pictórica: É a capacidade de representação pelo desenho e extrema sensibilidade pela pintura, em pessoas que criam personagens que falam por si mesmo, sem ter necessidade de dizer nenhuma palavra, Antunes, 1999. Este autor complementou os conceitos de Gardner, compondo um par complementar com a musical, ao lado de outras inteligências – a Interpessoal, a Intrapessoal, a Espacial, a Linguística e a Lógica-Matemática. Em 2000, Antunes fala que a inteligência pictórica pode ser identificada pela habilidade de expressão por meio do traço, sensibilidade para o movimento, beleza e expressão a desenhos e pinturas e pela autonomia em pegar as cores da natureza e traduzi-las de várias formas, (ANTUNES, 2000, p. 68).

Social: A inteligência social segundo Goleman (2007), é a capacidade de administrar os sentimentos e compreender o outro. Tem como principal função o autoconhecimento e a captação das necessidades do outro. É uma habilidade que engloba muitas outras, esboça novos mecanismos cerebrais, através da neuroplasticidade. Goleman ainda afirma que a convivência faz com que imitemos o modo de agir de outras pessoas.

Naturalista: Howard Gardner em 1996 revelou e adicionou a sua lista de inteligências múltiplas, essa inteligência. Antunes (2000), a descreve como a capacidade e a habilidade de observar na natureza os seus padrões e reconhecê-los, sejam eles sistemas naturais, ou os criados pelo homem. É classificada como a inteligência do novo milênio. Percebida nos pacifistas, naturalistas, ecologistas, geógrafos, jardineiros, fazendeiros, biólogos, botânicos, agrônomos, médicos veterinários e paisagistas. Gardner revelou a existência desta inteligência, em 1996, no Brasil, em uma entrevista ao Jornal da Tarde de São Paulo.

Abrantes, Seixas Filho e Almeida (2009), afirmam que:

Pessoas que apreciam o nascer e o por do sol, que curtem olhar a chuva batendo no chão, que passam horas contemplando uma cachoeira, que observam o canto e os ninhos de pássaros (mesmo os urbanos), pessoas que se encantam com o vôo do beija-flor, pessoas que se emocionam ao ver gatinhos mamando na gata, são exemplos de pessoas com forte inteligência naturalista. Até pelos novos tempos e das questões ambientais esta é a inteligência que mais terá que ser valorizada e praticada pelos modernos gestores.

A maioria das pessoas tem todos os tipos de inteligência ou raciocínios, é o que dizem Oliveira, Pascalicchio e Primi (2012), e o uso que se faz deles e suas diversas possibilidades de aplicação vão depender dos estímulos recebidos bem como da combinação entre fatores hereditários, ambientais e vivências. Desse modo, a inteligência é a expressão de raciocínios diferentes que, quando somados, denotam a inteligência.

Primi e Almeida (2000, apud OLIVEIRA, PASCALICCHIO e PRIMI (2012) consideram que:

a inteligência pode ser constituída por cinco tipos de raciocínios: abstrato, verbal, numérico, espacial e mecânico. Cada raciocínio seria responsável por uma dada habilidade do ser humano. O abstrato se expressa na habilidade de raciocinar em situações novas, criar conceitos e compreender implicações: trata-se de um raciocínio que se associa à inteligência fluida5. O verbal tange à habilidade de domínio dos conhecimentos verbal e vocabular, expressos no raciocínio utilizado em conceitos aprendidos e apresenta elementos tanto da inteligência fluida quanto da cristalizada6. O numérico, por sua vez, se relaciona à inteligência fluida e à habilidade quantitativa, como o entendimento de conceitos quantitativos básicos, tais quais soma, subtração, multiplicação e divisão e manipulação de símbolos numéricos. Já o espacial relaciona-se à capacidade de processamento visual definida como a habilidade de representar e manipular imagens mentais. Por fim, o mecânico associa-se em parte à inteligência fluida e aos conhecimentos práticos mecânicos.

Com base no que foi até aqui brevemente exposto, é possível afirmar que existem diferenças individuais, mas que as inteligências, são capacidades humanas autônomas que precisam de estímulos para que possam “ser despertadas” ou “acessadas”. E que os estímulos oriundos das vivencias nas experiências do cotidiano deflagram o momento em que as inteligências se revelam, seja individualmente ou combinadas entre si, para que o humano possa assenhorear-se da sua inteligência, a qual poderá ou não ser reconhecida socialmente e pelo próprio individuo, como uma capacidade capaz de suscitar realizações, conhecimento e gerir a vida como um todo.

3.3 A dança e a sua origem no Sagrado

Louvada seja a dança porque ela liberta o homem do peso das coisas materiais, e une os solitários para formar sociedade. Louvada seja a dança, que tudo exige e fortalece saúde, mente serena e uma alma encantada. A dança significa transformar o espaço, o tempo e a pessoa, que sempre corre perigo de se desfazer e ser ou somente cérebro, ou só vontade ou só sentimento. A dança, porém exige o ser humano inteiro, ancorado no seu centro, e que não conhece a obsessão da vontade de dominar gente ou coisas, e que não sente a desarmonia de estar perdido no seu próprio ser. A dança exige o homem livre e aberto, vibrando na harmonia de todas as forças. Ò homem, ò mulher, aprenda a dançar senão os anjos do céu não saberão o que fazer contigo, (LOUVADO).

Conceituar, entender e definir dança a partir de uma ideia livre não é tão fácil, pois cada um tem uma imagem ou julgamento diferente que advêm da sua visão de mundo ou como percebe a dança em seu mundo particular [...] e, além disso, há a necessidade de aprofundar-se na historia e nos contextos, sejam políticos, sociais e culturais, porque muitas são as formas como a dança é vista, interpretada e analisada, [...] (OLIVEIRA e COSTA, 2011).

Brasil (2008), fala que Dança é movimento, e se movimento é ritmo, é tempo [...] tudo o que se move dança [...] se move porque está sujeito a um ritmo necessariamente, seja esse ritmo algo extremamente particular e próprio, intrínseco, ou algo universal e extrínseco. De qualquer forma, ou de ambas as formas, ele existe [...] tudo dança, mas só os homens são capazes de dançar a si mesmos! Tudo se move, mas só os homens são capazes de pensar e criar o seu próprio movimento! Tudo está inserido em um ritmo, mas só o homem pode fazer esse ritmo mudar ou até mesmo parar! Tudo é história, mas só o homem, por construir significados para tudo, é capaz de ser ator, diretor e construtor de sua história e não apenas mero espectador ou coadjuvante. O homem faz história, ao passo que o restante dos seres e do mundo apenas está na história.

A bailarina, coreografa e pesquisadora em dança Tosta (2012), diz que Dança pode ser definida como uma manifestação instintiva do ser humano. [...] é uma forma de expressão que se perde com a origem da humanidade. Só depende do corpo e da vitalidade humana para cumprir sua função enquanto instrumento de reafirmação de sentimentos e experiências subjetivas.

Outras áreas de pesquisa acreditam que a dança exerceu um papel importante na caça e em muitas outras atividades da vida pré-histórica. Hoje os cientistas estudam as danças de várias culturas porque as formas de dança de um povo podem revelar muita coisa sobre como foi construído seu modo de vida através do tempo.

A dança na era primitiva, está diretamente relacionada a sobrevivência do humano, que vivendo em tribos isoladas e nômades, alimentando-se da caça e da pesca e de frutos e vegetais colhidos da natureza, criavam danças-rituais para evitar as intempéries naturais que poderiam dificultar a sua sobrevivência. Tais praticas ficaram registradas na arte rupestre7. Nas cavernas da Serra da Capivara (Piauí – Brasil), Fulton’s Rock (África do Sul), Altamira (Espanha) e Lascaux (França) podem ser vistos muitos desenhos dessas eras. Eles representam cenas de pessoas em roda, dançando em volta de animais e vestidas com suas peles. Quando o humano aprende que fixando raízes sua vida torna-se mais fácil, os rituais e oferendas em forma de dança têm o sentido de festejar a terra e o preparo para o plantio, de celebrar a colheita e a fertilidade dos rebanhos. A identificação, pela dança, com os movimentos e as forças naturais representam uma forma de o homem se sintonizar com o ritmo da natureza, auxiliando-o na programação de suas ações. (LANGENDONCK, 2008).

Rodolpho (2004), diz que quando se pensa no ritual em si, logo vêm várias ideias a mente, uma é que o ritual é antigo e formal sem nenhum conteúdo, apenas para celebrar datas especiais, ou que está ligada a religião, porém, nenhuma dessas ideias é a correta, pode-se pensar também qual espaço os rituais ocupam em nossa sociedade.

Para Moore e Myerhoff (1997, apud RODOLPHO, 2004), todos os dias de nossa vida são marcados por um conflito dual, onde as pessoas não seguem nenhuma regra, ou todos cumprem absolutamente regras e leis estabelecidas. Nesse sentido, os rituais dão autoridade e legitimidade ao organizar e estruturar e reestruturar visões e valores morais e do mundo em si mesmos.

O ritual é um sistema cultural de comunicação simbólica. Ele é constituído de sequências ordenadas e padronizadas de palavras e atos, em geral expressos por múltiplos meios. Os rituais emprestam formas para que possam ser organizados aspectos convencionais da vida social, mas cada ritual tem sua diferente forma estabelecida, que podem ser conhecidos pelas pessoas concedendo segurança. Os rituais podem ser religiosos ou seculares, onde os dois expõem o invisível, religiosos trazem em evidência o sagrado, os seculares definem as relações sociais

Langendonck, ainda faz referencia as Danças Milenares, onde no Egito por volta do ano 5.000 a.C., eram executadas em homenagem aos deuses, especialmente a Hathor, deusa da dança e da música, e ao deus Bés, tido como o inventor da dança. Outros deuses também recebiam homenagens por meio da dança, especialmente Osíris, deus da luz, que ensinou os homens a cultivar a terra as margens do rio Nilo, e todos os anos durante o período das cheias e vazantes que marcavam a chegada da primavera este deus era festejado com danças. Para o deus Amon, durante a procissão da barca sagrada, bailarinos acrobatas executavam proezas. As danças aconteciam em todas as ocasiões, nas festas, ou até mesmo nos funerais onde os mouou, figuras dramáticas, que surgiam inesperadamente e acompanhavam o cortejo dançando em duplas, para assegurar segundo a crença a ascensão do morto a uma nova vida. As danças profanas aconteciam durante os banquetes para honrar os vivos e os mortos, ou ainda em cerimônias de entrega de recompensas ou elevação de cargos a funcionários.

A morte não se relaciona simplesmente com o fim de uma vida, mas trata-se igualmente de uma nova condição, uma nova iniciação à vida eterna, ao reino dos mortos (dependendo das crenças de cada grupo sobre o destino dos homens). Os rituais de sepultamento igualmente simbolizam a separação do mundo dos vivos; estes devem zelar pelo bom encaminhamento dos ritos segundo os costumes do grupo. O não-cumprimento destas prescrições pode ocasionar resultados, como o destino da alma que pode errar sobre a terra, ou ocasionar outros riscos para o mundo dos vivos. E desta mesma forma ocorrem os ritos de casamento, conforme costumes e culturas de seus distintos grupos, e a colheita.

O importante nos rituais não seriam os atos, e sim suas características de forma, repetição, etc. Igualmente importante na análise dos rituais é não se deixar levar unicamente por valores de racionalidade ou pelos critérios da sociedade, já que estes não são necessariamente válidos para outros grupos (grifo nosso). Os rituais estão presentes em nossa vida cotidiana, sobretudo ao observarmos as performances executadas (PEIRANO, 2003, apud RODOLPHO, 2004).

Na Índia, ainda segundo Langendonck (2008), a dança, o seu ritmo, estava ligado à criação contínua do mundo, sua manutenção e destruição das formas para que outras pudessem nascer – e tinham como base que o corpo inteiro deveria dançar – por esse motivo durante a sua execução os bailarinos apresentam movimentos elaborados de pescoço, olhos, bocas, mãos, ombros e pés, ressaltando em cada gesto uma acepção mística, afetiva e espiritual, tendo cada uma das mudras, gestos das mãos, um nome específico e significado diferente. A dança indiana não impõe limites entre vida material e vida espiritual, e por isso corpo e alma para o hindu não estão separados.

Na Grécia, assim como na Índia e no Egito, as danças também tinham cunho religioso e faziam parte de seus rituais. Acreditando na magia produzida pelas danças, fazendo uso de máscaras, dançavam para inúmeros deuses. Um dos mais festejados no seu panteão era Dionísio, deus da fertilidade e do vinho. Garaudy, (1980), descreve em seu livro que os agricultores ao trazerem os feixes de trigo que eram dispostos em grandes eiras de pedra e os cachos de uvas eram acumulados em enormes lugares no centro de Atenas, esperando para serem macerados com os pés, em movimentos coordenados, deslocando-se em roda e cantando seus próprios cantos para dar ritmo ao trabalho. Quando os pisadores cansavam eram substituídos por outros que ficavam sentados em bancos de pedra, e isso poderia levar vários dias. Enquanto isso a população restante, formava fileiras sucessivas sentadas em degraus, sendo essa a possível origem do teatro grego, participando das danças e dos cantos, e segundo o autor, da possessão divina.

Para os gregos o ideal de perfeição estava na harmonia entre corpo e espírito – corpo moldado graças ao esporte e também a dança que contribuía proporcionando equilíbrio a mente e aprimorando o espírito, promovendo a agilidade necessária nas lutas e na vida militar (LANGENDONCK, 2008).

Platão referia-se a dança integrada a música e ao canto, dizendo que as artes eram imprescindíveis ao homem educado. Aristóteles dizia que essas artes deveriam ser aprendidas durante a adolescência para o preparo físico e intelectual (PORTINARI, 1989, apud ANDRADE e PEREIRA, 2011).

Porém na Idade Média, a dança só não foi suprimida nas manifestações populares, como semeadura, colheita e a chegada da primavera, onde todas as manifestações corporais foram proibidas pela igreja que ganhava cada vez mais força e tornava-se autoridade constituída, e, os camponeses evitavam confrontos com o clero, camuflando suas tradições com aparições de anjos e santos. Sendo essas praticas absorvidas pelas festas cristãs. Ainda neste período nos séculos XI e XII, marcados por epidemias as pessoas em desespero dançavam desvairadamente com o intuito de espantar a morte, essas danças ficaram conhecidas como dança macabra ou dança da morte, os teatros encenavam temas religiosos baseados no Velho e no Novo Testamento. No cenário havia a representação da boca do inferno, onde a dança macabra era executada representando o castigo para remissão do pecado e do flagelo da peste enviada por Deus (LANGENDONCK, 2008).

Nos séculos seguintes a dança passou por vários processos, saiu dos campos e adentrou os palácios e a morada dos nobres, foram adaptadas aos seus modos de vida. Nos campos eram dançadas de forma frenéticas, nos salões eram executadas com requinte pelos nobres. Serviram na maioria das vezes apenas de distração, sem nenhuma conotação sagrada. Tida como manifestação dos pobres e miseráveis, passou a ser quesito de cultura entre os nobres e a realeza. E ai, uma vez mais a dança ganhou espaço, saiu dos salões da nobreza e foi para os teatros, onde o balé, que nasceu da fusão das acrobacias e da leveza e graça das danças nas festas aristocráticas se estabeleceu. Na França Luís XIV em 1713, que era apaixonado pela dança, assim com também era exímio dançarino, criou uma companhia de dança, para Opera de Paris, onde ele mesmo também dançou, mantendo vinte bailarinos permanentes (LANGENDONCK, 2008).

Nanni (1995), narra que no reinado de Luiz XIV aconteceu uma revolução em relação à arte, os aristocratas abdicaram dos salões e ascenderam aos tablados dos teatros autorizando que dançarinos profissionais fizessem parte dos espetáculos. Surgiu assim uma nova profissão, o mestre de baile, que auxiliavam na criação da coreografia dos triunfos que eram majestosas e os próprios nobres atuavam como intérpretes, assim a dança passa a fazer parte da educação dos nobres. Cria-se a figura do mestre de dança que ensina os passos e faz a coreografia em torno do tema escolhido pelo nobre. Distingue-se então a dança dos camponeses e dos nobres. Na nobreza inicia-se um processo de ensino específico de aperfeiçoamento de movimentos tornando o aprendizado cada vez mais complexo.

Ainda nesse período, outras companhias e escolas de dança foram sendo fundadas e financiadas pela nobreza. Na Rússia em 1738 – O czar Pedro, o Grande (1672-1725), fundou a Escola Imperial Russa, no Teatro Imperial Mariinski, hoje Kirov, berço de uma tradição que fez a glória do balé russo. Após a Revolução Francesa a dança perde força por falta de financiamento e a Itália passa a ser o grande centro da dança, onde o napolitano Salvatore Vigano (1769-1821), para criar seus balés, inspirou-se nos princípios de Noverre (1727-1810) que publicou as famosas Lettres sur la Danse (Cartas sobre a Dança), um manifesto válido até hoje, no qual é defendida uma dança espontânea, com roupas leves e rostos expressivos, buscando exprimir ideias ou paixões. Idealizou uma nova forma de dança, que preconiza o balé de ação, que se constitui numa obra coreográfica baseada em uma história dramática. Contribuiu, também, para que a dança fosse definitivamente para os teatros (LANGENDONCK, 2008).

Mas o filósofo Garaudy (1980), afirma que, após quatro séculos de balé clássico, compreendidos dentro de vinte séculos de repulsa pelo corpo, imposto por um cristianismo pervertido pelo dualismo platônico8, que a dança foi para todos os povos em todos os tempos, a expressão por meio do movimento do corpo, que se organizam em sequencias expressivas que transcendem o poder da linguagem, seja falada ou gestual, pois a dança é uma maneira de existir e celebrar, é estar presente fazendo parte, não na condição de espectador, mas como cúmplice. A dança está ligada a magia e a religião, ao labor, a festa, ao nascer, amar e morrer. Os momentos mais importantes do homem foram dançados, guerra e paz, casamento e funerais, o plantio e as colheitas.

Em 1877 nascia Isadora Duncan , uma mulher a frente de seu tempo, que mudou mais que a dança. Aos cinco anos de idade reuniu as meninas de seu bairro e lhe ensinou a balançar os braços para expressar o balanço das ondas do mar. A partir dessa experiência da infância, Isadora dirigiu muitas escolas de dança. Porém para que isso acontecesse pela falta de reconhecimento em Chicago e Nova Iorque, viajou com a família para Europa, cercada de dificuldades, dinheiro escasso, enfrentaram a fome, e Isadora suportaria qualquer dificuldade pela sua dança, ela costumava dizer “Dançar é viver. O que eu quero é uma escola de vida”. Precariamente vestida com túnicas de inspiração grega, Isadora dançava descalça em festas de jardins e outros pequenos encontros sociais. Sua popularidade cresceu e logo ela estava em turnê pela Europa e América. Praticamente sozinha Isadora restaurou para a dança um lugar elevado entre as artes. Rompendo com a convenção, Isadora devolveu a dança às suas raízes como uma arte sagrada. Ela dentro desta ideia livre, inspirada nos movimentos naturais, nas artes clássicas gregas, nas danças folclóricas, nas danças sociais, nas forças naturais, descreveu vitalidade com o plexo solar9 e o tronco como a força geradora em todos os movimentos que realizava. A Isadora foi creditado inventar o que mais tarde veio a ser conhecido como Dança Moderna (BELILOVE, tradução nossa).

Segundo Rose Maria de Souza10, Isadora resgatou a essência da dança, superando a técnica, rompendo com as regras rígidas do balé clássico, improvisando de forma livre, inspirada nas ações do mundo, Isadora é, e continuará a ser um marco na Dança.

3.4 Danças Circulares e Sagradas

"Não é o ritmo nem os passos que fazem a dança.
Mas a paixão que vai na alma de quem dança."
Augusto Branco

Dança, primeira forma de expressão do humano. Manifesta-se instintivamente, dispensando todo e qualquer material ou instrumento. Depende unicamente do corpo. Onde na ação de uma simples caminhada pode ser percebida pelo seu ritmo e cadência. Considerada a mais antiga das artes, aparece inserida em todos os espaços no curso da historia humana. Apresenta-se em caráter individual ou coletivo, muitas vezes manifestando o caráter cerimonial das crenças humanas como ponto culminante de momentos para celebra a vida, os prazeres e o lazer. Carreia eternizando em si mesma as tradições, a cultura e a historia de um povo.

Garaudy (1980), diz que a Dança é um modo de existir, pois representa a magia, a religião, o trabalho, a festa, o amor e a morte, ela nasce da necessidade de comunicação com um universo que transcende a forma humana de existir, possibilita conhecer o desconhecido, diz ainda que a Dança é a atividade em que o humano esta totalmente integrado, corpo, coração e alma.

A Dança na sua trajetória através das eras, nos ciclos vivenciados pelo humano, foi reinventada inúmeras vezes, assim como inúmeras vezes foi resgatada e reinserida nos círculos que compreendem a vida.

Círculos que hoje se abrem por todos os lugares promovendo os encontros que possibilitam de mãos dadas com a vida e com o mundo, aonde as distâncias são todas iguais e todos se veem com alegria, nas rodas de Danças Circulares e Sagradas, que segundo Gomes (2012) 11, fazem parte de um movimento mundial, iniciado pelo bailarino e coreografo alemão-polonês Bernhard Wosien Bernhard Wosien em determinada época da sua vida começou a pesquisar nas aldeias, nas pequenas comunidades da Europa as danças dos povos, as danças dançadas nas comunidades para festejar os casamentos, a celebração das colheitas, os aniversários. Ele começou a descobrir que nessas danças havia um potencial imenso de união entre as pessoas, de celebração e meditação entre elas.

Goberstein (1999), fala que, quando o bailarino e coreógrafo Bernhard Wosien, na década de 50 se propôs a pesquisar e vivenciar antigas rodas da Europa Oriental. Encontrando ali raízes antigas da arte de religar o ser humano, a “meditação através da dança, como um caminho para dentro do silêncio”.

Bernhard Wosien teve toda sua vida dedicada à dança em palco, quando em 1960 passou apenas a ensinar, para tanto criou na Escola Pública Superior de Munique um grupo de dança, o qual durante as férias costumava levar à Grécia e a Iugoslávia, países que mantiveram vivas as antigas danças de roda, de onde tiveram a oportunidade de aprender na fonte de suas origens as danças europeias. Wosien percebeu o cunho cultural e religioso se revelarem nessas danças com profundidade, entendendo que cada pessoa ao dançá-las deveria estar total e completamente presente para desvendar seu poder de cura, e somente assim revelar sua origem sagrada (VALLE, 2000).

Bernhard começou a levar essas danças, chamadas de Danças Circulares Sagradas12 para algumas outras pessoas, até que ele chegou na Fundação Findhorn que fica no norte da Escócia. Essa Fundação trabalhou com as questões da sustentabilidade e da Cultura de Paz. E essas danças combinaram muito com a vida da comunidade, essas danças combinaram com as festas, o dia-a-dia da comunidade e começaram a ser dançadas por muitas pessoas, nós que participamos desse movimento e que frequentamos as Danças Circulares Sagradas, consideramos que Bernhard Wosien foi o pai das Danças Circulares Sagradas e a Fundação Findhorn a mãe que ampliou, gestou, e espalhou essa ideia. Bernhard foi para comunidade em 1976, e a partir dessa época então esse movimento foi ampliado e as danças foram se espalhando, (GOMES, 2012).

Conforme Goberstein (1999), as danças quase que na sua totalidade derivam na sua variedade das pesquisas de Bernhard Wosien que as empregava na sua forma original respeitando as tradições e culturas. Ela conta que Wosien capturava a essência dos movimentos típicos de determinadas culturas e os apresentava de forma simplificada, minimizando as dificuldades para que todos que estivessem participando da roda fossem capazes de dançar permitindo o contato com o sagrado pessoal e coletivo.

No Brasil essas danças chegaram através de um brasileiro que morou na Fundação Findhorn, chamado Carlos Solano, que é arquiteto e vive em Belo Horizonte. Solano viveu na comunidade de Findhorn por alguns meses e trouxe algumas danças para os seus grupos, para os seus amigos, e para alguns alunos que começaram a dançar com ele, (GOMES, 2012).

No final dos anos 80, inicio dos anos 90, Renata Ramos13 também foi a Fundação Findhorn, segundo conta Gomes (2012), e a coisa mais bacana que aconteceu nessa época, foi que Renata Ramos junto aos amigos e alunos dessa atividade, puderam ter acesso as fitas cassetes com as musicas e aos livretos apostilas contando os passos dessas danças. Então, as danças foram criando mais corpo, as pessoas foram conhecendo, e dentre elas uma Terapeuta Ocupacional da Secretaria Municipal de Saúde (São Paulo), Ana Lucia Borges da Costa14, conheceu esta atividade e começou a utilizá-la como recurso na sua Unidade de Saúde, em saúde mental. [...] a medida que ela (a dança) foi se espalhando, outros profissionais de saúde quiseram conhecer esse trabalho, começaram a se capacitar, e levar também para as suas unidades de saúde, de onde aos poucos foram ganhando espaço [...] alcançando as comunidades, principalmente os parques.

Na área terapêutica, conforme relata Goberstein (1999), não há ainda registros científicos quanto aos benefícios atribuídos à dança. Existe, contudo depoimentos de pessoas que encontraram nas Danças Circulares suporte nos processos de mudança individual e social de suas vidas.

A psicóloga clínica Eliana Gutierres, diz o seguinte:

[...] costumo recomendar para meus pacientes a Dança Circular como parte do processo terapêutico. Eu tenho notado que muitos pacientes com depressão, pós-cirurgia, eles tem melhorado bastante com essa vivencia, porque se ficar só no verbal, [...] dentro de um consultório [...] fica um processo dolorido, e como essa dança tem movimentos, é dançado também os florais, os florais trabalham com os conteúdos, só que de uma forma lúdica, e a dança é um dos recursos que eu recomendo [...] uso como uma forma de tratamento mais suave, [...], não deixando de lado a parte de conteúdos que têm que ser trabalhados. Tenho notado no trabalho com terceira idade, pessoas com Alzheimer, com Parkinson, que tem recuperado a autoestima, a autoconfiança através da dança. [...] tem pessoas com 70-80 anos com quem eu trabalho, elas às vezes não veem perspectiva de vida, de futuro, e no processo prático, elas começam recuperar, que ainda existe vida.

Conforme Gomes (2012), quem iniciou os trabalhos nos parques foi Bia Esteves15, que abriu a roda no Parque Trianon, pertinho da Paulista em São Paulo, e logo em seguida no Parque da Água Branca. E o trabalho de Bia Esteves, inspirou muitas pessoas que passavam pelo parque, que estavam contemplando a natureza, fazendo seu picnic, e que iam descansar no seu fim de semana e passaram a dançar, e dançando elas iam descobrindo que os passos que elas realizavam de cada povo, traziam alguns insights, traziam alguns benefícios para si mesmos, como qualidade de vida, um tempo de pausa no dia-a-dia tão corrido na vida urbana, [...].

É o que se pode constatar com o depoimento da aposentada Marilena C. Rodrigues, que diz:

[...] conheci a dança através de uma vizinha, e vim no primeiro dia como uma curiosa, eu tinha uma vida muito atribulada, eu tinha três dependentes de mim doentes, e eu era uma pessoa muito presa num ambiente pesado. No primeiro momento eu comecei a senti uma alegria que eu não estava sabendo direito de onde vinha, e com o tempo eu fui notando que eu fui assim, me fortalecendo nessa alegria e percebi que ela vinha da dança. Primeiro porque toda vida eu gostei muito de dançar e não tive oportunidades. Segundo que é uma coisa simples, fácil e que todo mundo pode e onde a gente tem o direito de errar. Isso foi crescendo, já fazem quatro anos. Já viajei com a dança, e onde eu conheci pessoas de outro país, de outro estado. Existe uma cumplicidade muito grande porque todos falam a mesma linguagem, todos gostam da Dança Circular, e assim nesses quatro anos eu resumo tudo isso a uma frase – antes da dança, e depois da dança. Meus filhos até comentam que eu sou uma outra depois que eu comecei a dançar.

Heloísa Elias Cruz, aposentada, cega, também fala que:

[...] eu tava procurando uma atividade pra sair de casa mesmo, voltar a ter contato com as pessoas. Que eu gosto de movimento, de tá com as pessoas, e fui convidada por uma amiga para conhecer a Dança Circular. E eu nunca tinha ouvido falar nada a respeito, achei curioso o nome e vim conhecer em março, e fui feliz porque fui interagindo ali com as pessoas, toram tendo paciência de me indicar a coreografia, e, timidamente achei algo muito diferente, mas muito interessante. Na semana seguinte vim mais uma vez e agora já tó ai a alguns meses praticando a dança e me sinto muito bem né, me despertou novamente a vontade de sair pra passear, pra tá com as pessoas, é, e outro grupo que não seja familiar, ali das pessoas que a gente tem costume, porque eu trabalhava muito e agora aqui eles são muito alegres, a professora é bem receptiva, o grupo todo é muito simpático, e eu me sinto muito bem, me fez muito bem, é, tenho me sentido assim com o funcionamento do corpo melhor, com mais disposição, e trás muita alegria, a gente espera a quarta-feira pra vir, eu pelo menos fico com a expectativa pra próxima quarta-feira porque me sinto muito bem.

Nas rodas de Danças Circulares Sagradas o humano reafirma seu pertencimento no grupo, pertencimento que se estende para todos os outros círculos frequentados por ele, partilhando saberes, valores e crenças. As danças circulares que hoje dançamos acolhem e honram tradições de diferentes povos, suas músicas, gestos e significados culturais diversos.

Por isso Garaudy (1980), fala que em suas raízes as danças trazem a tradição de diferentes povos. O círculo se faz novamente presente. A reunião circular promovida pela dança promove o encontro e a reafirmação das eras. Ao se reunir em círculos a comunidade celebra ritos de passagem, nascimento, casamentos, entrada para a vida adulta, as boas colheitas, as conquistas e até mesmo a morte.

Bernhard Wosien já contava mais de 60 anos quando se propôs a fazer sua busca por uma forma de expressão corporal mais orgânica, o que isso quer dizer, onde a alegria, a amizade, o amor para consigo mesmo e para com os outros pudesse estar, e, foi na roda que ele experienciou essas emoções, e vislumbrou a possibilidade das Danças Circulares Sagradas das tradições dos povos, promover a comunhão e o entrosamento sem palavras. (OLIVEIRA e COSTA, 2011).

Quais seriam os motivos intrínsecos que levariam um homem num momento que todos os países do mundo tentavam recuperar-se dos efeitos da II Grande Guerra e ainda respiravam as poeiras das bombas de Hiroshima e Nagazaki a fazer essa busca?

A resposta ainda seria: “Surgindo do silêncio da harmonização, uma ideia nasceu do meu coração: a ideia da dança como uma caminhada para dentro do silêncio e de uma meditação em movimento” (WOSIEN, 2000).

Gomes (2012), relata que [...] Bernhard Wosien gostava de contar histórias para cativar o público e falar um pouco do simbolismo dos passos. Então Bernhard nos contava que as famílias dos pescadores (na Grécia) se reuniam quando eles voltavam da pesca que as vezes durava meses, e eles se reuniam em volta dos alimentos nas praias para celebrar a chegada dos seus maridos, a chegada do alimento para aquela comunidade, e eram alegria, e era uma festa. Ele gostava muito de contar isso e de trazer as pessoas todas para dançar independente da idade.

A Dança assim como todas as praticas corporais, busca desenvolver o espírito de solidariedade e igualdade objetivando a unicidade. E o círculo reproduz um microcosmo como espaço primordial para que o ser humano desperte a sensação de pertencimento na criação de forma individualizada inicialmente e depois coletivamente, criando um corpo uno que gira e transcende qual corpo celeste em continuo movimento de rotação e translação que se renova e transmuta infinitamente. Ao sair do seu lugar de comodidade os sujeitos estão em evidência, lado a lado de mão dadas na roda, trazendo o sentimento de pertencimento. A margem do circulo o grupo dança para si mesmo, onde as coreografias experimentadas visam uma única plateia, o outro a sua frente (OLIVEIRA e COSTA, 2011).

Para Gomes (2012) a roda da dança representa a roda da vida, é o nosso dia-a-dia... Que nos caminhamos passos... E alguma vezes vamos no sentido do centro que representa a Fonte, aquilo que nos alimenta, aquilo que para nós e mais valioso, o centro do nosso coração, nosso centro vital, o centro de todas as coisas, o centro da Terra, então nos vamos muitas vezes, nos vamos em direção ao centro em busca desse alimento da nossa alma. Nós nos afastamos desse centro, nos caminhamos no círculo que é nosso dia-a-dia. Nós levamos todo esse nosso aprendizado, essa nossa experiência para o dia-a-dia, para nossa vida indo para fora do círculo. Essas sabedorias acontecem muito com fluidez, com fluidez do dia-a-dia, como as estações que se seguem uma depois da outra; como uma semente que brota e se transforma numa linda arvore; e aos poucos nós vamos representando esses movimentos da natureza, dos ciclos, das estações através dos nossos gestos e de nossos movimentos corporais.

Ostetto (2008) com base nas suas experiências afirma:

Na roda, ficamos lado a lado, irmanados, ligados pelas mãos e, num crescendo, conforme a entrega de cada um e de todos, ligados pelo coração, o pulso e o impulso criador da unidade na diversidade. O foco está no centro da roda que, com o passar da dança, de várias danças, vai impelindo ao encontro com o centro de cada um — seu eixo, seu equilíbrio. Sou parte do todo, mas sou individualidade. Danço a dança coletiva, mas tenho o meu passo, marca do meu corpo, da minha história. Aprendo a entrar na roda sem perder minha singularidade e, mais que isso, reafirmo-a na medida em que percebo o outro. Pratico a alteridade na circularidade: vejo o outro e me vejo, dou espaço ao outro e ocupo meu espaço. Encontro o outro e caminhamos juntos, harmonizando a roda, dançando a vida.

Murakata (2002, p. 169 apud BILLARD, 2007) descreve que:

O centro e o círculo juntos Simbolizam, respectivamente, Deus e o mundo, a Unidade e o múltiplo, o invisível e o visível. Nossa vida é um dançar constante ao redor do centro, num círculo que simboliza a roda da vida, sem começo e sem fim, e que reflete seu movimento perpétuo.

Gomes (2012), fala que as Danças Circulares promovem o movimento do corpo por meio de toda a gestualidade executada, seja ao levantar e abaixar os braços, também nos deslocamentos em salto de um lado para o outro, ou no simples ato de andar para frente e para trás, é o corpo (físico) em ação, mas, trabalhando também as emoções, que de mãos dadas com os companheiros superam os níveis de tolerância para com o outro e consigo mesmo quando erra para acertar os passos da dança, com os corações envolvidos pela alegria das musicas também promovem serenidade numa meditação em movimento. Os aspectos mentais também são trabalhados por meio das relações que podem ser feitas acerca dos povos que são dançados, os passos, a sua simbologia. As danças também desenvolvem a atenção, concentração, exercita a memória, em movimento com alegria.

A alegria experimentada nas Danças Circulares, que se manifestam pela junção entre movimento e música, meditação e busca, encontro consigo mesmo, com o mundo e com as naturezas ali colocadas, que se expõe de mãos dadas - expostas - permitem-se a reflexão e conexão no e com o sagrado. Sagrado sem alusão a vertentes religiosas, mas com a possibilidade de totalidade – de religar sim – com a totalidade no sentido real de soma, de ganho e integração. Pois é preciso estar presente mais que fisicamente, ser e estar consciente em cada passo dado no círculo, sendo uma presença leve, mas firme nos propósitos e motivos que levam a dançar no círculo cada uma das naturezas em interação com a realidade.

Billard (2007, p.21) de forma bem pessoal falou:

O Sagrado é, para mim, estar totalmente presente no aqui e agora, numa atitude íntegra, em contato com a essência, quero dizer, com o que constituí a natureza profunda de um ser. Um sentimento de plenitude, de serenidade, de harmonia e de simplicidade. É uma conexão profunda, sincera, verdadeira consigo mesmo, integrado no todo e com muito amor. [...]. Quando dançamos totalmente presentes no aqui e agora, vivemos um momento único, real e em conexão com a própria Vida. [...].

O contato com a consciência é primordial - a total presença, seja no circulo, seja na vida comum - para que o tempo não opere simplesmente de forma mortal, pois a vida exige em todos os espaços que o humano seja integral para que ocorra evolução, ampliação de conhecimento em todo o processo que ele esteja envolvido. A dança transcende da imobilidade para o movimento, do movimento para a ação, que cria e recria a natureza pessoal e coletiva. Wosien, (2002), dizia ‘só no presente é que posso vivenciar o todo’.

Quando o sagrado dulcifica a mente e o coração, o corpo veículo que alberga a consciência também é beneficiado. Billard (2007) diz:

As Danças Circulares Sagradas são uma maneira de entrarmos em contato com nosso corpo. Dançando, nos variados ritmos, do mais lento ao mais rápido, com passos simples, com as noções de espaço, tempo, lateralidade, vamos aprimorando e conhecendo nosso corpo físico. [...] A nossa própria postura física vai se transformando, o corpo fica mais leve, com as articulações mais flexíveis, e adquire novas expressões. Por exemplo, numa dança rápida, podemos ter a experiência da vitalidade, numa dança mais tranquila, uma experiência de ternura. E como o nosso corpo está ligado com a nossa mente e a nossas emoções, a dança que proporciona este contato corporal permite também o contato com as nossas emoções e oferece uma nova reflexão [...] As Danças trazem um bem estar geral, um estado de relaxamento que se reflete nas emoções e nos sentimentos dos participantes.

A Dança assim como todas as praticas corporais, busca desenvolver o espírito de solidariedade e igualdade objetivando a unicidade que nasce a parti do corpo, pela possibilidade do reconhecimento deste corpo como instrumento de auto realização, que implica experimentar emoções nunca experimentadas, mudar nos conceitos pela quebra e recomposição de valores algumas vezes impostos pelas convenções sociais. As Danças Circulares possibilitam o uso do corpo como um brinquedo que tal qual crianças, pode ser usado para intercambiar as experiências e emoções vivenciadas no mundo.

3.5 O corpo

“Já disseram que o corpo não mente, mais que isso, ele conta muitas estórias e em cada uma delas há um sentido a descobrir, pois o corpo é nossa memória mais arcaica, nele, nada é esquecido”.

Leloup

O humano é dotado de capacidades que lhe possibilitam interagir com o mundo - pessoas, animais, objetos, luz, fenômenos naturais, cheiros, sabores, sons – São os sentidos, que enviam uma gama enorme de informações ao cérebro provocando as varias sensações experimentadas diariamente a todos os instantes, até mesmo quando o humano dorme, utilizando a rede de neurônios que fazem parte do sistema nervoso, que processa essas informações, e, responde gerando sensações de bem-estar, dor, medo, fuga, serenidade, amor e ódio, etc.

As sensações possibilitam ao humano a interação com o mundo, um mundo que começa no seu corpo, palco e ao mesmo tempo coxia, por onde fluem as sensações humanas. Enquanto palco revela as emoções por meio das ações, como coxia é mesa de criação e camarim.

Le Breton, segundo Gomes (2011), fala que o corpo é uma mera construção simbólica e não uma realidade em si, feita de uma construção social e cultural, e que ao longo do tempo por uma concepção incoerente ele é posto como o meio que delimita o homem e o mundo, e que por outro lado o corpo é visto como o meio que dissocia o homem dele mesmo, gerando uma visão ambígua sobre o corpo - ter é mais do que ser - onde o homem não só se coloca distante mais também menospreza o corpo. De outro modo ele faz desse corpo a sua própria identidade trazendo o sentimento de ser ele mesmo antes de ser membro de uma comunidade. Da modernidade ate os dias atuais varias concepções de corpo foram criadas, uma verdadeira polissemia corporal, e que tais concepções são o resultado de três esferas sociais e culturais: o individualismo – oposição entre vida publica e privada. O surgimento de um saber racional positivo e laico sobre a natureza, que levou o homem a separar corpo e consciência. O abandono das tradições que cederam lugar a ciência, tida e aceita como verdade. Le Breton fala ainda que a mídia nos anos 60 do século XX, e ainda hoje é quem faz os ditames do corpo, como ele deve ser e parecer, intercambiando e diferenciando os gêneros e as categorias sociais, mudando ou trocando os símbolos corporais tradicionalmente existentes já afixados para homens e mulheres, mas também tirando de um e dando ao outro – como exemplo o mesmo aponta a busca da mulher por músculos enquanto homens preservam uma aparência mais delgada. O autor reforça conceitos como: os corpos são biologicamente construídos, mas são modelados culturalmente; o corpo é a ferramenta com que os humanos moldam seu mundo, bem como também e a matéria pela qual o mundo humano é moldado.

O corpo é uma singularidade quase impossível de compreensão, comunica-se, expressa-se, influencia e modifica outros corpos e o próprio espaço em função de si mesmo. Existe na forma física (real) e imaginária (mundo interior, internet). O corpo faz a historia e ele mesmo é a historia do humano, é o espelho e a vitrine onde é refletido e exposto o uso feito dele e por ele, e por isso a muito não pode mais ser visto meramente como a sede dos sentidos, aonde as percepções reagem como meras funcionalidades, porque agora ele é ferramenta das ações, viver no mundo é ser corpo, um o corpo que segundo Barbosa, Matos e Costa (2011), [...] hoje vive-se a revolução do corpo, valores relativos à beleza, saúde, higiene, lazer, alimentação, exercício físico, têm reorientado um conjunto de comportamentos na sociedade, imprimindo um novo estilo de vida, mais aberto à diversidade por um lado, mas mais narcísico e hedonista no que diz respeito à experiência do corpo [...].

Segundo Miranda, atualmente o corpo [...] encontra-se em plena metamorfose. Não se trata mais de aceitá-lo como ele é. Mas sim de corrigi-lo, transformá-lo e reconstruí-lo.

O indivíduo contemporâneo tenta encontrar no seu corpo uma verdade sobre si mesmo, assim, na falta de realizar-se na sua própria existência, este indivíduo procura hoje realizar-se, através do seu corpo. Ao mudá-lo, ele procura transformar a sua relação com o mundo, multiplicando as suas personagens sociais, (MIRANDA).

Barbosa, Matos e Costa (2011), relatam que ao ver ‘as figuras humanas expostas no Parténon, nuas, simbolismo de juventude, da perfeição. Cada cidadão era livre de atingir o corpo perfeito, idealizado e, depois, expô-lo’. Expor não somente a admiração, por sua beleza, saúde e vigor físico, e, todo esse labor também levava a perfeição como instrumento de combate, pois não se tratava apenas de narcisismo ou hedonismo, e não se tratava de uma graça, mas um dom a ser mantido, pois tudo na natureza era luta, obstáculos a serem vencidos e terras a serem conquistadas.

O corpo malhado, sarado e siliconado de hoje, conforme Kehl, (2004), ‘limita-se a confirmar: sou um corpo malhado, sarado, siliconado’. Ainda segundo a autora, quando gregos e romanos se dedicavam aos cuidados diários com o corpo, eles não estavam apenas preocupados com a aparência, pois para eles ser capaz de cuidar bem do corpo e da mente denotava capacidade e responsabilidade para cuidar bem da polis (cidade-estado).

Rosário (2002) disserta que, a sociedade age sobre o corpo, organizando-o, sistematizando-o, determinando-o. Surgem, então, os perfis de beleza, de sensualidade, de charme, de saúde, de postura - e também de inteligência, de boa educação, de cordialidade [...].

Marcondes Filho, (1998, apud ROSÁRIO, 2002), chama esses perfis de "modelos" - padrões de beleza e prazer que dão segurança aos seres humanos para que eles tenham moldes para construir-se como homens e mulheres, para se excitar, para interagir. Para ele, esses modelos não existem na realidade, funcionam como construções mentais capazes de preencher o imaginário social. Assim sendo, esses modelos ou perfis vão preencher de sentido a vida e o cotidiano; vão dar significação aquilo que não é lógico, nem natural. Através dos tempos, esses modelos funcionam como mecanismos codificadores de sentido e produtores da história corporal.

Corpo, corpo, corpo – signo de beleza, vigor e vitalidade. Involucro, veiculo, moradia da alma. Corpo Antigo, Moderno e Atual. Corpo Santo, Corpo Pecado, Corpo Idealizado, Corpo Dominado, Silenciado e Proibido. Corpo Mortificado e Ressurgido. Ciber-Corpo. Corpo-Cultural, Social, Psicológico, Religioso. Corpo-Natural, Histórico. Humano Corpo.

Na formação de professores e profissionais da Educação Física, aprende-se sobre o corpo-anatômico, o corpo-biológico, o corpo-fisiológico, o corpo-biomecânico, o corpo-esportista-desportista, o corpo lúdico-recreativo, as capacidades e habilidades motoras, prática física, prática mental, mas ainda assim “engessamos” alunos e clientes, dentro dos moldes e dos padrões pré-estabelecidos, vive-se hoje um mundo midiático, que veste e desnuda, põe e retira o corpo de seu cerne, projetando o seu centro a pontos humanamente impossíveis de manter-se em equilíbrio, massificando com um número infindável de informações o humano.

A ciência, o conhecimento e as modas, não viajam mais nas caravelas, eles viajam em milésimos de segundo em ondas que cruzam todo espaço terreno e aéreo aportando na mão do humano em seus celulares, nos outdoors multimídia e ainda principalmente nas TVs onde é apresentado um especialista para validar ou invalidar conceitos no minuto seguinte ao seu acontecimento e divulgação, e da mesma forma cria e/ou quebrar paradigmas, manipulando o assistente como mero objeto.

Gallo (2003) alude que nas culturas primitivas, o individuo não tinha consciência de possuir um corpo que interage num mundo de corpos e objetos. Não havia reflexão sobre individualidade, e, portanto, a corporeidade objetiva não era percebida em meio a um mundo de corpos objetivos. Martins (2009, p. 4) pôs que o corpo humano é uma espécie de caixa de pandora que retém em si inúmeros clamores que precisam ser liberados. Silva e Beresford (2006) referem ao humano, como um Ser completamente diverso de um objeto é, assim, uma consciência encarnada que concretiza sua intencionalidade através do corpo, cujos movimentos são portadores de sentido ou significado por estarem vinculados ao Ser no mundo.

O corpo tem, [...], o poder de comunicação, seja pela fala ou pela expressão [...] Silva e Beresford (2006).

Merleau-Ponty (1999, p. 251, apud SILVA e BERESFORD 2006) diz:

É, assim, por meu corpo que compreendo o outro, como é por meu corpo que percebo ‘coisas’. É através dos gestos, dentre estes a fala, que o corpo se torna o pensamento ou a intenção do que ele significa. Portanto, o corpo fala.

Santos (2004, p.10) na sua pesquisa relata que existem duas visões sobre o corpo, uma ocidental e outra oriental, onde a ocidental reflete uma visão capitalista de que o ser humano é um mero objeto e não um ser pensante e único, mas que seria muitas vezes visto simplesmente como um animal racional, o que, em contrapartida, na visão oriental o humano é visto como humano, completo e sem fragmentação. Ele também faz uma critica sobre a Educação Física, de que esta ainda fragmenta o corpo, que tanto as universidades como instituição de ensino superior, quanto os professores e os acadêmicos não conseguem perceber o corpo como único, seccionando-o em áreas diversas, sendo a universidade a única responsável por aceitar esse molde capitalista que fragmenta o humano e consequentemente seu corpo, assim como foi ao longo da história do humano.

Martins (2009) afirma que numa visão contemporânea o corpo está mais poroso, vulnerável e aberto a toda sorte de intervenções e alterações que partem dos interesses de ordem pessoal e social do que é estar em forma, e que essa insatisfação tem levado a uma suposta correção e acabam sendo vitimas de profissionais inescrupulosos e resultam numa espécie de Frankstein biocibernético, mas ela destaca que o corpo ainda é uma elaboração cultural de sua época, e que o tempo atual é das expressões fragmentadas, hibridizadas, sobrepostas.

Bardini, Bardini e Diez (2009, p. 4) dizem que, ‘[...] com a esportivização das práticas corporais e da sociedade como um todo - pautada em princípios como a competição, exclusão e seleção (grifo nosso) - temos acompanhado um apelo ao corpo sarado. [...] quer dizer, corpo atlético, malhado, forte, modelado, torneado. Tal fenômeno está intimamente relacionado às tecnologias e à globalização. Através de técnicas evasivas ou não, o corpo é dissociado da condição orgânica e passível às mais diversas modificações. Este movimento, que distancia o ser humano de sua relação orgânica com o universo, dessacraliza a relação com o corpo'.

Calabresi (2004) alude que os indivíduos na intenção de corresponder aos padrões, buscam formas diferenciadas para alcançar os padrões sociais, mas que na grande maioria das vezes isso pode significar que não seja a forma real desejada por estes indivíduos, mas por uma questão de identificação com o grupo ao qual deseja pertence ele abandona a sua forma, o seu jeito de ser, atendendo aos requisitos sociais por uma estética aceita, ter um corpo belo, consequentemente promovendo exclusões e auto exclusões.

Bardini, Bardini e Diez (2009, p. 4) defendem que, ‘as Danças Circulares Sagradas revelam um entendimento sobre o corpo que se apresenta na contramão do que chamamos de concepção de corpo sarado, entendido pela valorização exacerbada da aparência física produzida pela sociedade. Diferente desta lógica, a prática das danças circulares sagradas é dissociada de aspectos como seleção, competição, exclusão, exibição, busca de padronizações e delineamento corporal, emagrecimento e avaliação’.

Profissionais das mais diversas áreas16 agregaram as suas vidas e as suas práticas profissionais as Danças Circulares Sagradas, seja apenas como dançarinos ou na condição de Focalizadores das Danças.

Deborah Dubner, Psicóloga (PUC-SP), Jornalista e Focalizadora, declara: As Danças Circulares Sagradas, [...] conectam as pessoas em roda, através do singelo gesto de dar as mãos e olhar nos olhos. Em tempos de tantas ofertas sedutoras e tecnológicas, com outdoors brigando por um lugar ao sol, chega a ser ingênuo pensar que algo tão “simples” possa ser interessante. Realmente, não é interessante apenas. É impactante. Durante uma hora, experimentei pela primeira vez a Dança Circular Sagrada, que eu já tinha ouvido falar muitas vezes, embora nunca tivesse “entrado na Roda”. Foi só quando dei o primeiro passo ao som de uma música grega que me abraçou no mais fundo da alma, olhei nos olhos da pessoa que estava à minha frente e vi toda a sua grandeza, é que eu entendi, em segundos, o poder dessa proposta, (MINHA).

Almeida (2005, p. 43-44, apud ALMEIDA, 1999, p 100-101) disse, O nosso corpo... é a sede da morada do Eu Superior no nosso mundo. A chamada visão holística passa por uma maior abrangência, compreensão e assimilação do ser humano, das coisas ao seu redor, e do Divino em nós. E o Divino, o Espiritual, a Alma, a Essência, a Energia Primordial, a Alma do Mundo, não importa o nome que empregamos, importa saber que esta ”Chama“ habita o nosso corpo, e por meio dele se expressa... Nosso corpo carrega mistérios e expressa com a energia vital em seus movimentos, a centelha divina que habita em nós!

Almeida (2005) doutora em Ciências Médicas pela Faculdade de Ciências Médicas - FCM - UNICAMP - Campinas – SP, diz, percebi que estas danças alteravam o meu tônus corporal: minha postura melhorava, minha disposição física aumentava; meu estado emocional se alterava - ficava mais alegre e mais calma, e que algumas delas me tocavam numa profunda emoção de maneira a me deixar “ligada” num estado mais sensível e perceptível a algo mais profundo e denso como se tocasse algo sagrado, ou como se os gestos e passos presentes nas danças favorecessem um contato com uma dinâmica diferente, mais espiritual.

Quando o humano (dançarino) entra na roda pela primeira vez, pelo desejo de entender “que danças são essas”, ele está motivado apenas pela curiosidade, ele ouve, compara a fala, o que é explicado, a sua simbologia histórico-cultural, a etnia de origem, qual a intenção proposta na dança, seja celebração, liberdade, paz, o divino feminino ou masculino em cada um, iluminação, fertilidade da terra e das mulheres, além dos movimentos - passos a serem executados17 - passo para direita ou esquerda, de frente ou laterais, para dentro ou para fora, de frente ou de costas, cruzado (grapevine), balanço-balanço, agacha, levanta, salta, gira, passos lentos, moderados, rápidos no ritmo que marca o tempo, os tempos da música, mão dadas em V ou W, arriadas ou elevadas à frente e ao alto, enfim, ele busca o sentido lógico de tudo isso, mas somente quando ele dança é que ele descobre o sentido de todos os significados informados, pois estão sendo experimentados no corpo pelo movimento que se traduz do seu jeito, ao seu modo, no seu corpo, sem interferir com outro onde ele se apoia e também sustenta o outro ao seu lado. O corpo reage se realinhando e reequilibrando como o todo espiritual, que é o encontro consigo mesmo. Tudo isso proporciona, queima de calorias, elimina radicais livres e, ganho de energia, resistência, disposição e bem-estar, reafirma as noções de tempo, espaço, lateralidade, situa o humano no seu espaço, dando espaço ao outro e a sua espiritualidade.

3.6 O Focalizador

Quando deparou-se com o tema proposto para a construção desse trabalho, de relance abateu-se a ideia de inteligência e das inteligências múltiplas trazidas a luz por Gardner, Goleman, Emmons e Antunes. Nasceu de uma discussão em conjunto com a orientadora referente ao tema e aos conceitos que circundam o humano na feição de Focalizador, mas em especial o Professor e o Profissional de Educação Física, que são humanos que se utilizam de referenciais teóricos e práticos bem diferentes daqueles que são propostos pelas Danças Circulares Sagradas. Mas como já foi discutido no tópico anterior, tem-se o corpo como referencial, instrumento e meio para a condução das propostas exibidas por ambas as práticas - A Educação Física com toda a sua gama de possibilidades para proporcionar a atividade que mais se adeque ao gosto e as necessidades físicas, psicológicas e sociais que possam insuflar prazer, bem-estar e satisfação ao humano; e as Danças Circulares Sagradas que trazem em si conceitos ligados ao sagrado, a espiritualidade, a meditação ativa em movimento, que segundo Bardini, Bardini e Diez (2009) seguem na contramão da Educação Física.

Para que fique mais claro, esclarece-se o termo Focalizador. Essa palavra, Focalizador, nasceu na Comunidade Espiritual, Ecovila e Centro Educacional Findhorn, ao norte da Escócia, segundo Falcão e Vila (2002, apud PEDROSO, 2011) o termo focalizador define um tipo de liderança que surgiu na comunidade [...] onde é dada uma atenção especial ao uso ético do poder de quem coordena e dos relacionamentos humanos. As decisões são tomadas a partir do uso tanto da mente lógica, racional e objetiva quanto da intuição, meditação e Inteligência emocional.

Lima (2005) declara: a palavra focalizador faz-me lembrar a ideia de alguém que tem a ação de focar. Focar sugere a atitude de olhar o foco, cuidar do foco. Já ouvimos a palavra foco em determinadas situações de nossas vidas, principalmente no trabalho, onde é exigido uma atenção maior a uma tarefa. A palavra foco vem do latim “focu” que significa centro ou sede, ou seja, lugar onde concentra-se o que precisa de cuidado, é um efeito ótico que torna a imagem visualizada nítida no ponto nos quais os raios de luz convergem, é tornar nítido aquilo que se quer ver [...].

Quase todos os departamentos da Fundação funcionam como um grupo e cada grupo tem seu focalizador. O focalizador não tem o intuito de ser um líder no sentido de dar ordens; é sim a pessoa que adquiriu respeito por sua capacidade de entrar em sintonia com as necessidades do todo. Isto não significa que o focalizador tenha todas as respostas. Na verdade, o focalizador pode até saber menos acerca do trabalho a ser feito do que outras pessoas envolvidas. (WALKER,1968, p.169, apud LIMA, 2009)

Falcão e Vila (2002, p. 13, apud LIMA, 2009) elucidam que o Focalizador também é responsável por estar ciente do propósito geral do grupo, do contexto da atividade sendo executada no momento, procurar equilibrar diferentes demandas de tempo, energia e dinheiro, fazer com que a situação de cada participante do grupo seja considerada, estimular a interação entre o grupo e agir como elemento de ligação com outros grupos.

Pedroso (2011) especifica que o termo Focalizador deve ser usado, então, para indicar um tipo de liderança que é diferente dos gerentes, diretores, facilitadores e chefes comuns. Fundamentalmente, o Focalizador mantém o foco. Ele não precisa mandar, não precisa ter “poder” sobre os demais membros do grupo e da atividade que está acontecendo naquele momento. O Focalizador mantém um canal aberto com o objetivo final, tornando-se um ponto de referência para os demais participantes.

Zago, Focalizadora de Danças Circulares Sagradas, cheia de inquietações pessoais, interpessoais, intrapessoais e profissionais, fez vários questionamentos em busca de respostas, tais como:

O que fazemos, exatamente? Que tipo de energia “rola” no “pedaço”? Será que percebemos o alcance da dimensão filosófico-espiritualista, além da técnica? Quais resultados e significações obtemos do nosso trabalho? Concretizamos o simbólico no intercâmbio cultural? Seguimos princípios socioeducativos que favorecem o processo de ensino-aprendizagem da dança, da sociabilização, da cidadania participativa, do resgate lúdico da vida, do cuidar do próprio Ser, do fortalecimento da individualidade junto com a experiência coletiva? Existe “certo” e “errado” para focalizar grupos de dança? Em uma técnica holística e inclusiva como esta, podemos desconsiderar o pensamento linear “certo-errado”? Como manter uma filosofia “orgânica” na abordagem transdisciplinar, sem desprezar o legado histórico? [...] Como sair do paradigma-dicotômico do “ou” e vivenciar o paradigma-inclusivo do “e”, para transcendê-los em um “continuum” espiralado de transformação da consciência? (ZAGO).

Tais questionamentos são notáveis porque ressaltam a preocupação e compromisso não só com a prática das Danças em si, mas com o humano que ao dançar se entrega com confiança as Danças, mas também se depositam na confiança para com o Focalizador.

Falcão e Vila (2002, p. 13, apud LIMA, 2009) citam as 10 qualidades da Inteligência Espiritual, e possivelmente seriam essas qualidades um norte a ser seguido pelo Focalizador em suas praticas: 1. Autoconsciência, a consciência de que temos um Eu interior, nossa fonte de ligação com o mundo espiritual, com o mundo que realmente é significativo. 2. Motivação baseada em visões e valores que vão além dos nossos interesses pessoais. 3. Capacidade de enfrentar e usar as adversidades para aprender lições com nossas dores e bloqueios. 4. Visão sistêmica. Passamos a ver as conexões entre as coisas e a perceber como podemos aplicar nosso conhecimento. 5. Celebração da diversidade, como fonte das diferentes e maravilhosas maneiras que a humanidade e o planeta usam para se manifestar. 6. Independência e coragem para ir atrás do que queremos. 7. Questionamento. Perguntar aumenta a criatividade. Respostas nos fazem jogar um jogo finito. Perguntas tornam o jogo infinito! 8. Percepção do contexto maior em que nos situamos. A vida deixa de ser apenas nós mesmos e nossas famílias. 9. Espontaneidade. Passamos a responder sem utilizar condicionamentos. Isto faz com que assumamos responsabilidade por nossas vidas. Voltamos a ser os donos da situação. 10. Compaixão. Passamos a sentir o sentimento do outro.”

Zago reforça essas palavras quando pontua que o Focalizador deve ser autentico e honesto. A autenticidade e honestidade requeridas aqui por Zago referisse a despertar a sua maneira de conduzir em grupo – ter referencia e modelos, sim – mas achar a sua didática, o seu jeito para atuar e interagir com e no grupo é essencial, admitir e reconhecer as suas limitações e ir à busca de respostas, para dar o que ele tem de melhor para si mesmo e para o grupo, pois somente assim poderá ter uma atuação prazerosa e motivacional, acarretando espontaneamente a motivação do grupo. Saber expressar-se com clareza e humildade é outro ponto citado por Zago, pois “a humildade do Focalizador é muito importante, uma vez que todos nós “ensinamos o que precisamos aprender”‘“.

Zago também fala que é preciso ter objetivos de inclusão, cooperação e troca. Escolher as danças com acuro, preparar o local, o centro, o tema com o repertório, é importante conhecer: a origem da música, quem compôs e quem toca; conhecer a origem da dança, quem coreografou; e se for tradicional, conhecer um pouco da história do povo e do contexto em que a dança está inserida.

Esses cuidados são fundamentais, pois quando o Focalizador se propõe a reunir pessoas para dançar as Danças Circulares Sagradas, na grande maioria das vezes ele literalmente começar do zero, principalmente com grupos em locais e/ou comunidades onde nunca foram realizados encontros dessa natureza.

Zago destaca que é indispensável entender o que uniu aquele grupo e focar no porque dessa união (grifo nosso). E que também [...] não devemos subestimar a capacidade das pessoas, elas podem aprender qualquer coisa quando tem bons professores, [...] mas ir aumentando os desafios com danças de maior complexidade, a fim de manter os aprendizes motivados e [...] estimular a interatividade é uma forma de motivar os participantes [...]

O Focalizador. Ele não [...] é um líder. Partícipe da roda, lado a lado com todos formando o círculo, ele é a pessoa que dá apoio e segura o foco da dança (OSTETTO, 2006).

Ramos (2002, p.189, apud OSTETTO, 2006) diz:

Focalizador é aquele que mantém o foco de uma vivência, ou seja, aquele que orienta e apoia as pessoas numa vivência, dirigindo-as na direção de um objetivo. (...) o Focalizador mantém algo mais que a simples ordem física das coisas. Ele faz uma conexão com energias mais sutis que dão apoio à vivência do grupo em questão, sentindo as vibrações harmônicas e desarmônicas.

Cabe ao Focalizador manter a sua atenção na roda, no humano presente, abrir sua percepção aos sentimentos, ler os corpos. Sempre que se fizer necessário orientar o grupo, mas de forma simples e clara, bem como nunca se esquecer de apresentar um novo integrante, com a finalidade de facilitar a aproximação e o entrosamento com o grupo e também entre os demais integrantes. O Focalizador deve sempre propor, nunca impor. Ele não precisa ser imparcial na sua função, não é seu papel moralizar, mas sim moderar, ponderar e mediar os aprendizados no grupo, valorizando as descobertas de cada um, propiciando o crescimento de todos, estando sempre presente, ser comprometido, inclusive estar aberto a novos conceitos e sugestões, possibilitando liberdade à expressão, ou até a um desabafo.

Sintonizar é o que propõe Ostetto (2006) quando fala

Perceber o todo. Manter o foco no que vai ser realizado, no que será compartilhado. É essa mesma a ideia do Focalizador no círculo de dança. Ele não é um instrutor, responsável por repassar uma técnica, mas certamente reúne uma experiência maior do que os participantes da roda. Ademais, aprende-se a dançar dançando, na roda, ouvindo a música, com todos, no exato instante em que a música preenche o espaço e convida – vamos dançar! A sessão de dança circular não é assentada na técnica. Na repetição dos passos, dançando, o corpo vai se apropriando de ritmo, compasso e melodia até permitir-se fluir em harmonia no girar da roda, com todos.

Pedroso (2011, p.66) sugere ao Focalizador, que ele faça uma saída do seu papel ativo, para uma postura mais afetiva e relacional como estratégia em relação ao grupo, gerindo o acolhimento mútuo, nas rodas de Danças Circulares abre-se um espaço favorável para a “vivência e aprendizagem de habilidades interpessoais e princípios de convivência, [...] além de ter também a capacidade de trabalhar a si próprio [...] favorecendo seu próprio crescimento e amadurecimento”.

Para tudo hoje existe formação. Caminho que se abrem na busca do conhecimento. Assim é para aquele que tem a pretensão de tornar-se um Focalizador. Existem espalhados por todo o planeta centros de formação e certificação. Como exemplo cita-se: Semeia Dança Danças Circulares e da Paz Universal - SP; TRION Editora e Centro de Estudos - SP; Om Tare Danças Circulares & Sagradas - Brasília-DF; Instituto Dança Viva – Holambra-SP; MANA-MANÍ – Recriando a Dança da VIDA! – Belém-PA; Giraflor Danças Circulares – Curitiba-PR; Maria Aché – SP; Rosa de Nazaré – Nazaré Paulista-SP; Comunidade Findhorn – Escócia. Existem Focalizadores que viajam pelo mundo, inclusive no Brasil, ministrado Oficinas, Cursos, Workshops, quando da participação em Festivais e Encontros de Danças Circulares e Sagradas pelo mundo, tais como, Peter Wallance - Escócia, Nanni Kloke, Fridel Kloke e Saskia Kloke - Holanda, Ray Price - Grã Bretanha, Pablo Scornik - Argentina, Mandy de Winter e Judy King - Inglaterra, Gwyn Peterdi - Estados Unidos, Gabriele Wosien - Alemanha, Yves Moureau – Canadá.

Mas não basta capacitar-se, ter certificação. É preciso um despertar. Despertar para um mundo que se faz novo sempre em cada roda, porém carregado de conceitos antigos.

As Danças Circulares e Sagradas mantém vivas tradições antigas preservadas nos passos e na musica que é executada para que ela aconteça. Ouvir o chamado e aceitar o convite que as Danças Circulares e Sagradas fazem, brota no coração tocado pelo sagrado pessoal, e pelo sagrado no centro e a margem do círculo, onde as mãos se encadeiam formando elos que se ligam para compartilhar inumeráveis sensações e na simplicidade de ser e estar presente no circulo que representa o universo.

Na escola, dentro do circulo educacional as Danças Circulares Sagradas têm sua aplicação garantida quando focadas nos pressupostos das “tendências pedagógicas18”. E por fora dos muros das escolas, por toda a sociedade, nas praças, asilos, centros de saúde, parques, empresas, enfim até onde as Danças Circulares Sagradas sejam levadas e convidadas para espalhar a sua essência.

A roda em movimento representa trajetórias simbólicas relativas ao tempo, lugar e direção. No seu fluir, movimentos de voltar, parar, avançar, partir e retornar, estão associadas aos ciclos da vida [...] O centro é a referência para as pessoas se manterem equidistantes na roda. [...] De mãos dadas, uma palma fica voltada para cima simbolizando receber e a outra voltada para baixo simbolizando doação, [...] Desta maneira, ninguém fica mais para dentro ou para fora da roda, propiciando igualdade e união. [...] A repetição das sequências de movimentos propicia uma meditação ativa, ou seja, um estado pleno de concentração e consciência. [...] (BARDINI, BARDINI e DIEZ, 2009)

Revivendo a primeira experiência no círculo, ao tomar lugar na roda passou-se a fazer uma avaliação visual, senão de todos, mas de uma grande maioria, detectando assimetrias, desvios na postura, se obeso ou magro, se tem ou não resistência, e pelos sinais corporais supondo quem seja ou foi nadador, seguiram-se assim as suposições oriundas das leituras dos corpos até o momento de vivenciar a Dança, que foi precedida por uma soltura da musculatura de braços e pernas, alongamento leve, e uma primeira dança para promover o aquecimento corporal, começando aqui a invasão dos sentidos, o foco já não são mais as marcas corporais alheias, mas as sensações experimentadas no próprio corpo, leveza, bem-estar e pertencimento. Ai então acontece um chamado para a realidade, na cabeça mil ideias, visualizando as possibilidades de aplicação das danças com a Educação Física que forma humanos para trabalhar com o movimento que estimula o uso das capacidades humanas e sua aplicação prática no dia-a-dia.

3.7 As Capacidades

Inicia-se esse tópico citando quatro exemplos de personalidades históricas que se destacaram na vida humana fazendo uso de suas capacidades, e com as quais legaram ao mundo a sua contribuição, sendo eles Isadora Duncan, Madre Tereza de Calcutá, Mahatma Gandhi e Steve Jobs. Aqui faremos um breve esboço das capacidades (inteligências) que o professor de Educação Física faz uso nas praticas pertinentes a sua profissão e na condição de Focalizador de Danças Circulares Sagradas.

A bailarina Isadora Duncan (1877-1927), pioneira da dança moderna, causou polemica ao ignorar o que já estava preestabelecido, as técnicas do balé clássico. Suas danças eram inspiradas na natureza e nas figuras pintadas nas cerâmicas expostas nos museus. O improviso era seu trunfo. Dançando sempre descalça usando roupas leves. Isadora fazia uso das inteligências corporal-cinestésica, relacionada aos movimentos do corpo que sob o controle de suas ações eram transformados em coreografia. A inteligência musical que imprimia o ritmo e por meio da sua melodia também auxiliava a expressão do sentimento. Inteligência pictórica, pela capacidade de extrair das cerâmicas nas cenas representadas a dança.

Madre Tereza de Calcutá (1910-1997) iniciou seus votos na Irlanda, na Ordem das Irmãs de Nossa Senhora de Loreto, no Instituto Beatíssima Virgem Maria, onde ficou por pouco tempo. Na Índia a serviço da congregação foi professora do lar infantil, onde enfrentou problemas com a população desconfiada de sua presença como religiosa, tendo outra cultura frente as tradições do local. Mas teve suas intenções reconhecidas como nobres, passou a receber donativos dos hindus, mulçumanos e budistas. Exerceu a docência de 10 anos em Geografia, ficou impressionada com os problemas sociais indianos que repercutia na vida da população que vivia na miséria, decidiu por fazer profissão perpétua em 24 de Maio de 1937. Saindo do colégio Sta Mary onde cursou Geografia, fez um curso rápido de enfermagem. Insistente, Teresa foi autorizada pelo Papa Pio XII, deixou suas funções de monja e seguir um novo trabalho de caridade, a ensinar crianças aprenderem a ler e escrever, daí nasceu a ordem das Missionárias da Caridade. Madre Tereza fazia uso da inteligência interpessoal, ela interagia com os pobres e miseráveis, pondo-se em seu lugar, buscando soluções para suas vidas, no uso dessa inteligência foi uma líder sábia e impetuosa vencendo problemas com o proprio clero e com a sociedade em geral em função da sua causa, o amparo aos desvalidos. Como religiosa a inteligência existencial ou espiritual também compunha a sua personalidade.

Gandhi (1869-1948) casou aos 13 anos. Formado em direto na Inglaterra, mas sem êxito na sua escolha por ser muito tímido. Usou os conhecimentos da sua formação para unir rivais. Foi a Africa do Sul representar uma companhia indiana em um processo, onde fez o melhor para descobrir os fatos. Depois de resolver um caso difícil ganhou notoriedade, ele mesmo relata: "eu tive um aprendizado que me levou a descobrir o lado melhor da natureza humana e entrar nos corações dos homens. Eu percebi que a verdadeira função de um advogado era unir rivais de festas a parte". Viveu por vinte anos na África do Sul, defendendo a minoria hindu, liderando movimentos de luta pelos direitos dos hindus. Foi o idealizador e fundador do moderno Estado indiano e o maior defensor do Satyagraha, princípio da não-agressão, forma não-violenta de protesto como um meio de revolução. Gandhi atuava no mundo fazendo uso da inteligência social, onde a capacidade de harmonizar pensamentos e sentimentos nas relações interpessoais para se relacionar melhor com as pessoas, a partir da compreensão dos sinais não verbais emitidos por elas. Goleman (2007) explicou que a inteligência social é a aplicação da inteligência emocional nas relações interpessoais. É preciso compreender os sentimentos dos outros e reagir de forma adequada a esta compreensão. Gandhi exercia também em auto grau, o uso da inteligência espiritual, tanto que divorciou-se em 1908 aos 39 anos para viver o juramento de Brahmacharya (abstinência sexual). Voltou para Índia em 1915, onde também demonstrou o uso da inteligência interpessoal, auxiliando e amparando os necessitados com o dinheiro que duraria um ano recebido de um doador anônimo.

O visionário Steve Jobs (1955-2011) criou a Apple Computer em Abril de 1976, com a intenção de criar computadores portáteis para uso pessoal, muito criativo, suas ideias foram extremamente importantes para o crescimento do mercado da informática, agilizando processos que hoje seriam impossíveis de realizar manualmente. Ao longo de sua carreira Jobs conquistou varias parcerias, uma delas foi com Bill Gates, eles eram considerados amigos e rivais já que atuavam no mesmo cenário mercadológico. Legou ao mundo o iPhone lançado em 2007, o iPad em 2010. Em outubro de 2003 Jobs foi diagnosticado com câncer no pâncreas, em 2004 foi submetido a uma cirurgia para a retirada do tumor. No dia 24 de agosto de 2011 Jobs renunciou a presidência da Apple e Tim Cook assumiu a liderança. Em 5 de outubro de 2011 Jobs perdeu a luta contra o câncer, o óbito foi anunciado pela família. Em Jobs indiscutivelmente era acentuado o uso da inteligência lógico-matemática, onde para a criação de softwares e hardwares essa inteligência é pré-requisito fundamental. A inteligência viso-espacial também era uma de suas capacidades, pela capacidade de criar produtos tão compactos, enxertados por inúmeras funcionalidades em espaço tão pequeno propiciando edição, armazenamento, comunicação e interação tudo em um único aparelho. Além de usar bem a capacidade verbo-linguística e emocional, pois não seria o bastante apenas saber criar, falar bem para convencer na apresentação e exposição de projetos e ter boas relações afetivas e sociais para garantir apoio para os investimentos necessários para as sua criações.

Arantes (1997, apud MAGALHÃES e ARANTES, 2009) fala que a competência do profissional de Educação Física envolve a capacidade de que o professor tem para articular o conhecimento teórico à sua prática profissional. Para tanto, parece ser prudente considerar as experiências pessoais que o mesmo “carrega” [...], as vivências acadêmicas pelas quais passou, as situações que o sensibilizaram [...]. Estas experiências serão, por certo, ampliadas com sua inserção no mercado de trabalho e no importante exercício da formação continuada.

Malaco (2007, apud MAGALHÃES e ARANTES, 2009) diz que a competência profissional envolve a capacidade do educador em articular os conhecimentos teóricos à sua prática profissional, levando em conta as suas experiências profissionais e pessoais [...].

A Educação Física é definida no dicionário Michaelis como “a que consiste em formar hábitos e atitudes que promovam o desenvolvimento harmonioso do corpo humano, mediante instrução sobre higiene corporal e mental, sob vários e sistemáticos exercícios, esportes e jogos”.

O professor e o profissional de Educação Física são mediadores dos conhecimentos teóricos no uso da sua pratica profissional, é competência sua mediar as potencialidades humanas ao fazer o uso de seu corpo nas praticas corporais, onde de forma multidimensional reúne informações, conceitos e traça parâmetros para aplicar de forma individualizada ou coletiva os conceitos colhidos na sua formação. O professor deve ter como apoio além de sua formação, características que lhe servem como virtudes, sendo elas a motivação, gostar do que faz e incentiva o aluno ou cliente a pratica. Ser atencioso com todos presentes as aulas, tendo a sabedoria de perceber quando alguém precisa de sua ajuda. Estimular o aluno ou cliente, insuflando animo, e quando for necessário mudar as estratégias e os programas propostos. Ser compreensivo, há dias que o humano vai a pratica apenas para preencher seu tempo, sendo uma participação atípica. Ele também deve exercer a paciência, pois nem todo mundo entende da primeira vez uma pratica, seja num aparelho, numa coreografia, sendo algumas vezes necessário conduzir pelas mãos e pelos pés para que a pessoa aprenda e realize a proposta desejada. Dedicação, para atender e se relacionar com o outro, não permitindo que seus problemas pessoais interfiram no seu ambiente de trabalho, buscar sempre alternativas para atender bem o aluno ou o cliente, isso envolve pesquisa e estudo. Orientar a prática tanto dos novos alunos e dos mais antigos, os novos por serem na maioria principiantes que por solicitação de outros profissionais ou ainda devido aos apelos sociais buscam adequar-se aos padrões sociais de beleza, e os mais experientes pela negligencia, faltando as aulas ou fazendo as mesmas de modo inadequado.

Mas para que o professor de Educação Física possa atuar como Focalizador em Danças Circulares Sagradas além de todo o seu conhecimento e pratica na aplicação das teorias aprendidas na sua formação, bem como no uso das virtudes, ele tem que ser consciente das propostas que as danças fazem, [...] a ideia da dança como uma caminhada para dentro do silêncio e de uma meditação em movimento, WOSIEN (2000), para um tempo de pausa no dia-a-dia tão corrido na vida urbana [...] Gomes (2012). Garaudy (1980) afirma que a Dança é um modo de existir, pois representa a magia, a religião, o trabalho, a festa, o amor e a morte, ela nasce da necessidade de comunicação com um universo que transcende a forma humana de existir, possibilita conhecer o desconhecido, diz ainda que a Dança é a atividade em que o humano esta totalmente integrado, corpo, coração e alma.

Então percebe-se aqui que este profissional deve ter aguçadas as inteligências interpessoal, espiritual, social, emocional para ser mediador dos conceitos e das propostas embutidos nas Danças Circulares e Sagradas. Lidar com o sagrado enquanto característica humana, pelo fator do SER, ESTAR e VIVER no mundo. Ser o interlocutor do sagrado ao modular Deus e religião visando um ecumenismo de forma universal quando estes assuntos são aventados.

Além das inteligências já citadas o professor de Educação Física estará usando as inteligências corporal-cinestésica, musical e verbo-linguística, onde o movimento corporal se traduz com as músicas dando forma aos passos executados, e antes disso como já foi exposto anteriormente, ele deverá sempre apresentar um histórico sobre a coreografia, sobre a música e a origem da dança enquanto tradição e sagrado de um povo, e as possibilidades de trabalhos a serem executados de forma individual ou coletiva durante a sua execução da dança, levando a meditação ativa pelo movimento, a celebração de um acontecimento, aniversário, nascimento, casamento ou até a morte. Celebrar também a alegria de viver a escolha de ser feliz.

Finaliza-se este tópico com uma citação de Wosien que traduz bem os sentidos de focalização nas danças, na vida e no todo, em círculos de continuidade, realização e respeito pelo o humano.

Tudo o que a energia do Universo realiza completa-se em um círculo. O céu é redondo e eu escutei que a terra é redonda como uma bola e assim também são as estrelas... O vento, em sua imensa força, faz redemoinhos. Pássaros constroem ninhos redondos, pois eles tem a mesma religião que nós. O sol ascende e declina em círculo. O mesmo faz a lua e ambos são redondos. As estações do ano, em suas mudanças, formam um grande círculo e retornam sempre. A vida dos seres humanos descreve um círculo, de infância a infância, e assim é com tudo o que é movido por uma energia. Nossas tendas eram redondas como ninhos de pássaros e sempre dispostas em um círculo, o círculo do nosso povo, um ninho de muitos ninhos, nos quais nos criamos e cuidamos de nossa criação segundo a vontade do Grande Espírito. (WOSIEN, 2002, p.16).

4. CAPITULO 3 CONCLUSÕES

As Danças Circulares e Sagradas tem a capacidade de reunificar o humano restabelecendo o contato com as dimensões perdidas e esquecidas de si mesmo ao longo de sua vida. A palavra divide, o círculo da dança une. O círculo reintegra os corpos físico, mental, emocional e espiritual, devolvendo ao humano a sua identidade perdida ao longo do tempo pela exploração exacerbada do seu corpo visto como um objeto, que a todo instante é manipulado e condicionado pelas mídias que criam e recriam modelos e tendências do que é ser belo para que o humano possa encontrar correspondência e aceitação nos meios onde queira conviver. As Danças Circulares e Sagradas propiciam o bem-estar, a alegria, a sociabilização, a amizade, a inclusão, o respeito por si mesmo e pelo mundo, através do contato direto com outros humanos quando se dão as mãos e se descobrem frente-a-frente a margem do círculo. Na prática das Danças Circulares e Sagradas não são esperados resultados hipertróficos como os obtidos nas salas das academias de ginastica e musculação, e nem o condicionamento físico requerido para correr uma maratona ou um triátlon, mas a sua prática pode levar a um despertar. Esse despertar tem sua origem nos movimentos propostos pela coreografia dos passos a serem executados para que as danças ganhem vida, embaladas pela música que propicia ganhos significativos para a qualidade de vida de crianças, jovens, adultos em qualquer idade, e dessa forma possam agregar outras modalidades ativas de movimento para que tenham um ganho ampliado para qualidade de vida e satisfação no seu viver. E, ao término dessa pesquisa conclui-se que o professor de Educação Física, como humano, capacitado por sua graduação e fazendo uso dos seus conhecimentos teóricos absorvidos das bases da ciência, mas também com base nas suas vivencias do dia-a-dia, como pessoa comum e profissional deverá tornar para si a função de Focalizador somente “quando” e “se” estiver disposto a vivenciar o sagrado existente em si, e em cada humano, e o sagrado que flui pelas Danças Circulares e Sagradas. Os cursos existentes para capacitação em focalização trazem o conhecimento, mas a capacidade e a habilidade de manuseio dos conhecimentos fluem quanto existe amor e comprometimento real com a prática. Assim sendo como no uso das capacidades oriundas de sua graduação como profissional do corpo e do movimento. Pois somente fazendo com empenho os resultados fluem positivamente, para ele como profissional que se reconhece capacitado, assim como para o aluno/cliente ou partícipe das rodas. Mas têm-se ainda a satisfação de afirmar que após o despertar do Focalizador existente no graduado em Educação Física, este será capaz de trazer a luz não só as suas capacidades, mas também as capacidades existentes em todos que com ele possam experienciar a meditação ativa em movimento proposta pelas Dança Circulares e Sagradas, e com certeza, terá sempre o comprometimento na busca e descoberta por novas formas de ampliar o uso e os benefícios intrínsecos nas Danças Circulares e Sagradas das tradições dos povos da Terra.

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6. ANEXOS

6.1 ANEXO A – Escrita Simbólica das Danças Circulares


Fonte: Educar com Arte (http://www.artedeeducarcomarte.com.br/danca_circular.pdf)

7. APÊNDICE

7.1 APÊNDICE A – Transcrição do vídeo Danças Circulares Sagradas

Programa Você em Foco do Canal Profissional Rede São Paulo Saudável da Secretaria Municipal de Saúde / SP

Tema: Danças Circulares Sagradas (DVD com vídeo anexado ao trabalho)

Veiculado via internet no site YouTube, pelo link: <http://www.youtube.com/watch?v=sInVN6IlwgE>

Publicado em 03/10/2012. Acessado e transcrito em 09 Out 2012.

Apresentado pela convidada: Estela Maria Guide Pereira Gomes – Fonoaudióloga docente da UMAPAZ – Universidade Aberta de Meio Ambiente e da Cultura de Paz, da Secretaria Municipal do Verde e Meio Ambiente – Focalizadora de D.C.S.

Abertura do Programa Você em Foco

Estela: Olá, é um prazer está aqui no Programa Você em Foco, meu nome é Estela Gomes, sou Focalizadora de Danças Circulares Sagradas, e trabalho atualmente na UMAPAZ – Universidade Aberta de Meio Ambiente e Cultura de Paz, que pertence a Secretaria do Verde e Meio Ambiente e tem a sua sede no Parque do Ibirapuera. Hoje nós vamos conversar um pouco sobre as Danças Circulares Sagradas e conhecer um pouco do seu histórico, colocar pra vocês como elas chegaram na Cidade de São Paulo na Secretaria da Saúde, e nos parques, e ah, os benefícios que as Danças Circulares trazem para cada um de nós. Danças Circulares Sagradas fazem parte de um movimento mundial, iniciado os aniversários. Ele começou a descobrir que essas danças havia um potencial pelo bailarino e coreógrafo alemão-polonês Bernhard Wosien. Bernhard Wosien em determinada época da sua vida começou a pesquisar nas aldeias, nas pequenas comunidades da Europa as danças dos povos, as danças dançadas nas comunidades pra festejar os casamentos, a celebração das colheitas, os aniversários. Ele começou a descobrir que nessas danças havia um potencial imenso de união entre as pessoas de celebração e meditação entre elas. Ele começou a levar essas danças chamadas de Danças Circulares Sagradas para algumas outras pessoas, até que ele chegou na Fundação Findhom que fica no norte da Escócia. Essa fundação trabalhava com as questões da sustentabilidade e da cultura de Paz. Essas danças combinavam muito com a vida da comunidade, essas danças combinavam com as festas, o dia-a-dia da comunidade e começaram a ser dançadas por muitas pessoas. Nós que participamos desse movimento em que freqüentamos as D.C.S, nós consideramos que Bernhard foi para comunidade em 1976, e a partir dessa época então esse movimento foi ampliado e as Danças foram se espalhando. No Brasil essas Danças chegavam através de um brasileiro que motou na Fundação Findhom, chamado Carlos Solame que é arquiteto e vive em Belo Horizonte. Ele viveu na comunidade de Findhom por alguns meses e trouxe algumas danças para os seus grupos, para os seus amigos, e para alguns alunos que começaram a danças com ele. No final dos anos 80, inicio dos anos 90, Renata Ramos também foi a Fundação Findhom e também trouxe algumas danças, e o mais bacana que aconteceu nessa época foi que a Renata junto aos amigos e primeiros alunos dessa atividade, puderam ter acesso as fitas cassetes com as músicas, e aos livretos e apostilas contando os passos dessas danças. Então as danças foram criando mais corpo, as pessoas foram conhecendo, e dentre elas, uma terapeuta ocupacional da Secretaria Municipal da Saúde, Ana Lucia Borges da Costa, conheceu essa atividade e começou a utilizá-la como recurso terapêutico na sua unidade de saúde, em saúde mental. E começou a espalhar essas danças, a medida que ela foi espalhando outras profissionais de saúde quiseram conhecer esse trabalho, começaram a se capacitar com ela (D.C.S), e levar também para suas unidades de saúde, e devagarzinho foram alcançando as comunidades, principalmente os porquês públicos.

Depoimento de Eliana Guitierres (Psicóloga):

Olá, eu sou Eliana, psicóloga clínica, eu costumo recomendar para meus pacientes a D. C como processo, parte do processo terapêutico, eu tenho notado que muitos pacientes com depressão pós cirurgia, eles tem melhorado bastante com essa vivencia, porque se ficar só no verbal dentro de um consultório fica um processo dolorido, e como essa dança tem movimentos, é dançado também os florais, os florais trabalham com os conteúdos, só que de uma forma lúdica, e a dança é um dos recursos que eu recomendo pra eles, que eu uso como forma de tratamento mais suave, mais lúdico, não deixando de lado a parte de conteúdos que tem que ser trabalhados. Tenho notado no trabalho com terceira idade, pessoas com Alzheimer, com Parkinson, que tem recuperado a auto-estima, auto-confiança através da dança. Porque chega numa fase que ficar numa sala falando dos conteúdos... Tem pessoas com 70, 80 anos que eu trabalho, elas as vezes não vêem perspectiva de vida, de futuro, e no processo pratico, elas começam recuperar, que ainda existe vida.

Estela: Os parques públicos, quem iniciou os trabalhos foi a Bia Esteves, que abriu a roda no Parque Trianon, bem pertinho da Paulista em São Paulo, em logo em seguida no Parque da Água Branca, e o trabalho de Bia Esteves inspirou muitas pessoas que passeavam pelo parque, que estavam contemplando a natureza, fazendo seu pic-nic, e que iam descansar no seu fim de semana e passaram a dançar, e dançando elas iam descobrindo que os passos que elas realizavam de cada povo, traziam alguns insights, traziam alguns benefícios para si mesmos, como qualidade de vida, um tempo de pausa no nosso dia-a-dia tão corrido na vida urbana, e aos poucos essas rodas foram se espalhando.

Depoimento de Marilena C. Rodrigues (Aposentada):

Olá, meu nome é Marilena, e eu comecei a dança através de uma vizinha, e vim no primeiro dia com uma curiosa, eu tinha uma vida muito atribulada, eu tinha 3 dependentes de mim doentes, e eu era pessoa muito presa num ambiente pesado. No primeiro momento eu comecei a sentir uma alegria que eu não estava sabendo direito de onde ela vinha, e com o tempo eu fui notando que eu fui assim, me fortalecendo nessa alegria e percebi que ela vinha da dança, primeiro porque toda vida eu gostei muito de dançar e não tive oportunidades, segundo que é uma coisa simples, fácil e que todo mundo pode, e onde a gente tem o direito de errar. Isso foi crescendo, já que fazem 4 anos, já viajei com a dança, e onde eu conheci pessoas de outro país, de outro estado, existe uma cumplicidade muito grande porque todos falam a mesma linguagem, todos gostam da D. C, e assim nesses 4 anos eu resumo tudo isso a uma frase: antes da dança e depois da dança, meus filhos. Meus filhos até comentaram, que eu sou uma outra depois que eu comecei dançar.

Estela: Essa dança foi inspirada nos gregos, é uma música grega, e Bernhard Wosien gostava muito de contar histórias para cativar o público, e falar um pouco do simbolismo dos passos, então Bernhard nos contava que as famílias, dos pescadores se reuniam quando eles voltavam da pesca que às vezes durava meses, e elas se reuniam em volta dos alimentos nas praias para celebrar a chegada dos seus maridos, a chegada do alimento para aquela comunidade, e eram alegria, e era uma festa, e ele gostava muito de contar isso e de trazer as pessoas todas para dançar independente da idade. Na Fundação Fundhorn, essa dança também ganhou um outro sentido, um de quando eu vou a frente, eu vou ao encontro do touro, quando eu vou para trás, eu dou espaço ao outro, e quando eu caminho pra direita, o grupo caminha numa mesma direção.

A roda da dança representa a roda da vida, e o nosso dia-a-dia que nos caminhamos passos, e algumas vezes vamos no sentido do contra que representa a fonte, aquilo que nos alimenta, aquilo que pra nós é mais valioso, o centro do nosso coração, nosso centro vital, o centro de todas as coisas, o centro da terra, então muitas vezes nos vamos em direção ao centro em busca desse alimento da nossa alma, nós nos afastamos desse centro, nos caminhamos no círculo que é nosso dia-a-dia, nós levamos todo esse nosso aprendizado, essa nossa experiência para o dia-a-dia, para nossa vida indo para fora do circulo. Essas sabedorias acontecem muito com fluidez, com fluidez, como a fluidez do dia-a-dia, como as estações que se segurem uma depois da outra, como uma semente que brota e se transforma numa linda arvore, e aos poucos nos vamos representando esses movimento da natureza, dos ciclos, das estações através dos nossos gestos e dos nossos movimentos corporais.

Nós dançamos danças de vários povos, danças gregas, danças ciganas, danças russas, danças da Lituânia, Letônia, Estônia, de países muitos distantes e danças de países mais próximos a nós, do México, dos E.U. e muitas danças brasileiras.

O importante é essas danças terem a formação circular, e todas as formas eu dela advêm como as espirais, as linhas ondulantes, vários círculos concêntricos, e várias possibilidades que forma também mandalas, desenhos circulares que tem poder dentro de nós, de ativar nosso corpo e nossas sabedorias.

Nós gostamos de dizer que as Danças Circulares trabalham no nível físico nosso corpo através dos movimentos de levantamento dos braços, abaixar, abrir a gestualidade, pular de um lado para o outro, ir para frente, ir para trás, e então é o nosso corpo em ação.

As danças trabalham as nossas emoções porque damos as mãos para nossos companheiros do lado.

As danças trabalham nossa tolerância em relação ao outro que erra, que acerta, a nós mesmos que erramos e acertamos os passos, o nosso coração alegre pela alegria das músicas, também a nossa serenidade, a meditação em movimento, a nossa calma e a nossa paz.

As danças também trabalham todos os aspectos mentais, todas as relações que podemos fazer, entre os passos e os símbolos, entre aquele povo e o nosso povo de hoje, como aquele povo vivia e como vivemos hoje. Como outras comunidades convivem conosco. Trabalham também atenção, concentração, memória, todos esses aspectos em movimento e alegria, e trabalham também a nossa espiritualidade. A Espiritualidade que não diz respeito a religião, a espiritualidade que diz do nosso caminho pessoal, da nossa busca essencial, de cada ser humano que no mínimo faz três questões básicas: que eu sou? De onde eu vim? E para onde vou?

As danças circulares ajudavam a gente a buscar caminhos e buscar essas respostas. Nós vamos poder também observar em outras danças movimentos de trança, movimentos onde abrimos os pés, cruzamos na frente, abrimos os pés e cruzamos atrás. Todo esse movimento de trança se a gente imaginar um desenho ondular, relembra as ondas, as ondas das águas, relembra os caminhos que algumas plantas fazem aos crescer e ao se expandir, então relembram a natureza, e nos vivemos em nosso corpo essa natureza.

Nós vamos ter uma dança de celebração e de encontro com o outro, chamada Aiapolobo, essa dança é muito prazerosa, nós nos dividimos entre sol e lufa, então nos temos um companheiro que está a nossa direita e é o sol, e quem está a esquerda do par é a lua, nisso eles caminham juntos inicialmente, e depois a lua vai passar ao redor do sol, como na natureza, isso também acontece. A lua ao caminhar na frente do seu sol, os dois podem se olhar, se encontrar e aprender um pouco mais sobre si mesmo, e sobre esse encontro com o outro. A medida em que a dança acontece, essas pessoas vão trocando de par, então o sol fica sempre sol, e lua fica sempre lua, mas eles trocam de lugar.

Outra dança que você pode ver a seguir é uma dança de Floral de Bach, chamado Clematis, essa dança trabalha colocarmos em ação os nossos pensamentos, as nossas idéias, e pra isso nos formamos parceiros dos dois lados, temos um trio que dança juntos, e em alguns momentos da dança é necessário que um desses parceiros passe por entre os outros através de portal que se forma, através dos braços, esse portal significa: um novo momento está surgindo, é hora de passar, é algo novo que você precisa fazer na sua vida. E na medida em que dançamos vamos trabalhando em nós essas mudanças de atitudes, essas reflexões sobre a nossa vida e o viver.

Atualmente eu trabalho na Universidade Aberta do Meio Ambiente e Cultura de Paz no Parque Ibirapuera e este círculo (vídeo) que vocês estão observando as danças funcionam todas as quartas-feiras de manhã das 9 as 11hs, é um círculo aberto que recebe todos os tipos de pessoas, normalmente vem adultos e jovens e alguns também, a grande parte de idosos.

Depoimento de Heloísa Elias Cruz (Aposentada / Cega):

Olá meu nome é Heloisa, eu sou aposentada, eu tava procurando uma atividade pra sair de casa mesmo, voltar a ter contato com as pessoas, que eu gosto desse movimento, de ta com as pessoas, e fui convidada por uma amiga para conhecer a dança circular, e eu nunca tinha ouvido falar nada a respeito, achei curioso o nome, e vim conhecer em Março, e fui feliz, porque fui interagindo ali com as pessoas, foram tendo paciência de me indicar a coreografia e timidamente achei algo muito diferente, mas muito interessante, na semana seguinte vim mais uma vez e agora já to há alguns meses praticando a dança e me sinto muito bem, me despertou novamente a vontade de sair pra passear, pra ta com as pessoas, é, e outro grupo que não seja familiar, ali das pessoas que a gente tem costume porque eu trabalhava muito e agora aqui eles são muito alegres, a professora é bem receptiva, o grupo todo é muito simpático, e eu me sinto muito bem, me fez muito bem, é, tenho me sentido assim com o funcionamento do corpo melhor, com mais disposição, e trás muita alegria, a gente espera a quarta-feira pra vir, eu pelo menos fico com a expectativa pra próxima quarta-feira porque me sinto muito bem.

Estela: O círculo é aberto, e acolhedor, é o momento de você chegar e aprender junto, não tem ninguém que sabe mais do que o outro porque estamos todos aprendendo juntos, aprendemos os passos e dançamos, a Universidade Aberta do Meio Ambiente e Cultura de Paz trabalha em vários parques municipais levando as danças que no trabalho inspirado pela Bia Esteves entre os anos 80 e 90 nós conseguimos ampliar com a criação da UMAPAZ em 2006 e a partir de 2009 as Danças CIrculares estarem nos parques municipais.

As Danças Circulares se encontram em muitas Unidades de Saúde, atualmente principalmente sendo oferecidas através dos profissionais de saúde, terapeutas ocupacionais, psicólogos, fonoaudiólogos que se utilizam da dança como um recurso terapêutico. A dança não é terapia, mas ela tem potencial terapêutico no sentido de trabalhar nós mesmos, a relação com a gente mesmo, a relação com o outro e a relação com o todo o nosso entorno.

As danças não são somente alegria e celebração, elas também são um movimento e uma meditação ativa. Muitas danças exercitam a serenidade nos movimentos mais lentos, a harmonia com o todo, a natureza, e nós podemos observar na dança meditativa, a dança do sol, onde nós representamos o movimento dos raios de sol se desloca, volta a ele e muda de lugar, então cada um de nós no círculo da dança representa um pequeno raio de sol e depois fazemos o nosso trabalho, e nosso serviço trocando de lugar com os companheiros.

As Danças Circulares são abertas e não é necessário sabermos dançar, para participar dessa atividade, é só você chegar e se abrir pra aprender e pra ensinar. Quantas sabedorias que agente tem da nossa infância de ter participado de círculos e quantos círculos que nós participamos muitas vezes sem lembrar deles, círculos de alimento, círculos de estudo, círculos de oração, círculos e círculos, e nos queremos espalhar os círculos, pra nós é um grande prazer e uma grande alegria compartilhar esse trabalho e essa ação realizada pelas secretarias e por pessoas voluntárias que realizam e dedicam seu trabalho com amor e alegria, nós queremos que você venha dançar nos parques, venha dançar nas unidades de saúde, venha sentir esse benefício, essa alegria, esse contentamento e essa meditação em movimento que vai ser um prazer recebermos você.

Dançando nos parques, círculos de pessoas que se encontram nos parques rodando nas Danças Circulares e Sagradas, vivenciando através das mãos dadas a celebração o convívio a tolerância e a solidariedade, aprendendo, trocando e ensinando, movimento e serenidade dentro e fora de nós, inspiração na natureza, nas arvores, nas flores, vento, sol que aquece e colore o verde. Água que flui e inspira as transformações e adaptações nos movimentos e ritmos da vida, flores que inspiram a beleza e as diferentes qualidades, canto dos pássaros que alegram a música da vida, pelas músicas, ritmos e danças vivenciadas, a arte de estar presente com consciência cuidando do nosso meio ambiente, dentro e fora de cada um de nós, modificando atitudes rumo a uma vida mais simples no circulo colorido de universos iguais, encontro de beleza, harmonia, amor pela vida e paz.

- Secretaria Municipal da Saúde da Cidade de São Paulo – Coordenação de Gestão de Pessoas (CGP)

- Escola Municipal de Saúde (EMS)

- Rede São Paulo Saudável

E demais créditos.

1 Homo Complexus, (MORIN, 2002).

2 GARDNER, (1995).

3 É uma fundação de doação internacional com sede em Haia na Holanda. Com a missão de melhorar as oportunidades para crianças de até 8 anos de idade, que estão crescendo em circunstancias sociais e economicamente difíceis (BERNARD).

4 Laissez-faire é a contração da expressão em língua francesa laissez faire, laissez aller, laissez passer, que significa literalmente "deixai fazer, deixai ir, deixai passar. A expressão refere-se a uma ideologia econômica que surgiu no século XVIII, no período do Iluminismo, através de Montesquieu, que defendia a existência de mercado livre nas trocas comerciais internacionais, ao contrário do forte protecionismo baseado em elevadas tarifas alfandegárias, típicas do período do mercantilismo, (SGARBI).

5 Inteligência fluida que tange elementos não verbais que independem de conhecimento prévio, sendo mais determinada por aspectos biológicos, (PRIMI e ALMEIDA, (2000, apud OLIVEIRA, PASCALICCHIO e PRIMI, 2012)

6 Inteligência cristalizada que é desenvolvida por meio de experiências culturais e educacionais, (PRIMI e ALMEIDA, (2000, apud OLIVEIRA, PASCALICCHIO e PRIMI, 2012)

7 Arte rupestre, pintura rupestre ou ainda gravura rupestre, são termos dados às mais antigas representações artísticas conhecidas, as mais antigas datadas do período Paleolítico Superior (40.000 a.C.) gravadas em abrigos ou cavernas, em suas paredes e tetos rochosos, ou também em superfícies rochosas ao ar livre, mas em lugares protegidos, normalmente datando de épocas pré-históricas (ARTE).

8 Platão concebe o mundo como sendo dual, o corpo (material) e a alma (espiritual e consciente), ou seja, como uma realidade dupla, na qual este nosso mundo percebido pelos nossos sentidos seria apenas uma cópia imperfeita de um mundo autêntico que conservaria o seu caráter de maneira imutável e, por conseguinte, de forma eterna. Platão assim supunha baseado na figuração do pensamento mítico, que apresentava o ser humano originalmente como um andrógeno. Com efeito, uma vez separado em duas partes, os homens incompletos procuram ardentemente por sua completude física. Uns a encontram e permanecem nela; outros, os filósofos, no seu anseio pelo mais perfeito, ultrapassam-na e não conseguem somente admirar um belo corpo. Passam, pois, a considerar todos os corpos belos, e depois o que há de comum em todos eles, a beleza (CHAGAS, 2009).

9 Plexo Solar - Cappa (2010), fala que é o 3º chakra. de cor amarelo, [...]. Tem a ver com sentimentos de expansividade, com a cura e a consciência que temos de nós na sociedade e no Universo. E Alcântara, 2001, diz: O sistema simpático localiza-se dentro de uma massa ganglionar conhecida como plexo solar que fica situado atrás do estomago é este o canal responsável inconscientemente pelas funções do corpo, o plexo solar é como se fosse o sol do nosso corpo, ele é o ponto central de distribuição de energia que é gerado continuamente pelo nosso corpo e distribuídas por todo o corpo. É uma energia real distribuída pelos nervos reais e se estende sob forma de substancia entérica.

10 Orientadora desse trabalho - É Bailarina, Coreografa e Educadora. Mestra em Ciências da Religião, docente da Universidade Metodista de São Paulo e do Centro Universitário Ítalo Brasileiro. Atua também na Pós Graduação em Dança da UniFMU e da Universidade Gama Filho. Idealizadora do Projeto Dançando a Vida, que atende em média 300 pessoas nas cidades do ABCD-SP.

11 As citações de Gomes (2012) são transcrições literais de sua fala no vídeo Danças Circulares Sagradas, que no corpo do trabalho foram preservados na integra conforme é possível constatar no DVD em anexo, e no texto transcrito na integra no APENDICE A.

12 Segundo Frances e Jefferies (2004), Wosien utilizou a palavra heilige que tem o significado de santificado ou sagrado em alemão, e trás um sentido de cura e totalidade, quando foi feita a tradução dessa palavra para a língua inglesa, sacred (sagrado), não representava todos os significados da palavra em alemão, tornando limitada a sua interpretação.

13 Renata Ramos - Focalizadora de Danças Circulares Sagradas desde 1993. [...] ministra cursos em São Paulo e em vários estados do Brasil; Co-organizadora do Encontro Brasileiro de Danças Circulares Sagradas, evento anual que acontece em São Paulo desde 2002 [...] organizadora do livro Danças Circulares Sagradas uma Proposta de Educação e Cura, publicado pela Editora TRIOM Editora e Centro de Estudos fundada em 1991 com a missão de auxiliar na expansão espiritual da consciência. Facilitadora do Jogo da Transformação versão Caixa, Grupo e FCP (para consultores) credenciada pela InnerLinks (EUA). É membro fundador do CETRANS, Centro de Estudos Transdisciplinares, (DANÇA).

14 Ana Lucia Borges da Costa - Focalizadora de Danças Circulares desde 1995. É Terapeuta Ocupacional formada pela USP (1989) com experiência na área de saúde mental e especialização em Cinesiologia Psicológica (SEDES). Conheceu as danças circulares em 1992 na Itália, quando participou de um evento ligado ao Serviço de Saúde Mental. [...] Introduziu as Danças Circulares no curriculo dos cursos de graduação de Terapia Ocupacional da Universidade de São Paulo em 1995 e na Universidade de Sorocaba em 1999. Planejou e coordenou o Curso de Difusão Cultural em Danças Circulares (Laboratório de Estudos e Pesquisa Arte, Corpo e Terapia Ocupacional – USP) entre 1997 e 2000, fato que possibilitou a instumentalização de vários profissionais da saúde [...] Reside em Manchester, Inglaterra, desde 2001, atuando como Terapeuta Ocupacional e Focalizadora de Danças Circulares. Atualmente está concluindo sua pesquisa de doutorado em “Danças Circulares, Terapia Ocupacional e Qualidade de Vida” (título provisório) na Universidade de Bolton. Recentemente, publicou artigos acadêmicos em British Journal of Occupational Therapy e Leisure Studies Association (DANÇA).

15 Bia Esteves - Professora de yoga, arte-educadora, coreógrafa, compositora e focalizadora das Danças Circulares Sagradas há 20 anos. [...] Idealizadora e introdutora das Danças Circulares nos Parques [...], desde 1990. Participou como focalizadora das Danças Circulares nos cursos de Valores Humanos do programa de Educação para a Paz, no Instituto de Estudos do Futuro - Fundação Peirópolis, no Campus Semente em Uberaba (MG) e no Campus 21 em Mairinque (SP), de 1997 a 2002. Ministrou cursos de formação para Focalizadores de Danças Circulares na Associação Palas Athena, de 1998 a 2002. Realiza oficinas e vivências de Danças Circulares em empresas, unidades nacionais do SESC e entidades ligadas às Secretarias de Saúde, Educação, Esporte e Cultura e Meio-Ambiente em diversas cidades de São Paulo, Ceará, Paraíba, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Goiás, (ANAENELLO.ORG)

16 Vaneri de Oliveira, Psicóloga, Professora, Coreógrafa e Arte Educadora. Professora da Pós Graduação e Extensão na FMU e Pós Graduação na Gama Filho, na disciplina de Danças Circulares e do Mundo; Arlenice Juliani, Arte-Educadora formada pela FAAP, Instrutora de Bio-Cinergia e Tai-Chi-Chuan, atua como Facilitadora das Danças Circulares e da Paz Universal em cursos, praças e parques de São Paulo, em eventos de áreas diversas; dá aulas para as crianças e jovens no “Projeto Joaninha”: Projeto Social do Ballet Stagium; é componente do grupo criador e mantenedor do Projeto “Educação para a Vida – As Danças Circulares como Caminho”; é também Artista Plástica e Arte Culinarista; Mônica Goberstein - Formada em Arquitetura pela FAU/USP, uma das precursoras do movimento das DCS no Brasil, referência na área. É certificada Mentora das Danças da Paz Universal pela Rede Internacional (INDUP, Seattle-EUA), tendo participado da fundação desta Rede no país; Aldo Luiz Casagrande, Engenheiro Eletricista, fotografo, formado em DCS por Friedel Kloke Eibl (Alemanha); Carlos Eduardo Pereira Rodrigues, Educador, Gestor em RH, Prof. de Ed. Física e focalizador de DCS e Jogos Cooperativos. Dentre muitos outros profissionais.

17 Ver Anexo com as marcações.

18 CATIBI, N.O.M.; TREVISAN, P.R.T.C.; SCHWARTZ, G.M. As Danças Circulares no Contexto das Tendências Pedagógicas da Educação Física. 2009. Impulso, Piracicaba, 19 (48): 61-72, jul. – dez. 2009, e GASPARI, T. C. A Dança Aplicada às Tendências da Educação Física Escolar. 2002. Motriz, Set/Dez 2002, Vol.8 n.3, pp. 123 - 129.

POR  JOSÉ JÚLIO NOVO DE OLIVEIRA E PAULO OLIVEIRA COSTA.


Publicado por: Jose Julio Novo de Oliveira

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