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O IMPACTO DAS AÇÕES DO PROJETO SOCIAL “PRIMEIRO PASSE” DO MUNICÍPIO DE SEARA-SC NAS AULAS DE EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR

Educação Física

Impactos causados pelo Projeto Social Primeiro Passe dentro da Educação Física escolar, aliando-se ao propósito pedagogo escolar em prol do desenvolvimento do aluno.

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1. RESUMO

O futebol é um dos esportes mais praticados do mundo, desde cedo ele está presente na vida de muitos jovens, seja em casa, na escola ou na rua com os amigos. Facilmente nos deparamos com crianças jogando futebol, porém existem muitos valores que se desenvolvem por trás da prática desse esporte simplesmente como lazer ou atividade física, trata-se de valores que vão desde o convívio social e o desenvolvimento do jovem dentro da sociedade, até o esporte em nível profissional. Amadurecendo a ideia do esporte como educação, o Projeto Social Primeiro Passe desenvolve competências profissionais visando o desenvolvimento do jovem e da criança não apenas dentro do esporte, mas preparando o aluno e auxiliando no desenvolvimento de suas valências profissionais, educacionais e sociais, agregando valor para o aluno dentro da escola. Esta pesquisa se aprofunda nos impactos causados por esse projeto dentro da Educação Física escolar, aliando-se ao propósito pedagogo escolar em prol do desenvolvimento do aluno. Através de entrevistas com os professores das escolas, desencadeou-se uma série de fatores que foram abordados e analisados, encontrando vários pontos que auxiliam o desempenho do aluno dentro da escola e também alguns empecilhos refletidos pelas ações do Projeto Primeiro Passe.

Palavras Chave: Projeto Primeiro Passe; Educação Física; Educação Física Escolar.

2. CONSIDERAÇÕES INICIAIS

O futebol é um dos esportes mais praticados em nosso país, vivemos e respiramos esta modalidade em nosso dia-a-dia, muitas vezes levamos em nossa cultura através da nossa família e amigos. Filgueira & Schwartz (2007, p.76) apontam que no Brasil, o futebol é um fenômeno cultural que cativa às pessoas pela sua grandeza, e cuja prática tem crescido rapidamente, envolvendo um número significativo de participantes, desde a infância até a idade adulta.

Esta modalidade esportiva é sem dúvida muito atrativa, pode-se deparar com crianças brincando com uma bola, seja em casa, na rua, na quadra, no campo, no recreio escolar. Independentemente de onde seja o local ou a forma na qual a brincadeira é organizada a essência é sempre a mesma, a diversão. Assim o futebol como outras modalidades, está direcionado a um aprendizado, auxiliando no desenvolvimento dos jovens. Para Falkenbach (2002, p. 38), “o esporte é um meio prático e eficiente de contribuir na educação das crianças e dos jovens”.

Além de contribuir na educação, o futebol e o esporte em geral desenvolve diversos aspectos que são muitas vezes imperceptíveis pela criança ou pelo jovem que o pratica. Essas competências são exploradas visando o desenvolvimento do mesmo dentro e fora do esporte.

Geralmente com a influência de seus pais, muitos jovens procuram desde sua infância, escolinhas de futebol. Nestes espaços além de trabalhar a modalidade também lhes é propiciado, fazer novos amigos, brincar e manter vivo o sonho de se desenvolver e crescer dentro do esporte.

Com o crescimento e a popularidade do futebol, muitos projetos são desenvolvidos ligados a esta modalidade. Na cidade de Seara-SC, criou-se uma parceria entre o Clube Atlético Juventus com a prefeitura municipal e o Ministério do Esporte para desenvolver o Projeto Primeiro Passe. Neste projeto, participam crianças e adolescentes que para além do desenvolvimento motor, aprender a parte técnica e tática da modalidade ainda se deparam com o objetivo proposto pelo clube que é o de promover o futebol como benefício social, educativo, saúde e de rendimento, que por sua parte funciona como uma porta de acesso às quatro categorias de base do clube, dando a oportunidade do cidadão evoluir com o esporte.

A escolha deste tema vem principalmente através deste Projeto Social, que pude acompanhar como estagiário contratado pelo clube, com a tarefa de auxiliar o professor responsável nas atividades envolvendo o futebol. Com o desencadeamento das aulas neste projeto, aliado ao processo de formação em Educação Física, foram descobertas muitas relações entre os conteúdos trabalhados nesse projeto, e os temas estudados a serem aplicados nas Educação Física escolar. Através desta ligação de conteúdo entre os dois contextos, a seguinte questão foi levantada, que se originou como tema desta pesquisa: Qual o impacto das ações Projeto Social Primeiro Passe do município de Seara – SC nas aulas de Educação Física escolar?

Para buscar possíveis resposta a esta problemática, foram elaborados os seguintes objetivos desta pesquisa:

2.1 Objetivos

2.1.1 Objetivo geral

Analisar qual o impacto das ações do Projeto Social Primeiro Passe do município de Seara – SC nas aulas de Educação Física escolar.

2.1.2 Objetivos específicos

  • Identificar os reflexos do Projeto Social Primeiro Passe nas aulas de Educação Física escolar.

  • Verificar as relações interpessoais entre os alunos participantes e não participantes do Projeto Primeiro Passe nas aulas de Educação Física Escolar.

  • Verificar os níveis de conhecimento sobre futebol entre os alunos participantes e não participantes do Projeto Primeiro Passe nas aulas de Educação Física Escolar.

3. REFERÊNCIAL TEÓRICO

3.1 Educação Física escolar

Segundo Kunz, (2001, p.86) “no atual cenário escolar, a Educação Física é identificada como componente curricular integrado ao projeto político-pedagógico da escola. ” Muito se questiona sobre a Educação Física escolar, seus valores, seus objetivos e seu papel diante ao aluno. Concordando com Gonçalves (1994, p.56), “a Educação Física é de fundamental importância ao ser humano, já que pode contribuir para a autodisciplina, desenvolver os valores estéticos, os valores cooperativos, o raciocínio, a presteza mental e a saúde”.

Diante os inúmeros papéis da Educação Física escolar, uma de suas principais virtudes colocadas por Coll, Pozo e Saraiba (1997, p.134), e além das tarefas meramente educacionais, fazer-se amizades, aprende-se o funcionamento do poder, conhecer-se o que significa a competência, pratica-se esporte, desenvolvem-se habilidades manuais; em resumo, aprende-se em viver em comunidade.

Na mesmo linha de raciocínio, Gonçalves (1994, p.60) complementa que a Educação Física é, sobretudo Educação, envolvendo o homem como uma unidade em relação dialética com a realidade social. Pois, como ato educativo, está voltada para a formação do homem, tanto em sua dimensão pessoal como social.

Ainda tratando-se de educação, Gonçalves (1994, p.61), argumenta que educação é fazer com que os homens sejam capazes de realizar as tarefas sociais e profissionais que lhes couberem, e de pôr-se à altura das possibilidades do desenvolvimento cultural e pessoal que é possível alcançar mediante sua participação. Tornando assim comprometidos com a humanização e com a transformação da sociedade, independente do âmbito especifico de conhecimento.

A Educação Física escolar possui em sua essência desenvolver os aspectos funcionais e orgânicos da criança, e através das atividades físicas aperfeiçoar a sua coordenação motora e a execução de movimentos, desenvolvendo habilidades bem como sua consciência corporal de movimento ligada as experiências concretas de movimento que “passa pelo corpo” e é o próprio “corpo movimentando-se”.

Para atingir este objetivo, Barros e Barros (1972, p.16), falam que as atividades de correr, saltar, arremessar, trepar, pendurar-se, equilibrar-se, levantar e transportar, puxar, empurrar, saltitar, girar, pular corda, permitem a descarga da agressividade, estimulam a auto expressão, concorrem para a manutenção da saúde, favorecem o crescimento, previnem e corrigem os defeitos de atitudes e boa postura.

A escola representa um papel sociocultural importante na vida dos jovens, conforme aponta Dayrell (1996, p.34), aprenderem a escola como construção social implica, assim, compreendê-la no seu fazer cotidiano, onde os sujeitos não são apenas agentes passivos diante da estrutura. Ao contrário, trata-se de uma relação em contínua construção, de conflitos e negociações em função de circunstâncias determinadas. Tal ação visa a permitir ao jovem socializar-se, integrar-se ao meio, à instituição e a quem lhe nela estiver inserida.

Para Gallardo (1998, p.77), cabe à Educação Física compreender e explicar o corpo, buscando despertar nos educandos uma consciência corporal que lhes permita perceberem-se no mundo em que vivem e, de posse dessa consciência, interferir criticamente no processo de construção da sociedade brasileira, pois não se pode esquecer, também, que a Educação Física, ao desenvolver o movimento através dos exercícios físicos, orienta-se para atividades recreativas, esportivas e de ginástica.

Aqui talvez esteja o ponto mais polêmico das atividades educativas da Educação Física. Isso porque se pode perder o significado humano do movimento e, além disso, o esporte pode ser dominado pelos princípios de alto rendimento, perdendo as perspectivas da atividade lúdica e da compreensão da corporeidade humana.

Um aspecto com relevante importância no papel da Educação Física e principalmente do professor nas aulas de Educação Física escolar é a promoção da saúde e de hábitos saudáveis.

Guedes (1999, p.22) aponta que a função proposta aos professores de Educação Física é a de incorporarem nova postura frente à estrutura educacional. Para isso é necessário a adoção de metas voltadas à educação para a saúde, mediante seleção, organização e desenvolvimento de experiências que possam propiciar aos educandos não apenas situações que os tornem crianças e jovens ativos fisicamente, mas, sobretudo, que os conduzam a optarem por um estilo de vida saudável ao longo de toda a vida.

Quando falamos em promoção de saúde, abrimos um leque de inúmeras possibilidades e definições sobre este tema. Para Minayo (1994, p.38), “saúde é o resultado das condições de alimentação, renda, meio ambiente, transporte, emprego, lazer, liberdade, acesso aos serviços de saúde.

A escola realmente abriu pouco espaço para a Educação Física. Santin (1998, p.68) destaca que nos níveis inferiores ela se apresenta ou se apresentou mais como treinamento através de exercícios mecânicos.

Assim, pode-se dizer que, quando a escola abriu as portas para a Educação Física, foram as portas do fundo, cedendo espaços sobrados e os horários rejeitados pelas outras disciplinas.

Analisando a Educação Física nesse sentido, cabe a nós, futuros profissionais da área, lutar para conquistarmos nosso espaço e salientar a importância da questão, não apenas Educação Física como movimento, mas agregando todos os valores que a matéria em si acrescenta para o desenvolvimento do aluno em junção aos demais componentes curriculares.

Ainda tratando dessa realidade da perca de espaço da Educação Física na escola, Alves (2007, p.89) aponta que uma das causas é o fato do professor se frustrar ao se deparar com a realidade escolar, como por exemplo a falta de materiais apropriados para as aulas, os salários baixos, a discriminação sofrida pela Educação Física pelos outros colegas professores, a indisciplina dos alunos, tudo isso culmina não realização dos objetivos traçados pelo professor.

Essa resistência dos alunos em relação aos conteúdos propostos pelos professores de Educação Física faz com que eles se cansem e desanimem, deixando de lutar pela mudança da realidade da Educação Física escolar, fazendo com que os alunos façam o que querem nas suas aulas. Com isso não conscientizando a população sobre a importância da atividade física regular, e dando continuidade à sua fama de só dar importância aos esportes competitivos.

A Educação Física escolar atualmente está sendo realizada de forma superficial, tendo em vista que em maioria dos casos os professores desta disciplina não se motivam a utilizar novas metodologias de ensino ou até mesmo a realizarem atividades que influenciem a qualidade da aula oferecida (EIDELWEIN et. al, 2010):

Desta forma, foi possível perceber que em várias escolas situadas no Brasil acontece este problema, o que o caracteriza um problema educacional de cunho nacional. Tendo em vista esta repercussão é necessário que se estude sobre este contexto com o intuído de fazer com que as aulas de Educação Física sejam mais produtivas e qualitativas.

Segundo as afirmações de Eidelwein et. al. (2010):

O esporte possui vários focos, que em sua grande maioria são imperceptíveis. Através dele podem ser vislumbradas diversas possibilidades de sociabilização, onde se pode citar saúde, respeito entre companheiros e adversários, observância das regras, entre outros. [...]As crianças têm nos adultos os seus principais modelos a serem seguidos, a partir disto o professor também se torna um deles, logo as atitudes destes perante elas, são fundamentais para as suas ações e seu desenvolvimento.

Sendo assim, conclui-se que os esportes se manifestam na vida da criança e adolescente primeiramente na escola e por isso devem ser aplicados de forma correta. A inserção dos esportes de forma adequada nas aulas de educação física é de extrema importância considerando que estas atividades se farão impactantes na vida de cada aluno de formas diversificadas, influenciando até mesmo no contexto social.

Contudo, é evidente que o professor fará parte de uma educação inspiradora caso este trabalhe da forma correta com a disciplina de educação física nas escolas. Toda criança desde pequena tem nos adultos próximos uma fonte de inspiração em todas as atividades exercidas, assim, nota-se que o professor é o foco te tal inspiração em se tratando do contexto da relevância do esporte na vida do ser humano.

Diante desta perspectiva do que está sendo ressaltado atualmente em toda a rede de ensino é correto afirmar que a metodologia abordada não está sendo aplicada de forma inovadora e produtiva nas aulas de educação física em várias escolas de todo o país e também em diversas disciplinas (BERGAMO, 2009).

A dificuldade em prender a atenção dos alunos para o conteúdo abordado é evidenciada em vários contextos voltados para a educação. Não é diferente com o professor de educação física, por mais que esta disciplina seja atraente para os alunos e que estes vejam a educação física como um momento de lazer percebe-se que muitas dificuldades são enfrentadas durante estas aulas.

Não se esquecendo de que a educação física escolar trabalha além de adolescentes com crianças Bergamo (2009, p. 4) ressalta sobre as atividades lúdicas afirmando para tanto que:

Sabemos que o lúdico influencia no desenvolvimento do indivíduo e na sua vida social. Brincando o indivíduo ultrapassa o que não está habituado a fazer e apreende melhor o conhecimento. Por meio da brincadeira, a criança envolve-se no jogo sente necessidade de partilhar com o outro. Brincando e jogando, o jovem terá a oportunidade de desenvolver capacidades indispensáveis.

O intuito do professor de educação física deve ser sem sombra de dúvidas ministrarem as aulas aplicando modalidades esportivas, porém de forma que este conteúdo possa ser aproveitado pelos alunos com um grande impacto de aprendizagem. No caso do futebol, verificar as possibilidades e benefícios da aplicação desta modalidade esportiva com os alunos, bem como, promoção da coordenação motora, melhoramento das atividades realizadas em grupo, dentre outras.

Atualmente não é isso que tem acontecido, a falta de diversificação na metodologia de ensino utilizada pelo professor de educação física faz com que suas aulas sejam realizadas de forma descompromissadas por parte dos alunos, que não identificam com esta metodologia a necessidade de participar do conteúdo.

Ao se abordar o conteúdo de futebol nas escolas o professor de educação física deve verificar se seus alunos estão aproveitando este conteúdo de forma que colha todos os benefícios possíveis do mesmo, pois somente assim a aplicação do futebol terá os resultados esperados no contexto da educação física escolar.

Diante deste contexto abordado, segundo Bergamo (2009, p. 2) “Faz-se necessário um repensar imediato na forma de ministrar as aulas, pois a qualidade de ensino almejada por todos só é conseguida quando o aluno entende e aproveita os temas mediados”.

3.2 Futebol na escola

Segundo Freire (2003, p.22), o futebol ensinado na escola regular ou na escola específica, deve contribuir para que a pessoa que o aprenda usufrua dele na sua vida cotidiana. No ambiente escolar, a pedagogia do esporte se volta não para a formação de atletas de performance, mas para que o futebol seja vivenciado e trabalhado de forma que todos possam ter acesso às habilidades e gestos motores de acordo com o seu desenvolvimento biológico, psicológico e social dentre outros conhecimentos, por exemplo, os conteúdos atitudinais e conceituais.

O futebol assim como o futsal na escola deve ter uma formação básica, desenvolvendo as habilidades físico-mentais: consciência corporal, coordenação, flexibilidade, ritmo, agilidade, equilíbrio, percepção espaço-temporal em uma atmosfera de descontração, dinamismo e ludicidade (SILVA, 2008).

O ensinar no futebol, não é uma simples transmissão de conhecimento ou imitações de gestos, onde o aluno seja apenas um receptor passivo, acrítico, inocente e indefeso de seus fundamentos técnicos.

Segundo Scaglia, (2003, p.78) ensinar futebol é uma prática pedagógica, desenvolvida dentro de um processo de ensino-aprendizagem, que leve em conta o sujeito aluno, criando possibilidades para construir esse conhecimento, inserindo e fazendo interagir o que o aluno já sabe, com o novo, ampliando-se assim, sua bagagem cultural e motora. Freire, (1998, p.44) complementa que “pés descalços, bola, brincadeiras, são alguns dos ingredientes mágicos dessa pedagogia de rua que ensinou um país inteiro a jogar futebol melhor do que ninguém”.

Segundo Silva et. al. (2014, p. 8):

E as altas cifras que envolvem o futebol, trazendo aos jovens a ilusão de que podem enriquecer da noite para o dia e terem os mesmos privilégios materiais e imateriais que seus ídolos? O que se sabe sobre a realidade profissional dos atletas? Não seriam esses, temas a serem abordados nas aulas de educação física escolar, para além do ensino (quando acontece) das regras e técnicas?

O autor enfatiza sobre a importância de se aplicar o futebol nas escolas, porém sem fazer com que o aluno se sinta pressionado. Este tipo de situação pode até mesmo gerar a especialização precoce, situação que costuma acontecer em escolinhas de futebol. Nesta situação o aluno é pressionado a executar uma atividade física que está além de suas limitações, como por exemplo, treinamento com crianças de faixa etária maior do que a sua.

É inegável que o futebol é um dos temas mais trabalhados nas aulas de Educação Física escolar, mas a forma que ele é produzido dentro das aulas preocupam. Em diversas situações convividas na minha formação no ensino fundamental e médio e também nas disciplinas de estágio IV e V mostra que na maioria das situações o esporte é simplesmente praticado, sem nenhum aprofundamento em suas raízes e metodologias.

Sobre isso Silva et. al. (2014, p. 7) destaca:

Infelizmente, temos percebido que o futebol, enquanto conteúdo da educação física escolar vem sendo tratado no interior da maioria das escolas brasileiras de forma reducionista. Através de constatações cotidianas ou mesmo de trabalhos de pesquisa, vemos que durante as aulas de educação física, o futebol acontece apenas no nível da prática (o fazer pelo fazer), desprovido de reflexões teóricas sobre o saber fazer corporal ou sobre as referidas conexões sociais que permite e vivenciado, na maioria das vezes, de maneira sexista, onde é oferecido como atividade apenas ao grupo masculino.

Para Freire (2003, p.66), dentro do ambiente escolar, uma aula de futebol deve incluir cinco etapas. A primeira parte se inicia com uma conversa sobre o que vai ser a aula. Na segunda parte o professor deve orientar jogos adaptados de futebol ou brincadeiras, referentes ao tema da aula anterior, observando erros e corrigindo alguns gestos.

A terceira parte se dá com os exercícios específicos pra determinada habilidade do futebol. A quarta parte é novamente um jogo adaptado ou alguma brincadeira tendo como tema a habilidade aprendida na aula atual. E por fim a quinta parte será uma roda da conversa em que os alunos deverão falar sobre a experiência na aula.

Para ensinar futebol, o professor não precisa ser um atleta, não precisa prover de habilidades técnicas ou saber executar o movimento. Ele simplesmente precisa agir em seu papel de professor, criando estratégias de enriquecer sua aula e o conhecimento dos seus alunos.

Em momento de plena indignação Silva et. al. (2014, p. 9) destaca:

Como pode a escola e a educação física escolar ficarem alheias às discussões sobre a organização e realização da Copa do Mundo de Futebol no Brasil? Temos acompanhado pelos meios de comunicação que a população brasileira vem se manifestando de maneira favorável ou desfavorável em relação a tais feitos, mas... e a escola, como tem mediado o debate com seus alunos?

Desta forma deve-se entender primeiramente qual a situação problema e qual o vínculo desta situação com a provável solução. Sendo assim, percebe-se ainda que algo deve ser feito a respeito, pois o futebol tem muitos benefícios a serem trabalhados com os alunos na Educação Física escolar, porém, a ausência do trabalho adequado do professor com esta modalidade esportiva faz até mesmo com que muitos professores inviabilizem a prática desta modalidade esportiva deixando suas aulas correm livres e sem compromissos.

Voser e Giusti (2002, p. 29) destacam alguns pontos importantes que o professor deve se ater durante as aulas de futebol. Como estabelecer vínculo afetivo com seus alunos, transmitindo apoio e segurança sempre usando a motivação. Promover a convivência entre meninos e meninas assim como a participação de todos.

Escolher atividades que se encaixem ao fundamento específico, permitindo a adaptação da criança ao jogo na sua relação com as bolas, colegas e adversários. Incentivar os alunos à criação e reformulação de regras, e acima de tudo mostrar-se organizado perante aos objetivos e o desenvolvimento da aula.

Scaglia (2003, p. 33), classifica os fundamentos do futebol em:

Básicos: passe, domínio de bola, condução, drible, chute, desarme e cabeceio. Fundamentos Derivados: cruzamento, cobrança de falta e pênalti, lançamentos e tabelinhas. E os fundamentos Específicos que são as posições assumidas pelo jogador durante o jogo, como goleiro, zagueiros, laterais, meias e atacantes.

Uma das etapas de extrema importância é o processo de avaliação do ensino do futebol. Segundo Freire (2003, p.76), “a avaliação tem por finalidade classificar de forma qualitativa e quantitativa a evolução dos alunos, através de observações subjetivas de aulas e competições”.

Uma avaliação autêntica é aquela que busque a aprendizagem e o envolvimento dos alunos de forma verdadeira, servindo como medida de responsabilidade para professores e alunos, sendo mais eficaz do que apenas tentar medir performances (SADI, 2010, p. 12).

Ser uma disciplina voltada para a recreação não é o suficiente para que as aulas de educação física sejam vista com empolgação pelos alunos. Desta forma é essencial que o professor trabalhe dentro de sua metodologia de ensino para que o aluno seja motivado a fazer os exercícios propostos de forma produtiva promovendo o aprendizado do aluno sobre o conteúdo apresentado.

Ensinar o futebol nas aulas de educação física é uma tarefa consideravelmente fácil para o professor levando em consideração que este é o esporte predileto da maioria dos alunos, porém, o que o professor não pode jamais se esquecer de que é através dele que os alunos poderão desenvolver habilidades que vão além de somente jogar o futebol em si, mas sim desenvolver atividades que englobam todo um contexto de desenvolvimento para estes, como por exemplo, desenvolvimento de sociabilidade, atividades cognitivas, entre outras.

Dentro deste contexto Franchin et. al. (2006, p. 3) destaca que:

A análise da motivação relacionada com a psicologia é tida como uma força propulsora (desejo) por trás de todas as ações de um organismo, pode-se dizer que é destacada como o sentimento de uma necessidade, ou seja, um conjunto de fatores psicológicos (conscientes ou inconscientes) de ordem fisiológica, intelectual ou afetiva, os quais agem entre si e determinam a conduta de um indivíduo, despertando sua vontade e interesse para uma tarefa ou ação conjunta

Desta forma, entende-se que o despertar da motivação dentro de cada aluno não pode ser realizado de uma forma impositiva, mas sim de forma natural. Assim, cada aluno será motivado através de alguma atividade a aprender sobre o conteúdo apresentado.

3.3 Benefícios do futebol nas aulas de Educação Física escolar

O futebol é uma atividade muito praticada dentro das aulas de educação física e no mundo, sendo um esporte muito prazeroso e motivador, onde envolve praticamente todas as crianças dentro do ambiente escolar. É muito importante desenvolver as aulas demonstrando aos alunos que o futebol é mais que uma simples brincadeira, pois este esporte contribui para a formação social e intelectual do ser humano.

Silva (2014, p. 14) destaque que:

Aparentemente o futebol é algo simples de se trabalhar em sala de aula, mas é visto de maneira não tão importante onde em contrapartida é um esporte onde se tem muito a aprender não apenas pela prática física, mas para o desenvolvimento intelecto social no meio escolar.

Sendo assim, é fundamental que o professor aplique dentro de suas aulas de educação física o conteúdo sobre futebol não apenas como uma prática de competição entre duas equipes, mas que desenvolva o conhecimento dos alunos de forma eficiente para que isso venha a colaborar no desenvolvimento físico e mental destes.

Desta forma, o autor Riverdito (2008, p. 3) ressalta que:

Na educação física, a sistematização do conteúdo futebol deverá abarcar o conhecimento de corpo inteiro (intelectual, sensorial, motor, social, afetivo, ético, estético, espiritual). Para isso, no tratamento pedagógico, o professor deverá fazer algumas perguntas na elaboração do seu plano de ensino/curso, sustentadas sobre a função e objetivos da disciplina: quais as necessidades dos meus alunos? Por que esse conteúdo é importante para esse grupo? Como aplicá-lo? Como esse conteúdo se relaciona com os demais conteúdos da disciplina?

Portanto, se faz necessário deixar claro os benefícios que o futebol pode trazer aos alunos com a prática desta atividade dentro das aulas de educação física, quando aplicada com o intuito de desenvolvimento, assim podem destacar alguns destes:

  1. Conhecimento;

  2. Saber conviver em grupos;

  3. Respeitar regras;

  4. Reconhecimento e respeito pelo próximo;

  5. Desenvolvimento motor;

  6. Criar espaços e fazer novos amigos;

  7. Melhor a qualidade de vida;

  8. Apreender a ter compromissos e responsabilidades.

Diante do contexto abordado, fica evidente que o futebol parece um assunto simples de se dominar nas aulas de educação física, mas na verdade é preciso ter cuidado com o que deve ser abordado, pois o aluno não pode levar dúvidas para casa, sendo assim o professor precisa dominar o conteúdo aplicado e procurar metodologias que desenvolva o aluno de maneira eficiente.

“Cabe ao professor de educação física selecionar os conteúdos que de fato ajudarão nos objetivos propostos, pois o profissional tem que dar atenção ao conteúdo, uma vez que ele acaba sendo modelo para aquele aluno (Rabelo et al, 2016, p. 8)”.

Sendo assim, a aplicação do futebol nas aulas de educação física é uma construção cognitiva, não apenas física. Contudo, o professor poderá utilizar técnicas de desenvolvimento das aulas que motive os alunos a aprender de maneira lúdica.

Algumas metodologias diferentes poderão contribuir para que as aulas sejam mais proveitosas, como por exemplo: o professor pode utilizar-se de aulas expositivas, abrindo uma discussão sobre futebol, onde cada aluno poderá falar das suas experiências; aulas práticas; seminários e trabalho em grupo.

Com isso, o professor de educação física, não abrangerá somente o objetivo específico de ensinar as técnicas de como jogar futebol, mas se mostrar capacitado em desenvolver todos os aspectos que envolva o futebol no ambiente escolar aumentando nos alunos suas habilidades cognitivas, motoras, psicológicas e sociais (RABELO, 2016).

Rabelo et. al (2016, p. 10) ressalta ainda que:

O educador deve trabalhar com o aluno para ajudar a aumentar e melhorar o potencial motor, cognitivo e afetivo do aluno”. Pois eles se desenvolvem sob esses três aspectos em uma troca mútua de influências e qualquer alteração em um desses se refletirá nas demais. Aqui, então, compete aos profissionais de Educação Física, ampliar suas práticas e ações, de modo que possam trabalhar fatos reais da vida dos alunos, para que eles aprendam resolver situações diárias.

Contudo, é de extrema importância que o professor, procure inovar as aulas de educação física, para que os alunos sintam vontade em fazer parte das aulas, envolvendo as experiências de cada um para que estes consigam enfrentar as dificuldades do dia a dia, e ver dentro da metodologia de ensino o quanto é importante o esporte na vida das pessoas. Que além de utilizar-se como fonte de renda a atividade esportiva (futebol), pode melhor a qualidade de vida.

3.4 Educação Física e os contextos de intervenção

Segundo Saviani (1991) o que diferencia o homem dos animais é o seu trabalho, porém este somente acontece quando o homem mentalmente antecipa a sua ação, dando a então importância para o planejamento.

Não diferentemente na educação as ações do homem são muito importantes, em se tratando de intervenção é importante enfatizar a relevando do professor na ação de intervenção escolar. Os esportes devem ser inseridos no contexto da Educação Física escolar de forma eficiente e para isso o profissional de educação física deve estar sempre buscando inovar o seu conhecimento e fazer com que os alunos possam aprender mais a partir de tais conteúdo.

Segundo Santos (2014, p. 5).

Os jogos e brincadeiras vão proporcionar aos alunos a vivencia por meio da prática corporal, o improviso, a percepção, desenvolvendo as capacidades cognitivas de percepção, antecipação e tomada e decisões no processo de aprendizagem dos alunos na Escola por meio da intervenção do professor de Educação Física. Acreditamos que o ensino do esporte/futsal deveria estar vinculado ao projeto pedagógico da escola. Deveria atender os seus objetivos. Assim, a tarefa do professor é dar um tratamento pedagógico para o esporte de tal forma de que esse possa caminhar na direção de educar e emancipar as pessoas.

Desta forma o autor destaca sobre a relevância educacional do esporte futsal, o que justifica a sua inserção na intervenção juntamente com a prática pedagógica da escola. Através do futsal será possível passar outros contextos importantes para os alunos como a sociabilização, por exemplo.

Para que se possa fazer um projeto de intervenção de qualidade nas escolas utilizando o futsal é preciso primeiramente que o professor de Educação Física saiba diferenciar o futsal na escola do futsal aplicado fora da escola, em clubes, escolinhas, entre outras.

Sobre isso Santos (2014, p. 7) destaca:

O esporte/futsal de fora da escola praticada em clube, academias, centros de treinamentos “futsal na escola” é elitista e discriminatório, e se refere ao esporte de rendimento, como conquistar títulos e resultados. Logo, não serve para a escola. Não conseguirá atender, supostamente, a finalidade maior dos projetos pedagógicos escolares, ou seja, educar.

Sendo assim, nota-se que o futsal quando aplicado na escola é uma forma interventiva de fazer com que o esporte seja mais do que somente o ato de se exercitar, fazendo também com que os alunos sejam induzidos a ver o futsal pelo ângulo socioeducativo, bem como destaca Santos (2014, p. 9) “É possível que a escola seja um espaço em que as crianças aprendem esporte se divertindo e, nas inter-relações, constroem atitudes cooperativas, participativas e de socialização”.

De acordo com Santos (2008) apud Santos (2014, p. 8):

Muitas pessoas falam em “Espírito Esportivo”, mas poucas param para pensar o que isso realmente significa. Espírito Esportivo é justiça, é lealdade, é cooperação, é participação, é saber ganhar sem humilhar, é saber perder sem ser humilhado, é saber respeitar as regras e também os direitos dos outros. No esporte com na vida esse espírito é fundamental.

É fato que os benefícios da inserção do futsal na escola são evidentes e por isso esta modalidade esportiva deve ser realizada com seriedade dentro das escolas, não com o propósito de formar exímios jogadores de futsal, mas sim trazer através do futsal a oportunidade que os alunos precisam para exercer o papel de cidadania aprendendo através do conceito do futsal.

Se tratando de uma questão de qualidade de ensino e não de somente inserir o futsal dentro das escolas, percebe-se que o professor tem papel crucial para que o futsal possa ser inserido na escola de forma qualitativa, pois de nada adianta fazer com que seja inserido o futsal na escola se o professor não é capaz de fazer com que se cumpra o seu real objetivo dentro do contexto escolar.

Sobre isso menciona Santos (2014, p. 11):

Desta forma, nós, profissionais de Educação Física, através do Esporte da Escola, podemos dar uma melhorada na qualidade do ensino da Educação Física, contribuir para que o aluno aprenda a atuar em conjunto, valorizando os companheiros de equipe e também os adversários, desenvolvendo o espírito de equipe e a cooperação; porque afinal “jogar contra é jogar com”.

Dentro deste contexto, conclui-se que os projetos de intervenção devem promover a educação integral e organização escolar visando sempre o contexto educativo e não somente questões físicas.

Diante deste contexto, é muito importante salientar a importância que a atividade esportiva tem na vida de uma criança, sendo assim é fundamental que além da inserção da prática nas aulas o professor tenha uma variedade de técnicas para aplicar nas aulas teóricas.

Dentro destas aulas teóricas o professor poderá explorar como o esporte poderá contribuir para o desenvolvimento dos alunos, por sua vez, as aulas práticas são mais prazerosas, mas é importante que estes aprendam a essência que existe na modalidade esportiva, pois são aprendizados e desenvolvimentos que constituirão para a formação do cidadão.

Oraggio (2016, p.3) afirma que é muito comum que, dentro e fora de campo, as crianças e os adolescentes questionem as regras, e aí o futebol dá outra oportunidade: a de formar cidadãos críticos.

Portanto, ficam evidentes que as atividades esportivas trazem diversos benefícios às crianças, tais como:

  • Saúde;

  • Responsabilidades;

  • Sociabilização;

  • Inteligência;

  • Entretenimento.

Dentro dos benefícios destacados as crianças desenvolveram as potências musculares, melhorias na capacidade cardiovascular, melhor oxigenação do sangue, coordenação motora, capacidade de liderança, disciplina, respeito pelo próximo, interação com outras crianças, auto realização com a prática do esporte. Isso tudo ajudará as crianças no dia-a-dia e no convívio em sociedade.

Emer (2013, p. 5) ressalta que:

Hoje a busca pelo bem-estar individual e coletivo está presente em todos os níveis sociais, e o esporte ou práticas esportivas são fundamentais no cotidiano da população, porque auxiliam na manutenção de uma vida saudável. É preciso também destacar a importância do esporte na vivência de valores necessários para o convívio em sociedade como a tolerância, a inclusão e o respeito. 

O esporte, principalmente o futebol que é considerado a paixão das crianças, além de contribuírem significativamente na formação das crianças ocupa a mente e faz com que estes não caiam no mundo das drogas e da violência.

Por isso, quanto mais cedo essas crianças se ocuparem melhor. Porém, cabe ao professor de educação física utilizar esta poderosa ferramenta na educação física escolar de forma eficiente, não fazendo com que os seus alunos sejam exímios jogadores de futebol, mas sim aproveitando o conteúdo do esporte para propor os objetivos da educação física escolar.

Para que as crianças se interajam melhor nas aulas teóricas, o professor poderá utilizar algumas brincadeiras dentro de sala para que estes entendam como serão realizadas as aulas práticas. Assim, as crianças começarão a interagir com os colegas, perdendo a timidez, insegurança, ansiedade e superando algumas frustações vivenciadas.

Dentro desta perspectiva percebe-se que o professor poderá utilizar o futebol não como um método tradicional somente, mas também fazer dele outras brincadeiras que poderão ser aplicadas pelo professor até mesmo dentro da sala. Cabe ao professor ter a criatividade para fazer com que tais atividades possam surtir o efeito esperado.

Pode-se destacar que dentro das aulas práticas o professor mostrará os fundamentos básicos do futebol aos alunos, com isso, as crianças entenderam como é divido as técnicas de jogar, pois não é apenas uma brincadeira, mas uma atividade que requer respeito, comprometimento, ética e companheirismo. Sendo assim, as crianças passaram a entender as técnicas do futebol e suas regras.

Destaca-se como principais fundamentos básicos do futebol que podem ser praticados na educação física escolar:

  • Domínio: O domínio precisamente consiste em receber a bola e saber o que fazer para prosseguir a jogada. Podendo ser dominada com o pé, coxa, peito, cabeça. Isso requer habilidade, pois o jogar precisa dar condições adequadas à jogada.

  • Cruzamento: Um cruzamento bem feito dá condições de finalizar e fazer o gol. Esse fundamento básico é importante e geralmente é realizado pelas laterais do campo, geralmente na linha de fundo. É fundamental que seja executado com eficiência pelo jogador, pois quando bem executado rompe os sistemas de marcação do adversário.

Em uma atividade de cruzamento no futebol é preciso que haja confiança entre um jogador e outro e além disso é preciso que os mesmos estejam em sintonia. Esta simples atividade pode fazer com que os alunos se interajam além de praticar exercícios físicos.

O defensor precisa ter habilidades superando as qualidades do atacante no momento da jogada.

  • Controle de Bola: Saber controlar a bola quando ela chega ao jogador é muito importante, pois na sequência do passe ter eficiência para controlar a bola é fundamental para não ter uma atitude frustrada. Pois a bola pode chegar ao momento em que o jogador está correndo, parado ou em um salto e para isso é preciso estar preparado para receber e ter o domínio.

  • Passe: é considerado um dos principais fundamentos do futebol, o jogador precisa ser ágil para que não perca a posse de bola ao adversário, desta forma o jogar que vai executar o passe precisa ser rápido.

Pode até parecer uma atividade simples, mas ao praticar o passe o professor deve mostrar para os alunos como um depende do outro. Sendo assim, esta é uma das práticas que poderão ser utilizadas pelo professor durante a aplicação do futebol nas aulas de educação física escolar.

  • Desarme: Este fundamento é o principal recurso de defesa. Onde os jogadores desarmam a jogada do time adversário fazendo com que resulte em uma jogada frustrada e sem finalização eficiente.

O desarme exige responsabilidade, o professor deve sempre passar para o aluno o contexto da responsabilidade e respeito, pois se o aluno fizer alguma atividade relacionada a desarme de forma maldosa poderá machucar gravemente o colega.

Dentro destes fundamentos básicos, as crianças desenvolvem suas habilidades físicas, motoras e mentais, pois além do esforço físico, tem que pensar qual atitude tomar para que a jogada seja bem executada.

Percebe-se que uma das dificuldades mais encontradas é forma como o futebol é aplicado na educação física escolar, tendo em vista que existem várias formas de se aplicar esta modalidade esportiva o professor deve estudar sobre o assunto para fazer com que a sua metodologia de ensino aplicada faça jus ao rico conteúdo que propõe.

O futebol está presente em nossa cultura, vivemos num meio onde este esporte está totalmente ligado ao nosso cotidiano, e, cabe a nós, professores de Educação Física utilizar deste desporto como ferramenta de educação. Um exemplo disso, é o Projeto Primeiro Passe, um programa de socialização fora do contexto escolar veiculado com diversos meios buscando o desempenho do jovem e da criança

3.5 Projeto Primeiro Passe

É correto afirmar que as crianças desde cedo buscam por um meio divertido de se liberar a energia. Desta forma, percebe-se que a o futebol é visto por estes como uma brincadeira, algo prazeroso no qual ele se identifica e tendo em vista os benefícios do futebol na fase de desenvolvimento este esporte deve ser incentivado para as crianças.

Quando falamos em futebol, abrimos um leque para inúmeras possibilidades, reflexões, ações e mais uma infinidade de teorias e contextos sobre o tema. Porém, quando nos retratamos em futebol como conteúdo, podemos despertar o interesse da criança e extrair vários fatores que auxiliem a criança em seu desenvolvimento.

Seguindo essa ideia, o Projeto Primeiro Passe tem como objetivo desenvolver competências pessoais e profissionais em crianças e adolescentes na faixa etária de 8 a 14 anos, tendo em vista a formação de cidadãos que possam contribuir para a melhoria da sociedade em que estão inseridos com a promoção da saúde, educação e na preservação do meio ambiente através do esporte.

Levando em consideração que cidadão é um indivíduo que convive em sociedade, respeitando o próximo, cumprindo com suas obrigações e gozando de seus direitos, o presente projeto trata-se de iniciativa do Clube Atlético Juventus, da cidade de Seara-SC, em parceria com o Ministério do Esporte, que leva em consideração aspectos que preparam os indivíduos envolvidos para um saudável convívio em sociedade, com capacidade de relacionamento e entendimento sobre seus direitos e deveres. Ficanha (2014) expõem a educação em três pilares fundamentais: A educação formal; Educação para a vida; Educação através do esporte.

Ficanha (2014) retrata a educação formal tendo como base o ensino fundamental e médio. Neste eixo, a atuação deste projeto consiste no acompanhamento das notas escolares dos indivíduos e sua relação com a escola e também no relacionamento familiar para auxiliar no engajamento da família contra dificuldades em prosseguir seus estudos.

No segundo pilar, o mesmo autor salienta que a educação para a vida tem por objetivo desenvolver competências relacionadas ao convívio social e respeito mútuo, bem como o fortalecimento de competências que apresentem reflexos para a vida profissional.

Neste eixo, encontram-se oficinas de interface social tais como informática, música, teatro, literatura, dança, vôlei e oficinas de preparo para atividades profissionais (ex. funções administrativas). É importante salientar que as oficinas são disponibilizadas e estruturadas levando em consideração a faixa etária dos alunos e a demanda profissional oferecida na cidade do projeto.

Seguindo com o terceiro pilar, o mesmo ainda destaca que a educação através do esporte diz respeito a construção de valores morais e éticos através da prática esportiva – modalidade futebol de campo.

Tendo em vista que o esporte se constitui em importante ferramenta para o desenvolvimento de características do convívio social, bem como promove o reconhecimento dos direitos e deveres enquanto cidadãos e noções de limites neste convívio, serão oferecidos neste eixo, aulas teóricas e práticas de futebol, com periodicidade semanal, levando em consideração a faixa etária dos alunos.

Além do monitoramento escolar realizado em parceria com as escolas, o projeto também compõe de relatórios trimestrais da evolução educacional e esportiva das crianças. Esse relatório será realizado pelos professores das oficinas que mostrarão em quadro evolutivo, o desenvolvimento comportamental dos alunos.

4. METODOLOGIA

4.1 Caracterização do estudo

Este estudo se baseia metodologicamente na forma de pesquisa descritiva com abordagens qualitativas. Segundo Gil (2008, p.26), as pesquisas descritivas possuem como objetivo a descrição das características de uma população, fenômeno ou de uma experiência. O autor complementa ainda que uma das peculiaridades da pesquisa descritiva está na utilização de técnicas padronizadas de coleta de dados, tais como a entrevista e a observação sistemática.

A pesquisa qualitativa se baseia num conceito exploratório, formando ideias, teorias e reflexões baseados nos dados coletados. Segundo Gil (2008, p.41), a pesquisa qualitativa trabalha com dados subjetivos, crenças, valores, opiniões, fenômenos e hábitos.

Estes itens serão fundamentais para o sucesso da pesquisa, levando em consideração cada um deles no processo de observação. Já para Minayo (1994, p.29), uma investigação qualitativa é a que melhor se coaduna ao reconhecimento de situações particulares, grupos específicos e universos simbólicos.

Minayo (1994, p.56), complementa que o ciclo de uma pesquisa, compõe-se de três momentos: fase exploratória, trabalho de campo e tratamento do material. O referido processo inicia-se com a fase exploratória da pesquisa, em que são interrogados aspectos referentes ao objeto, aos pressupostos, às teorias pertinentes, à metodologia apropriada e às questões operacionais necessárias para desencadear o trabalho de campo.

Em seguida é estabelecido o trabalho de campo, que consiste no recorte empírico da construção teórica elaborada no momento. É nesta etapa que são combinadas várias técnicas de coleta de dados, como entrevistas, observações, pesquisa documental e bibliográfica, dentre outras. Por fim, faz-se necessário elaborar o tratamento do material recolhido no campo, que pode ser subdividido em: ordenação, classificação e análise propriamente dita.

4.2 População e amostra

A população desta pesquisa foi composta por professores do ensino fundamental da rede pública de ensino. A amostra foi composta por quatro professores

Foram escolhidos dois professores da rede municipal e dois professores da rede estadual de ensino. Para definir a escolha dos mesmos, foi realizado um mapeamento dos alunos matriculados no Projeto Primeiro Passe. Dessa forma, pode-se conhecer quais são as escolas com maior número de alunos matriculados que participam do projeto. Feito esse mapeamento, foram selecionadas duas escolas, uma da rede estadual e uma da rede municipal de ensino, na qual continham maior número de alunos matriculados nesse projeto, para enfim direcionar-se aos professores desses alunos na Educação Física escolar.

4.3 Instrumentos da coleta de dados

A realização desta pesquisa foi composta de uma entrevista com os professores de Educação Física Escolar dos alunos matriculados na rede municipal e estadual de ensino que participam do Projeto Primeiro Passe.

A entrevista foi realizada de forma individual diante os professores, com perguntas abertas (Anexo I). A entrevista foi gravada por um dispositivo de áudio para melhor absorção dos dados e posterior análise dos mesmos.

Segundo Minayo (2002, p. 22), a entrevista é o procedimento mais usual no trabalho de campo. Através dela, o pesquisador busca obter informes contidos na fala dos atores sociais. Num primeiro nível, essa técnica se caracteriza por uma comunicação verbal que reforça a importância da linguagem e do significado da fala. Já, num outro nível, serve como um meio de coleta de informações sobre a temática pesquisada.

4.4 Procedimentos da pesquisa

Para o procedimento da coleta de dados da presente pesquisa, foram seguidas as etapas abaixo descritas:

  • Mapeamento dos alunos matriculados no Projeto Primeiro Passe;

  • Seleção das escolas com maior número de alunos participantes do Projeto Primeiro Passe;

  • Mapeamento dos professores de Educação Física das escolas selecionadas;

  • Contato com a Secretaria de Desenvolvimento Regional para autorização de acesso as escolas desta rede de ensino informando o objetivo da pesquisa e o público que seriam a possível amostra;

  • Contato com a Secretaria Municipal de Educação para autorização de acesso as escolas desta rede de ensino;

  • Contato com as escolas e com os professores de Educação Física, todos habilitados;

  • Informar aos professores o objetivo da pesquisa e agendamento das entrevistas, conforme disponibilidade dos mesmos;

  • Entrega do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido aos professores para colher as assinaturas

  • Realização a entrevista com os professores de Educação Física;

  • Transcrição da entrevista e devolutiva aos professores para ver da concordância da mesma para posterior análise;

  • Análise dos dados coletados.

4.5 Análise dos dados

A etapa de análise dos dados é de suma importância dentro de uma pesquisa, pois é nesta etapa serão analisados os dados coletados e direcionará a uma reflexão sobre o problema e toda a pesquisa. A fase de análise de dados na pesquisa social reúne três finalidades: estabelecer uma compreensão dos dados coletados, confirmar ou não os pressupostos da pesquisa e/ou responder às questões formuladas, e ampliar o conhecimento sobre o assunto pesquisado, articulando-o ao contexto cultural do qual faz parte, (MINAYO 1994).

Ainda Minayo (1994, p.42), destaca três obstáculos para uma análise eficiente.

O primeiro diz respeito à ilusão do pesquisador em ver as conclusões, à primeira vista, como “transparentes”, ou seja, pensar que a realidade dos dados, logo de início, se apresenta de forma nítida a seus olhos. Essa ilusão pode levar o pesquisador a uma simplificação dos dados, conduzindo-o a conclusões superficiais ou equivocadas. O segundo obstáculo se refere ao fato de o pesquisador se envolver tanto com os métodos e as técnicas a ponto de esquecer os significados presentes em seus dados. E o terceiro limitador para uma análise mais rica da pesquisa relaciona-se à dificuldade que o pesquisador pode ter em articular as conclusões que surgem dos dados concretos com conhecimentos mais amplos ou mais abstratos. Esse fato pode produzir um distanciamento entre a fundamentação teórica e a prática da pesquisa.

Segundo Gil (1999, p.65), a análise dos dados tem como objetivo organizar e sumariar os dados de tal forma que possibilitem o fornecimento de respostas ao problema proposto para investigação. Já a interpretação tem como objetivo a procura do sentido mais amplo das respostas, o que é feito mediante sua ligação a outros conhecimentos anteriormente obtidos.

À medida que os dados vão sendo coletados, Gewandsznajder (1998, p. 170) destaca que o pesquisador vai procurando tentativamente identificar temas e relações, construindo interpretações e gerando novas questões e/ou aperfeiçoando as anteriores, o que, por sua vez, o leva a buscar novos dados, complementares ou mais específicos, que testem suas interpretações, num processo de “sintonia fina” que vai até a análise final.

5. INSTRUMENTO E ANÁLISE DA PESQUISA

5.1 Entrevistas e análise dos dados

A entrevista foi composta por cinco perguntas (Anexo I), realizadas de forma aberta, gravadas por dispositivo de áudio e transcritas em forma física. Desta maneira se possibilita uma melhor análise e compreensão do material que foi coletado.

Para facilitar o envolvimento do que foi abordado por eles e também para preservar suas identidades, os mesmos serão listados com codinomes: professor “A”, professor “B”, professor “C” e por último o professor “D”.

Os professores foram questionados sobre a quantidade de alunos que cada um possuía, que participam do Projeto Primeiro Passe. O professor “A” possui um total de 14 alunos, o professor “B” 18 alunos, o professor “C” 15 alunos e o professor “D” 13 alunos. Todos eles são todos do gênero masculino e suas faixas etárias variam entre 9 e 14 anos.

Avaliando o número de alunos participantes do Projeto Primeiro Passe, percebe-se que há um percentual considerável em relação à quantidade de alunos em suas turmas dentro da escola que não fazem parte do projeto, desta maneira podemos fazer uma análise mais concreta, pois a quantidade de alunos a serem avaliados pelo professor em ponto de vista relativo ao restante da turma é alto.

Como forma de organização e melhor compreensão do material a ser analisado, as perguntas direcionadas aos entrevistados foram posicionadas nos quadros a seguir, destacando em texto negrito os principais pontos abordados pelos professores entrevistados, para posterior análise dos mesmos.

Quadro 1 – Você conhece o Projeto Primeiro Passe? Quais suas considerações sobre o mesmo?

Professor

“A”

Sim, eu já ouvi falar sobre este projeto, inclusive alguns dos meus alunos participam dele. Parece ser muito interessante para o desenvolvimento da criança, pois trabalha o aluno em vários contextos, além da inserção em uma modalidade esportiva, desenvolver o seu convívio social.

Professor

“B”

Já ouvi falar muitas vezes, principalmente pelos meus alunos. Eles parecem gostar muito de participar desse projeto, é muito importante para a vida deles.

Professor

“C”

Sim, é um projeto do Clube Atlético Juventus com algumas parcerias. Eu trabalho como professor nesse projeto. É muito importante para a criança, e trabalha o aluno em muitas virtudes que vão muito além do futebol, pois se aplicam valores que promovem desenvolvimento do aluno enquanto cidadão, além de alimentar o sonho de muitas dessas crianças que participam do projeto, de ser um jogador de futebol.

Professor

“D”

Particularmente eu não conheço, mas por meio dos meus alunos eu já ouvi eles falarem diversas vezes sobre esse projeto, pois muitos deles estão matriculados nele. Parece ser ótimo, as crianças adoram jogar futebol, e por ser uma iniciativa de um clube de futebol daqui da cidade, eles encaram com maior seriedade, visando até um futuro dentro do esporte. Esses projetos são de grande valor, pois auxiliam no desenvolvimento da criança e do jovem dentro da sociedade, através dos inúmeros valores que o esporte nos ensina.

Na primeira questão, quando os professores foram questionados sobre a existência do Projeto Primeiro Passe, podemos observar que todos os professores têm conhecimento sobre a existência do mesmo, seja por meio dos seus alunos ou de outras formas. Destaco o Professor “C”, que além de ser professor na área da licenciatura, ele trabalha como orientador nesse projeto social, expandindo sua vivência e conhecimento sobre tal.

Os professores “A”, “C” e “D” destacam a importância do projeto para o desenvolvimento da criança e relevância do mesmo no convívio social do aluno. Greco (2001, p.37) nos ajuda a entender melhor a importância dos contextos não escolares para o desenvolvimento do aluno, como no caso, o Projeto Primeiro Passe:

O treinamento com crianças deve ser entendido como uma orientação e controle de desenvolvimento das suas capacidades; de acordo com uma quantidade, variada e criativa, de experiências de movimentos em todas as áreas, sem a especificação do esporte, para qual devem ser preparadas.

O professor “B” faz considerações voltadas ao gosto pessoal dos alunos pelo projeto e respectivamente pelo futebol, enquanto os professores “C” e “D” destacam as virtudes e os valores que o esporte agrega para as crianças e jovens. Para Chaves (2004, p.27) “a Educação Física se encontra em uma árdua tarefa, trabalhando a vivência dos valores e das boas atitudes, por muitas vezes, na contramão da realidade social na qual vivemos”.

Quadro 2 – O Projeto Primeiro Passe possui alguma relação com as suas aulas de Educação Física escolar? Se sim, quais são estas relações?

Professor

“A”

Com certeza. A modalidade esportiva trabalhada nesse projeto é o futebol, que está presente constantemente em nossas vidas, em nosso dia-a-dia, e em nossa cultura. Dessa forma, torna-se inevitável não abordar o futebol com maior frequência nas minhas aulas. Os alunos pedem muito para praticar essa modalidade, especialmente esses alunos inseridos nesses projetos, como o Primeiro Passe. Acredito que os conteúdos trabalhados nesses contextos não escolares se aproximam muito dos fundamentos trabalhados na Educação Física Escolar. Então, existem sim muitas relações entre o Projeto Primeiro Passe e as aulas de Educação Física.

Professor

“B”

Acredito que está ligado de diversas maneiras, não apenas como forma de lazer para a criança, ou como conteúdo, mas tanto no Projeto Primeiro Passe, como nas aulas de educação Física escolar, agrega um conhecimento para o aluno, sendo físico, mental ou psicológico.

Professor

“C”

Está ligado sim, em ambos os contextos auxiliam muito no desenvolvimento do aluno. Acredito que a participação do aluno no projeto, o amadurece diante as aulas de Educação Física escolar. Além dos fatores técnicos aplicados no futebol, outras questões precisam ser levadas em consideração, que é a orientação aos hábitos saudáveis, como a disciplina e o respeito aplicados nesse projeto, que reflete diretamente nas aulas de Educação Física aqui na escola.

Professor

“D”

Sem dúvida, esse projeto, como alguns outros também refletem diretamente nas minhas aulas, pois eles trabalham o aluno não apenas fisicamente, mas agrega diversos valores que o esporte, e o futebol, no caso, nos ensina enquanto cidadãos. São foras diferentes de doutrina, mas que trabalham sempre visando a evolução do aluno.

Nesta segunda questão abordada com os professores entrevistados, levanto as possíveis relações entre o projeto social citado e as aulas de Educação Física escolar. Todos eles afirmam que o projeto está ligado sim às suas aulas de Educação Física escolar O professor “A” destaca que o futebol faz parte do nosso convívio cultural, aumentando assim a vivência do aluno com o esporte. O mesmo ainda destaca que os conteúdos trabalhados nesse ou em outros projetos, se aproximam muito dos princípios e fundamentos por ele trabalhados na escola. O professor “C” abre espaço para abordar sobre a orientação da prática de hábitos saudáveis, como a disciplina e o respeito. Já os professores “B” e “D” enfatizam que o projeto agrega conhecimento e valores na evolução do aluno dentro da escola.

Através de Morcillo Losa y Moreno del Castillo (2003, p.74), conseguimos entender as principais características de um ensinamento de uma escolinha de futebol, podendo assim entender as características que podem ser refletidas aos alunos dentro da Educação Física escolar:

  • Situação complexa de aprendizagem, similar aos jogos;

  • A criança participa individualmente na construção do jogo coletivo;

  • Pode-se ensinar e treinar de forma relativa aspectos abandonados em uma estratégia analítica;

  • A correção se realiza no jogo com a vantagem compreensiva que ele supõe;

  • Maior aproveitamento do tempo ao diminuir o tempo de dedicação exclusiva no treinamento de aspectos físicos ou técnicas por separado;

  • Motivação – condição importante no jogo real se observa na realização dos jogos, ou quando se consegue evitar o gol, etc.

  • E, sobretudo, possibilidade de aprender entendendo o jogo. Saber oferecer uma boa e correta ajuda ao companheiro, seja no ataque ou na defesa, vai ser tão relevante para o jogo como um passe executado adequadamente.

Com as respostas colhidas através das entrevistas, com o auxílio das colocações acima citadas, podemos afirmar que o Projeto Primeiro Passe tem um impacto direto nas aulas de Educação Física escolar. Segundo os professores entrevistados, os reflexos são positivos e auxiliam o aluno no desencadeamento das atividades por ele propostas, além de lhes proporcionar uma vivência dentro do esporte, que agrega uma série de valores.

Esses reflexos envolvem desde questões técnicas, sociais ou psicológicas. Os professores entrevistados citaram como exemplo os fundamentos do futebol, os alunos participantes do projeto mostram maior facilidade para absorver o conteúdo e uma melhora na coordenação motora para realizar os movimentos na parte prática.

Outros reflexos podem ser citados, como relações sociais, interpessoais entre os alunos e fatores psicológicos que acabam se resultando do convívio com os seus colegas fora do contexto escolar, no caso, o Projeto Primeiro Passe.

Quadro 3 – Como você avalia as relações interpessoais entre os alunos participantes e não participantes desse projeto em suas aulas de Educação Física escolar?

Professor

“A”

Eu acredito que esses alunos que participam do Projeto Primeiro Passe, sentem um ar de superioridade diante o resto da turma quando se trata de futebol, pois esses trabalhos realizados fora da escola agregam muito valor e conhecimento, que são refletidos nas aulas de Educação Física. Além de um Projeto Social, esses alunos encaram esse Projeto Primeiro Passe como uma espécie de divisão de base de um clube de futebol, se aproximando muito do sonho de muitos deles, de se tornar um jogador de futebol. Tendo isso em vista, procuro ministrar minhas aulas com um cuidado especial, deixando em segundo plano as questões técnicas e táticas que o futebol desenvolve, dando maior ênfase e salientando sempre os valores que o esporte nos traz nesse processo de ensino-aprendizagem.

Professor

“B”

Percebe-se que eles criam uns grupinhos entre os alunos que participam do projeto, principalmente quando o tema da aula é futebol. Eles se sentem mais confortáveis que o restante da turma, participando mais das aulas. Muito se deve em razão do conhecimento absorvido desse projeto, ou de outras experiências envolvendo o futebol fora do contexto escolar.

Professor

“C”

Eu procuro trabalhar essa questão ao meu favor, dando crédito para eles, conquistando assim a confiança dos alunos nas minhas aulas. Dessa forma, eles me auxiliam no trabalho dos fundamentos, das táticas, e na prática do jogo também, auxiliando os demais alunos que possuem mais dificuldade no encaminhando das atividades propostas.

Professor

“D”

Eu não vejo isso como um empecilho dentro das minhas aulas. Eles formam alguns grupinhos, formados por esses alunos participantes desse projeto e procuram sempre realizar as atividades propostas entre eles, porém, quando seus colegas possuem dificuldade, eles procuram sempre auxiliar.

Quando falamos em relações interpessoais entre os alunos, podemos chegar a dois pontos através das entrevistas obtidas;

Numa primeira situação, os professores “B” e “D” destacam que os alunos que participam do Projeto Primeiro Passe se sentem diferenciados do restante da turma. Esses alunos criam seus grupos e procuram realizar as atividades propostas entre eles, dificultando a relação social e o aprendizado coletivo do restante da turma.

Por outro lado, os professores “A” e “C” destacam que as relações sociais entre os alunos participantes e não participantes agregam valor em suas aulas. Os alunos que participam do projeto geralmente possuem mais facilidade ao desenvolver as atividades propostas pelo professor, dessa maneira, cabe ao profissional conscientizá-los do objetivo da prática do desporto, dessa maneira, os alunos mais avançados auxiliam seus colegas que possuem maior dificuldade, fazendo assim que as aulas sejam mais produtivas e a produção de conhecimento seja melhor aproveitada.

Educação Física escolar tem um papel fundamental na relação social dos alunos. Muitas vezes, as relações interpessoais entre os alunos torna-se um empecilho no desencadeamento das atividades propostas, principalmente na prática. Bracht (1992, p.74) mostra que “a escola é uma das instituições que promove tal socialização. Portanto, o fenômeno da socialização ou a aprendizagem do social também ocorre nas aulas de Educação Física”.

Nesse momento, torna-se fundamental a essência do professor, além como mediador de conhecimento, mas também como responsável pelas relações sociais dos seus alunos na sala de aula. Para Krüger e Krug (2008), a aprendizagem interpessoal é a consequência das relações criadas em um ambiente com outros sujeitos através da manifestação da linguagem. Quando melhor for o ambiente, melhor será a absorção do conhecimento doutrinada pelo professor. Krüger e Krug (2008, p.72) destaca ainda a importância do professor como mediador nas relações sociais professor-aluno e aluno-aluno:

O papel dor professor supõe não só a relação entre professor e aluno, mas as relações sociais como um todo, ou seja, aprendemos mediados pelo meio e com os sujeitos sócio-culturais de nossa convivência. Nesse sentido, a aprendizagem com os amigos, familiares, demais colegas, alunos, com a própria instituição, em locais de lazer ou em reuniões familiares, em comissões ou em equipes de trabalho, envolve aspectos pessoal e profissional, que se manifestam a partir das relações intrapessoais.

Quadro 4 - Você considera que a participação destes alunos no Projeto Primeiro Passe influencia no processo ensino-aprendizagem trabalhado no contexto escolar?

Professor

“A”

Sim, não só esse projeto, mas as demais modalidades esportivas que eles praticam auxiliam no desenvolvimento dos alunos dentro das aulas. Se refletem em muitos aspectos, sendo desenvolvidas questões físicas e mentais, além de preparar o aluno como ser humano, proporciona uma oportunidade dentro do esporte. Todos esses fatores estão diretamente ligados ao processo de ensino-aprendizagem nas aulas de Educação Física escolar, trabalhado valências e valores, visando sempre o desenvolvimento do aluno.

Professor

“B”

Sim, pois acredito que muitas das atividades desenvolvidas nesse projeto são trabalhadas nas aulas de Educação Física escolar. Isso auxilia o aluno no processo de ensino-aprendizagem dentro da escola, facilitando seu desempenho durante as aulas.

Professor

“C”

Sim, inclusive, esse projeto possui um acompanhamento do rendimento escolar de cada aluno, monitorando suas notas e frequência. Além disso, afeta diretamente o rendimento do aluno dentro do processo de ensino aprendizagem nas aulas de educação Física escolar, aprimorando suas capacidades físicas, técnicas e mentais dentro do esporte, e no caso, o futebol.

Professor

“D”

Sim, posso abordar essa questão de duas maneiras. Num primeiro ponto, tanto esse projeto citado, como outros administrados pela fundação municipal de esportes, criam uma certa resistência nesses alunos que participam nesses contextos não escolares. Dessa forma, os alunos se tornam menos propícios as dinâmicas e metodologias propostas em minhas aulas dentro da escola, ou seja, esses alunos procuram e me cobram para trabalhar essas modalidades por eles trabalhadas fora da escola com maior frequência, pois eles se sentem mais seguros, mais aptos e lhes proporciona maior diversão. Por outro lado, essa inclusão das crianças e dos jovens nesses projetos sociais, como caso do Projeto Primeiro Passe, auxiliam muito o rendimento do aluno dentro da escola, abordando valores como a formação enquanto cidadão e a prática de hábitos saudáveis.

Nesta questão, se destaca o processo de ensino-aprendizagem. Segundo os professores entrevistados, considera-se que as ações praticadas no Projeto Primeiro Passe influenciam no processo de ensino e aprendizagem dentro da escola. Esse processo de aprendizado vai além do futebol como esporte, ou das questões técnicas e táticas, Scaglia (1999, p.41) acredita que o que deve ser ensinado vai além do jogo em si:

Deve-se proporcionar ao atleta a aquisição de hábitos e condutas motoras e o entendimento do futebol como um fator cultural, criando sentimentos de solidariedade, cooperação, autonomia e criatividade, valores éticos, sociais e morais, para que o aluno se torne um agente transformador do seu tempo, preocupado com uma cidadania que lhe permita viver bem, qualquer que seja o caminho do futebol por ele a seguir: o esporte como profissão ou como lazer.

Todos os professores entrevistados afirmam que o Projeto Primeiro Passe auxilia os alunos no desenvolvimento e no seu rendimento dentro da Educação Física escolar.

O professor “A” destaca as questões físicas e mentais, o mesmo ainda fala do trabalho no desenvolvimento do aluno como ser humano. Essas questões abordadas pelo entrevistado são dois pilares do papel da Educação Física escolar. Arroyo (2000) destaca que a Educação Física escolar tem como papel “auxiliar na formação biopsicossocial de todos aqueles que estiverem envolvidos na relação ensino-aprendizagem” a autor ainda destaca a importância sobre os alunos, que “é através da escola que pode ser possibilitada as mais diversas informações e relações sociais”.

O professor “C” destaca uma questão muito importante, sobre o acompanhamento do Projeto Primeiro Passe no rendimento escolar dos seus alunos. Utiliza-se como uma ótima estratégia adotada pelo Projeto Primeiro Passe, como forma motivacional para os alunos estudarem e buscar sempre melhorar seu rendimento dentro da escola. Scalon (2004, p.44) afirma que “crianças motivadas intrinsecamente têm probabilidade de ser mais persistente, apresentar níveis de empenho mais alto e realizarem mais tarefas do que as que requerem reforços externos”.

Um ponto a ser destacado, é uma colocação feita pelo professor entrevistado “D”, na qual ele abre espaço para falar sobre a resistência de alguns desses alunos que participam do projeto, em relação à diversidade de conteúdos trabalhados na Educação Física escolar. Esses alunos tornam menos propícios as dinâmicas e metodologias propostas pelo professor, buscando na maioria das aulas praticar o esporte na qual eles mais se identificam, no caso, o futebol.

Quadro 5 - De forma geral, como você avalia os elementos de desenvolvimento ligados as dimensões do conteúdo nos alunos participantes do Projeto Primeiro Passe?

Professor

“A”

Esses alunos que participam desse Projeto Primeiro Passe tem a oportunidade de aprimorar seus conhecimentos e desenvolver suas condições técnicas e mentais dentro desse contexto. Todas essas experiências, aliadas ao complexo pedagógico envolvido na escola, são perfeitamente trabalhadas em conjunto, visando o crescimento do aluno. Essas dimensões de conteúdos que são aplicadas no Projeto Primeiro Passe facilitam o desenvolvimento do aluno dentro das aulas de educações Física Escolar, moldando sua evolução e refletindo no processo de ensino-aprendizagem, através dos valores que o esporte nos ensina, independente do contexto, seja dentro ou fora da escola.

Professor

“B”

É muito claro identificar esses elementos e o crescimento de suas potências no processo de educação do aluno. Pode-se observar a melhora no desempenho desses alunos que estão inseridos no Projeto Primeiro Passe, tanto nas questões práticas, como teóricas. O processo de ensino-aprendizagem acerca todo um procedimento ligado às dimensões de conteúdo, a forma que ele é trabalhado e convertido em conhecimento e experiencia para os alunos. Projetos sociais, escolas de futebol ou outras modalidades, dentre outros campos de aprendizagem, auxiliam o aluno nesse processo de desenvolvimento, refletindo diretamente no rendimento escolar, lapidando o aluno dentro dos princípios que envolvem o seu desenvolvimento.

Professor

“C”

A Educação Física nos ensina uma série de valores que vão muito além de simplesmente praticar esporte. Muitas vezes, esses valores são imperceptíveis para o aluno, pode ser enquanto pratica um esporte na rua com seus amigos, no Projeto Primeiro Passe com sua turma ou na escola, nas aulas de Educação Física. Indiferente do local ou do objetivo, em todas elas o aluno é envolvido numa dinâmica que o acerca de experiências que refletirão em toda a sua jornada. O esporte nos proporciona isso, ele nos ensina a viver em sociedade, desenvolve questões técnicas, motoras e nos educa na prática de hábitos saudáveis. O Projeto Primeiro Passe, assim como os demais programas que os alunos participam fora do eixo escolar, agrega muito conhecimento, que, aliado à pedagogia escolar, tem como finalidade a preparação social e profissional dos nossos alunos.

Professor

“D”

Desde que iniciaram a trabalhar comigo nas aulas de Educação Física Escolar, eu percebi uma grande evolução na participação das aulas e também no desencadeamento dos fundamentos. Eu realizo em minhas aulas de Educação Física Escolar aulas práticas bem dinâmicas, como passes, dribles, finalizações e questões defensivas. Pode-se observar uma significante melhora da parte desses alunos na prática dessas atividades. Essa evolução muito se deve a inserção do aluno dentro de programas e projetos que utilizam o esporte como uma ferramenta de educação, e não apenas como desporto. Pode-se avaliar assim, muito positivamente a execução desses projetos e os seus reflexos nos alunos dentro das minhas aulas de Educação Física Escolar.

Por fim, os professores destacaram uma melhora no desempenho dos alunos que participam do Projeto Primeiro Passe dentro das suas aulas de Educação Física escolar, o Professor “A” ainda abrange que as questões técnicas e mentais trabalhadas no projeto, aliadas ao complexo pedagógico, trabalham em conjunto no desenvolvimento do aluno.

O professor “C” destaca que o esporte independentemente de onde ele é trabalhado, seja dentro ou fora da escola, é uma oportunidade ímpar absorver valores que vão muito além do que a prática em si aplica, o mesmo ainda aborda sobre a importância do Projeto Primeiro Passe e da Educação Física escolar no aprendizado do aluno, nos hábitos saudáveis e na vivência em sociedade.

Para ajudar a explicar essa situação, (DARIDO, 2004, p.44) afirma que “a Educação Física, de forma geral e as escolas de futebol particularmente e principalmente inseridas em projetos, têm um papel que ultrapassa o ensinar esporte”. A mesma autora destaca ainda as dimensões de conteúdo aplicadas na Educação Física:

A Educação Física promove conhecimentos sobre o próprio corpo para todos, em seus fundamentos e técnicas (dimensão procedimental), e inclui também seus valores subjacentes: atitudes que os alunos devem ter atividades corporais (dimensão atitudinal); e, finalmente, o direito do aluno saber por que está realizando este ou aquele movimento, isto é, quais conceitos estão ligados àqueles procedimentos (dimensão conceitual).

O professor “D” destaca uma melhora na participação dos alunos em suas aulas, devido ao incentivo à prática de atividades físicas, como no Projeto Primeiro Passe. O mesmo ainda avalia positivamente às ações do projeto e consequentemente, as ações que ele reflete em suas aulas dentro da escola.

6. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Para finalizar essa ideia de relações, reflexos e impactos de contextos não escolares dentro da Educação Física escolar, Freire (2000, p.58) destaca que “o futebol ensinado na escola regular ou na escola específica, deve contribuir para que a pessoa que o aprenda usufrua dele na sua vida cotidiana.”. O autor ainda explica que:

No ambiente escolar, a pedagogia do esporte se volta não para a formação de atletas de performance, mas para que o futebol seja vivenciado e trabalhado de forma que todos possam ter acesso às habilidades e gestos motores de acordo com o seu desenvolvimento biológico, psicológico e social dentre outros conhecimentos, por exemplo, os conteúdos atitudinais e conceituais.

O futebol vive uma crescente muito grande. Tomo a liberdade de afirmar nossa cultura é pobre em diversidade esportiva, isso torna ainda mais popular esse esporte que vivenciamos desde nossa infância. A questão levantada nessa pesquisa vai além da prática do futebol como esporte, mas a maneira que a prática dele fora da escola interfere no desenvolvimento do aluno dentro das aulas de Educação Física escolar. Foram levantadas questões de diversas maneiras e analisadas quão impactantes são para a evolução do aluno dentro da escola, e, respectivamente como cidadão.

A escola tem um papel único na evolução do aluno, independente se o mesmo participa ou não de atividades extra escolares. Voser e Giusti (2002, p.63) destacam que “o esporte praticado na escola é de grande importância para o desenvolvimento integral da criança, desde que sejam respeitadas as individualidades dos praticantes”.

Após as entrevistas com os professores e a análise do material coletado, pode-se afirmar que as ações do Projeto Primeiro Passe possuem um impacto direto dentro da escola. Esses impactos foram avaliados de diversas maneiras na análise do material pesquisado, os professores abordaram por diversas vezes alguns pontos na qual possuem maior reflexo nas suas aulas dentro da escola. Para melhor reflexão na conclusão dessa pesquisa, os pontos serão separados em impactos positivos e impactos negativos.

Impactos positivos das ações do Projeto Primeiro Passe nas aulas de Educação Física escolar: Melhora nos fundamentos técnicos e táticos; Evolução nas relações interpessoais entre os alunos participantes; Prática de hábitos saudáveis; Desenvolvimento do aluno enquanto cidadão; Desenvolvimento das habilidades motoras; Auxilio dos alunos participantes com os colegas de maior dificuldade; Melhora no desempenho físico, mental e psicológico; Oportunidade da inserção do aluno dentro do esporte.

Impactos negativos das ações do Projeto Primeiro Passe nas aulas de Educação Física escolar: Resistência às dinâmicas de atividades práticas; Criação de pequenos grupos entre os alunos participantes, criando dificuldade nas relações interpessoais com seus colegas; Resistência na diversidade dos conteúdos trabalhados;

Por fim, destaca-se a importância de ambos os contextos (escolares e não escolares) no quadro evolucional do aluno. Cada setor possui suas particularidades, porém, com objetivos semelhantes. O desencadeamento desta pesquisa foi descobrir quais eram os reflexos que as atividades realizadas fora da escola, no caso, o Projeto Social Primeiro Passe, impactam dentro da escola. Pode-se concluir então que em sua grande maioria, os reflexos podem ser considerados positivos, auxiliando o aluno no seu desempenho como um todo dentro da Educação Física escolar.

7. REFERÊNCIAS

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SCAGLIA, A.J. O futebol que se aprende e o futebol que se ensina. 1999. 169f. Dissertação (Mestrado)- Faculdade de Educação Física- Unicamp, Campinas, 1999.

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VOSER, R. C.; GIUSTI, J.G. O futsal e a escola: uma perspectiva pedagógica. Porto Alegre: Artmed, 2002.

8. ANEXOS

8.1 ANEXO I

ROTEIRO DE ENTREVISTA

1) Você conhece o Projeto Primeiro Passe? O que teria para falar sobre este?

2) Quantos dos seus alunos participam deste Projeto? Qual a idade e gênero?

3) Este Projeto tem relação com suas aulas de EF? Se sim quais são estas relações?

4) Como você avalia as relações interpessoais entre os alunos participantes e não participantes do Projeto Primeiro Passe em aulas de Educação Física escolar?

5) Você considera que a participação destes alunos do projeto influencia no processo ensino aprendizagem trabalhado no contexto da escolar?

6) De forma geral, como você avalia os elementos de desenvolvimento ligados as dimensões do conteúdo (procedimental, atitudinal e conceitual) nos alunos participantes do Projeto Primeiro Passe?

9. APÊNDICES

9.1 APÊNDICE I

UNIVERSIDADE COMUNITÁRIA DA REGIÃO DE CHAPECÓ
COMITÊ
DE ÉTICA EM PESQUISA ENVOLVENDO SERES HUMANOS
ÁREA DE CIÊNCIAS DA SAÚDE
CURSO DE EDUCAÇÃO FÍSICA

TERMO DE CONSENTIMENTO PARA USO DE IMAGEM E VOZ

Título da pesquisa: O IMPACTO DAS AÇÕES DO PROJETO SOCIAL “PRIMEIRO PASSE” DO MUNICÍPIO DE SEARA – SC NAS AULAS DE EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR.

Pesquisador responsável: Luan Paulo Sordi.
Professor orientador: Jaqueline Reni Loss.

Eu, __________________________________________________________________permito que o pesquisador relacionado acima obtenha fotografia, filmagem ou gravação de voz de minha pessoa para fins de pesquisa científica/ educacional.

Concordo que o material e as informações obtidas relacionadas a minha pessoa possam ser publicados em aulas, congressos, eventos científicos, palestras ou periódicos científicos. Porém, minha pessoa não deve ser identificada, tanto quanto possível, por nome ou qualquer outra forma.

As fotografias, vídeos e gravações ficarão sob a propriedade do grupo de pesquisadores pertinentes ao estudo e sob sua guarda.

Assinatura do Sujeito de Pesquisa:

_______________________________________________________________
 

9.2 APÊNDICE II

UNIVERSIDADE COMUNITÁRIA DA REGIÃO DE CHAPECÓ
COMITÊ
DE ÉTICA EM PESQUISA ENVOLVENDO SERES HUMANOS
ÁREA DE CIÊNCIAS DA SAÚDE
CURSO DE EDUCAÇÃO FÍSICA

TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO

Você está sendo convidado(a) para participar como voluntário em uma pesquisa. Após ser esclarecido (a) sobre as informações a seguir, no caso de aceitar fazer parte do estudo, assine no final deste documento, que está em duas vias. Uma delas é sua e outra é do pesquisador.

Título da pesquisa: O IMPACTO DAS AÇÕES DO PROJETO SOCIAL “PRIMEIRO PASSE” DO MUNICÍPIO DE SEARA – SC NAS AULAS DE EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR.

Pesquisador responsável: Luan Paulo Sordi.
Professor orientador: Jaqueline Reni Loss.
Telefone para contato: (49) 98851 9301

O Objetivo desta pesquisa é analisar qual o impacto das ações do Projeto Social Primeiro Passe do município de Seara – SC nas aulas de Educação Física escolar.

A sua participação na pesquisa consiste em responder uma entrevista-semiestruturada, sendo gravada para melhor absorção dos dados. O presente projeto que será realizado pelo próprio pesquisador, sem qualquer prejuízo ou constrangimento para o pesquisado. Os procedimentos aplicados por esta pesquisa não põem em risco a sua integridade moral, física, mental ou quaisquer efeitos colaterais. As informações obtidas através da coleta de dados serão utilizadas para alcançar o objetivo acima proposto, e para a composição do relatório de pesquisa, resguardando sempre sua identidade. Caso não queira mais fazer parte da pesquisa, favor entrar em contato pelos telefones acima citados.

Este termo de consentimento livre e esclarecido é feito em duas vias, sendo que uma delas ficará em poder do pesquisador e outra com o sujeito participante da pesquisa. Você poderá retirar o seu consentimento a qualquer momento.
 

CONSENTIMENTO DA PARTICIPAÇÃO DA PESSOA COMO SUJEITO DE PESQUISA

Eu,_______________________________________________,RG________________________CPF_________________________________, abaixo assinado, concordo em participar do estudo como sujeito. Fui devidamente informado e esclarecido pelo pesquisador sobre a pesquisa e, os procedimentos nela envolvidos, bem como os benefícios decorrentes da minha participação. Foi me garantido que posso retirar meu consentimento a qualquer momento.

Local:_________________________________________ Data ____/______/_______.

Assinatura do sujeito de pesquisa:
__________________________________________________
 

9.3 APÊNDICE III


UNIVERSIDADE COMUNITÁRIA DA REGIÃO DE CHAPECÓ- Credenciada pelo Decreto Estadual nº 5.571, de 27 de Agosto de 2002.Av. Senador Attílio Fontana, 591-E Fone (49) 3321.8000 - Cx. P 747 - Bairro Efapi - 89.809-000 - CHAPECÓ – SC

Chapecó, 10 de maio de 2017.

A/C
Secretaria de Desenvolvimento Regional (SDR)
SEARA – SC

O Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), no curso de Educação Física da UNOCHAPECÓ configura-se como mais uma atividade de aprendizagem social, cultural e profissional, ou seja, é elemento constitutivo do processo de formação.
Este trabalho final da graduação, caracteriza-se como uma atividades de leitura de uma realidade, relacionado o aprendido ao longo da graduação com uma determinada população.
Nesse sentido, vimos através deste solicitar a vossa autorização para que o acadêmico LUAN PAULO SORDI possa realizar esta pesquisa junto a escolas da rede Estadual do Município de Seara, com professores de Educação Física habilitados.
O objetivo principal desta pesquisa: Analisar qual o impacto das ações do Projeto Social Primeiro Passe nas aulas de Educação Física escolar em Seara SC.
Desde já, agradecemos vossa disponibilidade em receber e orientar nossos alunos/as estagiários/as.


Atenciosamente,

____________________________________________________
Jaqueline Reni Loss
Orientadora
Contato: (49) 33218361 – jkl@unochapeco.edu.br

9.4 APÊNDICE IV


UNIVERSIDADE COMUNITÁRIA DA REGIÃO DE CHAPECÓ- Credenciada pelo Decreto Estadual nº 5.571, de 27 de Agosto de 2002.Av. Senador Attílio Fontana, 591-E Fone (49) 3321.8000 - Cx. P 747 - Bairro Efapi - 89.809-000 - CHAPECÓ – SC

Chapecó, 10 de maio de 2017.

A/C
Secretaria Municipal da Educação
SEARA – SC

O Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), no curso de Educação Física da UNOCHAPECÓ configura-se como mais uma atividade de aprendizagem social, cultural e profissional, ou seja, é elemento constitutivo do processo de formação.
Este trabalho final da graduação, caracteriza-se como uma atividades de leitura de uma realidade, relacionado o aprendido ao longo da graduação com uma determinada população.
Nesse sentido, vimos através deste solicitar a vossa autorização para que o acadêmico LUAN PAULO SORDI possa realizar esta pesquisa junto a escolas da rede Estadual do Município de Seara, com professores de Educação Física habilitados.
O objetivo principal desta pesquisa: Analisar qual o impacto das ações do Projeto Social Primeiro Passe nas aulas de Educação Física escolar em Seara SC.
Desde já, agradecemos vossa disponibilidade em receber e orientar nossos alunos/as estagiários/as.


Atenciosamente,

____________________________________________________
Jaqueline Reni Loss
Orientadora
Contato: (49) 33218361 – jkl@unochapeco.edu.br


Publicado por: Luan Paulo Sordi

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