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“O CAMINHO DA SUAVIDADE” E SEUS BENEFÍCIOS: UMA LUTA ESPORTE OU CONTEÚDO EDUCACIONAL?

Educação Física

Judô e sua trajetória, Benefícios e filosofia do Judô, Conceito da Educação no Brasil, Filosofia da Educação e Judô na escola.

índice

1. RESUMO

O trabalho apresentado tem o intuito de analisar escolas que possuam o judô, ver se é utilizada a perspectiva esportiva ou filosófica e com este traremos a filosofia em questão como meio de se ensinar não somente o judô e sua história propriamente dita, mas também como incentivo as outras matérias e condutas sociais e no movimento corporal trazendo maior mobilidade, consciência e respeito a si próprio em relação aos seus limites. A educação e o judô unidos podem levar a um caminho mais breve a concepções teóricas e práticas, utilizando uma interdisciplinaridade, mas tudo isso advêm dos profissionais envolvidos, necessitando o comprometimento de todos, pois não somente a filosofia do judô, mas também a filosofia da educação quer transformar o indivíduo em um ser pensante diante das situações vividas no meio e sua realidade de uma forma mais ampliada.

PALAVRAS- CHAVE: Judô, Escola, Filosofia.

2. INTRODUÇÃO

A pesquisa é de caráter qualitativo, e visa à interpretação das ações humanas nas escolas, e a revisão bibliográfica traz a possibilidade de focalizar a realidade e contextualizar na educação.

Enquanto técnica de pesquisa foi utilizada a qualitativa e será utilizado o questionário fechado e entrevista aberta com os diretores, professores, alunos de judô e seus pais, que será em escolas particulares que possuem a prática do judô, existente em Goiânia, visando o universo filosófico do judô nas escolas com intuito de formar seres de caráter, respeito e mais capacitados a encararem os obstáculos da vida e levar aos pais e todo ambiente escolar (diretor, coordenação, professores e etc.) o conceito verdadeiro do Judô.

Discutirão os motivos que levam os alunos à prática do judô, conceitos que possuem e a diferença que os professores veem na educação infantil com a inserção do judô na escola.

O caminho da suavidade não visa somente o desenvolvimento técnico, físico e competitivo, mas uma filosofia de vida que contribui nas relações humanas e processos sociais de desenvolvimento para seguir a vida de uma melhor forma e sempre respeitando o próximo.

Outro ponto a ser analisado, é que por mais que utilizem bons conceitos, como; formação do caráter, no desenvolvimento da autonomia e da responsabilidade, como também o desenvolvimento de uma cultura de solidariedade. Todavia a educação em muitos momentos não surte o esperado efeito por inúmeros motivos, que surgem a cada dia no mundo e assim atingindo o processo educacional.

Diante disso, observa-se que existe certa necessidade de socializar e discutir e uma nova perspectiva no processo educacional infantil, para enfatizar essa construção do caráter; trazer a principal meta do ensinamento da filosofia do judô, o caminho da suavidade, é uma tentativa, que realça os valores humanos e é um ponto a ser analisado e discutido, pois o judô não é apenas esporte ou arma de autodefesa, mas também trouxe a revolução de costumes às escolas com um método próprio que a finalidade não é apenas formar guerreiros, mas cidadãos pacíficos que contribuem para a sociedade e sabem agir com naturalidade diante das dificuldades e facilidades da vida e respeitar o próximo.

Diante disso buscamos compreender se o caminho suave está sendo ensinado como filosofia ou está diluído em outros conceitos como: luta, esporte e exercício físico?

3. CAPITULO l: JUDÔ

3.1 JUDÔ: SUA TRAGETÓRIA

O objetivo deste capítulo é mostrar um pouco da história e filosofia do judô, segundo Stevens (2007), foi criado por Jigoro Kano, que nasceu no dia 28 de outubro de 1860 em Mikage no Japão. Sempre muito aplicado em tudo que fazia nos estudos, sempre o melhor da classe e isso desenvolvia inveja nos colegas que faziam inúmeros trotes e acabava se sentindo indefeso. Segundo Stevens (2007, p.11), Kano era submetido a duros trotes por alunos mais velhos e invejosos, contra os quais se achava indefeso.

Jigoro Kano se sentia intimidado e muito triste por não conseguir se defender e nesse momento ouviu falar do Jujutsu, uma arte marcial que desenvolve força física de maneira suave controlando um forte ataque (STEVENS, 2007, p.15), mas primeiramente buscou fortalecer seu corpo fazendo esportes. Em 1877 iniciou sua jornada pelo novo estilo de Jujutsu, com instrutor Hachinosuke Fukuda que enfatizava atemi (golpes em pontos fracos e anatômicos) (STEVENS, 2007, p. 17).

As diversas bibliografias nos mostram que Kano sempre foi muito curioso e buscava saber ao máximo sobre tudo que fazia, e mesmo após seu instrutor ter falecido, continuou treinando e buscando outros instrutores e assim diversificando seus métodos e descobrindo filosofias e adaptando aos tempos modernos.

Kano se apaixonara pelo Jujutsu e acreditava que ele devia ser preservado como um tesouro cultural japonês [...] acreditava que ele deveria ser adaptado aos tempos modernos [...] percebeu que deveriam ser sistematizados sob a forma do judô Kodokan, uma disciplina da mente e do corpo que promovesse a sabedoria e a vida virtuosa. (STEVENS, 2007, p. 22)

No livro “Três mestres do budo”, o termo judô, que significa “o caminho da suavidade”, já estava em uso há inúmeros séculos, e em textos antigos definia como “caminho que segue o fluxo das coisas” que Kano interpretou como o mais eficiente uso da energia.

A meta final do Judô Kodokan é o aperfeiçoamento do indivíduo por si mesmo, desenvolvendo um espírito que deve buscar a verdade de esforço constante e da sua total abnegação, para contribuir na prosperidade e no bem estar da Raça humana. (HTTP://JUDOTRADICIONALGOSHINJUTSUKAN.BLOGSPOT.COM/2008_10_01_ARCHIVE.HTML, acesso 02-06-2010 as 13:16hr)

Segundo Virgílio, Kano atribuiu inúmeras descobertas feitas, devido há anos de investigação, treino e um pensamento racional da arte e possibilitando um comportamento cordial e aberto, trazendo maior segurança.

O professor Kano fundou o Instituto Kodokan, e além das técnicas para o treinamento competitivo buscou também o cultivo do caráter. Ficou conhecido pelo mundo por seu espírito inovador e automaticamente o judô foi sendo difundido pelo mundo. (VIRGILIO, 1986, p. 45)

Em 1915, segundo site judô Brasil, Kano enviou seus melhores alunos pelo mundo para apresentações da arte do judô e neste ano acima passando pelo Brasil em algumas cidades. O sucesso foi tamanho que a equipe de Kano, se multiplicava cada vez mais. Anos depois, 1922, Mitsuo Maeda regressa ao Brasil e finalmente consegue implantar o Judô no Brasil.

“[...] a partir de seus conhecimentos ocorreram adaptações a luta fazendo com que ela ficasse importante para sua aplicação tanto na sociedade como também no meio escolar." (NOZAKI, p.11, monografia 2008/Eseffego)

Maeda nasceu na Aldeia de Funazawa, Cidade Hirosaki, em 18 de novembro de 1878. Praticava Sumô quando adolescente, mas sentia falta de um ideal para construir este desporto. Então em 1894, aos dezessete anos de idade, seus pais lhe enviaram a Tóquio para que ele se inscrevesse na Waseda University. No ano seguinte entrou para Judô Kodokan, e mais tarde chamado de Conde Koma e medindo 164 centímetros de altura e 64 kg, Jigoro Kano, o enviou à Tsunejiro Tomita (4 º Dan), que era o menor dos professores da Kodokan, para mostrar que, no judô, o tamanho não era importante e anos mais tarde viajara ao Brasil e se tornara o pioneiro do Judo, trazendo sua filosofia.

Foi durante a viagem para Ibérica, que Maeda adotou o nome estádio Conde Koma. Existem muitas teorias explicando sua origem. Poderia ser uma alusão ao Komaru, que em japonês significa "incomodado" . Maeda, certa vez, afirmou a um jornal europeu: "Um influente cidadão espanhol, impressionado com as minhas vitórias, postura e comportamento, [...] me deu esse título, que em breve espalhados por toda parte em detrimento do meu nome verdadeiro [...]”. Maeda gostava do nome, e começou a usá-lo para promover a sua arte, posteriormente. (http://pt.wikipedia.org/wiki/Mitsuyo_Maeda, acesso 02-06-2010 as 14:18hrs)

3.2 BENEFÍCIOS DO JUDÔ

O Judô não é apenas uma luta, mas uma filosofia, um sentido a ser seguido, ele prega a disciplina, a concentração, à passividade, a defesa dos fracos e o equilíbrio entre corpo e alma.

O judô, que na formação dessa palavra tem toda uma essência filosófica, no qual o prefixo “ju” significa suavidade e “dô” o caminho, ou seja, o judô é o caminho da suavidade, do autoconhecimento que contribui para a formação do cidadão. (ARAÚJO, p. 17, monografia 2005/ Ufg)

A mente do judoca, de maneira concentrada e sadia, pode ser sua maior arma contra seus “adversários”, tais como seu próprio controle emocional e até um indivíduo que não conhece esse seguimento e busca apenas provocá-lo. E Jigoro Kano já nos mostra outro sentido, sentido este, repleto de ensinamentos que mediante uma analogia ao Evangelho de Cristo podemos citar, que: "Amar o próximo como a nos mesmos, utilizando nossos dons para servir." (VIRGÍLIO, 1986, p.64)

Acreditamos que todo o ideal e os ensinamentos que nos
deixou o mestre Dr. Jigoro Kano resumem-se nessas duas máximas, as quais encontramos uma analogia nos Evangelhos de Jesus Cristo: Amar ao próximo como a nós mesmos,
utilizando nossos dons para servir. (acesso: 23-11-2010; http://www.scribd.com/doc/35903671/Filosofia-do-Judo)

O judô, falando em luta, estuda as destrezas do corpo, como por exemplo, as leis da gravidade e dinâmica, questões como funcionamento do corpo, reações mentais, emocionais e sentimentais. E um esporte que exige treinamento constante e com precauções e que pode ser praticado por todos inclusive crianças e ambos os sexos, por ser uma filosofia que requer sempre o aperfeiçoamento viu-se que um dos grandes benefícios e o de equilíbrio psicológico, necessário não somente na hora da luta, mas no nosso dia-dia, sendo assim útil a sociedade, definindo a beleza desta como educação. Através do judô pode-se descobrir seu corpo e possibilidades, conhecer novos movimentos e melhorar a coordenação motora e automaticamente ter domínio corporal, autoestima e conseguindo interferir no caráter, pois trabalha em grupo priorizando a integração social e trazendo maior rentabilidade em todas as áreas da vida, características encontradas na filosofia do Judô. A socialização é algo importante e muito visado nos princípios do judô para inserção do indivíduo na sociedade para que possa enfrentar os obstáculos encontrados, com consciência e autocontrole.

A contribuição é grandiosa [...], pois o objetivo não é somente preparação técnica, mas trabalhar de forma pedagógica adaptando sempre ao meio educacional [...]. ”(acesso18/02/2010,http://www.clubederegatas.com.br/v2/publicatin.asp?publicanID=95, s/ autor)

3.3 FILOSOFIA DO JUDÔ

No continente Oriental, a filosofia é algo muito importante, pois é a junção de espírito, corpo e mente, pois nesta região não há diferenças entre um e outro e sim um conjunto, formando assim indivíduos com maior capacidade de conhecer a si próprios e trabalhar em conjunto. Segundo Sugai (2000, p.47), “As artes Zen, como as artes marciais, podem ser de grande valor quando usadas para uma finalidade educacional, pois cada uma delas tem como objetivo descontração física e espiritual que conduz a uma mudança interior, visando sua base principal; princípio da máxima eficácia do corpo e do espírito (“Seiryoku Zen’Yo”); princípio da prosperidade e benefícios mútuos (“Jita Kyoei”); e princípio da suavidade (“Ju”).

O Oriente formou então uma cultura totalmente diferente dos outros continentes e com o estudo de Jigoro Kano, surgiu uma nova visão, onde a educação e disciplina foram ressaltadas, juntamente com a ética e moral.

A verdadeira ética está na responsabilidade, sensibilidade e no espírito do Judoca. A verdadeira filosofia está na amizade, no relacionamento com os amigos, com a família, com os superiores, e com os subordinados. Ela está na humildade, no respeito e no reconhecimento dos limites de cada um (acima de tudo dos nossos próprios limites).Nosso entendimento autêntico dessa filosofia será da medida certa e da forma exata com que olhamos nossos semelhantes. De como vivemos a vida. De como encaramos o próprio mundo (MORANDINI NETO apud ARAÚJO 2005, p.21).

A contribuição do Judô no ocidente é de fato algo notório, pois ensina o indivíduo questões como; dignidade, respeito, autoridade, limite entre outros, porém ainda muito pouco difundido a filosofia, que de fato é a essência para a prática, Sugai cita em seu artigo, Porque é importante o conhecer a Filosofia do Judô, que o ocidente se apega mais ao uso da força, da resistência, deixando em outro plano o caráter filosófico. E Sugai, demonstra através de um exemplo em seu artigo, o quão importante é a consciência da filosofia e prática andarem juntas;

É igual quando encontramos um novo amigo ou um novo amor e descobrimos qualidades que admiramos e que não gostamos, mas que com toda a certeza qualidades e defeitos que tem muito a ver conosco também. Com isso nós dois crescemos e nos transformamos em novas pessoas, pois todo e qualquer encontro na vida é uma revelação - boa ou ruim--, se tivermos consciência disso. Entretanto uma pessoa pode passar anos a fio com outra sem que se possa dizer que ali houve algo que se possa chamar de relação, tal a inconsciência delas. Neste caso não há crescimento e nem transformação, há uma destruição lenta de cada um.

Então é para isto que serve a filosofia. Para que se tenha maior clareza, para um pensar mais objetivo. Para que as subjetividades desse pensar (nossas emoções, sentimentos e intenções) ao serem devidamente consideradas e reveladas não se tornem os nossos empecilhos ocultos e maiores inimigos.

Ela nos ajuda a descobrir e conhecer melhor o mundo que nos cerca para nele atuar de forma eficaz na busca das coisas que tanto almejamos. Com o judô não é diferente e conhecer a sua filosofia é conhecer o seu espírito e tocá-lo na sua essência, é seguir seu Caminho - o Budo. Com toda a certeza o judô que você fizer terá mais beleza e porque será com mais sentimento; será mais gratificante por ser mais alegre, com mais vida e com mais brilho.

Diante do estudo, temos na filosofia do judô princípios, totalizando nove em que são utilizados para evolução e aperfeiçoamento do ser humano, citados por Virgílio(1986):

1. Conhecer-se é dominar-se, dominar-se é triunfar. Principio pelo qual o homem necessita conhecer a si mesmo e utilizar seu potencial e forças para melhorar sua postura mediante o mundo.

2. Quem teme perder já está vencido. Mostra que se estivermos incertos, inseguros, abrimos espaço aos que buscam com mais garra e determinação.

3. Somente aproxima-se da perfeição quem procura com constância, sabedoria e, sobretudo humildade. Somente DEUS é perfeito! O homem sempre deve tentar buscar a perfeição, utilizando constantemente sabedoria, sobretudo a humildade.

4. Quando verificares, com tristeza, que nada sabes, terá feito seu primeiro progresso no aprendizado. Com o passar do tempo e quão mais nos aprofundamos no conhecimento, vemos que pouco se sabe, e que inúmeras vezes de forma contraditória e isso nos fazem reconhecer que ainda temos muito a aprender para a meta final.

5. Nunca se orgulhe de haver vencido um adversário, pois ao que venceste hoje pode lhe derrotar amanhã. A única vitória que perdura é a que se conquista sobre a própria ignorância. O orgulho é a antítese da humildade, tornando arrogantes, soberbos, autossuficientes criando um clima hostil a sua volta. A vitória contra a ignorância também não se deve ser exultada, pois o saber deve ser um instrumento em beneficio de todos e não apenas para si mesmo.

6. O judoca não se aperfeiçoa para lutar, luta para aperfeiçoar-se. O judô não busca a vitória única e exclusivamente, e sim visa um mundo melhor e mais humano e feliz.

7. O judoca é aquele que possui inteligência para compreender aquilo que ensinam e paciência para ensinar o que aprendeu aos seus semelhantes. O judoca deve ser perseverante e humilde, pois nem sempre se possui a facilidade no aprendizado, pode-se haver desistência negando assim ao conhecimento. A humildade e sabedoria são tidas no aprender e para isso temos que estar abertos ao conhecimento e assim facilitando a difusão do conhecimento ao próximo, passando de geração em geração.

8. Saber cada dia um pouco mais, utilizando o saber para o bem. É o caminho do verdadeiro judoca, nas pequenas situações vividas no cotidiano, por sermos dinâmicos e evolutivos, é que aprendemos mais e mais e tornando-nos mais centrados e aptos ao bem, visto ser o princípio mais importante, principalmente ao verdadeiro judoca.

9. Praticar Judô é educar a mente a pensar com velocidade e exatidão, bem como o corpo a obedecer com presteza. O corpo é uma arma cuja eficiência depende da precisão com que se usa a inteligência. Este mostra que quanto mais o tempo passa maior poderá seu conhecimento e essa progressão educa a mente, nos ensina a pensar com velocidade e exatidão, e ensina o corpo a obedecer com precisão.

O autor VIRGILIO (1986) discute em seu livro a importância dos ensinamentos do caminho da suavidade e como isso leva para a sociedade, seres humanos melhores. Trazendo assim a consciência e respeito ao próximo e não somente o esporte ou a luta pela luta, fazendo-os pensarem em suas atitudes. Acima foram mostrados os nove princípios do judô que não é aprendido em apenas um dia ou mês, mas sim de forma progressiva, educando a mente, corpo e, principalmente buscando em sua metodologia de ensino a construção de valores sociais.

4. CAPITULO ll: BREVE CONCEITO DA EDUCAÇÃO NO BRASIL

4.1 CONCEITO

A educação traz virtudes ao ser humano, preparo-os para o convívio dentro da sociedade, como Nérice coloca em seu estudo, a educação nos faz:

*compreender e atuar em determinadas situações
*trabalhar em equipe
*determinar suas próprias metas
*entender a si mesmo e o próximo, e o meio que estão.
*saber o que está fazendo e avaliar as consequências de suas próprias atitudes

Assim o autor desenvolve um novo conceito de educação;

Processo que visa levar o indivíduo a explicitar e a desenvolver as suas qualidades em contato com a realidade, tendo em vista promover o seu desenvolvimento espiritual, a fim de levá-lo a atuar na mesma realidade com conhecimento, eficiência e responsabilidade, para serem atendidas as necessidades pessoais, sociais e transcendentais da criatura humana. (Nérice, I. 1985, p. 10)

O mesmo mostra em sua obra que educação deve-se originar da realidade vivida para uma maior integração, respeito e desenvolvendo conhecimentos, criatividade, fantasia, sensibilidade e afetividade, criando um ser conhecedor do seu próprio “eu” aprimorando o convívio com os outros a sua volta.

O autor faz suas considerações finais dizendo que a educação se dá por meio das necessidades do homem, Nérice cita, as necessidades pessoais, sociais e transcendentais na formação de cidadãos capazes de enxergar e desenvolver aptidões, superar frustrações, confiar em si mesmo, estimular a criatividade, formar uma mentalidade mais adepta ao processo científico, diminuir o egocentrismo e se tornar mais aberto e respeitando à natureza de um modo geral, são estes os tópicos trabalhados por ele em seu livro, “O homem e a Educação”.

No entanto a educação deve–se atentar para o meio que o aluno está e não fugir disso; mostrando valores, costumes, modos de vida, deve fazer com que o aluno se torne mais sociável e respeitando sempre o espaço do colega, não só dentro da sala, mas em toda sociedade. A educação física tem todo o suporte para repassar isso e no aspecto lutas, defendendo que o judô, pode-se trabalhar muitos temas transversais e conscientizar alunos e pais.

Temas estes que abordam, as problemáticas como violência, sexualidade, respeito, fraternidade, fé, (auto) confiança, limite, persistência e etc.

A educação não se realiza de forma neutra e independente. Não se tornam práticas educativas se distantes dos costumes, das classes sociais, da política, de uma ética, de uma estética e, enfim, do contexto existencial mais amplo que as envolvem. ”(MEDINA, João Paulo S.,1983, p. 32)

4.2 FILOSOFIA DA EDUCAÇÃO

Como já estamos observando neste, podemos analisar que tudo na vida tem seus fundamentos e concepções e a educação também. É necessário que busquemos saber o quão importante é a educação.

A educação nada mais é que uma concepção filosófica da prática pedagógica e LUCKESI (1994) mostra que seu papel é de suma importância na formação do indivíduo. Mas voltemos ao nosso amigo da sabedoria, significado dado a palavra Filosofia (filon=amigo e sofia=sabedoria), que constitui um conjunto de conhecimentos a partir do esforço do ser humano em buscar da compreensão.

É natural falar de educação e filosofia, pois as duas são intrínsecas, e conseguem captar valores e levar a sociedade o verdadeiro espírito que a educação pretende com suas reflexões sobre o meio vivido e fazer novas contribuições.

A educação trabalha o desenvolvimento do ser humano e a filosofia faz com que possamos refletir sobre nossas ações dentro da sociedade, mostrando como é importante a caminhada conjunta destes.

Nas relações entre Filosofia e Educação só existem realmente duas opções: ou se pensa e se reflete sobre o que se faz e assim se realiza uma ação educativa consciente; ou não se reflete criticamente e se executa uma ação pedagógica a partir de uma concepção mais ou menos obscura e opaca existente com baixo nível de consciência. (LUCKESI, 1994, p.32)

4.3 A EDUCAÇÃO CORPO E MENTE

Na sociedade é necessário que haja uma maior participação crítica para melhoria do nosso padrão cultural, dando maior importância ao verdadeiro sentido do corpo e nós professores de Educação Física temos uma grande referência marcante à sociedade, mas é nosso dever usar nosso conhecimento para gerar mais conhecimentos, e juntamente com a população, refletirmos sobre o corpo, mente e suas ações de forma ampla, em todas suas dimensões, buscando sempre uma conscientização, de como se pode viver em harmonia e respeito consigo e com o outro, originando uma realidade mais tranquila e com resoluções inteligentes, evitando a práticas indevidas, como a própria agressão em casa, na escola ou na sociedade no geral.

MEDINA (1983, p.12) diz:

O problema do corpo em nossa sociedade tem que ser repensado e esta é uma tarefa urgente dos profissionais de Ed. Física.

Afinal, tudo isso é um longo processo, mas é nosso dever como profissional atentar a sociedade para reflexão, por ser tão moldável de acordo com as mudanças históricas. Exemplo disso, é que quando se fala em educação e buscamos informações, vemos que na época do império se dividia em educação intelectual, moral e física (mente, espírito e corpo) e nos tempos atuais tem caminhado cada vez mais para o corpo como um simples objeto, e o profissional para ser reconhecido é necessário ver o corpo em suas diversas formas, trabalhando para humanizar e isso faz com que nós e o conjunto de pessoas que compõemnosso meio reflita e veja que a teoria e prática andam juntas e são inseparáveis, assim renovaremos o pensamento cultural e despertaremos a consciência crítica e filosófica.

“É bom que se entenda desde já que nós não temos um corpo; antes, nós somos o nosso corpo e é dentro de todas as suas dimensões energéticas, portanto de forma global, que devemos buscar razões para justificar uma expressão legítima do homem, através das manifestações do seu pensamento, do seu sentimento e movimento.” (MEDINA, João Paulo S., 1983, p. 11-12)

O autor Paulo Freire (2000), traz a discussão sobre a importância da educação como meio de formar mentes mais críticas e amplas para o meio vivido e discute que a educação é o meio de diálogo constante com o próximo que é fundamental para as devidas mudanças já citadas e fazendo nosso trabalho sempre em conjunto para haver a troca de conhecimento.

Nutre-se do amor, da humanidade, da esperança, da fé, da confiança. Por isso, só o diálogo se ligam assim, com o amor, com esperança, com fé um no outro, se fazem críticos na busca de algo. Instala-se, então, uma relação de simpatia entre ambos. Só aí há comunicação. (FREIRE, 2000, p. 115)

4.4 JUDO NA ESCOLA: FILOSOFIA FORMADORA DE CIDADÃOS

Segundo o site do Ministério da Educação, o judô com suas contribuições ao ser humano e consequentemente melhorando a sociedade faz com que todos possam parar e pensar sobre e principalmente querer levá-lo a mais ambientes; como escolas, sejam públicas ou particulares.

No entanto o que era para agregar valores, respeito, dignidade, autonomia, a sociedade vem tendo problemas para sua disseminação, tanto em relação a materiais e como ser passada de modo correto e fazendo de sua filosofia uma aliada a educação e formação do indivíduo. De acordo com o MEC, o intuito é fazer com que programas que já existem para escolas públicas e possam ser melhorados e poder investir em materiais e profissionais.

E em escolas particulares poder aumentar os convênios entre academias, institutos, confederações e etc., para aumentar o conhecimento das pessoas em relação a filosofia do judô, mas tudo isso com um só propósito, que é trazer melhorias aos alunos em questões sociais e na própria vida estudantil como disciplina e concentração na meta por melhores resultados no aprendizado como um todo e para isso uniu-se a Confederação Brasileira de Judô para um trabalho conjunto nessa meta.

A idéia é usar o esporte e tudo o que ele traz de bom para o aluno do ponto de vista do aprendizado, disciplina e concentração para melhorar as condições das escolas públicas e universidades (HADDAD FERNANDO, site MEC, ministro da educação)

Na Federação Gaúcha de Judô em conjunto com a classe de professores, criaram um regulamento de judô escolar onde visa à inclusão social, desenvolvimento motor e psicológico, incentivando a prática e, sobretudo, a formação escolar como meta. Trabalho que vem trazendo resultados e podendo ser um exemplo ou mesmo algo para se basear em favor da sociedade escolar, criando novos objetivos e métodos pedagógicos. Isso nos mostra que o Brasil como um todo vem buscando a melhoria no âmbito escolar e como dito acima isso traz melhorias a sociedade.

Nas escolas o Judô é praticado com peculiaridades específicas, reforçando o caráter lúdico, a introdução à etiqueta característica do esporte e o desenvolvimento neuro-psicomotor. (acesso: 01/09/2010; site:www.jrwebtech.com.br/lic/mt134/media/File/Microsoft%20Word%20%20regulamento%20do%20judo%20escolar%20definitivo.pdf)

Projetos pelo Brasil não faltam, porém é necessário que pessoas engajadas pelo bem social estejam lutando e refletindo sobre todas as idéias para inserção de algo que não fique somente entre ofícios e teorias, mas que venham para realizar a diferença e criar novas dimensões no universo escolar dando veracidade ao que o judô de fato quer levar para nossa meio. Essa filosofia deve englobar o ser humano como um todo.

O espírito final do judô, por conseguinte, é de incutir no íntimo do homem o respeito pelos princípios da máxima eficiência, da prosperidade e benefícios mútuos e da suavidade, para poder atingir, individualmente e coletivamente seus estados mais elevados. (acesso 01/09/2010; site:http://www.lnj.org.br/?page_id=5)

Segundo Edson Leonel, professor da Eseffego, mesmo existindo alguns projetos pelo Brasil, a visão ainda se mantém como fator violento e para isso deixar de ser tão marcante precisa-se quebrar alguns conceitos torpes e tratar não somente o judô, mas as lutas em geral de modo transversal, debatendo a ética e moral.

Na escola é necessário ensinar também o controle emocional e autocontrole, pois na luta a criança conhece seu corpo e seus benefícios, aprende a prática, mas também a teoria e inclusive sistemas fisiológicos, articulares, formando uma consciência corporal, respeitando seu limite e do próximo.

Para isso ser repassado de maneira correta, é necessário o trabalho íntegro e claro do professor de judô, agregando esses valores e quebrando paradigmas e empecilhos impostos não somente pela sociedade, mas também por parte da própria direção escolar e assim deixará de ser senso comum e passa a ser fundamental na formação da criança.

Teoria, lúdico e em sequência prática, essa é a maneira de serem quebradas as barreiras existentes na escola, pois na teoria ensina-se a filosofia e para exemplificar usa-se o lúdico de forma pensada; levando em consideração a situação climática, materiais e local, é utilizada a prática para mostrar a criança, a vivência e não a esportivização. Pois não é o que queremos dentro da escola e sim levar a sociedade futuros seres humanos maduros e preparados, assim mostra-se que aprender o conceito antes da prática é necessário e fundamental tanto quanto um professor capacitado, tendo em mente a formação da criança e não a esportivização.

Esportivização se deu após a II Guerra Mundial, esse fenômeno se desenvolveu e foi absorvido pela EF e segundo Bracht (1999), isso fez as concepções educacionais transformarem em pedagogia desportiva mediada por interesses de uma instituiçao que hoje é o CBCE (Colégio Brasileiro de Ciências do Esporte).

Mediante a distorção do esporte dentro da EF, e o discurso pedagógico para ensinar determinadas destrezas, vivênciar momentos na prática tornou-se secundário dando vazão para resultados esportivos, como por exemplo, eficiência, performace. Essa problematização é discutida por Bracht (1999), onde a EF necessita rever seu discurso e basear-se nas ciências humanas e sociais para que não se perca e ceda lugar ao esporte na escola.

O conceito do esporte, tido como amplo, é o próprio andar, caminhar, correr, dançar, brincar entre outros movimentos, onde caracterizamos o conceito racional e de modo crítico. O conceito restrito visa apenas o esporte; treino, competição, rendimento e atleta.

Bracht (1992) apud Kunz (2003, p. 63) refere que:

O esporte aqui analisado no seu sentido social pode ser compreendido de forma exatamente contrária, ou seja, o conceito hegemônico é o restrito e não amplo.

O objetivo da EF e dos esportes se estende ao se movimentar do homem, [...] que tem história e contexto [...] com inerente necessidade de se movimentar (p.67) indicando que o locus escolar não é o momento de se treinar alunos, mas inserir a vivência da prática esportiva como atrativo segundo Kunz (2003). A esportivização então se institui em escola quando o professor visa apenas a “perfeição” dentro do esporte.

O esporte na educação é apenas mais um meio de formação para a cidadania e para o lazer, e não pode se constituir numa reprodução do esporte de rendimento. (TUBINO, 2003, p. 59)

5. CAPITULO lll: DESCRIÇÃO DA PESQUISA DE CAMPO

A dificuldade mais aparente no meio escolar é a questão de material e local para as aulas de Educação Física e quem dirá para a aula de Judô. Mas como vimos nos capítulos anteriores podemos levar o judo de uma forma diversificada e lúdica com o propósito da inserção do cidadão na sociedade, trabalhando a consciência e respeito ao próximo que é um dos principais fundamentos da filosofia descrita.

Cabe ao professor buscar uma forma inovadora ou que seja mais ampla para os alunos e que consiga trazer para o meio vivido e de acordo com a realidade ali contida. A escola não é formadora de atletas e sim local de transformações e ganhos como concentração, habilidades, domínio de suas atitudes, conceitos morais e entre outros, não deixamos o corpo de lado, mas fazemos o ser humano pensar sobre cada movimento de forma mais ampla e envolvendo não somente em si mesmo mas integrando o outro do qual não conseguimos viver sem.

A nossa abordagem nesta pesquisa busca saber se nas escolas que contem o judo, é de forma esportivista, ou é usado como meio de construção do cidadão em suas vastas formas e se a filosofia é utilizada como processo de formação.

5.1 CARACTERÍSTICAS DA PESQUISA

A pesquisa utilizada é qualitativa, devido ao objetivo aqui discutido e em relação à quantidade de escolas que possuem o judo como conceito educacional dentro do projeto escolar e isso nos levaram a querer saber em qual das vertentes do judo as escolas se encaixam.

Lembrando que esse meio é um ambiente transformador e cercado de indivíduos diferentes, cada qual com seu costume e particularidades, mais uma vez entra o professor como difusor da informação de forma que todos esses detalhes sejam respeitados e consiga repassar o conteúdo e integrar o coletivo.

5.2 METODOLOGIA DA PESQUISA DE CAMPO

A metodologia aplicada foi à formulação de um questionário aplicada em oito escolas particulares que teêm o judô. Até o momento da minha pesquisa, não havia nenhuma escola pública, a prática do judô. O questionário é de caráter qualitativo e aplicado ao coordenador da escola ou responsável, professor, alunos e pais dos mesmos.

O intuito deste é descobrir qual vertente usada na escola e se os envolvidos também estão cientes da importância da própria filosofia e como se dá o judô no projeto politico escolar.

5.3 ANÁLISE DA PESQUISA

A pesquisa definiu-se em 8 escolas particulares, sendo que 8 professores, 8 coordenadores, 24 alunos e 24 pais, totalizando 64 questionários. A seguir, temos tabelas com dados coletados a partir de questionários, iniciando pelo mediador que transmite o conhecimento através de suas aulas. O bom professor é aquele que busca formas de propagar e interagir os alunos, para que haja a absorção do conteúdo pelo mesmo.

E para isso é necessário que o mediador continue a produzir, para desenvolver-se a cada dia. Porém, diante dos dados vemos um quesito muito importante, os professores considerados “leigos” têm buscado de uma forma mais eficaz a formação do indivíduo para a sociedade do que os próprios professores formandos ou formados.

Na teoria, diz que o “leigo”, veio para ocupar nosso espaço”, que não tem meios pedagógicos para trabalhar com os alunos, mas tem acontecido de uma forma inversa; enquanto professores com diploma ou formando não tem essa preocupação de forma mais saliente os chamados “leigos” tem tido essa visão.

É necessário assumir uma nova postura diante da teoria e prática, Borges (1998, p. 18-19) para buscar um novo trato com o conhecimento dentro da universidade para que se possa ter maior domínio na intervenção da prática social cotidiana, dentro do que é proposto.

Como vimos na pesquisa, podemos afirmar que é necessário desenvolver o pensamento crítico, a internalização do respeito para com todos, autocontrole emocional, confiança além da flexibilidade, agilidade e força para melhor convívio e resolução de problemas que vierem.

Podemos considerar que as universidade ou faculdades, desde a privada até a pública, necessita rever um modo de contextualizar a realidade junto à prática e aumentar as oportunidades de vivências dentro de escolas, no caso aqui estudado, por ser o local que visa a formação do cidadão e que segue a filosofia de integração, amor ao próximo para uma sociedade melhor e mais humana.

PROFESSORES

N= 8

%

Formados

2

25%

Formandos

3

38%

Judocas

3

38%

Foi observado que todos os professores possuem a faixa preta ou marrom, que são ditas como visualização do conhecimento e prática do professor de judô, passando ainda por momentos intensos de aprendizagem da filosofia determinando sua base para um bom trabalho e ainda há as categorias depois da aquisição da faixa preta que são os DANs, que intitulam o grau de maturidade e colocação no meio da arte marcial; Judô, isso não leva menos que 4 anos lembrando que pode demorar muito mais, e o campo de estudo e prática são intensas, horas que ultrapassam até mesmo o lócus universitário, seria isso o diferencial que encontramos nessa pesquisa?

PROFESSORES

N= 8

 

Faixa (Outras)

%

8

 

100%

 

0

0%

E ainda considerado “leigos” por não possuírem o “canudo”, não seria interessante fazer um projeto para que estes pudessem obter a legitimidade necessária para ganharmos no quesito formação do cidadão e ganho para nossa classe de professores de EF?

Filosofia

 

38%

 

3

COMPETIÇÃO

+

FILOSOFIA

38%

   

3

COMPETIÇÃO

   

25%

2

Observou-se que são poucos os professores que se destinam a prática pela prática de fato e que o grau de instrução não é ruim, pois sabem o que é o judô e seus princípios para a formação do cidadão, porém ainda deparamos com situações onde os alunos se encontram em meio à perda da conscientização crítica, que possam contribuir a toda sociedade e cabe ao professor de judô se conscientizar da utilidade social que seus ensinamentos podem levar ao mundo.

Foi considerada, a formação dos mesmos, e apenas 38% são tidos como “leigos” e o 50% são de universidades públicas, consideradas as “melhores” em todos os âmbitos do aprendizado e apenas 13% vem de instituição privada, totalizando entre formados e formandos, 63%.

Então não se pode dizer que é por falta de conhecimentos pedagógicos, sociais que os mesmos não têm bagagem para a disseminação de uma boa aula com conhecimentos práticos e teóricos.

Outra problematização abordada entre os professores, é a possível divisão do curso em bacharel e licenciatura, questão que Borges(1998) apud Faria Jr.(1998 )p. 37 diz:

[...] A distinção entre formação geral e formação especial (habilitado, bacharel, etc.) não se justifica, pois se trata de formar o educado: o geral e o específico são partes integrantes e indissociáveis da formação pedagógica.

PROFESSORES

N= 8

%

ESTADUAL

1

13%

FEDERAL

3

38%

PRIVADA

1

13%

LEIGOS”

3

38%

Nas escolas foi observado que a maioria dos coordenadores ou diretores, não se preocupa como está sendo passada a arte marcial, judô, não se preocupam se quer em saber de fato o que é e o que contribui para o meio, se levado a sério, o mais importante está sendo, diversificar a EF e trazer atrativos aos alunos.

O judô tem sido um paliativo, grosseiramente dizendo, pois os responsáveis pelas disciplinas estão mais interessados se os alunos melhoraram de alguma forma, seja por meios de troféus, notas ou comportamento.

E como foi visto, a filosofia vai, além disso; traz paz de espírito e serenidade à vida, um ajuda o outro a não querer passar por cima do outro, aprende a correr atrás dos seus objetivos, força de vontade e paciência para aprender e estar sempre melhorando, filosofia de vida; caminho suave; disciplina e companheirismo e ajuda a manter a calma, disciplina, desenvolvimento do ser (físico e cabeça). (Silva e Santos, http://www.efdeportes.com/ Revista Digital - Buenos Aires - Ano 10 - N° 86 - Júlio de 2005).

Cabe aos responsáveis repensar a prática para que possa haver troféus, notas, mas interagindo intrinsecamente com os princípios citados e o mais importante, desenvolver pessoas com senso crítico e possibilitando a vivência com as frustrações e alegrias.

É importante a busca pela informação do que se é ministrado em sua própria escola, assim desempenhando um bom trabalho junto ao professor, pais e alunos.

 

SIM

NÃO

%

2

X

 

25%

6

 

X

75%

Com a pesquisa vimos que a minoria visa apenas a prática por si só, a maioria quer competir, porém agregando a filosofia da arte do Judô ou somente pela filosofia, que traz maior equilíbrio mental, concentração, agilidade, respeito, amor e etc.

Apenas 25%, visam somente à competição;

 

FILOSOFIA

COMPETIÇÃO

+

FILOSOFIA

COMPETIÇÃO

%

6

   

X

25%

7

X

   

29%

11

 

X

 

46%

O resultado dos pais foi considerável, pois a maioria diz que não conhece a fundo, mas através de palestras feitas pelo professor na escola e pelos próprios filhos, puderam ter mais contato não somente visual, mas também de forma teórica, vendo a importância que tem no âmbito escolar para a formação de seus filhos.

PAIS

N = 24

SIM

POUCO

NÃO

%

12

X

   

50%

8

 

X

 

33%

4

   

X

17%

E o dado mais interessante foi que 100% dos pais, professores e coordenadores notaram visivelmente a mudança comportamental dos alunos, melhoria nas notas, no senso crítico e respeito para com o outro.

Pais

24

100%

Professores

8

100%

Coordenadores

8

100%

Os próprios alunos confirmam que melhoraram, não somente na parte física mas como também na parte comportamental e principalmente dentre as outras matérias por conseguirem manter a disciplina e concentração.

6. CONSIDERAÇÕES FINAIS

A pesquisa realizada em sua simplicidade conseguiu constatar que nas escolas que possuem a arte do Judô, em sua maioria, utiliza-se a filosofia como base para a formação do cidadão e que mesmo a maioria dos coordenadores não saberem o que é, constataram a melhoria dos alunos que praticam o judô.

Enquanto os pais tem buscado entender mais sobre a prática e isso tem aumentado o contato pais e filhos, melhorando também o relacionamento entre eles, afirmativas dos próprios pais. A filosofia tem como base, aumentar a fraternidade, consciência crítica e lógica, e também a parte física, como: agilidade, concentração e etc.

Os professores de judô; formados, formandos ou “leigos” reforçaram a constatação de que os alunos que participam desta arte (filosofia) ganha muito em todos os aspectos citados e a melhora são evidentes.

Os alunos citam que o judô contribui para seu fortalecimento muscular, agilidade e flexibilidade, porém notaram que conseguem hoje focar em seus afazeres, cumprir seus deveres, afirmam ter mais atenção com o outro de forma respeitosa e atenciosa entre outras virtudes.

Consideramos então que este é um início de uma pesquisa extensa e significativa para a sociedade, e que é fato a contribuição social e física do judô e que trabalhado em sua forma ampla, pode-se ganhar muito em senso crítico e princípios para a sociedade, evitando assim muitos contratempos, podendo-se idealizar; uma sociedade mais cortês.

A problematização de haver professores de judô que não tem um curso de EF, que teoricamente não teêm a formação didática, é uma questão a ser vista e estudada, pois observamos que os “leigos” possuem sim metodologia e que trabalham com base nos princípios do judô enquanto uns professores de EF não o fazem, seria pela dicotomitização da EF, a separação de licenciatura d bacharel? É um assunto para ser revisto.

7. BIBLIOGRAFIAS

BORGES, Cecília Maria Ferreira. O professor de educação física e a construção do saber. Campinas; SP: Papirus, 1998.

BRACHT, V. Educação Física e Ciência: cenas de um casamento (in) feliz. Ijuí: Ed. Unijugado, 1999. (Coleção Educação Física)

COLETIVO DE AUTORES, Metodologia do Ensino de Educação Física, São Paulo, Cortez, 1992. (Coleção Magistério 2 Grau. Série Formação do professor)

CORDEIRO JUNIOR, Orozimbo. Proposta teórico-metodológica do ensino do judô a partir dos princípios da pedagogia crítico superadora: uma construção possível. Goiânia, 1999. (Monografia de Graduação) – Faculdade de Educação Física, Universidade Federal de Goiás, Goiânia, 1999.

MESQUITA, Huno. JUDÔ E EDUCAÇÃO. O judô ensinado com uma consciência educacional.

KUNZ, Eleonor. Transformação didático-pedagógica do esporte. 5. ed. Ijuí: Editora Unijuí, 2003. (Coleção Educação Física)

FREIRE, PAULO, Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa / Paulo Freire. – São Paulo: Paz e Terra, 1996. – (Coleção Leitura )

GHIRALDELLI JÚNIOR, Paulo, História da Educação. São Paulo. Cortez, 1992. (Coleção Magistério 2 Grau. Série Formação do professor).

SUGAI LUCIA, VERA, O caminho do Guerreiro, São Paulo, 2000, vol. 1.

LUCKESI, C. C, Filosofia da Educação. São Paulo. Cortez, 1994. (Coleção Magistério 2 Grau. Série Formação do professor)

MEDINA, JPS. A Educação física cuida do corpo... e “mente”.8. Ed.Campinas: Ed. Papirus; 1990.

MORANDINI NETO, Adolfo. Apostila de Graduação. São Paulo, 2003. Disponível em: http://www.ligadejudo.com.br/graduacaoAPOSTILA.html. Acesso em: 15 jun 2005.

NÉRICE, Imídeo, O homem e a Educação. São Paulo. Ed. Atlas, 1976.

OTOSHI, C. Dicionário de ArtesMarciais e Judô para crianças. Porto Alegre, RS, 1986.

PILETTI, CLAUDIO; NELSON. Filosofia e História da Educação. São Paulo, Ática, 1988.

ROCHA, E.L, Histórico e Princípios Filosóficos do Judô. Goiânia, UEG, 2008.

SEVERINO, ROQUE ENRIQUE, O espírito das artes marciais, São Paulo, Ícone, 1988.

STEVENS, J. Três Mestres do Budo. Ed. Cultrix, 2007.

TOO, H.T. Judô, O caminho da suave. São Paulo, 1992.

VIRGÍLIO, S. A arte do judô. Campinas: Papirus, 1986.

8. REFERÊNCIAS

http://www.lnj.org.br/?page_id=5 acesso em 10:00 01-09-2010

http://www.judogoias.com.br/ acesso em 10:00 01-09-2010

http://www.judors.com.br/links-de-judo/ acesso em 10:00 01-09-2010

http://www.cluberegatas.com.br/v2/publication.asp?publicationID=95 acesso em 8:00 25-08-2010

http://www.portaldojudo.com/?p=1518 acesso em 10:00 01-09-2010

http://www.educacaofisica.com.br/colunas_mostra_artigo.asp?id=490 acesso em 10:00 01-09-2010

http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&task=view&id=7706 acesso em 10:00 01-09-2010

http://www.pedagogiaemfoco.pro.br/heb01.htm acesso em 17:23 16-10-2010

http://www.fpj.com.br/artigos/artigos.php?id=porque_e_importante_o_conhecer_a.htm acesso em 23-11-2010

9. ANEXOS

QUESTIONÁRIOS

  • COORDENADOR

  1. De acordo com o PPP, como o judô s encaixa como conteúdo?
  2. A escola trabalha a filosofia do judô como formador de cidadãos?
  3. O judô trouxe benefícios aos alunos dentro da escola?
  • PROFESSOR

  1. Qual a sua formação no meio escolar/universitário e no judô?
  2. Qual a vertente usada para suas aulas de judô?
  3. Nas aulas, você utiliza a filosofia do judô como algo importante na formação do cidadão?
  4. Na sua visão, o judô trouxe benefícios aos alunos dentro da escola? Quais?
  • ALUNOS

  1. O que é o judô na sua visão?
  2. Quais benefícios o judô trouxe à sua vida escolar e em geral?
  3. O professor trabalha a filosofia do judô com vocês?
  4. Você pode sugerir algo para melhorar ou diversificar a aula de judô?
  • PAIS

  1. O que é o judô na sua visão?
  2. O professor tem contato direto com senhores pais para explicar e mostrar a filosofia a vocês ou através de seus filhos?
  3. Seu filho mudou após o início do judô? Explique:

Publicado por: Eresa Juliane Alves

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