Topo
pesquisar

A VISÃO DOS DOCENTES DA REDE ESTADUAL DE ENSINO FUNDAMENTAL DO MUNICÍPIO DE TOBIAS BARRETO (SE) SOBRE O PAPEL DA EDUCAÇÃO FÍSICA NO ENSINO FUNDAMENTAL II

Educação Física

Importância do papel da Educação Física no contexto escolar estabelecida pelos docentes, visão dos professores sobre a função da disciplina no contexto escolar e a visão de todos os professores comparada com as dos profissionais de Educação Física.

índice

1. RESUMO

Sabe-se que a Educação Física sofreu muitas influências ao longo dos anos, e todas elas se repercutem mesmo que minimamente, até os dias de hoje. No decorrer da graduação encontramos diversas obras na literatura científica sobre a Educação Física escolar, especificamente sobre alguns equívocos, estereótipos, preconceitos ou concepções errôneas frente à disciplina. Essas leituras, e algumas vivências durante os estágios, provocaram o surgimento desse trabalho, e o título do mesmo. Dessa forma, surgiu o interesse de identificar como os professores com e sem formação na área de Educação Física que atuam nas escolas estaduais do município de Tobias Barreto-SE avaliam essa disciplina. O objetivo geral desse estudo foi identificar a visão dos docentes da rede estadual de ensino no município de Tobias Barreto- SE sobre o papel da Educação Física no ensino fundamental, para isso procuramos compreender qual a importância do papel da Educação Física no contexto escolar estabelecida pelos docentes, em seguida verificamos a visão dos professores sobre a função da disciplina no contexto escolar e por fim averiguamos as respostas de todos os professores e comparamos com as dos profissionais de Educação Física. Esse trabalho trata-se de uma pesquisa qualitativa, descritiva de campo, com uso do método comparativo. A população foram todos os professores da rede estadual de ensino fundamental da cidade de Tobias Barreto (SE), porém existiu alguns critérios de exclusão, e a amostra contou com a participação de 15 professores de diferentes disciplinas. A coleta de informações aconteceu em vários dias, o instrumento de pesquisa foi uma entrevista semiestruturada com aplicação de um questionário com perguntas abertas. Dessa forma, vale ressaltar que os resultados da pesquisa foram diversificados, encontramos respostas positivas, tais como a compreensão da cientificidade da Educação Física ou sua inserção desde a educação infantil; por outro lado, os resultados negativos estão no predomínio das atividades procedimentais, e em concepções antigas sobre o significado da Educação Física escolar. Compreende-se que os modelos biologicista e esportivista da Educação Física ainda estão presentes no cotidiano escolar e estão identificando essa disciplina na visão de muitos professores sem formação na área. Entretanto, vale salientar que os professores de Educação Física participantes desse estudo demonstraram um profundo saber conceitual acerca dos conteúdos, das abordagens e dos objetivos da disciplina.

PALAVRAS-CHAVE: Educação Física escolar; Estereótipo; Professor.

ABSTRACT

It is known that Physical Education has suffered many influences over the years, and all of them reverberate even minimally nowadays. During graduation we find several works in the literature about School Physical education, specifically, about some misapprehensions, stereotypes, or misconceptions against the subject. These readings, and some experiences during the internships led the making of this work, and its title. Thus emerged the interest of identify how teachers who work at public schools in the city of Tobias Barreto – SE, with or without graduation in Physical Education, evaluate the subject. The main objective of the study was to identify the teacher’s view about the role of the Physical Education in elementary school. To achieve this, we look foward to comprehend the importance of Physical Education in the School context according the teachers, then we verified the teacher’s view about the class function, and last, we analised the obtained answers and compared with answers from professionals in Physical Education. The work is a qualitative, descriptive and field research. The comparative method was used in the analysis. The population included all the teachers working at public schools in the city of Tobias Barreto – (SE), however, after the application of some exclusion criteria, the sample counted with 15 teachers from different subject fields. The gathering happened in several days. The research tool was a questionaire with open questions. Thus, it is worthy to emphasize that the research results were diverse. We found positive answers, pointing the understanding of the scientificity of the Physical education, or the importance of its insertion since child education. Nowithstanding, the negative results prevailed in the procedures and conceptions about the meaning of the Physical Education at School. The biological and sports model are still present in the school routine as the main definition of the subject for many teachers without graduation in Physical Education. However, the teacher graduated in Physical Education showed deep knowledge about contents, approaches and objectives of the subject.

KEY-WORDS: School Physical education; Stereotype; Teacher.

2. INTRODUÇÃO

A Educação Física é componente curricular obrigatório que de acordo com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Brasileira (LDB, 1996) § 3º A Educação Física, integrada à proposta pedagógica da escola, é componente curricular obrigatório da educação básica. A Educação Física escolar possibilita ao educando a vivência de atividades que ressaltam a inclusão, a ludicidade, a cooperação, o respeito mútuo, a solidariedade, enfim, potencializa uma gama de valores e atitudes necessários à vida de cada indivíduo.

Na concepção do Coletivo de Autores (1992) a Educação Física escolar tem como objeto de estudo a reflexão sobre a cultura corporal, ou seja, uma análise voltada à contribuição na afirmação dos interesses de classes das camadas populares, desenvolvendo uma reflexão pedagógica sobre valores como: a solidariedade substituindo o individualismo, a cooperação confrontando a disputa, a distribuição em confronto com a apropriação, e sobretudo enfatizando a liberdade de expressão dos movimentos, por exemplo, a emancipação negando a dominação, e a submissão do homem, pelo homem.

Vale salientar que a Educação Física atravessou vários modelos políticos de acordo com o período histórico- social e político. Sobre a Educação Física na escola brasileira, seu surgimento foi a partir do ano de 1946 com a Constituição Brasileira. De acordo com Darido (2015) os ideais da escola nova trouxeram um novo sentido à Educação Física, essa foi tida como um meio de educação, sendo uma educação integral, onde a criança aprenderia através do movimento. Esse momento ficou conhecido como o modelo pedagogicista, porém ainda era notório alguns traços militares. Essa concepção sobre a Educação Física, segundo Darido (2015) explodiu na década de 60, todavia foi combatido com o início da ditadura militar no Brasil.

No auge do seu surgimento no Brasil, a Educação Física tinha por objetivo formar corpos fortes e disciplinados, essa perspectiva é conhecida como Biologicista. Nesse período a Educação Física foi entendida como exclusivamente biológica, o corpo era visto como vários músculos e ossos que deveriam ser educados, que não produzia ou reproduzia cultura (DAOLIO, 2004). Dentro desse contexto evidenciava-se a preocupação dos médicos higienistas em oferecer modelos sanitaristas à população brasileira em decorrência de diversas doenças contagiosas.

Neste momento a Educação Física priorizava a educação de um físico saudável e forte contra as doenças. Além disso, existia na época a preocupação com o desenvolvimento da raça branca, considerada pelos médicos higienistas como uma raça forte e superior, e que deveria ser mantida sua integridade; dentro desse contexto a visão de Ghiraldelli Júnior (1994) a respeito da Educação Física é que ela foi responsável pela formação de homens fortes e saudáveis.

Mais adiante a Educação Física ficou conhecida como uma ciência biologicista, pois serviu de instrumento para educar simplesmente o corpo. A educação do corpo se dava através dos aspectos biológicos. O positivismo também influenciou a Educação Física apregoando que as razões e os acontecimentos que se davam no seio da sociedade eram decorrentes e justificados pelas condições sociais, financeiras e higiênicas (SOARES, 2007). Contrapondo os argumentos positivistas, Le Breton (2007) declara que a corporeidade é matéria de símbolo, ela não é um incidente que o homem deve assumir, e cujas consequências não podem ser alteradas; muito pelo contrário, o corpo é avaliado como objeto de uma construção social e cultural.

O referido modelo biologicista da Educação Física teve final em meados da década de 30 quando surgiram os primeiros traços de uma Educação Física militarista. Até aquele momento a Educação Física era compreendida sob uma visão higienista. Sobre o assunto, na visão de Darido (2015) neste modelo a preocupação central são com os hábitos de higiene e saúde, sempre valorizando o desenvolvimento do físico e da moral a partir do exercício físico.

Como visto, a Educação Física sofreu influência do estado para atender as demandas da construção de uma nova sociedade. Seguiu a mesma trajetória na década de 70, quando com a conquista do mundial, a seleção brasileira de futebol demonstrou ao estado que o esporte poderia ser uma ótima maneira de potencializar o prestígio do país, surgiu então o modelo de Educação Física conhecido como esportivista; a metodologia do estado foi iniciar uma contraposição aos antigos métodos de ginástica tradicional, incluindo o esporte no contexto escolar, já que era uma instituição independente precisava somente adequar-se ao objetivo e às práticas pedagógicas (BRASIL, 2001). O governo ditatorial percebeu que seria necessário a formação de novos atletas dentro da escola, e a Educação Física foi incumbida para tal necessidade. Além de formar atletas na escola, também pensava-se na adestração de corpos fortes e saudáveis dentro do exército, ficando disponíveis para um possível confronto militar.

O modelo de esportivização da Educação Física ficou conhecido como o momento que o esporte adentra a escola, surgindo um questionamento: esporte da escola? Ou, esporte na escola? Essa atitude do governo brasileiro, determinou que naquele momento a Educação Física tinha professores treinadores e alunos atletas.

Por outro lado, no ano de 1980 surgiram os primeiros resultados contra os antigos modelos da Educação Física citados anteriormente; o Brasil não conseguiu ser um competidor da elite mundial, nem multiplicou os adeptos da atividade física, até que surgiram as primeiras críticas aos antigos modelos da Educação Física. Vários estudantes que estavam fazendo mestrados e doutorados no exterior, voltaram e apresentaram suas teorias e críticas aos antigos modelos (DAOLIO, 2004). O professor Valter Bracht participou desse momento chamado revolucionário/ crítico/ progressista da Educação Física, naquele momento foram contestados o papel dessa disciplina na escola, os referencias teóricos voltados às ciências humanas, foi quando a identidade do curso começou a entrar em crise.

Como dito anteriormente, a década de 80 ficou marcada pelo surgimento das primeiras abordagens pedagógicas da Educação Física, esses modelos ou concepções surgem a partir de críticas sobre qual o verdadeiro papel da Educação Física escolar. No decorrer desse trabalho detalharemos cada modelo ou concepção de Educação Física.

Os anos 80 foram caracterizados pela modificação da Educação Física em um viés pedagógico. Com o surgimento das tendências renovadoras, dos debates acadêmicos e das reflexões promovidas por diversos pesquisadores da disciplina, as discussões perpassaram os anos e entraram na década de 90 com bastante propriedade sobre o papel da Educação Física, até os dias de hoje no século XXI, as discussões estão com as portas abertas para uma reflexão também no campo da política educacional.

Este estudo procura responder o seguinte questionamento: Qual a visão dos professores de Educação Física e dos demais componentes curriculares da rede estadual de ensino do município de Tobias Barreto- SE sobre o papel da Educação Física no ensino fundamental? Para tal inquietação, foi estabelecido o objetivo de identificar a visão dos docentes da Educação Física e demais componentes curriculares da rede estadual de ensino do município de Tobias Barreto sobre o papel da Educação Física no ensino fundamental. Dessa forma, procuramos compreender a importância do papel da Educação Física no contexto escolar estabelecida pelos docentes a respeito do papel da Educação Física na escola, em seguida verificamos a visão do corpo docente das escolas da rede estadual de ensino fundamental no município de Tobias Barreto sobre o papel da disciplina e por fim averiguamos as respostas dos professores de Educação Física e dos demais docentes comparando-as.

A justificativa técnica contribui cientificamente na condição de ratificar as discussões frente ao contexto da Educação Física escolar e suas implicações para a prática pedagógica no sentido de demonstrar a percepção dos docentes sobre o papel desse componente curricular na educação básica, enfatizando que servirá de referência para estudos posteriores

A justificativa social seria o fato muito comum que ainda presenciamos nos dias atuais a Educação Física sendo discriminada, e vista com menos importante do que outras áreas como: matemática, português, ciências, química e etc. Dentro das escolas encontra-se uns que costumam dizer que Educação Física não é disciplina, e outros que a apoiam, evidenciando a ideia de atividade física, qualidade de vida, promoção da saúde, e alguns compreendendo que essa disciplina curricular serve apenas para a prática de esportes e atividades físicas.

Cientificamente, sabemos que todos os trabalhos científicos contribuem para divulgação de conhecimento e aprendizagem. Além disso, nenhuma pesquisa foi encontrada sobre o assunto na região, e mais especificamente no município de Tobias Barreto. Dessa forma, a pesquisa acrescentará o que está exposto na literatura acerca do assunto, ou seja, o estudo demonstrará se os professores das escolas estaduais da cidade de Tobias Barreto- SE seguem ou não, uma visão discriminatória/ preconceituosa sobre o significado, o papel e a importância da Educação Física no contexto escolar.

Essa pesquisa trata-se de um estudo qualitativo, descritivo de campo, com uso do método comparativo. A pesquisa qualitativa trata-se de uma atividade da ciência que quer observar a realidade, logo se atenta com os níveis das ciências sociais, as crenças, os valores e outras relações que não podem ser quantificadas. (GIL, 2008). Como instrumento para coleta de informações realizamos uma entrevista com perguntas semiestruturadas, sendo a população de amostra o número de 15 professores.

No capítulo 1 desse estudo, procuramos evidenciar de maneira simplista o processo histórico da Educação Física durante todo o século passado; expomos os modelos vivenciados pela Educação Física até os dias de hoje como: o higienista, militarista, esportivista e tecnicista; apresentamos o surgimento das críticas contra esses modelos. Evidenciamos a promulgação da lei que estabeleceu a obrigatoriedade da Educação Física na educação básica. Apresentamos a importância do nosso tema, sua relevância e a justificativa do mesmo. Descrevemos nosso principal objetivo, bem como divulgamos nossos objetivos específicos e por fim explicitamos nosso marco metodológico.

No capítulo 2 destacamos os principais pontos do processo histórico da Educação Física no Brasil e no mundo. Em seguida, demonstramos como a mesma sofreu diversas influências, como por exemplo a burguesia na época da revolução industrial que precisou construir um novo padrão de sociedade, foi necessário preparar indivíduos fortes para o mercado de trabalho. No decorrer do capítulo explanamos como foi o processo de inserção do exercício físico no contexto escolar, mais tarde ele seria entendido como “ginástica”; essa por sua vez tornou-se obrigatória nas escolas, e por fim foi denominada de Educação Física. Dando continuidade, abordamos a história dessa disciplina no Brasil, sendo inserida na escola no ano de 1851 com a Reforma Couto Ferraz, porém sofreu diversas variações de sentido. No ano de 1930 a Educação Física começou a servir como instrumento de manipulação biológica, e década a década foi sofrendo influências a partir do momento histórico político em que o país vivera.

Ainda nesse capítulo descrevemos como foi e como é o processo de formação de professores da Educação Física, citando vários autores da área, procuramos discutir sua legalidade, destacando alguns pareceres, decretos e diretrizes curriculares nacionais que orientam os cursos de formação de professores da disciplina; discutimos as abordagens pedagógicas que surgiram a partir da década de 80, tido como um momento revolucionário da Educação Física.

Por fim, no capítulo 2 estabelecemos um diálogo com a literatura científica acerca de preconceitos construídos na nossa sociedade. Procuramos demonstrar alguns preconceitos frente ao gênero durantes as aulas de Educação Física; também elencamos alguns estereótipos relacionados à disciplina como: considerar que a aula de Educação Física é uma maneira de proporcionar qualidade de vida, ou até mesmo encontrar e selecionar atletas durante as aulas.

No capítulo 3 está nosso procedimento metodológico, diz respeito ao tipo da nossa pesquisa, ressaltando que a mesma é qualitativa, do tipo descritiva de campo, com uso do método comparativo. Nessa parte do trabalho apresentamos nosso instrumento de pesquisa, sendo um questionário com perguntas abertas semi- estruturadas. Em seguida explicitamos nossa população e amostra, explicamos os critérios de inclusão e exclusão, e destacamos a importância da prova piloto para comprovar a objetividade das questões aplicadas.

Dando sequência, no capítulo 4 realizamos a análise e discussão das informações obtidas com intuito de identificar a visão dos docentes da rede estadual de ensino no município de Tobias Barreto sobre o papel da Educação Física no ensino fundamental. Para tal, apresentamos as características das escolas participantes da pesquisa, e por fim através da categorização de grupos analisamos as informações.

3. UMA BREVE HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO FÍSICA

3.1 O Princípio e a Contemporaneidade da Educação Física

O princípio da educação e, principalmente da Educação Física foi e é enfatizado por muitos pensadores da Grécia antiga, vale ressaltar que esse país prestou uma atenção cuidadosa a essa área do conhecimento. Na opinião de Herold Junior (2008) na Grécia antiga o corpo era classificado de duas formas: alega que a primeira concepção de corpo é o elogio por parte da sociedade aos homens tidos como heróis, eles eram muito fortes e venciam as batalhas em favor da vida; a segunda percepção é aquela demonstração de um ser biológico, orgânico, que sente dor, se emociona, se machuca, morre e etc.

Nesse primeiro momento não era necessário treinar os homens para guerrear, pois a força física exercida, a agilidade e outras valências físicas já faziam parte das necessidades cotidianas em busca de manter-se vivos. Todavia, chegou o momento em que os homens deixaram de utilizar da sua força em prol da resistência às guerras, e começaram a utilizar suas forças no trabalho. (HEROLD JUNIOR, 2008).

Durante a história da Educação Física verificamos que ela foi utilizada como instrumento de manobra através da sociedade dominante. No século XIX, a burguesia europeia já compreendia que o sucesso de uma nação dependia da força física dos trabalhadores, naquele momento, os senhores considerados ricos e donos das indústrias defendiam que para o avanço do capital, seria necessário obter trabalhadores mais fortes e saudáveis. (SOARES, 2007).

No entanto, o corpo adestrado e utilizado como uma ferramenta de obter lucros começou a despertar a preocupação dos burgueses, pois o investimento deveria ser limitado para não ocasionar revoltas contra eles mesmos. Entendia-se que o aprimoramento corporal seria necessário desde cedo para conseguir um bom vigor físico, garantindo os objetivos da classe, ou seja, o aumento da reprodução e o acúmulo de capital. (SOARES, 2007).

Atendendo aos pedidos da burguesia, o estado iniciou a política higienista e sanitarista no ambiente escolar, com a intenção de ensinar os bons hábitos de higiene às crianças. Segundo Soares (2007) no âmbito escolar o exercício físico é construído a partir de concepções médicas, e as medidas sanitárias se encarregavam de administrar a pedagogia da boa higiene, ambas ofereceram regras de uma vida saudável, e tornaram-se mecanismos de controle social.

De acordo com Le Breton (2007) naquele momento a miséria física e moral era extremamente grande por parte da classe trabalhadora; o contágio de doenças era inevitável, os trabalhadores explorados demonstravam fisionomias deploráveis, segundo o autor, até as crianças eram exploradas. Ficou determinado que as características biológicas dos homens, definiria sua posição de condição social, ou seja, a inferioridade de uma raça seria determinada por outra considerada “evoluída”.

É evidente que os objetivos da Educação Física não possuíam as finalidades que vemos hoje. De acordo com Soares (2007) Jhon Loke foi um teórico político liberal inglês, que anunciou que, o cuidado com o corpo seria um aspecto muito importante na nova educação da fase do liberalismo.

Com base nos escritos de Soares (2007) os primeiros pensadores que incluíram os exercícios físicos nos currículos escolares foram Jean J. Rousseau (1712-1778) e Jhon Loke (1632-1704), ambos defenderam uma educação de elite intencionada no aluno ideal. Segundo Soares (2007) Rousseau defendia que na instalação da nova educação, seria necessário preconizar uma vida ao ar livre e com a prática de exercício físico. A autora relata que eles enxergavam a importância do exercício físico para a educação do homem.

O exercício físico foi evidenciado por Rousseau e começou a fazer parte da educação tornando-se uma preocupação do estado burguês (SOARES, 2007). Na França, o teórico Louis Michel Leppelletier (1760-1793) também defendeu os exercícios físicos como um plano educacional da França, essa proposta tornou-se lei, e Leppelletier ratificava que o objetivo da educação nacional seria fortificar o corpo através dos exercícios ginásticos. Na escola francesa as crianças treinavam o trabalho com as mãos, e eram ensinadas a vencer o cansaço proveniente dessas atividades.

A ideia se difundiu por toda a Europa e a Alemanha seguiu o exemplo da França, incluindo os exercícios físicos no ambiente escolar. O pedagogo Alemão Johan Bernard Basedow (1723-1790) também seguiu os pensamentos de Rousseau. Basedow segundo Accioly (1950) apud Soares (2007) foi o criador da primeira escola dos tempos modernos tornando-se a primeira escola a incluir a ginástica em conjunto com as disciplinas “teóricas e intelectuais”, vale ressaltar que os alunos eram de diferentes classes sociais

As concepções de educação de Basedow serviram de base para as formulações pedagógicas de Johann H. Pestallozi (1746-1827). Nos escritos de Soares (2007) encontramos que Pestallozi incluiu a música e a ginástica no currículo escolar alemão, afirmando que a ginástica era fundamental para o corpo e para a moral do homem, esse pedagogo possuía apreço aos pobres; na verdade seu intuito era educar os mesmos para que eles aceitassem sua pobreza (PONCE, 1986 apud SOARES, 2007). Corroborando com o assunto, a obra do Coletivo de autores destaca que:

Essas escolas difundem-se para outros países da Europa e da América e pressionam a inclusão da ginástica, considerada como Educação Física, no ensino formal de todos os países que já dispunham daquela forma de difusão do saber, ou seja, sistemas nacionais de ensino e escolas. (COLETIVO DE AUTORES, 1992, p. 35).

O exercício físico passou a ser conhecido como ginástica no séc. XVIII, porém foi reconhecido no século seguinte como conteúdo curricular que oferecia à escola um tom de laicidade, proporcionando cuidados com o corpo (SOARES, 2007). Como o corpo era o instrumento de produção utilizado pela classe dominante, foram organizados estudos e métodos às luzes das ciências biológicas para o oferecimento de cuidados com o mesmo. Soares afirma que:

A Educação Física no século XIX constitui-se basicamente, a partir de um conceito anatomofisiológico do corpo e dos movimentos que este realiza. O seu referencial estará carregado de intenções como: regenerar a raça, fortalecer a vontade, desenvolver a moralidade e de defender a pátria. As ciências biológicas e a moral burguesa estão na base de suas formulações práticas. (SOARES, 2007, p. 49).

Ficou evidente que a classe burguesa utilizava-se da Educação Física como ferramenta para veicular seu modelo de corpo, de atividade física, de saúde, de comportamentos frente à sociedade, ou seja, eles queriam um corpo adestrado para o trabalho com movimentos disciplinarizados e domesticados segundos os requisitos da classe. Le Breton (2007) afirma que nesse momento o corpo é visto como produto da condição social, o autor cita que toda ordem política é contra a ordem corporal. Le Breton ainda descreve: “a análise leva à crítica do sistema político conhecido como capitalismo onde o mesmo impõe a dominação moral e material sobre os usos sociais do corpo, favorecendo a alienação”. (LE BRETON, 2007, p. 79).

A sociedade capitalista instalada definitivamente no fim do século XVIII e início do séc. XIX, avaliou que o exercício físico teria uma importante função para construção e consolidação da nova sociedade, formando homens fortes, ágeis e empreendedores. (COLETIVO DE AUTORES, 1992).

De acordo com Soares (2007) a partir da primeira década do séc. XIX, a Educação Física foi subdividida em métodos. Destacando-se que a Educação Física surgiu como a solução de todos os problemas, além de ofertar um corpo saudável aos seus praticantes. Foi assim que a Educação Física sofreu diversas transformações de significação em paralelo com o período histórico- social e político. Como exemplo, cita-se o liberalismo que proporcionou a criação de regras para os esportes modernos que aparentemente são universais, oferecendo a todos a possibilidade de ganhar no jogo e vencer na vida (SOARES, 2007). Outra exemplificação que podemos observar no positivismo, é a Educação Física determinando que o homem é somente um ser biológico e orgânico, dependente de fatores genéticos para uma melhor vida social e econômica, e que necessitava de um adestramento.

No início do séc. XIX surgiram as primeiras escolas de ginásticas antecedendo as aulas de Educação Física. A priori a ginástica encarregava-se de corrigir erros posturais adquiridos durante os trabalhos nas indústrias, e em seguida disciplinar o homem, já que naquele momento a nova sociedade precisava de corpos fortes e obedientes (DARIDO, 2015). A respeito das escolas de ginásticas que foram sistematizadas para a escola, Suraya Darido relata que os teóricos de cada método buscavam enaltecer a imagem da ginástica na escola, reconhecendo que nesse espaço estava garantido um ambiente de respeito e consideração da área sobre os demais componentes curriculares. Sobre o assunto, Coletivo de Autores(1992) destaca que a Educação Física começou ser visualizada na escola como uma forma de aperfeiçoamento físico dos alunos, esses por sua vez deveriam possuir um bom porte físico, e estarem preparados para as indústrias e os exércitos.

A escola de ginástica Alemã foi a pioneira, configurou-se com um caráter militar demonstrando conteúdo higiênico e procurando formar homens fortes para defender a pátria durante as guerras; as mulheres deveriam ser robustas para procriação saudáveis, e os jovens tinham de ser aptos ao trabalho industrial. (SOARES, 2007).

A escola de ginástica Sueca por sua vez, tentava excluir os vícios da população, tendo em vista a saúde física e moral dos indivíduos. Sua teoria era formar homens de bom aspecto e que conseguissem manter a paz na Suécia, já que a guerra era eminente (SOARES, 2007). O modelo sueco apresenta uma base científica frente à fisiologia e a anatomia, além de apresentar conteúdos pedagógicos para o ambiente escolar.

A escola de ginástica Francesa é identificada por evidenciar o desenvolvimento social, enxergando o homem como um ser universal com direito à educação. Sua finalidade é civil, industrial, militar, médica e cênica. A partir de 1850 o modelo Francês foi integrado em todas as escolas primárias da França e obrigatório nas escolas normais, porém existiu um problema, não tinha professores o suficiente para ministrar as aulas, e os professores eram os sub-oficiais do exército, que na visão de Soares (2007) eram absolutamente despreparados tendo em vista o modelo pedagógico e científico.

3.1.1 A Educação Física escolar no Brasil e suas perspectivas pedagógicas

No período colonial, o Brasil já sendo explorado por Portugal, observa-se a ilustre presença da Educação Física através de elementos da cultura corporal praticada pelos índios que utilizavam-se de movimentos rústicos naturais como: o nado, a caça, a corrida e o arco e flecha. Uma tradição daquela época pode-se afirmar que foi a dança, além de desenvolverem jogos como: a corrida de troncos e até mesmo as lutas.

Porém dentro do contexto escolar, a Educação Física só foi oficializada em 1851, como afirma Betti (1999, p. 37):

A Educação Física escolar brasileira teve seu início oficial em 1851, com a Reforma Couto Ferraz. Três anos depois expediu sua regulamentação, e entre as matérias a serem obrigatoriamente ministradas no primário estava a ginástica, e no secundário, a dança. A lei de n.º 630 inclui a ginástica nos currículos escolares, embora Rui Barbosa não quisesse que o povo soubesse da história dos negros, preconizava a obrigatoriedade da Educação Física nas escolas primárias e secundárias praticada 4 vezes por semana durante 30 minutos.

Como explicitado anteriormente a Educação Física tornou-se obrigatória na escola em 1851 através da reforma Couto Ferraz, porém há indícios que já existia a ideia de inserir os exercícios físicos no contexto escolar a partir do séc. XVIII. (DARIDO, 2015).

De acordo com Soares (2007) a ginástica francesa foi implantada oficialmente no Brasil em 12 de abril de 1921 com o decreto nº. 14.784, porém já havia traços de sua chegada desde 1907. Durante seu processo de desenvolvimento, a Educação Física sofreu influência médica, ocupando a função higienista desde 1889 até meados de 1930. Nesse momento a ginástica alemã foi evidenciada, pois a higiene era compreendida como fator principal na formação de corpos saudáveis. A Educação Física visava o aprimoramento da raça humana através de novos hábitos de saúde e higiene, e também da prática de exercícios físicos (DARIDO, 2003). É sabido que nesse processo os médicos higienistas queriam destacar a sociedade branca como uma raça forte e superior, nesse contexto a visão de Ghiraldelli Jr. (1994) é que a Educação Física ficou responsável pela formação de homens fortes e saudáveis. Os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) declaram que:

A Educação Física que se ensinava nesse período era baseada nos métodos europeus — o sueco, o alemão e, posteriormente, o francês —, que se firmavam em princípios biológicos. (BRASIL, 1997, p. 15).

Em 1929 o ministério da guerra brasileiro confeccionou um anteprojeto de lei definindo que todos os residentes do Brasil deveriam praticar Educação Física, sendo obrigatória sua prática em todos ambientes de ensino (SOARES, 2007). Ainda nos anos 30, por causa do processo de industrialização e urbanização e com a declaração do Estado Novo, a Educação Física começou ser manipulada como uma forma de fortalecer e aprimorar a capacidade de produção do trabalhador, tendo em vista o desenvolvimento do espírito cooperativo em benefício da coletividade.

Segundo Ghiraldelli Jr. (1994) no início de 1930 a Educação Física foi implantada pelo governo com o objetivo de melhorar a capacidade da sociedade brasileira através de atividades físicas sistematizadas, tornando-se uma situação que alavancou a Educação Física no Brasil. Para Ghiraldelli Jr.:

Num processo de preparação do corpo do homem brasileiro, a ênfase na prática da Educação Física, tinha não só uma razão de saúde, mas também uma razão econômica, no sentido de aptidão para o trabalho. (GHIRALDELLI JR., 1994, p. 36).

Como explicitado anteriormente, na década de 30 a Educação Física foi compreendida sob uma visão higienista. Sobre o assunto, Darido (2015) afirma “a preocupação central é com os hábitos de higiene e saúde, valorizando o desenvolvimento do físico e da moral, a partir do exercício físico”. (DARIDO, 2015, p. 1).

Em meados da década de 40, a Educação Física começou a ocupar um caráter militar destacando-se como ferramenta para manutenção de corpos atléticos e disciplinados. O professor de Educação Física é então definido neste momento como um instrutor de ensino para os jovens aperfeiçoarem suas capacidades físicas, porém vale ressaltar que esse professor/ treinador deveria repassar a técnica de todos os aparelhos ginásticos, além de esboçar uma boa forma física. (SOARES, 2007).

No modelo de ensino militarista da Educação Física, observa-se as características para formar um povo forte, para guerrear, assim, classificavam-se os homens fisicamente fortes excluindo o restante. (DARIDO, 2015).

Os dois modelos citados anteriormente (higienista e militarista) ambos cederam lugar ao modelo pedagogicista (1946 à 1964). De acordo como Darido (2015) esses dois modelos de Educação Física delimitavam somente aulas práticas, negando-lhe fundamentação teórica e assemelhando-se à instrução militar. Em 1946 o governo utilizou a Educação Física como um instrumento mais educacional, promovendo a educação do movimento, compreendida como educação integral.

A partir da constituição federal de 1946 sobre os ideais da escola nova, a Educação Física mudou seu sentido e foi proclamada como um meio de educação, sendo uma educação integral que a criança aprenderia com a prática e com o movimento. (DARIDO, 2015).

Mesmo com o modelo pedagogicista em cena, ainda era possível visualizar traços militares na Educação Física mesmo que indiretamente. Com base nos escritos de Darido (2015) este modelo explodiu na década de 60, entretanto foi combatido com o início da ditadura militar. Segundo Castellani Filho (1988) depois do golpe militar em 1964, a Educação Física foi incumbida de preparar soldados fortes e resistentes, e formar atletas para competição.

Durante uma década o Brasil vivenciou a ascensão do esporte, o governo comandado pelos militares enxergou na Educação Física uma forma de sustentar-se no poder através de conquistas em torneios de alta performance, elevando o nome do país e eliminando as críticas internas, tudo isso em busca do sucesso e da prosperidade da ditadura, que tentava demonstrar ser um excelente regime alcançando resultados. (DARIDO, 2015).

Surgiu então o modelo esportivista entre a década de 70 e 80, quando a Educação Física utilizou-se do esporte para promover saúde. Nesse período surge o dilema “esporte na escola” ou “esporte da escola” como uma das principais reflexões da área. Na concepção de Darido (2015) naquele momento o esporte foi o objetivo e o conteúdo da Educação Física escolar. Presenciava-se a ênfase sobre o individualismo, excluindo a cooperação. Vale salientar que no modelo esportivista está presente o rigor na exigência do rendimento esportivo, não era permitido o mínimo de erro durante a execução do movimento, sendo primordial o uso de técnicas (MOREIRA, 1991). De acordo com Daolio (2004, p. 11) técnica é “aquele movimento preciso, econômico, correto, quase sempre imitativo dos movimentos de atletas de esporte de alto rendimento”.

No ano de 1971, a partir do Decreto nº 69.450, a Educação Física escolar foi considerada como a “atividade que, por seus meios, processos e técnicas, desenvolve e aprimora forças físicas, morais, cívicas, psíquicas e sociais do educando” (BRASIL, 1998, p. 21). Dessa forma a aptidão física foi a principal característica da Educação Física escolar, o momento determinava que era preciso encontrar novos talentos nas escolas com o intuito da ascensão nacional. O papel do professor de Educação Física era selecionar os melhores para o esporte de rendimento, caracterizando- se como um treinador na escola.

De acordo Jocimar Daolio (2004) a Educação Física no Brasil ao longo das últimas décadas esteve refém de paradigmas cientificistas, ou seja, refém de paradigmas da ordem e que ainda não se libertou do modelo da ciência positivista. Presenciamos a tentativa de "ordenação" no pensamento científico da Educação Física, porém até a década de 1970 foi evidente a carência de embasamento teórico e de debate acadêmico na área.

Foi no ano de 1978 que a UNESCO redigiu uma carta internacional voltada à Educação Física e ao esporte. Essa carta direciona princípios para população mundial, descrevendo que a Educação Física e o esporte contribuem para o fortalecimento dos direitos humanos, a paz mundial entre as nações, o respeito à espécie humana, tudo isso com o propósito de fortalecer o progresso humano, promovendo seu desenvolvimento; determinando que os governos, organizações não governamentais competentes, educadores, famílias e as pessoas em geral devem se guiar por ela, disseminá-la e a colocá-la em prática. Utiliza-se da seguinte argumentação:

A prática da Educação Física e do Esporte é um direito fundamental de todos, e que o exercício deste direito é indispensável à expansão das personalidades das pessoas; propicia meios para desenvolver nos praticantes aptidões físicas e esportivas nos sistemas educativos e na vida social; possibilita adequações às tradições esportivas dos países, aprimoramento das condições físicas das pessoas e ainda pode levá-las a alcançar níveis de performances correspondentes aos talentos pessoais; deve ser oferecido, através de condições particulares adaptadas às necessidades específicas, aos jovens, até mesmo às crianças de idade pré-escolar, às pessoas idosas e aos deficientes, permitindo o desenvolvimento integral de suas personalidades. (UNESCO, 1978).

Como o modelo esportivista era altamente excludente, na década de 80 esse modelo de Educação Física foi contestado e perdeu sua identidade; foi então que autores e pesquisadores começaram a desenvolver abordagens pedagógicas que não visualizam os alunos apenas em seu aspecto físico, mas incluíram os aspectos cognitivo, cultural e psicológico da criança. Nesse momento a Educação Física escolar começa a envolver prioritariamente a educação infantil, pensando numa formação com foco no desenvolvimento psicomotor do aluno. Professores que tinham ido estudar na Europa, voltaram ao Brasil com títulos de mestrado e doutorados; foram eles que pensaram na possibilidade de viabilizar uma nova perspectiva à Educação Física escolar, criando as abordagens que são diversificadas. (DARIDO, 2003).

Nos anos 80 surgiu o modelo científico de ensino da Educação Física, de acordo com Betti e Betti (1996) apud Darido (2015) o modelo científico da Educação Física surgiu nos anos 80, porém foi concretizado na década de 90, em seguida a Educação Física obteve a concepção de uma “ciência”. Diante desse modelo científico, a Educação Física classificou que os professores tinham que aprender para ensinar, fazendo do conhecimento teórico algo imprescindível, pois o mesmo irá colaborar no processo de ensino- aprendizagem.

No estado de Sergipe na década de 90, observamos que os professores e alunos do curso de Educação Física possuíam um certo grau de ingenuidade, sobre o assunto Ferreira (1991) apud Darido (2015) cita que:

[...] docentes e alunos da universidade federal de Sergipe tem consciências ingênuas resultantes da formação profissional, não são filiados a partidos políticos, desconhecem os conceitos de dialético e de ideologia, e os informantes possuem um perfil político liberal (FERREIRA, 1991 apud DARIDO, 2015, p. 27).

De acordo com o exposto podemos visualizar nas escolas vários professores despreparados, que na visão de Medina (1983) o surgimento de muitos cursos de Educação Física fragilizou a formação dos alunos, resultando em indivíduos semi- alfabetizados, incapazes de explicar com domínio as especificidades da Educação Física.

Verificamos que hoje existem centenas de universidades que oferecem o curso de formação para Educação Física, porém Medina (1990) alega que são academias despreparadas pois não possuem o compromisso de formar professores competentes e qualificados para a educação, antes focam seus conteúdos no mercado de trabalho. O autor externa que muitas pessoas ainda recorrem à ideia que a Educação Física é puramente prática, e o pior, alguns profissionais demonstram isso, realizando suas aulas com conteúdo somente prático, o que torna essa disciplina por várias vezes discriminada.

A concepção tradicional instalada na Educação Física escolar prejudicou tanto aos profissionais, quanto à sociedade, no dizer de Medina (1990) o profissional tradicionalista sente-se julgado como despreparado pela sociedade onde está inserido. O professor Medina (1990) cita que existe na Educação Física três concepções, uma delas é a tradicional citada anteriormente, a segunda se trata de uma concepção modernizadora, essa utiliza-se do físico, demonstrando que a Educação Física cuida do corpo e da mente, melhorando o rendimento motor e a saúde das pessoas. Na visão do autor os professores que seguem essa linha de pesquisa e atuação, estão um passo à frente da teoria convencional, entretanto mesmo estando avançado esses profissionais continuam dominados pelo desenvolvimento do mundo.

A terceira concepção de Educação Física na obra de Medina (1990) é definida como revolucionária; a mesma enxerga o corpo na sua totalidade, o homem é o seu próprio corpo. Percebemos que os seguidores dessa teoria são agentes renovadores da sociedade, pois mesmo convivendo numa comunidade opressora, com pessoas desse nível, esses profissionais lutam por uma educação libertadora.

3.2 A Formação do Professor de Educação Física e as Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso

O Conselho Nacional da Educação (CNE) estipulou as Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs) para o curso de Educação Física. Sobre a formação de professores de Educação Física no nível superior no ano de 1969, o Parecer nº. 894/1969 e a Resolução nº 69/1969 fixaram o currículo mínimo, a duração e a estrutura dos cursos superiores de graduação em Educação Física. Este parecer definiu a estrutura curricular mínima a partir da fixação de disciplinas obrigatórias, distribuídas em três cernes de formação: a) básica, de cunho biológico; b) profissional, de cunho técnico; e c) pedagógica, como estabelecia o Parecer n.º 672/1969. Essa sugestão curricular apontava tanto a formação do professor de Educação Física com licenciatura plena, quanto à formação do técnico desportivo. (BRASIL. CNE, 2004).

O Parecer nº. 215/87 e a Resolução nº. 03/87 estabeleceu as DCNs para os cursos de graduação plena em Educação Física, cada instituição de ensino superior (IES) deveria elaborar seu próprio currículo de ensino, uma vez que o contexto educacional seria divergente, e teria que estar de acordo com a demanda da comunidade escolar. Dessa forma as IES constituíram suas ementas para os cursos inserindo conteúdos pertinentes à região, aos alunos, aos docentes, além de estipular a carga horária para cada disciplina. O parecer N.º 274/2011 estabelece que:

Caberá à Instituição de Ensino Superior, na organização curricular do curso de graduação em Educação Física, articular as unidades de conhecimento de formação específica e ampliada, definindo as respectivas denominações, ementas e cargas horárias em coerência com o marco conceitual e as competências e habilidades almejadas para o profissional que pretende formar. (BRASIL, 2011, p. 4).

Em 2011, o CNE através do Parecer nº. 009/2001 definiu que o curso de Licenciatura em Educação Física se diferenciava do curso de bacharel, tornando-se o termo “licenciatura plena” extinto; esse parecer descreveu que os currículos de licenciatura em Educação Física não podem se confundir com o bacharelado, logo, cada projeto teria sua especificidade. No entanto as duas formações possuem comum conteúdo referente à Educação Física, todavia a única diferença existente encontra-se na licenciatura que deve atender à resolução do CNE n.º 7/2004, além de acatar a resolução do CNE nº 1/2002 o qual estipula as DCNs para a formação de professores da educação básica em nível superior no curso de licenciatura plena.

De acordo com Darido (2015) o curso de Educação Física no Brasil é disseminado nos anos de 1950 à 1975, vale ressaltar que existiam apenas dois cursos, somente no estado de São Paulo; esse número chegou a trinta em meados da década de 70. Tojal (1989) apud Darido (2015) assinala que esses cursos não priorizavam a construção do conhecimento, e vemos que hoje ainda é possível encontrar centros universitários com suas salas superlotadas, com recursos insuficientes e até mesmo com um acervo bibliográfico incapaz de auxiliar o acadêmico, caracterizando-se numa formação fragilizada, voltada única e exclusivamente à comercialização do ensino.

A professora Suraya Darido (1995) e Betti & Betti (1996), concluíram que existem dois tipos de currículos na formação do profissional de Educação Física: o tradicional esportivo e o científico. Presenciamos nas escolas muitos professores tradicionais, aqueles que acreditam ter que saber para ensinar, suas aulas são bem definidas entre prática e teórica; na concepção dos autores supracitados esse tipo de professor é formado nas instituições privadas, a qual na maioria das vezes distorcem o currículo do curso de Educação Física. O único objetivo das DCNs na visão de Taffarel, Lacks e Santos Jr. (2006) é formar professores com tempo de formação reduzidos, e sem a devida reflexão frente ao processo educativo, resultando em professores executores do conhecimento.

É importante ressaltar a postura da professora Vasconcelos quando enfatiza em sua obra: Educação Básica: a formação do professor, relação professor- aluno, planejamento, mídia e educação (2012) algumas críticas ao sistema educacional brasileiro. Uma delas é o alto número de professores do magistério que só possuem o ensino fundamental como formação. No mesmo sentido, Vasconcelos (2012) chama atenção ao enfatizar a formação fragilizada que as instituições de ensino superior transmitem aos seus acadêmicos, diminuindo a carga horaria desses cursos, concluindo a formação em apenas três anos, demonstrando somente o interesse com o mercado de trabalho e com a manutenção do capitalismo, excluindo a ética e a moral, o compromisso e a reflexão que todos os professores devem ter.

Ser professor nos dias de hoje é uma profissão que poucas pessoas querem seguir. No Brasil existe uma desvalorização e um desprestígio frente ao professor, e a Educação Física está inserida nesse juízo de valor; nos escritos de Taffarel (1993) apud Taffarel (2006) vamos encontrar o seguinte esclarecimento: os cursos de Educação Física não estão preparando os acadêmicos para essa triste realidade.

De acordo com Mattos e Neira (2008) o professor deve possuir clara noção do seu papel político como formador de cidadãos que se constituem em sujeitos do processo de aprendizagem. Esse professor desempenha uma ação fundamental dentro da escola; ele deve ser um especialista em interação.

A Educação Física vive em meio a muitos paradoxos, um deles é a educação do movimento ou a educação pelo movimento. Essa discussão chama a atenção de muitos professores da atualidade, em especial dos professores Valter Bracht e Mauro Betti. De acordo com Betti (1992) a educação do movimento garante as características da Educação Física, porém exclui a realidade do aluno e o seu contexto social; enquanto que educar pelo movimento inclui a personalidade dos alunos e suas vivências, no entanto esse modelo secundariza as finalidades da Educação Física.

Ao passo que, Jocimar Daolio é muito pontual ao descrever como o professor de Educação Física deve agir pedagogicamente onde está inserido:

O profissional de Educação Física em sua atuação pedagógica precisa saber de certa forma, ler, aceitar e compreender os significados originais do grupo alvo de seu trabalho, a fim de conseguir empreender sua ação pedagógica intencional, considerando também os seus significados e aqueles atribuídos ao longo da tradição da cultura corporal de movimento. Parece ser essa relação que caracteriza a ação pedagógica da Educação Física. (DAOLIO, 2004, p. 34).

Como vimos, as universidades que ofertam o curso de Educação Física ultimamente preocuparam-se com cargas horárias aligeiradas e com conteúdo sem relevância. Os professores, em especial o professor de Educação Física deve ter ciência que é necessário intervir no ambiente que está inserido. Dessa forma a interação professor- aluno, aluno- aluno, aluno- comunidade e professor- comunidade estará concretizada, aumentando as possibilidades de realização de um bom ensino- aprendizagem.

3.3 A Educação Física e sua Legitimidade enquanto profissão

A Educação Física é componente curricular obrigatório em todos os níveis da educação básica, sua legitimidade no Brasil foi alcançada no ano de 1998, quando a Lei nº 9.696/98, regulamentou o exercício profissional na área da Educação Física, porém o esforço para que a profissão fosse reconhecida na sociedade já era visto desde 1940. De acordo com a Carta brasileira de Educação Física, o objetivo da mesma é:

[...]constituir-se numa Educação Física de qualidade, sem distinção de qualquer condição humana e sem perder de vista a formação integral das pessoas, sejam crianças, jovens, adultos ou idosos, terá que ser conduzida pelos profissionais de Educação Física como um caminho de desenvolvimento de estilos de vida ativos nos brasileiros, para que possa contribuir para a qualidade de vida da população. (CONFEF, 2014).

A legitimidade da Educação Física não se dá apenas em artigos e achados escritos, é preciso muito mais, com base no Conselho Federal de Educação Física (CONFEF) é necessário que todos os profissionais tenham ética e compromisso com a disciplina, pois só desempenhando os conhecimentos científicos, aplicando-os na nossa comunidade e no nosso contexto é que pouco a pouco a Educação Física conseguirá romper alguns paradigmas adquiridos ao longo do tempo (CONFEF, 2014).

De acordo com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) nº 9.394 de 20 de dezembro de 1996, no seu artigo 26, parágrafo 3º explicita que, a Educação Física está integrada à proposta pedagógica da escola, sendo um componente curricular obrigatório da educação básica, sinalizando que a disciplina é facultativa para alunos do turno noturno, que esteja no serviço militar, que tenha prole ou amparado no decreto- lei nº 1.044, de 21de outubro de 1969. Vale ressaltar que essa atitude da LDB (1996) segundo o CONFEF (2014) reforça o pressuposto biológico que amparou a ausência da Educação Física no ensino noturno no passado.

No ano de 1988, o Ministério da Educação e do Desporto confeccionou os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), esses protocolos pré-estabelecidos surgem com o intuito de nortear a educação brasileira. Segundo os PCNs, hoje a Educação Física escolar adentra sob uma concepção de cultura corporal de movimento que amplia a contribuição da Educação Física para o pleno exercício da cidadania, na medida em que, tomando seus conteúdos e suas capacidades, se propõe a desenvolver produtos socioculturais, firmando o direito de todos ao acesso e à participação no processo de aprendizagem (BRASIL, 2001).

O CONFEF (2014) é bem claro quando cita que a Educação Física deve acompanhar a construção do Projeto Político Pedagógico (PPP) da escola, pois os conteúdos da disciplina devem corresponder com a idade própria do percurso escolar dos alunos. Este pensamento também está previsto nas DCNs (2010), ou seja, é imprescindível que os conteúdos sejam aplicados com progressão em todos os sentidos, e que os próprios discentes consigam acompanhar esse processo.

De acordo com a Resolução do CNE nº. 7/ 2004 apud CONFEF (2014, p. 40) foram estabelecidos os princípios da Educação Física:

Art. 4º O curso de graduação em Educação Física deverá assegurar uma formação generalista, humanista e crítica, qualificadora da intervenção acadêmica- profissional fundamentada no rigor científico, na reflexão filosófica e na conduta ética.

§ 1º O graduado em Educação Física deverá estar qualificado para analisar criticamente a realidade social, para nela intervir acadêmica e profissionalmente por meio das diferentes manifestações e expressões do movimento humano, visando a formação, a ampliação e o enriquecimento cultural das pessoas, para aumentar as possibilidades de adoção de um estilo de vida fisicamente ativo e saudável.

§ 2º O professor da Educação Básica, licenciatura plena em Educação Física, deverá estar qualificado para a docência deste componente curricular na educação básica, tendo como referência a legislação própria do CNE, bem como as orientações especificas para esta formação tratadas nesta resolução.

A respeito da justificativa da Educação Física no contexto escolar, Bracht (1992) define que são duas justificativas que legitimam essa disciplina. A primeira seria o modelo “autônomo”, tendo como principal finalidade a pedagogia de prática das atividades corporais com fins próprios, dispensando os fundamentos humanos. O segundo modelo legitimador é o “heterônomo”, esse por sua vez procura encontrar os resultados fora da atividade, ou seja, essa visão defende a promoção da saúde, o sentimento cívico, além de evidenciar os hábitos higiênicos. Na opinião de Bracht (1992, p. 51) “a Educação Física precisa buscar o sentido de sua transformação na necessidade da transformação da própria sociedade brasileira”.

É competência do profissional de Educação Física dominar os conhecimentos que orientam sua prática, além de perceber as problemáticas que estão inseridas no seu local de trabalho. Essas determinações estão previstas no parecer n.º 274/ 2011 do CNE. Mas observamos que muitos profissionais estão desmotivados e acomodados para apresentar uma prática consciente e beneficente à sociedade, principalmente aos alunos; essa construção equivocada torna o professor de Educação Física mal visto, o que deixa a entender que ele só sabe dar a bola, e não fazer nada.

Uma das várias explicações que permitem identificar a marginalização da Educação Física, são alguns professores da área que estão descompromissados com a profissão. Outro exemplo claro que demonstra atitude de preconceito frente à Educação Física por parte de gestores e coordenadores é colocar as aulas de Educação Física em horários inadequados, ou utilizar o momento das aulas para outras finalidades, como é o caso de ensaios para festas juninas, 7 de setembro e outros eventos; além disso, existem casos que o professor de Educação Física não é inserido no processo de planejamento pedagógico, demonstrando preconceito e menosprezando a disciplina.

Os PCNs relatam que esse tipo de atitude é real, citando outra situação “[...]no momento de planejamento, discussão e avaliação do trabalho, no qual raramente a Educação Física é integrada, muitas vezes o professor acaba por se convencer da “pequena importância” de seu trabalho, distanciando-se da equipe pedagógica e trabalhando isoladamente”. (BRASIL, 1997, p. 17).

É preciso o empenho dos professores de Educação Física e a colaboração de todos os envolvidos no processo de ensino- aprendizagem para garantir um bom diálogo entre a Educação Física e as demais disciplinas curriculares, neste sentido os autores Mattos e Neira (2000, p.25) descrevem que:

[...] para inserir a Educação Física dentro do currículo escolar e colocá-la no mesmo grau de importância das outras áreas do conhecimento será através da fundamentação teórica, da vinculação das aulas com os objetivos do trabalho, da não improvisação e, principalmente, da elaboração de um plano que atenda às necessidades, interesses e motivação dos alunos.

Neste subtítulo procuramos descrever o processo de legitimação da Educação Física frente aos órgãos governamentais. No entanto, percebemos que a legitimidade da área não se dá apenas em leis, papéis e achados escritos. É preciso muito mais que isso, é preciso que os professores dessa ciência percebam-se o quão importante é essa área do conhecimento para a formação integral de crianças considerando os seus aspectos físico, afetivo, social e psicológico. É necessário ir a campo, demonstrar cientificamente o significado e o valor da Educação Física, comprovar a sua magnitude e só assim conseguiremos eliminar esses preconceitos, estereótipos, essas marginalizações que foram construídas ao longo do tempo sobre a Educação Física.

3.4 O Revolucionismo: o surgimento das abordagens pedagógicas

O ano de 1980 foram marcados pelo surgimento dos primeiros subsídios de uma crítica à função sócio-política da Educação Física escolar. Essa crítica busca um outro sentido pedagógico, procurando meios que proporcionassem à Educação Física atuar na formação integral do indivíduo, alterando sua função restrita à educação do físico (SOARES et. al, 1992). Na década de 80, com a volta de mestres e doutores que foram estudar no exterior, começou a surgir no país a criação de especializações, de eventos, publicações e congressos sobre Educação Física. Esses doutores apresentaram novos modelos pedagógicos referentes à Educação Física; as abordagens pedagógicas surgiram com o propósito de apresentar uma

nova dimensão didática- pedagógica e científica. O professor Castellani Filho (1999) descreve que surgiram dois tipos de abordagens; não propositivas e propositivas. As não propositavas são: fenomenológica, sociológica e cultural. E as propositivas foram subdivididas em duas: não sistematizadas e sistematizadas, a primeira inclui a abordagem desenvolvimentista, construtivista, Educação Física plural e crítico- emancipatória; respectivamente a segunda envolve a abordagem da aptidão física e a crítico- superadora.

Segundo os escritos de Castellani Filho (1999) apud Barbieri et al (2008) a abordagem fenomenológica é desenvolvida pelo teórico Silvino Santin e Wagner Wei Moreira. O termo fenomenologia significa o estudo de um fenômeno. Na escola essa abordagem promove a ênfase no movimento humano e a relação desse com o meio. É sabido que essa abordagem prioriza a autonomia dos alunos, a tomada de decisão e a socialização entre o grupo. Além de propiciar aulas lúdicas aos educandos incentivando a cooperação. A seguir vamos identificar os traços da abordagem sociológica.

O principal autor da abordagem sociológica é o autor Mauro Betti (1991), uma das suas principais obras é: Educação Física e sociedade. Esse autor evidencia que a Educação Física escolar deve incluir o esporte como um de seus conteúdos principais, além de utilizar-se das atividades físicas; fica claro durante sua escrita que a Educação Física e o esporte são aliados e não podem oferecer ao aluno apenas a repetição do gesto técnico, mas sim ofertar movimentos que eles irão produzir, reproduzir e transformá-los à medida de suas experiências e necessidades.

No que diz respeito à abordagem cultural, o principal teórico é Jocimar Daolio. Daolio (1995) enfatiza que a Educação Física escolar é vista como elemento da cultura humana, logo, ela está voltada para as práticas que nós realizamos com o corpo em todo processo da história, como os jogos, as lutas, as danças, e também o esporte. Na visão de Daolio (1995) o professor de Educação Física deve respeitar as diversas culturas e perceber o homem com relação ao seu corpo, pois o mesmo estará envolvido numa sociedade que o professor também deve considerar. Com base nessa abordagem, a Educação Física deve compreender os alunos por igual, e as aulas devem ser iguais para todos alunos independentemente do contexto local.

Partindo para as teorias propositivas não-sistematizadas temos de início a teoria desenvolvimentista, defendida por Go Tani (1988) apud Barbieri et al (2008) ele afirma que as aulas de Educação Física devem oferecer às crianças o aprimoramento do desenvolvimento motor, esperando que quando o educando estiver com 12 anos ele consiga dominar todas as suas habilidades básicas. Essa abordagem enxerga o movimento humano como objeto de estudo da Educação Física.

Outra abordagem propositiva não- sistematizada é a abordagem construtivista, ela é defendida pelo professor João Batista Freire, esse teórico afirma que, para construção do conhecimento, as crianças precisam aprimorar seu desenvolvimento motor; esse se dá através das aulas de Educação Física. De acordo com Barbieri et al (2008, p. 229) as aulas de Educação Física embasadas nesta abordagem devem contemplar:

Os jogos e brincadeiras que estimulem a cognição, a motricidade, socialização e afetividade da criança; bem como a utilização de materiais alternativos, esses são os conteúdos privilegiados nas aulas de Educação Física pautadas nessa abordagem.

Nesta abordagem é primordial que o professor consiga trabalhar os aprendizados dos alunos, ou seja, a cultura que eles já possuem através de suas vivências, e que esse conhecimento seja utilizado como meio para solucionar problemas. A terceira abordagem propositiva não- sistematizada é a abordagem plural; seus principais autores são Jocimar Daolio e Tarcísio Mauro Vago. Como descrito por Barbieri et al (2008) a abordagem plural da Educação Física tem em sua ideia principal defender a inclusão de todos (meninos e meninas, hábeis e menos hábeis, gordinhos e etc.); as aulas devem oferecer novas práticas para o desenvolvimento de habilidades motoras, pois assim os alunos conseguirão vivenciar novos movimentos descobrindo o seu corpo.

A quarta abordagem não sistematizada, é a concepção de aulas abertas, essa é defendida por Reiner Hildebrandt, o mesmo afirma que as aulas de Educação Física devem disponibilizar uma maior interação entre professor- aluno, e o mesmo deve sentir-se participante do processo de sua aprendizagem. (Barbieri et al, 2008).

A quinta abordagem é a crítico- emancipatória, ela foi fundada por Elenor Kunz. De acordo com Kunz (1996) a Educação Física escolar deve oferecer aos alunos experiências que vão além da prática esportiva, ou seja, os alunos conseguem a autonomia suficiente para comunicar-se entre si e interagir na sociedade.

Por sua vez, as teorias propositivas sistematizadas segundo Castellani Filho (1999) apud Barbieri et al (2008), são apenas a concepção da aptidão física e a crítico superadora. A perspectiva da aptidão física segundo Barbieri (2008) é defendida por Vitor Matsudo. Esta concepção está amparada pelas ciências biológicas, é sabido que esse processo foi muito importante durante o processo de inserção do capitalismo, onde necessitava da mão de obra capacitada com homens fortes e preparados para os trabalhos industriais.

Por outro lado, a abordagem crítico- superadora é defendida por um Coletivo de autores (1992) onde afirmam que as aulas de Educação Física escolar disponibilizam aos educandos a oportunidade de utilizar os elementos da cultura corporal de forma consciente, além de analisarem suas experiências, enxergarem as vontades da classe dominante e perceber que essas são exercidas de forma invisíveis diante da nossa sociedade, onde pode-se notar muitos sujeitos alienados.

Vimos neste item que as abordagens possuem alguns pontos similares, e outros completamente divergentes. Porém, pode-se dizer que com o surgimento das abordagens pedagógicas a Educação Física conseguiu um avanço muito grande na área educacional. Através das abordagens a Educação Física deixou de ser compreendida apenas como ciência da psicopedagogia, da psicologia, enfim, áreas voltadas apenas à educação do corpo ou da mente de forma separada; passando então a ocupar um cunho pedagógico no contexto escolar e transformando-se numa disciplina com significado pedagógico.

3.5 A Sociedade Brasileira e a Educação Física Escolar: a construção de paradigmas

A Educação Física é uma disciplina com inserção obrigatória em toda educação básica e conhecida como uma ciência que estuda a “cultura corporal do movimento”, seus principais elementos são: o esporte, o jogo, a dança, a ginástica, a luta, atividades rítmicas e expressivas. Ambos tornaram-se conteúdo da disciplina. Na visão de João Batista Freire e Alcides José Scaglia (2009) o conteúdo da Educação Física deve ser toda manifestação cultural que satisfaça à dimensão lúdica ou até mesmo à construção de métodos de desenvolvimento corporal.

Na nossa sociedade observamos a presença do esporte como um fenômeno meramente competitivo dentro e fora da escola. De acordo com Bracht (2000) os esportes competitivos estão dominando a Educação Física escolar, e isso repassa uma ideia totalmente errônea dessa matéria. O século XXI é caracterizado pela competição exacerbada, sendo preciso educar as crianças a cooperar. A cooperação e a competição aparentemente andam juntas, porém uma delas pode ocultar a outra, e na sociedade que estamos inseridos os valores competitivos tornaram-se um exemplo, contrariando os princípios da coletividade. A Educação Física tem o papel fundamental de ensinar os alunos a cooperar, cooperar com o próximo, no jogo, na vida e no mundo, etc. (FREIRE e SCAGLIA, 2009).

O jogo é um conteúdo tão importante da Educação Física que na visão de Freire e Scaglia (2009) deveria ser o principal conteúdo da disciplina. O jogo é uma categoria maior que o esporte, a dança, a luta e a ginástica. Ele é composto de elementos pertinentes as essas manifestações, ou seja, os conteúdos da Educação Física deverão ser quaisquer manifestações de jogo, ou que possa ser no futuro.

O jogo sempre estará presente nas manifestações corporais de crianças e também de alguns adultos. Tendo em vista que a Educação Física é uma disciplina prática, suas aulas acontecem dentro e fora da sala de aula. Dessa forma, o professor deve oferecer ao aluno conteúdos que possuam relevância, que estejam inseridos no contexto da vida de cada um deles, e que os conhecimentos que não se aprende na rua, aprendam na escola. Com base nesse assunto Freire e Scaglia corroboram afirmando que:

Os conteúdos da quadra têm de passar por uma sistematização que os aproxime dos conteúdos do quadro, e vice- versa. É preciso saber que o professor de classe fale de coisas que lembrem da vida, que o professor de Educação Física promova atividades que superem o saber da rua. (FREIRE e SCAGLIA, 2009, p. 163).

A Educação Física possui a finalidade de conservar a condição natural humana dos alunos, instigando suas habilidades motoras e seu desenvolvimento corporal e libertando-os do jugo do contrato social representado pela escola tradicional (DAOLIO, 2004). A Educação Física precisa apresentar um currículo pautado na perspectiva cultural, pois de acordo com Neira e Nunes (2006) esse currículo deve deter as maneiras de produção cultural das práticas sociais, de maneira que englobe a realidade.

E a realidade presente na Educação Física até os dias de hoje é que podemos observar professores que definem que homem joga futebol, e a mulher queimado. Essa vivência que já fez parte de muitos alunos é em decorrência aos paradigmas, às construções sociais que foram desenvolvidas historicamente sobre a disciplina, e cabe ao professor de Educação Física extinguir esses comportamentos utilizando da melhor forma as práticas da cultura corporal. Para Betti e Zuliani (2002) a cultura corporal do movimento deve ser amplamente divulgada para estabelecer um sentido à Educação Física. Esta visão de cultura corporal não deve estar restrita apenas ao esporte, mas à ginástica, dança e artes marciais, além do desenvolvimento da aptidão física.

3.5.1 A Discriminação de Gênero nas Aulas de Educação Física

Por muito tempo ficou nítido que as aulas de Educação Física eram destinadas aos homens, e as mulheres não tinham participação efetiva. Até os dias de hoje percebemos professores que direcionam os conteúdos por sexo. Esse preconceito perdurou por muito tempo decorrente de determinadas diferenças sociais, todavia os PCNs corroboram contra essa atitude e determinam que:

No que tange à questão do gênero, as aulas mistas de Educação Física podem dar oportunidade para que meninos e meninas convivam, observem-se, descubram-se e possam aprender a ser tolerantes, a não discriminar e a compreender as diferenças, de forma a não reproduzir estereotipadamente relações sociais autoritárias. (BRASIL, 1997, p. 20).

As aulas de Educação Física em algumas escolas separam os meninos das meninas. No ano de 1998 os PCNs afirmaram que as aulas de Educação Física deveriam abranger os dois sexos; a separação de gênero é vista historicamente; podemos nos reportar ao momento que as meninas tinham de ser educadas para as atividades do lar, por outro lado, os meninos deveriam aprender durante as brincadeiras a sua virilidade, reconhecer sua força e etc. Na visão de Souza (1999) a história nos mostra que se faz presente o processo de hierarquização entre homens e mulheres. E que a mulher é vista como um ser dotado de fragilidade e emoção, e o homem dotado de força e razão.

Alguns professores de Educação Física até os dias de hoje continuam com aulas separatistas, onde as meninas jogam queimado, e os meninos futebol; eles fazem assim por julgarem que as diferenças entre habilidade e força de menino e menino é discrepante. No entanto devemos ter em mente que a Educação Física escolar não é de rendimento, e por esse motivo essa justificativa é inválida. Na opinião de Romero (2010, p. 116) “os professores deveriam atuar de forma consciente a fim de proporcionar iguais oportunidades aos seus alunos, sejam eles do sexo masculino ou feminino”.

Qualquer que seja o professor, não deve determinar que os conteúdos sejam diferentes para homens e mulheres. Não é pelo fato de meninas optarem por vôlei, e meninos por futsal que o professor precisa separar os dois sexos. É justamente esse o ponto crucial para determinismos estereotipados. Como descrito por Costa e Silva (2002), o professor não pode reforçar a sexualização, ao mesmo tempo que deve inibir atividades estereotipadas e adaptar os conteúdos aos métodos de ensino que atendam à meninas e meninos.

Em Barbosa (2012) vamos encontrar o seguinte esclarecimento, na escola existe uma cultura machista, isso é produto da esportivização da Educação Física, pois, esse modelo determinava as atividades para cada sexo, isto é, meninos jogam futebol e meninas fazem ginástica. Na opinião de Saraiva (2002) apud Barbosa (2012) a Educação Física contribuiu para masculinizar o esporte e feminilizar as atividades rítmicas.

A professora Eliana Ayoub em artigo publicado na revista paulista de Educação Física, no ano de 2001 explicita que:

As crianças, desde muito cedo, vão aprendendo que “dança é coisa de menina” e “luta é coisa de menino”, reforçando estereótipos em relação às práticas corporais e aos diferentes papéis sociais desempenhados por meninas e meninos, mulheres e homens. Mais tarde, serão o “futebol dos meninos” e o “vôlei das meninas” alguns dos principais exemplos de estereotipias no âmbito da Educação Física escolar, as quais têm reforçado a ideia de turmas separadas em meninos e meninas nas aulas de Educação Física. (AYOUB, 2001, p. 58).

A presença do preconceito de gênero no ambiente escolar afeta meninos e meninas. Às meninas por que não lhes é dado a opção de participar livremente das atividades; e os meninos por outro lado, sofrem muitas das vezes pela “falta” de habilidade, de força, de virilidade e acabam sendo vítimas de preconceito, bullying e excluídos das atividades.

3.6 Concepções Acerca da Educação Física Escolar

Presenciamos ao longo da história que a Educação Física escolar já ocupou várias finalidades dentro do contexto escolar, dentre eles: potencializar a força, disciplinar corpos, cuidados com a saúde, selecionar os melhores, excluir os que não produzem resultados, estimular o patriotismo, formar atletas, soldados, bons trabalhadores e etc. Dessa forma essas tendências ocupadas pela Educação Física até os dias de hoje estão presentes na concepção de muitos professores da área e dos demais componentes curriculares.

Os PCNs da Educação Física direcionam que a disciplina deve “dar oportunidades a todos os alunos para que desenvolvam suas potencialidades, de forma democrática e não seletiva, visando seu aprimoramento como seres humanos” (BRASIL, 1997, p. 19). Assim, cabe ressaltar que os alunos portadores de deficiências físicas não podem ser privados das aulas de Educação Física.

Uma situação preocupante que atinge a Educação Física é a falta de prestígio. Alguns autores abordam sobre o tema, e relatam que algumas disciplinas do currículo escolar brasileiro sofrem preconceito; e uma delas é justamente a Educação Física. Na visão da autora Ayuob (2001) as disciplinas Educação Física e Artes enfrentam uma desvalorização frente às demais disciplinas escolares. Acrescentamos que a disciplina de Educação Física é distorcida por muitas pessoas e por educadores que a desconhecem, esses não compreendem sua real importância no contexto escolar e atribui-lhe um julgamento equivocado.

Um desses julgamentos é a antiga compreensão da educação cartesiana. Os traços desse tipo de educação se perduram até os dias de hoje; pode-se identificar que alguns indivíduos ainda entendem que a Educação Física cuida do corpo e da mente de forma separada. Essas são características do modelo de René Descartes, o qual afirma em seus tratados que existe uma separação entre objeto e matéria, ou seja, entre corpo e mente.

3.6.1 A Educação Física entendida como qualidade de vida

A palavra qualidade de vida tem sido usada por muitas pessoas e pela sociedade, porém ela tem um sentido amplo e possui diversos significados, ela pode estar direcionada à alimentação, à saúde, à segurança, ao urbanismo e etc. O termo qualidade de vida é especificado para cada pessoa dependendo do contexto em que vive. Na visão de Santos e Simões (2012, p. 3) “o conceito de qualidade de vida é subjetivo, complexo e multidimensional”.

Muitas pessoas acreditam que a atividade física, o exercício físico, as práticas esportivas e outras manifestações corporais são formas de melhorar a qualidade de vida, no entanto é preciso que a Educação Física comprove e fundamente cientificamente tais afirmações. (SANTOS E SIMÕES, 2012). O próprio Código de ética dos profissionais da Educação Física menciona que essa área está intrinsicamente ligada à qualidade de vida, de acordo com o CONFEF:

A Educação Física afirma-se, segundo as mais atualizadas pesquisas científicas, como atividade imprescindível à promoção e à preservação da saúde e à conquista de uma boa qualidade de vida (CONFEF, 2003, p. 24)

O referencial exposto anteriormente deixa claro que a Educação Física é responsável por garantir uma melhoria na qualidade de vida das pessoas através da promoção da saúde. O desenvolvimento da Educação Física na escola com referência à abordagem saúde renovada possui os objetivos de informar, mudar atitudes e promover a prática sistemática de exercícios. (BRASIL, 1999). A abordagem da saúde renovada destaca o estilo de vida ativo do indivíduo, nessa abordagem as aulas de Educação Física proporcionam aos alunos o conhecimento do seu próprio corpo, das suas funções, além de informar a importância de praticar exercício físico, tudo isso pensando em melhorar a saúde dos discentes.

A perspectiva biologicista ainda está presente na Educação Física escolar. A biologização que existe frente a essa disciplina está amparada em objetivos estabelecidos historicamente para atender os requisitos da sociedade relacionados à saúde dos educandos, a manutenção da saúde corporal, a aquisição de habilidades físicas, hábitos de higiene, tudo isso para adquirir saúde e beleza física. De acordo com Almeida (2003), a Educação Física é responsável por ensinar hábitos saudáveis, como por exemplo os exercícios físicos. Na concepção de Castellani Filho (2013), a Educação Física foi entendida como uma “abordagem de biologização” onde foi marcada pela presença médica e sua percepção de saúde era caracterizada por traços bio- fisiológicos.

Dessa forma percebemos que a Educação Física na escola está mais compromissada com a melhoria da qualidade de vida, sabemos que ela pode e deve levar os alunos a desenvolverem conhecimentos sobre a prática corporal; sobretudo ter noção da importância de ter um estilo de vida ativo, sendo um benefício para a vida; além disso as aulas de Educação Física podem contribuir para que os educandos identifiquem os fatores que os impedem, por vezes, de praticar exercícios regularmente e consequentemente melhorar sua qualidade de vida.

3.6.2 Aulas de Educação Física como ferramenta para formação de atletas

As aulas de Educação Física são entendidas por alguns profissionais como uma maneira de descobrir novos talentos do esporte brasileiro. Porém, sabemos que para selecionar os melhores é preciso o rendimento, e a perspectiva da disciplina é a inclusão de todos. De acordo com Neira e Nunes (2006) a Educação Física escolar não é responsável por formar atletas.

Essa ideia de compreender a Educação Física como caça talentos na escola, já foi vista no Brasil durante a década de 70, nessa época os militares desejavam encontrar novos atletas na escola através de professores tecnicistas. Hoje em dia, o governo ainda insiste nessa perspectiva através de programas, como por exemplo o “atleta na escola”; onde o próprio ministério do esporte declara que o objetivo desse programa é detectar novos talentos dentro da escola.

Na década de 70, o governo brasileiro decidiu que a iniciação esportiva deveria começar partir da 5ª série, a aula de Educação Física tinha como objetivo encontrar novos talentos para participarem das competições internacionais, pois assim poderiam representar a pátria. De acordo com Castellani Filho (1999) neste período a Educação Física foi vista numa forma de pirâmide, tendo como base o desporto estudantil, no meio a aptidão física e a organização desportiva privada, sendo o desporto de elite a ponta da pirâmide, preparando atletas para competições fora e dentro do país.

4. PROCEDIMENTO METODOLÓGICO

4.1 Tipos de pesquisa

Esse trabalho segue uma linha de pesquisa qualitativa do tipo descritiva de campo com uso do método comparativo. A pesquisa qualitativa trata-se de uma atividade da ciência que quer observar a realidade, logo se atenta com os níveis das ciências sociais que não podem ser quantificadas, dessa forma enfatiza-se as crenças, os valores e outras relações. (GIL, 2008).

O tipo de pesquisa desse trabalho é descritiva de campo, pois permitirá realizar o estudo, a análise, o registro e a interpretação dos dados sem a influência do pesquisador, Gil (2008) conceitua que as pesquisas descritivas possuem como objetivo a descrição das características de uma população, fenômeno ou de uma experiência. Utilizamos esse tipo pois é preciso observar, registrar e analisar os fenômenos do contexto pesquisado. Além disso, esse tipo de investigação orienta que após a coleta de informação, poderemos averiguar os resultados.

Somando a isso utilizamos o método de pesquisa comparativa que na visão de Gil (2010) possibilita o estudo comparativo de grandes grupamentos sociais, onde o mesmo compara diferentes culturas ou sistemas políticos, sendo os seus resultados proporcionados por alto grau de generalização.

4.2 Instrumento de Pesquisa

Para o desenvolvimento dessa pesquisa foi necessário realizar uma entrevista semiestruturada nos dias 9, 12 e 16 de maio do corrente ano, a entrevista é um dos instrumentos mais adequado para coletar informações. A coleta de informações se deu através de um questionário composto por 5 questões, abertas, impresso, entregue e aplicado pessoalmente a cada participante da pesquisa. Utilizamos a técnica da entrevista semi- estruturada, que na opinião de Queiroz (1983) o roteiro de perguntas leva o informante a falar mais do que o pesquisador. Nesta técnica é permitido repetir ou retificar a pergunta caso o entrevistador considere-a não respondida a contento.

4.3 População e Amostra

A população dessa pesquisa são os professores da rede estadual de ensino fundamental no município de Tobias Barreto- SE. Os critérios de inclusão dos professores para esta pesquisa foram: formação em licenciatura em Educação Física ou nas demais áreas curriculares, serem concursados e estarem no mínimo há dois na regência de classe. Já os critérios de exclusão foram: ser contratado ou estagiário e as escolas da zona rural.

Amostra contou com a participação de 2 professores de Educação Física, 3 de Matemática, 3 de Português, 1 de Ciências, 3 de História, 1 de Geografia e 2 de Inglês. Vale ressaltar que alguns professores lecionam mais de uma disciplina e outros em mais de uma escola participante dessa pesquisa.

4.4 Procedimento para análise das informações

Para analisar os dados dessa pesquisa optamos pela categorização de grupos, neste sentido Gil (2008, p. 157) corrobora afirmando que “para que as respostas possam ser adequadamente analisadas, torna-se necessário, portanto, organizá-las, o que é feito mediante o seu agrupamento em certo número de categorias”. O primeiro questionamento foi identificar a disciplina lecionada por cada participante, não havendo a necessidade de discutir essas respostas. Lembrando que o total de pesquisados foram 15 professores das diversas áreas do currículo escolar. Para um melhor entendimento, os professores que responderam o questionário serão identificados da seguinte forma: História (H1, H2 e H3), Matemática (M1, M2, M3), Português, Redação e Artes (PRA1, PRA2), Educação Física (EF1, EF2), Inglês (I1, I2), Ciências (C1) e Geografia (G1). Sendo assim, a resposta será um apanhado das concepções de cada professor que participou da pesquisa.

4.5 Teste Piloto

Foi aplicado a prova piloto com 5 cinco professores da educação básica (Educação Física, História, Matemática, Português e Inglês) que foram selecionados de forma aleatória com intuito de testar o questionário e identificar se existia alguma dificuldade na interpretação das questões.

O teste piloto é uma maneira que auxilia o pesquisador a validar o instrumento de pesquisa, por essa razão foi aplicado antes de entrar em contato com os sujeitos delimitados para o estudo. Na visão de Yin (2001, p. 100) “o teste piloto auxilia os pesquisadores na hora de aprimorar os planos para a coleta de dados, tanto em relação ao conteúdo dos dados quanto aos procedimentos que devem ser seguidos”. Após a aplicação do teste, nós refletimos sobre o mesmo pensando se o instrumento seria válido ou se precisava ser modificado. O teste piloto comprovou a relevância das perguntas, com resultado positivo. Em seguida aplicamos o questionário para coleta de informações.

5. ANÁLISE E DISCUSSÃO DAS INFORMAÇÕES

5.1 Características das escolas

A pesquisa foi realizada em três escolas de ensino fundamental da rede estadual do município de Tobias Barreto-SE. A cidade é constituída atualmente por aproximadamente 51 mil habitantes (IBGE, 2015) a maioria é de classe baixa e uma minoria desfruta de um padrão de classe média.

O Colégio Estadual Presidente Castelo Branco está localizado na praça Castelo Branco, centro da cidade de Tobias Barreto. A escola Castelo Branco foi assim chamada em homenagem ao presidente Marechal Humberto de Alencar Castelo Branco. Em sua estrutura física a escola não possui quadra, entretanto há um espaço grande e aberto onde acontecem as atividades corporais. O Colégio Estadual Presidente Castelo Branco disponibilizou 6 professores para participação dessa pesquisa.

O Colégio Estadual Tobias Barreto está localizado no centro da cidade de Tobias Barreto- Se, na Avenida 7 de Junho n.º 512. O Colégio Tobias Barreto foi assim denominado em homenagem ao célebre poeta. Foi fundada no ano de 1943, passou por diversas reformas, no entanto o prédio continua com sua arquitetura original, tornando-se patrimônio da sociedade Tobiense. Sendo uma das escolas mais antigas da cidade, e a primeira do ensino público estadual da região, acompanhou o desenvolvimento do município. O público alvo da escola é proveniente da cidade e dos povoados. Em sua maioria corresponde a um conjunto de pessoas relativamente carentes, tanto do ponto de vista material, quanto afetivo. A escola atende do 1º ao 9º ano do ensino fundamental, e não existe quadra, nem área suficiente. O Colégio Estadual Tobias Barreto disponibilizou 3 professores para participação dessa pesquisa.

O Colégio Estadual João Antônio Cézar está localizado na rua Carlos Lemos nº 551 no centro da cidade de Tobias Barreto- SE. Foi fundado no ano de 1972. Essa escola atende do primeiro ao nono ano do ensino fundamental, sendo aproximadamente 720 alunos matriculados; a escola possui em média 25 professores. Percebe-se que os alunos matriculados são de famílias inseridas num padrão de classe baixa ou média baixa. A escola também não possui quadra, porém existe um espaço aberto. O Colégio Estadual João Antônio Cézar disponibilizou 6 professores para participação dessa pesquisa.

Em seguida, procuramos analisar as informações obtidas através da participação dos professores, construímos quatro quadros categorizando em grupos as respostas dos docentes. A primeira pergunta diz respeito ao entendimento que o entrevistado possui frente à Educação Física.

Amostragem

Resposta

H1, H2, G1, M2, H3, PRA1, M3

Disciplina importante na grade curricular que ensina saúde e conhecimentos sobre o corpo. A Educação Física está além dos exercícios corporais, pois sua praticidade está na vida particular dos alunos, tornando-se relevante o aprendizado do funcionamento corporal, bem como de suas habilidades físicas e intelectuais na busca de um estilo de vida mais saudável. Em suma, é responsável por melhorar o desempenho do corpo humano através das atividades físicas e lúdicas.

I1 e I2

Uma disciplina bem vista pelos alunos, ao mesmo tempo discriminada por nem sempre promover a ascensão deles por meio de provas. Ela é importantíssima, pois aborda os fundamentos importantes para interação social e no conhecimento de uma relevante inteligência: a corporal.

M1, C1e PRA2

É uma ciência que atua no estudo do corpo possui relação com a qualidade de vida e no desenvolvimento psicomotor do aluno. É responsável por estimular hábitos de saúde fazendo com que os alunos adotem práticas saudáveis para melhorar o desenvolvimento do corpo e da mente.

EF1 e EF2

É toda e qualquer forma de movimento, ela engloba a cultura corporal do movimento e determina também o desenvolvimento humano e suas respectivas coordenações para os nossos alunos. Um componente curricular que trabalha com o movimento humano através dos conteúdos esporte, jogos, dança, lutas e etc. Além de auxiliar com o desenvolvimento crítico dos educandos (valores) através dos temas transversais e conteúdos sobre a saúde.

Quadro 1: Entendimento do que é Educação Física.
Fonte: Criação do autor através da pesquisa realizada em maio de 2016.

Com a construção desse quadro a proposta foi verificar qual o entendimento dos docentes sobre a Educação Física, percebemos na maioria das respostas dos professores sem formação na área que essa disciplina é responsável por cuidar da saúde dos educandos, proporcionar atividades físicas e lúdicas com o objetivo de desenvolver todas as habilidades dos alunos, tanto intelectual quanto física, acrescentando que a disciplina é incumbida de melhorar o desenvolvimento do corpo humano, garantindo a participação e interação dos discentes nos seus diversos contextos.

Nesse quadro percebe-se que os professores M1, C1 e PRA2 (sem formação na área) já entendem que a Educação Física é uma ciência que estuda o corpo humano e suas habilidades, podendo oferecer qualidade de vida através dos conteúdos, dentre eles, os hábitos saudáveis. Por outro lado, esses mesmos professores compreendem que a disciplina oferece todas essas características para o melhor desenvolvimento do “corpo e da mente”. Nota-se que o entendimento desses docentes sem formação em Educação Física está baseada numa perspectiva biologicista; cujo objetivo da Educação Física é educar o corpo, ensinar os melhores hábitos de higiene, potencializar o melhor uso da força, aprimorar as habilidades físicas, enfim, melhorar o desenvolvimento do corpo humano através dos conhecimentos da medicina.

Por sua vez, os professores com formação na área, afirmaram que a Educação Física é a cultura corporal de movimento, reconhecida como um componente curricular obrigatório, cujo conteúdos são: os jogos, os esportes, as danças, as atividades rítmicas e expressivas e as lutas. Vale ressaltar que os professores têm ciência da importância do desenvolvimento crítico dos discentes através das aulas de Educação Física. Surpreende-se o fato desses professores mencionarem a utilização dos PCNs como contribuição teórica durante os planejamentos, mais especificamente o emprego dos temas transversais durante as aulas.

Ao longo dos anos a Educação Física como foi identificada como uma prática onde o corpo realizava ou era levado a realizar atividade física com vistas à saúde. Essa concepção de Educação Física está marcada desde os anos 1930, nessa época o estado decidiu que a Educação Física no contexto escolar seria responsável por educar os corpos das crianças e dos jovens cidadãos brasileiros, neste sentido Darido afirma que naquele momento “a preocupação central era com os hábitos de higiene e saúde, valorizando o desenvolvimento do físico e da moral a partir do exercício físico”. (DARIDO, 2015, p. 1). Nos dias de hoje, alguns professores entendem que a Educação Física escolar ainda ocupa o lugar de aprimorar as capacidades físicas e intelectuais dos alunos, sendo responsável por promover saúde. Neste sentido, o próprio Código de Ética para os profissionais de Educação Física em seu Cap. 3 Art. 6º menciona as responsabilidades e deveres do profissional de Educação Física, destacamos uma delas:

I- Promover uma Educação Física no sentido de que a mesma se constitua em meio efetivo para a conquista de um estilo de vida ativo dos seus beneficiários, através de uma educação efetiva, para promoção da saúde e ocupação saudável do tempo de lazer. (CONFEF, 2003, p.30).

Com base na citação anterior o próprio CONFEF afirma que a Educação Física é responsável pela promoção da saúde, nesse sentido os professores H1, H2, H3, G1, M2, M3 e PRA1 também entendem que a Educação Física “promove saúde através de atividades físicas e lúdicas garantindo qualidade de vida”. Noutro sentido, três professores de diferentes áreas (português, matemática e ciência) responderam que a Educação Física é uma ciência que ajuda os alunos a conhecerem as funções do corpo humano e a desenvolverem suas habilidades psicomotoras. No entanto, esses professores M1, C1 e PRA2 acreditam que: “a Educação Física é a condição das pessoas, mais especificamente dos estudantes, de conhecerem conceitos sobre a saúde do corpo, e por extensão, da mente”. Essa fala trata-se de uma visão moderna de corpo, a dicotomia corpo/ mente. A visão Cartesiana está presente desde quando René Descartes (1596-1650) filosofo alemão fundou a metafísica clássica, onde ele dividiu a realidade em consciência/mente e corpo/matéria.

A ideia de subdividir o corpo em partes, trouxe um grande desafio para a Educação Física nos dias de hoje, pensar o corpo como se fosse uma máquina que poderia ser analisado fragmentando suas partes é um erro grotesco. Sobre a dicotomia entre corpo/ mente, Moreira (1995, p. 99) descreve que:

A Educação Física, disciplina curricular no interior da escola revela uma concepção dualista, em que sua função esgota-se no trato de corpo/ objeto, melhorando seu rendimento, disciplinando seus gestos, adestrando suas ações, contribuindo para eficiência da mecânica do movimento. Portanto, há um comprometimento com a visão clássica dicotômica entre espírito e matéria, traduzida na escola de hoje entre mente e corpo, entre cognição e motor.

Hoje a Educação Física requer ao corpo a posição não mais como simples objeto, mas como sujeito, ou mais além, precisa-se identificar uma nova relação entre sujeito e objeto. É preciso superar essa dicotomia. Hoje em dia a Educação Física enxerga o aluno integralmente, como um ser em suas perspectivas biopsicossocial. Não pode-se pensar que é possível ensinar novas habilidades físicas ao educando, sem envolver o cognitivo. Dessa forma compreender que a mente é a extensão do corpo, é uma visão totalmente equivocada. Corroborando com o assunto Almeida (2003, p. 41) utiliza-se da seguinte argumentação:

A concepção dualista do ser humano de certa forma está presente na abordagem da Educação Física, que apresenta como objetivos principais, uma ideia de manutenção de saúde corporal e a aquisição da aptidão física entre outras características marcantes.

É justamente com essa visão de proporcionar o conhecimento da saúde do corpo ou o desenvolvimento motor dos educandos, que os professores sem formação na área entendem que a Educação Física educa o corpo e em consequência a mente. Para comprovar essa visão dicotômica, citamos a fala do professor M1 ao afirmar o que é Educação Física: “ação física ou mental, com o objetivo do desenvolvimento motor e raciocínio logico”. Nota-se a presença da concepção que o conhecimento proporcionado pela Educação Física está amparado em duas perspectivas “física ou mental”. No entanto, a Educação Física deve privilegiar o movimento do corpo integral, uma educação do sujeito que não transmita a ideia da fragmentação.

As informações obtidas através do quadro 1, revelam que a Educação Física já é entendida por alguns docentes sem formação na área como uma ciência, além de ser vista como uma disciplina voltada ao desenvolvimento das habilidades físicas e cognitivas dos alunos (mais uma vez o entendimento dicotômico), com o intuito de proporcionar saúde e qualidade de vida através das atividades físicas. No quadro a seguir, procuramos estratificar a visão dos docentes sobre a aplicação da Educação Física com foco no ensino fundamental II. Com essa pergunta procura-se compreender como os docentes sem e com formação em Educação Física descrevem sua aplicabilidade no ensino fundamental II.

Amostragem

Respostas

M1, M2, M3

Está intimamente ligado ao acesso de informações sobre práticas de exercícios e condicionamento físico e mental. Tudo aliado com os conceitos científicos vigentes. É um estímulo para o desenvolvimento social e do grupo, desenvolvendo as capacidades individuais de cada um.

H2

Peca muito em seu aspecto prático por muitas vezes fugir ao cotidiano dos alunos. Acho que ela está demasiadamente centralizada na prática esportiva, deixando de abordar temas relevantes como: prevenção de doenças, higiene, nutrição, etc.

H1, I2, C1, PRA2

Essa disciplina ensina aos alunos de forma científica como fazer exercícios sem sofrer lesões, e de uma forma descontraída. Ela não trabalha apenas o esporte, mas envolve princípios tais como a cidadania, a qualidade de vida, reconhecer a importância de não se tornar uma pessoa sedentária. Além disso, pode estimular os alunos a adquirirem hábitos saudáveis, melhorar a convivência entre o grupo, e desenvolver os princípios da coletividade, do respeito, da solidariedade, da boa convivência etc.

H3, PRA1

Contribuir para difusão do esporte em qualquer modalidade, estimular a prática de exercícios físicos e harmonizar a saúde mental e física. É fundamental, pois neste período da vida os alunos estão despertando sua sexualidade, ao mesmo tempo há uma energia corpórea que precisa ser trabalhada para que haja uma harmonia entre a mente e o corpo.

EF1, I1, M3 e EF2

Primordial, pois desenvolve as principais habilidades físicas, seja ela básica, ou esportiva. No fundamental II, a Educação Física tem o papel de aprimorar as capacidades básicas, além de utilizá-las para o desenvolvimento de habilidades específicas dos conteúdos curriculares da Educação Física na visão dos PCNs e Coletivo de Autores; além de temas transversais e conteúdos da saúde.

G1

É uma aula em que os alunos correm em busca de bola. Quando não, com aulas teóricas.

Quadro 2: Visão da Educação Física no contexto escolar com foco no ensino fundamental II.
Fonte: Criação do autor através da pesquisa realizada em maio de 2016.

Visualiza-se nesse quadro muita similaridade com o anterior; a visão dos professores frente à Educação Física no ensino fundamental II está basicamente ligada à saúde, ao estilo de vida ativo, à pratica ou iniciação esportiva, à pratica de exercícios e ao condicionamento físico e mental (destaca-se mais uma vez a visão dualista). Haja vistas, nesse quadro alguns professores também testemunham a cientificidade da Educação Física. Uma informação muito importante e positiva, foi a visão de alguns docentes sem formação na área que enxergam na Educação Física uma maneira de estimular os princípios da cidadania, cooperação, da convivência em grupo, do respeito, da solidariedade, da construção de regras, de hábitos saudáveis e etc.

Portanto, nota-se que muitos professores continuam pensando numa Educação Física voltada única e exclusivamente à pratica esportiva. Esse modelo conhecido como “esportivista” predomina-se no contexto escolar desde a década de 70, com a conquista do mundial através da seleção brasileira de futebol o esporte ficou ainda mais manipulado pelo estado, que buscava o controle da sociedade pois estava sendo pressionado por ela; na escola a prática esportiva foi e é visto como uma condição de encontrar novos atletas através das aulas de Educação Física, nesse período os professores eram tidos como técnicos, e desempenhavam o papel de encontrar alunos, que posteriormente seriam atletas.

Encontrar julgamentos dessa forma frente a Educação Física não é novidade, ao longo dos anos podemos visualizar vestígios desse modelo citado anteriormente, o esportivista. Sobre o modelo esportivista a professora Darido (2006, p.5) explica que o papel da Educação Física: “o papel da Educação Física Escolar era o de aprimorar a potencialidade dos alunos/ atletas, com ênfase na aprendizagem esportiva visando rendimento, sem, entretanto, abandonar os modelos anteriores do higienismo e militarismo”. Corroborando com o assunto, o professor H2 compreende que as aulas de Educação Física “peca justamente por estar centralizada na prática esportiva, além do ensino fugir da realidade do aluno”. É por esse motivo que até os dias de hoje muitas pessoas, inclusive os professores de outras áreas, como por exemplo os docentes H3 e PRA1 compreendem que a Educação Física “contribui para difusão do esporte e estimula a prática de exercício físico”, essa concepção está atrelada à esportivização na escola.

Percebe-se que a Educação Física escolar na concepção de alguns profissionais está ligada intimamente à pratica do esporte. Já no pensamento dos professores H1 e PRA2 a Educação Física é uma “disciplina científica que estimula os princípios da convivência em grupo, qualidade de vida, coletividade, cidadania, hábitos saudáveis e promoção da saúde”. Esses docentes sem formação na área pensam de acordo com os preceitos dos PCNs (1998), na medida que relatam a importância da utilização dos princípios estabelecidos por esses parâmetros frente à Educação Física, como por exemplo o uso dos temas transversais saúde, meio ambiente, ética, pluralidade cultural, orientação sexual e trabalho e consumo.

Verifica-se que os professores com formação na área entendem que a Educação Física é uma importante disciplina no ensino fundamental II, pois desenvolverá as habilidades básicas e esportiva dos educandos. Os docentes EF1 e EF2 relataram que é preciso “desenvolver habilidades específicas contidas nos Parâmetros Curriculares Nacionais”, esses profissionais destacam a importância dos temas transversais durante as aulas de Educação Física, principalmente o tema relacionado à saúde. A respeito do tema saúde na escola, e com referência à contribuição da Educação Física para tal, Guedes (1999) afirma que o objetivo da Educação Física escolar é proporcionar conhecimentos teóricos e práticos que possam contribuir aos alunos novas vivências e informações voltadas à educação para a saúde, incentivando a prática de atividade física ao longo de toda sua vida.

Com referência às aulas de Educação Física, o quadro apresentou uma problemática muito grande visualizada na fala da professora G1 “os alunos correm em busca de bola, quando não é aula teórica”. Essa é uma afirmativa com base na vivência do cotidiano escolar. Sabe-se que alguns professores da área têm esse costume de dar a bola e não oferecer a aprendizagem pedagógica. De acordo com Darido (2010, p.14) “a prática do “rola bola” é bastante condenável, pois se desconsidera a importância dos procedimentos pedagógicos dos professores”. Ainda sobre o “rola bola”, Darido (2010 p.14) diz que:

É preciso deixar claro que esse modelo não foi defendido por professores, estudiosos ou acadêmicos. Infelizmente ele é bastante representativo no contexto escolar, mas provavelmente tenha nascido de interpretações inadequadas e das condições de formação e trabalho do professor.

Infelizmente existem muitos profissionais com formação fragilizada ou não, que direcionam sua prática dessa forma, ou seja, entregam a bola aos alunos e eles mesmos é quem decidem os jogos, as regras e toda construção necessária para que aula ou a atividade aconteça, e o professor acaba ocupando o lugar de espectador. É por esse e outros motivos, talvez o cultural, que ainda existem muitos professores julgando a Educação Física equivocadamente. É competência do profissional de Educação Física dominar os conhecimentos que orientam sua prática, além de perceber as problemáticas que estão inseridas no seu local de trabalho. Essas determinações estão previstas no parecer n. º 274/ 2011 do CNE. Mas observamos que muitos profissionais estão desmotivados e acomodados para apresentar uma prática consciente e beneficente à sociedade, principalmente aos alunos; essa construção equivocada torna o professor de Educação Física mal visto, o que deixa a entender que ele só sabe dar a bola, e não fazer nada.

Nesta análise a nossa proposta foi identificar como a Educação Física é julgada por todos os profissionais da educação básica no ensino fundamental II, dessa forma, observamos infelizmente que ainda é possível encontrar educadores julgando ser possível uma Educação Física fragmentada e dicotômica; outros docentes visualizam nessa disciplina a capacidade de formar atletas no contexto escolar, em contrapartida os professores com formação na área e uma minoria dos outros docentes compreendem a cientificidade da área. Diante de toda discussão até o presente momento, procura-se no seguinte quadro identificar como os participantes dessa pesquisa enxergam as aulas de Educação Física durante seu tempo de trabalho no contexto escolar.

Amostragem

Respostas

H1, M1, G1, I1, PRA1, C1 e M3

Observamos aulas práticas com poucas modalidades desportivas; nota-se a interação entre os educandos, eles se dedicam muito às atividades práticas, são conscientizados a respeito da importância da atividade física para a saúde e qualidade de vida; eles adoram competir, principalmente os meninos que demonstram sua paixão pelo futebol.

H2, M2, H3 e I2

Visualizamos que a falta de estrutura e de materiais atrapalha e muito o andamento das aulas. Também existem alguns professores que não são formados na área, e outros que são muito tradicionais limitando suas aulas somente na sala de aula, haja vista, não possuem um bom espaço físico para as aulas práticas.

PRA2

As atividades durante as aulas continuam contemplando em sua grande maioria apenas o futebol e o queimado. Às vezes existem algumas resistências às aulas teóricas e até mesmo à pratica de outras modalidades esportivas/ conteúdos.

EF1 e EF2

As aulas de Educação Física são dinâmicas que muda a rotina do cotidiano escolar. Através das atividades práticas os alunos experimentam vivências que possibilitam uma maior interação com os seus colegas de turmas (socialização). A realidade das escolas públicas não condiz com as demandas da disciplina para uma correta vivência durante as aulas. A falta de material e espaço físico atrapalha e muito.

Quadro 3: Visão das aulas de Educação Física com base nas vivências do campo de trabalho.
Fonte: Criação do autor através da pesquisa realizada em maio de 2016.

Com esse quadro procura-se verificar como os professores de Educação Física e das demais disciplinas curriculares enxergam o andamento das aulas de Educação Física durante seu horário de trabalho. Com base no quadro 3, pode-se visualizar a construção de duas grandes problemáticas, a primeira diz respeito à falta de estrutura física das escolas e falta de materiais como fatores responsáveis por limitarem as aulas de Educação Física; a segunda problemática é com referência à limitação de conteúdo, ou seja, esses professores optam por uma ou duas modalidades esportivas e negligenciam os outros elementos da cultura corporal. Contudo, está explícito no quadro 3 que os docentes visualizam uma maior participação dos alunos nessa disciplina, ressaltando que existem alguns resquícios de competição durante as atividades. Alguns professores afirmaram que durante as aulas de Educação Física os alunos conseguem adquirir novos conhecimentos sobre a saúde, além disso ratificam que as aulas é uma maneira de socializar o grupo.

Verifica-se na fala de quatro professores uma das maiores problemáticas da Educação Física na escola, esses docentes H2, M2, H3 e I2 citaram que: “existem alguns professores que não são formados na área, e outros que são muito tradicionais”. Essa é uma grande barreira da Educação Física escolar, é muito fácil encontrar professores leigos que estão desenvolvendo na sua grande maioria um trabalho pedagógico fragilizado, não fosse assim, não estariam sendo citados nessa pesquisa. Sobre os professores tradicionalistas, Ghiraldelli Junior apud Remonte (2014) caracteriza que esse modelo pode ser visto por cinco aspectos: higienista, militarista, pedagogicista, competitivista e popular. Outro ensinamento de Remonte (2014) no que diz respeito ao professor tradicional, que nessa circunstância o foco, o centro de todo processo de ensino está localizado no professor, é o tipo de educação verticalizada, onde o aluno será um mero receptador, ou uma caixa que armazenará informações e conhecimentos.

Torna-se evidente que a denominada Educação Física tradicional realmente é um tipo de ensino que, de forma coerente com o pensamento pedagógico tradicional, vai tratar de assuntos relacionados à prática de atividade física como algo ligado exclusiva e diretamente ao corpo. Porém, o que a caracteriza como, verdadeiramente, tradicional, é o papel central do professor. Ele planeja, executa e avalia. Ao aluno cabe o papel de aprender. É a transmissão do saber em mão única. O professor “ensina”. (REMONTE, 2014, p. 146).

Infelizmente a resposta do professor PRA 2 é uma realidade no ambiente escolar frente às aulas de Educação Física. Às vezes as aulas focam em determinadas modalidades esportivas, excluindo-se os demais conteúdos da cultura corporal. Perguntado sobre o que enxerga durante suas vivências na escola esse professor afirmou que: “predomina-se o futebol e o queimado, os próprios alunos rejeitam as outras modalidades; e também as aulas teóricas”. A predominância do futebol está completamente amparada na questão cultural, ou seja, na concepção dos alunos e também de alguns professores da disciplina. Em decorrência do Brasil ser conhecido como o “país do futebol” os alunos compreendem que na escola será o momento que eles conseguirão desenvolver suas habilidades e conseguirão chegar num clube de futebol, e as aulas de Educação Física serão responsáveis por tais expectativas.

Os professores formados em Educação Física ratificam que as aulas são muito importantes para fortalecer o princípio da interação e da socialização do grupo, no entanto afirmam com veemência que as escolas públicas do estado de Sergipe não disponibilizam uma estrutura suficiente para o bom funcionamento das aulas, faltando até recursos materiais.

Por fim, na análise do quadro a seguir, procuramos verificar qual a opinião dos pesquisados sobre como deveriam ser ministradas as aulas de Educação Física no ensino fundamental II, já que anteriormente eles relataram pontos positivos ou negativos com base em vivências no seu local de trabalho.

Amostragem

Respostas

H1, H2, H3, M3, PRA2, I2

Intercalada entre teoria e prática e relacionada à realidade do aluno. Precisa apresentar mais modalidades esportivas para os alunos ter a oportunidade de escolher a qual se identifica mais; porém vale ressaltar que é preciso estimular mais aulas teóricas direcionadas aos hábitos saudáveis.

M1, G1, M2, I1

Infelizmente as escolas públicas de Sergipe na sua maioria não dispõem de quadras poliesportiva, isso torna-se numa implicação frente às aulas de Educação Física. As escolas deveriam desfrutar de uma boa estrutura física com quadra poliesportiva, com salas e com recursos áudio visual. Sobre a Educação Física, os professores deveriam trabalhar com mais aulas práticas e lúdicas.

PRA1

Com a participação dos alunos em atividades escritas e esportivas, com a existência de torneios de inter- classes e inter- colegiais, e que o respeito e a valorização dos atletas sejam mais importantes do que o resultado.

C1

Devem ser ministradas desde a educação infantil, pois essa disciplina está associada ao desenvolvimento da criança e do adolescente.

EF1 e EF2

Devem continuar entre prática e teórica. Temos que tomar cuidado com o abuso de aulas teóricas, pois em algumas situações as aulas práticas estão sendo abortadas. Na minha visão a prática é o sentido da Educação Física, pois não se realiza movimentos somente na sala. No ensino fundamental, o senso crítico e os valores dos educandos têm que serem desenvolvidos.

Quadro 4: Como deveriam ser ministradas as aulas de Educação Física no ensino fundamental II.
Fonte: Criação do autor através da pesquisa realizada em maio de 2016.

Percebe-se nesse quadro diferentes opiniões de como as aulas de Educação Física deveriam ser lecionadas na escola. Visualizamos nas respostas na maioria dos professores que a falta de estrutura das escolas públicas estaduais de ensino fundamental no município de Tobias Barreto torna-se se um empecilho muito grande para o professor de Educação Física. Outra parte dos professores relataram que as aulas devem continuar como estão, entre prática e teórica, direcionando mais aulas teóricas relacionadas à qualidade de vida e hábitos saudáveis. Voltam a frisar que é importante a presença de mais elementos da cultura corporal.

Uma professora felizmente cita que a disciplina deve ser lecionada desde a educação infantil. Os professores com formação na área compreendem que as aulas devem desenvolver a capacidade crítica dos alunos, além disso não pode-se negligenciar as aulas práticas. Prevalece na visão de alguns que precisa-se oportunizar a prática esportiva com vista ao rendimento e promoção do aluno.

É louvável a fala de um dos entrevistados, a professora C1 quando cita que: “a Educação Física deve ser ministrada desde a educação infantil, pois essa disciplina está ligada ao desenvolvimento da criança e do adolescente”. Essa fala é uma garantia de que a Educação Física está se transformando, e cabe a nós mesmos fazer essa modificação de Educação Física esportivista, biologicista, militarista através do ensino estruturado, do planejamento pedagógico com compromisso e acima de tudo amparado pela literatura científica. É um passo adiante verificar que já existem profissionais docentes que compreendem a importância da inserção da Educação Física no campo da educação infantil.

Nesse quadro observa-se a fala do professor PRA1 quando ele menciona como deveriam ser ministradas as aulas de Educação Física no ensino fundamental II, o mesmo afirmou que “deveria existir torneios entre classe ou escolas; porém o respeito e a valorização do atleta deveria ser mais importante que o resultado”. Notamos com essa fala a existência de um equívoco e um acerto. Primeiro que o esporte na escola deve ser um trabalho voltado sob um viés pedagógico que não prioriza a seleção ou o descobrimento de novos atletas. A perspectiva de revelar atletas no contexto escolar ficou marcada a partir da década de 70 com estado ditatorial querendo demonstrar sua força e prestígio nacional através da via educacional e esportiva, torna-se um erro considerar que o aluno é um possível atleta, e o professor é o caça talentos, ou mesmo o técnico. Entretanto nessa fala existe um acerto, considerar que o resultado não é importante; o objetivo é a participação, o respeito e a valorização do discente.

Em suma todos os professores que participaram dessa pesquisa, afirmaram que as aulas de Educação Física devem continuar entre teóricas e práticas, no entanto lamentam a carência de estrutura física das escolas, e ratificam que as aulas de Educação Física devem oferecer atividades físicas e lúdicas estimulando a capacidade crítica dos educandos e oferecendo o conhecimento acerca da saúde corporal e qualidade de vida.

6. CONSIDERAÇÕES FINAIS

A escolha desse tema se deu através das vivências durante os estágios supervisionados, onde presenciei alguns docentes com visões distorcidas sobre o que é, qual a função e importância da Educação Física escolar. Em algumas obras científicas visualizei alguns escritos sobre diversos estereótipos relacionados à Educação Física e também ao professor dessa disciplina. Com isso, procurei identificar através dessa pesquisa a visão dos professores da rede estadual de ensino fundamental do município de Tobias Barreto- SE sobre o papel da Educação Física no ensino fundamental II.

O resultado dessa pesquisa foi satisfatório, contamos com a participação de 16 professores concursados, e que estão no magistério a dois anos. Todos os professores participaram de entrevista e responderam o questionário informando sua concepção frente à Educação Física escolar. De acordo com essa pesquisa, percebemos que a grande maioria dos docentes enxergam a disciplina como uma área responsável pela promoção da saúde e qualidade de vida. Outros consideram que essa disciplina deve proporcionar a prática esportiva na escola buscando desenvolver as habilidades dos discentes; e outra parte dos docentes afirmam que a Educação Física é uma ciência responsável pela cultura corporal do movimento, e que durante suas aulas devem estimular os princípios de cidadania, ética, coletividade, convivência em grupo, enfim, proporcionar ao aluno autonomia.

Um dos pontos negativos encontrados durante a pesquisa é justamente algumas concepções que vários professores explanaram nesse trabalho, ou seja, enxergar a Educação Física através de um viés esportivista, onde as aulas são única e exclusivamente destinadas à pratica do esporte, em alguns casos somente o futebol é apresentado. Ficou claro que alguns professores compreendem a Educação Física numa perspectiva de biologização, ou seja, fortalecer as habilidades e capacidades dos alunos na escola, preparando-o para o mercado de trabalho. Além disso, outro ponto negativo nessa pesquisa é com relação a muitos professores ainda entenderem que o corpo pode ser estudado/ ensinado em partes; essa fragmentação das partes (corpo e mente) infelizmente ainda está inserida no entendimento de muitos docentes, e mais, esses mesmos professores julgam que a Educação Física é responsável por educar o corpo e a mente, citando que as atividades físicas e um estilo de vida ativo e saudável potencializa essa dicotomia; não distinguindo que a educação do ser humano deve ser íntegra.

Portanto, coube realizar esse estudo para identificar a visão daqueles que convivem com o professor de Educação Física na comunidade escolar, visando verificar suas percepções sobre a disciplina, e compreender qual a importância estabelecida por eles sobre a Educação Física no ensino fundamental II. Conseguimos compreender que o papel da Educação Física no ensino fundamental II é estimular princípios da cidadania, ética, cooperação, desenvolver as habilidades básicas e esportiva dos educandos, oferecer atividades físicas e lúdicas baseadas na cultura corporal do movimento, demonstrar a importância de um estilo de vida ativo, bem como os benefícios da prática regular de exercício físico.

Pretende-se ampliar esse estudo, pois de acordo com os resultados encontrados nessa pesquisa os professores de Educação Física demonstraram um aporte conceitual e metodológico acerca dos objetivos da Educação Física no contexto escolar, reconhecendo-a como uma ciência que estuda a cultura corporal do movimento, responsável por despertar o conhecimento crítico do aluno e a inserção/ interação de todos na sociedade. Por outro lado, identificamos que existe um confrontamento do resultado desse trabalho com outras pesquisas científicas já publicadas, as quais demonstram que os profissionais de Educação Física ainda deixam muito a desejar durante suas práticas, não compreendendo os verdadeiros princípios da Educação Física escolar. Dessa forma, precisa-se posteriormente estender o estudo e observar se os professores participantes da pesquisa realmente conseguem pôr em prática tudo aquilo que mencionaram teoricamente, e por fim verificar se a visão higienista, esportivista ou cartesiana que esteve hodierna nessa pesquisa está presente durante as aulas de Educação Física, ou se de fato é uma herança cultural que reside na concepção dos demais professores sem formação na área.

De acordo com alguns professores sem formação na área conclui-se que a visão da Educação Física escolar está amplamente ligada ao currículo higienista e esportivista. Entretanto, vale salientar que os professores de Educação Física participantes desse estudo demonstraram um saber conceitual acerca dos conteúdos estruturantes da área, das abordagens, dos objetivos e dos próprios documentos que disponibilizam parâmetros e auxílio ao docente na construção do planejamento. Acrescentamos que eles reconhecem a Educação Física como uma ciência da saúde que estuda a cultura corporal do movimento, portanto a Educação Física está em boas mãos nas escolas estaduais do município de Tobias Barreto- SE.

7. REFERÊNCIAS

ALMEIDA, A. G. de. Corpo e a Educação Física: um debate sobre a visão dualista. Piracicaba, São Paulo: 2003. Dissertação de Mestrado. UNIMEP, Universidade Metodista de Piracicaba, Piracicaba, São Paulo. Disponível em: http://www.listasconfef.org.br/comunicacao/Dissertacoes/ADMILSON-GONCALVES-ALMEIDA.pdf Acesso em: 23 de Maio de 2016.

AYOUB, Eliana. Reflexões sobre a Educação Física na educação infantil. Rev. Paulista de Educação Física, SP, supl. 4, p. 53- 60, 2001. Disponível em:  http://citrus.uspnet.usp.br/eef/uploads/arquivo/v15%20supl4%20artigo6.pdf Acesso em: 04 de Maio de 2016.

BARBIERI, A. F., PORELLI, A. B. G., MELLO, R. A. Abordagens, concepções e perspectivas de Educação Física quanto à metodologia de ensino nos trabalhos publicados na revista brasileira de ciências do esporte em 2009. Rev. Motrivivência, ano XX, Nº 31, p. 223-240, 2008. Disponível em: https://periodicos.ufsc.br/index.php/motrivivencia/article/view/2175-8042.2008n31p223/13003 Acesso em: 30 de Abril de 2016.

BARBOSA, J. Paulo. Aulas de Educação Física no Ensino Médio Mistas e Separadas por Sexo: Quais as implicações no comportamento e aproveitamento dos alunos de uma escola estadual de Porto Alegre? 2012. 47 f. Monografia- UFRG, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, Rio Grande do Sul. Disponível em: https://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/70290/000875878.pdf?sequence=1 acesso em: 02 de Maio de 2016.

BETTI, M. Educação física e sociedade. São Paulo: Movimento, 1991.

_________. A janela de vidro: esporte, televisão e Educação Física. SP: Unicamp, 1997.

_________. Ensino de primeiro e segundo graus: educação física para quê? Revista Brasileira de Ciências do Esporte, Maringá, vol. 13, n. 2, 1992, pp. 282-287.

BETTI, M.; ZULIANI, L. R. Educação Física Escolar: uma proposta de Diretrizes Pedagógicas. Revista Mackenzie de Educação Física e Esporte – 2002, 1(1):73-81. Disponível em: http://www.mackenzie.br/fileadmin/Graduacao/CCBS/Cursos/Educacao_Fisica/REMEFE-1-1-2002/art6_edfis1n1.pdf Acesso em: 22 de Abril de 2016.

BRACHT, Valter. Educação Física e aprendizagem social. Porto Alegre, Magister, 1992.

______________. Esporte na escola e esporte de rendimento. Movimento - Ano VI - Nº 12- 2000/1. Disponível em: http://www.seer.ufrgs.br/index.php/Movimento/article/viewFile/2504/1148 Acesso em: 27 de Abril de 2016.

BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros curriculares nacionais: Educação física / Secretaria de Educação Fundamental. – Brasília: MEC/SEF, 1997.

_________. Ministério da Educação. Secretaria de educação fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais (5ª a 8º séries). Brasília: MEC/ SEF. 1998.

_________. Ministério da Educação. Conselho Nacional de Educação. Parecer CNE/CP nº. 28, de 2 de outubro de 2001.

_________. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional- LDB, Nº 9.394, de 20 de Dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. 8ª ed. Brasília: Câmara dos Deputados, Edições Câmara, 2013.

________. Ministério da Educação. Conselho Nacional de Educação. Resolução CNE/ CP Nº. 7/2004. Brasília, 2004.

________. Ministério da Educação. Conselho Nacional de Educação. Resolução CNE/ CES N.º 274/2011. Brasília, 2011.

________. Ministério da Educação. Conselho Nacional de Educação. Resolução CNE/ CES N.º 1/2002. Brasília, 2002.

________. Ministério da Educação. Conselho Nacional de Educação. Parecer nº. 894/1969. Brasília, 1969.

________. Ministério da Educação. Conselho Nacional de Educação. Parecer nº. 215/87. Brasília, 1987.

CASTELLANI FILHO, L. A Educação Física no Sistema Educacional Brasileiro: percurso, paradoxos e perspectivas. (Tese apresentada à Universidade Estadual de Campinas) Campinas, 1999.

______________. Educação Física no Brasil: a história que não se conta. Campinas, SP: Papirus, 1988.

CONFEF- Conselho Federal de Educação Física. Código de Ética. 2003

_______________. Recomendações para a Educação Física escolar. Org. Ricardo Catunda, Elisabete Laurindo, Sergio Kudsi Sartori, 2014.

COSTA, M. R. F.; SILVA, R. G. A Educação Física e a Co- educação: igualdade ou diferença? In: Rev. Bras. De Ciências do Esporte. V. 23. Nº2. pp. 43-54. Jan., 2002. Disponível em: http://www.revista.cbce.org.br/index.php/RBCE/article/view/269/252 Acesso em: 02 de Maio de 2016.

DAOLIO, J. Os significados do corpo na cultura e as implicações para a Educação Física. Movimento, a. 2, n. 2, p. 24-28, jun. 1995.

__________. Educação Física e conceito de cultura. Campinas, SP: Autores Associados, 2004.

DARIDO, S.C. Educação Física na escola: questões e reflexões. Editora Guanabara Koogan, 2003.

____________. Educação Física na escola: questões e reflexões. Editora Guanabara Koogan, 2015.

FREIRE, J. B., SCAGLIA, A. J. Educação como prática corporal. 2ª ed. São Paulo: Scipione, 2009.

GHIRALDELI JUNIOR, P. Educação física progressista: a pedagogia crítico-social dos conteúdos e a educação física brasileira. São Paulo: Loyola, 1994.

GIL, A. C. Como elaborar projetos de pesquisa. 5ª ed. São Paulo: Atlas, 2008.

________. Métodos e técnicas de pesquisa social. 6º ed. 3º reimpressão. São Paulo: Atlas, 2010.

GUEDES, D.P. Educação para saúde mediante programas de Educação Física escolar – Motriz, Rio Claro, SP. V.5, n.1, p. 10-14, 1999.

IBGE. Instituto Brasileiro de Geografia e Estática. 2015. Disponível em: http://cod.ibge.gov.br/8AK Acesso em: 09 de Maio de 2016.

HEROLD JUNIOR, Carlos. A Educação Física na história do pensamento educacional: apontamentos. Guarapuava: Unicentro, 2008.

KUNZ, Elenor. Transformação didático-pedagógica do Esporte. Ijuí: Unijuí, 1996.

LE BRETON, David. A Sociologia do corpo. 2ª ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2007.

MATTOS, Mauro Gomes de; NEIRA, Marcos Garcia. Educação Física infantil: Construindo o movimento na escola. 7ª ed. São Paulo: Phorte, 2008.

MEDINA, J. Paulo. A Educação Física cuida do corpo... e “mente”: bases para a renovação e transformação da Educação Física. 9ª ed. Campinas, SP: Papirus, 1990.

MOREIRA, W.W. Educação Física escolar: uma abordagem fenomenológica. Campinas: Unicamp, 1991.

NEIRA, M. G., NUNES, M. L. F. Pedagogia da cultura corporal: críticas e alternativas. São Paulo: Phorte, 2006.

QUEIROZ, M.I.P. Variações sobre a técnica de gravador no registro da informação viva. São Paulo: Ceru, 1983.

REMONTE, Jarbas G. A Educação Física tradicional sofre, mas ainda vive. Maringá, v.36, n.1, p. 143-149, janeiro-junho, 2014. Disponível em: http://periodicos.uem.br/ojs/index.php/ActaSciEduc/article/view/21583 Acessado em: 26 de maio de 2016.

ROMERO, E. As meninas babam o jogo e os meninos são mandões. Jundiaí, São Paulo: Fontoura, 2010.

SANTOS, Ana L. P. dos; SIMÕES, Antônio C. Educação Física e qualidade de vida: reflexões e perspectivas. Saúde Sociedade São Paulo, vol.1, nº1, p. 181-192, 2012. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/sausoc/v21n1/18.pdf Acessado em: 22 de Maio de 2016.

SANTOS, José Wilson dos. Manual de monografia da AGES: graduação e pós graduação. / José Wilson dos Santos, Rusel Marcos Batista Barroso- Paripiranga: AGES, 2016.

SOARES, Carmem. L. ET ALL. Metodologia do ensino de Educação Física. São Paulo: Cortez, 1992.

SOARES, Carmem. L. Imagens da educação no corpo. 3ª ed. Campinas, São Paulo: Autores Associado, 2005.

____________. Educação Física raízes europeias e Brasil. 4ªed. Campinas, SP: Autores Associados, 2007.

SOUZA, E. Salvadora de; ALTMANN, Helena. Meninos e meninas: expectativas corporais e implicações na Educação Física Escolar. Cad. CEDES, Nº 48, V. 19, 1999. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/ccedes/v19n48/v1948a04 Acessado em: 02/05/2016.

TAFFARAEL, C. Z., LACKS, S., SANTOS JUNIOR, C. de Lira. Formação de professores de Educação Física: estratégias e táticas. Rev. Motrivivência, Ano XVIII, Nº 26, P. 89- 111, Jun. 2006. Disponível em: https://repositorio.ufba.br/ri/bitstream/ri/12104/1/1.2%20-%20FORMA%C3%87%C3%83O%20DE%20PROFESSORES%20DE%20EDUCA%C3%87%C3%83O%20F%C3%8DSICA.pdf Acessado em: 30 de Abril de 2016.

VASCONCELOS, Maria Lucia. Educação básica: a formação do professor, relação professor-aluno, planejamento, mídia e educação. São Paulo: Contexto, 2012.

UNESCO. Carta Internacional da Educação Física e do esporte da UNESCO. 1978.

YIN, Robert K. Estudo de caso: planejamentos e métodos. trad. Daniel Grassi- 2ª ed. Porto Alegre: Bookman, 2001.

8. APÊNDICE

8.1 APÊNDICE A - QUESTIONÁRIO

UniAGES

QUESTIONÁRIO PARA PESQUISA MONOGRÁFICA

  1. Qual é a disciplina que você leciona?

_____________________________________________________________________

  1. No seu entendimento o que é Educação Física?

_________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________

  1. Qual é a sua visão da Educação Física no contexto escolar com foco no ensino fundamental II?

_________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________

  1. Com base nas suas vivências do cotidiano escolar do seu campo de trabalho o que você enxerga durante as aulas de Educação Física?

_________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________

  1. Na sua opinião como deveriam ser ministradas as aulas de Educação Física no ensino fundamental II?

_________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________


Publicado por: Janderson Lima Santana

PUBLICIDADE
  • SIGA O BRASIL ESCOLA
Monografias Brasil Escola