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Estação Carandiru

Direito

Estação Carandiru, a história da Estação Carandiru, fatos decorrentes da Estação Carandiru, doenças dentro da Estação Carandiru, a violência na Estação Carandiru.

ESTAÇÃO CARANDIRU

Lançado em 1999, o livro Estação Carandiru é escrito pelo Dr. Drauzio Varella, que nasceu em São Paulo, em 1949, médico cancerologista e colunista da Folha de São Paulo e da Carta Capital. A obra traz o nome Estação Carandiru por situar-se em frente ao metrô e por ser um bairro da zona norte de São Paulo, localizado na subprefeitura de Santana. A Casa de Detenção de São Paulo, popularmente chamada de Carandiru, foi um complexo penitenciário fundado na década de 20, aonde já chegou a abrigar mais de sete mil presos, sendo o maior presídio do Brasil e da América Latina. Um dos fatos mais conhecidos da história do presídio ocorreu em 1992, quando 111 detentos foram mortos pela Polícia Militar do Estado de São Paulo, a comando do Coronel Ubiratam Guimarães, tudo começou com uma briga de presos no pavilhão nove, esse fato teve grande repercussão nacional e internacionalmente e ficou conhecido como o "Massacre do Carandiru". Em 1989, o Dr. Drauzio Varella iniciava um trabalho voluntário, no complexo penitenciário de São Paulo, de prevenção à AIDS, o qual se abrira as portas para a edição do livro. Até 2002, ano em que o presídio foi desativado, trabalhou como médico voluntário no local. O Doutor Varella chegou a idealizar uma revista em quadrinhos, O Vira-Lata, como parte do plano de prevenção da AIDS na cadeia.

O Dr. Drauzio Varella começa, no livro, descrevendo a Casa de Detenção de São Paulo, detalhadamente, para que o leitor possa se situar e analisar o que se passa e o que ele passou durante o seu período de voluntariado dentro de um grande presídio, registrando fatos e as experiências pessoais dos detentos. O propósito da obra é levar ao conhecimento da sociedade todos os acontecimentos, mas não fragmentados como nos jornais e mídia, onde só ouvem e mostram os casos isolados, as rebeliões e as represálias, o Doutor tenta mostrar que naquele presídio, mesmo com a superlotação que se encontrava, existia uma sociedade que necessitava de um tratamento e de uma dignidade de pessoa humana, e não de uma segregação por parte da população e do Estado, porque além de tudo eles eram humanos, sendo imprescindível o apoio para suas recuperações, no entanto por viverem coletivamente fora do ambiente cívico-urbano, existiam leis, as quais eram regidas por códigos não escritos, baseadas apenas no respeito e na disciplina.

O complexo era composto por nove pavilhões, um quartel da polícia militar, dois campos de futebol e um pátio, chamado de divinéia, dentre os pavilhões havia o chamado amarelo, que era o pavilhão cinco, onde abrigava bandidos que desrespeitaram as leis do crime como: estrupadores, delatores, etc., aos quais, esses eram marcados para morrer. Durante o período de estadia dentro da Casa de Detenção, Varella pôde além de realizar o trabalho preventivo contra a AIDS, fazer grandes amizades às quais foram possíveis para redigir o livro com a riqueza de detalhes, alguns deles: Sem Chance, o nome se dava por uma marca nas suas pronúncias, que sempre finalizava seu discurso; Bárbara, travesti que abrigava no Pavilhão cinco.

Ao longo de mais de uma década de convívio com os presos e com funcionários da Detenção, o Doutor organizou palestras, gravou vídeos e além de tudo, não fazia apenas um trabalho de combate e prevenção à AIDS, tratava também as doenças que assolavam a vida carcerária dos detentos, não se limitando, somente, ao combate e prevenção da Síndrome da Imunodeficiência Adquirida.

Portanto, é um livro de histórias não de medicina, esta que relata apenas informações altruístas, mas sim fatos ocorridos no interior de um grande cárcere, que necessitam ser relevadas, não com o intuito de relevar as falhas e sim, de forma genérica, a precária situação com que vivem os presos no Brasil. A obra é escrita com um estilo direto e com tonalidades machadianas, que vem desmentir grande parte dos mitos que assolam a sociedade quando se fala em presídio, que ainda hoje é cultivada a respeito da vida nas prisões. A presente obra inspirou o filme de Hector Babenco, Carandiru, o qual foi seguido em grande parte do que estava no livro, mas não com a riqueza de detalhes como na obra.


Publicado por: Juliano de Paula Dias

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