Topo
pesquisar

Jornalismo “BuzzFeed”: A ascensão de um dos maiores sites de entretenimento da atualidade como mídia e sua consequente contribuição para um novo modelo de webjornalismo

Comunicação e Marketing

Toda a comunicação utilizada pelo Buzzfeed, suas estratégias mercadológicas assim como a forma que grandes conglomerados de mídias estão se apropriando desta linguagem única do site.

índice

1. RESUMO

Este trabalho apresenta uma análise sobre como um dos maiores sites de entretenimento da atualidade, o BuzzFeed, ascendeu como mídia e contribuiu para a formação de um novo modelo de webjornalismo. O objetivo é analisar a forma que o portal incorporou a cultura da internet e quais foram suas estratégias para conquistar uma elevada taxa de engajamento nas redes sociais, além de compreender a lógica que motivou o BuzzFeed a se distanciar do tradicional estilo jornalístico estabelecido pelos veículos impressos. Para melhor entendimento, será feita uma contextualização sobre como o jornalismo migrou para o cenário virtual, até chegarmos ao site que compreendeu o que o público demandava, incorporando esse formato à sua produção de conteúdo online.

Palavras-chaves: Buzzfeed; webjornalismo; redes sociais.

ABSTRACT

This paper presents an analysis of BuzzFeed, one of the biggest entertainment sites online, as an emergent media format and its contribution toward establishing a new web journalism model. The goal is to analyze how BuzzFeed incorporated internet culture and designed strategies to achieve high engagement rates in social networks. Moreover, this work aims to understand BuzzFeed's motivations in distancing itself from traditional journalistic guidelines as established by print media. To further clarify the topic we provide contextualization about how journalism migrated to a virtual format, tracing this evolution up to the site that understood its users demands and included their needs to its online content design.

Keywords: Buzzfeed; web journalism; social medias.

2. Introdução

Desde o seu surgimento, nos anos 1990, a internet já reunia a grande matéria-prima dos jornais e emissoras de rádio e TV, a informação. No entanto, a falta de acessibilidade ou infraestrutura impediam que o cenário virtual fosse visto como estratégico ou revolucionário para o mercado jornalístico. Os grandes conglomerados de mídia beneficiaram-se aprimorando seus softwares de editoração para garantir um fechamento de edição mais tardio. A digitalização das notícias era o trabalho mais simples, visto que a internet era um privilégio para poucos, como órgãos governamentais, ONGs, renomadas instituições de ensino e famílias bem estruturadas financeiramente, devido ao alto preço veiculado pelas conexões discadas.

Entretanto, anos depois, a conexão via banda larga surgiu e ampliou o número de usuários explorando o potencial da rede. Oportunidades surgiam e o cenário virtual consolidava, cada vez mais, sua importância na rotina de cada indivíduo. Principalmente, os sites de buscas diretas, como o Google, que reúne milhares de informações em um único ambiente.

Embora o número de utilizadores em todo o mundo tenha atingido uma dimensão interessante, o ritmo de crescimento da banda larga condiciona o tipo de conteúdos oferecidos pelo jornalismo que se faz na web. Naturalmente, as publicações apostaram nas notícias baseadas em texto verbal escrito, já que o download das páginas é relativamente rápido mesmo para acessos de baixa velocidade. É por isso que o texto continua a ser o elemento mais usado no jornalismo que se faz na web, mas este não é o único motivo para que tal se verifique. (CANAVILHAS, p. 26 e 27, 2007)

Com a facilidade de ter acesso a milhares de notícias, com fatos mais recentes, em tempo real, perdeu-se o interesse por um jornal impresso que leva notícias do dia anterior às bancas. Além da expansão da banda larga, a mobilidade deu início a uma revolução no mercado, com todos conectados em dispositivos como tablets e smartphones, não há quem limite a comunicação online.

Esses fatores deram início a uma revolução no jornalismo, que se fortaleceu com o surgimento das redes sociais e aqui, para uma melhor compreensão, consideramos como exemplo apenas as mais sólidas e influentes da contemporaneidade, o Twitter e o Facebook. A primeira chegou com a proposta de simplificar e facilitar a comunicação ao limitar seus caracteres e reunir o usuário com pessoas de seu interesse em um único espaço. Já a segunda, optou por proporcionar uma experiência mais ampla em termos de layout, estrutura e conexão entre pessoas.

Na “linha do tempo”, forma como o Facebook denomina sua página inicial, os usuários possuem uma espécie de home page personalizada com as atualizações de todos os amigos e fan pages que seguem, estas últimas já não são utilizadas como páginas de fãs, sim como canais de comunicação para marcas, pessoas públicas e principalmente veículos jornalísticos. Portanto, a “linha do tempo” funciona como um feed, no qual o usuário tem acesso a tudo o que segue. Matérias jornalísticas, propagandas, atualizações de amigos e outras atividades.

É nesse contexto que se consolida o grande desafio do jornalismo contemporâneo. Permanecer em tentativas de unificar o tradicionalismo da função com os métodos atuais, ou se adaptar e buscar compreender como o jornalismo pode beneficiar-se dessa difusão, pois para ter acesso a um número ilimitado de notícias, basta estar conectado às redes sociais.

Migrar o conteúdo para o ambiente digital não é mais tão simples quanto parece. Com o advento das mídias sociais, as pessoas querem se sentir parte do objetivo que tem uma notícia jornalística: contribuir para a construção da opinião pública. Comentar uma matéria não é simplesmente folhear um jornal e expressar uma opinião boca-a-boca com alguém que está ao nosso lado, pois nos dias de hoje, os indivíduos compartilham e se expressam para toda uma rede de contatos e amizades e esse conteúdo vai se propagando e gerando um engajamento cada vez maior. São opiniões que atingem toda uma rede e provocam uma série de debates.

Essa mudança sinaliza um movimento na direção de um modelo mais participativo de cultura, em que o público não é mais visto como simplesmente um grupo de consumidores de mensagens pré-construídas, mas como pessoas que estão moldando, compartilhando, reconfigurando e remixando conteúdos de mídia de maneiras que não poderiam ter sido imaginadas antes. (JENKINS, p. 24, 2014)

Isso dificultou a digitalização das matérias e exigiu que todas, sem exceções, possuíssem um aspecto tanto mercadológico quanto informativo. É nesse contexto que se encaixa o Buzzfeed. Fundado em 2006, o portal une em seu conceito o termo buzz, mais utilizado no marketing para remeter a uma ideia que surge e se espalha na rede contagiando e incentivando pessoas, e feed, ferramenta que une tudo o que um internauta tem interesse em seguir ou ler em um único espaço.

O objetivo do Buzzfeed é produzir um conteúdo propagável e, literalmente, misturar suas publicações. O portal não possui editorias jornalísticas e sua home page reúne conteúdos humorísticos e jornalísticos ao mesmo tempo, julgados pelos editores como os mais interessantes e atraentes ao público que hoje se divide em várias redes sociais.

Em uma análise, é possível observar no site que todo conteúdo foi produzido em consonância com a linguagem utilizada em redes sociais. Diferente dos grandes conglomerados de mídia que apenas migram seus conteúdos e replicam nas redes a fim de gerar engajamento e aumentar o número de acessos do site.

Em 2014, o portal virou assunto no mundo afora por ter publicado, como seu primeiro furo jornalístico, o relatório estratégico (a ser analisado nos próximos capítulos) de um dos jornais mais influentes do mundo, o The New York Times. Esses dados eram divulgados anualmente pelo conglomerado e servia como base para milhares de veículos no mundo inteiro se posicionarem no mercado. Curiosamente, o de 2014 não havia sido divulgado e a equipe do Buzzfeed, além de ter conseguido o acesso, descobriu que o nome do portal figurava entre os principais concorrentes do jornal no ambiente virtual e era tido como referência em jornalismo online.

A grande questão é: como um portal de cunho humorístico se tornou um grande concorrente para os conglomerados de mídia que sempre dominaram a mercado da comunicação? A resposta é simples, o Buzzfeed buscou compreender a cultura da internet e não apenas migrou conteúdo, como fazem os tradicionais veículos jornalísticos.

Este processo não começou de forma discreta. Famoso por listas excêntricas repletas de humor e assuntos com facilidade de se tornarem virais, o Buzzfeed surpreendeu e contratou, durante a última campanha presidencial americana, o jornalista Mark Schoofs do respeitado portal investigativo ProPublica e esta foi apenas a primeira de inúmeras contratações para compor uma equipe jornalística à frente do site, de acordo com Rem Rieder e David Carr (2014).

A estratégia, iniciada em 2012, não afastou os leitores mais ávidos pelas listas e temas de chacota virtual. Pelo contrário, apenas consagrou o portal e mostrou que aquele era apenas um bom exemplo de comunicação digital, pois assim como no Facebook, no qual as pessoas estão acostumadas a verem de tudo misturado, como matérias humorísticas, postagens pessoais e matérias jornalísticas, o Buzzfeed se posicionava com a mesma estratégia.

Outra forte característica do site é a segmentação. Para gerar os tão falados engajamento e propagação nas redes sociais, alguns materiais da empresa são criados exclusivamente para o Facebook e o Youtube, sem qualquer ligação com a home page. São propostas estratégicas que fogem do modelo tradicional e permitem que a empresa tenha um maior conhecimento de seu público.

Na análise deste trabalho, será aprofundada toda a comunicação utilizada pelo Buzzfeed, suas estratégias mercadológicas assim como a forma que grandes conglomerados de mídias estão se apropriando desta linguagem única do site. É a tão falada “Buzzfeedização do Jornalismo”, no qual matérias se transformam em listas e ganham recursos multimídias para conectar-se ao público das redes sociais e gerar o máximo de interação possível.

3. Do jornalismo impresso ao digital

Para entendermos toda essa nova linguagem do jornalismo para a web e como foi o seu processo de transformação, iremos antes fazer uma breve passagem pelas mudanças da atividade – a migração do impresso para o audiovisual e posteriormente, o ambiente virtual – para, em seguida, fazermos uma análise do cenário, aprofundar os questionamentos que a web trouxe para o jornalismo e estudar todas as considerações acerca de cada avanço que a internet teve, como por exemplo, Web 2.0.

A Guerra de Secessão, nos Estados Unidos, foi uma das responsáveis pela padronização de um estilo jornalístico reproduzido no mundo afora, a pirâmide invertida. Na época, era por meio de um telégrafo que os jornalistas enviavam suas crônicas de guerra, no entanto, passavam também por dificuldades para exercer a profissão devido a incapacidade de transmissão da fiabilidade técnica. Além do mais, os postes que sustentavam a fiação eram alvos constantes das tropas inimigas e o sistema vivia inoperante.

Portanto, para agilizar o processo e garantir o envio, jornalistas e operadores de telégrafos entraram em um acordo: seria enviado apenas o primeiro parágrafo de seu texto para que depois de uma primeira ronda fosse enviado o segundo. Sendo assim, nasceu o famoso método que por muitos anos norteou a atuação jornalística no mundo afora, a pirâmide invertida. Na época, esta regra de funcionamento obrigou inúmeros profissionais a organizar os fatos pelo valor noticioso ao invés do relato cronológico. (CANAVILHAS, 2007)

A pirâmide invertida, batizada assim por Edwin L. Shuman no seu livro Practical Journalism, foi adotada pelos jornais impressos e estes, nos primórdios da profissão, eram as fontes exclusivas de notícias. Entretanto, em pouco tempo, perdeu-se esse título com o surgimento dos meios audiovisuais. O rádio e a televisão só não roubaram o espaço do jornal impresso por que cada um desses meios possuía uma utilidade diferente na vida de cada indivíduo. Com o rádio e a televisão, as pessoas poderiam estar informadas sobre fatos mais recentes no conforto de suas casas, já o jornal impresso podia acompanhar qualquer pessoa no trajeto até o seu trabalho, sua casa, além de sempre trazer uma cobertura mais aprofundada e completa dos fatos.

Por isso, muitos concluem que o jornal impresso não se adaptou totalmente a concorrência dos meios audiovisuais, conforme analisou J. M. Charon (2001, apud ARNT, 2002, p. 1), e neste contexto, é importante considerar que o aparecimento dos meios audiovisuais significava, aos poucos, as primeiras mudanças geradas pela tecnologia, que no momento não era vista como concorrência pelas redações de jornais impressos. Pelo contrário, elas tomaram o espaço das máquinas de escrever e agilizaram todo o processo industrial da produção jornalística, de acordo com a conclusão de Héris Arnt (2002).

Inclusive, não podemos deixar de considerar o surgimento dos softwares de edição, que permitiram um fechamento de edição mais tardio. Isto solucionou uma das grandes problemáticas do jornal impresso com a publicação de matérias mais recentes, pois era necessário garantir que o leitor permaneceria interessado no jornal enquanto a televisão noticiava um fato do momento com maior valor noticioso.

Os programas de edição de texto representaram, na verdade, um salto qualitativo da informática e os estudos da linguística foram fundamentais no aperfeiçoamento da linguagem dos computadores. Pode-se dizer, e assumimos a ousadia da afirmação, que a informática só poderia ter sido viabilizada numa cultura de código da escrita fonética. (ARNT, p.2, 2002)

O processo de migração do jornalismo impresso para o digital pode ser melhor compreendido se levarmos em conta as três fases distintas na qual o webjornalismo foi dividida, sendo a primeira delas denominada transpositivo. Neste período, caracterizou-se a iniciativa de grandes jornais em digitalizar uma ou duas matérias das edições impressas para os sites. Posterior a essa, surgiu a fase “metáfora”, uma das mais significativas até então por marcar o momento em que os jornalistas começam a explorar o potencial da rede e seus recursos mesmo com conteúdo ainda atrelado ao modelo do jornal impresso. (MIELNICZUK, 2001)

Este foi o período em que o e-mail foi adotado para facilitar a comunicação entre o público e o veículo (ou jornalista), as matérias começaram a surgir em formato de links e com fatos mais recentes entre o período de fechamento da edição e os fóruns de debate mobilizavam os internautas a respeito de um determinado assunto e notificavam o usuário pelo correio eletrônico. “A tendência ainda era a existência de produtos vinculados não só ao modelo do jornal impresso, mas também às empresas jornalísticas cuja credibilidade e rentabilidade estavam associadas ao jornalismo impresso”, afirma Mielniczuk. (2001)

Conforme os computadores aprimoravam suas capacidades de armazenamento de dados e processamento de informações, a combinação entre as telecomunicações e a informática crescia e foi entre os anos 1990 e 2000 que o ser humano assumiu efetivamente o seu papel na construção da comunicação online. Nessa época, o computador passou a ser visto como um mediador dos processos comunicacionais.

Se antes a internet era vista apenas como um suporte para os grandes conglomerados de mídia, foi neste momento que as coisas mudaram. A exploração da potencialidade da rede permitiu que diversos jornalistas pudessem produzir explorando os recursos da internet como utilizar hiperlinks1, abrir um espaço para comentários dos leitores e divulgar fatos mais recentes.

A seguir, surge então o webjornalismo, a fase três. Este é o período que marca a expansão das conexões via ADSL, ou banda larga2, e com o maior acesso à rede, ampliou-se as iniciativas empresariais e editoriais feitas propriamente para a internet. É nesta época que surgem os portais jornalísticos online e toda uma produção voltada para o cenário virtual, acentuando também a participação do público.

Muito além do contato via correio eletrônico, os sites disponibilizavam um espaço próprio para receber comentários, sugestões ou qualquer tipo de retorno por parte do consumidor, isto agregava para o engajamento do veículo com o público. No momento de expansão da rede, comentar a matéria diretamente na página era um incentivo maior para que o consumidor pudesse iniciar um debate acerca do assunto, deixando de lado os tão badalados fóruns online. “Este terceiro, e atual, momento também corresponde a um estágio mais avançado de toda uma estrutura técnica relativa às redes telemáticas e aos microcomputadores pessoais, permitindo a transmissão mais rápida de sons e imagens”, analisa Mielniczuk. (2001)

Visto que o webjornalismo atingiu o seu auge com a universalização da banda larga, é importante analisar: qual é vantagem da internet sobre o jornal impresso? A interatividade pode ser citada como uma delas. Em uma publicação online, basta o usuário clicar no nome do jornalista que assina a matéria para ter acesso ao e-mail do próprio e estabelecer o contato, seja para dar um feedback3, expressar uma opinião ou elogiar. Além do mais, essa não é a única representação de interatividade, pois conforme Machado (1997, apud MIELNICZUK, 2001, p. 3), a navegação por hiperlinks também constitui uma interação com a matéria.

A redação de notícias com hipertexto requer todo um novo sistema de construção. A tradicional técnica “pirâmide invertida” dá lugar a uma arquitetura noticiosa mais aberta, com blocos de informação organizados em diferentes modelos, sejam eles lineares ou complexos. (CANAVILHAS, p. 117, 2007)

Outra vantagem é o uso de recursos multimídias. Tratam-se de sons, imagens e vídeos para auxiliar a construção de uma matéria jornalística e todo esse material pode vir também da colaboração de leitores, prática comum nos dias de hoje pelas redes sociais e por aplicativos de mensagens instantâneas como o Whatsapp.

A propósito, as mídias sociais são grandes responsáveis pela caracterização do webjornalismo. Aqui, consideremos primeiro os blogs, pois eles são representativos para uma maior democratização da notícia já que inúmeros jornalistas recorrem a esta plataforma buscando uma maior liberdade de expressão e o descompromisso com políticas editoriais de veículos de imprensa. As redes sociais consolidam de vez o fim dos fóruns de debate e inauguram um modelo inovador de jornalismo colaborativo. É por meio delas que os usuários compartilham as notícias e acrescentam uma opinião gerando imediatamente um debate. Os comentários também são espaços propícios a discussões acerca do assunto. O jornalismo colaborativo é feito quando os veículos interagem, em tempo real, com seus seguidores a fim de receber relatos, informações e materiais com recursos multimídias que possam comprovar ou acrescentar em uma notícia. Testes

Redes digitais estão aumentando a fluidez de todas as mídias. A velha escolha entre mídia pública de mão única (como livros e filmes) e mídia privada de mão dupla (como o telefone) expandiu-se e inclui agora uma terceira opção: mídia de mão dupla que opera numa escala do privado para o público. (SHIRKY, p. 53 e 54, 2010)

A consolidação do webjornalismo e a adoção das mídias sociais culminaram na tão falada “Crise dos jornais impressos”. A nova geração de consumidores não está disposta a pagar para receber notícias na internet e a circulação, assim como a publicidade nos jornais impressos diminui cada vez mais fazendo que as empresas jornalísticas passem a depender do departamento comercial (venda de assinaturas e outros tipos de serviços, como selos promocionais) para se manter lucrativo.

Outra medida adotada pelas empresas de mídia foi a separação de seus negócios. Grandes conglomerados que possuíam jornais impressos, canais digitais e emissoras televisivas estão desagregando os meios para manter a atração dos investidores, de acordo com o artigo de Matthew Garrahan (2014).

Na mesma publicação, Matthew Garrahan afirma que as notícias são desanimadoras para os amantes da mídia impressa, pois os jornais estão dependendo de corte de custos e para o editor, esta medida tem limites já que “o crescimento da receita é essencial e em algum momento os jornais vão ficar sem custos para cortar”.

Ainda não há nenhuma solução milagrosa para salvar os jornais impressos desta crise, mas alguns, como o Washington Post, garantiram a sobrevivência nas mãos de famosos empresários dos Estados Unidos. Em 2013, Jeff Bezos, fundador da Amazon4, adquiriu o jornal por US$ 250 milhões, mas conforme declarou o empresário em uma matéria para portal do The New York Times (2014), a indústria do jornal sofreu alterações significativas para lidar com o ambiente digital e ele estava convencido de que poderia levar o Washington Post para a era digital. A migração era inevitável.

Entretanto, há uma grande dúvida nessa análise: devemos considerar esta mudança como migração ou transformação? Há quem acredita que a técnica da pirâmide invertida apenas se replicou na web e há quem confirme que ela se reinventou. Autores como Jacob Nielsen (1996, apud CANAVILHAS, 2007, p. 29) insistem na importância do método para o ambiente virtual, mas outros como Ramon Salaverria (2005, apud CANAVILHAS, 2007, p. 29) reconhecem a importância da pirâmide invertida apenas para a redação de notícias de última hora.

3.1 O outro lado da pirâmide invertida

A técnica mais utilizada no jornalismo ganhou inúmeros questionamentos no período pós web. O primeiro deles remete a padronização do estilo jornalístico e a atribuição involuntária de uma rotina, sem que o profissional explore outras formas de noticiar o fato e engajar o leitor. Além do mais, os fatores que fizeram os jornalistas adotarem a técnica deixaram de fazer sentido com os inúmeros recursos oferecidos pela web. (CANAVILHAS, 2007).

No jornal impresso há um espaço finito no qual o repórter deve dar prioridade ao que é mais importante primeiro para depois surgir com as informações adicionais. Na internet, é utilizado o hipertexto, ou seja, um texto que acumula informações por meio de blocos, imagens, sons ou links. Não há um limite para a leitura do usuário, os hiperlinks podem leva-lo até mesmo a fatos que antecedem ou explicam detalhes de uma matéria.

Apesar da eficácia na transmissão rápida e sucinta de notícias, a aplicação desta técnica tende a transformar o trabalho jornalístico numa rotina, deixando pouco campo à criatividade e tornando a leitura das notícias pouco atrativa, pelo que a importância desta técnica tem sido objeto de muitas polémicas. (CANAVILHAS, p. 29, 2007)

De certa forma, o jornalismo na web se desenvolveu de forma muito semelhante aos jornais impressos. Visto que questões relacionadas a infraestrutura e economia impediram, por anos, que a internet tivesse uma maior penetração, o texto verbal escrito também o primeiro modelo de notícias jornalísticas a se dispersar na rede. Antes da grande universalização da internet, com a banda larga, apostar em textos era uma opção sólida para os veículos já que o download das páginas era relativamente rápido mesmo para conexões discadas.

No entanto, as questões econômicas não foram os únicos entraves para o desenvolvimento e a expansão do webjornalismo. Paralelo a recepção, há também os problemas econômicos na parte da recepção, pois as empresas tiveram dificuldades em viabilizar os meios onlines e assim, recorreu aos conteúdos já existentes e levou à rede a técnica que padronizou o estilo jornalístico dos jornais impressos por anos. (CANAVILHAS, 2007)

Neste contexto, surge uma outra implicação acerca do webjornalismo: o ambiente digital reproduz ou renova as antigas práticas jornalísticas? De acordo com as análises anteriores, a resposta mais adequada seria a renovação. Por mais que alguns pensadores concluam que a pirâmide invertida é indispensável para matérias que exijam um maior imediatismo, os recursos da rede renovam a capacidade criativa e esclarecedora de um jornalista, visto que a internet pode deixar a informação sucinta e detalhar com o auxílio dos hiperlinks para que haja uma maior compreensão dos fatos.

Consideramos que a técnica em causa está intimamente ligada a um jornalismo muito limitado pelas características do suporte que utiliza – o papel. Usar a técnica da pirâmide invertida na web é cercear o webjornalismo de uma das suas potencialidades mais interessantes: a adopção de uma arquitetura noticiosa aberta e de livre navegação. (CANAVILHAS, p. 30, 2007)

No panorama geral, o autor João Canavilhas conclui que a aplicação de uma técnica na qual o jornalista organiza os fatos por sua importância não é a mais recomendada para o ambiente virtual. Segundo o autor, esta lógica deve suceder a uma outra que se baseia na quantidade de informações disponibilizadas para o usuário. Tudo isso, claro, de forma objetiva e atrativa para que o leitor tenha a experiência diferenciada oferecida pela web, principalmente com a interação.

Explicando de uma forma resumida, a organização da matéria definida pelo jornalista não combina ou remete ao interesse do leitor.

Claro, isto não desvaloriza o método da pirâmide invertida. É importante considerar que a prática ainda caracteriza um modelo prático, eficiente e objetivo de comunicação. Não é à toa que o webjornalismo apropriou-se do modelo e o transformou, fazendo com que a matéria se torne objetiva e ao mesmo, completa de informações com o auxílio dos hiperlinks.

Este fenômeno foi denominado de “pirâmide deitada” por João Canavilhas (2007). Para analisar a forma de leitura e a demanda do usuário web, o autor preparou uma notícia com 10 hiperlinks e observou o trajeto de cada usuário via webcam. A maioria esmagadora fez o seu próprio ritmo e navegou por 5 percursos diferentes por meio dos links espalhados na matéria.

Portanto, a diferença entre a redação para o veículo de mídia impressa e web é que o primeiro exige que o jornalista priorize a dimensão do texto para que ele possa se encaixar no espaço limitado do jornal. Para isso, recorre-se a estilos e padrões jornalísticos. Já o segundo permite que o profissional tenha uma preocupação maior com a estrutura da notícia e a quantidade de informações que irá disponibilizar. O desafio é tornar a leitura agradável e interativa para o usuário e explorar as potencialidades do ambiente virtual.

Para aprofundar ainda melhor sobre como a web adaptou e transformou o modelo de jornalismo, é importante levarmos em conta tudo o que um jornalista pode explorar no ambiente como: interatividade, supracitada nesta pesquisa, pois trata-se de quando o leitor se sente parte do processo de jornalístico ao interagir, colaborar e opinar sobre o conteúdo em questão; customização do conteúdo, no qual todo o conteúdo é configurado e organizado de acordo com os gostos e interesses do público; hipertextualidade, quando o texto é divido por meio de blocos e links; multimidialidade, que remete a utilização e sons, vídeos e imagens para noticiar/reportar um fato jornalístico; memória, facilidade em recuperar, linkar e conectar fatos antigos ou antecedentes a atual matéria e a instantaneidade, característica existente no rádio e na televisão que ganha outra dimensão na web e possui um caráter cumulativo de informações, o que diferencia de outros meios. (MIELNICZUK, 2001)

São essas as características que transformam quaisquer que sejam as características herdadas do jornalismo impresso, entretanto, dadas essas questões, é necessário entender melhor como funciona e se estrutura a pirâmide deitada.

Neste método, conforme define Dias Noci e Salaverria (2003, apud CANAVILHAS, 2007, p. 33), a estrutura pode ser linear, mista ou não linear. A estrutura linear é a mais utilizada pelos jornais impressos quando migram seus conteúdos para web, pois dessa forma o leitor é condicionado em um ritmo de leitura no qual um detalhe vai ligando ao outro.

É como se todas as informações da matéria fossem ligadas em um eixo de forma que o leitor não possa saltar de um para o outro. Aqui, é importante destacar também que se for apenas um eixo trata-se de uma estrutura unilinear e se forem várias histórias contadas por meio de vários eixos sem ligações entre si, a denominação é multilinear. Isto, claro, com fatos interligados de forma continuativa.

Na estrutura não linear, também chamada de reticular, há uma rede de textos de navegação livre para que o leitor tenha todas as possibilidades de leitura.

Poderíamos ter um texto base expositivo e, a partir dele, através da estrutura hipertextual, um texto descritivo sobre o local onde o fato ocorreu, um outro link com texto expositivo dando conta de mais informações que ajudem a explicar o evento, assim como fotos, infográficos, vídeos, mapas, fazendo parte de uma estrutura reticular. (PALMA; DREVES, p. 8, 2006)

Já a estrutura mista possui níveis do tipo linear e não linear. É, literalmente, a mistura dos dois sem a liberdade de leitura do segundo citado, mas para compensar, possui a vantagem de oferecer “pistas de leitura” bem definidas. (CANAVILHAS, 2007)

No papel, as informações evoluem de forma decrescente em total concordância com a definição do jornalista sobre quais serão os fatos mais importantes a serem destacados primeiro. Na Web, o leitor anseia pela liberdade de leitura, por organizar o seu próprio ritmo ou percurso. É a partir desse pensamento que Canavilhas argumenta que a técnica da pirâmide invertida, por mais que seja preciosa para a curta informação, é ineficaz no ambiente virtual.

À lógica organizativa assente na “importância” dos factos deve suceder uma outra assente na quantidade de informação oferecida aos leitores. Se o eixo vertical que vai do vértice superior à base da pirâmide invertida significa que o topo é mais importante que a base, então a pirâmide deve mudar de posição, procurando-se desta forma fugir à hierarquização da notícia em função da importância dos factos relatados. (CANAVILHAS, p.36, 2007)

A técnica da pirâmide deitada sugere organizar seus fatos por 4 níveis, que são:

  • Unidade base: Irá responder o essencial (O quê, quando, quem e onde) e representar o lead jornalístico. Pode funcionar também como um texto básico e de última hora que, conforme o decorrer do caso, pode ser complementado e melhor desenvolvido.

  • Nível de explicação: Completa com uma informação essencial para o acontecimento e responde ao “Por quê” e “Como”.

  • Nível de exploração: É o último que irá ligar a matéria com fatos antecedentes por meio de links, exibir matérias relacionadas ou continuativas e explorar sons, imagens, vídeos ou infográficos para contextualizar a matéria.

É desta forma que João Canavilhas define o método mais adequado para web, onde o jornalista deve saber produzir um relato eficaz sobre o acontecimento, atrair a atenção do leitor além dos comentários produzidos sobre o assunto (recurso que será abordado nos próximos capítulos).

3.2 Web 2.0

A Web 2.0 caracteriza uma profunda revolução no cenário jornalístico, pois muito além de toda a transformação do conteúdo impresso para o digital, as mudanças no ambiente virtual foram grandes contribuintes para chegarmos a linguagem jornalística praticada nos dias de hoje. Portanto, neste capítulo, vamos compreender um pouco sobre este fenômeno.

O conceito se popularizou em 2004 e foi criado pela companhia de mídia americana O’Reilly em conjunto com a MediaLive International. Dale Doughherty. Se antes os sites eram parecidos com os livros, nos quais o usuário acessava, lia a informação que mais lhe interessava e saia, hoje eles são amplamente abertos à participação. É aí que se forma a premissa da Web 2.0, enxergar o ambiente virtual como uma plataforma.

É a mudança que caracteriza toda a transformação da rede com conexões mais rápidas, evolução de programas e aplicativos, downloads, redes sociais, sites de buscas diretas e outras inúmeras inovações que nasceram no cenário digital e tornaram a experiência do usuário mais interativa e dinâmica. Portanto, a participação é o grande pilar da Web 2.0.

Como muitos conceitos importantes, o de Web 2.0 não tem fronteiras rígidas, mas, pelo contrário, um centro gravitacional. Pode-se visualizar a Web 2.0 como um conjunto de princípios e práticas que interligam um verdadeiro sistema solar de sites que demonstram alguns ou todos esses princípios e que estão a distâncias variadas do centro. (O’ REILLY, p.2, 2005)

A fase 2.0 marca o segundo capítulo da rede. Nele, usuários desfrutam de um ambiente dinâmico, criativo e com o compartilhamento de informações fazendo com que as pessoas colaborem entre si. É nesta etapa que explodem os sites sociais como Youtube, Wikipédia, Facebook, Twitter e claro, os Blogs. Todos eles reúnem, em comum, recursos que incentivam e popularizam a participação dos usuários.

O primeiro citado, o Youtube, é um bom exemplo. O site nasceu em uma pequena garagem de San Francisco, Califórnia - EUA, e em menos de dois anos se tornou o portal de compartilhamento de vídeos mais famoso da história foi sendo vendido por US$ 1,65 bilhão de dólares para o Google5. Antes, compartilhar vídeos na rede era uma dor de cabeça frequente para os internautas pela demora no carregamento, principalmente se o conteúdo fosse enviado por e-mail, e foi nessa problemática que o Youtube baseou sua ideia e criou uma plataforma social de compartilhamento. Nela, o usuário pode visualizar inúmeros conteúdos independente da velocidade de sua conexão, já que os vídeos são também disponibilizados em diversos formatos. Outra vantagem oferecida que chama atenção de internautas do mundo afora é a possibilidade de incorporação dos vídeos em sites, blogs e outras plataformas. Basta colar a URL e compartilhar que o site irá reconhecer o conteúdo e exibir uma imagem de divulgação, assim como o seu “player de exibição”.

A Wikipédia é outro exemplo, principalmente se formos destacar a explosão das wikis em plena Web 2.0. Antes de entendermos a lógica de produção do site, é preciso entender como funcionam as wikis, que são as páginas que ganharam a rede por permitirem que o usuário faça edições no conteúdo, além de proporcionar uma experiência interativa por hipertextos. A Wikipédia, definida como enciclopédia livre, pode ser considerada uma página wiki, pois através de seu código aberto permite a colaboração dos usuários. Nos dias de hoje, algumas edições necessitam de aprovações dos moderadores devido a polêmicas envolvendo informações falsas e ofensivas.

Ao desenvolver softwares que usam insumos da comunidade e interação com os usuários, sites como Wikipédia, MySpace, YouTube e Flickr criaram sofisticados armazéns para estocagem de conteúdos produzidos por outros, sem criar qualquer conteúdo próprio. Ainda há criação, é claro, mas um modelo revolucionário de criação se comparado com os métodos tradicionais, predominantes entre a maioria das pessoas com mais de 30 anos. (BRIGGS, p. 28, 2007)

Os blogs também devem ser lembrados como bons exemplos, já citados anteriormente neste trabalho. Estes sites se tornaram meios de democratização do conteúdo jornalístico, já que muitos profissionais recorrem às plataformas livres e participativas para compartilharem matérias, informações e opiniões sem estar precisamente seguindo a linha editorial de um veículo de comunicação ou censurados por não pensarem da mesma forma. Os blogs reforçam o caráter interacional da Web 2.0, pois todas as publicações nestas plataformas não se limitam apenas aos textos. (AQUINO, 2009)

Ou seja, com estes exemplos, pode-se concluir que nesta fase os editores Web criam plataformas ao invés de criar conteúdo. Se há informação, ela é passada de uma forma muito mais eficiente, criativa e dinâmica por meio de sites sociais.

É claro que nada disso seria possível sem o código e o software aberto. Para melhor compreensão de toda essa mudança, é necessário entender que os códigos e os softwares possuem papéis primordiais em todo sistema, computador, plataforma ou site. São eles que farão todo o processamento dos dados e darão as coordenadas para que o computador interprete e gerencie as ações desejadas pelo usuário. Na internet, se antes o software era oferecido como produto, hoje não é mais. É considerado um serviço, dessa forma o software estará sempre aberto para possíveis mudanças, atualizações, abastecimento de informações e muito mais. Um dos passos principais para a Web 2.0 acontecer.

A mudança do software como produto para software como serviço é tão fundamental que o software deixará de funcionar a não ser que receba manutenção diária. A Google tem que percorrer a rede continuamente e atualizar seus índices, filtrar o spam de links e outras tentativas de afetar seus resultados, responder contínua e dinamicamente a centenas de milhões de questões assíncronas dos usuários e, simultaneamente, estabelecer a correspondência entre elas e a publicidade relativa ao contexto. (O’ REILLY, p.20, 2005)

No entanto, com tanta produção de conteúdo advinda dos usuários web, muitos se perguntam de qual forma o jornalista pode se encaixar no cenário. Alguns jornalistas já sabem se beneficiar da inovação, como por exemplo usar o Google Maps, sistema de mapeamento de ruas e cidades do Google, para cruzar informações e inclui-las nas matérias, aproveitar os comentários que recebem para notificar uma provável repercussão de um fato ou responder usuários que mais interagem e inúmeras outras formas.

A frase “a notícia é uma conversa, não uma palestra” do autor Mark Briggs (2007) norteia essa mudança de mercado para o jornalismo. O público mudou e agora, compreender a mudança é entender o consumidor. Portanto, o principal conselho de Mark Briggs para os jornalistas é que o ideal é tirar proveito dessa transformação. Utilizar os recursos a favor da própria informação e buscar uma comunicação eficiente e interativa em rede.

A mudança começa quando os leitores e usuários experimentam as novas práticas e contribuem para a formação de uma nova cultura emergente que reflete um novo olhar para a mídia, sob uma nova perspectiva. Para Mark Briggs (2007), o novo pensamento jornalístico deve começar pela periferia, pois é lá que as mudanças ocorrem mais rápido entre usuários da nova geração. O importante é começar todo esse processo pelos jovens leitores, que representam os consumidores de amanhã. Se a mídia quiser qualquer influência ou comunicação, é necessário saber interagir com este público.

O problema é que ninguém sabe o quanto a comunicação online vai mudar o que nós fazemos ou que oportunidades este novo modelo nos apresenta. A única forma que temos de tirar vantagem é estarmos conectados às tecnologias e participarmos ativamente na mudança de cenário. (BRIGGS, p.35, 2007)

A abertura dos códigos e softwares marca também a fácil conversão de sites, programas e plataformas para as tecnologias móveis, como os smartphones e tablets. Portanto, muito além de representar um novo consumo de informação, a Web 2.0 marca também uma fase de reorganização da relação entre produtores de mídia e público, pois o mercado está em fase de maturação e as empresas buscam um conjunto de abordagens para tirar proveito da criatividade em massa, de toda a participação gerada por estes sites. (JENKINS, 2014)

É quando as empresas tentam combinar uma produção com fins lucrativos com a produção colaborativa sem lucro. São os métodos tradicionais conflitando inovações ao mesmo tempo que tentam lucrar com estas plataformas. A batalha que o Youtube enfrenta contra diversas gravadoras detentoras de direitos autorais pode servir de exemplo. Se uma música é amplamente compartilhada e utilizada como trilha sonora em vídeos amadores, há uma publicidade gratuita para o artista e sua discografia, entretanto, algumas gravadoras entram em conflito com esta prática e defendem sua tradicional forma de fazer negócios.

De acordo com Henry Jenkins (2014), “essas mudanças tecnológicas e econômicas dramáticas romperam com as práticas normativas, mas ainda não produziram um modelo que seja satisfatório para qualquer uma das partes”.

O que é descrito como “putting the we in the Web” (colocar o nós na Web) (Levy & Stone, 2006) tem demonstrado contradições, conflitos e divisões, particularmente em torno dos interesses alinhados de modo imperfeito entre os produtores de mídia e o público. (JENKINS, p.79, 2014)

No cenário jornalístico, o ambiente colaborativo é muito mais favorável do que o contrário, contudo, o estudioso Fábio Malini (2008) levanta a seguinte problemática: a prática jornalística na Web 2.0 representa uma espécie de contra poder ou apenas simula e mascara o controle monopolista da produção midiática?

Na lógica de Malini (2008), “o fundamento da colaboração na nova mídia e a reinterpretação coletiva não é mais uma criação que resulta em um objeto pronto, sim em um trabalho, projeto, evento ou performance. Tudo baseado na coleta, na classificação e na associação dos trabalhos preexistentes”. Como se tudo nascesse de algo que já existiu, fragmentos estéticos ou intelectuais.

O artista francês Marc Le Glatin (2007, apud MALINI, 2008, p. 86) define que na internet “a criatividade nasce da fricção com as atividades mais cotidianas, das interações entre os internautas que são, ao mesmo tempo, leitores, espectadores, ouvintes e produtores de texto, imagens e sons”. A partir desta conclusão, podemos observar que quem domina a informação é o público, por meio de todo o dinamismo da rede, e a mídia apenas faz circular.

A cultura da colaboração em rede tece uma comunicação horizontal “sem passar pelos poderes, sem passar pelas hierarquias”. Daí que seu efeito colateral é a crise do profissional da mediação dos meios de comunicação de massa. O fato de, tendencialmente, todos poderem comunicar e criar faz com que as competências desses profissionais estejam, ao mesmo tempo, em destaque e difusas nas mãos de muitos (em crise, portanto). (MALINI, p.86, 2008)

Portanto, ao analisar todas as conclusões de Malini (2008), é possível afirmar que a participação colaborativa representa um contra poder e democratiza a informação por mais que isso coloque a função de um jornalista em risco. Cabe ao profissional se aliar à novos recursos e fazer o bom uso das mídias sociais.

3.3 Home page versus Redes Sociais

Conforme visto nas análises anteriores, a expansão da tecnologia e a aparição de novos recursos reinventaram a produção jornalística. Jornais impressos estão em crise e junto dessa problemática, os profissionais do meio enfrentam dificuldades para habituar e apropriar a função de um jornalista aos novos meios enquanto inúmeros cidadãos participam de forma colaborativa do processo de construção de uma notícia, via mídias sociais.

As redes sociais então tornaram-se peças chaves para a prática do webjornalismo, pois o consumidor utiliza estes sites para filtrar a informação que mais lhe interessa. O Twitter e o Facebook, as mais influentes da atualidade, propiciam todo o processo de construção de uma notícia e a segmentação do que é propagado na rede. A primeira valoriza a comunicação simples e eficiente ao limitar seus carácteres. A segunda proporciona uma experiência totalmente segmentada para o usuário no qual pode-se escolher o conteúdo que quer visualizar na página principal além de ter espaço para compartilhamento de ideias e opiniões.

Um estudo da Retrevo (2010) confirma que 42% dos americanos começam o dia a consultar as redes sociais (Facebook e Twitter), e 16% dizem ser nestas aplicações que procuram as notícias da manhã. O já referido relatório do PEW (2010) aponta no mesmo sentido: cerca de metade dos americanos optam pela leitura das notícias nas redes sociais porque confiam na seleção noticiosa que os seus amigos fazem. O estudo revela ainda que 75% dos consumidores de notícias online recebem links para essas notícias via e-mail ou redes sociais, e 52% partilha igualmente notícias por esta via. (CANAVILHAS, 2010, p.5)

O relatório do portal Buzzfeed (objeto de estudo deste trabalho a ser estudado nos próximos capítulos) exemplifica claramente a situação, pois ele indica que a ideia da home page como página principal dos portais de notícias está enfraquecida por causa das redes sociais.

Na imagem presente no anexo 01, extraída do relatório de tendências midiáticas produzido pelo Buzzfeed, vemos que o site exemplifica que, cada vez mais, usuários chegam até as notícias via redes sociais do que pelos sites de buscas diretas como Google e Bing. Para o vice-presidente da versão europeia do Buzzfeed Will Hayward (2014) “a função das organizações de mídia na era do social mudou”. Seguindo a lógica de Hayward, o conteúdo deve ser bom o suficiente para ser compartilhado. Ou seja, em uma reunião de pauta a discussão não deve ser voltada exclusivamente para home page, sim para a produção de notícias destinadas ao público das redes sociais. É essa a lógica de consumo que irá nortear o webjornalismo.

Nesse contexto, o processo de Gatekeeping, conceito dado para edição e definição do fato de acordo com o valor-notícia, passa a ter dois níveis e o segundo é chamado de Gatewatching, conceito denominado por Bruns (2003, apud CANAVILHAS, 2008, p. 5). Essa ideia surge junto com a revolução tecnológica trazida pela internet e remete ao espaço ilimitado para informações, jornalismo colaborativo e a variedade de fontes que os jornalistas possuem na internet. (CANAVILHAS, 2010)

Para o autor, “o gatewatcher emerge assim como um elemento central num ecossistema midiático onde a fragmentação motivada pela multiplicação de fontes e o excesso de informação obrigam as mídias a disputarem a atenção dos leitores”.

O cenário engloba também o uso dos smartphones, assim como comprova o relatório de tendências midiáticas do Buzzfeed, exemplificado no anexo 02. Jovens e adultos americanos gastam cerca de 60% do tempo que passam na internet utilizando as redes sociais pelo smartphone. Assim consolida-se a importância de uma maior flexibilização do conteúdo e dos portais. As redes sociais utilizam o feed como um recurso. Nele, os usuários recebem conteúdos segmentados de acordo com seus interesses e hábitos de navegação, além de indicações de leituras por amigos.

Aqui, para entendermos melhor o papel das redes sociais no webjornalismo, é necessário considerar que na web não há limitações de espaço para a notícia, o jornalista é livre para publicar uma maior quantidade de informações e tem a possibilidade de liga-la a outros fatos e fontes por meio de links. Isso, claro, tendo também a liberdade para publicar nos mais variados formatos e de forma criativa para atrair o leitor. Junto a isso, acrescentamos também empresas produtoras de conteúdo na rede que alimentam blogs, redes sociais e sites, o que gera uma quantidade imensurável de notícias que o usuário não consegue assimilar o que mais lhe interessa. (CANAVILHAS, 2010)

Dada essa realidade, surge a necessidade de ter mecanismos de buscas e seleção para segmentar e alinhar conteúdos de acordo com os temas e assuntos que mais interessam os usuários. O papel das redes sociais para solucionar esse imbróglio é primordial. O Facebook, por exemplo, permite que o usuário selecione qual é a página que deseja ver primeiro na linha tempo da rede ou filtra de acordo com o número de cliques do usuário em conteúdos de determinadas páginas.

No Twitter, o leitor tem a possibilidade de escolher os veículos que deseja seguir para acompanhar a publicação diária de reportagens pela rede, além de poder visualizar os assuntos mais falados do momento no famoso ranking da rede.

Por fora, o Flipboard oferece opções interessantes para os consumidores ávidos por informação. O aplicativo para dispositivos móveis se intitula como uma revista social, mas não possui semelhanças com as tradicionais publicações que encontramos nas bancas. Aqui, basta o usuário fazer o download e selecionar os temas que mais lhe interessam para o aplicativo escolher, diariamente, uma série de notícias de acordo com o interesse do usuário. Além disso, a interface permite que o leitor controle suas redes sociais em um único lugar.

Para provar o conceito, João Canavilhas (2010) realizou uma avaliação com diversos jornalistas, todos com uma quantidade razoável de seguidores e amizades no Twitter e Facebook. O autor selecionou 12 notícias de jornais online e escolheu apenas 4 da edição do dia, que somente foram publicadas no final da tarde para anular o efeito de outras referências e manter o foco na pesquisa. Na prática, os jornalistas escolhidos atuaram como gatewatchers e indicaram as notícias via Twitter e Facebook.

Na análise final, verificou-se que as redes sociais não geraram um aumento brusco para o número de acessos das notícias, mas o crescimento foi linear e algumas matérias chegaram a registrar 58% a mais no número de visitas. A interação foi também mais motivada e registrou um aumento, porém, dentro do próprio Facebook há uma maior concentração de comentários do que no espaço destinado a interação nas matérias. Para Canavilhas (2010), as notícias ganham uma interação ainda maior quando o gatewatcher assume alguma posição em relação ao teor do conteúdo.

Podemos dizer que a utilização das redes sociais na distribuição de notícias aumenta o número de leitores. Com a oferta midiática em contínuo crescimento, as mídias são obrigadas a disputar a atenção dos consumidores, procurando gerar tráfego nos seus sites e, desta forma, aumentar as receitas publicitárias. (CANAVILHAS, p. 9 e 10, 2010)

Com base nos estudos acima, o gatewatcher se torna uma presença essencial no processo, pois ele possui o poder do mediador e se for vinculado à algum veículo de comunicação, pode ainda fortalecer o laço da empresa com seu público consumidor. O excesso de informação, independente dos mecanismos de busca ou seleção, necessita de uma boa mediação. Seja ela um formador de opinião ou uma equipe bem estruturada que saiba produzir seu conteúdo em consonância com o ritmo de consumo do público das redes sociais. As home pages se tornam meras formalidades se formos julgar o que é mais estratégico a divulgação de matérias.

4. BuzzFeed

Após analisarmos todas as mudanças que transformaram o webjornalismo da atualidade (como o hipertexto, Web 2.0, clima colaborativo, entre outras) iremos agora explorar o objeto de estudo desta pesquisa, o portal de notícias e entretenimento Buzzfeed. O site foi escolhido devido a sua rápida ascensão como mídia nos últimos anos. As abordagens criativas e bem-humoradas junto de estratégias para engajar conteúdo nas redes sociais contribuíram para transformar o Buzzfeed em uma referência no novo modelo de jornalismo digital.

Antes mesmo de se tornar um site, a ideia nasceu em 2006 como um laboratório para testar, rastrear e criar conteúdo viral na internet. Ali, seriam produzidos vídeos, matérias e imagens boas o suficiente para que as pessoas tenham vontade de compartilhar. O jornalismo colaborativo, inclusive, entrou na lista dos experimentos de Jonah Peretti, criador do portal6.

A palavra viral é mais conhecida por remeter a um vírus (doença contagiosa) que se espalha rapidamente entre o ser humano, mas na rede, um viral é um conteúdo que em pouco tempo atinge uma inesperada audiência de forma instantânea.

Assim que o site nasceu, todo o conteúdo era publicado no formato de listas bem-humoradas, que abordavam temas virais do cotidiano. Entretanto, conforme afirma o criador do portal Jonah Peretti, um acidente de percurso impediu o sucesso imediato do site. O Google deixou de indexar o Buzzfeed e as pessoas não tinham como encontrar o site em lugar algum, ou seja, todo o tráfego desapareceu. A estratégia então foi investir nas redes sociais7.

Foi desta forma que o Buzzfeed tornou o seu conteúdo viral, produzindo especificamente para as redes. Todo usuário já deve compartilhado no Facebook ou Twitter algumas listas como estas: 48 momentos dramáticos que todo mundo já passou na cozinha; 14 pessoas que perceberam exatamente quando viraram adultas; entre outras. É essa linguagem que transformou o site em uma das mídias mais populares da atualidade.

Ao todo, o Buzzfeed reúne cerca de 200 milhões de visitantes por mês e se intitula como uma companhia social de entretenimento e notícias8. Atualmente o site mescla matérias jornalísticas com temáticas políticas e sociais e postagens de entretenimento. Um exemplo de como é a página inicial do site pode ser conferido no anexo 03.

O sucesso do site pode ser atribuído à absorção feita pelo site das características que norteiam o webjornalismo na atualidade, como o colaborativismo, a linguagem criativa e ilimitada de informações e o uso das redes sociais para circulação e engajamento do conteúdo.

É interessante observar que a nomenclatura do site tem muito a ver com o conteúdo produzido por sua equipe, a união das palavras buzz e feed. A primeira é oriunda da área de marketing e é constantemente utilizada para tratar da propagação ou disseminação de um produto, serviço, ou a propaganda dos mesmos, para o público-alvo. Gerar buzz é criar repercussão ou expectativa em torno de alguma coisa. A segunda é utilizada para definir um serviço online que serve como um filtro para matérias, ou seja, se um usuário deseja ler notícias pela internet durante o dia, mas não possui tempo para visitar os seus sites favoritos, ele pode utilizar um feed para ter o conteúdo dos portais que mais gosta em um só lugar.

Os feeds funcionam em diversos formatos, pois podem ser widgets9, aplicativos mobile ou até mesmo pelo e-mail ou redes sociais. No e-mail, você é avisado pela sua caixa de entrada toda vez que há um conteúdo novo no site que segue, já as redes sociais utilizam o formato em suas páginas iniciais. No Twitter e no Facebook, basta você seguir um perfil qualquer, seja de um amigo ou de uma pessoa pública, para receber todas as atualizações e postagens dessa pessoa diretamente na sua página inicial da rede. Com fan pages funciona da mesma forma, basta você curtir para receber todo o conteúdo diretamente na sua página.

Se formos observar a forma que o portal Buzzfeed organiza suas publicações, podemos analisar que os editores se apropriaram do feed como um formato novo para organizar o conteúdo.

No anexo 04, é possível visualizar que assim que o usuário entra no site, ao lado do logo, há pequenas etiquetas com termos populares na internet para definir o sentimento de um usuário em relação a qualquer coisa. São eles: “hahaha”; o melhor; meu deus!; fofo; fail; wtf. Para exemplificar, clicamos no primeiro que representa uma risada, ou seja, a seleção das matérias mais engraçadas publicadas pelo site.

A seleção dessas matérias, de acordo com o sentimento que cada uma delas irá despertar no usuário não é feita pelos colaboradores, sim pelos próprios usuários, conforme exemplifica o anexo 05. Isto já derruba a tradicional seleção de acordo com o valor-notícia, o gatekeeper, mais utilizado em tradicionais jornais impressos. No Buzzfeed, ao final da leitura de cada matéria, o usuário pode selecionar seu atual sentimento em relação a mesma e elevá-la ao topo nos feeds que abrem o site.

A utilização dos feeds no portal é para aproximar o usuário, cada vez mais, da experiência que ele tem nas redes sociais. Vimos anteriormente nessa pesquisa que um relatório do próprio Buzzfeed relatou que a maior parte do seu tráfego vem das redes sociais, sendo assim, para incentivar a participação do usuário junto ao site, o layout é próximo ao que se vê na página inicial do Facebook, por exemplo.

Conforme afirmou o criador do Buzzfeed, Jonah Peretti10 “as pessoas estão acostumadas a ter tudo misturado em um feed de notícias do Facebook”. Ou seja, isso explica o fato do Buzzfeed misturar em sua página inicial matérias com assuntos de maior seriedade, como a Primavera Árabe, e conteúdos de entretenimento, como as bem-humoradas listas.

No site, o espaço para o colaborativismo também se destaca. Basta o usuário realizar um cadastro e começar a produzir seu próprio conteúdo, que será exibido na aba “Community”, que pode ser acessada pelo link: http://www.buzzfeed.com/community.

O conteúdo, com uma breve observação, é possível analisar que a linguagem utilizada muitas vezes foge das tradicionais regras jornalísticas estabelecidas para os veículos impressos. O lead, por exemplo, foi extinto nas matérias do Buzzfeed, a equipe responsável pelo portal utiliza um relato mais criativo, divido em blocos e com recursos multimídias como imagens, gifs11 e vídeos, para que o leitor tenha uma leitura mais rápida, interativa e possa compreender os fatos por uma linguagem simplificada.

No entanto, houve um processo para que o site pudesse conquistar essa liberdade na abordagem e nos temas em que explora e antes de iniciar toda a produção, o criador Jonah Peretti precisou fazer toda uma pesquisa sobre o público da web. Em uma apresentação de 201012, o jornalista interpreta a “audiência online como uma rede formada basicamente por pessoas entediadas no trabalho”. Ou seja, são pessoas que anseiam em compartilhar com seus amigos conteúdos engraçados e que sirvam, de certa forma, como uma sátira de seu próprio cotidiano.

Essa conclusão foi como um ponto de partida para o site. Na mesma apresentação, Peretti (2010) afirma “o conteúdo é mais viral se ajuda as pessoas a expressar seus desvios de personalidade”.

Portanto, o site surgiu com o princípio e fazer com que as pessoas se reconheçam no conteúdo e fiquem entretidas com o que estão lendo ou compartilhando. Antes de fazer o viral, foi necessário entender o que desencadeia o processo. Lógica esta que explica claramente a ideia de fazer com que as pessoas reproduzam seus sentimentos em relação ao que é publicado no portal.

4.1 Utilização das redes sociais

Conforme analisado anteriormente, a utilização das redes sociais foi imprescindível para o sucesso do Buzzfeed. O site baseia toda a sua linha editorial imaginando o que seria compartilhado nas redes e a estratégia acabou servindo como ponto de partida no surgimento do portal.

A atual página do site no Facebook contabiliza cerca de 5 milhões de seguidores e em pelo menos uma postagem diária conquista mais de 90 mil curtidas e mais de 30 mil compartilhamentos. Se compararmos, por exemplo, com a página oficial do tradicional jornal “The New York Times” na rede, o Buzzfeed perde em relação ao número de seguidores, mas vence se formos observar o engajamento das duas páginas. Aqui, pegamos para analisar publicações diárias da página e o máximo de curtidas conquistadas é em torno de 5 mil, enquanto o Buzzfeed, diariamente, conquista 90 mil curtidas em pelo menos uma de suas publicações diárias.

No anexo 06 temos um exemplo da publicação mais engajada da fan page do The New York Times no Facebook no dia 21 de outubro de 2015, no qual a postagem contabilizou mais de cinco mil curtidas e 1035 compartilhamentos. Para fazer um comparativo, no anexo 07, temos um exemplo da publicação mais engajada da fan page do BuzzFeed na mesma data, na qual o site registrou mais de 90 mil curtidas e 33.836 mil compartilhamentos.

Por mais que o Buzzfeed já testasse os conteúdos virais antes da explosão das redes sociais, o surgimento destas facilitou o trabalho dos editores do portal. Para Jonah Peretti (2015), “quanto mais as tecnologias evoluíram para organizar esse conteúdo, mais rápido e eficiente ele passou a se propagar pela internet”. Em 2002 você poderia levar meses para compartilhar e fazer com que uma publicação ficasse conhecida na rede. Hoje, uma hora basta para que um viral literalmente aconteça.

Enquanto muitos criadores de conteúdo enfrentam a crescente proeminência dessas práticas genuinamente populares da audiência, surgiu uma ampla variedade de ferramentas de comunicação on-line para facilitar o compartilhamento informal e instantâneo. Essas plataformas oferecem novas capacidades para as pessoas passarem adiante artefatos de mídia, ao mesmo tempo que buscam modelos para gerar lucro com as atividades dos usuários. (JENKINS, p.25, 2014)

Ao estudar o tema, Henry Jenkins define que para criar e propagar um viral, “basta usar as ferramentas certas”, mas antes de tudo, é necessário entender o porquê de as pessoas compartilharem assim como as práticas culturais que incentivaram o surgimento de novas ferramentas sociais com o Youtube, Facebook, Twitter, entre outras.

Portanto, complementando esta lógica, o autor conclui que o compartilhamento se tornou uma forma de interação para os usuários desde que começou, pelo envio de e-mails. O surgimento das redes sociais fortalece e agiliza todo o processo além de aproximar os usuários de seus contatos, amigos e familiares.

A junção destas práticas sociais e culturais é denominada de “cultura ligada em rede” por Jenkins (2014). No entanto, para o autor, “não há como identificar uma causa isolada que leve as pessoas a compartilhar informações”.

As pessoas tomam uma série de decisões de base social quando escolhem difundir algum texto na mídia: vale a pena se engajar nesse conteúdo? Vale a pena compartilhar? É de interesse para algumas pessoas específicas? Comunica algo sobre mim ou sobre meu relacionamento com essas pessoas? Qual é a melhor plataforma para espalhar informação? Será que deve circular com uma mensagem especial anexada? Mas, se nenhum comentário adicional é anexado, simplesmente receber uma história ou um vídeo de alguém insere todo um leque de novos e possíveis significados ao texto. (JENKINS, p. 37, 2014)

Neste contexto, é possível compreender a comunicação do Buzzfeed e atribuir o sucesso do portal a aproximação que os editores buscam com o cotidiano de cada usuário da rede. Não é um processo complexo, pois ali caracteriza-se apenas uma abordagem, uma dinamização de conteúdo para aproximar da linguagem informal e simplificada das redes e fazer com que as pessoas compartilhem e participem do que está sendo falado.

Jonah Peretti (2015) destacou em sua entrevista para a revista Época que o principal precisa ser “algo que faça com que a pessoa dê risada e queira compartilhar com seus amigos”. O jornalista destaca também que criar temas ou situações que envolvam animais de estimação mexem com a emoção do público, mas a principal estratégia é ter publicações que façam com que as pessoas se identifiquem.

No Twitter, a página oficial do Buzzfeed não se limita apenas a reproduções das matérias do site. Pelo o que se pode observar, há uma produção feita especialmente para a rede além de uma integração com outras redes sociais de compartilhamento de vídeos, como Vine, conforme o exemplo no anexo 08.

No anexo 09, há um exemplo no qual o BuzzFeed compartilha uma publicação de uma página intermediária comandada pela equipe do site. (Estas serão analisadas na próxima página).

Pode-se observar também que o Buzzfeed possui inúmeras páginas no Twitter com diferentes temáticas, todas elas com publicações compartilhadas pela página oficial do site na rede. Entre as páginas, destacam-se:

  • BuzzFeed News: Própria para divulgação de matérias jornalísticas e assuntos com maior seriedade.

  • BuzzFeed Celeb: Mais direcionada para publicações sobre celebridades, cinema e séries de TV e eventos do ramo artístico.

  • BuzzFeed Food: Página com publicações de receitas inusitadas em vídeo, matérias sobre comidas e listas com situações envolvendo pratos e receitas.

  • BuzzFeed Quiz: Própria para divulgação dos jogos em formato de “Quiz” produzidos pelo site envolvendo temáticas variadas, como por exemplo: “De qual poder mágico do filme Harry Potter você mais se beneficiaria?”.

  • BuzzFeed Animals: Feita para compartilhar e publicar conteúdos sobre animais de estimação, um dos temas que mais envolvem os usuários da rede com o site.

  • BuzzFeed Style: Página que destaca dicas e postagens sobre estilo de vida e moda, como dicas de maquiagem, roupa, entre outras.

  • BuzzFeed Rewind: Responsável por propagar conteúdos nostálgicos na rede sobre temas variados como moda, tecnologia, música, cinema, entre outros.

  • BuzzFeed Comics: Esta talvez seja a mais criativa do portal, pois reúne publicações transformadas em histórias em quadrinhos. As temáticas são as mais variadas possíveis, abrangem os conteúdos virais da rede no momento assim com situações cotidianas.

  • BuzzFeed Ideas: Nesta página, o BuzzFeed reúne e compartilha publicações com um teor mais social e que ao mesmo tempo contam a dinâmica e interativa abordagem do site. Aqui, por exemplo, são publicadas listas que retratam problemas sociais como ansiedade, depressão, entre outros.

  • BuzzFeed Books: Voltada exclusivamente para publicações literárias sobre autores, obras, entre outros assuntos.

  • BuzzFeed Sports: Página própria para a divulgação de publicações sobre esportes.

  • BuzzFeed Politics: Focada em publicar matérias, artigos e postagens sobre política.

  • BuzzFeed LGBT: Destinada especialmente ao público LGBT com a publicação de listas, matérias, conteúdos virais e campanhas envolvendo situações cotidianas vividas por gays, lésbicas, bissexuais e transexuais.

Ou seja, a atuação do BuzzFeed no Twitter não é tão voltada para reunir e acumular seguidores, sim propagar seu conteúdo, entender o público que está presente e principalmente, engajar. Aqui, se formos comparar também com as páginas de um dos jornais mais influentes do mundo, como o The New York Times e The Guardian, percebe-se o mesmo que no Facebook.

O primeiro possui 20 milhões de seguidores enquanto o segundo contabiliza mais de quatro milhões contra dois milhões do BuzzFeed e a diferença entre as três empresas midiáticas é que as duas primeiras, por mais que tenham tradição e influência mundial, não conseguem atingir os mesmos números de engajamento que o BuzzFeed. Nos anexos 10 e 11 há dois exemplos de publicações engajadas do site no Twitter.

Já no anexo 12, exemplificamos as publicações mais engajadas do The New York Times no Twitter para traçar um comparativo.

Os exemplos acima mostram claramente que mesmo que o influente The New York Times tenha 20 milhões de seguidores no Twitter, suas publicações registram números iguais ou inferiores de curtidas e compartilhamentos aos números de engajamento registrado pelo BuzzFeed na rede. É notório que o BuzzFeed prioriza assuntos e temas com mais facilidade de propagar, entretanto, esta não é uma vantagem para o site visto que agora seleciona também conteúdos jornalísticos. O grande segredo do engajamento nas redes sociais pode estar na abordagem.

Ao observar as publicações do The Guardian, os resultados não são muito diferentes desta primeira análise. A página sequer atinge um número de 100 curtidas e compartilhamentos em sua série de publicações diárias. A pouca utilização de recursos multimídias, como imagens, gifs e vídeos, pode explicar a falta de apelo do jornal no Twitter. As publicações do The Guardian no Twitter foram exemplificadas no anexo 13.

Ou seja, com essas observações pode-se concluir que o BuzzFeed valoriza mais o engajamento nas redes sociais do que o acumulo de seguidores. O que muda toda a perspectiva do mercado a respeito da audiência, pois qual delas é mais importante nos dias de hoje? A audiência representada pelas emissoras de TV repassadas em números cujas características são pouco identificáveis ou a audiência que comunica e se manifesta nas redes? Isto é o que vamos analisar na próxima parte do capítulo.

4.2 Atribuição do valor mercadológico ao conteúdo

É comum acompanhar inúmeras marcas promovendo publicações, vídeos e até mesmo anúncios na web. Se utilizam as redes sociais, por exemplo, o conteúdo promovido permanece durante dias no topo das páginas iniciais ou nos espaços laterais destinados a publicidade. São iniciativas com fins totalmente comerciais e muitas postagens permanecem com patrocínios até atingiram a marca de 1 milhão de visualizações ou mais. A ideia é dar um efeito viral para a publicação.

O investimento feito pelas marcas é calculado por tempo de exibição ou número de pessoas alcançadas. Entretanto, um conteúdo promovido não pode ser considerado um viral, a grande diferença entre os dois é que o segundo atinge um grande número de pessoas por despertar um sentimento em quem compartilha. Seja de curiosidade, surpresa, entre outros.

Em uma entrevista para o jornalista Bruno Ferrari (2015), da revista Época, Jonah Peretti, o grande nome por trás por Buzzfeed, conclui que no fundo, o que há por trás do sucesso do site é “uma mistura de ciência e arte”13. Arte por estar abertamente lidando com a criatividade na criação de matérias e na forma de abordar diversos temas e ciência por estar testando tudo isso em uma audiência quase que global presente nas redes.

Quando uma pessoa ouve, lê ou vê conteúdos compartilhados, ela pensa não apenas – e muitas vezes nem principalmente – no que os produtores podem ter desejado dizer com aquele material, mas no que estava tentando lhe comunicar quem o compartilhou com ela. (JENKINS, p. 37, 2014)

O modelo mais famoso de comercialização online é denominado de aderência, conceito popularizado por Malcolm Gladwell (2000, apud JENKINS, 2014, p. 27). A necessidade de criar um conteúdo que além de reter a atenção do público consiga também envolvê-lo e faze-lo participar do que está sendo dito, define o conceito de aderência. Para Gladwell, todo conteúdo que gruda e faz as pessoas compartilharem possui aderência. (JENKINS, 2014)

Para Jenkins (2014), a aderência consiste em colocar a informação em um só lugar e distribui-la por meio dos links para fazer com que as pessoas cheguem até o destino destes. Desta forma, todo o tráfego é mensurado e transformado em dados que sejam rentáveis para a publicidade. Ou seja, na atualidade, os números de tráfego e permanência do usuário nos websites são as maiores fontes de lucro para os portais de mídia online.

Na coleta destes dados também, é claro, é feito todo um monitoramento das ações do usuário no site, os cliques e o tempo de permanência.

Entretanto, por mais que essa lógica predomine e seja uma referência nos modelos de negociação online, ela pode entrar em conflito com a propagação de conteúdo? Até aqui, toda a análise feita faz parecer que os dois fenômenos, tanto a aderência quanto a propagação, colaboram entre si, mas há conflitos entre os dois modelos.

Por mais que os sites divulguem seus conteúdos com o objetivo de conquistar compartilhamentos, a busca por tráfego e a necessidade de transformar o número de visitas em dados rentáveis para a publicidade podem gerar rejeição na audiência. Publicidades costumam ficar na lateral das páginas poluindo o layout e algumas levam o usuário involuntariamente para sites indesejáveis, o que gera a rejeição.

A aderência valoriza também a contagem isolada dos membros da audiência enquanto a propagação atribui maior importância para as conexões sociais entre cada usuário e a maneira que eles utilizam e contextualizam cada texto midiático. Abordagens que convidem o público a moldar o contexto de uma matéria ou informação são também vantajosas para o modelo propagável e facilitam para que o veículo tenha uma maior compreensão de sua audiência. (JENKINS, 2014)

A aderência capitaliza as maneiras mais fáceis que as empresas encontraram de conduzir negócios on-line e de fato faz isso. A aderência privilegia a colocação de um conteúdo em um único lugar e procura levar a audiência até lá para que possa ser computada. Essa “visualização no destino” muitas vezes entra em conflito tanto com a experiência de navegação dinâmica de usuários individuais da internet como, o que é mais importante, atrita com a circulação de conteúdo por meio das conexões sociais dos membros da audiência. (JENKINS, p.28, 2014)

Para estudar os novos modelos de medição de audiência, Jenkins (2014) aprofunda seus estudos mais focado na TV. Entretanto, estas análises servem perfeitamente para exemplificar os novos modelos de audiência online e o conflito entre as empresas com dúvidas entre lucrar por meio de uma audiência engajada ou contabilizada por meio de dados demográficos, como idade e gênero.

O exemplo da série Jericho, drama norte-americano exibido pela emissora CBS se encaixa perfeitamente neste debate. A história fala sobre uma pequena comunidade do Kansas isolada por conta de uma explosão nuclear, mas se tratando de uma produção feita especificamente para um público mais engajado com a temática complexa do show, a audiência não correspondeu e a série amargou baixos números de audiência para o padrão da emissora.

Entretanto, assim que o cancelamento da produção foi anunciado, milhares de fãs apaixonados pela história se organizaram nas redes sociais e enviaram inúmeros e-mails de manifesto à emissora com pedidos de continuação, mas este não foi o maior ato dos fãs. Em referência a um diálogo do último episódio da primeira temporada da série, os participantes da manifestação a favor do show enviaram entre 20 e 25 toneladas de amendoim para tentar salvar o programa. (JENKINS, 2014)

O manifesto surpreendeu a emissora, que renovou a série por mais uma temporada, como um presente para os fãs. No entanto, se a série mobilizou tantos usuários em rede, por que amargou baixos números de audiência?

É neste contexto que entram os meios ilegais de reprodução. Os downloads piratas, também conhecidos como torrents14, movimentam inúmeras iniciativas das emissoras para derrubar os sites ilegais que disponibilizam séries de TV e outros conteúdos para download. Entretanto, são eles os elementos primordiais para neutralizar a audiência engajada.

Estes foram um dos princípios que impulsionaram os serviços de streaming15, motivados pelo surgimento do novo modelo de exibição que foge do método que compromissa o espectador ao estabelecer um horário para a exibição do show. Por meio do streaming, qualquer um pode assistir a hora que quiser, são modelos de negócio online que “valorizam a propagação dos textos de mídia, uma vez que as audiências engajadas estão mais propensas a recomendar, discutir, pesquisar, repassar e até gerar material novo em resposta”, conforme declara Jenkins (2014).

E o que aprendemos com esse modelo de audiência engajada para a TV? A propagação ainda é o principal meio para interagir socialmente e atribuir valor ao que está sendo dito. A marca que estiver envolvida positivamente em um viral pode lucrar mais do que com a tradicional publicidade paga nas laterais dos sites, as publicações fixadas em redes sociais e as polêmicas matérias pagas em jornais impressos, emissoras de rádio e TV e portais jornalísticos.

Estas últimas sofrem duras críticas dos mais sérios jornalistas, mas não deixam de ser uma forma lucrativa de vender serviços midiáticos. Antes, o aviso de conteúdo patrocinado vinha de uma forma minúscula, imperceptível até para o mais ávido leitor, mas hoje em dia, o informe é destacado logo acima da publicação para que o leitor veja e não se sinta enganado.

No anexo 14, pegamos como exemplo a página inicial do portal jornalístico da revista Exame. Descendo a barra de rolagem, observamos um destaque próprio para conteúdos patrocinados. Na imagem, pode-se visualizar uma publicação patrocinada pela empresa brasileira de Tecnologia da Informação, Totvs. Ao clicar no conteúdo, o usuário se depara com uma matéria jornalística dando ênfase a expertise da empresa e no final, um link direcionando o leitor para o site da Totvs.

Este é o atual modelo de matéria patrocinada que circula na rede, os mais tradicionais portais jornalísticos utilizam esse formato para circular este tipo de matérias. Entretanto, o conteúdo com investimento sempre foi alvo de polêmica no jornalismo, principalmente quando se trata de uma publicação impressa.

O tradicional e influente The New York Times, por exemplo, publicou discriminadamente sua primeira matéria patrocinada em 201416. A prática, comum no portal jornalístico da empresa, migrou para o veículo impresso em um anúncio de oito páginas transformado em matéria jornalística. No entanto, ainda assim, a ação gerou uma preocupação na equipe do jornal.

A ex-editora-executiva Jill Abramson (2014) afirmou que “divulgar peças publicitárias que se passam por jornalismo poderia deixar os leitores confusos”, conforme noticiou o jornalista Pedro Nabuco (2014)17.

A mais recente polêmica envolvendo a prática de matérias patrocinadas ocorreu no Reino Unido. Em março de 2015, Peter Oborne, editor da revista The Spectator e comentarista do jornal The Daily Telegraph demitiu-se deste segundo com um desabafo indignado18 pelo fato do jornal ter evitado publicar matérias com teor negativo para o banco HSBC (investigado por fraudes na data), um dos anunciantes da publicação. Para o jornalista, a relação entre a redação e o Departamento Publicitário do jornal “tornou-se inescrupulosa e comprometeu a integridade jornalística do veículo”, de acordo com a matéria de Carlos Eduardo Lins da Silva (2015)19.

Enquanto os veículos mais tradicionais sofrem com estes impasses publicitários, o BuzzFeed buscou uma prática mais espontânea para divulgar conteúdo patrocinado. Ao entrar no site, qualquer usuário pode perceber que não há a publicidade grudenta nas laterais, mas ao navegar pelas produções da equipe do site, percebe-se que ali estão inseridas matérias patrocinadas.

No exemplo do anexo 15, há uma publicação que divulga um novo livro de ilustrar do filme Harry Potter. No conteúdo, observa-se que o site opta por uma linguagem mais informal, que fique mais próxima do usuário e tente, de certa forma, reproduzir a sensação que seria folhear aquele livro em uma loja.

Abaixo dessa matéria não há nenhuma informação discriminando que se trata de um conteúdo patrocinado, mas pelo o que se pode observar, há um teor comercial e publicitário. O link no final do texto direciona o usuário para a página de compra da loja virtual Amazon. No outro exemplo, anexo 16, há outro tipo de conteúdo com divulgações comerciais.

Na imagem exemplificada, a matéria lista os livros mais interessantes lançados no Outono e coloca abaixo um link direcionando o usuário para uma loja virtual que tenha a publicação à venda. Não se sabe se este se trata de um conteúdo patrocinado, mas assim como no primeiro exemplo, observa-se um teor mais comercial e publicitário na matéria mesmo que seu conteúdo tenha uma nova abordagem de divulgação, com leitura mais dinâmica e interativa.

O exemplo do anexo 17 já nos propõe um outro tipo de análise. Neste, há um aviso destacado na página inicial informando que se trata de um conteúdo patrocinado, conforme o exemplo abaixo.

Ao clicar no conteúdo, surpreendentemente não há nenhum tipo de publicidade ou ligação com a marca no texto publicado. Apenas no final há uma pequena frase fazendo um anúncio para a Chevrolet e incentivando o compartilhamento da matéria e do tema com o uso de uma hashtag20.

Como se pode observar na imagem do anexo 18, apenas no final da matéria, com uma frase exibida discretamente, a marca Chevrolet faz a sua propaganda pelo BuzzFeed. No geral, o que podemos concluir com essa análise? Para as empresas, a internet se tornou muito mais que um meio de divulgação ou lucro, a rede tornou-se um verdadeiro canal de comunicação com o consumidor. Seja por meio de redes sociais, aplicativos ou outras coisas, por isso, muitas marcas sentiram a necessidade e fazer constantemente o fortalecimento da relação com seu público-alvo.

As famosas publicidades grudentas, que ficam nas laterais dos sites, ainda funcionam e são utilizadas, mas não agregam na percepção de uma marca. Todas as empresas, sejam elas de comunicação ou não, querem ser reconhecidas nas redes pelo engajamento com o público e a eficiente comunicação que fazem, por isso, tornam-se produtoras de conteúdo na rede.

É neste contexto que se destaca o BuzzFeed e a sua nova forma de divulgação de matérias patrocinadas. Mesmo nas mais comerciais, o site procura explorar o conteúdo que o produto possa oferecer e divulga-lo de uma forma agradável para o consumidor. Uma linguagem que aproxime o leitor da matéria e gere identificação. Por exemplo: Qual seria a primeira coisa que um jovem adulto, que cresceu lendo a saga literária Harry Potter, faria ao se deparar com um livro que marca uma nova continuação para a história? Folhearia, mas de uma maneira prática e objetiva que o fizesse comprar o produto.

Portanto, uma nova abordagem para matérias patrocinadas pode se destacar se captar este momento para o público e reproduzir a sensação de forma objetiva, com destaques que chamem a atenção logo de cara.

Outra análise interessante sobre o formato BuzzFeed de abordar conteúdos patrocinados é o espaço que o site oferece para que as marcas sejam produtoras de conteúdo. As matérias das marcas Chevrolet e Gillete (um exemplo de matéria patrocinada pela Gillete pode ser visualizado no anexo 19) exemplificam bem o cenário. Não se sabe se foi uma produção das próprias marcas ou da equipe de editores do site, mas o que se percebe é que o BuzzFeed aqui cumpre perfeitamente seu papel como mídia e oferece seu espaço para muito mais que um patrocínio.

Trata-se da produção de um conteúdo, que se for bom o suficiente, terá compartilhamentos e irá agregar na percepção da marca. Ao lado do conteúdo das matérias, por exemplo, vemos que as redes sociais de ambas estão associadas a publicação para incentivar o usuário a curtir as publicações e se possível, se tornar um seguidor.

É aqui que verificamos o grau de importância da audiência engajada. Não se pode ignorar ou diminuir a relevância da audiência contabilizada, pois é ela que mede quantas pessoas serão atingidas por uma determinada iniciativa ou propaganda de uma empresa. No entanto, é a audiência engajada que irá atribuir valor, acrescentar opiniões, moldar o contexto e agregar na reputação de uma empresa no ambiente virtual.

A produção de conteúdo segmentada é a que vai medir o público pelos seus interesses, gostos, opiniões e hábitos além de atribuir uma maior importância para a forma de interagir e se conectar socialmente. Nesta lógica é que se encaixa a produção midiática do BuzzFeed. A abordagem dinamizada e interativa do site consolida a forma que os editores do site atribuem valor comercial para uma matéria. Portanto, é importante ficar atento a este novo modelo de patrocínio, que deixa de lado a tradicional publicidade em forma de texto de jornalístico e produz conteúdo, sem muitas ligações com as iniciativas da marca, para estreitar a relação com o público e agregar na percepção.

4.3 Cases de sucesso

O poder midiático do BuzzFeed pode ser avaliado com os mais recentes virais e os primeiros furos jornalísticos publicados pela empresa. Em 26 de fevereiro de 2015, uma pergunta provavelmente esteve na página inicial de todos os seus amigos no Facebook: “Qual é a cor do vestido?”. Trata-se do mais recente conteúdo viral do BuzzFeed. O caso ocorreu quando um dos editores do site percebeu que uma imagem inusitada de um vestido estava sendo amplamente compartilhada no Tumblr21. A iluminação sobre o vestido da foto gerou a seguinte dúvida nos usuários: o vestido era banco e dourado ou preto e azul? Isto foi o suficiente para mobilizar os internautas.

Após encontrar o caso no Tumblr, rapidamente o BuzzFeed postou o conteúdo em seu site e criou a enquete “What Colors Are This Dress?”. Bastou o conteúdo ser publicado nas redes sociais para se tornar um dos maiores virais de todos os tempos.

Conforme pode ser visto na imagem do anexo 20, a publicação conquistou mais de 38 milhões de visualizações no mundo todo. Os inúmeros comentários da página exemplificam a tamanha repercussão que o caso teve no mundo afora.

Celebridades mundialmente famosas, com milhões de seguidores nas redes, como os cantores Justin Bieber e Taylor Swift, a atriz Julianne Moore e a socialite Kim Kardashian reproduziram o caso em suas redes e comentaram a polêmica da cor do vestido. A televisão esteve inundada por matérias sobre o viral, assim como os jornais mais influentes do mundo como o The New York Times.

No programa jornalístico Fantástico, exibido pela emissora Rede Globo aos domingos, a apresentadora Poliana Abritta iniciou a atração vestindo a tão falada peça. “Eu estou com o vestido mais comentado do mundo nos últimos dias”, declarou a jornalística. Logo em seguida, o programa mostrou a dificuldade para conseguir uma réplica da roupa, que já havia esgotado em diversas lojas de Londres. Entretanto, a sensação estava presente em todos os lugares, até mesmo a vendedora que apareceu na reportagem estava usando o vestido, que aumentou suas vendas em mais de 2000%22. Uma imagem da apresentadora do programa usando o vestido pode ser visualizada no anexo 21.

A polêmica mobilizou discussões e pronunciamentos de diversos estudiosos da ciência sobre como funciona o cérebro humano na observação das cores. O reflexo da famosa imagem do vestido fez com que todos tivessem uma pequena ilusão de ótica ao enxerga-lo, mas a discussão que mais chamou a atenção dos internautas no mundo afora era o porquê uns enxergavam azul e preto (a verdadeira cor) e outros branco e dourado. No anexo 22, há uma imagem exemplificando a repercussão por memes23 nas redes sociais.

No anexo 23, pode-se conferir a matéria que o influente jornal The New York Times veiculou a respeito do viral. O que se observou do BuzzFeed neste caso foi que a empresa soube explorar a potencialidade de cada ferramenta social da internet para criar um conteúdo viral. Na dinâmica de produção do site, ou se produz conteúdo específico para cada rede ou se adapta um tema de forma que ele possa ser propagável em todas as redes sociais.

No entanto, enganam-se os que pensam que o BuzzFeed apenas cria conteúdos propagáveis de assuntos superficiais. Em 2012, o site deu seu primeiro furo jornalístico ao surpreender e publicar uma matéria sobre as eleições daquele ano. O conteúdo da publicação era sobre os candidatos Mitt Romney (candidato à presidência dos Estados Unidos em 2012) e John McCain (atual senador pelo estado do Arizona), que antes eram rivais políticos e naquela campanha estavam se apoiando24. Foi naquele momento que o site se consagrou como uma forte potência midiática que mesclava furos jornalísticos com conteúdos virais, com alta influência na rede.

O sucesso fez com que o site recebesse, pouco depois, US$ 15 milhões em capital da Lerer Ventures, o que foi o estopim para que o site investisse em uma renomada equipe jornalística25.

No entanto, o mais recente e famoso furo jornalístico do BuzzFeed diz respeito ao influente jornal impresso The New York Times. Em 15 de maio de 2014, o site publicou em primeira mão um relatório de inovação interno feito pela equipe do jornal. Naquele documento estava a visão de estratégia digital de uma das maiores empresas midiáticas americanas com relatos da equipe interna do The New York Times, o que poderia soar como um grande divã para qualquer conglomerado de mídia jornalística que esteja migrando seu conteúdo para o ambiente virtual (a publicação pode ser visualizada no anexo 24).

Entretanto, a grande surpresa veio na parte que citava os grandes concorrentes do jornal na internet, na qual o BuzzFeed foi citado e avaliado como uma empresa inovadora na área de jornalismo, conforme exemplifica o anexo 25. A publicação e o vazamento deste relatório foram decisivos para que o site se consolidasse, oficialmente, como um dos mais influentes portais midiáticos da atualidade. Estando a frente até mesmo dos mais famosos conglomerados de mídia do mundo.

4.4 Estratégias de engajamento e propagação

Conforme visto nas análises anteriores, o BuzzFeed tornou-se uma potência midiática da web ao criar um novo formato de jornalismo, com base na experiência de navegação pelas redes sociais. Entretanto, como é possível definir quais são os diferenciais do site em relação aos tradicionais portais jornalísticos?

Primeiramente, é importante observamos como é a dinâmica de produção do site. Por mais que a página misture tudo em sua home page, há mais de 10 editorias que também podem auxiliar o usuário no tema em que ele mais procura se informar. Matérias relacionadas a saúde, ciência, tecnologia, entretenimento, são delimitadas pelo site logo no menu inicial.

No entanto, esta é a única semelhança do site com os portais de grandes conglomerados de mídia. A grande inovação do BuzzFeed está na forma em como o site capta informações e temas de interesse para criar conteúdo.

O case estudado nas páginas anteriores, sobre o viral do vestido, é um belo exemplo de como o site sabe captar os assuntos do momento nas redes sociais e transformar as situações mais irreverentes nos virais mais repercutidos da atualidade. Porém, o entretenimento não é o único foco. O BuzzFeed sabe levantar temas mais sérios relacionados a política, entre outros, com uma linguagem mais interativa e dinâmica, própria para as redes sociais. Abaixo, vamos conhecer um pouco mais das estratégias de abordagem do site:

  • Transformar matérias em listas: Na página inicial do Facebook, o usuário está rodeado por milhares de informações. Como é possível chamar a sua atenção em meio a tanto conteúdo? É preciso repassar a informação com aderência e dinamismo. É neste contexto que surgem as famosas listas (exemplificadas no anexo 26) que todo mundo já compartilhou no Facebook. A linguagem é simples, objetiva, propõe uma rápida leitura e tem aderência suficiente para gerar engajamento, além dos recursos multimídias utilizados na construção do conteúdo.

  • Criar enquetes: Não é tão difícil encontrar um conteúdo com uma enquete, ou um quiz, no site. A propósito, foi desta forma que os editores do portal criaram o tão falado viral do vestido de duas cores. A exibição dos resultados das enquetes gera um alto número de comentários na página, seja de insatisfação com os resultados ou não, a imagem com um exemplo de enquete no BuzzFeed pode ser visualizada no anexo 27.

  • Dar voz ao público: Este talvez seja um dos grandes pilares do BuzzFeed reproduzido por inúmeros portais jornalísticos. Trata-se de produzir conteúdo jornalístico com base no que as pessoas comentam nas redes sociais. Selecionar postagens em quaisquer que sejam as redes sociais e exibi-las na home page é criar repercussão a respeito de um produto, programa ou tema específico. No anexo 28, um editor compartilha com os fãs da franquia cinematográfica Star Wars uma teoria levantada por usuários diversos do Twitter após a divulgação do comercial do novo filme da franquia.

  • Despertar sentimentos nostálgicos: A matéria “15 provas de que 2005 foi 100 anos atrás”, exemplificada no anexo 29, mostra a força do conteúdo residual e nostálgico nas redes. Nesta publicação, pode-se observar que o número de acessos ultrapassou a marca de um milhão de usuários e tornou-se facilmente uma das matérias mais visualizadas do site na semana em que foi publicada. O conteúdo leva o leitor para uma verdadeira viagem no tempo ao compartilhar fotos com celulares, programas e redes sociais utilizadas há 10 anos atrás.

  • Utilizar linguagem dialogal: No BuzzFeed, observa-se que a estrutura das informações foge dos padrões jornalísticos estabelecidos pelos jornais impressos devido ao uso de adjetivos, expressões, gírias e estrutura do texto feita em blocos, não por uma série de textos bem conectados conforma orienta o padrão da pirâmide deitada (já analisada acima). A ideia de abordar uma linguagem deste tipo é aproximar, cada vez mais, o usuário do conteúdo, ao explorar ao deixar formalidades de lado e tentar se aproximar mais da maneira que o público interage em rede. No anexo 30, há uma imagem que exemplifica que o site não hesite em adjetivar o conteúdo e até mesmo emitir uma opinião a respeito.

  • Explorar recursos multimídias como uma característica necessária a qualquer publicação: No site, não há uma publicação que não tenha recursos multimídias como gifs, imagens e vídeos. A ideia de utilizar sempre o elemento gráfico é eficiente, visto que a construção do relato jornalístico ou do conteúdo de entretenimento veiculado pelo portal se relaciona diretamente com a imagem inserido. É como se o uso destes recursos fosse parte da estratégia e da proposta do BuzzFeed.

  • Misturar diferentes temas e conteúdos: Conforme visto anteriormente nesta análise, o site se baseia nos feeds das redes sociais e unifica todo tipo de conteúdo, seja ele de entretenimento ou jornalístico. Ou seja, listas engraçadas sobre animais irão aparecer ao lado de reportagens sobre o Estado Islâmico, por exemplo. É a lógica que reflete a experiência dos usuários nas redes sociais.

  • Transformar situações cotidianas em conteúdo: Do mais comum ao inusitado, como os dramas mais compreensíveis por pessoas canhotas até as manias irreverentes dos que sofrem ansiedade, uma das estratégias mais certeiras do BuzzFeed é explorar situações cotidianas e transformar em conteúdo. No anexo 31, exemplificamos a estratégia com a matéria “19 Things All Kids Whose Parent Worked At Their School Will Understand”, ou seja, traduzida significa “19 Coisas que todas as crianças cujos pais trabalhavam na escola vão entender”.

  • Sarcasmo/Ironia: Utilizar o sarcasmo nas publicações talvez seja uma das estratégias mais irreverentes do BuzzFeed. Em uma publicação do dia 7 de agosto de 2015, por exemplo, um editor brasileiro do site listou “34 Razões para nunca visitar Portugal”. O título pode ter gerado espanto em muitos brasileiros que admiram o país, mas ao clicar no conteúdo o usuário percebe que na verdade se tratam de motivos para conhecer o país, pois o conteúdo mostra os mais belos pontos turísticos do país. No anexo 32, há um exemplo da publicação.

Estas são as estratégias de engajamento mais utilizadas pelo site. Todas elas marcam o diferencial do BuzzFeed em relação aos tradicionais veículos midiáticos. Aqui, buscar a identificação do usuário é a melhor maneira de gerar engajamento, pois cada usuário que se imaginar ou pensar da mesma forma que a abordagem do conteúdo terá vontade de compartilhar aquilo com os amigos na rede social.

5. BuzzFeed Brasil

Em 14 de outubro de 2013, inúmeros sites jornalísticos anunciaram que o BuzzFeed teria uma versão em português26. Junto com a notícia, foi anunciada a novidade de que a tradução seria terceirizada e feita pelos alunos do curso de inglês online Duolingo27. A expansão do site também englobava versões em espanhol e francês, mas o Brasil parecia ser um dos países mais atrativos para o site devido a sua cultura de internet.

Tanto é que o conteúdo logo deixou de ser apenas uma versão traduzida dos já publicados na versão americana do site e passou a ganhar uma produção própria, focada na atividade dos brasileiros nas redes sociais.

Em uma entrevista para o portal jornalístico Estadão, Ben Smith, editor-chefe da versão americana do BuzzFeed, afirmou que a enorme audiência de brasileiros no site e a cultura de internet presente no país foram os maiores contribuintes para a versão do site em português. Outra curiosidade que também chamou a atenção do editor é o tempo que cada brasileiro gasta com mídias sociais, definido como “insano” pelo jornalista28.

No entanto, o que mais chamou a atenção do editor foram as similaridades do público brasileiro com o americano, na visão do editor. As formas de expressão são universais, mas o conteúdo é nativo, conforme declara Smith. “Mesmo quando usam referências americanas, os brasileiros remixam de um jeito único. Muitos países têm sites com a palavra "buzz" no nome, mas vocês não, porque têm suas próprias referências”, afirmou.

Não demorou para que o BuzzFeed Brasil conquistasse os brasileiros. A atividade nas redes sociais motivou toda a criação de conteúdo nativo no país, mas isto não impediu que os editores criassem seus próprios virais e memes. A apresentadora de televisão Xuxa, programas no formato de reality show como Master Chef e outras celebridades brasileiras são alvos constantes das listas bem-humoradas do site.

Inclusive, os editores elegeram um comentarista oficial e o contemplado foi Yuri Stavale Aleixos. A atividade do usuário no site e seus constantes comentários chamaram a atenção dos editores da página, que logo perceberam que a iniciativa de produzir uma publicação a respeito do fã seria interessante para exemplificar uma maior proximidade com a audiência.

Na publicação, inclusa no anexo 33, Manuela Barém, editora-chefe do BuzzFeed Brasil, enaltece o usuário como um dos mais populares comentaristas do site e destaca no título na matéria “Como um comentarista do BuzzFeed Brasil ganhou uma legião de fãs”. Aqui, este pode ser um bom exemplo de como o site atribui voz própria ao seu público e os trata como um elemento primordial para que se obtenha um bom engajamento nas redes.

Nas redes sociais, pegamos para analisar a página brasileira do site no Facebook, que conta atualmente com mais de 450 mil curtidas, número baixo comparado a quantidade de pessoas que a página da versão americana no site concentra no Facebook. Entretanto, por mais que a fan page esteja apenas na faixa dos 400 mil seguidores, as publicações continuam a tradição e marcam bons números de engajamento.

Para comparar, pegamos a página de um dos mais influentes jornais brasileiros na rede, O Globo, que acumula quatro milhões de seguidores na rede. Em suas últimas 30 publicações, do dia 16 de novembro de 2015, o jornal tem pelo menos três publicações com um máximo de três mil curtidas. Já a página do BuzzFeed Brasil, com um número de seguidores 89,27% inferior ao do jornal O Globo registra engajamento quase que equivalente ao jornal, tendo pelo menos, uma publicação na mesma data com mais de quatro mil curtidas.

No Twitter, apesar do número discreto de seguidores, o BuzzFeed Brasil foi consolidado como um portal midiático pela própria rede. Em 17 de novembro de 2015, o Twitter lançou uma nova ferramenta chamada “Moments”29. Trata-se de um recurso de curadoria de notícias para a rede e o Brasil foi o segundo país a receber a novidade. Com o novo botão, basta o usuário acessar o “Moments” para ter acesso as matérias de maior repercussão da atualidade.

O serviço de curadoria é feito pela equipe do Twitter, mas diversos parceiros foram convocados para auxiliar e publicar conteúdo. Nesta lista, o BuzzFeed Brasil figura ao lado de grandes portais como Globo.com, Veja, Estadão, entre outros. Isto consolida a posição midiática do site na rede.

Entretanto, antes de se consolidar também no Brasil, a produção nativa para o país era mais voltada para o humor, até que a página optou por destacar temas sérios para debate e notícias jornalísticas, conforme veremos a seguir.

5.1 Como levantar assuntos sérios no entretenimento

Não é segredo que o entretenimento serviu como porta de entrada para o BuzzFeed na web. Jonah Peretti, antes de criar o portal, trabalhou para o popular site jornalístico The Huffington Post e em suas primeiras produções para o portal já testava aliar o entretenimento ao jornalismo sério. O jornalista publicava matérias com linguagem sarcástica e publicava fotos de gatos, aparentemente engraçados, para complementar as informações e representar uma reação para o leitor30.

Portanto, pode-se imaginar por que este estilo foi o que norteou a dinâmica de produção do BuzzFeed, mas ao avaliar a trajetória do site, podemos observar que a intenção jornalística sempre esteve nos planos de seu criador. No início, em meio a inúmeros artigos no formato de lista e memes, o portal surpreendeu ao investir na contratação de importantes nomes do jornalismo nos Estados Unidos, a começar pela adição do influente Ben Smith ao time. O elogiado blogueiro e colunista do site americano Politico assumiu o cargo de editor-chefe e em pouco tempo, o BuzzFeed já despertava a atenção por publicar importantes matérias jornalísticas sobre as eleições presidenciais dos Estados Unidos em 2012, de acordo com as informações da jornalista Fernanda Lizardo para o site Observatório da Imprensa.

No entanto, foi em junho deste ano que o crescimento jornalístico do BuzzFeed surpreendeu, pois o site lançou seu primeiro laboratório experimental para Jornalismo, Tecnologia e Artes no escritório situada na cidade de São Francisco, estado da Califórnia nos Estados Unidos. A ideia consiste em incentivar o desenvolvimento de novas tecnologias que possam facilitar a prática jornalística. No lançamento da iniciativa, engenheiros, hackers, jornalistas e artistas foram convidados para apresentarem projetos e ganharem bolsas de trabalho e estudo no Laboratório31.

Para o Brasil, a produção jornalística começou de forma discreta, mas logo ganhou a atenção dos leitores. Para exemplificar, há uma imagem no anexo 34 com a matéria “Entenda o que Cunha fez para votar de novo a redução da maioridade penal”. Na publicação, há um conteúdo jornalístico no formato de listas, todo composto por imagens, explicando como o deputado federal e presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha alterou uma emenda e anulou a decisão da Câmara em rejeitar a proposta de reduzir maioridade penal em casos de crimes graves.

A mais recente publicação viral e jornalística do BuzzFeed foi sobre os atentados terroristas em Paris, na França, no dia 13 de novembro de 2015. A contribuição do jornalista Ryan Broderick, integrante da equipe do BuzzFeed London, para a versão brasileira do site contou a história de Isobel Bowdery, uma jovem de 22 anos que compartilhou no Facebook um relato assustador sobre como ela se fingiu de morta para sobreviver durante o atentado.

A publicação do jornalista entrou no feed das matérias mais visualizadas do site e alcançou cerca de 56.082 mil pessoas no Brasil. Portanto, se o jornalismo do BuzzFeed ainda está em seus primeiros passos no Brasil, postagens como esta ajudam a consolidar um novo tipo de webjornalismo no país. No anexo 35 há uma imagem que exemplifica a matéria.

Podemos observar também que a versão brasileira do site costuma levantar temas sociais para discussão, um deles é o feminismo. Em uma publicação do dia 13 de novembro de 2015, por exemplo, a editora Clarissa Passos denunciou a circulação de um livro infantil com piadas que soavam desrespeitosas para meninas. Na matéria, a jornalista destaca que apesar da editora ter comunicado que o livro não é mais vendido desde 2010, há livrarias online que ainda disponibilizam o material para compra. A imagem com a matéria pode ser conferida no anexo 36.

A partir disto, podemos concluir que o BuzzFeed Brasil tenta captar os temas de debate da rede para fomentar, aos poucos, o início de uma produção jornalística nativa. Como exemplo, é interessante observarmos também a publicação “10 imagens chocantes que mostram homens vítimas de ‘heterofobia’”, presente na imagem do anexo 37. A postagem mais parecia uma brincadeira e circulou como puro entretenimento para os internautas, mas trata sutilmente, por meio do sarcasmo, de um assunto polêmico e que gera inúmeros discursos de ódio nas redes sociais, o homossexualismo.

O teor deste conteúdo faz uma crítica direta a falsa simetria que algumas pessoas costumam ter ao alegar que são oprimidas por homossexuais nas redes, um público até então tido como minoria sexual. A publicação obteve mais de 500 mil acessos e gerou uma repercussão imensurável na web tendo um alto número de compartilhamentos. Até mesmo portais jornalísticos noticiaram sobre o conteúdo citando o BuzzFeed como um exemplo na abordagem de assuntos sérios no entretenimento, conforme noticiou o site AdNews32.

5.2 A participação brasileira na propagação de conteúdo

Nas páginas acima, vimos o editor-chefe do BuzzFeed US, Ben Smith, destacar que o tempo insano que os brasileiros gastam com as mídias sociais e a cultura da internet instaurada no país foram um dos principais motivos que propiciaram a criação da versão brasileira do site, com produção de conteúdo nativa. Para entender um pouco a lógica do jornalista, vamos analisar alguns casos de virais no qual os brasileiros se destacaram na propagação de conteúdo pelo mundo afora.

No dia 16 de novembro de 2015, um usuário filmou por um smartphone a brida entre duas estudantes do ensino, Lara e Jéssica, e logo publicou no Youtube e replicou para as redes sociais. Na publicação, assim que as briga das alunas chega ao fim, a estudante Lara pergunta para sua oponente: “Já acabou, Jéssica?”. Foi o suficiente para a criação de um dos maiores virais do ano.

Milhares de brasileiros compartilharam o vídeo nas redes sociais e a atitude irreverente da estudante ao perder uma briga ganhou a atenção de inúmeros usuários. Em poucas horas, o nome Jessica entrou para os trending topics mundiais, conforme pode ser visto na imagem do anexo 38, e inúmeros memes surgiram como uma espécie de paródia da atitude da estudante, conforme exemplifica o anexo 39.

Não demorou para que a imprensa brasileira transformasse o caso em notícia. Em poucas horas, as meninas se tornaram as celebridades do momento e inúmeros jornalistas buscaram saber da história que há por trás do vídeo para circular a informação. Inúmeros funcionários da escola foram ouvidos e no relato, muitos não entenderam tamanha repercussão para algo tão banal33. Em menos de três dias, o casou inspirou até mesmo um jogo para smartphones, conforme noticiou o site de tecnologia TecMundo34.

A repercussão internacional do meme transformou até mesmo uma jovem americana em celebridade, pois seu nome de usuário no Twitter era “@jessica” e muitos usuários a confundiram com a estudante que ilustrou meme. Isto fez com que a americana ganhasse, em poucas horas, mais de 24 mil seguidores. As reações de espanto da internauta ao perceber que tinha sido confundida com um meme brasileiro acabaram virando notícia pelo próprio BuzzFeed Brasil35.

Este viral exemplifica a força do brasileiro na propagação de conteúdos em rede e a cultura da internet instaurada no país. É a partir desta análise que compreendemos os principais motivos que fizeram o BuzzFeed a ter uma versão brasileira e uma produção nativa.

A atração do público brasileiro pelo inusitado é também um constante tema para debate. Enquanto muitos usuários entram nas redes sociais para se divertir, outros buscam por informações debates sociais que possam acrescentar ao conhecimento próprio. É este o público que fomenta e enrique a parte destinada aos comentários nas notícias veiculadas de forma mais tradicional nas redes sociais. Tragédias, ações políticas e outros tipos de assunto com maior seriedade tendem a concentrar um grande número de pessoas para debate independente do formato em que a publicação foi divulgada.

Entretanto, os veículos e empresas midiáticas que sabem captar a repercussão do ocorrido e trabalhar com o conteúdo residual de uma forma positiva acabam ganhando uma atenção ainda maior dos usuários e agregam na percepção da marca. É como se no meio de tamanha repercussão houvesse um neutralizador de informações analisando o fenômeno social fazendo o público sentir que possui voz própria.

Este é o contexto no qual o BuzzFeed se destaca como um novo fenômeno midiático da web. De acordo com o que foi visto nas páginas acima, o site evita a repetição das matérias que circulam em massa na mídia e procura mostrar um conteúdo residual do acontecimento como por exemplo: repercussão e histórias individuais de pessoas envolvidas, assim como exemplificamos acima ao citar a matéria do jornalista Ryan Broderick sobre uma das vítimas do atentado em Paris.

Vale destacar também a forma que o Reuters Institute for the Study of Journalism em seu mais recente relatório de mídias digitais36 analisou o Brasil. Segundo o estudo, o país figura entre os 12 países que mais compartilham notícias e outros tipos de conteúdo via e-mail e redes sociais.

6. Modelo referência no webjornalismo

A transformação da narrativa das matérias jornalísticas, com a adesão das populares listas e a linguagem dialogal, não é uma criação exclusiva do BuzzFeed, mas devemos considerar que o site foi um dos grandes responsáveis por popularizar o formato e atribuir uma maior importância para a utilização.

Portanto, conforme o que foi estudado neste trabalho, não é novidade que o BuzzFeed se tornou um fenômeno midiático da web, tanto é que a sua forma inovadora de circular e dinamizar o processo de construção de uma matéria foi reproduzida por inúmeros portais jornalísticos assim como os jornais impressos que migraram seus conteúdos para o ambiente virtual.

O que pode explicar a popularidade deste método mais informal e dialogal de processar e circular a informação? Primeiramente, é necessário relembrarmos como um usuário da rede lida com a quantidade imensurável de informações ao seu redor na web, pois assim que uma notícia de grande importância ou comoção social é divulgada, inúmeros veículos jornalísticos muitas vezes passam a mesma informação, contada de uma forma diferente. É desta forma que cada um compete entre si, muitas vezes utilizando novos recursos e outros pontos de vista.

Talvez o que divulga primeiro, ou possui uma informação exclusiva possa levar vantagem nestas disputas, mas o usuário das redes sociais mostra, cada vez mais, que está cansado da repetição e dá preferências para sites que testam novas abordagens e narrativas para uma matéria. É aqui que se destacam os sites como o BuzzFeed, o grande pioneiro na transformação da linguagem jornalística.

É pelas redes sociais que o usuário escolhe os veículos jornalísticos que quer seguir diariamente para se manter informado e tende a clicar nas matérias que mais lhe chamam a atenção na página inicial das redes. Neste processo, as matérias com narrativas mais simples, dinâmicas e menos datadas se destacam entre as demais. É o que explica a preferência dos usuários em rede por sites como o BuzzFeed, que já acumula 200 milhões de acessos mensais.

Portanto, ao analisar o fenômeno sob a lógica das redes sociais, é possível concluir que em meio a tanta informação, os usuários acabam optando pela informação que ofereça uma compreensão mais rápida, objetiva e uma leitura mais dinâmica, com interatividade. A questão que fica é: seriam uma abordagem superficial transformar matérias em listas? Não, o estudo do capítulo anterior pode servir para exemplificar esta problemática, pois nele foi mostrado a forma como o BuzzFeed consegue tratar de temas sociais, com maior importância para a sociedade, por meio de uma lista ao fazer com que ela seja, ao mesmo tempo, divertida e reflexiva. Até mesmo os recursos multimídias utilizados podem servir para complementar o objetivo social de uma publicação.

Ao entender todo este processo, podemos analisar a forma com que os grandes conglomerados de mídia se apropriam, aos poucos, deste modelo. Hoje, é possível se deparar com matérias no formato de listas nos mais influentes portais jornalísticos da atualidade como G1, Estadão, Folha de São Paulo, entre outros.

Para exemplificar, consta no anexo 40 a imagem com a seguinte matéria do G1: “Dólar a R$ 4: como o Brasil era em 2002 e como está hoje”. A publicação foi feita logo após o aumento do valor do dólar no Brasil e fazia um comparativo de como estava o país quando o dólar atingiu o mesmo valor, há 13 anos atrás. O que se pode observar é que o conteúdo tenta despertar um sentimento de nostalgia ao mesmo tempo em que busca questionar o leitor mais ávido se o país retrocedeu ou não.

Entretanto, como não é comum que o portal jornalístico G1 faça brincadeiras nostálgicas com o que seu leitor, o público imaginou que o objetivo da publicação era o segundo e um debate se iniciou nos comentários. Ao todo, foram 809 interações na página.

Aqui, o que também podemos analisar é que o G1 utilizou duas estratégias do BuzzFeed: transformar artigos jornalísticos em listas e fazer referências que levem o leitor ao sentimento de nostalgia. O conteúdo relembra o presidente que governava o país na época, o protagonista da telenovela exibida no horário nobre, o preço do ônibus, da gasolina, entre outras coisas. Tudo isto no formato de listas e complementado por imagens.

É um claro exemplo do processo de “buzzfeedização do jornalismo”, denominado assim por diversos estudiosos como os doutores em Comunicação Thais Sardá, Ludmila Lupinacci, Camila Cornutti Barbosa, Gabriela Zago, Vanessa Valiati e Willian Araújo. Estes foram os autores de um dos primeiros artigos que tratava deste processo.

Parece interessante ressaltar também que, ao mesmo tempo em que o jornalismo tradicional absorve elementos de canais mais informais e bem-humorados, paralelamente, sites como o BuzzFeed - que se tornaram conhecidos justamente por essas práticas de publicação de conteúdos simples, curtos e potencialmente propagáveis - estejam investindo também em jornalismo “sério”, aprofundado, com viés investigativo, objetivando uma maior credibilidade jornalística. (SARDÁ; LUPINACCI; BARBOSA; ZAGO; VALIATI; ARAÚJO, p.15, 2014)

O site jornalístico do jornal O Globo também se apropriou deste modelo e vem fazendo matérias neste estilo, com temas de maior importância e seriedade. A publicação foi exemplificada no anexo 41, trata-se da matéria “Quatro alertas sobre o uso consciente de antibióticos”. O conteúdo desta publicação foi transformado em lista com uma galeria de imagens e os quatro alertas.

No anexo 42, há um exemplo do site jornalístico da revista Exame. Neste, o portal utiliza o recurso das listas para motivar que os leitores leiam as principais matérias publicadas pelo veículo nos últimos dias. Trata-se da matéria “10 notícias de Marketing que você não pode deixar de ver”. Uma boa estratégia para atrair a atenção dos leitores a respeito dos acontecimentos mais importantes da área.

6.1 A Buzzfeedização na prática

Para testar a eficácia da “buzzfeedização do jornalismo” e comprovar sua influência nas redes sociais, 20 voluntários com idades entre 20 e 50 anos se disponibilizaram para participarem de uma pesquisa de opinião. Primeiramente, os participantes foram questionados sobre o que procuram ao entrar nas redes sociais e nisso, 42,1% deles afirmaram que buscam por entretenimento, 31,6% procuram por informação e 26,3% apenas querem se sentir menos entediados quando entram em suas redes sociais, ou seja, buscam tanto por assuntos e debates interessantes quanto por conteúdos de humor, conforme mostra o anexo 43.

Para testar a preferência por conteúdos escritos no formato BuzzFeed, um tema de ampla discussão foi escolhido: a redução da maioridade penal. Os voluntários tiveram três opções de matéria que falavam sobre a ação do político Eduardo Cunha para fazer com que a redução da maioridade penal fosse aprovada pela Câmara dos Deputados, mesmo depois da proposta ter sido rejeitada.

A matéria que explicava no formato de listas passo a passo das atitudes e justificativas do político para tal iniciativa foi a mais escolhida pelos participantes. O título “Entenda o que Cunha fez para votar de novo a redução da maioridade penal” pareceu mais explicativo e atrativo do que as notícias divulgadas por tradicionais veículos de comunicação, como o portal jornalístico da revista Carta Capital que divulgou uma matéria com o título “Com nova manobra de Cunha, Câmara aprova redução da maioridade penal”. Ou seja, estes dados nos provam que em um tema complexo, mais vale uma abordagem que seja explicativa, dinâmica e com linguagem menos técnica para tratar de leis do que uma matéria nos padrões comuns segmentada para um único tipo de público. A imagem do anexo 44 mostra o gráfico que representa a escolha dos voluntários.

O atentado terrorista na cidade de Paris, que ocorreu no dia 13 de novembro de 2015, é um tema recente que ainda mobiliza boa parte dos internautas em debates, discussões e campanhas. Por isso, foram disponibilizadas sete publicações a respeito do assunto para os voluntários e as duas mais escolhidas para acesso foram: “Sobrevivente dos ataques à Paris filmou o momento em que o tiroteio começou no show” e “Ataques em Paris: o que se sabe até agora”. A primeira, trata-se de uma publicação do BuzzFeed Brasil e exemplifica a preferência dos usuários da rede social por conteúdos residuais e focados em histórias individuais das vítimas ou dos envolvidos no acontecimento. Já a segunda é uma matéria do portal jornalístico G1, um dos mais influentes na mídia online, que nesta publicação replica o modelo BuzzFeed de informar e faz uma lista com um resumo dos acontecimentos e informações mais importantes divulgados até o momento. Os resultados estão exemplificados no anexo 45.

Assuntos relacionados à saúde e entretenimento também foram testados na pesquisa. Sobre o primeiro tema, foram colocadas diversas notícias à disposição do leitor como o alerta da Organização Mundial da Saúde que considera bacon e carnes processadas como alimentos cancerígenos, pesquisas diversas de universidades destacando o risco de doenças crônicas para aqueles que passam muitas horas em frente à TV, os perigos do consumo de alimentos torrados, entre outros. Para gerar um contraste para o leitor, colocamos um conteúdo de humor do BuzzFeed fazendo uma sátira de todas essas matérias. Trata-se da publicação “9 provas de que absolutamente tudo que você faz vai te levar à morte”, que brinca com o humor negro e critica a obsessão da mídia em circular inúmeros alertas para a saúde e matérias relacionadas a dietas.

Os resultados, mostrados no anexo 46 mostram que a maioria dos leitores se sentem saturados com tantos alertas sobre o consumo de alimentos e confusos a respeito do que consumir e em qual proporção. Este é um dos motivos pelo qual a preferência, 31.6%, foi pela publicação do BuzzFeed que faz uma sátira deste tipo de conteúdo.

Na parte de matérias relacionados a entretenimento, foram colocadas cinco matérias. Algumas brincam com o sarcasmo e outras exploram inúmeras curiosidades para entreter o leitor. Os resultados, exemplificados no anexo 47, mostram que a maioria tem preferência pelas publicações que brincam com o sarcasmo e com as curiosidades. As preferidas dos voluntários foram: “34 razões para nunca visitar Portugal”, 21.1% e “Dólar a R$ 4: como o Brasil era em 2002 e como está hoje” (analisada no capítulo anterior), com 26.3%.

A primeira é uma publicação do BuzzFeed Brasil, também já analisada nos capítulos anteriores, que divulga o turismo em Portugal por meio de uma linguagem sarcástica. A segunda traça um paralelo com curiosidades e detalhes sobre como estava o país quando o dólar tinha o alto valor que possui nos dias de hoje.

Os resultados desta pesquisa apontam também que o conflito entre gerações é mínimo na aceitação deste modelo de webjornalismo, que utiliza o entretenimento para tratar assuntos sérios e explora uma nova linguagem a fim de engajar o leitor. Usuários de 30 a 40 anos, por exemplo, buscam pela informação diretamente nas redes sociais e gostam de visualizar assuntos sérios narrados por listas e com outros tipos de abordagens. É o público que nasceu acompanhando todo o processo e se mostra favorável às mudanças.

Voluntários de 20 a 29 anos procuram, massivamente, por qualquer coisa que os deixem pouco entediados nas redes sociais, portanto, matérias com conteúdo de importância social ou entretenimento podem atingi-los facilmente, desde que estejam alinhadas com a linguagem praticada nas redes, ou seja, sem padronização ou tradicionalismo. Este é o público que nasceu junto com a evolução da internet, mas dá prioridade ao entretenimento nas redes sociais, portanto, a melhor forma de atingi-los com assuntos de maior grau de seriedade é utilizando uma linguagem mais dinamizada e interativa. Portanto, o formato do BuzzFeed é funcional para comunicar à essa geração.

Os participantes de 41 a 50 anos foram minoria nesta pesquisa, mas ainda assim foi possível colher resultados a respeito deste público, que apresentou uma recepção mista sobre o modelo. Os voluntários desta faixa etária ainda se atraem pelas matérias redigidas no modelo tradicional do jornalismo, entretanto, curiosamente, se mostram atraídos por conteúdos inusitados, que exploram o humor e o sarcasmo, e valorizam a produção residual a respeito de um fato ou notícia, ou seja, gostam de ver histórias individuais ou curiosidades a respeito de um determinado acontecimento. Isto exemplifica uma certa saturação da repetição de coberturas jornalísticas e abordagens da mídia.

7. Conclusão

O que aprendemos com o BuzzFeed? De qual maneira o site que transforma matérias em listas e produz conteúdos sobre gatos engraçados pode agregar para a construção de um novo modelo de webjornalismo?

Antes de tudo, vamos apenas recapitular para ter um melhor entendimento do cenário. A internet, desde os seus primórdios, reunia o grande pilar do mercado jornalístico, a informação. Conforme o acesso à rede cresceu, os conglomerados de mídia sentiram a necessidade de migrar o conteúdo impresso para o ambiente virtual. Nisso, o padrão jornalístico estabelecido apenas adaptou-se para explorar os novos recursos da web.

A grande transformação veio com o surgimento dos dispositivos móveis e as plataformas de mídias sociais. Antes, um cidadão comum não podia fazer um pronunciamento público. Hoje, as novas tecnologias permitem. O publicou ganhou voz e tornou-se produtor de conteúdo por meio das redes sociais, mesmo que seja apenas um incentivador de novas matérias jornalísticas.

Se antes era a audiência, traduzida em dados demográficos, que motivava os veículos jornalísticos a aprimorarem seus serviços, hoje é o comportamento. O uso frequente das mídias sociais diminuiu o poder da mídia impressa e televisiva e transformou o ambiente virtual em um cenário estratégico para qualquer conglomerado de mídia.

Além do mais, com as inúmeras possibilidades que as plataformas sociais oferecem, todo usuário dedica a maior parte de seu tempo na web para a utilização das redes. Conforme a pesquisa feita para complementar este trabalho, muitos buscam por entretenimento e informação ao mesmo tempo e fazem um processo de seleção pelas redes sociais ao escolher as matérias que mais lhe interessam.

Portanto, para que os grandes conglomerados de mídia sobrevivam no mercado digital, ter apenas um site que reúna matérias jornalísticas durante 24 horas por dia não é suficiente. É preciso que haja uma integração com as redes sociais para engajar o consumidor com o conteúdo e agregar na percepção da marca. Só assim será possível moldar o interesse do usuário. É uma realidade onde qualquer pessoa pode criar mídia. Esta, sendo ou não amadora, irá coordenar a audiência futura.

É nesse contexto que se destaca o BuzzFeed. O portal de entretenimento surgiu como um teste, feito por jornalistas, para se testar e aprender sobre como propagar conteúdos em rede. Fazer com que uma informação atinja milhares de pessoas ao mesmo tempo.

Os criadores descobriram a fórmula nas redes sociais. Visto que os usuários se concentram em massa nas redes e buscam, ao mesmo tempo, por entretenimento e informação, a ideia foi aliar os dois. Em meio a inúmeras informações disponíveis na web, o usuário das redes sociais busca por um conteúdo de fácil assimilação que o divirta e também informe, sem muita complexidade. Assim, nasceram as matérias nos formatos de listas e as paródias de situações cotidianas. Há quem questione: é um formato superficial? Não, pois exemplificamos neste trabalho que o BuzzFeed soube utilizar o entretenimento para propagar conteúdos de relevância social que incentivam uma maior reflexão a respeito de um determinado assunto.

O entretenimento pode ser utilizado para propagar temas de maior seriedade, assim como pode ter descoberto um modelo orgânico de webjornalismo, feito com base na forma que os usuários das redes sociais desejam consumir a informação. É nesse contexto que nasce a “buzzfeedização do jornalismo”. Aos poucos, inúmeros portais jornalísticos englobam as dinâmicas de produção do site e criam matérias com abordagens específicas para as redes sociais.

Por mais que o número de acessos de um site ainda tenha sua importância, é o engajamento que irá agregar positivamente para a marca na web e isso é o que BuzzFeed tem a nos ensinar. Além do mais, o site é um dos pioneiros na transformação de virais da rede em matérias jornalísticas. Por mais que muitos julguem esse tipo de conteúdo como sem relevância para o noticiário em geral, eles funcionam como uma consolidação de um vínculo entre o público e a imprensa. É a comprovação de que o atual consumidor possui voz ativa, é parte do processo da construção de uma matéria jornalística e também influencia as mídias em geral. Nesses casos, os veículos consolidam uma posição intermediadora entre a divergência de opiniões nas redes.

A empresa, que nasceu de um laboratório que testava conteúdos virais, soube compreender a cultura da internet e buscar a melhor forma de caminhar para que a web tenha seu modelo próprio de jornalismo. A lição que fica é que o novo webjornalismo trata-se de uma mistura entre tecnologia, informação e entretenimento. O primeiro, por gerar as oportunidades, o segundo por que é o grande pilar do jornalismo e o terceiro por ser o formato que atrai usuários da web, que dedicam praticamente todo o tempo online para as redes sociais. O segredo aqui é fazer jornalismo unindo a linguagem coloquial estabelecida nas redes com o processo informacional do jornalismo.

8. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

8.1 OBRAS CITADAS:

BRIGGS, Mark. Jornalismo 2.0: Como sobreviver e properar. J-Lab e Knight Citizen News Network, 2007. Disponível em: Acesso em: 16 de setembro de 2015.

CANAVILHAS, João Messias. Webjornalismo: Da Pirâmide invertida à pirâmide deitada. In: Jornalismo Digital de Terceira Geração. BARBOSA, Suzana (ORG). Covilhã - Portugal: Labcom - Universidade da Beira Interior, 2007. Disponível em: Acesso: 19 de agosto de 2015.

FERRARI, Pollyana. Jornalismo Digital. São Paulo: Editora Contexto, 2014. Disponível em: Acesso em: 23 de setembro de 2015.

JENKINS, Henry; GREEN, Joshua; FORD, Sam. Cultura da Conexão: Criando valor e significado por meio da mídia propagável. Editora Aleph. São Paulo, 2014

MALINI, Fábio. Modelos de colaboração nos meios sociais da internet: uma análise a partir dos portais de jornalismo participativo. In: Web 2.0 Participação e Vigilância na era da comunicação distribuída. ANTOM, Henrique (ORG). Rio de Janeiro: Maud X, 2008

SHIRKY, Clay. A Cultura da Participação. Editora Zahar. Rio de Janeiro, 2010.

8.2 SITES CONSULTADOS:

AD NEWS. Buzzfeed mostra como levantar assuntos sérios no entretenimento. Disponível em: Acesso em: 19 de novembro de 2015.

BUZZFEED. Entenda o que Cunha fez para votar de novo a redução da maioridade penal. Disponível em: Acesso em: 17 de novembro de 2015.

BUZZFEED. How Technology Is Changing Media. Disponível em: Acesso em: 17 de novembro de 2015.

BUZZFEED. Uma gringa tem sido atormentada no Twitter por causa do meme Jessica. Disponível em: Acesso em: 19 de novembro de 2015.

ÉPOCA. BuzzFeed: O rei do viral da internet. Disponível em: Acesso em: 28 de outubro de 2015.

ÉPOCA. Jonah Peretti, do Buzzfeed: "O que fazemos é uma mistura de arte e ciência". Disponível em: Acesso em: 29 de outubro de 2015.

ESTADÃO. A essência do BuzzFeed é fazer conteúdo se espalhar pela rede. Disponível em: Acesso em: 30 de outubro de 2015.

ESTADÃO. Furos e gatinhos. Disponível em: Acesso em: 29 de outubro de 2015

EXAME. BuzzFeed chega ao Brasil com tradução de voluntários. Disponível em: Acesso em: 16 de novembro de 2015.

EXAME. Como ganhar dinheiro com viral? O site BuzzFeed sabe. Disponível em: Acesso em: 02 de novembro de 2015.

FOLHA DE SÃO PAULO. BuzzFeed mistura notícias relevantes e 30 gatos sentados como pessoas. Disponível em: Acesso em: 07 de novembro de 2015.

FOLHA DE SÃO PAULO. Rede CNN e site BuzzFeed 'terceirizam' tradução para site de línguas. Disponível em: Acesso em: 16 de novembro de 2015.

G1. Conheça a história do site de vídeos Youtube. Disponível em: Acesso em: 16 de setembro de 2015.

G1. Poliana Abritta usa vestido polêmico e Fantástico desvenda mistério. Disponível em: Acesso em: 07 de novembro de 2015.

HUFFPOST BRASIL. Twitter lança no Brasil botão 'Moments', ferramenta de curadoria de conteúdo. Disponível em: Acesso em: 16 de novembro de 2015.

NOTÍCIAS AO MINUTO. Sucesso do BuzzFeed começou com um erro no Google. Disponível em: Acesso em: 15 de outubro de 2015.

OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA. BuzzFeed lança laboratório experimental. Disponível em: Acesso em: 17 de novembro de 2015.

OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA. ‘NYT’ publica conteúdo patrocinado em sua versão impressa. Disponível em: Acesso em: 02 de novembro de 2015.

OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA. BuzzFeed investe em jornalismo investigativo. Disponível em: Acesso em: 22 de outubro de 2015.

OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA. O BuzzFeed não quer destruir os jornais, mas melhorá-los. Disponível em: Acesso em: 20 de outubro de 2015.

OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA. Os planos do Buzzfeed para se tornar um dos maiores sites da rede. Disponível em: Acesso em: 10 de novembro de 2015

OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA. Relatório BuzzFeed: rede social em alta, homepage em baixa. Disponível em: Acesso em: 17 de novembro de 2015

OPEN DEMOCRACY UK. Why I have resigned from the Telegraph. Disponível em: Acesso em: 02 de novembro de 2015.

O POVO. Conheça a história por trás do meme "Já acabou, Jéssica?". Disponível em: Acesso em: 19 de novembro de 2015.

PERETTI, Jonah. New York Viral Media Meetup. Disponível em: Acesso em: 22 de outubro de 2015.

REUTERS INSTITUTE. Reuters Institute Digital News Report 2015. Disponível em: Acesso em: 21 de novembro de 2015. Acesso em: 21 de novembro de 2015.

TECMUNDO. Não acabou: viral ‘Já Acabou, Jéssica?’ virou game de Android. Disponível em: Acesso em: 19 de novembro de 2015.

THE NEW YORK TIMES. Cities Energized. Disponível em: Acesso em: 02 de novembro de 2015.

YAHOO. Ben Smith fala sobre a versão brasileira do site BuzzFeed. Disponível em: Acesso em: 16 de novembro de 2015.

TRABALHOS ACADÊMICOS CITADOS:

ARNT, Héris. Do jornal impresso ao digital: novas funções comunicacionais. Trabalho apresentado no NP02 - Núcleo de Pesquisa Jornalismo, XXV Congresso Anual em Ciência da Comunicação, Salvador/BA, 04 e 05, 2002. Disponível em: Acesso: 12 de setembro de 2015.

BARBOSA, Suzana. Jornalismo online: dos sites noticiosos aos portais locais. Artigo apresentado no XXIV Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação- Intercom, Campo Grande (MS), 2001. Disponível em: Acesso: 09 de setembro de 2015.

CANAVILHAS, João Messias. Do gatekeeping ao gatewatcher: o papel das redes sociais no ecossistema mediático. Trabalho apresentado no II Congresso Internacional Comunicación 3.0, Universidad de Salamanca, 2010. Disponível em: Acesso em: 10 de outubro de 2015.

CANAVILHAS, João Messias. Do jornalismo online ao webjornalismo: formação para a mudança. Comunicação e Sociedade, vol. 9-10, 2006. Disponível em: Acesso: 09 de setembro de 2015.

MIELNICZUK, Luciana. A Pirâmide Invertida na época do Webjornalismo: tema para debate. Trabalho apresentado no NP08 – Núcleo de Pesquisa Tecnologias da Informação e da Comunicação, XXV Congresso Anual em Ciência da Comunicação, Salvador/BA, 04 e 05, 2002. Disponível em: Acesso: 05 de setembro de 2015.

MIELNICZUK, Luciana. Características e implicações do jornalismo na Web. Trabalho apresentado no II Congresso da SOPCOM, Lisboa, 2001. Disponível em: Acesso: 02 de setembro de 2015.

PALMA, Glaíse Bohrer; DREVES, Aleta. As Novas Formas Narrativas do Jornalismo Online: A Procura de um Caminho. Trabalho apresentado no XVI Endocom – Encontro de Informação em Ciências da Comunicação, 2006. Disponível em: Acesso: 27 de agosto de 2015.

9. ANEXOS:

Anexo 01 - Dados do relatório de tendências da Indústria Midiática produzido pelo site Buzzfeed.


Fonte:
http://insights.buzzfeed.com/industry-trends-2014/

Anexo 02 - Dados do relatório de tendências da Indústria Midiática produzido pelo site Buzzfeed.


Fonte:
http://insights.buzzfeed.com/industry-trends-2014/

Anexo 03 - Página inicial do Buzzfeed


Fonte: www.buzzfeed.com

Anexo 04 - Primeira parte da página inicial do Buzzfeed


Fonte: www.buzzfeed.com

Anexo 05 - Seleção das matérias avaliadas como mais divertidas no Buzzfeed


Fonte: www.buzzfeed.com

Anexo 06 - Publicação do jornal The New York Times no Facebook


Fonte: https://www.facebook.com/nytimes/posts/10150683340219999

Anexo 07 - Publicação do Buzzfeed no Facebook


Fonte: https://www.facebook.com/BuzzFeed/posts/10154040087300329:0

Anexo 08 - Compartilhamento do Buzzfeed no Twitter


Fonte: https://twitter.com/viralvines/status/657642961841295360?lang=pt

Anexo 09 - Postagem do Buzzfeed no Twitter


Fonte: https://twitter.com/BuzzFeedComics/status/657627433898782720?lang=pt e https://twitter.com/BuzzFeedComics/status/657568368959078400?lang=pt

Anexo 10 - Postagem do Buzzfeed no Twitter


Fonte: https://twitter.com/BuzzFeedFood/status/657695726126911489

Anexo 11 - Postagem do Buzzfeed no Twitter


Fonte: https://twitter.com/BuzzFeed/status/657910922883678208

Anexo 12 - Postagens do jornal The New York Times no Twitter


Fonte: https://twitter.com/nytimes

Anexo 13 - Postagens do jornal The Guardian no Twitter


Fonte: https://twitter.com/guardian

Anexo 14 - Página Inicial do portal da Revista Exame


Fonte: http://exame.abril.com.br/

Anexo 15 - Matéria do BuzzFeed


Fonte: http://www.buzzfeed.com/krystieyandoli/do-uma-olhada-no-conteudo-do-livro-para-colorir-de#.yew0zZ7w28

Anexo 16 - Matéria do BuzzFeed


Fonte: http://www.buzzfeed.com/jarrylee/awesome-new-books-you-need-to-read-this-fall#.eqz550J7zM

Anexo 17 - Página Inicial do BuzzFeed


Fonte: http://www.buzzfeed.com/

Anexo 18 - Matéria patrocinada no BuzzFeed (Chevrolet)


Fonte: http://www.buzzfeed.com/chevroletbr/comovivisem?utm_term=.eb3ppQP2Na#.hsZQQ3o7O5

Anexo 19 - Matéria patrocinada no BuzzFeed (Gillete)


Fonte: http://www.buzzfeed.com/gillettebr/momentos-que-todo-calouro-ja-viveu#.tqKn9kzVJ

Anexo 20 - Publicação viral do BuzzFeed


Fonte: http://www.buzzfeed.com/catesish/help-am-i-going-insane-its-definitely-blue?b=1#.uyxLJQOKp

Anexo 21 - Imagens da reportagem exibida pela TV Globo em 01/03/2015


Fonte: http://g1.globo.com/fantastico/noticia/2015/03/poliana-abritta-usa-vestido-polemico-e-fantastico-desvenda-misterio.html

Anexo 22 - Repercussão do viral nas Redes Sociais em forma de memes


Fonte: https://goo.gl/niKAT5

Anexo 23 - Matéria do The New York Times


Fonte: http://www.eamonn.com/2015/02/27/the-future-of-journalism/

Anexo 24 - Publicação jornalística do BuzzFeed


Fonte: http://www.buzzfeed.com/mylestanzer/exclusive-times-internal-report-painted-dire-digital-picture#.ajQZOp0NB

Anexo 25 - Citações sobre o BuzzFeed no relatório interno do The New York Times


Fonte: https://www.scribd.com/fullscreen/224608514?access_key=key-TiQrYKIlOq2iHdtIubdB&allow_share=true&escape=false&show_recommendations=false&view_mode=scroll

Anexo 26 - Matérias no formato de listas


Fonte: www.buzzfeed.com

Anexo 27 - Exemplo de quiz no BuzzFeed


Fonte: http://www.buzzfeed.com/mallorymcinnis/how-much-do-you-know-about-furniture#.lpVPWEkPj

Anexo 28 - Publicação do BuzFeed


Fonte: http://www.buzzfeed.com/davidmack/i-see-you-star-wars#.xnQ3WbD3l

Anexo 29 - Matéria nostálgica do BuzzFeed


Fonte:
http://www.buzzfeed.com/rafaelcapanema/2005-foi-100-anos-atras#.jv7P52N3x5

Anexo 30 - Matéria com o uso de adjetivos


Fonte:
http://www.buzzfeed.com/kelleydunlap/voco-precisa-ouvir-o-cover-que-demi-lovato-fez-par#.greODr531D

Anexo 31 - Matéria do BuzzFeed explorando situações cotidianas


Fonte:
http://www.buzzfeed.com/mikeynicholson/school-is-cooler-when-your-parent-is-teacher#.jmYjYOVmyY

Anexo 32 - Matéria do BuzzFeed com linguagem sarcástica


Fonte:
http://www.buzzfeed.com/gilozzy/34-razoes-para-nunca-visitar-portugal-t74s#.icWy3KNGQ3

Anexo 33 - Matéria interativa com fã do BuzzFeed


Fonte:
http://www.buzzfeed.com/manuelabarem/como-um-comentarista-do-buzzfeed-brasil-ganhou-uma-legiao-de#.ibNEnA73wn

Anexo 34 - Reportagem política do BuzzFeed


Fonte:
http://www.buzzfeed.com/alexandreorrico/entenda-a-manobra-de-eduardo-cunha#.gkQpPemNlP

Anexo 35 - Reportagem residual do BuzzFeed sobre o atentado em Paris


Fonte:
http://www.buzzfeed.com/ryanhatesthis/a-publicaeao-dessa-mulher-no-facebook-sobre-fingir#.fv8mPMNjbP

Anexo 36 - Matéria do BuzzFeed com relevância social


Fonte:
http://www.buzzfeed.com/clarissapassos/livro-de-piadas-machistas-para-criancas#.kb49Az4MwA

Anexo 37 - Matéria do BuzzFeed reflexiva e de linguagem sarcástica


Fonte:
http://www.buzzfeed.com/alexandreorrico/imagem-chocantes-de-heterofobia?utm_term=.kyl1Za89zZ#.wgPpZDX03Z

Anexo 38 - Posição do viral “Já acabou, Jéssica” nos trendings topics do Twitter


Fonte: Twitter

Anexo 39 - Repercussão do viral no Twitter


Fonte:
Twitter

Anexo 40 - Matéria do G1 no formato de listas


Fonte:
http://g1.globo.com/economia/noticia/2015/09/dolar-r-4-como-o-brasil-era-em-2002-e-como-esta-hoje.html

Anexo 41 - Matéria do site jornalístico do O Globo no formato de listas


Fonte: http://oglobo.globo.com/sociedade/saude/quatro-alertas-sobre-uso-consciente-de-antibioticos-18075053

Anexo 42 - Matéria do site jornalístico da revista Exame no formato de listas


Fonte: http://exame.abril.com.br/marketing/noticias/10-noticias-de-marketing-que-voce-nao-pode-deixar-de-ver-102

Anexo 43 - Resultados da pesquisa nas Redes Sociais


Fonte:
Formulários Google

Anexo 44 - Resultados da pesquisa nas Redes Sociais


Fonte:
Formulários Google

Anexo 45 - Resultados da pesquisa nas Redes Sociais


Fonte:
Formulários Google

Anexo 46 - Resultados da pesquisa nas Redes Sociais


Fonte:
Formulários Google

Anexo 47 - Resultados da pesquisa nas Redes Sociais


Fonte:
Formulários Google

1 Links que transportam o usuário da web de uma informação para a outra, seja no texto ou em qualquer outro espaço da matéria.

2 Conexão com velocidade 130% mais veloz do que de uma internet discada.

3 Informação que o receptor tem a respeito da reação do receptor em relação à sua mensagem.

4 Empresa multinacional de comércio eletrônico dos Estados Unidos.

5 Informações disponíveis em: http://g1.globo.com/Noticias/Tecnologia/0,,AA1306288-6174,00.html - Acesso: 16/09/2015

6 Dados disponíveis em: http://www.buzzfeed.com/about/team - Acesso em: 15/10/2015

7 Dados disponíveis em: http://www.noticiasaominuto.com/tech/453376/sucesso-do-buzzfeed-comecou-com-um-erro-no-google - Acesso em: 15/10/2015

8 Dados disponíveis em: http://www.buzzfeed.com/about/team - Acesso em: 15/10/2015

9 Pequenos aplicativos para utilizar diretamente na área de trabalho do computador.

10 Afirmação disponível em: http://observatoriodaimprensa.com.br/monitor-da-imprensa/buzzfeed_investe_em_jornalismo_investigativo/ - Acesso: 22/10/2015

11 Imagens no formato de animação.

12 Apresentação disponível em: http://pt.scribd.com/doc/35836865/Jonah-Peretti-Viral-Meetup-Talk - Acesso: 22/10/2015

13 Entrevista disponível em: http://epoca.globo.com/vida/noticia/2015/04/jonah-peretti-do-buzzfeed-o-que-fazemos-e-uma-mistura-de-arte-e-ciencia.html - Acesso: 29/10/2015

14 Extensão utilizada para compartilhamento de downloads ilegais.

15 Transmissão de imagens, sons ou vídeos através de uma rede de internet.

16 Matéria disponível em: http://paidpost.nytimes.com/shell/cities-energized.html?_r=1 - Acesso: 02/11/2015

17 Informações disponíveis em: http://observatoriodaimprensa.com.br/monitor-da-imprensa/_ed826_nyt_publica_conteudo_patrocinado_em_sua_versao_impressa/ - Acesso: 02/11/2015

18 Artigo disponível em: https://www.opendemocracy.net/ourkingdom/peter-oborne/why-i-have-resigned-from-telegraph - Acesso: 02/11/2015

19 Informações disponíveis em: http://observatoriodaimprensa.com.br/monitor-da-imprensa/_ed826_nyt_publica_conteudo_patrocinado_em_sua_versao_impressa/ - Acesso: 02/11/2015

20 Palavra-chave, escrita sempre com o sinal tipográfico da cerquilha(#) antes da palavra, para identificar o assunto que está sendo compartilhado no momento.

21 Plataforma de blog com layout interativo e espaço para inúmeros recursos multimídias como fotos, vídeos, citações, áudios, diálogos, entre outros.

22 Matéria disponível em: http://g1.globo.com/fantastico/noticia/2015/03/poliana-abritta-usa-vestido-polemico-e-fantastico-desvenda-misterio.html - Acesso: 07/11/2015

23 Termo utilizado para descrever um conceito, imagem ou ideia que se espalha na internet. Mais utilizado para propagar a chacota virtual.

24 Informações disponíveis em: http://observatoriodaimprensa.com.br/monitor-da-imprensa/buzzfeed_investe_em_jornalismo_investigativo/ - Acesso: 07/11/2015

25 Informações disponíveis em: http://m.folha.uol.com.br/tec/2012/02/1045559-buzzfeed-mistura-noticias-relevantes-e-30-gatos-sentados-como-pessoas.shtml - Acesso: 07/11/2015

26 Informações disponíveis em: http://exame.abril.com.br/tecnologia/noticias/buzzfeed-chega-ao-brasil-com-traducao-de-voluntarios - Acesso: 16/11/2015

27 Informações disponíveis em: http://www1.folha.uol.com.br/tec/2013/10/1356343-rede-cnn-e-site-buzzfeed-terceirizam-traducao-para-o-portugues-com-site-de-linguas.shtml - Acesso: 16/11/2015

28 Entrevista disponível em: https://br.noticias.yahoo.com/ben-smith-fala-vers%C3%A3o-brasileira-site-buzzfeed-170700634.html - Acesso: 16/11/2015

29 Informações disponíveis em: http://www.brasilpost.com.br/2015/11/17/twitter-moments-brasil_n_8581322.html?utm_hp_ref=brasil-tecnologia - Acesso: 17/11/2015

30 Informações disponíveis em: http://m.folha.uol.com.br/tec/2012/02/1045559-buzzfeed-mistura-noticias-relevantes-e-30-gatos-sentados-como-pessoas.shtml - Acesso: 17/11/2015

31 Informações disponíveis em: http://observatoriodaimprensa.com.br/monitor-da-imprensa/buzzfeed-lanca-laboratorio-experimental/ - Acesso: 17/11/2015

32 Matéria disponível em: http://www.adnews.com.br/midia/buzzfeed-mostra-como-levantar-assuntos-serios-no-entretenimento - Acesso: 19/11/2015

33 Informações disponíveis em: http://www.opovo.com.br/app/maisnoticias/brasil/2015/11/18/noticiasbrasil,3536113/conheca-a-historia-por-tras-do-meme-ja-acabou-jessica.shtml - Acesso: 19/11/2015

34 Matéria disponível em: http://www.tecmundo.com.br/memes/89537-nao-acabou-viral-acabou-jessica-virou-game-android.htm - Acesso: 19/11/2015

35 Publicação disponível em: http://www.buzzfeed.com/raphaelevangelista/uma-gringa-esta-sendo-atormentada-por-causa-do - Acesso: 19/11/2015

36 Relatório disponível em: https://reutersinstitute.politics.ox.ac.uk/sites/default/files/Reuters%20Institute%20Digital%20News%20Report%202015_Full%20Report.pdf - Acesso: 21/11/2015


Publicado por: Anderson Fernandes Guimarães

PUBLICIDADE
  • SIGA O BRASIL ESCOLA
Monografias Brasil Escola