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FATORES GENÉTICOS QUE INFLUENCIAM NA PSICOPATIA E SOCIOPATIA

Biologia

Comportamento humano, a biologia molecular, a sociologia, a psiquiatria e a antropologia, se unem para, através de cada especialização, entender e resolver questões comportamentais do ser humano.

índice

1. Resumo

Desde a formação do conceito de sociedade, o homem vem estudando e se dedicando a entender o comportamento humano, mesmo antes da existência do modelo social convencional encontrado nos dias atuais. Na Grécia antiga, já se estudava um dos mais preocupantes comportamentos humanos, a violência. Alcmeon de Cretona (Sec. VI A.C.) foi o primeiro a dissecar animais e a se dedicar ao estudo das qualidades biopsíquicas dos delinquentes, pesquisando o cérebro humano buscando uma correlação com sua conduta. Constava que no homem, há um pouco de animal e um pouco de Deus, que a vida é o equilíbrio entre as forças contrárias que constituem o ser humano e a doença corresponderia ao rompimento desse equilíbrio. Um dos homens mais notáveis da história, Hipócrates, “pai da medicina”, acreditava que todo o crime, assim como o vício, era fruto da loucura, lançando assim as bases sobre a imputabilidade ou o princípio da irresponsabilidade penal do homem insano. Com o início da idade média e por todo esse período, os crimes eram vinculados diretamente a um grande peccatum (pecado), tendo como punições medidas severas de encarceramento, tortura e pena de morte. Nota-se que o estudo sobre o comportamento criminoso do ser humano se perpetua através dos séculos de maneira sólida, na tentativa de explicar qual a razão ou as razões dos atos delituosos e quais seriam as medidas eficazes para interromper tais atos, aplicando punições ou tratamentos. Nos estudos sobre criminosos, um dos pesquisadores mais notáveis da era contemporânea e que vinculou o criminoso com suas características físicas, foi Cesare Lombroso, professor universitário e criminologista italiano, nascido a 6 de novembro de 1835, em Verona. Tornou-se mundialmente famoso por seus estudos e teorias no campo da caracterologia, ou a relação entre características físicas e mentais, relacionando estruturas físicas, tais como o tamanho da mandíbula à psicopatologia criminal, ou a tendência inata de indivíduos sociopatas com comportamento criminal. Com o avanço tecnológico e de pesquisas pode-se verificar que o comportamento humano tem relação direta com características fisiológicas e, atualmente, genéticas. Baseado nesse preceito o presente estudo propõe uma análise sobre os fatores endógenos que levam o ser humano a condutas delituosas, traçando um caminho orgânico para determinadas reações, analisando a origem de determinadas disfunções celulares e moleculares. Propõe-se uma discussão ampla do comportamento humano do ponto de vista fisiológico e genético, contemplando dois aspectos interligados, o organismo e o ambiente.

Palavras-chave: Criminologia, Genética, Comportamento Humano.

2. Introdução

A abordagem de Césare Lombroso (estudioso do comportamento humano) é descendente direta da frenologia, criada pelo físico alemão Franz Joseph Gall, no começo do século XIX e estreitamente relacionada a outros campos da caracterologia e fisiognomia (estudo das propriedades mentais a partir da fisionomia do indivíduo). A principal ideia de Lombroso foi parcialmente inspirada pelos estudos genéticos e evolutivos no final do século XIX, propondo que certos criminosos possuíam evidências físicas de um "atavismo" (reaparição de características que foram apresentadas somente em ascendentes distantes) de tipo hereditário, reminiscente de estágios mais primitivos da evolução humana. Estas anomalias, denominadas de “Estigmas”, por Lombroso, poderiam ser expressadas em termos de formas anormais ou dimensões do crânio e mandíbula, assimetrias na face, etc, mas também de outras partes do corpo. Posteriormente, estas associações foram consideradas altamente inconsistentes ou completamente inexistentes e as teorias baseadas na causa ambiental da criminalidade se tornaram dominantes.

Paralelamente à Lombroso, outros pesquisadores se empenhavam em traçar teorias para explicação do ato criminoso do ser humano, tendo como nomes de relevância Enrico Ferri (classificou os delinquentes em cinco tipos a saber: nato, louco, ocasional, habitual e passional), Raphael Garófalo (criador do termo Criminologia, elaborando sua concepção de delito natural partindo da ideia lombrosiana do criminoso nato) e Adolphe Quetelet (criador da Estatística Científica, fulcrado em três princípios estabeleceu as chamadas Leis Térmicas de Quetelet) procurou demonstrar que no inverno se praticam mais crimes contra a propriedade, no verão são cometidos mais crimes contra a pessoa e na primavera acontecem mais crimes contra os costumes (devido a exacerbação da atividade sexual que se opera no início dessa estação).

Esses cientistas, dentre outros de relevada importância, embora com teorias divergentes, dedicaram-se ao entendimento do comportamento delitivo do ser humano, buscando no ambiente e no próprio indivíduo razões ou motivações para prática antissocial e antijurídica.

Com o avanço da tecnologia em todos os campos da ciência, pôde-se desenvolver técnicas de estudos mais aprofundadas para entender o funcionamento e as características individuais de cada ser humano. Mais precisamente no campo da medicina, a evolução tecnológica foi de grande valia para diagnosticar doenças e buscar novas formas de tratamento.

O estudo da biologia molecular, através de novas tecnologias, saltou de maneira substancial nos séculos XX e XXI, como jamais acontecera desde a sua criação. Com a descoberta do D.N.A. (ácido desoxirribonucleico) pelo bioquímico alemão Johann Friedrich Miescher (1844 – 1895) e posteriormente a explicação de seu funcionamento e seus componentes por Watson e Crick, em 1953, ganhadores do prêmio nobel pela descoberta, fizeram com que os estudos sobre a anatomia humana evoluíssem a níveis consideráveis. Contudo, o grande salto para a evolução da biologia molecular a níveis experimentais iniciou-se com o Projeto Genoma (1990), onde a finalidade era o mapeamento genético humano, com expectativa de identificar aproximadamente 100 mil genes. Após o termino desse mapeamento pôde-se concluir que o ser humano possui cerca de 20 à 25 mil genes, gerando aproximadamente 400 mil proteínas.

Após tais descobertas iniciou-se uma corrida, em todos os sentidos das ciências da saúde, para identificar e tratar todos os tipos de doenças que acometem o ser humano, tendo como base de estudos não só os efeitos das doenças, mas sim a causa molecular de tais males.

No campo da psiquiatria forense, dois manuais de diagnóstico utilizados, o Manual de Diagnóstico e Estatística , atualmente em sua 4 ª edição (DSM-IV) publicado pela Associação Americana de Psiquiatria (APA) e da Classificação Internacional das Doenças , publicado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), identificam um transtorno de personalidade compartilhando características semelhantes (com certas divergências). O DSM-IV classifica-o como transtorno de personalidade anti-social (Eixo II, Cluster B) enquanto que o diagnóstico correspondente na CID-10 é transtorno de personalidade dissocial. No entanto, alguns autores argumentam que esses critérios não vão longe o suficiente para definir uma terceira entidade denominada "psicopatia". Essas linhas turvas de classificação, discordância entre profissionais de saúde mental, má compreensão dos fatores biológicos e não biológicos (ambientais) precipitando e mantendo esse comportamento, aumentam a confusão.

3. JUSTIFICATIVA

O estudo do comportamento humano, em razão de características genéticas, é uma ciência relativamente nova e que nos remete ao estudo iniciado por Cesare Lombroso. Entretanto, a biologia molecular, juntamente com outros campos da ciência como a sociologia, a psiquiatria e a antropologia, se unem para, através de cada especialização, entender e resolver questões comportamentais do ser humano. Em face da complexidade do tema faz-se necessário um aprofundamento no estudos das relações entre o comportamento humano e os efeitos biológicos sobre esse comportamento.

4. OBJETIVO

4.1 Objetivo Geral

Avaliar a relação entre o comportamento criminoso e anti social com fatores hormonais, moleculares e genéticos em humanos.

4.2 Objetivo Específico

Análise de fatores endógenos relacionados à hormônios e genes que interferem direta e indiretamente no comportamento de indivíduos que possuem comportamentos anti sociais e de agressividade.

Verificar quais as consequências jurídicas e punitivas para indivíduos caracterizados por patologias criminosas que possuem relação direta com disfunções genéticas.

4.3 Genética

O papel da genética na determinação da violência e comportamento agressivo tem sido examinado recentemente. Além da possível interação com hormônio (testosterona, serotonina e corticoides), também se supõe que o polimorfismo do gene MAOA possua uma associação interativa com a adversidade da infância para prever a agressividade em homens. Esta observação tem sido repetida em vários estudos e oferece um exemplo interessante de uma possível interação da genética com fatores ambientais. Análises de polimorfismos de nucleotídeos único (SNPs) em uma amostra de adolescentes com comportamento anti-social e dependência de drogas relataram associações genéticas significativas para dois genes, CHRNA2 e OPRM1 , em comparação com os controles. O primeiro gene codifica o receptor nicotínico neuronal α-2 (associado à dependência nicotínica em famílias esquizofrênicas) e o último para o receptor opióide μ (implicado em muitos comportamentos de abuso de drogas). Achados semelhantes para uma conexão genética em um diagnóstico duplo de abuso de substâncias e sintomas de transtorno de conduta foram relatados. Demonstraram evidências de ligação para a região cromossômica 9q34 quando foram considerados tanto a vulnerabilidade à toxicodependência quanto os sintomas de transtorno de conduta. Houve também evidência de ligação à região 17q12 para sintomas de desordem de conduta isoladamente. As evidências dos estudos de gêmeos e adoção mostram que tanto a hereditariedade quanto o ambiente têm a mesma influência no comportamento anti-social. No entanto, uma análise posterior mostrou que a influência da hereditariedade é maior em crianças com comportamento anti-social, mais insensíveis e sem emoções, em comparação ao grupo controle (CHATURAKA et al., 2010).

A agressividade, a falta de emoção e a insensibilidade não são meramente resultado de fatores ambientais. A biologia tem uma parte igual a jogar. Evidências sobre o neurocircuito de empatia e calosidade surgiram nos últimos anos. Este sistema tem uma relação complexa com o sistema neuroendócrino através de mecanismos de controlo e feedback. Um estado de desequilíbrio neuroendócrino (menor atividade nas estruturas paralícidas e hipoatividade do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal para situações extressantes) contribui para insensibilidade e falta de emoção, que podem autoperpetuar ao longo do tempo (CHATURAKA et al., 2010).

5. Hormônios

Os hormônios são mensageiros químicos, facilitadores de diversas funções necessárias à sobrevivência humana, participando da mobilização corporal diante do perigo, da busca por recompensas, como alimentos ou parceiros sexuais, e das habilidades sociais. Eles também afetam a capacidade de aprender após a punição ou premiação e a tendência a se arriscar. Sendo endofenótipos, ou seja, mecanismos biológicos intermediários, em nível molecular, que ligam os genes às manifestações dos transtornos mentais, os hormônios, quando desregulados, podem contribuir para a sintomatologia verificada na psicopatia. Eles representam marcadores biológicos viáveis para uma variedade de cenários e investigações, podendo encontrar concordância com a versatilidade da apresentação clínica dos psicopatas (BARROS et al., 2015).

Alguns estudos indicam que a psicopatia pode resultar de um desequilíbrio nos níveis tanto de cortisol quanto de testosterona, particularmente através da relação de testosterona aumentada e cortisol reduzido. Essa relação resulta da mútua inibição entre os eixos HPA (hipotálamo-pituital-adrenal) e HPG (hipotálamo-pituital-gonadal). A amígdala é uma região cerebral afetada por essa assimetria, por ser um importante local de ligação de ambos os hormônios. Os baixos níveis de cortisol (refletidos na redução do medo) e os elevados índices de testosterona (comportamento desinibido e busca por recompensas) podem modificar a responsividade da amígdala, reduzindo a sensibilidade à punição ou a estímulos temerosos. O desequilíbrio hormonal envolvendo a diminuição do cortisol e o aumento da testosterona pode prejudicar a conectividade entre as regiões subcorticais (sistema límbico) e as estruturas corticais. Exames de neuroimagem de psicopatas adultos e jovens, sugerem que a conectividade entre a amígdala e as regiões pré-frontais está comprometida afetando o processo de tomada de decisões, pois as informações relacionadas com emoções, provenientes da amígdala e que sinalizam para perigos, não atingem áreas corticais para embasar as decisões. O desacoplamento também pode diminuir a capacidade das regiões corticais de enviar sinais inibitórios para as regiões subcorticais, resultando em déficits na regulação das emoções e na inibição comportamental e contribuindo para a instabilidade emocional e para as formas reativas de agressividade encontradas em psicopatas (BARROS et al., 2015).

5.1 Serotonina

A serotonina ou 5-hidroxitriptamina é um neurotransmissor existente, naturalmente, em especial, no cérebro humano , encarregado por conduzir os impulsos nervosos. A 5-HT é uma indolamina resultante da hidroxilação e carboxilação do aminoácido L-triptofano. O primeiro passo para sua síntese no sistema nervoso central (SNC) e em outras áreas do corpo, como, por exemplo, nas células enterocromafins encontradas na mucosa intestinal, plaquetas e mastócitos, é a captação do triptofano. Este, que por sua vez, provém especialmente da dieta protéica, é transportado ativamente por carregadores comuns a outras cadeias de aminoácidos. Deste modo, o nível de triptofano, principalmente no cérebro, é influenciado não apenas pela sua concentração no plasma sanguíneo, mas também pela concentração nesse mesmo local de outros aminoácidos que competem por estes mesmos carreadores proteicos. O triptofano passa por uma ação da enzima triptofano-hidroxilase, passando para a forma de L-5 hidroxitriptofano. Por conseguinte, ocorre a transformação dessa última forma em serotonina, pela ação da L-amina ácida descarboxilase. Esta enzima encontra-se altamente distribuída e possui grande espectro de especificidade a distintos substratos, o que faz com que seja praticamente impossível controlar os níveis de serotonina no cérebro por meio desta via enzimática. Este neurotransmissor desempenha seu papel por meio da interação com diversos receptores. Com base nas suas características estruturais e operacionais, os receptores 5-HT encontram-se subdivididos em sete classes diferentes (5-HT1, a 5-HT7), sendo identificados 14 subtipos. O receptor 5-HT1A atua como um auto-receptor somatodendrítico responsável por modular a atividade dos neurônios serotoninérgicos. Aparentemente, a ativação deste receptor modula o comportamento emocional e alimentar, funções cognitivas, maturação e diferenciação celular. Os receptores 5-HT1B e 5-HT1D modulam a liberação de serotonina e de outros neurotransmissores, como a acetilcolina. Receptores 5-HT2 estão ligados ao córtex visual, modulação do comportamento alimentar e mediação da vasoconstrição, enquanto que o receptor 5-HT3 é responsável pela modulação da liberação de 5-HT e aparentemente está relacionado com mecanismos de percepção da dor, liberação de acetilcolina e dopamina, assim como motilidade gástrica e secreção de fluídos entéricos. A serotonina é uma amina vasoativa que atua sobre o sistema cardiovascular, musculatura lisa e promoção da agregação plaquetária, sem falar que atua como um neurotransmissor no SNC, estando relacionada especialmente ao sistema límbico, controlando as reações de: ansiedade, medo, depressão, sono e percepção à dor (http://www.infoescola.com/neurologia/serotonina/ 2017).

Figura 1 - Molécula de Serotonina. A serotonina é um neurotransmissor, isto é, uma molécula envolvida na comunicação entre as células do cérebro (neurônios). Ela é quimicamente representada pela 5-hidroxitriptamina (5-HT), sendo também frequentemente designada por este nome.

Fonte : (Secretaria da Educação - Governo do Paraná, 2017).

Em diferentes estados comportamentais ocorrem alterações extracelulares nos níveis desse neurotransmissor. É conhecido que a diminuição dos níveis de serotonina eleva a sensibilidade à dor, o comportamento exploratório, a atividade locomotora e os comportamentos agressivos e de ordem sexual. Tanto nos homens quanto nos animais, distúrbios psíquicos têm sido correlacionados com alterações das funções da serotonina, como comportamentos agressivos e obsessivos, além de déficit de atenção. Em relação ao comportamento sexual, este neurotransmissor desempenha papel inibitório sobre a liberação hipotalâmica de gonadotrofinas, havendo uma consequente queda da resposta sexual. Todavia, a diminuição da atividade serotoninérgica torna mais fácil a conduta sexual (http://www.infoescola.com/neurologia/serotonina/ 2017).

Duas das moléculas mais estudadas envolvidas na regulação dos níveis de serotonina no cérebro são o transportador de serotonina (5HTT, também conhecido como SLC6A4), que transporta a serotonina do espaço extracelular e a monoamino oxidase A (MAOA), enzima chave responsável pela degradação da serotonina. Ambos os genes que codificam estas proteínas abrigam polimorfismos genéticos nas suas regiões promotoras que têm sido mostradas , in vitro , para afetar a sua atividade transcricional. Estas variantes genéticas foram estudadas para o seu possível envolvimento em uma série de condições psiquiátricas e características comportamentais. O polimorfismo do transportador de serotonina (5HTTLPR) e o polimorfismo da monoamina oxidase A (MAOA-LPR) têm sido implicados em condições e comportamentos como depressão, ansiedade, agressão, alcoolismo, autismo, tendências suicidas e impulsividade (NORDQUIST; ORELAND. 2010).

As estruturas cerebrais envolvidas na regulação emocional formam a base neuronal para a forma como respondemos a estímulos externos. Em pesquisas, foi demonstrado que o desfecho fenotípico foi modulado através de uma interação entre insulto ambiental e fatores genéticos. Em uma amostra de adolescentes do sexo masculino, o comportamento anti-social mostrou-se mais comum entre os portadores da variante de baixo funcionamento do MAOA-LPR, uma vez que também sofreram maus-tratos na infância. Resultados semelhantes foram observados na depressão, onde os portadores da variante de baixo funcionamento de 5HTTLPR foram particularmente vulneráveis ​​a eventos de vida estressantes, demonstrando que a penetração de um fator genético no comportamento parece ser dependente do contexto ambiental (NORDQUIST; ORELAND. 2010).

6. Testosterona

A testosterona é um hormônio sexual secretado pelo eixo hipotálamo-pituitária-gonadal (HPG). Ela é vinculada à psicopatia em razão de seus níveis serem muito maiores nos homens do que nas mulheres, podendo responder pela maior prevalência do transtorno de personalidade antissocial persistente no sexo masculino (10 a 14 vezes mais prevalente em homens do que em mulheres). Certas características psicopáticas, como a busca por recompensa, dominância e agressividade, estão associados à testosterona. Altos níveis desse hormônio foram observados em meninas e meninos com transtornos de conduta, delinquentes juvenis e mulheres criminosas. Adicionalmente, a testosterona foi associada com dificuldades no trabalho, descumprimento da lei, uso de drogas e abuso de álcool. Uma ligação direta entre a testosterona e os traços psicopáticos ainda não foi estabelecida, porém as evidências sugerem que esse hormônio interage com outros, predispondo à psicopatia (BARROS et al., 2015).

6.1 Corticoides

O cortisol é o hormônio liberado pelo eixo hipotálamo-pituitária-adrenal (HPA), o mais estudado dentre todos os eixos endócrinos. Ele é liberado em resposta a um estressor e potencializa o estado de medo, gerando sensibilidade à punição e promovendo o comportamento de afastamento – áreas nas quais os psicopatas demonstram deficiências. Quando um evento estressor ocorre, sinais do sistema límbico (amígdala) e de regiões do córtex cerebral disparam a secreção hipofisária do fator liberador de corticotrofina (CRF) na corrente sanguínea. O CRF estimula a liberação do hormônio adrenocorticotrófico (ACTH) pela adenohipófise, tendo como função mobilizar os recursos corporais e fornecer energia em momentos de estresse (BARROS et al., 2015).

Os psicopatas demonstram uma responsividade reduzida ao estresse, destemor e baixo funcionamento da amígdala, gerando a hipótese de baixos níveis de cortisol nesses indivíduos. Baixos níveis de cortisol em repouso foram associados a falhas na reatividade ao medo em crianças pequenas, ao aumento da busca de sensações em homens e a maior tomada de riscos financeiros. Delinquentes psicopatas também exibem níveis de cortisol mais baixos do que criminosos não psicopatas (BARROS et al., 2015).

6.2 Dopamina

A 3-hidróxi-triptamina, ou dopamina, é um importante neurotransmissor envolvido no controle motor, funções endócrinas, cognição, compensação e emotividade. Esta amina biogênica desempenha um papel importante na memória e na cognição. Além do seu papel como neurotransmissor no SNC (Sistema Nervoso Central), a dopamina atua como um transmissor inibidor no corpo carotídeo e nos gânglios simpáticos. Parece também atuar no sistema dopaminérgico periférico distinto. Induz várias respostas não atribuíveis à estimulação de receptores adrenérgicos clássicos: suprime a libertação de aldosterona; estimula diretamente a excreção renal de sódio; suprime a libertação de noradrenalina nas terminações simpáticas por um mecanismo pré-sináptico inibidor; relaxa o esfíncter esofágico inferior, retarda o esvaziamento gástrico; provoca dilatação da circulação arterial renal e mesentérica; regula a atividade dos interneurônios colinérgicos do estriado e a libertação de acetilcolina; participa na regulação da hemodinâmica e transporte de eletrólitos, assim como na secreção de renina (ESTEVINHO; FORTUNATO, 2003).

Em relação ao SNC a dopamina está presente em 4 vias principais:

1) Mesencéfalo (mais propriamente da substância negra) para as zonas motoras involuntárias dos núcleos da base (núcleo estriado); a deterioração das células desta zona origina a doença de Parkinson; 2) Mesencéfalo para os lobos frontais; estas vias parecem estar relacionadas com a atenção e orientação e podem estar envolvidas no vício em drogas e na hiperatividade que conduz ao déficit de atenção; 3) Mesencéfalo para o sistema límbico (controlo das respostas emocionais); estas áreas parecem estar relacionadas com os centros de reforço e estimulação e podem justificar a dependência das drogas que aumentam a função dopaminérgica; também inclui áreas que aparentam estar hiperativas na esquizofrenia, o que explica que no tratamento desta patologia se recorra a fármacos que bloqueiam o efeito da dopamina; 4) via curta relacionada com a libertação das hormônios da hipófise (ESTEVINHO; FORTUNATO, 2003).

Muitos aspectos da forma como o cérebro humano realiza os cálculos essenciais para interações sociais saudáveis ​​permanecem obscuros. A superposição de representações neurais do valor dos resultados próprios e dos outros é um componente central da empatia e do comportamento pró-social, sugerindo que se preste atenção aos sistemas neurais envolvidos na avaliação. Entre estes, estão os neuromoduladores serotonina e dopamina. De fato, muitos transtornos psiquiátricos associados a anormalidades monoaminérgicas apresentam disfunção social e as interações entre serotonina e dopamina tem sido implicadas em agressão impulsiva (CROCKETT et al., 2015).

Um papel para a dopamina na aversão ao dano é menos claro. Embora os biomarcadores da função dopamina mesolímbica hiperativa em humanos esteja correlacionada com traços de agressão e traços psicopatias impulsivas anti-sociais, a evidência direta que apoia uma influência causal da dopamina no comportamento anti-social humano é escasso. Estudos anteriores mostraram efeitos dopaminérgicos sobre as decisões econômicas, mas os modelos econômicos existentes são pobres de decisões morais relativas a danos a outros (CROCKETT et al., 2015).

O sistema dopaminérgico está envolvido na ativação comportamental, comportamento motivado e processamento de recompensas. Também desempenha um papel ativo na modulação de comportamentos agressivos. Em estudos com animais, a hiperatividade no sistema da dopamina está associada com aumentos na agressão impulsiva. Estudos sobre comportamentos agressivos em roedores mostraram que os níveis elevados de dopamina tem sido continuamente observado antes, durante, e após lutas agressivas. Em humanos, tem sido ligado ao reconhecimento e à experiência da agressão. Após a administração de Dopamina D2, antagonista do receptor, sulpirida, os sujeitos apresentaram uma diminuição da capacidade para reconhecer as expressões faciais de raiva. Há também evidências de que o comportamento impulsivo pode ser aumentado pela elevada função dopaminérgica. Os estimulantes aumentam a impulsividade em seres humanos sem a presença de um distúrbio, além do mais, os níveis de dopamina manipulados farmacologicamente demonstraram aumentar ou diminuir o comportamento agressivo (SEO et al., 2008).

Os agentes antipsicóticos de segmentação D2, receptores de dopamina, reduzem os níveis de raiva em pacientes agressivos. Agentes tais como risperidona, clozapina e olanzapina também têm sido eficazes no tratamento da agressão impulsiva. Em geral, a evidência destes estudos sugerem que existe um envolvimento substancial do sistema de dopamina no comportamento agressivo (SEO et al., 2008).

6.3 Interatividade entre Serotonina e Dopamina

O sistema serotonérgico tem fortes interações anatômicas e funcionais com o sistema dopaminérgico, mais especificamente, uma interação recíproca entre esses dois sistemas. Acredita-se que os comportamentos relacionados à abordagem e retirada sejam determinados pelo equilíbrio entre a atividade da dopamina e da serotonina, com a dopamina para estimular comportamentos de apetite e a serotonina pensada para desencorajar comportamentos apetitivos e provocar sua retirada. Interações deste tipo entre os sistemas serotonina e dopamina fornecem uma estrutura para a compreensão dos mecanismos subjacentes à agressão impulsiva. Considerando a regulação funcional da serotonina sobre o sistema da dopamina, a deficiência da função serotoninérgica pode resultar em hiperatividade do sistema da dopamina, promovendo o comportamento impulsivo. Esta relação pode explicar a co-ocorrência de disfunções de serotonina e dopamina em indivíduos com agressão impulsiva. Em apoio a isso, os níveis de serotonina pré-frontal em ratos diminuíram para 80% do nível basal durante e após as lutas, enquanto os níveis pré-frontais de dopamina aumentaram para 120% após as lutas. Estes resultados sugerem que a diminuição da atividade serotonérgica no contexto do comportamento agressivo está estreitamente associada ao aumento da atividade da dopamina. Em consonância com a pesquisa, a impulsividade desencadeada por dopamina em ratos foi aumentada pela depressão de serotonina ou remoção do gene receptor de serotonina-1B. Nos seres humanos, níveis baixos de 5-HIAA e níveis elevados do ácido homovenilico (HVA) do metabolito da dopamina foram associados a altas pontuações nos itens interpessoais e comportamentais da Lista de Verificação de Psicopatia (SEO et al., 2008).

7. Psicopatia Genética

Entre os anos de 1501 a 1596, teve-se uma das primeiras descrições registradas pela medicina sobre personalidade psicopata, descrita por Girolano Cardamo, um professor de medicina da Universidade de Paiva. O filho deste médico foi decapitado por envenenar sua mulher. Nesta descrição o médico fala em “improbidade”, quadro que não alcança a insanidade completa, pois as pessoas ainda tinham aptidão para dirigir suas vontades. Após anos de estudo, o pesquisador e psiquiatra canadense, Robert D. Hare, desenvolveu, em 1991, o método Psychopathy Checklist-Revised, onde psiquiatras atribuem uma escala de 0 a 2, baseados em uma avaliação clinica e histórico pessoal do paciente, para os seguintes tópicos: Boa lábia; ego inflado; mentira desenfreada; sede por adrenalina; reação estourada; impulsividade; comportamento antissocial; falta de culpa; sentimentos superficiais; falta de empatia; irresponsabilidade e má conduta na infância (BERTOLDI, 2013).

Conforme afirma Eduardo Teixeira (Psiquiatra Forense), pesquisas mostram que o comportamento criminoso está relacionado ao gene HTR2B (responsável pela produção de Serotonina), que pode predispor seus portadores a atitudes impulsivas. Na grande maioria, esta herança genética está presente nos criminosos, mas é importante salientar que a existência deste gene, não pressagia o comportamento impulsivo do individuo (BERTOLDI, 2013).

Estudos demonstram que eventos de vida estressante recente e maus-tratos na infância predisseram depressão em adultos jovens em proporção ao número de alelos "curtos" (deleção) transportados de um polimorfismo de inserção / deleção (longo / curto) de 44 pares de bases (bp) na região de regulação do gene do transportador de serotonina (5-HTTLPR) (BYRD, MANUCK. 2014).

Homens com maior nível de Serotonina têm maior controle de impulsos em geral, e particularmente do impulso sexual, além de menor agressividade e ansiedade. Se essa hipótese está correta, uma predição importante seria verificar baixos níveis deste neurotransmissor em psicopatas. Mealey (1995, p. 531), em uma exaustiva revisão de literatura, cita uma série de estudos em que foi encontrada precisamente essa relação; psicopatas, criminosos e outros indivíduos com elevado score em medidas de agressividade e impulsividade possuem níveis significantemente mais baixos do metabólito da Serotonina 5-HIAA. Esses efeitos não são pequenos, atingindo um efeito de amostragem médio (diferença entre os grupos de alto e baixo escore dividido pelo desvio padrão) de 0.75 (CALLEGARO. 2010).

Nas mulheres, altos níveis de serotonina podem inicialmente aumentar a probabilidade de aceitação de sexo, pois a ansiedade e a resistência são reduzidas. No entanto, com níveis cronicamente altos como sob efeito de antidepressivos, ocorre redução do desejo sexual e inibição do orgasmo, às vezes até impedindo a resposta orgástica. Já as mulheres com baixos níveis de serotonina são mais excitáveis e atingem facilmente o orgasmo, além de exibirem mais iniciativa e agressividade, tomando frequentemente as rédeas do relacionamento sexual (CALLEGARO. 2010).

Mas como se processa esse controle neural dos impulsos em função do contexto social? O córtex cerebral é o responsável pela modulação dos impulsos. Os lobos frontais, e em especial os córtices pré-frontais, exercem uma influência decisiva no controle dos impulsos sexuais ou agressivos, embora as vias envolvidas sejam ainda pouco conhecidas. O córtex pré-frontal avalia situações e toma decisões baseadas no contexto, sendo apontado como responsável pelo gerenciamento ético de nosso comportamento, em parte devido à sua capacidade inibitória, adiando a gratificação dos impulsos. É justamente o córtex pré-frontal que está implicado na conduta psicopática; pacientes com lesões frontais passam a agir impulsivamente, não controlando mais seus impulsos sexuais ou agressivos, como no caso clássico de “Phinéas Gage”, descrito pelo neurólogo Antonio Damásio (CALLEGARO. 2010).

8. Síndromes

As síndromes são consideradas de maneira inadequada pela sociedade, como doenças. Elas na realidade são condições genéticas que são caracterizadas por diferentes grupos de patologias, em que o indivíduo fica exposto por conta de uma mesma enfermidade. As síndromes de causas genéticas são geradas, como pode-se prever, por fatores genéticos, tendo manifestações físicas e psicológicas, devido a malformações diversas, que variam de acordo com a natureza da síndrome. Esse tipo de anomalia não possui cura, uma vez que as síndromes são desenvolvidas junto com o portador, podendo ter causas relacionadas à alteração cromossômica ou mutação genética. Muitas síndromes genéticas são detectadas logo no nascimento ou nos primeiros meses de vida, enquanto outras começam a apresentar suas manifestações mais características na pré adolescência ou mesmo na adolescência, retardando o diagnóstico. A detecção precoce do problema é fundamental para que a medicação adequada possa ser usada, minimizando os danos físicos, incômodos e sociais, fazendo com que o indivíduo possa receber o acompanhamento necessário para que possa apresentar um desenvolvimento mais próximo aos padrões sociais, melhorando a sua qualidade de vida (SINTOMAS E DICAS. 2017).

8.1 Síndrome de Klinefelter (47,XXY)

Bobby Joe Long, violentamente estuprou e assassinou pelo menos nove mulheres de maio a novembro de 1984 na cidade de Tampo - Flórida (USA). Ele foi condenado à pena de morte por estuprar cinquenta mulheres e matar nove. Ele nasceu com uma condição verdadeiramente incomum conhecida como Síndrome de Klinefelter, o que significa que ele tinha um cromossomo "X" extra (feminino) causando maiores quantidades de hormônios femininos (estrôgeno) em seus sistema, tendo como consequência física o crescimento de seios na puberdade, o que lhe causava grande embaraço (http://truecrimecases.blogspot.com.br/2012/08/bobby-joe-long.html. 2017).

8.2 Síndrome da Supermasculinidade (47,XYY)

A trissomia cromossômica sexual 47, XYY é uma aneuploidia cromossômica masculina mais comun compatível com o nascimento vivo. Estima-se uma alta variabilidade em homens vivos girando entre 26 à 375 para cada 100.000, embora muitos não sejam diagnosticados ou diagnosticados tardiamente. A trissomia 47, XYY é muito mais frequente quando estudada em uma população alta, o que é explicado pela presença de cópias adicionais do gene SHOX (e possivelmente também outros genes relacionados à estatura) em homens. A anormalidade do cromossomo sexual XYY foi descrita em várias configurações desde as primeiras descrições de um grupo de homens com 47, XYY em 1965 por Jacobs et al que realizaram uma pesquisa cromossômica de pacientes do sexo masculino no Hospital Estadual em Carstairs, na Escócia, onde descobriu-se que os homens com 47, cariótipo XYY, eram particularmente frequentes entre os presos nas instituições penais. Durante a década de 1960 e 1970, estudos de pessoas com 47, XYY identificou uma frequência aumentada em hospitais para deficientes mentais, e nas prisões. Vários desses estudos relataram um aumento geral da taxa de comportamento criminal e aumento da criminalidade, especialmente devido a crimes sexuais. Estes estudos foram associados a problemas de seleção à medida que investigaram indivíduos institucionalizados. Foram publicados dois estudos relativamente novos de comportamento criminal entre as trissomias cromossômicas sexuais. Götz et al encontraram uma taxa aumentada de comportamento criminal entre pessoas com 47, XYY. Um estudo indicou que pessoas com 47, XYY tiveram um aumento de quatro vezes em condenações, principalmente devido a ofensas. Todas as investigações realizadas até agora sobre esta questão são limitadas pelo estudo de grupos selecionados, pacientes institucionalizados ou clínicos, além de deficiências metodológicas, como auto-relato de crimes, definição mal definida de tipo de crime e grupos de controle mal definidos. Todos os estudos também foram conduzidos em grupos muito pequenos, incluindo <20 pessoas com anormalidade cromossômica. O espectro completo de todos os tipos de crime nunca foi relatado (http://astrissomias.blogspot.com.br/2011/05/trissomia-xyy.html. 2017).

9. Sociopatia Genética

O conceito de um transtorno de personalidade com insensibilidade (Sociopatia), além de desrespeito pelas normas sociais está claramente estabelecida em psiquiatria. Essas pessoas compartilham uma combinação de traços que podem incluir violência, agressão, insensibilidade, falta de empatia e atos repetidos de criminalidade contra normas sociais. No entanto, as classificações e definições a partir deste ponto não são claras. Embora esses traços existiam em sociedades humanas desde tempos imemoriais, identificar e classificar tal comportamento mudou com o tempo e continua a fazê-lo. De fato, a compreensão da personalidade e de seus distúrbios eram bastante diferentes no início do século XIX do seu contexto atual (que se refere a uma coleção de traços que se espera ter uma base biológica). Então, o termo "personalidade" foi pensado para ser mais uma questão metafísica. No entanto, à medida que o século avançava, a medição da personalidade em termos mais objetivos e, portanto, a descrição objetiva de seus distúrbios, ganhou popularidade (CHATURAKA et al., 2010).

A regulação deficiente do sistema neurotransmissor serotonérgico (Serotonina) está diretamente ligada a esse comportamento. Pensa-se que a serotonina ajuda a controlar a agressividade, impulsividade e ruptura deste sistema resultando em menos restrições. Evidências indiretas para esta hipótese vem da redução do comportamento agressivo e impulsivo com inibidores da recaptação da serotonina (ISRS), em pessoas normais. No entanto, deve-se também prestar atenção às críticas recentes ao atribuir uma presumível eficácia dos ISRS com base na teoria do desequilíbrio dos neurotransmissores. Em modelos animais, a atividade reduzida no sistema serotoninérgico está associada a ataques maiores contra alvos não vulneráveis ​​(agressão ofensiva). A agressão predatória em direção a alvos vulneráveis não foi afetada. Existe também evidência de que o sistema serotoninérgico estreitamente interage com o controlo de cortisol e de secreção de testosterona. A ruptura do sistema de serotonina é assumido como sendo parcialmente responsável pela resposta diminuída de cortisol a fatores de stress (CHATURAKA et al., 2010). Uma associação interessante entre testosterona e um polimorfismo funcional da monoamina-oxidase A ( MAOA gene) foi demonstrada. A hipótese subjacente é que a testosterona tem um efeito direto na transcrição do MAOA gene, agindo sobre um dos promotores. No entanto, o estímulo da transcrição não é tão forte como a dos glicocorticóides, que também se ligam ao promotor. Quando os níveis de testosterona são elevados podem inibir competitivamente a ligação de glucocorticóides e resultar em menos transcrição do gene. O produto do gene, monoamina oxidase A, quebra uma multidão de aminas, incluindo a serotonina. Usando 95 alcoólicos criminosos do sexo masculino e 45 controles, foi demonstrado que uma combinação de alto nível de testosterona líquido cefalorraquidiano e uma baixa atividade do MAOA genótipo foram significativamente preditivos de comportamento anti-social e agressividade em homens (CHATURAKA et al., 2010).

10. Sistema Límbico

O sistema límbico é responsável basicamente por controlar as emoções e funções de aprendizado e da memória, localizado nas estruturas do cérebro, tem formato de anel cortical de cor acinzentada, formado por neurônios, possuindo várias estruturas, cada uma com funções específicas. Tem como estruturas o Hipotálamo, que possui tamanho de um grão de ervilha, representando menos de 1% do tamanho do cérebro, tendo como função regular o sono, a libido, o apetite e a temperatura corporal, fazendo o resfriamento do sangue. Os corpos mamilares se relacionam com o hipotálamo e tem função de regular reflexos alimentares, a deglutição e o desejo por alguns alimentos. O Tálamo encontra-se nos dois lados do cérebro e é responsável pelos quatro sentidos do homem, também sendo regulador das sensações de dor, quente e frio, pressão de um ambiente nos ouvidos. O Giro Cingulado é outra estrutura adjacente ao Tálamo que, estimulado por medicamentos ou problemas psicológicos pode causar alucinações, alterações das emoções, além de controlar o olfato e visão. A Amígdala está em duplicidade no cérebro, localizada no lobo temporal em ambos os lados, responsável pela sensação de perigo, medo e ansiedade. E por fim, mas não menos importante temos o Hipocampo, localizado no lobo temporal, tem função pela memória recente, agindo quando o indivíduo tem acesso a memórias recentes fazendo com que o metabolismo aumente o fluxo sanguíneo (https://www.portaleducacao.com.br/medicina/artigos/50288/conhecendo-as-funcoes-do-sistema-limbico. 2017).

Figura 2. Sistema Límbico. Estruturas principais do sistema límbico.

Fonte : (maissaudeemocional.blogspot.com. 2017).

O sistema límbico é a central emotiva do cérebro. É ele que provoca o sentimento de reação a estímulos, sejam eles reais ou imaginários. Através de ressonância magnética funcional (RMf) constata-se quais as áreas cerebrais são ativadas, sendo comprovada a ausência de sentimentos nos psicopatas (http://www.reidese.com.br/artigos/032011/032011_2.pdf).

Muitos autores ao longo dos anos têm demonstrado o papel central do sistema límbico em formar e experimentar emoções, incluindo o vínculo mãe-filho, amizades e afiliações parceiro. Estudos recentes têm ido mais longe para envolver duas estruturas estreitamente relacionadas com o sistema límbico, a ínsula e o córtex cingulado anterior (ACC), para serem centrais na vivência e na avaliação das emoções do eu e de outros. Estes achados são significativos porque vão além da neurobiologia das emoções para explicar a neurobiologia da empatia. A descoberta de caminhos do neurônio espelho (ativação de áreas motoras do cérebro ao executar uma tarefa por si mesmo e ao observá-lo sendo executado por outro) foi central na definição de teorias sobre caminhos neurais de empatia. Em primeiro lugar, esta observação foi extrapolada à hipótese de que o mecanismo do espelho-neurônio nos permite identificar emoções como medo, raiva e desgosto em outros, como nós, nós mesmos e experimentá-los. Em segundo lugar, assumiu-se que nos indivíduos calosos (com alguma deformidade), essas vias são anormais em comparação com a "população normal" (CHATURAKA et al., 2010).

O neurorradiologista Jorge Moll e o neuropsiquiatra Ricardo de Oliveira desenvolveram a "Bateria de Emoções Morais" (BEM), que utiliza a técnica, ainda em fase de teste, da RMf para demonstrar que o cérebro dos psicopatas não se comporta da mesma maneira que o das pessoas comuns quando são expostos a diferentes imagens: tanto diante de cenas agradáveis quanto de perversas, o cérebro do psicopata apresenta o mesmo tipo de reação. Medo raiva e repulsa seriam reações naturais às cenas desagradáveis. As pessoa comuns ficariam agitadas diante de cenas repugnantes e serenas ao verem as que retratam situações agradáveis. Entretanto, isso não acontece com os psicopatas, evidenciando que eles apresentam atividade cerebral reduzida nas áreas que estão relacionadas às emoções. Existe, antes, um aumento de atividade nas regiões responsáveis pela cognição (capacidade de raciocinar). Assim pode-se concluir que os psicopatas são muito mais racionais que emocionais, tendo o sistema límbico hipofuncionante (http://www.reidese.com.br/artigos/032011/032011_2.pdf).

Acredita-se que a atividade reduzida do circuito límbico e paralímbica deva afetar a capacidade de uma pessoa para apreciar as emoções do outro (especialmente o medo), a se envolver em comportamentos pró-sociais adequadas (ajudando, reconfortando, o altruísmo) e evitar atividades que causam desconforto para os outros. Ao mesmo tempo, o indivíduo pode ter dificuldade em processar suas próprias emoções, avaliando a auto-vulnerabilidade e reduzindo comportamentos que se colocam em risco.

Um caso histórico ocorrido em meados do século XIX em Vermont, E.U.A., evidenciou de forma muito clara a estreita associação entre o comportamento moral e lesão cerebral (SILVA. 2008).

Phineas Gage trabalha em uma estrada de ferro. Era uma pessoa benquisto para todos, bom trabalhor e ótimo chefe de família. Em 1848, uma explosão no local de trabalho fez com que uma barra de ferro perfurasse seu cérebro na região denominada córtex pré-frontal. De forma espantosa Gage não perdeu a consciência e sobreviveu ao ferimento sem qualquer sequela aparente. Ele caminhava normalmente e suas memórias estavam preservadas. Contudo, com o passar do tempo, Gage se tornou outra pessoa: indiferente afetivamente, sujeito a ataques de ira e sem qualquer educação com as pessoas ao seu redor. Gage nunca mais foi o homem que todos admiravam, o homem "pré-acidente". Embora ele nunca tenha assassinado ninguém, sua vida foi uma patética sucessão de subempregos, brigas, bebedeiras e pequenos golpes (SILVA. 2008).

A história acima teve um papel decisivo no estudo do comportamento humano , pois foi uma prova viva de que alterações no senso moral podem ocorrer quando o cérebro sofre lesões em áreas específicas (nesse caso, no lobo pré-frontal). A partir desse episódio, os cientistas passaram a pesquisar as raízes cerebrais do comportamento amoral (SILVA. 2008).

11. Impulsividade Genética

Impulsividade é a tendência a agir sem previsão. Tem sido associada à muitos distúrbios psiquiátricos, incluindo vícios, déficit de atenção, hiperatividade (TDAH), transtorno bipolar e transtornos de personalidade, bem como transtorno de personalidade limítrofe (TPL) e transtorno de personalidade anti-social (TPAS). A quarta edição do Diagnostic and Statistical Manual (revisão de texto) também identifica um grupo de doenças psiquiátricas que são definidas coletivamente como distúrbios de controle de impulsos não classificadas em outra parte. Estes incluem transtorno intermitente explosivo (IED), a piromania, a cleptomania, jogo patológico e tricotilomania. Finalmente, impulsividade está associada com o comportamento suicida, agressividade e com certas formas de criminalidade (BEVILACQUA; GOLDMAN. 2013). Estudos farmacológicos têm implicado vários neurotransmissores na impulsividade e vários genes associados, alterando a função desses neurotransmissores. A dopamina e neurônios liberando serotonina são proeminentes em regiões do cérebro que regulam o controle dos impulsos. Atividades desreguladas de neurotransmissores de monoamina demonstraram estar envolvidas na impulsividade em neurofarmacológicos, gene knockout e estudos de associação genética. Alguns genes alteram a função dos neurotransmissores de monoamina, que têm sido associados com a impulsividade e agressão (BEVILACQUA; GOLDMAN. 2013).

A serotonina é a molécula que tem sido mais consistentemente associada à impulsividade, nomeadamente no que se manifesta como agressividade impulsiva e suicídio. Foi associada com agressividade e impulsividade por estudos neuroquímicos e neurocomportamentais em humanos e em modelos animais. O triptofano hidroxilase 2 ( TPH2 gene) codifica para a enzima que catalisa o passo limitante da velocidade para a biossíntese da serotonina no cérebro (BEVILACQUA; GOLDMAN. 2013).

O polimorfismo da enzima 2 (TPH2), é a principal enzima limitante na via da síntese da serotonina. Este polimorfismo pode participar em uma variedade de fenômenos comportamentais, incluindo transtorno de humor e suicídio. A enzima TPH2 modifica o triptofano, que é um aminoácido essencial, encontrado principalmente em alimentos de origem animal, em 5-hidroxitriptamina (Serotonina). Sendo esses dados importantes para o diagnósticos e tratamento da depressão, alguns autores já trabalharam este tema sugerindo que os níveis de serotonina e triptofano nos indivíduos dependem, dentre outras coisas, da ingestão alimentar, existindo assim uma analogia entre alimentação e depressão (BEVILACQUA; GOLDMAN. 2013).

12. GENES

Um gene é a unidade física e funcional básica da hereditariedade. Os genes, que são compostos de DNA, atuam como instruções para fazer moléculas chamadas proteínas. Nos seres humanos, os genes variam em tamanho de algumas centenas de bases de DNA para mais de 2 milhões de bases. O Projeto Genoma Humano estimou que os seres humanos têm entre 20.000 e 25.000 genes. Cada pessoa tem duas cópias de cada gene, uma herdada do pai e outra da mãe. A maioria dos genes é o mesmo em todas as pessoas, mas um pequeno número de genes (menos de 1 por cento do total) são ligeiramente diferentes entre as pessoas. Os alelos são formas do mesmo gene com pequenas diferenças na sua sequência de bases de DNA. Essas pequenas diferenças contribuem para as características físicas únicas de cada pessoa (GENETICS HOME REFERENCE, 2017).

12.1 HTR2B

A impulsividade cognitiva e comportamentos impulsivos reais mostram grandes diferenças inter-individuais. Impulsividade pode melhorar o desempenho em algumas áreas da vida, mas também pode ser um traço de diagnóstico de distúrbios neuropsiquiátricos. Várias vias neurais distintas contribuem para a construção complexa de impulsividade (TIKKANEN et al., 2015).

Bevilacqua et al. descobriram um códon de terminação na mutação do gene que codifica para o receptor de serotonina 2B ( HTR2B Q20 *), localizado em 2q36.3-q37.1, em uma população finlandesa. Eles observaram que o códon de parada leva a uma interrupção da expressão do receptor de serotonina 2B (5-HT2B) em células linfoblastóides, o que implica uma diminuição de 50% da produção da proteína receptora em indivíduos heterozigóticos. A verdadeira função do receptor 5-HT2B é mal compreendida, especialmente em seres humanos. No entanto, os pesquisadores descobriram que o HTR2B Q20 está relacionado com o comportamento impulsivo e impulsividade cognitiva. Além disso, eles mostraram que o receptor 5-HT2B é amplamente expresso no cérebro humano com as densidades mais elevadas no lobo frontal, cerebelo e o lobo occipital, embora nem todas as áreas do cérebro foram examinadas. Este receptor parece ser necessária para a ação anti depressiva farmacológica em ratos, o que indica um papel dos receptores nas neurotransmissões serotonérgicas. Também foi demonstrado, em células neuronais, que o 3,4-metilenodioximetanfetamina (MDMA, vulgarmente conhecido como "ecstasy") se liga seletivamente e ativa os receptores 5-HT2B, induzindo de liberação de serotonina nos núcleos da rafe do rato, conduzindo assim à libertação de dopamina (TIKKANEN et al., 2015).

Este gene codifica para um dos vários receptores diferentes para o 5-hidroxitriptamina (serotonina) que pertence à família de receptores de uma proteína G acoplada. A serotonina é um hormônio biogênico que funciona como um neurotransmissor, um hormônio e um mitógeno. Receptores de serotonina mediam muitas das funções fisiológicas centrais e periféricas, incluindo a regulação das funções cardiovascular e do comportamento impulsivo. Análises baseadas na família de um alelo menor (substituição de glutamina-to-stop, designado Q20) que bloqueia a expressão desta proteína, e estudos knockout em camundongos, sugerem um papel para este gene na impulsividade. No entanto, outros fatores, tais como níveis elevados de testosterona, podem também estar envolvidos no comportamento do indivíduo. Algumas variantes de splicing alternativo de transcritos foram encontrados para este gene (www.ncbi.nlm.nih.gov/gene/3357. 2017).

Figura 3. Estrutura Tridimensional Monomérica 5-HTR2B.
Fonte: Crystal Structure of the Lsd-bound 5-ht2b Receptor, NCBI. 2017.

O Receptor acoplado à proteína G para a 5-hidroxitriptamina (serotonina), também funciona como um receptor para vários derivados de alcalóides e substâncias psicoativas. A ligação provoca uma alteração de conformação que desencadeia a sinalização através das proteínas de ligação a nucleotídeos de guanina (proteínas G) e modula a atividade de descendentes. Os membros da família beta-arrestina inibem a sinalização via proteínas G e mediam a ativação de vias de sinalização alternativas. A sinalização ativa um sistema de segundo mensageiro de fosfatidilinositol-cálcio que modula a atividade das cascatas de sinalização de fosfatidilinositol 3-quinase e de fluxo descendente e promove a libertação de íons Ca (2+) a partir de armazenamentos intracelulares. Desempenha um papel na regulação da libertação de dopamina e 5-hidroxitriptamina, captação de 5-hidroxitriptamina e na regulação dos níveis de dopamina extracelular e 5-hidroxitriptamina e, assim, afeta a atividade neural. Pode desempenhar um papel na percepção da dor. Desempenha um papel na regulação do comportamento, incluindo o comportamento impulsivo. É necessário para proliferação normal de miócitos cardíacos embrionários e desenvolvimento cardíaco normal, protege os cardiomiócitos contra a apoptose, desempenha papel na adaptação das artérias pulmonares à hipóxia crônica, desempenha um papel na vasoconstrição. É fundametal para a função osteoblástica normal e proliferação, e para manter a densidade óssea normal, também sendo necessário para a proliferação normal das células intersticiais de Cajal no intestino (WEIZMANN INSTITUT OF SCIENCE. 2017).

Este gene encontra-se na faixa citogenética do cromossomo 2 (q37.1)

Figura 4. Cromossomo 2, q37.1. O cromossomo 2 é um dos 23 pares de cromossomos do cariótipo humano. É o segundo maior cromossoma humano. Tem cerca de 237 milhões de pares de bases e representa quase 8% do total de DNA nas células. Contém entre 1300 e 2000 genes.

Fonte: Cromossomo 2 humano. https://pt.wikipedia.org/wiki/Cromossoma_2_(humano). Consultado em 20/08/2017.

12.2 MAOA

A monoamina-oxidase A (MAOA) é um de dois membros da família de genes vizinhos que codificam enzimas mitocondriais que catalisam a desaminação oxidativa de aminas, tais como a dopamina, noradrenalina e serotonina. A mutação deste gene resulta na síndrome de Brunner. Este gene, localizado no cromossomo "X", também tem sido associado com uma variedade de outros distúrbios psiquiátricos, incluindo o comportamento anti-social (https://www.ncbi.nlm.nih.gov/gene/4128. 2017).

Eles são encontrados ligados à membrana externa das mitocôndrias na maioria dos tipos de células do corpo. Foram identificados dois subtipos de MAO: MAO-A e MAO-B (WEIZMANN INSTITUT OF SCIENCE. 2017).

Em razão de MAOA estar localizado no cromossomo "X" (Xp11.4-Xp11.3), todos os machos são homozigotos para um único alelo, com variantes de 2, 3, 3,5, 4 e 5 repetições descritos. Em amostras de ascendência europeia, os alelos de 3 e 4 repetições representam mais de 95% das variações. As variantes 2, 3 e 5 repetição são comumente agrupadas como alelos de "baixa atividade" e contrastados com alelos de "alta atividade" de 3,5 ou 4 repetições, com base em estudos in vitro. A caracterização funcional de 5 repetições é um tanto controverso, no entanto, apesar de sua raridade sugere um efeito insignificante sobre os resultados do estudo tendo diferenças em um agrupamento de alelos. Além disso, alguns estudos desconsideraram completamente as variantes raras, analisando apenas os alelos de 3 e 4 repetições (BYR; MANUCK. 2014).

Figura 5. Cromossomo X. O cromossomo X consiste em um dos cromossomos responsáveis pela determinação do sexo do ser humano. Em cada conjunto de seus 23 pares de cromossomos, os seres humanos possuem um par de cromossomos responsáveis pelo sexo. As mulheres possuem dois cromossomos X e os homens, um cromossomo X e um cromossomo Y.

Fonte: Cromossomo X. https://pt.wikipedia.org/wiki/Cromossoma_X_(humano). Consultado em 20/08/2017.

Esta enzima é chave no catabolismo das monoaminas, especialmente a serotonina. Meta-análise indica forte associação do curto e menos ativo alelo ( MAOA- uVNTR-S) com comportamento anti-social e criminal entre os homens expostos à adversidade na infância, o que significa a necessidade de ampla escala de pesquisas. Outros estudos identificaram associações entre a interação do alelo longo, de alta atividade ( MAOA -uVNTR-L) e da adversidade na infância e comportamento anti-social entre as mulheres com comportamento agressivo e os crimes violentos entre os homens. Há relatos que adolescentes do sexo masculino que transportam MAOA- uVNTR-S apresentaram níveis aumentados de violência quando criados em ambientes adversos familiares e diminuição desses níveis quando criados em ambientes familiares positivos (NILSSON et al., 2015).

Quadro 1. Genes cards database.

PATOLOGIA

SINTÔMAS

Comportamento Agressivo

Comportamento agressivo que pode denotar agressão verbal, agressão física contra objetos, agressão física contra as pessoas,incluindo agressão a si mesmo.

Autismo

O autismo é uma transtorno de neurodesenvolvimento caracterizado por interação social e comunicaçõa prejudicada e pelo comportamento restrito e repetitivo. Gerelamente inicia-se na infância e é marcado pela presença de um desenvolvimento anormal, prejudicando no desenvolvimento social, além de repertório restrito de atividades e interesses. As manifestações do trastorno variam muito dependendo do nível de desenvolvimento e idade cronológica do indivíduo.

Anomalia

Comportamental

Anormalidade do funcionamento mental, incluindo várias anormalidades afetivas, comportamentais, cognitivas e perceptuais.

Deteriorização Cognitiva

Anormalidade no processo de pensamento incluindo a capacidade de processar informações.

Há evidências contraditórias de mecanismos epistáticos sendo modificados por fatores ambientais. Em um estudo de criminosos do sexo masculino, a violência foi associado com MAOA -uVNTR-S, ao passo que a adversidade na infância impactou a violência mais tarde na vida, somente quando 5-HTTLPR-S estava presente (NILSSON et al., 2015).

A exposição a maus-tratos na infância previu comportamentos posteriores agressivos e anti-sociais entre os homens, em função da variação reguladora no gene que codifica monoamina oxidase-A ( MAOA ). A enzima degradativa MAOA desamina os neurotransmissores, a serotonina e a norepinefrina, contendo no gene (MAOA) uma sequência de repetição de 30 bp (Número Variável de Repetições em tandem) na região flanqueante 5' que confere variação específica do alelo na região promotora. Neste estudo, os primeiros indicadores de maus tratos, como abuso físico e sexual de meninos, rejeição materna ou punição física severa, previu mais tarde problemas de conduta, disposição anti-social e ofensa violenta entre as pessoas portadoras do MAOA variante de repetição (alelo) de menor eficiência de transcrição ( "baixa atividade" MAOA genótipo), do que naqueles de um suplente ( "alta atividade") genótipo. Esta descoberta desde então tem sido citada mais de 2800 vezes e levou estudos semelhantes por outros investigadores. Em 2007, Taylor e Kim-Cohen confirmaram a interação de maus-tratos precoces e MAOA genótipo sobre os resultados anti-sociais por meta-análise de estudo original e sete tentativas de repetições. Todos estes estudos incluíram participantes do sexo masculino recrutados em populações largamente normais (excluindo amostras forenses ou predominantemente clínicas) e continham um índice único ou composto de comportamento anti-social. Também incluíram nos estudos uma medida de exposição na infância dos participantes ao abuso, negligência ou outros danos no ambiente familiar, sendo relatado pelos participantes tal exposição positivamente associada aos resultados do estudo (BYRD; MANUCK. 2014).

Figura 6. Estrutura tridimensional do gene MAOA. Este gene é um dos dois familiares vizinhos que codificam enzimas mitocondriais que catalisam a desaminação oxidativa de aminas, como dopamina, norepinefrina e serotonina. A mutação desse gene resulta na síndrome de Brunner. Este gene também tem sido associado a uma variedade de outros transtornos psiquiátricos, incluindo o comportamento anti-social. Alternativamente, foram observadas variantes de transcrição emendadas que codificam múltiplas isoformas.

Fonte: MAOA - Monoamina Oxidase A. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/gene/4128. Consultado em 20/08/2017.

13. Genética Judicial

Na maioria dos casos, a única referência a "informações genéticas comportamentais" é a menção do papel dos fatores hereditários na etiologia de transtornos mentais, como esquizofrenia ou psicoses, distúrbios do espectro do autismo ou transtorno de personalidade. Os especialistas na maioria dos casos (usualmente um psiquiatra e um psicólogo) usam a informação sobre fatores hereditários (e outros fatores, tais como condições familiares problemáticas) apenas para explicar como a desordem e o comportamento problemático podem ter ocorrido, e o tribunal não menciona esta informação na sua argumentação. No entanto, há também uma série de casos em que a informação genética comportamental é usada para ajudar a responder a questões judiciais (KOGEL; WESTGEEST. 2015).

Em um caso, o réu tinha um transtorno neurológico hereditário, doença de Huntington, que é conhecida por ser causada por um gene mutante no cromossomo quatro. O réu foi acusado de incendiar a casa de sua namorada, colocando em risco a vida de várias pessoas. A doença de Huntington é a causa de problemas neuropsicológicos e demência que tornam difícil para o indivíduo lidar com a vida diária e com situações problemáticas. Em tais situações, ele reage com agressividade impulsiva. O réu foi considerado completamente inimputável pelo tribunal, para seus crimes. No entanto, os problemas neuropsicológicos e seu agravamento devido à progressão esperada da doença são susceptíveis de aumentar o risco de reincidência criminal, de acordo com os peritos comportamentais, relatado ao tribunal. Portanto, o tribunal ordenou que o réu fosse mantido em hospital psiquiátrico, uma medida que pode ser continuada, enquanto a pessoa é um risco para os outros. Neste caso, o defeito genético e o conhecimento sobre seu curso e os efeitos sobre as capacidades cognitivas e do comportamento não levam a qualquer otimismo pelos peritos sobre as oportunidades para redução do risco de reincidência criminal (KOGEL; WESTGEEST. 2015).

Em um processo no tribunal criminal italiano a influência do gene MAOA sobre o comportamento agressivo desempenhou um papel considerável. No primeiro caso, um homem que tinha sido diagnosticado com esquizofrenia tendo esfaqueado outro homem até a morte. O réu não tomara a medicação e estava psicótico durante a ofensa. Ele foi considerado culpado por um tribunal de primeira instância e recebeu uma sentença reduzida de nove anos devido a seu transtorno mental. Posteriormente, o tribunal de recurso reduziu a pena para oito anos com base no fato de que o réu testou positivamente as variantes genéticas que o tornaram propenso a agressão sob circunstâncias estressantes. Em outro caso envolvendo o gene particular (MAOA-gene) mencionado em relação ao tratamento de comportamento agressivo, tratou-se do caso de um paciente que foi detido numa chamada "Unidade de longa permanência" dentro de um centro de detenção psiquiátrico forense, unidade para pacientes que o centro considera não ter perspectiva de tratamento bem-sucedido para reduzir seu risco de reincidência criminal. O paciente atacou três membros da equipe com um par de tesouras que ele tinha preparado especialmente para este objetivo. O tribunal considerou-o culpado de tentativa de assassinato e assalto grave premeditado. Peritos comportamentais, um psiquiatra e um psicólogo, relataram que o paciente tem transtorno de personalidade anti-social e narcisista grave e dependência de cocaína em remissão. Consideraram a regulação da agressão como um problema grave neste paciente, tanto no que se refere à agressão reativa como ao instrumental. O risco de reincidência violenta foi visto como fortemente elevado. Os especialistas aconselharam a colocação do paciente em uma unidade de prisão de alta segurança, uma vez que o tratamento não levou a nenhuma melhoria. Eles também aconselham a investigar se nesse cenário os problemas de regulação da agressão seriam difíceis de tratar sendo influenciados farmacologicamente. É neste contexto que o gene MAOA é mencionado. O psiquiatra é citado dizendo: "Se parece que o paciente tem uma expressão reduzida do gene MAOA (o chamado' guerreiro-gene '), um tratamento farmacológico com Depakine poderia ser iniciado". O tribunal adotou o parecer do perito e condenou o doente a nove anos de prisão. Depakine (valproato) é um dos medicamentos mais prescritos para a epilepsia. Como o valproato tem um efeito estabilizador do humor e do impulso, também é prescrito em alguns casos por psiquiatras para reduzir o comportamento agressivo (KOGEL; WESTGEEST. 2015).

14. Tratamento

Os estudos mais recentes sobre o comportamento humano revelam que as noções básicas de retidão comportamental e justiça dependem muito menos do aprendizado social do que os psicólogos supunham no início do século passado. As últimas pesquisas sobre o cérebro humano e as análises comparativas de outros comportamentos animais revelam que a espécie humana adquiriu a capacidade de avaliação moral com a própria seleção natural. Tudo indica que as instruções necessárias na produção de um cérebro capacitado para distinguir o certo do errado já vem com certificado de fábrica, ou seja, elas estão no D.N.A. de cada um de nós (SILVA. 2008).

A terapia farmacológica é considerada ineficaz e não recomendada nas diretrizes para alguns casos específicos. No entanto, ele tem um lugar no tratamento de distúrbios psiquiátricos, como depressão e ansiedade. Dadas as associações biológicas do comportamento anti-social (neurotransmissor e desequilíbrios hormonais), o papel dos agentes farmacológicos não pode ser completamente descartado. Uma área de interesse é o uso de inibidores seletivos da recaptação da serotonina (ISRS). Foi demonstrado que a agressão pode estar ligada à disfunção do sistema nervoso serotoninérgico e os ISRS são eficazes no controle da agressão emocional em transtornos de personalidade. No entanto, não foi demonstrado que seja eficaz no controle da agressão em reincidentes. A Paroxetina (um ISRS), demonstrou melhorar o comportamento cooperativo em pessoas normais, mas esse efeito não foi demonstrado em populações com comportamento anti-social. Há relatos de caso de um paciente com comportamento anti-social tratado com risperidona, tendo sua agressividade controlada, mas não é mencionado se ele recebeu psicoterapia concorrente. O autor atribui o antagonismo 5HT (receptor de serotonina) da risperidona ao seu efeito terapêutico. As observações deste estudo de caso individual não foram confirmadas por outros (CHATURAKA et al., 2010).

A ineficácia do tratamento farmacológico pode ser abordada por uma hipótese diferente. No desenvolvimento de uma hipótese alternativa sobre a eficácia (ou melhor, a falta dela) de antidepressivos propõe-se usar uma aproximação droga-base para compreender o efeito dos antidepressivos do que a aproximação tradicional da doença-base. Para esclarecer isto, a abordagem baseada em doentes assume que a eficácia terapêutica dos fármacos emana da sua capacidade de alterar a patologia da doença (por exemplo, os ISRS aumentam as concentrações de serotonina que atuam sobre os receptores sinápticos, compensando assim a "queda" da serotonina que levou à depressão). O modelo baseado em fármacos propõe que o efeito terapêutico das drogas é coincidente e dependente do contexto social. Em vez de agir sobre o modelo bioquímico presumido de causa da doença, as drogas podem criar um ambiente bioquímico diferente que pode coincidentemente aliviar os sintomas. Ele vai mais longe para afirmar que, em tal situação, o efeito não pode diferir entre o placebo e o medicamento. Para apoiar essa visão, os autores citam a eficácia questionável dos antidepressivos quando prescritos em uma escala de tempo mais longa, a capacidade de outros não-antidepressivos para melhorar a pontuação em escalas de depressão por meio de seus efeitos sedativos / estimulantes e as evidências conflitantes de ensaios clínicos randomizados sobre a eficácia de antidepressivos (CHATURAKA et al., 2010).

15. Discussão

Agressão, falta de emoções e deformações são consequências combinadas da genética, neurotransmissor / desequilíbrio hormonal e fatores ambientais. Muitos avanços recentes foram feitos para compreender as inter-relações complexas do neurocircuito que sustentam a empatia e as emoções. Há um debate intenso sobre se existe um diagnóstico separado de psicopatia, mas nem o transtorno de personalidade anti-social como definido no DSM-IV, nem seu diagnóstico correspondente na CID-10, transtorno de personalidade dissocial, identificam a psicopatia como um diagnóstico separado. Um grande problema para os estudiosos resumirem as evidências sobre esse tipo de transtorno de personalidade são as diferenças em vários critérios diagnósticos. As populações diagnosticadas com esses critérios às vezes diferem consideravelmente, portanto, uma comparação direta dos resultados é difícil. Em questões relacionadas ao tratamento, muitas terapias psicológicas e comportamentais mostraram taxas de sucesso variando de 25% a 62% em diferentes situações. A terapia multissistêmica e a terapia cognitivo-comportamental têm se mostrado eficazes em muitos ensaios. Dado os custos sociais e pessoais envolvidos, algumas autoridades, como o Serviço Nacional de Saúde (NHS) do Reino Unido, recomendam a identificação de crianças em risco e a intervenção numa idade precoce. Isso levanta várias questões éticas que precisam ser abordadas por uma discussão pública mais ampla.

A pré-disposição genética ou a vulnerabilidade biológica se caracterizaria em uma criança que apresenta deficit emocional. Uma criança assim possui um sistema mental deficiente na percepção das emoções e dos sentimentos, na regulação da impulsividade e na experimentação do medo e da ansiedade. Nos casos em que os pais (família) realizam de forma muito competente suas tarefas educacionais, essas características biológicas podem ser compensadas ou canalizadas para atividades socialmente aceitas. No entanto, quando o ambiente não é capaz de fazer frente a tal bagagem genética, seja por falhas educacionais por parte dos pais, por uma socialização deficiente ou ainda por essa bagagem genética ser muito marcada, o resultado será um indivíduo psicopata (SILVA, A.B.B. 2008).

16. Conclusão

Análises mais aprofundadas da inter-relação entre neurocircuitos, neurotransmissores e hormônios em relação à empatia e à violência são consenso entre diferentes organismos profissionais sobre critérios uniformes para o diagnóstico de transtorno de personalidade anti-social com esclarecimento da existência taxonômica de "psicopatia", a eficácia terapêutica das comunidades terapêuticas, estratégias de gestão familiar e gestão de contingências e ensaios controlados randomizados para avaliar a eficácia da terapia de intervenção precoce para crianças "em risco", que são identificados como áreas para investigação futura.

Ao falar sobre as mazelas de nosso mundo, certa vez Albert Einstein proferiu a seguinte frase: "O mundo é um lugar perigoso para se viver, não exatamente por causa das pessoas que são más, mas por causa das pessoas que não fazem nada quanto a isso".

17. Referência Bibliográfica

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Publicado por: ROGÉRIO TOMANINI

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