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PELOS PASSOS EXISTENCIAIS DE DRUMMOND: O entrelace entre moda e poesia durante a fase modernista no Brasil

Arte e Cultura

Modernismo brasileiro em sua primeira fase, a Poesia Moderna, a vida do grande poeta Carlos Drummond de Andrade, o existencialismo poético drummondiano e a moda e a literatura na década de 1920.

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1. RESUMO

Este artigo se propõe a falar sobre o poeta Carlos Drummond de Andrade, dando ênfase à poesia existencialista descrita por ele durante a segunda fase do modernismo (1930-1945), adentrando na moda e na construção da indumentária da mulher da época. Para isso, está sendo realizada uma revisão bibliográfica para tratar sobre o entrelaçamento entre moda e literatura, além da busca por conceitos sobre o modernismo e o existencialismo e uma pesquisa de campo na cidade natal do poeta, Itabira–MG. Serão utilizados os poemas “Quadrilha”, “José”, “Memória”, “Poema de sete faces”, para o entendimento do porquê da abordagem existencialista utilizada pelo poeta, bem como, a quebra de paradigmas e a busca por discernimento.

Palavras-chaves: Carlos Drummond de Andrade. Moda. Modernismo.

ABSTRACT

This article aims to discuss the poet Carlos Drummond de Andrade, emphasizing the existentialist poetry described by him during the second phase of modernism (1930-1945), entering trendy and construction of modern clothing of the time. For this, it’s being conducted a literature review to address about the links between fashion and literature, as well as seeking concepts of modernism and existentialism; and a field survey in the hometown of the poet, Itabira-MG. The poems “Square Dance", "José", "Memory", "Sevem-Sided Poem," will be used to understand why the poet used the existentialist approach, as well, to break paradigms and the search for insight.

Palavras-chaves: Carlos Drummond de Andrade. Fashion. Modernism.

2. INTRODUÇÃO

Este artigo tem a proposta de pesquisar acerca da poesia de Carlos Drummond de Andrade, à procura de decifrar o existencialismo presente em suas palavras durante a fase da poesia moderna (1930-1945), através de estudos que analisam os seus poemas. Não obstante, entrará também na semiótica da moda, procurando significados de quebra de paradigmas tradicionais, após a revolução gerada pelo Modernismo no Brasil, e em como a mulher começou a se vestir após esse momento.

O conceito “existencialista” de Drummond interessou a esta pesquisa, uma vez que foi possível ler nas entrelinhas de seus poemas acerca de crises sociais ligadas à época em que ele vivia, que era uma fase de guerras, rompimentos de tradições, emancipação artística e uma grande busca por entender a vida. Além disso, foi de grande proveito encontrar a moda conectada a esse momento de conflitos, já que a década de XX foi pontuada por choques culturais diversos e o papel da mulher na sociedade começou a se transformar.

Foram várias as obras estudadas para a consolidação deste artigo, entre elas estão três livros de Drummond que contém os poemas estudados: Alguma Poesia (1930) com o “Poema de sete Faces” e “Quadrilha”, José (1942) com o poema “José”, e Antologia Poética (1962) com o poema “Memória”. Além dos livros do grande poeta, estão presentes também neste artigo, como embasamento teórico, autores que falam sobre o modernismo, como Graça Aranha (1868-1931). Foram utilizadas também publicações em revistas, estas falam sobre o modernismo e a moda feminina nos anos 1920 e também sobre a união entre moda e literatura. O termo existencialista está sendo pesquisado sob as teorias do filósofo Jean-Paul Sartre (1905-1980).

A vida do poeta Carlos Drummond de Andrade foi pesquisada em visitas de campo em sua cidade natal, Itabira-MG. Os pontos turísticos da cidade, que incluem o Memorial Carlos Drummond de Andrade (Fig. 1 e 2, apêndice) e a Fundação Cultural Carlos Drummond de Andrade, foram essenciais para sustentar essa pesquisa.

Na primeira seção deste trabalho o modernismo está sendo discutido, destacando o espírito moderno da época em que ele acontece e de onde ele vem e também como foi um movimento importante para a construção de uma arte que tem a cara do Brasil. A poesia moderna também é colocada em pauta de forma a deslindar o momento de avanço da literatura brasileira, que começou a ganhar temas livres e a falar sobre o cotidiano.

Na segunda seção está em voga a vida do grande poeta Carlos Drummond de Andrade, desde a sua infância até o momento de sua morte, ressaltando suas grandes obras, sua parceria com artistas vanguardistas e sua forma de escrita que possui características únicas, como a abordagem do existencialismo. Esta teoria filosófica considerada como marca de Drummond também será estudada, mas de forma pouco abrangente. O fim desta seção será dedicado ao estudo dos poemas que expressam o ser existencial e alter ego de Drummond.

A terceira e última seção traz a união entre a moda e a literatura concentrada na forma de vestir da mulher dos anos 1920, à procura de conhecer seus novos objetivos. Nesta seção foi utilizado como referência o trabalho de Augusto Paz que faz uma aliança entre a moda e o modernismo, retratando o ideal modernista como a chave de um precedente ideológico que permite à mulher uma certa experimentação vestal. Foi utilizado também, através de estudos da semiose entre a moda e a palavra, o trabalho da professora Fabiana Alvim Ballesteros, que pesquisa Drummond pelo olhar da moda, e o trabalho da mestre Geanneti Tavares Salomon, que busca a compreensão sobre as funções da moda no espaço literário. O trabalho do estilista Ronaldo Fraga também foi estudado para enriquecer este artigo.

Desta forma, o presente trabalho foi elaborado com a intenção de unir temas que pertençam a áreas distintas, mas que se conglobam e constroem um sistema de significação único, em que moda, literatura e arte habitam. Além disso, esta pesquisa será também utilizada como temática inspiradora para a criação de uma coleção de moda para a marca Ismo1.

3. O ESPÍRITO MODERNISTA

O Modernismo foi uma corrente artística que se iniciou na Europa no século XIX, e teve como essência a busca da liberdade como resposta às consequências da industrialização. Era a ideia de uma independência cultural, que aos poucos e com o passar dos anos, foi ganhando força.

Mas, para entender o modernismo, primeiro é necessário entender o moderno. Então, afinal, o que é moderno? Pode-se dizer que moderno é aquilo que separa o passado, é algo novo, que leva para o futuro, um estar à frente do presente. Assim fala Graça Aranha: “O espírito moderno é uma abstração. No momento em que o definimos e o captamos, entrou no passado. ” (ARANHA, 1925, p.23)

Desta forma, o movimento modernista surgiu com impacto, ele veio como uma doutrina que repelia a modernidade e o avanço tecnológico, acreditando na valorização do manual e do artesanal. Foi um movimento que chegou para difundir o passado da arte e dar início a algo nunca visto antes, a emancipação artística.

3.1 Modernismo brasileiro em sua primeira fase

O Movimento Modernista no Brasil teve sua primeira aparição em São Paulo com a Semana da Arte Moderna (1922). Essa semana é identificada por possuir um caráter contraditório e irreverente em relação aos valores que a antecedem; é um dos maiores exemplos do choque cultural dos anos 20. Segundo Paz (2011) que cita Pedroso, o evento cravou um marco, a ruptura entre o antigo e o novo e contou com o apoio da tradicional elite paulistana. Graça Aranha também fala:

O que hoje fixamos não é a renascença de uma arte que não existe. É o proprio [sic.] comovente nascimento da arte no Brasil, e como não temos felizmente a perfida [sic.] sombra do passado para matar a germinação, tudo promette [sic.] uma admiravel “florada” artística. (ARANHA, 1925, p.22)

Destarte, o movimento cultural do modernismo veio para romper com os padrões estéticos do século XIX e recriar as formas de expressão, sejam elas na pintura, na literatura, na música, e, como pretendemos observar, essa ruptura também atingiu a moda, visto que esta é um fenômeno social que reflete as mudanças na sociedade.

3.1.1 A Poesia Moderna

A segunda fase do modernismo no Brasil, chamada de fase da poesia moderna, teve início nos anos 1930 e perdurou até 1945. Essa corrente artística, na literatura brasileira, se espalhou pelo país com a finalidade de romper e suplantar a literatura tradicional que era composta por pedaços do Simbolismo, do Parnasianismo e do Naturalismo. Segundo Barbalho que cita Candido:

A busca pela independência na literatura, com foco para a realidade nacional gerou possibilidades de crescimento cultural devido à esperança no futuro, quando os poetas e autores da literatura lançaram a “Semana de 22[2]”, com esse movimento a arte brasileira, especificamente a poesia tomou novos rumos, criando novas formas de expressão que retratavam os sentimentos do povo brasileiro. O Modernismo foi um momento crucial no processo de constituição da cultura brasileira, afirmando o particular do país em termos tomados aos países adiantados” (CANDIDO, 2000, p. 219 apud BARBALHO, 2012).

A poesia moderna pode ser considerada como uma base para a poesia contemporânea. Não dizendo que foi desde essa fase que a própria poesia não incorporou outros valores, mas é preciso lembrar que foi nesse período que o conceito de lirismo sofreu grandes modificações (NICOLETE, 2011).

Entre os principais poetas modernistas, se encontram: Cecília Meireles, Mário Quintana, Carlos Drummond de Andrade, entre outros, que modificaram e privatizaram sua forma de escrita dando novos ares à poesia.

4. DRUMMOND, O POETA DE VANGUARDA

Nascido em Itabira (MG), Carlos Drummond de Andrade (1902-1987) é conhecido como poeta “gauche”2, termo advindo de seu “Poema de sete faces”, que falaremos mais adiante. O poeta, que vem de duas famílias ligadas à pecuária e mineração, os Andrade e os Drummond, é o nono filho do fazendeiro João Altivo de Andrade e de Julieta Augusta Drummond de Andrade. (RODRIGUES, 2011).

O poeta itabirano, no ano de 1924, conheceu e tornou-se amigo de Ciro dos Anjos, Abgar Renault, Emílio Moura e Pedro Nava, precursores do Modernismo em Minas Gerais. Logo em seguida, no mesmo ano, conheceu Oswald de Andrade, Mário de Andrade e Tarsila do Amaral, precursores do Modernismo no Brasil. (BALLESTEROS, 2014, p.14)

O humor irônico drumondiano nasceu em 1925, em publicações feitas na Na Revista, fundada e criada por Drummond e seus amigos Emílio Moura e Pedro Nava. Mais adiante, Drummond publica na revista Antropofagia o poema “No meio do caminho”, que foi alvo de críticas no meio literário.

Drummond, durante a sua fase modernista, escreveu alguns livros de poesia que são símbolos de sua trajetória poética, estes são: Alguma Poesia (1930), Brejo das Almas (1934) e Sentimento do Mundo (1940). Segundo Ballesteros que cita Merquior:

Num esboço autobiográfico encomendado pela Revista Acadêmica, Drummond nos dá uma interpretação sucinta de sua evolução lírica até Sentimento do mundo. Segundo ele, Alguma poesia traduz uma “deleitação ingênua” no tocante do indivíduo; em Brejo das almas o individualismo se exacerba, mas ao mesmo tempo é submetido a uma visão crítica; enfim, Sentimento do mundo resolve as “contradições elementares” da poesia drumondiana. (MERQUIOR, 2014, p.15 apud BALLESTEROS, 2012, p. 82).

Drummond é considerado o maior poeta de seu tempo, devido ao fato de possuir algumas características de escrita únicas. Primeiramente, só há um poeta que trabalhou com temas infinitos, e esse poeta foi Drummond. Em sua obra literária falou sobre todos os assuntos possíveis. Além disso, Drummond transmite humor em seus poemas, um humor irônico, humor da vida, do cotidiano. Ele também trabalha com temáticas sociais e a metalinguagem (poesia que fala sobre poesia). (COSTA, 2014)

Outra característica encontrada nos poemas de Drummond é o existencialismo, assunto pertinente a este trabalho e que será comentado com maior destaque no decorrer desta síntese.

4.1 O existencialismo poético drummondiano

O existencialismo foi uma corrente filosófica que nasceu no século XIX com base nas teorias do filósofo dinamarquês Soren Kierkegaard (1813-1855). O auge do pensamento desta teoria surgiu anos depois com o francês Jean Paul Sartre3 (1905-1980). Sartre interpreta o existencialismo como algo que declara que toda verdade e toda ação implicam um meio e uma subjetividade humana, além de ser uma doutrina que torna a vida humana possível. Segundo Isaias Sczuk (2015) “a maior parte das pessoas que utilizam o termo “Existencialismo” ficariam bem embaraçadas se tivessem que explicá-lo, pois essa palavra tinha assumido uma tal amplitude e extensão que já não significava absolutamente nada”.

Assim, esta corrente filosófica fala do homem como alguém que se projeta ser e não existe antes desse projeto, ou seja, o que importa primeiramente é que o homem surge no mundo (existe) e só depois se define (essência). É a existência que precede a essência. Pois, se o homem nasce do nada, sem essência, o que lhe resta é a liberdade para construir os significados de sua vida. Segundo Sartre:

Eu quero aderir a um partido, escrever um livro, casar-me, tudo isso são manifestações de uma escolha mais original, mais espontânea do que aquilo que chamamos de vontade. Porém, se realmente a existência precede a essência, o homem é responsável pelo que é. Desse modo, o primeiro passo do Existencialismo é o de pôr todo homem na posse do que ele é de submetê-lo à responsabilidade total de sua existência (SARTRE apud SCZUK, 1987:6).

Desta forma, ao entender a base filosófica do termo existencialismo, podemos entrar na dialética dos poemas de Drummond e captar como ele utilizava esse pensamento em suas palavras.

Os poemas que serão citados neste trabalho foram escritos em uma época em que o mundo vivia diante de uma transição de guerras, uma era conflituosa em que o medo era evidente nos olhares humanos. Drummond descreve em seus poemas a confusão mental e emocional que a sociedade enfrentava, o estar no mundo sem saber o porquê e para quê. Os poemas escolhidos para exemplificar todo esse caos existencial foram: “Quadrilha”, “Poema de Sete Faces”, “Memória” e “José”. Começando pelo poema “Quadrilha” (1930) (anexo 1, em anexos), Drummond escreve:

João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história.
(ANDRADE, 2013)

Este poema retrata um fechamento de ciclos e mostra como o amor é algo que se desfaz. No momento em que Drummond fala que “João amava Teresa, que amava Raimundo (...) que amava Lili que não amava ninguém”, ele fala sobre uma série natural da vida, amamos quem não nos ama. O poema reflete também sobre o fato de as pessoas não estarem preparadas para os momentos satíricos que a vida promete e aceitar que tudo faz parte de um circuito que no fim se desfaz para dar início a outro (COSTA, 2014). Segundo Barbalho:

A busca pela essência do relacionamento amoroso acabado, cheio de sentimentos, às vezes é feito por contradições e frustrações, a luta entre o definitivo e o passageiro, não destitui o amor, pois é o sentimento único que pode fazer com que o homem atinja o absoluto. A contradição é que, às vezes, o amor é a frustração da própria vida, como é o caso dos personagens do poema. (BARBALHO, 2012)

O “Poema de Sete Faces” (1930) (anexo 2, em anexos) é considerado como o mais existencialista já escrito por Drummond, como é possível ver neste trecho:

Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.
(...)
Mundo mundo vasto mundo
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.
(ANDRADE, 2013)

Aqui Drummond reflete sobre a vida de um homem que desde seu nascimento já é um gauche4, um homem que já nasce sem enxergar a possibilidade de se tornar alguém. É um eu lírico que tem em seu coração questionamentos sobre a vida, mas não as transparece, pois não há respostas. Mesmo se ele fosse outro e possuísse outro nome, isso não seria uma solução para a sua solidão, pois seu coração já é vasto. O existencialismo está presente desde o início do poema, pois o homem que descreve suas emoções não entende por que se sente desta forma, vive um dia de cada vez sem saber para onde vai (COSTA, 2014).

Dá para entrever Drummond, no que se refere ao momento histórico em que se situa o Poema de Sete Faces, como um poeta conflituado com o mundo, buscando na própria dialética existencial a explicação do sem-sentido da vida. Seu drama começa ao ser lançado nas adversidades do mundo sob as ordens de um “anjo torto”: anjo que representa as desarmonias entre o poeta gauche e o mundo. Para o gauche visualista, o mundo é um espetáculo que passa, assim como o bonde citado no poema, à revelia de qualquer indagação ou explicação. (PASSEI WEB, 2015)

Já no poema “Memória” (anexo 3, em anexos) , o existencialismo está no vazio que cada um tem dentro de si, segundo Drummond:

Amar o perdido
deixa confundido
este coração.
(...)
Mas as coisas findas,
muito mais que lindas,
essas ficarão.
(ANDRADE, 2012)

As palavras de Drummond dizem que o desejo por algo se torna insigificante à partir do momento em que o propósito é alcançado, e que o amor é também algo que se perde. O vazio existencial está presente neste poema em todos os momentos, já que mostra que o eu lírico não consegue se contentar com o que já possui e está sempre à procura de preencher sua imensa carência com algo novo, mas que logo se tornára fútil novamente, seguindo sempre o mesmo fluxo de um ciclo que não tem fim. Esse é um reflexo da sociedade (COSTA, 2014).

O poema “José” (anexo 4, em anexos) é o último com abordagem existencialista a ser estudado neste artigo, segundo Drummond:

E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, você?
você que é sem nome,
que zomba dos outros,
você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, José? (...)
(ANDRADE, 2001)

Neste poema entende-se José como todas as pessoas; é uma reflexão sobre o que fazer diante da solidão. José é um eu lírico que permanece vivo perante os obstáculos que atravancam seu caminho, mas é um homem que não faz nada para sair dessa situação. O poema trata da forma com que as pessoas se colocam perante a sociedade e em como elas não conseguem sair do lugar para mudar o seu destino. José é um homem que apesar de viver com dificuldade, ainda tem a força para seguir em frente.

José não dorme, não cansa, não morre, ele é duro, apenas segue. Sua dureza é o que existe e tudo mais é o “nada” no qual ele se funde. Chama-se atenção para o caráter construtivo que o Existencialismo dá à categoria “nada”, ele é o inexistente, mas traz em si o por fazer. (PASSEI WEB, 2015)

5. A MODA NA DÉCADA DE 1920

A década de 1920 foi marcada por fatos sociais, artísticos e políticos que apressaram a mudança do ritmo de vida das mulheres. Por ser um período de pós-guerra, a taxa de mortalidade de homens jovens foi grande, o que causou uma certa instabilidade populacional. Assim, as mulheres se emanciparam socialmente e tiveram uma grande importância para continuar gerando movimento para o mercado de trabalho. Além disso, as mulheres conquistaram o direito ao voto e adotaram hábitos que outrora eram masculinos (FOGG, 2013). Segundo Paz:

O papel da mulher, nesse contexto, transforma-se. Se antes se restringia às posições de esposa, mãe e mantenedora do lar, agora, uma vez que o Estado absorve suas principais atividades, é responsável pela “modernização da vida, pela adaptação da família aos novos costumes e pelo desenvolvimento do consumo [...]. (PAZ, 2011, p. 12)

Essa era da velocidade unida ao novo estilo ativo das mulheres exigiu a criação de roupas que permitissem liberdade de movimento. O chemise, vestido largo e tubular, redefiniu o guarda-roupa feminino (Fig. 1, anexos). Com esse novo estilo de vestir, outras peças também começaram a se remodelar, a cintura caiu para a altura dos quadris e as saias desciam retas até no meio da canela (FOGG, 2013). Segundo Fogg, “variações incluíam saias plissadas ou com fendas para facilitar os movimentos.”

5.1 A influência modernista no guarda-roupa feminino e a correlação entre moda e literatura

O modernismo, como visto na primeira seção deste trabalho, foi um movimento que surgiu em contraponto à modernidade. Essa corrente artística, além de romper com tradições relacionadas ao meio da arte, da literatura e da música, também teve grande influência na reforma do guarda-roupa das mulheres dos anos 20. Segundo Paz:

(...) podemos aceder que o trabalho e o modo de agir dos modernistas não necessariamente inspirou uma geração inteira de mulheres a diminuir o comprimento de suas saias e vestir-se de maneira diferente. Mas sim que o ideal modernista representa a abertura de um precedente ideológico que permitiu à mulher certa experimentação vestal, legitimando mudanças e rupturas paradigmáticas no que tange à configuração da roupa feminina do século XX. (PAZ, 2011, p. 14)

Ou seja, o modernismo chegou com novas regras dando liberdade às mulheres de se vestirem de um jeito novo. Pode-se dizer que a moda e a arte não são dependentes uma da outra, mas que ambas fazem parte de algo superior, portanto são sujeitas a sofrerem alterações de fatores sociais, culturais, políticos, entre outros. (PAZ, 2011)

O modernismo veio como uma corrente que abriu espaço para outras culturas e ideologias, uma delas é a literatura, que também influencia e inspira de forma envolvente a criação de moda.

Segundo Salomon, “a moda pode ser encontrada no espaço literário de diversas formas e com diversas funções” (SALOMON, 2011, p. 99). Na literatura é possível encontrar a presença do vestuário associada a algum lugar, a algum indivíduo, entre outros. Uma das funções da indumentária em um texto literário é a de trazer uma espécie de verdade à personagem, pois o leitor tem a ilusão da existência daqueles acontecimentos ficcionais. Segundo Salomon:

Nesse sentido, o grande poder sinestésico da moda permite que ela seja muito útil à literatura. Sua capacidade de ser múltipla e de trazer sensações muitas vezes paradoxais é o que a torna uma grande ferramenta para a escrita literária. (SALOMON, 2011, p. 104)

Uma das referências que este artigo utilizará como exemplo de criação de moda a partir da literatura é o trabalho do estilista mineiro Ronaldo Fraga, que criou uma coleção para o Inverno 2005 inspirada no poeta Carlos Drummond de Andrade. Segundo Fraga, a coleção inspirada no poema “Todo Mundo e Ninguém”, “ é uma tentativa de diálogo com o tempo em que estamos vivendo. Como Drummond, quero falar de todo o tempo e não falar de tempo nenhum” (FRAGA, 2005). Para isso ele criou looks que uniam peças pertencentes a décadas distintas, como uma blusa dos anos 50 unida com uma calça dos anos 80 (Fig. 2 e Fig. 3, anexos). Segundo Ballesteros que cita Fraga:

Aquele homem comum que construía sua obra entre versos e prosas não deixava que detalhe algum passasse despercebido por seu fascínio pelas novas modas do homem contemporâneo, que vive e convive junto às frivolidades dos desejos humanos. Drummond parecia guiar-se por uma frase que se tornou célebre entre suas impressoões sobre a moda: “A moda é passageira, como as pessoas, mas ressuscita, e elas não.” (FRAGA, 2004, p. 32 apud BALLESTEROS, 2012, p. 45)

5.1.1 Inspiração da nova coleção da marca Ismo

Este trabalho tem a função de inspirar a marca Ismo para a criação de sua nova coleção de moda para o Inverno 2017. O Existencialismo da poética drummondiana se concretizará a partir das obras estudadas, a marca utilizará muita estamparia, tecidos plissados e crochê. Além disso, a modelagem reta estará presente nesta coleção para enfatizar a era de conflitos em que a sociedade vivia e a falta de mobilidade social que as pessoas enfrentavam.

Os Anos 20 estarão presentes nas peças com tecidos fluidos e delicadeza. As cores ficarão por conta da alegria modernista, da busca por liberdade e das visões de guerra que a sociedade assistia. A própria figura de Drummond estampará algumas peças da coleção, com suas caricaturas e suas frases mais que belas. As famílias da coleção (fig. 3, 4, 5, 6, 7 apêndice). serão dividas através dos momentos descritos por Drummond em seus poemas, bem como a fase em que ele passava. Serão quatro famílias no total, cada uma com sua característa, mas unidas em um objetivo, essas são: Era de Conflitos, família que irá trazer imagens da guerra traduzidas em estampas, cores e forma; Voo de Liberdade, família que traduz a vontade de ser livre, expressão muito utilizada por Drummond; Alegria Modernista, família que irá transmitir a visão artística dos anos 20; Retratos de um Movimento, família que estampará as faces dos principais artístas modernistas; e Drummond Persona Existencial, família que terá foco nas faces do poeta Carlos Drummond de Andrade.

6. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Carlos Drummond de Andrade, um poeta que pela ótica modernista descreveu com primor o espírito do tempo em que vivia: tempo de rupturas e de ascensão da moda.

Através de seus poemas, foi possível entender a relação da poética drummondiana com os dilemas da década de 1920. Drummond trazia um lirismo que continha sentimentos de solidão exacerbados por consequência de uma civilização amedrontada e fatídica. Ao adentrar nas teorias do existencialismo, descritas por Sartre, conseguimos captar nas entrelinhas das poesias um olhar sobre o mundo e uma não aceitação do destino.

O modernismo veio como um carnaval de novas ideias e novos modelos, evidenciando que naquele momento o país tinha uma nova regra – a não-regra, em que cada um tinha a liberdade de produzir o que lhe convinha, de criar uma arte sem origem.

Não obstante, a moda ganhou destaque em um momento em que as mulheres conquistaram direitos e começaram a sair de casa para fazer atividades que antes eram direcionadas aos homens; remodelaram suas vestes e adquiriram liberdade de movimento.

Nos poemas aqui analisados, Drummond descreveu o mundo como ele era através de sua visão. Mostrou que a liberdade de se apaixonar e se reapaixonar é algo comum do dia-a-dia e que a vida pertence a um ciclo que de repente se tranforma. Mostrou também que um homem em sua condição gauche tem muito a questionar, e fez um retrato de si através dos óculos e do bigode. Ele nos faz entender que, mesmo diante das dificuldades da vida, o homem há de permanecer forte. E não menos importante, nos faz crer que mesmo que tudo se acabe, as memórias mais belas estarão sempre presentes em nossas lembranças.

7. REFERÊNCIAS

ALAMBERT, Francisco. A semana de 22: a aventura modernista no Brasil. São Paulo: Scipione, 1998. 3ª ed.

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BALLESTEROS, Fabiana Alvim. Um poeta mapeado pela ótica da moda: referentes da linguagem de moda na poesia de Carlos Drummond de Andrade. 2014. Dissertação – Centro de Ensino Superior de Juiz de Fora, Juiz de Fora, 2014.

BARBALHO, Aparecida Mendes. Os (des) compassos do amor na quadrilha de Drummond. Cefapro Cáceres. Disponível em: <http://cefaprocaceres.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=826&Itemid=77<. Acesso em: 07 nov. 2015.

COSTA, Ibirá. Modernismo 2ª Fase – poesia moderna – Carlos Drummond de Andrade. 2014. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=ewA9UzzDBA4>. Acesso em 01 dez. 2015.

FOGG, Marnie. Tudo sobre moda. Rio de Janeiro: Sextante, 2013.

JARDIM, Eduardo. Mário de Andrade: Eu sou trezentos, vida e obra. Rio de Janeiro: Edições de Janeiro, 2015.

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MARNIE, Fogg. Tudo sobre moda. Rio de Janeiro: Sextante, 2013.

NICOLETE, Thaís. Poesia modernista: tudo pode servir de tema. Uol Educação. Disponível em: <http://educacao.uol.com.br/disciplinas/portugues/poesia-modernista-tudo-pode-servir-de-tema.htm>. Acesso em 08 nov. 2015.

PASSEI WEB. José ("E agora, José") - Poema, de Carlos Drummond de Andrade. Disponível em: <http://www.passeiweb.com/na_ponta_lingua/livros/resumos_comentarios/j/jose_poema_drummond>. Acesso em 07 nov. 2015.

PAZ, Augusto. O modernismo e a moda feminina nos anos 1920. Iara – revista de moda, cultura e arte, volume 4, número 2, dezembro, 2011.

QUADROS, Mariana. Drummond, testemunho da experiência humana. Projeto Memória. Disponível em: <http://www.projetomemoria.art.br/drummond/>. Acesso em: 23 set. 2015.

RODRIGUES, Roberto Geraldo. Uma viagem pela poética de Carlos Drummond de Andrade, (re)tratando a marcante presença de Itabira em sua obra. 2011. Dissertação – Universidade Federal do Espírito Santo, Vitória, 2011.

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8. APÊNDICE

FIGURA 1 – O EXTERIOR DO MEMORIAL CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE


(Fonte: acervo pessoal)

FIGURA 2 – O INTERIOR DO MEMORIAL CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE


(Fonte: acervo pessoal)

FIGURA 3 – PAINEL DE INSPIRAÇÃO FAMÍLIA ERA DE CONFLITOS


(Fonte: Imagens retiradas do Pinterest. Disponível em: https://www.pinterest.com/. Acesso em 27 fev. 2016)

FIGURA 4 – PAINEL DE INSPIRAÇÃO FAMÍLIA VOO DE LIBERDADE


(Fonte: Imagens retiradas do Pinterest. Disponível em: https://www.pinterest.com/. Acesso em 27 fev. 2016)

FIGURA 5 – PAINEL DE INSPIRAÇÃO FAMÍLIA ALEGRIA MODERNISTA


(Fonte: Imagens retiradas do Pinterest. Disponível em: https://www.pinterest.com/. Acesso em 27 fev. 2016)

FIGURA 6 – PAINEL DE INSPIRAÇÃO FAMÍLIA RETRATOS DE UM MOVIMENTO


(Fonte: Imagens retiradas do Pinterest. Disponível em: https://www.pinterest.com/. Acesso em 27 fev. 2016)

FIGURA 7 – PAINEL DE INSPIRAÇÃO FAMÍLIA DRUMMOND PERSONA EXISTENCIAL


(Fonte: Imagens retiradas do Pinterest. Disponível em: https://www.pinterest.com/. Acesso em 27 fev. 2016)

9. ANEXOS

ANEXO 1 – POEMA “QUADRILHA”

Quadrilha
Carlos Drummond de Andrade

João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para o Estados Unidos, Teresa para o 
convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto
Fernandes
que não tinha entrado na história.

(JORNAL DE POESIA. DISPONÍVEL EM: < http://www.jornaldepoesia.jor.br/drumm2.html>. ACESSO EM 03/12/15)

ANEXO 2 – “POEMA DE SETE FACES”

Poema de Sete Faces
Carlos Drummond de Andrade

Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.
 
As casas espiam os homens
que correm atrás de mulheres.
A tarde talvez fosse azul,
não houvesse tantos desejos.
 
O bonde passa cheio de pernas:
pernas brancas pretas amarelas.
Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração.
Porém meus olhos
não perguntam nada.
 
O homem atrás do bigode
é sério, simples e forte.
Quase não conversa.
Tem poucos, raros amigos
o homem atrás dos óculos e do bigode.
 
Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus
se sabias que eu era fraco.
 
Mundo mundo vasto mundo,
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.
 
Eu não devia te dizer
mas essa lua
mas esse conhaque
botam a gente comovido como o diabo.

(ALGUMA POESIA. DISPONÍVEL EM: < http://www.algumapoesia.com.br/drummond/drummond01.htm>. ACESSO EM 03/12/15)

ANEXO 3 – POEMA “MEMÓRIA”

Memória
Carlos Drummond de Andrade

Amar o perdido
deixa confundido
este coração.

Nada pode o olvido
contra o sem sentido
apelo do Não.

As coisas tangíveis
tornam-se insensíveis
à palma da mão.

Mas as coisas findas,
muito mais que lindas,
essas ficarão.

(LETRAS. DISPONÍVEL EM: https://letras.mus.br/carlos-drummond-de-andrade/818513/>. ACESSO EM 03/12/15)

ANEXO 4 – POEMA “JOSÉ”

José
Carlos Drummond de Andrade

E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, Você?
Você que é sem nome,
que zomba dos outros,
Você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, José?

Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?

E agora, José?
sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio, - e agora?

Com a chave na mão 
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?

Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse,
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse...
Mas você não morre,
você é duro, José!

Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja do galope,
você marcha, José!
José, para onde?

(JORNAL DE POESIA. DISPONÍVEL EM: <http://www.jornaldepoesia.jor.br/drumm2.html>. ACESSO EM 03/12/15)

FIGURA 1 – CHEMISE FEMININA NOS ANOS 1920


(PAINEL DO PINTEREST. DISPONÍVEL EM: <https://www.pinterest.com/red_evy/the-1920-s/>. ACESSO EM 08/11/15)

FIGURA 2 – COLEÇÃO RONALDO FRAGA INSPIRADA EM CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE


(FASHION FOWARD. DISPONÍVEL EM: <http://ffw.com.br/desfiles/sao-paulo/inverno-2005-rtw/ronaldo-fraga/2749/colecao/10/>. ACESSO EM 08/11/15)

FIGURA 3 – COLEÇÃO RONALDO FRAGA INSPIRADA EM CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE


(FASHION FOWARD. DISPONÍVEL EM: <http://ffw.com.br/desfiles/sao-paulo/inverno-2005-rtw/ronaldo-fraga/2749/colecao/40/>. ACESSO EM 08/11/15)

1 Marca de Moda criada pela aluna Júnnia Moreira.

2 Gauche: (gôx) adj (fr) Indivíduo tímido, incapaz, sem muita aptidão. (Fonte: Dicionário Informal. Disponível em: <http://www.dicionarioinformal.com.br/gauche/>. Acesso em 01 mar. 2016).

3 Jean Paul Sartre: filósofo francês, nasceu em Paris em 1905, e faleceu em 1980. Conhecido como o representante do existencialismo. (Fonte:Info Escola. Disponível em:<http://www.infoescola.com/biografias/jean-paul-sartre/>. Acesso em 21 set. 2015).

4 gauche(gôx) adj (fr) Indivíduo tímido, incapaz, sem muita aptidão. (Dicionário InFormal)


Publicado por: Júnnia Souza Santos Moreira

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