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Encenadores Curitibanos Contemporâneos

Arte e Cultura

Encenadores Curitibanos Contemporâneos, artes cências, a arte, encenação, Curitiba, artistas contemporâneos, artistas curitibanos, a importância das artes, artes visuais, artes cências, artes plásticas.

Sumário

Introdução 06
Encenadores, Autores, Questões 08
Premissas 09
As Entrevistas 11
Amauri Ernani 12
César Almeida 15
Edson Bueno 22
Fábio Silvestre 26
Fátima Ortiz 29
Fernando Kinas 34
Hugo Mengarelli 37
João Luiz Fiani 41
Marcelo Marchioro 44
Mauro Zanatta 55
Os Satyros 66
Sandra Pires 69
Conclusão 72
Bibliografia 76

Introdução

OS ENCENADORES E AUTORES CURITIBANOS CONTEMPORÂNEOS

 

A história do teatro paranaense começa a ser contada. Seja por simples dados técnicos ou pequenas biografias a nossa cena começa a cativar estudiosos em busca de um registro definitivo sobre o que se fez e se faz em nossos palcos. Se há estudiosos é porque ela começa a ser relevante em nossa sociedade. Mesmo que nossa natureza ainda não esteja totalmente posta em cena é importante saber que existimos.

Difícil ter uma fundamentação teórica sobre as preferências estéticas de nossos encenadores, pelo simples fato de que não existe literatura sobre o assunto. Mas também não havia esta fundamentação quando Théspis, que em pleno mercado ateniense, teve a idéia de colocar um traje, uma máscara e um coturno, subir em um carro e dizer em voz alta que era um deus. O primeiro ator formal inaugurou, naquele momento, o processo irreversível do teatro, com forma e conteúdo. Foi com o avanço do tempo que o teatro evoluiu. Novas formas de escrever uma história, de atuar, de montar um espetáculo. Novas histórias, novos temas. Surgem, então, teorias sobre estas formas e conteúdos. Insatisfeitos, os homens de teatro criam a vanguarda, mais teorias e novas formas, mas não novos conteúdos, pois o homem contínua dramático, delimitado entre a tragédia e a comédia. Inquietação, desejo de fazer, desejo de dizer alguma coisa, desejo de teatro. Já tivemos nosso começo, nossos “Théspis” já subiram nas carroças curitibanas. E a cena curitibana já não é mais criança, mas ainda não chegou a ser “gente grande”, uma adolescente confusa. Quem são nossos homens e mulheres de teatro? O que falam? O que querem? Quais suas inquietações? O teatro curitibano já tem sua pequena história, provinciana, mas tem sua história. Cabe agora, após sair de sua infância, saber o que faz e pensa o jovem teatro curitibano e o que quer ser quando crescer.

O presente trabalho deseja ser um registro sobre diversos temas e as posições dos principais encenadores curitibanos sobre elas. Delimitado também é sua localização, Curitiba, principal, felizmente não único, pólo de teatro do Paraná, por ser a capital do estado e conter o maior número de profissionais em artes cênicas, justifica esta delimitação.

Uma seleção de diretores e autores foi feita com o intuito de registrar suas influências estéticas, seja na preparação dos atores, a encenação em si, a escolha de uma determinada dramaturgia ou mesmo a criação de um texto original para suas montagens. Suas opiniões sobre a atual cena e o que pode ser feito para melhorá-la. O critério para esta escolha foi a quantidade e a qualidade das obras produzidas nos últimos onze anos. Os escolhidos abrem freqüentemente nossas cortinas. Merecem não só entrarem para a nossa dionisíaca história mas também servir de objeto de estudo para futuros diretores, atores e autores de nosso jovem teatro.

Sobre a delimitação do tempo. Segundo o livro de Marta Moraes, “Contracena”, nosso teatro teve turbulências políticas até o final dos anos oitenta. Os problemas de montagem, local para apresentação, divulgação e a famigerada autofagia curitibana eram entraves pertinentes, que influenciavam diretamente a cena local. Havia pouco estímulo para se fazer teatro em Curitiba. A questão estética era uma preocupação menor. O teatro da capital vivia do talento, criatividade, coragem, paixão e teimosia de obstinados “Théspis” da cidade. A luta da classe artística durante os anos oitenta, passando pela ditadura militar e as crises econômicas, conseguiram preparar um terreno fértil para um futuro que temia não existir. Heróica, e também relevante manifestação, é a criação do CPT – Curso Permanente de Teatro. Que é considerado por muitos como a melhor escola para a formação de técnicos e artistas que houve em nossa cidade. Este curso era mantido, primeiramente, pelo Teatro Guaíra, que mais tarde passou para a Pontifícia Universidade Católica do Paraná e depois, descartado da PUC, foi jogado para a Faculdade de Artes do Paraná. Sofrendo até hoje os pertinentes problemas da educação. Mas esta, embora relevante, já é outra história.

Claro que alguns destes problemas continuam. Alguns se resolveram, outros aumentaram. A autofagia continua, mas agora com dentes menos afiados. Houve uma profissionalização das diversas funções dos que trabalham e sobrevivem do teatro. Gente de dentro foi estudar lá fora. Gente de fora escolheu a cidade para aplicar seu talento e novos conhecimentos. Sem dúvida a década de noventa é um marco. Passamos a ser vistos e estudados.

O ponto cronológico deste trabalho inicia-se no ano de 1989 com a reativação do TCP – Teatro de Comédia do Paraná – e a montagem de “Othelo”, de William Shakespeare com direção de montagem de Fátima Ortiz. Há uma reação acontecendo na época e os problemas políticos, embora ainda existam, saem da luz para deixar o ator tomar o seu lugar. A década de noventa é muito significativa para o teatro curitibano e paranaense. Não só pela reativação do TCP mas também pelo advento da Lei de Incentivo a Cultura, a quantidade e a qualidade de espetáculos encenados escreve uma nova página para o teatro paranaense.

Encenadores, Autores, Questões

As questões levantadas aos encenadores foram feitas em forma de entrevistas ao vivo com gravador ou via Internet, que depois foram transcritas para o papel. Há, aqui, uma coincidência com o tipo de trabalho realizado por Marta Moraes e Ignácio Dotto Neto: seus livros foram lidos depois de me definir por entrevista gravada e transcrita. Embora parecidos, este trabalho é mais específico sobre o tema encenação e dramaturgia, foge, portanto, de uma historicidade, Já bem feitos nas duas obras citadas.

Foi elaborada uma lista de perguntas, comum a todos os entrevistados. Porém, levando em conta o trabalho realizado por cada diretor e autor, algumas questões específicas tornam-se necessárias. As questões básicas são as seguintes:

 

· Nome – Questão biográfica;

· Local e Ano de nascimento – idem;

· Formação – idem;

· Quem o influenciou esteticamente - Preparação de Atores

Encenação

Dramaturgia;

· Que intenções têm ao escrever ou montar uma peça em relação ao espectador – estética do receptor

· Como avalia a recepção do seu público (Experiência estética);

· Sobre dramaturgia paranaense, qual a sua opinião;

· A catarse em seu trabalho;

· Que avaliação faz da situação atual do teatro curitibano;

· Que perspectiva tem para o futuro de nosso teatro;

· O que poderia aumentar o número de espectadores em nossas salas.

· Específicas: Teatro comercial, teatro em série, teatro só para diversão, autofagia...

A lista dos encenadores foi selecionada por um motivo bem simples, a relevância e a qualidade do trabalho realizados no período. Alguns nomes podem fazer uma lacuna nesta lista, mas penso mais em uma amostra dos encenadores, que felizmente é diversificada, com estéticas variadas, sendo seus criadores quase sempre fiéis às suas escolhas. Alguns, portanto, tem trabalho parecido, como por exemplo, Fátima Ortiz e Regina Vogue, João Luiz Fiani e Geovanni Cesconeto (embora Cesconeto trabalhe exclusivamente com teatro infantil clássico e João Luís com um teatro mais adulto e diversificado.)

Sobre nossa dramaturgia. São poucas as obras teatrais que foram escritas sobre nossa cidade ou país. Nossos homens e mulheres de teatro escrevem suas próprias peças. Alguns falam da cidade, outros do Brasil, outros sobre temas diversos. Teremos no decorrer do trabalho os “porquês” destas escolhas. Qual o motivo e sua relevância. Quais obras importantes e originais são consideradas pela própria classe de entrevistados.

Veremos algo interessante. Antes mesmo de chegar a uma conclusão podemos observar que temos talentos de peso: atores, diretores e autores. Homens e mulheres de teatro, que muito fazem e pouco aparecem.

Outra questão pertinente, e perigosa, é nossa famigerada autofagia. Ela existe ou é só um mito? Onde entra a qualidade do trabalho, tanto no texto como na produção e na apresentação do trabalho. E a divulgação? E a mídia? Questões importantes. Nossa gente de teatro responde, dá sua opinião, ou omissão.

Premissas

Sobre estética. Patrice Pavis, em seu item estético teatral:

A estética (ou a poética) teatral formula as leis de composição e de funcionamento do texto e da cena. Ela integra o sistema teatral num conjunto mais amplo: gênero, teoria da literatura, sistema das belas-artes, categoria teatral ou dramática, teoria do belo, filosofia do conhecimento. [1]

Definição coerente, acadêmica. Leva a cada encenador a dar asas a sua liberdade de escolha. Procurar o que melhor lhe convém, o que melhor se adapte ao seu modo de ver o mundo teatral. E as opções não são poucas:

Na Grécia, berço do teatro formal. Théspis nos mostra que o ritual não é só religioso, mas espetacular. Esquilo, Sófocles, Eurípedes e Aristófanes nos ensinam a escrever texto para teatro. Temos o rigor do texto, da forma, temos a primeira estética teatral com o filósofo Aristóteles. A tragédia e a comédia como base de toda dramaturgia procedente. Dos romanos, a comédia se misturava com corrida de bigas e lutas corporais. Entretenimento é a palavra. Embora um pequeno grupo de romanos salvaram o império romano de uma total decadência do legado grego que tanto os influenciaram, Plauto, Terêncio e Sêneca, além dos tradutores Lívio e Névio. Da obscura Idade Média, onde o teatro fora proibido pela igreja, Deus se “vinga” dos religiosos, que descobriram mais tarde que o teatro pode ser um instrumento para catequização da plebe européia. Na Renascença, Deus gostou da brincadeira e brincou de Shakespeare. Se os gregos nos deram as primeiras lições sobre como escrever, William faz uma grande melhoria contínua na dramaturgia. A Commedia dell’arte surge como grande expressão de teatro popular, alegre e poético, mambembe, indo aonde o povo está. A expressão corporal, gestual e verbal são valorizados. A produção é simples e criativa. No meio de tantas inovações, a mais curiosa, a presença feminina em cena, que desde os gregos era proibida. Quem disse que eles eram perfeitos?

E o tempo foi passando. Chegaram os românticos, os realistas, os naturalistas, os simbolistas. A bola de neve do mundo teatral ganhou volume. Alguém tinha que organizar toda esta história. Nomes foram surgindo, surgindo e escrevendo sobre o fazer teatral. Um deles tornou-se o norte do teatro ocidental, Constantin Stanislavski e seu famoso método, que busca despertar a inspiração do ator pela razão e pela consciência. Um teatro com uma interpretação mais psicológica e mais próxima de uma realidade. Sua influência é tão grande no século XX que suas idéias saíram dos palcos e foram para o cinema e para a televisão. A partir dele surgiram Meierhold com a teoria da biomecânica. Erwin Piscator foi o multimídia de seu tempo. Gordon Graig, radical, queria um teatro onde o ator fosse uma “supermarionete”. Adolph Appia repensou toda a cenografia, trabalhando elementos abstratos e dando um novo enfoque a cor e a luz. Bertolt Brecht revolucionou não só uma forma de interpretação, mas toda a estética teatral e principalmente devolveu uma visão importante para o teatro: sua função social. O teatro como arma para uma transformação mais profunda e íntegra com a sociedade. Antonin Artaud, no seu Teatro da Crueldade, preocupou-se com o lado mais psíquico. Segundo suas teorias a crueldade era necessária como prova de sinceridade numa comunicação como o espectador. Jerzy Grotowski queria um teatro mais sintético em suas formas. Elaborou o Teatro Pobre, onde ator e público voltam a ser a essência do teatro, sem efeitos visuais ou sonoros, cenários e figurino, só a comunicação ator-espectador. Samuel Beckett, Eugene Ionesco e outros “Absurdos” trazem um teatro com uma forma bem diferenciada, profunda e filosófica. E para o final do século XX temos Peter Brook, Dario Fo, Pina Bausch e outros tantos nomes que transformam o mundo teatral em um universo, vasto, com inúmeras constelações a serem contempladas e executadas. Há estrelas para todos. Em nossa Curitiba temos representantes diversos desta constelação. Vamos saber quem são e como usam estas influências.

As Entrevistas

Houve duas formas de coleta de dados: ao vivo, com uso de um gravador e via correio eletrônico. Cada encenador, durante o primeiro contato, escolhia a melhor forma de se expressar, levando em consideração sua disponibilidade, ou melhor, opção para as respostas. Por coincidência todos estavam em processo de trabalho, variando assim, o tempo de entrevista de diretor para diretor. Isto influenciou a profundidade de resposta, bem como seu conteúdo.

Naturalmente que as entrevistas ao vivo resultaram mais naturais e esclarecedoras. Enquanto as enviadas pela Internet tiveram um aspecto mais formal e econômico. A ausência do entrevistador não possibilitou um questionamento mais profundo sobre alguns temas.

Infelizmente alguns diretores, devido às atribulações de seus trabalhos, não puderam enviar suas questões em tempo hábil, deixando assim, de enriquecer ainda mais este trabalho.

A coleta de dados ocorreu no período de abril a junho de 2001.[2]

AMAURI ERNANI

(Dirigiu, entre outras obras: A Casa que Pingava Sangue; O$ Vendilhões$ do Templo; Uma Estrela me Contou... História da Arte para Crianças)

Nome completo, local e data de nascimento:
Amauri Ernani Vieira, nasci em Curitiba em 31 de março de 1970.

Formação:
Terceiro grau incompleto (Letras). Ator profissional formado pelo Colégio Estadual do Paraná e autodidata em direção e dramaturgia.

Preparação de atores:
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Publicado por: Laudemir Baranhiuki

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