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A utilização do mangá no âmbito da ilustração na cultura jovem brasileira

Arte e Cultura

Como as histórias em quadrinhos japonesas (mangás) podem influenciar no comportamento dos jovens, de dez a trinta anos, no Brasil.

índice

1. RESUMO

O projeto de pesquisa visa mostrar como as histórias em quadrinhos japonesas (mangás) podem influenciar no comportamento dos jovens, de dez a trinta anos, em outros países, especificamente o Brasil, e em Salvador, ao ponto de formar um novo estilo e subcultura. Sabendo que, a quantidade de eventos voltados à cultura japonesa e o consumo em relação aos produtos da mesma vem crescendo, fez-se necessário observar e analisar qual a sua causa e como surgiram as primeiras publicações no Brasil, até atualmente. Diante da pesquisa, observou-se que esse novo estilo não está ligado apenas à arte e leitura de quadrinhos, mas que, também, mistura-se a forma do jovem de interagir e se expressar.

PALAVRAS CHAVE: mangá, subcultura, quadrinhos, estilo, jovem.

2. INTRODUÇÃO

Os mangás, quadrinhos japoneses, são famosos em diversos países, inclusive no Brasil. Sua leitura tem aumentado com o passar dos anos, e a admiração pelos mesmos tem atraídos jovens e adultos, entre dez e trinta anos. Segundo a publicação (O mangá no Brasil – TESE PUC, Pag.19), a definição de mangá significa:

rabiscos descompromissados, ou ainda imagens. involuntárias, expressão que reflete muito bem o caráter gráfico de formas sintéticas, caricaturizadas e muitas vezes espontâneas presente no mangá desde sua pré-história. O termo se originou com o trabalho do artista de ukiyo-e (escritura do mundo flutuante) Katsushika Hokusai, que criou o Hokusai Manga, uma série de livros com ilustrações em 15 volumes de 1814 a 1878”

Diante da explicação, podemos passar a formular hipóteses do porque os quadrinhos estarem sendo tão populares entre os jovens. O descompromisso, a liberdade que o mangá proporciona, pode se tornar atrativa nessa fase de descobertas que o adolescente ultrapassa, na necessidade de se formar uma identidade, participar de tribos e afins.

A fim de observar as principais motivações encontradas no mangá, foi feita a pesquisa baseada em dados, entrevistas, e fontes que nos ajudam a calcular e a refletir sobre como a história em quadrinhos tem papel importante na vida e na formação do jovem brasileiro. É necessário que saibamos sua origem, história e influencia, para que possamos comparar as suas mudanças e poder nos tempos atuais.

2.1 O mangá e a influencia no jovem Brasileiro

Segundo a tese (O mangá no Brasil, pag 36) o mangá chegou ao solo brasileiro nas primeiras décadas do século XX, preservando a identidade cultural do imigrante japonês e a manter um contato atual com a sociedade japonesa e suas mudanças. Com o tempo, foram surgindo em São Paulo, no bairro oriental da Liberdade, sebos que vendiam publicações japonesas, incluindo as revistas em quadrinhos, mangás.

Em 1984, surgiu à fundação da Abrademi, a Associação Brasileira de Desenhistas de Mangá e Ilustrações, que se originou na década de 1970 na cadeira de Histórias em Quadrinhos da Escola de Comunicação e Artes da USP numa fusão com a Associação dos Amigos de Mangá. Existiram, tempos depois, diversas associações de apreciadores e quadrinhos criados por fãs (fanzines), que imitavam a linguagem gráfica do mangá japonês. Porém, sua força consolidou-se através da televisão, com os chamados “animes” – Definição de desenhos japoneses – que foram exibidos no Brasil, através da Rede Manchete e Bandeirantes.

Em 1994, ia ao ar pela primeira vez o animê “Cavaleiros do Zodíaco”, que rapidamente se tornou fenômeno de público e vendas, tendo sido acompanhado por uma fortíssima campanha de marketing. O desenho foi o ponto focal para solidificar no Brasil a presença e o gosto pelo animê e pelo mangá. Some-se a isso o período propício da economia brasileira e o surgimento da internet no Brasil, como principal veiculadora de informações para os fãs brasileiros. O desenho foi extremamente privilegiado por uma ferrenha campanha de marketing e inúmeros produtos licenciados chegaram ao Brasil através da empresa japonesa de brinquedos, produtora de animação e detentora dos direitos da animação, a Bandai. O Brasil estava no início do Plano Real, idealizado pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso, e a situação econômica do país em termos de importações e exportações eram propícios para a chegada de muito material estrangeiro importado, além disso, o consumo da população brasileira aumentou consideravelmente, especialmente no setor de lazer e indústria cultural. “

(O mangá no Brasil, pag 40)

Graças ao sucesso do desenho na televisão, o interesse entre o público jovem aumentou e a necessidade de achar outros materiais referentes, também. Assim, surgiram às primeiras revistas brasileiras especializadas no assunto, entre elas Herói, Animax, Anime Dô, que publicavam matérias sobre o que se passava na televisão e traziam notícias sobre as novidades do próprio mercado de animes japonesas. Foi através dessas publicações nacionais que a grande parte do público infanto-juvenil a quem essas revistas eram destinadas descobriu que todos os desenhos animados que eles acompanhavam na televisão tinham sua origem em histórias em quadrinhos japonesas. Diante disso, abriram-se portas para que os mangás fossem comercializados no país.

Em 2001, a editora JBC e Conrad passaram a publicar séries originais de mangá traduzidas para o português. Nessa mesma época, a qualidade das histórias em quadrinhos americanas da Marvel e DC comics, estava caindo, deixando espaço para a entrada de material novo. Atualmente pode-se dizer que os mangás e HQ’s, disputam a preferência dos jovens, vencendo o que antes era hegemonia no mercado Brasileiro, com índices nas vendas de mangás subindo a cada ano.

Após o mangá ser comercializado e atingir um público consideravelmente grande e sólido, houve a necessidade entre os jovens de trocar informações, interagir, etc. Diante disso passaram a surgir encontros entre eles e a iniciar uma série de eventos, que algum tempo depois estaria presente em todo o Brasil. O maior evento realizado se tratando de mangás, animes e cultura japonesa em geral, é em São Paulo, com o AnimeFriends, onde jovens também podem se fantasiar de seus personagens favoritos, chamados cosplays – ato de se fantasiar. E cosplayers – pessoas que se fantasiam.

Um outro dado importante e positivo com respeito à incorporação do mangá ao repertório visual infanto-juvenil brasileiro é o maior desenvolvimento, crescimento e aprimoramento deste, dada a natureza da narrativa visual do mangá. O contato da criança com os mais variados sistemas visuais permitirá que seu vocabulário visual se desenvolva exponencialmente e lhe oferecerá mais ferramentas para explorar e compreender o mundo à sua volta.” (O mangá no Brasil, pag 46)

Os jovens ao terem contato com a ilustração japonesa puderam conhecer novas culturas e sair do habitual. É importante para a formação de crianças e adolescentes expandir a criatividade e interação. Ao formar grupos, eles sem sentem inclusos em um sistema social, onde podem compartilhar dos mesmos gostos e ideias. Nesse caso, usando a arte como ponto em comum.

Neste contexto de crescimento e popularização do mangá e da cultura japonesa, surge grupos de pessoas que se dedicam a esta nova sub-cultura. Existe uma “nação” paralela a sua, onde pessoas vivenciam uma outra cultura, se vestem com outras roupas e até falam diferente, só que dentro do seu país. A globalização da cultura pop japonesa criou no Brasil os “otakus”. O termo é utilizado para pessoas que gostam de anime, mangá, cosplay e mais algumas outras coisas da cultura japonesa

2.2 Artistas Brasileiros

O mangá também expandiu um novo conceito em quadrinhos no Brasil, através dos artistas nativos e/ou descendentes de japoneses. Alguns deles representam grandes nomes no cenário do quadrinho nacional como é o caso de Júlio Shimamoto que faz parte dos clássicos brasileiros do gênero terror juntamente com Colonese, Nico Rosso e Gedeone na década de 1950. Fernando Ikoma publica o livro “A técnica universal das histórias em quadrinhos, uma obra ilustrada na qual se dedica a ensinar as técnicas de desenhos e destaca 22 páginas para falar da “técnica japonesa” no final da década de 1960 e início de 70, segundo o artigo (Mangá : Ascensão da cultura visual moderna japonesa no Brasil , Pag.07).

Paulo Fukue, Kimio Shimizu também fazem parte desta galeria além de Pedro Anísio, não descendente, com o personagem O Judoka, “personagem nacional que a Editora EBAL lança há vários números com sucesso, ele é totalmente feito no Brasil e seus desenhistas se alternam de número em número. A história vem geralmente assinada por Pedro Anísio” (IKOMA,1970, p.40). Na década de 1960 a Editora Edrel de São Paulo entra no mercado de HQ com histórias diferenciadas já explorando naquela época o tema de samurais e ninjas. Também na década de 1970 surge a primeira pesquisa sobre mangá no Brasil na revista Quadreca, órgão laboratorial da cadeira de Histórias em Quadrinhos da ECA/USP: “O fantástico e desconhecido mundo das HQ japonesas

Neste período criou-se a primeira mangateca , acervo de revistas de mangá no Museu de Imprensa Júlio de Mesquita Filho, uma das primeiras gibitecas do país e nasceu a Associação dos Amigos do Mangá. Posteriormente fazendo fusão com a comissão de exposição de quadrinhos da Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa.

2.3 Cultura pop japonesa e internet

Através do mangá, os jovens também se interessaram pela cultura pop em geral do Japão. Entre elas a música, culinária, vestimentas, videogames, festivais e até a procura pelo aprendizado da língua e escrita japonesa. Pessoas que tem apreciação forte pelos costumes japoneses e mangá, são geralmente definidos como “Otakus”, porém, os termos podem ter diversas interpretações a depender do local em que se vive. No Brasil, apenas trata-se de um indivíduo que tem consciência da origem do que consome e que geralmente entende aspectos culturais nipônicos específicos. Entretanto, no Japão, ser designado como tal é ofensivo, devido ao caráter pejorativo que a palavra carrega. De acordo com Alexandre Nagado, em 1983 o jornalista japonês, Akio Nakamori, teria criado o termo: Otaku, na concepção original de Nakamori, é um indivíduo que vive ‘fechado em um casulo’, isolado do mundo real e dedicado a um hobby. Em outras palavras, para os japoneses é o mesmo que ser chamado de antissocial e, deveras, bizarro. De uma forma ou outra, no Brasil, o termo virou um objeto de identificação entre eles, porém sem o aspecto negativo que os japoneses carregam, também devido ao brasileiro ser culturamente mais comunicativo. Porém, mesmo que raramente, podem-se achar “otakus” com as características que o termo emprega no Japão.

Alguns títulos japoneses não chegam ao Brasil, e para se manter informados, muitos recorrem a internet. Em sites especializados que disponibilizam animes legendados, mangás traduzidos, músicas e qualquer outro tipo de material proveniente da cultura pop japonesa.

Sabe-se que a mídia tem papel fundamental na formação de uma sociedade, assim como na construção da personalidade de um indivíduo. A penetração da cultura pop japonesa é um dos exemplos do que acontece atualmente no que tange às mídias. Mais ainda, a internet entra nesse cenário para maximizar em potência elevada esse fenômeno. “(A cultura pop japonesa no contexto da cibercultura, Pag.09)

Todavia, o que chama atenção nesse processo todo não é tanto a facilidade ou a rapidez com que os bens culturais nipônicos circulam pelo ciberespaço, mas a nova experiência cultural que se insere através dele, mais do que um grupo de fãs, de um nicho específico, os otakus ocidentais são exemplos da nova sociedade que vem se formando com o desenvolvimento tecnológico, tanto em termos comunicacionais, como culturais.

Na modernidade, isso é um papel imprescindível, principalmente tratando-se do público jovem. O mangá consegue atender a essa demanda atual, por isso, talvez esteja crescendo no consumo da juventude Brasileira. Temas atuais, e de fácil acesso para a massa.

2.4 Mangás e vendas no Brasil

Segundo o artigoMangá: o fenômeno comunicacional no Brasil”, as vendas de mangás no País, tem crescido consideravelmente através dos anos. Em setembro de 2007 foi possÌvel encontrar 105 tÌtulos de Mangás a venda nos site das editoras: Conrad, JBC, Panini e NewPOP. Em março de 2009 pulou para 135, ou seja, em 19 meses 30 novos tÌtulos surgiram no mercado.

Dos 82 tÌtulos restantes, 20 correspondem a volumes únicos e, os outros, a séries que já chegaram ao fim, mas continuam a venda. A média de preço das revistas varia de R$ 5,90 a R$ 12,90, no caso dos livros, o mais caro é de R$ 35. A Conrad (www.conradeditora.com.br) conta com 45 tÌtulos a venda, sendo 14 referentes a volumes únicos e 14, em andamento. Essa editora foi a primeira a publicar um Mangá· com leitura original (Dragon Ball). As tiragens são de 5 mil até 100 mil exemplares e as traduções feitas diretamente do japonês.

A editora JBC, maior editora de mangás do Brasil, disponibiliza 42 a venda, dos quais apenas um é volume único e 16 estão em andamento. A média de tiragem È de 40 mil exemplares e os títulos também são traduzidos diretamente do japonês. A editora é pioneira em assinatura de Mangá, com FullMetal Alchemist, de Arakawa Hiromu. No site da empresa (www.editorajbc.com.br) é possível localizar informações não disponíveis em outras editoras. A JBC já teria vendido cerca de 1,2 milhões de Mangás (correspondentes a 18 títulos). Seus leitores são formados de ambos os sexos, das classes A e B, com idade de 12 a 25 anos, e se concentrariam em capitais e centros regionais, dos quais 55% correspondem ao sudeste.

Quanto a Panini (www.paninicomics.com.br), estão disponíveis a venda 44 tÌtulos dos quais 21 estão em andamento e 3 são volumes únicos. De 2007 para cá, lançou mais 18 histórias em quadrinhos. Em comparação com as outras empresas, é a que publica Mangás com mais páginas, grande parte chega quase a 200 ou passa desse n˙mero, além de também oferecer assinatura.

Ja a editora NewPOP (www.newpop-editora.com.br), fundada em 2007, publicou apenas 4 títulos desde sua criação, tendo sido 2 volumes únicos e 2 se encontram em lançamento.

Gusman (2005) aponta três vantagens que os Mangás possuem em relação às outras HQs. A primeira È que todas as histórias dos Mangás têm fim, independente do tempo que levarem para terminar. A outra vantagem é a relação desse mercado com o da TV e do cinema. Segundo o autor embora as versões nipônicas apresentem diferenças, não ocorre o mesmo. A terceira vantagem é que os personagens expressam um aspecto mais humano que os ocidentais, gerando empatia maior no leitor. Outro fator importante, segundo Sidney Gusman, È que o Mangá resgatou um público especifico no Brasil (entenda-se também no Ocidente) que estava sendo esquecido: As garotas.”

Os mangás, podem ser considerados, diante de tais números, o maior formador de leitores de quadrinhos do país. MaurÌcio de Souza somava três milhões de revistas mensais. Em 2007, caiu para um terço. Os super-heróis, que circulavam com até 150 mil exemplares por mês na década de 1980, sobrevivem com 20 mil, os títulos da Disney, como o Pato Donald, também não passam de 30 mil editares. Os Mangás, em contrapartida, estão superando-os: a Conrad com até 100 mil e a JBC com cerca de 40 mil.

Os números apresentados são impressionantes, se compararmos com a alta falta de interesse do brasileiro pela leitura e artes. Porém, o mangá consegue superar as dificuldades que acarretam na nossa educação e convidam cada vez mais jovens a conhecer esse mundo, que tem se tornado parte da cultura mundial. Percebemos isso, principalmente se comparado aos outros quadrinhos mais antigos, porém, conservadores, como as HQs americanas, que sempre tomam um herói e um vilão, sem muito âmbito e humanidade em sua história, salvo raras exceções.

O fato de também abordar temas atuais, problemas que vivemos e que podem ser tratados como tabu, ainda para os mais velhos e conservadores, também são um ponto a mais para a arte japonesa. Temas direcionados a mulheres, homossexuais, quadrinhos adultos, e etc, conquistam mais espaço e abrange o público. Além da linguagem mais jovial que o mangá traz consigo, fazendo-se entender entre os jovens, tornando a leitura divertida e clara.

2.5 Mangá e eventos em Salvador

A maior concentração de otakus do país fica, obviamente, em São Paulo, devido ao grande número de descendentes dos imigrantes japoneses e ao bairro da Liberdade, que mantém lojas de produtos japoneses relativos a essa cultura pop com a venda de CD´s DVD´s, revistas, mangás e lojas especializadas em Cosplay.

A Folha On-line publicou um artigo, em 15/01/2008, que considera o Brasil pioneiro, no ocidente, no consumo de quadrinhos japoneses. Segundo a repórter Dayanne Mikevis, os imigrantes que para cá vieram nos anos 50 trouxeram também seus mangás, de modo que mantinham seus hábitos de leitura e preservavam de certo modo a língua. Porém, apesar de incentivar alguns descendentes de japoneses, como Júlio Shimamoto, a entrar no mercado de quadrinhos brasileiro, esse foi um fato isolado. O Mangá só teria mesmo um incentivo a entrar no Brasil na década de 80, quando foi criada a Associação Brasileira de Desenhistas de Mangá e Ilustrações, em 1984. Até o fim da década de 90, alguns títulos eram lançados esporadicamente no Brasil, como Lobo Solitário, pela Editora Cedibra, e Akira, pela Editora Globo, segundo a fonte (Japão, explodindo subcultura – Cultura e Mídia japonesa no Brasil, pag 04.)

Por todo o Brasil, centenas de eventos são realizados por ano, com exibição de desenhos animados, divulgação de quadrinhos e apresentação de Cosplay. Eventos como o SANA, Super Amostra Nacional de Animês, realizado em Fortaleza, são muito comuns. O maior evento do país é o Anime Friends, que acontece em São Paulo, em julho. É importante ressaltar que o mangá e a cultura pop japonesa esta forte, também, em solo Baiano, considerado por muito apenas a terra do Axé, carnaval, e outros estereótipos a mais do consumidor nordestino/baiano/soteropolitano. No entanto, na capital, temos a presença dos otakus, mangás, animes, e festivais nipônicos.

Bon Odori é uma festividade muito popular no Japão, é o momento de agradecer aos antepassados as boas graças da prosperidade, da saúde e da colheita abundante. E, saudosamente, os imigrantes e seus descendentes mantiveram a tradição no Brasil.
A comunidade nipônica de Salvador, por meio da Associação Cultural Nipo-Brasileira de Salvador, lançou a ideia de instituir a celebração na cidade, em 1992.

Hoje, o Bon Odori de Salvador é conhecido como Festival da Cultura Japonesa, realizado tradicionalmente no mês de agosto. O evento traz ao público um pouco do Japão, em suas manifestações culturais, na culinária, na tecnologia, na religião e no esporte. O Festival reúne cerca de 40 mil pessoas e atrações de todo o país, celebrando a cultura nipônica. O tema de 2013 é a Ikebana, arte dos arranjos florais que existe há séculos, transmitindo a ideia de crescimento contínuo na vida e de vitalidade, com atenção ao ritmo e à cor. A edição deste ano pretende contar ao público baiano nessa história, proporcionar momentos de rara beleza e apresentar também uma filosofia de vida.

Durante o evento são tocadas músicas tradicionais e alegres, criando um ambiente festivo e para toda a família. O Festival também reúne diversas modalidades de artes marciais, entre elas o Sumô e Kenjustsu, que geram bastante curiosidade por parte do público, apresentações de dança e música, espaços para crianças e melhor idade, oficinas de culinária, origami e outras tradições; as belíssimas pipas gigantes e palestras de convidados de todo o país. Além de lojas especializadas, concurso cosplay (de fantasia de personagens de desenhos animados japoneses) e a sempre aguardada apresentação do Taiko, tambores japoneses tocados por vinte jovens do Grupo Cultural Wado, com sede em Salvador.”

O Anipolitán é o principal evento da Bahia mais voltado para a cultura pop japonesa, o Anipólitan, realizado anualmente desde o ano de 2003, comemora no ano de 2008 a sua quinta edição homenageando o centenário da imigração japonesa para o Brasil. Além de salas de exibição, oficinas de bonsai, origami, língua japonesa e oficina de mangá o público encontra no evento a exposição de artefatos japoneses, estandes de empresas especializadas no segmento, comidas típicas orientais, apresentações e shows exclusivos, mesas de RPG (jogo de narrativa interativa), concursos e torneios como o aniquiz (perguntas e respostas sobre desenhos animados japoneses), o gamepólitan (torneio de vídeo-game), o cardpólitan (campeonato de cartas colecionáveis), o pump it up (fliperama de dança), ilustrações do tipo mangá e o torneio de cosplays (pessoas fantasiadas de seu personagem predileto).”

Em sua primeira edição, realizada no mês de setembro do ano de 2003, o Anipólitan contou com cerca de 70 pessoas. O evento ocorreu no auditório do Esplanada Trade Centet, contou com o apoio do COB (Clã de Otakus da Bahia), durou uma tarde e se limitou a exibição de animes. No ano seguinte o Anipólitan foi realizado no teatro Módulo. Na ocasião a festa também ocupou uma tarde do mês de setembro, porém o evento apresentava dessa vez, além da exibição de animes, uma feira de fanzines, a venda de mangás da Conrad, um show de lançamento da primeira banda de anime songs (música de desenhos animados japoneses) de Salvador, a Sentai Rock Band, e cerca de 300 participantes.

A terceira edição do Anipólitan foi realizada em dois dias (três e quatro de novembro de 2005) no Colégio e Faculdade Dois de Julho. O evento incluiu no período novas atividades que o tornariam mais próximos dos moldes atuais. Além da exibição e apresentação de produtos inspirados na cultura oriental o Anipólitan propunha uma maior interatividade entre o evento e os participantes o que incluía os torneios, as oficinas e as mesas de RPG, obtendo a participação de cerca de 1500 pessoas. Após sua terceira edição o Anipólitan havia alcançado as dimensões e o status de grande evento. O Anipólitan tornou-se a ocasião em que todos os fãs de anime de Salvador poderiam se encontrar, se divertir e dividir experiências entre si. Em 2006 o evento também foi realizado no Colégio Faculdade Dois de Julho, nos mesmos dias do ano anterior e contava novamente com as mesmas atividades. Porém, com maior visibilidade o Anipólitan contou com 3000 participantes.

Em 2008 o Grupo Anipólitan, equipe responsável pela organização do evento, trabalha a todo vapor para recepcionar da melhor maneira possível seus convidados. O evento promete novamente ser o centro das atenções do calendário baiano relacionado aos animes, adentrando consequentemente na história como o maior Anipólitan realizado até então.

O Bon Odori e Anipólitan são os mais fortes eventos na Bahia e mais conhecidos, acontecem anualmente, já obtendo divulgação, atingindo diversas massas, idades, e classes sociais.

Observado o número de eventos realizados, podemos perceber que, além da influência nos jovens na questão da leitura e ilustração. Também há uma forte necessidade de se reunirem, trocarem informações, se sentirem parte de uma cultura pop nova, atual, e com pessoas que possuam os mesmos gostos, estilo e pensamentos. Uma tribo, uma identidade. O mangá influencia esses jovens na maneira de pensar, de vestir, e agir.

O descobrimento do mangá não chama atenção apenas por ser um quadrinho diferente, mas sim, por ter esse poder de ser formador de opiniões, gostos e ter se transformado em uma subcultura, num país que geralmente, valorizava apenas os produtos vindos do mundo ocidental, principalmente EUA e Europa. Pode-se dizer que é considerada uma forma indireta de resistência.

3. Qual o principal motivo da influencia do mangá nos jovens brasileiros?

Após a leitura sobre a força que os quadrinhos japoneses possuem diante dos jovens no país, é necessário refletir sobre o aspecto principal de seu sucesso no Brasil. Podemos citar a linguagem atual e jovem, ou o estilo diferenciado no desenho, na leitura. Ou os temas abordados, políticos, sexuais, românticos, dramáticos, que abrangem o público em gostos e idades.

Como hipótese, atrevo-me a ressaltar a humanidade de seus personagens, como já citado anteriormente. O fato de não serem somente super heróis fortes, bravos, quase sem pontos fracos, aproximam o personagem de seu leitor. Que pode, por vezes, se identificar com o herói escolhido. Como um reflexo, um espelho, tendo em vista que, todo adolescente quer ser como seu herói predileto. O mangá proporciona isso.

Personagens que choram, riem, comentem erros, brigam, xingam, se iludem, fazem com que essa fase de confusão, insegurança, na cabeça de um adolescente, não pareça tão assustadora, exclusiva, ou errada. Mostra que todos possuem dúvidas e medo, sem deixar de ser, obviamente, forte, justo, e corajoso em alguns momentos. As meninas, que são geralmente excluídas ou objetificadas nos quadrinhos tradicionais, também possuem referencias positivas no mangá, com histórias exclusivas ou temas mais apreciados voltados paras as mesmas.

Mangás como yaois (homossexuais), hentais (eróticos), shoujos (românticos), etc. Mostram que todo assunto, assim como todo leitor que se identifica, possuem espaço na sociedade, na arte, nas histórias. Sem exclusão. Talvez, explicando, o porquê de o público otaku ser assim, tão diversificado e tão unido, ao ponto de construírem uma subcultura no país, com seus próprios espaços e meios de comunicação.

4. OBJETIVOS

4.1 OBJETIVO GERAL

Identificar o principal fator do sucesso no mangá em solo Brasileiro, entre os jovens de dez a trinta anos. Fazendo com que, sua apreciação não seja meramente pelo aspecto desenhista, mas, também, por um aspecto psicológico, na forma de influenciar os jovens de todo o Brasil.

4.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS

Conhecer a opinião dos jovens é o primeiro passo para se identificar a atração dos mesmos pelo quadrinho japonês, e cultura pop japonesa.

  • Verificar as fontes sobre o tema

  • Entrevistar jovens que possuam afinidade com a cultura japonesa

  • Traçar um aspecto em comum entre os mesmos

  • Observar a maneira que se portam diante da sociedade e entre eles

  • Analisar os dados obtidos para delimitar resposta do questionamento

5. JUSTIFICATIVA

Através de experiências pessoais com a cultura japonesa, indo a festivais, lendo, e interagindo com outros admiradores, fez-se relevante que, como papel de pesquisadora, abordasse um tema próximo a minha vivencia, pouco conhecido no âmbito de pesquisa, porém, fortemente presente entre os jovens Brasileiros, quica, também, misturando-se a própria cultura brasileira.

É importante que esses aspectos de manifestações joviais sejam observados, para prestarmos atenção e delimitarmos as verdadeiras mudanças na juventude brasileira, a necessidade de interação, de se encontrar com semelhantes, de ser ouvido e visto pelos demais. Com o mangá abordando temas polêmicos, a “minoria”, como homossexuais, podem se sentir mais aceitos, observando que dentro daquele mundo jovem, ele também possui espaço. Podemos traçar, através disso, uma abordagem psicológica do assunto.

Adolescentes que procuram se expressar através de outros meios, apenas demonstrando gosto pelo que não vem a ser convencional. Vestir-se de seus personagens prediletos, ouvir músicas de outras línguas, etc. Pode ser considerado um refúgio do que ele normalmente possa viver.

É importante dizer que o mangá não é delimitado apenas por ser um quadrinho, mas por ser o aspecto inicial de uma subcultura, uma porta pra outros meios de comunicação, e uma maneira mais simples de atingir as massas, com sua linguagem clara entre os jovens. Nunca, histórias em quadrinhos foram tão supervalorizadas como as japonesas, pelo público mais atual, e para isso acontecer, torna-se óbvio que seu sucesso foi além do senso comum, e passou a atingi-los por motivos mais profundos e passivos de analise.

6. METODOLOGIA

Para a pesquisa foram consideradas fontes retiradas da internet, com artigos e teses envoltas do tema. Além da entrevista feita com dez jovens entre doze e vinte e três anos. A coleta de dados foi feitas pessoalmente e pela internet, com o questionário contendo dez questões com perguntas objetivas. Através dos resultados, pode-se aproximar de um ponto em comum mais claro ao falarmos sobre o sucesso e a influencia que o mangá possui entre eles. O trabalho teve duração de dois meses.

Dentre as fontes, as citações mais importantes a se considerar são sobre a diversidade do mangá, e como é visto no Brasil. Em (LUYTEN, 1987). Citado por (Mangá: Ascensão da cultura visual moderna japonesa no Brasil, pag 12), temos esse exemplo de agregação a vários estilos, idades e gostos. “[,,,] o mercado de mangá é segmentado, com revistas para crianças, adolescentes, jovens, adultos com mais de trinta anos (com direito a revistas femininas e masculinas). Além desta faixa mais definida de sexo e idade, a produção editorial japonesa contempla também mangás para adultos em diversas modalidades. Para as garotas que saíram da adolescência há revistas para jovens mulheres executivas bem como para seus pares masculinos. Este último é denominado de sarariman mangá (do inglês salaryman). Também a terceira idade é contemplada com situações cômicas de comportamento de “tias” e “avós” com revistas especiais dentro desta temática. As revistas são baratas, feitas em papel jornal, impressas em tinta preta, e tem em média 300 páginas. Tal fato, amplia muito o mercado consumidor brasileiro, logo também o numero de leitores, pois não é limitado a um público especifico, e sim atendendo a todos”.

Além das fontes, foram procurados vídeos de eventos japoneses. Animefriends, animecon, anipolitan. Em que fica registrado como se portam os “otakus”, e como interagem. Aparentemente alegres, extrovertidos e sem receio ou vergonha de demonstrar seus gostos para os que estão presentes.

Fica registrado que a análise obedeceu três etapas. A primeira em relação a pesquisa de fontes sobre o tema, na segunda, foram analisadas as respostas obtidas na entrevista com os jovens “otakus” e na terceira, com a checagem do comportamento dos mesmos em seu ambiente.

7. CRONOGRAMA

8. ORÇAMENTO

Não havendo gastos com a pesquisa em si, contam-se os gastos feitos em torno da mesma. Como os materiais usados para impressão, transporte e afins.

9. GRÁFICO

Segundo as resposta sobtidas pelo questionário feito aos jovens que se interessam pela leitura de mangás e cultura pop japonesas em geral, temos os seguintes números analisados:

Há quanto tempo você gosta de mangás?

O que mais gosta na leitura do mangá?

O que te influenciou a gostar dos quadrinhos japoneses?

Para você, o que diferencia o mangá dos quadrinhos americanos?

Você acha que o mangá pode mudar o comportamento do jovem?

Você sabe dizer como surgiu à febre do mangá no Brasil?

Você se considera um otaku?

Sabe a diferença entre um otaku brasileiro e um japonês?

O que te atrai nos eventos relacionados à cultura pop japonesa?

Existe diferença entre os heróis japoneses e estadunidenses? Se sim, quais?

10. ANEXOS

10.1 Entrevistas

Entrevista realizada com dez jovens, com idade variada, entre doze e vinte e três anos. Abaixo segue as dez perguntas formuladas. Realizadas no dia

1 – Há quanto tempo você gosta de ler mangás?

Tem uns três ou quatro anos.

2 – O que mais gosta na leitura do mangá?

Gosto dos traços, acho as roupas, os olhos, o jeito que fazem o personagem são bonitos.

3 – O que te influenciou a gostar dos quadrinhos japoneses?

Eu via alguns animes na televisão aberta, dragon Ball, Inu Yasha, acabei me interessando e comprando as histórias, também.

4 – Para você, o que diferencia o mangá dos quadrinhos americanos?

Acho que o desenho é mais bonito, as histórias são mais originais, sabe? O vilão pode ser o mocinho, o mocinho pode morrer, tem umas reviravoltas bacanas. As HQs americanas são muito previsíveis, o herói vence o vilão e fim.

5 - Você acha que o mangá pode mudar o comportamento do jovem? Se sim, justifique.

Mais ou menos, acho que você aprende a ver o mundo de outra maneira, mais alegre, os personagens ensinam que nem tudo fica ruim por muito tempo, tudo pode acontecer.

6 – Você sabe dizer como surgiu à febre do mangá no Brasil?

Não tenho certeza, acho que com dragon Ball, porque foi um dos primeiros que eu vi passar na televisão.

7 - Você se considera um otaku?

Acho que não, não sou tão fanático assim por anime, nem nada, só gosto de alguns.

8 – Sabe a diferença entre um otaku brasileiro e um japonês?

Não, acho que todos falam sobre jovens que gostam muito de animes e essa cultura em geral.

9 - O que te atrai nos eventos relacionados à cultura pop japonesa?

Gosto dos cosplays, da comida, é algo diferente que acontece em Salvador, algo que não somos habituados.

10 - Existe diferença entre os heróis japoneses e estadunidenses? Se sim, quais?

Acho que sim, foi como falei, os heróis americanos são muito estereotipados, sempre lutam pela pátria, são fortes, corajosos, justos. Sempre estão ali pra combater o mal, etc. Poucos possuem alguma verdade, conflitos que geralmente a gente vive, nem todo mundo esta corajoso sempre, ou feliz, acho que falta mais sentimento no herói americano. Já os japoneses possuem isso.

Carolina Almeida – 17 anos.


1 – Há quanto tempo você gosta de ler mangás?

Uns sete anos

2 – O que mais gosta na leitura do mangá?

Os traços, o modo de leitura, que é de trás pra frente. As histórias com magia.

3 – O que te influenciou a gostar dos quadrinhos japoneses?

Sempre gostei de ver animes na televisão, e passei a comprar os mangás, também.

4 – Para você, o que diferencia o mangá dos quadrinhos americanos?

Acho que a forma do desenho é uma delas, porque os americanos são mais realistas, mas os mangás já são desproporcionais. Olhos gigantes, pernas longas, etc.

5- Você acha que o mangá pode mudar o comportamento do jovem? Se sim, justifique.

Depende, se o cara for muito aficionado pode ficar meio idiota e agir como o personagem age.

6– Você sabe dizer como surgiu à febre do mangá no Brasil?

Acredito ter sido graças aos cavaleiros do zodíaco, acho que foi o primeiro anime que passaram aqui no Brasil.

7- Você se considera um otaku?

Eu me considero, mas não de um jeito extremo, viver só pra aquilo. Eu gosto de sair, de interagir, mas também gosto de me fantasiar, jogar, ver anime. Eu equilibro as atividades.

8– Sabe a diferença entre um otaku brasileiro e um japonês?

Sei sim, acho que o otaku de lá – do Japão – é muito mais fanático. Tem uns caras que querem até namorar com personagens, sabe? Acho isso bizarro, eles não saem, não se divertem, é estranho. No Brasil o pessoal é mais sociável.

9- O que te atrai nos eventos relacionados à cultura pop japonesa?

Tudo. As competições de jogos, os concursos dos cosplays, a comida, o som, você sente que está vivendo um pouco da cultura japonesa.

10- Existe diferença entre os heróis japoneses e estadunidenses? Se sim, quais?

Com certeza, os heróis japoneses, apesar de ter muita fantasia são mais parecidos com a gente. São engraçados, às vezes sérios, nem sempre se dão bem. Já os americanos são chatos, possuem uma personalidade só, parecem robôs.

Fernando Portela dos Santos – 22 anos.


1 – Há quanto tempo você gosta de ler mangás?

Leio poucos mangás, há sete anos.

2 – O que mais gosta na leitura do mangá?

As aventuras tão surreais, mas com personagens muito próximos do real.

3 – O que te influenciou a gostar dos quadrinhos japoneses?

Meus amigos que liam e o fato de alguns animes que assisti não trazerem a conclusão da história, o que te faz ir buscar o mangá.

4 – Para você, o que diferencia o mangá dos quadrinhos americanos?

Mangás trazem aventuras que vão além de mutações e armaduras brilhantes como os hqs americanos.

5- Você acha que o mangá pode mudar o comportamento do jovem? Se sim, justifique.

Sim, quadrinhos ensinam a acreditar nos seus sonhos e correr atrás dos seus objetivos.

6– Você sabe dizer como surgiu à febre do mangá no Brasil?

Não.

7- Você se considera um otaku?

Mais ou menos, gosto mais de animes do que de mangás.

8– Sabe a diferença entre um otaku brasileiro e um japonês?

Japoneses sempre “sambam na nossa cara”, com certeza são otakus bem melhores.

9- O que te atrai nos eventos relacionados à cultura pop japonesa?

Cosplays e itens da cultura nerd, além do fato de ter muitas pessoas pra conversar sobre animes.

10- Existe diferença entre os heróis japoneses e estadunidenses? Se sim, quais?

Sim, a maiorias dos heróis americanos depois de vestir o uniforme já estão prontos e os japoneses se desenvolvem e vão agregando habilidades.

Juliana Márcia – 19 anos
 

1 – Há quanto tempo você gosta de ler mangás?

Dois anos

2 – O que mais gosta na leitura do mangá?

Das aventuras, são diferentes, mesmo no nosso mundo é cheio de magia.

3 – O que te influenciou a gostar dos quadrinhos japoneses?

Alguns amigos me apresentaram, antes eu não gostava, porque achava que só tinha história pra meninas, mas li Hellsing, que é de ação e tem muito sangue, e passei a gostar.

4 – Para você, o que diferencia o mangá dos quadrinhos americanos?

O mangá aborda vários temas, sabe? Romance, comédia, terror. HQ americana só fala de vilão que quer destruir o mundo, etc.

5- Você acha que o mangá pode mudar o comportamento do jovem? Se sim, justifique.

Acho que não, só serve pra entreter.

6– Você sabe dizer como surgiu à febre do mangá no Brasil?

Não sei dizer.

7- Você se considera um otaku?

Não me considero não, acho que otaku é um povo muito fechado, que só gosta daquilo, sabe? Eu gosto de tudo um pouco.

8– Sabe a diferença entre um otaku brasileiro e um japonês?

Acho que é a mesma coisa, que são fanáticos por anime e mangá.

9- O que te atrai nos eventos relacionados à cultura pop japonesa?

Aqui eu acho produtos de meus mangás favoritos, DVDs de animes que normalmente não acharia em nenhuma loja, camisas, brinquedos, coisa que você não vê vendendo por aqui.

10- Existe diferença entre os heróis japoneses e estadunidenses? Se sim, quais?

Sim, os heróis japoneses são mais humanos em relação a personalidade. Os dos EUA são mais realistas no traço, porém, não mudam muito, salvo raras exceções.

Pedro Moreira – 17 anos


1 – Há quanto tempo você gosta de ler mangás?

Cinco anos.

2 – O que mais gosta na leitura do mangá?

A forma do desenho, em nanquim, a leitura de trás pra frente, as aventuras, as cenas cômicas.

3 – O que te influenciou a gostar dos quadrinhos japoneses?

Eu via animes na band e TV cultura. Tenchi Muiyo, cavaleiros do zodíaco, fly, etc. Aí pesquisei sobre eles, e vi que tinha em mangá, também, mas era difícil de achar, hoje em dia está bem melhor com a internet.

4 – Para você, o que diferencia o mangá dos quadrinhos americanos?

Há, o mangá é divertido, é engraçado, na HQ você não rir muito, é pesado.

5- Você acha que o mangá pode mudar o comportamento do jovem? Se sim, justifique.

Não acredito que mude, é só um jeito de se refugiar, como quando você lê um livro pra passar o tempo.

6– Você sabe dizer como surgiu à febre do mangá no Brasil?

Cavaleiros do Zodíaco, com certeza. Passava na TV manchete, né? Eu pesquisei sobre isso uma vez.

7- Você se considera um otaku?

Sim, me considero, gosto de tudo que venha da cultura japonesa.

8– Sabe a diferença entre um otaku brasileiro e um japonês?

Lá eles são bem mais fanáticos, aqui a galera não precisa ter produtos, marcas, vivem bem só lendo ou assistindo o anime.

9- O que te atrai nos eventos relacionados à cultura pop japonesa?

Tudo, desde a comida, até os concursos.

10- Existe diferença entre os heróis japoneses e estadunidenses? Se sim, quais?

Muita. O herói japonês não é bem um herói, ele é uma pessoa que faz o que acha que é certo para ele, independente da consequência ou do que os outros vão achar já o americano é aquele tipo idealizado de pessoa perfeita, que vai sempre lutar pelos oprimidos, etc e tal.

Jailson Luan – 23 anos


1 – Há quanto tempo você gosta de ler mangás?

Cinco anos

2 – O que mais gosta na leitura do mangá?

A leitura e o desenho são diferentes.

3 – O que te influenciou a gostar dos quadrinhos japoneses?

Eu estava em uma banca, aí vi um mangá de Angel Sanctuary, achei bonito o desenho, era bem delicado, aí comprei pra ler, acabei gostando, procurei o desenho e depois disso passei a procurar outros.

4 – Para você, o que diferencia o mangá dos quadrinhos americanos?

É mais legal, as histórias são envolventes, você nunca sabe o que pode acontecer, os americanos você sabe que, no final, o mocinho ganha.

5- Você acha que o mangá pode mudar o comportamento do jovem? Se sim, justifique.

Pode sim, eu fiquei mais delicada, romântica, graças aos mangás mais românticos que leio. Acho tudo fofo.

6– Você sabe dizer como surgiu à febre do mangá no Brasil?

Não faço a mínima ideia.

7- Você se considera um otaku?

Sim, gosto de me fantasiar, de ler, de cantar músicas japonesas. Me considero sim.

8– Sabe a diferença entre um otaku brasileiro e um japonês?

Não sei.

9- O que te atrai nos eventos relacionados à cultura pop japonesa?

Posso interagir com pessoas que tem o mesmo gosto que eu, trocar informações, fazer amizades. Além de poder comprar várias coisas legais, fantasias, camisetas, até espada da pra comprar.

10- Existe diferença entre os heróis japoneses e estadunidenses? Se sim, quais?

Herói americano é chato, você leu uma história, você sabe o começo, meio e fim. Mas o mangá é imprevisível, às vezes o mocinho pode morrer e você fica sem entender nada.

Mônica Novaes – 20 anos


1 – Há quanto tempo você gosta de ler mangás?

Cinco anos

2 – O que mais gosta na leitura do mangá?

A curiosidade em saber das diversas histórias que eles têm.

3 – O que te influenciou a gostar dos quadrinhos japoneses?

Os animes, às vezes acabo partindo para o mangá após conhecer o anime inspirado nele.

4 – Para você, o que diferencia o mangá dos quadrinhos americanos?

A continuidade das histórias e a riqueza de detalhes.

5- Você acha que o mangá pode mudar o comportamento do jovem? Se sim, justifique.

Não, no máximo causar uma pequena ansiedade, mas nada que mude o comportamento.

6– Você sabe dizer como surgiu à febre do mangá no Brasil?

Não.

7- Você se considera um otaku?

Não exatamente, mesmo gostando da cultura pop do japão.

8– Sabe a diferença entre um otaku brasileiro e um japonês?

Eles falam línguas diferentes e talvez o brasileiro tenha menos recursos/opções.

9- O que te atrai nos eventos relacionados à cultura pop japonesa?

É diferente do habitual, as roupas, a maneira como os jovens se portam.

10- Existe diferença entre os heróis japoneses e estadunidenses? Se sim, quais?

Talvez os heróis japoneses tenham um pouco mais de nobreza em suas causas, e se mostram de uma maneira mais exemplar. Difícil generalizar, porém não lembro de um herói japonês bilionário, mulherengo e etc.

Thiago Loiola Reis – 23 anos


1 – Há quanto tempo você gosta de ler mangás?

Um a dois anos.

2 – O que mais gosta na leitura do mangá?

A história é envolvente.

3 – O que te influenciou a gostar dos quadrinhos japoneses?

Os animes me fizeram procurar a origem das histórias.

4 – Para você, o que diferencia o mangá dos quadrinhos americanos?

O traço e a censura.

5- Você acha que o mangá pode mudar o comportamento do jovem? Se sim, justifique.

Não acho.

6– Você sabe dizer como surgiu à febre do mangá no Brasil?

Não.

7- Você se considera um otaku?

Mais ou menos, eu gosto, mas não tenho tanto tempo consumindo.

8– Sabe a diferença entre um otaku brasileiro e um japonês?

Otaku brasileiro é qualquer cara que assiste muito mangá, o japonês só vive em função disso, são aqueles típicos nerds, são até descriminados em massa la.

9- O que te atrai nos eventos relacionados à cultura pop japonesa?

Tudo, a cultura japonesa, em si, é atraente.

10- Existe diferença entre os heróis japoneses e estadunidenses? Se sim, quais?

Traço, as cores, que são muito presentes nas americanas. Os poderes, etc.

Alana Ava – 21 anos


1 – Há quanto tempo você gosta de ler mangás?

Quatro anos.

2 – O que mais gosta na leitura do mangá?

Gosto do fato de ser de trás pra frente, não ser colorido e ter vários personagens principais.

3 – O que te influenciou a gostar dos quadrinhos japoneses?

Animes que vi antes me fizeram procurar os mangás.

4 – Para você, o que diferencia o mangá dos quadrinhos americanos?

A forma como se ler a revista, a personalidade dos personagens.

5- Você acha que o mangá pode mudar o comportamento do jovem? Se sim, justifique.

Acho que só na maneira de se vestir, tem quem goste de imitar o estilo dos personagens.

6– Você sabe dizer como surgiu à febre do mangá no Brasil?

Fico em dúvida entre Cavaleiros do Zodíaco ou Dragon Ball.

7- Você se considera um otaku?

Considero-me sim.

8– Sabe a diferença entre um otaku brasileiro e um japonês?

Ambos são fanáticos, mas o Japonês é mais recluso para a sociedade que nós.

9- O que te atrai nos eventos relacionados à cultura pop japonesa?

Gosto da comida, música, os produtos e os cosplays.

10- Existe diferença entre os heróis japoneses e estadunidenses? Se sim, quais?

O herói americano é mais patriota, tem senso de justiça a todo momento, e sempre tem os mesmos personagens. No mangá muda um pouco, as vezes tem vários vilões, ou vários mocinhos, e são mais divertidos.

Bruno Menezes Andrade – 21 anos


1 – Há quanto tempo você gosta de ler mangás?

Durante a adolescência, nos tempos de escola e mantenho o hobby até hoje.

2 – O que mais gosta na leitura do mangá?

Roteiros diferenciados, falar da vida de um padeiro, por exemplo, conseguir ler e se identificar com a trama.

3 – O que te influenciou a gostar dos quadrinhos japoneses?

Minha paixão pelos animes, influenciou na procura pelos mangás.

4 – Para você, o que diferencia o mangá dos quadrinhos americanos?

Nos mangas temos roteiros que tem um começo meio e fim definido, mesmo que ele se estenda sabemos que um dia vai acabar diferente das HQs da Marvel e DC que vivem atualizando e nunca matando seus heróis. Além de que no Japão falam de vários temas e com isso qualquer pessoa ler um mangá que se identifique mais com seu gosto basicamente.

5 - Você acha que o mangá pode mudar o comportamento do jovem? Se sim, justifique.

Sim, acho que qualquer tipo de conteúdo influencia sim a vida das pessoas de forma negativa ou positiva, no caso da leitura de um mangá não vejo problema, mas claro qualquer desligamento de um convívio social é preocupante.

6 – Você sabe dizer como surgiu à febre do mangá no Brasil?

Bom na verdade ainda é um mercado escasso a meu ver e digamos que este “estouro” se deu mais pela febre maior que são os animes exibidos em rede nacional. Cavaleiros do Zodíaco, Dragon Ball, Pokemon, Digimon, Yugioh, Yu Yu Hakusho... E muitos outros contribuíram para o interesse nos quadrinhos japoneses.

7 - Você se considera um otaku?

Sim e assumido. Dei-me conta disso quando realmente notei que respiro a cultura pop asiática durante todo os meus dias.

8 – Sabe a diferença entre um otaku brasileiro e um japonês?

Aqui uma questão interessante e que poucos otakus procuram conhecer bem, resumidamente no Brasil se tornou uma coisa de certa forma normal, mas já no Japão um otaku é a escória da sociedade literalmente, devida seus hábitos nada sociáveis e que podem causar problemas futuros ao país. Não que aqui deixe de acontecer, porém vejo otakus que namoram e tem família, lá não.

9 - O que te atrai nos eventos relacionados à cultura pop japonesa?

Tudo que envolve hoje cultura pop japonesa me atrai.

10 - Existe diferença entre os heróis japoneses e estadunidenses? Se sim, quais?

Qualquer herói tem seu carisma não importa sua origem, no caso dos japoneses eles passam um pouco dos costumes de honra e responsabilidade explícitos.

Vivaldo Mendes da Rocha Junior – 22 anos.

10.2 Fotos


Primeiro mangá comercializado no Brasil, em 1988


Mangá dos Cavaleiros do Zodíaco, responsável pelo sucesso nos mangás no Brasil.



Maneira correta ao ler um mangá. Do final e da direita para a esquerda.


Mangá Hentai – erótico. Destinado a adultos.


Mangá Yuri; - Lésbica – e Yaoi – Gay – destinado aos homossexuais.


Mangá Shoujo e Shonen – Destinado a garotas, e garotos, respectivamente.

*Imagens retiradas do Google.

11. Referências Bibliográficas

O mangá no Brasil. Net, PUC - São Paulo. Baseado no livro de LUYTEN, S., Mangá, o poder dos quadrinhos japoneses. Disponível em: . Acesso em 10 set. 2013

SANTOS, J.L. Mangá : Ascensão da cultura visual moderna japonesa no Brasil. Net. Anais do XXVI Simpósio Nacional de História – ANPUH • São Paulo, julho 2011. Disponível em: . Acesso em 10 set. 2013.

ESPIRITO SANTO, J. D. P. Mangás e cultura histórica: entre o escolar e o cotidiano. Net, Anais do XXI Encontro Estadual de História –ANPUH-SP - Campinas, setembro, 2012.. Disponível em: <http://www.encontro2012.sp.anpuh.org/resources/anais/17/1342374822_ARQUIVO_artigoanpuh.pdf>. Acesso em 10 set. 2013.

CARLOS, G.S. A cultura pop japonesa no contexto da cibercultura. III Simpósio Nacional ABCiber - Dias 16, 17 e 18 de Novembro de 2009 - ESPM/SP - Campus Prof. Francisco Gracioso.. Disponível em: < http://www.abciber.com.br/simposio2009/trabalhos/anais/pdf/artigos/2_entretenimento/eixo2_art21.pdf >. Acesso em 10 set. 2013.

CARLOS, G.S. Mangá: o fenômeno comunicacional no Brasil. III Simpósio Nacional ABCiber - Dias 16, 17 e 18 de Novembro de 2009 - ESPM/SP - Campus Prof. Francisco Gracioso.. Disponível em: < http://www.abciber.com.br/simposio2009/trabalhos/anais/pdf/artigos/2_entretenimento/eixo2_art21.pdf >. Acesso em 10 set. 2013.

RODRIGUES, G.D. Japão, explodindo subcultura – Cultura e Mídia japonesa no Brasil. Net, Intercom – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação. XIII Congresso de Ciências da Comunicação na Região Sudeste – São Paulo – 07 a 10 de maio de 2008.. Disponível em: < http://www.petfacom.ufjf.br/wordpress/arquivos/artigos/Japao,_explodindo_subcultura_Cultura_e_Midia_japonesa_no_Brasil.pdf >. Acesso em 10 set. 2013.


Publicado por: Savitri

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