Topo
pesquisar

O Consumo da Internet Pelo Público Adolescente Recifense

Administração e Finanças

RESUMO

Os adolescentes, que hoje gastam suas mesadas em passeios no shopping com os amigos, serão a população economicamente ativa das próximas décadas, e, conseqüentemente, os futuros grandes consumidores. Entretanto, esses teens que nasceram em meio à década de 90 chegaram a um mundo bem diferente do encontrado pelas antigas gerações e, por inúmeros motivos, têm características muito peculiares - inclusive quanto ao consumo de mídias. É para esses “novos” adolescentes que a publicidade vai comunicar e entendê-los agora, com todas as particularidades dessa nova geração – denominada geração multimídia -, é muito importante para delinear como essa comunicação vai ser feita. Este estudo propõe-se a entender o que é a adolescência, os fatores que diferenciam esses adolescentes daqueles das gerações anteriores e, então, traçar um panorama da forma como os adolescentes consomem mídia, partindo de uma análise das mídias de massa – revista, jornal, rádio e TV - e focando os estudos na Internet, aquela que está se tornando uma das principais mídias do mundo.

Palavras chave: Adolescentes, consumidor, Internet, mídia, recepção.

LISTA DE GRÁFICOS

GRÁFICO 1 Tempo do consumo: internet versus outras mídias 51

 

SUMÁRIO

INTRODUÇÃO 10
1 ADOLESCÊNCIA 12

1.1 Alterações físicas durante o período adolescente

14

1.1.1 Corpo

14

1.1.2 Puberdade

16

1.2 Alterações cognitivas na adolescência

17

1.3 Alterações comportamentais e sociais na adolescência

18

1.3.1 Busca de si mesmo e da identidade

18

1.3.2 Tendência grupal

19

1.3.3 Deslocamento temporal

20
2 ATUAL GERAÇÃO DE ADOLESCENTES 21

2.1 Fatores que permearam os primeiros anos de vida dessa geração

21

2.2 Evolução tecnológica

23

2.3 Geração Multimídia

24

2.4 Era das informações

26
3 HISTÓRIA DO CONSUMO DAS MÍDIAS 28

3.1 Jornal

30

3.2 Rádio

31

3.3 Televisão

33

3.4 Internet

35
4 METODOLOGIA 37
5 ANÁLISE DOS DADOS COLETADOS 38

5.1 Revista

38

5.2 Jornal

38

5.3 Rádio

39

5.4 Televisão

40

5.5 Internet

40

5.5.1 Redes sociais

42

5.5.1.1 Orkut

43

5.5.1.2 Twitter

44

5.5.1.3 Facebook

44

5.5.1.4 MySpace

45

5.5.1.5 E o preferido é...

46

5.5.2 Comunicadores instantâneos

46

5.5.3 E-mails

46

5.5.4 Pesquisa na internet

47

5.5.5 Fotologs

47

5.5.6 Blogs

48

5.5.7 Download de conteúdos

48

5.5.8 Jogos online

49

5.5.9 Notícias na web

49

5.6 Consumo de internet versus outras mídias

50

5.6.1 Leitura

50

5.6.2 Televisão

50

5.6.2 Rádio

50
6 CONCLUSÃO 52
REFERÊNCIAS 54

 

INTRODUÇÃO

Mesmo sendo algo que sempre permeou o processo de desenvolvimento do indivíduo por ser físico, a identificação e a denominação da adolescência “enquanto um processo relativo a um período particular na vida de um indivíduo, situado entre a infância e a idade adulta” (COUTINHO, 2005, p. 17) é relativamente recente.

Segundo Ariès (1981), durante a Idade Média existiam três terminologias para identificar as “idades da vida”: a infância, a juventude e a velhice. A infância era ligada à ideia de dependência e a juventude significava a “força da idade”. Um exemplo do quão extensa era a infância é o do calendário das idades do século XVI, que dizia que “aos 24 anos 'é a criança forte e virtuosa'” (ARIÈS, 1981, p. 11).

Conforme os escritos do autor, por muito tempo não houve lugar para a adolescência, até que, durante o século XVII, a palavra infância restringiu-se ao seu sentido moderno. “Até o século XVIII a adolescência foi confundida com a infância” (ARIÈS, 1981, p. 10).

Conforme Ariès (1986), por volta de 1890 começou a se firmar o interesse pela adolescência, que se torna tema literário e preocupação de moralistas e políticos. Gradualmente, a adolescência como uma fase da vida vai se consolidando e se torna um fenômeno universal, com repercussões pessoais e sociais inquestionáveis. A adolescência passa a ser caracterizada como um emaranhado de fatores de ordem individual, por estar associada à maturidade biológica, e de ordem histórica e social, por estar relacionada às condições específicas da cultura na qual o adolescente está inserido (SALLES, 2005, p. 35).

Mas a simples definição da adolescência não implicou no entendimento sobre os adolescentes. Eles ainda parecem indecifráveis, imprevisíveis. Isso ocorre, porque esta é uma fase bastante conturbada. É durante ela que o indivíduo passa pela transição da infância para a idade adulta e a então criança começa a adquirir maiores responsabilidades, mudanças ocorrem em seu corpo, etc. “É nesse período que o indivíduo se redefine como pessoa. A adolescência é uma busca de si mesmo, numa transição da identidade infantil para a identidade adulta” (LEVISKY, 1998, p.35).

Além dessa fase transitória, que já torna, por si só, a adolescência um período – digamos - diferente, os aspectos sociais e históricos onde esses adolescentes estão inseridos também acabam por modificar e influenciar os adolescentes de cada época. Os atuais adolescentes têm se mostrado bastante diferentes dos das antigas gerações. Vários são os motivos que podem explicar as peculiaridades dessa “leva”, mas principalmente o fato de que eles cresceram rodeados por computadores, controles remotos, vídeo games, celulares e outras inúmeras inovações tecnológicas.

E é aí que chegamos ao ponto principal desse trabalho: entender esses novos adolescentes e conhecer a forma como eles consomem mídia, focando a pesquisa na internet.

No primeiro capítulo faremos uma análise detalhada sobre o que é a adolescência. Baseado em escritos na área de psicologia adolescente, buscaremos entender como a adolescência acontece e quais são as principais transformações que ocorrem durante o período, além de características comuns a todas as adolescências.

No segundo capítulo, mostraremos os fatores sociais que influenciaram a formação dessa geração adolescente, visando explicar as peculiaridades dessa geração em relação às demais.

No capítulo seguinte, será apresentada a forma de criação e o desenvolvimento das mídias sobre as quais os adolescentes responderam perguntas no questionário, além da forma como o consumo delas se deu até os dias atuais.

A partir do quarto capítulo, o trabalho vai tratar sobre a pesquisa desenvolvida com os adolescentes, abordando a metodologia utilizada para sua realização e fazendo a análise dos dados coletados.

1 ADOLESCÊNCIA

A adolescência é um período bastante conturbado, que compreende o processo de transição entre a infância e a fase adulta. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), o período adolescente começa aos 10 anos; já para a legislação brasileira, mais especificamente para o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), ele tem início aos 12.

Entretanto, o ponto inicial da adolescência é um processo que varia de pessoa para pessoa, independentemente de idade, e, por causa disso, estudiosos não sabem definir ao certo quando a adolescência efetivamente começa. Campagna e Souza (2006), citando Calligaris (2000), apontam que não se sabe se ela “começa um pouco antes, durante ou logo após a puberdade, mas com certeza esta é a marca que permite calcular o seu início (CALLIGARIS, 2000)”.

Durante toda a vida, o ser humano está em constante mudança, mas na adolescência elas ocorrem em grande quantidade, de forma muito rápida. Mais do que biológico, a adolescência é um fenômeno “bio-psico-social” (LEVISKY, 1998). Nesse processo,

o adolescente não só deve enfrentar o mundo dos adultos para o qual não está totalmente preparado, mas, além disso, deve desprender-se de seu mundo infantil no qual e com o qual, na evolução normal, vivia cômoda e prazerosamente, em relação de dependência, com necessidades básicas satisfeitas e papéis claramente estabelecidos (KNOBEL, 1992, p. 10).

O período da adolescência “significa para o adolescente a perda definitiva de sua condição de criança” (ABERASTURY, 1992, p. 13). Segundo a autora, o adolescente realiza três lutos, tanto no plano consciente como no inconsciente, relacionados a perdas de aspectos infantis. São eles: (1) luto pelo corpo de criança, a partir da evidenciação dos aspectos femininos e masculinos, que implica a busca de uma nova identidade; (2) luto pela identidade infantil, quando o adolescente vive a perda de sua condição de criança e dos privilégios por ela proporcionados; (3) luto pela relação com os pais da infância, até então uma representação de segurança, refúgio. “O adolescente sente a ameaça iminente de perder a dependência infantil [...] em momentos em que essa dependência ainda é necessária”. (ABERASTURY, 1992, p. 14).

Na adolescência há uma incerteza pelo que está por vir e um temor à perda daquilo que era conhecido. O adolescente se vê numa situação em que não é mais criança, mas ainda não é adulto. Responsabilidades que não existiam vão sendo inseridas no seu cotidiano, cobranças começam a ser feitas a ele, mudanças ocorrem em seus corpos, tanto visivelmente como internamente, física e psicologicamente, todo o tempo.

Tanto as modificações corporais incontroláveis como os imperativos do mundo externo, que exigem do adolescente novas pautas de convivência, são vividos no começo como uma invasão. Isto o leva a reter, como defesa, muitas de suas conquistas infantis, ainda que também coexista o prazer e a ânsia de alcançar um novo status. Também o conduz a um refúgio em seu mundo interno para poder relacionar-se com o seu passado e, a partir daí, enfrentar o futuro (ABERASTURY, 1992, p. 13,14).

Em meio a esse turbilhão de alterações, Knobel (1992, p. 27), citando Anna Freud, observa que “seria anormal a presença de um equilíbrio estável durante o processo adolescente”. Knobel afirma que “a adolescência, mais do que uma etapa estabilizada, é processo e desenvolvimento”. Desequilíbrios e instabilidades extremas são necessários para que o adolescente estabeleça sua identidade – um dos objetivos fundamentais deste momento da vida, segundo o psiquiatra.

Contudo, Levisky (1998, p.54) aponta que esses momentos de instabilidade “vão diminuindo à medida que o jovem encontra maior clareza e aceitação a respeito de si mesmo, ao elaborar suas perdas e ao sentir-se aceito e tolerado em seu ambiente”.

A OMS estabelece que o término da adolescência se dá aos 19 anos. Para a legislação brasileira, considerando o Estatuto da Criança e do Adolescente, a adolescência se encerra aos 18. Todavia, se o início da adolescência, que é baseado principalmente em fatores biológicos, varia de pessoa para pessoa e gera dúvidas quanto ao seu efetivo começo, o final dela, que é baseado em aspectos subjetivos, gera ainda mais discordância.

Levisky (1998) aponta alguns fatores que indicam o término da adolescência, de acordo com o Comitê sobre Adolescência (EUA). São eles: (1) atingimento da separação e da independência dos pais; (2) estabelecimento da identidade sexual; (3) submissão ao trabalho; (4) desenvolvimento de um sistema pessoal de valores morais; (5) capacidade de relações duradouras e de amor sexual, terno e genital, nas relações heterossexuais; e (6) regresso aos pais numa nova relação baseada numa igualdade relativa.

Como consequência dessas transformações, acrescenta o psicanalista, o tempo de duração do processo adolescente está sendo ampliado. O que se percebe atualmente é um fenômeno onde a adolescência se perpetua muito além dos limites de idade delimitados para ela. É a denominada adolescência prolongada.

Antes a sequência do ciclo de vida era clara. O jovem primeiro estudava, ao fim da escola se empregava e daí casava. Hoje, no entanto, começa a ocorrer um processo de alongamento dessas fases, o que está, entre outros fatores, associado às dificuldades cada vez maiores de obtenção de emprego e ao prolongamento do estudo. A falta de autonomia financeira e o desemprego contribuem para que os jovens permaneçam mais tempo com os seus pais. Hoje os jovens estudam, trabalham, se especializam, adiam a saída da família de origem e a constituição da própria família (SALLES, 2005, p.37).

Embora esse prolongamento pareça algo atual, relacionado a fatores contemporâneos, Ariès (1981) ao falar sobre o início da adolescência e a “consciência de juventude”, relata que após a Guerra de 1914, os combatentes da frente de batalha começaram a apresentar um sentimento comum de oposição às velhas gerações da retaguarda. Era o que o autor chamou de “sentimento adolescente” e que a partir daí começaria a se expandir, “empurrando a infância para trás e a maturidade para frente” (ARIÈS, 1981, p. 15). “Assim, passamos de uma época sem adolescência [a Idade Média, segundo o autor] a uma época em que a adolescência é a idade favorita. Deseja-se chegar a ela cedo e nela permanecer por muito tempo”. Dessa forma podemos perceber que essa busca do prolongamento da adolescência data desde a sua “descoberta”.

1.1 Alterações físicas durante o período adolescente

1.1.1 Corpo

As mudanças corporais que ocorrem durante a adolescência são desencadeadas basicamente por alterações hormonais. De acordo com Lopes (2000), a hipófise - pequena glândula que se localiza na base do crânio e que também é chamada de glândula pituitária - secreta um hormônio chamado somatotropina, ou hormônio do crescimento, que é responsável por promover o crescimento de ossos e de músculos no corpo humano.

Manning (2000) afirma que é desconhecida a razão do aumento inicial da atividade da hipófise, mas que durante a adolescência o corpo cresce “mais rapidamente que qualquer outra época depois dos seis primeiros meses de vida”. Entretanto, esse crescimento não se dá uniformemente, ele é desigual. É a chamada assincronia. Ainda segundo o autor, os membros começam a se desenvolver mais cedo e de forma mais rápida do que o tronco do adolescente. Essa falta de sincronia faz com que mãos, pés e pescoço se desenvolvam mais rapidamente do que as outras partes do corpo e, assim, o adolescente ganha, por um tempo, uma aparência desproporcional, meio desajeitada.

Simultaneamente a esse desenvolvimento físico, vão ocorrendo alterações no modo como o adolescente se vê. Na opinião de Levisky (1998, p. 47), “à medida que o corpo vai adquirindo nova configuração, a imagem mental que o adolescente tem de si vai se modificando”. Mas esses dois processos não acontecem na mesma velocidade. As transformações físicas ocorrem mais rapidamente do que a transformação da imagem corporal. Nesse momento, o adolescente vai começar a se olhar, se descobrir novamente, já que aquela nova realidade é bem diferente da vivida anteriormente, enquanto ainda era criança.

A imagem corporal vai se desenvolvendo como um produto da relação do indivíduo consigo mesmo e com os outros. Como acrescenta Lourenção van Kolck (1984), a imagem corporal é uma unidade adquirida, é dinâmica, portanto alterações corporais provocam mudanças na imagem corporal, e esse fenômeno é particularmente intenso na adolescência (CAMPAGNA; SOUZA, 2006).

Sobre isso, Levisky (1998, p.48) coloca que “a imagem corporal é algo subjetivo e depende de múltiplos aspectos: emocional, funcional e características sociológicas” e conclui que ela “frequentemente não reflete de modo especular a imagem real”. Os adolescentes idealizam uma imagem de si e reagem com frustração diante de circunstâncias como acne, excesso de peso, etc., vividos, muitas vezes, como fatores que os desvalorizam.

Contudo, embora as garotas costumem apresentar uma maior insatisfação quanto ao corpo, essa sensibilidade à imagem corporal independe de sexo. O principal fator dessa maior insatisfação feminina é a dificuldade de se alinhar com o modelo de beleza imposto para elas. A busca incessante por esse padrão de beleza pode trazer consequências danosas à saúde das adolescentes, como nos casos de desenvolvimento de distúrbios alimentares como a anorexia e a bulimia nervosa.

O excesso de preocupação com a aparência e o aumento da insatisfação com o corpo, principalmente com o peso, na contemporaneidade, tem sido objeto de muitos estudos científicos. Esse interesse é motivado pelo reconhecimento do crescimento dos distúrbios alimentares em garotas adolescentes e mulheres jovens, principalmente. A preocupação com o peso é entendida como resultado da internalização de padrões irreais de beleza, e, muitas vezes, predispõe as jovens à depressão (CAMPAGNA; SOUZA, 2006).

1.1.2 Puberdade

A puberdade é um processo basicamente biológico, que começa no início da adolescência e tem a função de desenvolver os órgãos sexuais até que atinjam o tamanho e as funções de adulto.

Segundo Lopes (2000), a hipófise, mesma glândula que é responsável pela secreção do hormônio do crescimento visto anteriormente, produz alguns hormônios que vão influenciar outras glândulas a secretarem mais hormônios. Dois deles são interessantes para nós: o Folículo Estimulante (FSH) e o Luteinizante (LH). Esses hormônios estimulam as gônadas, também chamadas de glândulas sexuais, a produzirem os hormônios sexuais - nos homens, o andrógeno (a famosa testosterona); e nas mulheres, o estrógeno e a progesterona - responsáveis pelo desenvolvimento dos caracteres sexuais secundários.

O aumento da produção hormonal, como afirma Manning (2000) tem como resultado a (1) maturação das características sexuais primárias – aquelas que se relacionam com os órgãos de reprodução, e o (2) desenvolvimento das características sexuais secundárias - alterações corporais associadas à maturação dos órgãos sexuais. As características sexuais secundárias começam a surgir antes de entrarem em funcionamento os órgãos de reprodução. Quando estes começam a funcionar, há um desenvolvimento contínuo das características sexuais secundárias até alcançar-se o estágio adulto.

Desde o nascimento até a adolescência, afirmam Campagna e Souza (2006), o corpo do ser humano mantém uma certa identidade. Com a adolescência, mais especificamente com a emergência dos caracteres sexuais secundários, essa identidade deixa de existir.

Durante a infância, meninos e meninas não apresentam diferenças muito grandes de arcabouço e proporções corporais, mas a adolescência traz consigo mudanças dramáticas sob este aspecto. Os quadris das meninas se alargam e seus seios se desenvolvem; nos meninos, os quadris permanecem estreitos e os ombros se alargam (MANNING, 2000, p. 162).

É durante essa fase do desenvolvimento que começam a se delinear as diferenças entre o corpo masculino e o feminino. “As mudanças que ocorrem nesse período levam a uma perda da antiga imagem corporal e da identidade infantis” (CAMPAGNA; SOUZA, 2006).

1.2 Alterações cognitivas na adolescência

Segundo Manning (2000, p.167), “a maneira como a inteligência se desenvolve nessa época afeta todos os aspectos da vida, pois o adolescente utiliza as novas capacidades para pensar a respeito de si mesmo e do mundo exterior”. Baseado nos ensinamentos de Piaget sobre a alteração na atividade intelectual dessa fase da vida, Manning (2000) continua sua explanação falando sobre a denominada representação de segunda ordem. Essa representação é a característica que distingue as operações mentais concretas – que focam a realidade, o concreto – e as operações mentais formais – que tem como foco o raciocínio abstrato.

Também baseado nos ensinamentos de Piaget, Levisky (1998) acrescenta que a inteligência evolui do nível concreto para o formal, caracterizado pelo pensamento hipotético-dedutivo e que o autor afirma ser o ápice da evolução intelectual. Nesse nível, o adolescente torna-se capaz de raciocinar estabelecendo relações combinatórias, independentemente de elementos perceptíveis e manipuláveis, sensoriais. As operações mentais formais, ainda segundo o autor, dão coerência interna ao processo de pensamento, criando a possibilidade de um raciocínio pautado em hipóteses.

As repercussões dessa aptidão são observáveis em seu comportamento. O jovem gosta de indagar, questionar, investigar. Tem dúvidas e desconfia. [...] Amplia seu acervo cultural. Interessa-se por questões sociais, políticas, ideológicas, econômicas, arte. Indaga sobre o significado da vida, do sexo, do amor, enquanto busca encontrar sua autenticidade, autonomia e emancipação (LEVISKY, 1998, p. 49).

Nessa fase da vida os adolescentes “começam a refletir de um jeito mais adulto. Em outras palavras, desenvolvem a capacidade de manipular todo tipo de informação”, colocam Carr-Gregg e Shale (2003, p.19). A partir daí, começam a formular perguntas mais elaboradas e descobrem “que tem capacidade de argumentar e até de rejeitar uma porção de rotinas e comportamentos antes aceitos com nenhuma ou pouca discussão” (CARR-GREGG; SHALE, 2003, p.19).

É comum, nessa etapa de descoberta da capacidade argumentativa, o jovem apegar-se “veemente às suas ideias, até com certo grau de fanatismo” (LEVISKY, 1998, p. 49). Essas crenças, segundo Levisky (1998), podem ser antes por auto-afirmação, dentro do processo de identificação do adolescente, do que por um posicionamento autêntico.

1.3 Alterações comportamentais e sociais na adolescência

Knobel (1992), em seu artigo A síndrome da Adolescência normal, enumera dez sintomas da adolescência, que são: (1) busca de si mesmo e da identidade; (2) tendência grupal; (3) necessidade de intelectualizar e fantasiar; (4) crises religiosas; (5) deslocação temporal; (6) evolução sexual manifesta; (7) atitude social reivindicatória; (8) contradições sucessivas em todas as manifestações da conduta; (9) separação progressiva dos pais; (10) constantes flutuações de humor e do estado de ânimo.

Para atender objetivo desse trabalho, é importante desenvolver alguns desses sintomas:

1.3.1 Busca de si mesmo e da identidade

Eis aqui o principal objetivo da adolescência segundo grande parte dos autores em que esta pesquisa se baseou. É durante essa fase de transição que o adolescente começa fazer questionamentos, a perceber-se mudando, tornando-se adulto e perde a sua identidade infantil. De acordo com Levisky (1998, p.35) “é nesse período que o indivíduo se redefine como pessoa. A adolescência é uma busca de si mesmo, numa transição da identidade infantil para a identidade adulta”.

Na opinião de Erikson (1972), Schoen-Ferreira, Aznar-Farias e Silvares (2003, p.107), “construção da identidade implica em definir quem a pessoa é, quais são seus valores e quais as direções que deseja seguir pela vida”. Para as autoras, a formação da identidade recebe a influência de alguns fatores. São eles: (1) os fatores intrapessoais, que são as capacidades inatas do indivíduo e as características adquiridas da personalidade; (2) fatores interpessoais, que tem a ver com a identificação com outras pessoas; e (3) fatores culturais, que são os valores sociais a que uma pessoa está exposta.

Zacarés (1997) entende que a identidade desenvolve-se durante todo o ciclo vital, mas é no período da adolescência que ocorrem as transformações mais significantes. A preocupação com a identidade torna-se mais consciente e intensa por vários fatores, entre os quais o autor destaca a “maturação biológica, o desenvolvimento cognitivo alcançado e as demandas sociais para comportamentos mais responsáveis” (p.2). Segundo o mesmo autor, é a “primeira etapa da vida em que estão reunidos todos os ingredientes para a construção de uma identidade pessoal” (p.2) (SCHOEN-FERREIRA, AZNAR-FARIAS E SILVARES, 2003, p.108).

Esse processo de busca por uma identidade adulta resulta bastante conturbado e por muitas vezes confuso, por isso, é comum que durante a busca da nova identidade o adolescente passe por um período de tentativas. Carr-Greg e Shale (2003, p. 30) afirmam que “Alguns adolescentes não acham uma identidade de uma hora para outra. Para descobrirem quem são, experimentam uma sequência de máscaras até encontrarem a que serve”. É comum que a cada dia o adolescente apareça com um jeito de se vestir diferente, queira pintar o cabelo, cortar de um jeito estranho, enfim, que adote diferentes identidades, em busca de uma no qual realmente se encaixe.

Manning (2000, p. 177) afirma que “o adolescente muitas vezes experimenta e depois rejeita algumas ideias, certos papéis e valores, como se estivesse escolhendo um novo guarda-roupa”, e acrescenta que isso faz parte do processo normal de desenvolvimento. Ele é meio instável quanto a suas predileções, contudo, Levisky (1998) diz que eles costumam apresentar um certo fanatismo quanto às suas ideias – pelo menos, enquanto elas durarem, mais por uma questão de auto-afirmação do que por posicionamento autêntico.

Esses momentos de instabilidade, entretanto “vão diminuindo à medida que o jovem encontra maior clareza e aceitação a respeito de si mesmo, ao elaborar suas perdas e ao sentir-se aceito e tolerado em seu ambiente” (LEVISKY, 1998, p.54). O autor coloca ainda que, nesse processo de identificação o jovem busca por modelos de identificação. Artistas, professores, atletas ou seus próprios colegas se tornam elementos, onde o jovem busca seus novos e próprios valores e características.

1.3.2 Tendência grupal

Nesta busca de identidade, o adolescente recorre às situações que se apresentam como mais favoráveis no momento. Uma delas é a da uniformidade, que proporciona segurança e estima pessoal. Ocorre aqui o processo de dupla identificação em massa, onde todos se identificam com cada um, e que explica, pelo menos em parte, o processo grupal do qual participa o adolescente (KNOBEL, 1992, p. 32).

Durante a adolescência, é comum que os adolescentes comecem a priorizar o convívio com amigos em detrimento do convívio familiar. Carr-Gregg e Shale (2003, p.27) dizem que “em nenhuma outra fase da vida, o desejo de estar com o grupo de colegas é tão forte”. O que ocorre nesse fenômeno, afirma Knobel (1992, p.36), é um processo de superidentificação em massa, “onde todos se identificam com cada um” e o adolescente, então, “transfere ao grupo grande parte da dependência que anteriormente se mantinha com a estrutura familiar e com os pais especialmente”.

Ao se unirem em grupos, os adolescentes desenvolvem um tipo de “identidade coletiva” (MANNING, 2000, p. 184). Essa identidade coletiva representa uma uniformidade numa época em que as aparências físicas não são uniformes – às de pessoas que não estão passando por esse mesmo processo, de adolescer - e a individualidade é muitas vezes incômoda. Para Manning, (2000, p. 183) “quando o adolescente se sente alienado da sociedade, dispor de um grupo com o qual possa se identificar representa para ele uma fonte de conforto”. O grupo de pares se transforma então numa sociedade em escala reduzida.

Alguns adolescentes não acham uma identidade de uma hora para outra. Para descobrirem quem são, experimentam uma sequência de máscaras até encontrarem a que serve. Muitos escolhem participar de “grupos” ou “tribos” para terem algo com que se identificar, para pertencerem. [...] Buscar identidades variadas é completamente normal (CARR-GREGG; SHALE, 2003, p.30).

Sobre o fim dessa fase “amigos”, Knobel (1992, p.37) afirma que “depois de passar pela experiência grupal, o indivíduo poderá começar a separar-se da turma e assumir a sua identidade adulta”.

1.3.3 Deslocamento temporal

Para a maioria dos jovens, a noção de tempo encontra-se deturpada. Para uns, o tempo existente é o momento, o presente, sem perspectiva. Negam o passado, e o futuro imediato é sentido como longínquo. Mas o distante pode parecer-lhes imediato. E essas flutuações temporais são constantes e dependem de sua motivação e estado de ânimo (LEVISKY, 1998, p.57).

O adolescente busca uma forma de usar sempre o tempo a seu favor, da forma que lhe for mais conveniente. Para estudar para uma determinada prova uma tarde basta, mas escolher a roupa que vai usar numa festa que vai acontecer no próximo mês tem que ser agora. Levisky (1998, p.41) coloca que “do ponto de vista da conduta observável, é possível dizer que o adolescente vive com uma deslocação temporal; converte o tempo em presente e ativo, numa tentativa de manejá-lo. [...] As urgências são enormes e, às vezes, as postergações são aparentemente irracionais”.

2 ATUAL GERAÇÃO DE ADOLESCENTES

Cada geração elabora um processo que envolve a assimilação e a análise dos conhecimentos, costumes e valores já estabelecidos e, ao mesmo tempo, desenvolve mecanismos que lhe permitem mudar, transgredir e construir novas regras, atitudes e práticas, alterando as fronteiras comportamentais. Nesse constante evoluir, embora os adolescentes estabeleçam comportamentos baseados em regras e conceitos previamente definidos pelo meio cultural no qual estão inseridos, estes não serão iguais entre gerações diferentes e as rupturas são inevitáveis (MONTARDO, 2009).

Os aspectos abordados até agora no trabalho são comuns a todas as adolescências – respeitadas as características individualizadoras, por serem fatores formadores do indivíduo. No entanto, nem só de fatores biológicos e psicológicos essa fase é formada. Aberastury (1981, p. 22) diz que “toda a adolescência tem, além da característica individual, as características do meio cultural, social e histórico desde o qual se manifesta”.

Ela [a sociedade] assimila novos padrões de comportamento e de posicionamento pleiteados pela juventude, de tal sorte que, progressivamente, ocorrem uma acomodação e integração entre o jovem e a sociedade, possibilitando transformações, que caracterizam a evolução (LEVISKY, 1998, p.57).

2.1 Fatores que permearam os primeiros anos de vida dessa geração

Os adolescentes de hoje nasceram em meio à década de 1990. Durante esse período da história do País ocorreram profundas transformações nos mais variados cenários. Uma das mudanças que afetou diretamente as crianças àquela época foi a edição da Lei nº 8.069, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Dispondo, em seu artigo 1º, sobre “a proteção integral à criança e ao adolescente”, o ECA gerou - e ainda gera - muitas discussões. No artigo 4º, a lei dispõe que:

É dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do poder público assegurar, com absoluta prioridade, a efetivação dos direitos referentes à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao esporte, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária [grifo meu] (BRASIL, 1990).

Muito se discute sobre o estatuto, alega-se que as crianças e os adolescentes estão sendo superprotegidas, em relação até aos próprios pais. Num artigo1 intitulado O surgimento do Estatuto da Criança e do Adolescente e o instituto da adoção como mecanismos de proteção da pessoa do menor, escrito por Lorena Cavalcante, ela faz a seguinte consideração sobre o ECA:

Esse estatuto representou um marco para as relações entre pais e filhos, inclusive os adotados, e, principalmente, na proteção dos próprios filhos, uma vez que passam a ter seus direitos amplamente protegidos e respeitados, inclusive acima de qualquer interesse que aqueles que os criam eventualmente possam ter. Na leitura do Estatuto da Criança e do Adolescente, três aspectos podem ser destacados: a) o legislador fixa como critério interpretativo de todo o estatuto a tutela incondicionada da formação da personalidade do menor, mesmo que em detrimento da vontade dos pais; b) a criança e o adolescente são chamados a participar com voz ativa na própria educação, convocados a opinar sobre os métodos pedagógicos aplicados, prevendo-se, expressamente, em algumas hipóteses, a sua oitiva e até o seu consentimento; c) a lei determina um controle ostensivo dos pais e educadores em geral, reprimindo não só os atos ilícitos, mas também o abuso de direito (CAVALCANTE, 2008).

No campo econômico o país também passou por profundas transformações. A partir da implantação do Plano Real, em 1994, enfim conseguiu-se desenvolver um plano econômico que conseguiu estabilizar a inflação que tirava o sono e o valor real do dinheiro dos brasileiros.

Numa matéria de Álvaro Almeida e Simone Goldberg, publicada em 2006 na revista ISTO É, foram colocadas algumas das principais consequências trazidas pelo Real. Além do controle da inflação, os autores destacam o aumento do consumo, principalmente pela parcela mais pobre da população.

O aumento do consumo recaiu principalmente em alimentos, móveis e eletroeletrônicos e se deu porque agora sobrava um dinheiro que não era gasto obrigatoriamente com comida - de preferência na “feira do mês” feita assim que se recebia o salário, quando tudo era mais barato.

Em meio a isso nasciam nossos atuais adolescentes. Muitos já chegaram ao mundo quando a economia já se encontrava estabilizada... a importância disso para o trabalho? Muita. Essas crianças “puderam gastar” o dinheiro que sobrava da família. Então, se antes o dinheiro só dava para a comida, agora ele permitia oferecer agradinhos aos pequeninos: um brinquedo novo; biscoitos; guloseimas; a reforma ou troca para uma casa maior, onde a criança pudesse ter um quarto só para ela; uma televisão no quarto da criança, para que ela assistisse seus programas preferidos sem atrapalhar a programação televisiva dos pais; etc.

Programas voltados ao público infantil não faltavam na época: Xou da Xuxa, Angel Mix, TV Colosso, Bom Dia e Cia, Castelo Rá-Tim-Bum, Cocoricó, Chaves, etc. Além desses, os desenhos animados, como os Teletubbies, Pokemon, Cavaleiros do Zodíaco, o até hoje presente Pica-Pau, prendiam a atenção das crianças. Em 1997, entretanto, o SBT, inovou ao colocar no ar uma novela voltada para o público infantil, Chiquititas, e em horário nobre. A novelinha fez tanto sucesso que teve cinco temporadas.

No cenário musical, muito axé. É o tchan, Terrasamba, Axé Blond, Banda Eva, Daniela Mercury, Asa de Águia, e muitos outros. Concomitantemente a isso, as crianças cresciam descendo na boquinha da garrafa – para desespero de muitos pais. Mas nem só de axé foi o cenário musical da década de 90. Pagode, música sertaneja, lambada, boy bands e até os divertidos Tiririca, com sua Florentina, e os Mamonas Assassinas, com sua carreira curta, mas muito intensa.

Os programas de televisão para “a família”, como o Domingo Legal, traziam uma boa dose de erotismo para as tardes de domingo, no caso, com o quadro a “ banheira do Gugu” – que após 6 anos no ar foi considerado inadequado para o horário, reclassificado como não recomendado para menores de 14 anos e, então, tirado do ar.

Outros inúmeros fatores aconteceram enquanto as crianças iam crescendo e tiveram influência direta no seu desenvolvimento, entre eles o boom tecnológico que acompanhou seu crescimento.

2.2 Evolução tecnológica

O homem vem se relacionando com a tecnologia desde que deixou de ser a presa para se tornar o caçador, quando descobriu que um bastão poderia derrubar seu adversário e que a madeira ou a pedra, quando friccionadas, poderiam provocar uma chama luminosa capaz de aquecer o ambiente. O espanto esteve presente, junto ao fascínio de ver o novo surgir (RENÓ, 2006, p.3).

Como foi dito na citação acima, não é de hoje que o homem se relaciona com a tecnologia. O surgimento de inovações foi algo fundamental para o desenvolvimento da vida na terra e para que a humanidade chegasse aos dias de hoje. O melhoramento da medicina, a possibilidade de uma comunicação entre pessoas situadas em pontos distintos do mundo, a propagação da informação, dentre outros inúmeros melhoramentos que atingiram todos aqueles que se renderam às novidades oferecidas.

Na opinião de Renó (2006), “a tecnologia causou medo e deslumbre nas gerações que assistiam seu surgimento, ao mesmo tempo em que conviviam naturalmente com as novas gerações, que cresciam simultaneamente”. Foi basicamente isso que ocorreu com os atuais adolescentes: enquanto a geração nascida na década de 80, por exemplo, via, ainda que criança, a popularização do celular e o surgir na Internet no Brasil, essa geração de adolescentes de hoje estava nascendo.

Mais do que ferramenta operacional, tecnologia é cultura e, como tal, interfere na configuração de modos de ser e de pensar, visões de mundo, conceitos e preconceitos, identidades, e de novas subjetividades também. A atmosfera tecnológica que nos envolve, mesmo aos que não usufruem dela, faz com que sejamos bem diferentes das pessoas que nasceram ou viveram na primeira metade do século XX. Dizer que cada nova tecnologia interfere na configuração das “organizações subjetivas” dos seres humanos é uma redundância. (LEITE; MIGLIORA, 2006).

Por terem nascido em meio ao advento das tecnologias e da internet, os adolescentes da atual geração são chamados de nativos digitais. Eles estão completamente imersos no mundo tecnológico e acostumados – até porque não conheceram o mundo de outra forma – a tecnologias. Por conviverem desde cedo com essa avalanche de novidades, os teens parecem ter “saído de fábrica” com um “acessório extra”: o “decodificador automático de novas tecnologias”. Eles possuem uma extrema facilidade de entender e manusear equipamentos que nunca viram e que para alguns parecem “bichos-de-sete-cabeças”. Adolescentes não leem manual de instruções e - ainda assim - é comum presenciar situações onde eles ensinam pais, avós, vizinhos – e até professores - a manusear determinados equipamentos.

Como se não bastasse todas as tecnologias que manuseiam desde que eram crianças, os teens se acostumaram ao ritmo frenético com que inovações e melhoramentos tecnológicos surgem – e aguardam ansiosos, sempre, por essas novidades. Renó (2006, p.6) acrescenta que essa geração “não ficou impressionada com a criação ou mesmo a evolução do chip. Para ela, o chip é tão comum quanto o palito de dente ou a escova de cabelo. Já para gerações anteriores, tudo isso causou, e ainda causa outras impressões".

2.3 Geração Multimídia

Os nativos digitais, que desde a infância foram expostos - não a uma, mas a várias - tecnologias, constituem a chamada Geração Multimídia, também chamada de Multitasking, Multimeios, etc., não porque simplesmente lidam com as novidades do mundo tecnológico, mas porque possuem uma grande capacidade de utilizar várias delas simultaneamente. Um estudo feito nos Estados Unidos, “Generation M”2, mostrou que os jovens americanos possuem o dia-a-dia saturados por mídia, e aponta que as novas tecnologias - e principalmente a internet - mudaram a forma como as mídias são consumidas pelos jovens.

Antes dessa enxurrada de inovações, os jovens consumiam as mídias separadamente: ou assistiam televisão, ou liam, ou ouviam rádio, etc. Hoje em dia, enquanto pesquisam algo na Internet, os adolescentes assistem televisão, ouvem música, mandam mensagem pelo celular e participam de chats online, tudo ao mesmo tempo.

Se esse estudo tivesse sido feito no Brasil os resultados, muito provavelmente, seriam os mesmos. Basta observar um teen em seu “ambiente natural” – um quarto equipado com televisão, computador, celular, etc. A TV vai estar ligada (com o som baixo ou até sem som), o computador conectado à internet, o adolescente com o fone de um iPod em um dos ouvidos, um livro numa mão e o celular na outra. O que ele está fazendo? Estudando para uma prova.

Sobre a realização de várias tarefas simultâneas, Coser (2008) faz algumas considerações importantes:

A realização de várias tarefas simultâneas faz parte do cotidiano das pessoas há muito tempo, mas, nos últimos anos, a introdução de novas tecnologias, como web, e-mail, salas de conversação via Internet, telefones celulares, videogames etc., levaram a multitarefa a níveis extremos, principalmente entre os adolescentes (COSER, 2008, p.158).

O autor acrescenta que essa realização de várias tarefas ao mesmo tempo tem alguns fatores positivos, como o fato de incrementar certas habilidades que outras gerações não tinham. Alguns exemplos disso são “a facilidade na utilização de computadores e para encontrar e manipular informação através da internet” (COSER, 2008, p.161).

Entretanto, no site da Folha Online, uma matéria3 abordou o estudo do consumo de várias mídias ao mesmo tempo e as suas consequências no desenvolvimento dos jovens, Nela, o professor pediatra da Universidade de Washington, Dr. Dimitri Christakis, afirmou que na verdade não se realizam múltiplas tarefas. O que acontece, segundo o especialista, é que o cérebro oscila entre duas tarefas, mas, complementa, os adolescentes podem ter algumas vantagens nesse processo.

2.4 Era das informações

No livro A tirania da comunicação, Ramonet fez uma observação que mostra o quanto estamos numa era de informações:

“Em trinta anos, o mundo produziu mais informações do que no curso dos cinco mil anos precedentes... Um único exemplar da edição dominical do New York Times contém mais informações do que poderia adquirir, durante toda a sua vida, uma pessoa culta do século XVIII” (RAMONET, 1999).

Esse livro foi lançado em 1999. De lá para cá muita coisa mudou. Hoje, o acesso aos meios de comunicação é mais fácil, 98%4 da população do país tem aparelho de televisão em casa, 87%5 tem aparelho de rádio, 27%6 da população do país tem computador em casa e grande parte dos que não tem acessa a internet em lan houses. A internet possui já possui mais de 180 milhões de domínios7. É em meio a tudo isso que os adolescentes estão crescendo. Eles chegaram ao mundo em pleno advento da era das informações.

Eles sabem demais, coisas que muitas pessoas, que hoje são adultas, só vieram a descobrir há pouco tempo. Isso acontece porque desde cedo, as então crianças e que hoje estão na adolescência sempre receberam muitas informações. Antigamente, há algumas poucas décadas, a criança não tinha voz, não podia se intrometer em assunto de “gente grande”, era privada de conhecimentos que eram considerados inoportunos para elas, etc. Hoje elas questionam e são respondidas, se não pelos pais, pelos meios de comunicação agora tão acessíveis.

Fábio Tagnin (2008) coloca que:

os jovens estudantes de hoje vivem em um mundo em que a informação está amplamente disponível para quem quiser obtê-la, por meios eletrônicos diversos como a internet, o computador, o celular, a televisão a cabo e até outdoors eletrônicos. É um mundo sob demanda, onde o conhecimento e as habilidades podem ser adquiridos de várias formas e métodos (TAGNIN, 2008).

Uma iniciativa que demonstra o quão informadas e capazes de falar são as crianças foi realizada em 1995 – olha os nossos atuais adolescentes aí – pela Rádio Cidadã, situada na Zona Oeste da cidade de São Paulo. Visando desenvolver um trabalho voltado para a comunidade em que funcionava, a Rádio Cidadã colocou no ar um programa chamado Cala a boca já morreu. Esse programa era dirigido para crianças e feito por crianças. Isso só foi possível pela facilidade de acesso a informações. Nesse programa, as crianças chegavam até a entrevistar políticos.

Não é preciso ser pai ou professor para notar que as crianças estão mais espertas do que nunca. Dominam informações que só deveriam aprender anos mais tarde. Fazem perguntas que surpreendem. Mexem em computadores, celulares e aparelhos eletrônicos como se agissem por instinto – realizando operações que, para os adultos, exigem consultas ao manual de instruções. Os educadores advertem que, para acompanhar a evolução da garotada, a educação no Brasil e no mundo terá de mudar nos próximos anos, ajustando currículos e procedimentos pedagógicos. Os cientistas não têm dúvida de que por trás de tudo isso está a imersão das crianças na tecnologia e em seu consequente acesso ilimitado à informação (Veja online , 2006)

Após todas as considerações feitas sobre a atual geração de adolescentes, mesmo com essas características culturais, sociais e históricas, que se transformam em fatores particularizantes, Levisky (1998, p. 26) afirma que “qualquer que seja o contexto sociocultural, a adolescência será sempre um período de crise e de desequilíbrio” devido aos aspectos fisiológicos e suas repercussões psicológicas no desenvolvimento do indivíduo.

3 HISTÓRIA DO CONSUMO DAS MÍDIAS

Antes de nos debruçarmos nos dados obtidos com a aplicação dos questionários, falaremos um pouco sobre alguns meios de comunicação disponíveis atualmente. O ponto inicial do processo de comunicação humana ainda é desconhecido. Perles (2009, p.5) coloca que “até hoje os estudiosos ainda buscam chegar a uma conclusão definitiva sobre como os homens primitivos começaram a se comunicar entre si”. Acredita-se que inicialmente os humanos se comunicavam se por meio de gritos ou grunhidos, gestos, ou pela combinação desses elementos. De alguma forma, entretanto, “o homem chegou à associação dos sons e gestos para designar um objeto, dando origem ao signo”, diz Perles (p.5), baseado nos escritos de Bordenave (1982, p.24).

Algum tempo depois desse processo inicial,

o homem descobriu que as palavras ou nomes de objetos eram compostos por unidades menores de som, descobrindo, portanto, os fonemas e, consequentemente, a possibilidade de representar os objetos e as coisas por meio destas unidades. Esta descoberta permitiu o surgimento da escrita chamada fonográfica, na qual os signos representam sons. A combinação dos sons em sequências de diversos comprimentos pode, além de descrever objetos, representar ideias. A possibilidade dos signos gráficos serem representados por unidades de sons menores que as palavras deu nascimento ao conceito de letras. Com elas, o homem formou os alfabetos (PERLES, 2009, p.6).

Contudo, por muito tempo o conhecimento da linguagem escrita ficou restrito a poucos. A escrita somente começou a ser inserida na vida cotidiana do fim da Idade Média. Briggs e Burke (2004), baseados nos escritos do antropólogo Jack Goody (1977), apontam uma das principais consequências trazidas pela escrita para a humanidade: a lembrança do passado. Goody (1977) discutiu as consequências sociais e psicológicas do letramento baseando-se em uma análise de listas escritas no antigo Oriente Médio e, a partir daí, enfatizou a reorganização ou reclassificação de informação. Para o autor, existe uma tendência da cultura oral de que as informaçõe sejam gradativamente esquecidas, processo denomidado por Goody de “amnésia cultural”. “A permanência de registros escritos age como um obstáculo a esse tipo de amnésia, e portanto estimula uma consciência da diferença entre passado e presente. O sistema oral é mais fluido e flexível; o escrito mais fixo.” (BRIGGS; BURKE, 2004, p.24).

Um fator muito importante para a difusão do letramento data de aproximadamente 1450, quando o Alemão Johann Gutenberg inventou uma prensa gráfica que utilizava tipos móveis de metal. “O surgimento do sistema tipográfico gutenberguiano é considerado a origem da comunicação de massas por constituir o primeiro método viável de disseminação de ideias e informações a partir de uma única fonte” (PERLES, 2009, p.7).

Em pouco tempo a prática da impressão gráfica se espalhou por toda a Europa e, por volta do ano 1500, mais de 250 lugares na Europa já tinham máquinas de impressão. Entretanto, nem todos os países receberam a nova tecnologia de braços abertos. Na Rússia e no mundo cristão ortodoxo, uma região onde o alfabeto utilizado era o cirílico e na qual a educação formal estava praticamente confinada ao clero; e no mundo muçulmano, onde o medo de heresia afastava os aprendizados sobre o Ocidente, houve uma a resistência à impressão gráfica.

Pessoas e organizações também se mostraram contrárias a nova tecnologia. No entanto, alguns comentaristas desejaram que a nova época jamais tivesse chegado: os escribas - pessoas que dominavam a escrita e trabalhavam com ela, redigindo documentos, cartas, etc. - , opunham-se à ela porque ameaçava seus negócios; os homens da igreja acreditavam que os impressos permitiriam aos leitores que ocupavam uma posição baixa na hierarquia social e cultural estudar os textos religiosos por conta própria, no lugar de confiar no que lhes era passado. A era da impressão só conseguiu se disseminar, inicialmente, nos lugares onde encontrou condições sociais e culturais favoráveis, sem empecilhos ao seu desenvolvimento.

Embora as novidades fossem muitas, a nova era trazida pela invenção da prensa gráfica não alterou bruscamente a forma de comunicação da época – nem poderia. Como somente uma minoria da população sabia ler, e menos ainda escrever, presume-se que a comunicação oral deve ter continuado a predominar na chamada era da impressão gráfica.

Da mesma forma que a comunicação oral coexistiu – e coexiste até hoje – com a escrita, o surgimento de novas mídias, não ocasionou o desaparecimento imediato das mais antigas, elas coexistiram e interagiram – pelo menos por algum tempo.

Os manuscritos desenvolviam uma importante função no início do período moderno: eles serviam como canal para a circulação pública de mensagens. Numa época onde a censura da mídia era bastante forte - para evitar heresia, sedição ou imoralidade - a circulação de manuscritos foi uma forma encontrada para tratar de assuntos que abordassem aspectos religiosos, morais e políticos.

Entre 1550 e 1640, antes ainda do aparecimento dos jornais, surgiram vários tipos de manuscritos e, dentre esses, os noticiosos, que eram basicamente cartas enviadas para um número limitado de assinante em múltiplas cópias com informações que os governos preferiam manter secretas. Entretanto, o fato de ser mais flexível do que os impressos, permitiu uma característica bem particularizante dessa mídia: as notícias enviadas a cada assinante variava de acordo com os seus interesses e necessidades. Por motivos óbvios esse serviço só estava disponível para pessoas ricas e mesmo após 1650, com o aparecimento dos noticiosos impressos, ainda havia um mercado para esse tipo de manuscrito.

3.1 Jornal

Dois séculos se passaram até que no início do século XVII quando começaram a surgir os primeiros jornais. Com isso, aumentou-se a ansiedade sobre os efeitos da nova tecnologia, entretanto de nada adiantou essa ansiedade já que “os efeitos do aparecimento de jornais e outros noticiosos têm sido discutidos até hoje” (BRIGGS; BURKE, 2004, p.79). Nessa época a Europa ainda era uma sociedade pouco letrada, mas, com o passar do tempo e o evoluir das coisas, foi ficando bastante oneroso o não ler e escrever.

Inicialmente os jornais eram regionais, por causa das dificuldades de transporte que imperavam na época, e segmentados por assunto. Haviam os acadêmicos, que noticiavam sobre novas descobertas, óbitos de acadêmicos e também livros novos; os dirigidos a um público de escolaridade inferior; o dirigido às mulheres, que falavam sobre moda e decoração; e aqueles que se diziam independentes em relação a partidos políticos. “O jornal cobria desde questões morais e estéticas até a última moda em luvas” (BRIGGS; BURKE, 2004, p.79).

Em 1881, somente em Londres, circulavam entre cinco e seis milhões de publicações, entre semanais e mensais . O letramento já estava em alta – destaque-se aqui a importância dos jonais no processo de introdução dos impressos na vida cotiana das pessoas, ao menos em algumas regiões da Europa - e começou a surgir uma demanda por material de leitura diferente daquele oferecido até então, destinado principalmente às pessoas cultas.

O que aconteceu nas décadas de 1880 e 1890 foi que o ideal de um “público” informado estava dando lugar às realidades do “mercado”, tanto na mídia quanto na economia. A força do radicalismo diminuiu, e não eram somente os conservadores que falavam em “dar ao público o que ele quer”. Para alguns as publicações impressas eram um negócio como outro qualquer (BRIGGS; BURKE, 2004, p.202).

Algus jornais, então, começaram a desenvolver um conteúdo que incluia mais entretenimento e menos informação. Entretanto, com o passar do tempo, os consumidores dessas publicações não qualificados como de qualidade, começaram a a se destacar na sociedade e ganharam muitos direitos civis, entre eles o direito ao voto.

Surgiu, dessa forma, um "novo jornalismo”, que tentava atrair a atenção dos leitores que acabavam de ganhar direitos civis. Para isso, deixou-se totalmente de lado o entretenimento sem, entretanto, examinar a opinião das pessoas recém afetadas pelos direitos civis. Porém, muitas dessas pessoas que recorriam à imprensa o faziam mais por diversão, do que para obter informação e conhecimento.

Em decorrência desse importante fato, ignorado pouco tempo atrás, o entretenimento voltou aos jornais ainda antes do início do século XIX, e era tão importante quanto a informação em diversos jornais. “Em 1822, o Bell´s Life in London and sporting Chronicle , fazia propaganda de si mesmo dizendo combinar as NOTÍCIAS da semana com um rico REPERTÓRIO de MODA, GRAÇA e HUMOR, além de INCIDENTES DA VIDA SOCIAL E COTIDIANA” (BRIGGS; BURKE, 2004, p.205). Os jornais deixaram de ser segmentados por assunto e passaram a abordar, num só título, temas os mais variados.

A partir daí foram surgindo novas formas de jornalismo, como o “jornalismo investigativo”, que denunciava corrupções de magnadas, dos milionários da imprensa, dos detentores do poder. Nessa época, no início do século XX, a imprensa começou a se tornar um “monopólio de alguns homens ricos”(p.213), grandes corporações começaram a se formar e o poder da mídia ia se concentrando em poucas mãos.

3.2 Rádio

O início da história do rádio tem muito a ver com o telefone. Idealizado por Grahann Bell em 1874 e patenteado por ele dois anos depois, o telefone surgiu num primeiro momento como um instrumento de comunicação público e privado. Durante os primeiros anos do telefone, ele era associado ao entretenimento e visava atingir audiências dispersas numa comunicação ponto a ponto.

Inicialmente, a comunicação via telefone se dava apenas num sentido. Apenas em 1976 essa limitação foi superada. “Os primeiros prospectos da Bell Telephone Company, de julho de 1877, afirmavam que `o telefone realmente fala, e por esta razão pode ser utilizado para quase todo objetivo no qual a palavra seja empregada´” (BRIGGS; BURKE, 2004, p.151). Bell viu o seu invento ser utilizado por muito tempo como forma “de lazer”, mas previa que os “usos sérios” do telefone prevaleceriam. E prevaleceram.

Numa das previsões sobre o rádio do Springfield Republican em 1877 foi que, por meio do telefone, “toda a música de uma prima dona poderia ser distribuída no país durante seu canto, popularizando assim a boa música de uma forma jamais conhecida”. [...] Na Hungria, o inventor Theodore Puskas imaginou o mais ambicioso e sustentável projeto de uso do telefone para entretenimento. [...] Em Budapeste, em 1893, [Puskas inaugurou um serviço] oferecendo assinaturas do que com efeito foi o primeiro sistema de radiodifusão do mundo. Os assinantes recebiam longos fios flexíveis e dois fones de ouvidos redondos e macios, e podiam ouvir um programa diário com variados itens, como boletins de notícias e sumários dos jornais, relatórios sobre a bolsa de valores, “palestras”, notícias esportivas e “visitas à opera”. Havia também um programa infantil semanal e “palestras linguísticas” em inglês, italiano e francês (BRIGGS; BURKE, 2004, p.153).

Com a invenção de um aparelho receptor de onda hertziana, um “[rádio] coesor”, por Oliver Lodge, a transmissão sem fio se tornou o auge da história das comunicações no século XIX. (p. 159). O rádio começou a ter aplicações as mais diversas. Para os militares, o uso prático do rádio possibilitou a comunicação até nos oceanos. Contudo, como as mensagens eram enviadas em código Morse, possibilitavam a captação por pessoas a quem não eram dirigidas. Inicialmente isso foi visto como uma grande desvantagem do meio.

Os nazistas também se aproveitaram do rádio. Na década de 1930, Hitler e Gorbbels – encarregado da propaganda nazista-, buscaram destruir a autonomia da imprensa e propagar seus ideiais por intemédio desse meio de comunicação.

Mas nem só de conflitos a radiodifusão se firmou. Seu potencial só se tornou evidente quando o rádio entrou nas casas das pessoas, primeiro nos Estados Unidos e depois na Grã-Betanha e Holanda. Em 1922 houve uma grande demanda por aparelhos de rádio e cerca de 100 mil aparelhos foram vendidos naquele ano. No ano seguinte foram mais 500 mil. Em 1930, num ambiente de depressão, já havia aproximadamente 14 milhões de aparelhos de rádio em uso no mundo. Era o começo da “idade de ouro” e o rádio se tornara um meio de comunicação de massa.

Como reação aos número citados, começou a surgir um grande número de estações de rádio, de todos os tipos, associadas a jornais, a organizações de venda a varejo, a cidades, escolas ou universidades. Briggs e Burke (2004) colocam que “um observador da época dizia que qualquer coisa que pudesse falar era chamado de estação de rádio´”.

Entre essas estações começaram a aparecer rádios piratas. Elas desafiavam as autoridades trasmitindo uma programação diferenciada daquela que era colocada na época. As estações piratas tinham uma programação musical e tocavam principalmente rock. Depois de tentativas de controlar a situação pela lei, a BBC, uma das grandes do setor na época, criou em 1967, uma nova rádio, com programas semelhantes aos das estações piratas, inclusive empregando funcionários que vinham das rádios clandestinas.

“No ano de 1927[...] o sistema de rádio era principalmente um meio de entretenimento, com o noticiário vindo em segundo lugar, e tinha também posições diferentes sobre transmissões religiosas e políticas (incluindo as eleições)” (BRIGGS; BURKE, 2004, p.227). A principal forma de entretenimento que transmitida antes da guerra eram as “variedades”, descritos pelo jornal The Times como o “pão com manteiga da radiodifusão”(p.230).

Antes da guerra, as “novelas”, que foram batizadas em inglês como soap operas por serem patrocinadas pela Colgate-Palmolive e pela Procter e Gamble, apresentavam dramas diários de 15 minutos. Havia também uma Hora Palmolive e uma Hora Maxwell-House (de café). As notícias custaram a entrar na programação. [...] Somente em 1934 elas tiveram um lugar cativo na programação, muitas vezes com manchetes e excertos (BRIGGS; BURKE, 2004, p.233).

3.3 Televisão

O invento da televisão só foi possível a partir do desenvolvimento da fotografia e do cinema. As primeiras imagens fotográficas precisas foram feitas em 1829, por Louis Daguerre, e foram chamadas de daguerreótipos. Os primeiros objetos daguerreótipos eram objetos únicos, vistos como “expressões de arte que não permitiam reprodução múltipla” (BRIGGS; BURKE, 2004, p.170).

Um momento crucial para a história da fotografia, e que começou a preceder a história da televisão, foi a introdução da “imagem em movimento”. Eadweard Muybridge, em 1872, formou uma sequencia de fotos de um cavalo correndo e as colocou numa sequencia de forma a transmitir um sentido de movimento. Ele queria provar ao governador da Califórnia que um cavalo, ao trotar, ficava com todas as patas fora do chão.8 Em 1881, Thomas Edison criou um aparelho chamado kinetoscópio (ou cinetoscópio) para possibilitar a exibição de um filme em movimento. Esse aparelho possuia um pequeno orifício e apenas possibilitava que uma pessoa de cada vez visualizasse as imagens – depois de inserir uma moeda. “Edison não acreditava que usar o aparelho para projetar imagens em uma tela fosse financeiramente rentável”(BRIGGS; BURKE, 2004, p.173).

Em 1895, porém, Louis Lumière, apresentou seu “cinematógrafo” a uma platéia de 35 pessoas, no Grand Café, em Paris. No ano seguinte ele fez o mesmo, para uma platéia bem maior, no Empire Music Hall, em Londres. “Lumière, com uma patente em 1895, havia descoberto um público e criado um meio de comunicação” (BRIGGS; BURKE, 2004, p.173).

Inicialmente, a Fança dominou a produção cinematográfica. Em 1914 os Estados unidos estavam em segundo lugar no mercado de exportação de filmes. Nessa época, Hollywood já havia produzido seu primeiro filme, mas ainda era uma pequena cidade com bosques de laranja. Entretanto, já tinha suas “estrelas de cinema”, entre elas Charles Chapin. Os filmes de Chaplin na década de 1920 adquiririam um personagem mítico. Charles, na época do cinema mudo, via sua fama continuar a crescer, mesmo com o surgimento de outras estrelas.

Em 1927, a Warner Brothers, lançou o filme The Jazz Singer (O Cantor de Jazz), o primeiro filme sonoro, dando início à “era de ouro” do cinema. Durante essa fase, os cinemas se transformaram em verdadeiros “palácios de sonhos”. Além dos filmes ofereciam música, café e doce em seus bares. Estima-se que, em 1932, “pelo menos quatro em cada dez pessoas em [na cidade de] Liverpool iam ao cinema uma vez por semana; e uma em cada grupo de quatro ia ao cinema duas vezes por semana” (BRIGGS; BURKE, 2004, p.174).

A primeira patente de um sistema de televisão data de 1907, mas somente no fim da década de 1920 os primeiros aparelhos de TV, os televisores, foram postos à venda. Entretanto, no final da década de 1920, com a Crise de 1929 e a Grande Depressão, o cenário econômico se tornou desfavorável ao desenvolvimento rápido da nova tecnologia. Com o início da Segunda Guerra Mundial, a televisão foi praticamente esquecida. No ano em que os Estados Unidos entraram na guerra, em 1941, por exemplo, a NBC e a BBC – que naquela época ja eram duas gigantes da comunicação por causa do rádio – faziam apenas algumas transmissões televisivas limitadas e em horários definidos. Enquanto isso, o cinema continuava vivendo sua “era de ouro” e ainda após o término da Segunda Guerra Mundial, o entusiasmo sobre a televisão ainda era pequeno. Acreditava-se que apenas as pessoas ricas fossem ser atraídas pela novidade.

Após o fim da guerra e o retomar da normalidade, alguns poucos programas de televisão começaram a ser oferecidos. Entretanto, mesmo com uma programação pequena, a produção e a venda de aparelhos começou a crescer de forma significativa. Entre 1947 e 1952 cresceu de 178 mil para 15 milhões a produção de aparelhos. Em 1952 já havia mais de 20 milhões de aparelhos em uso no mundo.

Uma audiência realmente de massa começava a crescer explosivamente a cada semana, enquanto o público do cinema diminuía, apesar da popularidade da “era do cinema” e do difundido slogan de Hollywood: “Os filmes estão melhores do que nunca”. Em 1953 o presidente [dos Estados Unidos] Eisenhower escreveu no diário o seguinte: “Se um cidadão vai se entediar ao máximo, é mais barato e mais confortável ficar em casa e vertelevisão do que sair e pagar um dólar por um ingresso” (BRIGGS; BURKE, 2004, p.238).

Em 1952 mais de um terço da população norte-americana possuia um aparelho de televisão. Eram mais de 20 milhões de televisores em uso nos Estados Unidos. A cada semana, a audiência crescia, com a predominância de espectadores pertencentes ao grupo de baixa renda. A BBC lançou um relatório que mostrava que 70% dos telespectadores da época só haviam frequentado escolas até a idade de 15 anos.

Para se ter uma noção do sucesso da televisão no século XX, o número de licenças de televisão na Grã-Betanha saltou de 14.560, no fim de março de 1947, para a marca de um milhão de licenças no fim de 1951, apenas quatro anos depois. A programação da televisão era, já naquela época, bastante variada, embora, em termos de números, fosse menor do que a do rádio. Os programas básicos de televisão incluiam espetáculos de jogos, quebra-cabeças e novelas. Cada vez mais a televisão foi se difundindo, deixando de fora de seu alcance apenas aqueles que assim desejavam.

3.4 Internet

A origem da Internet é remonta ao final da década de 60 do século passado. No auge da Guerra Fria, o Departamento de Defesa dos Estados Unidos decidiu desenvolver uma rede de computadores visando proteger importantes dados militares. Essas informações eram extremamente confidenciais e havia a necessidade da criação de um sistema: (1) permitisse o acesso a elas a partir de locais distantes uns dos outros, ligando pontos estratégicos para o país como bases militares e centros de pesquisa e tecnologia; (2) onde as atualizações chegassem a todos no menor espaço de tempo possível; e (3) que, no caso de um dos pontos ou uma via de comunicação ser destruído por bombardeios, o sistema preservasse as informações.

A ideia era criar um sistema de informações não hierárquico, em que todos os pontos tivessem a mesma importância, sem um comando central, e por onde os dados fossem transmitidos em qualquer sentido (sem uma ordem definida). A Advanced Research Projects Agency (ARPA), Administração dos Projetos de Pesquisa Avançada do Departamento de Defesa dos Estados Unidos, realizou o projeto idealizado. Foi, então, criada a ARPAnet.

Já que seu propósito de criação foi militar, por algum tempo a internet foi usada apenas com essa finalidade, até que em 1967, a ARPA resolveu compartilhar a tecnologia. Para isso, conforme os escritos de Sinkos (2008, p.38), reuniu universidades e institutos de pesquisa com o objetivo de integrá-los à rede.

A rede antecessora da Internet foi formada inicialmente pela conexão dos computadores de quatro hosts, da Universidade da California em Los Angeles (UCLA), do Stanford Research Institute (SRI), da Universidade da California em Santa Barbara (UCSB) e da Universidade de Utah (PINHO, 2000, p. 23).

Em 1972, segundo Pinho (2003, p. 3) o projeto da ARPA ampliou a rede para 23 hosts conectando universidades e centros de pesquisa do governo. Em 1974 já eram 62 servidores. Mesmo com sua utilização para objetivos tão distintos, apenas em 1986 a ARPAnet se dividiu em duas redes, uma com propósitos militares – a Milnet - e outra visando pesquisas - a nova ARPAnet.

O ponto crucial para a internet que conhecemos e usamos hoje aconteceu em 1991, quando Tim Berners Lee, juntamente com Robert Cailliau, criou o sistema de hipertexto www. Anos depois, “entre setembro de 1993 e março de 1994, [...] uma rede até então dedicada à pesquisa acadêmica se tornou a rede das redes, aberta a todos” (BRIGGS; BURKE, 2004, p.310).

O tempo passou e a internet foi se aprimorando. Hoje em dia ela é TV, rádio, jornal, telefone e até correios. Por causa dessa “multifuncionalidade”, alguns especialistas ainda não chegaram a uma conclusão sobre a rede. Eles não sabem definir se ela seria uma “nova” mídia ou um conglomerado de mídias. O pesquisador americano, Wilson Dizard Jr.9, explica que nos primeiros anos de existência, a internet podia apenas distribuir dados impressos, junto com algumas informações gráficas, mas que com o passar do tempo, essa limitação foi desaparecendo e a rede mundial se transformou num recurso multimídia, capaz de manipular uma ampla variedade de dados em vídeo, voz e impressos.

O fato é que a Internet já faz parte da vida das pessoas. Só para que tenhamos uma ideia do seu potencial de crescimento, se a compararmos com outras mídias, por exemplo, veremos, nos estudos da Morgan Stanley, que para crescer até atingir 50 milhões de pessoas, o rádio precisou de 38 anos, a TV de 14, a TV a cabo de 10 e a internet somente de 5. É por esse e outros motivos que já é possível contemplar a internet como principal meio para as novas gerações, com a vantagem de unir a comunicação interpessoal com a mídia (PATRIOTA, 2008, p.24)

4 METODOLOGIA

O trabalho foi desenvolvido a partir de uma pesquisa aplicada, que, segundo Silva e Menezes (2001, p.20), “objetiva gerar conhecimentos para aplicação prática dirigidos à solução de problemas específicos”. Quanto à abordagem, a pesquisa é do tipo quantitativa, pois visa “traduzir em números opiniões e informações para classificá-las e analisá-las” (SILVA; MENEZES, 2001, p.20). Quanto ao seu objetivo, a pesquisa em questão se classifica como sendo exploratória, por visar “proporcionar maior familiaridade com o problema com vistas a torná-lo explícito ou a construir hipóteses” (SILVA; MENEZES, 2001, p.21).

Os dados analisados neste trabalho foram coletados por meio de um levantamento, com a aplicação de questionários estruturados10 com questões abertas, fechadas e de múltipla escolha, através da interrogação direta de adolescentes que preenchiam os requisitos alvo da pesquisa. De forma a complementar as informações coletadas, foram buscadas outras fontes de conteúdos sobre o tema. São eles: levantamento bibliográfico, tanto por meio de materiais impressos como on-line e análise de dados secundários sobre o tema. A pesquisa se baseou em amostra não-probabilística do tipo aleatória simples, e o universo pesquisado foi de 52 adolescentes, 29 do sexo feminino e 23 do sexo masculino, de um colégio do Recife. Por meio da segmentação do colégio, houve a segmentação da classe social dos entrevistados - os teens pesquisados são provenientes das classes A, B e C. Na realização desta pesquisa, optou-se por essa metodologia devido à carência de materiais sobre o tema abordado no trabalho.

5. ANÁLISE DOS DADOS COLETADOS

5.1 Revista

Entre os adolescentes, apenas 7% afirmou não ler revistas. No entanto, a maioria dos que leem (54%), só o fazem quando alguma matéria específica é de seu interesse. Quanto à leitura de conteúdos de revista na internet, 50% visitam o site de títulos na web, 54% - da mesma forma que quanto ao material impresso - apenas quando algo é de seu interesse.

As revistas mais lidas pelos teens são Capricho (44% - só público feminino), Veja (40%), Atrevida (26% - só público feminino) e Caras (20%). Entre os garotos, as mais lidas são Playboy (47%), Veja (42%), Superinteressante e Caras – sim, Caras - (ambas lidas por 15 % dos entrevistados). Entre as meninas, são Capricho (75%), Atrevida (44%), Veja (41%) e Tititi (34%). As revistas Gloss e Caras foram citadas por 24% das entrevistadas. Apenas 14% dos adolescentes pesquisados afirmaram ser assinantes de algum título. Quanto perguntados se a família é assinante, esse percentual sobre para 51%.

Dos meninos, apenas 17% acessam o site de revistas, 75% desses, apenas quando algo os interessa. Das teens, 83% não são assinantes, mas 77% acessam o site de revistas - metade delas com frequência.

5.2 Jornal

Dos adolescentes que responderam à pesquisa, 81% afirmaram ler jornais, mas 61% deles só o fazem quando alguma matéria os interessa. Entre os que leem, 66% lê o Jornal do Comércio e 47%, o Diário de Pernambuco. Nenhum teen consome jornais que não sejam locais, ainda que de grande representatividade nacional como a Folha de São Paulo ou o jornal O Globo. As partes dos jornais mais lidas pelos entrevistados são esportes (47%) – com grande representatividade em meio ao público masculino -, caderno na TV (45%) e seção de horóscopo (33%) – ambos com grande representatividade entre o público feminino.

Sobre o acesso a site de jornais, 76% disse não visitar e, dos que visitam, 66% afirmaram fazê-lo somente quando algo é de seu interesse.

Entre o público teen masculino, 26% não são leitores de jornal, e não é por falta de oportunidade. Desses adolescentes, metade tem acesso ao meio em casa - família assinante. O Jornal mais lido pelos garotos recifenses é o Jornal do Comércio (58%), seguido pelo Diário de Pernambuco (41%). Dos leitores teens do JC e do Diário, 70% lê o caderno de esportes. Quanto ao acesso ao site de jornais, 82% afirmaram não visitar tais páginas.

Das meninas, 14% não leem jornal. O título mais lido pelas adolescentes recifenses é o Jornal do Comércio (72%), seguido pelo Diário de Pernambuco (52%). Das adolescentes que leem o JC, 66% lê a seção de horóscopo e 61%, o caderno de TV. Das que leem o Diário, 61% lê o caderno de TV, 46%, a parte de informações sobre o Brasil e o Mundo e apenas 30% lê a seção de horóscopo. Das garotas em questão, 78% afirmaram não acessar o site de jornais, 4% delas por preferir o formato original.

5.3 Rádio

O consumo de rádio é bastante comum entre os teens, pois 92% afirmam escutar rádio e desses, 58% o fazem todos os dias. A maioria dos entrevistados (38%) disse ouvir sempre que pode, ainda que fazendo outra coisa - esse percentual sobre para 46% entre os adolescentes que consomem tal mídia todos os dias. As emissoras mais ouvidas pelos os teens são: Jovem Pan (77%), Rádio Recife (37%) e Transamérica (35%). Dos entrevistados, 41% escutam rádio pela internet.

Entre os garotos entrevistados, apenas 4% não ouvem rádio. Quanto à frequência com que isso é feito, não houve uma diferença grande entre os números: 40% escutam rádio todos os dias, 30% apenas uma vez na semana e 26% de duas a três vezes na semana. Porém um dado chamou atenção: dos adolescentes do sexo masculino que afirmaram ouvir a mídia em questão todos os dias, 90% disse ouvir a Jovem Pan.

Quanto ao tempo de consumo diário, 46% passam de uma a três horas ouvindo rádio. As estações mais citadas pelos garotos foram Jovem Pan (63%), Rádio Recife (40%) e Transaméria (36%). Dos entrevistados, 40% afirmaram ouvir, às vezes, rádio pela internet. Dos 60% restantes, 38% apresentaram como justificativa o fato de preferir ouvir pelo celular, mp3, mp4, etc.

Entre as garotas entrevistadas, 10% afirmaram não ouvir rádio. Das que ouvem, 65% o fazem todos os dias. Quanto ao tempo de consumo diário, 53% afirmaram escutar rádio sempre que podem. As estações mais citadas pelas garotas foram Jovem Pan (88%), Rádio Recife, Transaméria e outras não citadas no questionário – todas ouvidas por 34% das adolescentes entrevistadas. Das garotas, 58% não ouvem rádio pela internet.

5.4 Televisão

Dos teens entrevistados, 96% assistem televisão - 88%, diariamente. Entre as pessoas pesquisadas, 36% veem TV de uma a três horas por dia e 73% possuem aparelho de televisão no quarto. A emissora mais assistida pelos teens é a Globo (94%), seguida pela MTV (46%) e pelo SBT (44%). Um dado interessante é que 50% dos adolescentes que responderam à pesquisa têm TV por assinatura em casa, mas, deles, somente 30% disseram assisti-la.

Entre os garotos, 86% assistem televisão todos os dias e a maioria desses (45%), de uma a três horas por dia. Apenas 1, dos 23 entrevistados, afirmou não assistir televisão. A Globo é a emissora de TV mais assistida pelos adolescentes recifenses do sexo masculino, sendo vista por 95% dos teens, seguida de longe pela MTV com 40%, e pelo SBT e Record, ambos citados por 27% dos meninos que responderam à pesquisa.

Das garotas, 89% assistem televisão todos os dias e a maioria delas (35%), por mais de cinco horas diárias. Das adolescentes que, mais assiduamente e por mais tempo, assistem TV, todas veem a Globo, 19% vê SBT e Record, e apenas 15% assistem MTV (percentual bastante inferior do apresentado quanto aos garotos).

5.5 Internet

A Internet integra um conjunto de tecnologias que está transformando a história da humanidade. Comunicação em tempo real, televisão digital, recepção móvel de imagem e som, troca sincrônica de mensagens. Tudo isso impacta fortemente as sociedades e culturas, sobretudo urbanas, mas afeta mais diretamente os mais jovens, que compõem o segmento mais significativo e apaixonado de usuários dessas tecnologias. (LEITE, MIGLIORA, 2006)

Adepta da filosofia de que o que não está na internet, não existe, a geração online prefere a web pela possibilidade de fazer várias coisas ao mesmo tempo: MSN, Orkut, TV, música, troca de fotos e de imagens. Outro ponto em comum: a garotada gosta de se relacionar. Daí, aposta-se muito nas redes sociais e nas ferramentas que aumentam a conectividade. (MEIO E MENSAGEM, 2009. p.35)

Chegamos, enfim, ao ponto chave deste trabalho. Segundo o IBOPE/NetRatings, no mês de março de 2008, os adolescentes entre 12 e 17 anos, permaneceram 42 horas conectados - 18 horas a mais que a media geral da população. São cerca de 4,5 milhões de teens que passam quase dois dias do mês plugados na internet.

Entre os entrevistados, todos possuem computador e 98% tem acesso à internet de casa. A forma como ocorre essa conexão varia, mas apenas 7% acessam a internet via linha telefônica (discada). Dos entrevistados, 57% têm computador no quarto e, em 66% desses casos, o computador é só do adolescente – ele não precisa dividir nem com irmãos. Esse número ainda não chegou ao percentual de 73% - referente à quantidade de teens com aparelho de televisão no quarto -, mas está perto.

Em determinadas perguntas do questionário, foi pedido que os adolescentes enumerassem as respostas. Alguns fizeram dessa forma, outros não. Para não serem perdidos dados importantes, todas as vezes que isso ocorreu, a questão foi separada. Sobre o uso da internet, entre os que enumeraram: 48% colocaram que usam mais a internet para visitar sites de relacionamento social; 30% enumeraram como a segunda coisa que mais fazem na web o uso de comunicadores de mensagens instantâneas; 33%, download de conteúdos, em terceiro lugar; e 21%, para pesquisar ou estudar.

Entre as meninas: 60% colocaram sites de relacionamento social em primeiro lugar; 40%, comunicadores, instantâneos em segundo; 47%, download de conteúdos em terceiro; e, 33%, estudar em quarto. Dos meninos: no primeiro lugar houve empate entre sites de relacionamento social e comunicadores instantâneos, ambos apontados por 30% dos garotos; 40% disse que baixa conteúdos na internet, como segunda opção; e, 30% assistem vídeos no YouTube.

Os adolescentes que não enumeraram as respostas da questão e marcaram várias opções, afirmaram que usam a internet para: 88%, sites de relacionamento social; 82%, comunicadores de mensagens instantâneas; 64%, baixar conteúdos; 58%, assistir vídeos no YouTube; e 52% para pesquisar.

Quanto ao tempo por dia - de segunda a sexta - de uso da internet, 35% dos adolescentes afirmaram passar mais de 5 horas diárias e 31%, de três a cinco horas navegando. Durante os fins de semana, 42% dos entrevistados passam mais de 5 horas na internet.

5.5.1 Redes sociais

A forma de sociabilidade dos adolescentes em tempos de internet e, principalmente, de redes sociais está mudando. Segundo Leite e Migliora (2006), “há indícios de que o processo de socialização deles [crianças e adolescentes], isto é, que sua interação com valores, normas, modos de ser e visões de mundo de suas sociedades e culturas esteja sendo feito, em grande medida, virtualmente, na Internet”.

Castells (2003, p. 275) ressalta de existem duas vertentes para a sociabilidade na Internet: (1) aquela em que “há pessoas e grupos de forte sociabilidade nos quais são correlativas a sociabilidade real e a virtual”; e (2) uma outra em que “há pessoas e grupos de frágil sociabilidade em que também são correlativas a fraca sociabilidade real e virtual”. A partir disso, ele busca desmistificar a ideia sempre passada de que a Internet isola. Diz: “nos casos de fraca sociabilidade real há alguns efeitos compensatórios através da Internet; ou seja, utiliza-se a Internet para sair, relativamente, do isolamento”.

Quando Wellman tentou medir a influência que a Internet tinha sobre as outras sociabilidades, encontrou algo que contradisse os mitos sobre a Internet. É algo que podemos chamar de “quanto mais, mais”, ou seja, quanto mais rede social física se tem, mais se utiliza a Internet; quanto mais se usa a Internet, mais se reforça a rede física que se tem. (CASTELLS, 2003, p. 275).

Os sites de relacionamento social viraram febre entre os teens. Dos 52 entrevistados, apenas 3 garotos afirmaram não ter perfil em nenhum site de relacionamento social. Esse número corresponde a 6% do universo pesquisado.

O tempo diário em que os adolescentes ficam nesses sites foi bastante uniforme: 25,5% passam até uma hora; 25,5 de uma a três horas; 25,5% de três a cinco horas; e 23,5% todo o tempo em que está conectado à grande rede.

Para a análise do que os adolescentes fazem em sites de relacionamento social, os dados da questão foram separados. Entre os que enumeraram, 65% afirmaram que usam Orkut, MySpace, Facebook e afins, antes de mais nada, para ler e mandar recados. Em segundo lugar, apontado por 40% dos teens, para ver perfis de amigos e, em terceiro, também com 40%, para ver e colocar fotos.

Dos adolescentes que não enumeram e marcaram mais de uma opção, 76% usam esses sites para ler e mandar recados, 53% para colocar e ver fotos e 38% para ver perfis de amigos.

5.5.1.1 Orkut

“Segundo a pesquisa da MTV [Dossiê Universo Jovem MTV], a velocidade com que o Orkut aconteceu entre os jovens surpreendeu a eles mesmos” (PATRIOTA, 2008, p. 26). O Orkut foi criado em 2004 e pouco depois já virou febre no Brasil. Hoje, o Orkut é o segundo site mais visitado do país11 - ano passado chegou a ser o primeiro -. São 24 milhões de usuários ativos no país12, que incluem cachorros, papagaios, gatos, passarinhos e pessoas, reais ou fakes, de todas as idades.

Apesar de ser proibido por regras próprias para menores de 18 anos, é entre os teens, as meninas principalmente, que se encontram os usuários mais assíduos do Orkut. De acordo com o IBOPE/NetRatings, dos jovens entre 12 e 17 anos, cerca de 85%13 são usuários da ferramenta no país e essa faixa etária representa 23% dos usuários do site no país14. Das adolescentes com acesso à web, 87%15 usam o site – a média para todos os usuários é de 70% - e visitam 2.500 páginas por mês - quase o dobro da média geral, que é de 1.300. Os meninos não ficam muito atrás, com cerca de 2.000 visitas mensais. Entre os entrevistados, 90% têm perfil no site. Quanto aos motivos que levaram a fazer o perfil, 63% afirmaram que foi para poder adicionar amigos e 12% porque todo mundo tem. Além dos perfis reais, 32% têm perfis falsos – fakes - , feitos com a intenção maior de mexer no Orkut de pessoas desconhecidas (40%). Dos adolescentes pesquisados, 54% possuem de 300 a 700 amigos no site. Apenas 4% afirmaram ter menos de 100. O número de amigos que se tem no Orkut mostra a popularidade do teen para os outros. É status, por exemplo, ter vários perfis, todos lotados. Em busca desse número maior de amigos, 52% dos adolescentes já adicionaram alguém que não conheciam. Desses, 88% conheceram alguém que adicionaram. Esse número confirma o que foi dito por Castells, de que a internet – ao menos para os adolescentes – não isola, mas se torna forma de sociabilidade. Entretanto, em tempos de pedofilia a níveis altíssimos na internet, esses dados são bastante preocupantes. Embora adicionem pessoas que não conheçam, 70% dos teens bloqueiam suas informações, disponibilizando fotos, vídeos e recados apenas para amigos.

5.5.1.2 Twitter

O Twitter surgiu em 2007 com uma proposta de mensagens em até 140 caracteres – praticamente o tamanho de um SMS. Inicialmente parece algo meio sem graça, não há o que fazer no site... até viciar. De acordo com a Nielsen, o Twitter cresceu 1382% de fevereiro de 2008 a fevereiro de 2009, saltando de 475 mil para sete milhões o número de usuários do site no mundo. No Brasil, o primeiro boom aconteceu em março de 2009, quando o número de visitas do site apresentou um acréscimo de 96,8%16 em relação ao mês anterior. Mesmo com todos esses números, inúmeras pesquisas apontam que os teens não twittam. De acordo com o IBOPE, apenas 8% dos adolescentes brasileiros são integrantes da rede. Entretanto, dos 52 adolescentes pesquisados, 19 (36%) têm perfil no Twitter, e 57% desses são garotas. Os motivos que levaram esses jovens a fazer seus perfis foram: 26%, seguir amigos; 21%, seguir famosos, porque todo mundo tem e outros motivos; e apenas 11% porque gostam de escrever. Dos entrevistados a maioria segue no máximo 100 pessoas (73%) e são seguidos, também, por no máximo 100 pessoas. Esses números mostram que, mesmo tendo perfis, a maioria dos usuários adolescentes do Twitter não fazem uso da ferramenta como usam o Orkut, por exemplo, onde a quantidade de amigos é bem maior.

5.5.1.3 Facebook

O Facebook é a maior rede social do mundo e seus números impressionam. São mais de 300 milhões17 de usuários no mundo, sendo apenas 30% deles americanos. O site é o segundo mais acessado do mundo18 - atrás apenas do Google.com – e o 18º mais acessado do Brasil19.

Criado em 2004, somente no final de 2008 o site lançou sua versão em português e nos seis meses seguintes - de janeiro a julho de 200920 -, o número de usuários brasileiros saltou de 200 mil para um milhão.

Entretanto, dos 52 adolescentes pesquisados, apenas dois afirmaram ter perfil no Facebook e apenas uma garota respondeu às perguntas referentes ao site. Ela fez seu perfil por motivo diferente dos colocados na pesquisa, tem no máximo cem amigos no facebook e suas informações são disponíveis apenas para seus amigos.

5.5.1.4 MySpace

O site MySpace lançou, em dezembro de 2007, sua versão em português, mas, antes disso, ele já era o 44º site mais visitado do país21. Com apenas um mês de funcionamento, saltou de 300 mil páginas de brasileiros para mais de 1 milhão de perfis tupiniquins22. Diferentemente do Orkut, a idade mínima para se cadastrar no site é de 14 anos e como medida de segurança, os perfis dos usuários entre 14 e 16 anos só são visíveis para seus amigos. Além disso, o MySpace tem sua política de segurança regida pela legislação americana e busca sempre maneiras de proteger os usuários do site, principalmente os menores de idade - o protocolo de segurança da empresa prevê uma checagem diária das páginas e agilidade na limpeza de conteúdos falsos ou ofensivos – eles podem retirar do ar um perfil falso em até 15 minutos. A rede social oferece a possibilidade de criação de páginas pessoais com blog, e-mail, comunicador instantâneo, músicas em streaming, vídeos, galeria de fotos, eventos no "mundo real", grupos e fóruns de discussão. Mas o principal diferencial do MySpace é a troca de conteúdo musical. O site tem 55 mil perfis de músicos brasileiros – perfis verdadeiros - e nessas páginas os fãs podem baixar músicas, ter acesso às novidades e interagir com o artista. Hoje o MySpace ocupa o 71º lugar na lista dos sites mais acessados do país, mas, entre os adolescentes entrevistados, ele não tem grande representatividade. Dos 52 entrevistados, apenas três afirmaram possuir perfil no MySpace. Desses três, apenas dois responderam o motivo de ter feito tal perfil: um para adicionar seus ídolos e o outro para adicionar seus amigos.

5.5.1.5 E o preferido é...

Entre as pessoas que responderam a pesquisa, todas disseram que o Orkut é o site de relacionamento social que preferem. No entanto, não houve uma uniformidade quanto aos motivos dessa preferência: 34% colocaram como razão ser mais fácil de navegar; 30%, porque todo mundo tem; e 23%, por ter mais coisas diferentes.

5.5.2 Comunicadores de mensagens instantâneas

No Brasil, apesar da enorme desigualdade e da exclusão digital, que deixa milhões de pessoas fora da rede mundial de computadores, crianças e adolescentes de grandes e pequenas cidades, de distintas classes sociais, fazem uso do MSN praticamente todos os dias, durante muitas horas. Nesses encontros virtuais, ocorridos fora do alcance de olhos e ouvidos adultos, fala-se “de tudo”: futebol, garotos (as), moda, novas gírias, bandas do momento, música, cinema, poesia, amor e até mesmo, por incrível que pareça, da escola e dos trabalhos escolares. (LEITE; MIGLIORA, 2006)

De acordo com uma matéria publicada na revista Meio e Mensagem (2009, p35), o MSN é um vício nacional, com 45 milhões de usuários. Segundo a publicação, o Brasil é “o país com mais associados dessa plataforma no mundo” (MEIO E MENSAGEM, 2009. P.35). No Brasil, a penetração dos comunicadores instantâneos entre os teens é maior do que em todas as outras faixas etárias - dos jovens entre 12 e 17 anos, cerca de 85%23 são usuários da ferramenta. Entre os teens que responderam à pesquisa, apenas 4% nunca usam comunicadores instantâneos. Dos 96% que se comunicam via web por meio dessa ferramenta, 73% o fazem todos os dias e 94% deles usam o MSN Messenger. Quanto ao tempo diário que usam MSN e afins, 38%, sempre que podem, estão online.

5.5.3 E-mail

Todo adolescente tem pelo menos um e-mail. Dos teens pesquisados, 45% tem apenas um, 35% de dois a cinco e 20% mais de cinco contas. Quanto à frequência do uso: 73% só mandam e-mails de vez em quando e 13% nunca mandaram nenhum - entre os meninos esse percentual sobre para 26%. Quem não manda e-mails, não recebe, certo? Não sei... nem eles. Entre os entrevistados, apenas 34% acessam seu e-mail diariamente. Dos demais, 8% simplesmente não acessa e 57% só o fazem quando alguém diz que mandou algo interessante. Devem existir muitas caixas de e-mail “cheias de teias de aranha” por aí. Se depender dos teens...

5.5.4 Pesquisa na internet

Eis aqui um ponto que preocupa pais e professores: a pesquisa na internet. É bastante comum que crianças e adolescentes – e não só eles, quando no uso da internet como fonte de pesquisa, façam o famoso “control c, control v”, copiar e colar, sem ao menos ler o que está escrito. Dos 52 entrevistados, apenas 6% não usa a internet como fonte de pesquisa. Perguntados se vão a bibliotecas quando precisam estudar, 56% disseram que não. Entre os que usam a web para estudar, 80% o fazem de vez em quando e 13% sempre. Todos os adolescentes que pesquisam na internet usam o Google para fazê-lo. Além do Google outro site muito citado foi o Wikipédia, apontado por 57% dos teens.

5.5.5 Fotolog

Apenas 10% dos entrevistados afirmaram ter fotolog, todos eles, com perfil no Fotolog.com – 58º site mais acessado do Brasil24. O Flickr, 42º site mais visitado do país25, não foi citado por nenhum dos adolescentes. Embora 90% dos teens não tenham fotolog, 66% deles têm, ao menos, um conhecido que possui a ferramenta. Dos jovens pesquisados, 19% acessam fotologs, mas apenas 17 % comentam.

5.5.6 Blog

Um estudo recente do Pew Internet & American Life Project26 mostra que 64% dos jovens americanos com idades entre 12 e 17 desenvolvem pelo menos um tipo de conteúdo pela internet. Não existem dados concretos sobre esses números no país, mas em 2007, a E.LIFE divulgou os resultados de uma pesquisa27 feita no Brasil onde que traçou o perfil dos donos de blogs do país. O estudo constatou que 47% dos blogueiros do país tinha menos de 18 anos. O blogger.com é o décimo site mais visitado do país, o Wordpress.com. o 17º e o Blogspot, o 19º. Mas, definitivamente, os adolescentes entrevistados não são responsáveis por essas posições. Dos teens que responderam à pesquisa, 94% não têm e 93% não acessam blogs. Por incrível que pareça, nenhuma garota afirmou fazer uso de tal ferramenta na internet, nem acessá-la – muito embora 60% delas tenham afirmado conhecer alguém possua blog. Somente 14%, dentre os jovens que responderam a estas questões, afirmaram comentar em blogs. Desses 75% só o fazem quando conhecem quem escreve.

5.5.7 Download de conteúdos

Entre os adolescentes que responderam à pesquisa, 98% fazem download de conteúdos na web. O que mais sai da rede para os computadores dos teens são músicas. Entre os 51 adolescentes que fazem download de conteúdos na internet, apenas um não baixa músicas na web. Dos jovens que baixam músicas, 38% o fazem quase todos os dias, 34% só de vez em quando e 28% sempre. Quanto ao download de filmes, 47% não simplesmente não faz. Dos que fazem, apenas 11% baixam sempre. Seriados também não fazem a cabeça dos adolescentes – ao menos não o download deles. Entre os jovens pesquisados, 70% não baixam seriados, apenas 10% o fazem com alguma frequência. Dos adolescentes, 72% não baixam livros.

O site mais usado para download é o 4shared - citados por 78% dos teens -, seguido pelo, Rapidshare (25%). Dos programas baixadores, 35% usam o e-Mule e 21% LimeWire.

5.5.8 Jogos online

Dos teens que responderam às questões, 43% jogam online, 96% deles, de casa. O percentual de garotos que afirmou jogar foi de 77%, enquanto das meninas entrevistadas apenas 41% jogam no ambiente da rede.

Dos que afirmaram jogar, 46% jogam no máximo uma hora por dia. Esse percentual, quando separado por sexo, se mostra muito diferente. Das adolescentes que afirmaram jogar, 83% passam no máximo uma hora o fazendo. Entre os garotos que jogam, os números foram os seguintes: apenas 18% jogam até uma hora por dia; 35% de uma a três horas; 29%, de três a cinco horas; e 18%, mais de 5 horas diárias.

Os jogos mais jogados entre os entrevistados – de ambos os sexos - são o Counter-Strike e Need for Speed (27%) e Guitar Hero (24%) – além desses, 41% jogam outros jogos.

5.5.9 Notícias na web

A internet pode levar todos aonde bem quiserem. Não há limites de informações, não há fronteiras geográficas, nem políticas. Com alguns cliques é possível saber o que está acontecendo em Recife, em Pernambuco, no Brasil, no mundo.

Entretanto, os teens parecem não buscar isso na internet. Dos entrevistados, apenas 28% disse usar a grande rede, prioritariamente, para saber o que está acontecendo no mundo – 66% deles, garotos. O restante usa a internet para ver fofocas sobre os famosos (35% - só meninas) e coisas não citadas nos questionários (33%).

O site de notícias mais visto pelos adolescentes são Globo.com (visto por 55% deles) e UOL (41%). Entre o público feminino, apenas 28% acessam o UOL, contra 45% dos garotos. Já o Globo.com é acessado por 60% das garotas e por 31% dos meninos.

5.6 Consumo da internet versus outras mídias

“Em todo o mundo, mídias tradicionais como televisão e jornais vêm perdendo audiência entre consumidores de 15 a 34 anos. Por outro lado, esse mesmo público passa cada vez mais tempo conectado.” (PATRIOTA, 2008, p. 29). A internet está se tornando uma das principais mídias do mundo e os adolescentes são uns de seus principais usuários. Todos os adolescentes acessam a internet, se não em casa, em lan houses, casa de amigos, escola, etc. Os usos da internet, como já foi visto, são os mais variados possíveis.

Entre os teens, o tempo médio de consumo da internet varia entre a segunda e sexta feira (3,88 horas por dia) e o fim de semana (4,12 horas por dia).

5.6.1 Leitura

O tópico leitura não especificou se era quando a livros, jornais ou revistas, mas mesmo assim, 58% dos adolescentes afirmaram ler menos – em geral – por preferirem a internet. Entretanto, 15 % dos teens - mais do que o percentual da TV e do rádio -, estão lendo mais por causa da internet.

5.6.2 Televisão

Quanto aos efeitos da internet no consumo da TV, a maioria dos teens (59%) está assistindo menos televisão por preferir a internet. Entre os adolescentes, apenas 8 % veem mais do que antes e 33%, da mesma forma. O tempo médio de consumo da televisão é de 3,29 horas por dia.

5.6.3 Rádio

A internet foi citada por 64% dos jovens como fator que diminuiu o consumo de rádio pelos teens, que afirmaram preferir baixar ou ouvir músicas na web. Apenas 8% afirmaram escutar mais essa mídia e 28%, da mesma forma. O tempo médio de consumo de rádio por dia é de 3,00 horas.

Gráfico 1 – Tempo do consumo: internet versus outras mídias

Fonte: Dados da pesquisa

6 CONCLUSÃO

Vimos neste trabalho que a adolescência é uma etapa da vida onde a pessoa se transforma, tanto física, quanto psicologicamente em adulto. Altura, curvas, ombros, caracteres sexuais, preferências, gosto, desagrado, etc. se definem durante o período adolescente. Metaforicamente, é como se uma pessoa fosse obrigada a mudar de profissão – consequentemente de emprego -, de casa, de esposa ou marido, a entrar de dieta, a pintar o cabelo, tudo ao mesmo tempo.

Viver essas transformações num mundo de mudanças ainda maiores é um desafio. Novidades, tecnologias, informações, mídias – muitas mídias – tornam essa geração de teens especialmente diferente das demais. Vários são os aspectos que distinguem, por exemplo, essa geração dos adolescentes da década de 90, inclusive a forma de consumir as muitas mídias presentes e de fácil acesso. Enquanto a geração anterior, por exemplo, “adolesceu” e “adulteceu” na frente da TV, assistindo Vale a Pena Ver de Novo e Sessão da Tarde, esses adolescentes estão adolescendo na frente do computador, da TV, do rádio, com o fone de um mp3 no ouvido, etc. Se somarmos todo o tempo em que eles consomem algum tipo de mídia, o dia vai ter pra lá de 24 horas.

Embora esses teens façam uso de vários meios, quase sempre simultaneamente, a internet está se estabelecendo entre eles de uma forma bastante especial. As fronteiras são quebradas na Grande Rede, e os teens encontraram formas de satisfazer algumas de suas necessidades sem precisar nem sair de seus quartos.

E-mails, blogs e fotologs, embora presentes no universo dos teens, não são suas prioridades na web. Os sites de redes sociais trazem para a internet a necessidade de convívio com aqueles com os quais os adolescentes se identificam, seus pares, seus iguais, e lideram o uso da Rede por esse público. Muitas horas por dia, hoje, são gastas em Orkut – site de relacionamento social preferido entre os teens pesquisados - entre scraps, depoimentos, fotos, etc.

Além desses sites, os comunicadores instantâneos são usados por praticamente todos os teens - não é raro ver artigos e matérias onde essa geração é intitulada de Geração MSN. Entre um barulhinho do MSN e outro, conversa-se sobre tudo.

Além do uso da internet como forma de sociabilidade, os dados da pesquisa mostraram que os adolescentes buscam na internet uma forma de conseguir aquilo que querem. Pesquisas - escolares ou não - são buscadas na web, notícias sobre o mundo também e muito, muito download de conteúdos.

Independentemente da freqüência com que o download é feito, pelo menos 9 em cada dez adolescentes baixam alguma coisa na web. O que é baixado na Rede pelos teens, é predominantemente música.

Constatou-se, pela presente pesquisa, que embora ainda usem bastante mídias como rádio e TV, grande parte da audiência das mídias tradicionais está gradativamente migrando para a internet, que supre as necessidades do adolescente da maneira que eles querem e que acham mais conveniente, instantaneamente - isso é bastante importante para um público que usa sempre o tempo a seu favor.

É fato que a pesquisa em que este trabalho se baseou usou um universo muito reduzido para a captura de dados, mas é fato também que os adolescentes de hoje – independentemente do local do mundo onde eles se encontrem - são muito parecidos uns com os outros. Então, embora apenas com 52 adolescentes entrevistados, este trabalho é uma boa fonte de dados sobre quem são esses adolescentes, a Geração MSN, a Geração Multimídia, os nativos digitais, enfim, quem são e como consomem mídias os adolescentes, não só do Recife, não só de Pernambuco, nem do Brasil, mas do mundo.

REFERÊNCIAS

ABERASTURY, Arminda. O adolescente e a liberdade. In: ABERASTURY, Arminda; KNOBEL, Mauricio. Adolescência normal: um enfoque psicanalítico. 10. ed. Porto Alegre: Artes Médicas, 1992.

______. Adolescência e psicopatia. In: ABERASTURY, Arminda; KNOBEL, Mauricio. Adolescência normal: um enfoque psicanalítico. 10. ed. Porto Alegre: Artes Médicas, 1992.

ALMEIDA, Álvaro; GOLDBERG, Simone. Silva vai às compras. Isto É, ed. 1397, 10 jul. 1996. Disponível em: . Acesso em: 14 set. 2009.

ARIÈS, Philippe. História social da criança e da família. 2. ed. Rio de Janeiro: LTC, 1981.

BRASIL. Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990. Dispõe sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente e dá outras providências. Disponível em: . Acesso em: 14 out. 2009.

BRIGGS, Asa; BURKE, Peter. Uma história social da mídia: de Gutenberg à Internet. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2004.

CAMPAGNA, Viviane Namur; SOUZA, A. S. L. Corpo e Imagem corporal no início da adolescência. Boletim de Psicologia, v. LVI, p. 09-36, 2006. Disponível em: . Acesso em: 25 jul. 2009.

CASTELLS, Manuel. Internet e sociedade em rede. In: MORAES, Denis de (Org.). Por uma outra comunicação: Mídia, mundialização cultural e poder. Rio de Janeiro: Record, 2003.

CASTRO, Andrea de Farias; LIMA, Simone da Costa. Escola, conhecimento e mudança: um projeto voltado para o uso significativo e responsável dos recursos da Internet. Rio de Janeiro, 2009. Disponível em: . Acesso em: 14 set. 2009.

CAVALCANTE, Lorena. O surgimento do Estatuto da Criança e do Adolescente e o instituto da adoção como mecanismos de proteção da pessoa do menor. 2008. Disponível em: . Acesso em: 17 set. 2009.

COSER, Adriano et al. Multitasking: a estimulção múltipla e seus efeitos na memória de trabalho. Revista de Biologia e Ciências da Terra, v. 8, p. 158-166, 2008. Disponível em: . Acesso em: 28 jul. 2009.

COUTINHO, Luciana Gageiro. A adolescência na contemporaneidade: ideal cultural ou sintoma social. Revista de psicanálise, n. 181, p. 16-23, mar. 2005. Disponível em: . Acesso em: 25 jul. 2009.

CARR-GREGG, Michael; SHALE, Erin. Criando adolescentes. São Paulo: Fundamento Educacional, 2003.

FERREIRA, Diogo; C.S. Psicologia da era virtual: Atitudes de estudantes adolescentes frente ao Orkut. Psicologia Argumento, 2009.

KLASS, Perry. Jovens têm mais aptidão em multitarefas tecnológicas. Folha online. Disponível em: . Acesso em: 06 nov. 2009.

KNOBEL, Mauricio. A síndrome da adolescência normal. In: ABERASTURI, Arminda; KNOBEL, Mauricio. Adolescência normal: um enfoque psicanalítico. 10. ed. Porto Alegre: Artes Médicas, 1992.

LEITE, Camila R. ; MIGLIORA, R. . A troca sincrônica de mensagens (MSN) na socialização de crianças e adoelscentes. In: 2o Seminário Brasileiro de Estudos Culturais, 2006, Canoas - RS. 2o Seminário Brasileiro de Estudos Culturais, 2006.

LEVISKY, David Léo. Adolescência: reflexões psicanalistas. 2. ed. rev. e atual. São Paulo: Casa do Psicólogo, 1998.

______. Adolescência: psicanálise e história.

LOPES, Sônia Godoy Bueno. Bio. Vol. Único. 11.a ed. São Paulo: Saraiva. 2000.

MANNING, Sidney A. O desenvolvimento da criança e do adolescente. 5.ed. São Paulo: Cultrix, 2000.

MONTARDO, Jorge. Adolescência e Complexidade. In: MARTINAZZO, Celso Jose (Org.). Educação escolar e outras temáticas: ensaios do pensar complexo. Ijuí: Unijuí. 2009. Disponível em: . Acesso em: 25 jul. 2009.

OLIVEIRA, Alessandra. Adolescência prolongada: um olhar sobre a nova geração. Colloquium Humanarum, v. 4, n. 1, p. 31-45, Jun. 2007. Disponível em: . Acesso em: 25 jul. 2009.

PATRIOTA, Karla Regina Macena (Org.). Publicidade ilimitada: reflexos e reflexões sobre comunicação e consumo. Olinda: Livro Rápido, 2008.

PERLES, João Batista. Comunicação: conceitos, fundamentos e história. 2007. Disponível em: . Acesso em: 24 ago. 2009.

PINHO, JB. Jornalismo na internet. São Paulo : Summus, 2003. p 21-40. Disponível em: . Acesso em: 15 out. 2009.

RAMONET, Ignácio. A tirania da comunicação. Petrópolis: Vozes, 1999.

RENÓ, Denis Porto. A geração multimídia. 2006. Disponível em: . Acesso em: 25 jul. 2009.

______. Traços de uma geração participativa. In: Celacom 2006, 2006, São Bernardo do Campo. Anais Unescom 2006, 2006. Disponível em: .

SALLES, Leila Maria Ferreira. Infância e adolescência na sociedade contemporânea: alguns apontamentos. Estudos de Psicologia, Campinas, v. 22, n. 1, p. 33-41, Jan./Mar. 2005. Disponível em: < http://pepsic.bvs-psi.org.br/pdf/epc/v22n1/v22n1a05.pdf >. Acesso em: 25 jul. 2009.

SILVA, Edna Lúcia; MENEZES, Estera Muszkat. Metodologia da pesquisa e elaboração de dissertação. 3. ed. rev. atual. Florianópolis: Laboratório de Ensino a Distância da UFSC, 2001.

SINKOS, Antônio André. Estudo sobre as aplicações dos Blogs como ferramenta para publicidade e propaganda. Foz do Iguaçu, 2008. Disponível em: < http://www.scribd.com/doc/14043233/ESTUDO-SOBRE-AS-APLICACOES-DOS-BLOGS-COMO-FERRAMENTA-PARA-PUBLICIDADE-E-PROPAGANDA >. Acesso em: 14 out. 2009.

SOUZA, Okky de; ZAKABI, Rosana. Imersos na tecnologia - e mais espertos. Veja on-line, Edição 1938, 11 jan. 2006. Disponível em: . Acesso em: 14 out. 2009.

TAGNIN, Fábio. Computação 1 a 1: o desafio de guiar os nativos digitais. 2008. Disponível em: . Acesso em: 25 set. 2009

 

 


Publicado por: SUELLEN BARBOSA DE VASCONCELOS

PUBLICIDADE
  • SIGA O BRASIL ESCOLA
Monografias Brasil Escola