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A Importância da Administração Profissional como Alicerce para o Estabelecimento do Futebol como Negócio

Administração e Finanças

A história do futebol no Brasil e no mundo, As mudanças dos clubes para empresas no Brasil e no mundo, O surgimento dos grandes clubes e das grandes competições e A administração profissional dos clubes de futebol e dois casos de sucesso.

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1. RESUMO

O futebol tem dito um crescimento vertiginoso nas ultimas décadas em todo mundo, sendo o esporte mais praticado e mais visto. Assim, o futebol ultrapassou fronteiras, inclusive do amadorismo e tornou-se um negocio que gera bilhões em receita. Uma indústria que se fosse um pais estaria em os 20 maiores PIBs do mundo, e gerando um grande numero de empregos diretos e indiretos. As mudanças na estrutura do futebol começaram quando os clubes começaram a adotar ferramentas de administração profissional, transformando assim a sua gestão, em uma gestão eficiente. Grandes clubes como Manchester United, Barcelona, Real Madrid e Bayer de Munique realizaram essas mudanças que se estenderam aos campeonatos, criando grandes competições. No Brasil, a gestão profissional está engatinhando. Mas clubes como o Clube de Regatas do Flamengo já chamam a atenção por uma administração mais eficiente que tem produzindo excelentes resultados. O presente trabalho buscou mostrar a importância da administração profissional para os clubes de futebol. Para isso apresentamos a história do futebol no Brasil e no mundo; as mudanças os clubes para empresas no Brasil e no mundo; o surgimento dos grandes clubes e das grandes competições; a administração profissional dos clubes de futebol e dois casos de sucesso. Concluímos verificando que sim, a gestão profissional dos clubes de futebol transformou esse esporte em um negocio que parece eterno, pois a paixão passa de geração para geração, tendo a cada dia mais torcedores/clientes, movimentando mais dinheiro e produzido grandiosos espetáculos.

Palavras Chave: Futebol. Negocio. Gestão eficiente. Espetáculo. Administração profissional.

ABSTRACT

Soccer has said a dizzying growth in the last decades in all the world, being the sport more practical and more seen. Thus, football has crossed borders, including amateurism and has become a business that generates billions in revenue. An industry that if it were a country would be in the 20 largest PIBs of the world, and generating a great number of direct and indirect jobs. Changes in the structure of football began when clubs began to adopt professional management tools, thus transforming their management into efficient management. Major clubs such as Manchester United, Barcelona, ​​Real Madrid and Bayer Munich made these changes that extended to the championships, creating great competitions. In Brazil, professional management is crawling. But clubs like the Clube de Regatas do Flamengo already draw attention to a more efficient administration that has produced excellent results. The present work sought to show the importance of professional management for football clubs. For this we present soccer history in Brazil and in the world; changes clubs for companies in Brazil and in the world; the emergence of big clubs and big competitions; the professional management of football clubs and two success stories. We conclude by verifying that yes, the professional management of football clubs has transformed this sport into a business that seems eternal, as the passion passes from generation to generation, having more and more fans / clients, moving more money and producing great spectacles.

Key words: Soccer. Business. Efficient management. Show. Professional administration.

2. Introdução

A história do futebol é contada a partir de fontes que sugerem que o esporte surgiu na Inglaterra, em 1170, quando documentos históricos descrevem jovens que vão para os campos para um tal de 'jogo de bola'. Mas outras pesquisas históricas dão conta que a história do futebol é mais longa e interessante do que se imagina. (FIFA, 2016).

O futebol é um jogo que utiliza uma bola e é jogado com os pés. Jogos assim foram rastreados por pesquisadores desde o segundo e terceiro séculos a. C. na China, onde manuais militares antigos descreviam um exercício chamado Tsu' Chu, em que os soldados formavam equipes para chutar a cabeça dos inimigos. Depois de um tempo as cabeças foram substituídas por bolas de couro com enchimento de penas e cabelos e a jogavam com os pés. Já os antigos gregos são conhecidos por terem inventado vários jogos de bola, por exemplo, o que conhecemos hoje como Rúgbi, mas algum desses jogos envolvia o uso dos pés. Um deles era conhecido como "ἐπίσκυρος" (Episkyros), que foi mencionado pelo conhecido dramaturgo grego, Antiphanes (408-334 a.C.) na sua obra Adônis e mais tarde, também foi referido pelo teólogo cristão Clemente de Alexandria (150-215 d.C.). Variações do jogo também estão documentadas na sociedade egípcia e romana, comprovando que o esporte tem extensa tradição ao longo da história. (HARVEY, 2014; SHANKLY, 2015).

A contemporaneidade da história do futebol é datada do inicio do século XIX, quando um grande desenvolvimento ocorreu fazendo o futebol ficar popular em Universidades, Faculdades e Escolas. Com o tempo, o futebol chegou ate a classe trabalhadora, que abraçou o esporte. (REILLEY, 2003).

Os primeiros clubes de futebol surgiram no inicio do século XIX. Mas, historicamente, o mais antigo clube de futebol é o inglês Sheffield Football fundado em 1857.  As primeiras competições surgiram, na Inglaterra, em1860, sem regras unificadas. Três anos depois, ocorreu a unificação e o surgimento da primeira Associação de Futebol.  A popularidade do futebol se espalhou rapidamente pela Europa e após pela América do Sul, com Argentina, Uruguai e Brasil. A Federação Internacional de Futebol (FIFA) foi fundada no ano de 1904 e no início da década de 1930, diferentes ligas estavam operando de vários países. A primeira Copa do Mundo ocorreu no Uruguai em 1930. (GRAIG, 2002; CAMBRIDGE UNIVERSITY, 2013; FIFA, 2016).

O futebol chegou ao Brasil, em 1895, trazido pelos ingleses e neste mesmo período, temos o surgimento dos primeiros clubes. A primeira bola de futebol chegou ao país em 1894, trazida por Charles William Miller. De início a prática do esporte e a fundação de clubes era restrita a elite branca, enquanto que as camadas mais pobres da população e os negros só podiam assistir. Aos poucos o esporte foi se popularizando e começou a ganhar as várzeas, mas somente a partir da década de 1920, os negros passaram a ser aceitos nos clubes. Assim, o futebol começa a se massificar e atinge sua profissionalização em 1933 quando e criada a profissão de jogador de futebol. (CORREIA, 1993; FRANZINI, 2003).

Em 1905, Willian McGregor, então presidente da Football League, na Inglaterra, afirmou que “Football is a big business”. Com o passar dos anos, o futebol foi adquirindo cada vez mais popularidade, tornando-se a potência que é hoje e sendo o esporte preferido em vários países do mundo. A dimensão atual do futebol pode ser mensurada pelo número de países e territórios, 208 no total, associados a FIFA. Já a Organização das Nações Unidas tem 194 membros. (KASZNAR; GRAÇA FILHO, 2012).

Com todo esse impacto, temos o surgimento das grandes ligas, dos grandes clubes e dos grandes eventos. O futebol deixa de ser uma “manifestação sociocultural” para torna-se um negócio que movimenta cifras bilionárias pelo mundo. Os grandes clubes de futebol passam a ser empresas altamente rentáveis que arrecadam cifras cada vez mais estratosféricas. (FRANZINI, 2003).

Entendido como um produto realizado por trabalhadores, usando espaços e equipamentos em competição entre adversários, o futebol caracteriza-se como uma indústria e um negócio. Apesar do objetivo prioritário dos clubes de futebol ser a obtenção de títulos, a lucratividade também torna-se a finalidade como em qualquer organização. Logo, o desempenho financeiro deve estar sempre interligado ao esportivo. Desta forma, passa a ser semelhante o desafio dos clubes esportivos e das empresas, que é implementar modernas técnicas administrativas, adotando métodos de gestão que permitam às mesmas serem competitivas. Além de todo esse contexto, no Brasil a legislação induziu a profissionalização administrativa dos clubes fazendo-os se adaptarem a nova realidade do futebol negócio. (TACHIZAWA; FERREIRA; FORTUNA, 2004).

Assim diante do exposto, verificamos a importância de apresentar a importância da administração profissional como alicerce para o estabelecimento do futebol como um negocio.

2.1 Motivação

Baseado em experiências vividas no futebol como torcedor, jogador e árbitro, surgiu o interesse em desenvolver uma pesquisa que apresentasse o futebol como negócio e o papel da administração profissional dentro deste contexto.

2.2 Hipótese

A administração profissional é um alicerce fundamental para a conjuntura do futebol como negócio.

2.3 Objetivos do estudo

2.3.1 Geral

Apresentar a importância da administração profissional como alicerce para o estabelecimento do futebol como um negócio.

2.3.2 Específicos

  • Apresentar a história do futebol mundo da antiguidade até a atualidade;

  • Apresentar a história do futebol no Brasil;

  • Apresentar o futebol como negócio no Brasil e no mundo;

  • Apresentar a transformação dos clubes em empresas no Brasil e no mundo;

  • Apresentar as grandes competições de futebol no Brasil e no mundo;

  • Expor casos de sucesso entre os clubes mundiais e brasileiros.

2.4 Metodologia

Segundo Gil (2007, p. 17), pesquisa é definida “como um procedimento racional e sistemático que tem como objetivo proporcionar respostas aos problemas que são propostos. A pesquisa desenvolve-se por um processo constituído de várias fases, desde a formulação do problema até a apresentação e discussão dos resultados”.

Este trabalho baseou-se no estudo exploratório e descritivo, fundamentado em pesquisa bibliográfica/documental (livros, artigos e legislação). As pesquisas foram realizadas em bases de dados, como Google Acadêmico, Capes, Scielo, Planalto e em Repositórios Institucionais como o Teses USP, FGV, UFRJ.

Segundo Marconi e Lakatos (2006, p.44) “a pesquisa bibliográfica permite compreender que, se de um lado a resolução de um problema pode ser obtida através dela, por outro, tanto a pesquisa de laboratório quanto à de campo (documentação direta) exigem, como premissa, o levantamento do estudo da questão que se propõe a analisar e solucionar. A pesquisa bibliográfica pode, portanto, ser considerada também como o primeiro passo de toda pesquisa científica”.

O método para a elaboração deste trabalho seguiu os seguintes passos: identificação do tema, delimitação do tema, levantamento bibliográfico e documental, seleção de textos e posterior leitura e análise, organização do estudo e redação final.

2.5 Estrutura do estudo

O capítulo dois apresenta a história do futebol da antiguidade ate os dias atuais. O capítulo três presenta o futebol como negócio no mundo, o surgimento dos clubes empresas, dos grandes clubes, das grandes ligas e as grandes competições mundiais. O capítulo quatro apresenta o futebol como negócio no Brasil, o surgimento dos clubes empresas, os grandes clubes brasileiros, os aspectos jurídicos da transformação dos clubes em empresa no Brasil e as grandes competições que os grupos brasileiros disputam. No capitulo cinco apresentaremos Administração Profissional e sua importância para a fundamentação do futebol como negócio e no capitulo seis apresentaremos exporemos casos de sucesso entre os clubes mundiais e brasileiros.

3. Historia do Futebol

Este capítulo apresenta a história do futebol no mundo, da antiguidade à atualidade, e no Brasil. Mostrando como o futebol surgiu e se desenvolveu entre as principais civilizações do mundo antigo, ate o contexto atual e sua chegada e desenvolvimento no, hoje, país do futebol.

3.1 No Mundo: da Antiguidade a Atualidade

O vestígio mais antigo que se tem sobre um jogo que assemelha-se ao futebol, foi encontrado na China Antiga, por volta dos séculos do segundo ou terceiro século a.C., através de manuais militares que explicitavam um jogo (chamado Tsu' Chu) usado como treinamento das tropas. Era jogado com os pés e a “bola” era a cabeça dos inimigos, que com o tempo foram substituídas por bola de couro com enchimento de penas e cabelos. A disputa era realizada com equipes de 8 jogadores e o objetivo era passar a bola de pé em pé sem deixar cair no chão, levando‐a para dentro de duas estacas fincadas no campo. No Antigo Japão, relatam os historiadores, existia um jogo parecido com o futebol chamado Kemari. Era praticado por integrantes da corte do imperador e ocorria em um campo com 200m2, com uma bola feita de fibras de bambu. Entre as regras, era proibido o contato físico entre os 16 jogadores (8 para cada equipe). Documentos relatam jogos entre equipes chinesas e japonesas na antiguidade. (HARVEY, 2014; SHANKLY, 2015; GOULART, 2014).

A civilização grega criou vários jogos de bola, como por exemplo, o que hoje conhecemos como Rúgbi, mas jogo com o uso dos pés surgiu somente no século V a.C. era chamado de Epyskiros. A primeira referencia conhecida sobre esse jogo foi localizada na obra Sphairomachia, de Homero, um livro grego só sobre esportes com bolas. Nele é citado o jogo disputado com os pés, num campo retangular, por duas equipes, em que o número de jogadores dependia do tamanho do campo (normalmente 11). A bola era feita de bexiga de boi e recheada com ar e areia, que deveria ser arremessada para as balizas, no fundo de cada lado do campo. “Quando os romanos dominaram a Grécia, entraram em contato com a cultura grega e acabaram assimilando o Epyskiros, porém o jogo tomou uma conotação muito mais violenta”. (NIGEL, 1995; REILLEY, 2003).

Futebol na Roma Antiga, conhecido como Harpastum, não tinha regras, estratégias ou táticas, sendo jogado por 54 jogadores (27 em cada equipe), cujo único objetivo era levar a bola para o gol da equipe adversária. Era um jogo violento, pois valia tudo. Logo, era comum jogadores feridos durante o jogo. Tornou-se tão popular, que foi incluído no início dos Jogos Olímpicos1.  Com as conquistas romanas o jogo foi difundido para outras regiões da Europa, Ásia Menor e África. (HARVEY, 2014; GOULART, 2014).

Na Itália Medieval surgiu um jogo denominado Calcio Fiorentino, na cidade de Florença. “Não é por acaso que os italianos chamam hoje o futebol de cálcio”. Era praticado em praças, o número de jogadores dependia do tamanho do campo, mas no mínimo de 27 e a bola deveria ser levada até dois postes fincados em dois cantos extremos da praça. Era um jogo muito violento, uma vez que os participantes utilizavam as partidas para expurgar seus problemas do dia-a-dia. Após um período de proibição, em 1580, regras foram estabelecidas e o jogo passou a ter vários juízes. O esporte se espalhou rapidamente por todo país. (GRAIG, 2002).

O primeiro registro de um esporte semelhante ao futebol nos territórios ingleses que se tem conhecimento data de 1175, no livro Descriptio Nobilissimae Civitatis Londinae, de Willian Fitztephe. A obra aborda a existência de um jogo disputado durante a festividade de Schrovetide, “em que habitantes de várias cidades inglesas saíram à rua chutando uma bola de couro para comemorar a expulsão de invasores”. Durante séculos o jogo foi um festejo para os ingleses, mas com tempo tornou-se cada vez mais popular e passou a ser jogado livremente nas ruas, com as cidades se transformando em campos gigantes. Por ter poucas regras e muitos jogadores, na maioria das vezes os jogos saiam do controle e terminavam em rebeliões ou brigas generalizadas, causando problemas para os moradores e comerciantes.  Os governantes se viram forçado a emitir decretos que proíbam o esporte. No entanto, a popularidade do jogo já era tão grande, que nunca foi totalmente interrompido e até o final do século 14, o jogo tornou-se profundamente enraizada na cultura Inglês. Mas é no século XX que começa a contemporaneidade do futebol, quando o esporte passa a ser adotado nas escolas, faculdades e universidades. (SHANKLY, 2015; CAMBRIDGE UNIVERSITY, 2013; FIFA, 2016).

O jogo foi se popularizando cada vez mais e no inicio do século XIX surgem os primeiros clubes de futebol. Mas, oficialmente, o primeiro clube a ser fundado é o inglês Sheffield Football, em 24 de outubro 1857. O primeiro jogo oficial entre clubes ocorreu na Inglaterra, em1860. Nesta época as regras não eram unificadas, o que dificultava as competições e leva a longas discussões sobre o assunto. Para acabar com essa situação, em outubro de 1863, doze representantes de clubes e escolas de Londres se reuniram para unificar as regras do esporte e é nesse momento que nasce o futebol como o conhecemos hoje. O resultado desta reunião foi a formação da primeira Associação de Futebol. A primeira competição criada a partir daí, foi a Copa da Inglaterra, que teve sua edição de estreia realizada em 1871. Nesse mesmo ano cria-se a figura do goleiro, único jogador a poder colocar as mãos na bola e com a função de evitar a entrada da bola no gol. Em 1875, é estabelecido o tempo de 90 minutos para as partidas e em 1891 o pênalti, como punição punir a faltas cometidas dentro da área. Somente em 1907 foi estabelecida a regra do impedimento. (SHANKLY, 2015; CAMBRIDGE UNIVERSITY, 2013; SZYMANSKI, 2014).

Em 1885 é considerado o ano em que o profissionalismo se inicia no futebol. Em 1888, funda-se a Football League com o objetivo de organizar torneios e campeonatos internacionais e em 1904 é criada a Federação Internacional de Futebol Association (FIFA), tendo como principal função organizar o futebol mundial, uniformizar as regras elaboradas pela International Board, supervisionar as diversas federações, confederações e associações relacionadas com o futebol ao redor do mundo e a organização de torneios internacionais entre as entidades afiliadas. Em 1907, a equipe inglesa Corinthians Football Club, o maior time de futebol da época, começou a fazer excursão fora da Europa para difundir o futebol pelo mundo, inclusive vindo ao Brasil em 1910. (GRAIG, 2002; FIFA, 2016).

O futebol feminino, segundo a Fifa, surge oficialmente no século XIX, em jogo disputado entre as seleções da Escócia e da Inglaterra. Porem, competições femininas sempre sofreram com o preconceito, o que levou ao atraso no desenvolvimento da modalidade. Somente em 1991 ocorreu a primeira Copa do Mundo de mulheres, 61 anos depois da estreia do torneio masculino e nos Jogos Olímpicos, apenas em 1996, em Atlanta, nos Estados Unidos. (FIFA, 2016).

O futebol, hoje, é o esporte mais popular do mundo. A Fifa tem atualmente mais de 200 países associados. O esporte tornou-se um negócio que movimenta bilhões de dólares. A Copa do Mundo de 2014 teve aproximadamente 3,2 bilhões espectadores. Pelo mundo, várias competições, como a Liga dos Campeões da Europa, os campeonatos espanhol, italiano, inglês, alemão e brasileiro levam milhões de pessoas aos estádios e movimenta uma das maiores indústrias do mundo, a indústria do futebol. (FIFA, 2016).

3.2 No Brasil

O esporte bretão chegou ao Brasil pelas mãos de Charles William Miller, considerado o Pai do Futebol Brasileiro. Filho de ingleses, mas nascido em São Paulo, aos 10 anos, em 1884, viaja a Inglaterra para estudar e lá, toma contato com o futebol. Ao retornar ao país, em 1894, traz na bagagem duas bolas usadas, um par de chuteiras, um livro com as regras do futebol e uma bomba de encher bolas e passa a difundir o futebol na cidade de São Paulo. (DELGADO, 2014).

Em 1895, foi realizada a primeira partida de futebol do Brasil, entre os funcionários da Companhia de Gás de São Paulo (Gas Company of São Paulo) e da Companhia Ferroviária de São Paulo (São Paulo Railway Company), com vitória do São Paulo Railway, time de Charles Miller, por 4 a 2. O primeiro campeonato de futebol do país foi disputado em 1899, na cidade de São Paulo, pelas equipes do São Paulo Athletic Club (primeiro clube esportivo do Brasil), Associação Atlética Mackenzie College e o Hans Nobilings Team. (ANTUNES, 1994).

Após isso, em 1901 é criada a Liga Paulista de Football, a primeira liga de futebol no Brasil, fundada pelas equipes do São Paulo Athletic Club, Associação Atlética Mackenzie College, Sport Club Internacional (SP), Sport Club Germânia e o Clube Atlético Paulistano. Charles Miller foi fundamental para a formação da liga e do primeiro torneio, ao mesmo tempo em que atuava como jogador do São Paulo Athletic Club e que ganhou os três primeiros campeonatos em 1902, 1903 e 1904. Jogou no clube até 1910, quando encerrou a carreira e iniciou a de árbitro. (FRANZINI, 2003).

No Rio de Janeiro, nesta mesma época, o futebol era praticamente desconhecido. O grande esporte neste período era o remo, praticado na Enseada de Botafogo e que fascinava o carioca. Quem mudou este cenário foi Oscar Alfredo Cox, precursor do futebol na Cidade Maravilhosa. Após retornar de uma temporada na Europa (1901), traz na bagagem material esportivo para a prática do jogo e novas regras recentemente aprovadas. No mesmo ano, organiza jogos entre cariocas e paulistas, realizados em São Paulo e se compromete a estimular a criação de times no Rio de Janeiro. Em 1902, junto com Manoel Rios e João Carlos de Mello funda o Fluminense Football Club, do qual foi o primeiro presidente. (NAPOLEÃO, 2003; ASSAF; MARTINS, 2010).

Dois anos depois é fundado o clube Botafogo de Futebol e Regatas a partir da fusão do Club de Regatas Botafogo, criado em 1894, com o Botafogo Football Club, de 1904. Já em 1911, nascia de um grupo de jogadores dissidente do Fluminense, o departamento de futebol do Clube de Regatas do Flamengo, que foi fundado em 1895 como clube de remo. A primeira liga de futebol no Rio de Janeiro foi a Liga Metropolitana de Football (LMF), fundada em 1906. Somente em 1915, o Clube Vasco da Gama, fundado em 1898 como clube de regatas, filia-se a LMF e passa a incluir o futebol entre suas atividades. (ASSAF; MARTINS, 2010).

A partir da década de 1910, começaram a surgir clubes e federações por todo o Brasil, como a Federação Baiana de futebol, fundada em 1913 e a Federação Mineira, em 1915. Logo, os primeiros campeonatos começaram a ser disputado, o que fez crescer o interesse do público e da imprensa pelo esporte. Em 1914, criou‐se a Federação Brasileira de Sports e, dois anos depois, a Confederação Brasileira de Desportos (CBD), que em 1979 muda de nome e se torna a Confederação Brasileira de futebol. (DACOSTA, 2003).

A seleção brasileira de futebol foi formada em 1914. Em 1919, o Brasil ganha o primeiro campeonato internacional, o Sul-americano de futebol ao vencer o Uruguai por 1 a 0 no Rio de Janeiro. Na historia são 8 títulos sul-americano, 4 da Copa das Confederações, 1 medalha de ouro Olímpica e 5 títulos da Copa do Mundo de Futebol (1958- Suécia, 1962-Chile, 1970-Mexico, 1984-EUA, 2002-Japão/Coreia). Em 1950, O Brasil realizou sua primeira Copa do Mundo, perdendo o titulo para o Uruguai em pleno Maracanã, por 2x1. O que é considerado até hoje a maior tragédia do futebol nacional. (DACOSTA, 2003).

Alguns pontos merecem ser ressaltados dentro da historia do futebol brasileiro. De início, o futebol era restrito a elite branca, enquanto que as camadas mais pobres da população e os negros só podiam assistir. Até 1920, era vedada a participação de jogadores negros nos times de futebol em todo território nacional. O primeiro clube a escalar um jogador negro foi o Bangu Atlético Clube fundado em 1904, no Rio de Janeiro. Mas foi o Clube de Regatas Vasco da Gama o primeiro dos clubes grandes a vencer títulos com uma equipe repleta de jogadores negros e pobres. (MOREIRA JUNIOR, 1999).

Em 1933, durante o governo de Getúlio Vargas, o futebol brasileiro sofreu sua primeira grande transição, quando o profissionalismo dos atletas foi oficializado através da legislação trabalhista que passaria a vigorar em praticamente todos os setores da economia. Assim, foi criada a profissão de jogador de futebol. Mas foi a partir de 1938, que o profissionalismo passou a ser amplamente adotado pelos principais clubes brasileiro. Essa importante mudança na organização do futebol facilitou a inserção de jogadores negros e pobres nos clubes. (MOREIRA JUNIOR, 1999).

Com o tempo o futebol no Brasil se tornou também um negócio. O Campeonato Brasileiro de Futebol, disputado desde 1959, é uma das maiores competições do mundo e junto com os campeonatos regionais movimenta milhões de reais.

4. O Futebol como Negócio: No Mundo

O jogo tornou-se um espetáculo, com poucos jogadores e muitos espectadores para assistir ao futebol, e o show se tornou um dos negócios mais lucrativos no mundo que não está organizada para jogar, mas para impedi-los de jogar. Tecnocracia do desporto profissional tem vindo a impor um futebol de pura velocidade e de grande força, que renuncia à alegria, fantasia e proíbe a atrofia ousadia”. Eduardo Galeano (1998).

O futebol é um esporte que tem um amplo apelo mundial que transcende as fronteiras nacionais, culturais, religiosas e de gênero, bem como classe socioeconômica. O apelo do futebol continua a crescer com um público cada vez maior através do mundo, tanto em países industrializados como em desenvolvimento.

Referido simplesmente como o futebol no mundo inteiro, o futebol profissional é verdadeiramente um esporte internacional. Para entender melhor sua magnitude hoje, deve-se notar que o mundo do futebol é composto pela quinta maior população do planeta com 240 milhões de jogadores contando os 1,5 milhões de afiliados, direta ou indiretamente. O produto interno bruto (PIB) do futebol está atualmente na casa dos 500 bilhões de dólares, o que é 2 vezes e meia a da Argentina, assim, apenas 25 países no mundo produzem maior PIB. O que coloca o futebol na decima sétima (17) posição na escala da economia global. (PEDREIRA et al., 2013)

Logo, o mundo do futebol é um grande negócio, que vem apresentando a alguns anos um crescimento contínuo e valores vultosos de receitas com patrocínio, salários de atletas e rendas de jogos divulgados amplamente nos meios de comunicação. Para chegar a esse patamar, observa-se ao longo do tempo, diversas transformações ocorreram no ambiente das organizações esportivas que têm influenciado firmemente sua forma de gestão.

4.1 Do clube a Empresa

Em uma enquete com torcedores de vários clubes, a seguinte pergunta foi feita: Qual é o objetivo estratégico do seu time? A resposta unânime foi ganhar títulos. Pois e isso que um torcedor espera que acontece. Ao fazer-se essa mesma pergunta para o presidente de um grande clube como Flamengo, Corinthians ou Barcelona, a resposta unânime seria: lucros (bom desempenho financeiro) e títulos. No mundo do futebol como negócio a definição dos objetivos estratégicos de um clube de futebol devem ser analisados tendo em vista condicionantes do ambiente interno e externo ao clube. (LEONCINI, 2001).

Segundo Szymanski (2014) ao analisar a indústria do futebol na Inglaterra, mostraram que a performance de um clube de futebol pode ser entendida, por um lado, através das características da indústria (estrutura e comportamento) em que atua e, por outro, através da estratégia dessa empresa ou unidade de negócio.

Em 1997, Peter Kenyon, na época diretor da Umbro (empresa de material esportivo), tornou-se CEO do Manchester United Football Club, da Inglaterra. Esse fato é considerado o marco inicial na evolução para um novo modelo de gestão que viraria escola para o futebol mundial. Apesar de ser apontado como modelo de gestão desde o final dos anos 80 e de ter ações na bolsa de valores, a gestão de Keynon a frente do Manchester é considerado um marco da gestão estratégica em um clube de futebol. Dois anos depois, Kenyon se juntou ao seu ex-colega de Umbro, Peter Draper, novo diretor de Marketing do Manchester, e focou seu trabalho na expansão internacional do clube através da subsidiária Manchester United International, usado a Internet como uma ferramenta para os fãs do clube em todo mundo pudessem acessar as lojas online, o museu virtual e jogos interativos. (LEOCINI, 2001; CAMPUZANO, 2013).

Foi na virada do século que o clube consolidou sua expansão com outras ações.

  • Acordos de patrocínio com marcas globais. Em fevereiro de 2001, o MU assinou um contrato de quatro anos, no valor de 30 milhões de libras com a Vodafone Air Touch com o objetivo de que a empresa de telecomunicações anunciasse na camisa do time. O acordo com uma operadora de telefonia móvel permitiu ao clube desenvolver sistemas de comunicação sem fio com os fãs, enquanto a Vodafone ficou associada com uma marca esportiva bem conhecida nos mercados em que estava interessada em entrar, como o mercado asiático.

  • Acordos de colaboração com as organizações desportivas de outros mercados. O MU assinou em 2001 um acordo com o New York Yankees, time de beisebol, para ajudar na expansão internacional de ambas as marcas desportivas, o MU nos Estados Unidos e os Yankees na Europa. Por exemplo, os jogos clube inglês passaram a ser visto nos Estados Unidos através da rede de televisão por assinatura Yankees.

  • Acordos com empresas para fornecer conteúdo através da internet. Em 2002, o MU assinou um acordo com o Lycos (portal da internet) para explorar conteúdos do clube para os torcedores não ingleses pela Internet.

  • Desenvolvimento de projetos de responsabilidade social corporativa, incluindo um de três anos com a UNICEF para levantar £ 1 milhão para financiar projetos dessa agência das Nações Unidas.

O sucesso econômico deste novo modelo de gestão levou a um aumento da receita do clube Inglês. Enquanto que no biênio1995/1996 o clube teve receita de 62 milhões de libras, no final da temporada 2002/2003, o Manchester teve uma receita de 251 milhões. Em suma, o modelo de gestão de negócios de Kenyon e Draper foi um sucesso, principalmente a maneira como conseguiram estabelecer relações de colaboração e alianças estratégicas de reconhecimento de objetivos comuns. (CUBEIRO, 2014).

Na Espanha a mudança de gestão do futebol começa em 2000 com a eleição de Florentino Perez, período de 2000 a 2006, para presidente do Real Madrid. Impressionado com os resultados obtidos pelo Manchester United, na Inglaterra, Perez desenvolve uma gestão de negócios parecida no Real. A principal estratégia foi pegar uma marca já valorizada e elevar seu valor mais ainda, a um nível máximo e depois encontrar vários caminhos para a sua exploração (contratos com empresas, aumento de receita através de um maior volume na venda de ingressos, contratos para transmissão dos jogos do clube, entre outros). Isto ajudou o clube a alcançar uma vantagem competitiva em relação a outros clubes, permitindo o crescimento e diversificação das atividades da organização em torno do espetáculo do futebol. Para alcançar os objetivos traçados pelo clube, inicialmente se reestruturou e reorientou as suas atividades para garantir um desenvolvimento saudável. O sucesso desse tipo de gestão foi tão significativo que lhe permitiu subir ao topo dos clubes de futebol mais ricos do mundo, destronando o Manchester United. Perez levou a cabo uma transformação dramática na capacidade de geração de renda de clube, dobrando suas receitas em quatro. (CALLEJO; JAVIER, 2006; CAMPUZANO, 2013).

Outro clube espanhol que passou por uma profunda mudança na gestão estratégica de seu negocio foi o Futbol Clube Barcelona, com a eleição de Joan Laporta para presidente no período de 2003 a 2008. A estratégica administrativa definida pelo novo presidente foi baseada num modelo de negócio chamado "Círculo Virtuoso", que tinha como alicerces o conhecimento da indústria; o próprio Círculo Virtuoso e um plano de negócios. Conhecer o mercado em que o clube estava inserido naquele momento; fazer uma equipe que trouxesse de volta as vitórias e consequentemente mais torcedores e mais receita e o plano de negócios que determinou objetivos a serem compridos como, acabar com as dívidas pendentes e ter uma relação estável entre salários e volume de negócios, essa visão estratégia do negócio permitiu ao clube, anos depois, chegar ao topo. (CAMPUZANO, 2013; FCB, 2016).

No final dos anos 60, o Bayern de Munique vivia uma crise e não figurava nem entre as melhores equipes na cidade de Munique, assim não foi convidado para se juntar ao seleto grupo que abriu a primeira temporada da Bundesliga (Liga Alemã de Futebol). Mas, em 1979, o então eleito presidente Uli Hoeness, ex-jogador que se tornou empresário (dono de uma empresa de salsicha) decidiu criar as funções de gestor e estabeleceu uma nova estrutura organizacional para o clube. A gestão econômica da equipe de futebol fica a cargo de uma subsidiária a FC Bayern München AG. Devido a isso, a entidade não dependerá das decisões, muitas vezes arbitrária, despótico ou não profissional, do patrono do clube. O conselho deliberativo do clube inclui representantes das principais empresas alemãs (Adidas, Audi, Volkswagen). Os cargos mais importantes do clube são sempre ocupados ex-jogadores, seja na gestão esportiva ou na presidência.  O modelo econômico, instituído por Hoeness tem três princípios básicos que são aplicados ate hoje: não terceirizar atividade financeira; evitar a todo custo que os gastos excedam os rendimentos e alocar esses rendimentos inteiramente para os cofres do clube. (CUBEIRO, 2014; REAL MADRID, 2016).

Na temporada 2012/2013 o Bayern de Munique ganhou pela primeira vez a tríplice coroa, faturando o Campeonato Alemão, a Copa da Alemanha e a Liga dos Campeões e também bateu o seu recorde histórico de faturamento arrecadando 432,8 milhões de euros. Em 2014 o Bayer de Munique foi considerado o melhor time de futebol do mundo. (EXAME NEGÓCIOS, 2013).

4.2 Dos Grandes Clubes as Grandes Ligas

Atualmente os grandes clubes do futebol mundial atuam em grandes ligas (A Premier League, da Inglaterra; a Liga Santander da Espanha; A Bundesliga, na Alemanha; Campeonato Francês de Futebol, na França; A Serie A da Liga Italiana de Futebol; a Serie A do Campeonato Brasileiro - será abordado em outro capitulo) que proporcionam aos seus torcedores um grande espetáculo, movido a emoção, grandes ídolos e grandes jogos, que gera uma movimentação financeira extraordinária, na casa dos bilhões. (FLORES, 2014).

Foi no dia 8 de setembro de 1888, há 128 anos, que surgiu a primeira liga nacional de futebol do mundo, o Campeonato Inglês de Futebol, atual Premier League, apresentando um modelo que a partir daquele momento seria adotado pelo mundo futebol. (CUBEIRO, 2014)

A  Premier League, também conhecida como Premiership é a liga profissional de futebol da Inglaterra e está no topo do sistema de ligas do futebol inglês, sendo a principal competição de futebol do país. Também podem participar equipes do País de Gales que estejam ligadas ao sistema do campeonato Inglês. Este é o caso de Swansea, clube do País de Gales que tem representado a Inglaterra nas competições europeias. A League foi fundada em 1992, sendo atualmente disputada por 20 clubes no sistema de pontos corridos, em que no final de cada temporada os quatro melhores colocados participam da Liga dos Campeões da UEFA, e os três piores são rebaixados para a Football League Championship, dando lugar aos três melhores desta competição. Cada temporada decorre entre agosto e maio, tendo 38 rodadas com dez partidas cada, totalizando 380 partidas em toda a temporada. (PREMIER LEAGUE, 2016; GASPARETTO, 2013).

O torneio foi considerado pela Federação Internacional de História e Estatísticas do Futebol da FIFA como a liga mais forte na primeira década do século XXI na Europa, batendo a  Liga Espanhola e a Serie A do campeonato italiano que ocuparam respectivamente, o segundo e terceiro lugar.  A Premier League é uma sociedade em que os 20 clubes membros são acionistas. De 2004 a 2016 foi designada oficialmente como Barclays Premier League por razões de patrocínio, um fato que chega ao fim na temporada 2015-2016. A partir da 25ª edição, que acontece na temporada 2016-2017, o patrocínio do campeonato Inglês desaparece do seu nome, a fim de manter a imagem da empresa um ambiente limpo. O time com maior número de títulos na Premier League é o Manchester Unites com 20 conquistas, seguido pelo Liverpool com 18, Arsenal com 13, Everton com 9, Sunderland com 6 e Chelsea com 5. (PRIMIER LEAGUE, 2016; FLORES, 2014).

A Primeira Divisão de futebol da Espanha, conhecida como a Liga ou de Liga Santander (por motivos de patrocínio), começou a ser jogado na temporada 1928-29 e tem sido desde então realizada sem interrupção, com exceção da desaceleração sofrida pela Guerra Civil de 1936-1939. É considerada a maior liga no mundo em importância de acordo com a classificação anual oficial da Federação Internacional de História e Estatísticas do Futebol (IFFHS), e ocupando esse posto desde 2010. Ao longo de sua história nove clubes tornaram-se campeões, com o Real Madrid, Football Club Barcelona, Atlético de Madrid, Athletic Club, Valência Futebol Clube, o Real Sociedad de Fútbol, o Real Betis Balompié, o Sevilla FC e o Real Club Deportivo de La Coruña. O clube mais vitorioso é o Real Madrid com 32 títulos. Os três primeiros colocados obtêm o direito de participar da fase de grupo da Liga dos Campeões UEFA. O quarto lugar vai jogar a fase de qualificação para entrar na fase de grupos. O quinto e sexto classificados ganham o direito de participar da próxima edição da UEFA na fase de qualificação. (FLORES, 2014; GINESTA, 2011).

A Bundesliga ou Fußball-Bundesliga é a liga de futebol profissional da Alemanha, sendo a principal competição de futebol do país. A liga começou em 1963 após a unificação dos antigos campeonatos zonais chamados Oberligas. A Bundesliga é formada por 18 equipes e todos os seus clubes estão automaticamente classificados para a DFB-Pokal (Copa da Alemanha) e o campeão se classifica para a DFL-Supercup (Supercopa da Alemanha). Um total de 54 clubes já disputaram a competição e o Bayern München é o clube que mais venceu, com 25 títulos. Onze clubes já se sagraram campeões, além do Bayern, Borussia Dortmund (5 títulos), Werder Bremen (4), Hamburgo e Stuttgart (3), FC Köln e Kaiserslautern (2), completando a lista o München 1860, FC Nuremberg, Eintracht Braunschweig e Wofsburg, com um título cada. O Hamburgo é único clube que disputou todas as suas edições, e que forma com Bayern München e Borussia Dortmund, os clubes alemães campeões da Liga dos Campeões da UEFA, que ainda teve Bayer Leverkusen, Borussia Mönchengladbach e Eintrach Frankfurtcomo vice-campeões. A Bundesliga foi originalmente fundada pela a Deutscher Fußball-Bund (Associação Alemã de Futebol), mas agora é controlada pela Deutsche Fußball Liga (Liga Alemã de Futebol). É a liga que tem a maior média de público do mundo, a que mais leva torcedores aos estádios, é transmitida pela televisão para mais de 200 países, sendo a mais lucrativa da Europa. (BUNDESLIGA, 2016; GASPARETTO, 2013).

O Campeonato Italiano é a maior competição de futebol da Itália reunindo mais de 4 mil clubes divididos em 9 divisões. A Série A é a divisão principal sendo também conhecida como Serie A Tim, por razões de patrocínio. Começou a ser disputa em 1929-30, organizada pela Liga Calcio até 2010, mas desde a temporada 2010-11 passou para a Liga Nazionale Professionisti Serie A ou, mais simplesmente, Liga Serie A. Ocupa atualmente o quarto lugar entre as mais poderosas ligas europeias de acordo com a UEFA. O título da Série A é geralmente referido como "scudetto" (pequeno escudo), pois desde 1924-1925 o campeão tem direito a estampar um pequeno brasão de armas com as cores da bandeira italiana em suas camisas na temporada seguinte. O maior vencedor é a Juventus, com 32 campeonatos, seguido por Internazionale e Milan com 18, que formam a tríade com mais títulos, sendo estes três também, os clubes italianos com títulos de campeões da Liga dos Campeões da UEFA, competição que também teve como vice-campeões, Fiorentina, Roma e Sampdoria. (LIGA SERIE A, 2016; FLORES, 2014).

O Campeonato Frances de Futebol surgiu em 1894 com o nome de "Union Française de Athlétiques sports" (USFSA) com a participação de cinco equipes da cidade de Paris (AC Padrão, White-Rovers Clube Français, Neuilly e Asnières). Atualmente o campeonato abrange cinco divisões nacionais e outras diversas Ligas Regionais e Distritais na França. Profissionalmente, há apenas as duas primeiras divisões, Ligue 1 (anteriormente conhecida como Divisão 1) e Ligue 2, e parte do Championnat National, equivalente à terceira divisão. As quarta, quinta, divisões regionais e distritais são competições amadoras. A Ligue 1 é composta por 20 clubes, que operam em um sistema de subida e descida com Ligue 2, a segunda divisão francesa. A temporada vai de agosto a maio, com as equipes jogando 38 jogos cada, totalizando 380 jogos na temporada. A tabela de jogos é definida por sorteio antes do início do campeonato. O vencedor da partida ganha três pontos, o perdedor zero, e em caso de empate cada equipe ganha um ponto. No o final do campeonato, a equipe que acumula mais pontos é o campeão e qualifica-se para a UEFA Champions League, com o segundo lugar. O terceiro colocado disputa a pré-eliminatória. As últimas três equipes são relegadas a Ligue 2, sendo substituído na próxima temporada pelos três primeiros colocados nesta categoria. Os três maiores vencedores da Liga são o Olympique de Marseille (25 titulos), Paris Saint Germain (18) e o Saint-Étienne (17). Atualmente a Ligue 1 ocupa a sexta posição entre as ligas europeias segundo a UEFA. (GINESTA, 2011; LIGUE 1, 2016).

Tabela 1- Media de espectadores por partida (2013-2014)

Liga

PAÍS

Media de espectadores por partida
(Temporada 2013-2014)

Premier League

Inglaterra

37.000

Bundesliga

Alemanha

43.000

Liga Espanhola

Espanha

27.000

Serie A Italiana

Itália

23.000

Liga Francesa

França

21.000

Fonte: Adaptado de Flores, 2014.

Tabela 2- Arrecadação (2014-2015)

Liga

PAÍS

Arrecadação
(Temporada 2014-2015)

Premier League

Inglaterra

€ 4,4bilhões

Bundesliga

Alemanha

€ 2,6 bilhões

Liga Espanhola

Espanha

€ 2,1 bilhões

Serie A Italiana

Itália

€ 1,7 bilhões

Liga Francesa

França

€ 1,2 bilhões

Fonte: Consultora Deloitte apud Dom Total, 2016.

Se há algumas décadas a paixão pelo futebol identificava implicitamente com a equipe local, da cidade ou bairro, agora o amador pode se tornar cada vez mais remotas e vivem a milhares de quilômetros do estádio onde jogam os seus ídolos. A oportunidade de desfrutar dos jogos que mostram as principais estrelas do futebol não está mais reduzida somente a Copa do Mundo a cada quatro anos, com a televisão e a internet os telespectadores podem assistir e consumir o show das principais ligas de futebol do mundo, principalmente as europeias, epicentro deste negócio global. Esta expansão de fãs consumidores também catapultou o âmbito da indústria do futebol deixando para trás o bairro e se tornou, como a economia, global. (MURAYAMA, 2010).

4.3 As Grandes Competições Mundiais

Até a temporada 1992/93, a UEFA Champions League era conhecida como a Taça dos Campeões da Europa (European Cup). Na Assembleia Extraordinária em 1991, decidiu-se reorganizar a competição e foi nesse momento que European Cup foi rebatizada como UEFA Champions League e se formou as bases de um tipo de competição que agora transcende as fronteiras europeias e gera bilhões de euros no desenvolvimento da sua atividade. (UEFA, 2016).

A UEFA (Union of European Football Associations) nasceu em 1954, e em 1955, por iniciativa do jornal esportivo francês L'Equipe e de Santiago Bernabeu, então presidente do Real Madrid C. F., decidiu-se iniciar uma competição entre clubes europeus. Na temporada 1992-1993, a competição, além de adquirir um novo nome, introduziu uma série de mudanças em sua gestão. O mais importante tinha a ver com a sessão dos direitos televisivos e comerciais pelos clubes. O que pediu UEFA aos clubes era que eles renunciassem aos benefícios da concorrência gerada em troca de um pagamento fixo para se qualificar para a fase de grupos, um montante por vitória e um para chegar à final (THOMPSON; MAGNUS, 2003).

A ideia em torno da mudança era centralizar as atividades de marketing, a fim de otimizar as receitas e de assegurar que os fundos levantados iriam diretamente para a promoção do futebol. As mudanças afetavam todos os agentes envolvidos na concorrência (clubes, televisões e patrocinadores) que até então já tinham uma competição de muito prestígio. (MURAYAMA, 2010).

De acordo com o manual para os clubes da UEFA Champions League, publicado a cada ano, as principais alterações foram as seguintes (UEFA, 1992): a receita da competição será reinvestida no futebol e parte dos lucros serão distribuídos entre os clubes participantes da competição; UEFA Champions League têm exclusividade nos direitos de transmissão dos jogos (televisão, rádio e direitos comerciais); patrocinadores, fornecedores e parceiros, bem como todos os produtos, serviços e licenças, pertencem a UEFA, que também tem os direitos de explorar comercialmente os jogos; um novo logótipo e imagem, simbolizando os valores fundamentais e da estrutura da competição foram projetados. (GOMEZ; OPAZO; BARIOS, 2011).

O desenvolvimento desta nova forma de concorrência tem permitido a UEFA Champions League se expandir para além das fronteiras da Europa e tornar-se uma das competições mais prestigiadas do mundo. As redes de TV ao redor do mundo pagam para transmitir jogos de uma competição que é jogada exclusivamente na Europa. A cobertura da competição inclui contratos de televisão para transmitir em 230 países, uma audiência de 488 milhões de espectadores só no mercado europeu, e aproximadamente 20.000 horas de transmissão por período. Este tem sido acompanhado por um aumento significativo na receita, que passou de 45 milhões de euros após a primeira temporada com a nova gestão (1993), para aproximadamente 4,5 bilhões de euros na temporada 2015. (GOMEZ; OPAZO; BARIOS, 2011).

O nível dos jogadores, treinadores e equipes envolvidas na UEFA Champions League dá origem a uma competição com uma impressionante capacidade de atrair telespectadores ao redor do mundo e gerando rendas milionárias.

A Copa Libertadores da América ou Taça Libertadores da América, cujo nome oficial atual é Copa Bridgestone Libertadores por motivos de patrocínio, é a principal competição de futebol entre clubes profissionais da América do Sul, organizada pela Confederação Sul-Americana de Futebol (CONMEBOL). Em 1998 começou a ser patrocinada pela montadora japonesa Toyota, quando em 2013 o patrocinador oficial da competição passou a ser a fabricante de pneus também japonesa Bridgestone. (BENITEZ, 2015)

A liga foi criada em 1958 com o nome de Copa de Campeões da América com o intuito de se estabelecer um campeonato sul-americano de clubes campeões, Em 1960, foi disputada a primeira edição, na qual se consagrou campeão o Club Atlético Peñarol, do Uruguai. O Brasil fora representado pelo Esporte Clube Bahia, campeão da Taça Brasil de 1959, torneio que credenciava tal vaga no país. Em 1965 passou a ser chamada de Taça Libertadores de América. (PINTO, 2008).

Desde a temporada de 2005, a liga é disputada por 38 equipes. O número de times e dividido entre os países membros da Conmebol, a partir do nível do campeonato nacional de cada país (ou seja, Argentina e Brasil 5 equipes, Bolívia, Chile, Colômbia, Equador, México, Paraguai, Peru Uruguai e Venezuela 3 equipes, etc.), mais os campeões da Copa Libertadores e Copa Sul-Americana. Das 38 equipes classificadas, 12 jogam uma primeira fase em jogos de ida e volta, onde 6 equipes passaram para a fase de grupos. Na segunda fase, os 32 clubes qualificados (26 equipes diretamente classificadas e mais 6 equipes classificadas na primeira fase) serão dispostos em oito grupos (1 a 8) de quatro equipes cada. As equipes em primeiro e segundo em cada grupo se qualificam para a fase eliminatória. As 16 equipes classificadas para a segunda fase vão jogar as oitavas de final, em jogos de ida e volta a partir do sorteio de 8 chaves que terão 2 clubes cada. (BENITEZ, 2015; CONMENBOL, 2016)

A classificação se da 1-8, sendo o primeiro a mais alta pontuação na parte superior de cada grupo, durante a segunda fase, e 8 a pontuação mais baixa entre os localizados em primeiro lugar. No ranking das equipes 9-16, o nono será a "equipe de maior pontuação entre o segundo colocado de cada grupo e 16 a menor pontuação entre os últimos colocados. As oito equipes melhor classificadas vão jogar as quartas de final, formando 4 chaves com duas equipes cada, que jogaram jogos de ida e volta. As quatro equipes melhor classificadas vão jogar as semifinais, em partidas redondas, formando duas chaves de duas equipes cada, também em jogos de ida e volta. Os vencedores das semifinais vão jogar mais de duas vezes para determinar a equipe campeã da Copa Libertadores da América. (CONMEBOL, 2016).

Os direitos de transmissão dos jogos da Taça Libertadores para a América Latina é da Fox Sports, do grupo americano News Corporation, com sede na Argentina. Além de detentora dos direitos de transmissão é também co-organizadora do torneio oferecendo prêmios em dinheiro aos clubes que passam em cada fase. No Brasil, a Rede Globo detém os direitos de transmissão para TV aberta até 2018. Por contrato tem direito de transmitir até duas partidas envolvendo clubes brasileiros por semana, além da final. (

A premiação recebida pelos clubes que jogam a Taça Libertadores e por fase. A partir de 2014, os clubes passaram a receber US$ 250 mil ao passarem para a segunda fase da competição e US$ 300 mil por cada jogo em casa na fase de grupos. Estes valores são referentes aos direitos de televisão e publicidade nos estádios. Nas oitavas de final o valor passou a ser de US$ 550 mil e nas quartas de US$ 650 mil. Já na semifinal passa a ser de US$ 700 mil, o vice-campeão recebe US$ 1 milhão e o campeão US$ 2,3 milhões. A media de público da temporada 2014/15 foi de 40.000 torcedores. (CONMENBOL, 2016).

5. O Futebol como Negócio: No Brasil

A profissionalização do futebol brasileiro começou em 1933 com o surgimento da profissão de jogador de futebol a partir das mudanças trabalhistas impostas pelo governo de Getúlio Vargas. Desde período ate o inicio dos anos 80 algumas mudanças foram feitas no intuito de uma melhor profissionalização do futebol. Por exemplo, em 1976 foi a Lei nº 6.354, de 2 de setembro de 1976, também conhecida com a “Lei do Passe” que dispõe sobre as relações de trabalho do atleta profissional de futebol e dá outras providências. Esta foi a primeira lei a tratar de forma mais direta a relação clube-jogador e também garantia aos clubes que formação os atletas a possibilidade de desfrutar o direito econômico sobre estes, ou seja, o clube poderia transacionar um atleta mesmo após o término do contrato de trabalho. (AMORIM FILHO; SILVA, 2012).

Com o fim da Ditadura, no inicio da década de 1980, começa a fase de redemocratização do país e também, podemos considerar, do futebol brasileiro. Nos governos que vieram a seguir (Fernando Color, Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso) ocorreu a “implementação de políticas de abertura de mercado, abrindo espaço para empresas multinacionais entrarem no mercado brasileiro, além de praticarem políticas de privatização de empresas estatais, em áreas como telefonia, energia, dentre outras”. E O futebol acompanhou essas mudanças (BELMAR, 2016, p. 36).

Entretanto, cabe salientar que na década de 70 o futebol passou a ter uma penetração maior na sociedade brasileira, devido ao advento da televisão, que passou a fazer a transmissão dos jogos. De inicio nenhum valor era pagar, Mas os poucos pequenos valores passaram a ser pagos e marcas passaram a aparecer através de placas de publicidade. Nos anos 80 entram em cena os patrocinadores, que ao observarem a grande exposição que o futebol passou a ter na televisão, se interessam em patrocinar os clubes e quando as marcam saem das placas publicitarias para as camisas dos times, levando uma maior geração de receitas para os clubes e as ligas. O resultado imediato disso foi o aumento de forma constante dos salários dos jogadores. “Assim, temos estabelecida a dinâmica mercadológica, com os clubes começando a buscar vender suas marcas, novas receitas e parcerias, visando ampliar mais ainda seus mercados, angariando mais torcedores, que, já se pode dizer, eram uma espécie de consumidores”. (BELMAR, 2016; FERNANDES, 2000).

“Com a década de 1990 temos o crescimento vertiginoso dos interesses comerciais, a valorização dos passes dos jogadores, juntamente com seus salários, o que colocava o futebol no mundo dos negócios, não compatível com as práticas de organização de épocas anteriores, que ainda estavam ainda presentes”. (MARQUES, 2005).

5.1 Do clube a Empresa

A partir da década de 1990, os clubes de futebol no Brasil se viram diante de diferentes oportunidades de transformação os dos ambientes administrativos, econômicos, politico e legal. Várias leis foram criadas com o intuito de oferecer aos clubes profissionais condições de alterarem suas administrações para uma moderna gestão que transformar seus negócios no propulsor do desenvolvimento da Indústria Esporte no Brasil. (SOMOGGI, 2007).

Em 1993, o então presidente, Fernando Collor cria a Secretaria de Desportos da Presidência da República, que teve como seu secretário Arthur Antunes Coimbra - Zico (1992). No período em que esteve a frente da pasta ocorreu a promulgação da lei que levava seu nome, “Lei Zico” ou Lei nº 8.672, de 6 de julho de 1993, regulamentada pelo Decreto-Lei nº.981, de 11 de novembro de 1993, que instituiu normas gerais sobre desportos e dava outras providências. Na prática a lei estabelecia que as entidades de administração de modalidades esportivas deveriam gerir suas atividades de fins lucrativos. A lei permitia que o clube passasse a ter uma estruturação desportiva profissional em fundamentos empresariais, era a expansão do clube para empresa, desde que fosse adotada na forma determina no artigo 11 da lei. (FERNANDES, 2000; BRASIL, 1993).

Disponha o artigo 11:

É facultado às entidades de prática e às entidades federais de administração de modalidade profissional, manter a gestão de suas atividades sob a responsabilidade de sociedade com fins lucrativos, desde que adotada uma das seguintes formas:

I - Transformar-se em sociedade comercial com finalidade desportiva;

II - Constituir sociedade comercial com finalidade desportiva, controlando a maioria de seu capital com direito a voto;

III - Contratar sociedade comercial para gerir suas atividades desportivas.

Além disso, segundo Proni (2000) a lei ainda estabelecia a participação do setor nas Loterias; revogação da "Lei do Passe" e apresentação de uma opção de vínculo contratual aos atletas profissionais; redefiniçao de mecanismos de fiscalização; manutenção da autonomia das entidades esportivas e assegurar sua representatividade nos órgãos competentes.

Muitas foram as pressões de dirigentes e clubes antes da promulgação da lei, o que levou o projeto a sofrer muitas modificações como o fim da lei do passe e a não obrigação do clube se transformar em empresa. A Lei Zico ficou sendo optativa. “A Lei não foi bem recebida pelos dirigentes, visto que o enquadramento neste novo conceito eliminaria uma série de vantagens fiscais que os clubes possuem até hoje”. (AMORIM FILHO; SILVA, 2012).

“A proposta de renovação do cenário do esporte brasileiro não se concretizou através da lei nº. 8.672/93, pois várias das atribuições dispostas no texto foram alteradas. As maiores mudanças só chegariam com a posterior aprovação da Lei Pelé, em 1998”. (ALMEIDA, 2007).

As maiores mudanças no futebol brasileiro ocorreram com a promulgação da Lei nº 9.615, de 24 de março de 1998, conhecida como “Lei Pelé”, que institui normas gerais sobre desporto e dá outras providências. De cara a Lei trazia em seu bojo duas grandes polemicas a extinção gradual do passe e transformação do clube em empresa. (BRASIL, 1998).

Estabelecia o artigo 92 e 93:

Art. 92 Os atuais atletas profissionais de futebol, de qualquer idade, que, na data de entrada em vigor desta Lei, estiverem com passe livre, permanecerão nesta situação, e a rescisão de seus contratos de trabalho dar-se-á nos termos dos arts. 479 e 480 da C.L.T.

Art. 93 O disposto no art. 28, § 2o, desta Lei somente produzirá efeitos jurídicos a partir de 26 de março de 2001, respeitados os direitos adquiridos decorrentes dos contratos de trabalho e vínculos desportivos de atletas profissionais pactuados com base na legislação anterior. (Redação dada pela Lei nº 9.981, de 2000).

Já no artigo 27, o texto original da Lei Pelé previa o que, segundo a Exposição de Motivos da lei, representava "a mudança mais importante do sistema desportivo brasileiro":

As atividades relacionadas competições de atletas profissionais são privativas de:

I. -sociedades civis de fins econômicos;

II. -sociedades comerciais admitidas na legislação;

III.-entidades de prática desportiva que constituírem sociedade comercial para administração das atividades de que trata este artigo.

Parágrafo único. 

“As entidades de que tratam os incisos I, II e III deste artigo que infringirem qualquer dispositivo desta Lei terão suas atividades suspensas, enquanto perdurar a violação".

Outro ponto importante da lei está estabelecido no artigo 8o que trata da arrecadação obtida com relação a Loteria Esportiva

Dispõe o artigo 8o

A arrecadação obtida em cada teste da Loteria Esportiva terá a seguinte destinação:

I - Quarenta e cinco por cento para pagamento dos prêmios, incluindo o valor correspondente ao imposto sobre a renda;

II - Vinte por cento para a Caixa Econômica Federal - CEF, destinados ao custeio total da administração dos recursos e prognósticos desportivos;

III - Dez por cento para pagamento, em parcelas iguais, às entidades de práticas desportivas constantes do teste, pelo uso de suas denominações, marcas e símbolos;  (Vide Lei nº 11.118, de 2005)

IV - Quinze por cento para o Ministério do Esporte. (Redação dada pela Lei nº 10.672, de 2003)

V - 10% (dez por cento) para a Seguridade Social. (Incluído pela Lei nº 12.395, de 2011).

Com a “Lei Pelé”, explica Melo Neto, (1998 apud FERNANDES, 2000, p. 21) “implantando o clube-empresa e o esporte como negócio, o futebol passa a ser o responsável, não só como a principal fonte de receita, mas, sobretudo, o principal elemento de formação e manutenção de uma imagem forte da marca, hoje o maior patrimônio dos clubes. O clube-empresa é criado em dois processos de mudança, um gerenciamento empresarial e, em nível legal, com a transformação do clube em uma sociedade comercial”.

As mudanças ocorridas com a lei trouxeram mudanças, mesmo que inicialmente tímidas principalmente ligadas à gestão do futebol. Apesar de ainda se verificar a presença de dirigentes amadores em muitos clubes, modelos empresariais de gestão começaram a surgir, como a co-gestão, que tem como principal exemplo a parceria Fluminense e Unimed. Trata-se de um modelo em que o clube fornece sua estrutura e o parceiro comercial os recursos financeiros. (CAMPOS; ROCCO JÚNIOR, 2014).

O licenciamento de marca (terceirização do departamento de futebol) foi outro modelo de gestão que passou a ser utilizado pelos clubes. Uma marca interessada em investir no clube assume as despesas do departamento de futebol, em troca de o clube ceder a totalidade do direito a sua marca. O melhor exemplo de tipo de gestão foi o acordo entre Corinthians e a Media Sports Investments (MSI) de 2004. Como estava muito endividado, o clube fez um contrato de parceria com o fundo de investimento privado, em que empresas associadas investiam no futebol corintiano. (PIMENTEL, 2011).

Um terceiro modelo de gestão foi o realizado entre o Esporte Clube Bahia e o Banco Em 1997, o clube se transformou em empresa, a Bahia S. A., lançando ações no mercado e o banco adquiriu 51% do controle acionário, ficando a agremiação com o restante. Em 2007, o banco já possuía 67% das ações e o clube os outros 33% (CAMPOS; ROCCO JÚNIOR, 2014).

Atualmente um modelo de gestão que já há um tempo vem chamando a atenção dentro do futebol brasileiro, é o realizado pelo Clube de Regatas Flamengo. Em estudo realizado pelo Itaú BBA, banco de investimentos do grupo Itaú, sobre a gestão financeira dos clubes de futebol do Brasil a administração rubro-negra foi indicada como caso de sucesso pela recuperação financeira clube, com contas enxutas e alcançando um maior lucro. (ROCHA, 2016).

5.2 Os Grandes Clubes e as Grandes Competições

Série A do Campeonato Brasileiro de Futebol (Brasileirão) é composto por 20 equipes, no formato de pontos corridos, desde 2003, em que todos jogam contra todos em ida e volta. O campeão, o vice e o terceiro colocado disputam diretamente a Copa Libertadores de América, enquanto as equipes que terminem entre quarto e sexto disputam a Pré-Libertadores. Já os times entre sétimo e decimo segundo lugar disputam a Copa Sul-americana e os quatro últimos são rebaixados para a Série B. (CBF, 2016).

O Campeonato Brasileiro de Futebol surgiu em 1959, com o nome de Taça Brasil de futebol. Durante esses anos o campeonato teve vários nomes, como Torneio Roberto Gomes Pedrosa, Copa Brasil, e Copa União, e partir de 1989 recebeu o nome utilizado até hoje de Campeonato Brasileiro de futebol. A exceção foi o ano de 2000, em que recebeu nome de  Copa João Havelange. (SILVA, 2015).

Assim, chama a atenção esta característica histórica do Campeonato de mudanças de nome que sempre vinha acompanhada de mudanças na forma de disputa e também das regras e número de participantes. O formato de disputa mais duradouro foi o sistema misto de grupos (1967-2002), trata-se de um sistema no qual, em cada fase, os competidores são organizados em grupos e disputam um determinado número de vagas para a próxima fase. (BELMAR, 2016).

Desde 2003, com o sistema de pontos corridos, 7 clubes já conquistaram o título, Corinthians, Cruzeiro e São Paulo (3), Fluminense (2), Flamengo, Palmeiras e Santos (1), o que comprova o grau de rivalidade do campeonato. De todo o conjunto do Campeonato Brasileiro, 17 clubes já conquistaram o titulo, sendo o Palmeiras o maior vencedor com 9, São Paulo com 6 e Flamengo também com 6, mas tendo 1 titulo são os outros grandes vencedores da competição. Os estados com maior número de títulos são, São Paulo e Rio de Janeiro, respectivamente. (SILVA, 2015).

Em termos de premiação, na temporada de 2015, foram distribuídos um total de R$35, 8 milhões, sendo que o campeão recebe 10 milhões, o vice 6,4 milhões e o terceiro colocado 4,3 milhões. Já para a temporada de 2016, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) informou que a premiação ficará na casa dos 60 milhões, sendo que o campeão recebe R$17 milhões e o vice, R$ 10,7 milhões. (CBF, 2016).

O Campeonato brasileiro é considerado o 10o mais valioso do mundo com um valor de mercado de aproximadamente 672 milhões em euros. O valor da Premier League é de 3,6 bilhões de euros. Ainda temos muito que caminhar.

A Copa do Brasil foi criada em 1989, durante a gestão de Ricardo Teixeira a frente da confederação Brasileira de Futebol (CBF). Ela é uma competição nacional jogada nos moldes da Copa da Inglaterra e Copa do Rei da Espanha. De inicio participavam 32 clubes, que passou a 40 em 1996, 69 em 2000 e estabilizou com 64 após 2001, número que se manteve até 2012. Todos os estados brasileiros e o Distrito Federal têm representantes na disputa. A partir de 2013, passou a ter 86 equipes, seis delas entram direto nas oitavas de final e a partir de 2017 teremos 88 equipes, devido as mudanças na taça Libertadores que agora terá 7 clubes brasileiros. (CBF, 2016; MIGUELES; ESCOBAR, 2010).

Os jogos ocorrem entre os meses de março e novembro, com os 86 clubes disputando um mata-mata até restarem 10 clubes, que se juntam nas oitavas de final aos 6 clubes que tiverem disputado a Copa Libertadores da América e ao melhor colocado do Campeonato Brasileiro de Futebol - Série A que não se classificaram para disputar a Copa Libertadores (MIGUELES; ESCOBAR, 2010).

A Copa do Brasil também definia os representantes brasileiros na Copa Sul-Americana do mesmo ano, sendo que essas vagas vinham a partir de times eliminados na primeira fase, mas a partir de 2017 não haverá mais vaga para a Copa Sul-Americana. Na temporada 2014/2015, a premiação foi assim dividida: 1ª fase – R$ 320 mil; 2ª fase – R$ 320 mil; 3ª fase – R$ 430 mil; Oitavas de final – R$ 530 mil; Quartas de final – R$ 740 mil; Semifinal – R$ 850 mil; Vice-campeão – R$ 1,8 milhão; Campeão – R$ 3 milhões. Atualmente a media de público da competição é 30 mil, sendo registrado em 1999 em um jogo entre Botafogo e Juventus um público de 101 mil torcedores, sendo aproximadamente 90 mil pagantes. (CBF, 2016).

Já o Campeonato Paulista de Futebol, ou simplesmente Paulistão, foi fundado em 1902, consistindo na liga mais antiga do país, é organizado pela Federação Paulista de Futebol e é o campeonato de futebol profissional do Estado de São Paulo. O primeiro campeão foi o São Paulo Athletic. (SILVA, 2006).

Atualmente participam do campeonato 20 equipes e os jogos são realizados entre janeiro e maio. Mas a partir de 2017 serão 16 clubes divididos em 4 grupos entra em vigor a partir de 2017. O campeão de 2016 foi o Santos Futebol Clube. Os direitos de transmissão do Campeonato Paulista são da Rede Globo de Televisão. Em 2010 foi celebrado o último contrato de cessão de direitos de transmissão diretamente com os grandes clubes de SP (Corinthians, Palmeiras, Santos e São Paulo) que receberiam aproximadamente 10 milhões por temporada, entre 2011 e 2016. A Federação Paulista ficou responsável pela negociação com os demais 16 clubes que disputam o torneio. Desde 2013 o campeonato passou a ser transmitido para a América Latina e Caribe. (FPF, 2016, SILVA, 2006).

O maior vencedor do Paulistão e o Sport Club Corinthians Paulista com 27 títulos, seguido por Santos Futebol Clube e Sociedade Esportiva Palmeiras com 21 títulos cada e o São Paulo futebol Clube com 20. (FPF, 2016).

O campeonato mais charmoso do Brasil assim é conhecido o Campeonato Carioca de Futebol. Fundado em 1906, foi disputado a primeira vez somente com seis clubes que se jogaram em turno e returno, tendo o Fluminense Football Club como campeão. Até 1923 cada temporada teve em media 10 clubes disputando o campeonato, mas em 1924 a disputa foi entre 22 equipes, com o titulo ficando com o Club de Regatas Vasco da Gama e o vice o Clube Engenho de Dentro. A partir de 1925 o número de times na disputa girou sempre entre 8 a 15. O maior vencedor do Carioca e o time Clube de Regatas do Flamengo com 33 títulos,
seguido por Fluminense com 31, Vasco com 23 e Botafogo de Futebol e Regatas com 20. Um dos mais folclóricos clubes do Rio de Janeiro, o Bangu Atlético Clube foi campeão carioca em 1966. (JORNAL O DIA, 2013).

Os times de futebol de Rio de Janeiro são considerados os clubes com os hinos mais bonitos do Brasil, Flamengo, Vasco, Fluminense e Botafogo, além do América, Bangu, Madureira, Olaria, Bonsucesso, Canto do Rio e São Cristóvão tiveram seus hinos compostos por Lamartine Babo, considerado um dos maiores compositores brasileiros de todos os tempos.

Por mais que seja considerado o campeonato mais charmoso do Brasil e com grandes clubes na disputa, a temporada 2015 foi considerada deficitária para os clubes. O campeonato e organizado pela Federação de Futebol do Rio (FERJ). (FERJ, 2016)

O ultimo contrato firmado os direitos para a transmissão do Campeonato Carioca entre Rede Globo, Clubes e a FERJ ficou estimado em 120 milhões por ano (temporadas 2017-2024).

12 milhões serão pagos à FERJ, os quatro grandes receberão R$ 15 milhões cada. “Desta forma, a Federação acabaria ganhando mais do que os clubes, uma vez que ela ainda tem o direito exclusivo de comercialização de propaganda nos estádios, o que pode dar, de acordo com cálculos de quem acompanha o setor, um total de R$ 24 milhões de faturamento. O que é um absurdo a Federação que não faz praticamente nada, ganhar mais que os clubes”. O restante do valor, 48 milhões que serão divididos a maior parte para os clubes considerados médios (Boa Vista, Madureira, Bangu, entre outros) e os pequenos e ainda as premiações e outras despesas da federação. (MOREIRA, 2016).

6. Administração Profissional e o Futebol como Negócio

Os princípios da administração estão inseridos em qualquer organização, seja uma empresa, instituição de ensino ou clube de futebol. A administração dessas organizações é realizada buscando-se alcançar os objetivos traçados a partir dos elementos administrativos de “...planejar, organizar, comandar, coordenar e controlar os esforços realizados pelos membros da organização e o uso de todos os outros recursos organizacionais para alcançar os objetivos estabelecidos” (FAYOL, 1981, p. 5). Para Chiavenato (2004, p.515) a administração é a ferramenta, a função ou o instrumento que torna as organizações capazes de gerar resultados e produzir o desenvolvimento. Maximiano (2001, p. 26) considera que "a administração é um processo de tornar decisões e realizar ações que compreende quatro processos principais interligados: planejamento, organização, execução e controle”.

Segundo Lacombe e Heilborn (2003, p.49), “para administrar uma empresa é aproveitar da melhor forma as circunstâncias externas, de modo a utilizar o mais eficientemente possível os recursos que dispõe (pessoas, máquinas, materiais e capital) para fazê-la sobreviver e progredir”.

Aidar et al. (2000 apud TOLEDO FILHO; SANTOS, 2010, p. 6) afirmam que a utilização dos processos, ferramentas e funções administrativas são fundamentais para qualquer organização obter o sucesso desejado, seja quanto ao alcance de seus objetivos, ao posicionamento no mercado e a conseqüente competitividade, bem como a conquista da longevidade e rentabilidade dos recursos aplicados.

Independentemente de serem instituições sem fins lucrativos (instituições governamentais, esportivas, empresas privadas ou empresas públicas) é necessário que utilizem os conhecimentos científicos, os processos administrativos e as ferramentas administrativas disponíveis para o gerenciamento e a otimização dos recursos produtivos disponíveis. (PEDREIRA, 2013, p. 20).

Os gestores das entidades, de modo geral, incluindo os clubes de futebol, enfrentam desafios que surgem rotineiramente decorrentes do mercado globalizado e competitivo em que as organizações atuam. Alguns destes desafios se devem em parte, à grande velocidade com que as informações são geradas e à qualidade dessas numa tomada de decisão. (TOLEDO FILHO; ANTOS, 2010, p. 10).

"Um time de futebol não é nada mais do que uma empresa. No ataque temos os homens do marketing, eles devem vender o show. No meio-campo são os gestores, e os defensores são os contadores que têm de ter cuidado para que tudo fique a salvo”. Essa citação e atribuída ao treinador italiano Fabio Capello (1981) durante o período que foi treinador do time do Milan.

A citação de Capello demostra que há muito tempo existe uma relação entre futebol e negócios. No mundo inteiro, em maior ou menor grau, o futebol é um grande negócio que a cada ano movimenta bilhões de dólares. A comercialização do esporte significou uma grande mudança para os clubes que deixaram o amadorismo de lado e passaram a fazer uma administração mais profissional e que com o passar dos anos tem se aprofundado cada vez mais. Sai a gestão amadora e entra a gestão profissional. Além disso, o futebol passou a fazer parte do segmento produtivo do esporte, sendo muito importante para a economia mundial. (AZEVEDO et al, 2011; GASPARETTO, 2013).

Em 2000, a Fundação Getúlio Vargas apresentou o relatório do Plano de Modernização do Futebol Brasileiro, uma profunda pesquisa que expunha dados importantes sobre o futebol brasileiro e mundial. O relatório trazia quais eram os agentes diretos do futebol, como clubes e federações, e os indiretos, como indústrias de equipamentos esportivos e a mídia, tendo o futebol mundial, a época, movimentado, em média, cerca de 250 bilhões de dólares anuais. Uma proporção economia desse tamanho precisa ser muito bem administrada. (LEONCINI; SILVA, 2004).

Os grandes clubes de futebol chegaram a um alto nível de complexidade em suas funções e atividades desenvolvidas e assim passou-se a considerar a inclusão de profissionais capacitados para realizar a gestão dessas organizações. No contexto atual, fica inviável administrar um clube somente com boa vontade, conforme ocorreu durante décadas no Brasil e no mundo. É preciso planejar o crescimento do clube, suas atividades, a formalização de procedimentos e regras, estabelecer os papéis e funções, a coordenação adequada entre as áreas e um processo definido para todos com o objetivo de alcançar uma maior eficácia e eficiência de tomada de decisões na gestão do clube. (GÓMEZ; OPAZO, 2007; AZEVEDO et al, 2011).

Como em qualquer ramo de atuação, o clube de futebol, como uma empresa, busca sempre procura a perenização, que é a consolidação de sua existência, por meio de resultados financeiros positivos ao longo do tempo. Clube esportivo é definido como local de uma sociedade ou agremiação dotado de instalações para a prática de esportes (competitivo-individuais ou em equipe) e/ou de recreação de seus associados. Também é um local onde se realizam reuniões de caráter recreativo, cultural, artístico, político e social. No entanto, o objetivo de um clube de futebol profissional de elite não é só fornecem programas de esporte para a comunidade, mas também formar uma equipe de primeiro nível que representara o clube em competições nacionais e internacionais. (FERNANDES, 2000).

Mas segundo alguns autores, é um produto realizado por trabalhadores, utilizando espaços e equipamentos em competição entre adversários o futebol caracteriza-se como negócio. Logo, é indústria e um negócio. (SZYMANSKI; KUYPERS, 1999 apud GASPARETTO, 2013). Apesar do objetivo maior dos clubes de futebol ser a obtenção de títulos, a lucratividade como finalidade de qualquer organização não pode de hipótese nenhuma ser colocada de lado. O desempenho financeiro precisa estar ligado ao esportivo. Assim, os desafios tanto do clube de futebol como de uma empresa passam a ser semelhante, que é o de implementar modernas técnicas administrativas, adotando métodos de gestão que permitam às mesmas serem competitivas (TACHIZAWA; FERREIRA; FORTUNA, 2004).

Deve-se considerar que gerir um clube de futebol, envolve mais do que simplesmente administrar. O futebol é acima de tudo uma economia da experiência, sem venda de serviços, mas sim de sensações, em que seu torcedor-cliente deve receber um espetáculo, uma vivência memorável. “Trata-se de um esporte tão adorado e complexo devido as suas relações estabelecidas entre clubes, federações, torcedores, mídia, necessita de uma estrutura lógica que ajude a administrar o negócio “futebol”, enquadrando-o na economia de serviços, mais especificamente na economia do entretenimento”. (GASPARETTO, 2013, p. 826).

No Brasil, segundo dados do relatório da Fundação Getúlio Vargas, já citado, o futebol, como atividade econômica, apresenta uma grande capacidade de gerar empregos. Pode-se contabilizar: 300 mil empregos diretos; 30 milhões de praticantes (formais e não formais); 580mil jogadores em 13 mil times que participam de jogos organizados (esporte formal); 580 estádios com capacidade para abrigar mais de 5,5 milhões de torcedores; cerca de 500 clubes profissionais disputando uma média de noventa (90) partidas por ano; e em termos de fornecimento anual de materiais e equipamentos esportivos, são cerca de 9 milhões de chuteiras para futebol e futsal, 6 milhões de bolas e trinta e dois (32) milhões de camisas. (LEONCINI; SILVA, 2004; PEDREIRA et al., 2013).

Com a promulgação da Lei 9.615 de 1998, conhecida como Lei Pelé, as organizações esportivas passaram a ter uma regulamentação jurídica mais consistente a partir da promulgação, sendo que com a lei 9.981 alterações significativas possibilitaram a transformação dos clubes em empresas. Assim, os clubes poderiam se transformar em sociedades com fins econômicos ou contratarem empresas para gestão ou em sociedades comerciais dá-se a oportunidade das associações esportivas a objetivarem o lucro. (PIMENTEL, 2011).

Apesar de algumas mudanças, no futebol brasileiro o profissionalismo só é realmente percebido dentro de campo, através dos atletas e comissão técnica que tem dedicação exclusiva aos clubes. Com relação aos administradores, a maioria trabalha em outras ocupações e destina apenas algumas horas durante a semana para atender as demandadas administrativas do clube. Portanto, profissionalizar a parte administrativa é totalmente necessário e indiscutível, almejando uma gestão mais eficiente e melhores resultados e lucros. (GASPARETTO, 2013).

“A essência da gestão esportiva é maximizar os lucros e manter bom desempenho técnico das equipes e atletas. Os principais fatores que determinam a lucratividade e a lógica do negócio para os clubes são o desempenho em campo, lucro, receita e despesas com salários”. (PEDREIRA et al., 2013, p. 27).

O maior objetivo de um clube de futebol é um desempenho técnico favorável de sua equipe. Mas para que isso ocorra, o trabalho fora de campo deve ser muito bem gerido. Nesse caso, torna-se essencial o trabalho de gestores profissionais com dedicação exclusiva à administração dos clubes.

7. Casos de Sucesso

São varios os casos de administraçao bem sucedida no futebol mundial. Os grandes clubes europeus são um belo exemplo disto e no Brasil temos dispontando o Clube de Regatas do Flamengo como um caso que está se encaminhando para uma gestão de excelencia.

7.1 Futebol Club Barcelona (FCB)

O Futbol Club Barcelona (FCB) foi fundado em 1899, na cidade de Barcelona, Espanha, por um grupo de futebolistas suíços, ingleses e catalães.  O clube é símbolo da cultura catalã e ao contrário das principais equipes de futebol são os próprios torcedores que operam o funcionamento do clube, motivo pelo qual utiliza o lema "Més que un club" (Mais que um clube). O Barcelona é hoje o segundo clube de futebol mais valioso do mundo, com seu valor estimado em $3.2 bilhões, e o quarto clube de futebol mais rico em termos de receita, com um volume de negócios anual de $484.6 milhões. (FCB, 2016).

Mas, há exatamente 13 anos, em 2003, o FCB era considerado como o clube mais endividado em Espanha, estando afundado em problemas económicos, de gestão esportiva, organizacional e social. Isso durante a gestão do presidente Joan Gaspart que foi eleito com um discurso de mudanças, mas que terminou pedindo demissão depois de quase três anos de gestão. Nesse cenário, novas eleições foram convocadas e Joan Laporta foi eleito presidente, apresentando um plano chamado de “Círculo Virtuoso” que deveria ser implantado durante sua gestão (2003 a 2007). O plano de Laporta baseava-se em três pilares fundamentais: Conhecimento da Indústria; O Círculo Virtuoso e Plano de Negócios. (LAUX, 2011; CAMPUZANO, 2013).

O primeiro pilar, conhecimento da indústria, baseava-se em entender o que estava aconteceu naquele momento no futebol europeu e como isso poderia beneficiar o clube. Duas situações se destacavam: o uso de novas tecnologias estava levando a diversificação na maneira de se transmitir os jogos de futebol e gerando mudanças significativas nos direitos televisivos e nas receitas com publicidade. O redesenho dos estádios também estava em pauta. Eles estavam começando a ser considerando como unidades próprias de negócios em si mesmas, o que definitivamente estabelecida a indústria do esporte como um concorrente, pelo menos nesses aspectos da indústria do entretenimento. (KASE et al., 2007; FCB, 2016).

O segundo pilar, o Círculo Virtuoso, tinha por estratégia trazer de volta ao clube os sucessos esportivos que iriam levar a uma venda maior de ingressos e consequentemente a um aumento nas receitas. Basicamente, pretendia-se promover e fortalecer três áreas-chave: esportiva, econômica e social, com cada uma estando interligada a outra “num efeito de ‘bola de neve’. O sucesso de uma levaria ao sucesso da seguinte e isso iria aumentando gradualmente mais e mais”. (FCB, 2016; KASE et al., 2007; LAUX, 2011).

O terceiro pilar era o plano de negócios, que a partir do início da administração de Laporta, estabeleceu objetivos a serem atingidos. Os objetivos macros eram ganhar posições no mundo "top ten" e ter um posicionamento internacional entre os grandes clubes; os objetivos meso se dividiam em acabar com as dívidas pendentes e ter uma relação estável entre salários e volume de negócios; os objetivos micro se dividiam em ter uma central de compras para os torcedores adquirirem produtos do clube e um Serviço de Atendimento ao Cliente (SAC). (GOMEZ; OPAZO et al. 2007; FCB, 2016).

De tempos em tempos a implementação e evolução desses objetivos foram revistos e analisados. Também é importante destacar seis pontos chave na administração da FCB que lhe permitiu alcançar e permanecer na posição privilegiada onde está agora, estes são: gestão profissional, o valor da marca, patrocínio ativo, gestão de talentos e investimentos. (CAMPUZANO, 2013).

Mas especialistas consideram que além de todos os fatores apresentados para a mudança que ocorreu no clube, o produto esportivo foi fundamental. Em 2003 Laporta e sua equipe observaram uma mudança no modelo esporte vs entretenimento e procuraram, a médio e longo prazo, incorporar o FCB também no setor entretenimento global. (BOURDIEU, 2010).

Szymanski; Kuper, (2010, apud FLORES, 2014, grifo nosso) colocam que os clubes com melhores resultados tem os jogadores mais bem pagos e assim tem-se a seguinte equação: salários mais altos = resultados desportivos maiores = maior número de espectadores = maior volume de negócios. Então era se apresentar num grande show (Liga Espanhola de Futebol e Liga dos Campeões da Europa), com grandes atores (Ronaldinho Gaúcho foi contratado em 2004), com uma boa equipe, ter um numero cada vem maior de torcedores e um volume maior de receita. Assim também dar valor da marca FBC buscando identificar o clube com seus seguidores, clientes e patrocinadores em todo o mundo para que os valores do clube junto a sociedade se destacam e criando uma marca forte que habita o imaginário do torcedor e se converte não só em ingressos, mas em camisas, bolas, uniformes completos, escolinhas de futebol, entre outros. Em relação à área econômica do clube, a estratégia baseou-se em aumentar as receitas, reduzir custos e refinanciar a dívida. (LAUX, 2011; FCB, 2016).

Treze anos após a implantação do plano de Joan Laporta, verifica-se que a gestão FCB chegou a nível premium. Os resultados obtidos, tanto na área esportiva, como econômico e social, provam o quanto a gestão é um sucesso. Campuzano (2013) considera quatro elementos-chave para todo esse sucesso: “visão esportiva e gestão estratégica de negócios; o ciclo virtuoso que se alimenta e é melhorado ano após ano; primeira classe de talentos e chefia. Esses quatro componentes são permitidos para o FC Barcelona "Mes que un Club", admirado por esportes e fãs de esportes não hoje e um modelo de negócio todo”.

7.2 Clubes de Regatas do Flamengo

O atual presidente do Clube de Regatas do Flamengo, período, Eduardo Bandeira de Melo e administrador e funcionário público de carreira do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Fugindo das características paternalistas, clientelistas, demagogas, relações pessoais que ainda ocorrem no futebol brasileiro e do estereotipo de cartola tradicional, mostrou a que veio, no seu primeiro discurso como presidente ao colocar que o foco de sua administração seria a reestruturação da gestão do clube com seriedade e transparência. (ALVES, 2016; PAULA, 2015).

Reunindo um grande time de executivos, Bandeira de Melo e sua diretoria conseguiram reconstruir a confiabilidade do clube de maior torcida do mundo. O Flamengo passou a ser manchete nos jornais e revistas como exemplo de gestão a ser seguido.

Essa revolução administrativa rubro-negra começou há 3 anos fazendo mudanças importantes e quebrando paradigma. “Bandeira de Melo foi protagonista na tramitação da Lei do Profut no Congresso Nacional, no enfrentamento à Federação Estadual do Rio de Janeiro, na criação da Primeira Liga e nada indica que ele pare por aqui. O presidente do Flamengo quer colaborar na reforma geral do futebol brasileiro”. (MOHR; ULBRICH, 2016).

Quando assumiu a presidência do clube, o Flamengo tinha uma divida ativa de R$750 milhões. Em 2015 o clube teve um superávit de R$130 milhões e ainda conseguiu bons resultados dentro de campo, conquistando a Copa do Brasil (2013), o Campeonato Carioca (2014) e a tradicional Copa São Paulo de Futebol Júnior (2016). Com cerca de 60% dos votos foi reconduzido a novo mandato em dezembro de 2015. (PAULA, 2015).

A impressionante recuperação financeira do Flamengo se torna mais interessante se compararmos a receita da temporada 2015 com a receita do Futbol Club Barcelona no mesmo período. “O Flamengo divulgou nesta segunda-feira o seu balanço financeiro de 2015 e registrou um lucro de R$ 130,450 milhões na última temporada. É mais do que o dobro faturado em seu exercício de 2014, com R$ 64,312 milhões no período. Ainda mais importante: superior, inclusive, aos números do Barcelona, que teve um superávit de 15 milhões de euros (R$ 61 milhões, de acordo com a cotação) na temporada 2014/15”. (COSTA, 2015).

Em um workshop promovido pelo Itaú BBA a gestão administrativa do Flamengo foi destaque, o banco de investimentos do grupo Itaú, projetou que a equipe pode tornar-se imbatível no Brasil caso consiga levar o sucesso de sua administração para dentro do campo. (ALVES, 2016).

A administração de Bandeira de Melo no Flamengo foge totalmente das mazelas conhecidas no futebol brasileiro. A dedicação ao clube é absoluta. O processo de reorganização das contas rubro-negras pautou-se pelos princípios de austeridade financeira, responsabilidade fiscal, planejamento em longo prazo e transparência. “No início de 2014, fez um “golaço” ao estimular a aprovação - que veio por unanimidade - de medida que trata a irresponsabilidade financeira dos recursos do clube com sanções ao patrimônio privado dos gestores que os promoveram, adequando as regras do clube à Lei de Responsabilidade Fiscal do Esporte, a Medida Provisória 671”. (MOHR; ULBRICH, 2016).

Com a maior torcida do país, o clube quer utilizar a força dos seus torcedores como combustível para o sucesso. E para isso, pretender transformar o Programa Sócio-torcedor na maior fonte de receita do clube, fugindo da dependência da receita das transmissões das partidas. A pretensão é ampliar as condições de contratação sem fugir da realidade de contenção de gastos, e ter um poder de investimento digno de grandes clubes da Europa. “E lá que miramos e é lá que queremos chegar”. Diz Bandeira de Melo. (PAULA, 2015; COSTA, 2015).

“Nós temos hoje dois clubes grandes do futebol que demonstram uma melhoria na qualidade de gestão importante: o Flamengo e o Palmeiras. Não estamos aqui julgando se eles estão no melhor modelo de gestão possível. Mas a transição que eles vêm apresentando na mudança de gestão deles demonstra que você consegue sim, gradualmente, numa transição trazer qualidade de gestão e buscar melhoria de desempenho de ponta também”. (Fernando Chacon, diretor executivo do Banco Itaú apud SPORTV, 2016).

8. Conclusão

Profissionalizar a gestão do clube de futebol é um dos desafios profissionais de hoje em todo o mundo. O aumento acelerado dos negócios originados pela indústria do futebol e a demanda crescente por investimento induziram a mudanças nas entidades esportivas, transformações que incidem em dois aspectos: o nascimento de novos modelos de administração e a convergência para a substituição da sua forma jurídica.

Nos últimos 40 anos, todos os países que passaram por um aumento exponencial do esporte, tiveram intervenções do Estado na área, incentivando e promovendo investimentos privados, estimulando o papel ativo do empreendedorismo para a gestão de clubes de futebol como empresas, municiando não apenas o capital, mas cultivando critérios de eficiência, qualidade e eficiência.

A Europa chegou à frente nesta questão e desde os anos 80 estabeleceu seus clubes-empresa, com politicas de uma gestão profissional e ideias inovadores que levaram os clubes a patamares mais elevados e a um retorno financeiro impressionante. As ligas europeias de futebol são um forte exemplo disso, pois as mudanças de gestão dos clubes foram levadas as ligas, o que propiciou uma nova visão em relação ao esporte e transformou todo o contexto do futebol num grande negocio que gera bilhões de dólares a cada temporada e agrega novos torcedores/clientes. Em contraste, só há pouco tempo as estruturas desportivas na América Latina começaram realmente a gestão dos clubes e utilizar a inovação. Como é o caso do Brasil, onde administração profissional no futebol sempre foi melhor dentro de campo. Uma administração que tem chamado a atenção é do Clube de Regatas do Flamengo, que vem conseguindo diminuir sua dívida, gerar lucro e ter bons resultados dentro de campo.

O futebol brasileiro está muito aquém do futebol europeu e suas ligas, mas estamos caminhando, com vários clubes implementando gestão profissional e conseguindo melhores receitas. As mudanças que proporcionaram tanto a Lei Zico, como a Lei Pele foram fundamentais para isso. Agora esperemos que a modernização que se acredita para o futuro dos clubes de futebol deva os vários níveis organizacionais dessa indústria e, principalmente, um melhor entendimento dos seus verdadeiros papeis social e econômico.

Procuramos neste trabalho apresentar a importância da administração profissional para uma melhor gestão dos clubes de futebol. Mostramos os casos de sucesso, as grandes ligas e como o futebol mundial hoje é um grande negócio que gera bilhões em receita. O assunto é inesgotável, principalmente pelo futebol ser uma fonte inesgotável de paixão que passa de geração para geração e que aparentemente se tornou um grande negocio eterno.

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1 Em 146 a.C. a Grécia foi conquistada pelos romanos e durante um determinado período os Jogos Olímpicos foram transferidos para Roma, regressaram a Olímpia em 78 a.C.. Disponível em:< https://pt.wikipedia.org/wiki/Jogos_Ol%C3%ADmpicos_da_Antiguidade>. Acesso em: 13 out. 2016.


Publicado por: DIOGO DA CUNHA COUTINHO

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